“Me voy habiendo hecho grandes amigos” – foi assim que Quique Setién se despediu do Club Deportivo Lugo, equipa que representou e transformou por completo nos últimos seis anos.
Por detrás das muralhas romanas da cidade de Lugo, respira uma equipa que desde 2009 a esta parte conheceu as mais profundas mudanças pela mão de Quique Setién, um dos mais enigmáticos e talentosos treinadores do futebol espanhol na actualidade. Natural de Santander, na Cantábria, Quique viveu uma carreira recheada de altos e baixos, enquanto jogador profissional, mas ainda assim bastante prolífica. Foi ao serviço do histórico Racing de Santander, em duas ocasiões distintas, que o talentoso médio espanhol mostrou todos os seus atributos. A sua qualidade como organizador de jogo não só lhe valeu a alcunha de El Maestro entre os fervorosos adeptos Racinguistas, como também lhe valeu um bom contrato com o Atlético Madrid e uma presença no Mundial do México de 1986 ao serviço da selecção espanhola, ainda que não tenha jogado um único minuto.
A sua passagem pelos Colchoneros também não foi pacifica, dada a mais que previsível incompatibilidade com o presidente da equipa, o sempre polémico Jesús Gil y Gil. O histórico presidente madrileno acusou Quique de levar uma vida boémia fora do terreno de jogo e tratou de lhe fazer a vida difícil durante a estadia do talentoso médio no Vicente Calderón. Em 1988, Quique Setién abandonou, sem surpresa, o Atlético Madrid para primeiro se juntar ao Logroñés (onde conseguiu quatro épocas de bom nível) e para mais tarde voltar ao seu querido Racing de Santander. Esta segunda passagem de Quique pela Cantábria coincidiu com o momento de ouro da história dos racinguistas, durante a qual, ao lado de jogadores como Dmitri Radchenko, o seu amigo Dmitri Popov e Pablo Alfaro, derrotou de forma contundente o Barcelona (5-0) e o Real Madrid (3-1) no emblemático El Sardinero.
Depois de quase 600 jogos oficiais e de uma carreira repleta de histórias para contar, o eloquente Quique Setién decidiu pendurar as botas em 1996, após uma breve passagem pelo Levante UD.
Quique Setién – El Maestro da Cantábria Fonte: Todo Colecion
Quique sentia a necessidade de continuar ligado ao futebol e começar uma carreira como treinador foi a melhor forma que encontrou para continuar com esta paixão. Em 2001, Quique estreou-se como treinador da sua equipa de sempre, o Racing de Santander, mas, durante oito anos consecutivos, este pensador do futebol nascido na Cantábria não encontrou em nenhuma das equipas que representou (e foram várias) a estabilidade necessária e o apoio, por parte das respectivas direções, às suas ideias e à sua forma de estar no futebol.
Em 2009, no entanto, tudo mudou para Quique Setién. Após uma breve passagem pelo Logroñés, Quique assumiu o comando do CD Lugo e mudou a história deste clube galego para sempre. No seu terceiro ano ao serviço dos Albivermellos, Quique conseguiu trazer a equipa de volta aos campeonatos profissionais (Liga Adelante) e aí a manteve até ao momento da sua partida no início deste mês.
“El Flaco”, como era também conhecido nos seus tempos de jogador, criou um novo paradigma futebolístico no Anxo Carro, o pequeno estádio onde o CD Lugo joga em casa. Quique Setién abriu as portas ao futebol romântico (aquele que, por vezes, achamos só existir nos grandes clubes onde coabitam as super estrelas da modalidade) num clube modesto, mas com as contas em dia, mostrando assim a uma nação inteira que é possível jogar bom futebol com parcos recursos. Quique é um adepto confesso do futebol de passe curto, da posse de bola efectiva e, acima de tudo é um apologista do jogar bem, jogar sempre bem e nunca do ganhar a qualquer custo. Com Quique, não existe o pontapé para o ar, o jogar à toa aguardando que um alívio da defesa se converta numa jogada perigosa de contra-ataque. Para Quique Setíen, o futebol não é isso, como ele próprio já fez questão de mencionar em diversas entrevistas: “Tenemos un compromiso real con eso que todo el mundo entiende como fútbol vistoso y capacidad para someter al rival en su campo. Siempre jugaré así. No estoy de acuerdo con que el entrenador se tenga que adaptar a los jugadores. Hubo una época en que lo pensaba, pero porque no entendía el fútbol. Me gusta el orden, es fundamental. Desde niño juego al ajedrez y la conexión es similar, las piezas se protegen y se conectan para atacar y defender. Y es vital dominar el centro del tablero.”
Quique “El Flaco” Setién – O homem que mudou o CD Lugo para sempre Fonte: Página Lugo
O CD Lugo foi a equipa que mais passes completou durante esta temporada na Liga Adelante. 21017 passes em 42 jogos é um número absolutamente impressionante e é, ao mesmo tempo, a prova de em como quer o técnico, quer a sua equipa não abandonaram, em momento algum, a sua forma de abordar os jogos, fosse qual fosse o adversário. Os médios do CD Lugo, Fernando Seoane e Carlos Pita, foram os jogadores que mais passes completeram na Liga Adelante esta temporada, tendo cada um deles uma média de 65 passes por jogo.
De acordo com aqueles que com ele trabalham de forma mais directa, Quique Setíen é muito mais que um mero treinador. “El Flaco” é um líder, um ombro amigo para os jogadores e um verdadeiro ídolo entre os adeptos, que chegaram, não poucas vezes, a compará-lo a Sir Alex Ferguson. Quique tem uma filosofia de vida onde não há muito espaço para o superficial e supérfluo (…”Ya tengo un coche que me trae y me lleva y una casa donde vivir…”) e encontra no futebol a forma de desfrutar da vida de uma forma cada vez menos usual nos dias de hoje (“…Aspiro a estar a gusto. Para eso necesito sentirme muy amigo de mis futbolistas y del club que defiendo, percibir el cariño y ofrecerlo. Soy muy emocional y de convicciones y por eso estoy tan bien en Lugo. ¿Que me critican? Porque digo lo que no se espera de un entrenador o de un rival…”).
É justo dizer-se que Quique Setién não inventou nada que Victor Maslov, Konstantin Beskov, Rinus Michels e até mesmo Pep Guardiola não tivessem já posto em prática no passado mais ou menos recente, mas não podemos deixar de salientar a coragem de um homem que ama e acredita naquilo que faz e, com uma intensidade tal, que fez do Anxo Carro o teatro dos sonhos da Liga Adelante.
Depois de Chile, Perú e Argentina, havia ainda uma vaga nas meias-finais da Copa América’2015. Para ocupá-la, Brasil ou Paraguai. Em Concépcion, ainda antes de tudo ficar decidido nas grandes penalidades, assistiu-se a um jogo de muito maior empenho e abnegação do que a um espectáculo de técnica ou magia. Isto porque este Brasil está tão longe de encantar que nem parece aquele país que nos habituamos a ver sambar com uma bola; e também porque este Paraguai, apesar da imensa alma e crença que coloca em cada disputa de bola, está distante de ser uma equipa que apresente grande qualidade no seu jogo.
O escrete voltou a alinhar no seu esquema habitual – 4-2-3-1 com Robinho a fazer de Neymar; de todo o modo, muita mobilidade, com os 4 homens da frente sempre irrequietos, e com a dupla Elias-Fernandinho a guardar as costas. Do lado paraguaio, o 4-4-2 clássico foi o esquema táctico-base da equipa de Rámon Díaz, com duas formigas de trabalho no miolo do terreno (Cáceres e Aranda), com as alas a surgirem como espaços de imprevisibilidade, por Benítez e Derlis, e na frente Valdes e Roque Santa Cruz a jogarem de perfil, ainda que o primeiro tenha e ofereça muito mais mobilidade ao jogo do Paraguai.
O jogo arrancou com dois momentos dignos de registo: logo ao primeiro minuto, enorme remate de longa distância por Coutinho para defesa brilhante de Justo Villar; do outro lado, Benítez entrou a todo o gás – fantástico na mudança de velocidade, foi um calafrio constante para Daniel Alves. Sem ter feito muito por isso, o Brasil haveria de chegar ao golo à passagem do quarto de hora. Fruto de uma bela jogada colectiva (utilização perfeita dos três corredores), com um excelente último passe de Daniel Alves, Robinho só teve de encostar e, com isso, fazendo esquecer que era até o ‘Para’ que estava por cima do jogo, com mais bola e criando relativo perigo.
