O Governo de Portugal, em conjunto com a Direção-Geral de Saúde, decretou uma paragem das competições não profissionais no fim-de-semana de 31 de outubro e 1 de novembro. Muitos dos clubes do Campeonato de Portugal não acharam especialmente interessante esta ideia de passarem o fim-de-semana sossegados, e por isso subscreveram uma Nota de Repúdio na qual expressaram as suas indignações.
Nesta Nota de Repúdio, que foi subscrita por 42 clubes, fica patente um agradecimento à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e às Associações Distritais e Regionais por todo o esforço que fizeram para que a bola rolasse mesmo neste fim-de-semana, mas acabou por não resultar.
Campeonato de Portugal contra Governo e DGS: “Ficamos aterrorizados com as decisões” https://t.co/KyxqvRMzre
Parece bastante fácil simpatizar com esta posição dos clubes e até partilhar da mesma. Afinal, ajuntamentos em provas de velocidade ou em sessões de visionamento de ondas são tão perigosos para a saúde pública como ajuntamentos relacionados com futebol. Desengane-se quem acredita o excesso de velocidade atrapalha o bicho, ou que o bicho foge da água das ondas. Na verdade, é até necessária uma correção àquilo que acabou de ler. É que os ajuntamentos relacionados com futebol, principalmente nestes jogos do Campeonato de Portugal, são até muito menos perigosos em termos de saúde pública. Não nos esqueçamos de que, com um orçamento que não permite grandes luxos, estes clubes ainda investem bastante em testes e medidas de segurança, garantindo que os atletas e staff não vão servir a modalidade estando contaminados. No final, e com alguma sorte, ainda lhes sobra algum dinheiro para adquirirem duas ou três bolas para os treinos.
Outro dado bastante relevante para esta discussão é o facto de esta competição não profissional estar completamente recheada de profissionais, que se vêm assim impedidos de desempenhar a sua atividade.
Os clubes do Campeonato de Portugal, em particular os que promoveram um ajuntamento de 42 clubes (peço desculpa, caro leitor, mas pareceu-me a expressão adequada) na subscrição desta Nota de Repúdio merecem mais respeito e alguma ajuda, pois corremos um sério risco de que para muitos “não vá ficar tudo bem”.
Foi com esta manchete escrita em letras garrafaistendo como fundo a fotografia de um Frederico Varandas com ar destemido, que o jornal oficial da actual direcção do Sporting CP, i.e., o jornal Record, brindou o universo sportinguista na edição do passado dia oito de Outubro de 2020.
Uma capa verdadeiramente catchy que pretende levar o comum dos leitores a crerque o actual presidente leonino está empenhado num ataque cerrado ao rival do outro lado da 2.ª circular.
Mas será que a intenção é mesmo essa?
Bom, convirá antes de mais contextualizar o “processo” em causa. Em 2013, a Justiça Desportiva considerou o Sporting CP como responsável pelo incêndio ocorrido em 2011 no estádio da Luz e, por conseguinte, condenou o clube leonino no pagamento de 360 mil euros pelos danos causados. Uma justiça que foi rápida em condenar o Sporting CP perante um rival que é useiro e vezeiro em actos de vandalismo e violência (basta recordar o que aconteceu em Guimarães poucos anos depois).
Em 2015, o Sporting CP, já em plena “era Bruno de Carvalho”instaurou contra o SL Benfica uma acção cível junto do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa por entender que não deveria ser responsável pelo pagamento da totalidade dos prejuízos causados pelo incêndio. A 1.ª instância considerou a acção improcedente, porém, já em instâncias de recurso, o Supremo Tribunal de Justiçadecidiu remeter o processo à 1.ª instância para repetir o julgamento e reapreciar os factos em causa na acção.
Quem, de facto, avançou com a acção foi a Direcção liderada pelo antigo Presidente Bruno de Carvalho.
Assim, a “notícia”de que o Sporting CP processou o SL Benfica peca por estar atrasada cerca de cinco anos e ofusca outros temas que deveriamestar na ordem do dia como o balanço do mercado de transferências do Sporting CP. Ou acham que o facto de esta manchete explosiva aparecer logo a seguir ao fecho da janela de transferência é produto do acaso?
Por outro lado, parece óbvio que há uma intenção da actual Direcção emmanter vivos os ódiose as desconfianças da generalidade dos adeptos perante as claques leoninas,“tirando da gaveta” condutas menos correctas que as mesmas tiveram há quase dez anos; enquanto vão sendo instauradas acções paraexpulsá-las das respectivas sedes. Tudo isto é feito na senda do que tem vindo a ser a estratégia adotada pela Direcção de “dividir para reinar”.
