O futebol é um desporto que pode ser decidido nos detalhes. Por vezes, uma pequena mudança pode alterar por completo o rumo da partida, e a solução pode ser encontrada no banco de suplentes. Neste artigo são apresentadas as cinco melhores substituições, na minha opinião, no futebol moderno, mais precisamente na última década.
São jogadores que entraram na partida com um objetivo de marcar a diferença dentro das quatro linhas, e acabaram por se tornar heróis, não só nesse encontro específico, como ficaram na história dos clubes ou seleções que representaram.
Neste artigo foi privilegiado o fator decisivo das substituições, tendo em conta a competição e a fase da mesma a que correspondia o jogo e a substituição realizada.
Com mais de metade do campeonato da I Divisão completo, é inevitável não mencionar alguns destaques individuais. Entre as surpresas, como o OC Barcelos e o SC Tomar, passando pelos três grandes, foi difícil escolher apenas 5 jogadores. Com um dos melhores campeonatos de hóquei em patins a nível mundial, o talento abunda e enriquece os bons jogos a que temos assistido.
Nesta seleção, estão apenas inseridos jogadores do TOP 5 até ao dia 12 de fevereiro. No entanto, existem nomes que, no final da época, podem entrar nesta lista.
A ordem desta nomeação tem em conta as posições da tabela classificativa.
A foto de capa deste “desabafo” não foi escolhida ao acaso. Anthony Edwards foi a primeira escolha do Draft de 2020, passou a fazer parte do elenco dos Minnesota Timberwolves e novas ambições chegaram a Minneapolis. Com a entrada do Ant-Man para se juntar a Karl-Anthony Towns, D’Angelo Russell, Ricky Rubio e os restantes companheiros, a alcateia sentiu esperanças renovadas no possível alcance dos playoffs, que já não acontece desde 2018.
À data de saída deste “desabafo”, a franquia e os seus apoiantes não estão, de todo, a cumprir com o objetivo. Tudo o que esteja relacionado com playoffs parece ser uma mera utopia (mesmo com o “torneio” de acesso realizado entre as equipas posicionadas que ocupam o 7º, 8º, 9º e 10º lugares das conferências). Neste momento, os Timberwolves ocupam a última posição da tabela da Conferência Oeste, com o record de seis vitórias e 19 derrotas.
Posto este registo, depois de Anthony Edwards chegar à equipa e da dupla Karl-Anthony Towns e D’Angelo Russell não ser, de forma alguma, uma dupla que deixe qualquer adepto de NBA indiferente, colocou-se a questão: Será que os Minnesota Timberwolves estão a fazer tanking ou é apenas falta de capacidade para vencer?
A tática implementada por Rúben Amorim tem várias particularidades. Se por um lado, os alas têm um papel fundamental no processo ofensivo e defensivo da equipa (como referi num artigo anterior), os extremos interiores do Sporting CP são também peças fulcrais no jogo leonino.
O 3-4-3 tem dado muitas alegrias aos adeptos sportinguistas. É uma tática em que os jogadores que atuam nessa posição, quando recebem a bola, estão já em zonas interiores do campo, algo que pode ser incompatível com um extremo de origem. Atletas que gostem de partir a sua ação ofensiva na linha lateral do campo, como é o caso de Gonzalo Plata, não encontram o seu melhor futebol, quando obrigados a começar no meio.
Os alas dão largura nas extremidades, algo que permite aos três da frente aproximarem-se mais das zonas de concretização e este fator é visível nas estatísticas desta época. Ao todo, os extremos Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Jovane Cabral e Tabata somam 28 golos apontados, número que representa cerca de metade de todos os tentos executados pela equipa leonina nas competições em que participou.
Atualmente, Pedro “Pote” Gonçalves é o melhor marcador do campeonato Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Rúben Amorim pede aos extremos dois tipos de movimentos: apoio e rutura. Pote e Tabata são jogadores criativos, com técnica acima da média e com qualidade de passe suficiente para baixar, criando a dinâmica do terceiro médio, enquanto que Nuno Santos e Jovane são indicados para fazer desmarcações nas costas da defesa adversária. Apesar das características que mencionei, que, na minha ótica, são adequadas para aqueles jogadores em específico, os movimentos são partilhados por todos os atletas que atuam como extremos interiores, de forma a baralhar e desequilibrar a equipa contrária.
