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O Passado Também Chuta: Quando o futebol italiano dominava o mundo (Parte II)

Depois de relembradas algumas das equipas míticas do futebol italiano nos seus anos dourados, é tempo de olhar para aquilo que ficou ainda por dizer.

Em 1997, o Inter de Milão investiu forte no mercado e montou uma equipa preparada para o sucesso. Ronaldo Nazário de Lima foi à data o jogador mais caro da história do futebol, depois do presidente do Barcelona ter revelado que o “Fenómeno” ia ficar no clube a carreira toda, após ter marcado 47 golos na sua primeira época nos “blaugrana”. Os nerazzurri desembolsaram 22 milhões de euros para garantir o passe do aclamado melhor avançado do mundo do momento.

No jogo de estreia do brasileiro foi outro reforço que brilhou. O Inter perdia 1-0 com o Brescia e o defesa Álvaro Recoba marcou dois golaços fora de área, que deram a vitória à equipa na primeira partida da temporada. Houve também outro jogador que se destacou nesse encontro, embora do lado dos visitantes, de seu nome Andrea Pirlo, que se mostrou ao mundo pela primeira vez. O resto não é preciso dizer…

A equipa de Milão procurava repetir as duas conquistas da Taça UEFA no início da década de 90, com o trio de alemães Matthaus, Klinsmann e Brehme. Além disso, queriam também vingar a derrota do ano anterior frente ao Schalke 04. Ronaldo foi crucial nessa conquista e carregou a equipa até à final. Nesse jogo, o adversário era a Lazio e o resultado final foi 3-0. Ronaldo, Zanetti e Zamorano foram os marcadores dos golos da partida.

A equipa contava ainda com mais figuras míticas como Diego Simeone, Djorkaeff, Zé Elias, Luigi Sartor, entre outros.

Fonte: Internazionale Milano

O “Fenómeno” marcou 34 vezes nessa primeira temporada, mas devido a problemas nos joelhos, fez apenas 25 tentos nas quatro épocas seguintes. Baggio também tinha vários problemas de lesões, o que o obrigou a sair do AC Milan e a relançar a carreira no Bologna, onde marcou 23 golos em 33 jogos. No ano seguinte, assinou pelo Inter de Milão, que se assumia como um dos grandes europeus.

Em 1999, o Internazionale voltou a quebrar o recorde da transferência mais cara, comprando Christian Vieri por cerca de 35 milhões de euros, avançado italiano que em nove épocas tinha atuado por nove clubes diferentes. O Inter de Milão acabou a década sem vencer nenhum “scudetto”, embora tenham sido anos repletos de títulos, à exceção do Calcio.

O Parma escreveu uma das histórias mais bonitas da história do futebol italiano. O clube de uma pequena cidade do norte de Itália permaneceu nos seis primeiros lugares do campeonato durante nove anos seguidos na década de 90 e tudo isto se sucedeu pouco tempo depois da subida à primeira divisão.

O guarda-redes brasileiro, Claudio Taffarel, foi a primeira estrela a chegar ao clube nesse momento e ficou pasmado por apenas um jogador ter alinhado na Serie A. Além disso, não existia centro de treinos e a equipa treinava num parque público. Apesar disso, sentia-se ali uma química especial entre os jogadores, os adeptos e a cidade, e as transferências foram ajudando para construir uma equipa vencedora.

Na segunda época nesta liga, a equipa conquistou a Coppa Italia. Em 1993 e 1995, o Parma arrecadou duas prestigiadas Taças UEFA, tendo em conta que na primeira jogaram sem a estrela do plantel, o colombiano Tino Asprilla, que falhou a final após lesão resultada num confronto com um condutor de um autocarro. Na segunda, o clube levou a melhor sobre a Juventus com um golo de Dino Baggio.

Fonte: UEFA Europe League

A vitória mais emblemática da “ducali” foi em 1998, com a conquista da terceira Taça UEFA da década e com uma equipa espantosa, devido à quantidade de craques concentrados num clube modesto, embora com muita história. Esse plantel, que venceu por 3-0 o Marselha na histórica final, tinha jogadores como Gianluigi Buffon, Fabio Cannavaro, Lilian Thuram, Dino Baggio, Diego Fuser, Juan Sebastián Verón, Hernán Crespo, Enrico Chiesa, Luigi Sartor e Tino Asprilla.

Fonte: SS Lazio

A Lazio é também um grande histórico do futebol italiano e parece estar a querer voltar ao topo atualmente. O campeonato de momento encontra-se parado, contudo, a Lazio prometia uma luta até ao fim para quebrar a hegemonia da Juventus. Se ainda houver jogos para disputar, a Lazio é séria candidata a vencer o “scudetto”.

