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Copa América’2015 – Colômbia 0-0 Peru, ganhou o Peru

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Em duelo a contar para a última jornada do Grupo C da Copa América, a Colômbia e o Peru empataram sem golos, num resultado que deixará muito mais satisfeitos os “incas”, que garantiram imediatamente a qualificação para os quartos de final da prova, ao invés dos “cafeteros”, que ficarão a torcer para que Brasil e Venezuela não empatem no outro jogo do agrupamento, uma vez que uma igualdade com golos entre o “escrete” e o “vino tinto” deixará os colombianos fora da Copa América.

Tratou-se de um resultado que foi totalmente justo, isto num duelo com muito poucas oportunidades de golo e em que o Peru conseguiu sempre controlar facilmente uma Colômbia cheia de fortes individualidades, mas que jamais se apresentou com um colectivo forte, parecendo que o seleccionador José Pekerman estava com muita dificuldade em impor uma ideia de jogo na sua equipa.

Gás colombiano foi fugaz

O Peru sabia de antemão que um empate diante da Colômbia era suficiente para atingir os quartos de final da Copa América, dado que isso lhe garantia no mínimo o terceiro lugar neste Grupo C e com mais pontos que o terceiro classificado do Grupo A (Equador).

Nesse seguimento, foi até natural que a selecção peruana tenha entrado na partida com os “cafeteros” na expectativa, sendo que a Colômbia, cujo empate nesta partida até poderá valer-lhe o último lugar no agrupamento, assumiu imediatamente o controlo do encontro.

Os primeiros dez minutos, aliás, mostraram uma Colômbia a pressionar alto e a jogar em velocidade, conseguindo então criar duas oportunidades claras de golo: primeiro, aos três minutos, foi Falcao, no coração da área, a obrigar Gallese a excelente defesa; e depois, aos seis minutos, foi Pablo Armero a subir pelo flanco esquerdo e a atirar às malhas da baliza peruana.

Ainda assim, com o passar do tempo, esse gás inicial foi-se perdendo, sendo que a desinspiração de alguns dos mais emblemáticos jogadores colombianos, como James Rodríguez ou Juan Cuadrado, também não ajudou minimamente os esforços “cafeteros”.

Aproveitou então o Peru para equilibrar as operações e, se não conseguiu criar nenhumas situações claras de golo (apenas a registar um remate cruzado de Paolo Guerrero a três minutos dos 45), a verdade é que conseguiu afastar os colombianos da sua baliza. E isso era o mais importante, até porque o empate era um resultado que servia aos intentos do conjunto de Ricardo Gareca.

James Rodríguez é uma das figuras da Colômbia Fonte: Site Oficial da Copa América
James Rodríguez é uma das figuras da Colômbia
Fonte: Site Oficial da Copa América

Peru soube meter o jogo no congelador

Se em grande parte da primeira parte o Peru já havia conseguido equilibrar as operações, a verdade é que os “incas” entraram ainda mais fortes no segundo tempo, sendo que o primeiro quarto de hora da etapa complementar foi mesmo a sua melhor fase, com o extremo Christian Cueva em excelente plano.

Aí, aliás, apareceram inclusivamente algumas oportunidades de golo, nomeadamente através de um remate de Joel Sánchez (48′), ligeiramente ao lado da baliza colombiana, e de Claudio Pizarro (50′), que obrigou Ospina a boa intervenção.

Já a Colômbia demorou imenso tempo a reentrar no jogo, apenas conseguindo voltar a assumir as rédeas do encontro a partir do meio da segunda metade, e isto numa fase em que o desinspiradíssimo Falcao havia sido substituído por Jackson Martínez.

Aliás, foi precisamente o ainda ponta de lança do FC Porto que esteve envolvido nas duas únicas oportunidades que a Colômbia teve no segundo tempo, mais concretamente aos 67 minutos, quando não acertou na baliza na recarga a um primeiro remate de James Rodríguez, e ao primeiro minuto de descontos, quando foi colocado na cara de Gallese, mas acabou por quase oferecer a bola ao guarda-redes peruano.

Para a escassez de oportunidades da Colômbia, contudo, não há que criticar apenas a falta de qualidade colectiva dos “cafeteros”, mas também elogiar o unido conjunto peruano, que foi sempre muito solidário e soube colocar o jogo no congelador, contrariando os intentos de uma selecção que, há que reconhecer, tem muito melhores valores individuais.

A Figura

Carlos Zambrano: É certo que Radamel Falcao está a anos luz do grande goleador do FC Porto e Atlético de Madrid, e que Jackson Martínez ou Teo Gutiérrez também não estiveram propriamente no seu melhor dia, mas há que dar o devido valor ao defesa-central do Eintracht Frankfurt, que, ao lado do também muito competente Carlos Ascues, esteve imperial no eixo defensivo, raramente permitindo veleidades aos atacantes colombianos.

O Fora-de-Jogo

Radamel Falcao: É confrangedor ver o estado em que se encontra um ponta de lança que, há um par de anos, era visto como um dos melhores do Mundo. Afinal, Radamel Falcao foi apenas uma sombra errante em campo, sem confiança e sem qualquer inspiração, facilitando, e muito, a vida aos seus adversários e levando certamente ao desespero os adeptos colombianos.

Foto de Capa: Site Oficial da Copa América’2015

Uma Ode aos novos Campeões do Mundo de Sub-20

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Após a derrota frente ao Uruguai no primeiro jogo que disputou no Mundial de Sub-20, poucos seguramente esperavam que a selecção da Sérvia conseguisse ir além da fase de grupos e muito menos que fosse capaz de chegar à final e de se sagrar a nova campeã mundial da categoria.  Os Orlici (Jovens Águias) derrotaram a sempre favorita equipa brasileira por 2-1, após prolongamento, na final, que teve lugar no North Harbour Stadium na madrugada de Sábado e que agitou a manhã da capital sérvia (Belgrado), onde, após o apito final do árbitro, as pessoas saíram para as ruas em exibições de grande alegria e júbilo, enquanto entoavam as palavras Srbija je prvak sveta (“A Sérvia é campeã do Mundo”).

No final da partida, o timoneiro sérvio e talvez o grande responsável por este fantástico triunfo, Veljko Paunovic, dedicou a vitória ao seu pai, que faleceu recentemente, mas não esqueceu todo um país que se uniu em torno da jovem selecção e que, de acordo com o antigo médio do Atlético Madrid, necessita deste tipo de conquistas para assim construir e reconstruir uma nova sociedade, ao mesmo tempo que relança novamente o seu futebol nas luzes da ribalta. Apesar de ser ainda bastante jovem, Paunovic é um treinador que não se encaixa nas tendências que proliferam no chamado “futebol moderno”, já que transporta para a realidade actual muitos dos esquemas de jogo e formas de gestão de equipas que eram utilizados nos países que integravam o antigo bloco de leste. Aos 37 anos de idade, Paunovic demonstra já um conhecimento profundo da modalidade e a forma como montou, jogo após jogo, diferentes esquemas táticos, tentando adaptar a equipa ao adversário que estava a enfrentar, diz muito sobre a cultura tática deste jovem treinador.