Frederico Varandas processou o SL Benfica, num caso que remonta à resposta não obtida face ao incêndio ocorrido em Alvalade, datado de 2011 Fonte: Candidatura de Frederico Varandas
A verdadeira luta de Varandas é contra as claques que apelidou de “escumalha” e “brunistas”, sabendo que esta hostilidade sem precedentes dentro do Clube lhe dará os votos dos sócios “da central”, mais conservadores e sempre desconfiados ou pelo menos incomodados com a existência de claques.
Por isso, o actual Presidente do Sporting CP não tem qualquer interesse em atacar o clube rival. De outra sorte, o Sporting CP liderado por Varandas e pela sua entourage nunca teria deixado de interpor recurso da decisão judicial de não submeter a SAD do SL Benfica a julgamento pelos 30 crimes de que foi acusada no processo criminal “E-toupeira”. Teria igualmente apresentado uma acção contra o SL Benfica pelo caso do Bruma. Atitudes incompreensíveis que ainda hoje estão por explicar.
Mais, um presidente do Sporting CP genuinamente interessado em defender os interesses dos seus sócios e adeptos teria tido um papel mais interventivo aquando do caso das agressões sofridas pelos dois adeptos sportinguistaspor um magote de membros de um suposto grupo organizado de adeptos do rival, há não muito tempo.
Hoje sabemos que o assassino que matou de forma reles e cobarde o sportinguista Marco Ficini foi condenado a apenas quatro de prisão pela prática “homicídio por negligência consciente”. Alguma vez vimos Varandas pronunciar-se com firmeza sobre este crime hediondo que deveria envergonhar um país inteiro e os nossos “notáveis” políticos não perderam tempo em indignar-se com Alcochete?
E quando é que veremos Varandas, o homem que dizia saber tudo o que estava por trás da época 2015/2016, a falar sobre o que realmente sabe?
A CRÓNICA: UM ANTAGONISMO ENTRE UMA EQUIPA COM CRITÉRIO E OUTRA SEM CRIATIVIDADE
Após a jornada de Champions, o FC Porto teve mais um teste de elevada dificuldade frente a um FC Paços de Ferreira que vinha de duas partidas sem perder. O dragão quis manter a “chama acesa”, mas do outro lado encontrou uma equipa recheada de criatividade e critério comanda por Pepa.
A equipa orientada por Sérgio Conceição apresentou um 11 inicial com algumas novidades aquando comparado com o jogo anterior diante o Olympiacos, estreando Diogo Leite e Grujic a titulares. Pepa, por outro lado, deixou de fora João Amaral (opção) e Douglas Tanque (lesão), avançando com Hélder Ferreira e Dor Jan para colmatar.
O jogo não podia ter começado melhor para a equipa pacense. Após um mau corte de Corona, Dor Jan aproveitou o espaço concedido pela defesa portista para fazer o primeiro golo da noite. Estava aberto o marcador em Paços de Ferreira. Em resposta à adversidade prematura na partida, o FC Porto apresentou um caudal ofensivo diferente, instalando-se constantemente no meio campo pacense. Ainda assim, apesar de um primeiro aviso de Sérgio Oliveira com um livre que tirou tinta à trave, a «turma» de Pepa viria a quebrar a defensiva azul e branca de forma quase consecutiva, suscitando à mistura muita polémica numa partida muito quente.
Ora, começando diacronicamente. Primeiro, Luther Singh visou a baliza de Marchesín, não obstante o golo tenha sido anulado de forma (no mínimo) muito dúbia, com recurso ao VAR. Consequentemente à decisão do árbitro e já com o coração «nas mãos», Pepa protestou efusivamente e foi expulso, tendo sido obrigado a controlar a equipa através da bancada. Mesmo com o golo anulado, o Paços de Ferreira voltou a encontrar espaço no lado esquerdo da defensiva azul e branca. Lado esquerdo este, com Manafá, evidenciou-se muitas vezes moribundo e deserto, ao passo que os dois golos de rajada (incluindo o anulado) do Paços de Ferreira foram a representação perfeita da abordagem amadora e muito comprometedora com que Manafá se apresentou durante toda a primeira parte.