Como é hábito no Brasil de Dunga, o ‘escrete’ recuou e foi tentando especular com o jogo. Demonstrando imensas dificuldades em construir jogadas desde trás, a gestão do jogo raramente foi efectuada com uma posse de bola pausada, serena e/ou em zonas subidas. Os pequenos flashes de perigo que o Brasil ia, aqui e ali, criando resultavam sobretudo de recuperações de bola em terrenos mais avançados – aí sim, são capazes de imprimir velocidade e criar desequilíbrios, ainda que haja um assinalável défice de qualidade na definição das jogadas. Por sua vez, o jogo do Paraguai não é propriamente elaborado – nem voltou a sê-lo nesta partida. Vive sobretudo daquilo que é a criatividade dos seus alas (mais Benítez na 1ª parte, mais Derlis na 2ª) ou então procura o passe directo em busca dos dois avançados, apelando à combatividade no jogo aéreo. Destaque: perante um adversário pouco inteligente e capaz, a grande alma paraguaia foi sempre conseguindo compensar os défices de qualidade técnica. Porém, o jogo em si não era o mais entusiasmante: muitos passes errados e poucas oportunidades (tão-só 5 remates em toda a 1ª metade), sendo de assinalar apenas um remate rasteiro de Santa Cruz ao lado da baliza de Jefferson.
Jefferson impediu o Paraguai de chegar à vitória no tempo regulamentar Fonte: ca2015.com
A 2ª parte trouxe um jogo mais aberto e mais próximo de ambas as balizas. Mais partido, portanto. De todo o modo, foi sempre o Paraguai que esteve mais próximo do empate do que o Brasil de chegar ao segundo tento. Num curto período de tempo, em dois cantos cobrados por Derlis, Nelson Valdez e Paulo da Silva estiveram perto de assinar o 1-1. Por esta altura, era o Paraguai quem assumia definitivamente as despesas da partida, colocando mais gente no processo ofensivo, mas denotando óbvias limitações em alguns momentos do jogo – a título de exemplo, o Paraguai privilegia o futebol pelos corredores laterais mas tem um baixo índice de aproveitamento dos cruzamentos que efectua para a área. Do lado canarinho, em dez minutos, Dunga fez sair Willian e Firmino, entrando Douglas Costas (deu outra vivacidade ao jogo do Brasil) e Tardelli (perfeita nulidade), vendo logo de seguida Thiago Silva cometer um penalty tão ridículo quanto estúpido (não há outras palavras), dando oportunidade a Derlis de colocar alguma justiça no marcado – aquilo pelo qual o ‘Para’ sempre tentou, ainda que frequentemente não pela melhor via. 1-1 aos 70′.
O jogo abriu ainda mais, porque agora também o Brasil precisava de chegar à baliza paraguaia – e isso é algo aparentemente tão complicado para os pupilos de Dunga. De facto, o Brasil, em determinados momentos, parece quase duas equipas numa só. Os quatro homens da frente pouco participam no processo defensivo, da mesma forma que os dois médios centrais brasileiros (naquilo que lhes é pedido estiveram em bom plano) raramente se chegam à frente, sendo que o processo ofensivo pede sempre mais a colaboração das duas locomotivas laterais (Daniel Alves e Filipe Luís fizeram imensas piscinas nesta partida). Enquanto o Brasil tentava e não conseguia, Ramon Díaz foi refrescando a equipa, com destaque para a saída de Benítez (um perigo à solta enquanto as pilhas duraram) e para a entrada de Bobadilla, possante avançado que veio dar outro tipo de possibilidades ofensivas à equipa paraguaia. Apesar de algumas chegadas a ambas as áreas com perigo qb, nunca pareceu que o golo do desempate estivesse para chegar – quem mais próximo esteve de o lograr foi Derlis na conclusão de um belo contra-ataque aos 79′. O jogo arrastou-se, assim, para o final sem grande chama. No fundo, sem grande Brasil.
Em caso de empate no final dos 90′, a Copa América não contempla prolongamento, pelo que o jogo seguiu de imediato para o lote de 5 castigos máximos. Nesse quadrante, por entre penalties marcados com grande violência ou com enorme categoria (Bobadilla e Miranda, por exemplo), os vilões haveriam de ser Everton Ribeiro (entrou para o lugar de Robinho) e Douglas Costa, já depois de também Roque Santa Cruz ter colocado uma das bolas em órbita do Sistema Solar. Tudo somado, depois de ter rematado quase o dobro do seu adversário no total dos 90 minutos (10-6), o Paraguai concretizou quatro grandes penalidades contra três do Brasil, garantindo a presença na meia-final da próxima terça-feira. Depois de abater o escrete, os paraguaios voltarão a defrontar a Argentina, equipa a quem arrancaram um empate (2-2) na fase de grupos. Por sua vez, a cada grande competição, o Brasil vai passeando uma camisola que já foi tremendamente grande em tempos idos mas que hoje, por entre infantilidades negligentes e erros grosseiros, é apenas uma sombra de si mesma.
A Figura Edgar Benítez/Derlis González – Nenhum dos dois fez um jogo estrondoso mas foi esta dupla, no geral, que permitiu sempre aos paraguaios acalentar o sonho da passagem. Benítez esteve intratável na 1ª parte, colocando a cabeça em água a Daniel Alves; por sua vez, Derlis apareceu em grande nível nos segundos quarenta e cinco minutos, sendo capaz de esticar o jogo da equipa em profundidade ou trazendo a bola para zonas mais interiores. Ainda mais: foi o jogador do Basileia que marcou as duas grandes penalidades decisivas, primeiro aos 71′, depois no derradeiro lance do jogo.
O Fora-de-Jogo Thiago Silva – Havia outros candidatos, como Roberto Firmino ou o próprio Dunga. Porém, há erros individuais que destroem toda a ideia de um colectivo – por mais que essa ideia até seja fraca. Hoje foi isso que sucedeu. A exibição do Brasil estava a ser frouxa mas foi o central do PSG quem tornou o jogo ainda mais complicado com uma abordagem completamente estapafúrdia a uma bola dentro da sua área que não parecia, sequer, digna de criar perigo – o árbitro só podia assinalar penalty.
O cântico do momento bem podia ser o título deste texto: depois de vencer a Alemanha por conclusivas cinco bolas a zero, Portugal está na final do Campeonato da Europa de Sub-21 e fica a faltar um jogo para atingir o sonho de levantar o troféu da categoria. A Seleção Nacional voltou a fazer um jogo extremamente consistente e, mesmo sem grandes momentos de brilhantismo, manteve o registo 100% vitorioso sobre os germânicos em fases finais de Europeus.
Rui Jorge manteve o 4-4-2 losango que tem sido a matriz da equipa das quinas. Face à indisponibilidade de Tiago Ilori, avançou Tobias Figueiredo para o eixo da defesa, sendo essa a única alteração no onze em relação àquele que iniciou o jogo com a Suécia. A Alemanha optou por se acautelar defensivamente, montando uma linha de médios mais batalhadores à frente da defesa: Johannes Geis, Emre Can e Kimmich, relegando o criativo Max Meyer para o banco de suplentes.
Os primeiros dez minutos mostraram um grande equilíbrio, com ambas as equipas a encaixarem perfeitamente uma na outra. No entanto, o primeiro lance de perigo do jogo seria o prenúncio de uma exibição histórica das “esperanças” lusas: William Carvalho executou um passe em profundidade para Ricardo Pereira, que “sentou” um defesa da Alemanha e serviu na perfeição Sérgio Oliveira. O capitão português, à entrada da área, rematou ao poste da baliza defendida por Ter Stegen.
A partir daí, a pressão sobre a defensiva alemã intensificou-se e o primeiro golo acabou por surgir à passagem do minuto 25. Depois de uma boa jogada de entendimento, Ivan Cavaleiro assistiu Bernardo Silva (quem mais?), que, descaído para a esquerda, fuzilou autenticamente Ter Stegen. Pouco tempo depois, foi Ricardo Pereira a fazer o gosto ao pé, curiosamente, num lance de bola parada. Pontapé de canto cobrado por Bernardo, desvio de cabeça de Paulo Oliveira e o jogador do FC Porto a empurrar para dentro da baliza. 2-0, no espaço de oito minutos.
