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As 5 melhores finais da Liga dos Campeões do século XXI

A Liga dos Campeões é o troféu europeu mais importante a nível de clubes. A participação é sempre um motivo de orgulho e todas as equipas têm como objetivo chegar o mais longe possível nesta competição. Para algumas, a conquista é quase vista como uma obrigação.

Foi criada em 1955 e teve a designação de Taça dos Campeões Europeus até 1992, quando a UEFA alterou o nome por motivos publicitários. O Real Madrid é o máximo vencedor da prova, com 13 conquistas, seguido do AC Milan com 7 e do Liverpool com 6. Desde o início do século, o Barcelona e o Real Madrid são os reis do torneio, com 10 títulos arrecadados em 20 edições.

Tanto o FC Porto como o Benfica contam com duas conquistas, sendo que os dragões alcançaram esse feito histórico em 2004, elevando o nome de Portugal. Desde esse momento, o máximo que uma equipa portuguesa conseguiu chegar foi até aos quartos de final.

As finais da Liga dos Campeões são sagradas para o verdadeiro adepto do futebol, que, certamente, fica com detalhes dessas partidas gravados na memória (como o resultado, os marcadores, as equipas iniciais, o estádio e principalmente os golos, pois são esses que ditam a emoção desses duelos empolgantes).

Nas páginas seguintes, podem consultar quais foram, na minha opinião, as melhores finais da prova rainha europeia do século XXI.

Nota: A mítica remontada do Manchester United sobre o Bayern Munich foi um ano antes da viragem de século, o que impossibilita a colocação nesta lista. Um ano mais tarde e estaria seguramente no top.

Transmissões BnR: FC Dínamo Minsk 1-2 SFC Slutsk

É oficial: as transmissões chegaram ao Bola na Rede e estreamo-nos com a Liga da Bielorrússia, em parceria com o Mycujoo. Depois da antevisão, damos-te a possibilidade de veres um jogo em direto no nosso site, com o jogo e acompanhamento ao minuto no Twitter.

LIVE – ACOMPANHAMENTO NO TWITTER

A importância da comunicação no futebol moderno

A mudança dos tempos, em congruência com a mudança das mentalidades e das características sociais individuais e comunitárias, originou uma revolução a toda a linha no modelo organizacional do desporto rei. A comunicação não ficou atrás, e assume agora um papel muito importante na estrutura de um clube. Numa era primada pela monopolização da sociedade pelas redes sociais, o futebol fora de campo tem vindo a ganhar uma importância capital na vida dos clubes fora das quatro linhas. Saber comunicar e saber tocar no coração do adepto da forma mais apaixonada e criativa possível é um desafio diário para os departamentos de comunicação por esse país fora.

Hoje, a generalidade dos clubes profissionais têm um departamento de comunicação e marketing que acompanha o avançar dos tempos. Até nas distritais vemos criatividade e verdadeira competência da gestão dos clubes a nível social. Os clubes pretendem, mais do que serem reconhecidos como uma coletividade desportiva, serem reconhecidos como uma marca. Dizem que o segredo é a alma do negócio. Pois no fenómeno futebolístico é precisamente ao contrário. A partir do momento em que um clube tem grande visibilidade, mais apto fica para receber potenciais investimentos que o catapultem para outro patamar.

Basta atentar no exemplo do FC Famalicão, um clube com mística, com uma massa adepta forte e com um projeto desportivo que carecia de um verdadeiro investimento. O investimento chegou e o clube minhoto subiu patamares até se consolidar esta temporada entre os principais clubes da Primeira Liga.

O SC Braga é, eventualmente, o grande exemplo português no marketing e comunicação. Todos nós já vimos, a certa altura, um vídeo criativo da apresentação de um reforço bracarense, ou algum momento de cultura (quando Alan parte à descoberta da cidade europeia onde o SC Braga joga nessa semana de Liga Europa). São estas coisas, que à primeira vista parecem tão simples, que nos fazem aproximar de um clube.