Desde 1997 até 2001, o clube coletou sete títulos e ficou marcado por um esquema de jogo muito bem desenhado pelo técnico sueco, Sven-Goran Eriksson. O plantel era composto por alguns jogadores familiares e outros protagonistas de transferências milionárias nos anos seguintes. A equipa venceu a liga italiana em 1999/2000, a Recopa Europeia em 1998/1999, a Supertaça Europeia em 1999, a Taça de Itália em 1997/1998 e em 1999/2000, assim como duas Supertaças italianas, em 1998 e em 2000.

O objetivo da direção era conseguir um título reconhecido em 2000, por ser o ano do centenário do clube. A Lazio tinha dinheiro para investir e o Eriksson preparou estas épocas vencedoras a apostar bem no mercado. Contratou Roberto Mancini à Sampdoria, Almeyda, Pancaro e Boksic, juntando uma base já consolidada por Nesta, Negro e Favalli na defesa e por Pavel Nedved no meio-campo. De destacar que em 97/98 a equipa chegou à final da Taça UEFA e perdeu com o Inter de Milão.

Outros reforços chegaram, como Sinisa Mihajlovic, Dejan Stankovic, Fernando Couto, Marcelo Salas e Christian Vieri. O campeonato esteve perto em 1998/1999, mas a equipa perdeu a vantagem nos últimos jogos, ficando apenas a um ponto de vencer a tão ambicionada liga.

O objetivo deu-se por sucedido no ano seguinte, em 1999/2000, quando no centenário o clube não só venceu o campeonato, como a Taça de Itália e marcou uma era inesquecível dos Gli Azzurri.

A equipa contava ainda com Sérgio Conceição, que chegou a marcar um golo que garantiu a Supertaça de Itália em 1998, com Simone Inzaghi, o atual treinador da equipa, e com Hernán Crespo, além dos já referidos.

A Roma marcou aqueles que foram os últimos anos de domínio italiano no futebol europeu, quando venceu o título nacional em 2000/2001, 18 anos depois da última conquista. Os Giallorossi estavam a perder todo o prestígio para os eternos rivais da Lazio que estavam em grande plano e este título serviu para dar moral à equipa.

Fonte: AS Roma

Fabio Capello orientou a AS Roma ao triunfo do “scudetto” de forma incontestável e com um futebol bastante eficiente, comandados pelo patrão e eterno capitão, Francesco Totti. O plantel era memorável, com míticos jogadores como Walter Samuel, Cafú, Tomassi, Cristiano Zanetti, Marcos Assunção, Emerson, Totti, Batistuta e Montella.

Com o virar do século, a hegemonia italiana entrou em decadência, com exceção da vitória da Liga dos Campeões do AC Milan em 2002/2003 e, mais tarde, em 2006/2007. A única equipa italiana capaz de ganhar um troféu europeu foi o Inter de Milão de José Mourinho em 2009/2010.

As equipas espanholas passaram a ocupar o lugar dominante no que toca a futebol internacional e neste milénio venceram 17 troféus europeus contra apenas três dos italianos. As previsões apontam para a passagem do testemunho para o futebol inglês, depois das finais europeias da época passada terem sido entre quatro equipas inglesas (Liverpool-Tottenham e Chelsea-Arsenal).

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Play-offs | O Plano “P” de Pedro Proença

Quem haveria de dizer que algo deste género poderia mudar (quase) por completo as nossas vidas? Assim, sem prévio aviso (ou talvez não), vimo-nos privados de muitas das nossas habituais ‘monotonias’ diárias. E com elas, o nosso tão amado desporto-rei. Que saudades! Agora que o Futebol está parado, a ideia de fazer as dez jornadas que ainda faltam da Primeira Liga parece-me impossível de concretizar. Assim sendo, deixo-vos aqui o Plano P: o Plano de Pedro Proença para resolver o nosso Campeonato nos Play-Offs.

Na luta pela descida existirão duas meias-finais entre os quatro últimos da classificação. Estas terão duas mãos, e caso as equipas empatem em pontos e em Goal avarege, haverá um terceiro jogo que será disputado na casa da equipa melhor classificada aquando da paragem do Campeonato.

