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FC Vizela 2-0 CD Mafra: Cinzento 45 para o final 41

A CRÓNICA: O CD MAFRA JOGOU 45 MINUTOS, O FC VIZELA JOGOU O QUE RESTA

O Sol raiava sobre as onze camisolas canarinhas e as onze camisolas azul céu. Restava saber a quem estaria concernida a exibição com lustro mais acentuado.

João Cunha troçou dos momentos que se traduzem pela ausência de luz. Após uma bola bombeada para a grande área e colocada no seu companheiro de setor João Miguel (15′), o camisola cinco – com visibilidade totalmente desimpedida – atirou ao poste.

Escrevia-se, mesmo sem ser esse o propósito inicial, uma nova versão do Ensaio sobre a Cegueira: Carlos Henriques, guarda-redes do CD Mafra, ao ser solicitado por Pedro Barcelos com o firme intento de lançar a profundidade (36′), atirou contra Cassiano; este, através de uma corrida desenfreada, recuperou o esférico e ofereceu-o a Samu que desperdiça a oportunidade de inaugurar o marcador.

Era preferível fazer uma pausa, limpar o suor que provocava ardência nos olhos e ouvir a palestra previamente preparada. Intervalo!

No regresso ao relvado, eis a ação fortuita: após recuperação de bola (46′), M. Paulo descobriu F. Cann entre os dois centrais do CD Mafra, lançou-o na profundidade e esperou que o pé respondesse afirmativamente. Trovoada seca em Vizela! Claridade primaveril! 1-0!

O jogo acabou por arrefecer até ser feita luz novamente: após lançamento de linha lateral, Ofori serviu Samu que depositou rapidamente em Tavinho (71′); o número sete do FC Vizela desmarcou-se pelo flanco direito,, correu alguns metros e aplicou um passe atrasado a pedido de Samu para que a concretização se consumasse. 2-0!

Os últimos dez minutos foram empolgantes: Ivo Pinto aproveitou os flashes das câmaras existentes e defendeu para a fotografia, a remate de Lee (82′); na resposta, Tavinho, através de uma investida individual (83′), desmontou Gui Ferreira, imprimiu velocidade e dividiu o remate desferido com o cruzamento.

O apito final soou. O FC Vizela somou mais três pontos e continua a caminhada sob o epíteto de outsider rumo à subida.

 

A FIGURA

Fonte: Facebook FC Vizela

Segunda parte do FC Vizela – se a primeira parte deixou a desejar e não encerrou em si o ímpeto ofensivo característico da grande maioria das partidas que compõe o perfil do FC Vizela, a segunda dissipou as dúvidas que podiam existir. Álvaro Pacheco mexeu bem no meio campo na entrada para o intervalo: o desenlace da partida está na entrada de M. Paulo.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Entrada em falso na segunda parte do CD Mafra – os indícios deixados durante os primeiros 45 minutos não avizinhavam o descalabro que iria constituir a segunda metade. A concentração foi substituída pela desconcentração. Não existiu capacidade de reação ao golo sofrido até à entrada de Lee.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC VIZELA

Álvaro Pacheco repete (quase) sem adulterações o sistema tático utilizado defronte do GD Chaves (2-2), na última jornada da Segunda Liga Portuguesa: 4-5-1. Por sua vez, Matheus Costa, sancionado com a cartolina vermelha diante dos flavienses, cumpre o castigo e dá lugar a Marcelo no centro da defesa do FC Vizela.

Durante a primeira metade, a formação vizelense conheceu um desacerto na maioria das suas investidas ofensivas: Ericson comprometeu na segunda fase de construção e permitiu o desarme em algumas situações, enquanto que R. Guzzo e Samu foram incapazes de ser a conexão com o último terço do terreno e, assim, mediar interações. A demanda incessante da profundidade que Cassiano e F. Cann oferecem ao jogo não estava a resultar face aos elevados índices de concentração da defesa do CD Mafra e à sua antecipação. Salienta-se também o posicionamento deficitário naquela que foi a melhor oportunidade de golo até ao término da primeira parte.

Os segundos 45 minutos reuniram um conjunto de fatores favoráveis ao triunfo: entrada forte, capacidade de controlo da partida através da gestão dos momentos de jogo, exploração dos espaços entrelinhas, – algo não concretizado até à entrada de M. Paulo – afunilamento dos flancos pela preponderância ofensiva de Tavinho, Kiko Bondoso e Ofori e criação de situações de perigo iminente. Defensivamente, a linha de quatro esteve irrepreensível: hábil no desarme e comprometida com os que ocupavam o miolo, a primeira fase de construção foi cumprida sem grandes dificuldade.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ivo (6)

Raphael Guzzo (7)

Cassiano (5)

Marcelo (6)

Kiko Bondoso (6)

Samu (7)

Ericson (4)

Kiki (6)

Aidara (6)

Richard Ofori (6)

Francis Cann (6)

 

SUBS UTILIZADAS

M. Paulo (7)

Taviinho (7)

Mosevich (-)

A. Soares (-)

João Pedro (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD MAFRA

Filipe Cândido não prescinde do habitual 3-5-2. O lateral esquerdo Bruno Silva (ex-Moreirense FC) cumpriu castigo e abriu uma vaga no corredor, espaço esse ocupado pelo suplente Gui Ferreira. Os forasteiros venceram, na passada jornada, o FC Penafiel (1-0).

Nos primeiros 45 minutos, a equipa do CD Mafra estudou bem o plano gizado por Álvaro Pacheco e companhia: vedar os espaços nas costas do seu setor defensivo com a utilização da armadilha do fora de jogo e colocar um véu sobre os espaços entrelinhas, na primeira fase de construção do FC Vizela. Campos e Gui Ferreira auxiliavam o ataque e cumpriam o seu papel nos momentos defensivos – transformando o 3-5-2 em 5-3-2 – através da pressão alta exercida sobre o portador da bola. Ofensivamente, o CD Mafra foi a equipa que criou mais perigo, mesmo que Camará e Sanches se sentissem muito desapoiados e fossem lançados constantemente na profundidade.