Não é raro, infelizmente, vermos atualmente vários episódios ligados a departamentos de comunicação, essencialmente dos que representam os três chamados grandes do futebol português. Momentos de picardias e trocas de palavras mais azedas são práticas comuns desses clubes, numa espécie de medição de forças na qual se pretende ver qual o clube mais poderoso, como se de uma nova Guerra Fria se tratasse. Não é para isso que a comunicação serve, nem é esse, de todo, o grande benefício que traz ao futebol. A comunicação serve para isso mesmo: comunicar. Informar, inovar, criar. Tudo aquilo que traga prazer a um adepto de futebol ao percorrer as redes sociais.

Dada a situação pandémica que atravessamos, a comunicação tornou-se absolutamente essencial num futebol sem bola. O facto dos campeonatos terem sido forçados a parar e as pessoas fortemente aconselhadas a ficarem confinadas em casa levou a que os clubes se munissem da memória para comunicarem com os seus adeptos. A recordação de momentos de glória, ou os “diretos” com atuais e antigos jogadores dos clubes ajudam os adeptos a enganarem um pouco a saudade de estar no estádio a ver a sua equipa jogar. A comunicação serve também para isso. Para ajudar.

O mercado é competitivo em todas as áreas, e, quando nos referimos ao futebol e às várias partes que constituem um clube, mais competitivo é. Apenas um departamento com uma visão estratégica e que a consiga colocar em prática de forma eficiente, inovadora e promotora poderá ter sucesso.

Artigo revisto.

 

O Passado Também Chuta: Boavista FC de 2006/2007

Iniciava-se mais uma temporada em Portugal. O Boavista FC parecia ter tudo alinhado para uma excelente época desportiva, depois de contratar Jesualdo Ferreira para treinador Principal, que, à imagem daquilo que é já característico no atual treinador do Santos FC, montou um plantel bastante interessante e prometedor.

Entrou pelos portões do Bessa um conjunto de jogadores com uma qualidade técnica considerável, jogadores esses que pareciam entender bem os momentos do jogo. Até se poderiam dizer já talhados para outros voos! Além de uma aposta clara no mercado de leste (como indicam as contratações dos polacos Rafał Grzelak, Przemyslaw Kazmierczak e Krzysztof Kazimierczak), existiu também uma forte influência centro-europeia, nomeadamente com as contratações do guarda-redes internacional do Liechtenstein Peter Jehle e do internacional Austríaco Roland Linz. Tempos em que as equipas Portuguesas fora do atual “top four” conseguiam ter internacionais por outros países nos seus plantéis…

No entanto, este alinhamento cedo se baralhou e começou a ruir como um castelo de cartas. Poucos dias antes da primeira jornada do campeonato, o FC Porto despede Co Adriaanse e decide contratar o então treinador axadrezado para a época 2006/2007. A passagem de Jesualdo pelo Bessa tinha sido residual. Ora, isto teve inúmeras consequências internas: condenou a pré-época da equipa do Bessa, esfriou as excelentes relações entre Boavista FC e FC Porto e originou uma perseguição/agressão a jornalistas, com episódios que em nada abonaram a favor da direção Boavisteira.

Sem margem para grandes surpresas ou negociações, tendo em conta que estávamos a pouquíssimos dias do início do campeonato, surpreendia a pantera ao apresentar o treinador Montenegrino Zeljko Petrovic, um desconhecido de apenas 41 anos de idade e com uma curta carreira. No seu CV, constavam apenas as suas experiências de treinador adjunto no Feyenoord Rotterdam e de treinador principal na equipa sub 19 do RKC Waalwijk.

A escolha admirou os adeptos Portugueses e assustou os Boavisteiros, que olharam com bastante desconfiança para a opção do Presidente axadrezado. Mas ainda havia esperança. O plantel parecia ter qualidade e o discurso do novo treinador fazia antever um futebol ofensivo e atrativo. As suas primeiras conferências de imprensa causaram um impacto positivo, e, talvez por isso, a expectativa e o nervosismo eram grandes. Além dos nomes já mencionados, o plantel contava ainda com o mítico guarda redes William, com os experientes Ricardo Silva e Mário Silva, com o saudoso Lucas, os sobejamente conhecidos Zé Manel e Tiago, um jovem Nuno Pinto a despontar, Zairi apelidado de “Cristiano Ronaldo Marroquino” e o emblemático Fary Faye.