Penso que, a par com o meio-campo, a posição de extremo interior é onde o Sporting CP está mais bem servido. Tem jogadores capazes de atender às indicações de Rúben Amorim, e, como é visível, têm sido fundamentais para o sucesso da equipa, contribuindo com golos e assistências. Basta ver que o melhor marcador da equipa é Pote, com 14 golos no Campeonato Português, e o atleta com mais assistências é Nuno Santos, contando com oito na totalidade.
A CRÓNICA: SL BENFICA DOMINA, MAS AINDA MOSTRA ALGUMAS FRAGILIDADES
Hoje foi noite de Prova Rainha: SL Benfica e GD Estoril-Praia mediam forças nesta que foi a primeira mão da meia-final da competição. Atenção para as tropas encarnadas porque, pela frente, iriam ter um autêntico tomba-gigantes que, para chegar até aqui, teve que eliminar Boavista FC, Rio Ave FC e também CS Marítimo.
O jogo começou agitado e com emoção. E a verdade é que os primeiros minutos só deram Benfica. As águias entraram com garra e não deixaram mesmo o Estoril respirar. Sem argumentos, a equipa da Linha colocou todo o seu bloco muito recuado como forma de evitar o golo do adversário. Já o Estoril-Praia não estava a conseguir encontrar linhas de passe e, estava de tal forma “asfixiado”, que esteve largos minutos “encostado às cordas” sem conseguir sair do seu meio-campo defensivo. Apesar disto, e como a bola por vezes também sabe ser madrasta, quem se adiantou no marcador foi mesmo o conjunto estorilista.
Aos 23 minutos, completamente contra a corrente do jogo, André Vidigal marca o primeiro tento da noite. A ameaça surgiu de contra-ataque rápido pelo corredor esquerdo impulsionado pelo autor do golo. Depois disso, a bola sobra para Joãozinho que cruza para a receção de peito de Murillo. O avançado serviu depois André Vidigal, que só teve de encostar. O Benfica reagiu bem ao golo. Quis desde cedo resolver a questão da desvantagem. Mas se há coisa que estes primeiros minutos nos mostraram, é que nem sempre o resultado espelha o que está a acontecer dentro das quatro linhas. E, dentro delas, os encarnados estavam bastante agressivos à perda da bola e a colocar muita pressão desde logo na primeira fase de construção estorilista. O Estoril não estava a conseguir passar novamente da segunda fase de construção. O Benfica estava com muito caudal ofensivo, mas não estava a ser feliz na finalização.
Aos 43 minutos, Darwin cabeceia na área, mas Thiago Rodrigues sacode para canto depois de uma grande defesa. A ameaça estava feita e foi consumada pelo mesmo protagonista no lance seguinte. Aí, Darwin conseguiu vingar-se e volta a tentar de cabeça. Só que desta vez tentou e conseguiu mesmo. E estava feito o empate mesmo perto do regresso aos balneários.
A segunda parte continuou no mesmo tom. Mais Benfica e um Estoril a jogar como podia. Apesar do controlo, o conjunto de Jorge Jesus não conseguiu ser tão incisivo como no primeiro tempo, pelo menos nos primeiros minutos da segunda parte. Graças a isso, a equipa da casa até conseguiu ter mais bola, mas não estava a conseguir chegar-se à frente.
E se o Estoril não conseguiu, Everton tratou de não pedir licença. É pela esquerda, numa diagonal, que o brasileiro consegue criar perigo na área adversária e, depois de alguma hesitação dos jogadores encarnados de caras para a baliza, foi o suíço Seferovic que descomplicou e colocou, assim, a sua equipa em vantagem nesta eliminatória aos 68 minutos. E foi como o abrir da rolha. O Estoril acabou por se expor mais no jogo depois do golo encarnado e voltou a ver-se um pouco do Benfica da primeira parte. Só que desta vez com uma diferença: foi francamente mais feliz.
Aos 77′, Darwin Núñez marca para o segundo das águias. Destaque para um excelente trabalho de Adel Taarabt que, depois de uma arrancada pela direita em que começa a descair para perto da área, assiste para o avançado que, bem posicionado, só teve de encostar. Um jogo intenso, mas, felizmente, sem casos.