Pedro Proença apresentou a possibilidade de haver Play-Offs no que resta do campeonato
Fonte: FPF

Desta forma, teremos um CD Aves x CS Marítimo e um Portimonense SC x FC Paços de Ferreira na primeira mão das meias-finais. Depois haverá a segunda volta e caso necessário um terceiro jogo, na Madeira e em Paços de Ferreira. Por fim, existirá um jogo entre os vencedores para decidir quem fica em 14.º e 15.º Lugar e um para decidir quem desce para penúltimo e último lugar.

Na Luta pelo sétimo lugar, existirão oito equipas, num género de quartos de final, meias-finais e final. Assim, o sétimo classificado jogará com o 14.º, o oitavo com o 13.º, o nono com o 12.º e o 10.º com o 11.º. Teremos assim o FC Famalicão x CD Tondela, o Moreirense FC x Belenenses SAD, o Gil Vicente FC x Vitória FC e o CD Santa Clara x Boavista FC.

Estes jogos serão jogados a um só jogo, na casa dos melhores classificados, seguindo para as meias-finais os vencedores que jogarão a duas mãos, num sorteio aberto. E depois os vencedores jogarão num só jogo pelo sétimo lugar. Quem perder nas meias jogará pelo nono posto. As quatro equipas eliminadas nos ‘quartos de final’ farão o mesmo percurso, mas com vista ao 11.º lugar.

Na luta pela Europa e pelo terceito lugar do Campeonato, teremos os jogos: SC Braga x Vitória SC e Sporting CP x Rio Ave FC. Estes jogos serão também jogados a duas mãos, sendo que o segundo jogo será jogado no estádio do Braga e do Sporting. Depois jogar-se-á uma final também a duas mãos tanto para o terceiro lugar, como para o quinto. Um sorteio ditará em que estádio se jogará primeiro.

Por fim, o título nacional, será encontrado entre o FC Porto e o SL Benfica. O campeão nacional será encontrado num mini campeonato entre os dois. Serão disputados dois jogos na luz e dois no dragão. O FC Porto começará e acabará esta série, fruto de estar actualmente na liderança. Se no final do quarto jogo as equipas somarem o mesmo número de pontos e golos, jogar-se-à um prolongamento e, se houver necessidade, iremos para as grandes penalidades. O golo fora ou em casa não terá aqui qualquer supremacia sobre os golos caseiros nestes Play-Offs.

 

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Um 11 alternativo a pensar nos grandes portugueses

Tempo de pausa no futebol, tempo de análise e reflexão, num olhar mais profundo para o que tem sido a presente temporada até aqui.

Numa perspetiva de mercado, ainda que o futuro das competições permaneça indefinido, o Bola na Rede apresenta-te um onze de jogadores de baixo/médio custo de campeonatos mais alternativos que podiam rapidamente integrar-se nalgum dos principais emblemas do campeonato português.

Entrelinhas do Desporto: Lay Off e reduções salariais na Liga Portuguesa

Depois de semanas de avanços e recuos, de várias declarações públicas (umas mais fundamentadas e informadas do que outras…), esta semana surgiu o primeiro emblema a decidir, de forma isolada, avançar com um pedido de Lay Off simplificado: O Belenenses SAD

Depois da equipa que tem como reduto o estádio Nacional, seguiu-se o Grupo Desportivo de Chaves, sabendo-se que várias equipas da II Liga, bem como o Paços de Ferreira FC e o Vitória FC ponderam seriamente avançar com iguais pedidos de Lay Off, sendo que, para já, todas as Sociedades anunciaram que está garantido o pagamento na íntegra dos salários do mês de Março.

Para os menos atentos às notícias, esta medida de Lay Off simplificado permite às Empresas de forma total ou parcial, reduzir temporariamente os períodos normais de trabalho e/ou suspender temporariamente os contratos de trabalho, tendo direito a um apoio financeiro, por trabalhador, destinado, exclusivamente, ao pagamento da respetiva retribuição.

Nestas circunstâncias, o trabalhador terá direito a auferir mensalmente um valor igual a, pelo menos, 2/3 da respetiva retribuição ilíquida, ficando 70% desse valor a ser garantido pela Segurança Social e os restantes 30% pela entidade empregadora. O valor a receber pelo trabalhador não poderá, no entanto, ser inferior ao salário mínimo ou superior ao correspondente a três retribuições mínimas mensais garantidas, isto é, 1.905€.

Ora, em alguns casos, este máximo legalmente estipulado consubstancia um corte salarial muito significativo, razão pela qual as Sociedades Desportivas neste primeiro momento se têm comprometido em assegurar montantes superiores aos 30%, por forma a que os jogadores possam manter ordenados que, embora reduzidos, sejam superiores a 1.905€.

