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Jorge Jesus: A 2ª circular em ebulição

futebol nacional cabeçalho

Uma visão leonina

Confesso que ainda estou algo perplexo. A confirmar-se que Jorge Jesus vai ser treinador do Sporting Clube de Portugal – e parece mesmo que sim – é uma jogada de mestre por parte de Bruno de Carvalho. Afinal de contas, e é bom que todos se apercebam disto, ainda na segunda-feira, nos festejos da conquista da Taça de Portugal, na Câmara de Lisboa, muitos dos adeptos do Sporting gritavam efusivamente o nome de Marco Silva. Ora bem, a contratação de Jorge Jesus muda completamente o cenário; não tenho grandes duvidas de que por esta altura a nação leonina está em jubilo total. Afinal de contas, Bruno de Carvalho acaba de “roubar” um treinador que conseguiu ser bicampeão nacional pelo eterno rival, o que já não acontecia há 31 anos.

jorge jesus
Várias fontes indicam que Jorge Jesus (na imagem) irá assinar pelo Sporting por 3 épocas.
Fonte: Facebook Oficial Sport Lisboa e Benfica

O Sporting Clube de Portugal é um clube de princípios e, tendo isto em conta, resta saber em que condições e com que promessas o treinador português aceitou assinar pelo equipa leonina. Terá Jesus aceitado treinar o Sporting com o compromisso de aproveitar a academia de Alcochete? Ou, pelo contrario, terá o presidente Bruno de Carvalho prometido mundos e fundos a Jorge Jesus?

Nesta altura poucos terão pensado nisto, mas, e Marco Silva? É bom recordar que o antigo treinador do Estoril ainda é treinador do Sporting e tem um contrato de 3 anos por cumprir; em que condições sai o atual treinador leonino? Terá o Sporting que pagar mais uma vez para despedir um treinador?

No entanto, todas as questões que acabei de referir em nada invalidam a genialidade deste trunfo que Bruno de Carvalho acabou de jogar. Sejamos sinceros, mesmo que não se verifique a aposta na formação; mesmo que o Sporting pague uma indeminização bastante alta a Marco Silva; mesmo que o Sporting aumente o seu orçamento para transferências e pague uma fortuna a Jorge Jesus, caso o Sporting se sagre campeão nacional na próxima temporada, nada disto interessará para a massa adepta leonina. Em suma, o Sporting ganha em duas frentes: fica mais forte e enfraquece o eterno rival.

Como adepto do Sporting, e ainda a tentar assimilar todas estas informações, espero apenas que Bruno de Carvalho saiba o que está a fazer e, sobretudo, que esteja a pensar como presidente do Sporting Clube de Portugal e não como adepto de uma das claques de apoio.

Uma visão Benfiquista

Jorge Jesus no Sporting. A ser verdade, é uma das, senão “A” bomba do futebol português do século XXI. É sabido que “JJ” é sportinguista, mas não cabe na cabeça de ninguém ver o treinador que deu o bicampeonato ao Benfica partir para o rival da segunda circular na época imediatamente a seguir ao feito. Caso se confirme a notícia, lá terá de caber.

Posto isto, que será do Benfica?

É importante que isto fique explícito: já existia Sport Lisboa e Benfica antes de Jesus. Apesar de a saída do treinador oriundo da Amadora parecer um duro golpe, o clube continua e terá de se reorganizar de acordo com essa realidade. O homem que tem sido apontado como o escolhido para liderar as águias a novas alturas é Rui Vitória, actual treinador do Vitória de Guimarães.

À partida, parece que não colmata na perfeição a saída de Jesus do comando técnico do Benfica. No entanto, Vitória tem tido um percurso bastante interessante no Guimarães. Desengane-se o leitor que pensa que aquilo que direi a seguir é em jeito de afronta, mas, ao comando do Guimarães, e no que toca a palmarés, Rui Vitória tem tantos títulos quanto o Sporting nos últimos anos. E, porque o fez com o Guimarães, não com o Sporting, só pode ser um indicador positivo.

Rui Vitória é perfeito para o plano de Vieira no que toca ao futuro do Benfica, que é, diga-se, o único que realmente faz sentido, tendo em conta a conjuntura económica do clube. Para além de ter a experiência de trabalhar com poucos recursos e de ter potenciado alguns jovens jogadores (Hernâni, Ricardo Pereira e André André são bons exemplos), Rui Vitória já conhece os cantos à casa, dos tempos em que foi treinador de juniores dos encarnados.

rui vitória
Caso seja escolhido, Rui Vitória (na foto) será uma boa opção para comandar os encarnados ao “Tri”
Fonte: Facebook Oficial Vitória Sport Clube

A pressão de suceder a Jesus será intensa, é certo. “JJ” pegou num Benfica sem cultura vencedora e, em seis anos, fê-lo vencer 3 campeonatos, 1 Taça de Portugal, 5 Taças da Liga e 1 Supertaça. Isto, para não falar das duas finais europeias em que o Benfica marcou presença. O palmarés recente do Glorioso é imponente – mas Rui Vitória terá muito por onde pegar. Vitória terá o privilégio de tomar as rédeas de um Benfica “à Benfica”, com duas excelentes referências no balneário – Luisão e Maxi Pereira -, que farão de tudo para que a equipa não se esqueça da sensação de ganhar. Esses tempos, diga-se, já lá vão.