As duas primeiras jornadas da Primeira Liga não podiam ser testes mais difíceis à capacidade do treinador Montenegrino: deslocação a Alvalade e receção ao Sport Lisboa e Benfica. Foram exatamente esses dois jogos que, de repente, voltaram a deixar os adeptos do Boavista FC a achar que a mudança de treinador não os iria afastar da rota de sucesso que parecia estar destinada com Jesualdo Ferreira. A equipa perde 3-2 em Alvalade com uma grande exibição, e, na semana seguinte, no melhor jogo da época, bate o Sport Lisboa e Benfica por 3-0 no Bessa, com Roland Linz e a dupla polaca Rafał Grzelak – Przemyslaw Kazmierczak a “partirem a louça toda”.

O problema é que, depois destes dois jogos, a gasolina de um carro bem equipado terminou. Os resultados começam a não surgir e o treinador Montenegrino termina a sua participação em Portugal ao fim de apenas seis jogos, acumulando duas vitórias e saindo vergado a uma humilhante derrota por 4-0 com o CD Nacional. Tudo isto acaba por ditar o fim de linha para Zeljko Petrovic, dando lugar ao terceiro treinador da época – o salvador da pátria Jaime Pacheco.

Ao longo de toda a temporada, muitos problemas disciplinares assolaram o balneário preto e branco. Surgiram várias notícias de ex-jogadores e clubes a reclamar dívidas, bem como a denúncia dos ex-júniores ainda com contrato de que não eram pagos há anos, o que acabaria por culminar numa decisão diretiva de dispensar a maioria dos jogadores no final da época. O único ponto positivo desta gestão acaba por ser a forma como o Boavista FC contornou as limitações orçamentais decorrentes da construção do novo estádio, através de bons empréstimos e grandes contratações a custo zero.

Os jogos iam passando. A equipa parecia estar sem identidade, afetada pelos constantes problemas diretivos, parca em resultados e sem fazer minimamente jus ao espírito lutador e determinado que caracterizava as equipas Boavisteiras num passado recente. Era apenas uma equipa que permitia lançar e revelar alguns jogadores. Taticamente, manteve o 4-3-3, com três médios de cariz puramente defensivo e extremos especializados na arte de contra-atacar, mas que nunca asseguraram muitos golos.

Salvo algumas honrosas exceções, a qualidade exibicional era baixa para aquilo que o plantel parecia poder dar no início da temporada. A equipa era compacta e pouco elástica, sem processos de transição para ataque muito eficazes, e, por isso, chegavam ao golo através de lances de bola parada ou iniciativas individuais. Analisando a evolução da tabela classificativa, o Boavista FC andou quase sempre entre o décimo e o décimo segundo lugar. Algo bom para quem luta pela manutenção, mas manifestamente insuficiente para uma equipa que assumia o objetivo UEFA e que possuía o historial que os do Bessa vinham apresentando num passado recente.

A época axadrezada foi tremendamente irregular, e, desde muito cedo, deu para perceber que seria apenas uma questão de tempo até que as panteras deixassem de ter quaisquer ambições para além da manutenção (que nunca esteve em risco). Mas escondidos entre vários jogos tristes e descoloridos, encontram-se dois verdadeiros momentos de glória, ambos em casa.

O primeiro foi contra o Sport Lisboa e Benfica, que, para além de desmistificar a existência de uma super-equipa na Luz, após o regresso de Rui Costa, foi também a melhor exibição boavisteira da temporada, que poderia ter catapultado a equipa para uma grande época.

O outro momento alto foi contra o FC Porto, que confirmou uma pequena subida de forma axadrezada e relançou definitivamente um campeonato que até então parecia precocemente entregue.

Em ambos, o Boavista mostrou raça, entreajuda, classe e muita, muita qualidade individual. As exibições feitas intimidariam e fariam inveja a qualquer grande clube Europeu. Onde andou essa equipa no resto do campeonato?

