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Mundial Sub-20 – Nova Zelândia 1-2 Portugal: Trivela de Gelson guia Portugal aos ‘quartos’

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A seleção nacional de sub 20 apurou-se hoje para os quartos de final do Mundial da categoria após uma vitória frente à Nova Zelândia, seleção anfitriã da competição. Num jogo mais complicado do que seria de esperar, o golo do triunfo apenas chegou aos 87 minutos, numa iniciativa individual de Gelson Martins.

Hélio Sousa, selecionador nacional, repetiu o onze lançado no jogo inaugural, frente ao Senegal, com Gelson, Rony Lopes e Gonçalo Guedes no apoio ao ponta de lança André Silva. Foi com alguma surpresa que os “All Whites”, como é conhecido o conjunto neozelandês, entraram melhor no encontro, com muito empenho e muita luta em todos os lances. Contudo, nunca assustaram verdadeiramente a baliza à guarda de André Moreira. Neste período inicial do encontro, foi fundamental (mais uma vez) a tranquilidade que Tomás Podstawski consegue dar à equipa com as suas recuperações de bola e o equilíbrio que tem em cada tomada de decisão. O capitão é mesmo o porto seguro deste conjunto, um farol a quem a equipa recorre sempre que necessário.

A partir dos 10 minutos, Portugal começou a impor-se territorialmente, mas sem criar grandes lances de perigo. O jogo ofensivo da nossa seleção baseou-se muito em combinações executadas pelo “quarteto” ofensivo, que tinham sempre a ajuda de mais gente, como os laterais Rafa e Riquicho (mais um excelente jogo destes dois jogadores, sempre disponíveis para atacar) ou o médio Raphael Guzzo, que apareceu várias vezes em zonas de finalização. Rony Lopes teve a primeira oportunidade de golo aos 22 minutos com um remate rasteiro que passou rente ao poste esquerdo da baliza de Tzanev. Dois minutos depois, chegou o primeiro golo luso. Gelson Martins cruzou da direita e André Silva desviou de cabeça para Rafa. O lateral segurou o esférico e tocou para Guzzo que ludibriou um defesa com uma simulação corporal, ficando com tempo e espaço para rematar cruzado, sem hipóteses de defesa para Tzanev. O jogador do Benfica, que alinhou esta época no Desportivo de Chaves, marcou assim o primeiro golo e Portugal tinha agora tudo na mão para partir para uma exibição tranquila, como aconteceu nos jogos da fase de grupos.

Porém, não foi isso que se viu. A equipa das quinas não criou muitas jogadas perigosas e, quando as criou, nunca houve inspiração na finalização. André Silva não esteve feliz, apesar de ter batalhado muito, como é sua imagem de marca. Gonçalo Guedes esteve novamente bastante desinspirado e Rony Lopes só apareceu a espaços, principalmente no último quarto de hora da partida. Neste momento, penso mesmo que Nuno Santos ou Ivo Rodrigues mereçam mais a titularidade, em detrimento de Gonçalo Guedes.

Os neozelandeses, que tinham em Patterson a sua figura mais inconformada e em Tuiloma (defesa central) o seu melhor jogador, foram acreditando que podiam chegar ao empate e chegaram mesmo. Depois de um ataque português em que André Silva teve um falhanço clamoroso, os All Whites empataram aos 65 minutos. Numa jogada bastante confusa, em que Patterson ganhou uma série de ressaltos perante a passividade da defesa portuguesa, Holthusen, recém entrado na partida, ficou cara a cara com André Moreira e não rejeitou a oferta, rematando para o fundo das redes lusas.

O jogo ficou mais partido, com tentativas de ataque rápido por parte das duas formações e Portugal estava em risco de correr mais problemas. Hélio Sousa substituiu Raphael Guzzo por Estrela, de forma a dar mais pulmão e mais força ao meio campo nacional. O jogador dos Orlando City entrou para jogar com Podstawski no meio campo, deixando as tarefas ofensivas a cargo de Rony Lopes, Gelson Martins, André Silva e Ivo Rodrigues, que já tinha rendido Gonçalo Guedes.

A seleção nacional foi então em busca do golo da vitória, principalmente através de iniciativas individuais. Primeiro foi Rony Lopes que, após passar por dois adversários, atirou forte para uma boa defesa de Tzanev. Depois, veio o melhor momento do encontro e um dos melhores do Mundial.

Gelson Martins festeja o golo da vitória, alcançado num remate de trivela Fonte: Facebook 'Seleções de Portugal'
Gelson Martins festeja o golo da vitória, alcançado num remate de trivela
Fonte: Facebook ‘Seleções de Portugal’

Gelson Martins recebeu a bola no flanco direito, fletiu para dentro, passou por dois adversários e, ainda de fora da área, rematou de trivela para o poste mais afastado. Um lance fabuloso do jogador do Sporting, a fazer lembrar o movimento característico de Ricardo Quaresma.

Até ao fim, os jogadores lusos geriram o tempo que restava no meio campo adversário. Nota ainda para a saída de Gelson com queixas musculares. Esperemos que não seja nada que impossibilite o extremo de jogar na madrugada de sábado para domingo, no jogo dos quartos de final, frente ao Brasil, que derrotou hoje o Uruguai, após desempate nas grandes penalidades.

Na próxima partida, Portugal terá de ser mais ativo e mais constante no jogo. Hoje fez a sua pior exibição no Mundial e, se voltar a jogar assim, talvez não se safe da próxima vez…

A Figura:

Gelson Martins – O extremo foi sempre o elemento com “sinal mais” do setor ofensivo português. Ainda para mais, terminou o encontro com o lance genial que deu a vitória a Portugal. Destaque também para mais dois bons jogos dos laterais Rafa e Riquicho e para as exibições consistentes de Guzzo e Tomás Podstawski no meio campo.

O Fora-de-Jogo:

Gonçalo Guedes – O extremo benfiquista, ainda com 18 anos, continua a desiludir neste Mundial. Continua infeliz no momento do último toque na bola e, com isso, perde confiança durante os jogos. Tem sido o extremo com o desempenho menos positivo dentro da seleção nacional neste Mundial.

Foto de capa: Página do Facebook das Seleções de Portugal

Copa América 2015: Grupo A, três candidatos e um outsider

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Grupo A – O Chile joga em casa e é, também por isso, o favorito a ficar em primeiro lugar no grupo. Um México sem as principais figuras e um Equador abnegado lutarão pelo segundo posto, sendo que o terceiro classificado poderá também figurar na ronda seguinte (os dois melhores terceiros passam). A Bolívia corre por fora e não deverá conseguir mais do que um empate.

CHILE

Tem um bom conjunto de jogadores, joga em casa e pode ir longe na competição. Actuando sobretudo num 3-5-2, com Gary Medel a comandar a defesa, Arturo Vidal a orquestrar o meio-campo e Alexis Sánchez a explodir no ataque, tudo o que fique aquém de um apuramento para os quartos-de-final será uma enorme desilusão. A Roja, que tem em Claudio Bravo, Charles Aránguiz e Eduardo Vargas outras das suas figuras, conseguiu uma vitória histórica frente à Espanha (2-0) no último Mundial e só caiu nos oitavos perante o anfitrião Brasil, nas grandes penalidades.

Contudo, 2015 tem sido um pouco mais tremido para a selecção chilena. Em quatro amigáveis, conseguiu duas vitórias (3-2 frente aos EUA e um magro triunfo em casa perante El Salvador) e consentiu outras tantas derrotas (o 0-1 contra o Brasil é normal, mas o 0-2 com o Irão fez soar os alarmes). A equipa de Jorge Sampaoli tem na garra, na entrega e no rigor táctico algumas das suas grandes armas, apesar de a qualidade técnica desta geração ser também evidente. Os já mencionados Vidal e Sánchez conferem à selecção chilena um estatuto internacional que faz dela a grande favorita do grupo.

