Fim de tarde no Estádio do Dragão com o FC Porto de Sérgio Conceição a receber o mítico FC Porto de André Villas-Boas. Os 50.000 nas bancadas cantavam a uma só voz. Mas a favor de qual equipa?
Helton e Danilo trocaram um grande abraço e partilharam o mesmo galhardete. Artur Soares Dias com o auxílio de Pedro Proença apitaram, e começou o tão aguardado encontro entre os “nascidos para vencer”.
O FC Porto de Villas-Boas tentava circular a bola, mas Marega e Soares faziam uma pressão muito forte na linha defensiva, com Sérgio Oliveira e Danilo sempre de olho na movimentação de João Moutinho e Guarín.
A primeira oportunidade de golo foi para os comandados de Sérgio Conceição. Corona, endiabrado, ganhou no um para um a Álvaro Pereira e cruzou de pé esquerdo para Marega que ganhou nas alturas a Rolando e cabeceou para uma boa defesa de Helton.
Aos 29 minutos, Fernando recuperou a bola de Otávio e soltou o ataque para Hulk, que tirou Alex Telles da frente e rematou para uma defesa sensacional de Marchesín. Vale o bilhete!
Pouco depois, Varela aproveitou o adiantamento de Corona e após um passe picado de João Moutinho, puxou para o pé direito, mas estava lá… Marchesín.
Um dos momentos da noite estava guardado para o minuto 40. Hulk simulou o remate de pé esquerdo, mas passou para João Moutinho. Saiu um remate colocadíssimo do médio português para mais uma bela intervenção do guarda-redes argentino. Contudo, Falcão aproveitou a recarga e fez o 1-0. Acreditem ou não, o Estádio do Dragão festejou o golo e ouviu-se os filhos do dragão nas colunas.
A segunda parte começou logo com uma substituição operada por Sérgio Conceição. Nakajima entrava assim para o lugar de Sérgio Oliveira. Aos 55 minutos, Marega isolou-se, mas Helton teve uma saída rápida para resolver todos os problemas.
Como Nakajima não estava a resolver todos os problemas da equipa, Sérgio Conceição decidiu tirar Soares e colocar Zé Luís. André Villas-Boas respondeu com a entrada de James Rodríguez depois de João Moutinho se ter queixado de dores na coxa direita. Grande aplauso no Estádio do Dragão para estas substituições.
Aos 67 minutos, Nakajima tenta cruzar para a área, mas Otamendi tira o pão da boca de Zé Luís, mas fora da área estava um senhor chamado Alex Telles que enviou um míssil para o fundo da baliza de Helton. Parecia quase uma fotocópia do golo marcado frente ao Portimonense SC, e todo o Estádio cantava de alegria e de emoção.
André Villas-Boas não estava satisfeito com o que estava a ver, e fez uma dupla substituição. Belluschi e Cristian Rodríguez entraram para os lugares de Guarín e Fernando. Pouco depois, James Rodríguez fez magia com os pés e, ao tirar Danilo do caminho, atirou de pé esquerdo para uma defesa monumental de Marchesín.
O técnico do FC Porto atual percebeu os problemas da equipa no meio-campo e colocou Uribe ao lado de Danilo, retirando Otávio da partida. No minuto 85, Marcano cometeu grande penalidade sobre Bellusci, e Falcão quis assumir. Partiu para a bola, mas estava lá o inevitável… Marchesín quis segurar o empate e não deixou o avançado colombiano bisar na partida.
A partida não encerrou sem Zé Luís procurar de calcanhar um golaço, mas Helton resolveu todos os problemas. Artur Soares Dias apitou para o fim do encontro e vislumbrou-se um coro de aplausos no Estádio do Dragão. Os técnicos cumprimentaram-se e os jogadores tinham, sem exceção, um semblante triste, visto que qualquer um queria ganhar…
A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Marchesín – O guardião argentino foi, sem dúvida, o melhor em campo, ao evitar o golo do FC Porto de 2010/2011 por várias ocasiões e ao defender uma grande penalidade.