Jogadores a destacar:

  1. Kazmierczak

O Boavista experimentou uma alteração na sua política de contratações, abandonando o imprevisível mercado Brasileiro para apostar na Europa central. Por causa disso, ganhou duas pérolas: Kaz e Linz. O Polaco demonstrou desde cedo qualidades individuais muito acima da média, apresentando-se como um trinco disciplinado taticamente e a nível temperamental, que impressionou tanto pela estampa física como pela qualidade do pé esquerdo. Apesar do destaque que conquistou, começou a temporada com exibições apenas razoáveis. Isto poderá ser explicado pela necessidade de adaptação ao futebol Português e por se encontrar a jogar numa posição mais adiantada, numa clara tentativa de tirar proveito das suas qualidades de construção e remate potente. Mas quando Jaime Pacheco o recuou para o lado de Tiago, a produção de Kaz subiu em flecha, à medida que se ia afirmando como âncora da equipa, exibindo os seus dotes de recuperador de jogo. Terminou a temporada com cinco golos – quase todos espetaculares – e apresentou uma regularidade exibicional impressionante, o que lhe valeu uma transferência para o FC Porto.

  1. Roland Linz

O Austríaco era um dos melhores ‘matadores’ em atividade no futebol português. No Áustria Viena, já tinha mostrado as suas qualidades, exibindo o chamado ‘killer instinct’. No futebol português (técnica e taticamente mais evoluído do que o Austríaco), teve de sofisticar os seus processos. Foi absolutamente preponderante e agradava a todos, o que lhe permitiu transferir-se para Braga no ano seguinte. Incompreensível, quanto a mim, é o facto de nenhum dos três grandes ter analisado corretamente o potencial de Linz, tendo em conta os parâmetros que se impunham: idade e qualidade do jogador, adaptação feita e absoluto estado de necessidade do Boavista.

Deceções: Zairi e Ricardo Sousa

As entusiasmantes contratações de Zairi, apelidado de “Cristiano Ronaldo Marroquino”, e de Ricardo Sousa, conceituado médio ofensivo que já contava com uma passagem de sucesso pelo Bessa, fracassaram. Zairi nunca foi opção e acabou por sair. Já o médio Português, sem fulgor físico e sem nunca demonstrar o mesmo rendimento que o levou à ribalta, acabou por ser preterido por Essame.

Este é claramente um exemplo de uma equipa que, naquele ano, podia ter sido grande. Podia se não existisse tanta instabilidade Diretiva, se não existissem tantos problemas financeiros, trocas de treinadores e jogadores desenquadrados com a realidade do clube. Foi uma época “perdida” e que devia ter servido de exemplo para os anos vindouros, o que acabou por não acontecer. Em 2019, Lito Vidigal é despedido do Boavista FC, que estava na nona posição, depois de ter sido invencível nas primeiras nove jornadas. A equipa do Bessa tem história e tem adeptos. É um nome mítico e apetecível no futebol Português, mas os constantes erros de gestão pagam-se caro e não permitem dar um passo em frente.

Bom isolamento!

Artigo revisto. 

 

 

Os Cinco e o campeonato pouco competitivo

A última vez que o campeonato de Portugal viu um clube fora dos chamados “três grandes” ser campeão foi em 2001, o ano em que eu nasci. Nessa época, o Boavista FC fez uma campanha sensacional, somando 23 vitórias, oito empates e apenas três derrotas, resultando num inédito título de Campeão Nacional para os axadrezados.

É preciso recuar 55 anos para encontrar mais um dito clube “pequeno” a conquistar o campeonato: o CF “Os Belenenses”, em 1946. Quer isto dizer que, ao longo da história do futebol português, houve apenas cinco equipas campeãs nacionais – SL Benfica, FC Porto, Sporting CP, Boavista e Belenenses. Mais do que uma raridade europeia, isto constitui um motivo de preocupação para a qualidade do futebol nacional.

Comecemos por comparar este dado com outras ligas europeias. Em terras de Sua Majestade, já 24 equipas inglesas venceram o campeonato, desde as mais conhecidas, como o Manchester United FC, até às que, atualmente, militam na terceira divisão do país, como o Ipswich Town FC. Aqui ao lado, em Espanha, já nove clubes apresentam nos seus museus taças de campeões, desde Real Madrid CF ao RC Deportivo. Na Alemanha,29 (!) equipas arrecadaram o título de campeão, desde o FC Bayern de Munique ao SK Rapid Wien (não esqueçamos que num período negro da História Contemporânea, a Alemanha Nazi anexou a Áustria) . Não é coincidência que estas sejam algumas das ligas que mais clubes emprestam às competições europeias.