Na saída para os balneários, Sérgio Conceição com certeza agastado com o baixo nível apresentado pela equipa na primeira parte, executou duas mexidas no meio campo. O treinador português retirou duas peças mais defensivas do meio campo (Uribe/Grujic) e colocou as fichas em Nakajima e Luís Diaz. Apesar de maior qualidade com bola e de maior capacidade individual, a incapacidade de definição no último terço manteve-se e foi mesmo o Paços de Ferreira a avolumar o resultado. Ao minuto 59, o ex-FC Porto Bruno Costa, fez o 3-1 de penalty.
O resto do jogo manteve a mesma toada, com um FC Porto cabisbaixo a cair num desespero inconsequente pelo golo. Não fosse o golaço de Otávio ao minuto 78, a equipa azul e branca teria saído de Paços de Ferreira com um resultado ainda menos animador do que foi, sendo que se tal fosse o caso, de sublinhar que seria justo, por tudo o que se passou nos 90 minutos de jogo.
A FIGURA
Um dos novos talentos entre os treinadores portugueses, Pepa Fonte: CD Tondela
Pepa – Foi expulso ainda antes do intervalo, contudo a preparação do jogo foi excelente, conseguindo extrair o melhor dos jogadores que tinha à disposição. Para além disso, restringiu de forma exemplar a organização ofensiva do FC Porto. A eficácia e o jogo associativo proporcionado por Pepa também é justo salientar, ao passo que para além da vitória o Paços de Ferreira realizou um jogo taticamente a roçar a perfeição, para mais tarde recordar.
O FORA DE JOGO
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Organização defensiva do FC Porto – Seja em transição defensiva, nas bolas paradas, na reação à perda ou até mesmo em jogo posicional, a facilidade com que o Paços de Ferreira entrava na defensiva portista era assustadora. Foram demasiados os erros defensivos, para uma equipa que auspicia lutar pelo título.
ANÁLISE TÁTICA – FC PAÇOS DE FERREIRA
A equipa pacense organizou-se num 4-4-2, com uma exploração inteligente da largura e versatilidade de movimentos dos principais homens ofensivos: Luther, Dor Jan e Hélder Ferreira. Tendo como motor Eustáquio, Pepa procurou atrair por dentro para explorar por fora, tendo na “ginga” de Luther Singh e na tomada de decisão de Eustáquio, argumentos fortes para desequilibrar a defensiva portista. O médio português e o extremo sul africano acabaram mesmo por ser duas das principais figuras do Paços de Ferreira, tendo Eustáquio sido premiado com o golo no final da primeira parte.
Na segunda parte, o Paços de Ferreira baixou as linhas e ofereceu na totalidade a iniciativa ao FC Porto. De acrescentar ainda a definição minuciosa dos pontos para efetuar a pressão no portador da bola, ao passo que tal foi muito importante nos constrangimentos dos homens criativos adversários. Esta organização defensiva compacta evitou qualquer alarme para Jordi, que também esteve impecável na baliza pacense.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Jordi (7)
Fernando Fonseca (6)
Marco Baixinho (6)
Marcelo (6)
Oleg (6)
Luiz Carlos (6)
Eustáquio (8)
Hélder Ferreira (6)
Bruno Costa (7)
Luther Singh (8)
Dor Jan (7)
SUBS UTILIZADOS
Uilton (6)
João Amaral (6)
Diaby (6)
João Pedro (-)
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO
A «turma» de Conceição alinhou no clássico 4-3-3, com três médios em constantes permutas de posição em organização ofensiva, avançando todavia com Sérgio Oliveira e Uribe mais deslocados na dianteira do terreno, principalmente em transição defensiva. Apesar de apresentar um trio compacto no miolo, o vazio na zona intermediária era brutal, obrigando a uma mexida drástica ao intervalo, retirando Grujic e Uribe da equação do meio campo.
Ora, na segunda parte, com Nakajima e Otávio na frente de Sérgio Oliveira, o FC Porto procurou criar maiores dúvidas nos jogadores pacenses, principalmente com a presença entre linhas do japonês, contudo o vazio de ideias azul e branco permaneceu.
Com o regresso da equipa B à competição, a formação do Sporting CP têm agora mais visibilidade e espaço para mostrarem toda a sua qualidade. Com a onda de apostas em jovens atletas provenientes de Alcochete na equipa A, espera-se que continuem a chegar atletas ao mais alto patamar do futebol português.
Neste TOP, trago-vos cinco jogadores que poderão vir a fazer parte do plantel principal, nos próximos tempos.