Quanto a Jesus, esse não terá vida fácil em Alvalade. A pressão de se mudar para o rival directo do Benfica vai, certamente, fazer-se sentir. E mais: Jorge Jesus é conhecido por gostar de ter total envolvimento e controlo das equipas que comanda. À partida isso ser-lhe-á concedido por Bruno de Carvalho, mas veremos se assim continuará a ser se a dada altura a situação ficar mais negra.

Enquanto benfiquista, tenho o máximo de respeito pelo “Mister” Jesus. Mas, agora, o meu mister será outro. E é com esse que todos nós temos de contar. O Benfica há-de continuar a somar e a seguir. Que o Tricampeonato do Benfica se escreva com Vitória.

Autores: Duarte Pereira da Silva (Sporting) e Gonçalo Caseiro (Benfica)

Foto de Capa: Facebook Oficial Sport Lisboa e Benfica

Roland Garros: o fim de uma era?

cab ténis

As vitórias de Novak Djokovic, que venceu pela primeira vez em Roland Garros Rafael Nadal; Andy Murray, que, curiosamente, também venceu pela primeira vez David Ferrer em terra batida, e ainda a derrota de Roger Federer perante Stan Wawrinka, que também nunca tinha ganhado a Federer em Roland Garros, marcam o fim de uma era na história do ténis.

Novak Djokovic VS Rafael Nadal

Novak Djokovic entrou bastante forte no encontro e rapidamente se adiantou para 4-0 na primeira partida. No entanto, e como é apanágio do espanhol, Nadal rapidamente recuperou dos 2 breaks de desvantagem e igualou a partida a 4 jogos. A primeira partida, que viria a cair para o lado do sérvio, por 7-5, viria a decidir-se em pequenos detalhes, de resto, como todo o encontro, na minha opinião.

O espanhol, que, mesmo perdendo o encontro, realizou o melhor encontro da temporada de terra batida, voltou a tremer em momentos importantes no segundo set: quando servia a 4-3, apesar de ainda ter salvado break points, voltou a sofrer o break e colocava Djokovic a servir para o fecho da segunda partida; o sérvio não tremeu e acabaria mesmo por se colocar a vencer por 2 sets a 0.

No terceiro set, Nadal, que pareceu acusar a derrota do segundo set, não mais conseguiu perturbar Djokovic. O sérvio, como é normal, começou a jogar mais solto e parecia estar em estado de graça. Terminava, desta forma, a invencibilidade de Nadal frente a Djokovic em Roland Garros.

Numa análise mais técnica, penso que a “ausência” da direita paralela de Rafael Nadal, que tantas vitórias lhe deu perante o sérvio, combinada com a agressividade de Djokovic, foram a chave para o triunfo do número 1 mundial. Será desta que o pupilo de Boris Becker vence Roland Garros?

Andy Murray VS David Ferrer

Andy Murray, que chegou a Roland Garros após realizar a sua melhor temporada em terra batida – conquistou 2 titulos no pó de tijolo, Munique (ATP250) e Madrid (Masters100) – voltou a realizar uma excelente exibição. David Ferrer nunca pareceu ser capaz de incomodar verdadeiramente o escocês.

No 1º set, Murray, que até chegou a salvar 1 set point, esteve sempre bastante confortável. O escocês chegou a dispor do seu serviço a 5-3 para vencer o primeiro set, mas só foi capaz de concretizar a sua superioridade no tie-break (7-4).  No segundo set, a superioridade do escocês foi ainda mais evidente. Murray, sempre bastante agressivo, dominou por completo a segunda partida e coloca-se, tal como Djokovic, a vencer por 2 sets a 0. Ferrer parecia não ter armas no seu jogo que fossem capazes de perturbar minimamente o escocês.

Quando nada o fazia prever, e após o escocês desperdiçar uma vantagem de 3-0, na terceira partida, David Ferrer nunca baixou os braços, alias, como é habito, e conseguiu mesmo vencer o terceiro set por 7-5. No entanto, e, diga-se, com toda a justiça, Andy Murray voltou a elevar o seu nível de jogo e venceu com toda a autoridade o quarto set por 6-1. Foi a primeira vez na sua carreira em que o escocês bateu David Ferrer em terra batida.

Djokovic e Murray, num encontro que será uma reedição da final do Australian Open 2015, vão disputar, na sexta-feira, um lugar na final do Grand Slam parisiense.

Andy Murray e Novak Djokovic reeditam, desta forma, a final do Australian Open 2015 Fonte: Facebook Oficial de  The Guardian
Andy Murray e Novak Djokovic reeditam, desta forma, a final do Australian Open 2015
Fonte: Facebook Oficial de The Guardian

O fim de uma era ?

As derrotas de Rafael Nadal, frente a Djokovic, e de Roger Federer, perante Stan Wawrinka, marcam o fim de uma era na história do ténis (embora Rafa já tenha vindo negar tal coisa). O espanhol e o suíço, nos últimos tempos, não têm sido capazes de superiorizar-se aos restantes jogadores de top do circuito. Contudo, nada apaga o que ambos fizeram pela modalidade. Rafael Nadal é, sem margem para dúvidas, o melhor jogador de todos os tempos em terra batida e também um dos melhores de sempre, e Roger Federer é, na minha opinião, o melhor jogador da história da modalidade.

Um grande obrigado a Federer e Nadal por tudo aquilo que fizeram e, não tenho duvidas, continuarão a fazê-lo, seja dentro ou fora do campo. No meu caso, e com certeza terão sido para milhões de praticantes por todo o mundo, exemplos a seguir.

