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Entrelinhas do Desporto: A desavença de Belém

A rutura de relações entre Clubes e SAD’s não é assunto tabu no futebol português. O investimento desmesurado, o incumprimento de obrigações, as promessas de acionistas estranhos ao Clube-mãe são apenas alguns dos motivos que levaram sociedades desportivas anónimas ao desaparecimento e os respetivos Clubes à ruína e ao recomeço.

Contudo, a desavença de Belém é única no futebol português. As dívidas do Clube para a SAD e da SAD para o Clube, a utilização do Estádio do Restelo, o emblema, os símbolos, o lema e o hino são fatores que contribuíram para uma situação aberrante no futebol português.

Em Belém vive-se uma autêntica crise de identidade, com origem na inconciliação dos interesses do Clube e da SAD. Para que os leitores entendam o verdadeiro litígio, urge decompô-lo até à sua génese.

A 18 de novembro de 1999, o Clube de Futebol Os Belenenses constitui uma Sociedade Anónima Desportiva (SAD), por forma a fazer face ao volume de dívidas e a atrair investidores. O Clube constituiu de forma voluntária uma SAD, visto que àquela data não existia qualquer imperativo legal naquele sentido.

A SAD foi formada numa altura em que não era exigida a sua constituição. Caso não optassem pela criação daquela sociedade, o Clube manter-se-ia com o estatuto de pessoa coletiva sem fins lucrativos, sujeito a um regime especial de gestão. No âmbito do Decreto-Lei n.º 67/97, através do qual se criou a SAD do Belenenses, é possível concluir que a constituição da Sociedade Anónima Desportiva é irreversível e é obrigatória a inclusão de menção que a relacione com o Clube que lhe deu origem.

Fonte: Hugo Rodrigues Cunha

Ao abrigo daquele Decreto-Lei, o Clube e a SAD são indissociáveis de tal modo que, ao Clube correspondem ações de categoria A, às quais estão associados direitos sociais especiais, enquanto que os restantes acionistas são possuidores de ações de categoria B, sem quaisquer direitos sociais especiais. No período em que vigorou aquele Decreto-Lei, o Clube deteria no mínimo 15% ou no máximo 40% das ações na SAD.

Como reforço da indissociabilidade entre Clube e SAD, esta última não poderá adquirir participações sociais em outras sociedades com idêntica natureza. Ou seja, tal como o Clube não pode constituir uma outra SAD, também a SAD não pode adquirir participações em outras sociedades desportivas.

A 4 de novembro de 2012, o então Presidente do Clube, António Soares, no fim da Assembleia-Geral Extraordinária em que foi aprovada a venda das ações detidas pelo Clube à Codecity Sports Management (CSM), detida maioritariamente por Rui Pedro Soares, disse: “Um dos objetivos é perseguir a estabilidade financeira que não conseguimos ter nos dois últimos anos e que nos custou, entre outras coisas, a subida de divisão na última época. Era bom que não tivéssemos passado por isso, mas se estamos a passar é porque precisamos.”.

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A 5 de dezembro de 2012, foi assinado um protocolo de repartição de direitos e obrigações entre o Clube e a SAD de “Os Belenenses”. Este protocolo incluía a utilização, mediante pagamento, e manutenção do Estádio do Restelo e do emblema, símbolos, lema e hino do Clube pela SAD.

A 18 de dezembro de 2012, a CSM comunicou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que havia adquirido ações da SAD, provenientes da Beleminvest SGPS, S.A. e do Clube de Futebol “Os Belenenses”, perfazendo um total de 46,93% do capital social e de direitos de voto na SAD.

Nesse mesmo comunicado, a CSM indicou que no contrato de compra e venda das ações com o Clube, havia a promessa de o Clube vender à CSM, ao preço unitário de €0,001 e global de €50,40, “(…) logo que a lei que regula as Sociedades Anónimas Desportivas permita que o clube fundador tenha uma percentagem mínima de 10% do capital social da respectiva Sociedade Anónima Desportiva (…)”. A mencionada Lei entrou em vigor a 1 de julho de 2013, altura em que a SAD já militava na primeira divisão nacional. Assim, a CSM passou a deter 61,94% do capital social e de direitos de voto.

Além da comunicação da compra e venda das mencionadas ações, a CSM informou que foi firmado um acordo parassocial com o Clube, na qualidade de acionistas da SAD, através do qual se obrigam a uma conduta não proibida por lei. Na verdade, o acordo parassocial só pode ter por objeto o que poderá ser obtido licitamente através do direito de voto. Ou seja, a convenção de voto contida no acordo parassocial visa assegurar a estabilidade da gestão da SAD ou garantir a manutenção de uma política comum e benéfica face aos interesses societários, dentro dos limites legais.

O acordo parassocial incluía a opção de compra, pelo Clube, das ações da CSM na SAD, mediante pagamento de todos os créditos detidos pela CSM e à Codecity Players Investment (CPI), a transferência de 50,00% dos direitos económicos de alguns jogadores do plantel profissional, o pagamento da diferença entre a situação líquida da SAD em 30 de junho de 2012 e a data em que fosse exercida a opção de compra e, ainda, o pagamento de qualquer prestação suplementar (entenda-se injeções de capital) realizada pela CSM na SAD.

Fonte: Atlético CP

No âmbito daquele acordo, o Clube dispunha de dois períodos distintos para proceder à comunicação da compra das ações. Todavia, o Clube nunca procedeu em conformidade, tendo o acordo sido objeto de rescisão unilateral pela CSM a 14 de março de 2014, tendo sido convalidada pelo Centro de Arbitragem Comercial. Destarte, a gestão do futebol profissional do Belenenses continua entregue à CSM ao passo que o Clube fica afastado daquela.

Quando nos debruçamos sobre o protocolo de direitos e obrigações entre Clube e SAD, podemos concluir que a compra das ações detidas pela CSM seria definitivamente de missão impossível para o Clube. O proveito financeiro do Clube era diminuto e as suas receitas fora daquele protocolo eram escassas. Ou seja, a menos que alguma instituição financeira concedesse crédito ao Clube, não lhe seria possível acionar a opção de compra sobre as ações, então vendidas, à CSM.