A segunda parte do CD Mafra desiludiu e não cumpriu as expetativas face ao desempenho nos primeiros 45 minutos. O golo madrugador sofrido abalou a estratégia gizada: a dádiva da posse ao adversário e o perfeito usufruto do contragolpe. A primeira falha de posicionamento defensivo resultou no golo adversário. Até à entrada de Lee, a equipa de Filipe Cândido foi incapaz de criar perigo junto da baliza adversária. As substituições para a frente de ataque não surtiram o efeito necessário para discutir o rumo que a partida podia ter.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Carlos Henriques (5)

Campos (6)

João Cunha (5)

João Miguel (6)

Pedro Barcelos (5)

Gui Ferreira (6)

Cuca (6)

Carlos Daniel (5)

Camará (6)

Ismael (6)

Edi Semedo (6)

 

SUBS UTILIZADAS

Andrezinho (5)

G. Moura (4)

Lee (6)

Okitokandjo (-)

Wenderson (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Vizela

BnR: Bom dia, mister. Antes de mais, parabéns pela vitória. Na primeira parte, o CD Mafra estudou bem a lição e tapou os espaços entrelinhas, travou o possível perigo que a profundidade podia causar bem como o ataque do FC Vizela pelos flancos. O Samu e o R. Guzzo não estavam a conseguir mediar as interações. O Ericson dava mostras de falhas na segunda fase de construção e acabou por perder algumas bolas quando pressionado. Marcos Paulo era a peça que faltava para montar o puzzle pretendido?

Álvaro Pacheco: Sim, sim. Uma primeira parte mesmo sem bola, não estávamos a ser assertivos. Foi uma primeira parte descompactada. o CD Mafra conseguiu sair bem por dentro e por fora. Nos espaços entrelinhas eu discordo um bocadinho consigo, nós conseguimos chegar. Faltou aos jogadores terem mais tranquilidade e serenidade nos momentos com bola. Ao intervalo, eu disse aos meus jogadores que precisávamos de sair com uma linha de três porque eles estavam a sair com uma linha de cinco. A partir daí, já sabíamos que os espaços nos terrenos mais interiores iam abrir. Sabíamos também que, se conseguíssemos marcar primeiro, seria muito difícil o CD Mafra reverter o resultado em seu favor porque, nesta temporada, nunca o conseguiu. Animicamente, eles iam sentir-se afetados. Quero também dizer que, se o CD Mafra saísse vencedor na primeira parte, não seria nenhum escândalo porque criou a melhor oportunidade de perigo. Contudo, felizmente para nós, conseguimos marcar cedo no início da segunda, onde fomos claramente melhores. Quero felicitar os meus jogadores!

 

CD Mafra

BnR: Bom dia, mister. Pergunto-lhe o que faltou ao CD Mafra para reagir mais rapidamente ao golo sofrido? Até à entrada de Lee, as situações de perigo iminente não se verificaram.

Filipe Cândido: Termos alguma estabilidade emocional, tem de ser passada por alguns jogadores com mais experiência, na divisão. Temos feito uma aposta em função do investimento que temos. temos muito jogadores que vieram do Campeonato de Portugal e isso depois reflete-se em diversos momentos de jogo. O Marcos Paulo também teve essa capacidade para virar o jogo em função do FC Vizela. Até aí, na primeira parte, nós conseguimos tapar os espaços entrelinhas e aproveitar os pequenos espaços que nos foram concedidos. Faltou-nos maturidade. Estamos em março, mas eu costumo dizer que são as dores de crescimento de uma equipa que ainda não tem aquele estado emocional como queríamos que tivesse.

 

Dragão visita Barcelos de orgulho ferido: Gil Vicente FC x FC Porto

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Primeira Liga, jornada 22: sábado, 18h00, 6 de março de 2021
ANTEVISÃO: SERÁ A BONANÇA DEPOIS DA TEMPESTADE?

O FC Porto regressa ao campeonato, após uma derrota estrondosa a meio da semana contra o SC Braga, frente ao Gil Vicente FC, que, neste momento, ocupa uma posição delicada na tabela classificativa. Apesar da diferença pontual, ambas as formações atravessam momentos complicados, sendo que os portistas apenas venceram uma vez nos últimos cinco jogos, enquanto os homens de Barcelos têm três derrotas em cinco desafios.

ANTES DE DESLOCAÇÃO EUROPEIA, OS DRAGÕES VISITAM O GALO. SERÁ QUE OS CAMPEÕES NACIONAIS SAEM COM OS TRÊS OVOS DA CIDADE BARCELOS? SE SABES A RESPOSTA, PODES APOSTAR EM BET.PT!

Sérgio Conceição enfrenta algumas dúvidas na formulação do onze, já que Mbemba parece em risco para esta partida, sendo que antecede o grande desafio com a Juventus FC, em Turim, pelo que o treinador azul e branco poderá pensar em algumas poupanças. Toda a gente sabe do grande volume ou do calendário agressivo que o FC Porto tem enfrentado, pelo que o risco de lesão dos jogadores é acrescido.

O FC Porto, atualmente, está na 3.ª posição do campeonato, sendo que a diferença que separa o 2.º e o 4.º lugar é muito diminuta, pelo que todos os pontos são bem vindos, nesta altura. Após vários deslizes nas últimas semanas, os dragões esperam retomar o trilho das vitórias, pois um lugar na Liga dos Campeões, na próxima temporada, revela-se crucial para o clube. Já o Gil Vicente FC tem como objetivo fugir dos últimos lugares e aspira subir na tabela da Primeira Liga, para que possa enfrentar o resto da época de uma maneira mais tranquila.

10 DADOS RÁPIDOS

  1. Em 47 confrontos, o FC Porto já venceu o Gil Vicente FC, por 38 vezes;
  2. O FC Porto já venceu 14 vezes, em 23 partidas, em Barcelos;
  3. Os dragões venceram os últimos três jogos contra o seu adversário de amanhã;
  4. Ricardo Soares, técnico dos gilistas, ainda não conseguiu ganhar nenhuma vez ao FC Porto;
  5. Amanhã, o melhor ataque da prova, FC Porto, estará perante uma das defesas mais débeis do campeonato;
  6. Os azuis e brancos vêm de uma série mais negativa, pois só tem uma vitória, nos últimos cinco desafios;
  7. Domingos Paciência, no contexto histórico, é o jogador com mais golos, em partidas que opõem estes dois clubes;
  8. Na época passada, com o falecido Vitor Oliveira no comando, o Gil Vicente recebeu e bateu o campeão nacional, por 2-1;
  9. A contar para o campeonato, este será o 41.º jogo entre os dois emblemas;
  10. O Gil Vicente FC tem tido uma prestação aquém do esperado em casa, pois só venceu uma vez nos últimos seis desafios realizados no seu reduto.

