O Rangers FC foi este domingo consagrado campeão escocês pela 55ª vez na sua história, reforçando o estatuto de clube com mais títulos nacionais no mundo. O clube volta a alcançar assim o patamar mais alto do futebol nacional, dez anos depois da última conquista. Esta conquista sabe ainda melhor se tivermos presente o delicado momento que viveu o clube.
A época de 2010/2011 marca a última vez que os “Gers” celebraram o título escocês. No ano seguinte, em 2012, a direção, envolvida em polémicas devido a contratos de jogadores na década anterior, viu-se proibida de se inscrever em competições profissionais. Foram relegados para a quarta divisão nessa temporada e aos graves problemas financeiros acresceram os desportivos. Abriu falência, vários jogadores rescindiram e a crise estalou de forma definitiva. O clube mais titulado do mundo estava agora fora da elite. Era necessária uma mão firme e os adeptos foram parte integrante do processo de reestruturação, nunca abandonando o clube e sem perder a esperança de que era possível dar a volta.
As dificuldades foram evidentes, mas a reestruturação foi ganhando forma e em 2016/17 o Rangers FC voltou a estar na Primeira Liga Escocesa. A adaptação foi bastante complicada e o domínio continuava a ser do Celtic FC, que aproveitou a falta de concorrência para somar nove (!) títulos consecutivos. Para se perceber a força destes dois clubes, é preciso recuar até à temporada de 1984/85 para ver um outro campeão: o Aberdeen FC.
Em 2018/19, Steven Gerrard, figura e lenda do Liverpool FC, assumiu o comando técnico, naquela que seria a sua primeira experiência como treinador principal de uma equipa sénior, depois de abandonar o cargo de treinador dos sub-18 do Liverpool FC. Gerrard tinha a possibilidade, pela sua reputação no futebol mundial, de começar em clubes certamente melhores. Mas a verdade é que preferiu traçar o seu percurso, começando por baixo, e tem todo o mérito exatamente por isso. Depois de duas épocas a ser “vice”, é campeão com um registo verdadeiramente impressionante. São nove golos sofridos e 77 marcados em 32 jogos. Pelo caminho, e este é outro dos méritos de Steven Gerrrard, conseguiu a valorização de atletas como Alfredo Morelos, Ryan Kent, James Tavernier, Goldson, Ianis Hagi, entre outros, que tiveram espaço para brilhar apoiados pela experiência e veterania de Allan McGregor, Steven Davies ou Jermain Defoe.
🏆 Manager of the Champions, Steven Gerrard, has tonight spoken of the ‘monumental achievement’ of his Rangers team claiming 55.
Desengane-se quem achar que o trabalho do treinador inglês termina com a conquista do título. Fora de portas, a passagem pela Liga Europa tem sido um sucesso, tendo-se qualificado em primeiro lugar do grupo D, onde encontrou o SL Benfica, por exemplo. Na fase a eliminar, já deixou pelo caminho o Royal Antuérpia FC e segue-se agora o SK Slavia Praga. O foco será agora total nesta competição e tem tudo para continuar a surpreender.
Para a semana temos novamente dérbi do Old Firm, um dos maiores e mais entusiasmantes confrontos do futebol mundial, ainda que sem adeptos. Desta feita, o vencedor vai ser outro que não o Celtic FC, para variar. O futebol escocês, e não só, precisa de um Rangers FC forte e capaz de lutar por objetivos maiores, como manda a sua história.
O ATP de Roterdão, ainda que jogado três semanas depois do habitual, manteve-se como o primeiro evento de nível 500 da temporada. Com o Australian Open disputado há pouco tempo, os favoritos eram aqueles que tiveram melhores prestações nessa prova do Grand Slam, nomeadamente Daniil Medvedev e Alexander Zverev.
A melhor forma de resumir este torneio é dividi-lo em duas metades, a parte de cima do quadro e a parte de baixo. Na parte de cima estavam os dois maiores favoritos a vencer o torneio, Medvedev e Zverev, e estavam ainda Bautista Agut e Felix Aliassime como os outros dois cabeças-de-série.
Já na parte de baixo estavam Tsitsipas, Rublev, Goffin e Wawrinka. Na parte de cima do quadro houve uma razia completa, os quatro cabeças-de-série caíram todos na primeira ronda. Em relação aos principais favoritos, Medvedev perdeu para Lajovic, e Zverev para Bublik.
Na parte de baixo, por sua vez, apenas Wawrinka não conseguiu seguir em frente na primeira ronda, depois de apanhar Karen Khachanov, que produziu um ténis de grande nível e apenas foi eliminado por Tsitsipas, no set decisivo. Devido a esta primeira ronda diabólica para os favoritos, a parte de cima do quadro ficou muito aberta e era difícil prever quem pudesse chegar à final.
Borna Coric, que, apesar de já andar há largos anos ao mais alto nível, parece tardar em afirmar-se de pedra e cal junto dos melhores do mundo. Fez um torneio muito sólido e foi, inclusive, o único que chegou às meias-finais sem ter de ter sido posto à prova num terceiro set.
Nas meias-finais tinha pela frente Fucsovics, o búlgaro, que teve de ultrapassar o quadro de qualificação para chegar ao quadro principal, tinha tido uma excelente prestação no primeiro Grand Slam do ano e está a lançar as bases para uma época sólida. Apesar de o croata chegar a esta fase do torneio com mais descanso, foi o Fucsovics que entrou de forma mais imponente e liderou a partida do início ao fim.
O búlgaro foi exímio em todas as oportunidades de break que teve, tendo aproveitado as cinco de que dispôs. O serviço de Borna Coric foi, sem dúvida, o seu calcanhar de aquiles, o croata venceu apenas 28% dos pontos disputados no seu segundo serviço o que comprometeu a passagem à final.
From qualifying…to the final!