“Mais de um século de histórias para contar, Sporting, tu estás a ressuscitar!”

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sexto violino

Sete anos depois, o Sporting volta a estar onde merece. A espera não valeu a pena porque nunca vale a pena entregar mais de meia década de bandeja aos rivais, mas tudo isso já acabou. A eleição da actual direcção constituiu um corte com o passado que vai sendo cada vez mais visível. O jogo de ontem marcou o fim de um período negro sem troféus, com a pior classificação de sempre no futebol pelo meio e com o futuro do clube seriamente comprometido. Esta taça foi muitíssimo importante para quebrar o enguiço, para que jogadores e adeptos tenham voltado a sentir o que é ser o melhor e, também. para alimentar a maior potência desportiva nacional, que vive de títulos.

Já muito se falou do jogo em si, por isso digo apenas que seria muito injusto perder a final uma vez que, mesmo com 10 jogadores, o Sporting foi a melhor equipa. Quero somente destacar a qualidade de Rui Patrício, decisivo no fim do prolongamento e nos penáltis, a segurança de Paulo Oliveira e Ewerton, que estiveram enormes e compensaram as más exibições dos laterais, o sentido de oportunidade de Slimani e de Montero, que resgataram a partida, e o Esforço, Dedicação e Devoção de todos, mesmo quando talvez já não acreditassem, que levou a que o clube voltasse a atingir a Glória. A entrega dos jogadores, sem excepção, foi fulcral para a reviravolta. Mais do que quererem ganhar a Taça, fizeram por isso e foram recompensados.

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Pela primeira vez, a Taça de Portugal foi decidida através de penáltis
Fonte: Sporting CP

Ora, tendo em consideração o nível exibicional e a atitude da equipa, a eventualidade de uma derrota seria duplamente injusta. Tive oportunidade de ir ao Estádio do Jamor pela primeira vez na minha vida e, para meu próprio espanto, o resultado que se verificou até aos 93 minutos não motivou em mim revolta, mas sim uma enorme tristeza que me roubava praticamente qualquer reacção. Felizmente, no domingo a equipa teve a ponta de sorte que lhe escapou tantas vezes nesta época plena de auto-golos, golos sofridos de forma bizarra e/ou no último minuto. Mas também só a teve porque acreditou, porque foi para cima do Braga, porque suou até não poder mais. Quem não soubesse que os minhotos estavam em superioridade numérica, nunca acreditaria.

Fora de campo, foi extraordinário ver a comunhão entre jogadores e adeptos. Que os Sportinguistas são os mais fiéis do país já não é novidade, mas é incrível testemunhar tamanha capacidade de mobilização por causa de uma taça. A festa em Alvalade foi o exemplo mais recente e apetece perguntar o que acontecerá no dia em que se conquistar o tão ansiado campeonato…! A este propósito, aliás, boas notícias parecem anunciar-se: Bruno de Carvalho foi agora muito mais cauteloso a lidar com a questão da candidatura ao título na próxima época do que havia sido no lançamento desta última. Essa atitude é a única que faz sentido, porque protege o grupo de trabalho e leva as coisas jogo a jogo. E não assumir a candidatura é diferente de não querer ser campeão.

Antes de terminar, não consigo deixar de dizer o bem que me sabe esta vitória não só pelo que ela significa para o Sporting mas, também, por tudo o que uma derrota acarretaria. Arrisco dizer, não querendo parecer ingrato, que perder esta Taça faria ainda mais mossa do que o bem que nos fez ganhá-la. Morrer na praia seria letal do ponto de vista psicológico e reforçaria a ideia de que o Sporting estava condenado a não ser feliz.

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Primeiro no Jamor e depois em Alvalade, os adeptos protagonizaram mais um momento único

Perder para o Braga faria o gáudio dos tais “seis milhões” de que falava António Salvador, muitos dos quais dizem que só os outros é que são “antis” mas vivem para pisar o Sporting. Nos media, não faltaria quem recomeçasse cinicamente a reforçar a ideia lunática, e adormecida desde que o Sporting deixou de andar à deriva, de que o Braga roubou aos leões o estatuto de clube grande. Lamento, mas quem já tinha afiado as facas vai ter de guardá-las para uma outra altura.

No último domingo foi dado mais um grito de revolta, o maior desde 2013. Daqui para a frente, o percurso leonino só pode continuar a ser o mesmo: realismo, pés assentes no chão mas uma vontade enorme de melhorar cada vez mais. Sabemos que não vai ser fácil, porque o clube dispõe de menos argumentos do que os rivais tanto a nível financeiro como de bastidores, mas não pode ser de outra forma. O Sporting é um clube diferente dos outros, um clube sobre o qual já não faz sentido dizer-se que nunca vai acabar, mas sim que está a ressuscitar. Estamos vivos!

                                                                                           .

P.S.: pode haver quem diga que é fácil ter-se fair play nos bons momentos mas, assim como disse que seria injusto o Braga vencer a Taça, não quero terminar este texto sem deixar uma palavra de apreço pelo finalista vencido. Os arsenalistas têm vários jogadores de qualidade, fizeram um grande percurso e sei, por experiência própria, o que é perder uma final de forma dramática.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Top 10: Melhores jogadores da Liga Grega 14/15

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Fonte: pesstatsdatabase.com
Fonte: pesstatsdatabase.com

23 anos, actua preferencialmente como extremo esquerdo, mas não se coíbe de aparecer com frequência na zona de finalização. Um dos jogadores que mais se destacou na campanha acima das expectativas do Pas Giannina (sexto lugar). Deu nas vistas ao ponto de ter chamado a atenção do PAOK, que está perto de assegurar os seus serviços para a próxima temporada. A confirmar-se a transferência, terá que lutar por um lugar numa equipa com objectivos assumidamente mais ambiciosos e com selo de competições europeias.