 

JOGADORES A TER EM CONTA

Lucas Mineiro (Gil Vicente FC) – O médio brasileiro é um dos bons valores da equipa gilista. Oriundo da Chapecoense, o jovem de 25 anos está pela primeira vez a experienciar o futebol europeu, sendo que não tem revelado qualquer tipo de dificuldade para impor a sua qualidade em campo. Dono de uma boa condução de bola e de uma boa capacidade técnica, Lucas Mineiro é responsável pela organização de jogo da equipa de Ricardo Soares, o que indicia que terá de ser um dos jogadores que a equipa do FC Porto terá de estar atenta, de forma a diminuir o volume de jogo do seu adversário.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Marchesín (FC Porto) – Não tem sido um ano 2021 positivo para o FC Porto, uma vez que o nível exibicional tem ficado muito aquém das expectativas dos adeptos portistas, sendo que os resultados tem acompanhado as exibições sofríveis. Porém, o guarda redes argentino tem sido um dos valores mais consistentes da época portista, salvando a sua equipa por diversas ocasiões, apesar de não conseguir estar em todo o lado. Na sua segunda época de dragão ao peito, Marchesín teve a proeza de conseguir suceder a Iker Casillas e, neste momento, poucos são os que recordam o “reinado” do espanhol, nas redes azuis e brancas.

 

                                                               XI PROVÁVEIS:

Gil Vicente FC: Denis, Paulinho, Nogueira, Rodrigo, Gomes, Gonçalves, Lucas Mineiro, Pedrinho, Lourency, Fujimoto e Lino

Treinador: Ricardo Soares

«Esse não é o padrão do Gil, o FC Porto está habituado a várias frentes»

FC Porto: Marchesin, Manafá, Pepe, Marcano, Zaidu, Uribe, Grujic, Otávio, Corona, Marega e Taremi

Treinador: Sérgio Conceição

«Eu fico muito aziado se faltar atitude aos jogadores e compromisso»

 

PREVISÃO DE RESULTADO: Gil Vicente FC 0-1 FC Porto

SL Benfica | Os amores da Culpa de Tudo Isto…

Sporting CP, primeiro lugar, 22 jogos, 58 pontos. SL Benfica, quarto lugar, 21 jogos, 42 pontos. Em caso de vitória frente ao Belenenses SAD, o SL Benfica ficará a 13 pontos da liderança com 12 jornadas por disputar. Para alcançar o título, os encarnados necessitariam de ganhar pontos ao Sporting CP a uma média superior a um ponto por partida, até final da Primeira Liga.

Pois bem, título irremediavelmente perdido para os lados da Luz, certo? É óbvio, correto? A administração das “águias” já veio a terreno admitir a humilhante perda do campeonato após o maior investimento da história do clube, verídico? Certo, correto, verí… Ah, quase três em três…

Não veio. A afamada “estrutura” não veio a público assumir como seu pertence a integralidade do cartório de culpas daquela que se vem revelando desde os seus primórdios uma época fracassada, por qualquer que seja o prisma de observação. Contudo, não temam os mais românticos que se habituaram a finais felizes – a Culpa não morre solteira nesta história de “Era uma vez…”

De resto, e atendendo ao que tem sido a comunicação encarnada em torno dos constantes fracassos da temporada, tem tido “namoricos” e pretendentes vários a Culpa de Tudo Isto. O primeiro foi Azar, o seu escaldante affair de verão na Grécia.

Não foi o único caso internacional que a Culpa viveu. Nas partidas frente ao Rangers FC, a Culpa, à semelhança de Marco Paulo, teve dois amores: a Expulsão (apelido: Otamendi) e a Gestão (apelido: da Equipa). Na mesma competição e no regresso à Grécia, a Culpa teve uma recaída e passou uma noite mais com Azar, o seu amante grego, apetrechado de todo um novo arsenal.

O seu grande amor, no entanto, descobriu-se ser um viajante internacional que se instalou no Seixal em meados de janeiro. Chamava-se Covid e dançava só para mim, cantaria Jorge Jesus na sua melhor imitação de Paulo de Carvalho. Que paixão! De mãos dadas com a Culpa – num namoro mais do que aprovado e até patrocinado por Vieira e (má) companhia -, a Covid “arrasou” o SL Benfica.

Sabem aquelas pessoas que conhecem alguém por quem se perdem de amores (ninguém nunca se encontra de amores, ainda que deles andem à procura, é engraçado…) e se referem a esse alguém como “o amor da minha vida” e nele projetam o seu futuro, mas também o seu passado, abrangendo toda a linha da sua vida? Num instante, convergem naquele ponto “presente” tudo o que é, tudo o que virá a ser e também tudo o que foi. Sabem?

A Culpa de Tudo Isto é assim. E encontrou na Covid esse ponto. Como amor da sua vida que parece ser, congrega em si tudo o que é, tudo o que virá a ser e tudo o que foi. Entrega-se, assim, na sua totalidade, a Culpa ao seu amor. É da Covid a Culpa de Tudo Isto! Não é lindo?

Veremos se é amor para durar. Uma coisa é certa: a Culpa de Tudo Isto pode vir a ter muitos mais pretendentes e até novos namoros, de maior ou menor fervor, mas nenhum deles será Jorge Jesus ou Luís Filipe Vieira, que dela fogem a sete pés. É pena… ficavam tão bem juntos… melhor do que ninguém!

Dupla jornada rumo aos Países Baixos | Futsal

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O apuramento para o próximo Campeonato Europeu de Futsal irá conhecer uma jornada absolutamente decisiva, com o duplo confronto entre as seleções mais cotadas do grupo 8 da fase preliminar.

A nossa equipa, atual campeã continental em título, defronta a congénere da República Checa na Arena Lodz, na Polónia, em terreno neutro, devido às restrições impostas pela atual pandemia de Covid 19. Esta casa não é nova para a nossa seleção, pois já defrontámos a equipa da casa no passado mês de Fevereiro, e aqui conseguimos corrigir um mau resultado na jornada inicial, com uma vitória clara de 3-0 sobre a Polónia. Esperemos que este pavilhão se prove talismã para a nossa equipa e consigamos arrancar para uma ronda mais calma e folgada.