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Paunovic foi o “cérebro” da vitória sérvia
Fonte: espnfc.com

Muito à semelhança daquilo que Valeriy Lobanovskyi fazia enquanto treinador da antiga URSS e do Dynamo Kiev, Paunovic, apesar de contar com jogadores de elevado nível de qualidade, procurou sempre valorizar a equipa como um todo, deixando o individual para segundo plano. Esta abordagem, por vezes difícil de implementar, resultou na perfeição numa equipa sérvia que jogou sempre com “muito coração” e com uma vontade férrea durante todo o torneio, tendo sido premiada por isso no final. O capitão de equipa, Predrag Rajkovic, que conquistou o prémio de melhor guarda-redes do torneio, confirmou isso mesmo quando lhe perguntaram, no final da partida com o Brasil, qual tinha sido a chave do sucesso da sua  selecção neste Mundial, afirmando que a Sérvia era “uma equipa com um só coração”. Estas palavras dizem muito sobre o trabalho de casa feito por Veljko Paunovic; contudo, tal sucesso não seria de todo exequível se o treinador sérvio não tivesse nas suas fileiras excelentes executantes da modalidade.

Um dos segredos da selecção sérvia está na baliza e dá pelo nome de Predrag Rajkovic. Aos 19 anos de idade, o número 1 da Sérvia é já também o dono da baliza do Estrela Vermelha (FK Crvena zvezda) e foi considerado o melhor guarda-redes a actuar na liga sérvia na época que terminou recentemente.  Em 28 jogos da Superliga, Rajkovic conseguiu terminar 16 deles sem sofrer qualquer golo e, avaliadas as exibições deste Mundial, não demorará muito até despertar o interesse dos gigantes do futebol europeu.

Para além de Rajkovic, faziam parte da defesa sérvia jogadores de inegável qualidade, como por exemplo Nemanja Antonov, um defesa esquerdo poderoso e com elevado sentido de jogo, que faz parte dos quadros do OFK Beograd. Ainda no sector defensivo há também que realçar outro homem do OFK Beograd: Milan Gajic, que se destaca pela sua versatilidade e capacidade de trabalho, que lhe permitem também jogar no sector intermédio, como pivot à frente da defesa, ou ainda como lateral ou médio ala pelo corredor direito. Para além de uma defesa sólida, que apenas consentiu quatro golos durante todo o torneio (algo verdadeiramente notável se considerarmos que todos os jogos dos sérvios na fase eliminatória foram a prolongamento), um dos maiores segredos por detrás do sucesso da selecção sérvia reside no meio-campo. Este é composto por jogadores como Andrija Zivkovic, o jovem capitão do FK Partizan, que dispensa apresentações; Sergej Milinkovic-Savic, um poderoso médio de ataque e de transporte de bola formado nas famosas escolas do FK Vojvodina e que tem dado muito boa conta de si ao serviço do Genk; e o virtuoso Nemanja Maksimovic, um médio valoroso, produto das escolas Estrela Vermelha (FK Crvena zvezda), actualmente ao serviço do FC Astana, que assistiu Mandic para o primeiro golo da final frente ao Brasil e que demonstrou um sangue frio tremendo, pois, quando ficou diante de Jean no minuto 118 do prolongamento, com uma trivela só ao alcance dos melhores, colocou a bola no fundo das redes.

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Zivkovic foi uma das revelações do torneio
Fonte: uefa.com

Embora não seja muito prolífica em termos de golos marcados, da linha avançada da Sérvia fazem também parte dois jogadores, Mandic e Saponjic, que merecem a nossa atenção. O primeiro, Stanisa Mandic, jogador do modesto FK Cukaricki, é um avançado extremamente móvel que pode jogar sozinho lá na frente ou aparecer como uma espécie de trequartista nas costas do ponta de lança. Por seu turno, Ivan Saponjic, que com apenas 17 anos tem já um papel extremamente relevante ao serviço do FK Partizan, é um jovem com um talento imenso, que apontou 4 golos em 14 jogos da Superliga sérvia esta temporada.

Apesar de contar sempre com jogadores de inegável qualidade, apenas em raras ocasiões as selecções jovens e a selecção A da Sérvia tiveram momentos de especial glória após o desmembramento da outrora poderosa Jugoslávia, que foi não poucas vezes apelidada de Brasil da Europa, em virtude da excelência do futebol que praticava. Veljko Paunovic, que é muito mais do que um mero treinador que se limita a passar tácticas  para dentro do terreno de jogo, foi capaz de contrariar a história recente, transportando a selecção de Sub-20 da Sérvia para um outro patamar, mas, mais do que isso, foi capaz de passar para os jogadores um mensagem de paixão, de unidade, de jogar com o coração, mensagem essa que o antigo médio do Atlético Madrid gostaria que fosse extensível ao seu país, que muito tem sofrido no último quarto de século.

                              Foto de Capa: mg.esportes.com.br

Copa América’2015 – Argentina 1-0 Jamaica: Muita parra e pouca uva

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Talvez fosse difícil pensar em dois jogos piores para terminar o grupo B. Depois de um Paraguai-Uruguai que foi um autêntico bocejo para todos, o jogo desta noite entre albicelestes e jamaicanos não fugiu muito dessa linha. Bem vistas as coisas, aquilo que vimos no Estádio Sausalito, em Viña del Mar, não foi uma autêntica surpresa, tendo em conta a diferença gigante em termos de potencial entre uma e outra seleções. Na verdade, o último jogo deste grupo trazia-nos um verdadeiro duelo entre David e Golias, com a equipa argentina já apurada para os quartos de final, enquanto os jamaicanos já estavam matematicamente eliminados.

Também por isso, Gerardo Martino e W. Schafer optaram por introduzir alterações nos esquemas das duas equipas. Do lado argentino, o ex-treinador do Barcelona optou por efetuar duas alterações no onze comparativamente ao duelo com o Uruguai, colocando Demichelis e Higuain nos lugares de Otamendi e Kun Aguero. O sistema tático era o mesmo, mas era por demais evidente que, com estas alterações, o treinador argentino já tinha os quartos de final em mente, optando por isso por gerir de certa forma o plantel. Na equipa jamaicana, o técnico alemão optou por fazer quatro alterações na equipa inicial, lançando no onze Miller, Laing e Brown para os lugares de Kerr, Simon Dawkins e Giles Barnes.

