Vivemos um período de incertezas transcendente a todas as esferas da sociedade. Como tal, ainda é extremamente hipotético falar de um término da presente temporada ou, inclusivamente, de uma nova época desportiva.
Todavia, caso a realidade fuja a este último cenário que enunciei, há que delinear, desde já, aquele que será o plano de ataque a 2020/21. Dentro desse tópico, o tema que mais alimenta capas de jornais desportivos é, sem margem para dúvidas, o das transferências.
É precisamente com isso em mente que decidimos enumerar alguns jogadores que, de uma forma ou de outra, deixaram em aberto as portas da Invicta para um eventual regresso, seja num futuro próximo ou num pouco mais distante.
Há uns tempos, disse num artigo que seria impossível estar na cabeça de um atleta olímpico para sabermos qual seria o seu pensamento quanto à realização dos Jogos Olímpicos em tempos de pandemia. O pior é que achei que seria impossível, mas consegui. Aliás, consegui mais do que isso. Consegui compreender aquilo que é o seu dia-a-dia em confinamento e ver, e de algum modo sentir, aquilo que é o seu principal sonho.
A pandemia da COVID-19 parou o Mundo e com ela trouxe também o cancelamento ou adiamento de grande maioria dos eventos, incluindo os Jogos Olímpicos. Tóquio já esperava por atletas, adeptos e jornalistas para mais uma edição dos Jogos, a XXXII edição. Contudo num verdadeiro retrocesso em termos de calendário, a pandemia fechou-nos em casa e aqueles que tinham a sua rotina de alta competição a pandemia deixou-os completamente parados. Numa situação algo invulgar.
Tamila Holub, de 20 anos, era uma das atletas portuguesas já qualificadas para os Jogos que deveriam ser em 2020 e, de um modo geral, já estava de malas feitas. «A minha primeira reação vou ser sincera foi: “por mim, que o Mundo caia abaixo. Quero ir aos Jogos na mesma, não me interessa”», desabafou a jovem atleta. Porém, sabia que a decisão mais acertada, neste momento, seria adiar a edição de 2020 para o ano seguinte.
Tamila Holub é nadadora olímpica e conta já com uma participação no Rio 2016 com apenas 17 anos
A esperança de ainda haver a edição deste ano à porta fechada cedo esfumou-se da cabeça da atleta portuguesa, pois, estava ciente que «os Jogos Olímpicos, para além do Desporto, são um grande mercado, são um show e um espetáculo». E, deste modo, não faria sentido nenhum a realização dos mesmos, visto que as Olimpíadas são feitos dos adeptos e para os adeptos.
Assim, sabendo de pronto que estava completamente fora de questão a organização dos Jogos em 2020, o Comité Olímpico Português (COP) depressa procurou ajudar os seus atletas tanto a nível físico como a nível psicológico. Uma componente muito importante, pois, de um momento para o outro, os atletas viram-se parados e confinados dentro de quatro paredes onde, certamente, a motivação não é a mesma e muitos poderiam passar por uma má fase. Algo que o COP não queria que acontecesse.
Atualmente, a academia dos encarnados continua repleta de craques prontos a explodir. Estas talvez sejam algumas das melhores gerações de sempre da academia do Seixal.
Como tal, decidi eleger o melhor onze dos que ainda estão na formação encarnada. Os critérios utilizados foram os seguintes: os jogadores devem ter ainda idade de júnior (19 anos ou menos), independentemente de jogarem já na equipa B ou sub-23. Procurei igualmente que nenhum jogador deste onze tivesse já representado a equipa A (isto torna Morato e Tiago Dantas não elegíveis para o onze).
As contratações do Sporting CP podem ser resumidas a uma frase: o barato sai caro. Nos últimos anos, os adeptos leoninos foram habituados a inúmeras contratações de baixo preço, em que poucas se aproveitaram e tanto a equipa como o mealheiro sofreram com isso. Estamos a chegar ao final de mais uma época e é notória a necessidade de contratação de reforços de qualidade e a venda de jogadores que… Nunca deveriam ter vestido a camisola verde e branca.
Nas últimas duas épocas que dinheiro foi “deitado fora” em contratações que se demonstraram desnecessárias? Apresentamos de seguida as que consideramos que não compensaram o investimento.