Bernardo Silva voltou a fazer uma excelente exibição, coroada com um golo Fonte: Página do Facebook do ‘UEFA Under-21 Championship’
Antes do intervalo, José Sá ainda teve tempo para brilhar, com duas excelentes defesas, a colocar travão às raras iniciativas alemãs. O guarda-redes do Marítimo mostrou o porquê de ser um dos atletas mais em foco na competição. Na compensação, Portugal alargou a vantagem, numa excelente jogada do ataque português, concluída por Ivan Cavaleiro. João Mário recebeu um cruzamento de Ricardo Pereira e ofereceu a bola ao avançado, que a colocou no canto superior da baliza à guarda de Ter Stegen, com um remate potentíssimo.
À saída para os balneários, a supremacia portuguesa era bem clara. Os comandados de Rui Jorge demonstraram uma maturidade acima da média e foram eficazes no momento de finalizar. Muito critério na posse de bola e na pressão sobre a saída para o ataque dos alemães. A ‘mannschaft’ esteve sempre muito distante do seu ADN, com os jogadores perdidos no sistema tático que Horst Hrubesch desenhou para a partida. O meio-campo português carburou na perfeição, e Ricardo Pereira foi muito ativo na frente de ataque, sem dar descanso aos defesas germânicos.
A etapa complementar não podia ter começado de melhor forma para Portugal: a Alemanha perde a bola a meio-campo e Bernardo Silva leva-a até à grande área, deixando para Ricardo Pereira, que assiste João Mário para um remate desviado por Heintz para lá de Ter Stegen e da linha de golo.
Ter Stegen protagonizou uma tarde de pesadelo, ao sofrer cinco golos Fonte: Página do Facebook ‘DFB–Junioren’
Com um resultado tão avolumado e a presença na final garantida, a Seleção passou a gerir a posse de bola e a condição física dos jogadores. Ricardo Horta já havia entrado para o lugar de Ivan Cavaleiro (debilitado após um toque ainda na primeira parte), e pouco depois chegou a vez de Rafa e João Cancelo (em estreia) substituírem Bernardo Silva e Raphaël Guerreiro. E foi precisamente por intermédio de dois recém-entrados que Portugal chegou ao quinto e último tento da partida: Cancelo cruzou com conta, peso e medida para a cabeça de Ricardo Horta, que, surgindo de rompante entre a defesa alemã e Ter Stegen, marcou o primeiro golo da conta pessoal.
Até ao final, assistiu-se a muita tranquilidade portuguesa e alguma desorientação alemã. Bittencourt foi expulso por agredir João Cancelo, e o apito final surgiu com um clarividente 5-0 no marcador. Um jogo de proporções históricas para os Sub-21 lusos. A maior derrota de sempre para a Alemanha no escalão, e Portugal a carimbar a passagem à final do Europeu pela segunda vez na História (a primeira foi em 1994). A qualidade da turma de Rui Jorge não engana e é superior à de todas as outras seleções presentes na prova. Mesmo sabendo que falta um obstáculo para chegar ao título (Suécia ou Dinamarca), parece consensual que a “obrigação” de ganhar está bem presente no grupo. De vitórias morais já estamos todos fartos. Chegou a hora, rapazes!
A Figura: Equipa portuguesa – Numa exibição a roçar o sublime, marcada pela maturidade e competência dos jovens das quinas, seria injusto destacar um jogador apenas. Portugal foi uma equipa na verdadeira acepção da palavra. De José Sá a Ricardo Pereira, passando pelos nervos de aço de Paulo Oliveira, serenidade de William e João Mário e magia de Bernardo Silva, esta é uma nova geração dourada. O título europeu está ao nosso alcance, e quem vulgariza esta Alemanha pode assumir-se como favorito natural. A lógica diz que será nosso.
O Fora-de-jogo: Horst Hrubesch – Ao mudar o sistema tático para este jogo, acabou por condicionar todo o processo de jogo da seleção da Alemanha. Os jogadores pareceram confusos desde o início e só mudou as peças quando o jogo já estava perdido. A equipa nunca se encontrou, e o selecionador não foi capaz de inverter o rumo das coisas. A culpa não é exclusivamente sua, mas grande parte da mesma pertence-lhe.
Foto de capa: Página do Facebook do ‘UEFA Under-21 Championship’
O Sporting não ganha o campeonato há 13 anos. Pior: nos últimos 40 anos, o Sporting foi campeão 4 vezes. Qualquer pré-adolescente adepto do FC Porto já viu a sua equipa ganhar mais ligas (7 nas últimas 10 edições) do que um “quarentão” adepto do clube leonino. Independentemente de, nos dias de hoje, nenhuma pessoa séria poder fechar os olhos à forma fraudulenta como os azuis-e-brancos foram ganhando a hegemonia do futebol nacional, a verdade é que essa subida de forma foi conseguida sobretudo à custa do Sporting. Quanto mais o FC Porto se ia consolidando como força principal do desporto-rei português, mais os leões se iam habituando a uma posição subalterna.
40 anos é muito tempo. É um período suficientemente grande para que se produzam mudanças profundas nas pessoas, nos países, nas instituições. E o Sporting é um exemplo de uma instituição que se moldou, neste caso para pior. Passou a ser hábito olhar-se para o emblema leonino como um clube que ganhava “quando o rei faz anos”, gerando inclusive algumas pseudo-simpatias hipócritas vindas dos rivais, desconfortáveis para quem sentia e sente o clube. Mas, ao longo desta reconversão de quatro décadas, houve algo ainda pior do que isso: os próprios sportinguistas habituaram-se a não ganhar, conformaram-se com a falta de vitórias.
José Roquette entrou no Sporting em 1995 e foi o primeiro rosto de um projecto ruinoso
Em 1995, numa tentativa de reverter a tendência desanimadora em que o clube já se encontrava, os sócios escolheram José Roquette para Presidente. O seu plano era, dizia-se, modernizar o clube para a entrada no novo milénio. Criou-se a SAD (transformando o Sporting oficialmente numa empresa), prometeu-se o aumento e modernização do património (novo estádio e Academia), disse-se que o Sporting deixaria de depender da bola no poste e passaria a ganhar 2 em cada 3 campeonatos.
Mas o projecto falhou. Apesar de o Sporting ainda ter ganho dois campeonatos, a diferença para os rivais era cada vez maior. Além disso, o clube, longe de prosperar, definhava: um passivo gigantesco, venda de património imobiliário, negócios ruinosos na compra de futebolistas, fecho de modalidades, etc. Em 2011, um semi-desconhecido de nome Bruno de Carvalho capitalizou enormemente com as suas aparições públicas, denunciando tudo isto e prometendo um novo rumo. Ganhou as eleições nesse ano mas não o deixaram assumir o cargo; voltou a ganhá-las em 2013 e deparou-se com Sporting praticamente falido e que, no futebol, estava a terminar aquela que viria a ser a pior época da sua História centenária.
De então para cá, o clube tem tentado reerguer-se. O triunfo na última edição da Taça de Portugal foi a maior prova física de uma mudança drástica de rumo, em busca de um Sporting ganhador. Pensar-se-ia que os adeptos, uma vez tomada a consciência de que o clube estava a definhar, se unissem em torno do novo Sporting. Mas isso não tem acontecido, pelo menos de forma plena. E há vários factores, uns internos e outros externos ao clube, que fazem com que assim seja.
Factor interno: os croquettes fora de prazo que não querem sair da travessa
A auditoria feita aos últimos mandatos presidenciais do clube lançou o pânico na chamada “dinastia croquette”. Aqueles que afundaram o Sporting vêm agora, na pessoa de António Dias da Cunha, proferir insultos rasteiros (“o Presidente devia ir para o manicómio”) e pedir a criação de movimentos contra Bruno de Carvalho. Ao contrário de FC Porto e Benfica, que falam a uma só voz, o Sporting habituou-se a dar tempo de antena a muitos “notáveis” cheios de opiniões. Curiosamente, nenhum deles pareceu importar-se muito quando, há apenas dois anos, o Sporting estava falido e ficou em 7º lugar, mais perto da descida de divisão do que do campeão.