A cláusula 2.ª daquele protocolo estabelecia que, a SAD tinha o direito de utilização das instalações desportivas e restantes espaços do Complexo Desportivo do Estádio do Restelo, propriedade do Clube, incluindo os serviços adstritos ao desempenho do futebol profissional.

Ainda, de acordo com a cláusula 9ª daquele protocolo, sob a epígrafe “Uso dos símbolos do Belenenses; Partilha de Valores; Sinais distintivos e marca Belenenses; Direitos de Imagem; Gestão Comercial”, a SAD partilha os valores do Clube e no exercício da sua atividade, utilizará obrigatoriamente os símbolos e o emblema do Clube.

Num documento FAQ elaborado pelo Clube de Futebol “Os Belenenses”, a determinada altura pode ler-se: “A verdade é que o acordo atualmente existente é prejudicial ao Clube de Futebol os Belenenses, ainda mais se tivermos em conta que com a resolução do Acordo Parassocial de forma unilateral pela Codecity, o Belenenses passou a ser apenas um sócio da SAD sem quaisquer direitos adicionais nem perspetiva de poder recuperar o controlo da mesma.”.

O Clube denunciou o protocolo de repartição de direitos e obrigações, mediante aviso prévio, com efeitos a partir de 30 de junho de 2018.

Fonte: CF “Os Belenenses”

Ou seja, o único acordo existente entre Clube e SAD relativo à utilização do Estádio do Restelo pelo futebol profissional da SAD e da utilização do emblema, símbolos, marcas, lema e hino do Belenenses inexiste por causa do Clube, numa autêntica resposta à rescisão unilateral da CSM no que concerne ao acordo parassocial.

Recentemente, foi proferida decisão no âmbito de uma providência cautelar interposta pelo Clube contra a SAD no Tribunal da Propriedade Intelectual, sob o processo n.º 215/18.5YHLSB. A partir do trânsito em julgado daquela decisão, a SAD terá de cessar a utilização das marcas, símbolos, incluindo o lema e o hino do Clube.

A providência cautelar tem caráter urgente e é dependente de uma ação principal, sob os mesmos pressupostos de facto. Tem por principal objetivo o de evitar graves prejuízos a quem aparente ser o titular da efetiva existência de um direito pelo que, só após ter sido proferida decisão no âmbito do processo principal é que se poderá afirmar que a SAD não poderá usar definitivamente as marcas, os símbolos, o lema e o hino do Clube. Contudo, a decisão da providência cautelar não é irrelevante no âmbito da ação principal.

Aquela decisão confirmou que o emblema está patenteado a favor do Clube, sendo sua propriedade. Ainda é lá referido que há uma confusão generalizada nos consumidores sobre quem é quem devido à utilização das mesmas marcas, símbolos, lema e hino pelo que, urgia declarar quem é o respetivo proprietário. Nestes termos, o Clube detém o direito de rejeitar à SAD a utilização do emblema, símbolos, lema e hino.

Aliás, o Presidente do Clube, entrevistado após a publicação da decisão foi questionado sobre quem tinha vencido o Benfica, no dia anterior, ao que aquele respondeu que o Belenenses não foi. O clima de animosidade é evidente.

Fonte: Belenenses SAD

Realce-se que a Lei que regula as sociedades desportivas (Decreto-Lei n.º10/2013) não contém qualquer menção quanto à impossibilidade de o Clube e a SAD serem representados por emblemas distintos. Todavia, o seu artigo 6º n.º1 dispõe que “(…) a denominação das sociedades inclui obrigatoriamente menção que as relacione com o clube ou a equipa que lhes dá origem.”. A denominação da SAD terá que incluir menção que a relacione com o Clube pelo que, o seu nome não poderá ser alterado.

Ou seja, a Lei apenas prevê que o nome da sociedade esteja relacionado com o Clube, sem que haja qualquer previsão quanto à utilização obrigatória do emblema, símbolos, lema e hino. Deste modo, caso a SAD queira utilizar o Estádio do Restelo, o emblema, símbolos, lema e o hino do Clube terá que lograr algum acordo pela utilização daqueles.

O universo do futebol português entrou em choque quando veio a público que a SAD do Clube “Os Belenenses” não jogaria no Estádio do Restelo, na época desportiva 2018/2019.

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Como o protocolo de repartição de direitos e obrigações foi objeto de denúncia, com efeitos a partir de 30 de junho de 2018, deixou de impender a obrigação do Clube em conceder a exploração do Estádio do Restelo à SAD.

Neste contexto, o Clube elaborou uma proposta de utilização do Estádio à SAD, a qual não foi aceite, tendo sido considerada absurda pelo Presidente do Conselho de Administração da SAD, Rui Pedro Soares. De facto, a proposta continha preços excessivamente altos pela utilização do Estádio, talvez pelo período de especulação imobiliária que se vive nos grandes centros urbanos em Portugal, sem qualquer consideração pela importância a nível económico e desportivo da utilização do Restelo pelo futebol profissional da SAD.

O novo protocolo de repartição de direitos e obrigações previa o pagamento de uma renda anual no valor de €60.000,00 para a utilização das funcionalidades do Estádio do Restelo, não estando assegurada, pasme-se, a exclusividade durante o horário de trabalho da equipa profissional de futebol. O Clube também propôs à SAD o pagamento do valor de €500,00 por treino e de €15.000,00 por cada jogo efetuado. Ora, a SAD realizando 17 jogos em casa iria pagar a quantia total de €255.000,00, sem incluir a renda anual e o valor pago por cada treino, na época desportiva de 2018/2019. Ademais, nos termos daquele acordo, sempre que os direitos económicos de um atleta formado no Clube fossem transferidos para outro, através da SAD, esta deveria pagar 25% do produto daquela transferência.

Na presente data, o Estádio do Restelo encontra-se penhorado por uma dívida superior a 5,3 milhões de euros, a qual poderá ser liquidada mediante a concessão de um espaço e da sua exploração, junto ao Estádio do Restelo, para a empresa alemã “Lidl”. Este negócio, já concluído, rondará os 6 milhões de euros, levantado definitivamente a penhora existente e a respetiva execução extinta. O negócio é bastante proveitoso e proporciona as necessárias condições para que o Clube obtenha a tão desejada estabilidade financeira e económica. Assim sendo, não se compreende o porquê de serem exigidos valores tão elevados pela utilização do Estádio do Restelo.