Mundial Sub-20 – Qatar 0-4 Portugal: A corte do ‘sheik’ Ivo

cab seleçao nacional portugal

Clica aqui para ver as estatísticas do jogo

Ao segundo jogo, a segunda vitória. Depois de ter vencido, esta madrugada, o Qatar por claros quatro golos sem resposta, a Seleção Nacional assegurou a passagem aos oitavos de final do Campeonato do Mundo de Sub-20. Na tarde chuvosa de Hamilton (Nova Zelândia), Ivo Rodrigues, avançado do FC Porto emprestado ao Vitória de Guimarães, foi o MVP, ao apontar dois golos e assistir João Vigário para o último tento da partida.

Cedo se percebeu que o Qatar não representaria ameaça às intenções lusas. Apesar de ter tomado a iniciativa nos primeiros cinco minutos, a seleção do Médio Oriente entregou pouco depois o domínio das operações a Portugal, que se limitou a fazer um jogo paciente e sem grande verticalidade, confiante de que o golo acabaria por surgir. A verdade é que, com 34 minutos decorridos, e após uma meia hora algo aborrecida e com escassas oportunidades, André Silva desfez o nulo. Gelson Martins fletiu para o meio e serviu numa bandeja o ponta-de-lança, que só precisou de desviar a bola do guarda-redes Yousef Hassan. Foi o segundo golo de André Silva na competição.

Antes do intervalo, Ivo Rodrigues ainda ampliou a vantagem, com um grande golo: Rony Lopes (uns furos acima do último jogo) cruzou rasteiro, a defesa catarense afastou, mas Francisco Ramos recuperou à entrada da área e assistiu Ivo, que, de bicicleta, desfeiteou Hassan pela segunda vez.

No balanço da primeira parte, domínio de Portugal em toda a linha (31%-69% em posse de bola) e aposta ganha do selecionador Hélio Sousa, ao colocar em Francisco Ramos e Ivo Rodrigues em campo como titulares (saíram Guzzo e Gonçalo Guedes); os dois jogadores do FC Porto estiveram em bom plano, e Francisco Ramos denotou um entendimento notável com o capitão Tomás Podstawski.

Na etapa complementar, o Qatar jogou de modo mais aberto, algo que acabou por beneficiar Portugal, já que a congénere asiática abriu muitos espaços no reduto defensivo. No entanto, foi aos 48 minutos que surgiu a melhor oportunidade do jogo para os catarenses. Almoez, numa boa jogada individual, levou o esférico a passar bem perto do poste da baliza à guarda de André Moreira. Depois, André Silva ensaiou o remate por três vezes, de cabeça e de fora da área, por duas vezes.

André Silva voltou a exibir-se a grande nível e já leva 2 golos em 2 jogos na competição Fonte: Página do Facebook das Seleções de Portugal
André Silva voltou a exibir-se a grande nível e já leva 2 golos em 2 jogos na competição
Fonte: Página do Facebook das Seleções de Portugal

O terceiro golo surgiu já depois das entradas de Janio Bikel e Nuno Santos. O segundo, à semelhança do que já tinha feito frente ao Senegal, cruzou para mais um golo: Ivo Rodrigues concretizou, de cabeça, o segundo da conta pessoal. O mesmo Ivo, poucos minutos depois, “trocou as voltas” ao lateral Shanin e entregou a João Vigário (substituto de André Silva), que rematou de primeira e colocado para fechar as contas da partida.

Portugal voltou a deixar bem patente o seu ADN neste Mundial. Jogo seguro dos pupilos de Hélio Sousa, com muita maturidade e bom aproveitamento dos espaços criados, ora pelo adversário, ora pelo bom entendimento entre os jogadores. Além do destaque Ivo Rodrigues, nota francamente positiva para Rafa, Francisco Ramos, Gelson Martins e André Silva, que, até ser substituído, foi fundamental na largura que deu ao jogo ofensivo lusitano. Em suma, mais uma exibição assente na força coletiva de uma equipa (na verdadeira acepção da palavra) que permite aos portugueses sonhar.

O próximo jogo já será contra um adversário de maior valia. No papel, a Colômbia é o único adversário capaz de disputar o primeiro lugar do grupo com Portugal. Para a Seleção, será um teste mais sério, para pôr à prova a fibra dos jovens portugueses contra uma equipa sul-americana, que tem presenteado os adeptos com alguns dos mais brilhantes momentos e golos das últimas edições dos Mundiais Sub-20. Ainda assim, mantendo o ritmo até aqui apresentado, a equipa portuguesa deverá estar à altura do desafio.

A Figura

Ivo Rodrigues – A sua inclusão no onze inicial foi aposta ganha pelo selecionador. Dois golos e uma assistência já seriam motivo mais do que suficiente para esta escolha, mas o avançado não se limitou a isso. Foi dos mais dinâmicos na primeira parte, procurando sempre descobrir o ponta-de-lança com passes em profundidade, e combinou muito bem com os laterais Rafa e Riquicho. Terá ultrapassado Gonçalo Guedes na corrida por um lugar cativo na equipa.

