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Jogadores que Admiro #110 – Leandro “Pipi” Romagnoli

 

Leandro Romagnoli representou para mim a personificação do clássico “10” argentino: um jogador de estatura franzina que era, todavia, um tecnicista e driblador nato. “El Pipi” como ficou conhecido na Argentina, é um dos jogadores que mais admiro e que ficará para sempre na memória dos Sportinguistas.

“El Pipi” nasceu em Buenos Aires, em 1981. Formou-se e revelou-se no San Lorenzo de Almagro e tendo feito a sua estreia, em 1998, na formação principal do Ciclón frente ao Racing com apenas 17 anos. A partir de 1999, o jovem Romagnoli garante o seu lugar na equipa e sob a égide de Manuel Pellegrini conquistou os seus três primeiros grandes títulos colectivos: o Torneio Clausura Argentino de 2001 (um dos dois torneios que compunham o antigo formato do campeonato argentino), a Taça Mercosul daquele ano e a Taça Sul-Americana de 2002. Em paralelo, Romagnoli foi campeão pela Selecção sub-20 no Mundial realizado na Argentina em 2001 já com o número 10 nas costas e ao lado de outros colegas que iriam também despoletar mais tarde como D’Alessandro, Leonardo Ponzio ou Saviola. É também neste San Lorenzo, campeão da primeira Taça Sul-Americana em 2002, que alinhava uma outra figura bem conhecida do universo sportinguista – “Beto” Acosta, que juntamente com Romagnoli e Sebastien Saja constituíam as grandes referências atacantes do Ciclón”.

2004 é o último ano de Romagnoli no San Lorenzo antes de partir para fora da Argentina. Do clube já haviam saído Saja e Acosta e entretanto surgiram nomes como Pablo Zabaleta e Ezequiel Lavezzi. Romagnolli acaba por sair também do San Lorenzo e partiu em direcção ao México onde representaria o Tiburones Rojos de Veracruz no qual nunca conseguiu adaptar-se.

Foi então o momento de Romagnoli dar o salto para o velho continente. “El Pipa” chegou ao Sporting CP na época 2005/2006, por empréstimo que se converteria em compra definitiva do seu passe. Na sua primeira época em Alvalade, o argentino demonstrou algumas dificuldades de adaptação. Todavia, seria na época seguinte, a de 2006/2007, que Romagnoli revelaria os seus dotes como médio ofensivo e conquistaria assim a afición leonina. Enquanto Leão conquistou duas Taças de Portugal, em 2007 e em 2008, e duas Supertaças nos mesmos anos, e foi vice-campeão da liga portuguesa durante as quatro temporadas em que esteve ao serviço dos Leões.

Em 2008, com a explosão de João Moutinho, Romagnoli começou a perder espaço na formação leonina. A contratação de Matias Fernandez em 2009 marginaliza por completo o argentino. Nesse ano, apesar do alegado interesse do Fluminense na sua contratação, e depois de o Sporting CP o oferecer de “bandeja”, Romagnoli resolveu regressar ao El Nuevo Gasómetro, para representar novamente o clube do seu coração, o San Lorenzo, no qual ficaria até à sua retirada do futebol profissional em 2017. E regressa como um jogador feito e experiente. Tornar-se-ia um elemento chave da conquista inédita da Taça Libertadores em 2014 pelo San Lorenzo e vê a sua consagração como um herói do clube de Boedo.

Apesar de ser uma das figuras mais importantes da história do San Lorenzo, e muito fez para o merecer, Romagnoli será sempre recordado com carinho em Alvalade pelo seu contributo de leão ao peito.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Em 2014, António Félix da Costa na vez de Daniil Kvyat?

Quem acompanha desporto motorizado em Portugal, obviamente sabe quem é António Félix da Costa. Ao volante, o piloto português é dos poucos que consegue levar a nossa bandeira pelo mundo ao mais alto nível, com vitórias em várias categorias e, particularmente, com uma época 2019/2020 que, até à paragem do mundo desportivo pela pandemia do Coronavírus, estava a ser o melhor da sua carreira, com a primeira classificação no campeonato de pilotos da Formula E, e excelentes resultados no Campeonato Mundial de Resistência.

Mas, para abordarmos o tema deste artigo, temos de recuar vários anos, mais precisamente até 2012, ano em que António Félix da Costa se junta ao programa de jovens pilotos da Red Bull. O programa é considerado na sua maioria, um sucesso, sendo a escola de alguns dos pilotos mais reconhecidos da grelha da Fórmula 1, de Sebastian Vettel, a Daniel Ricciardo, a Max Verstappen, entre todos os outros que passaram por Toro Rosso e Red Bull. Quando o português se juntou ao programa, a competição era feroz, com pilotos como Carlos Sainz Jr. e Daniil Kvyat.