Esta equipa da Europa Central tem uma particularidade interessante, apesar de ainda não ter disputado qualquer jogo neste agrupamento já soma seis pontos, porque o seu adversário nas duas primeiras jornadas não pôde disputar os jogos, em virtude das normas vigentes na Noruega relativamente a voos de e para o país Nórdico, estando expressamente proibidas naquela altura as deslocações da equipa nacional de Futsal para a República Checa e vice-versa, obrigando assim a UEFA a atribuir derrota administrativa de 5-0 nos dois encontros à equipa teoricamente menos cotada das quatro presentes nesta fase.

Ora, o reverso da medalha dessa situação para o nosso adversário é a falta de ritmo competitivo que os Checos poderão inevitavelmente acusar, visto que o seu último jogo disputado enquanto seleção foi em Novembro de 2020, desde o play-off de apuramento para o Mundial, coroado com sucesso após um triunfo nas grandes penalidades contra a Croácia, indicando assim que se trata de um adversário de boa valia, um habitué também em Campeonatos da Europa, apenas falhando a edição de 2018 após cair nos play-off diante da Sérvia, tendo estado nas anteriores edições ininterruptamente desde 2001 até 2016.

Mas, como o estatuto de atual campeão europeu nos exige, temos que estar presentes e selar esse apuramento de forma categórica, com a liderança do grupo. Tal como sucedeu com Portugal, que pareceu acusar a falta de ritmo competitivo no primeiro jogo com a Polónia, poderá suceder algo parecido com o nosso rival no primeiro encontro da dupla jornada, já este Sábado.

Mas esses são cenários hipotéticos, o que terá que ocorrer é uma seleção portuguesa com grande atitude competitiva, alguma inspiração individual e coletiva e muita seriedade na forma como encara e aborda todos os momentos do encontro, pois só assim poderemos derrotar a República Checa e ficar mais próximos do próximo Europeu nos Países Baixos, onde queremos estar a defender o nosso título em 2022. Esperemos que seja de novo com os pavilhões repletos de público, e que este novo “normal” seja apenas uma memória distante a partir do próximo ano.

Foto de Capa: Seleções de Portugal

Sporting CP 2-1 CD Santa Clara: Coates a escrever direito por linhas tortas

A CRÓNICA: UM SPORTING CP ALGO ADORMECIDO QUASE TROPEÇOU ESTA NOITE

O duelo começou bem animado, com um CD Santa Clara a fazer jus às promessas do técnico Daniel Ramos. Os açorianos começaram a mostrar desde cedo que não vinham a Alvalade para conceder facilitismos. Uma pressão alta logo na primeira fase de construção acabou por “anular” a equipa leonina e, assim, o Sporting CP estava a ter muitas dificuldades para ligar o seu jogo. Podia ver-se um Santa Clara bem posicionado e a conseguir jogar sobretudo no seu meio-campo ofensivo. O conjunto de Daniel Ramos estava a condicionar de tal forma o Sporting, que os da casa não tinham feito nenhum remate nos primeiros 20 minutos.

Conta corrente, e porque o futebol tem destas coisas, aos 22 minutos o Sporting marca por intermédio de Pedro Gonçalves depois de uma recuperação de João Mário e um passe de encher o olho de Tabata. Aplausos para a eficiência leonina que em apenas um remate consegue descomplicar (pelo menos por enquanto) um duelo que parecia nunca mais conseguir “desamarrar”. O resto da primeira parte acabou por ter menos intensidade do que os minutos iniciais. Os açorianos sentiram muito o golo, mas, ainda assim, o Sporting não conseguiu dominar o adversário. Teve mais posse de bola, sim, mas sem conseguir criar grande perigo. O resto da primeiro tempo foi então mais apagado e menos interessante, principalmente quando comparado com a fase inicial do duelo.

O Santa Clara entra melhor novamente à semelhança do que aconteceu anteriormente. Conseguiu mais cantos e chegar mais vezes à área adversária. Só não estava a conseguir mesmo era marcar golo. Continuou com a pressão alta sob o portador da bola, o que levou ao leões a perderem a posse muitas vezes na saída e a jogarem muito longe da área do Santa Clara.

Esta postura dos açorianos acabou por dar frutos e repor alguma justiça no resultado. O Santa Clara acabou por chegar ao golo por Rui Costa aos 84′. Aí, o Sporting começou a tentar impor-se mais no jogo, mas sem muito tempo para emendar o resultado que, verdade seja dita, se pôs a jeito para retirar daqui esta noite. Mas a “estrelinha” acabou por aparecer novamente para os comandados de Rúben Amorim. A sorte procura-se, é certo, mas hoje o Sporting voltou a ser feliz ao cair do pano em Alvalade.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Estrelinha do Sporting – Há mesmo estrelinha neste Sporting. E trabalho também, claro. Não é para desvalorizar o que se tem feito em Alvalade, mas a verdade é que este fator é importante para qualquer equipa que aspira ser campeã em Portugal e o Sporting tem saboreado muito disso.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Saída de bola do Sporting – Houve muitas dificuldades para o Sporting sair a jogar esta noite. Muito por culpa da pressão alta do adversário, mas também por alguma passividade por parte dos leões esta noite. À semelhança do que se sentiu na semana passada no Clássico, os comandados de Rúben Amorim acabaram por mostrar algumas debilidades quando há pressão alta logo na primeira fase de construção.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

A equipa de Rúben Amorim apresentou-se esta noite em Alvalade com duas novidades: Tabata ocupa o lugar de Nuno Santos e Matheus Nunes vai render o lesionado Pedro Porro na ala direita, uma posição onde já jogou na Prova Rainha.

O Sporting apresentou-se num 3-4-3 e apesar de não ter controlado a partida desde início, há que dar nota de um estilo muito caraterístico deste conjunto de Rúben Amorim. O Sporting não estava a controlar o duelo, quem o estava a fazer até ao golo de Pote era mesmo a equipa adversária. Não obstante, fica a evidência desta tendência leonina: o Sporting não procura o controlo total do jogo através da posse de bola. Aliás, são várias as vezes em que os leões procuram um golo através de rasgos e que sobretudo aposta na transição. Uma estratégia que tem sido eficaz e, hoje, o tento foi prova disso mesmo. O Sporting não estava a saber reagir à elevada pressão no portador da bola que o conjunto do Santa Clara estava a exercer. Graças a isto, houve muita dificuldade na saída e um jogo essencialmente disputado longe da área adversária.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Adán (6)

Feddal (6)

Coates (8)

Nuno Mendes (5)

Palhinha (6)

Tabata (6)

Matheus Nunes (5)

João Mário (7)

Tiago Tomás (5)

Pedro Gonçalves (5)

Gonçalo Inácio (6)

SUBS UTILIZADOS

Matheus Reis (5)

Daniel Bragança (6)

Nuno Santos (5)

Jovane Cabral (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA 

Do lado do CD Santa Clara apresenta uma novidade em relação ao último onze. Ainda assim, já esperada. Rafael Ramos volta ao onze inicial depois de ter estado castigado no último encontro e os açorianos voltam assim àquele que pode ser considerado atualmente o seu melhor onze.