O Fora-de-Jogo

Defesa do Qatar – Apesar de se saber que o valor dos asiáticos não se compara com o da equipa das quinas, esperava-se mais dos vencedores da Taça da Ásia Sub-19. Quase toda a defesa (a começar no guarda-redes) cometeu erros de principiante e nunca pareceu capaz de aguentar a rotação do ataque português. Se o Qatar chegar a receber o Mundial de 2022, esta deverá ser a base da seleção anfitriã, e está mais do que visto que há muito trabalho a ser desenvolvido.

Foto de Capa: Página do Facebook das Seleções de Portugal

Allez France, Allez!

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cab ligue 1 liga francesa

Fala-se pouco do futebol francês. Por volta da mesma altura, curiosamente, o futebol alemão ganhou um novo protagonismo e o gaulês, campeonato histórico, perdeu preponderância. Em Portugal, esse desvio de atenção deveu-se, em muito, à saída de Pedro Pauleta do Paris Saint-Germain, e consequente fim de carreira. Mas, na Europa, as razões foram outras.

A década de 90 foi o palco do apogeu do futebol francês. Depois do escândalo de resultados combinados do Marselha, a Ligue 1 vivia tempos quase inéditos no futebol europeu: em seis anos, foram campeãs seis equipas diferentes. Não havia continuidade, consistência ou estabilidade; ainda assim, a qualidade futebolística era acima da média, e a principal liga francesa era um verdadeiro laboratório de jogadores que, mais tarde, saltariam para campeonatos com mais destaque nas competições europeias.

Além dos feitos internos, também a selecção nacional vivia uma época auspiciosa. A geração de Thierry Henry, Zinédine Zidane, Patrick Vieira, entre outros, conquistou o Campeonato do Mundo em casa, em 1998, e, dois anos depois, o Europeu. Eram as estrelas do futebol mundial. Os bleus eram o colectivo mais temido e respeitado. Mas em 2002, aquando do Mundial da Coreia e do Japão, tudo isto foi por água abaixo. O muito antecipado favoritismo deu azar aos franceses e, tal como podemos dizer de Portugal, a campanha por terras asiáticas foi um fiasco. Os gauleses vieram embora sem uma única vitória, e nem sequer um golo marcado.

E, a partir daqui, foi sempre a descer. Depois da presença do Mónaco na final da Liga dos Campeões, frente ao Porto, não mais uma equipa francesa se fez sentir na maior competição de clubes. Daí aos desentendimentos de Nicolas Anelka com o seleccionador Raymond Domenech, às greves dos jogadores e às fracas prestações em fases finais, foi um pequeno passo. Tudo isto contribuiu para que o futebol francês deixasse de ser um dos mais afamados palcos do desporto rei.

Poucos saberão que, este sábado, o PSG conquistou um inédito quadruplé. Ao vencer o Auxerre, na final da Taça Francesa, a equipa de Laurent Blanc juntou esse troféu à Supertaça, ao Campeonato Francês e à Taça da Liga. Espero que, com o ressurgimento do PSG, este futebol que tanto aprecio volte às páginas dos jornais. Ibrahimovic e companhia irão, com certeza, mostrar que o clube está empenhado em voltar à glória europeia e estabelecer uma verdadeira hegemonia de títulos em França.

Roland Garros 2015 – Balanço da 1ª semana

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cab ténis

128 jogadores estavam em prova no primeira domingo do torneio, mas restam agora apenas 8 para  os quartos-de-final. Na parte superior do quadro, teremos a ‘final antecipada’ entre Djokovic e Nadal e também Murray vs Ferrer, enquanto que na metade inferior do quadro teremos Nishikori vs Tsonga e Wawrinka vs Federer. Vejamos os destaques da primeira semana do torneio.

Destaques positivos

-7 dos 8 primeiros cabeças-de-série atingiram os quartos-de-final, tal como na Austrália. Em Melbourne, foi Federer que ‘falhou’, aqui foi Berdych, derrotado pelo sempre perigoso Tsonga;

-Djokovic e Nishikori ainda não perderam qualquer set neste torneio, Tsonga, Federer, Nadal e Wawrinka perderam um cada, enquanto que Murray e Ferrer perderam dois;

-Cilic ia numa série de 19 sets consecutivos ganhos em torneios do Grand Slam, mas essa série foi interrompida por uma convincente derrota (6-2 6-2 6-4) contra David Ferrer, que assim atingiu os quartos-de-final de Roland Garros pelo quarto ano seguido;

-Cinco jogadores franceses chegaram aos oitavos de final, mas apenas Tsonga se qualificou para os quartos; Gasquet perdeu em 3 sets contra Djokovic, Chardy em 4 sets contra Murray, Simon em 3 contra Wawrinka e Monfils em 4 contra Federer;

-Kokkinakis e Coric ambos atingiram a terceira ronda, um feito assinalável para dois jovens de 18 anos. Kokkinakis bateu Basilashvili e recuperou de 0-2 em sets para vencer o seu compatriota Tomic, ao passo que Coric levou de vencida Querrey e Robredo em dois encontros muito disputados. Derrotas em 3 sets contra Djokovic (Kokkinakis) e Sock (Coric) em nada mancham o excelente desempenho destes dois jovens jogadores;

-O português João Sousa rubricou uma excelente prestação, vencendo facilmente Pospisil e tirando pela primeira vez na sua carreira um set a Andy Murray (ao sexto duelo entre ambos) e causando-lhe muitas dificuldades durante dois sets;

-Gael Monfils. O que se pode dizer acerca do Francês? A maneira como desperdiça o seu enorme talento com ténis ‘pouco inteligente’ pode deixar muitos irritados, mas a verdade é que os seus encontros são sempre espectáculos imperdíveis e esta semana não fugiu à regra.