Hungary’s Marton Fucsovics is an ATP 500 finalist for the first time – knocking out Coric 6-4 6-1 to set up a Rotterdam showdown with Rublev pic.twitter.com/cirIA6xwFM
Andrey Rublev, o “dono” dos ATP 500 da última temporada – conquistou os três últimos torneios desta categoria, fez um bom percurso para chegar às meias-finais. Jérémy Chardy, a jogar a um nível como eu nunca o tinha visto fazer na vida, foi a única pedra no sapato de Rublev que até o obrigou a ter de disputar o set decisivo para vencer o encontro.
Do outro lado, para disputar o acesso às meias-finais, tinha Tsitsipas, o segundo cabeça-de-série do torneio que teve uma vida bem mais complicada depois de ser obrigado a disputar dois sets decisivos nas duas eliminatórias anteriores, frente a Hurkacz e Khachanov. Este era o jogo grande do dia e, certamente para muitos, uma final antecipada.
O embate entre estes dois jogadores já havia proporcionado grande encontros, como o da final do ATP 500 de Hamburgo que acabou por cair para Rublev na partida decisiva, e este encontro não foi exceção e foi decidido nos detalhes. Rublev teve três pontos de break e aproveitou dois, Tsitsipas teve cinco e não aproveitou nenhum. Este foi o pormenor que desequilibrou o jogo na primeira partida e que permitiu a Rublev ter o ascendente psicológico no tie-break da segunda. 6-3 e 7-6 para Rublev que ia, na final, lutar pelo seu quarto título seguido em torneios ATP 500 e pela sua 20ª vitória seguida nesta categoria.
Haverá tradições democráticas até mais exemplificativas da necessidade da confluência de ideias na obtenção de maiores méritos, mas, em contexto português, o SL Benfica é o clube de maior índole democrática, livre, de saudável associação e sentido crítico de uma massa adepta leal mas nunca acomodada. Ou pelo menos assim foi durante décadas, sobretudo no contraste sempre vincado durante os 41 anos de ditadura exaustiva do Estado Novo.
O SL Benfica foi sempre o núcleo que aproximou gentes de todas as classes sociais no debate diário na procura dos sucessos da instituição, verdadeira catarse quanto às agruras da vida. Os maiores ídolos foram, também e principalmente eles, vítimas de escárnio e injustiças várias. A principal dificuldade em ser jogador do SL Benfica era muitas vezes de carácter emocional, onde a constante pressão desaguava em ditado que sintetiza essa problemática, “a camisola pesa!”. Vencer e honrar o símbolo ao peito era e continua a ser essencial para garantir a tranquilidade perante tão interessada falange de apoio.
Corria o ano de 1970, Jimmy Hagan tinha acabado de chegar à Luz e José Augusto tinha sido recuado a adjunto, já depois de se assumir como treinador interino aquando da demissão de Otto Glória. O Sporting CP tinha interrompido novo “tri” benfiquista no Campeonato Nacional, como foi apanágio nos anos 60, e as coisas tinham piorado com o adeus precoce na Taça dos Campeões, consequência do afastamento nos oitavos depois da moeda ao ar escocesa (3-3 no agregado vs Celtic FC), que ditava um período conturbado num clube habituado a grandes êxitos.
Mário Coluna tinha sido empurrado para Lyon, Eusébio só renovou a muito custo depois de intensas negociações com Borges Coutinho (o SL Benfica cedeu às exigências da Pantera Negra, que se cifravam nos 4000 contos em dinheiro ou géneros, pouco quando comparado com a oferta bombástica da Juventus FC – 16 000 para ele, 7000 para o clube) e o treinador inglês não mostrava ainda as credenciais que levaram à invencibilidade de 1972-1973.
Os adeptos do SL Benfica têm demonstrado a sua insatisfação face ao desempenho da equipa Fonte: Página de Facebook – Rua Vieira
Tantas peripécias levavam os benfiquistas a mostrarem cabedal e a puxar pelo brio da equipa na Assembleia Geral de Dezembro de 1970: «Profissionais de quê? Sueca ou Bacaulhazada?», era o grito de ordem. Consequentemente, ou não, quase na viragem do ano recebeu-se o campeão verde e branco na Luz. Ao fim de hora e meia, fechou-se o placard com 5-1.
Contextos conturbados que se foram repetindo ad eternum na história encarnada, na maioria das vezes terminados por abruptas mudanças na perfomance das equipas, balanceadas pelo impacto da simbologia do Terceiro Anel. Era virada para lá que era feita a vénia a meio-campo no início de cada partida, gesto especial herdado dos japoneses depois de uma digressão (nesse mesmo Verão de 1970) e implantado pelo capitão António Simões, hábito entretanto perdido no tempo.
Infelizmente, já que era sinal desse intercâmbio entre atletas e público, magnânimo nas suas avaliações e timings de apoio, mas responsável por grande parte do espírito competitivo que a equipa demonstrava nas alturas cruciais. Vítor Paneira recordou, há bem pouco tempo e aos microfones do podcast #BenficadeQuarentena, projeto do Benfica Independente, essas sensações:
«Entrar no Estádio da Luz, quando se subia o túnel para entrar em campo, era uma coisa que nos arrepiava todos. Começávamos a subir as escadas (…) e olhávamos de frente para o terceiro anel e aquilo assustava! Entrávamos, (…) fazíamos a vénia: baixávamos a “cabecinha” todos ao mesmo tempo e contávamos até três… e aquilo entrava em erupção. Quando a gente se dirigia para eles, era uma coisa que contagiava tudo, era ali que se começava logo a vencer o jogo. Depois íamos à zona dos camarotes, quase ali até ao meio-campo. Mas o respeito, apesar de ser o mesmo, ir ao outro lado é que fazia toda a diferença».