As análises e críticas a este regime, incidiram ao longo da semana em dois principais prismas:

– Primeiramente, visando a sua aplicabilidade aos clubes de futebol profissionais, tendo-se chegado à conclusão, de que se tratando de uma entidade privada e não existindo exceções previstas na Lei para este ramo em concreto, a resposta é sim.

– Num segundo momento, sobre a maior ou menor censurabilidade de aplicação da medida por parte dos clubes.

Sobre a primeira questão, o futebol não é um mundo à parte, embora por vezes pareça, mas nada aponta no sentido de que o regime geral das empresas não possa ser aplicável às Sociedades Anónimas Desportivas (SADs) e à Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas (SDUQs) – os dois tipos de modelo de gestão Societária obrigatórios por forma a poder competir na I e na II Liga.

O Belenenses SAD, considerando que preenchia os requisitos para o efeito, foi o primeiro a avançar para o lay-off “parcial” como forma de fazer face à quebra abrupta de receitas, depois da paragem dos campeonatos no início do mês de Março. Também o Desportivo de Chaves, referiu que “Não temos outra hipótese, somos obrigados a parar a nossa atividade e se existe uma lei geral temos de a utilizar”.

Ainda que existam mais requisitos que permitam aceder ao regime de Lay-Off, no caso das Sociedades Desportivas, a capacidade de verem o seu pedido procedente deverá passar pela demonstração de uma quebra de 40% na faturação nos 30 dias anteriores, com referência à média mensal dos dois meses anteriores a esse período ou ao período homólogo do ano anterior.

Sobre a segunda questão, Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores (SJPF), apelidou estas iniciativas como “uma falta de respeito para com as empresas em grandes dificuldades de subsistência e pelos portugueses”, prometendo avançar com uma queixa junto dos Grupos Parlamentares.

A crítica feita pelo Presidente do Sindicato não é desprovida de sentido, uma vez que os clubes estão a procurar usufruir de benefícios do Estado, numa altura em que receberam o mês de Março por parte das operadoras de televisão, que como é sabido trata-se da maior fonte de rendimento dos clubes Portugueses.

Talvez por isso, se possa eventualmente falar num abuso de direito, quando há empresas em sérias dificuldades de subsistência e a necessitar desta medida para sobreviver, podendo parecer um pouco reprovável que algumas Sociedades Desportivas queiram beneficiar de uma medida de emergência, que claramente não foi elaborada a pensar no setor do futebol.

O Sindicato e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional procuraram nas suas reuniões encontrar soluções próprias, como a criação de uma linha de crédito específica para o futebol profissional, solução que comportaria outro tipo de riscos, já que as Sociedades Desportivas poderiam não conseguir apresentar garantias ou estar a contrair um “empréstimo” ao qual não conseguiriam corresponder no futuro, existindo a agravante das taxas de juro aplicáveis.

Só o tempo demonstrará se na realidade do futebol Português o recurso à medida de Lay Off se trata de um capricho para redução de custos ou, à semelhança do que acontece com muitas empresas, de uma medida absolutamente fundamental para a sobrevivência das mesmas.

Outros clubes, nomeadamente o SC Braga, decidiram avançar com outra solução: compuseram juntamente com os jogadores um plano de cativação salarial, pagando apenas 50% da retribuição nos meses de Abril, Maio e Junho. Se a Liga for retomada até ao verão e o emblema «arsenalista» receber as receitas associadas, então no início de Setembro a situação será regularizada na íntegra.

Em Braga, está em marcha um plano de cativação salarial dos jogadores
Fonte: SC Braga

Caso não seja possível concluir a temporada 2019/20 até setembro, então o compromisso estabelecido com o plantel é pagar 25% do valor que ficou retido. Quer isto dizer que, no pior dos cenários, os jogadores acabam por receber 75% dos salários de Abril, Maio e Junho, o que na realidade consubstancia a aplicação de uma medida de diminuição da atividade nos termos do artigo 309.º do Código do Trabalho. Nota adicional de que os salários mais baixos, nomeadamente dos jogadores mais jovens que estejam em transição da equipa B para A, não serão sujeitos a qualquer alteração ou redução.

Não se tratando de um “corte definitivo da retribuição”, para já não se levantam dúvidas sobre a legalidade do acordo, parecendo-nos uma excelente alternativa para clubes como o Sporting de Braga, que ao se apresentarem como financeiramente sustentados, não preenchem os requisitos para recorrer à medida de Lay-Off, garantindo por outro lado uma almofada na tesouraria do clube, numa altura em que os clubes e respetivas Sociedades Desportivas enfrentam um possível término das competições, ao mesmo tempo que analisam o mercado de transferências sabendo da perda de rendimentos resultantes dos direitos televisivos, que a partir do mês de Abril deixarão de ser pagos até retoma do campeonato.