O FORA DE JOGO
Fonte: UEFA
Fredy Guarín – Esta não foi a noite do médio colombiano… Otávio e posteriormente Nakajima passaram sem grandes dificuldades por El Guaro, que a nível ofensivo não ofereceu o apoio necessário para criar dificuldades à linha defensiva dos azuis e brancos de Sérgio Conceição. Acabou mesmo por ser substituído após o golo de Alex Telles.
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO 2019/2020
O FC Porto de Sérgio Conceição não fugiu à regra. Sem nunca descurar completamente a posse de bola, o principal objetivo era sempre tentar colocar a bola nas costas de Rolando e Otamendi, aproveitando a profundidade oferecida por Marega. O 4-4-2 desdobra-se muitas vezes num 4-4-3, com Otávio a aparecer como terceiro médio de ligação entre o setor recuado e mais adiantado, e Marega na ala em busca da profundidade pelo adiantamento de Álvaro Pereira. As substituições operadas por Sérgio Conceição e a sua equipa técnica ofereceram ainda mais profundidade à equipa com a entrada de Zé Luís. Nakajima também tinha entrado para oferecer uma maior criatividade à zona intermediária, sendo que Uribe foi uma entrada mais no sentido da estabilização do meio-campo.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Marchesín (9)
Tecatito (7)
Mbemba (6)
Marcano (5)
Alex Telles (8)
Danilo (6)
Sérgio Oliveira (5)
Otávio (6)
Luis Díaz (4)
Marega (5)
Soares (5)
SUBS UTILIZADOS
Nakajima (6)
Zé Luís (6)
Uribe (5)
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO 2010/2011
O FC Porto de André Villas-Boas apresentou-se no clássico 4-3-3, com uma referência ofensiva matadora de Radamel Falcão. Foi evidente que o avançado colombiano se colocou nas costas de Mbemba, tentando ganhar no jogo aéreo. Hulk e Varela eram autênticas setas que iam dar um trabalho árduo a Alex Telles e Corona, que muitas vezes subiam no ataque. Este meio-campo funcionou bem como sempre, e viu-se o organizador de jogo que é Moutinho, com um “polvo” atrás que se chama Fernando, com o apoio de Guarín. Os dois laterais também ofereceram apoio ao ataque, mas o que Hulk e Varela pretendiam era procurar o espaço interior em busca do seu melhor pé para rematar ou cruzar para o ponta de lança. Uma posse de bola paciente e objetiva foi uma das marcas vistas dentro das quatro linhas.
Voltamos a 2007. Aterra, no aeroporto de Lisboa, Óscar Cardozo, a mais recente contratação do SL Benfica.
O gigante (1.93m) avançado paraguaio apresentou-se à frente de um batalhão de jornalistas, com um estilo mais similar ao de um segurança de discoteca do que propriamente a um futebolista. Totalmente vestido de preto, com óculos de sol e com uma atitude de quem não se preocupava muito com os jornalistas.
O andar desajeitado e a elevadíssima estatura preocupavam os puristas do futebol “espetáculo”. Cardozo chegava do campeonato argentino (Newell’s Old Boys), onde era reconhecido como um matador e finalizador de área.
O rótulo não saiu barato aos cofres encarnados. O SL Benfica pagou perto de 12 milhões de euros para adquirir o passe do paraguaio. As primeiras palavras de Cardozo foram muito objetivas: “Sirvam-me bem que eu resolvo na área”. E resolvia mesmo.
O paraguaio chegou à Luz numa altura difícil para o clube encarnado. O panorama do futebol nacional era dominado pelo FC Porto, a hegemonia azul e branca não parecia ter fim à vista.
Na primeira época do “Tacuara” em Portugal, o SL Benfica terminaria o campeonato num terrível quarto lugar, atrás de FC Porto, Sporting CP e Vitória SC. A segunda temporada teve um fim semelhante, desta vez os encarnados terminaram no terceiro lugar, atrás dos dois eternos rivais.