Só nas duas últimas épocas foram gastos 33,30 milhões de euros em jogadores que não demonstraram qualidade ou que não foram bem aproveitados pelo clube leonino. Fora os ordenados destes jogadores e dos que vieram a custo zero ou por empréstimo que acrescentaram pouco ou nada à equipa verde e branca. Pode-se também acrescentar os ordenados e indemnizações dos treinadores que foram passando pelo Sporting CP. Podia ter sido um belo mealheiro… Uma maior consciência e estratégia financeira pode ajudar o clube verde e branco a atingir outros patamares.
Quando se fala da “coroa” do futebol argentino, Pablo Aimar merece um lugar de referência numa lista com tantos jogadores talentosos. O craque argentino, que jogou em Portugal entre 2008 e 2013, no Sport Lisboa e Benfica, não deixou nenhum espectador do seu futebol indiferente, que o diga Lionel Messi (que já por várias vezes admitiu que Aimar é um dos seus ídolos de infância).
Nascido em Rio Cuarto, na Argentina, ‘El Mago’, como foi apelidado, começou a dar nas vistas ao serviço das camadas jovens do CA River Plate, clube no qual se estreou como profissional, com apenas 16 anos de idade.
Com exibições de alto nível, sobretudo durante a temporada de 1999/00, o médio ofensivo cativou os adeptos dos “Millonarios” ao apontar 22 golos em 87 partidas. O seu brilho despertou interesses na Europa, para onde acabou por se transferir em janeiro de 2001, para o Valencia CF.
Com a camisola “Che”, Aimar “chegou, viu e venceu”. Num total de 214 jogos ao serviço do clube da zona este de Espanha, venceu aí o campeonato doméstico por duas vezes, as últimas em que o Valencia o conquistou, ao que juntou ainda uma Taça UEFA, em 2003/04, e uma ida à final da Liga dos Campeões, perdida no primeiro ano em que esteve no clube, frente ao FC Bayern.
No verão de 2006, ‘El Mago’ deu o que foi considerado por muitos como um passo atrás na carreira, quando rumou ao Real Zaragoza por 11 milhões de euros. Sabendo que não contava para Quique Flores, treinador do Valencia na altura, Pablo Aimar teria de sair inevitavelmente do Mestalla. Assim, a surpresa surgiu não na saída, mas sim no destino escolhido pelo argentino, uma vez que era rumorado o interesse de vários grandes clubes europeus nos seus serviços e este preferiu permanecer na Liga Espanhola.
A escolha de seguir para Saragoça revelou-se acertada na primeira época em que esteve no clube local. Juntamente com os irmãos Milito, Andrés D’Alessandro e também um jovem Gerard Piqué, devolveram o Real Zaragoza às competições europeias. Contudo, a época seguinte foi de desilusão: o clube não passou das pré-eliminatórias na Taça UEFA, foi eliminado relativamente cedo na Taça de Espanha e, o pior de tudo, terminou no antepenúltimo lugar do campeonato espanhol, o que ditou a despromoção ao segundo escalão.
Esta descida à Segunda Liga levou à saída de Aimar do clube, momento em que veio até Portugal, para representar o Benfica. Em cinco épocas de águia ao peito, ‘El Mago’ fez 179 jogos e marcou 17 golos, encantando os adeptos benfiquistas com o seu futebol simples, mas pleno de genialidade. Com o argentino como peça de destaque, o Benfica conquistou em 2010 o segundo título de campeão nacional do novo milénio, tendo vencido também quatro Taças da Liga e alcançado a primeira de duas finais consecutivas da Liga Europa, em 2012/13.
Depois da passagem pela Luz, Pablo Aimar decidiu rumar à Malásia para abraçar um desafio diferente, numa altura em que já estava em final de carreira. No entanto, ao serviço do Johor FC realizou apenas oito jogos e apontou dois golos, números ainda assim suficientes para fazerem dele campeão nacional em 2014.
Para fechar uma carreira de alto nível, ‘El Mago’ regressou a casa para se despedir em dois momentos. Inicialmente, os adeptos do River Plate receberam-no como um verdadeiro herói, quando realizou a derradeira partida pelo clube a 31 de maio de 2015, frente ao CA Rosario Central, que se pensava ter sido a última da sua carreira. Todavia, cerca de um ano e meio depois, escolheu as cores do Estudiantes de Rio Cuarto, clube da sua terra natal, para, agora sim, encerrar definitivamente a sua carreira.