Em 2013, Mark Webber anuncia a sua saída da Red Bull, após vários anos de uma relação turbulenta com o tetracampeão, Sebastian Vettel. Para o substituir na equipa-mãe é chamado outro australiano, Daniel Ricciardo, que corria na Toro Rosso. Isto abriu uma vaga para os vários pilotos do programa da Red Bull, sendo os favoritos, António Félix da Costa e Daniil Kvyat. O português já tinha testado por três vezes carros de Fórmula 1, uma vez pela Force India e duas pela equipa do touro vermelho, vinha de várias performances muito boas na Formula Renault e, alegadamente, Franz Tost tinha já mostrado a António um equipamento da Toro Rosso com o seu nome, e dito que o lugar era dele, porém, um Grande Prémio a ser realizado na Rússia, e patrocinadores bastante aliciantes no que toca à sua conta bancária, eram um aliado de peso para Kvyat, e assim aconteceu. Venceram as políticas, e António Félix da Costa foi conduzir pela BMW na DTM, enquanto Kvyat conduziu na Toro Rosso durante um ano, e substituiu Vettel na equipa principal em 2015, apesar de ficar bem abaixo do seu colega de equipa Jean-Éric Vergne, que, curiosamente, foi injustiçado na Red Bull, e agora é colega de equipa de António Félix da Costa. Mundo pequeno.

O programa de jovens da Red Bull era bastante forte
Fonte: Red Bull

O carro da Red Bull de 2015 não era competitivo, mas ainda assim o russo surpreendeu e bateu o seu colega de equipa, Daniel Ricciardo, já 2016 seria o ano em que tudo corria mal. Após vários acidentes e erros infantis, e uma clara vontade de colocar Max Verstappen na Red Bull, Kvyat é despromovido para a Toro Rosso e, a partir daí, foi uma espiral de decadência, que só parou quando foi despedido pela Toro Rosso em 2017. Fez então um ano sabático como piloto de testes da Ferrari, e como foram incapazes de tratar bem todos os seus pilotos de qualidade, a Red Bull viu-se sem ninguém para preencher os lugares de Pierre Gasly e Brendon Hartley na Toro Rosso, e viu-se obrigada a contratar Kvyat, que em 2019, se mostrou um homem novo.

Que jogos devo rever nesta Quarentena? FC Porto 0-1 Atlético CP

Este é um dos jogos que faz recordar o episódio da batalha entre os Filisteus e o povo de Israel. A história bíblica conta o embate entre um indefeso David e um todo poderoso Golias, em que o humano consegue vencer a figura mitológica apesar do seu tamanho gigantesco que impunha respeito. A verdade é que este embate explica na perfeição o que aconteceu na tarde de domingo de 7 de janeiro 2007.

Após eliminar o FC Serpa e SCU Torreense, quis o sorteio que o Atlético CP fosse visitar o terreno do FC Porto na Quarta Eliminatória da Taça de Portugal 2006/07. À partida, todos previam um triunfo confortável do detentor da “Prova Rainha” na altura, que não teria qualquer dificuldade em ultrapassar a formação de Alcântara. Mas o futebol tem algo de imprevisível…

Os comandados de Jesualdo Ferreira entraram com vontade de arrumar a questão da passagem o quanto antes e o central João Paulo aos três minutos ficou perto de fazer o 1-0 na sequência de um canto de Ricardo Quaresma. Os visitantes não se deixaram intimidar e responderam por Ricardo Aires que obrigou Vítor Baía a uma excelente intervenção.

O início da partida prometeu ser um bom espetáculo, mas o ritmo da mesma decresceu rapidamente e o encontro tornou-se desinteressante de ser acompanhado. Só à meia-hora de jogo é que os dragões fazem o seu primeiro remate à baliza: Paulo Assunção serve Bruno Moraes para um remate do “meio da rua” que é travado com uma boa defesa de Marco Gomes.

Antes do descanso, Bruno Moraes voltaria a estar perto de inaugurar o marcador, depois de ser isolado com um belo passe de Vieirinha, no frente-a-frente com o guardião do Atlético, fintou-o e no momento para atirar à baliza, atrapalhou-se e perdeu ângulo para rematar. O 0-0 não se alterou e os adeptos portistas começavam a ficar algo intranquilos.

O início da segunda parte foi idêntica ao da primeira: num livre batido por Quaresma, João Paulo volta a estar perto de marcar, com o poste a substituir Marco Gomes e a impedir o Atlético de sofrer golo. O Atlético ia fazendo os possíveis para complicar a vida do seu adversário, mas as suas tentativas não causavam qualquer perigo para Vítor Baía. O suspeito do costume João Paulo voltava à carga num canto e testa novamente a atenção de Marco Gomes. Já com a “artilharia pesada” em campo, foi Lisandro a tentar a sua sorte mas sem sucesso.