A verdade é que, apesar das alterações promovidas pelos treinadores, os primeiros minutos da partida acabaram por mostrar aquilo que toda a gente já esperava. Um jogo de sentido único, com a Argentina a nunca carregar demasiado no acelerador, até porque uma vitória pela margem mínima era suficiente para chegar ao primeiro lugar do Grupo B. Dessa forma, e tendo em conta a inexistente capacidade ofensiva jamaicana – que apenas colocava Brown como homem mais adiantando, colocando depois 10 homens sempre atrás da linha da bola – a equipa de Martino decidiu controlar sempre os ritmos de jogo como quis, nunca impondo uma intensidade muito alta, até porque a competitividade tática da partida nunca o exigiu. Dessa forma, não raras vezes vimos os laterais Zabaleta e Rojo a atuarem praticamente como extremos, deixando a zona interior para as diagonais de Di Maria e Messi. A meio campo, o consistente e dinâmico tridente composto por Javier Mascherano, Lucas Biglia e Javier Pastore – que funcionaram sempre como autênticos faróis da equipa – iam sendo mais do que suficientes para o pouco perigo que os jamaicanos causavam no último terço do terreno.

À medida que os minutos foram passando – e apesar de a equipa jamaicana ter sempre procurado optar por uma postura defensiva compactando, nunca desprotegendo a zona central – a verdade é que os argentinos foram colecionando um verdadeiro festival de oportunidades desperdiçadas de golo. Só no que diz respeito à primeira parte, foram quase dez os lances de perigo junto à baliza de Miller. No meio de tanto desperdício, Higuain e Di Maria foram os mais perdulários. Ainda assim, foi do avançado do Nápoles que acabou por surgir o único golo da partida, apontado aos 10 minutos, numa excelente rotação sobre os centrais jamaicanos após trabalho individual de Di Maria. Esse lance foi mesmo a exceção naquilo que foi a regra da partida desta noite: a Argentina a jogar, a criar oportunidades e a falhar golos. Só no primeiro tempo, Higuain em quatro ocasiões (um dos remates bateu na trave da baliza de Miller), Di Maria por duas vezes e Messi numa situação foram os protagonistas do desperdício argentino perante uma Jamaica que apenas em bolas paradas se havia aproximado da baliza de Romero. Ao intervalo, e mesmo sem fazer uma exibição de grande intensidade, a verdade é que o resultado era inexplicavelmente curto, tantas tinham sido as oportunidades falhadas.

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Higuain apontou o único golo da partida
Fonte: Dailymail

A verdade é que na segunda parte o figurino da partida alterou-se de certa forma, e muito por culpa da Argentina, que veio ainda com menos intensidade para os segundos 45 minutos. Comparativamente ao primeiro tempo – em que oportunidades foram mais do que muitas para a equipa capitaneada por Lionel Messi – a segunda parte foi quase um deserto de ideias em termos ofensivos para os argentinos. De facto, tirando um remate à trave de Di Maria aos 52 minutos e um chapéu (quase) perfeito de Messi aos 57 minutos, a Argentina raramente se conseguiu aproximar com a mesma regularidade da área jamaicana. Com um adversário tão frágil, que poucos ou nenhuns problemas causou ao longo do jogo, a tendência para um afrouxamento argentino foi por demais evidente. A gestão física e tática do jogo foram sendo feitas a partir do controlo da bola, com Mascherano e Biglia a pautarem sempre os ritmos de jogo, deixando a Di Maria e Messi a criação de jogo ofensivo.

Mesmo depois das alterações de uma e outra equipa, o ritmo do jogo não se alterou e o arrastar da margem mínima até aos últimos minutos foi dando confiança à Jamaica, que pouco ou nada tinha a perder neste duelo com a Argentina. Dessa forma, o último quarto de hora do jogo acabou por trazer uma Jamaica mais afoita no terreno, subindo linhas e procurando colocar mais homens no processo ofensivo da equipa. O problema é que, apenas com Mc Anuff e Brown como jogadores mais virados para o ataque, a Jamaica só mesmo em bolas paradas é que foi provocando alguns calafrios junto do público albiceleste. Mesmo tendo passado os últimos minutos dentro da sua área, em virtude dos livres e cantos que a Jamaica foi colecionando nos últimos instantes do jogo, a verdade é que a Argentina nunca viu o resultado verdadeiramente ameaçado, em virtude da pouca capacidade jamaicana.

Messi foi sempre um quebra-cabeças para a Jamaica Fonte: tycsports.com
Messi foi sempre um quebra-cabeças para a Jamaica
Fonte: tycsports.com

Apesar de não ter feito novamente uma exibição de encher o olho, o facto é que a Argentina acaba por passar incólume nesta fase de grupos, apurando-se para os quartos de final da Copa América com sete pontos e o primeiro lugar do Grupo B. Ao olhar para as restantes concorrentes, percebe-se que talvez o Chile seja o adversário mais temível para os argentinos neste momento. Ainda assim, num onze com uma constelação de estrelas, facilmente se percebe que, até pelo valor individual dos seus jogadores, a Argentina de Messi, Di Maria e companhia é, à entrada para a fase decisiva da competição, provavelmente a equipa mais bem apetrechada para levantar o troféu sul-americano no próximo dia 4 de julho.

Agora, resta esperar pelo adversário dos quartos de final, que sairá pelo segundo melhor terceiro classificado dos grupos A ou C, sendo que a decisão deste último grupo acontecerá neste domingo, com os jogos Colômbia vs. Perú e Brasil vs. Venezuela. No jogo desta noite, os argentinos voltaram a não brilhar mas mostraram suficiente maturidade tática para encarar os futuros desafios com otimismo. Desde que, obviamente, sejam mais eficazes na altura de atirar à baliza. Até porque, daqui para a frente, não existem mais Jamaicas.

A Figura

Tridente ofensivo argentino Num jogo competitivamente tão desinteressante, com a Jamaica a atuar num bloco muito baixo, tornou-se evidente que teria de ser o talento individual argentino a desbloquear. E no que diz respeito a qualidade, o tridente composto por Di Maria, Messi e Higuain revelou-se muito dinâmico, tendo em conta o enorme número de oportunidades criadas ao longo do jogo. O ponto negativo foi mesmo a ineficácia que afetou os três jogadores e que evitou uma goleada da Argentina esta noite.

O Fora-de-Jogo

Fraca intensidade competitiva – Num duelo tão desigual, era quase impossível que o jogo não tomasse o rumo que tomou. De um lado, uma Argentina já apurada e cuja vitória magra era suficiente para alcançar o topo do grupo B; do outro lado, uma equipa da Jamaica que, apesar da boa réplica, está a anos luz de poder ser uma equipa verdadeiramente competitiva. Por tudo isto, o jogo foi muito pouco interessante porque toda a gente já sabia o seu destino, mesmo antes de este começar.