Como não foi logrado um acordo quanto àquele protocolo, a SAD jogará em “casa” na época 2018/2019 no Estádio do Jamor, mediante o pagamento de valores variáveis por cada jogo realizado pois, para além do relvado e os balneários, poderão ser abertos determinados setores das bancadas conforme a expetativa de assistência.

De uma perspetiva jurídica, a proposta de acordo não padece de qualquer ilegalidade. Contudo, o Clube haveria que ter em consideração a história e relevância do Belenenses e do Estádio do Restelo no futebol português. De um ponto vista material, tanto o Clube como a SAD estão a causar mútuos prejuízos pela não conclusão de um acordo razoável e proporcional aos interesses de ambas as partes.

Fonte: Bola na Rede

Por fim, o Clube criou uma equipa de futebol sénior que atualmente joga no Estádio do Restelo e usa o respetivo emblema, símbolos, lema e hino. O Presidente do Clube afirmou que o Clube jogaria de novo em competições profissionais, embora seja necessário para o efeito a constituição de uma SAD ou SDUQ. É legalmente impossível que, no âmbito do Decreto-Lei n.º 10/2013, um Clube possa participar numa competição profissional de futebol visto que para o efeito, ter-se-ia que constituir uma SAD ou SDUQ. Vejamos, cada Clube ao realizar uma personalização jurídica numa SAD ou SDUQ possuirá, no mínimo, 10% do capital social da sociedade, as quais são inalienáveis. Uma vez que o Clube de Belém já criou uma SAD, não pode no futuro, a menos que aquela seja dissolvida, criar uma outra SAD ou SDUQ. Caso contrário, havíamos de em Portugal ter Clubes que serviriam de autênticas barrigas de aluguer. Desta forma, a equipa de futebol criada pelo Clube só poderá ambicionar jogar no Campeonato Nacional de Seniores.

A SAD será a representação eterna, a não ser que esta seja dissolvida, nas competições de futebol profissional do Clube de Futebol “Os Belenenses”. Aliás, seria desconforme ao espírito da Lei e do sistema jurídico que o mesmo Clube pudesse criar várias SAD’s a seu bel prazer.

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Após a resolução unilateral do protocolo de repartição de direitos e obrigações, Patrick Morais de Carvalho indicou que o Clube não teria quaisquer direitos sociais adicionais relativamente aos restantes acionistas. É controverso que o Presidente que ordenou a denúncia daquele protocolo, agora lamuria-se do facto do Clube não possuir quaisquer direitos societários adicionais. O Clube, por lei, dispõe de direitos societários adicionais, a saber:

 

  1. a) O direito de veto das deliberações da Assembleia-Geral da SAD que tenham por objeto a fusão, cisão, ou dissolução da sociedade, a mudança da localização da sede e dos símbolos do Clube, desde o seu emblema ao equipamento;

 

  1. b) O poder de designar pelo menos um dos membros do órgão de administração, com direito de veto das respetivas deliberações que tenham por objeto o referido na alínea a);

 

Se o Clube pretende obter mais direitos societários, um acordo haverá que ser alcançado no que concerne ao protocolo de repartição de direitos e obrigações com a SAD.

O Presidente Patrick Morais de Carvalho refere que o Clube não possui qualquer informação sobre a gestão do futebol profissional e da contabilidade da SAD. Esta é uma situação de fácil resolução visto que se poderiam acionar os meios jurisdicionais adequados para a entrega coerciva das informações requeridas. Sem que fosse necessário o recurso à via jurisdicional, o Clube podia e pode enviar um pedido de convocação de Assembleia-Geral Comum na SAD, dirigida ao Presidente da Mesa da Assembleia-Geral, indicando os respetivos pontos da ordem de trabalhos que gostaria de abordar perante o Conselho de Administração e restantes acionistas.

O protocolo de repartição de direitos e obrigações entre Clube e SAD deveria prever tanto a utilização do emblema, símbolos, lema, hino e do Estádio do Restelo pela SAD, mediante proporcional remuneração, assim como o Clube deveria dispor de adicionais direitos especiais societários na SAD. Desta forma, poder-se-ia solver o litígio.

Em suma, não se poderá comparar a situação que atualmente vive o Belenenses com os fatídicos casos do Beira-Mar, do Atlético e do Olhanense porquanto o contexto fáctico é completamente diferente. A SAD do Belenenses consolidou a sua posição na primeira divisão nacional, participando em 2014/2015 nas competições europeias, e são das poucas equipas que, se não a única, apostam no talento da sua formação e em atletas portugueses. A nível financeiro a SAD não se encontra insolvente ou com dificuldades para fazer face aos seus compromissos financeiros como estavam as SAD’s do Beira-Mar, do Atlético e do Olhanense.

Apesar de Patrick Morais de Carvalho e Rui Pedro Soares estarem a agir em nome do Clube e da SAD, respetivamente, o certo é que não agem no estrito interesse do Belenenses. Os discursos populistas de que os sócios é que devem comandar o destino da gestão do futebol profissional da SAD são puramente demagógicos. O Decreto-Lei que regula as sociedades desportivas foi criado com o intuito de profissionalizar a administração dos Clubes participantes em competições profissionais.

Fonte: Belenenses SAD

O futebol é desde há muito um negócio. Os sócios do Clube são essenciais para a SAD porque são eles que compõem no plano desportivo e económico o 12º jogador mas, no que toca ao plano financeiro, a irrelevância dos sócios está vertida na quantia total de quotas arrecada.

Na verdade, na génese da desavença de Belém está a luta pelo poder do conselho da administração da SAD, entre Patrick Morais de Carvalho e Rui Pedro Soares. Colocam os seus interesses acima do Belenenses e dos seus sócios, utilizando a marca como arma de arremesso. Todavia, não podem os sócios ou o Presidente do Clube exigir o controlo dos destinos do futebol profissional sem que haja o respetivo investimento em capital social.

O prejuízo financeiro que este litígio tem criado à marca Belenenses é imensurável. A divisão entre sócios também é notória e não abona a favor da responsabilidade social e desportiva que o Belenenses tem no panorama nacional.

A omissão de qualquer tipo de atitude das mais altas entidades desportivas em Portugal é de se bradar aos céus, com especial ênfase para a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP). Não só por este caso, esta tem vindo a demonstrar que não passa de uma instituição de marketing e de que tem os seus dias contados, como já é anunciado há algum tempo. Também me questiono se a desavença de Belém se manteria tanto tempo caso se tratasse de um dos três grandes.