Em Portugal, os cinco clubes com títulos de campeão nacional no seu palmarés são a imagem de um campeonato pouco competitivo. O Benfica, com 37 campeonatos, o Porto, com 28 e o Sporting, com 18, têm o hábito de disputar o título entre si, cavando um fosso para outras equipas, que, nos anos mais recentes, se tem esforçado por se aproximar dos três grandes, como SC Braga, Vitória SC ou Rio Ave FC.

Esta hegemonia parece ser encorajada pela Federação Portuguesa de Futebol, como se viu ainda esta semana, numa reunião que decidia o futuro do campeonato em tempos de pandemia, e na qual os presidentes dos clubes grandes foram os únicos ouvidos. A voz dos pequenos não parece importar para uma questão que decide o futuro de todos.

O organismo que tutela o futebol profissional é incapaz de entender que esse centralismo não faz mais do que empobrecer o futebol nacional, como se nota nas paupérrimas prestações europeias dos nossos clubes. É o que acontece quando, num campeonato de 18 equipas, só três lutam pêlo título e cerca de dez têm como único objectivo estabelecido a manutenção na Primeira Liga, encorajando também o domínio dos do costume.

Perde-se muito com a falta de ambição das nossas equipas ditas pequenas. As mesmas equipas de sempre, com jogadores banais e orçamentos relativamente curtos (por comparação com equipas semelhantes de países diferentes), distanciam-se anos-luz das restantes, apresentando um futebol comum que é o suficiente para apenas ganhar. Isto faz com que fiquemos para trás na corrida europeia, algo que nos impede de sonhar com os grandes palcos europeus para além das fases-de-grupo.

Em 2015/2016, o Leicester City FC conquistou a Premier League com estrondo, depois de na época anterior mal ter garantido a manutenção. Por isso é que a Premier League é considerada a melhor liga do mundo e das mais apelativas para os jogadores. Quão bom seria termos uma Liga em que o FC Famalicão podia ser campeão, após esta época extraordinária?

As equipas portuguesas têm feito campanhas terríveis nas competições europeias
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Felizmente, nos últimos anos, várias equipas têm-se esforçado por incomodar os que estão sentados no trono. Braga, Vitória, Rio Ave e Moreirense FC vão-se aproximando dos três grandes e pregando-lhe sustos. É um bom começo, mas o ideal é ter uma liga saudável, em que tanto o Benfica, como o Gil Vicente FC ou o CD Santa Clara podem ser campeões. Ficar à sombra da bananeira é que não pode ser.

Artigo revisto. 

Que jogos devo rever nesta quarentena? FC Bayern Munique 1-1 (3-4 g.p.) Chelsea FC, Final da Liga dos Campeões 2011/12

Este é o dia em que o peso da história se vira contra os crónicos favoritos. Diz-se que no futebol é 11 contra 11, e no fim ganha a Alemanha. Ou os alemães. Neste caso, no fim ganharam os ingleses, e logo nas grandes penalidades, onde estes cronicamente fraquejam e os alemães, por oposição, cronicamente se superam. A isto tudo, junta-se o facto de o Bayern jogar a final no seu próprio estádio. É um Maracanazo versão bávara.

Com arbitragem de Pedro Proença, é o Bayern que entra ao ataque nesta final da Liga dos Campeões da época 2011/12. Conhecendo bem os cantos à casa, a equipa de Jupp Heynckes cedo cria perigo. Mario Gómez dá o primeiro alerta num golpe de cabeça e depois é Robben, após grande jogada individual, a ver o seu remate embater no poste após um ligeiro desvio de Petr Cech.

O primeiro remate dos londrinos surge já depois da meia hora de jogo, dos pés de Kalou. Estão desnorteados os comandados de Roberto Di Matteo e a avalanche de futebol ofensivo do Bayern continua, com Gómez novamente e depois Muller a estarem perto de marcar ainda antes do intervalo. O Chelsea ressente-se das ausências de John Terry, Ivanović, Ramires e Raul Meireles, não conseguindo contrariar o que parece ser um alinhamento dos astros a favor do Bayern.