O Benfica segue assim em vantagem na primeira mão da meia final da Taça de Portugal. Restava saber o desfecho da segunda parte deste medir de forças, esta já no Estádio da Luz.
A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Diogo Gonçalves – Este jogo pede por mais oportunidades na equipa de Jorge Jesus. Diogo Gonçalves apareceu muito no jogo, foi exímio nos passes, esteve envolvido em duas ocasiões flagrantes do Benfica e acabou, sempre que pôde, por procurar espaços na frente para que os seus colegas conseguissem criar perigo na frente.
O FORA DE JOGO
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Miguel Crespo – Bem sabemos que esta noite não se adivinhava nada fácil para o médio estorilista. E escolho este como o fora-de-jogo porque, face à qualidade, esperava mais de Miguel Crespo. Mereceu atenção redobrada por parte dos jogadores encarnados e isso acabou por condicionar algumas ações durante o jogo.
ANÁLISE TÁTICA – GD ESTORIL-PRAIA
Em relação ao último duelo frente à Académica OAF, Bruno Pinheiro apresentou sete novidades: do onze inicial saíram Daniel Figueira, João Diogo, Marcos Valente, João Gamboa, Bruno Lourenço, Jean Amani e Harramiz. Quanto às novidades, Thiago Rodrigues, Hugo Gomes, Carles Soria, Rosier, Zé Valente e André Vidigal e Murilo começaram de início.
O Estoril-Praia apresentou um bloco muito recuado num 5-4-1. Conseguiu defender muito bem, mas o que é certo é que não conseguiu fazer muito mais do que isso. Esteve a jogar praticamente no seu meio-campo, mas a pressionar sempre com três homens o portador da bola. Uma equipa que veio com a lição bem estudada, mas indiscutivelmente com muito menos argumentos do que os encarnados. Ainda assim, conseguiu causar estragos em algumas jogadas rápidas (uma delas até deu mesmo em golo), sobretudo na primeira parte.
11 INICIAIS E PONTUAÇÕES
Thiago Rodrigues (5)
Carles Soria (5)
Hugo Basto (6)
Hugo Gomes (5)
Joãozinho (5)
Loreintz Rosier (6)
Zé Valente (6)
Miguel Crespo (4)
André Clóvis (5)
André Vidigal (6)
Murilo (5)
SUBS UTILIZADOS
João Gamboa (5)
João Carlos (5)
Bruno Lourenço (-)
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
Do lado do SL Benfica, também houve muitas mexidas: foram seis as alterações com a saída de Vlachodimos, Gilberto, Weigl, Taarabt, Cervi e Seferovic. Esta noite Helton Leite, Diogo Gonçalves, Rafa, Gabriel, Pizzi e Pedrinho são as novidades no onze inicial montando no seu habitual 4-4-2.
Houve muito Benfica no último terço, com Rafa e Pedrinho a conseguirem perfurar com alguma facilidade a linha mais recuada do Estoril. Por outro lado, houve alturas em que Darwin apareceu muito sozinho na frente e desapoiado. Notou-se também uma especial atenção para não permitir que o adversário não conseguisse passar da segunda fase de construção e, para isso, houve especial atenção em Miguel Crespo no meio-campo.
Apesar do domínio, evidenciaram-se os mesmos problemas no jogo das águias: um bocadinho mais de velocidade e os encarnados mostravam dificuldades em responder às investidas aversárias. Prova disso foi o golo do Estoril aos 23 minutos.
11 INICIAIS E PONTUAÇÕES
Helton Leite (5)
Diogo Gonçalves (7)
Otamendi (5)
Vertonghen (6)
Grimaldo (6)
Rafa (5)
Gabriel (6)
Pizzi (5)
Everton (6)
Pedrinho (6)
Darwin (6)
SUBS UTILIZADOS
Seferovic (6)
Weigl (5)
Taarabt (6)
Gilberto (5)
Cervi (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
SL Benfica
Não foi possível colocar questões ao técnico do SL Benfica, Jorge Jesus
GD Estoril-Praia
BnR: Notou-se uma especial atenção dos jogadores do Benfica em condicionar as ações do Miguel Crespo. Jorge Jesus, inclusive admitiu isso mesmo há pouco. E também impedir que o Estoril chegasse à segunda fase de construção. Pergunto-lhe se já estava à espera dessa marcação tão apertada sobre o jogador e em que medida é que isto acabou por condicionar a construção de jogo do Estoril.