Costuma dizer-se que “quem não deve não teme”. Ora, o comportamento recente de vários ex-Presidentes do clube parece indicar um enorme desconforto. Tais atitudes até teriam graça, não fosse o caso de estes soundbytes confundirem sempre alguns incautos que, por vezes, até têm direito a votos… Ainda assim, arrasada que está, para a maioria dos sportinguistas, a credibilidade de Roquettes, Dias da Cunha, Francos, Bettencourts e Godinhos Lopes, a estratégia passa agora por gerar a discórdia e criar divisões no clube, de preferência desejando que as coisas corram mal nos planos desportivo e financeiro, até que se lance um candidato presidencial que possa ameaçar o actual detentor do cargo. A oposição bafienta não vai desistir, e tem dois anos para tentar maquilhar o seu rosto e apresentar-se a eleições. Vergonha já sabemos há muito que não lhes assiste.
Godinho Lopes foi o último presidente antes de Bruno de Carvalho e pode ser expulso de sócio Fonte: sporting.pt
Factor externo: media mansos com uns e implacáveis com outros
Relato um episódio de que me recordo: há dois anos, o Sporting apresentou Leonardo Jardim como novo treinador. Foi permitida a entrada de adeptos no auditório e houve algum atraso no início da conferência. Vários jornalistas ameaçaram deixar a sala. No Facebook, um jornalista fez um post público a apoiar os colegas e a arrasar a direcção do Sporting, post esse que recebeu aprovação de muitos dos seus pares. Alexandre Santos, da RTP, foi o único que recomendou aos colegas que não fossem “fortes com os fracos e fracos com os fortes”. Esta frase ficou-me. E, de facto, será que as reacções seriam as mesmas caso o episódio tivesse ocorrido no Dragão ou na Luz…?
Este é apenas um exemplo das diferenças de tratamento a FC Porto/Benfica e Sporting. Se muitas vezes parecem ser no mínimo de intenções duvidosas, outras acredito que surjam de forma inocente. Aqui, isso sucede porque o Sporting não tem, de todo, o mesmo peso dos rivais. De igual modo, o caso que opõe os leões à Doyen praticamente não tem produzido feedback positivo para o lado verde-e-branco nem merecido qualquer investigação, passando-se uma ideia de que o confronto foi gerado pelo capricho e pelas desculpas de mau pagador do Sporting. Até pode ter sido, em breve saberemos. Mas um fundo tudo menos transparente como este mereceria pelo menos ser alvo de um maior escrutínio. O triste é que foi preciso um jornalista italiano fazê-lo (texto brilhante, diga-se).
Será que os media portugueses, nomeadamente os desportivos, não pegam nestes temas por medo de represálias, por servilismo aos dois clubes instalados…? A este respeito, há que lembrar um despique entre José Diogo Quintela (JDQ) e Alexandre Pais, então director do Record, em que este último justifica assim o facto de o seu jornal não investigar os bastidores do futebol português: “JDQ disse, nestas colunas, que gostaria de ler amanhã no Record “uma notícia qualquer sobre escutas e corrupção que não seja primeiro dada nos jornais generalistas”. Trata-se de um desejo difícil de concretizar, pois quando o futebol perder de todo a credibilidade – traído por aqueles a quem dá de comer – aos generalistas não faltarão outros temas para exibir barba rija. Mas, morto o futebol, o Record perderá a razão de existir”.
Bom exemplo: Alexandre Santos não alinhou no discurso crítico contra o novo Sporting Fonte: Facebook de Alexandre Santos
É grave que se assuma que os jornais desportivos não vão enveredar por esse caminho porque isso seria trair aqueles que lhe dão de comer, e isto talvez explique a passividade dos desportivos face, por exemplo, ao Apito Dourado. Contudo, o mesmo Alexandre Pais escreveu, há semanas, um artigo em que crucifica os chamados croquetes do Sporting e se mostra compreensivo face à actual direcção. Afinal nem tudo é mau, pena é textos destes serem a excepção e não a regra.
Falando apenas dos últimos tempos, uma diferença de tratamentos salta logo à vista: Marco Silva, a quem o Sporting acusa, entre outras coisas, de “soprar” informações do clube para os media e de conluiar com o seu empresário e a Doyen no caso Rojo, desautorizando o Presidente e poupando o atleta num jogo de pré-época, continua a ter, ao contrário de Bruno de Carvalho, a chamada “boa imprensa”. Quando se confirmou a intenção de o Sporting rescindir com o treinador com justa causa, praticamente todos os órgãos de comunicação social destacaram nos seus títulos que Marco Silva ia embora unicamente por não ter vestido um fato, desprezando as cerca de 400 páginas da nota de culpa. Isto atira, como é óbvio, areia para os olhos dos sportinguistas menos atentos. Fica a dúvida sobre se o objectivo era esse…
Por último, a roda-viva da vinda de Jorge Jesus, em que ao princípio ninguém acreditava, transformou-se numa mistura explosiva de incredulidade, desespero e da chamada “azia”, com suposições acerca da origem do dinheiro e considerações sobre o futuro do clube poder ter sido hipotecado. Os 5M/ano – ou o que seja – oferecidos a Jesus só foram objecto de debate por se tratar de um treinador e do Sporting. Fosse a quantia gasta num jogador e não num técnico, ou fosse o destino de Jesus outro rival, e não haveria problema. Mais um sintoma de como pouca gente está preparada e/ou na disposição de ver o Sporting reerguer-se ao ponto de roubar o treinador a um adversário directo…
Que tudo isto aconteça numa discussão de café, é normal; que se passe nos nossos jornais, rádios e televisões, mostra bem as cores clubísticas da maioria dos intervenientes que estão em posição de influenciar a opinião desportiva no nosso país. Sim, a questão de Marco Silva não foi gerida da melhor forma. Mas ouvir comentadores falar em “ética” como argumento para censurar a vinda de Jesus para o Sporting é anedótico. Apetece perguntar: onde estavam essas pessoas quando rebentou o Apito Dourado, quando o Benfica supostamente lucrou com Roberto, quando vendeu André Gomes pela segunda vez ou Cancelo por um preço muito superior ao de mercado (curiosamente sempre para o mesmo clube “amigo”)?
É triste constatar que o jornalismo, área de estudo que resolvi seguir, se presta a estes comportamentos. Não peço imparcialidade, porque acho que todos têm o direito às suas preferências, mas sim seriedade. É possível ser adepto fervoroso de outro clube e admitir que Bruno de Carvalho está a fazer um óptimo trabalho. Muitos sabem-no, e é talvez por isso que entram em campanhas de desinformação. Preocupa-me que os lugares de comentário desportivo estejam praticamente vedados a sportinguistas, à excepção daqueles que não criam ondas e se inserem na categoria dos chamados “bons rapazes”, muitas vezes continuando até a dar credibilidade e voz à casta dirigente que afundou o clube nas duas últimas décadas.
Marco Silva tem beneficiado de boa imprensa. A união do clube ressente-se Fonte: sporting.pt
Factor externo: papagaios diversos
Primeiro foi um ministro da Economia co-responsável por um país com quase um milhão de desempregados que tem a lata de vir opinar sobre o Sporting, depois foi um tal José Pereira, presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol e, por último, a eurodeputada Ana Gomes.
Sobre o primeiro não há muito mais a dizer, a não ser lamentar o cinismo de quem apenas se preocupa com o desempregado Marco Silva e não com os milhares de empregos e vidas que destrói; sobre o segundo, líder de uma associação que, de tão activa que tem sido no desporto português, parece ter sido criada agora unicamente com o propósito de se juntar ao cortejo que manda bicadas no Sporting, importa perguntar onde estava quando Jorge Jesus foi impedido de entrar no centro de estágio do Benfica, no Seixal, ou quando Sérgio Conceição foi despedido do Braga com justa causa. “Habilidade parola” parece ser a forma ardilosa como esta personagem escolhe as temáticas sobre as quais se pronuncia…; por último, Ana Gomes. Em primeiro lugar, esclareço que não tenho quaisquer ilusões com o futebol, nem acho que um presidente seja idóneo só porque representa as nossas cores. O facto de reconhecer que Bruno de Carvalho tem feito um enorme trabalho nunca me fará defendê-lo cegamente – a ele ou a qualquer outro dirigente desportivo – porque sei como funcionam estas coisas do futebol. O dinheiro para mim não é todo igual, e incomodar-me-á se o meu clube aceitar receber fundos da Guiné Equatorial. Mas pergunto onde andava Ana Gomes quando saiu esta notícia. A eurodeputada, ex-maoísta, tem infinitamente mais experiência política do que eu, é certo. Mas eu, ao contrário dela, posso dizer que nunca me deixei enganar nem pelo estalinismo asiático que um dia a seduziu, e que subverteu o ideal igualitário em que ela dizia acreditar, nem pelas boas intenções do MPLA angolano, partido pseudo-socialista que não é mais do que a ponta-de-lança da cleptocracia local e que – curioso – Ana Gomes ajudou a legitimar internacionalmente, contribuindo para a sua integração na Internacional Socialista. Em boa verdade, a ditadura da Guiné Equatorial e a democracia de fachada angolana não têm assim tantas diferenças. Ana Gomes chegou a defender uma delas. Acredito que a eurodeputada tenha sido bem-intencionada neste alerta que fez à CMVM, mas admitamos que o seu percurso político não tem sido propriamente pautado pelas melhores decisões. Este foi apenas mais um episódio.