Os golos do paraguaio iam convencendo parcialmente as bancadas do Estádio da Luz, mas o seu comportamento dentro de campo atraía muitas críticas. O desejo dos adeptos em assistir a um futebol de pressão, de ataques rápidos, de fintas vertiginosas contrastava com a lentidão, falta de esforço e a primeira impressão de “tosco” (com muitas aspas) que o avançado transmitia.
Cardozo era o que era. Tacuara, a sua alcunha, é em castelhano uma espécie de bambu. O bambu é uma planta simples, grande, resistente, muito flexível, mas que é, no entanto, muito forte e de excelente qualidade. Cardozo era isso mesmo.
Com a chegada de Jorge Jesus, o rendimento do internacional paraguaio disparou. Foi a melhor época de Cardozo no Benfica, época onde atingiu uns impressionantes 38 golos.
Cardozo sempre foi sinónimo de golo Fonte: SL Benfica
Apesar do sucesso dos encarnados e das boas prestações de Cardozo, o paraguaio continuava a ser “patinho feio” da equipa. Era bastante comum ver o jogador a ser assobiado e aplaudido de pé no mesmo jogo. Raro era o benfiquista que apenas gostasse de Cardozo, a maioria ou idolatrava ou odiava o avançado. Discussões sobre o seu rendimento era o que mais abundava nas bancadas do Estádio da Luz.
Apesar da sua elevada estatura e das “dificuldades” de movimentação, Cardozo era um jogador de uma classe absurda. O golo em Leverkusen, onde com um toque sublime tira da frente o defesa e de seguida pica a bola por cima do guarda redes, é expoente máximo da sua qualidade.
Cardozo era isto mesmo. A capacidade que tinha para fazer tanto com tão poucos toques na bola, era absolutamente impressionante. Exibições lendárias como o hat-trick frente ao Sporting CP ou o bis frente ao Fenerbahçe SK imortalizarm a sua qualidade enquanto marcador de golos (os 13 golos apontados ao Sporting CP também ajudaram certamente).
Durante um jogo coletivamente mau, Cardozo aparecia como uma luz ao fundo do túnel. Mesmo estando completamente “fora do jogo” o paraguaio tocava uma vez na bola: e fazia golo.
Quase como um ilusionista, Cardozo transformava os assobios em aplausos e gritos de golo, a tristeza e raiva em alegria.
Cardozo era sinonimo de golo. 22, 17, 38, 24, 28, 33 e 11. Foram estes os golos de Cardozo nas sete épocas em que esteve ao serviço do Sport Lisboa e Benfica. Estes números foram mais que suficientes para “pulverizar” o recorde de Mats Magnunsson como o melhor marcador estrangeiro do SL Benfica (Cardozo ultrapassou o sueco logo em 2011).
Todos os anos chegam e partem jogadores de enorme qualidade a Portugal, mas creio que nenhum avançado moderno provocou tanto medo aos adversários. Cardozo teve a longevidade que Falcão não teve em Portugal. Cardozo era decisivo nos grandes jogos, como muitas vezes Jonas não era. Não teve as lesões graves de Jackson Martinez. Teve o palmarés que Liedson nunca conseguiu alcançar.
O Tacuara era, como proclamavam os adeptos encarnados, perigoso. O paraguaio foi um dos grandes ídolos de uma geração, que se obrigava a jogar nos recreios com o seu (maioritariamente tosco) pé esquerdo para imitar as proezas do gigante.
Cardozo foi um dos jogadores que mais dividiu a massa associativa do SL Benfica. Contudo será sempre um dos nomes marcantes na grande história dos encarnados. 173 golos em 292 jogos. Dois campeonatos nacionais, cinco Taças da Liga e uma Taça de Portugal.
Numa altura em que o ténis está parado devido ao Covid-19, falámos com o tenista português Tiago Cação, com o intuito de conhecer um pouco melhor esta jovem promessa do ténis nacional, como é que se está a adaptar a esta situação e o impacto que vai ter na sua época.