Eis então o minuto 59 em que a lenda de David contra Golias se transforma em realidade: lançamento para o Porto, Ibson recebe a bola, e face à pressão de dois adversários, acaba por perdê-la em zona proibida. A jogada prossegue, cruzamento para a área portista e com alguma confusão, a “redondinha” vai ter aos pés de David da Costa que quase deitado no chão bate Vítor Baía. Euforia do lado visitante que estava na frente do marcador, contrastando com o choque e perplexidade entre os jogadores do todo poderoso Porto. Iam ser trinta minutos de grande nervosismo… E viria a ser, certamente um dos jogos para recordar mais tarde.

David da Costa fez o golo que ficaria eternizado na história da Taça de Portugal
Fonte: Atlético CP

A reação azul e branca não se fez esperar e surgiu dos pés de Lisandro López que atirou bastante ao lado da baliza na cara de Marco Gomes e num livre batido por Quaresma que foi desviado por um defesa do Atlético, mantendo assim a vantagem mínima. Já nos últimos minutos do jogo e com a formação de António Pereira resguardada no seu meio-campo defensivo, o árbitro decide assinalar uma grande penalidade a castigar uma falta sobre Bruno Moraes. Encarregado de fazer o golo do empate, Quaresma confirmou a tarde desinspirada do Porto e atira ao poste da baliza, o que permitiu ao Atlético celebrar uma vitória histórica naqueles típicos jogos em que aparece o ‘tomba gigantes’ da eliminatória. 

A caminhada do Atlético CP continuaria até aos Quartos, quando acabou por ser afastado da prova pela Académica OAF com um golo de Cláudio Pitbull já ao cair do pano. Ironia do destino ou não, acabou por ser um David a derrotar um Golias e a confirmar que por vezes existem surpresas no Futebol, não havendo vitórias garantidas em qualquer que sejam os jogos.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

FC Porto: Vitor Baía, Jorge Fucile (Alan, 61’), Ricardo Costa, João Paulo, Marek Cech, Raúl Meireles, Ibson (Adriano, 67’), Paulo Assunção (Lisandro López, 46’), Ricardo Quaresma, Vieirinha e Bruno Moraes

Atlético CP: Marco Gomes, Nuno Rolão, Ricardo Aires, Rui Júnior, Pedro Pereira (Hugo Freire, 85’), Edmar Silva, Marco Bicho (Rui Varela, 83’), Simões, Lapinha (Gonçalo Pereira, 68’), Nuno Gaio e David da Costa

Artigo revisto por Diogo Teixeira

O Passado Também Chuta: Djibril Cissé

Djibril Cissé é daquelas figuras do futebol que deixa um amargo de boca a qualquer adepto do desporto-rei por tudo o que deu e por tudo o que podia ainda ter dado. O avançado francês foi, na sua época, um avançado de excelência mas, fustigado por lesões, acabou por não conseguir atingir o seu total potencial, ainda que tenha conseguido colocar o seu nome na história do futebol mundial e principalmente do futebol francês.

Mas comecemos pelo início. O possante avançado gaulês despontou para os grandes palcos do futebol no AJ Auxerre (clube de formação), em 1998, pelas mãos do lendário treinador Guy Roux e cedo se tornou um dos ídolos do clube. Sempre em grande estilo e com um look deveras peculiar, conquistou os adeptos daquele clube e tornou-se numa das principais referências atacantes do campeonato francês, tendo mesmo sido o artilheiro máximo da competição por duas vezes, a primeira na época 2001/2002 com 22 golos e a segunda na temporada 2003/2004 com 26 tentos.

Ao longo de quatro épocas que culminaram em 88 golos em 166 jogos, Djibril Cissé atraiu o interesse de muitos tubarões do futebol mundial e acabaria por se transferir para o Liverpool FC no verão de 2004, por uma verba a rondar os 20 milhões de euros, deixando água na boca aos adeptos reds. O atacante teve um começo promissor ao serviço da formação de Anfield, mas uma perna partida frente ao Blackburn Rovers FC acabou por encostar o jogador às boxes na primeira temporada com a camisola do Liverpool.

Na temporada seguinte Cissé registou uma melhor campanha, tendo sido decisivo no único troféu conquistado pelo Liverpool na época 2005/2006, a Taça de Inglaterra, ao marcar dois golos na final frente ao West Ham United FC. O francês terminou a época com 19 tentos em todas as competições.