Não se esqueçam, os Administradores e 1Dirigentes são como os atletas: vêm e vão mas o Belenenses fica.

Foto de Capa: Bola na Rede

Os 3 melhores jogadores do Brasileirão 2018

Com o Campeonato Brasileiro a chegar ao fim já surgem muitas especulações sobre quais foram os atletas que mais se destacaram durante a competição. Na maioria dessas análises, os nomes mais presentes são o dos avançados Dudu do Palmeiras, Everton do Grêmio e do médio Paquetá, do Flamengo. E esses três jogadores foram de facto os que mais fizeram a diferença no Brasileirão. Vamos aos dados e ao pódio.

Parma Europeu até quando?

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O Parma Calcio 1913, em ano de regresso ao teto dos campeonatos italianos, transpira estabilidade. Ao inverso do que lhe sucedera quando foi rebaixado até ao escalão mais raso de todos os profissionais em Itália, hoje encontra-se, inclusivamente, nos lugares europeus da tabela classificativa!

Tive a oportunidade de debater um pouco acerca desse capítulo incontornável da história recente do clube no final da época transata. Falei de Lucarelli, um defesa central absolutamente importante na caminhada de volta à Serie A. Para colmatar a ausência de Lucarelli, foi Bruno Alves a ser a escolha, tanto para ocupar a posição em campo, como também para o balneário. E o desempenho do experiente defesa natural da Póvoa de Varzim tem sido bem notório… Uma das grandes vitórias do Parma mesmo antes da época se iniciar, na minha opinião.

Não é por caso ver uma equipa que ainda à pouco se apurou para a primeira divisão estar tão sólida. Afinal, encontra-se na equipa vários elementos que justificam essa solidez. Na defesa, os quatro habituais são Iacoponi, na direita; Gobbi, na esquerda; e Gagliolo e Bruno Alves no centro. Stulac, joga a trinco, e é uma peça chave na cobertura do miolo do terreno.

Mais à frente, Gervinho, um jogador que habituou os apaixonados deste desporto a associá-lo à qualidade técnica, mas índices de consistência de forma baixos, tem sido uma peça em que a criatividade e a ruptura são possibilitadas como soluções em vários momentos do jogo. Porém, o futebolista africano já caminha para a reta final da carreira, sendo provável que vá perdendo os dotes que todos lhe reconhecem.

Jonathan Biabiany tem sido um extremo ou médio direito muito pretendido por esta equipa transalpina. Fez parte da equipa em 2009, 2010, 2012, 2015 (na condição de emprestado apenas uma vez, nas outras ocasiões não trouxe o jogador sem desembolsar alguma quantia) e desde o começo desta temporada (2018/19). Certamente vive um Parma diferente, pelo menos com saúde financeira nesta quinta passagem por lá!

O Parma é uma equipa que joga muito junta, como emana a velha escola italiana
Fonte: Parma Calcio 1913

Roberto Inglese é o típico avançado italiano. Muito parecido, por exemplo, com Pippo Inzaghi, a meu ver. Móvel e com faro de golo, o ponta de lança que se encontra em regime de empréstimo, proveniente do Nápoles, é a referência ofensiva de uma equipa que se encontra em 6º lugar, com mais dois golos sofridos do que marcados!

Tal se deve ao típico cinismo do futebol italiano. Equipas fechadas, compactas, extremamente organizadas, linhas e setores muito próximos entre si. Em 4-3-3, esquema mais utilizado do conjunto crociati. Roberto D’Aversa é o técnico, e vê a sua ideia de jogo bem concretizada.

O futebol é imprevisível, mas ver uma equipa falida, voltar em três anos ao escalão máximo do seu país, nesse escalão estar em 6º lugar pode fazer confusão a muita gente… Contudo, não esquecer que é uma equipa com capital injetado, tem qualidade sim senhor, sabe interpretar os momentos chave do jogo, e mais importante tem mérito na sua classificação. Até Maio, essa classificação vai sofrer variações, depende da frescura dos jogadores durante toda a longa época.

Defronta um Milan, em San Siro, muito desfalcado, o que poderá ajudar esta equipa na conquista de um resultado abonatório. Não seria surpresa!

Foto de capa: Parma Calcio 1913

Revisto por: Jorge Neves

Força da Tática: No silêncio das goleadas, evolui um candidato

Esta semana de Liga dos Campeões marcou a qualificações de várias equipas para os oitavos de final da prova. No Grupo H, Manchester United FC e Juventus FC confirmaram o passaporte para a próxima fase com vitórias pela margem mínima frente a BSC Young Boys e Valencia CF, respetivamente.

Quando, nesta edição, se fala em candidatos à vitória, é difícil não pensar em Manchester City FC, Barcelona FC, Club Atlético Madrid e Juventus FC, assim, alguns adeptos podem estranhar o facto da vitória bianconeri ter sido alcançado apenas pela margem mínima.

É dessa vitória mínima que vou falar, três pontos que contam uma história muito interessante de uma equipa que de forma silenciosa vai dominado adversários. Da forma segura como circula a bola e domina o adversário, sempre preparada para uma possível perda da mesma, à forma como se organiza defensivamente.

Equipas Iniciais

O Valencia apresentou o seu habitual sistema 4-4-2, com Parejo e Kondogbia no centro do meio campo, Coquelin pelo lado direito e Guedes pela esquerda. Na frente a dupla Santi e Rodrigo, tinha a missão de destabilizar a construção italiana, sem bola.

Já a Juventus manteve o seu, cada vez mais habitual, 4-3-3 com Pjanic a ser ladeado por Matuidi e Bentancur. O internacional uruguaio continua a evoluir no silêncio, à semelhança da equipa, e assume cada vez um papel de importância no plantel da Juventus, repleto de opções e qualidade. Dybala começou o jogo na frente de Cancelo, pela direita, mas flutuava constantemente para o corredor central, assumindo-se como um #10, com o corredor entregue ao português.