FC Porto, SL Benfica e Sporting CP também pretendem cortar a folha salarial dos jogadores por forma a diminuir os danos financeiros causados pela pandemia de Covid-19. No entanto, até ao momento, nenhum chegou a acordo com os futebolistas (Benfica e Sporting anteciparam parte do período de férias dos atletas), mas acreditam que o entendimento seja assegurado até ao final desta semana.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Andebol: 5 jogadores sub-20 a ter em atenção

O andebol português tem evoluído a olhos vistos nos últimos anos, tanto a nível de seleção como nos clubes. Com a afirmação de FC Porto e Sporting CP na EHF Champions League, SL Benfica na EHF Cup, Madeira SAD na Challenge Cup e ainda o recente sexto lugar obtido por Portugal no EURO 2020, o andebol nacional anda nas bocas da Europa e é agora visto com outros olhos.

Dado este recente aumento de qualidade a nível interno, em muito devido à contratação de jogadores estrangeiros como Carlos Ruesga, Petar Djordjic, Thomas Bauer, Marko Vujin ou Rene Toft Hansen, não nos podemos esquecer que também nos escalões de formação existem grandes promessas, que esta época se começaram a confirmar no Campeonato Andebol 1.

Fica então a conhecer cinco jogadores sub-20 que este ano se destacaram na primeira divisão portuguesa.

Foto de Capa: FAP

Carta aberta dos adeptos do FC Porto ao Alex Telles: Renova, Alex!

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Caro Alex,

Eu sou daqueles poucos adeptos do FC Porto que pode elogiar-te, sem se pensar que estou a ser tendencioso ou que sempre disse o mesmo sobre ti.

Na realidade, não foste propriamente a contratação que mais me deixou com água na boca, e isto pode-se explicar por duas razões: em primeiro lugar, eu não acompanhava de perto o futebol italiano (onde representaste o FC Internazionale de Milão) nem o futebol turco (onde representaste o Galatasaray SK), e em segundo lugar tinha uma grande admiração por aquele que era o rei das assistências e tinha uma polivalência notável: Miguel Layún.

Inicialmente, pensava eu para os meus botões: qual era a necessidade de gastar tanto dinheiro num jogador, se tínhamos um internacional mexicano, que fazia de tudo dentro das quatro linhas? Mas, atualmente, afirmo de forma convicta que ainda bem que gastámos esses 6,5 milhões de euros!

A tua herança não era nada fácil, pois para além de teres o legado de Miguel Layún, tinhas um histórico de laterais esquerdos que outrora brilharam de azul e branco, entre os quais, um compatriota teu: Alex Sandro.

Houve quem dissesse que tu um dia poderias chegar ao nível do atual lateral esquerdo da Juventus FC, e que eras um jogador de Champions. Eu na altura não acreditava muito, mas afinal enganei-me. Todos tinham razão.

Tu não só chegaste ao nível do Alex Sandro, como o ultrapassaste na hierarquia de maiores laterais esquerdos da nossa história, e claro que és um jogador de Champions. Basta rever aquela grande penalidade convertida frente ao AS Roma, que nos catapultou para os oito melhores da Europa.

O teu primeiro ano de azul e branco não foi fácil, e eu confesso que perdia a cabeça com a quantidade de cruzamentos tensos que iam para fora, ou que passavam a linha final. Pessoalmente, sempre preferi cruzamentos mais com a bola a pingar, mas rapidamente percebi que os mais eficazes são aqueles que, ao serem tensos, fazem logo meio golo, visto que basta encostar um “martelo” indefensável para o guarda-redes. Com bons cabeceadores, os teus cruzamentos fazem quase tudo.

Isso foi mais do que evidente quando chegou Sérgio Conceição e tu passaste a ser um dos pilares da equipa.

O novo slogan da equipa era: precisa de assistência? Chame o Alex Telles. E assim foi juntando-se a tua capacidade no um para um, velocidade, desarme e até remate. Quando tudo estiver a correr mal, já sabemos a quem passar a bola.

 Caro Alex, Eu sou daqueles poucos adeptos do FC Porto que pode elogiar-te, sem se pensar que estou a ser tendencioso ou que sempre disse o mesmo sobre ti. Título do site Título Categoria principal Separador
Alex Telles é o melhor marcador da equipa do FC Porto, com oito golos
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Infelizmente, o teu contrato está a chegar ao fim, e circulam rumores de que não pretendes renovar… Eu sou da opinião que mereces claramente outro campeonato, para não falar da seleção brasileira, que é inexplicável.