– Dos primeiros serviços à estreia no Estoril Open –
«Foi uma experiência incrível. Não só o facto de poder estar entre os melhores, como também sentir o ambiente que existe na competição».
BnR: Com quantos anos é que começaste a jogar ténis?
Tiago Cação: Comecei a jogar aos 8 anos.
BnR: Se não fosses tenista o que serias?
Tiago Cação: Sinceramente, nunca pensei nisso. Não gosto de ter um plano B, porque sinto que isso me iria distrair do objetivo de chegar aos melhores do mundo. Quero-me entregar com tudo o que tenho ao ténis e esse é o meu único foco.
BnR:Que tenistas é que te inspiram? A nível nacional e internacional.
Tiago Cação: A nível nacional não tenho nenhum jogador que me inspire, gosto de ver como treinam e o que procuram melhorar quando treino com eles, mas a minha verdadeira inspiração é o Rafael Nadal.
Tiago Cação fez a sua estreia no Millennium Estoril Open com apenas 20 anos Fonte: Millennium Estoril Open
BnR:Em 2018, participaste, pela primeira vez, no Millennium Estoril Open. O que significou para ti teres jogado no principal torneio de ténis em Portugal?
Tiago Cação: Foi uma experiência incrível, não só o facto de poder estar entre os melhores, como também sentir o ambiente que existe na competição.
BnR:O João Sousa venceu o torneio em 2018. Achas que voltaremos a ver um português a vencer o Millennium Estoril Open?
Tiago Cação: Acho que sim. Cada vez temos mais jogadores portugueses a competir e a competir ao mais alto nível comparativamente há dez/vinte anos atrás.
17 de março de 2019. Última jornada do Torneio das Seis Nações. Em Cardiff, os galeses tinham acabado de garantir o Grand Slam ao vencer, de forma categórica, os irlandeses comandados, na altura, por Joe Schmidt. Faltava apenas mais um jogo para terminar a competição. Mas não era um jogo qualquer. Em disputa estava a Calcutta Cup, o troféu disputado todos os anos entre ingleses e escoceses.
Logo ao primeiro minuto, a Inglaterra inaugurou o marcador através de um ensaio de Jack Nowell. Seguiram-se outros três ensaios. À meia hora de jogo venciam os ingleses por 31-0. A Escócia ia mostrando muitas dificuldades em montar fases e em progredir no terreno. O domínio inglês era avassalador.
Até ao minuto 35 a seleção da rosa tomou conta do jogo Fonte: Six Nations Rugby
Antes do intervalo, os homens de Gregor Townsend ainda conseguiram reduzir para 31-7, com um ensaio algo insólito no Rugby. Um talonador a correr 60 metros e a bater dois defesas antes de fazer o grounding. Com os seus 110kgs, Stuart McInally provou que, no Rugby moderno, os jogadores da primeira linha não servem apenas para as fases estáticas e para o jogo de combate.
Nos segundos quarenta minutos tudo mudou. A Escócia mudou radicalmente o seu estilo de jogo. Na primeira parte jogou muito no perímetro curto, com os três quartos a não receberem bolas de qualidade. Já no segundo tempo a sua forma de jogar mostrou-se mais profunda e larga.
Foram precisos apenas vinte minutos para recuperar de uma desvantagem de 24 pontos. Foram quatro os ensaios (a Escócia somou seis no jogo todo) dos escoceses neste período, mas daria especial atenção a dois.
Foi um maul à entrada dos 22 metros adversários, a cinco metros da linha lateral, que deu início à jogada espetacular que viria a ser finalizada pelo três quartos ponta Darcy Graham. Linhas de corrida de grande qualidade, com e sem bola, utilização da largura do terreno de jogo e um passe monumental de Finn Russell foram a chave para chegar à área de validação inglesa.