Bruno Pinheiro: O nosso jogo não passa pelo Miguel Crespo. Passa por todos os jogadores e na interpretação dos espaços que nos derem. Se tiverem foco no Crespo, outro jogador terá a liberdade para desequilibrar. Não me parece que passe por aí. Agora o Miguel Crespo tem feito uma temporada fantástica, mas está cansado. É um jogador com uma inteligência tática muito grande, com uma disponibilidade física e mental tremenda para crescer, para evoluir e para apender. E, sinceramente, se tomaram conta dele acho que fizeram bem, mas acho que não passa por aí.
A CRÓNICA: JOGO DE SENTIDO QUASE ÚNICO ACABOU COM O DESFECHO ESPERADO
Em Doha, capitar do Qatar, jogava-se a final do Mundial de Clubes de 2020. Frente a frente FC Bayern München e Tigres UANL. Os alemães já tinham batido os egípcios do Al Ahly por 2-0 e partiam como favoritos frente aos mexicanos que eliminaram a equipa de Abel Ferreira nas meias-finais, a SE Palmeiras. As últimas sete edições da competição tinham sido vencidas por clubes europeus e tudo indicava que este seria um padrão a repetir.
O jogo desenrolou-se muito dentro do expectável, com o FC Bayern München a ser dominante e a assumir a posse de bola desde cedo. A ideia seria resolver a partida o mais rapidamente possível, até pelo calendário apertado que esta fase tem proporcionado a todas as equipas. Isso até poderia ter acontecido, se o golo de Kimmich não tivesse sido anulado aos 18 minutos. A questão do fora de jogo é algo subjetiva neste caso, mas nem por isso foi alvo de grande polémica. O jogo seguiu e o bom exemplo foi dado pelos alemães. Até final da primeira parte, o jogo continuou com um único sentido, com a equipa sul americana a conseguir apenas um remate à baliza de Neuer.
Na segunda parte mudou apenas o lado para o qual os adeptos presentes no Estádio da Cidade da Educação olharam. FC Bayern München continuou muito superior e o golo seria uma questão de tempo. Aos 59 minutos ele viria mesmo a chegar, por intermédio de Pavard, depois de um lance que foi inicialmente anulado por fora de jogo. O VAR interveio e os Bávaros inauguraram o marcador, obrigando o Tigres UANL a mudar a sua postura na partida.
Ainda assim, pouco ou nada se alterou e os mexicanos não coseguiram sequer aproximar-se da baliza adversária, permitindo à turma de Hansi Flick levantar mais um troféu referente à passada temporada, na qual ganharam tudo o que havia para ganhar.
Benjamin Pavard – Num jogo em que apesar da superioridade, os alemães não foram particularmente espetaculares, o prémio de figura do jogo vai mesmo para o jogador que conseguiu alterar o marcador que parecia, até então, amarrado. Os quatro da frente estiveram algo desinspirados e teria de ser o lateral direito a marcar o golo que dá ao FC Bayern MünchenFmuni o troféu de Campeão do Mundo. Um golo simples, mas que é consequência de um bom posicionamento por parte do francês que parece ter adivinhado que a bola ia sobrar para ele.
O FORA DE JOGO
🗣 “No other Mexican team has gone this far, but now we want more.”
🐯 Carlos Gonzalez & @TigresOficial are looking to make history and become the first @Concacaf club to lift the #ClubWC 🏆
Carlos González – Esta seria sempre uma partida bastante difícil para o atacante paraguaio do Tigres UANL, mas esperava-se mais do jogador das poucas vezes que a bola lhe chegasse. Não conseguiu ter boas ações para ajudar a equipa a progredir no terreno e deixou toda essa responsabilidade em Gignac, que depois pareceu demasiado cansado quando chegava ao momento decisivo. González passou completamente ao lado da partida e acabou por ser muito pouco útil para a sua equipa.