Pablo Aimar foi um exímio criador de jogo, como tantos dos grandes talentos que saem da Argentina. Sem surpresa, também com a camisola do seu país espalhou o seu “perfume”, tendo representado a Argentina por 52 ocasiões e apontado oito golos, entre 1999 e 2009. Quando envergou pela carreira de treinador, foi também na Federação Argentina que começou, tendo assumido a seleção de sub17, onde atualmente se encontra.
Com uma carreira de excelência, tanto do ponto de vista futebolístico como do ponto de vista humano, ‘El Mago’ é um ídolo em todos os clubes por onde passou. Quando se apresentou ao mundo do futebol era rápido e perspicaz nos seus movimentos, mas com o avançar da idade foi ficando cada vez mais inteligente na leitura do jogo e no momento de decisão. Quem teve o privilégio de o ver jogar certamente concorda que, numa só palavra, Aimar era genial.
A última década na esfera futebolística, em termos monetários, foi marcada por volumosos investimentos em jogadores que redefiniram por completo o mercado de transferências. Milhões e milhões de euros viajaram de cofre em cofre, com os grandes clubes europeus à cabeça desses gastos astronómicos.
A Liga Inglesa foi – e continua a ser – um dos expoentes máximos desse novo padrão de negócios no futebol mundial, com os grandes clubes britânicos – como Manchester City FC, Manchester United FC, Chelsea FC e Liverpool FC – a abrirem os cordões à bolsa de ano para ano, de modo a garantir os melhores jogadores ao redor do globo. E como muitos milhões gastos num único jogador nem sempre são garantia de qualidade indubitável, na lista que se segue ficam algumas das contratações dos últimos 10 anos que se provaram verdadeiras pechinchas em terras de sua majestade.
Por esta altura o mundo do Futebol regressa aos poucos ao relvado. Alguns ainda com dúvidas se voltam aos “jogos a doer”, e outros por casa ficam, na certeza de que a época acabou. A pandemia veio silenciar espaços outrora dinâmicos, como as escolas. A TeleEscola voltou, perdão, o #EstudoEmCasa, enquanto que a “bola” continua em pausa, com os dirigentes e jogadores ainda confinados. Então, e se alguns ídolos, outros nem tanto, já que estão a meio gás, dessem uma perninha no ecrã como já estão habituados e apresentassem algumas disciplinas?
Não seria, de todo, uma forma errada de economizar recursos. Os professores dedicavam o seu tempo ao acompanhamento por outras vias, e a malta do Desporto rei não perdia a habilidade de falar para as câmaras e mostravam toda a sua intelectualidade que é por vezes colocada em causa por más línguas, diz-se, não tenho a certeza. Vamos começar pelo Português. Uma Unidade Curricular (UC) que nos persegue durante anos, assim como Jaime Pacheco perseguiu os bancos durante 25 anos. Aptidão para as lentes, confirma-se, não fossem as épicas conferências de imprensa do treinador. Jeito para a língua, mais que confirmado. A juntar, ainda, o seu palavreado bastante cuidado e alargado, mais as metáforas fortes como “a face de dois legumes”, torna esta uma opção mais que válida. Quem sabe, sabe.
Francisco Geraldes é o meu escolhido para apresentar a Leitura e Literatura. As razões são mais que óbvias. Será que já acabou o “Ensaio sobre a Cegueira”? Na Matemática, o Sir Alex Ferguson. Foram 39 anos de futebol, 49 títulos e 16 prémios. De números o professor escocês percebe certamente. Quanto à personalidade, e com base na minha experiência, parece ter os requisitos mínimos, e pode sempre utilizar expressões como “no meu tempo essa conta fazia-se de cabeça”. Já que estamos por Terras de Sua Majestade, Mourinho ficaria com o Inglês. Fluente nas duas línguas, e tal como os docentes desta disciplina não largam o típico rádio, o timoneiro luso teima em largar algumas ideias táticas.