Depois da primeira vitória na Liga dos Campeões, o FC Porto volta a concentrar-se nos jogos do campeonato. Na sexta jornada da Liga Portugal, os dragões vão enfrentar o FC Paços de Ferreira, em casa do rival. Um duelo que se adivinha difícil por todas as condicionantes atuais.
Antes de chegar a esta partida, o FC Porto soma dez pontos em cinco jogos disputados resultado de um arranque de campeonato com altos e baixos. Apesar de ter começado com o pé direito, com duas vitórias diante do SC Braga e Boavista FC, a equipa portista atravessou uma fase menos positiva, com dois jogos sem vencer: derrota com o CS Marítimo e o empate frente ao Sporting CP.
No entanto, no último jogo do campeonato, frente ao Gil Vicente FC, a equipa de Sérgio Conceição voltou ao registo vitorioso que pretende manter, uma vez que está atrás de SL Benfica e Sporting CP na tabela classificativa. Do outro lado, estará a equipa pacense que ocupa a 14.ª posição com cinco pontos, fruto de duas derrotas, dois empates e uma vitória.
Para este jogo, o treinador Sérgio Conceição deve apresentar alterações no onze face ao jogo com os gilistas, mas deve manter-se fiel aos jogadores que vai apostando com mais regularidade e que jogaram diante do Olympiacos FC.
Com uma tática de 4-2-3-1: Marchesín; Zaidu, Pepe, Mbemba, Manafá; Fábio Vieira, Uribe; Sérgio Oliveira, Otávio, Corona; Marega
Do lado pacense, o treinador Pepa deve manter o mesmo onze do último jogo, diante do CD Nacional, que terminou empatado a um golo.
Com a tática de 4-3-3: Jordi Martins; Fernando Fonseca, Marcos Baixinho, Marcelo, Oleg; Stephen Eustáquio, Bruno Costa, Luiz Carlos; João Amaral, Luther Singh, Douglas Tanque.
No BnR TV de hoje contámos com a participação de Guilherme Farinha, um treinador português que é um autêntico cidadão do mundo.
Um treinador que tem mais de 20 anos como treinador no estrangeiro, o que, a nível nacional, deve ser proeza única: foi bicampeão na Costa Rica.
Conquistou, por duas vezes, o estatuto de vice-campeão em 5 anos no Paraguai, – chegou por indicação do Sporting CP – e foi uma vez vice-campeão, em um ano na Guatemala, onde houve jogos em que foi ameaçado com metralhadoras.
Antes, ainda nos primeiros anos do percurso, foi para as selecções da Guiné-Bissau durante 4 épocas. Aqui, também houve um problema com militares.Além de 4 anos no Foolad, com subida à Primeira Liga do Irão e meias-finais da Taça. Está a completar 40 anos de carreira.
Além da análise à carreira do treinador, falámos também de atualidade desportiva. Começámos por abordar a vitória do SL Benfica frente ao Standard de Liége por 3-0, em que todos concordaram que o vice-campeão nacional não deu margem de manobra à equipa belga.
A vitória do SC Braga também foi tema do nosso debate que depois se estendeu à carreira e às histórias do mister Guilherme Farinha. Foi um BnR TV para ver e rever.
Confesso não ser o maior fã deste auxílio e teria variados pontos a apresentar em defesa deste argumento. Fico-me pelo reconhecimento de que o jogo de futebol se faz de erros dos jogadores, dos treinadores e também dos árbitros. Ora, o VAR, tal como o árbitro, é falível. Se admitir que uma decisão errada tomada por um árbitro é fácil, reconhecer que o VAR errou já torna tudo mais difícil. Há um sentimento de frustração acumulada que leva os mais radicais, dos quais me demarco, a reações ainda mais excessivas.
O VAR veio trazer uma diminuição da espontaneidade das emoções que sempre nos estão à flor da pele no que ao futebol diz respeito. Não compreendo o porquê de se ter que esperar tantos minutos (e, sim, são mesmo demasiados) para se celebrar um golo. Até percebia o argumento da verdade desportiva, não fosse, em determinadas circunstâncias, a existência do VAR o primeiro fator de injustiça. Olho, por exemplo, para casos em que competições tuteladas pelo mesmo organismo não têm igual acesso a este instrumento ou para casos em que o VAR só atua em determinadas fases ou jogos de uma competição desvirtuando a igualdade competitiva. Já para não referir que o VAR tem um protocolo extremamente limitado e pouco transparente.