Deve também realçar-se a profundidade conferida aos flancos pelos incansáveis Isla e Mena. O músculo de Vidal e Aránguiz, bem como de Marcelo Díaz, dá à equipa a intensidade que talvez faltasse quando o virtuoso Valdivia tinha um papel mais preponderante. De realçar a chamada de David Pizarro, que teve um percurso atribulado na Roja e já não estava presente numa grande competição desde os Jogos Olímpicos de 2000. Matías Fernández, bem conhecido dos portugueses, fez uma boa época na Fiorentina e também está entre os convocados.

O Chile, que nunca ganhou nenhum troféu internacional, tem agora, junto dos seus adeptos, uma boa oportunidade para tentar essa difícil tarefa.

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Arturo Vidal vai comandar as operações no meio-campo chileno

MÉXICO

Como já é hábito na Copa América, onde surge como país convidado, o México privilegia na sua convocatória os atletas que actuem dentro de portas – algo que este ano faz sentido, porque a Gold Cup se joga dentro de um mês. Desta forma, os relvados do Chile ver-se-ão privados de nomes como Chicharito, Guardado, Giovanni dos Santos e Carlos Vela (isto é, das maiores figuras mexicanas), para além dos portistas Héctor Herrera e Diego Reyes. Em condições normais, o conjunto comandado por Miguel Herrera teria todas as condições para ficar nos dois primeiros lugares do grupo; assim, lutará arduamente com o Equador pela qualificação. Os mexicanos têm, no entanto, o conforto de saber que dois dos três terceiros classificados também seguirão em frente.

Importa, aliás, dizer que o México venceu os equatorianos (1-0) em Janeiro, embora tenha alinhado com vários atletas que agora não estarão presentes. De resto, daí para cá os aztecas registaram triunfos ante o Paraguai e a Guatemala (1-0 e 3-0, respectivamente) um empate frente ao Peru (1-1) e derrotas com os EUA e o Brasil (ambas por 2-0). Há alguma indefinição quanto ao sistema a apresentar, mas deverá ser algo entre o 5-3-2 e o 5-2-3. Certo é que os extremos Javier Aquino e Jesús Corona (é novo na selecção mas tem estado a bom nível) sairiam beneficiados com um esquema que lhes permitisse jogar no apoio a Raúl Jiménez, outro dos destaques individuais de um México pouco entrosado e que tem no “imortal” Rafael Márquez o seu esteio defensivo. O ex-Barcelona é, aliás, de longe o atleta mais experiente numa equipa algo “verde” – sem contar com Márquez, que tem 126 jogos pelo seu país, os atletas mais internacionais estão na casa das 30 partidas.

Na Copa América, o primeiro jogo do México será frente aos outsiders da Bolívia, pelo que, ganhando, os aztecas conseguem um impulso inicial que poderá ser importante numa competição tão curta como esta.

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Rafael Márquez confere experiência a uma selecção bastante jovem

EQUADOR

É incontornável: as lesões de Antonio Valencia e de Felipe Caicedo foram duras contrariedades para Gustavo Quinteros e podem ser decisivas nas pretensões desta selecção, que ainda se ressente da morte do talentoso “Chucho” Benítez. Actuando num claro 4-4-2, o Equador tem evoluído bastante como equipa e, no último Mundial, só por azar não passou à fase seguinte – esteve a ganhar à Suíça e acabou por perder com um golo nos descontos que se revelaria fatal, conseguindo, ainda assim, uma vitória frente às Honduras e um empate contra a França. Agora, com o ponta-de-lança móvel  Enner Valencia como principal destaque, os equatorianos vão tentar passar a fase de grupos desta competição pela primeira vez desde 1997. E têm condições para isso.

O eixo da defesa é, contudo, um dos maiores pontos fracos desta selecção – embora Guagua, um dos que mais tremia, não tenha sido chamado. O lateral Juan Carlos Paredes, que para o ano jogará na Premier League, e o extremo irrequieto Jefferson Montero, que já actua nesse campeonato, são outras das maiores figuras. O Equador pratica um futebol agradável e terá aqui uma boa hipótese de passar a primeira fase, mas precisará de estabilizar a sua defesa, de gerir melhor os momentos do jogo e de saber viver sem Antonio Valencia, o seu melhor jogador. A tarefa não se avizinha fácil, mas também não será uma surpresa total ver esta equipa na ronda a eliminar. À partida tudo se decidirá com o México, no último jogo.

Em 2015, o Ecuador realizou quatro partidas e apenas ganhou a última, frente ao Panamá (4-0). De resto, registou-se um empate (1-1, também frente ao Panamá mas no terreno do adversário) e duas derrotas pela margem mínima (0-1 contra o México, 1-2 contra uma Argentina sem Messi).

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Enner Valencia trará qualidade e imprevisibilidade ao ataque do Equador

BOLÍVIA

Longe vão os tempos de Cristaldo, Sandy e do nosso bem conhecido Erwin Sánchez. Os anos 90 foram o período de ouro de uma Bolívia sem grande tradição no futebol, nem antes nem depois dessa era. Em 1994, contudo, o país qualificou-se para o Mundial pela primeira vez em 44 anos e, em 1997, perdeu com o Brasil na final da Copa América, disputada em casa. Daí para a frente, foi sempre eliminado na fase de grupos. E, desta vez, não será diferente.

Com a esmagadora maioria dos convocados a actuar no fraco campeonato nacional, a principal figura continua a ser o avançado Marcelo Moreno, qual oásis de qualidade técnica numa equipa muito pouco competitiva e completamente estagnada – desde a tal qualificação para o Mundial de 1994, só por uma vez a Bolívia escapou aos dois últimos lugares do apuramento sul-americano. Porém, o facto de Moreno não marcar pela sua selecção há dois anos acentua o já débil estatuto da Verde.

Numa equipa praticamente sem experiência europeia, será interessante seguir Sebastián Gamarra, jovem médio de 18 anos do Milan que, contudo, não deverá somar muitos minutos. De resto, o central Ronald Raldes confere alguma experiência a uma equipa que, para além de Moreno, tem no já desgastado Pablo Escobar um dos elementos mais esclarecidos. A recente goleada (0-5) sofrida perante a Argentina dá conta da fragilidade boliviana, que poderia levar Mauricio Soria a apostar num sistema de três centrais. Isso, no entanto, não deverá acontecer. A escolha recairá, provavelmente, num 4-4-1-1, com Escobar no apoio a Moreno.

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Marcelo Martins Moreno é um oásis de qualidade na fraca selecção boliviana

Fotos: Facebook Oficial da Copa América 2015

Vitórias com Vitória?

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Admito sem problema que fiquei aborrecido com a saída de Jorge Jesus do Benfica, não por ter trocado o clube por um rival directo, mas porque o Benfica, além de perder um grande treinador (o melhor a actuar na nossa liga), perdeu algo que lhe faltou no início deste milénio, continuidade e estabilidade. Antes de Jesus tínhamos assistido a uma parada quase interminável de treinadores: Toni, Jesualdo, Chalana, Camacho, Trapattoni, Koeman, Fernando Santos, Quique… O Benfica mastigava e mandava fora treinadores quase anualmente e o plantel estava em constante remodelação, o que dificultava qualquer tipo de sucesso sustentado e a longo prazo. Não vou nem posso defender mais de um terço destes treinadores, mas reconheço que muitos deles nem sempre tiveram as melhores condições para ter sucesso na posição. Tudo isso mudou com Jesus. Jesus pegou no Benfica e desde 2009 tinha vindo a construir uma equipa na verdadeira acepção da palavra, o que resultou em dez títulos em seis anos, incluindo três ligas e um tão desejado bicampeonato, uma fartura a comparar com os seus antecessores, para não falar da valorização de jogadores que Jesus fez.