À 22.ª jornada os Dragões ocupam a terceira posição da Primeira Liga com 48 pontos, menos 10 pontos do que o líder Sporting CP. Uma distância que é pouco habitual no futebol português, o que leva à necessidade de perceber o que deu errado nas oito partidas em que o FC Porto perdeu pontos (seis empates e duas derrotas).
O primeiro grande deslize deu-se no terceiro jogo oficial da temporada numa receção ao CS Marítimo. Os azuis e brancos saem derrotados da própria casa por culpa própria, revelando nessa partida uma grande fragilidade e passividade defensiva. O grande ponto fraco na partida foi a falta de organização na marcação dos avançados insulares, o que permitiu que fizessem três golos (o jogo terminou 2-3). A ineficácia dos Dragões no ataque pesou imenso no resultado, tendo em conta que o jogo termina com 10 remates à baliza e 11 ao lado por parte da equipa da casa.
Na partida seguinte jogava-se o primeiro clássico da temporada e houve novamente uma escorregadela do FC Porto, ainda que seja mais compreensível por ser em Alvalade e perante um Sporting CP que já não se via há muito tempo. Contudo, os Dragões estiveram a vencer desde o intervalo e sofreram um golo por culpa própria a três minutos dos 90′, registando mais uma vez um índice alto de passividade na defesa tendo em conta que Vietto aparece sozinho na cara da baliza para fazer o 2-2.
Sem deixar acabar o mês de outubro, o FC Porto volta a perder pontos num jogo em que poderia e deveria ter feito muito mais. O FC Paços de Ferreira, que é já a equipa revelação da principal prova portuguesa, foi bastante superior ao detentor do título e aos 60 minutos estava a vencer por 3-1. Embora o encontro tenha terminado por 3-2, os castores poderiam ter vencido por uma vantagem ainda maior. O lance do primeiro golo, em que a bola é enviada do flanco direito para o esquerdo pelos pacences, fez com que os azuis e brancos perdessem completamente a organização defensiva e abrissem um espaço no interior para Dor Jan marcar. A falta de marcação no segundo golo sofrido pelo FC Porto é ainda mais gritante, numa jogada em que o setor defensivo portista apenas viu jogar.
Os dragões só viriam a perder pontos novamente quase três meses depois frente ao SL Benfica a 15 de janeiro. As águias até marcaram primeiro, mas o FC Porto aos 25 minutos viria a empatar com um golo de Marega. O grande percalço do encontro foi a expulsão de Mehdi Taremi já perto do final do encontro, obrigando os dragões a baixar as guardas. Apesar disso, o resultado é um reflexo de um jogo muito equilibrado, embora com mais uma falha da dupla de centrais Pepe e Mbemba no golo do adversário.
O mês de fevereiro teve um grande impacto negativo na atual classificação do plantel comandado por Sérgio Conceição. No mês mais curto do ano o FC Porto participou em nove partidas entre a Primeira Liga, Taça de Portugal e Liga dos Campeões. Entre a 17.ª jornada e a 19.ª deram-se três empates consecutivos com Belenenses SAD, SC Braga e Boavista FC. No empate a zero no Estádio do Jamor, o FC Porto revelou bastantes dificuldades no processo ofensivo e não aproveitou a oportunidade de levar os três pontos contra uma equipa que não fez qualquer remate à baliza.
Frente ao SC Braga (2-2) os dragões portaram-se muito bem até ao segundo amarelo de Corona e consequente expulsão ao minuto 60. Os dragões não souberam gerir o jogo e defender o resultado, acabando por sofrer aos 87 e aos 94. Faltou alguma maturidade e frieza na hora de defender com tudo e levar a vitória para casa. Já na receção ao Boavista FC (2-2), o FC Porto foi completamente apanhado de surpresa e sofreu dois golos por pura desatenção e falta de agressividade. Manafá e Zaidu têm sido muito bons no ataque, mas precisam de melhorar no um para um a defender.
Por último, no mais recente clássico, contra o Sporting CP, o FC Porto criou várias oportunidades de golo, mas Mehdi Taremi e mesmo Marega estavam claramente num dia não. O Sporting CP não fez qualquer remate à baliza de Marchesín e veio ao Estádio do Dragão com o objetivo de fazer o melhor resultado possível frente a um adversário difícil, deixando os dragões assumir o jogo. Ainda assim, o jogo terminou com um empate a zero.
A CRÓNICA: ERROS DAS ÁGUIAS MUITO BEM APROVEITADOS PELOS LEÕES
Os percursos imaculados de Sporting CP e SL Benfica culminaram na final da Taça de Portugal, disputada em Santo Tirso. Nos quatro dérbis anteriormente disputados, as águias venceram sempre. Por isso, os leões esperavam quebrar o enguiço e levar a taça para Alvalade.
O primeiro set foi uma montanha russa de emoções. O Sporting CP entrou melhor, mas os encarnados descolaram no marcador e tiveram uma vantagem de quatro pontos. No entanto, o bloco do SL Benfica sofreu algumas dificuldades para manter a tendência, deixando os verdes e brancos empatar. Os leões continuaram embalados pelo ímpeto e deram a volta. No final, apesar de as águias terem ameaçado, o set não fugiu ao lado leonino (29-27).
Depois de um parcial inaugural de grandes emoções, os comandados por Gersinho foram melhores em quase todos os momentos do segundo. Apesar de alguma réplica encarnada, o Sporting CP manteve a vantagem do início ao fim, vencendo o segundo set por 25-22. Assim, estavam a apenas um set de vencer a Taça de Portugal de Voleibol.
Quando se pedia uma resposta ao SL Benfica, as águias disseram “presente”. Para garantir que o Sporting CP não vencia tão cedo o encontro, os encarnados realizaram um terceiro set de grande qualidade. Com um parcial de 16-25, era necessário jogar-se mais uns minutos de voleibol em Santo Tirso.