Por isso, se não houvesse VAR, nenhum destes problemas existiria, o que seria uma vitória para os avessos ao futebol moderno, nos quais eu me incluo. Não existiria um medo constante dos árbitros tomarem decisões, só porque sabem que serão suplantados pela deliberação de outrem. Os trapezistas têm uma rede para sua segurança, mas não é por isso que se atiram para ela.
Apesar de tudo, reconheço que o VAR já resolveu algumas situações de difícil escrutínio que podiam ter influenciado o desfecho de algumas competições.
Teria a França sido campeã do mundo em 2018 se o argentino Néstor Pitana não tem, com a ajuda do VAR, assinalado grande penalidade a favor dos franceses por mão na bola de um jogador croata? O castigo máximo foi convertido por Griezmann em cima do intervalo. Imaginemos que o jogo tem ido empatado para o descanso. Talvez a Croácia tivesse vencido o seu primeiro campeonato do mundo, coroando uma geração muito boa com jogadores como Modric, Rakitic, Mandzukic, Perisic, Kramaric ou Rebic. Nunca saberemos.
Outro exemplo que me vem à cabeça quando penso no que poderia mudar se o VAR não existisse é o Manchester City FC X Tottenham Hotspur FC da segunda mão da Liga dos Campeões da época 2018/19. Os londrinos chegaram à final de Madrid que coroou o Liverpool como campeão europeu. Ainda assim, se o VAR não existisse, teriam ficado pelo caminho nos quartos de final. O City procurava um golo para passar para a frente no agregado das duas mãos. O jogo acabou 4-3 a favor dos de Manchester (4-4 no conjunto dos dois jogos), no entanto, o Tottenham beneficiou dos golos conseguidos fora de portas. Estas contas quase não foram necessárias, quando, no período de descontos, Sterling marcou o golo que levaria o City em frente, não fosse a intervenção do VAR a anular o golo e, consequentemente, as aspirações da equipa de Guardiola.
No reverso, temos o que o VAR poderia ter feito se existisse. Desde logo, a mão de Deus de Maradonaseria um não assunto e a Argentina poderia não ter vencido o título de campeão do mundo desse ano (1986). Ou quando Henry ajeitou a bolo com a mão antes de assistir William Gallas para o golo que qualificaria os gauleses para o Mundial 2010, deixando a República da Irlanda pelo caminho. Recordo também a entrada duríssima e merecedora de cartão vermelho de De Jong sobre Xabi Alonso na final desse Mundial e que facilitaria a vida à Espanha. A remontada do Barcelona FC sobre o PSG na Liga dos campeões 2016/17 também não aconteceria.
A verdade é que o VAR veio alterar muitos destinos, mas não veio alterar o passado. Muitos jogos foram decididos por ele e, certamente, o futebol, para o bem ou para o mal, seria bem diferente sem a sua existência. Resta-nos tolerar a sua presença e, talvez, esperar um pouco que decida em cinco minutos o que toda a gente vê em cinco segundos.
Existem imensas decisões que os 76ers devem tomar antes de começar a época de 2020/21. Uma questão que tem sido subestimada pelos fãs que é bastante importante é a posição que Ben Simmons deve jogar na próxima época. Embora esta questão pareça trivial ao início, a distinção da posição de Simmons é importantíssima para a organização dado que vai influenciar as trocas e contratações que esta fará antes da época começar.
Apesar da NBA estar a evoluir para um basquete sem posições, ainda é importante ter esses “rótulos” para atribuir funções aos jogadores, tanto no ataque como na defesa. Porém, Simmons é um caso único. É um jogador com dois metros e oito que se destaca na criação de jogadas, no ataque ao cesto e é um dos melhores defesas da NBA. A única fraqueza no jogo dele é a incapacidade de marcar lances de três pontos.
Até ao recomeço da NBA, na Disney Bubble, Simmons era o point guard dos Sixers. Como PG dos 76ers, foi nomeado duas vezes para o All Star Game nas três épocas que jogou na NBA. Contundo, o ataque dos Sixers era limitado em termos de espaçamento dos jogadores com Simmons nessa posição, devido à incapacidade deste de marcar triplos.
O ex-técnico Brett Brown percebeu que precisava de fazer mudanças para a equipa ter mais hipóteses de competir pelo título e por isso mudou a posição de Simmons para power foward para que este não tivesse a bola tanto fora da linha de triplo. Isto, por sua vez, criaria mais espaço para o centro superestrela Joel Embiid.
