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O SL Benfica foi ao estádio José de Alvalade derrotar o Sporting CP por 2-4 e voltou ao segundo lugar da Primeira Liga, empurrando o eterno rival para mais longo da luta pelo título. A partida revelou-se bastante invulgar pelo resultado final invulgar, como raramente se tem visto em dérbis. Ambas as equipas chegaram a marcar mais golos, mas todos acabariam por ser anulados, e a expectativa para o próximo encontro entre os adversários da 2ª Circular já na quarta-feira, na Luz, para a 1ª mão das meias finais da Taça de Portugal.
O SL Benfica começa o jogo com uma estratégia bem visível: aproveitar a verticalidade de Rafa e atacar pela esquerda, ou melhor, a direita defensiva do Sporting a cargo de Bruno Gaspar, no lugar do castigado Ristovski – por expulsão na jornada anterior frente ao V. Setúbal.
Logo aos 4’, os “encarnados” avisaram com um cruzamento de Rafa, onde só faltou Seferovic encostar. O suíço chega mesmo ao golo ao minuto 11: Gabriel deixa a defesa dos “leões” em contrapé com um passe para Grimaldo que subia a ala esquerda. O espanhol cruza de primeira para Seferovic cabecear para o fundo das redes (0-1). Renan Ribeiro não se fez ao lance.
Apesar de paupérrima, a resposta do Sporting CP apareceu pouco depois, aos 14’, com um livre de Bruno Fernandes que passou bem perto da baliza do SL Benfica, mesmo depois de ter batido na barreira. Os “leões” tentavam reagir, mas deu-se lugar a uma sessão de muitos passes falhados a meio campo onde as “águias” também participaram por algum tempo até que as redes de Renan são agitadas novamente aos 22’ por João Félix. No entanto, o árbitro Artur Soares Dias anulou o golo porque entendeu que o jovem avançado dos “encarnados” tinha feito falta sobre Wendel antes do remate certeiro.
Não houve golo, mas o SL Benfica cresceu e muito ao longo da primeira parte e João Félix marca mesmo a valer. Aos 36’ Seferovic encontra o camisola 79 isolado nas costas da defesa do Sporting CP a entrar ao centro da grande área para fazer o 0-2. Contra a corrente de jogo, os “leões” conseguiu reduzir a diferença antes do intervalo. Samaris perde a bola onde não devia, a meio campo, para Nani fazer um passe rasteiro do vértice esquerdo da área para Bruno Fernandes à direita rematar de primeira ao poste mais distante de Vlachodimos (1-2). A defesa benfiquista estava subida no terreno e foi apanhada em contrapé.
Para o início da segunda parte, Marcel Keizer lançou logo Diaby no lugar de Nani, para tentar aproveitar a velocidade do maliano nas transições ofensivas, só que o SL Benfica dilatou a sua vantagem: aos 46’, num livro descaído do lado batido por Pizzi, Rúben Dias saltou mais alto que a defesa leonina e cabeceou para o 1-3. O terceiro golo quase que derrubou a estratégia idealizada pelo técnico holandês para a segunda parte.

A partir daí, o que se assistiu foi um SL Benfica confortável na partida, a conseguir manter longe o Sporting CP da sua área, que ia tentando criar lances de perigo, embora sem resultados práticos, tendo mesmo só conseguido assustar Vlachodimos aos 61’, através de um livre de Raphinha. Os “encarnados” voltariam a marcar, desta feita de grande penalidade, num lance em que João Félix contorna Renan Ribeiro, mas é derrubado pelo guardião – Pizzi fez o quarto tento aos 72’, embora com alguma sorte à mistura, já que o número 40 defendeu mal a bola.
O jogo voltou a ganhar outro interesse à entrada dos últimos cinco minutos, quando foi assinalada grande penalidade a favor do Sporting – Bas Dost liberta-se bem da marcação e tenta encostar, só que Vlachodimos derruba o avançado holandês e, após consulta do VAR, o guardião recebeu ordem de expulsão -, que foi bem convertida pelo ponta de lança. Ainda houve a expectativa de se assistir à recuperação da equipa da casa, contudo faltou vontade para tal acontecer.
Poucos instantes depois, Artur Soares Dias deu por terminado um encontro repleto de golos, algo que não acontecia desde 2013 – nessa altura, houve sete golos num dérbi para a Taça de Portugal.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
Sporting CP: Renan Ribeiro; Bruno Gaspar, André Pinto (89’ Luiz Phellype), Sebastian Coates e Jefferson; Gudelj, Wendel e Bruno Fernandes; Nani (45’ Diaby), Raphinha (85’ Jovane Cabral) e Bas Dost
SL Benfica: Odysseas Vlachodimos; André Almeida, Jardel, Rúben Dias e Grimaldo; Samaris, Gabriel, Pizzi (90+2’ Eduardo Salvio) e Rafa (87’ Svilar); João Félix (76’ Franco Cervi) e Seferovic
A FIGURA
Sociedade Seferovic/João Félix: A dupla atacante à disposição de Bruno Lage continua a dar mostras de enorme sintonia. Os dois fizeram o gosto ao pé e foram uma constante dor de cabeça para a defesa leonina, através das boas combinações. João Félix mostrou-se bastante móvel na frente de ataque, movendo-se muitas vezes para o lado direito do ataque encarnado, por culpa de Pizzi atuar como médio interior em grande parte do encontro. Seferovic continuou a desempenhar funções ao centro e fez o golo madrugador que inaugurou o marcador.
O FORA-DE-JOGO

Marcel Keizer: Apesar das inúmeras contrariedades antes do dérbi (desgaste físico, lesões e suspensão de Ristovski), era expectável uma postura mais aguerrida do Sporting CP para um encontro de elevada importância nas contas do título. A defesa mostrou algumas dificuldades em conter a ofensiva encarnada, sobretudo Bruno Gaspar, que está diretamente ligado aos dois primeiros golos do SL Benfica. O lado direito defensivo foi o mais visado pelas “águias” em grande parte da partida, e o técnico holandês nada fez para retificar isso ao intervalo. Na segunda parte, podia ter arriscado mais em busca de um resultado diferente, mas não o fez.
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Sporting CP
BnR: Acha que o lado direito da defesa foi o ponto mais fraco da sua equipa neste jogo?
Marcel Keizer: Não, eu penso que atacámos e defendemos juntos durante o jogo. A defesa esteve unida enquanto equipa, e todos os treinadores costumam dizer isso. Mas acho que, normalmente, defendemos bem, transportámos a bola, criamos oportunidades e metemos todos os problemas nas costas da defesa.
SL Benfica
Não foi possível fazer pergunta ao treinador Bruno Lage.
Rescaldo com opinião de Francisco Correia e Guilherme Costa
Foto de capa: Carlos Silva/Bola na Rede