Cédric, que também tem nacionalidade germânica, ficaria com o Alemão pela facilidade que tem com ambas as línguas. Tal como é pouco desejado por alguns na seleção, esta UC é um fastio para outros. Jorge Jesus, fácil e previsível, ficava com o Espanhol. É incrível a facilidade com que o treinador do CR Flamengo aprende uma nova língua. Por vezes, é tão poliglota que acaba por introduzir novos vocábulos, diversificando até o modo como reproduz o nome dos atuais campeões da Liga Brasileira. Para apresentar Português Língua Não Materna escolhi Samaris. Com um sotaque diferente, e com algumas letras comidas no início da sua estadia em Lisboa, o grego mostrou que a língua portuguesa não é assim tão difícil.
Físico-Química iria ter dois professores. Rakitic e Carriço já mostram alguma química, em relação ao físico, o beijo foi bonito. Pirlo lecionava Estudo do Meio, e esta foi a escolha que mais me orgulha. Maestro. Buffon, profissional desde 1994, até parece dinossauro, ficava com a cadeira de História. As duas maiores estrelas da atualidade, Messi e Ronaldo, também entram nos contratados. O argentino ficava com Educação Artística e a estrela lusa com Educação Física. É necessário justificar? Parece-me que não. Com 29 clubes no currículo, Loco Abreu ficava com a Geografia.
Como o uruguaio tem dificuldade em fixar-se, Paulo Fonseca era já o substituto assegurado. Não fosse o técnico da AS Roma ter ido com o FC Porto a Leverkusen empatar com o Eintracht Frankfurt FAG. Ele lá sabe. Oficina da Escrita está destinado a Sérgio Ramos. O central espanhol quase que obriga os árbitros a escrever nos cartões e nos relatórios de jogo. Mas também escreve bonitas páginas da História do Futebol.
Mario Balotelli’s house after the firework explosion!
Balotelli parece-me indicado para as Ciências Naturais. A sua reação a alguns estímulos, a sua experiência com fogo de artifício em casa, a sua ansiedade, não sei se é o melhor termo, em conhecer o corpo humano, e a sua naturalidade ao fazer as coisas dá créditos para esta disciplina.
Por fim, Éder como professor de Francês. Foi graças a ele que durante meses cantamos “e foi o Éder que facturé”. Não tenho a certeza se foi este o termo, ou se está bem conjugado, mas garanto que foi ele que faturou, e foi com esse golo que o Euro 2016 não fugiu. O avançado, contudo, conta também com uma passagem pelo Lille OSC, o que traz sempre experiência. Esta foi a seleção que fiz, poderia ter colocado outros nomes, mas aguardo pelas vossas sugestões. Podem ir para intervalo.
O Euro 2000, realizado na Holanda e na Bélgica, é a primeira competição internacional de selecções da qual eu tenho memória de assistir. E tenho memória dos jogos e da emoção que houve naquela competição. Ainda hoje, o Euro 2000 é visto por muitos como o melhor Europeu de sempre em termos de futebol jogado. Para tal distinção, muito contribuiu a equipa das quinas que, com uma Geração de Ouro no auge, se exibiu em grande plano.
Na fase de qualificação, Portugal ficaria em segundo lugar do grupo sete, atrás da Roménia e à frente da Eslováquia, Hungria, Azerbaijão e Liechtenstein. No entanto, a vitória por 3-0 na Hungria, no último jogo de qualificação, permitiu à equipa das quinas a qualificação directa para a competição na categoria de melhor segundo classificado.
Chegada a competição, o seleccionador nacional Humberto Coelho escolheria os seguintes 22 jogadores para representar a equipa das quinas no Europeu:
Guarda-redes – Vítor Baía, Pedro Espinha e Quim
Defesas – Jorge Costa, Rui Jorge, Fernando Couto, Dimas, Abel Xavier, Beto e Secretário
Médios – Luís Vidigal, Paulo Sousa, Luís Figo, Rui Costa, Sérgio Conceição, Costinha, Paulo Bento e Capucho
Avançados – João Pinto, Sá Pinto, Pauleta e Nuno Gomes
No sorteio, pior seria impossível para Portugal, que iria estar inserido no grupo da morte, calhando no grupo A da competição, juntamente com a Inglaterra, a Roménia, que tinha ficado à sua frente na qualificação, e a Alemanha, então campeã europeia e que tinha afastado a equipa das quinas da qualificação para o Mundial em 1998.