Na segunda parte, mantém-se a toada dos primeiros 45 minutos. O Bayern continua a dominar o jogo e ameaça por várias vezes a baliza à guarda de Cech, que vai conseguindo manter as suas redes invioláveis. Mas, aos 83 minutos, tudo muda. Kroos liga o GPS e faz um passe teleguiado para a área, onde Muller surge nas costas da defesa dos Blues a cabecear como mandam as regras, de cima para baixo. Cech ainda toca na bola, mas nada pode fazer para evitar a explosão de alegria na Allianz Arena.

Tudo se parece encaminhar para o Bayern operar um autêntico conto de fadas, ao vencer a Liga dos Campeões no seu próprio estádio. Mas Didier Drogba, quem mais?, tem ato de vilania aos 88’, e torna-se ele próprio um herói, ao responder de cabeça a um canto de Mata, empatando o jogo. Exibição monstruosa do costa-marfinense coroada com um golo, ele que aparece em todo o lado do ataque do Chelsea a dar profundidade e linhas de passe, ganha duelos aéreos até mais não e cria oportunidades de perigo por si próprio, pois joga muito desapoiado esta noite.

Com o resultado em 1-1 no final dos 90 minutos, há lugar a prolongamento. A ansiedade cresce na Allianz Arena. O Bayern faz contas ao desperdício e percebe que criou ocasiões mais do que suficientes para vencer o jogo no tempo regulamentar, ao passo que o Chelsea ganha um novo acreditar com o golo tardio de Drogba. O jogo perde qualidade e num lance capital aos 95’, Robben permite a defesa a Cech na cobrança de uma grande penalidade. É o prelúdio da queda.

O resultado mantém-se quando Pedro Proença apita para o final dos 120 minutos e a decisão segue para a lotaria das grandes penalidades. Num cenário em que os alemães têm nervos de aço e raramente baqueiam, e em que os ingleses normalmente são mais frágeis, os papéis invertem-se.

Da marca dos 11 metros, Olić e Schweinsteiger falham para o Bayern e Mata para o Chelsea. A decisão final recai então sobre Drogba. O avançado dos Blues parte para a bola, não treme e remata certeiro, fazendo eclodir a Allianz Arena. Noite memorável para o Chelsea, que conquista assim a primeira Liga dos Campeões da sua história.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

FC Bayern Munique: Manuel Neuer, Philipp Lahm, Boateng, Contento, Tymoshchuk, Schweinsteiger, Muller (Van Buyten, 86’), Robben, Toni Kroos, Ribéry (Olic, 96’) e Mario Gómez.

Chelsea FC: Petr Cech, Bosingwa, David Luiz, Gary Cahill, Ashley Cole, Bertrand (Malouda, 74’), Obi Mikel, Lampard, Juan Mata, Kalou (Torres, 84’) e Didier Drogba.

As 5 promessas por cumprir da formação encarnada

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O Caixa Futebol Campus tem sido um verdadeira mina de ouro para os encarnados, que têm conseguido extrair muita (e boa) matéria prima da sua formação. Jogadores como Bernardo Silva, João Cancelo e João Félix são exemplo disso mesmo.

Contudo, também há jogadores que são considerados como o futuro da sua geração e que, no entanto, não correspondem às expectativas que lhes foram atribuídas.

Esta artigo tem o intuito de lembrar alguns jogadores do passado recente do SL Benfica que tiveram sub-rendimento face àquilo que era esperado dos mesmos.

A lista não segue qualquer ordem específica e vai ao encontro daquilo que, pessoalmente, esperava dos jogadores em questão.

Como será o MotoGP em 2020?

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A resposta à pergunta do título deste artigo ainda não existe. Nem eu a tenho, nem a própria Dorna, que é responsável pelo mundial de motociclismo. Mas podemos fazer aqui um pequeno exercício de futurologia e esperar que as boas notícias regressem em breve. Isso e as duas rodas. Já tenho saudades do barulho do motor. E vocês?

Se os campeonatos de futebol já iam a meio quando a pandemia nos tirou a liberdade do abraço, do contacto e do desporto, a temporada de 2020 do MotoGP nem sequer tinha chegado a começar. Desde logo ouviram-se notícias acerca do cancelamento do Grande Prémio do Catar no início de abril, e depois, Jerez, Itália, Catalunha e França decidiram adiar as provas – sem previsão de data. Já os Grande Prémio das Américas e da Argentina foram adiados para novembro.