                                                                                               Foto de Capa: uk.eurosport.yahoo.com

Copa América’2015 – Uruguai 1–1 Paraguai: 90 minutos de tédio à moda do balão e da falta

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Albicelestes e Guaranis proporcionaram um jogo entediante e candidato a pior encontro desta Copa América, que tanto nos tem divertido e oferecido boas partidas. O resultado é justo e coloca as duas equipas na próxima fase da competição, com o Uruguai a ser terceiro classificado deste grupo B.

Foi uma partida em que se vendeu caro cada metro de terreno e onde, dificilmente, algum jogador surgiu sozinho. Havia sempre um guarda-costas na marcação e pronto para levar o portador da bola ao tapete. Aos 10 minutos, já o juiz da partida tinha mostrado (e bem!) dois cartões por entradas duras e despropositadas.

Os 90 minutos foram maus demais para toda gente; para quem pagou bilhete, para quem viu em casa na televisão e até para a bola, que teve mais tempo a sobrevoar o terreno do que a rolar na relva. O Paraguai era quem mais batia o esférico para a frente e depois tentava que os médios se aproximassem dos seus homens mais adiantados para criarem desequilíbrios. Quase nunca resultou! O Uruguai tentava aproveitar os flancos, com Maxi e Álvaro Pereira, para colocar depois a bola na área, na procura de Cavani e companhia. Ora, isto também foi difícil de aplicar, salvo raras exceções, e os comandados de Tabaréz entraram na moda do balão.

A bola ia chorando nos pés dos jogadores e só em lances de bola parada (cantos e livres laterais) surgiam ocasiões de perigo. A primeira oportunidade (ao minuto 12) é do Paraguai, com um falhanço, após um canto, já dentro da pequena área, e na resposta, 17 minutos depois, Giménez vai inaugurar o marcador. Canto do lado direito, ganho por Maxi e batido por Sanchéz, encontrou o central do Atl. Madrid, com um grande salto, superiorizou-se a todos e desferiu uma forte cabeçada, não dando hipóteses a Justo Villar, que regressava à baliza paraguaia.

Gimenez inaugurou o marcador com este cabeceamento ao minuto 29 Fonte: Facebook da AUF – Selección Uruguaya de Fútbol
Gimenez inaugurou o marcador com este cabeceamento ao minuto 29
Fonte: Facebook da AUF – Selección Uruguaya de Fútbol

Adivinhava-se que os golos só assim surgiriam e logo a seguir o mesmo Giménez poderia bisar. Lance a papel químico, canto cobrado da direita, o camisola 2 volta a libertar-se da marcação, mas desta vez Villar faz uma grande intervenção. Na sequência da jogada, Rolin ultrapassa os adversários e isola Cavani, que, em esforço e de bico, desperdiça a oportunidade de aumentar a contagem.

Eram esporádicos, estes lances, e a batalha continuava no meio-campo, com ligeiros períodos parecidos com ping-pong. Bola lá, bola cá, e os médios com a cabeça levantada a ver a “redondinha” passar. O jogo caminhava para o intervalo (antes fosse para o final) e eis mais um canto para o Paraguai. Adivinhava-se mais perigo e viria a confirmar-se! Lucas Barrios antecipa-se a Giménez e, ao primeiro poste, desvia para o interior da baliza de Muslera. 1-1 em cima do minuto 45, repondo justiça no encontro.

Lucas Barrios a festejar mais um golo na competição Fonte: Facebook da Selección Paraguaya de Fútbol
Lucas Barrios a festejar mais um golo na competição
Fonte: Facebook da Selección Paraguaya de Fútbol

15 minutos de descanso, uma alteração no Uruguai, com a entrada de Stuani, e a esperança de um jogo bem melhor. E até parecia que isso ia acontecer, muito por culpa de Maxi Pereira no lado direito. O ainda jogador do Benfica esteve incansável durante todo o jogo, como é sua imagem, e aos 53’ tira um excelente cruzamento, que Cavani desvia, passando a bola perto do poste esquerdo de Villar.

O Uruguai parecia diferente, o Paraguai cansado, e aos 64’ e 67’ mais dois lances que poderiam ter dado a vantagem à albiceleste. Primeiro Rolin lança Álvaro Pereira na esquerda, que cruza para o cabeceamento de Stuani ao lado, e depois um lançamento longo de Maxi, desviado ao primeiro poste, encontra Cavani, que, à meia-volta, atira com o mesmo destino.

Duas ameaças, os adeptos começavam a animar-se, mas falso alarme. O jogo voltou ao balão, à dureza e às paragens para as substituições. Os paraguaios fizeram duas, por lesões de Ortigoza e Barrios, e na outra saiu Bobadilla para entrar Derlis González (jogador do Basileia e ex-Benfica), que agitou o ataque guarani e iria ter a última e melhor ocasião da partida.

Antes disso, uma oportunidade uruguaia, novamente por Stuani. Aos 84’, Cristian Rodriguez, que entrou no decorrer da partida, rasgou pelo lado esquerdo e cruzou, com bastante força, e Stuani desviou para a baliza, quase por instinto, fácil para Villar agarrar.

Maxi Pereira foi o melhor em campo e esteve em quase todos os lances de perigo do Uruguai Fonte: Facebook da AUF – Selección Uruguaya de Fútbol
Maxi Pereira foi o melhor em campo e esteve em quase todos os lances de perigo do Uruguai
Fonte: Facebook da AUF – Selección Uruguaya de Fútbol

Já nos descontos, Derlis González teve nos pés o golo da vitória, negado por Fernando Muslera. O paraguaio recebeu de costas para a baliza, rodou e bateu, pelo chão, obrigando o guardião a mostrar a sua qualidade.

Pelo número de oportunidades e pela pequena mudança de atitude e qualidade de jogo dos uruguaios no segundo tempo, se houvesse um vencedor seriam os uruguaios, mas o empate é o resultado que mais se aceita, e que penaliza duas equipas que se apresentaram num nível muito baixo e proporcionaram um jogo que contrastou com a maioria dos encontros até então na competição.

A jogarem assim não vão passar mais nenhuma fase, e os espetadores agradecem!

A Figura:

Maxi Pereira – Um jogo como aqueles a que já nos habitou. Nos limites durante todos os minutos, com uma entrega e uma raça quase inigualáveis e a criar desequilíbrios do lado direito do seu ataque, quer em combinações com excelentes cruzamentos, quer com lançamentos longos, sempre perigosos. Foi capitão e a figura do Uruguai nesta partida.

O Fora-de-jogo:

Abel Hernandez – Esteve 45 minutos em campo e foi uma verdadeira nulidade. Um jogo desastroso do avançado uruguaio, que, simplesmente, não se viu, excetuando o amarelo que levou, aos 4 minutos, depois de uma falta dura e desnecessária. Mas não faltavam candidatos…

Foto de capa: Facebook da Selecção do Paraguai

Brasil 1–2 Sérvia (a.p.) – Sérvios de ouro

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Hoje escreveu-se mais um capítulo da história do futebol sérvio. Protagonizou-o um bando de jovens notáveis com a sua entrega, dedicação e mostras de inegável talento. A Sérvia sagrou-se campeã mundial de sub-20, depois de bater o Brasil, por 2-1, após prolongamento.