O primeiro jogo do grupo contra a selecção da Inglaterra seria um dos jogos mais memoráveis da história do futebol na competição. Os Three Lions apresentavam-se na Holanda com uma equipa de grande qualidade, com uma espinha dorsal jovem composta por jogadores como David Beckham, Paul Scholes, Michael Owen e os irmãos Neville, mas que também contava com algumas referências experientes, tais como David Seaman, Tony Adams, Paul Ince e Alan Shearer.
O jogo não podia ter começado pior para a equipa das quinas que sofreu golo logo aos três minutos por intermédio de Paul Scholes. A equipa portuguesa procurou reagir, mas contra a corrente do jogo, a selecção de Sua Majestade aumentou a vantagem aos 18 minutos, após um remate de Steve McManaman.
Apesar das adversidades, a equipa das quinas não baixou os braços. Aos 22 minutos, Luís Figo reduziu a desvantagem através de um forte pontapé que ainda ressaltou na perna de Tony Adams. Aos 37 minutos, assistiu-se a um dos melhores golos da competição. Após Cruzamento de Rui Costa, João Pinto, sem ângulo e marcado de perto por Sol Campbell, cabeceou colocado e sem hipóteses para David Seaman. Estava reestabelecida a igualdade no marcador.
Aos 59 minutos, estaria confirmada a reviravolta no marcador. Com Rui Costa novamente na jogada, este assistiu para Nuno Gomes que, na cara de David Seaman, não vacilou e fez o 3-2 final. A selecção inglesa ainda procurou reagir, mas os seus atacantes foram muito bem anulados pela defesa portuguesa. Estava assim carimbada a primeira vitória na competição.
No segundo jogo seguir-se-ia a selecção da Roménia, que atravessava uma fase de transição geracional, misturando a juventude de Adrian Mutu e Christian Chivu, com a experiência de Gheorghe Hagi, Dan Petrescu e Gica Popescu. Num jogo muito táctico e com poucas oportunidades de perigo, um livre de Luís Figo já a acabar o jogo, Costinha antecipou-se ao guarda-redes Stelea e marcou o golo que assegurou o apuramento para os quartos-de-final.
Com o apuramento já assegurado, o seleccionador Humberto Coelho aproveitou o jogo contra a Alemanha para dar oportunidade aos jogadores menos utilizados, atribuindo, inclusive, as redes da baliza a Pedro Espinha. A envelhecida selecção alemã precisava de ganhar para sonhar com o apuramento.
No entanto, um hat-trick de Sérgio Conceição permitiu à equipa das segundas linhas portuguesas a maior vitória contra a selecção alemã. O resultado avantajado fez com que Humberto Coelho arranjasse um tempinho para fazer entrar o terceiro guarda-redes, Quim, cumprindo, assim, a sua primeira internacionalização pela equipa das quinas. Pleno de vitórias no grupo da morte. Melhor era impossível.
Seguiu-se a selecção da Turquia nos quartos-de-final, que contava com uma espinha dorsal do Galatasaray SK, que tinha acabado de conquistar a Taça UEFA. Nuno Gomes abriu o marcador aos 44 minutos, após assistência de Luís Figo. No entanto, no minuto seguinte, houve penálti a favor dos turcos, reinando a apreensão do lado português.
Porém, o guarda-redes assumiu o papel de herói, defendendo a grande penalidade cobrada por Arif Erdem. Aos 56 minutos, os mesmos protagonistas fariam o 2-0 final: Luís Figo a assistir e Nuno Gomes a marcar. Seguia-se a França nas meias-finais.
— UEFA.com em português (@UEFAcom_pt) July 5, 2015
No jogo contra a selecção campeã mundial, Portugal voltaria a entrar bem no jogo, e Nuno Gomes inaugurou o marcador aos 19 minutos, com um pontapé de fora da área, e manteria a vantagem até ao intervalo. Porém, os bleus entrariam por cima do jogo na segunda parte e aos 51 minutos, Thierry Henry empatou o jogo, que acabaria por seguir para prolongamento.
No prolongamento, a equipa das quinas bem tentou, mas aos 117 minutos, após a polémica mão na bola de Abel Xavier, Zidane converteu a grande penalidade e carimbou o acesso à final através do Golo de Ouro. A estrelinha de campeão ditou as suas leis.