O Santa Clara apresentou-se como uma equipa muito bem encaixada e a jogar olhos nos olhos frente ao líder do campeonato nos minutos iniciais. Havia pressão alta logo na primeira fase de construção leonina, o que dificultou a tarefa aos comandados de Amorim que, até certa altura, não conseguiram chegar ao último terço do campo. Depois do tento sofrido, os comandados de Daniel Ramos caíram de rendimento. Começaram a perder muitas bolas no último passe e acabaram por permitir mais iniciativa (ainda que tímida) aos leões. Uma postura que acabou por inverter novamente no segundo tempo. Houve mais Santa Clara na segunda parte: voltou a haver uma maior pressão logo na primeira linha de construção e isso condicionou a criação leonina que não estava a conseguir avançar no terreno.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Marco (6)

Ramos (5)

Mikel Villanueva (4)

Fábio Cardoso (4)

Mansur (5)

Allano (5)

LincoIn (6)

Carlos Jr. (5)

Cryzan (4)

Morita (6)

Anderson Carvalho (5)

SUBS UTILIZADOS 

Rui Costa (7)

Jean Patric (-)

Nené (-)

João Afonso (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: Houve sempre um homem do Santa Clara a “cair” no portador da bola desde logo na primeira fase de construção. Sente que esta pode ter sido a principal dificuldade, em responder à pressão alta, à semelhança daquilo que aconteceu no clássico da semana passada?

Rúben Amorim: Houve, por exemplo, muitos pontapés de baliza que, enquanto a bola estava no Ádan e nós a sair a jogar e quando conseguíamos fazer quatro passes e tirávamos da zona de pressão, aí o Santa Clara baixava as suas linhas. Eu lembro-me de algumas vezes em que lançámos na profundidade em alturas em que não tínhamos pressão nenhuma. E temos que aprender esses timings. Temos de aprender também a capacidade de ficar com a bola. Houve uma ou outra vez em que podíamos ter saído com outra qualidade. Agora, mais uma vez, as equipas são muito bem treinadas. Relembrar que somos a melhor defesa e o segundo melhor ataque, estamos invitos. É porque estamos a fazer alguma coisa bem, mas temos pontos a melhorar obviamente.

CD Santa Clara

BnR: O Santa Clara estava muito bem. O Sporting, contra a maré, chega à vantagem. Como compor uma equipa que acaba por se ver a perder contra um adversário que no primeiro remate acaba por fazer golo. Queria perguntar também o que disse aos jogadores ao intervalo, sendo que o Santa Clara cai de rendimento depois de sofrer e no regresso aos balneários volta a melhorar a performance?

Daniel Ramos: A melhor equipa em campo foi o Santa Clara, sem dúvidas. Saímos com qualidade, tínhamos a pressão alta. Conseguimos impor a nossa ideia de jogo ofensiva. O golo surge de um erro e acaba por ficar em vantagem. Até ao final da primeira parte, não fomos tão consistente. Não conseguimos controlar.

Depois, fizemos uma segunda parte fantástica. Criámos bem no jogo, não nos limitámos a ter uma posse limitada. Foi nessa crença e nesse trabalho que chegámos ao empate. Depois o lance do segundo golo que não devia ter acontecido. Podíamos ter vencido o jogo, mas perdemos. Faz parte do processo. O que me alegra imenso é que arriscámos hoje. E são períodos como os de hoje que nos fazem olhar de uma forma mais fria. Vale a pena correr o risco como o de hoje, porque aí as situações de sucesso serão maiores do que as de insucesso.

Olheiro BnR | Henrique Araújo, a nova promessa madeirense

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Cristiano Ronaldo já não terá muitos mais anos de carreira ao mais alto nível, mas a Madeira tem outro jogador que poderá vir a ser uma estrela no futebol mundial. Trata-se de Henrique Araújo, nascido no dia 19 de Janeiro de 2002, na cidade do Funchal.

Tal como CR7, Henrique Araújo também deu os seus primeiros passos no CF Andorinha. No entanto, transferiu-se depois para o CS Marítimo, um dos principais clubes madeirenses, onde cedo demonstraria uma relação muito próxima com o golo.

Como sub-16, Henrique Araújo realizou uma temporada estrondosa nos juvenis do CS Marítimo, ao marcar 54 golos em 30 jogos, números que lhe valeram a transferência para o SL Benfica no verão de 2018. Até agora, nos três anos em que está ao serviço dos encarnados, Henrique Araújo já marcou um total de 76 golos entre as equipas de juvenis, juniores, sub-23 e equipa B, tendo-se sagrado campeão nacional de juvenis na época 2018/2019.

Apesar dos seus números estratosféricos, o avançado português ainda não tem um grande percurso nas seleções jovens, tendo inclusive falhado a presença no Campeonato da Europa de sub-17 em 2019, estando tapado por outros nomes como Fábio Silva e Tiago Tomás.

Henrique Araújo tem contrato com o SL Benfica até 2024
Henrique Araújo tem contrato com o SL Benfica até 2024
Fonte: SL Benfica

Henrique Araújo é daqueles avançados com uma aptidão natural para marcar golos, sendo capaz de rematar tanto com os dois pés, como de cabeça. Mas a principal virtude que contribui muito para esta aptidão, e que o tem feito sobressair nos diversos escalões, é a sua inteligência a movimentar-se na manobra ofensiva da equipa.

Henrique Araújo é um avançado que tanto demonstra capacidade para jogar entrelinhas como para atacar a profundidade, sabendo medir o timing de desmarcação. É também um jogador que sabe segurar a bola e é habilidoso a jogar ao primeiro toque, o que lhe confere uma boa capacidade para jogar e dar apoios frontais aos colegas de equipa.