Esta semana, também o Grande Prémio dos Países Baixos, da Alemanha e da Finlândia foram cancelados, projetando um possível regresso dos motores para final de julho e início de agosto. Uma pequena curiosidade: 2020 é o primeiro ano em que o circuito de Assen não irá receber o mundial de motociclismo, desde 1949.

Em 2020, o circuito de Assen não vai receber a festa das duas rodas
Fonte: MotoGP

Muitos são os cenários possíveis. A Dorna mostrou-se pouco recetiva, no início, em realizar qualquer prova do mundial, mas a verdade é que já analisou o contexto de outra forma. Agora, há mesmo a possibilidade de o Mundial se realizar apenas e só na Europa, evitando a gira asiática entre setembro e outubro e uma viagem a Austin e à Argentina.

Tal como no futebol, a possibilidade de não haver espetadores ou imprensa e o facto de haver um número reduzido de funcionários nos circuitos é uma das opções em cima da mesa.

Caso as corridas comecem apenas no final de julho, o calendário e o número de provas será mais reduzido. Aliás, o início da temporada poderá acontecer na altura em que começava a segunda fase do mundial nas épocas anteriores.

E este cenário, meus amigos, só nos pode garantir uma coisa: mais emoção e mais adrenalina, já que os pilotos vão ter menos provas para disputar e há um título de campeão em jogo.

Não me importava nada de ter uma época apenas com dez ou doze corridas, desde que isso signifique que tenhamos as duas rodas de volta ao asfalto e uma luta renhida e muito interessante pelo título de campeão mundial. Uma coisa é quase certa: esta pandemia já garantiu Valentino Rossi para 2021.

O melhor a fazer é mesmo esperar pelos próximos capítulos.

Foto de Capa: MotoGP

Artigo revisto.

A incrível gestão danosa | Jesé e Bolasie

Refleti bastante sobre este tema antes de começar a escrever, e tentei ser brando na minha reflexão, para não incorrer numa espécie de injustiça Varandopresidencial, se é que me entendem. As surpresas não param de chegar, e, como já referi em outros artigos de opinião, há sempre qualquer coisa que nos faz ficar com a sensação de que existe um desnorte pelos corredores de Alvalade: as chegadas de Jesé e Bolasie são um bom exemplo.

Já não há palavras para descrever os inúmeros casos caricatos que têm surgido no Sporting Clube de Portugal desde o início do mandato da atual Direção leonina. Não gosto de causar a sensação de que sou do contra, ou que só olho num determinado sentido, mas a verdade é que as razões têm sido mais do que muitas para não acreditar em quem dirige o nosso clube. 

No último mercado de verão fomos surpreendidos por movimentações de última hora. São, então, apresentados Jesé (proveniente do Paris Saint-Germain FC) e Yannick Bolasie (proveniente do Everton FC), ambos por empréstimo e para colmatar as saídas de Bas Dost e Raphinha. Devo dizer que nem queria acreditar, mas vamos por partes.

Jesé Rodríguez, uma jovem promessa com 27 anos de idade e um percurso futebolístico atribulado, tal como a sua carreira artística. Nunca compreendi a sua contratação e provavelmente nunca irei lá chegar. Admito que poderia ter sido uma nova oportunidade ou uma viragem para a sua carreira. Apesar de não ter apoiado esta contratação, dei o benefício da dúvida. A verdade é que não ficou aquém das expectativas, porque elas já eram baixas. O seu contributo acabou por ser nulo, ao invés do preço que pagámos ao Paris Saint-Germain FC pelo seu salário. Fim da linha. 

Yannick Bolasie, extremo congolês, que completa em maio 31 anos. Confesso que, quando ouvi falar no seu nome, lembrei-me de que foi um jogador que chegou ao Everton FC em 2016, por trinta milhões de euros, e recordo-me também de alguns lances de virtuosismo na Premier League. Jogador maduro, experiente e habituado a jogar a alto nível, poderia traduzir-se numa mais valia para a equipa, apesar de ter andado de clube em clube emprestado, nos últimos anos. Embora com as suas debilidades, a sua raça merece um aplauso. Tentou mas… fim da linha.