Apontado a um regresso a França na temporada de 2006/2007 para representar o Olympique Marseille, o azar voltou a bater-lhe à porta, quando numa partida de preparação da seleção francesa para o Mundial 2006, frente à China, Cissé voltou a partir uma perna, desta vez a direita, o que lhe roubou o sonho de participar na maior competição de futebol do mundo nesse ano.

O Marseille manteve o interesse no avançado e contratou-o primeiro por empréstimo e definitivamente na temporada seguinte, por um valor a rondar os nove milhões de euros. Ao serviço dos les olympiens, Cissé recuperou a sua forma e, ao longo de duas temporadas, apontou 37 golos em 80 partidas, ajudando o clube francês a qualificar-se para a Liga dos Campeões. Em 2008, o avançado voltou a Inglaterra, desta feita para representar o Sunderland AFC por empréstimo de uma época.

No ano seguinte transferiu-se para o Panathinaikos AO, que abriu os cordões à bolsa para garantir os serviços do avançado francês e que contou com algumas estrelas na equipa, entre as quais Gilberto Silva e Sidney Govou. No clube grego registou uma das melhores fases da carreira, conquistando por completo os adeptos ao tornar-se o melhor marcador do campeonato grego na primeira temporada no clube, com 23 golos em 28 jogos, ajudando a formação grega a vencer o título de campeã nacional e a taça. Em duas temporadas registou 55 golos em 89 encontros.

Apesar das excelentes prestações em solo grego, Cissé não mais conseguiu replicar as excelentes exibições noutras equipas, tendo representado ainda clubes como a SS Lázio, o Queens Park Rangers FC, o Al Gharafa FC, o FK Kuban, o SC Bastia, o Jeunesse Sportive Saint-Pierroise e por último, em 2017, o Yverdon Sport FC, da terceira divisão suíça, mostrando a sua veia goleadora de outros tempos ao apontar 24 golos em 29 jogos e admitindo que deixaria o futebol para trás, aos 35 anos, por motivos físicos.

O avançado francês viu-se ainda envolto em polémica quando, em 2015, foi preso após tentar extorquir o seu compatriota Mathieu Valbuena, ameaçando o colega com fotos íntimas do mesmo com a namorada.

Pela seleção francesa também não teve muita sorte, apesar dos nove tentos em 41 internacionalizações. Cissé apenas representou os gauleses em duas fases finais, o Mundial’2002 e o de 2010, tendo falhado o Euro’2004 por suspensão, o Mundial’2006 por lesão, enquanto que para o Euro’2008 foi descartado pelo selecionador Raymond Domenech.

Com a sua retirada do futebol, o francês dedicou-se a uma nova profissão… a de DJ, mantendo-se como tal nos dias de hoje. Numa carreira que teve mais baixos que altos, muito por culpa de graves lesões, Djibril Cissé não se conseguiu afirmar como um dos melhores avançados de sempre do futebol mundial. Ainda assim, quando em forma, o francês mostrou ser letal e um jogador de top, maravilhando qualquer adepto de bom futebol.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

O Passado Também Chuta: Mario Elie

Surge este breve resumo da carreira de um ex-jogador de basquetebol, que inclusive passou na Liga Portuguesa ao serviço da Ovarense, cuja carreira não tem o percurso mais comum.

É de Mario Elie que se trata – nascido a 26 de Novembro de 1963 na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Elie, noutros tempos, jogou a posição de Base-extremo e extremo por várias equipas da NBA, incluindo entre elas os Houston Rockets e os San Antonio Spurs, equipas onde ainda foi também campeão da liga milionária.

Ora é aqui que entra a grandes questão, como é que um jogador que foi campeão na NBA passou pela liga portuguesa? Para isso temos de recuar até 1981 e perceber o percurso de carreira de Mario Elie.

Mario Elie, depois de ter feito o seu percurso escolar até ao fim do secundário no estado de Nova Iorque, na secundária de Power Memorial Academy, não tinha nenhuma bolsa desportiva para jogar numa faculdade da primeira divisão universitária Americana. Assim, Elie rumou à American International College, em Springfield Massachussets, uma escola de artes mas que lhe ofereceu uma bolsa desportiva. Aqui foi onde Mario Elie começou a vingar como o tremendo jogador em que se viria a tornar. Em quatro anos na Faculdade (1981-1985), Elie tornou-se no melhor marcador de sempre da instituição, até então. No seu ultimo ano, Elie ainda liderou a equipa a uma presença nos quartos de final do famoso torneio da NCAA da segunda Divisão.

Assim, Mario Elie começava a ganhar uma reputação de um jogador com sangue frio sobre pressão, uma defensor com garra e mais que tudo um atirador implacável.