ANÁLISE TÁTICA – FC Bayern München
A equipa do FC Bayern München contou com algumas baixas importantes, mas nem por isso alterou aquela que é a sua génese. Disposta num 4-2-3-1, apresentou Pavard pela direita e Alphonso Davies pela esquerda, com Sule e Hernández no centro da defesa. Mais à frente Kimmich e Alaba, este segundo numa posição mais avançada que o habitual, face às ausências de Goretzka e Javi Martínez. No ataque, Sané pela esquerda, Coman pela direita e Gnabry mais no centro, no apoio ao avançado Lewandowski. As dinâmicas dos Bávaros são sempre muito imprevisíveis e, por isso, essencialmente no momento ofensivo, é dificil de acompanhar tanta mobilidade e irreverência. Ainda assim, é de registar o desdobramento visível ao longo de toda a partida, na qual Alaba recuava um pouco para a lateral esquerda, permitindo a Davies que se expandisse sobre a mesma linha e aproximando Coman do centro, num apoio mais efetivo a Gnabry e Lewandowski.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Neuer (6)
Pavard (8)
Sule (7)
Lucas Hernández (7)
Davies (7)
Kimmich (7)
Alaba (6)
Sane (5)
Gnabry (6)
Coman (6)
Lewandowski (5)
SUBS UTILIZADOS
Tolisso (6)
Musiala (5)
Douglas Costa (6)
Choupo-Moting (7)
ANÁLISE TÁTICA – TIGRES UANL
Os mexicanos apresentaram-se no típico 4-4-2 em linha, previligiando muito o momento defensivo, algo que seria de esperar perante um adversário tão forte como é o FC Bayern München. O 11 inicial foi o mesmo que o da partida frente à SE Palmeiras, de Abel Ferreira. Reyes e Salcedo no eixo defensivo, com Duenas pela esquerda e Rodríguez pela direita. No meio campo, Pizarro e Rafael Carioca com Quinones e Aquino a alteraram nas linhas. Mais à frente, Carlos González e o experiente Gignac. Como seria de esperar, a equipa de Ricardo Ferretti passou grande parte do jogo atrás da linha da bola. No entanto, quando procurou sair para o ataque é de destacar a versatilidade que Gignac apresentou, mostrando-se muito ao jogo e atuando quase como um falso nove, com a principal preocupação de levar a equipa para a frente e de fazer a ligação entre o meio-campo e o ataque. De resto, destaca-se a combatividade e competitividade da equipa que, sendo claramente inferior, não se deixou bater facilmente.
Um guerreiro. Uma viagem improvável. Ensinado pelo Professor e treinado por uma das lendas do tiki-taka. Nesta entrevista, desvendamos a história de Pedro Ró-Ró Correia, um jovem jogador de Mem Martins que escolheu o caminho certo e hoje é central no Al Sadd, de Xavi. Uma revista à carreira, às vivências no luxuoso Qatar e a opinião sobre a seleção das Quinas daquele que será o único português anfitrião do Mundial 2022. Esta Bola, com muita posse, vai chegar à Rede.
– Guerreiro ao caminho-
«Quando me falaram do Qatar, eu nem conhecia o Qatar»
Bola na Rede: Nasces em Portugal, mas tens dupla nacionalidade cabo-verdiana e qatari. Um caso invulgar, não dirias?
Pedro Correia: Sim, quando nasci em Lisboa, tinha nacionalidade cabo-verdiana, não me deram logo a nacionalidade portuguesa, e depois obtive a nacionalidade qatari, quando vim para aqui.
Bola na Rede: Cresceste em Mem-Martins, no bairro Casal de São José. Teve alguma influência na tua personalidade dentro e fora de campo?
Pedro Correia: Influenciou, mas tu é que escolhes o teu caminho, esquerda ou direita. Graças a Deus e à minha família segui o caminho certo e estou aqui hoje.
Bola na Rede: O apelido Ró-Ró, de onde vem?
Pedro Correia: Quando comecei a jogar futebol em Mem-Martins, jogava a ponta de lança, gostava de fazer golos, era baixinho e havia dois jogadores que eu gostava muito: o Ronaldo Fenómeno e o Romário. Então, o mister Sérgio, naquela altura, fez essa fusão, juntou os dois e fiquei Ró-Ró para sempre. É assim que me tratam em Lisboa, aqui é mais Pedro.
Bola na Rede: Ainda em Portugal, já como defesa, jogaste no Farense. Como foi jogar em Portugal e como se dá essa ida para o Qatar?