Finais são sempre jogos em que as equipas entram com doses extras de contenção e pragmatismo, e a partida de hoje não foi excepção. O Brasil entrou melhor no jogo, assumindo a posse de bola e procurando provar em campo o seu favoritismo. Na primeira parte, as melhores oportunidades de golo foram dos canarinhos, e percebeu-se que a Sérvia estava preparada para esperar pelos brasileiros no seu meio-campo a aproveitar os contra-ataques para criar perigo. Esta foi a toada durante praticamente todo o jogo: o Brasil a tentar mexer com o jogo, a Sérvia concentrada e eficaz nos momentos certos.

É verdade que pareceu quase sempre que o Brasil estava por cima do jogo e mais perto do título mundial, mas também é certo dizer que a Sérvia mostrou sempre uma grande maturidade em campo, que manteve a equipa tranquila e dentro do jogo, durante os 120 minutos. Mesmo com o controlo canarinho, a selecção sérvia conseguiu aguentar as investidas perigosas do poderoso ataque brasileiro e, através da qualidade de jogadores como Zikvovic ou Mandic, colocar em apuros a defesa adversária.

Depois de uma primeira parte mais táctica e fechada, as equipas entraram mais determinadas a marcar no segundo tempo e as oportunidades de golo multiplicaram-se. Aqui, Jean e Rajkovic, os guarda-redes das equipas, estiveram em grande plano e evitaram os golos até ao minuto 70, altura em que Sérvia se adiantou no marcador. Mandic foi o autor do golo.

A tristeza brasileira Fonte: Facebook do Mundial de sub-20
A tristeza brasileira
Fonte: Facebook do Mundial de sub-20

O Brasil não acusou a desvantagem e, instantes depois, restabeleceu a igualdade por intermédio do médio do Manchester United Andreas Pereira. Depois de driblar vários adversários, o jovem médio não deu hipóteses ao guardião sérvio e assinou um grande golo, digno de uma grande final.

Com o empate no marcador e a partida a chegar ao fim, Brasil e Sérvia mostraram que queriam resolver a final nos 90 minutos, mas não conseguiram aproveitar as oportunidades criadas e o jogo foi mesmo para prolongamento.

Na etapa complementar, os nervos e o cansaço começaram a apoderar-se dos jovens jogadores, e o jogo ficou mais aberto e emocional. Ainda assim, o equilíbrio de forças entre americanos e europeus manteve-se até que Maksimovic chutou a bola dourada directamente para a história do futebol sérvio. Aos 118 minutos de jogo, o jovem sérvio marcou o golo que deu o primeiro título mundial de futebol à selecção sérvia, enquanto nação independente.

Figura:

Sérvia – Ambas as equipas, com tácticas e argumentos diferentes, fizeram tudo para levantar o troféu, mas a Sérvia foi mais eficaz e conquistou o título com justiça. A maturidade e organização da equipa combinaram na perfeição com os rasgos de talento de Zivkovic e a segurança de Rajkovic e companhia, e a máquina sérvia funcionou na perfeição.

Fora-de-jogo:

Ineficácia do Brasil – É certo que na baliza sérvia estava um dos guarda-redes com melhor futuro do futebol mundial, mas os avançados brasileiros desperdiçaram demasiadas ocasiões de golo para uma final. A ineficácia canarinha retirou-lhes a possibilidade de conquistar o 6.º título mundial sub-20.

Top 10: Melhores jogadores dos derbies em futsal

[tps_title]10.º Pedro Costa [/tps_title]

Talvez o primeiro grande jogador português de futsal. O Universal, que passou pelo Sporting mas se destacou ao serviço do Benfica, foi uma das primeiras figuras que deram ao futsal e aos derbies um lugar de destaque em Portugal.

Fonte: uefa.com
Fonte: uefa.com

[tps_title]9.º Deo [/tps_title]

O pequeno mágico do Sporting passou onze épocas em Alvalade e conquistou mais de uma dezena de troféus. Conseguia fazer da velocidade a sua melhor arma e esta foi a primeira época em que houve derbies sem a presença do ala brasileiro.

Fonte: Facebook do Sporting
Fonte: Facebook do Sporting

[tps_title]8.º Arnaldo [/tps_title]

Um dos jogadores que ficará para sempre ligado à ascensão do Benfica no futsal Português e à conquista dos primeiros troféus do clube na modalidade. Um jogador bastante tecnicista e capaz de decidir jogos complicados com jogadas ao alcance de poucos.

Fonte: controlinveste.pt
Fonte: controlinveste.pt

[tps_title]7.º André Lima[/tps_title]

O único que conseguiu a proeza de ser campeão nacional como jogador e treinador pelo Benfica, e que deu também ao clube da Luz a conquista da UEFA Futsal Cup em 2010. Jogador que detém ainda o record de internacionalizações por Portugal, André Lima é e será uma figura de proa do futsal nacional.

Fonte: controlinveste.pt
Fonte: controlinveste.pt

[tps_title]6.º Cristiano[/tps_title]

O guarda-redes do Sporting sempre viveu na sombra de Benedito, mas quando foi chamado a participar conseguiu um lugar ao sol. Teve uma das suas melhores exibições no Pavilhão da Luz, quando assumiu a baliza após a lesão de João Benedito e conseguiu garantir um campeonato para o clube de Alvalade.

Fonte: Facebook do Sporting
Fonte: Facebook do Sporting

[tps_title]5.º Divanei[/tps_title]

Um ala saído do mundo de fantasia. O brasileiro assinalou momentos de pura magia e tornou-se um dos ídolos dos exigentes adeptos leoninos. Para Divanei, pouco era impossível e cada remate ou cada livre era o tormento para os adversários. Que o diga Marcão e outros guarda-redes do Benfica.

Fonte: Facebook do Sporting
Fonte: Facebook do Sporting

[tps_title]4.º César Paulo[/tps_title]

Pivot de classe mundial. O brasileiro chegou à Luz em 2007 para uma segunda experiência na Europa e impôs-se de forma categórica. Matador impiedoso, marcá-lo estava ao alcance de poucos, tendo proporcionado duelos tácticos inesquecíveis com Caio Japa. Um dos jogadores que marcaram uma época no futsal nacional.

Fonte: uefa.com
Fonte: uefa.com

[tps_title]3.º João Benedito[/tps_title]

É difícil distinguir a história do futsal do Sporting e a de João Benedito. O capitão do Sporting, formado no clube, é um exemplo de dedicação. Conseguiu decidir vários jogos – e campeonatos – frente ao rival com defesas impossíveis e liderando a equipa em momentos de maior aperto.