E chegou a hora do meu pedido, que não pode ser visto como uma forma qualquer de pressão: Alex, se renovares, acredita que seria o melhor para todos! O FC Porto fazia uma venda estratosférica pelo teu passe e tu sairias pelo valor que realmente mereces! Visto que essa tua vontade de abraçar outro projeto é legítima, seria bem possível saíres já neste próximo mercado (mesmo tendo em conta todas estas condicionantes da pandemia). O FC Porto merece e tu mereces apesar da enorme tristeza que vais deixar em todos nós pela tua partida.

Vou-te só dar um palpite: o melhor clube para tu ires seria a Juventus FC ou até o Chelsea FC. Já imaginaram o Alex a fazer um cruzamento tenso para o Ronaldo? Imaginem no que ia dar… Um lateral com esta dinâmica ofensiva encaixa que nem uma luva no futebol italiano e da La Vecchia Signora.

Quando chegaste, disseste que querias deixar o teu legado no Porto. Acredita que deixaste, no clube, na cidade, e no futebol português! Tens o mundo todo pela frente!

Renova, Alex!

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Força da Tática: O Sucessor de Marcelo Bielsa

The most important part are the fans, that people going home are happy. It’s their time off, and you should give them something to enjoy.”Johan Cruyff

Desde o nascimento do futebol, os especialistas de análise da modalidade preocupam-se em identificar estratégias que permitam a cada equipa estar mais perto da vitória. Dessa maneira, muitas são as filosofias de jogo adotadas ao longo dos anos. Claro, muitas com enorme sucesso e outras nem por isso! Mas será que interessará “apenas” ganhar? O professor Manuel Sérgio tem uma frase interessante acerca desta temática: “Ninguém vale porque sabe, vale porque ganha!”. No presente, esta de facto, será a filosofia, mas quando avançamos no tempo, começamos a perceber que quem “sabia” e implementava essa sabedoria como maneira para atingir a vitória, mesmo não ganhando sempre, terá o reconhecimento e admiração dos amantes do jogo.

Neste particular, destacam-se aqueles que, pela criatividade, inteligência, pela absorção de conhecimento dos seus antecessores e pela adaptação ao evoluir do jogo, conseguem adquirir competências diferentes dos restantes, que lhes permite criar uma ideia de jogo diferenciadora e inovadora.

Nomes como Rinus Michels, Helenio Herrera, Arrigo Sacchi, Bélla Gutman, Bilardo, Menotti, Alex Ferguson, Johan Cruyff, Aragonés e, mais recentemente, Marcelo Bielsa, Guardiola, Mourinho, Sarri ou Klopp, são exemplos de treinadores com ideias revolucionárias, que singraram com vitórias, mas principalmente na construção de uma identidade única.

As duas maiores provas que podem definir a qualidade de um treinador são: os seus jogadores elogiarem os seus métodos de trabalho ou, então, as pessoas, ao verem um jogo e não sabendo os protagonistas de uma equipa nem o nome da mesma, conseguirem identificar o treinador que a comanda.

Quality without results is pointless. Results without quality is boring”- Cruyff

Um dos treinadores mais influentes das últimas décadas é Marcelo Bielsa. Comandando o Leeds United FC, Bielsa joga num esquema de 4-2-3-1 (altamente mutável de acordo com cada fase do jogo) e com dinâmicas que serão posteriormente mencionadas. Agora parece ter um “discípulo” com enorme potencial para singrar. Chama-se Gabriel Heinze e foi nesta última época (campeonato argentino acabou há sensivelmente um mês) o grande destaque da Liga Argentina, levando o CA Vélez Sarsfield ao terceiro lugar. O anterior defesa central que teve passagem pelo Sporting CP tem tido enorme sucesso no seu país natal. Chegou ao comando técnico do Vélez Sarsfield na época de 2018, quando a equipa se encontrava em risco de descida de divisão, acabando esse ano no décimo sexto lugar (campeonato argentino conta com 24 equipas). No segundo ano, realizou uma temporada muito positiva, discutindo a entrada para a Libertadores e acabando em 6.º lugar.

As semelhanças entre Bielsa e Heinze são imensas, mas não poderão ser deixadas de parte nuances do seu jogo, com base em ideais do Futebol Total de Michels e Cruyff, do pressing de Sacchi e do ataque posicional de Guardiola.