Não vou entrar pela troca de clube de Jesus, até porque acredito que o Benfica teve pelo menos parte da responsabilidade na saída do treinador do clube: se não desejam renovar com o homem que acabou de se sagrar bicampeão, depois não fiquem surpreendidos se ele acabar num rival no mesmo país. Jesus optou pela “segurança” de um clube na liga e no país que ele conhece (e do qual supostamente era adepto) em vez de arriscar e assumir projectos no estrangeiro como o Milan por exemplo (isto partindo do princípio de que havia interesse da parte dos italianos, como chegou a ser noticiado).

Não vou nem quero entrar pela suposta proposta que Jorge Mendes apresentou a Jesus, de passar um ano a vegetar no Qatar para depois assumir o cargo de treinador principal do PSG, porque dizer que isso é ridículo é pouco. Jesus é passado e de momento interessa olhar para o futuro. Agradeço ao mister tudo o que fez e deu ao meu clube, estar-lhe-ei eternamente grato, mas agora interessa-me é o próximo treinador do Benfica, que a próxima época tem de começar a ser preparada rapidamente, principalmente neste clima de mudança de treinador e de remodelação do plantel sénior.

O bicampeonato será uma pesada herança para Rui Vitória Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
O bicampeonato será uma pesada herança para Rui Vitória
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Vieira optou por não oferecer a renovação a Jesus porque apesar do sucesso do treinador os seus planos para o futuro do clube não estavam alinhados, muito por causa da “deficiente” aposta na formação do ex-treinador encarnado. Não sou nem de perto nem de longe um fanático da aposta na formação, acredito que os jovens formados no clube, se tiverem qualidade e trabalharem para isso, deverão ter a oportunidade de lutar por um lugar na equipa principal. Mas o Benfica na era Jesus preferiu apostar noutro tipo de jogadores e os resultados apareceram, o que, parecendo que não, é o que interessa: títulos. Mas vamos ver se esta nossa filosofia dá frutos. Quando Vieira decidiu que não iria oferecer a renovação a Jesus fê-lo (diz-se) já com o ainda treinador do Vitória de Guimarães Rui Vitória em mente para assumir o cargo e implementar esta nova filosofia no Benfica. Não tenho qualquer problema com esta contratação e até a apoio; o meu problema é que o Rui Vitória já deveria ter sido confirmado como treinador principal do Benfica. O que anda Vieira a fazer? De que está ele à espera?

O facto de Jesus ter saído para o Sporting não pode de forma alguma afectar a confiança que Vieira tinha em Vitória para assumir o cargo: uma coisa não tem nada a ver com a outra. E, por amor da Santa, estou em casa com os dedos cruzados e a rezar para que Vieira não contrate nenhum treinador porque foram criadas páginas nas redes sociais por adeptos ou porque se quer “vingar” do rival. Não vamos deixar os malucos mandar no manicómio, por favor.

Não, não tenho nada contra Marco Silva. Até o acho um treinador talentoso e não me importava de o ver no Benfica mas, quando Vieira optou por não renovar com Jesus, Marco Silva ainda era treinador do Sporting e nada levava a crer que Vieira tivesse tido qualquer tipo de contacto com Marco Silva para assumir o lugar. Se a ideia era Rui Vitória, em Rui Vitória se deve apostar; já chega de especulações e novelas. O Benfica é o Benfica e o Sporting é o Sporting, e o plano de um clube não pode ser afectado pelo do outro. Vieira é o Presidente e os adeptos são os adeptos, e assim é por motivos óbvios. É a ele que cabe a decisão da contratação do novo treinador do clube, e não aos adeptos. Ele que tenha um bocado de convicção e confirme o treinador que tinha em mente quando decidiu não renovar com Jesus.

A pré-época está aí à porta e o plantel precisa de ser decidido, contratações e vendas têm de ser feitas, e para isso dá jeito ter um treinador, devido ao facto de, bem, ser ele que vai ter de orientar a equipa. Já chega de Presidentes armados em treinadores de bancada; não faz qualquer sentido comprar e vender jogadores enquanto o Benfica não tiver treinador. Vamos vender alguém que seria uma peça crucial no plano do futuro treinador? Ou será que vamos comprar alguém que não encaixa na táctica do treinador? Em Portugal os Presidentes adoram sentar-se na cadeira do treinador, só que depois quando as coisas correm mal é a cabeça do treinador que voa. Esta semana Vieira veio dizer que esta época teremos cinco jovens da formação no plantel principal, o que me leva a perguntar: porquê cinco e não quatro ou seis? Uma coisa é dizer que os jovens que se mostrarem preparados e com talento e maturidade para isso terão a oportunidade de ficar na equipa principal do Benfica, outra coisa é afirmar que serão cinco – não interessa o que o próximo treinador pensa, as necessidades da equipa ou se eles estão preparados; o que interessa é que existe uma necessidade de meter cinco jogadores da formação no plantel principal. Há uma quota a preencher, pelos vistos, o que é bastante encorajador.

Isto vindo do mesmo Presidente que vendeu o Bernardo Silva ao Mónaco neste final de época depois de uma temporada bastante produtiva ao serviço do clube francês, principalmente tendo em conta a iminente saída de Nico Gaitán e o fanatismo e o desejo de Bernardo Silva de jogar pela equipa principal do Benfica (para não falar do seu enorme talento), algo que com a saída de Jesus se poderia ter concretizado. Mas já estou a divagar e ainda devo estar sob o efeito da Reportv dele que vi esta semana.

Estará Rui Vitória preparado para assumir o "desafio" Benfica? Fonte: Facebook do Vitória Sport Clube
Estará Rui Vitória preparado para assumir o “desafio” Benfica?
Fonte: Facebook do Vitória Sport Clube

Com a saída do treinador é altura de renovar e remodelar o plantel. Além da adição dos jovens da formação o Benfica já confirmou a saída de Sulejmani e Funes Mori, havendo ainda a existência de propostas por Gaitán, Salvio, Talisca, Sídnei e Lima (se acreditarmos na comunicação social), sendo que jogadores como Artur, Derley, Ola John e Lisandro também poderão estar de saída do clube. Em relação a entradas, além da já confirmada contratação do trio do Rio Ave (Ederson, Diego Lopes e Hassan), entusiasma-me a hipótese de contratar a promessa sérvia Andrija Živković, que, depois de impressionar ao serviço do Partizan, tem impressionado na Nova Zelândia no Mundial de sub-20 pela sua sérvia, podendo juntar-se a jogadores promissores no clube como Cristante ou Mukhtar que ainda têm muito para dar. Se pudéssemos olhar para a defesa também agradecia, mas não quero abusar da boa fé de ninguém porque, parecendo que não, o Eliseu continua a ser internacional A por Portugal, e aquela gente percebe infinitamente mais que eu de bola.

Custou a digerir mas já aceitei a saída de Jesus, não por ter saído para o Sporting mas por ter saído do clube. Agora dava jeito apresentar o novo treinador já esta semana e, já agora, se não desse muito trabalho, renovar com o Maxi Pereira, um dos maiores símbolos da paixão encarnada nos últimos anos. Muito “se faz favor”, senhor Vieira – não dava jeito que ele acabasse num clube rival também.

P.S. Podemos finalmente dar uma hipótese a sério ao Đuričić este ano para ver o que elerealmente vale: é que eu desconfio de que ele não é mau. Obrigado.