Ana Gomes foi a última voz de um coro de críticas que só parecem importar-se quando se trata do Sporting Fonte: europarl.europa.eu
O Sporting, provavelmente o único clube do mundo que já foi alvo de dois boicotes por parte da arbitragem (em 1998 e em 2011, o que mostra bem a “boa-fé” com que o clube tem sido encarado em Portugal), tenta agora reerguer-se. Os “croquettes”, que antes eram acríticos, e os rivais, que outrora davam palmadinhas nas costas aos sportinguistas, tentam agora, cada um à sua maneira, dividir o clube e tentar travar o seu ressurgimento. No que diz respeito aos primeiros, é pertinente dizer-se que o Sporting é o único clube que não precisa de rivais, porque tem um grupo ainda mais nocivo dentro das suas hostes. Independentemente disso, contudo, FC Porto e Benfica não quererão facilitar a vida aos leões, como é exemplo a escolha de Luís Duque para a Liga ou a oposição desta ao fim dos fundos. Está bom de ver que dividir a hegemonia por dois é bem melhor do que fazê-lo por três… A presença marcada nos media de analistas que têm tido tolerância zero com o Sporting entristece-me enquanto jornalista, revolta-me enquanto Sportinguista e dá bem conta, em certos casos, da distância a que FC Porto e Benfica conseguem estender os seus tentáculos. Também isto é consequência das tais quatro décadas em que o Sporting foi adormecendo…
Aproximam-se, portanto, tempos decisivos. Que os Sportinguistas saibam unir-se e identificar quem quer o mal do clube – há-os dentro e fora do Sporting. A nível institucional, desejo que o clube saiba lidar com as adversidades com determinação e eficácia, rumo a um futuro cada vez mais risonho. A Assembleia-Geral de amanhã, dia 28, poderá significar um novo passo nesse sentido.
P.S.: Dias da Cunha foi criticado neste texto, em virtude do seu legado e da sua recente postura lamentável, e sê-lo-á sempre que necessário. Porém, independentemente da credibilidade da personagem em questão, importa ver este vídeo, em especial a partir do minuto 3:26. Em 1999, Dias da Cunha denunciava uma tentativa de José Sócrates calar a revolva do Sporting com as arbitragens, evocando “interesses nacionais”. Mais um exemplo do que se falou neste texto, e que nos deveria preocupar a todos. Aqui fica o vídeo:
Numa competição curta como um Europeu, é sabido que o primeiro jogo tem uma importância crucial nas aspirações de qualquer equipa. Uma derrota não é sinónimo de eliminação, mas coloca uma pressão acrescida para o encontro seguinte. Se não for possível ganhar, é importante não perder. Itália e República Checa que o digam. As duas selecções foram duas das mais cativantes do Euro Sub-21, mas acabaram por ser traídas pela má prestação no jogo de estreia. Com um empate nessa partida estariam hoje a disputar as meias-finais.
Após o primeiro jogo, a República Checa parecia praticamente eliminada. Não só pelo resultado negativo (derrota com a Dinamarca por 2-1), mas sobretudo porque a equipa não mostrou que podia dar mais do que o que tinha exibido nesse encontro. Contudo, a segunda jornada trouxe um conjunto completamente diferente. Os anfitriões esmagaram a Sérvia por 4-0 (podiam ter sido mais), naquela que foi a melhor exibição da prova até ao momento. Kliment foi o homem do jogo, assinando um hat-trick, mas os golos resultaram de excelentes jogadas de envolvimento colectivo. Hybs e Frydek combinaram muito bem do lado esquerdo durante a primeira parte, surgindo Kaderabek, lateral que vai rumar ao Hoffenheim, e Skalak em evidência pela direita na etapa complementar. A entrada de Kadlec para o 11 também foi decisiva para a subida de rendimento da equipa, mesmo que o avançado do Frankfurt, que actuou nas costas de Kliment, tenha saído lesionado à passagem da meia hora. Zmrhal e Petrak, os dois médios, fizeram igualmente uma exibição de luxo, sobretudo ao nível da pressão e recuperação.
O jogo com a Alemanha era decisivo para as pretensões dos checos. Para sonhar com o apuramento, a equipa de Jakub Dovalil teria de se apresentar com a mesma qualidade que exibiu contra a Sérvia. Os anfitriões foram capazes de mostrar, a espaços, o bom futebol que permitiu a goleada no encontro anterior, mas desta vez o adversário criou, como seria de esperar, mais dificuldades. A vitória da Dinamarca sobre a Sérvia fez com que o empate não fosse suficiente para os checos, mas a ovação do público aos seus jogadores diz tudo sobre a bela prestação da equipa. O torneio fez emergir nomes como Petrak, Skalak ou Kliment, numa geração que tem também nomes mais conhecidos como Kalas, Kaderabek, Kadlec ou Krejci, extremo de muita qualidade que fez o golo do empate frente à Alemanha mas que não teve o protagonismo que se esperava.
Destaque individual:
Jan Kliment – Ainda a actuar num clube modesto da República Checa (Jihlava) mas, pelo que mostrou neste Euro, com qualidade de sobra para se afirmar noutro patamar de exigência. Com Kadlec a jogar apenas 30 minutos durante o torneio, foi Kliment quem se assumiu como a grande referência do ataque checo, ele que no clube até costuma jogar nos flancos. É, ainda assim, como avançado que tem condições para ser um aspirante a sucessor de nomes como Koller ou Baros. Demonstrou muita inteligência nas movimentações, percebendo quando devia baixar para dar apoio frontal (joga muito bem de costas para a baliza), caindo nas alas e explorando bem a profundidade, fazendo uso de um excelente poder de desmarcação. Alto mas móvel, com qualidade técnica e oportunismo dentro de área, sendo de destacar também o facto de ser um jogador esforçado e com capacidade de pressionar a saída de bola do adversário.
A Itália mostrou qualidade mas ficou pelo caminho Fonte: UEFA Under-21 Championship
Apesar de serem o país mais titulado nos sub-21, há bastante tempo que os italianos não apresentavam uma geração tão homogénea e com tanta qualidade nos diversos sectores. É uma equipa que parece ter mais potencial do que a que chegou à final da última edição, por exemplo. O golo tardio da Suécia frente a Portugal mandou a equipa azurra para casa, mas não há dúvidas de que a maior parte destes jogadores terá um futuro muito promissor.
A primeira partida da Itália foi péssima, levando o técnico Luigi Di Biagio a revolucionar o 11 para os jogos seguintes. As alterações promovidas no eixo defensivo, com Romagnoli a entrar para fazer dupla com Rugani, e sobretudo no meio campo, onde nenhum jogador repetiu a presença, transformaram a equipa para melhor e o empate contra Portugal foi injusto para os italianos. Crisetig, Cataldi e Benassi dominaram as operações (pela forma como condicionaram William, deu para perceber que a lição estava bem estudada), Zappacosta e Berardi estiveram muito activos pela direita e só a ineficácia impediu a conquista dos três pontos. Frente à Inglaterra, Belotti esteve mais inspirado na finalização, o meio campo, com Benassi em destaque, voltou a superiorizar-se, e a equipa soube gerir a vantagem no marcador com muita inteligência. No entanto, aconteceu um resultado indesejado no outro jogo e os italianos não puderam seguir em frente.