Os homens de Eddie Jones não pareciam os da primeira parte. Em termos defensivos pareciam desorientados. Se até ao momento só pareciam, então acabaram por ficar mesmo ao minuto 74, quando Sam Johnson quebrou a linha da vantagem e bateu quatro defensores antes de somar mais cinco pontos para a sua equipa (que, com a conversão de Laidlaw, se tornaram sete). Mais uma vez, uma quebra de linha antecedida por uma transmissão de bola de grande qualidade do médio de abertura escocês. Faltavam apenas cinco minutos para o final do encontro, a Escócia liderava por 31-38.
— Guinness Six Nations (@SixNationsRugby) March 16, 2019
Mesmo assim, ainda houve tempo para o empate. George Ford atacou bem o espaço deixado pela defesa contrária e empatou a partida, num momento em que o relógio já marcava mais de 80 minutos.
Twickenham, a catedral do Rugby, rendeu-se à exibição da seleção forasteira. É difícil destacar apenas um jogador, mas eu teria entregue o prémio de Man of the Match a Sam Johnson. Defensivamente esteve irrepreensível, realizando 21 placagens e dominando o seu opositor direto, Manu Tuilagi. No processo ofensivo, percorreu 81 metros, bateu quatro opositores e fez um ensaio.
Um jogo que ficará certamente na memória dos adeptos desta modalidade. Em termos técnicos e táticos foi uma disputa de grande qualidade em que, apesar do empate, a Escócia segurou a Calcutta Cup, pois tinha derrotado os ingleses no ano transato, em Murrayfield.
O que é que nos faz ficar para a história da Fórmula 1? Há três razões óbvias que me surgem no pensamento: ser campeão pelo menos uma vez, ser tão mau que as nossas peripécias ficam gravadas para sempre sob um coro de risos, ou ser um “piloto do quase”, e é neste último tipo de lenda que me vou focar.
Para mostrar o que é ser o “piloto do quase” posso exemplificar com a carreira de Fernando Alonso na Ferrari de 2010 a 2013, em que pelo menos em duas épocas (2010 e 2012) lhe faltaram um total de 7 pontos para ser tricampeão mundial da Fórmula 1.
O sujeito principal deste texto, passou por algo semelhante, mas a um nível ainda maior, numa altura em que se bateu com os “deuses” da Fórmula 1, como Juan Manuel Fangio ou Jack Brabham. Esse homem é Stirling Moss, que carregou desde aí, o título de melhor piloto que nunca venceu o campeonato mundial. Foram sete as vezes em que terminou em segundo ou terceiro lugar no campeonato.
Se tivesse quatro rodas, Moss corria com ele Fonte: Formula 1
Stirling Moss começou a sua carreira na Fórmula 1 em 1954, ao volante de um Maserati 250F privado. Foi uma temporada de afirmação, com um carro bem menos competitivo do que os bólides da equipa oficial da marca italiana, porém serviu como fonte de observação para Alfred Neubauer, o chefe da equipa da Mercedes. Em 1955 junta-se a Juan Manuel Fangio, formando uma dupla de excelência nos “Flechas de Prata” alemães.
Neste ano consegue a sua primeira vitória, em Aintree, no Grande Prémio Britânico, após um duelo que durou toda a corrida com o seu “amigo e mentor” Juan Manuel Fangio. Este é o primeiro ano em que fica no malfadado segundo lugar.
Também em 1955 é demonstrada aquela que é considerada a melhor característica de Moss, a sua versatilidade. Ao volante do Mercedes 300 SLR, Moss vence a lendária prova italiana, que era realizada em estradas públicas, ao longo de 1600 quilómetros. Sterling Moss conduziu a uma velocidade média de 157,65 km/h, terminando 32 minutos à frente do segundo classificado, o seu colega de equipa, Juan Manuel Fangio. Esta é, ainda hoje, considerada uma das melhores performances em toda a história do desporto motorizado.