O ano é então 1985 e Mario Elie submete-se ao draft da NBA, no qual não foi escolha de primeira nem segunda ronda. Nos dias de hoje isto seria considerado um “undrafted player”, mas a verdade é que Mario Elie viria a ser “escolhido” pelos Milwaukee Bucks, na “sétima ronda” com a pick número 160. Elie não viria a fazer nenhum jogo pelos Bucks e em 1986 a sua carreira profissional começava, mas numa cidade diferente.

Elie começava a sua carreira profissional na Irlanda em Dublin, a jogar pelo “Killester Basketball Club”. Esta viria a ser uma boa primeira época para o extremo/base-extremo, sendo campeão da Irlanda e ainda ganhando o equivalente ao “MVP”, com o prémio “Irish League Player of the year”.

No fim da temporada de ’87, depois de ser campeão na Irlanda, este ainda passou por uma liga minoritária dos Estados Unidos em Miami, onde atuou pelos Miami Tropics e ainda passou pelo “Únion de Santa Fé”, clube de Santa Fé na Argentina. No entanto, a experiência na América Latina viria a ser curta uma vez que apenas apareceu em sete jogos.

É assim, no fim de 1987, que Mario Elie aterra em Portugal, na cidade de Ovar. Em 1987, a Ovarense estaria ainda por ganhar o seu primeiro titulo. Numa época em que o basquetebol português era liderado por jogadores como Carlos Lisboa ao serviço do Benfica, a Ovarense apostava assim em completar o seu plantel de jogadores portugueses com alguns nomes internacionais.

A atuar ao lado dos ilustres jogadores da formação vareira Mário Leite, Rui Leitão, George Sing e ainda Rui Chumbo, Mario Ellie vinha não só acrescentar bastante valor ofensivo como também trazia uma característica que o diferenciava de todos os outros Americanos na liga: a sua defesa. Desde ressaltos a recuperações de bola, a defesa de Elie era algo imensurável, era o tipo de jogador que trazia a mesma energia nas duas metades do campo! Também conhecido pela sua mão quente no ataque, Elie era certeiro com lançamentos de média distância mas também no tiro mais longo.

Desta forma, a receita para um campeonato estaria então criada e a Ovarense viria mesmo a sagrar-se campeã pela primeira vez em 1988! Com Mario Elie, chegaria também a ganhar a Supertaça no mesmo ano e também a taça de Portugal na época seguinte (1988/1989).

Depois de ter ganho os três principais troféus em terras Lusitanas, estaria então na altura de rumar de novo a casa, jogando assim a época de 1989/1990 nos Estados Unidos da América, na então “CBA”, uma liga minoritária da Pensilvânia. Elie actuava assim pelos  “Albany Patroons”, com um contracto que estaria estipulado para as épocas de 89/90 e 90/91, equipa onde fez também médias de 24.4 pontos por jogo juntamente com 5.7 ressaltos e 4.9 assistências.

Os 5 embates históricos da NBA

Existem inúmeros momentos nos quase 75 anos da história da NBA. Alguns, toda a gente recorda, outros, ninguém se lembra. Hoje, tive a difícil tarefa de escolher cinco jogos para os amantes e novatos na matéria verem, ou talvez reverem, neste momento complicado para todos.

Seja por exibições marcantes de apenas um jogador ou pelo momento que representa, estes cinco encontros representam histórias inesquecíveis. Um lançamento que caiu no último segundo, um jogo sete das finais, uma despedida, uma resposta ao adversário e ainda a que eu acho ser a maior rivalidade da toda a história do jogo.

Mesmo sendo demasiado nova para ter visto muitos destes jogos, uma pesquisa rápida na altura em que mergulhei neste mundo maravilhoso deu-me a chance de me apaixonar por toda a envolvência da liga de basquetebol americana. Espero, com isto, sem pressão, persuadir mais pessoas com uma coletânea do que de bom há para ver.

Que jogo de Desporto jogar nesta quarentena? PES Mobile 2020

Nesta quarentena em que todos devemos estar em casa por razões mais que óbvias, vou falar-vos de um jogo que todos deveriam jogar, principalmente nesta altura, em que pouco há para fazer.

O PES Mobile 2020 é dos poucos jogos de futebol que se pode jogar gratuitamente no smartphone ou tablet, com características bastantes próximas do FIFA e do PES para a playstation.Esta aplicação, que está disponível no Google Play e na Apple, teve origem em 2017, e desde aí percebeu-se que seguia as linhas do jogo para a playstation, até por ser uma versão oficial do Pro Evolution Soccer.

Até aos dias de hoje, fui montando a minha equipa de sonho, com as típicas restrições que me são impostas neste tipo de jogos. Na realidade, ficaria ainda mais satisfeito com Mbappé, Aubameyang, Messi… Mas não se pode ter tudo, e há sempre a esperança de ter esses craques nas minhas fileiras!