No quarto, que se revelou o derradeiro set, os leões mostraram as garras para fechar a final depois de um sufoco encarnado. Num parcial disputado até ao último ponto, o Sporting CP venceu por 28-26, fechando a partida no 3-1 final. Este resultado garantiu a 4.ª Taça de Portugal do clube, 26 anos depois.
— Sporting CP – Modalidades (@SCPModalidades) March 7, 2021
Primeiro set da partida – Por vezes, o início de um jogo é a meio gás, mas as duas equipas usaram todo o combustível. Com pontos longos e dificuldades em fechar o set, o Sporting CP acabou por levar a melhor e embalar os leoninos para a 4.ª Taça de Portugal do palmarés.
Erros do SL Benfica – Os encarnados pareciam querer entrar bem no encontro, mas alguns erros e problemas em fechar sets passaram a bola para o lado do adversário. Esta foi a primeira derrota dos encarnados em dérbis, durante a presente temporada.
ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP
A formação comandada por Gersinho apostou num bloco forte e no esforço para levar o SL Benfica ao erro. Durante todo o encontro, os leões pareceram mais frescos física e mentalmente, com cartadas certeiras do treinador no serviço e no contra-ataque.
FORMAÇÃO E PONTUAÇÕES
João Fidalgo (6)
Eder Kock (6)
Paulo Víctor (7)
André Saliba (7)
Miguel Maia (6)
Dvoranen (7)
Renan Purificação (7)
Bruno Alves (8)
Hélio Sanches (6)
Éder Levi (7)
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
Marcel Matz viu o melhor e o pior dos seus pupilos. No início do encontro, o SL Benfica apresentou-se muito organizado, mas com alguns problemas no bloco e no sideout. Apesar de algumas melhoras no terceiro set, hoje não foi um dia sim para os encarnados.
A CRÓNICA: MANCHESTER UNITED FC DE GALA QUEBRA RECORDE DE GUARDIOLA
Segunda volta de um dos dérbis mais cativantes do futebol mundial: Machester City FC vs Manchester United FC. De que cor será Manchester? O jogo começou, claramente, em tons de vermelho, com Martial a ser derrubado na área por um imprudente Gabriel Jesus e, na sequência, Bruno Fernandes a converter a grande penalidade. Dois minutos de jogo e parecia que os “Sky Blue” estavam atarantados com esta entrada dos homens treinados por Ole. Tanto que, logo a seguir, perderam uma bola na área e, se calha a ser outro jogador a apanhar a bola – no caso foi Luke Shaw –, poderiam estar a perder 0-2 aos quatro minutos.
Depois deste início de partida frenético, o Manchester City FC acalmou o seu jogo, começou a circular a bola, manter a posse, conseguindo – a espaços – quebrar o “autocarro vermelho” que se posicionava à sua frente. Rashford era a principal seta apontada à sua baliza, sempre que o Manchester United FC recuperava. Até ao intervalo, o resultado não se alterou, mas a toada ofensiva dos homens da casa e o contra-ataque rápido dos “Red Devils” prometiam para a segunda-parte.
O contra-ataque acabou por reinar. Início da segunda metade do desafio e o Manchester United FC, numa excelente saída de bola de Henderson (parecia Ederson), teve Shaw a conduzir, combinou com Rashford e recebeu de volta, atirando para o 0-2. Merecidíssimo prémio para o melhor em campo até ao momento, estando agora a atingir o potencial que muitos lhe identificavam quando iniciou a carreira e foi contratado pelos gigantes ingleses.
O Manchester City FC sentiu o segundo golo, começou a errar mais no passe e consequentemente a dar mais espaço ao Manchester United FC, que o tentava aproveitar. O resultado que se fixava no marcador aos 60 minutos era totalmente justo. Aliás, a melhor oportunidade de golo até aos 70 minutos foi mesmo de Martial, que isolado não conseguiu desfeitear Ederson, que fez uma excelente defesa.
Até ao fim, com as entradas de Walker e sobretudo de Foden, o Manchester City FC conseguiu estar mais perto do golo, mas o desacerto a finalizar foi sempre superior.
Com este 0-2, os “Red Devils” assumem de vez que são candidatos a garantir mais cedo um lugar no “top four” e os “Citizens”, apesar de não terem o campeonato em risco – 11 pontos de vantagem ainda –, têm aqui um aviso de que não há impossíveis no futebol e que têm de continuar a trabalhar ao mesmo nível para vencerem esta Primeira Liga Inglesa.
Manchester United FC – Confesso que não estava à espera desta exibição, não estavam numa fase particularmente fulgurante da época, mas os orientados por Solskjaer fizeram uma partida fantástica em casa do rival de Manchester. Muito sólidos do ponto de vista defensivo e muito inteligentes a interpretar as fraquezas do “City” sem bola.
Shaw foi o melhor em campo, juntamente com McTominay. Rashford também fez um excelente jogo, tal como Fred e Wan-Bissaka.
Manchester City FC – Por oposição, esta foi a partida mais fraca dos “Citizens” nos últimos meses, com muito pouco acerto no passe (algo totalmente invulgar na turma de Guardiola), um processo defensivo muito tremido e um ofensivo que, apesar de ter gerado algumas oportunidades, não teve o nível que habitualmente tem.
Rúben Dias fez o pior jogo que me lembro desde que está no Manchester City FC (sofreu sobretudo com a velocidade de Rashford) e Cancelo também não se apresentou ao seu melhor nível. Gabriel Jesus foi, de longe, o pior em campo e Sterling esteve mal a decidir e a finalizar. Destacaram-se Zinchenko e Stones, bem como Mahrez (o que mais tentou remar contra a maré).
ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY FC
O líder – e futuro campeão da Primeira Liga Inglesa 2020/21 (digo eu) – entrou para este derby de Manchester com um 4-3-3, a tática que voltou a puxar os homens de Pep Guardiola para o comando do futebol inglês. Um onze que não apresenta qualquer novidade, com muita qualidade, dois portugueses a titulares e, se contarmos com Ederson, três “benfiquistas” no quinteto mais defensivo.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Ederson (6)
Cancelo (5)
Ruben Dias (5)
Stones (6)
Zinchenko (6)
Rodrigo (6)
Gundogan (7)
De Bruyne (6)
Sterling (5)
Gabriel Jesus (4)
Mahrez (6)
SUBS UTILIZADOS
Walker (6)
Foden (6)
ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER UNITED FC
Tal como optou por utilizar frente ao Chelsea FC há precisamente uma semana atrás, Ole Gunnar Solskjaer repetiu a tática (4-2-3-1) que, diga-se a verdade, não o tem submetido a derrotas, mas também não lhe tem trazido muitos triunfos. Com o duplo pivot Fred e McTominay, ao qual se junta Bruno Fernandes, muitas vezes consegue o domínio do meio-campo. Esse fator, na minha opinião, tem sido chave para as “clean sheets” que têm registado, disfarçando as debilidades de Maguire e Lindelof.
As principais novidades são a inclusão de Henderson na baliza e de Martial na frente de ataque, duas alterações que melhoram, do meu ponto de vista, a qualidade dos “Red Devils”.
A CRÓNICA: CONTROLO “COLCHONERO” NÃO FOI SUFICIENTE
Em fim-de-semana de loucos, recheado de dérbis e clássicos, de Espanha chega-nos mais um. O dérbi de Madrid colocava frente a frente Club Atlético de Madrid e Real Madrid CF, que prometia ser escaldante e previsivelmente decisivo nas contas do título espanhol. A jogar em casa, no Estádio Wanda Metropolitano, em caso de vitória, os “colchoneros” podiam dar um passo de gigante e cimentar ainda mais o primeiro lugar.
Diego Simeone decidiu deixar João Félix no banco e apostou em Thomas Lemar para fazer companhia a Luis Suárez na frente de ataque. Destaque ainda para as apostas em Kieran Trippier, regressado depois de longa ausência, e Karim Benzema, avançado e referência do ataque de Zidane.
O Atlético entrou dominante e esteve por cima nos minutos iniciais do encontro. A entrada positiva foi mesmo confirmada com golo. Costuma dizer-se que os grandes jogadores aparecem nos grandes jogos, e é bem verdade. Numa altura em que o Real Madrid CF tentava pressionar alto e condicionar a saída de bola dos “colchoneros”, golo do inevitável, Luis Suárez. Contra-ataque mortífero, brilhantemente guiado por Marcos Llorente, e vantagem para o conjunto da casa ainda antes dos 15 minutos.
O Real Madrid CF teve de tomar as rédeas da partida e o primeiro tempo acabou por ser muito mais do mesmo. Mais posse de bola para os merengues, mas sem resultados à vista. Domínio do Atlético, que mesmo sem bola, controlou. Nada pareciam conseguir fazer para penetrar a sólida defesa “colchonera” e as equipas foram para o intervalo com 1-0 no marcador.
O regresso dos balneários foi igualmente intenso. A defesa do Real Madrid CF foi constantemente pressionada e errava, uma e outra vez. Llorente, Carrasco e Suárez foram diabos à solta no ataque e faziam o que queriam no meio-campo contrário. Podiam mesmo ter ampliado a vantagem por várias ocasiões. Menos tempo de ataque, mas com investidas muito mais verticais e perigosas.
O jogo parecia caminhar pacificamente para o fim, mas a verdade é que a dez minutos do fim, surgiram as melhores oportunidades na partida para o Real Madrid CF. Karim Benzema esbarrou, por diversas vezes, num “muro” chamado Jan Oblak. Estiradas de outro mundo do guarda-redes esloveno impediram, por momentos, que o resultado fosse outro.
Aos 88 minutos, o impensável aconteceu. Um adormecido Real Madrid CF renasceu das cinzas pelos pés de Karim Benzema. Combinação perfeita do francês com Casemiro, que furaram a defesa contrária com relativa facilidade.
Acabou empatado um duelo que foi na sua generalidade demasiado desequilibrado. O Atlético foi mais equipa e superiorizou-se em praticamente todos os momentos do jogo, mas nunca conseguiu ampliar a vantagem. Sorri o FC Barcelona, que ganha pontos a dois rivais diretos na luta pelo título.
Marcos Llorente – Seria sempre complicado escolher o homem do jogo de hoje. Decidi escolher Marcos Llorente por aquilo que fez durante toda a partida. Encheu o campo. Ocupou um raio de ação bastante alargado, tendo chegado por diversas vezes a zonas de finalização para servir os colegas. Transportou a bola em velocidade e fez a sua equipa subir no terreno com uma aparente facilidade. Luis Suárez fez também uma enorme exibição, assim como os defesas-centrais Stefan Savić e Felipe. Do lado “merengue”, Karim Benzema empatou a partida através de iniciativas individuais ou combinações com alguns colegas.
Defesa do Real Madrid CF – A passividade da defesa do Real Madrid CF foi atroz e o empate acaba por ser uma mal menor para a exibição. Só não correu pior porque o Atlético falhou em momentos crucias na cara de Thibaut Courtois. A pressão adversária foi, surpreendentemente, intensa e as debilidades foram mais que muitas. Não conseguiam sair a jogar a partir de trás e os passes errados multiplicavam-se. Precisa de melhorar bastante neste capítulo no futuro.
ANÁLISE TÁTICA – CLUB ATLÉTICO DE MADRID
Diego Simeone montou com um sistema bastante híbrido para defrontar o Real Madrid CF. A equipa mostrou-se com várias caras na partida de hoje. Tanto procurou dominar o adversário como preferia apostar num bloco mais recuado para conter o ataque dos “merengues”. As variações entre a linha de três e quatro defesas foi constante. O sistema 4-4-2 era opção, ainda que o 3-5-2 fosse também visível, dependendo sempre muito dos posicionamentos dos laterais e de Thomas Lemar, que deambulava entre o apoio ao avançado e a ajuda aos médios mais recuados.
