Em tempos de competição adiada devido ao COVID-19, decidimos pôr a criatividade em jogo e relembrar a ti, caro leitor, os (quatro) vencedores do Estoril Open que provavelmente já não te lembras.
Caraterizado pelo jogo em terra batida, o Estoril Open acaba por ser o único torneio que representa Portugal no circuito mundial de ténis masculino, pelo que, por isso, acaba por ter um carinho especial por nós, portugueses, desejando que seja possível fazer e sustentar edições deste calibre, por muitos anos.
A nossa lista inclui dois dos melhores tenistas de sempre, que deram também o «ar da sua graça» no nosso país.
1.
Novak Djokovic (2007) – É verdade. Considerado, por muitos, um dos melhores tenistas da atualidade, o atual número um do mundo já ganhou, uma vez, o ATP da nossa casa. De apenas 19 anos, venceu a Richard Gasquet por 7-6, 0-6 e 6-1, e foi, de facto, o Estoril Open, que o lançou numa carreira que viria a ser uma das melhores de todos os tempos.
Agora, com 32 anos, o sérvio soma 78 títulos na sua carreira, dos quais se junta a edição de 2007 do Estoril Open, e 17 Grand Slams, sendo considerado um dos maiores nomes que se tornaram vencedores deste torneio.
2.
Roger Federer (2008) – Em 2008, o Estoril Open contou no seu cartaz com a presença de um dos melhores jogadores da história do ténis, nada mais, nada menos, que o tenista suíço Roger Federer. Na altura com 26 anos, o atual quarto classificado do ranking ATP chegou ao torneio português como cabeça de série e como número um mundial.
Nesse ano, foram vários os portugueses que também alinharam na competição: Frederico Gil, João Sousa, Gastão Elias e Rui Machado. Frederico Gil chegou a defrontar Roger Federer nos quartos de final e saiu derrotado por 2-0. O tenista luso fez parte do percurso do suíço que chegou até à final e venceu-a ao “bater” o 4º classificado do ranking de 2008, o russo Nikolay Davydenko.
A final não teve muita história, até porque só teve um set completo. No quarto jogo do segundo set, Nikolay Davydenko desistiu devido a lesão. Melhor estreia era impossível para Roger Federer. O mesmo não se pode dizer quando em 2010 foi eliminado nas meias finais pelo vencedor dessa edição o espanhol Albert Montanes.
Esperemos que o tenista suíço ainda volte a Portugal antes de terminar a carreira, os fãs portugueses ficariam agradecidos.
Primeiro Mundial de sempre disputado no continente asiático e com um jogo de abertura falado 100% em francês: a campeã do Mundo, França, iniciava a defesa do título frente ao estreante Senegal. Uma partida cujo resultado final causou choque entre os fanáticos do Futebol. Porque, no final de contas, o resultado foi este: França 0-1 Senegal.
Organizado em conjunto pela Coreia do Sul e Japão, o Campeonato do Mundo teve o seu início no dia 31 de maio de 2002 na capital sul-coreana Seoul. Conquistado o Euro 2000, os Gauleses pretendiam renovar o estatuto de “Campeões do Mundo” alcançado na edição anterior – ocorrida em 1998 em França precisamente -, e nada como começar com um triunfo para reforçar os elevados níveis de confiança. A fazer a estreia em Mundiais, o Senegal era tido como ‘outsider’ e queria desfrutar a experiência em jogar contra as melhores seleções do planeta, embora a fé africana fosse inabalável e acreditava-se num milagre por parte dos Leões de Teranga.
Os minutos iniciais mostraram um Senegal a querer impor respeito à França e a apostar em transições rápidas, tendo mesmo conseguido criar perigo junto da área adversária mas nada que um experiente Barthez resolvesse sem qualquer dificuldade. As intenções francesas eram mais evidentes, tanto que o primeiro lance de verdadeiro perigo surgiu através de David Trezeguet, à passagem do minuto 22, que atirou já dentro de área ao poste da baliza, após assistência de Henry.
Só que a resposta senegalesa foi mais letal: minuto 30, o lateral Omar Daf rouba a bola no meio-campo a Djorkaeff e passa para El-Hadji Diouf. O avançado acelera e ultrapassa facilmente Leboeuf, cruza para a área onde Emmanuel Petit não conseguir afastar a bola com eficácia, sendo que acaba por sobrar para Bouba Diop fazer o primeiro golo da partida.Tremenda festa dos senegaleses que se adiantavam no marcador frente a um dos favoritos, mas ainda faltava muito jogo…
Bouba Diop fez o primeiro golo da edição de 2002 do Mundial Fonte: FIFA
A reação gaulesa ao golo sofrido não demorou a surgir, com Djorkaeff num livre direto frontal aos 38’ a testar o guardião Tony Sylva que defendeu com relativa facilidade a bola. Antes do intervalo, foi Wiltord num lance individual a rematar para mais uma defesa tranquila de Sylva. O Senegal estava a 45 minutos de causar a primeira grande surpresa do torneio.