Os favoritos ao título da Copa América

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Não há dúvidas de que a Copa América 2015, a ser iniciada na próxima quinta-feira com as partidas do grupo A, é a edição mais aguardada do torneio continental nas últimas décadas. Afinal, a boa performance das seleções sul-americanas no Mundial do Brasil e o bom momento vivido por muitas delas no período pós-Mundial fazem crer que teremos um torneio marcado por jogos bastante aguerridos, mas também de ótima qualidade técnica. Perante isto, podemos apontar pelo menos cinco equipes candidatas ao troféu – é claro, umas mais favoritas, outras um pouco menos, mas todas em condições de representar a América do Sul na Taça das Confederações de 2017.

ARGENTINA

Tata Martínez promoveu o regresso do vice-campeão europeu Carlitos Tévez à seleção  Fonte: TyCSports.com
Tata Martínez promoveu o regresso do vice-campeão europeu Carlitos Tévez à seleção
Fonte: TyCSports.com

A vice-campeã do mundo chega à Copa América como principal favorita. Apesar da mudança de treinador após o Mundial, a albiceleste aposta na manutenção da base que vem compondo a seleção nos últimos anos: dos 23 nomes da lista final de Tata Martino, 16 estavam na edição de 2011 do torneio continental. O principal destaque dessa vez é o regresso de Carlos Tévez, após alguns anos afastado da equipe por problemas pessoais com a AFA (Associação de Futebol Argentino). O atacante da Juventus disputa com Kun Agüero a titularidade no ataque para jogar ao lado de nomes de peso como Messi, Di María e Higuaín.

Mas não é só no setor ofensivo que os argentinos chegam fortes à competição. Apesar da importante ausência de Musacchio, lesionado, Martino espera manter a estabilidade defensiva conquistada por Alejandro Sabella na Copa do Mundo e, para isso, conta com a boa fase de jogadores como Nicolás Otamendi, um dos melhores centrais da última liga espanhola, e Ezequiel Garay, de qualidade já conhecida pelos portugueses, além de Zabaleta, títular absoluto na lateral-direita do Manchester City.

Contra a Argentina, pode pesar o facto de Tata Martino – pelo menos nos amigáveis após o Mundial, como nas derrotas frente a Brasil e Portugal – ainda não ter conseguido implantar na totalidade a sua filosofia de jogo, mais baseada no toque de bola, em contraste com estilo mais vertical de Sabella. Outro fator a destacar é a enorme pressão sobre os argentinos, que estão há 22 anos sem conquistar qualquer título. Ainda assim, pode-se dizer que o conjunto de Messi é o que chega mais “pronto” para esta Copa América.

BRASIL

Roberto Firmino deverá ser titular no ataque, com a estrela Neymar  Fonte: latestnews360.com
Roberto Firmino deverá ser titular no ataque, com a estrela Neymar
Fonte: latestnews360.com

Redenção. Esta é a palavra-chave que o Brasil busca após a humilhação sofrida para a Alemanha, há quase um ano. E a dura missão de recuperar o prestígio da seleção brasileira foi dirigida a Dunga, de perfil rígido e disciplinador (tanto dentro como fora de campo).

O início do novo trabalho do capitão do tetra parece promissor: são oito vitórias em oito partidas, com 18 golos marcados e apenas 2 sofridos – incluindo triunfos de peso, como o 2-0 sobre a Argentina e o 3-1 sobre a França no Stade de France. Taticamente, a equipe tem a marca do seu treinador: uma defesa sólida, com linhas compactas que deixam pouco espaço para o adversário, e uma transição defesa-ataque de muita velocidade, com Fernandinho, Oscar e, é claro, o talento de Neymar. Há a destacar, ainda, o bom entrosamento do jogador do Barça com Roberto Firmino, atacante de muita movimentação e boa finalização, autor de dois golos nos últimos três jogos. Também vêm de boas atuações pela canarinha o goleiro Jefferson, bem como Danilo, Miranda e Felipe Luís.

Porém, ainda é preciso ver como se sairão Neymar e companhia num torneio oficial. Além disso, nem todas as vitórias recentes foram convincentes, a exemplo do 1-0 contra a seleção chilena, em Londres, que registou a pior atuação da seleção brasileira após o Mundial. Dunga, enfim, terá a sua primeira prova de fogo no Chile.

CHILE

Alexis Sanchéz e Arturo Vidal - as duas maiores figuras da seleção da casa  Fonte: goal.com
Alexis Sanchéz e Arturo Vidal – as duas maiores figuras da seleção da casa
Fonte: goal.com

Uma das poucas seleções a nunca ter vencido a Copa América, o Chile nunca sonhou de forma tão realista com o título inédito. Os donos da casa mantêm a mesma base que eliminou a Espanha e ficou a centímetros de despachar o Brasil do Mundial, com talentos como Alexis Sánchez, Arturo Vidal e Claudio Bravo e os bons coadjuvantes Aránguiz, Vargas e Matías Fernández. Além, claro, do excelente técnico Jorge Sampaoli (não é exagero dizer que está entre os melhores do mundo), que montou um 3-5-2 equilibrado, marcado pela velocidade e pelo bom toque de bola.

O nível dos adversários não vai ser o único obstáculo para La Roja no torneio. O fator psicológico e o facto de ser tratada como candidata ao título vai exigir dos jogadores muita força mental – além de ter que superar a sina de “afinar” em grandes jogos, principalmente contra Brasil e Argentina. A baixa estatura da defesa, deixando o jogo aéreo vulnerável, e a falta de um “homem-golo” para definir as jogadas também são problemas comumente enfrentados por Sampaoli. Contudo, não se pode negar que se depender do apoio da agitada torcida chilena, teremos um Chile fortíssimo em busca da taça.

COLÔMBIA

Jackson, Falcao e James - três jogadores que ilustram bem o poder de fogo dos cafeteros  Fonte: AP
Jackson, Falcao e James – três jogadores que ilustram bem o poder de fogo dos cafeteros
Fonte: AP

Futebol ofensivo e atacantes de altíssimo nível são as principais apostas da Colômbia para abocanhar o título continental. Desde que conquistou o seu único título, em 2001, quando jogou em casa, que a equipe tricolor não chega tão forte ao certame, mas chega com alguns problemas a esta Copa América. O técnico José Pekerman perdeu por lesão os médios Aguilar e Guarín, o criativo Quintero e o atacante Adrián Ramos, sendo Guarín, por exemplo, um importante jogador no 4-4-2 de Pekerman. O treinador argentino também conta com atletas de temporadas contrastantes em 2014/2015: enquanto Falcao e Cuadrado jogaram pouco e de forma insatisfatória por Manchester United e Chelsea, James Rodríguez, Carlos Bacca e Jackson Martínez vivem grande fase em Real Madrid, Sevilla e FC Porto. Sem contar com Teo Gutiérrez, que vem embalado por uma grande atuação pelo River Plate na Copa Libertadores.

São poucas as seleções com tão boas opções do meio para frente quanto a Colômbia. O bom entrosamento entre James e Cuadrado, aliado à capacidade goleadora de Falcao, Jackson e Bacca, é de provocar dores de cabeça em qualquer defesa. Edwin Cardona, médio do Monterrey, também é um jogador a seguir atentamente. Mesmo sem ter uma defesa que transmita tanta segurança, os colombianos podem e devem bater-se de igual para igual com qualquer adversário.