A adaptação a este jogo não foi nada fácil, uma vez que estava habituado ao FIFA 15 Ultimate Team (versão móvel), em que as condições eram totalmente diferentes, com aspetos melhores e outros menos bons. Inicialmente, mal conseguia fazer um passe e achava este jogo demasiado lento na definição das jogadas. Cheguei mesmo a desistir, mas a ânsia de encontrar um jogo para substituir aquele que outrora jogava, fez-me voltar a tentar. E valeu mesmo a pena! Acreditem que hoje não quero outra coisa, e, para alguém que não tem Playstation, é do melhor que há!

O espetacular disto tudo é poder ver astros do futebol mundial a vestirem a camisola de qualquer mundial. Já imaginaram o Ronaldo, Salah, Alisson, Van Djik e Neymar vestirem as cores de um clube português? Só neste jogo mesmo!

Agora vou falar-vos de alguns aspetos positivos e menos positivos que tem esta aplicação:

Começando pelos menos bons, é claro que tudo isto não tem a dimensão do jogo bem conhecido por todos nós para a Playstation, embora não seja uma diferença assim tão grande. Geralmente, apenas se pode jogar a versão Ultimate Team, o que é uma pena, visto que não podemos experimentar os verdadeiros escalões de todas as equipas mundiais. Os jogos têm uma duração limitada, correspondendo a aproximadamente dez minutos.

Cada treinador tem a sua tática específica, sendo que não é possível trocar, a meio de um jogo, de um 4-4-3 para 4-4-2. E, por fim, vem aquele aspeto que me custa mais, mas que é comum em todos os jogos de PES: o facto de não existir um verdadeiro mercado de transferências, uma vez que os jogadores que adquirimos provém de um sorteio entre diversas bolas, com as suas probabilidades. As bolas com maior probabilidade de sair são as brancas, de bronze e de prata (correspondentes a jogadores de menor valia no futebol mundial). Já as bolas de ouro saem algumas vezes (com jogadores já de algum nome), mas o que todos querem são as bolas pretas, em que aparecem os verdadeiros craques do futebol!

Nesta quarentena em que todos devemos estar em casa por razões mais que óbvias, vou-vos falar de um jogo que todos deveriam jogar.
A minha equipa habitual no PES Mobile 2020
Fonte: PES Mobile 2020

Relativamente aos aspetos mais positivos e que devem fazer-vos experimentar este jogo, começo pela jogabilidade, que dá um grande conforto e realismo a quem comanda os atletas dentro das quatro linhas. É permitido o treino e desenvolvimento de jogadores, sendo que a idade é um fator fundamental para transformar um atleta potencial num dos melhores do mundo. Um dos jogadores que recentemente me saiu foi Jadon Sancho, que tinha um overall de 83 e subiu para… 95! Todos os seus níveis de velocidade estão situados em 99.

Dentro do próprio encontro é possível festejar os golos, o que torna a partida mais realística, ao podermos ver aquele típico festejo do Cristiano Ronaldo. Outro fator positivo é que não é preciso muito tempo para montar uma grande equipa. Conheço casos de pessoas que jogam há cerca de um mês e têm uma equipa quase ao meu nível! As bolas pretas e os jogadores em forma especial aparecem com uma maior regularidade do que imaginam!

Agora, questiono o leitor: já imaginou poder jogar com lendas como Maradona, Luis Figo, David Beckam, Roberto Carlos, Ronaldinho… Neste jogo é possível! Mas não é fácil contratar estes astros já aposentados!

Vou-vos agora falar de outro aspeto positivo no meio de tantos outros que irão descobrir quando instalarem o jogo.

É, pois, possível jogar torneios, nível de campanha, online com qualquer usuário do mundo, e até como treinador a ver a tua equipa a jogar. O melhor disto tudo é poder jogar com os nossos amigos para mostrarmos quem verdadeiramente manda dentro das quatro linhas! Fazem-se sempre grandes jogos e criam-se grandes rivalidades, mas sempre com fair-play! A amizade também é isto!

Em termos de classificação, os dois melhores avançados são Ronaldo e Messi, o melhor jogador do meio-campo é Kevin de Bruyne, o melhor defesa é Van Djik, e o melhor guarda-redes é o Alison. Com as atualizações tudo pode mudar, mas que venha aquele que conseguir ter estes todos! Cá fico à espera, e acreditem que é possível!

O jogo está disponível para todos aqueles que tenham internet e smartphone/tablet, logo podem jogar onde quiserem, desde que tenham estes requisitos!