Valencia, um candidato à Liga Europa

Marcelino García Toral não teve um início de época muito fácil, mas é inegável a forma exímia como trabalha o momento de Organização Defensiva, através do clássico 4-4-2, defendendo de forma sólida e transitando rapidamente quando a bola é recuperada. Não se trata de um sistema “Estacionar o Autocarro”, longe disso como vemos nas imagens em baixo, pelo adiantar dos jogadores. Mina e Rodrigo tentaram de forma ativa pressionar os defesas centrais e Pjanic, de forma a prevenir a progressão da bola de forma tranquila e estável. A Juventus, ao fazer subir os seus defesas laterais, Cancelo e Alex Sandro, conseguia ter superioridade numérica 3vs2 no centro do terreno, mas os dois avançados do Valência realizaram um excelente trabalho na prevenção do “passe fácil” para Pjanic.

Fonte: BT Sport 2

 

Com a ligação Defesas Centrais – Pjanic bloqueada, de forma direta, Bentancur ia baixando junto ao lado direito, aproveitando o espaço criado pela subida de Cancelo, para receber e avançar até ao meio campo.

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Quando dava de frente com a primeira das duas linhas de quatro do Valencia, a equipa procurava Dybala, entre linhas, ou as ações individuais de Cancelo.

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Dinâmicas relativamente simples e sem muito risco, sempre com jogadores atrás da linha da bola, com a finalidade de encontrar o homem livre entre linhas. Vemos também a importância de ter um homem a fixar a linha defensiva e que reconhece o movimento de Cancelo, quando este vêm para dentro, indo para fora, para criar o espaço no meio.

Contudo o Valência realizou um excelente trabalho na fase defensiva. Os movimentos de Bentancur e Dybala, que baixavam para receber o 1ª passe, permitiam à equipa ultrapassar a linha de pressão do Valencia, o que colocava grande pressão sobre a segunda, em especial Dani Parejo e Kondogbia.

Esta dupla tinha de dividir a sua atenção entre o portador da bola (na sua frente), o homem que tinham a flutuar nas suas costas (Dybala) e a posição dos restantes companheiros, uma missão que realizaram bem, se tivermos em consideração a dificuldade da mesma. Escolhendo bem os momentos para pressionar ou manter a posição central.

Se fazemos o 1-0, o jogo está feito

Esta é, provavelmente, a sensação que os jogadores da Juventus tem quando entram em campo. Pelo menos é a que eu tenho quando vejo os jogos da equipa de Turim, muito semelhante aquela que sentia nos melhores anos do Atlético de Madrid de Simeone, das duas finais da Liga dos Campeões.

Fonte: BT Sport 2

Ronaldo, mantêm-se encostado ao flanco esquerdo onde recebe para encarar o adversário. Quando isto acontece, o português ou vêm para dentro e remata ou solta na sobreposição de Alex Sandro, que vêm disparado desde trás. A equipa de Turim coloca 3 homens em zona de finalização e mantêm dois na cobertura à grande área, com a equipa preparada para ganhar segundas bolas e evitar as transições do adversário.
Esta é, provavelmente, a sensação que os jogadores da Juventus tem quando entram em campo. Pelo menos é a que eu tenho quando vejo os jogos da equipa de Turim, muito semelhante aquela que sentia nos melhores anos do Atlético de Madrid de Simeone, das duas finais da Liga dos Campeões.

2ª Parte

No segundo tempo, Allegri colocou Quadrado na direita e passou Cancelo para o corredor esquerdo. Uma alteração que soltou ainda mais Dybala para as zonas centrais e manteve Cristiano próximo ao corredor esquerdo. Um esquema assimétrico, que permitia à Juventus chegar com facilidade ao último terço e controlar o jogo.

Controlar o jogo por aquilo que deixava o Valencia jogar. Isto é, mesmo que a Juventus perdesse a bola, isso acontecia próximo à grade área adversária e não na sua zona média o que tornava muito difícil para o Valencia colocar em prática contra-ataques.

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Vemos como a Juventus reage à perda da bola, aproximando, comprimindo o espaço forçado ao jogo direito onde vinha ao de cima a capacidade de antecipação dos defesas centrais, permitindo à equipa manter-se no meio campo adversário, com bola.

Uma equipa que domina os adversários pela forma como posiciona as suas peças em campo, ligadas fortemente entre si. No tabuleiro de Allegri, as peças estão conectadas para ganhar a competição e não para golear adversários.

Foto de capa: Juventus FC

Revisto por: Jorge Neves

 

Os lugares começam a ficar definidos – NFL Semana #12

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Os lugares de vencedores de divisão parecem estar fechados neste momento com Patriots, Texans, Steelers, Chiefs, Rams, Saints, Cowboys e Bears. Somente os Chargers e Vikings parecem estar a uma distância alcançável da liderança. Por isso, a luta neste momento é pelas posições de wildcard com Chargers, Ravens, Vikings e Seahawks como favoritos.

O incrível líder do Oeste

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Warriors? Rockets? Nuggets? Uma coisa todos eles têm em comum. Com 25% da temporada já jogada, todos eles têm de olhar para cima na classificação, porque o líder da conferência mais próxima do Pacífico mora em Los Angeles. E não foi a equipa que assinou com LeBron James. No pós-Lob City, os Clippers vão surpreendendo tudo e todos e lideram a mais complicada conferência da NBA, numa divisão, já de si, bastante difícil. E tudo isto sem uma super-estrela!

Quem já leu alguns dos meus textos, saberá por esta altura que sou um acérrimo crítico do trabalho de Doc Rivers, quer como diretor, quer como treinador dos Clippers. No entanto, e caso o tivesse, esta seria a altura ideal para tirar o chapéu e aplaudir o fantástico trabalho de Rivers nesta temporada. Na ressaca das saídas de Chris Paul, Blake Griffin e DeAndre Jordan, que aconteceram durante o último ano, o experiente treinador soube montar uma equipa sólida e competente, longe dos egos do passado, que se senta, nesta altura, no trono do Oeste na NBA.

O segredo das equipas vencedoras ao longo dos anos na NBA tem sido a quantidade de estrelas presentes numa equipa. Quanto mais estrelas, mais perto estás da vitória e, por outro lado, menos minutos sobram para piores jogadores. Mas os Clippers testaram outra fórmula: sem uma clara grande estrela no plantel, porque não juntar vários bons jogadores, deixando assim também a porta fechada a minutos para jogadores menos capazes. O plantel dos Clippers é vasto – Milos Teodosic e o rookie Jerome Robinson pouco têm jogado – e permite a Doc Rivers ter várias possibilidades de mexer com o jogo.