URUGUAI

Na ausência de Suárez, será Cavani a assumir o protagonismo na formação uruguaia  Fonte: beinsports.fr
Na ausência de Suárez, será Cavani a assumir o protagonismo na formação uruguaia
Fonte: beinsports.fr

O atual campeão chega sob certa desconfiança ao Chile. Luís Suárez ainda cumpre suspensão pela mordida em Chiellini no Mundial e é um desfalque pesado para a Celeste, que agora tem em Edison Cavani as esperanças para alcançar voos mais altos nesta edição. Além da ausência de Suárez, a falta de criatividade no meio-campo também preocupa os uruguaios, que não contam com nenhum nome de peso para o setor no cenário internacional – apenas promessas, como De Arrascaeta, e jogadores de quem muito se esperava e pouco renderam na carreira, como Lodeiro e Cristian Rodríguez.

Por outro lado, o eixo defensivo continua a ser o ponto forte da equipa. O sempre dominante Godín e o promissor Giménez formam uma dupla respeitável, tendo como suplentes outros dois bons centrais, Velázquez e Coates. Maxi Pereira, que vem da melhor temporada da carreira pelo Benfica, deve ser outra peça importante da equipa como válvula de escape, assim como Abel Hernández, atacante habilidoso do Hull City.

E se falamos do Uruguai, falamos de quem sabe, como poucos, jogar uma competição a eliminar. Gastar o tempo quando necessário, provocar o adversário na medida certa, brigar por cada dividida como um faminto atrás de um prato de comida e ser fatal nos momentos decisivos. Por essas e outras, não se pode subestimar o maior campeão da Copa América.

Levy Guimarães

Foto de Capa: www.diez.hn

Jogo Interior #11 – A Futebolização do Futsal

jogo interior

Apesar de ser um amante do desporto em geral, há alguns anos comecei a aprender a gostar de futsal. Tanto que fui praticante e, quando deixei de o ser, quis ser treinador. Sou até ao momento e não me vejo a ser outra coisa.

O futsal encerra em si diversas componentes que o definem como uma modalidade exigente, quer física quer tecnicamente, tendo uma enorme componente mental. Ao nível das capacidades condicionais atrevo-me a dizer que é mais duro do que o futebol, partindo do princípio que é disputado ao mais alto nível. Por ser uma modalidade praticada em espaço reduzido é bastante exigente também ao nível táctico. É uma modalidade de alta intensidade e repleta de momentos de grande espectacularidade.

Não vou escrever acerca da história do futsal em Portugal, pois ela está escrita e faz parte do passado. Escrevo projectando o futuro porque as circunstâncias assim me motivam. Apesar dos pequenos avanços no desenvolvimento da modalidade no nosso país, ela ainda carece de uma identidade própria, existente em todas as modalidades de pavilhão (basquetebol, andebol, hóquei em patins, voleibol). Sinto que ainda existe um estigma que está enraizado na mentalidade dos portugueses que é a sensação de que o futsal é um parente pobre do futebol, uma modalidade alternativa e que impede muita gente, mesmo estando em cargos de direcção no desporto, de o compreender quer na sua essência, quer em profundidade.

Pegando nas palavras de uma amiga, treinadora da equipa feminina do campeonato nacional de futsal, que disputará o encontro decisivo para apurar o vencedor desta época no próximo sábado, “na semana em que se decidem dois títulos nacionais, o feminino e o da 2.ª divisão nacional, as referências no site da FPF são nulas. Esta futebolização do futsal só tem como consequência a falta de competitividade dos campeonatos e o aumento do fosso entre as equipas com mais capacidade financeira e as que têm menos recursos.” A verdade é que muito poucas pessoas na FPF lutam pelo futsal, pela sua divulgação, pela disseminação da modalidade, pela criação de eventos atractivos e apelativos para os agentes (quer nacionais, quer locais) que financiam as equipas. Uma excepção foi este ano a Final Four da Taça de Portugal, masculina e feminina, no Pavilhão Multiusos de Sines, que conseguiu um feito histórico, tendo sido das transmissões com mais audiências, tendo mesmo ultrapassado o futebol. Prova de que o futsal também consegue ser aglutinador de massas e atractivo para os amantes do desporto em geral.

Portugal é vice-campeão de Futebol Feminino
Portugal é vice-campeão de Futsal Feminino

Outra questão da “futebolização” sobre a qual sou bastante crítico também está relacionada com uma das últimas actualizações ao nível da arbitragem, em que se “colaram” os critérios de marcação de faltas ao futebol e, com isso, se deturpou a essência do futsal. Desta forma a capacidade técnica foi preterida em relação à capacidade física, e o jogo passou a ser mais “possante” e menos técnico. Passou a ser mais táctico e menos irreverente, o que fez com que estrategicamente se passou a usar com mais regularidade o 5.º elemento, o que suscita também algumas variações de opinião. Passaram a marcar-se menos faltas e os jogos passaram a ser mais agressivos. Estas directivas ao nível dos critérios de marcação de faltas pela arbitragem são, no entanto, da responsabilidade da UEFA, sendo também transversais aos campeonatos dos países europeus de futsal. Constatei isso nos últimos encontros da final do campeonato espanhol e na fase final da UEFA CUP.

É normal e até bastante plausível a comparação entre o futebol e o futsal. A meu ver o futsal, apesar de ter derivado do futebol, trazendo consigo características comuns que têm a ver com o facto de ser jogado com os pés, tendo algumas dinâmicas idênticas e tendo trazido alguns praticantes de várias idades, de vários escalões, ao longo do tempo, tem pouco mais de comum com o futebol. O futsal não é um “mini-futebol”. Tem mais de andebol, de basquetebol, de hóquei em patins, de pólo aquático do que de futebol. O problema é que ao serem transferidos praticantes do futebol para o futsal também foram transferidos adeptos do futebol para o futsal, que pouco entendem acerca do jogo e que confundem princípios, filosofias, condutas e valores. A dinâmica do futsal é outra. Há princípios comuns mas especificidades diferentes. O perfil do atleta de futsal é muito diferente. As capacidades condicionais são diferentes. A capacidade de tomada de decisão é muito diferente. Com tudo isto e muito mais, para mim é impossível comparar o futsal ao futebol, pois cometem-se os mesmos erros que um pai ao comparar dois filhos.

O Futsal é uma modalidade em crescimento em Portugal
O Futsal é uma modalidade em crescimento em Portugal

É preciso que os altos dirigentes do desporto para o futsal sejam pessoas que entendam todas estas diferenças. É preciso que os próprios treinadores trabalhem estas questões com os seus atletas, desde os escalões mais novos, para que novas gerações entendam o futsal em si próprio e não como uma pequena cópia do futebol. É preciso que se criem formações para os dirigentes, para que comecem a surgir pessoas com outro tipo de sensibilidade em relação ao futsal. Não é preciso que a gente do futsal fuja do futebol mas sim que o escolha pelas suas características.

Ao longo de todo este tempo atrevo-me a dizer que quanto mais vejo e oiço acerca do futebol mais adoro o futsal. Isto não quer dizer que não goste de futebol, somente que gosto mais um bocadinho do futsal. E por favor defendam o futsal defendendo as suas qualidades e não desdenhando os defeitos do futebol. É uma questão de valores e liderança, e por isso sermos melhores em qualquer coisa é da nossa inteira responsabilidade! Desta forma estaremos preparados para mudar a História!

Judas, o filme

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Topo Sul
Confesso que não estava nada à espera do acontecimento mais escandaloso de que me lembro de assistir no futebol português. Estou triste, ou melhor, estou desiludido. Jorge Jesus é um dos melhores treinadores do mundo e, por isso, orgulhei-me durante os últimos anos de que fosse o meu treinador e loucamente festejei os titulos que me deu. Como treinador, terá, como sempre teve, o meu respeito e a minha admiração, como ser humano continua e continuará a demonstrar que é ingrato, desrespeitador e sobranceiro e por isso não merece, como nunca mereceu- e quem leu os meus textos sabe ao que refiro- a minha consideração.