Porém, os fãs não viram muito de Simmons neste novo papel, dado que se lesionou no terceiro jogo do reinício da época da NBA. Dito isto, houve aspetos positivos provenientes da mudança de posição. Agora Elton Brand e Doc Rivers terão de perceber que posição deve Simmons jogar na próxima época.
Esta decisão irá ditar as movimentações de plantel que a organização terá de fazer. Elton Brand já encontrou o treinador certo em Doc Rivers e agora terá de adicionar o talento adequado para complementar Simmons e Embiid.
Esta adição de talento levanta um ponto importante porque qualquer transferência que a organização faça deve ser ditada pelo papel de Simmons durante o jogo. Se jogarem com Simmons a PG, os Sixers deveriam procurar um jogador que seja capaz de criar o seu lançamento, especialmente de triplo como Buddy Hield ou CJ McCollum. Se decidirem colocar Simmons na posição de PF, os 76ers deveriam procurar um base que consiga organizar as jogadas da equipa e capaz de criar o seu lançamento também, como por exemplo Chris Paul.
Como já referi antes, os 76ers precisam de mexer com o seu plantel. É mais que obvio que têm de trocar Al Horford, independentemente da posição de Simmons, mas caso Ben jogue a PF, isto pode afetar o quão ativo é a organização com Tobias Harris. A posição natural de Harris é a PF, mas ele jogou este ano todo fora de posição a small foward. Apesar de ter tido bons desempenhos durante a época regular, nas playoffs quando enfrentou a defesa de perímetro elite dos Boston Celtics, teve dificuldades e não produziu ao nível que os fãs esperavam dele. Se Simmons passar a PF, trocar Harris deve ser uma prioridade para a organização de Philadelphia.
Decidir a posição de Simmons é crucial para a organização e irá ter grande impacto no futuro dos 76ers e por isso, tem de ser uma decisão tomada o mais depressa possível.
A CRÓNICA: APESAR DA EXIBIÇÃO IMACULADA DE MIGUEL MARTINS, O PORTO NÃO CONSEGUIU BATER O KIELCE EM CASA
Em mais uma jornada da EHF Champions League marcada por vários jogos adiados devido a casos de COVID-19, o FC Porto recebeu e empatou contra o Lomza VIVE Kielce no Dragão Arena.
Com os regressos de Miguel Martins, Djibril Mbengue, e também do lesionado Rui Silva, a equipa de Magnus Andersson teve muitas dificuldades na parte inicial da partida. O Kielce entrou forte e aproveitou as lacunas na defesa portista para se ir distanciando no marcador. A equipa polaca ia dominando, mas o central Miguel Martins ia-se destacando pelos Dragões como a principal arma ofensiva.
Com os visitantes na frente, o técnico dos azuis-e-brancos pediu um time-out para reorganizar equipa. Surtiu efeito e o FC Porto saiu do tempo técnico com mais atitude defensiva e conseguiu, lentamente, encurtar a desvantagem. A circulação de bola na primeira-linha portista abria brechas na defesa polaca, e o FC Porto conseguiu encontrar espaço na zona central.
Já perto do intervalo, o FC Porto chegou à vantagem e a cinco minutos do fim o central Rui Silva voltou a jogar, depois da lesão sofrida na primeira jornada da Liga dos Campeões frente ao Elverum no Dragão Arena – um jogo em que os Dragões perderam por dois golos de diferença – e o seu impacto foi imediato com o central internacional português a marcar um golo de belo efeito que ajudou a equipa a manter-se na dianteira do resultado.
Ao fim dos primeiros 30 minutos, ambos os conjuntos recolheram ao balneário com a equipa da casa na frente por 19-17.
No segundo tempo a toada manteve-se. Miguel Martins continuava endiabrado e mantinha o FC Porto na luta pela vitória, apesar da resposta polaca. Com os dragões praticamente sempre na frente e Quintana em grande plano na baliza, os azuis-e-brancos iam mantendo a vantagem, mas o Kielce mantinha-se perto e ameaçava o empate.
Entrando para o último minuto empatados a 32, o FC Porto conseguiu defender e teve o último ataque do jogo. Com a bola da vitória a 15 segundos do fim, Magnus Andersson pediu um time out para preparar o último ataque. Os dragões tentaram o golo da vitória, mas o Kielce fez falta para livre de nove metros e conseguiu assim manter o resultado.
Destaque para Miguel Martins. O jovem central esteve imparável e terminou o jogo com nove golos em nove remates, 100% de eficácia numa posição onde consegui-lo é extremamente raro.