O segredo dos Clippers? O coletivo
Fonte: Los Angeles Clippers

Embora toda a equipa funcione muito bem, a grande força destes Clippers encontra-se nos extremos. Tobias Harris e Danilo Gallinari têm sido os maiores produtores de pontos e combinam na perfeição. Harris deve conseguir um aumento bem chorudo no verão, enquanto Gallinari está, finalmente, de volta ao que demostrou em Denver, após um ano complicado, carregado de lesões.

Porém, não devemos esquecer o rookie Shai Gilgeous-Alexander, que se vai apresentando como um dos melhores estreantes da liga, assumindo o papel de maestro. Montrezl Harrell e Lou Williams fornecem os pontos vindos do banco, ainda que Lou não tenha atingido o nível que fez dele o melhor suplente da NBA na temporada transata. E, mesmo com todos estes pontos positivos, jogadores como Pat Beverley ou Avery Bradley têm sido quase inexistentes no ataque (embora excelentes na defesa) e podem aumentar ainda mais a capacidade desta equipa.

A turma de Los Angeles quase conseguiu chegar aos playoffs no ano passado e este ano prepara-se para desafiar novamente as probabilidades e evitar cair na reconstrução através do draft. Pelo menos, é isso que este início de época faz prever para uma equipa a quem poucos pensariam estar a dar atenção.

Foto de Capa: Los Angeles Clippers

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Rui Vitória fica… e agora?

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Rui Vitória vai continuar a ser o treinador do Benfica! Antes de passar à apresentação dos factos, permitam-me, na qualidade de redator da secção Benfica, que dê a minha opinião em primeiro lugar.

Creio que todos estão a par dos acontecimentos que têm marcado os últimos dois dias, desde a derrota por 5-1 com o Bayern. Se não estão, não se preocupem, pois terão acesso a tudo neste artigo.

Aquilo que se tem sucedido é o culminar de todo um conjunto de resultados e exibições que não têm agradado aos benfiquistas. Apesar de todas as competições estarem em aberto – excluindo a Liga dos Campeões -, vê-se claramente que algo não está bem e que a mudança é imperial.

A escolha em manter Rui Vitória à frente do “projeto do Benfica” tem suscitado (e vai continuar a suscitar) imensas opiniões. Há quem o defenda e considere que é o treinador ideal, e há quem, pura e simplesmente, não concorde com a medida do presidente Luís Filipe Vieira.

Entendo ambas as visões, mas concordo, sem dúvida, com a segunda. Passo a explicar o porquê.

Rui Vitória atingiu o seu limite no Benfica! Em quatro épocas, conquistou seis títulos e foi, a par com Jorge Jesus, responsável pelo tetracampeonato. Lançou vários jovens do Caixa Futebol Campus; foi acesamente defendido por Luís Filipe Vieira; falhou na conquista do penta e, num espaço de apenas duas épocas, colocou o Benfica a jogar de forma péssima. Passou do 4x4x2 para o 4x3x3 num ápice; fez uma quantidade enorme de escolhas erradas e não conseguiu extrair o melhor que os jogadores conseguem dar. A equipa também tem culpa, é verdade, mas o treinador é o principal responsável pela esquematização do sistema tático e por colocar a equipa a jogar. Neste aspeto, falhou redondamente: os resultados são prova disso.

Este voto de confiança é inesperado. As palavras de Luís Filipe Vieira na conferência de imprensa tentaram ser esclarecedoras, mas falharam no mais importante: e se tudo corre mal? Se a equipa perde? Se a equipa é eliminada da Taça de Portugal? Se a equipa é eliminada da Taça da Liga? Se a equipa falha na “Reconquista”?

Enquanto benfiquistas, é importante refletir sobre estas questões, coisa que Luís Filipe Vieira não deve ter feito. Acredito numa decisão “amadurecida”, mas não suficientemente reflexiva do momento atual, do “descontentamento generalizado dos benfiquistas”, como carinhosamente apelidou, e do que realmente é necessário: a mudança!

Agora, cabe-nos tentar encontrar algum cabimento nesta sequência de acontecimentos! Cabe-nos continuar a questionar e, mais importante, ver a maneira como a equipa irá entrar em campo nos próximos jogos. Questionar, questionar e questionar a enorme facada que Luís Filipe Vieira pregou aos benfiquistas!

Quanto a factos não há argumentos e percebo o orgulho excessivo do presidente naquilo que Rui Vitória construiu. “Tivemos dois treinadores e ganharam 16 títulos em 10 anos” foi uma das frases desta conferência, frase esta que não deixou de atacar os rivais e, principalmente, os adeptos.

Rui Vitória mantém-se como treinador do Benfica. O que é que esta decisão pode significar para o futuro do clube?
Fonte: SL Benfica

Recorrendo aos factos, todo este buzz em torno de Rui Vitória culminou com a derrota por 5-1 com o Bayern, que afastou os encarnados da Liga dos Campeões e que os atirou para os 16 avos de final da Liga Europa.

O mau resultado e a péssima exibição da equipa na Allianz Arena motivaram todo um debate sustentado em factos reais e concretos e também em muitos rumores. Muita informação que saiu para a rua foi completamente distorcida, quero eu acreditar.

Foi noticiado que, devido aos maus resultados e às exibições apresentadas, o percurso de Rui Vitória estava perto da saída. Foram apontados os nomes de Rui Faria, Luís Castro e até de Jorge Jesus para possíveis sucessores. A discussão foi-se alastrando, mas sem nenhuma informação concreta e oficial. Sabia-se que o fim da linha se aproximava, mas tudo não passava de meros rumores.

Na sequência da suposta rescisão de contrato, foi apontado que Bruno Lage, Renato Paiva, Luisão e Júlio César ficariam encarregues de orientar a equipa de forma interina até se chegar ao nome do próximo treinador.

A manhã do dia de hoje foi decisiva para desfazer todas as dúvidas: na sequência das reuniões – urgentes – que Rui Vitória teve com Luís Filipe Vieira, foi decidido que iria continuar ao leme dos encarnados, não como uma segunda oportunidade, pois nunca tinha saído, mas como um voto de confiança reforçado.

