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Um campeão europeu com a espinha dorsal errada

Nuno Almeida · 4 min

Foto: Seleções de Portugal

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Agora que vamos entrar num período de jogos de selecção, volto ao tema dos clubes que mais ajudaram à conquista do Europeu de futebol. E apesar de muitos não quererem ouvir, ou queiram simplesmente esquecer, foi o Sporting com a sua formação, e um meio campo que ainda joga maioritariamente no clube, que tornou isso possível.

Bem sei que outros já se propuseram a isso mas até agora tem sido o Sporting o principal municiador. Isso, documentado por uma das fotos que mais notoriedade teve, com dez jogadores formados na academia dos leões, criou pruridos em muita gente que imediatamente se mexeu nos bastidores. Facilmente constatamos isso com os recentes acontecimentos e convocatórias.

Nem toda a "cacetada" do mundo pode desmentir esta imagem Fonte: Sporting CP
Nem toda a “cacetada” do mundo pode desmentir esta imagem
Fonte: Sporting CP

 

Rui Jorge convocou três jogadores do plantel do Sporting, mas só porque acha que Podence e Francisco Geraldes ainda jogam no Moreirense. E, em último caso, talvez até ache que o Ruben Semedo ainda esteja em Setúbal. Não fosse isso, e o Sporting não teria nenhum dos seus jogadores nesta selecção considerando a cara de poucos amigos quando lhe falaram do Sporting como um clube que aposta em jovens. (Não foi esse o intuito? Pois bem, não tem que se ser só sério, também tem que parecê-lo.)

É que se formos ver bem, neste momento qualquer um dos três tem mais minutos jogados pelo Sporting que um que foi convocado para a selecção principal e mesmo assim foi “suficiente”. Se juntarmos a isto o facto de, olhando para a selecção sub-19, ter mais convocados de um clube que está nos últimos lugares da fase de apuramento de campeões em juniores, conseguimos perceber qual o caminho que foi escolhido por um determinado presidente para cumprir uma promessa eleitoral que já vem de há mais de dez anos: “fazer da sua formação a espinha dorsal da selecção”. Se não é possível com o talento, terá que ser pelas influências. Parabéns, estes últimos sinais estão a demonstrar que estão no bom caminho.


Juntando esta subserviência da FPF ao facto de ter sido eleito para presidente da liga alguém que já “levou nos dentes“ de um dos soldados do “exército dos seis milhões”, evocado pelo capitão De Cebolada, fica mais fácil controlar os lugares de decisão.
Até estou a imaginar de que forma tremeram as pernas ao senhor presidente da liga, quando um treinador veio com a ameaça de que se fosse necessário, atiçava o “seu” exército a quem se atrevesse a brincar com o “seu” trabalho. Será esta ameaça menos grave do que mandar toda a gente “bardamerda”? Deve ser, uma vez que o presidente do Sporting já tem um processo a decorrer, e o capitão passou pelos pingos da chuva.

Neste último caso, atribuo culpa à direcção do Sporting pela ingenuidade que demonstrou em apoiar alguém que vinha de uma classe que sempre demonstrou desrespeito pelo nosso clube. Não se poderia esperar que este senhor tivesse uma formação diferente de um meio que o moldou e chegou a “sabotar” jogos do Sporting por declarações proferidas por dirigentes do clube leonino, muito menos graves que as proferidas nos últimos tempos por várias pessoas “anexas” a outros clubes de futebol.

O capitão do "exército de 6 milhões" que, quando não ganha, vai sempre questionar os árbitros no final dos jogos Fonte: SL Benfica
O capitão do “exército de 6 milhões” que, quando não ganha, vai sempre questionar os árbitros no final dos jogos
Fonte: SL Benfica

Efectivamente o futebol português vive um momento de anarquia. Anarquia essa criada essencialmente por quem se vem queixar desse mesmo estado. E sobre castigos, o que dizer dos que o presidente do Sporting cumpriu com posterior despenalização? Quanto vale esta despenalização depois de cumprido o castigo? Quanto a ameaças, e não me querendo repetir mas sendo obrigado, o que dizer de falar em “exército de seis milhões” pronto a ser convocado para uma “guerra”? Para além de ameaça é também coação, certo? E tudo isto em comunicado, sendo esse modelo de comunicação exclusivo do nosso clube, segundo alguns.

E já que estamos a falar de Federação e convocatória da equipa nacional, um olhar sobre um jogador mal-amado na equipa nacional, já que esta seleção parece começar a ter lugares cativos. Devo dizer que, por muito que o considere um jogador com menos qualidade que outros pontas de lança que temos em Portugal, ganhou o direito a estar presente em todas as convocatórias da selecção até que se reforme pelo momento mais importante e emocionante que ele proporcionou à nação em termos de futebol. Por aquele pontapé carregado de esperança de um pais inteiro, já fez algo mais importante para o nosso futebol que muitos consagrados a descansar no panteão (Se aqui estivesse o gordo agora, ia gritar para eu respeitar a memória, quase a chorar). Pode ser o patinho feio, mas nunca ninguém irá esquecer EDER. Porque foi ele que os f@&€@, e tornou tão mais suportável a vida de milhares de emigrantes naquele pais de “coques” de crista empinada.

Fonte: Seleções de Portugal

Nuno Almeida

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