Considerada uma das melhores performances de todo o desporto motorizado, Mile Miglia 1955 Fonte: Formula 1
Normalmente, o futebol é uma forma de escapar aos nossos pensamentos. E quando é o próprio desporto a pressionar para negar o que pensamos? O inglês tinha tudo para percorrer um belo trajeto por equipas de alto gabarito na Premier League e na seleção dos três leões, mas tudo terminou de forma trágica. Acabou traído pela sociedade e só recentemente foi dado o devido valor à coragem de Justin Fashanu.
Percorreu os anos de formação no Norwich City e foi pelos canários que se estreou como sénior. Os 40 golos em 103 partidas não enganam ninguém, deixando a sua marca durante o período em que pisou o relvado de Carrow Road. De todos os momentos com a camisola amarela e verde, é de destacar o golo do, na altura, jovem ao Liverpool, que ainda hoje é lembrado pelos adeptos do clube.
It’s 4️⃣0️⃣ years to the day when Justin Fashanu did this against Liverpool at Carrow Road… ☄️
Já com algum estatuto, Fashanu tornou-se o primeiro jogador britânico negro a custar um milhão de euros, e transferiu-se para o Nottingham Forest de Brian Clough. Depois do clube ter vencido duas Taças dos Campeões Europeus, este era o palco ideal para o talentoso atacante brilhar ao mais alto nível.
No entanto, este foi o início da queda do jogador. Depois de ter sido visto num bar homossexual, toda a Inglaterra viu Justin com outros olhos, os da discriminação. Começou a treinar à parte e saiu por empréstimo para o Southampton. Infelizmente, nunca mais teve a oportunidade de brilhar como havia feito no início da carreira, e passou por clubes de média/baixa expressão.
Alguns anos depois assumiu abertamente a sua orientação sexual, tornando-o o primeiro no mundo do futebol a fazê-lo. Em vez de ser um alívio, a corajosa declaração deitou a carreira profissional por água abaixo. O próprio admitiu que os colegas de trabalho o atormentavam com piadas e insultos todos os dias enquanto treinava.
Justin Fashanu decidiu terminar com a vida em 1998, com apenas 37 anos de idade. Recentemente, o inglês foi homenageado no Hall Of Fame do Museu Nacional do Futebol Inglês pela sua bravura e determinação de terminar com a homofobia que ainda afeta milhões em todo o mundo. Esta é uma história de um herói que não terminou da melhor forma, mas que continua a inspirar muitos outros.
A dúvida sobre o acesso à Liga Europa surge inevitavelmente após a suspensão dos campeonatos portugueses de futebol devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus. Como sabemos, a resposta já chegou para os escalões de formação e até para todos os campeonatos seniores não profissionais (ou seja, até ao Campeonato de Portugal). No primeiro caso, optou-se pelo cancelamento total da temporada, não havendo lugar para campeões, subidas ou descidas.
Já no Campeonato de Portugal, apesar da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ter dado como terminada a época (sem atribuição de títulos), a situação é ligeiramente diferente: nenhum clube vai descer às provas distritais, mas está ainda em discussão a possibilidade da realização de um play-off entre os dois primeiros classificados de cada série (num total de oito emblemas) para determinar as equipas que devem ascender à segunda liga.
Por outro lado, os dois campeonatos seniores profissionais portugueses – primeira e segunda liga – ainda não conhecem qualquer decisão quanto ao seu futuro. A hipótese de serem jogadas as dez jornadas restantes está ainda em cima da mesa, o que nos dá alguma esperança de assistir a aguerridas lutas nesta fase final da temporada. Não falo só da disputa pelo troféu de campeão entre o FC Porto e SL Benfica (separados por apenas um ponto na tabela classificativa) e da corrida pela manutenção, onde o Portimonense SC e o CD Aves suspiram por um “bote salva-vidas” que milagrosamente os mantenha à tona.