Mario Hermoso era o lateral esquerdo, mas preocupava-se mais em juntar-se aos centrais Savić e Felipe. Do outro lado, Kieran Trippier não tinha problemas em subir pela ala e oferecer a profundidade de que a equipa necessitava.
Ao contrário de outros jogos o Atlético mostrou-se mais atrevido e pressionante, nunca escondendo a prioridade em defender e fechar espaços ao adversário. Diego Simeone entrou decidido a não jogar para não perder, mas sim ganhar.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Jan Oblak (8)
Felipe (7)
Mario Hermoso (6)
Stefan Savić (7)
Yannick Carrasco (8)
Koke (7)
Marcos Llorente (8)
Kieran Trippier (6)
Thomas Lemar (6)
Ángel Correa (6)
Luis Suárez (9)
SUBS UTILIZADOS
Saúl Ñíguez (6)
João Félix (5)
Geoffrey Kondogbia (-)
ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF
Zinédine Zidane não surpreendeu e voltou a apresentar o seu habitual 4-3-3. A pressão alta do Real Madrid teve efeitos contrários e originou o primeiro golo da partida. O Atlético saiu bem e Llorente desmarcou Suárez, que apareceu para finalizar com alguma tranquilidade na cara de Courtois. A passividade da defesa merengue voltou a evidenciar-se e não faltaram oportunidades ao adversário para ampliar o marcador.
No ataque tentava explorar-se as investidas pelo corredor esquerdo. A sobreposição de médios, extremos, e até Benzema nessa zona acabava por dar mais conforto ao Real para tentar explorar momentos de perigo, sem sucesso. Do lado direito, mais apagado e sem grande visibilidade ficou Rodrygo, que passou muito ao lado do jogo.
As dificuldades dos “Blancos” podem em muito dever-se à limitação da ação de Luka Modrić e Toni Kroos. Se os dois médios tivessem tempo para pensar o jogo, sucediam-se oportunidades, caso contrário existia apatia e incapacidade. Benzema acabou por desmontar, sozinho, uma defesa que parecia impenetrável.
A CRÓNICA: JOÃO MÁRIO GARANTE REGRESSO DA ACADÉMICA OAF AOS TRIUNFOS
O Estádio Municipal 25 de Abril serviu de palco para o primeiro desafio do dia a contar para o segundo escalão do futebol nacional. Frente a frente, FC Penafiel e Académica OAF, oitavo e terceiro classificados, respetivamente. Do lado caseiro, a turma de Pedro Ribeiro procurava somar mais três pontos, depois de vencer a UD Oliveirense durante a semana. Já a Académica, depois de duas derrotas consecutivas, necessitava de voltar aos triunfos para se manter viva na luta pela subida.
A equipa Penafidelense entrou melhor na partida, tomando o controlo da situação e aproximando-se da baliza de Mika, ainda que de maneira muito tímida. A formação forasteira, por outro lado, entrou algo nervosa. O passado recente de resultados negativos prometia causar insegurança e nervosismo, mas a resposta não poderia ter sido mais sólida e taticamente planeada.
O controlo da partida por parte do Penafiel esbarrou numa estável defensiva da “Briosa”, que, conjugando a evidenciada qualidade na organização no momento sem bola, soube explorar a velocidade de João Mário, tremendamente decisivo no curso do jogo, ao apontar os dois únicos golos da partida.
Os pupilos de Rui Borges revelaram uma maturidade e frieza impecáveis, não só na ação de impedir o Penafiel de usar de forma objetiva os terrenos avançados dados deliberadamente pela Briosa, mas sobretudo na maneira como exploraram a profundidade após a recuperação de bola, emancipada pela velocidade dos homens da frente e pela disposição da linha defensiva dos de Penafiel, muitas vezes avançada no terreno e demasiadas vezes apanhada desprevenida.
A vantagem dos “estudantes” surgiu exatamente através destes moldes. Numa correria alucinante, João Mário galgou metros atrás de metros para bater Emanuel Novo. Com a vantagem no marcador, a estratégia montada pelos visitantes passou a fazer ainda mais sentido, criando praticamente todas as chances de que dispôs a partir do seu próprio meio campo e da velocidade de Sanca e João Mário, servidos por Traquina, Dias ou Mimito.
E foi a partir daquilo que foi a primeira parte que começou a segunda. Ambas as equipas permaneceram no jogo com a mesma mentalidade, se bem que o segundo golo de João Mário – aos 53 minutos de jogo -, à boca da baliza e depois de um excelente cruzamento do capitão Traquina, forçou mexidas de parte a parte, e com isso o jogo sofreu diversas mutações.
A entrada de Ronaldo Tavares dinamizou o jogo penafidelense. Antes disso, foram diversas as ocasiões para a Académica acabar com o assunto em diversos lances de ataque rápido, mas devido à enorme ingenuidade dos elementos de ataque da “Briosa”, nenhuma situação criou real perigo.
Quem não marca, sofre. E assim aconteceu. Depois de várias aproximações com perigo, o Penafiel, em crescendo, chegou ao golo por Ronaldo Tavares, que assinou o seu primeiro tento de 2021 e teve um papel de destaque e irreverência caseira, depois de causar vários problemas à turma da região centro.
O apito final de Artur Soares Dias acabou com o “sofrimento” da Académica, que arrancou três pontos depois de uma exibição cautelosa e muito bem preparada. A “Briosa” soma agora 45 pontos, reforçando a terceira posição e fica agora à espera do desafio entre os dois da frente: Estoril e Feirense. A equipa de Pedro Ribeiro viu-se prejudicada por inúmeros momentos de desequilíbrio e só se pode queixar de si própria, falhando assim o assalto ao sétimo lugar da classificação – ainda com dois jogos em atraso.