Fonte: Facebook do Sporting
Fonte: Facebook do Sporting

[tps_title]2.º Ricardinho[/tps_title]

Melhor jogador de futsal do mundo. Esta descrição diz muito do que significa Ricardinho para o futsal Português e para o Benfica. Tal como Divanei, o ala português joga num mundo à parte, fazendo jogadas apenas ao nível dos predestinados. Conseguiu resolver várias partidas a favor dos encarnados nos jogos frente ao seu eterno rival. O seu segundo lugar neste Top prende-se apenas por ter menos golos do que o primeiro lugar.

Fonte: modalidades.com.pt
Fonte: modalidades.com.pt

[tps_title]1.º Alex[/tps_title]

Melhor marcador de sempre nos derbies – 31 golos – e muito provavelmente o jogador que mais playoff’s decidiu. Cumpriu a oitava – e última – época ao serviço dos leões, tendo chegado em 2007 proveniente do campeão europeu Action Charleroi 21.  O trintão brasileiro é uma das maiores referências do futsal do Sporting e tem um lugar na História do clube.

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Fonte: Facebook do Sporting

Foto de Capa: supersporting.net

Olheiro BnR – Andrea Bertolacci

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olheiro bnr

No jogo em que Portugal bateu a Itália em Genebra, os 90 minutos chegaram para confirmar algo de que já me tinha apercebido há algum tempo: a seleção italiana atravessa uma crise de identidade e não é capaz de apresentar um modelo de jogo e uma base bem definidos. A equipa precisa de referências urgentemente, e o facto de Buffon e Pirlo estarem a “dar as últimas” só torna esta necessidade mais gravosa.

Ainda assim, os mesmos 90 minutos revelaram um oásis de esperança em forma de médio: Andrea Bertolacci. Há três épocas no Génova, fez formação na AS Roma, e conta com três internacionalizações pela squadra azzurra, tendo sido um dos poucos jogadores que, frente à Seleção portuguesa, demonstrou vontade e ideias para acordar a equipa da apatia que a tem caracterizado ultimamente.

“Formiguinha operária” com faro de golo

O estilo não engana. Bertolacci é o típico médio trabalhador, da mesma casta de João Moutinho. Prefere jogar na posição de ‘box-to-box’, como fez frente a Portugal, e tem uma precisão de passe bastante apurada. Longe de ser exuberante, faz da regularidade a sua principal arma, razão para ter terminado a época como um dos jogadores mais utilizados no Génova: 35 jogos.

Também não se coíbe de, quando a oportunidade surge, chegar perto da área adversária. Não é raro vê-lo começar os jogos mais perto dos avançados, graças à capacidade de retenção de bola e boa finalização: esta temporada melhorou o seu registo de golos (seis, no total), contribuindo de forma direta para o interessante 6.º lugar da sua equipa na Liga. Gosta de ter o esférico colado ao pé e protege-o bem, libertando-o apenas quando tem a certeza de fazer um passe acertado ou remate.

Bertolacci foi um dos principais responsáveis pela boa época do Génova Fonte: Página do Facebook de Andrea Bertolacci
Bertolacci foi um dos principais responsáveis pela boa época do Génova
Fonte: Página do Facebook de Andrea Bertolacci

Adeus ao Luigi Ferraris?

O AC Milan é um dos interessados na sua contratação e, nos últimos dias, foi noticiada a pretensão da Roma em resgatá-lo. É claramente um médio talhado para voos mais altos, já que alia todos os seus recursos técnicos acima descritos a uma boa visão de jogo e consciência tática acima da média.

Num futebol a caminho da estagnação, surge como um dos produtos mais evoluídos e condizentes com o futebol atual produzidos pela escola italiana. Ainda terá de esperar pela sua vez para assumir o estatuto de indispensável na sua seleção (Pirlo, De Rossi e Marchisio são hierarquicamente superiores), mas não tenho dúvidas de que poderá ser uma das referências no futuro. A partir daqui, é para ser seguido com atenção.

Foto de Capa: Facebook Oficial de Andrea Bertolacci

Copa América’2015 – Chile 5-0 Bolívia: A melhor equipa da Copa é mesmo candidata

internacional cabeçalho

Palmas para este Chile! A equipa de Jorge Sampaoli até pode ser eliminada nos quartos-de-final (jogará com o terceiro classificado do grupo B ou C, ainda por definir), mas uma coisa é certa: até agora, nenhuma selecção presente nesta edição da Copa América jogou um futebol melhor do que o da Roja. 10 golos marcados em 3 jogos (3 sofridos, todos no empate com o México) é um grande registo, obra de tudo menos do acaso.

É certo que a Bolívia quase não levou perigo à baliza de Claudio Bravo, mas isso não retira nenhum mérito ao brilhantismo chileno. Esta equipa mostra enorme qualidade e velocidade na circulação da bola, um dinamismo ímpar (os jogadores aparecem constantemente em zonas diferentes para construir jogadas) e uma entrega notável, que se faz notar tanto a atacar como a pressionar o adversário para ganhar a bola. Tudo isto eleva ainda mais o nível exibicional das boas valias individuais de que esta selecção dispõe.

As equipas entraram em campo com o apuramento para os quartos-de-final já garantido, mas o Chile não quis facilitar e marcou cedo. Logo aos 3’, Medel lançou Vargas ainda no seu meio-campo, este tentou dominar mas a bola fugiu para trás, onde estava Aránguiz a rematar cruzado à entrada da área. Com o golo madrugador da equipa favorita temia-se um jogo desinteressante e, de facto, até ao 2-0 os dois únicos lances de registo foram dois livres de Alexis Sánchez, que em ambas as ocasiões embateram no poste. Aos 37’, contudo, Alexis marcou finalmente o seu primeiro tento do torneio. O craque do Arsenal pôs a cabeça onde muitos não colocariam o pé e transformou uma bola que parecia perdida no 2-0 para a sua equipa. Excelente gesto técnico do avançado após passe defeituoso de Valdivia, da direita.

Com a Bolívia a mostrar evidentes lacunas não só a construir mas também a defender (o lateral esquerdo Leonel Moralez teve um dia péssimo), o Chile foi em crescendo até ao intervalo. Vargas, o chileno mais infeliz em campo, desperdiçou o 3-0 em zona frontal.

sampaoli
Não basta ter talento à disposição, é preciso domá-lo e exponenciá-lo. Sampaoli tem-no conseguido

Face à inoperância boliviana, Jorge Sampaoli sentia que o jogo estava praticamente ganho e tirou Alexis e Vidal ao intervalo, fazendo entrar Matías Fernández e Ángelo Henríquez. O boliviano Marcelo Moreno teve o único apontamento da sua selecção aos 49’, rematando para boa defesa de Bravo, mas o Chile começava a carburar e adivinhava-se nova mexida no marcador. Esta chegou aos 66’, quando Matías pegou na bola, soltou na direita (sempre por aqui…) e Aránguiz, após cruzamento de Henríquez, bisou à boca da baliza a dois tempos.