Tenho uma opinião muito clara em relação a esta manhosa transação. Luis Filipe Vieira não quis Jorge Jesus; Bruno de Carvalho sempre quis muito JJ, mas queria ainda mais destruir o Benfica. Nesta equação, JJ não gostou do comportamento de Vieira, mostrou que faz o que quer e bem lhe apetece, olhando apenas para si próprio, e apunhalou-o nas costas, tal como fez a milhões de benfiquistas. Em toda esta história só vejo vilões e maus de fita. Tipos vaidosos, gananciosos, que só pensam no seu umbigo e que querem ser sempre os protagonistas. Analisando friamente todo este filme, e olhando para o perfil dos actores que o protagonizam, consigo encontrar uma lógica para o enredo, mas há demasiada coisa por explicar e eu estou ansioso pelo desfecho desta longa-metragem.

Vamos por partes, e comecemos pelo lado do campeão nacional, o Benfica, clube de adeptos, jogadores, dirigentes e, também, de treinador e presidente. Tudo se encaminhava para a conquista do bi-campeonato e o treinador do Benfica ainda não tinha o seu futuro definido no clube. As provas de qualidade de Jorge Jesus pareciam não ser suficientes para convencer Viera de que o melhor para os encarnados era continuidade de um técnico bi-campeão nacional.

Os meses vão passando e a expectativa cresce. Vieira e Jorge Mendes (empresário de JJ) preparam uma jogada para colocar Jesus num clube grande estrangeiro, uma opção que agradava quer ao presidente encarnado, quer ao aclamado empresário. O primeiro conseguia aquilo que sempre quis: alimentar o seu bebé chamado Caixa Futebol Campus, contratando um treinador que aposte na formação, como é Rui Vitória; O segundo encaixava mais uns milhões no seu bolso com o ingresso de JJ num Milan, Marselha ou num clube árabe qualquer. Tudo isto ia acontecendo nas costas de Jesus que, apercebendo-se de que poderiam estar a empurrá-lo para a saída do Benfica, começa a ceder aos engates de Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, outro dos protagonistas deste escândalo.

Estou certo de que o presidente leonino sempre quis o treinador do Benfica no seu clube e a partir do momento em que lhe acenaram com uns milhões sabe-se lá vindos de onde, a sua prioridade foi resgatar o treinador do seu maior rival, num golpe de “cinema” que coloca em êxtase a maioria dos sportinguistas e em depressão a maioria dos benfiquistas (não é o meu caso). Assim começaram os encontros entre Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, lá nos longínquos meses de Janeiro e Fevereiro, numa altura em que o BdC estava farto de Marco Silva e Jesus cansado de lutar com Vieira pelo trono da vaidade.

Jorge Jesus, de adorado para odiado num ápice; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Jorge Jesus, de adorado para odiado num ápice;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Chegamos a Junho e rebenta a bomba: Jorge Jesus vai ser treinador do Sporting. Procuram-se motivos, heróis, culpados e coitadinhos e por mais estranho que pareça todos os vaidosos protagonistas do filme acabam satisfeitos da vida, menos Jorge Mendes, o único que se lixou. Vieira vai ter Vitória para apostar nos meninos e assim consumar o projecto, futebolisticamente falando, que criou quando chegou ao Benfica: ganhar campeonatos, ir a finais europeias e apostar nos jovens da formação; Jesus vai treinar “o seu clube do coração”, vingando-se da falta de vontade de Vieira em segurá-lo, mostrando uma enorme ingratidão e egoísmo para com um clube que sempre lhe deu tudo o que este exigia; Bruno de Carvalho consegue roubar o “treinador de sonho” ao seu maior rival; O coitado do Jorge Mendes é que não conseguiu nada com este negócio e, por isso, espero eu, vai aliar-se com Vieira no mercado de transferências para reforçar o plantel encarnado.

Como crítico deste filme, aceito que Vieira se tenha cansado das exigências de Jesus e do facto de atribuírem ao técnico os louros do sucesso, e não a Vieira, que sozinho segurou JJ numa fase difícil do clube, no final de 2013. Contudo, este era o momento menos próprio para o presidente encarnado deixar de ceder aos caprichos do técnico, depois de um inédito bi-campeonato, numa machada brutal ao rival F.C. Porto. Para o clube, nada era melhor do que a continuidade de JJ e Vieira pôs-se a jeito da machada da aliança Carvalho-Jesus, acreditando que tal cenário seria impensável. Quanto à prestação de Jorge Jesus, dar-lhe-ia zero estrelas porque não gosto de actores mesquinhos, reles e ingratos. Jesus é um daqueles indivíduos que passam por cima de tudo e todos para conseguir o que quer e não tem o mínimo respeito pelas instituições que representa. Neste sentido, não me espanta a saída conturbada de JJ (já tinha saído desta forma do SC Braga). Agora, o seu objectivo é provar que consegue fazer milagres numa equipa como o Sporting, numa tentativa de vingança para com a passividade de Vieira. Coisa de egos!  Pode ser que o próximo papel de o treinador seja o de actor secundário, pois normalmente é o que acontece quando se assina pelo Sporting.

Este filme está a ser um sucesso de bilheterias e a comunicação social agradece. Os sportinguistas estão loucos, como sempre estão entre Maio e Setembro, até que o Inverno lhes resfria, como sempre a alma e coração leonino. Nós, benfiquistas, habituados a ser liderados por um bando de corruptos, egoístas, vaidosos e ingratos, lá vamos levando com estes abonões, que por muito que se fale, não beliscam a paixão de um lampião que é bi-campeão. Porque o mítico chavão “as pessoas passam, o clube fica” nunca fez tanto sentido.

Surpresas como aperitivo

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brasileirao

Decorridas agora seis jornadas no Brasileirão de 2015, podemos afirmar que este início de temporada teve algumas surpresas – positivas e negativas -, se bem que a máxima “isto não é como começa, mas como acaba” nunca tenha feito mais sentido do que no futebol de Terras de Vera Cruz. Vejamos, então.

Bom, primeiro, como é óbvio, temos de falar do despedimento do técnico bicampeão pelo Cruzeiro: Marcelo de Oliveira já não faz parte dos quadros celestes. Para o seu lugar chega a incógnita que tem sido nos últimos anos a pessoa de Vanderlei Luxemburgo. Os belo-horizontinos já não contam com alguém que tanto lhes deu a ganhar. Magoado, talvez pelo desinvestimento feito na Raposa, Oliveira também forçou a saída. Resta saber se Marcelo de Oliveira entrará num “ano sabático”, aproveitando para descansar, ou se vai pegar de “raiva” outro clube. O treinador já nem orientou o Cruzeiro no jogo em que os mineiros venceram o Flamengo por 1-0, numa partida de aflitos. Os cariocas estão em péssimos lençóis. Nunca desceram de divisão e talvez também nunca esse fantasma tenha estado tão perto. A equipa precisa de reforços de forma urgente, para ontem. Pouco imaginativa, sem ideias… uma nação que poderá desmoronar-se. Ainda falta muito jogo, é verdade, só que a distância começa a ser imensa, numa Liga em que se perdem muitos pontos, dado o elevado grau de competitividade.

Quem despediu também o seu treinador foi o Joinville. O lanterna-vermelha da competição já não conta com o trabalho de Emerson Maria e aumentou o leque de chicotadas psicológicas após a quinta jornada.