No principal escalão de futebol português, a classificação aquando a suspensão do campeonato deixou em aberto um combate interessante pelo quinto lugar, que poderá corresponder a uma vaga extra para as eliminatórias da Liga Europa. Vejamos: se a vitória na Taça de Portugal dá acesso a um lugar na segunda pré-eliminatória na Liga Europa, tendo em conta que a final de Jamor se vai disputar entre os atuais dois primeiros classificados do campeonato – FC Porto e Benfica -, que têm já o seu lugar praticamente garantido nas competições europeias, sobrará uma vaga.
— Futebol Clube de Famalicão (@FCF1931_Oficial) March 29, 2020
Rio Ave FC, Vitória SC e FC Famalicão são os principais candidatos ao lugar disponível, já que se encontram na quinta, sexta e sétima posição, respetivamente, com os dois últimos em igualdade pontual e apenas a um ponto da equipa de Vila do Conde. Os rioavistas têm uma história ainda recente nas competições europeias: estrearam-se na época 2014/2015, depois de serem finalistas vencidos na final da Taça de Portugal da época anterior, ganha pelo também campeão nacional SL Benfica.
Já o emblema de Guimarães é “catedrático” nas provas europeias, tendo feito o seu primeiro jogo na temporada 1968/1969, na extinta Taça das Cidades com Feira. Até agora, são já 84 jogos disputados na Europa, com uma presença na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, na época 2007/2008, pelo meio.
O FC Famalicão, por seu lado, pode fazer a sua estreia absoluta em competições europeias, depois de regressar esta época ao principal escalão do futebol português, 25 anos depois. Os famalicenses têm até sido apontados como a equipa sensação do campeonato, muito devido às suas sete jornadas consecutivas na primeira posição.
As próximas semanas serão, naturalmente, decisivas para a chegada de uma decisão final quanto ao futuro da primeira e segunda liga. Resta-nos aguardar para perceber se podemos assistir a esta luta afincada pela possível vaga extra na Liga Europa (obviamente, desde que com todas as condições asseguradas), ou se a Liga terá de optar pelo término da época, levando a um conjunto de dúvidas, ainda por responder, inerentes a esta decisão.
Bola na Rede TV com o antigo jogador João Tomás em exclusivo. Junta-te a nós para ajudares na análise ao evento! Tens tudo nesta emissão em direto deste BnR TV.
Com Mário Cagica Oliveira, Frederico Seruya e João Tomás.
A última vez que o Sporting venceu o campeonato foi em 2001/2002. O treinador era Laszlo Bölöni e faziam parte da equipa nomes como Mário Jardel, João Pinto, Ricardo Sá Pinto, Pedro Barbosa e Paulo Bento.
Já lá vão quase 19 anos desde a última festa do título. Ao longo deste tempo, o Sporting sempre foi um eterno candidato. Foram 16 treinadores a passar por Alvalade, 21 se contarmos com os interinos. Qual foi o melhor treinador que passou desde o último título de campeão?
Calculamos a percentagem de vitórias (%V), de empates (%E) e de derrotas (%D), a média de golos marcados (MGMJ) e sofridos (MGSJ) de cada treinador em cada época pelo Sporting Clube de Portugal após a última conquista. Deixamos de parte os interinos e Rubén Amorim, que só disputou um jogo.