João Mário – Dois golos fundamentais. Não só pelo momento da equipa, mas também pela importância que teve no jogo em si. A batalhar contra uma linha de três, o atleta de 27 anos trouxe a vitória para a “Briosa” depois de um sprint diabólico, que culminou numa finalização descomplicada. No segundo golo, estava no sítio certo à hora certa e esta é a exata função de um bom avançado. Nota para a qualidade no ataque às costas da defensiva do Penafiel, bem como a segurar e a tocar curto para os colegas.
Controlo da profundidade por parte do FC Penafiel – Como Pedro Ribeiro disse em conferência de imprensa, o Penafiel estava preparado para as incursões da Académica em ataque rápido. A verdade é que isso não evitou um turbilhão de problemas. Noutras fases do jogo, a equipa esteve por cima, mas quando a bola era esticada na frente por parte da “Briosa”, as limitações em termos de velocidade e posicionamento, quer na linha demasiado subida para três centrais não muito rápidos, quer na falta de compensações, poderia ter custado ainda mais caro. Num Universo perpendicular, onde o Penafiel tivesse sido mais competente neste aspeto, talvez o resultado fosse outro.
ANÁLISE TÁTICA – FC PENAFIEL
Numa constante variação dependendo do momento ofensivo ou defensivo, a formação penafidelense apresentou-se num sistema que contemplava uma defesa a cinco. Como seria de esperar, outra das nuances táticas de relevo passaram pela pedra basilar da equipa: Bruno César. O brasileiro ex-Sporting CP, à imagem do que se vem sucedendo neste Penafiel de Pedro Ribeiro, ficou encarregue das principais despesas, responsabilidades e timings de ataque dos anfitriões. A par de Rui Pedro, mas a um nível bem mais vincado, mostrou-se interventivo na manobra ofensiva da sua equipa, principalmente com ações de grande qualidade no ato de explorar as costas dos “estudantes”, nomeadamente, com as incursões de Simão e Gustavo Henrique nas laterais – também Wagner e Robinho, momentaneamente.
Em desvantagem, a equipa continuou a pecar no momento de transição defensiva (origem do primeiro golo). Apoios mal colocados, descompensações, inúmeros desequilíbrios que aqui e ali foram ajustados por Pedro Ribeiro e por um Ronaldo Tavares endiabrado (autor do golo de honra), mas que podiam facilmente deixar o Penafiel fora da luta pelos pontos precocemente.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Emanuel Novo (4)
Gustavo Henrique (4)
Ricardo Machado (4)
Paulo Henrique (4)
Simão (5)
João Amorim (4)
Capela (4)
Bruno César (6)
Wagner (4)
Robinho (4)
Rui Pedro (5)
SUBS UTILIZADOS
D.Caiado (4)
R.Tavares (6)
Junior Franco (4)
Prazeres (-)
Pedro Soares (-)
ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF
A “Briosa”, organizada em 4-3-3, totalizou cerca de 37% da posse de bola. A situação, pouco usual, teve muito a ver com a estratégia montada por Rui Borges, mas também pelo decurso de acontecimentos. A tal questão da profundidade, potenciada pela velocidade de João Mário e a rapidez de pensamento e execução de jogadores como Traquina ou Sanca, foi preponderante para a vantagem adquirida pela Académica e demasiado sedutora para encarar a partida de outra forma.
Destaque para uma formação que primou pela organização e estabilidade, não permitindo ao Penafiel ameaçar perigosamente as redes de Mika na maior parte do tempo de jogo. Um quarteto defensivo sólido, uma coordenação defensiva exímia até ao golo sofrido e ainda, de destacar, as manobras para explorar as costas do meio-campo composto por Bruno César e João Amorim: principalmente Traquina a aparecer em zonas interiores para protagonizar o último passe e criar situações de desequilíbrio.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Mika (5)
Fabiano (5)
Silvério (5)
Rafael Vieira (5)
Bruno Teles (5)
Ricardo Dias (6)
Mimito Biai (6)
Fabinho (5)
Leandro Sanca (6)
João Traquina (6)
João Mário (6)
SUBS UTILIZADOS
Mayembela (5)
Diogo Pereira (4)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
FC Penafiel
BnR: Pergunto-lhe se o Penafiel estava preparado para encontrar uma Académica retraída e a explorar o ataque rápido. O que é que tentou fazer para tentar contrariar essa situação?
Pedro Ribeiro: Viu o jogo da primeira volta? Foi igual a este. Aos 20 segundos temos uma oportunidade de golo. O jogo estava equilibrado e num contra-ataque sofremos um golo. Estávamos preparados. Isto depois é um jogo de mérito e demérito. Se formos negativistas e agarrarmo-nos ao demérito de uma equipa, não nos podemos esquecer que do lado contrário está um treinador e um conjunto de jogadores, com uma determinada estratégia e com qualidade. A Académica está em terceiro e não é por acaso. É uma boa equipa e que tem feito um bom campeonato. O jogo foi aquilo que toda a gente viu, num pequeno pormenor, num lance em que devíamos ter sido mais agressivos de forma a parar aquela transição, não conseguimos e é muito penalizador depois para a equipa voltar, se bem que a equipa tentou de tudo e a bola entrou apenas uma vez.
Académica OAF
BnR: Bruno César, como é sabido, é um jogador preponderante na manobra ofensiva do Penafiel. Pergunto-lhe se se preparou de alguma forma para o condicionar e, se de facto pensou nisso, o que tentou fazer?
Rui Borges: Não, não olhámos no plano individual. Olhámos para o coletivo e depois num ou noutro pormenor naquilo que é a qualidade de cada um nas suas posições. Preparamos os duelos individuais, não nos preparamos para um jogador só, mas sabíamos que o Penafiel é uma equipa com muita qualidade, com muitas soluções e que joga bem e gosta de ter bola. Acima de tudo, a Académica preocupa-se com o que podemos ou não fazer nos jogos, mais do que identificar individualidades. É mais o coletivo e as dinâmicas coletivas.