Com a presença de Gonçalo Ramos na equipa principal, Henrique Araújo tem sido habitual titular na equipa B, na qual não tem demorado muito tempo a adaptar-se à realidade e às exigências do futebol profissional sénior na Segunda Liga. Ainda com idade de júnior, Henrique Araújo tem sete golos marcados em 16 jogos na equipa B dos encarnados.

Pessoalmente, creio que Henrique Araújo deve dar continuidade ao seu crescimento na formação secundária do SL Benfica, de modo a preparar-se e ganhar calo para patamares mais elevados. Tendo a sua carreira bem gerida, Henrique Araújo tem tudo para ser um jogador de grande nível europeu.

«A arbitragem tem de se mostrar mais aos adeptos para matar os fantasmas» – Entrevista BnR com Duarte Gomes

Duarte Nuno Pereira Gomes. Uma das referências da arbitragem portuguesa, que depois de “arrumar o apito” continua ligado aos relvados com o projeto Kickoff, uma lufada de ar fresco num ambiente cada vez mais tóxico em torno do futebol. Duarte Gomes explica que o objetivo deste projeto é humanizar o árbitro e esclarecer os lances mais polémicos na arbitragem. Sem meias palavras, lugares comuns ou frases feitas, falamos ainda do Apito Dourado, da cultura desportiva em Portugal, das ameaças constantes aos árbitros e da inércia destes na defesa da própria classe, do que o VAR ainda não resolve e de uma final da Liga dos Campeões muito especial.

– Apito Dourado expôs as “maçãs podres” –

Bola na Rede: Duarte, de que é que tens mais saudades dos tempos em que arbitravas?

Duarte Gomes: Tenho saudades de muitas coisas. Sobretudo, da adrenalina que é a carreira intensa na arbitragem. Nomeadamente, com os colegas, os treinos diários, a partilha de momentos de diversão, estágios, cursos, a preparação do jogo. Aquela sensação boa de fazer um jogo, o pós-jogo, o desafio de superar um jogo mal efetuado.

Bola na Rede: Quando eras nomeado para um jogo, tinhas algum ritual de preparação?

Duarte Gomes: Sim. Fui aperfeiçoando ao longo dos anos e melhorando o meu nível de preparação em função dos conhecimentos que ia adquirindo ao longo da carreira e também da informação que íamos recebendo das equipas. Nós tínhamos um protocolo muito rigoroso e profissional desde o dia da nomeação.

Bola na Rede: Como era esse protocolo?

Duarte Gomes: Entrávamos logo em contacto uns com os outros, a equipa que era nomeada para o jogo, e a partir daí começava um countdown: a preparação logística, o local do jogo, a ida, o estágio, combinar tudo em relação à parte operacional. Em relação ao jogo, o scouting: começávamos a preparar as equipas que íamos fazer sobre vários pontos de vista. Eu fazia sempre uma reunião com os meus colegas na manhã do jogo. Durava cerca de uma hora, com uma apresentação em powerpoint com os detalhes completos sobre as equipas, sobre o estádio, sobre o ambiente que eu esperava, sobre o histórico de rivalidades, sobre questões mais táticas, bolas paradas, jogadores mais rápidos, mais tecnicistas. Víamos tudo ao pormenor porque a ideia era estar o mais preparado possível.

Bola na Rede:: Vocês também assinalavam os jogadores à beira da suspensão se levassem um cartão amarelo ou jogadores problemáticos?

Duarte Gomes: Jogadores problemáticos sim, saber qual era o jogador mais difícil, aquele que cai na área com mais facilidade, aquele que chateia mais o árbitro. É importante para percebermos com o que vamos lidar. Jogadores com exclusões nunca queríamos sequer saber e se tínhamos essa informação tentávamos torná-la irrelevante.

Bola na Rede: E de que é que tens menos saudades?

Duarte Gomes: Tenho menos saudades daquilo que ainda hoje vemos acontecer em dimensões de explosão social bastante exponenciadas. Este ruído todo exterior, a perturbação da vida privada, aquela sensação que as pessoas vão criando em ti que é muito injusta porque tu sabes que fizeste o teu trabalho o melhor que podias e sabias e, quando erras, há sempre aquele olhar de desdém de quem acha que terás feito de propósito. É o olhar que sugere premeditação. Hoje em dia, com o tal escrutínio que existe, com a dimensão que o jogo assume em termos mediáticos, com as redes sociais, que exponenciaram esta partilha de informação, toda a gente opina.

Bola na Rede: Na tua opinião, os árbitros estavam mais protegidos, porque menos expostos, antes da criação das redes sociais?

Duarte Gomes: Sem dúvida. E quando dizes protegidos dizes no sentido em que o seu nome, a sua imagem, os seus emails, as suas contas de redes sociais ou não existiam ou quando existiam, estavam na fase inicial e não eram divulgados. Há muita dificuldade em distinguir a crítica à competência do ataque à integridade. São duas coisas completamente distintas. Qualquer profissional pode e deve ser criticado de forma legítima em modo próprio e no local certo. Depois há aquela linha que separa tudo isso do ataque à idoneidade, à família, à invasão pessoal com partilha de elementos privados para as redes sociais e com um “bar aberto” de pessoas que te querem atacar, pressionar-te e magoar-te para te deixar abatido.

Bola na Rede: Casos como o “Apito Dourado” perpetuaram o estigma da suspeita sobre os árbitros?

Duarte Gomes: Acho exatamente o contrário. Acho que o Apito Dourado foi uma benção porque veio expor todos aqueles, e não apenas árbitros porque tratou-se de muito mais do que isso, que de uma forma comprovadamente ilegal, ou não comprovadamente ilegal mas altamente imoral, tentaram tirar dividendos desportivos de formas desvirtuadas. Expôs nomes, expôs os rostos, expôs as vozes das gravações e todos nós vimos, ouvimos e lembramos. Foi importante haver essa diferenciação porque, por exemplo, já estava na 1ª Liga quando esse escândalo rebentou e foi importante perceber e que se percebesse quem é que não fazia parte do cesto de algumas maçãs podres que existiam no futebol.

Bola na Rede: Alguma vez foste abordado para tentativas de aliciamento?

Duarte Gomes: Nunca, em 25 anos de carreira. Nem uma tentativa indireta, nem direta, nem por via de alguém, nem uma insinuação. Nunca, nunca. E tenho muito prazer em dizer isto publicamente. Isso de facto acontecia muito naquela altura, anos 80, anos 90, era o modus operandi de atuar no futebol. Esta era a verdade, não vale a pena escondê-lo, e depois havia quem cedesse ou não. Nem se trata de corrupção ativa, era mais a questão do favor, da carreira, da promoção, do jeitinho.