Apesar da forma dramática como a equipa das quinas foi eliminada, esta conseguiu passar uma mensagem bem vincada. A selecção de Portugal estava no convívio entre os grandes europeus e veio para ficar, marcando presença em todas as competições internacionais daí para a frente.
A equipa feminina francesa da Futuroscope está na estrada desde 2006 e desde 2017 conta entre os seus patrocinadores principais também a FDJ – cuja equipa masculina tem ajudado a retomar os gauleses ao topo do ciclismo -, mas nunca foi um dos conjuntos mais fortes do pelotão internacional. No entanto, uma transformação está em curso e é possível que já em 2020 – contando que o calendário previsto pela UCI vai mesmo adiante – a vejamos a dar luta às melhores nas estradas europeias.
Há uns anos, a equipa começou um processo de internacionalização e contratou até algumas atletas interessantes, ainda que longe de serem estrelas, como Tenniglo ou Slik, mas todas acabaram por deixar a equipa tão rapidamente como chegaram e até algumas referências da equipa, como Aude Biannic, também abraçaram outros projetos.
Contudo, uma constante do conjunto francês sempre foi a aposta na juventude, o que permitiu manter sempre um fluxo de entrada de atletas competentes. A formação de jovens talentos parece estar agora prestes a dar frutos, já que começa a figurar como um dos destaques da equipa a gaulesa Evita Muzic, que ainda conta apenas com 20 anos, mas já está na sua terceira época com a equipa e é inegavelmente uma das melhores e mais consistentes Sub-23 do mundo.
Evita Muzic é uma das mais promissores jovens do ciclismo Fonte: FDJ Nouvelle Aquitaine Futuroscope
Em 2019, foram também adicionadas algumas ciclistas experientes, com destaque para duas de qualidade já elevada e que continuaram para 2020, Fahlin e Borgli. E este seria o prelúdio de uma ida ao mercado assertiva para esta nova temporada que coloca a FDJ Nouvelle Aquitaine Futuroscope num patamar que nunca antes esteve.
Então, para esta época, a equipa só contratou duas ciclistas, mas foram excelentes escolhas. Brodie Chapman, depois de uma passagem pelo BTT, brilhou nos últimos dois anos no calendário americano e é uma ciclista interessante capaz de alguns resultados em provas menores e de ser um bom apoio para uma forte líder.
E essa liderança foi encontrada com a contratação de Cecilie Uttrup Ludwig. Pódio na Ronde e na La Course em 2019, e sexta no Giro em 2018, a jovem dinamarquesa está a explodir para uma grande carreira e não tarda estará a ganhar algumas das mais importantes provas das duas rodas. Em França, terá estatuto absoluto no topo da hierarquia interna e um conjunto em crescimento a apoiá-la. Juntas, ciclista e equipa fazem um par temível em crescendo.
Assim, os gauleses têm agora uma renovada ambição e podem, pela primeira vez na sua já longa história, competir com as melhores nas mais importantes provas ciclísticas.
O Bola na Rede esteve à conversa com Dani, o prodígio que é descoberto por Aurélio Pereira na praia em Tróia, com apenas oito anos. Da ocidental praia lusitana, ruma, por caminhos já outrora percorridos, até ao relvado de Alvalade, onde faz toda a formação e se estreia na equipa principal, com apenas 17 anos. Brilha nas seleções jovens, onde passa além da fronteira para conquistar um Campeonato da Europa de sub-18 e encantar tudo e todos no Mundial de sub-20 no Qatar. Em dificuldades e disputas esforçadas, passa meia época no West Ham, mas é no Ajax que alcança mais do que prometia até então. Entre gente remota que nada edificou, passa pelo Benfica e segue para o Atlético de Madrid pela mão de Futre, o seu ídolo de infância. Na capital espanhola, leva o Atlético de volta à Primeira Divisão, naquele que é o último gesto sublime de uma carreira que acaba precocemente. Nesta conversa, está a prova de que há em Dani muito mais do que uma promessa falhada. As palavras fazem-lhe justiça.
– Do areal de Tróia para o relvado de Alvalade –
Bola na Rede [BnR]: Como e quando chegas às camadas jovens do Sporting?