Termino com o apelo de que todos devemos ficar em casa a jogar o jogo que todos deviam jogar: PES Mobile 2020!

Que jogo devo rever nesta quarentena? A luva direita de Rui Patrício

Num momento cada vez mais delicado no nosso panorama nacional, nunca é demais relembrar: fica em casa. Segue todas as recomendações da DGS e sê responsável. É uma batalha de cada um de nós, de todos e para todos. Para nós, que somos amantes do desporto e em especial do futebol, há muito para ver. E este jogo não é exceção. Depois de uma primeira mão épica em Alvalade, o Sporting CP viajou até Inglaterra, ao Etihad Stadium para disputar a segunda mão dos oitavos de final da Liga Europa.

Fez no passado dia 15 de março, oito anos. O tempo voa, mas as memórias perduram. Porque o tempo muda, as pessoas mudam, mas as memórias essas são eternas. Sobretudo quando evolve paixão, quando envolve glória, quando evolve aquele sentimento especial que dá nas eliminatórias das competições europeias. O Sporting CP apesar de partir em vantagem, todas as possibilidades jogavam a favor dos caseiros. Uma equipa cheia de estrelas como David Silva, Kun Aguero, Mario Balotelli ou até Yaya Touré. No banco contava com jogadores como Samir Nasri e Edin Dzeko. Os argumentos eram muitos. Pelo menos na teoria, já que na prática foi bem diferente.

A bola começou a rolar marcava o relógio vinte horas e cinco minutos, com muitos leões a preencher as bancadas do Etihad Stadium, com uma (ainda) pequena esperança de que era possível passar a eliminatória depois do jogo feito na primeira mão. Os Leões começaram por cima, com várias ocasiões de perigo junto da baliza caseira, liderada por Joe Hart. Sá Pinto, na altura técnico leonino, delirava no banco. O City tardou em responder e foi mesmo a equipa portuguesa a chegar ao golo.

Aos 33 minutos, o Etihad gelou. Matías Fernández, o mágico chileno que vestia a camisola catorze, faz um golaço num livre lateral sobre o lado esquerdo do ataque leonino, ainda longe da zona da meia-lua e coloca assim o Sporting CP com vantagem no marcador, e com maior vantagem na eliminatória. Ainda antes do intervalo, os Leões chegam ao segundo golo. Nada fazia prever o que estava a acontecer em Inglaterra. Após uma jogava pelo lado direito do ataque leonino, Pereirinha descobre bem o russo Izmailov que num belo cruzamento ao segundo poste, encontra o pé certeiro de Ricky Van Wolfswinkel. Parecia até aqui tudo fácil para os Leões, que se ergueram perante um Manchester City algo fragilizado e sem argumentos. Era a prova de que o dinheiro não conseguia comprar história.

Na segunda parte o cenário mudou um pouco. O Sporting CP entrou algo mais na expectativa, a tentar controlar o resultado que era bastante vantajoso. Procurou gerir o ritmo de jogo e entrar evitar em loucuras, dando a bola ao adversário e baixando um pouco as linhas. No entanto, todo o cuidado era pouco. Adormecer demasiado cedo nem sempre dá bom resultado. Aos 60 minutos e ainda com bastante tempo para jogar, o Manchester City finalmente respondeu. Kun Aguero fez o 1-2 e reduziu para a equipa da casa, numa desatenção da defesa leonina. O treinador leonino procurou mexer na equipa e colocar jogadores mais frescos e mais rápidos.

O Sporting CP começou a cometer erros que até aqui não havia cometido e a pressão da equipa caseira começou a fazer-se sentir cada vez mais, com o aproximar do final da partida. Aos 75 minutos, Mario Balotelli faz o golo da igualdade na partida, através da marca de grande penalidade. Renascia a esperança da equipa inglesa e por outro lado, a equipa portuguesa olhava com preocupação para o relógio. Desde então, foi o verdadeiro sufoco para a equipa leonina. Aos 82 minutos, Kun Aguero completa a reviravolta inglesa, com um golo fácil ao segundo poste, após canto batido no lado esquerdo do ataque.  Sofriam os adeptos de ambas as equipas nas bancadas, tudo podia acontecer.

Balotelli tentou aos 87 minutos um cabeceamento que passa um pouco ao lado, mas o melhor estava guardado para o final da partida. Um final dramático, digno de deixar qualquer adepto sem reação. Uns por desespero e outros meramente perplexos de felicidade. Já no último minuto da partida, a equipa caseira beneficia de um canto. Inicialmente existe um corte de Xandão, mas a bola sobra para De Jong que bate a bola para a área e Joe Hart de cabeça quase consegue o empate. Mas eis que aí surge a mão direita milagrosa de Rui Patrício, que numa espetacular defesa salva o Sporting CP de uma eliminação.