Gael Monfis protagonizou até agora um dos melhores encontros do torneio. Fonte: Facebook Oficial de Roland Garros
Gael Monfis protagonizou até agora um dos melhores encontros do torneio.
Fonte: Facebook Oficial de Roland Garros

Destaques negativos

-Grigor Dimitrov perdeu na 1ª ronda de Roland Garros pelo segundo ano consecutivo (Karlovic em 2014) sem sequer ganhar um set. Sock não era um adversário fácil, mas esperava-se bem mais de Dimitrov – que continua a mostrar-se incapaz de corresponder às expectativas que muitos têm dele;

-Garcia-Lopez tinha chegado à 4ª ronda o ano passado e parecia ter um quadro bastante favorável este ano, mas uma surpreendente derrota na primeira ronda contra Steve Johnson em 5 sets acabou com o seu torneio;

-Verdasco registou uma das piores derrotas da sua carreira, ao perder contra Benjamin Becker – apesar de ganhar dois sets por 6-0 e 6-1 -, um dos piores jogadores de terra batida do circuito;

-Bautista Agut foi dizimado por Rosol na segunda ronda – 6-4 6-2 6-2 – e vai assim abandonar o top 20 do ranking mundial após o torneio.

-Berdych perdeu pela primeira vez este ano contra um jogador fora do top 10 mundial, rubricando uma exibição muito frouxa contra Tsonga na quarta ronda, se bem que se especula com uma lesão nas costas o possa ter afectado nesse encontro.

Maior surpresa – De longe a vitória de Becker sobre Verdasco, dado a superfície. Algumas casas de apostas ofereciam odds de 20 numa vitória do alemão.

Melhor ponto do torneio – https://www.youtube.com/watch?v=uxQF8NJKTyw Um passing shot extraordinário de Kei Nishikori contra Thomaz Bellucci na segunda ronda

Melhor encontro – A vitória de Monfils contra Pablo Cuevas – um daqueles encontros ‘loucos’ que só pode mesmo acontecer com o Francês. O encontro parecia ganho por Cuevas a meio do quarto set, mas do nada Monfils começou a jogar um ténis sublime e deu a volta ao resultado.

O jejum terminou

rugir do leao duarte

A caminhada rumo ao Jamor começou, para mim, dentro de uma ambulância, por mais estranho que possa parecer. Deitado numa maca, eis que, e na altura confesso que tal notícia me deixou um bocadinho pior, o enfermeiro do INEM me disse: “Ah, muito bem, este é lagarto”, ao qual eu respondi: “Sou sim Sr., e com muito orgulho”. O enfermeiro, com alguns risos pelo meio, voltou a ripostar: “Não tenho boas noticias para te dar: o teu Sporting vai jogar ao Dragão para a taça”. Naquele momento, como disse, não acreditei que fosse possível eliminarmos o Porto em pleno estádio do Dragão, sobretudo devido a todas as condicionantes que lhe estão anexadas, mas, e como é apanágio dos sportinguistas, o sonho começava ali!

Futebol Clube do Porto; Espinho; Vizela; Famalicão; Nacional e ainda, claro, o Braga, na final de ontem no Jamor; foram estes os adversários, uns mais fáceis do que outros, que o Sporting teve de ultrapassar para levar a Taça de Portugal para Alvalade. Numa época nem sempre bem conseguida (haverá tempo suficiente para se fazer o rescaldo), a conquista da prova rainha veio pôr fim a um jejum de 7 anos sem conquistar qualquer título.

Tive a honra e o prazer de poder estar presente nas ultimas 5 finais em que o Sporting participou e  todas elas foram especiais, contudo, e fruto das circunstancias, o jogo de ontem foi único. Assisti ao jogo, por mais estranho e incompreensível que possa parecer, junto aos adeptos do Braga; ao intervalo, quando o resultado era favorável à equipa do Minho por 2 golos, e com a ajuda de um desastrado Marco Ferreira (ficou por assinalar, pelo menos, uma expulsão e uma grande penalidade a favor do Sporting), faziam a festa. Alguns adeptos do Sporting iam abandonando vergonhosamente o estádio, contudo, o melhor estava guardado para o fim! Primeiro Slimani, e depois Montero, colocaram o estádio do Jamor, completamente cheio, ao rubro, ou pelo menos parte dele. De resto, e com toda a justiça, o Sporting Clube de Portugal acabaria mesmo por conquistar a Taça de Portugal nos penaltis.

Foram 7 anos sem conquistar qualquer título, o, que, para um clube com a história e o prestigio do Sporting, é demasiado tempo. Talvez por isso, quando o árbitro deu o jogo por terminado, tenha havido inúmeros adeptos, eu inclusive, que não conseguiram conter as lágrimas; sim, um leão também chora, neste caso, de felicidade.

O estádio José de Alvalade estava a rebentar pelas costuras para receber a equipa após a conquista da Taça de Portugal Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Portugal
O estádio José de Alvalade estava a rebentar pelas costuras para receber a equipa
Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Portugal

A festa continuou civilizadamente noite dentro, embora alguns, talvez por vergonha dos festejos do seu próprio clube, queiram tentar passar outra mensagem. Com o relvado de Alvalade completamente a rebentar pelas costuras, o, que, diga-se, parece-me completamente normal e, mais uma vez, civilizado, a nação leonina voltou a poder festejar um título.