O Chile estava à vontade no jogo mas nem por isso baixava o ritmo diabólico e a vontade de voltar a marcar. A 10 minutos do fim, o defesa Medel, numa altura em que a Roja já tinha abandonado o seu 4-4-2 losango e jogava num esquema de três centrais, foi lá acima num lance corrido e finalizou com classe na cara do guarda-redes, numa fantástica jogada de futebol total iniciada por si próprio. Perante uma Bolívia sem argumentos e onde só Moreno parecia destoar pela positiva, o Chile chegou à manita num lance infeliz de Raldes, que tentou interceptar um cruzamento – vindo, uma vez mais, da direita – e fez auto-golo.

Vitória incontestável do super Chile que, após o começo a meio-gás contra o Equador (2-0 e uma exibição pálida), meteu o México no bolso (3-3, resultado muito penalizador para a turma de Sampaoli, a quem foi anulado um golo limpo) e dizimou agora a Bolívia. A jogar em casa, veremos se não é desta que o país de Pablo Neruda e Salvador Allende consegue vencer uma grande competição do desporto-rei. Qualidade individual não falta, espírito colectivo também não, e a verdade é que o Chile está mais perto da glória do que nunca. Ainda assim, aconteça o que acontecer, já foi um prazer ter visto jogar esta equipa.

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A Figura

Colectivo do Chile – Alexis, Aránguiz, Medel, Valdivia, Matías…? As possibilidades são tantas que, mais do que difícil, destacar apenas um atleta torna-se injusto. O Chile tem em Alexis e Vidal as duas figuras que elevam esta selecção a outro estatuto (ver jogar o primeiro foi um regalo, o segundo hoje esteve mais apagado), mas a equipa vale sobretudo pelo conjunto. E é isso que merece o maior destaque. Enorme dinamismo, capacidade de circulação, garra com e sem bola… A Roja é um caso sério, e Sampaoli tem muito mérito.

O Fora-de-Jogo

Colectivo da Bolívia – A mesma justificação, mas em sentido contrário. Tirando Moreno, o marasmo foi total (Chumacero também tentou, mas desde que perdeu uma bola que deu golo desapareceu). A parca qualidade individual nem sequer é compensada com um colectivo forte, o que faz desta Bolívia uma equipa banalíssima. Os Verdes podem ter conseguido a primeira vitória na competição e o primeiro apuramento para a fase a eliminar desde 1997, mas hoje também sofreram a sua maior goleada na Copa América desde 1989 (curiosamente também contra o Chile, e também por 0-5). Mesmo tendo ficado em 2º no grupo, a equipa de Mauricio Soria não deixa de ser a mais fraca das quatro. Dificilmente sobreviverá na próxima ronda.

 

Fotos: Facebook oficial Selección Chilena

Do esforço se faz a vitória

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Os tempos de glória do Farense já passaram há muito. O emblema algarvio, que outrora esteve presente numa final da Taça de Portugal em 1989/90 e na antiga Taça UEFA em 1995/96, mergulhou numa crise profunda, que fez com que os Leões de Faro descessem de divisão três épocas seguidas, acabando por ficar na 3.ª Divisão Nacional. Aquando da sua participação na 3.ª Divisão Nacional, devido a três faltas de comparência, o Farense foi despromovido, o que fez com que o seu Futebol profissional terminasse durante a época de 2005/06.

Recomeçando pelo patamar mais baixo do futebol na época de 2006/07, o Farense inicia o seu “renascimento” conquistando o título de campeão da 2.ª Divisão Distrital. Na época seguinte o emblema de Faro volta a Sagrar-se campeão, mas desta vez da 1.ª Divisão Distrital.

A época de 2008/09 marca o regresso do emblema algarvio aos campeonatos nacionais. Neste ano o “mágico Farense” acabaria por ficar em 3º lugar a escassos pontos da promoção, coisa que aconteceria apenas na época seguinte. No seu primeiro ano na 2.ª Divisão B o Farense acabaria por ser despromovido, mas nas duas épocas seguintes a equipa algarvia conseguiria subir duas vezes seguidas, culminando com o ingresso na 2.ª Divisão Nacional, campeonato que disputou nas duas últimas épocas e que disputará também na época que se avizinha.

Nas suas duas participações na 2.ª Divisão Nacional o Farense conseguiu um 10.º e um 11.º lugar respectivamente. Estes dois anos serviram, acima de tudo, para a equipa se consolidar. Apresentando jogadores com grande experiência no futebol nacional, como por exemplo Neca, que outrora jogou no patamar máximo do futebol nacional, os Leões de Faro aliaram a experiência à juventude.

Com uma massa adepta de fazer inveja a algumas equipas da 1.ª liga portuguesa, e com uma claque (South Side Boys) que está sempre presente nos bons e nos maus momentos da equipa algarvia, o presidente António Barão veio assumir publicamente no final desta temporada o seu desejo de subir o mais rapidamente possível à 1.ª Divisão Nacional.

O Farense é um verdadeiro histórico do Futebol Português Fonte:
O Farense é um verdadeiro histórico do Futebol Português
Fonte: Facebook ‘Quantos Farenses Somos?’

Para concretizar esse desejo, António Barão já começou a pôr em prática algumas medidas. A primeira medida foi voltar a contratar Jorge Paixão, treinador muito querido pelas gentes de Faro e responsável pela melhor série do Farense na 2.ª Divisão Nacional na época de 2013/ 2014. A segunda foi dispensar dez jogadores da equipa principal. Esta dispensa deveu-se em grande parte à idade elevada que alguns jogadores apresentavam. Com o intuito de rejuvenescer a equipa, o presidente dos Leões de Faro promoveu também a subida de três juniores à equipa principal do Farense.

Assim sendo, podemos esperar um Farense rejuvenescido e com vontade de mostrar resultados. Mas será juventude sinónima de qualidade? Esta medida gerou bastante contestação entre alguns adeptos do Farense, que não viram com bons olhos a saída de alguns jogadores. O maior exemplo disto foi a saída de Hugo Luz, antigo Capitão de equipa. Esta dispensa originou a criação de páginas de apoio a Hugo luz, chegando-se mesmo a pedir a renovação do mesmo.

Resta-nos então saber se estas medidas levarão o SC Farense ao sítio de onde nunca deveria ter saído, devolvendo assim a alegria de ver o clube da sua terra na 1ª Divisão Nacional às gentes de Faro.

Foto de Capa: Facebook ‘Quantos Farenses Somos?’