A decisão deu origem a uma conferência de imprensa dada por Luís Filipe Vieira às 20 horas do dia de hoje.

Nesta comunicação, o presidente manteve a confiança total e absoluta na continuidade de Rui Vitória, justificando-se com os títulos que alcançou, com os jogadores do Caixa Futebol Campus que lançou e com o comprometimento com o atual projeto dos encarnados. Afirmou que nenhum dos eventuais treinadores sucessores tinha sido contactado, muito menos Jorge Jesus, que estava praticamente a ser dado como certo na estrutura técnica. Simplesmente foram os nomes que “vieram à baila”.

Quanto ao “descontentamento generalizado dos benfiquistas”, pura e simplesmente não lhe atribuiu qualquer importância. Realçou – e com razão – que todos os títulos estão em aberto, reforçando, também, os títulos conquistados e o Caixa Futebol Campus.

A decisão foi tomada às 7:30 horas do dia de hoje e a primeira pessoa a sabê-lo foi Tiago Pinto. Seguiu-se a reunião com Rui Vitória e a oficialização daquilo que, na visão de Luís  Filipe Vieira, sempre se soube: Vitória iria continuar no Benfica.

Agora questiono: se Rui Vitória era, desde o primeiro momento, o treinador ideal para o “projeto do Benfica”, e se os benfiquistas mal foram tidos em consideração pelo presidente, porquê é que tudo isto aconteceu? Porque é que tivemos de levar com esta facada em cima, numa altura em que tínhamos esperança de que Rui Vitória iria embora? Porquê? É o que gostava de saber.

O que fazemos agora? Para onde queres levar o Benfica, caro presidente? E se tudo correr mal? Vais convocar outra conferência e dar mais um voto de confiança ao atual treinador? Ou vais, por uma vez na vida, e neste caso em concreto, ouvir os adeptos e os sócios benfiquistas?

Deixo estas perguntas em aberto. Não sei se serão respondidas, mas pelo menos espero deixar bem clara a minha posição neste assunto.

Saudações benfiquistas!

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Qarabag FK 1-6 Sporting CP: Leões rugem bem no segundo jogo de Keiser

O Sporting deslocou-se ao Cazaquistão com a possibilidade de carimbar, a uma jornada do término da fase de grupos, a passagem aos 16 avos de final da Liga Europa. Para tal, e para não depender de terceiros, bastava vencer a partida e conquistar assim os três pontos.

Assim sendo, o Sporting começou o jogo logo com o pé no acelerador e adiantou-se no marcador logo à passagem do quinto minuto:  numa jogada ofensiva desenhada pelo lado direito do ataque sportinguista, Bruno Gaspar cruzou rasteiro para Bas Dost, que rodopiou de forma magnífica e sofreu um toque já na grande área; Petr Ardeleanu, árbitro da partida, apontou perentoriamente para a marca dos onze metros e o avançado holandês não desperdiçou, colocando assim o Sporting na frente do marcador.

Porém, os ‘azeris’ reagiram bem ao golo sofrido e aos 14 minutos chegaram mesmo ao golo do empate. Guerrier apareceu isolado ao segundo poste após um cruzamento largo do flanco direito, amorteceu de peito Zoubir, que atirou forte e restabeleceu a igualdade no marcador.

O Sporting, apesar do golo empate, não reduziu o ritmo da partida e rapidamente voltou a estar na frente da partida. Aos 20 minutos de jogo, numa rápida jogada ofensiva, Bruno Fernandes apareceu com espaço numa zona frontal e atirou à baliza sem pensar duas vezes. O remate saiu fraco, mas Halldórsson, traído pelo relvado, não conseguiu travar o pontapé do médio português.

Treze minutos depois, os leões voltaram a festejar em Baku. Nani, após passe de Wendel, conduziu a jogada de forma magnífica: passou por quatro jogadores de forma brilhante e, já na área, atirou a contar. Momento de pura magia do avançado português!

Até ao intervalo não houve mais nenhum golo, mas os homens da casa ficaram muito perto de voltar a agitar as redes de Renan Ribeiro. Aproveitando um desentendimento na defesa leonina, Michel, assistido por Zoubir, fez um chapéu quase perfeito ao guardião dos leões. Só não foi perfeito porque apareceu Bruno Fernandes, em esforço, a tirar a bola da linha de golo.  Grande solidariedade defensiva do médio português.

Jogadores do Sporting foram claramente superiores
Fonte: Sporting CP

O árbitro checo acabou mesmo por mandar os jogadores para os balneários, num primeiro tempo em que o Sporting foi notoriamente superior, mas onde ficou também patente que o Qarabag conseguia sempre assustar os homens de Keiser.

Se, por um lado, a primeira parte foi disputada num ritmo elevado, o segundo tempo foi bem cauteloso. Muito por causa do Sporting, que foi adormecendo o jogo ao longo da partida e que tem um difícil embate frente ao Rio Ave na próxima jornada do campeonato, o jogo não trouxe muitos mais lances dignos de registo.

Foi preciso esperar até aos 64 minutos para voltar a haver golo no Cazaquistão. Após um passe de Wendel, e aproveitando um clamoroso erro de Guerrier, Mali progrediu no terreno, driblou o guardião islandês e fez o qua

Pouco depois, aos 71 minutos, Wendel voltou a estar numa jogada ofensiva. Após um cruzamento tenso de Jovane Cabral, que substituiu Bas Dost, o médio brasileiro apareceu isolado ao segundo poste onde falhou de forma escandalosa.

Quatro minutos depois, os homens de Keiser voltaram a festejar. Numa belíssima jogada desenhada em zona frontal, Wendel (mais uma vez!) assistiu Bruno Fernandes, que, de pé esquerdo, fuzilou a baliza ‘azeri’.

Aos oitenta minutos, o sexto dos leões: Jovane, com espaço, cruzou para a área onde apareceu, também com espaço, Diaby, que aproveitou e aumentou (ainda mais!) a vantagem dos leões.

A vantagem ficou acabou por se pautar nos 5 golos de diferença e o Sporting deu provas de que é claramente superior a esta equipa ‘azteca’ e que está claramente num bom caminho.