Bola na Rede: Por que é achas que nos programas de comentário desportivo se está mais tempo a falar de arbitragens do que do jogo jogado?

Duarte Gomes: É profundamente cultural. O futebol é uma das montras maiores da sociedade em termos de posicionamento, educação, formação e cultura. É com muita pena que digo isto mas nós culturalmente somos um povo que, pelo que se manifesta através do futebol, estamos a anos-luz daquilo que podemos ser em termos de evolução, mentalidade, educação, saber estar, respeito.

Bola na Rede: A isso acrescenta-se ser um fenómeno altamente emocional.

Duarte Gomes: Exatamente. As pessoas além de não estarem preparadas culturalmente para discutir um fenómeno desta importância, são muito afetadas pela clubite, pelas suas emoções. Por isso é que perdem muito tempo no acessório, desligando, muito injustamente para quem joga, daquilo que é essencial, que é esse protagonismo que eles deviam ter.

Bola na Rede: Mas esses protagonistas às vezes também recorrem às arbitragens para justificar maus resultados.

Duarte Gomes: Sim, a verdade é que nós passamos a vida a falar de arbitragens porque dá muita jeito a toda a gente justificar os insucessos desportivos com erros de árbitros, que de facto existem mas não são diferentes, se virmos a uma grande distância, dos erros que os jogadores cometem. Passes atrasados, bolas mal batidas pelos guarda-redes, frangos, falhanços à frente da baliza, substituições mal feitas, esquemas táticos mal feitos. São erros que acontecem. O problema é que, aos olhos das pessoas, o erro do árbitro é premeditado e os outros faz parte. Esta inversão de valores diz muito daquilo que somos enquanto pessoas e da forma como estamos na vida.

Bola na Rede: De quem é a culpa disso?

Duarte Gomes: É de todos nós. Primeiro, a questão da educação e de saber estar. As pessoas não têm uma educação orientada para respeitar a adversidade e saber aceitar um resultado negativo. Mais, de saber aceitar um resultado negativo, ainda que por variáveis que não dominam e que até tenham sido prejudicados. Porque entre o prejuízo e o benefício, no final da época as contas estarão bem feitas com certeza. É também muito exponenciado por dirigentes de clubes e staff que têm voz ativa no futebol, têm poder de formar opinião e que a deformam. É também exponenciado por alguns comentadores que, percebendo muito pouco de arbitragem, falam de forma demasiado agressiva, muitas vezes de forma errada ou até mentirosa, deformando a opinião pública. E também é culpa de quem assiste a tudo isto de forma impávida e serena e não tem nem a coragem nem a determinação de tentar evitar que isto aconteça e punir isto devidamente. Portanto, andamos num círculo vicioso de punição, de sensação de impunidade, em que tudo é permitido para fazer exatamente o oposto do que o futebol pretende, que é valorização.

Bola na Rede: Com os árbitros a terem o seu trabalho escrutinado de forma minuciosa, não faria sentido que estes também se pudessem defender publicamente?

Duarte Gomes: A comunicação é fundamental e nos tempos que nós vivemos hoje, de redes sociais e em que toda a gente fala e toma a sua posição, como é óbvio é fundamental que eles falassem. Não sou daqueles que defende que deve haver uma comunicação jogo a jogo. Sabes qual é o problema de se falar muito? É banalizar o discurso. Portanto, falar pouco e falar bem.

Bola na Rede: E a verdade é que os árbitros também têm uma estrutura.

Duarte Gomes: Sim, o Conselho de Arbitragem. Em algumas situações, era importante que houvesse uma comunicação para o exterior em relação a algumas situações de jogo. Não apenas as mais mediáticas, mas de uma forma estratégica e abrangente, em que fossem esclarecidas todas as questões técnicas de maior relevo. A questão é que num setor como o da arbitragem, que sempre foi muito suspeito, não falar só acumula a suspeição. Mostrar, explicar, esclarecer, mesmo que assumindo o erro, é fundamental para aumentar a transparência. A arbitragem tem de se mostrar mais aos adeptos para matar os fantasmas e claramente dizer que nesta casa não se esconde rigorosamente nada.

Bola na Rede: Somos dos campeonatos com menor tempo útil de jogo. Como se pode melhorar este aspecto?

Duarte Gomes: Isso implicava uma grande reflexão a nível dos árbitros, jogadores e treinadores, e uma maior e ainda mais difícil ao nível do posicionamento dos adeptos. É muito engraçado dizer que o futebol inglês é fantástico e que o tempo útil de jogo lá é altíssimo e que as faltas raramente chegam às 20. Mas isto acontece, primeiro, porque as arbitragens são menos defensivas. E são menos defensivas porque são menos atacadas no exterior. Para que tenhas uma ideia, não há um único jornal desportivo em Inglaterra. Portanto, está tudo dito. Depois, porque não há uma tendência do jogador e do treinador de protestar a toda a hora, de cair fácil com uma mão agarrada à cara quando o toque é na barriga e de simular. Se todos nós, que aparentemente somos fãs incondicionais de tempo útil de jogo, na prática o conseguimos implementar, sim as coisas melhoram.

Bola na Rede: Achas que a crítica é também porque quem fala não tem noção do trabalho de quem está dentro de campo?

Duarte Gomes: Isto tem um pormenor engraçado, só para teres uma ideia, toda a gente que diz sobre o tempo útil que cá é só faltas e faltinhas, apitam tudo e o futebol inglês é que é. Se puseres essa pessoa no Benfica-Sporting ou no Benfica-Porto, há uma pequena falta no meio-campo que o árbitro não marca e a outra equipa marca um golo, cai o Carmo e a Trindade. Porque aquela faltinha, aquilo que a pessoa não quer que se marque, tinha que se marcar. E vão ver aquilo em repetição em 50 ângulos. Isto é tudo um bluff cultural, nós somos uns eternos wannabes. Nós queríamos ser como eles, mas não somos. Dizer que isto é uma responsabilidade exclusiva dos árbitros é errado, é também dos árbitros mas é sobretudo do futebol português, da sua estrutura interna e da forma como é visto cá fora. Até pela imprensa.