Domenico Berardi era, à partida, a grande estrela italiana e correspondeu às expectativas. O avançado, que se transferiu em definitivo para o Sassuolo por 10 milhões de euros, deu continuidade ao que fez no clube e desequilibrou imenso através das diagonais da direita para o meio, mostrando a sua qualidade técnica e visão de jogo. Mas o jovem de 20 anos não foi o único que aproveitou para ganhar cotação com este Europeu. Rugani e Romagnoli, dois dos centrais mais promissores do futebol europeu, demonstraram um potencial incrível, tanto individualmente como como dupla; Zappacosta, já com muitos jogos ao serviço da Atalanta, é um lateral muito completo (forte a defender e com capacidade para fazer todo o corredor) e não surpreende que seja seguido pela Juventus; Cataldi, uma das revelações na Lazio, e Benassi, o melhor italiano neste torneio, são esperanças para o futuro do meio campo transalpino; e Belotti, com a saída de Dybala do Palermo, pode assumir-se desde já no clube siciliano.
Destaque individual:
Marco Benassi – Não foi aproveitado pelo Inter mas é claramente um jogador com um talento incrível. Quem beneficiou foi o Torino, onde o médio já é presença assídua e tem vindo a ganhar preponderância. Com apenas 20 anos, é um jogador bastante completo e que impressiona pela tremenda inteligência que demonstra em todas as suas acções, mas neste Europeu destacou-se sobretudo no capítulo ofensivo (qualidade no último passe e chegada à área, apontando dois golos frente à Inglaterra). É igualmente um jogador cumpridor a nível defensivo, e que tem na polivalência – pode actuar em qualquer uma das posições do meio campo e até como lateral direito – outra mais valia. Se evoluir como se espera, será um dos melhores médios do futebol italiano dentro de pouco tempo.
O torneio de Wimbledon’2015 começará com um fantástico duelo entre o número 1 mundial, Novak Djokovic, e o alemão Philipp Kohlschreiber – o mais cotado de entre os não cabeças-de-série, um jogador que causa sempre dificuldades aos jogadores de top e o último jogador a derrotar Djokovic antes dos quartos-de-final de um torneio do Grand Slam (Roland Garros 2009). Kohlschreiber é, porém, também um jogador conhecido por vacilar nos momentos decisivos dos encontros importantes, esperando-se assim uma vitória de Djokovic em 4 ou 5 sets.
Caso passe este duro teste inicial, Djokovic terá ainda de lidar com adversários potencialmente difíceis, como Tomic e Nishikori/Cilic/Isner, no seu caminho para as meias-finais, sendo no entanto o claro favorito a vencer este quarto do quadro.
O segundo quarto é o de Wawrinka, recente campeão de Roland Garros. Não se prevê que João Sousa lhe cause muitos problemas na primeira ronda (péssimo sorteio para o Português), mas jogadores como Dimitrov/Gasquet e Raonic serão certamente ameaças, especialmente tendo em conta que esta é a pior superfície do suíço.
Wawrinka aparece no torneio depois da vitória em Roland Garros Fonte: Angela N.
Havia grande curiosidade para saber onde estaria o 10.º (!) cabeça-de-série Nadal no quadro; o espanhol está em rota de colisão com Andy Murray nos quartos-de-final, isto se sobreviver às quatro primeiras rondas, que podem envolver um duelo com Dustin Brown (que o derrotou em relva o ano passado) e o seu compatriota David Ferrer na quarta ronda.
Por fim, Federer tem um quadro aparentemente acessível até aos quartos-de-final, onde o deverá esperar Berdych, numa reedição dos quartos-de-final de 2010, em que o Checo interrompeu a série de 7 finais de Wimbledon consecutivas de Federer com uma sensacional vitória. Federer, porém, é o favorito e sentirá que tem aqui uma boa oportunidade para lutar por um décimo oitavo título do Grand Slam e oitavo em Wimbledon.
Quadro mais difícil: Tsonga. Muller, Istomin, Karlovic/Dolgopolov e Murray só para chegar aos quartos-de-final. A sorte não tem estado com Tsonga ultimamente; depois de falhar 16 break points contra Wawrinka em Paris, uma lesão abdominal impediu-o de preparar Wimbledon convenientemente e o quadro torna as contas ainda mais difíceis.
Quadro mais acessível: Raonic. O Canadiano tem uma excelente possibilidade de repetir as meias-finais do ano passado caso se apresente em boa forma. Dimitrov, Gasquet e Wawrinka afiguram-se como os únicos obstáculos; a forma de Dimitrov este ano tem deixado muito a desejar e Wawrinka é um jogador inconsistente e também longe de ser tão temível em relva como é nas outras superfícies.
A Argentina consumou a passagem às meias-finais da Copa América, depois de ter sido mais forte do que a Colômbia na marca dos onze metros. O empate a zero traduz 90 minutos intensos, disputados em constante alta rotação, com maior domínio alviceleste e com um Ospina praticamente intransponível, que só cedeu na marcação das grandes penalidades.
Quem esperava um jogo bonito e repleto de momentos de bom futebol viu as suas expectativas defraudadas. Ainda que a qualidade dos executantes que entraram em campo fosse sobejamente conhecida, foi uma partida que se pautou maioritariamente pelo músculo e desequilíbrios táticos. Pekerman optou por um onze de cadência extremamente ofensiva: privado dos médios de contenção Sánchez e Valencia, ausentes por castigo e lesão, respetivamente, colocou Mejía no vértice mais recuado do meio campo e deu liberdade ofensiva a James, Ibarbo e Cuadrado, que surgiram no apoio à dupla Jackson Martínez-Teo Gutiérrez. O capitão Radamel Falcao só viria a entrar no decorrer da segunda parte. A Argentina apenas trocou Demichelis por Otamendi, em relação ao jogo com a Jamaica.
Logicamente, os comandados de Tata Martino começaram desde cedo a explorar ostensivamente o fosso criado entre os médios colombianos e a sua linha defensiva, através das incursões de Di María, Messi e Pastore. Nem a entrada madrugadora de Edwin Cardona para o lugar de um inexistente Gutiérrez foi capaz de conter a pressão da turma argentina, que só não chegou ao intervalo em vantagem por culpa de David Ospina, que, aos 26 minutos, protagonizou a intervenção mais espetacular desta edição da Copa América. Aliás, dupla-intervenção, a remate de Agüero e consequente recarga de Lionel Messi. O guarda-redes do Arsenal voltou a mostrar a sua atenção ao encaixar um mau alívio de Zapata, que por pouco não resultou em autogolo.
Ao intervalo, sinal mais para a Argentina, que assentou o seu jogo nas recuperações de Mascherano (excelente jogo) e nos raides de Messi e Di María. Nota para a incapacidade da Colômbia em acertar o momento de transição defensiva e para uma atuação algo nervosa do juiz mexicano García Orozco, que não foi capaz de resfriar os ânimos dentro de campo e deixou passar em branco uma falta cometida sobre Kun Agüero no interior da grande área colombiana.
Na segunda parte, a Colômbia surgiu de “cara lavada”. Apesar de ter sido confrontada por nova entrada incisiva da Argentina, conseguiu resistir e acabou por equilibrar a contenda. Por intermédio de Ibarbo e Cuadrado, ameaçou a baliza de Sergio Romero e, com o jovem Murillo e o felino Ospina (defesa espantosa a remate de Otamendi, aos 80 minutos) a servirem de prontos-socorros no reduto defensivo, conseguiu manter o nulo registado no marcador até ao final do tempo regulamentar. De referir alguma falta de ambição do selecionador argentino: numa altura em que a sombra das grandes penalidades já pairava, Tata Martino não foi capaz de dar maior dimensão atacante à sua equipa, já que, depois das trocas diretas no ataque, preferiu gerir a posse de bola com a entrada de Éver Banega para o lugar de Pastore.
Num jogo intenso e de muita luta, Mascherano foi imperial a destruir as iniciativas colombianas Fonte: Página do Facebook da ‘AFA – Selección Argentina’
No desempate por penáltis, assistiu-se a uma marcação exemplar dos mesmos até ao primeiro falhanço: com o marcador em 3-3, Luis Muriel atirou por cima e, a partir daí, foi um festival de nervosismo e falta de discernimento. Os argentinos Biglia e Rojo não foram capazes de dar a vitória à seleção das “pampas” após os pontapés descabidos de Muriel e Zúñiga. Teve que ser Carlitos Tévez a serenar os argentinos, já que não tremeu na hora H e aproveitou a bola que Murillo havia enviado para fora do estádio momentos antes.