No Sporting CP, estar em primeiro lugar no campeonato, para além de normalmente implicar muita qualidade coletiva, também é sinónimo de boas performances individuais. Estas boas performances saltam à vista e, certamente, não passam despercebidas aos selecionadores, sobretudo em alturas onde importantes competições se avizinham.
Neste artigo, iremos analisar quais os jogadores do Sporting CP que têm estado em bom plano e já fazem por merecer uma chamada do selecionador do seu respetivo país. Como Coates e Feddal têm sido presenças habituais nas convocatórias das suas seleções, não serão incluídos.
Liga Inglesa, Jornada 27: domingo, 16:30, 7 de março de 2021
ANTEVISÃO: CONSEGUIRÃO OS RED DEVILS QUEBRAR A SÉRIE INVICTA DE 21 VITÓRIAS DO MANCHESTER CITY FC?
Há muito que se diga deste jogo. A jornada 27 traz à nossa televisão uma batalha de gigantes: Manchester City FC X Manchester United FC – um clássico escaldante que pode definir de vez o futuro campeão da Liga Inglesa. Ambas as equipas provém de séries magníficas que tornam a tarde de domingo um pouco mais especial.
A formação de Pep Guardiola está numa forma deslumbrante, instigado pela sua cegueira vitoriosa. O empate e a derrota não entram no campo de visão dos Citizens há 21 jogos, garantindo uma vantagem folgada de 14 pontos face ao segundo lugar Manchester United FC. E agora, quem se segue na lista? Nada mais, nada menos do que os históricos Red Devils que, embora não registem esta época qualquer vitória diante dos “Big 6”, são invencíveis fora de casa (na Liga Inglesa) há mais de um ano. Não será propriamente um desafio fácil.
Há recordes e séries por todo o lado. Um deles sairá invicto e o outro diz adeus a esse momento “glorioso”. A pergunta é: qual deles? Quem prevalecerá nesta tarde histórica em Manchester?
10 DADOS RÁPIDOS
Este domingo, realiza-se o 185º derby de Manchester.
Na última jornada, o Manchester City FC ultrapassou o número de golos marcados do Manchester United FC, tornando-se a melhor defesa (17 golos) e melhor ataque (56 golos) da Liga Inglesa.
O Manchester United FC regista dez jogos consecutivos sem perder.
Desde a jornada 18 que os Citizens estão na frente do campeonato.
Na época passada, o Manchester City FC e o Manchester United FC terminaram, respetivamente, em segundo e terceiro lugar na Liga Inglesa.
Os dois melhores marcadores de ambas as equipas (no campeonato) são médios: Ilkay Gundogan (11 golos) e Bruno Fernandes (15 golos).
Guardiola quebrou o record das 200 vitórias mais rápidas de sempre da Liga Inglesa, ao serviço do Manchester City FC (273 jogos).
As três contratações mais caras da história do futebol inglês foram do Manchester United FC: Paul Pogba (105 milhões); Harry Maguire (87 milhões) e Romelu Lukaku (84,70 milhões).
O primeiro jogo do século XXI entre as duas equipas terminou 1-1 em casa dos Skys Blues.
Nos últimos cinco embates entre as duas equipas no Ethiad Stadium, o City apenas ganhou um jogo.
Ilkay Gundogan (Manchester City FC) – A sua evolução no Manchester City FC é brilhante. Após algumas épocas mais tímidas, o número “8” dos Citizens veio dar uma estabilidade e segurança muito importante ao meio campo da equipa. Está a realizar a melhor época da sua vida (13 golos e 3 assistências) numa das melhores fases de sempre do Manchester City FC e custa me a crer que seja coincidência. Veremos o que Gundogan reservará para o derby.
Bruno Fernandes has just one goal (a penalty) and no assists in seven games against ‘the big six’ in the Premier League in 2020-21 🤷♂️ pic.twitter.com/AG5HPDZ9ZA
Bruno Fernandes (Manchester United FC) – Mais uma vez, temos o suspeito do costume à mesa. A verdade é que, para ele, as luzes da ribalta já se tornam um hábito em virtude das suas fantásticas exibições pelo Manchester United FC. Todavia, nem tudo é um mar de rosas. Diante dos “Big 6” no campeonato , o ex-leão apenas marcou um golo em sete jogos. Um Bruno Fernandes desinspirado contra os melhores de Inglaterra?
Poderá ser esta a sua oportunidade de provar o contrário, mesmo quando, para mim e muitos, já provou mais do que suficiente na sua passagem pelos Red Devils. Agarrem o comando, as pipocas e aproveitem o espetáculo.
XI´S PROVÁVEIS
Manchester City FC: Ederson Moraes, João Cancelo, Rúben Dias, John Stones, Kyle Walker, Ilkay Gundogan, Rodri, Kevin de Bruyne, Raheem Sterling, Gabriel Jesus e Riyad Mahrez.
Treinador: Pep Guardiola: “Eu sei como o United é difícil. Tenho a sensação de que são uma equipa melhor a cada temporada. Eles não perdem há mais de um ano. Eles conseguem sempre bons resultados aqui no Etihad Stadium, mas sabemos que temos a oportunidade de ampliar a nossa vantagem.”
Manchester United FC: Dean Henderson, Luke Shaw, Harry Maguire, Victor Lindelöf, Aaron Wan-Bissaka, Fred, Scott McTominay, Marcus Rashford, Bruno Fernandes, Mason Greenwood e Edison Cavani.
Treinador: Ole Gunnar Solskjaer: “Estamos a pensar apenas neste jogo, não no que pode acontecer a seguir. Temos de tentar melhorar o que fizemos na temporada passada, desafiando-nos a ganhar um título.”
PREVISÃO DE RESULTADO: Manchester City FC 2-1 Manchester United FC