Dani [D]: Chego à formação do Sporting CP com oito anos, através do Sr. Aurélio Pereira, que me viu nas férias a jogar na praia. Ele pediu-me para eu dar uns toques, e passado um bocado diz-me “Posso falar com o teu pai?”. Chamei o meu pai, eles falaram e fui fazer testes ao Sporting.
BnR: Foi nas férias de verão?
D: Sim, em Tróia. Foi engraçado, eu já tinha tentado ir à experiência ao Sporting, mas disseram-me que era muito novo e para voltar quando tivesse dez anos. Nem fiz os testes. Depois fui de férias e aconteceu isto.
BnR: Jogas a que posição na formação?
D: Comecei a lateral esquerdo nos infantis, com o César Nascimento e o Osvaldo Silva. Foi o Osvaldo Silva que me pôs a alcunha, porque eu era muito pequenino, muito magrinho, muito novo comparado com os outros que tinham 11 e 12 anos.
BnR: Como é que começas a jogar mais à frente?
D: Foi uma evolução natural. Fui crescendo, melhorando as minhas qualidades e, desde que comecei a jogar com os da minha idade, passei para médio e extremo esquerdo. Depois, entre os iniciados e os juvenis, passo para extremo, ou “10”, para andar solto. Nos juvenis de primeiro ano, já jogava com os de segundo ano, e nos juniores também.
BnR: Quem são os teus ídolos em miúdo?
D: Futre. Foi logo o primeiro, tinha uma adoração por ele. O pé esquerdo, a técnica, a forma como se comportava dentro de campo… Era uma coisa que me deixava de boca aberta. Maradona também, quando foi o Mundial do México, em ’86. Eu tinha 10 anos e vi-o. Fiquei doido com as exibições dele.
BnR: Campeão da Europa de sub-18, em 1994. Que memórias tens dessa competição?
D: Tínhamos uma equipa… Eu era o mais novo até, mas tínhamos uma seleção que trabalhava muito, que lutava muito, e tínhamos um grupo muito unido. Estávamos há vários anos e tínhamos um núcleo forte: jogadores de Sporting, Benfica, Porto, Boavista…
BnR: Quem eram os outros craques desta geração?
D: Todos (risos). Nuno Gomes, Bruno Caires, Beto, Quim, Madureira. Jogadores de talento, mas de muito trabalho, muito querer e muita garra. Dávamo-nos todos muito bem, tínhamos uma alma enorme. Os treinadores também – Rui Caçador, Nelo Vingada e Agostinho Oliveira. Passávamos muito tempo em estágios, torneios, e, com aquela idade, os estágios davam-nos uma irmandade, uma capacidade de lutar uns pelos outros.
BnR: Temos de falar inevitavelmente daquele lance icónico pelos sub-20, frente à Holanda, no Mundial do Qatar em 1995.
D: Tínhamos treinado aquilo várias vezes, mas nunca o tínhamos feito em jogo. Nunca se tinha proporcionado o momento em que pudéssemos juntar a concentração e as necessidades do jogo com uma jogada que sai um bocadinho da caixa. Há um vídeo, da Eurosport creio, que filma por trás de mim e do Bruno Caires, e ouve-se perfeitamente o relato em inglês “Mas o que é isto? Enganaram-se! O que se está a passar?”. E, se olharmos com atenção, os jogadores holandeses na barreira relaxam os braços e o guarda-redes também. Fica tipo “O que é que se está a passar?”. Eu rapidamente marco o livre, e havia duas opções: ou ia direto à baliza, ou então havia jogadores para cabecear. Por norma, os centrais subiam. O Bóia, o Beto, o José Soares, o Carlos Filipe também cabeceava muito bem. E o Agostinho também aparecia como apareceu nesse lance, a cabecear lá para dentro. Foi um momento fantástico, e nesse jogo eu também marquei um golo de canto direto. Saiu-nos tudo bem.
BnR: Quem é que tem a ideia de criar essa jogada?
D: Creio que foi o Nelo Vingada que trabalhou isso connosco.
BnR: Falavas em estágios. Sendo vocês ainda jovens, os selecionadores sabem o que vocês fazem nos tempos livres?
D: Sim. Tínhamos as duas coisas: tínhamos a responsabilidade e a noção de que, quando era para jogar, dávamos tudo dentro do campo; mas depois fora do campo também tínhamos alguma liberdade nos momentos certos. Também tínhamos alguma irreverência para ter alguns comportamentos menos próprios para o momento, mas se fizéssemos algo de errado tínhamos castigos. Vivíamos muito e intensamente, mas o mais importante eram os jogos. Dávamos tudo dentro do campo.