Miguel Martins – O internacional português foi o motor da equipa e a razão para o FC Porto ter estado tão perto da vitória. Depois de ter sofrido um toque frente a Vardar e não ter alinhado para o Campeonato frente ao Vitória FC, Miguel Martins entrou com tudo e os polacos foram incapazes de o parar.
André Gomes – Não foi o pior em campo – até porque tendo em conta o jogo, não houve um jogador que tenha jogado mal – mas depois de uma primeira parte em que marcou quatro golos e foi determinante, o lateral português teve um segundo tempo pacato, e deixa-nos a perguntar: E se tivesse mantido o nível? Muito provavelmente o FC Porto teria vencido.
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO
Este FC Porto é fiel aos seus princípios e o regresso de Rui Silva viu uma equipa com mais soluções. Com Miguel Martins em dia “sim”, os dragões apostaram numa circulação de bola rápida que lhe permitia abrir espaço na defesa adversária, tanto para o remate, como para o jogo com o pivot.
7 INICIAL E PONTUAÇÕES
Nikola Mitrevski (6)
Diogo Branquinho (6)
André Gomes (7)
Miguel Martins (9)
Djibril Mbengue (6)
Antonio Areia (6)
Victor Iturriza (7)
SUBS UTILIZADOS
Alfredo Quintana (8)
Rui Silva (7)
Miguel Alves (7)
Daymaro Salina 86)
Manuel Späth (6)
Diogo Silva (6)
Fábio Magalhães (7)
Ivan Sliskovic (6)
ANÁLISE TÁTICA – LOMZA VIVE KIELCE
Uma equipa semelhante ao FC Porto na procura pelo espaço. Alex Dujshebaev e Igor Karacic são as suas principais armas e a equipa joga aquilo que os dois “maestros” jogarem. O jogo com o possante pivot francês Nicolas Tournat nem sempre funcionou, o que condicionou até certo ponto a estratégia ofensiva da equipa.
A CRÓNICA: SL BENFICA GARANTE SEGUNDO TRIUNFO NA EUROPA SEM GRANDE DIFICULDADE
Se perguntar a alguém que tenha nascido e/ou vivido na década de 90 se se recorda das bolachas Belgas da Triunfo, certamente que a sua resposta será alegremente afirmativa, pois o seu sabor adocicado era capaz de satisfazer a gula de quem comesse um pacote dessas bolachas. De facto, o SL Benfica recebeu uma encomenda dessas bolachas e saciou a sua fome de vitória: em mais uma jornada da Liga Europa, os homens de Jorge Jesus despacharam sem grande dificuldade o Standard Liège por três golos sem resposta e mantêm bem doce o sonho de conquistar a prova europeia.
Com o regresso do público às bancadas da Luz após um longo período de ausência, o Benfica entrou pressionante e com vontade de chegar cedo à vantagem no marcador. Os 4875 adeptos presentes fizeram questão de puxar desde o início do jogo e empurrar os comandados de JJ para o golo que esteve perto de ser alcançado à passagem do minuto 14 num remate à entrada da área de Pedrinho que teve uma defesa segura de Bodart, após uma boa jogada de entendimento dos homens da frente. No instante seguinte, o remate em arco de Everton voltou a testar a atenção do guardião visitante que respondeu com uma boa intervenção.
O ímpeto pressionante encarnado foi-se desvanecendo à medida que o relógio ia andando, apesar do controlo se manter do lado da casa, o que agradava ao Standard que estava a conseguir manter Darwin Núñez e companhia longe da sua baliza devido à “alta muralha”, já que os 11 homens vestidos de negros defendiam no seu meio-campo defensivo. O perigo junto da baliza de Bodart só voltou a rondar aos 38 minutos: cruzamento de Otamendi com a defesa belga atrapalhada a afastar mal e a bola sobra para Pizzi que disparou torto para uma baliza totalmente descoberta, desperdiçando uma excelente ocasião para fazer o primeiro golo do marcador. Esse seria mesmo o último lance digno de registo antes do apito para o descanso, em que Benfica e Standard ficaram empatados a zero.
Algo insatisfeito com a produção ofensiva na primeira parte, Jorge Jesus fez entrar Rafa Silva no início dos segundos 45 minutos para tentar desmoronar a defensiva adversária. E de facto não foi preciso esperar muito para se festejar um golo na Luz: Luca Waldschmidt foi travado dentro da área e foi assinalada grande penalidade, com o capitão Pizzi a bater Bodart com toda a frieza necessária e a colocar o Benfica a vencer na partida aos 50 minutos.