Esta comparação com Bielsa é insistentemente falada na Argentina. Quando questionado acerca da mesma, Heinze não esconde a sua admiração pelo atual treinador do Leeds United, considerando-o o melhor e referindo que “Marcelo está um passo gigante à frente de todos os outros”.

José Antonio Camacho | O primeiro do Renascimento

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Muito em voga, os treinadores frontais da nova era continuam sem conseguir reunir em si a integridade de outros tempos, onde a impulsividade não era desculpada com o feitio. A frontalidade e a fúria justa de José Antonio Camacho eram mais que rótulos bacocos: aglomerava o carácter e alma dos grandes, humildade de braço dado com uma dignidade sem paralelo.

No final de 2002, era precisamente de alguém assim que o SL Benfica precisava. Ele estava livre, depois das polémicas na Coreia e Japão, onde a Roja se viu vergada a uma Coreia do Sul impune e apoiada de forma descarada nos bastidores. “As minhas equipas serão sempre como eu: honradas, disciplinadas, sérias e trabalhadoras”, afirmou em princípio de carreira nos bancos, postura vincada e demonstrada no ano e meio que experienciou o Estádio da Luz.

O chamamento do clube do coração catrapiscou-o e permitiu a entrada de Trapattoni, que aproveitou as bases por si criadas para ser campeão. Voltou como D. Sebastião em 2007, mas a velha máxima de que nunca se deve voltar a um lugar onde se foi feliz prevaleceu. O clube estava de pantanas e ele nunca tolerou desorganização e interesses cruzados.

Aquele 24 de Novembro foi farrusco. A chuva que inundava a Luz não ajudava ao futebol pobre da equipa naquela terceira eliminatória da Taça. A depressão era tanta que há quem diga que os adeptos do Gondomar SC estavam em maioria. Eufóricos ficaram com o golaço de Cílio aos 10 minutos: o 0-1 manteve-se até final, fruto da impotência dos titulares e da inépcia de Jesualdo Ferreira, que viria a ser despedido ainda nesse dia.

A Chalana pediram para tomar conta enquanto se ultimavam pormenores em relação ao contrato com o novo técnico – bastou ao Pequeno Genial um jogo para descobrir em Miguel um lateral-direito de estirpe internacional, numa vitória caseira frente ao SC Braga.

Na segunda semana ao comando da equipa, José Antonio prepara-se para realizar o último derby no velhinho Alvalade. Uma exibição contundente permitiu aos encarnados uma vitória clara por 2-0, jogo que servia de premonição do que aí viria: com Camacho, o Benfica estaria sempre mais próximo de ganhar pela sua atitude.

No descalabro da demolição da antiga Luz e da necessidade de andar com a casa às costas, o treinador espanhol foi sempre o farol de competência que permitiu cumprir os objectivos e manter o clube nos mínimos olímpicos. O segundo lugar final de 2002-03 permitiu uma classificação uefeira que já não se via desde 1999-00, marcando o ínicio da retoma do clube e do seu prestígio.

Sempre com “muchas ganas” no banco, uma postura que os adeptos sempre relacionaram com a raça benfiquista, ganhando assim o respeito de todos
Fonte: FIFA

A consolidação da espinha dorsal daquele plantel – Moreira, Ricardo Rocha, Petit, Tiago, Geovanni, Simão e Nuno Gomes, à qual se juntou Luisão depois – foi tarefa que levou a cabo com muita dedicação e trabalho, dotando o clube de uma nova identidade que se manteria até finais da década e que permitiu os sucessos seguintes.

Se não chegou para ultrapassar a SS Lazio, na pré-eliminatória da Champions, permitiu uma caminhada digna na Taça UEFA, só bajulando aos pés do Inter de Milão nos oitavos-de-final. A equipa cumpria em solo nacional, conquistando a Taça de Portugal nesse ano e só não almejando mais dada a concorrência do FC Porto de José Mourinho.

A capacidade de trabalho com a qual José António dotou a equipa permitiram a conquista de classificações importantes em termos pontuais: 75 e 74 pontos (respetivamente) que o clube não almejava desde 1995-96 e que permitiriam conquistar o título em 2001-02, 2004-05, 2006-07, 2007-08 e 2008-09, a título de exemplo.

Com todas as dificuldades inerentes à mudança de Estádio e à desorganização total da estrutura, o treinador espanhol teve ainda que lidar com um assunto ultra-sensível como a morte de Miklos Fehér, naquela noite fria de Janeiro em Guimarães.