Bola na Rede:: Em cada jogo, o desafio para um árbitro é manter o equilíbrio entre não ser demasiado rigoroso nem ser demasiado brando?

Duarte Gomes: É um dos desafios, sim. Acima de tudo, o árbitro não se pode descaracterizar enquanto pessoa. Tal como o jogador nunca o pode fazer. Todos os jogadores e os treinadores, e tu já viste isso em campo, na forma como reagem, como disputam a bola, são o reflexo da sua personalidade. Portanto, os árbitros também. Para além desse desafio de manterem a sua identidade, têm também de gerir a sua autoridade. E se tu tiveres uma semana muito má, se estiveres num processo de divórcio, um problema financeiro, um despedimento, o falecimento de alguém próximo, o teu estado de espírito pode estar alterado e tu tens de saber muito bem desligar disso e deixar essa situação à porta do balneário.

Os 5 treinadores em evidência nas Ligas Europeias esta época

O treinador é o capitão e responsável máximo de toda a equipa, e se esta perde ou ganha, em grande parte se deve ao treinador e à sua leitura do jogo. Uma equipa apenas consegue alcançar o sucesso caso tenha na sua frente um líder, alguém que consiga analisar todos os momentos do jogo e saiba gerir todo o seu plantel ao longo de toda a época.

Esta temporada, são vários os treinadores que se têm destacado e mostrado capazes de liderar as suas equipas, causando grandes surpresas nos seus campeonatos e nas competições da UEFA. Nas principais ligas europeias, os campeonatos têm estado cheios de surpresas e muito se deve aos treinadores e à sua capacidade de gerir o plantel nesta época bastante incerta ao nível de lesões.

Para esta lista foram ponderados vários nomes, mas a decisão recaiu sobre aqueles que se estão a destacar e a criar focos de interesse nos seus campeonatos.

3 jogadores cujas carreiras foram afetadas devido a lesões | NBA

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Uma lesão é algo que acontece em todos os desportos, incluindo na NBA, sendo algo com que os jogadores têm de lidar, mas nada é pior para um fã do que ver um jogador com tanto potencial lesionar-se seriamente e prejudicar a sua carreira para sempre.

Neste artigo, vamos abordar três jogadores cujas carreiras foram afetadas ou chegaram a acabar devido a lesões.

Foto de Capa: NBA

A vitória que vai Valer(io) uma homenagem | Sporting CP x CD Santa Clara

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22ª jornada da Primeira Liga: sexta-feira, 20:45h, 5 de março de 2021
ANTEVISÃO: SPORTING CP QUER REFORÇAR A LIDERANÇA E HOMENAGEAR UMA GRANDE LEOA

Numa semana em que o seio leonino recebeu a triste notícia do falecimento de Maria José Valério, é hora de os rapazes de verde e branco vencerem o jogo, de modo a continuar a Marcha do Sporting CP rumo ao título.

DEPOIS DO EMPATE NO DRAGÃO, OS LÍDERES PRECISAM DE REGRESSAR ÀS VITÓRIAS. CONSEGUIRÁ O SPORTING CP BATER UM CD SANTA CLARA QUE VEM DE UMA GRANDE VITÓRIA? APOSTA EM BET.PT!

Depois do empate sem golos no Estádio do Dragão, resultado que diminuiu a vantagem em relação ao segundo lugar, o Sporting CP vai com certeza fazer de tudo para regressar aos triunfos. Paulinho continua ausente, devido a lesão.

O CD Santa Clara chega a Alvalade muito confiante, depois de uma goleada frente ao Paços de Ferreira, a equipa sensação deste campeonato. A formação açoriana encontra-se confortavelmente na primeira metade da tabela, pelo que vai querer mostrar frente ao Sporting CP o porquê de ser o sétimo classificado da Primeira Liga.

Da parte dos leões, Sebastían Coates, Matheus Nunes e Nuno Santos estão em risco de ver o quinto cartão amarelo. Já do lado Micaelense, Anderson Carvalho, Costinha e Nené estão de fora da 23ª jornada, caso sejam sancionados em Alvalade.

 

10 DADOS RÁPIDOS

  1. CD Santa Clara nunca venceu o Sporting CP;
  2. Em 11 partidas entre Sporting CP e CD Santa Clara, a equipa leonina venceu nove;
  3. Em caso de vitória ou empate, os leões batem o recorde de 22 jornadas invicto;
  4. O Sporting superou o melhor registo do clube numa primeira volta do campeonato, tendo somado 45 pontos;
  5. Na primeira volta, os comandados por Rúben Amorim venceram o CD Santa Clara por 1-2;
  6. Nas últimas cinco partidas do campeonato, o Sporting CP soma quatro vitórias e um empate;
  7. O CD Santa Clara ganhou dois dos últimos cinco jogos na Liga;
  8. Na primeira volta, o conjunto açoriano empatou frente ao SL Benfica no seu reduto;
  9. Nunca uma equipa com nove pontos de avanço na segunda volta perdeu o campeonato;
  10. Pedro Gonçalves e Carlos Jr. são os melhores marcadores das respetivas equipas.

 

JOGADORES A TER EM CONTA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Matheus Nunes (Sporting CP): Depois da excelente entrada no Clássico da jornada anterior, a grande dúvida que se impõe é se o jovem brasileiro vai jogar de início ou se será suplente utilizado. Matheus Nunes atuou a extremo interior no decorrer do FC Porto – Sporting CP e foi o principal motor da equipa de Alvalade na busca pelo golo.

Carlos Jr. (CD Santa Clara): O avançado brasileiro é provavelmente a principal arma do ataque açoriano. Carlos fez o gosto ao pé na última jornada, e com certeza que quererá repetir o feito em Alvalade.

 

XI’S PROVÁVEIS

Sporting CP: Adán; Gonçalo Inácio, Coates, Feddal; João Pereira, João Palhinha, João Mário, Nuno Mendes; Pedro Gonçalves, Matheus Nunes e Tiago Tomás.

Treinador: Ruben Amorim

“Temos de ganhar, perdemos um ponto para o segundo lugar na semana passada.”

 

CD Santa Clara: Marco; Sagna, Fábio Cardoso, Vilanueva, Mansur; Morita, Lincoln, Anderson Carvalho; Crysan, Allano e Carlos Jr.

Treinador: Daniel Ramos

“É fácil caracterizar o Sporting, o difícil é contrariá-lo.”

 

Previsão de resultado: Sporting CP 2-0 CD Santa Clara