Foto de Capa: Sporting CP

CSA, a grande sensação do futebol brasileiro

O futebol sempre nos reserva algumas boas surpresas. Nesta temporada, o futebol brasileiro foi agraciado com a coroação e confirmação do tradicional CSA (Centro Sportivo Alagoano) na elite do futebol nacional. Há apenas três anos o clube não se encontrava em nenhuma divisão nacional. O ostracismo imperava neste carismático clube de Maceió. Para piorar, os torcedores do Azulão do Mutange viam o seu grande rival, CRB, disputar as edições do Campeonato Brasileiro da Série B. Porém, a partir de 2016 tudo começou a mudar. A equipa começava a escrever a página mais bonita de sua história. Veja a cronologia do clube nos últimos anos:

 

2016 – Vice-campeão da Série D

2017 – Campeão da Série C

2018 – Vice-campeão da Série B

2019 – Participante da Série A

 

O presidente do Azulão, Rafael Tenório, está no clube desde 2015 e admitiu que no início do seu mandato tirava dinheiro do próprio bolso para honrar os compromissos. Mas, atualmente, não faz mais essa prática e garante que o CSA é sustentável. No comando técnico da equipa, temos o jovem e promissor treinador Marcelo Cabo. Cabo já tinha realizado um feito incrível ao ser campeão da Série B com o Atlético-GO, em 2016. Mas no CSA o desafio era ainda maior, pois o clube tinha a ambição de ser promovido à Série A e assim voltar a disputar a maior competição nacional após 31 anos. Toda a formação do elenco foi aprovada pelo treinador.

Mosaico feito pela torcida do CSA com três personalidades brasileiras, adeptas do clube                      Fonte: CSA

Apesar da conquista da Série C na temporada passada, a atual temporada foi a que teve maior destaque. Jamais um clube do futebol nacional conseguiu ascender em tão pouco tempo do ostracismo total (nove meses sem disputar uma partida) à elite nacional. A campanha na Série B virou os holofotes para o CSA. Alguns jogadores importantes ganharam visibilidade e foram negociados ainda no decorrer da competição, como no caso do médio Edinho que foi para o Ceará. Outros atletas aguardam propostas. Manter a base desta temporada e reforçar pontualmente o plantel será o grande desafio da direção. A torcida do Azulão também teve destaque na campanha de subida. O CSA teve a segunda maior média de público e a segunda maior receita da Série B, ficando atrás apenas do campeão Fortaleza.

O ano de 2019 será para a metade azul de Maceió como viver um sonho. O orçamento da equipa será bem inferior a vários outros concorrentes que disputarão o Brasileirão. Mas com critério nas contratações a equipa pode conseguir a manutenção e se estruturar melhor para que em 2020 alcance novos voos. Histórias como a do CSA encantam todos amantes do futebol. Impossível não desejar o sucesso de uma equipa que saiu do limbo para alcançar o paraíso. Agora é esperar para vermos até onde o Azulão da Mutange poderá chegar no Campeonato Brasileiro.

Foto de capa: CSA

Revisto por: Jorge Neves

Em Montalegre sonha-se mais alto

No passado domingo fez-se história em Montalegre. Pela primeira vez em cinquenta e quatro anos de histórias para contar, o clube passou para os “oitavos” da Taça de Portugal, onde apenas marcarão presença 16 equipas portuguesas.

Neste momento, em Montalegre, o alvoroço deve ser inexplicável! Os barrosões nunca estiveram numa fase tão adiantada da competição, mas não é por isso que pensam pequeno. O treinador, José “Viage”, veio, inclusive, dizer que a equipa quer marcar a diferença, quer criar impacto e, que, para isso, teriam de eliminar um dos titãs do campeonato português.

Só queria aqui salientar uma coisa: o CDC Montalegre tem ainda na sua equipa jogadores que, para além de jogarem futebol, têm part-times em áreas como enfermagem, informática e fisioterapia. E agora pergunto: esta é a mesma equipa que não tem medo de olhar nos olhos de um clube de primeira divisão? Desde já, o meu apreço por isso! Realmente, é a Taça de Portugal e basta!

Para quem não sabe, este sonho que Montalegre está a viver é comandado por dois irmãos. É verdade: o treinador, José “Viage”, e o presidente, Paulo Reis, são mesmo irmãos. Mas, por incrível que pareça (e quem tem irmãos sabe do que falo), os dois não andam sempre às “turras”. Até pelo contrário! Sendo assim, é caso para dizer: “Irmãos, irmãos… negócios à parte”. O entusiasmo é partilhado pelos dois e ambos não têm dúvidas de que esta é uma das etapas mais bonitas vividas pelo clube desde o ano da fundação.

Para termos uma ideia mais pragmática daquilo que o Montalegre alcançou, sejamos claros. Para além destes, apenas duas equipas da 2.ª liga estão presentes na próxima fase da competição e as restantes são da Primeira Liga. Desde 74/75 que tal não acontecia. Por isso, acho que deve ser dado ainda mais o mérito ao clube. Contudo, há uma coisa que gabo nesta equipa: ninguém se faz de coitadinho. Dizem que querem surpreender e até vão mais longe, dizendo que, apesar de as probabilidades não estarem a favor, também era possível eliminar um dos grandes.

Depois de eliminar o RD Águeda por 1-0, o CDC Montalegre segue para os “oitavos” da Taça de Portugal
Fonte: Bola na Rede

A verdade é que já não era a primeira e nem haveria de ser a última vez que uma equipa de Primeira Liga iria sentir mais dificuldades em eliminar uma equipa do Campeonato de Portugal. Vejamos o exemplo do jogo SC Braga – SC Praiense, por exemplo.

Isto é tudo muito bonito, mas não esqueçamos que continua a ser o futebol português e não é tudo um mar de rosas. Não posso de deixar de falar na seguinte intriga: o Águeda apresentou uma participação ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, pedindo a eliminação do Montalegre da competição. A queixa deve-se à presença do treinador da equipa da casa, que cumpria um jogo de castigo, no recinto e algumas outras irregularidades.

Não sei em que é este caso vai dar, mas, quer queiramos quer não, temos de dar o mérito a esta equipa, que é um conjunto sonhador que pode, quem sabe, num futuro próximo, fantasiar com uma subida à Segunda Liga. Isto pode nem acontecer, mas a verdade é que só esta passagem aos “oitavos” já deu muito a este clube e à própria região, em termos de visibilidade.

Foto de Capa: CDC Montalegre