Teve que ser ele, enquanto líder inquestionável e, a partir daí, figura paternal de todo o staff e jogadores, a entregar a mensagem a todos, na viagem de autocarro de regresso a Lisboa. No meio de toda a tristeza, conseguiu manter a honra e terminar a época de forma positiva, onde abundaram as demonstrações de afecto e união de todos.

O segundo lugar final, ganho em cima da meta frente ao Sporting CP de Fernando Santos já no novo Alvalade, foi a definitiva prova de superação de um grupo atingido pela tragédia. O futebol, sendo a coisa mais importante das menos importantes, serviu como catarse da tristeza profunda sentida no seio do grupo.

Como sempre, Camacho arregaçou as mangas, determinou todas as vitórias como homenagem a Miklos e puxou pelo brio dos colegas. Só com um plantel psicologicamente blindado e unido como nunca seria possível a vitória no Jamor frente a Mourinho, duas semanas antes de Gelsenkirchen e da conquista portista da Liga dos Campeões.

A competência e o estrondoso trabalho cumprido chamaram a atenção do seu clube de sempre. De Chamartín, depois de despedirem Carlos Queiroz, veio o chamamento do coração e ele optou, como todos o faríamos. Por cá ficaram as bases que alavancaram o clube rumo ao título nacional do ano seguinte e das campanhas europeias precedentes.

Trappatoni pegou no seu onze titular organizado em 4-2-3-1, deu-lhe a manha que só a experiência das principais ligas entrega e o espírito campeoníssimo da Velha Raposa, o que permitiu a feliz conjugação de contextos nos três grandes para o triunfo final, 11 anos depois.

Em termos estatísticos, foi o pior campeão de sempre: seis empates e sete derrotas. Caricato, mas a recompensa tardia de um enorme trabalho feito. José António Camacho, como Simão, foram as figuras do rejuvenescimento do Benfica.

A amizade que o ligava a Luís Filipe Vieira serviu como bóia de salvação para o descuidado planeamento de 2007-08. Não resultou. Demitiu-se e, à saída, nos idos de Março, alegou não ter mais poder na motivação da equipa. Não quis descortinar outros motivos para a debandada. Mas, percebeu-se sempre que conflitos internos se sobrepunham aos seus valores e, assim, fez mais uma vez jus de uma das suas máximas: «Quando não me sinto bem no sítio onde estou, mudo-me».

Artigo revisto por Diogo Teixeira

BnR TV: Fernando Mendes e o arrependimento por ter assinado pelo SL Benfica

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Bola na Rede TV com o antigo jogador Fernando Mendes em exclusivo. Junta-te a nós para ajudares na análise ao evento! Tens tudo nesta emissão em direto deste BnR TV.

Com Mário Cagica Oliveira, Miguel Ferreira de Araújo e Fernando Mendes.

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Artigo revisto por Diogo Teixeira

Os 10 piores jogadores da década do Sporting CP

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A quarentena podia estar a ser pior, confesso. Para hoje vamos apresentar os piores jogadores da década do Sporting CP. As expectativas quanto a uma possível diversão foram, durante os primeiros tempos, diminutas – repare-se nesta palavra – e o estado de parafuso parecia querer irromper antes do clique. Porém, este período, que mescla um descanso inconsciente e uma irrefutável aptidão para realizar tarefas nunca antes equacionadas, tem servido para explorar as fraquezas que se situam no âmago de cada desportista acérrimo defensor das suas cores e moldá-las ao riso, ao reavivar de algo caricato. Exatamente! Acertou! As linhas que se avizinham retratam os piores jogadores do Sporting, os maiores flops da década o pergaminho distende-se até Faro e estou a meio da leitura…

Simbologias como “prata da casa” ou “em casa sai mais barato” arrecadam um significado acrescido quando nos referimos ao Sporting Clube de Portugal, campeão permanente e irremediável. Que o diga o Google porque, aquando da digitalização das primeiras palavras, completou a frase num ápice. As pesquisas deviam ser todas assim, eficazes e objetivas, mas a minha queixa não passa por aí. O meu parecer recai sobre a generosidade que o vocábulo emprega: sei lá, remete para algo positivo, é um nome carinhoso e terno. “O Spéhar é o meu flop preferido”! (muito amigável para o que aqui se trata, quando o objetivo é precisamente o contrário).

A lista é interminável e a seleção foi dificultada pelas (ausência de) qualidades que cada um adquire. E, de 2010 até à data, muita trampa se abeirou do clube. Nauseabundos, limitadíssimos e nem no “Carcavelinhos tinham lugar”. Apodere-se das pipocas!

Top 10 piores jogadores da década do Sporting CP