Em 2015, o Flamengo vai de mal a pior: quatro derrotas em cinco jogos
Em 2015, o Flamengo vai de mal a pior: quatro derrotas em cinco jogos
Fonte: futebolinterior.com.br

Mas se atrás há aflitos inesperados, na frente da corrida também há carruagens surpreendentes: o caso do atual primeiro classificado – o Atlético Paranaense. Apesar de não ser um tradicional do futebol brasileiro, a equipa do sul do país já foi campeã por uma vez. O que sempre é bom. Depois de ter feito um campeonato interessante na época passada, o Furacão está agora apto a demonstrar que isso não foi exceção. Na vice-liderança está a equipa da Ponte-Preta. Os alvi-negros de São Paulo tiveram uma demonstração de força no Estádio de São Januário (casa do Vasco da Gama) e venceram o atual campeão carioca por 0-3. Atenção a esta equipa: joga muito bem e tem um poder de fogo ofensivo notável.

O simpático Sport Recife aparece na terceira posição; e a fechar o G4 – zona que dá acesso à Copa dos Libertadores da América do ano vindouro – está o Atlético Mineiro, que agora, sem as distrações da Libertadores (eliminado pelo Internacional de Porto Alegre, nos oitavos-de-final), aparece aqui como um sério candidato ao título de 2015, uma conquista que lhe foge desde 1971 (aliás, a única no Brasileirão para os atleticanos, até hoje). Mas se falava no poder atacante da Ponte Preta, o Galo não fica atrás: 14 tentos apenas nos primeiros seis jogos. É o melhor ataque da prova. Veremos se o Atlético está para ficar.

Enfim, será mais um grande Brasileirão, onde certamente haverá altos e baixos – isto é, quedas e subidas repentinas na classificação e, como sempre, um resultado imprevisível!

As Jovens Águias Sérvias Começam A Sair Do Ninho

internacional cabeçalho

A 25 de Outubro de 1987 no Estádio Nacional em Santiago do Chile, um grupo de talentosos jovens, liderados por Mirko Jozic, derrotava a toda poderosa República Federal da Alemanha e sagrava-se campeão do mundo de Sub-20, naquele que foi provavelmente um dos maiores feitos (a par da vitória no Europeu de Sub-21 em 1978) da selecção jugoslava em toda a sua história.

O antigo mágico do Estrela Vermelha, Real Madrid e Barcelona, Robert Prosinecki foi eleito melhor jogador do torneio, mas dessa famosa formação faziam também parte jogadores de incomparável qualidade, como eram os casos de Zvonimir Boban, Davor Suker, Predrag Mijatovic e Branko Brnovic. Esta mistura (quase explosiva) de talento, assim como uma produção quase em série de fantásticos jovens jogadores, através das excelentes academias que proliferavam por aquele antigo país dos Balcãs, sofreu, no entanto, um golpe praticamente fatal com o desmembramento da Jugoslávia do Marechal Tito e com a sangrenta guerra civil que assolou o vasto território no início da década de 1990.

Um quarto de século após a eclosão do violento conflito, a Sérvia, que representava na época uma parte significativa daquele belo país dos Balcãs, tem puxado pelos galões e tem dado, até ao momento, muito boa conta de si no Mundial de Sub-20 que está a ter lugar na Nova Zelândia. A selecção sérvia garantiu na madrugada de Sábado um lugar nos oitavos de final da competição após ter batido o México por 2-0 em mais um jogo com futebol de elevada qualidade. Liderada por Veljko Paunovic, um antigo jogador sérvio que construiu grande parte da sua carreira no futebol espanhol e que foi em tempos visto como uma das maiores promessas futebolísticas do seu país, a selecção sérvia tem demonstrado um futebol de elevada qualidade que pontualmente traz à memória aquela famosa equipa que surpreendeu o mundo em 1987 aquando da sua estrondosa vitória no Chile.

Veljko Paunovic – O timoneiro da promissora selecção sérvia Fonte: Página do Facebook de Veljko Paunovic
Veljko Paunovic – O timoneiro da promissora selecção sérvia
Fonte: Página do Facebook de Veljko Paunovic

Paunovic montou uma equipa altamente moldável onde não parece ser fácil encontrar um sistema táctico pré-definido, uma vez que a Sérvia oscila rapidamente entre o 4-3-3, o 4-5-1 ou até mesmo o 4-2-3-1, sempre com as linhas muito juntas e com jogadas de ataque rápido altamente mecanizadas que causam mossa nos sectores defensivos adversários.

De todos os jogos que a selecção sérvia disputou até agora, é de realçar a reduzida percentagem de posse de bola, que tanto no jogo com o México, como na partida anterior frente ao Mali, não ultrapassou os 46%. Apesar do elevado nível técnico da maior parte dos seus jogadores, a Sérvia apresenta um estilo de jogo muito mais prático do que aquele que tradicionalmente as equipas do leste da Europa praticam ou, deverá antes dizer-se, praticavam. Muito mudou no futebol do antigo bloco de leste nos últimos 20 anos e a Sérvia não foge à regra, mas é também verdade que Paunovic está a conseguir reabilitar o futebol de um país que, apesar de ter frequentemente excelentes jogadores nas suas fileiras, não parece encontrar forma de materializar esse talento em algo mais palpável em matéria de futebol de selecções.

Embora seja cedo para dizer se algum dos jogadores desta selecção sérvia irá alguma vez atingir os patamares de sucesso de, por exemplo, Robert Prosinecki, Predrag Mijatovic e Davor Suker, é legítimo destacar o talento de jovens como Andrija Zivkovic, Stanisa Mandic, Nemanja Maksimovic, Mijat Gacinovic e do capitão de equipa Predrag Rajkovic. Um dos homens com maior ênfase tem sido o extremo do Partizan Belgrado, Andrija Zivkovic, que apontou frente ao México um golo de belo efeito na cobrança de um livre directo. Com apenas 18 anos, Zivkovic é já um jogador de extraordinária qualidade e o seu talento já começou a despertar certamente a atenção dos grandes clubes por essa Europa fora.

Conseguirá Paunovic replicar o feito de Mirko Jozic? Fonte: Página do Facebook de Veljko Paunovic
Conseguirá Paunovic replicar o feito de Mirko Jozic?
Fonte: Página do Facebook de Veljko Paunovic

Apesar da tenra idade, Zivkovic conta já com alguns uns marcos fantásticos na sua carreira, já que foi não só o jogador mais jovem a ser dono da braçadeira da equipa profissional do Partizan, como também se tornou recentemente o jogador mais jovem a vestir a camisola da selecção A da Sérvia. Para além de Zivkovic, outro jogador que tem dado cartas é o médio de ataque Nemanja Maksimovic, que após ter feito a sua formação na academia do Estrela Vermelha, já representou o NK Domzale da Eslovénia e faz actualmente parte do FC Astana do Cazaquistão.

Paunovic tem a seu cargo uma selecção com um talento imensurável, mas resta agora saber se este promissor jovem treinador, que aparenta estar sempre de bom humor, vai ser capaz de elevar a Sérvia para o patamar que esta merece, no topo do futebol do velho continente, e se, ao mesmo tempo, vai conseguir de certa forma replicar o feito do antigo treinador do Sporting CP, Mirko Jozic, ao serviço da extinta selecção jugoslava em 1987.

Foto de Capa: Página do Facebook do Mundial de Sub-20 

Bruno, não queiras dar passos maiores do que a perna!

sporting cabeçalho generíco

Bruno de Carvalho, como é que vão ser as coisas depois deste circo todo? Vem o Jesus para o Sporting, o Inácio sai por causa dele, o Jesus vai controlar a formação do Sporting (que medo!!!), o novo diretor desportivo vai ser escolhido por ele, o Marco Silva foi despedido com justa causa…

Começando pelo treinador que ajudou a que voltássemos a ganhar taças sete anos depois, o meu sincero agradecimento. Obrigado, Marco Silva, e à tua equipa técnica, por todo o profissionalismo demonstrado durante toda a temporada. Fizeram um excelente trabalho e todos nós, sportinguistas que te apoiámos durante este tempo todo, não esqueceremos esse facto. Espero até que um dia voltes a este grande clube e não tenha de te ver num dos rivais. Obrigado e boa sorte se fores para o estrangeiro.