O segundo tempo começou como havia terminado a primeira parte: a França a partir para cima do Senegal que se estava a mostrar um bloco defensivo intransponível. A dupla ofensiva Henry e Trezeguet bem tentava puxar da cartola um lance de génio mas o dia não era mesmo deles. O selecionador francês nem sequer colocou de início o criativo Zidane e a armada azul parecia estar a ressentir-se disso mesmo.
As bolas paradas poderiam ser a salvação para alcançar o empate: ao minuto 57, Patrick Vieira surge solto de marcação no pontapé de canto e cabeceia para mais um encaixe fácil de Sylva. Os jogadores franceses apostavam num futebol mais direto e menos pensado, algo que a defesa senegalesa agradecia e ia dando conta do recado com maior ou menor grau de dificuldade.
Num rápida contra-ataque, Khalilou Fadiga chegou a estar perto de fazer o 0-2 aos 65 minutos, quando o seu remate embateu com estrondo no travessão da baliza de Barthez. No instante seguinte, foi Henry a querer imitar o seu adversário e também atirou a bola à trave para desespero dos adeptos franceses presentes no estádio. O dia era mesmo ‘não’ para o ponta-de-lança goleador.
O relógio não parava e o tempo começava a escassear para impedir uma derrota logo a abrir a prova para o lado francês, e nem o substituto Djibril Cissé ajudou os seus colegas a alcançar o empate. O jogo acabaria mesmo com a vantagem mínima: França 0-1 Senegal, que se estreava da melhor forma num Mundial, e logo com uma vitória sobre a campeã do Mundo. Os africanos seriam mesmo uma das grandes sensações do torneio, ao chegarem aos Quartos. Já a França terminaria o grupo na última posição com um apenas ponto conquistado e duas derrotas.
Alguns momentos do jogo França 0-1 Senegal:
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
França: Fabien Barthez, Marcel Desailly, Lilian Thuram, Frank Leboeuf, Bixente Lizarazu, Patrick Vieira, Emmanuel Petit, Youri Djorkaeff (Christophe Dugarry, 60’), Thierry Henry, David Trezeguet e Sylvain Wiltord (Djibril Cissé, 81’)
Senegal: Tony Sylva, Omar Daf, Malick Diop, Lamine Diatta, Ferdinand Coly, Papa Bouba Diop, Khalilou Fadiga, Aliou Cissé, Moussa N’Diaye, Salif Diao e El-Hadji Diouf
Que jogos devo rever nesta quarentena? CD Tondela 5-2 GD Chaves: na última jornada da época passada, os auriverdes confirmam a manutenção num jogo de grandes emoções disputado em casa com as bancadas repletas de adeptos, como deveriam ser todas as partidas.
19 de maio de 2019, 17h30, Estádio João Cardoso. Era aqui que se iria disputar a luta por um lugar na primeira divisão, opondo o CD Tondela ao GD Chaves. À entrada do jogo, ambas as equipas se encontravam empatadas no número de pontos (32), mas aos flavienses bastava-lhes o empate para garantirem o 15º lugar, o último que permite a presença no principal escalão português de futebol.
Um espetador mais distraído que apenas tenha ligado a televisão às 18h, com certeza terá pensado que o jogo estava “feito”. A equipa de Viseu, sabendo que apenas a vitória interessava, entrou a “todo o gás” e aos 28 minutos já ganhava por 4-0.
Sim, leu bem. 4-0. Ícaro Silva abriu o marcador logo aos quatro minutos, ao cabecear para dentro da baliza um canto cobrado por António Xavier. João Pedro quis repetir o timing e, quatro minutos depois, também ele fez abanar as redes. O número oito marcou aos oito minutos, beneficiando de um corte incompleto da equipa transmontana.
Dez minutos de jogo e o CD Tondela já tinha a partida aparentemente controlada. Contudo, nem assim tirou o pé do acelerador. Jhon Murillo também se quis juntar à festa e assinou o 3-0 aos 16 minutos. Jogada de grande qualidade dos auriverdes, com uma grande assistência de Tomané (viria a fazer mais uma), isolando o venezuelano, que não perdoou no frente a frente com Ricardo Nunes.
Se a festa já era muita, ainda subiu de tom. Os viseenses chegaram ao quarto golo aos 28 minutos, com Juan Delgado a dar o melhor seguimento a nova assistência de Tomané. O GD Chaves parecia ter dificuldade em “acordar” desta apatia generalizada e, em meia hora de jogo, viu todos os seus planos para o jogo saírem furados.
O Desportivo de Chaves ainda teve esperança na permanência ao reduzir para 4-2 Fonte: GD Chaves
Era imperativo uma reação rápida, ainda na primeira parte, para reentrar na partida e mexer com a confiança do adversário. Cientes disso mesmo, os flavienses correram atrás do prejuízo e reduziram aos 38 minutos, com Platiny – que tinha entrado há menos de 20 minutos -, a não tremer em frente ao guarda-redes depois do cruzamento de Djavan pela esquerda.