Um plantel de excedentários

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cabeçalho fc porto

A preparação para a nova temporada está aí à porta. Embora seja consensual que ainda é cedo para tomar decisões definitivas, é aconselhável, no mínimo, que os clubes comecem a delinear as ideias relativas à construção dos respetivos plantéis. Tarefa que raramente é fácil, e que assume contornos de “quebra-cabeças” nas equipas grandes. Neste campo, o FC Porto é dos melhores e mais paradigmáticos exemplos que podemos encontrar. É que além dos jogadores que constituem os plantéis da equipa principal e da equipa B, os dragões emprestaram, na última época, 27 (!) atletas aos mais diversos clubes. Um número que daria, por si só, para construir uma esquadra por si só, e excluir ainda três ou quatro.

A questão que se coloca é: o que fazer com tanto excedentário? Este texto, como o leitor já deve ter percebido, tem o propósito de expor a minha opinião sobre o assunto. Como tal, sinto-me compelido a explicar a metodologia que utilizei para esquematizar a distribuição destes 27 nomes que, de modo contratual ou não, ainda se encontram ligados ao reino do Dragão. Começo por aqueles que viram as suas ligações ao FC Porto expirar no fim da época que findou: Rolando e Izmaylov. O central e o médio têm licença para procurar nova entidade patronal e, se o internacional português coleciona interessados, a vida do russo não se adivinha tão simples; os 32 anos e o vasto historial de lesões não são fatores propriamente atraentes para qualquer clube. Depois, há os que continuam emprestados: Walter, ao Atlético Paranaense, Kelvin ao Palmeiras e Tozé ao Estoril. Quanto ao último, o FC Porto pode chamá-lo de volta, mediante compensação aos “canarinhos”, mas é um cenário que se afigura pouco provável; Josué deve ser adquirido em definitivo pelo Bursaspor, garantindo um encaixe financeiro interessante. E há os que ficam no plantel (ou que, pelo menos, fazem a pré-época): Carlos Eduardo e Kléber. Pinto da Costa confirmou a integração do médio em 2015/16, e o regresso do ponta-de-lança foi avançado pelo jornal O JOGO.

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Carlos Eduardo está garantido na pré-época depois de uma temporada no Nice
Fonte: Página de Facebook do OGC Nice

Portanto, sobram… 19 jogadores. Para simplificar o meu trabalho e a sua compreensão, dividi os “restantes” em quatro grupos: os que podem/deviam fazer a pré-época; os que não contam; os que devem rodar na I Liga ou no estrangeiro; os que voltam à equipa B ou rodam na II Liga. Mesmo assim, não foi fácil e o texto tornou-se extenso e com alguns requintes de malvadez. Preparado, caro leitor? Então, vamos lá.

Os que podem/deviam fazer a pré-época: Opare e Kayembe;

Danilo saiu e o FC Porto precisa de um lateral. A hipótese mais forte é a de ir contratar alguém (agora fala-se de Maxi principalmente mas também de Bruno Peres, antes foram Marcos Rocha e Mayke), mas, se tal não suceder rapidamente, é bem provável que Opare integre os trabalhos de pré-temporada. O empréstimo ao Besiktas não correu mal, e o ganês pode finalmente ter a oportunidade para se impor que lhe faltou na época transacta. Kayembe, pelos bons préstimos ao serviço do Arouca e pela polivalência à esquerda, pode ser uma opção válida para Lopetegui. A qualidade está lá, e ficar no plantel não seria descabido.

Os que não contam: Varela, Abdoulaye, Licá, Djalma, Bolat, Sami, Pedro Moreira e Quiñones;

Varela está em fim de ciclo: tem 30 anos, os flancos estão recheados de boas opções e o contrato termina em 2016 – a venda do extremo já neste defeso é o cenário mais sensato. Abdoulaye e Licá vêm de um empréstimo ao Rayo Vallecano e têm outra coisa em comum: ambos já tiveram a sua oportunidade na Invicta. O FC Porto precisa de atletas de maior quilate. O mesmo se aplica a Djalma e a Sami. Bolat, Pedro Moreira e Quiñones nunca usufruíram de uma verdadeira chance para singrar no plantel principal e, convenhamos, não é provável que tal aconteça agora. Para todos estes jogadores, a venda, ou mais um empréstimo, deve ser o caminho a seguir.

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Varela termina contrato em junho de 2016 e esta é a altura certa para o vender
Fonte: Página de Facebook do FC Parma

Os que devem rodar na I Liga ou no estrangeiro: Tiago Rodrigues, Otávio, Ivo Rodrigues, Mauro Caballero e Ghilas;

Neste “lote”, começo por Ghilas. Julgo que o avançado argelino tem uma boa margem de progressão e pode vir a ser útil ao FC Porto num futuro próximo. Por isso, não o incluí no grupo anterior. Depois da campanha no Córdoba, fá-lo-ia regressar à Liga espanhola, através de um clube do meio da tabela, como o Espanyol ou o Rayo. O caso de Nabil é, a meu ver, muito particular, e estou curioso para ver o seu potencial totalmente exposto. Quanto aos outros, todos jovens, já passaram pela equipa B e não será surpreendente que lá retornem, mas preferia vê-los sujeitos a um nível competitivo mais elevado: rodar na I Liga seria o ideal, para poderem experimentar desafios mais exigentes do que aqueles que podem encontrar na II Liga, algo que permitir-lhes-ia crescer técnica e taticamente. Destaque para Mauro Caballero, que cumpriu uma época muito positiva ao serviço do Desportivo das Aves, sendo que, na próxima época, irá rodar fora de portas – foi emprestado ao FC Vaduz –, e para Ivo Rodrigues, uma das figuras portuguesas no Mundial Sub-20 que decorre ainda na Nova Zelândia.

Os que voltam à equipa B: Júnior Pius, Célestin Djim, Braima Candé e Rúben Alves;

Vou ser totalmente franco: conheço muito pouco destes quatro jogadores. No entanto, julgo que é consensual que o mais benéfico para eles seria integrar o plantel da equipa B, onde deverão ter oportunidade de jogar, dada a sobrecarga de jogos na II Liga. Seria preferível a rodar noutra equipa da mesma divisão. Assim, começavam a ambientar-se ao peso da camisola e aos valores do clube. É o mínimo que se pode exigir, se um dia querem singrar no FC Porto.

Ufa, missão cumprida. Acredito piamente que grande parte destas “propostas” vai acabar por se traduzir na realidade. No entanto, também tenho consciência que outra parte não se vai confirmar. Com alguma pena minha, porque tive em conta o objetivo de, além de procurar a melhor solução para todos os jogadores, também escolher a opção mais viável para o clube, principalmente no que toca à folha salarial. É que, parecendo que não, 27 jogadores são um encargo assinalável, e sabe Deus (a entidade religiosa, não o treinador da equipa B do Sporting) as despesas indispensáveis que o clube já tem/poderá ter. Fica a sugestão de mais um portista. Mister, caro Antero e Presidente, sintam-se à vontade para dar uma vista de olhos…

Foto de capa: Página de Facebook de Nabil Ghilas