Os vice-campeões do Mundo integram assim o lote de semi-finalistas da Copa América e ficam à espera do resultado do jogo entre Brasil e Paraguai, para conhecer o adversário do próximo certame. Fim de linha para a Colômbia, a terminar uma campanha onde esteve aquém das suas capacidades e daquilo que a tarimba e talento dos seus jogadores prometiam. Agora, nas meias-finais, espera-nos mais uma edição do “Superclássico das Américas”?
A Figura:
David Ospina – O keeper ‘cafetero’ encheu a sua baliza durante os 90 minutos e efetuou três defesas para mostrar aos netos. A par de Murillo, foi o colombiano que menos mereceu a eliminação na lotaria final. Se ficou com as mãos a arder pelas paradas que completou, saiu com as mesmas a abanar de um jogo onde foi uma autêntica muralha.
O Fora-de-Jogo:
Lucas Biglia – Digam o que disserem, continuo a não compreender o porquê da aposta no médio da Lazio a titular na alviceleste. Um ‘6’ de origem, não consegue ser o transportador de que a equipa precisa no momento ofensivo. Demasiado preso às ações defensivas, passou completamente ao lado do jogo. Além disso, falhou o primeiro match-point ao não conseguir bater Ospina na conversão do seu penálti. Anda à deriva na seleção de Tata Martino, onde é constantemente anulado pelo companheiro Mascherano.
Foto de Capa: Página do Facebook da ‘AFA – Selección Argentina’
Tal como o nome indica, os “golos de um homem só” acontecem quando um inspirado jogador finaliza com sucesso após galgar vários metros de terreno e de ultrapassar diversos oponentes. Mudanças de velocidade, qualidade técnica, finta corporal, velocidade, calma e, acima de tudo, talento. São golos de um homem só que muitas vezes acabam mesmo por ser golos de uma vida. Eis a minha lista:
10.º Theo Walcott vs. Newcastle
Mais incrível do que o número de golos desta partida é o golo de Theo Walcott. A maior arma do atacante do Arsenal é a velocidade, mas esta de pouco lhe valeu neste lance. Na verdade, mais do que a finta inicial ou o espaço reduzido pelo qual o jogador inglês progride, é a perseverança e a vontade com que Walcott leva o lance até ao fim. Mesmo depois de cair, não há ninguém que consiga negar ao atacante a possibilidade de constar na décima posição deste Top 10.
9.º Cavani vs. Bastia
Jogador de técnica apurada, o craque uruguaio marcou este golo em outubro de 2013. Poucos meses depois de ter assinado pelo Paris Saint Germain, Cavani eternizou o seu nome no Parque dos Príncipes ao marcar um golo para recordar por muitos e longos anos. Tudo neste lance é digno de registo. O espaço era bastante reduzido mas no final até o guarda-redes se rendeu, caindo duas vezes ao pés de Edi. Podia ter passado a bola no final? Podia. Mas não seria a mesma coisa.
8.º Weah vs. Verona
Nos anos 90, George Weah correu as bocas do mundo. O africano eternizou-se no Olimpo do futebol depois de várias épocas ao mais alto nível no futebol europeu, chegando a conquistar uma bola de ouro e a ser considerado o melhor jogador do mundo em 1995. Um ano mais tarde, Weah fez este golo frente ao Verona. Um golo capaz de levar qualquer adepto ao delírio. Não é pleno de técnica ou de qualquer finta mais vistosa, mas não podia ficar de fora deste Top 10. Mas para que servem as minhas palavras quando o comentador consegue transmitir perfeitamente o quão épico foi este golo?
7.º Ryan Giggs vs. Arsenal
Em 1999, frente a um dos grandes rivais, o “mago galês” fez este golo. Ryan Giggs era dono de um pé esquerdo invejável e o sítio onde colocava a bola era sempre o mesmo: onde queria. Agilidade, técnica, capacidade de explosão, inteligência. Jogou até aos 40 anos e, mesmo na última época, deixou a sua marca em 22 jogos. Numa meia-final da FA Cup, o galês fez magia. Para apreciar? As diversas fintas de corpo que fazem uma jogada memorável parecer tão fácil.
6.º Ronaldo vs. Compostela
Ronaldo Luís Nazário de Lima. Ronaldo. R-O-N-A-L-D-O… A alcunha “fenómeno” assentava-lhe que nem uma luva. O jogador brasileiro tinha tudo. Técnica, velocidade, capacidade de progredir com a bola no pé, finta, facilidade em finalizar… O arquétipo perfeito de um atacante no futebol. Golos, magia, mas, muito mais importante do que isso, uma galeria enorme de conquistas coletivas e individuais. Duas Bolas de Ouro e três títulos de melhor jogador do mundo. Em 1996, Ronaldo mostrou em Compostela que fenómeno é sinónimo de imparável.
5.º Messi vs. Getafe (1)
O astro argentino podia ter uma galeria inteira de “golos de um homem só”. Este que vos trago aqui é “só” mais um, frente a um dos adversários prediletos de Messi. Prediletos? Porquê? E porquê aquele (1) no título? Se não souberem, caros leitores, esperem até ao final deste Top 10 que vai valer bem a pena. Quando Messi recebe a bola na zona do meio-campo há sete jogadores, a contar com o guarda-redes, atrás da linha da bola. Sete jogadores… Um, dois, três toques, uma finta aqui, uma grande aceleração ali, nem o guarda-redes escapa. Parece fácil. Parece… Playstation.
4.º Ronaldinho Gaúcho vs. Haiti
Há quem diga que foi o melhor golo que Ronaldinho marcou. O brasileiro diz que não, que há outro ainda melhor. Não interessa. Não há como não incluir este golo neste Top 10. Ronaldinho era o futebol dançado, era o futebol feliz. Feliz em campo e também fora dele, com vários adeptos e admiradores a renderem-se aos pés de Dinho. Pode argumentar-se que o Haiti não era um conjunto propriamente forte, ameaçador ou até sólido defensivamente. Aliás, o Haiti está longe de ser uma equipa de referência no futebol mundial. Mas há algo neste golo que me cativa. Não sei se é a famosa “roleta marselhesa”, imortalizada por Zidane, se é a forma como Ronaldinho aguenta uma carga para, em menos de um segundo, estar já a deixar o guarda-redes para trás. No fundo, acho que é tudo. É a diferença dos imortais para os normais. Rendo-me aos teus pés, Dinho.
3.º Oktay vs. Bélgica
A qualificação para o França’98 foi marcada por um golo memorável em solo turco. A jogar perante os seus adeptos, Oktay Derelioğlu (nome difícil) marcou aquele que, certamente, poderia ter sido apelidado como “golo turco do século”. Oktay recebeu a bola no meio campo e arrancou rumo à baliza belga, ultrapassando seis opositores, um deles por duas vezes. Pela seleção do seu país, Oktay marcou cinco golos. Não me admirava nada se tivesse marcado só um. Valeu por cinco.
2.º “Ibracadabra” vs. NAC Breda
Talvez um dos grandes sonhos de qualquer futebolista seja o de protagonizar jogadas semelhantes às que os ídolos criavam. Zlatan Ibrahimovic idolatrava Ronaldo, o “fenómeno”. Este golo, frente ao NAC Breda, pertence unicamente a Ibracadabra, mas não há como não ver Ronaldo por breves instantes. O jovem Zlatan despontava no Ajax e alcançou a ribalta com este golo, que correu o mundo inteiro. Naquele momento, tudo parou. O sueco agarrou na bola e pensou: “Esta está lá dentro”. Viessem mundos e fundos, gigantes, monstros, ciclopes ou até mesmo o destino… nada poderia impedir o obstinado Ibrahimovic de escrever o seu nome na história do futebol mundial.
1.º Maradona vs Inglaterra e Messi vs Getafe (2)
O “golo do século” e um golo de Messi. Muitos chamar-me-ão herege por ter juntado estes dois golos. Maradona disputava os quartos-de-final de um Mundial. Messi disputava uma meia-final da Copa do Rei. No futebol do tempo de Maradona havia mais espaço para jogar. Atualmente é Messi que inventa espaço para jogar. Todo e qualquer argumento é válido e servirá, decerto, a quem o utilizar. Pessoalmente, quero apenas apreciar a beleza destes dois golos. Não é magia, é muito mais do que isso. É tão mais do que isso que acabam por tornar este Top 10 num Top 11. Inédito? Talvez. O trono é argentino. A minha esperança é que um dia se possa dividir em três ou mais e que eu o possa presenciar.