Tudo começou, no meu caso, dentro de uma ambulância, e viria a terminar lavado em lágrimas em pleno Jamor. Um grande obrigado a todos os que tornaram esta conquista possível, sejam eles presidente, treinador, jogadores e, como não poderia deixar de ser, adeptos.

Resta agora desfrutar de todo este momento e, posteriormente, com mais calma, fazer o balanco da temporada 2014/2015 e preparar a próxima época. Dia 9 de Agosto, frente ao Benfica, seja onde for, lá estarei para apoiar o meu grande amor, o Sporting Clube de Portugal.

Esforço, dedicação, devoção e glória.

As bodas de ouro do melhor rali do Europeu

cab desportos motorizados

Meio século de história, é esta bonita idade que o Sata Rallye Açores assinalada este ano, e celebra-o com uma lista de inscritos de luxo, apesar de mais fraca do que inicialmente previsto.

São 74 pilotos inscritos – recorde da prova – e que estão divididos por três campeonatos, Europeu (ERC), Nacional de Ralis (CNR) e Campeonato dos Açores (CRA). Destes 74, 19 contam com carros RC2, a categoria máxima permitida na prova.

A luta pela vitória promete ser animada, com a maioria dos principais nomes do ERC presentes na prova e aos quais é necessário contar com os principais pilotos do CNR. Os grandes candidatos à vitória acabam por ser mesmo os pilotos do ERC, como os nomes de Craig Breen (Peugeot 208 T16), Kajetan Kajetanowicz (Ford Fiesta R5) e Bruno Magalhães (Peugeot 208 T16), a quem tem de se juntar o piloto da casa, Ricardo Moura (Ford Fiesta R5). Outros nomes que não podem ser esquecidos nesta luta, mas que meto numa segunda linha, são Robert Consani (Citroen DS3 R5), José Pedro Fontes em carro igual e João Barros (Ford Fiesta R5). É impossível dizer quem vai ganhar, até porque existe sempre a dúvida da fiabilidade dos carros da marca do leão.

Esta luta promete animar muito o rali mas não será a única com grande interesse. O campeonato europeu júnior (JERC) é cada vez mais uma aposta ganha dentro do ERC e tem vários pilotos de qualidade nos seus inscritos. As principais apostas da minha parte vão para Chris Ingram, Diogo Gago e Vasiliy Gryazin, todos em Peugeot 208 R2. Por outro lado, o atual líder da competição, Emil Bergkvist em Opel Adam R2, não pode ser esquecido, mas ao fazer a sua estreia na prova deve ter mais dificuldades que qualquer um dos três antes ditos. O pequeno carro alemão é, de resto, uma das melhores surpresas da temporada e um dos carros que quero mesmo acompanhar com atenção.

Marco Cid a testar o seu Renault Clio S1600 no Monday Test
Marco Cid a testar o seu Renault Clio S1600 no Monday Test
Foto: Rodrigo Fernandes

Quanto ao CNR, o grande candidato tem de ser Moura, mas José Pedro Fontes e João Barros vão dar luta e não se pode afirmar que será o açoriano a vencer. A grande ausência é a de Pedro Meireles, que depois de ter dado um toque nos testes para o Rali de Portugal ainda não viu os problemas do seu Skoda Fabia R5 serem resolvidos, e com isto viu gorada a sua vinda aos Açores. Com esta ausência também ficou gorada a presença dos quatro carros R5 que existem neste momento: Peugeot, Ford, Citroen e Skoda.

Noutro prisma que não o competitivo, como açoriano não escondo o orgulho que sinto ao ver no Facebook e Twitter dos pilotos nacionais e estrangeiros tantas imagens e comentários sobre São Miguel e a prova. Destas vou destacar umas frases de Chris Ingran: “Os Açores são o melhor rali no ERC. Tu não encontras PEC’S [Provas Especiais de Classificação] como aqui em nenhum lugar do mundo – mudanças súbitas, rápidas, estreitas, exigentes e todos na mais deslumbrante paisagem. E depois tens as Sete Cidades, para mim a melhor PEC em todo o ERC de longe”. A opinião é repetida por muitos, e ainda bem que assim é.

Quem não pode ir para as estradas pode sempre ver na TV, apesar de este ano a cobertura ser mais diminuta. A RTP Açores (já disponível no Continente no número 202 da MEO, 189 da NOS, 149 da Vodafone e 28 da Cabovisão) tem as seguintes transmissões (hora dos Açores):

3 Junho – Quarta Feira

20:30 – DIRETO – Apresentação Equipas e Prova Citadina

4 Junho – Quinta Feira

17:00 – DIRETO – SS1 Grupo Marques

23:00 – Especial Sata Rallye Açores (Resumo)

5 Junho – Sexta feira

23:00 – Especial Sata Rallye Açores (Resumo)

6 Junho – Sábado

12:42 – DIRETO – SS14 Grupo Marques

19:00 – DIRETO – Cerimónia do Pódio

22:30 – Especial Sata Rallye Açores (Resumo)

Quanto à Eurosport, este ano apenas emite resumos diários todos os dias às 21h30, mais uma vez hora dos Açores.

Pode acompanhar os rescaldos aqui no Bola na Rede ao fim de cada dia de prova, ou seja, de quinta feira a sábado.