Sobre Jorge Jesus, sou contra esta contratação por vários fatores:

1.º – “O Benfica ganhou limpinho, limpinho”. “Está aqui um árbitro com grande futuro” (sobre João Capela) – Jorge Jesus, 20/04/2013. O Benfica, treinado por Jorge Jesus, vence em casa o Sporting num jogo completamente aldrabado pela arbitragem de João Capela. Na conferência de imprensa, Jesus vem dizer esta barbaridade para legitimar a vitória benfiquista e gozar com os “leões”. Depois, vamos contratar um treinador cego? Não estou a ver como é que alguém com olhos na cara diz que João Capela é um árbitro com futuro…

2.º – “Na formação para render o Matic? Só nascendo dez vezes…” – Jorge Jesus, 15/01/2014. Matic está na eventualidade de sair do clube e Jesus é questionado sobre se existe algum jogador da formação do clube que possa ocupar o seu lugar. O técnico benfiquista responde assim. Será que o Mané, o Iuri Medeiros ou o Gelson Martins têm de nascer dez vezes para render o Nani ou o Carrillo? O Rui Patrício teve de nascer dez vezes para ser um dos melhores guarda-redes mundiais? O João Palhinha vai ter de nascer dez vezes para render o William Carvalho? O Wallyson vai ter de nascer dez vezes para entrar na equipa principal? Vais fazer-lhes o mesmo que fizeste ao Bernardo Silva?

3.º – “O meu clube de sonho é o Benfica, mas depois do Benfica não posso sair para qualquer clube, como é óbvio. Se eu sair do Benfica, não posso sair para qualquer clube. Então o Benfica é um clube de top, vou sair para onde?” – Jorge Jesus, 23/05/2014. Então um homem que diz isto depois vem treinar o Sporting? Mas que bandalheira é esta? Mas ninguém do Sporting tem memória ou preferem desvalorizar isto?

4.º – “Ninguém sabe mais de futebol do que eu” – Jorge Jesus, 23/05/2014. Haja moral e vaidade para dizer uma coisa destas. Mas é este homem que os sportinguistas querem para estar aos comandos do clube? Que quando ganha é por si, que quando perde vai dizer que é por culpa de “todos”?

Não merecem sair desta forma. O Sporting muito vos deve. Um foi campeão nacional em 2000, o outro pelo que fez este ano. Obrigado! Fonte: Facebook do Sporting Clube de Portugal
Não merecem sair desta forma. O Sporting muito vos deve. Um foi campeão nacional em 2000, o outro pelo que fez este ano. Obrigado!
Fonte: Facebook do Sporting Clube de Portugal

5.º – Então agora vai ser o JJ a controlar a formação? Mas vamos ter uma equipa de juniores com sérvios, argentinos e outros que tais? E é ele que escolhe o diretor desportivo? Mas isto agora é assim? Ele chega e dá cabo disto tudo para fazer as coisas à vontade dele?

6.º – Mas vamos permitir que um treinador trate as figuras do Sporting como ele tratou o Rui Costa, um dos maiores senhores do futebol português?

7.º – Se vão pagar este ordenado principesco ao Jorge Jesus, quanto vamos dar a homens como Rui Patrício, Adrien Silva ou William Carvalho? Isto vai gerar mais atritos, mais confusões, enfim, tudo aquilo de que não precisamos no Sporting…

Bruno de Carvalho, não faças ruir o castelo que andaste a reerguer durante dois anos. Tem cuidado, senão os sportinguistas vão elevar o seu ódio até ao ponto em que ainda têm a sua adoração.

 

Foto de capa: Facebook do Sporting Clube de Portugal

 

GP do Canadá: Hamilton consegue a bolha de oxigénio

cab desportos motorizados

O fim-de-semana do Grande Prémio do Canadá pode ser retratado por um sábado irrequieto e turbulento, e um domingo calmo e sem grandes surpresas. Lewis Hamilton garantiu a sexta pole da temporada, numa qualificação que se revelou problemática para Sebastian Vettel: o piloto da Ferrari teve problemas no carro mal entrou em pista, e teve de voltar imediatamente às boxes. Quando regressou, não conseguiu melhor do que um 16º lugar. Lugar esse que seria desqualificado devido à ultrapassagem a Roberto Mehri (Manor Marussia) com bandeira vermelha; Vettel acabou por sair da última linha.

Nico Rosberg tinha, nesta prova, uma boa oportunidade para se colar a Hamilton na classificação geral. Ao sair da segunda posição, perseguiu durante toda a corrida o companheiro de equipa, mas as suas esperanças saíram goradas. Lewis Hamilton mostra-se absolutamente exímio na sua estratégia de deixar o oponente aproximar-se até à barreira do 1s e depois fugir, não dando espaço nem tempo a ultrapassagens. Além deste factor, Rosberg passou toda a corrida a ser advertido pela equipa, que lhe pedia contenção nos gastos de pneus e combustível. A Mercedes a compensar o erro com Hamilton, de há duas semanas.

Petronas voltou a dominar Fonte: Facebook Mercedes AMG Petronas
Petronas voltou a dominar
Fonte: Facebook Mercedes AMG Petronas

Nota muito positiva para as duas grandes recuperações da prova: Vettel e Massa. Saíram da cauda da qualificação e terminaram em quinto e sexto lugar, respectivamente. E, quem sabe, se não fosse o toque em Alonso, o piloto alemão teria conseguido mesmo chegar ao pódio, que ficou completo com Valtteri Bottas (Williams), que aproveitou um pião de Kimi Raikkonen para chegar à terceira posição. O finlandês da Ferrari dirigiu-se à equipa para relembrar que já no ano passado lhe havia acontecido o mesmo na mesma curva.

Já a menção negativa fica para a McLaren: a equipa conseguiu um desolador duplo abandono e tem muito que trabalhar com Fernando Alonso. O piloto espanhol recusou abrandar o ritmo para poupar combustível e disse que não ia agir como um amador. Ao ouvir a resposta, um dos engenheiros da McLaren afirmou “We’re going to have big problems!” Alonso, pela primeira vez na sua já longa carreira, abandonou três corridas seguidas. A McLaren tem de mudar alguma coisa na sua estratégia, sendo que Alonso ainda não pontuou e Button segue no último lugar dos pilotos pontuados. É triste ver dois pilotos conceituados, com percursos profissionais de renome, a ficarem nas derradeiras posições do campeonato por culpa de decisões irreflectidas.

Pastor Maldonado pontuou pela primeira vez, ao ficar em sétimo lugar. Já o outro piloto da Lotus, Romain Grosjean, foi penalizado em cinco segundos depois de um acidente com Wil Stevens (Manor Marussia).O jovem franco-suíço provocou o toque, forçando a saída de pista do carro da Manor. Stevens, que ficou com a asa direita partida, chegou mesmo a desabafar para a equipa que Grosjean “foi estúpido”.

Lewis Hamilton consegue assim, em Montreal, aumentar a vantagem para Nico Rosberg – que já é de 17 pontos – e quebrar uma série de duas vitórias do alemão. Sebastian Vettel segue em terceiro, resiliente mas em dificuldades, 43 pontos abaixo. O Campeonato do Mundo F1 2015 volta a 21 de Junho, em Osterreich, Áustria.

Foto de capa: Facebook Mercedes AMG Petronas