A discussão durante todo o dia centrou-se mais na finalização sui generis de Gonzalo Jara numa “baliza alternativa” do que propriamente no futebol jogado. Também por isso, o jogo entre os underdogs da fase a eliminar – do qual iria sair o adversário dos anfitriões – serviu para voltar à emoção dos golos e afastar o (tão inevitável quanto lamentável) teatro das polémicas.
O embate entre Bolívia e Peru há-de ter proporcionado uma agradável dor de cabeça aos responsáveis pela montagem dos melhores momentos das cadeias televisivas por esse mundo fora, tamanho o número de oportunidades que foram aparecendo em catadupa, com excepção feita aos minutos iniciais de ambas as partes. Ambas as equipas mostraram desde cedo ao que vinham, mas não tardou a perceber-se qual dos guarda-redes teria mais trabalho. Ciente das suas limitações, a Bolívia procurou povoar mais o seu sector defensivo com uma aposta vincada em três centrais, atribuindo aos laterais e sobretudo ao centro-campista Chumacero a árdua tarefa de conectar o jogo ofensivo com os mais avançados Moreno e Peña. Já o Peru assumiu o seu favoritismo sem reservas, exibindo um recorte técnico difícil de estancar e com sucessivos avisos às redes de Quiñonez.
Advíncula e Vargas, um de cada lado a “lavrar” autenticamente as respectivas alas, iam causando o desnorte perante uma defesa com muita gente mas com muito pouco acerto posicional. Foi dos pés do veterano da Fiorentina que saiu o cruzamento perfeito para Guerrero, com um cabeceamento à ponta de lança, abrir as hostilidades e colocar justiça no marcador. Quatro minutos volvidos, aos 24’, tentavam os bolivianos encontrar alguma serenidade após o primeiro golpe quando foram novamente apanhados em contra-pé. Muito mérito para Cueva na condução da jogada, para o espectacular toque em habilidade de Farfán e, claro está, para a calma de Guerrero na cara de um Quiñonez pouco expedito na decisão de cortar pela raiz os seus intentos.
O Peru vai enfrentar o Chile nas meias-finais da Copa América’2015 Fonte: Site Oficial da CA’2015
Não obstante, os dois golos sem resposta que corporizaram o sinal mais dos peruanos não deitaram por terra as aspirações adversárias. Smedberg, com um toque de Erwin Sanchez nas botas, encarregou-se de finalmente dar algum trabalho a Gallese; em lances sucessivos sobre a esquerda, o jogador de origem sueca semeou o pânico na área peruana com uma sequência de cruzamentos venenosos que podiam ter relançado a discussão antes do descanso. Ainda assim, bastava aos blanquirrojos imprimir um pouco mais de velocidade nas transições para criarem situações flagrantes de golo. Farfán acertou no poste aos 37 minutos em mais uma demonstração académica daquilo que deve ser um contra-ataque, Cueva (grande jogo) serviu Guerrero para um hat-trick que podia ter chegado aos 44 e Farfán – outra vez – mandou toda a gente para o balneário com o eco de mais uma bola na trave, desta feita na cobrança (quase) perfeita de um livre directo.
A segunda metade trouxe mais do mesmo. Torpor inicial e torrente de oportunidades daí em diante. O Peru denotava um ligeiro abrandamento, mas sem que tal significasse uma perda do controlo das operações. Farfán, sempre presente, dispôs de uma clara oportunidade para facturar em mais uma falha de marcação grosseira. Isto momentos antes de entrar Carrillo para agitar as águas, rendendo um Cláudio Pizarro francamente apagado; o atleta vinculado ao Sporting soube explorar as debilidades de uma equipa que procurava desesperadamente reentrar na discussão da partida, quase assistindo Cueva para golo num dos seus primeiros famosos raids.
Não entrava em ataque organizado, entraria por oferta de Danny Bejarano. O ainda médio do Oriente Petrolero, por certo a pensar no seu novo contrato com o Panetolikos ou noutra coisa qualquer bem distante, serviu numa bandeja o hat-trick a Paolo Guerrero, que se limitou a desviar a bola de um desamparado Quiñonez. Até ao final, nota de destaque para o tento de honra dos bolivianos, apontado pelo incansável Marcelo Moreno da marca de grande penalidade, e para mais um par de oportunidades desperdiçadas pelo recém entrado pacense Hurtado.
Em jeito de rescaldo, a amostra deixada neste jogo dos quartos de final abre excelentes perspectivas para o duelo com o Chile. Paolo Guerrero, Farfán e companhia lançaram um contundente aviso: os anfitriões vão ter que suar bastante para seguir para a final, pois há talento suficiente de ambos os lados para se avançar com prognósticos seguros. A Bolívia acaba por sucumbir à falta de rigor posicional e também por um acumulação assombrosa de erros individuais. A vontade e a entrega ao jogo não são suficientes para ganhar jogos quando a organização defensiva se mostra tão desastrosa.
A Figura:
Paolo Guerrero – O nome dispensa apresentações e o selo de qualidade do dianteiro peruano ficou vincado no placard. Foram três golos, poderia ter apontado ainda mais e fez por dar outros a marcar. Já não caminha para novo, mas ainda seria uma opção interessante para muitos clubes europeus.
O Fora-de-Jogo:
Defesa boliviana – O exemplo acabado de como escalar uma equipa com tracção atrás não é sinónimo de segurança. A cada troca de bola peruana os sinos tocavam a rebate no sector recuado da Bolívia, os laterais – sobretudo na primeira parte – foram presas fáceis e as falhas de preenchimento dos espaços aconteciam a cada lance.
Acalmia. Depois do reboliço gerado pela mais afamada “troca” dos últimos anos no futebol português, voltámos à génese da silly season. Rumores diários de transferências, especulação sobre mudanças táticas e de treinador… O normal. No entanto, há algo que, este verão, está ligeiramente diferente.
Se repararmos, o defeso do FC Porto tem adquirido contornos estranhamente calmos. Os rumores fluem, mas ninguém emite uma palavra sobre os mesmos. Sérgio Oliveira e André André foram contratados, mas durante o decorrer da temporada transacta (ainda que a confirmação de André tenha surgido há pouco tempo). Jackson Martínez vai mesmo embora, mas era mais do que expectável. Julen Lopetegui vai continuar como técnico principal, apesar da primeira época decepcionante.
A maior fonte de agitação no reino azul e branco prende-se com a possível chegada de Maxi Pereira ao Dragão. Uns estão a favor, outros estão contra. O certo é que a iminência do negócio não deixa ninguém indiferente. Mas tudo se resume a isto e (muito) pouco mais. Para caraterizar o “estado de espírito” do FC Porto atual, não me ocorreria nada melhor do que o título que dei a este texto.
Pouco se tem falado sobre Lopetegui, o que, no contexto atual, só pode ser benéfico Fonte: Página de Facebook do FC Porto
A prova desta serenidade fica bem patente se eu disser ao leitor que a maior polémica em redor do clube tem sido gerada em redor do design e cores do equipamento alternativo. Veja lá.
No entanto, este silêncio deixa-me satisfeito. Porque, conhecendo o meu clube, sinto que, por trás da cortina, as coisas estão a ser feitas nos moldes do costume. Só que está tudo na penumbra, voluntariamente ou não. Sei que, no meio de todas as notícias sobre Jorge Jesus e Maxi, Lopetegui já prepara a nova época tranquilamente e que os reforços de peso estarão a caminho. Como sempre estiveram.
O sossego tem tudo para ser benéfico. O FC Porto não lucra nada em “agitar as águas” nesta altura. Os meios de comunicação social já o fazem por si só. Deixar a água correr é o que está certo e o que está a ser feito. O que importa não é se o Maxi vem hoje ou amanhã; não é se o Mitrović escolhe a Invicta ou se será o Gustavo Bou a substituir o Jackson; o que importa é chegar a maio e festejar o 28. Porque, no meio do silêncio, os portistas devem estar “todos a pensar no mesmo”: ser campeão. De azul ou castanho? Isso também não importa.
P.S. – Lucho está de regresso ao River Plate. Não posso deixar de saudar esta decisão daquele que ainda é um dos portistas que mais admiro e dos que mais prazer me deu a ver jogar de azul e branco. Retorna à casa mãe e junta-se a Saviola e Aimar. Os ‘millonarios’ podem contar com mais um espectador atento.