Grzegorz Krychowiak – O porta-estandarte de uma nova era no futebol polaco

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Legia Varsóvia, Widzew Lodz e Wisla Cracóvia eram nomes que punham em sentido qualquer adversário aquando dos sorteios para as diferentes competições europeias durante as décadas de 1970 e 1980. Foi precisamente durante os anos 70 que teve lugar a era dourada do futebol polaco, durante a qual, a reboque de jogadores como Kazimiers Deyna, Robert Gadocha, Grzegors Lato e Zbignew Boniek, o futebol das águias brancas do leste europeu tomou de assalto a modalidade no velho continente.

Os ventos de mudança trazidos pela Perestroika de Mikhail Gorbachev e pela luta do Solidarnosc de Lech Walesa em conjunto com a queda do governo autoritário do General Jaruzelski em 1990 marcaram também, de forma profunda, o futebol polaco, que só esporadicamente tem conseguido erguer-se novamente e, de certa forma, atrever-se a reclamar o tempo perdido no panorama da modalidade no continente europeu.

Grzegorz Krychowiak – O bravo guerreiro andaluz  Fonte: Página do Facebook do Krychowiak
Grzegorz Krychowiak – O bravo guerreiro andaluz
Fonte: Página do Facebook do Krychowiak

Todavia, o futebol polaco está novamente a atravessar um momento bastante positivo, não propriamente às expensas das equipas que compõem a sua liga nacional, mas sim graças à vasta legião de jogadores polacos que fazem parte dos plantéis de grandes equipas por essa Europa fora.

Adam Nawalka, o homem que assumiu o controlo da selecção polaca em 2013, veio pôr fim a vários anos de inconsistência e de alguns resultados que roçaram a mediocridade, conseguindo de certa forma captar aquela essência que fez a Polónia afirmar-se nas décadas de 1970 e 1980. Nawalka tem introduzido na equipa alguns jovens jogadores e outros mais experientes, que actuam na Ekstraklasa, numa clara tentativa de relançar o futebol dentro daquela imponente nação do leste europeu.

Apesar de todos os seus esforços, são ainda os jogadores que jogam fora do seu país que têm dado grandes alegrias (a Polónia ocupa o primeiro lugar no Grupo D de apuramento para o Euro 2016) aos exigentes adeptos polacos. Um desses homens é do Sevilha, dá pelo nome de Grzegorz Krychowiak e ganhou recentemente a Liga Europa ao serviço da equipa andaluza. O médio defensivo de 25 anos é definitivamente um dos melhores do mundo a jogar na sua posição e foi um elemento de vital importância na equipa de Unai Emery esta temporada. Krychowiak chegou a Sevilha no Verão passado, vindo do Stade de Reims, e passou de um mero médio defensivo, extremamente regular, ao segundo jogador mais cotado da Liga Europa, de acordo com as estatísticas do website whoscored.com. Krychowiak é o pêndulo da equipa sevilhana. Sabe sair a jogar desde trás, tem um posicionamento em campo quase perfeito, recupera bolas como ninguém e tem uma inteligência muito acima da média dentro das quatro linhas, algo que lhe permite ler o jogo de forma quase sempre certeira, antecipando com isso as jogadas dos adversários.

Krychowiak nasceu em Gryfice, uma cidade situada na belíssima região da Pomerânia, e, ao contrário daquilo que se possa pensar, embora gostasse de futebol, não fazia tenções de ser jogador profissional. Foi graças à insistência do seu irmão, que já lhe reconhecia talento por essa altura, que se inscreveu na academia do Orzeł Mrzeżyno. Alguns anos mais tarde, o então jovem Krychowiak mudou-se para o Arka Gdynia, uma equipa com pergaminhos no futebol polaco, e as suas boas exibições despertaram o interesse dos franceses Girondins de Bordeaux, clube pelo qual assinou em 2006 e do qual fez parte até 2012, ainda que na maior parte desse tempo tenha jogado por empréstimo no Stade de Reims e no Nantes.

Krychowiak, o homem a quem Unai Emery entregou os comandos do meio-campo sevilhano  Fonte: Página do Facebook do Krychowiak
Krychowiak, o homem a quem Unai Emery entregou os comandos do meio-campo sevilhano
Fonte: Página do Facebook do Krychowiak

Em dois anos apenas, tudo mudou para o poderoso médio polaco, primeiro no Stade de Reims e esta época no Sevilha. Krychowiak puxou dos galões e provou ser uma das melhores contratações da Liga Espanhola na temporada que agora chegou ao fim, e começou também a ser uma presença de peso na selecção do seu país. O médio, que marcou na final de Varsóvia na passada quarta-feira, é agora um dos alvos do Real Madrid para a próxima época, mas uma mudança para a capital espanhola não parece estar nos planos futuros do jogador polaco, que afirmou recentemente querer continuar ao serviço dos andaluzes e até dispensou algum do seu tempo para cantar um hino sevilhano e colocá-lo na sua conta pessoal no Twitter.

Krycho é o porta-estandarte de uma nova e ambiciosa geração de talentosos jogadores polacos, da qual fazem parte, entre outros, Robert Lewandowski, Arkadiusz Milik, Kamil Grosicki, Lukasz Teodorczyk e Michal Kucharczyk, e que irá seguramente tomar o futebol do velho continente de “assalto” e quem sabe devolver ao futebol do seu país aquela mística que se perdeu algures no tempo, há mais de um quarto de século.

Foto de Capa: Página do Facebook do Krychowiak