Treinador
Época
Nº jogos
%V
%E
%D
MGMJ
MGSJ
Laszlo Bölöni
2002/2003
44
50
22,73
27,27
1,93
1,13
Fernando Santos
2003/2004
40
65
12,50
22,50
1,65
0,95
José Peseiro
2004/2005
52
55,77
19,23
25
2
1,09
2005/2006
11
45,45
0
54,55
1,27
1,54
2018/2019
14
64,29
7,14
28,57
1,71
1
Total
77
55,84
14,29
29,87
1,84
1,14
Paulo Bento
2005/2006
32
68,75
21,88
9,38
1,59
0,56
2006/2007
42
64,29
23,81
11,90
1,73
0,59
2007/2008
56
55,36
21,43
23,21
1,62
0,87
2008/2009
46
65,22
17,39
17,39
1,56
0,95
2009/2010
18
38,89
11,11
50
1,33
0,88
Total
194
60,31
20,10
19,59
1,60
0,78
Carlos Carvalhal
2009/2010
33
48,48
21,21
30,30
1,60
1,12
Paulo Sérgio
2010/2011
38
52,63
21,05
10
1,68
2,02
Domingos Paciência
2011/2012
35
54,29
25,71
20
1,57
0,77
Ricardo Sá Pinto
2011/2012
21
61,90
9,52
28,57
1,42
1,04
2012/2013
9
22,22
55,56
22,22
1,22
1
Total
30
50
23,33
26,67
1,36
1,06
Franky Vercauteren
2012/2013
11
18,18
36,36
45,45
1
1,7
Jesualdo Ferreira
2012/2013
18
55,56
16,67
27,78
1,4
1,1
Leonardo Jardim
2013/2014
35
65,71
22,86
11,43
2
0,7
Marco Silva
2014/2015
53
58,49
28,30
13,21
2
1
Jorge Jesus
2015/2016
51
70,59
11,76
17,65
2,2
0,9
2016/2017
43
60,47
13,95
25,58
1,8
1
2017/2018
60
60
21,67
18,33
1,8
0,8
Total
154
63,64
16,23
20,13
1,9
0,9
Marcel Keizer
2018/2019
37
62,16
21,62
16,22
2,3
1
2019/2020
5
40
20
40
1,6
2,2
Total
42
59,52
21,43
19,05
2,2
1,1
Jorge Silas
2019/2020
28
60,71
3,57
35,71
1,6
1,1
Através da análise da tabela, podemos concluir que:
A maior percentagem de vitórias numa época é de Jorge Jesus, em 2015/2016, vencendo 70,59% dos jogos.
O nosso sócio 3289 sagrou-se campeão da #Libertadores 2019! 💪
— Sporting Clube de Portugal (em 🏠) (@Sporting_CP) November 23, 2019
A menor percentagem de vitórias pertence a Franky Vercauteren, onde, na sua curta passagem por Alvalade, apenas venceu 18,18% dos 11 encontros disputados.
A maior percentagem de empates foi com Ricardo Sá Pinto, 55,56%, que comandou os Leões no início da época de 2012/2013, saindo em meados de outubro, após 9 jogos.
A menor percentagem de empates aconteceu com José Peseiro, empatando 0% dos 11 jogos como treinador leonino em 2005/2006, na ressaca da época em que o Sporting CP perdeu a final da Taça UEFA em casa. O técnico português perdeu várias peças no início da temporada e não foi capaz de dar continuidade à qualidade futebolística praticada, acabando por sair em outubro.
A maior percentagem de derrotas também foi com José Peseiro, na mesma época em que não empatou nenhum jogo. Nos 11 jogos perdeu 54,55%.
A menor percentagem de derrotas foi com Paulo Bento, em 2005/2006, perdendo apenas 9,38% dos jogos disputados.
3.ª vez neste Século que o Sporting termina o 🇵🇹campeonato sem derrotas em Alvalade:
2007/08 (Paulo Bento)
2014/15 (Marco Silva)
2017/18 (Jorge Jesus) pic.twitter.com/4nGXAZzDVs
A menor média de golos marcados por jogo pertence a Franky Vercauteren, com uma média de 1 golo por partida.
A maior média de golos sofridos por jogo foi de 2,2, com Keizer na época do seu adeus, após 5 encontros em 2019/2020.
A menor média de golos sofridos por jogo pertence a Paulo Bento, na época de 2005/2006, com uma média de 0,56.
Todos sabemos que as estatísticas valem o que valem. A verdade é que uns disputaram mais jogos e outros entraram a meio, não tiveram as mesmas condições, estabilidade e orçamentos. No final de tudo, o que contam são os títulos conquistados, sejam com mais ou menos vitórias que os treinadores anteriores. Nesta longa caminhada, o Sporting CP foi acumulando taças e boas exibições, mas nenhum título de campeão.