O Standard que até então não tinha criado perigo a Vlachodimos, teve uma ocasião soberana aos 58’ para empatar pelo capitão Zinho Vanheusden na sequência de um canto do lado esquerdo, mas o guardião grego respondeu com uma boa defesa. Esse lance teve uma resposta do outro lado por intermédio de Núñez que disparou não muito longe da baliza, após uma boa combinação com Waldschmidt.
Aos 65 minutos, foi novamente assinalada grande penalidade para o Benfica, só que desta vez quem marcou foi o 10 das águias, mas o destino foi exatamente o mesmo: bola no fundo das redes e 2-0 no marcador. As mudanças operadas por Jorge Jesus trouxeram algum abrandamento ao ritmo de jogo, embora Pizzi voltasse a fazer levantar os adeptos das suas cadeiras com um golaço aos 76’ que Bodart não conseguiu impedir. O médio acabaria por ser substituído pelo jovem Gonçalo Ramos que se estreou assim nas competições europeias.
O resto do encontro passou a voar e o Benfica garantiu o segundo triunfo na fase de grupos. De facto, as tais três bolachas Belgas ajudaram a adoçar o sonho encarnado em vencer a prova e dão mais uma demonstração de que as águias estão a exibir-se em todo o seu esplendor.
A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Pizzi – O capitão encarnado voltou a ser o protagonista do jogo na Luz. Com uma grande penalidade convertida com toda a frieza e um golaço em arco à entrada da área, o número 21 das águias brilhou ao mais alto nível e ajudou o SL Benfica a alcançar a segunda vitória no grupo D.
Collins Fai – O lateral camaronês está ligado de forma negativa à história do encontro, uma vez que acabou por desequilibrar a partida contra a sua equipa ao cometer as duas grandes penalidades que ajudaram o Benfica a chegar à segunda vitória na Liga Europa.
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
O SL Benfica apresentou-se esta noite no seu habitual 4-4-2. Sem poder contar com o lesionado Grimaldo e com algumas mexidas no onze inicial, Jorge Jesus lançou Nuno Tavares, Diogo Gonçalves e Pedrinho. Desde o primeiro minuto de jogo que o conjunto encarnado mostrou ao que vinha e controlou o jogo a seu belo prazer, embora a eficácia não tenha sido a melhor na primeira parte, já que foram escassas as oportunidades criadas para fazer golos.
O segundo tempo trouxe um Benfica mais determinado em marcar e isso aconteceu aos 50 minutos, com a conversão da grande penalidade por Pizzi que ajudou a controlar a ansiedade pelo alcance do golo. A partir daí, os encarnados limitaram-se a gerir o rumo dos acontecimentos e dilataram a sua vantagem num jogo super tranquilo que permitiu garantir mais três pontos na caminhada europeia.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Odysseas Vlachodimos (6)
Diogo Gonçalves (5)
Jan Vertonghen (5)
Nicolás Otamendi (6)
Nuno Tavares (7)
Gabriel (6)
Pizzi (9)
Pedrinho (4)
Everton (6)
Luca Waldschmidt (7)
Darwin Núñez (5)
SUBS UTILIZADOS
Rafa Silva (6)
Adel Taarabt (5)
Julian Weigl (5)
Haris Seferovic (5)
Gonçalo Ramos (-)
ANÁLISE TÁTICA – ROYAL STANDARD LIÈGE
O conjunto belga apresentou-se na Luz num 4-5-1, e pretendia dar um pontapé na série de três jogos consecutivos sem conhecer o sabor da vitória. Com sete jogadores infetados com Covid-19 e lesão de última hora do avançado Jackson Muleka, o técnico Philippe Montanier tinha uma tarefa espinhosa pela frente em tentar anular o “rolo compressor” encarnado no seu reduto.
Tendo entregado por completo o domínio de jogo ao Benfica, o conjunto belga passou a maior parte da partida no seu meio-campo defensivo, e aí o esquema tático transfigurava-se para um 5-4-1 que se mostrava bastante compacto na hora de proteger a sua baliza. O Standard tentou aproveitar algumas distrações do miolo encarnado para lançar contra-ataques venenosos que pudessem ferir as águias, mas a estratégia adotada apenas resistiu os primeiros 45 minutos, já que, na segunda parte, o guardião Bodart teve de ir buscar a bola ao fundo das redes por três vezes.