O rendimento do extremo não foi suficiente para acionar a opção de compra
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O problema nunca esteve, nem nunca vai estar, nos últimos dois parágrafos. O problema surge quando há alguém que vê uma luz e tem a ideia de contratar jogadores, esbanjando dinheiro em ativos que nunca valerão a pena. De quem é a culpa? Quem é o responsável? Provavelmente nunca iremos saber. 

Oferecemos jogadores a custo zero e não tivemos capacidade financeira para manter ativos importantes, mas tivemos a capacidade de gastar recursos em jogadores que pouco ou nada contribuíram. Quando se fala em estratégia, fico com muitas dúvidas se Frederico Varandas e os seus colegas sabem o que é isso. Parece-me, na verdade, que têm estado sempre perdidos na procura por soluções.  

Se eu escrevesse sobre as declarações de Frederico Varandas no dia 4 de setembro à Sporting TV, provavelmente não iriam acreditar. Deixo-vos o vídeo para tirarem as vossas próprias conclusões: 

A vergonha alheia é, provavelmente, o sentimento que melhor que descreve a nossa sensação depois de se ouvirem tais declarações. E do Fernando? Lembravam-se? 

Devo dizer que Jesé e Bolasie são os menos culpados. Podemos afirmar que o contexto atual não é favorável para que os jogadores se destaquem, mas o Bruno Fernandes também cá estava e a sua qualidade era abismal. Porquê? Porque tem, de facto, qualidade! 

Fim dos empréstimos e acabamos de perder muitos milhões de euros que serviriam para manter outros que mereciam jogar de verde e branco. Além disso, conseguimos construir um plantel ainda mais fraco. Para os cientistas do futebol, chama-se a isto gestão com “cabeça, membros e pernas”. 

Artigo revisto por Mariana Plácido

Tal Pai, tal Filho: Rafael Lisboa #2

Pai e filho, treinador e jogador. Ambos na mesma equipa.

Rafael Lisboa nasceu a 27 de novembro de 1999, e é filho de uma das maiores lendas do basquetebol português. Perto de atingir a NBA aos 26 anos, Carlos Lisboa (pai de Rafael) tornou-se uma figura incontornável no basquetebol nacional, atingindo números individuais e coletivos sensacionais. Seguindo as pisadas do pai, Rafael Lisboa estreou-se pela equipa sénior do SL Benfica com apenas 18 anos. Já representou a seleção nacional por duas vezes e conquistou prémios individuais e coletivos que ficarão na história do basquetebol nacional.

PERCURSO DE LISBOA

O treinador de Rafael é exatamente Carlos Lisboa, seu pai
Fonte: FPB

O base português, como mencionado anteriormente, realizou a estreia pela equipa sénior do SL Benfica com apenas 18 anos de idade, sendo que tem estado a representar o clube lisboeta durante toda a sua vida. A transição para sénior/profissional não se demonstrou tarefa fácil para o jovem, especialmente tendo em conta a exigência do clube. Porém, a existência do SL Benfica B permitiu-lhe crescer gradualmente, entrando aos poucos na disputa por um lugar na equipa A.

Para além de ter realizado toda a sua formação no SL Benfica, o jovem português teve a oportunidade de representar a seleção de Lisboa na Festa do Basquetebol Juvenil, e ainda a seleção nacional sub-20 em dois europeus da divisão B (2018/2019).

Mais recentemente, estreou-se pela seleção nacional na pré-qualificação do Mundial 2023 de basquetebol, numa temporada que tem sido de maior afirmação para o basquetebolista português. Esta tem sido, no entanto, um pouco comprometida pela competitividade que existe no plantel, tendo jogadores de elevada experiência à sua frente na mesma posição. Ainda assim, nada o impediu de realizar jogos fantásticos e números excecionais. Como partidas de maior referência desta época, temos a partida diante o Terceira Basket, onde realizou 17 assistências, e o jogo diante o CAB Madeira, onde efetuou 15 assistências. Lisboa, inclusive, é o base com maior volume de assistências na liga (114).