Pedro Correia: Foi uma experiência espetacular. Joguei na formação do Benfica, joguei no Estrela, no Estoril, fui para o Farense, onde joguei três anos e depois joguei três/quatro meses no Aljustrelense. Aí surgiu a oportunidade de vir para o Qatar.
Fonte: Al Sadd
Bola na Rede: Sei que houve um processo de seleção para entrares no Al Ahli.
Pedro Correia: Eu vim cá para fazer testes no Al Ahli, não vim com com contrato normal, e graças a Deus fui o escolhido para ficar com a equipa. Foi onde joguei durante cinco anos.
Bola na Rede: Porque preferiste ir para o Qatar? Custou-te deixar Portugal?
Pedro Correia: Eu não preferi. Em casa sempre me ensinaram que a oportunidade só surge uma vez. Quando me falaram do Qatar, eu nem conhecia o Qatar, e vim para cá. Quando o meu empresário disse: “Pedro, tenho isto para ti”, eu disse “vamos”. Eu não escolhi. Podia ser Inglaterra, podia ser outra coisa, a oportunidade apareceu.
Bola na Rede: Chegaste então aí sem conhecer nada. Como foram os primeiros tempos?
Pedro Correia: Quando cheguei, não sabia de nada, não sabia falar inglês. A escola para mim era ir jogar à bola e ver umas miúdas. Vim sozinho, depois o meu empresário veio ter comigo, ajudou-me muito, estava sempre comigo, e estive na luta durante dois meses e tal a fazer testes até o treinador decidir que queria ficar comigo. Passado uns dias, já viajei com a equipa para um estágio no Dubai e foi aí que assinei contrato.
Bola na Rede: A comunicação é muito importante dentro do campo. O facto de não saberes falar inglês foi um entrave à tua adaptação ao Qatar e à equipa?
Pedro Correia: Não dificultou nada, tive de ser guerreiro. Dentro de campo não é preciso falar muito, mas é importante saber inglês. Na altura não sabia quase nada, safava-me, entendia mais ou menos, fazia a minha parte dentro de campo e graças a Deus estava a dar certo. Dentro de campo não é preciso muita conversa, foi por isso que me safei, adaptei-me bem e fiz a minha caminhada até agora.
Bola na Rede: Como lidaste com o aspeto religioso?
Pedro Correia: Não estava habituado, foi aquele choque, mas com o passar do tempo começas a perceber, fazes uma amizade com um colega muçulmano e percebes as coisas. Eles respeitam a minha religião e eu a deles.
Bola na Rede: Como é a vida aí no Qatar? Qual é o aspeto mais diferente que encontraste aí?
Pedro Correia: A vida aqui é boa, se tens as condições para viveres bem, podes viver bem. Se gostas de luxo, também podes viver no luxo, aqui há de tudo um pouco. O aspeto mais diferente só se for o salário [risos]. Aqui há muita coisa diferente, é uma vida louca. Olhas para a direita, vês três Ferraris, para a esquerda e vês três Porsches, olhas para outro lado e vês Lamborghinis, não se passa nada, as pessoas gostam dessa vida luxuosa.
Bola na Rede: Pensas em voltar a Portugal para jogar?
Pedro Correia: Uma pessoa nunca diz não, mas eu estou na casa dos 30 anos, tenho mais quatro anos de contrato com o Al Sadd, estou bem aqui, a minha família está bem aqui, sinto-me em casa. Nunca posso fechar uma porta, mas não penso em sair daqui.
Taça de Portugal, 1.ª mão da Meia Final: quinta feira, 20h15, 11 de Fevereiro de 2021
ANTEVISÃO: TESTE DIFÍCIL PARA A TURMA DA LUZ
A pandemia continua a impossibilitar uma vida normal a todos. Um jogo que seria de enchente na Linha entre GD Estoril-Praia e SL Benfica, passa de festa a ocasião de Taça, num silêncio aterrador que possibilita a descoberta do outro lado do jogo – os gritos do treinador, as reclamações ao árbitro ou a intensidade do clima (como a chuvada monumental de ontem em Barcelos).