Foram muitos que antes da eliminatória não conheciam o clube, os jogadores, as camisolas, mas não contaram com a capacidade de superação e de sofrimento dos jogadores leoninos. Um plantel liderado por um Sá Pinto, cheio de garra, mais até do que consciência tática e que contava com jogadores como Izmailov, Matias Fernández ou até Diego Capel. Um jogo memorável e que merece, sem dúvida, ser revisto.

ONZES E SUBSTITUIÇÕES:

Manchester City: Joe Hart, Micah Richards, Stefan Savic, Kolo Touré, Aleksandar Kolarov, David Silva (Samir Nasri 66’), David Pizarro (Edin Dzeko 55’), Yaya Touré, Adam Johnson (Nigel De Jong 46’), Sergio Aguero e Mario Balotelli.

Sporting CP: Rui Patrício, Bruno Pereirinha, Daniel Carriço, Anderson Polga, Xandão, Emiliano Insúa, Stijn Schaars, Marat Izmailov, Matías Fernández (Renato Neto 64’), Van Wolfswinkel (André Carrillo 68’), Diego Capel (Jeffrén Suárez 64’)

Foto de Capa: UEFA

Que filmes e séries ver nesta quarentena? The Damned United, Ruth, Goal, entre outros

A rubrica “Que filmes e séries ver nesta quarentena?” procura manter-te ocupado enquanto passas os teus dias em casa. A declaração do estado de emergência pelo Presidente da República no passado dia 18 de março e a entrada em vigor das medidas subjacentes ao mesmo na noite do passado sábado para domingo, conduziram a várias mudanças nas vidas dos portugueses.

As restrições à circulação e o dever de isolamento social e de teletrabalho (quando possível), assim como o fecho das escolas, “atirou” milhares de pessoas para casa durante, pelo menos, os próximos 15 dias. Muitas delas, por sentido cívico, já tinham optado por esta opção, antecipando os cenários atuais.

De forma a ajudar a preencher o tempo livre em casa e a “matar” saudades do futebol – agora que os campeonatos estão suspensos – nesta rubrica “Que filmes e séries ver nesta quarentena?”o Bola na Rede reuniu algumas sugestões de filmes sobre este desporto para ver durante o isolamento social:

Que filmes devo rever nesta quarentena: Happy Gilmore

Para grandes males, grandes remédios. Este filme não é definitivamente nenhuma solução para a crise de saúde pública que o mundo atravessa, porém, é com certeza, uma ótima distração de hora e meia. Nada melhor que uma comédia desportiva com Adam Sandler como personagem principal, para nos ocupar, em tempos de total suspensão das provas nacionais e internacionais.

Happy Gilmore”, retrata a história de Happy Gilmore – jogador de hóquei no gelo, rejeitado pela “falta de jeito”, que posteriormente, veio a descobrir a sua vocação noutro desporto. E por mais incrível que pareça: no golfe. Não por mera opção de lazer, mas pela vertente financeira, o protagonista trocou os ringues gelados pelos relvados sem fim à vista, com o objetivo de recuperar a casa da avó que tinha sido penhorada.

Happy Gilmore – entenda-se, Adam Sandler – nunca teve dotes de patinador. Ainda assim, persistia a vontade de se tornar num profissional de hóquei. Até que certo dia, experimentou o desporto dos “pulôveres aos losangos” (como o próprio o carateriza) e foi tão simples como somar um mais um. Apenas teve de transportar o seu ponto forte (a potência em cada tacada) para outra modalidade. Só parou de subir nas tabelas quando atingiu o seu objetivo principal, levou o cheque para casa e recuperou a habitação da única familiar que lhe restava.

A este filme de 1996, não poderia faltar uma banda sonora composta por nomes como Lynyrd Skynyrd, Kansas e Lionel Richie (entre outros), deixando no ouvido algumas músicas bem conhecidas dos anos 90. Para além disso, conta também com um elenco de renome. Cristopher McDonald, representa o papel de “Shooter” McGavin (o melhor jogador do circuito e arquirrival de Happy). E para dar uma “cara bonita” a esta obra, eis que surge Julie Bowen (Virginia Venit, no filme) – relações públicas da Pro Golf Tour.

No fundo, é das melhores longas-metragens para entreter qualquer pessoa que queira conjugar desporto e comédia. A excentricidade contraditória ao que é o jogador de golfe comum, bem como todos os obstáculos e peripécias retratados, tornam-na especial. Um filme americano, distribuído pela Universal Pictures e classificado em 7.0 pelo especializado site IMDb. Deixo-vos com o slogan aquando da estreia: “He doesn’t play golf, he destroys it”.