BnR: Disseste que tiveste um ascendente muito rápido no futebol e, por isso, pouco tempo para ter noção do que se estava a passar na tua vida e naquilo que podias representar como jogador de futebol. Olhando agora com os olhos da maturidade, o que é que te afetou negativamente na altura?
D: Eu digo isso com perfeita noção, mas também digo que não estaria a ser intelectualmente honesto agora, passado tantos anos e olhando para a vida de uma forma completamente diferente, estar a dizer que podia ter tido outros comportamentos. Percebo que devia ter tido outros comportamentos em alguns momentos, mas não era próprio da minha maneira de ser e do momento que eu estava a atravessar.
BnR: Estreias-te na equipa principal do Sporting com 17 anos. Que memórias tens desse tempo?
D: Foi contra o Farense, na Taça. Olha, lembro-me perfeitamente de estar no banco, e, na segunda parte, o estádio começar a cantar o meu nome e a bater palmas, a pedir a minha entrada em campo! Mas tínhamos uma equipa muito forte, e ali na minha posição estava o Balakov…
BnR: Ui…
D: (risos) Exato. Eu não me apercebi dos cânticos, que era o meu nome que estavam a cantar, talvez por ser a primeira vez que estava no estádio a ouvir aquilo. No momento em que me levanto para aquecer, o Capucho diz-me “Isto é o teu nome que estão a cantar. É para ti”, e eu fiquei “Que é isto? Que é que se passa?”. Assim que entrei, ovação, muitas palmas e uma expetativa enorme.
BnR: Como é que te correu o jogo?
D: Há uma ou outra situação logo no início. Iam-me passar a bola, mas depois não passam, e ouve-se o estádio “Ahhhhhh”. Havia uma grande ansiedade em verem-me a jogar e a ver como é que eu me iria comportar. Eu senti isso. Estive ali alguns minutos sem receber a bola, e depois, na primeira vez que me passam a bola, uma situação fácil, quando a vou dominar, deixo passar a bola por baixo do pé. E o estádio todo “Ohhhhh”. Que desilusão.
BnR: Acusaste a pressão?
D: Senti isso. Só que eu não tinha muito receio e não sentia muito o peso do momento, porque as coisas aconteciam de dia para dia, de semana para semana, estava sempre a acontecer qualquer coisa na minha vida no futebol. Muita expetativa e muitas situações a acontecerem. Não tinha tempo para parar e ficar com receios ou medos. Então logo que tive oportunidade, peguei na bola, fiz uma tabela com o Balakov, fui por ali fora e, à entrada da área, rematei. A bola saiu a rasar a trave, e a partir dali os adeptos ficaram mais entusiasmados. Houve ali uma ovação e tal, mas foi pouco tempo que joguei também.
BnR: Quem te recebe na equipa principal do Sporting?
D: Fui muito bem recebido. Já treinava algumas vezes com eles, e conhecia o Figo, o Peixe, o Capucho, o Oceano. Estava habituado a vê-los nos corredores de Alvalade! O Oceano era o capitão – era um grande líder.
BnR: Nessa altura, tu, Sá Pinto e Dominguez são apelidados de “Os três Mosqueteiros”. Quem vos deu esta alcunha e porquê?
D: Acho que foi a imprensa. Na altura, o mediatismo estava a começar. Dentro e fora do campo já se começava a sentir o peso da atenção que a imprensa dava aos jogadores. Nós tínhamos uma relação ótima dentro do campo, e fora do campo ainda mais forte. Somos amigos até hoje. Acabámos por fazer algumas coisas que não eram o normal na altura, situações que foram exacerbadas, em que disseram coisas sem sentido. Tentámos sempre fazer o melhor para a sociedade, para o clube, para nós e para a evolução do jogador de futebol, para aquilo que o jogador pode representar na sociedade. Mas algumas coisas não foram vistas da melhor maneira. Desde há uns anos, o jogador de futebol não é só aquilo que faz dentro de campo. Nós apanhámos essa transição de o jogador ser só o jogador e mais nada para aquilo que começou a representar depois.