O GD Estoril-Praia x SL Benfica tem tudo para ser outro grande jogo de futebol dentro das quatro linhas e o contexto era propício a que acontecesse o mesmo nas bancadas e no exterior do recinto do Estádio António Coimbra da Mota, com a final do Jamor ao alcance de duas boas perfomances. Jorge Jesus já voltou ao banco e promete uma segunda volta melhor do que a primeira. Do outro lado, Bruno Pinheiro, que promete “seis ou sete alterações” devido à acumulação de jogos, chega a esta fase depois dum progresso imaculado ao comando dos canarinhos, com vitórias consensuais em campos de Primeira Liga – avançou três eliminatórias ultrapassando primodivisionários – e um futebol que faz furor no universo futebolístico português.
A má fase na Segunda Liga, com dois empates e duas derrotas nos últimos quatro jogos, não apaga o que de bom já foi feito pela equipa. Um rendimento superlativo que ajuda a elevar algumas das figuras a destaques no campo mediático: Miguel Crespo, Gamboa ou Aziz, o melhor finalizador do conjunto com dez golos em 19 jogos (o guineense é ausência confirmada, assim como Harramiz). Os dois primeiros são lanças apontadas à baliza que deverá ser entregue a Helton Leite, como tem sido norma em contexto de Taça.
Da Luz vem um conjunto a precisar de várias lufadas de ar fresco – um bom resultado na Amoreira, a realizar-se, ajudaria à reabilitação anímica e a um alívio do calendário, permitindo encarar a segunda mão como oportunidade para gerir os índices físicos. Algo que muito dificilmente acontecerá, dada as pobres demonstrações futebolísticas habituais , que se contrapõem com o excelente nível adversário – ao contrário de 2016/17, há possibilidades reais do GD Estoril Praia atingir, pela segunda vez na sua história, a final do Jamor. Mantenha-se a competência apresentada até aqui e a surpresa pode perfeitamente acontecer.
10 DADOS RÁPIDOS
O GD Estoril x SL Benfica é, ainda hoje, o confronto com maior diferença de golos numa final do Jamor: 0-8 em 1943/44, com cinco golos de Rogério Pipi.
Para chegar às meias-finais, o GD Estoril eliminou Sertanense FC (0-4), Lusitano de Évora (5-0), Boavista FC (2-1), Rio Ave FC (1-2) eCS Marítimo (1-3 a.p.).
Os homens da linha repetem o feito de 2016-17 (quando também defrontaram o SL Benfica), sendo estas as duas maiores caminhadas na Taça depois da final de 1943/44.
Depois da vitória no Estádio dos Barreiros, contam-se duas derrotas consecutivas dos canarinhos na Segunda Liga (Arouca e Académica), o que valeu a queda para o segundo lugar da tabela classificativa.
O GD Estoril é o segundo melhor ataque (29) e a melhor defesa (13) da Segunda Liga.
A derrota com a Académica (1-2) foi a primeira no António Coimbra da Mota em 2020/2021.
Em 62 confrontos, uma única vitória caseira dos canarinhos frente aos encarnados: a 1 de Dezembro de 1946, com 6-3 no placard.
O SL Benfica soma três derrotas contra equipas de escalão inferior no seu historial da prova rainha – Vitória FC em 1960/61 (4-1 em Setúbal), Gondomar SC em 2002/03 (0-1 na Luz) e Varzim SC em 2006/07 (2-1 na Póvoa).
Pizzi pode igualar Fernando Chalana no número de jogos de águia ao peito (311); Continua empatado com Mats Magnusson em relação a golos marcados em provas oficiais (87).
Jorge Jesus perdeu (2-0) na última vez que visitou a Amoreira – era treinador do Sporting. Como técnico encarnado, tem três vitórias em três jogos.
JOGADORES A TER EM CONTA
Atentem a este nome nos próximos anos no futebol português:
Miguel Crespo(GD Estoril)– Das boas prestações com a camisola do Merelinense FC às poucas oportunidades nos sub-23 do Sporting de Braga, havia algo mais para confirmar quanto aos talentos de Miguel Crespo, trazidos para a ribalta à boleia da positiva ideia de jogo do sistema de Bruno Pinheiro.
Intérprete máximo do 4-4-2 canarinho, é ele o farol ofensivo da equipa e o elemento que permite variar para 4-3-3, baixando junto do duplo pivot. As capacidades mentais já referidas pelo treinador, como disciplina e concentração máximas em todos os momentos, transparecem integralmente no seu estilo de jogo voluntarioso. Miguel mostrou-se definitivamente ao grande público com a exibição na Madeira, onde foi uma das figuras na grande vitória estorilista.
Waldschmidt marca o quarto!
Passe fantástico de Pedrinho a isolar o alemão que rematou de pé esquerdo e bateu Filipe Leão.
Pedrinho (SL Benfica) – O fantasista brasileiro deverá ter nova oportunidade depois das boas indicações na Reboleira, no jogo dos quartos-de-final. A partir da direita ou em zona central, oferece à equipa doses industriais de criatividade, material de extrema necessidade desde que a dupla atacante se cingiu à explosividade física da parelha Darwin-Seferovic.
XI`S PROVÁVEIS
GD Estoril Praia: Thiago Rodrigues; Carles Soria, Hugo Basto, Hugo Gomes e Joãozinho; Gamboa, Loreintz Rosier e Miguel Crespo; André Vidigal, Murilo e André Clóvis.
Treinador: Bruno Pinheiro
«O Benfica é favorito, como era o Rio Ave, o Boavista e o Marítimo. Sabemos disso, mas temos vontade de fazer um bom jogo, diminuir essas probabilidades, proporcionar um bom espetáculo e, se possível, sair vitoriosos. O Benfica é favorito, mas vai ter de o mostrar em campo e estou certo de que o Estoril vai ter os seus momentos»
SL Benfica: Hélton Leite; Diogo Gonçalves, Otamendi, Vertongen, Nuno Tavares; Weigl, Pizzi, Pedrinho e Everton; Gonçalo Ramos e Darwin.
Enquanto a temporada 2021 não começa oficialmente, continuamos a recordar a tão atípica época de 2020. Depois dos melhores momentos da temporada 2020 do mundial de motociclismo, elegemos os pilotos que nos surpreenderam… E todos alcançaram a vitória em 2020. O ano que nos mudou a vida.
António Adán foi reforço para esta temporada do Sporting Clube de Portugal. O guardião chegou a Alvalade, depois de ter terminado contrato com o Atlético de Madrid, rubricando um acordo válido até 2022, com uma cláusula de rescisão fixada nos 45 milhões.
O guarda-redes leonino tem sido um titular indiscutível no “onze” de Ruben Amorim, tendo sido nomeado o melhor jogador da sua posição no mês de Janeiro. Em termos exibicionais, Adán dá uma enorme segurança à equipa leonina, sendo um guarda-redes experiente e com qualidade.
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Nos 23 jogos que Adán defendeu a baliza leonina, apenas sofreu 15 golos, uma média de 0,65 golos / jogo. Neste trajeto, o Sporting Clube de Portugal registou 13 jogos sem sofrer golos. Obviamente que tem que ver com a qualidade da equipa no processo ofensivo, mas também pela experiência e rendimento do guarda-redes, António Adán.
No jogo a contar para a 11.ª jornada da Liga, Adán foi considerado o melhor em campo, na vitória leonina diante o B SAD por 2-1. Apesar de ter sofrido um golo nesse encontro, com o jogo empatado a um golo, defendeu uma grande penalidade e outras defesas de elevado grau de dificuldade, oferecendo os três pontos ao Sporting.
Na jornada voltou a destacar-se, desta vez numa goleada dos leões frente ao Vitória SC, por 4-0. Neste jogo, ao minuto 55, Adán fez uma assistência para golo, isolando Pedro Gonçalves na cara do golo.
O guardião espanhol é forte entre os postes e a sair aos cruzamentos, tendo ainda qualidade a jogar com os pés. Nesta temporada, estas suas características têm valido pontos para o Sporting CP, o que faz de Adán um grande reforço. Sendo que Adán está a fazer uma das melhores temporadas da sua carreira, após passagens pelo Real Madrid, Cagliari, Bétis e Atlético de Madrid.
Na presente temporada, os leões já conquistaram a Taça da Liga com o contributo de Adán. O guarda-redes espanhol tem sido uma das unidades em destaque na equipa verde e branca. Assim, que Adán possa continuar a ajudar o Sporting a consolidar a liderança do campeonato, jogo a jogo, jornada a jornada, até ao tão desejado título de campeão nacional.