Ainda antes do intervalo, a equipa de Trás-os-Montes ganha outro fôlego no jogo, com o sérvio Nikola Maraš a reduzir para 4-2 na compensação. Apesar da diferença de dois golos, era notório para todos os que assistiam que a partida estava relançada e que o GD Chaves iria fazer tudo por tudo para mudar o cenário do jogo.
Assim foi. A equipa orientada por José Mota “apenas” precisava de mais dois golos (e de não sofrer nenhum) para garantir o empate e a manutenção, pelo que fez o que lhe competia: uma entrada na segunda parte muito pressionante a “sufocar” o adversário, criando, assim, várias oportunidades para reduzir a desvantagem.
O CD Tondela provou ter estofo para jogar entre os grandes, ao gerir da melhor forma o ataque cerrado do seu oponente, esperando o melhor momento para espetar a “machadada final” nos sonhos dos flavienses: Pité, recém-entrado na partida, assiste para o bis de Jhon Murillo aos 78 minutos, num lance em que o guarda-redes Ricardo Nunes ficou mal na fotografia.
Tondela 5-2 Chaves no marcador tornaram-se um fardo demasiado pesado para os transmontanos, que não conseguiram reagir mais até ao final da partida. Num jogo épico recheado de golos – só na primeira parte foram seis – O CD Tondela festejou a terceira manutenção conseguida na última jornada, depois o ter feito nas épocas 2015/2016 e 2016/2018. O treinador Pepa consolidou, assim, a sua reputação como especialista em manutenções, antes de trocar a equipa de Viseu pelo FC Paços de Ferreira esta época. Aqui está um pouco da festa que foi este jogo Tondela 5-2 Chaves:
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
CD Tondela: Cláudio Ramos, Joãozinho, Ícaro Silva, Bruno Monteiro, David Bruno, António Xavier (69’ Pité), João Jaquité, João Pedro, Juan Delgado (51’ Sergio Peña, 77’ Nego Tembeng), Jhon Murillo e Tomané.
GD Chaves: Ricardo Nunes, Djavan, Gastón Campi, Nikola Maraš, Lionn (69’ João Costinha), Bruno Gallo, Filipe Melo (19’ Platiny), Jefferson Santos, Rúben Macedo (84’ Paulinho), William e Gevorg Ghazaryan.
O momento que vivemos obriga-nos muitas vezes a rebobinar a fita para recordarmos bons momentos. Num desses dias, a minha memória decidiu levar-me ao Europeu de 2008, talvez o primeiro que me recordo inteiramente. Além da vitória inesquecível da seleção espanhola, é impossível não sermos levados a pensar nas exibições da Rússia, principalmente de Andrey Arshavin.
Os campos da Áustria e da Suíça não estavam inteiramente preparados para as exibições do então jogador do Zenit. Apesar da ajuda preciosa na surpreendente vitória do clube de São Petersburgo na Taça UEFA do mesmo ano, a fama do atacante não saía muito das fronteiras do maior país do mundo.
Com uma das seleções russas mais talentosas de sempre, os comandados de Guus Hiddink caíram num grupo teoricamente difícil. O grupo D continha a Espanha, crónica favorita, a Grécia, campeã em título, e uma Suécia que contava com nomes como Ibrahimovic e Henrik Larson nas suas fileiras.
Nessa mesma fase de grupos, Arshavin demorou a conseguir a confiança do selecionador. Não jogou nas duas primeiras partidas e foi lançado a titular no jogo decisivo frente aos suecos. Resultado? Um golo e o prémio de homem do jogo que ajudaram a sua seleção a carimbar o passaporte para a fase seguinte.
Nos quartos de final, a Rússia tinha à espera a Holanda, uma seleção que tinha encantado a europa com um bom futebol nos encontros anteriores. Novamente, contra quase todas as apostas, e com ajuda do pé direito de Andrey, os russos bateram a laranja mecânica no prolongamento. A exibição do mago russo vai ficar para sempre na retina dos amantes de futebol.
Faltava um passo para a tão ambicionada final. Depois de se terem defrontado na primeira partida do grupo D, espanhóis e russos chegaram ao relvado do Ernst-Happel Stadium em fases de grande qualidade futebolística. No entanto, nuestros hermanos elevaram a fasquia em mais uma noite onde tudo correu de forma quase perfeita. Terminava aqui a história de cinderela dos homens vestidos de branco, vermelho e azul.
Apesar da performance no Europeu ter terminado, Andrey Arshavin conquistou quem ainda não conhecia os seus predicados futebolísticos. Começou a ser sondado por grandes clubes europeus e acabou por voar até ao Emirates Stadium, para defender as cores do Arsenal.
As lesões nunca nos deixaram ver o total potencial do russo a ser concretizado, mas ainda assim tem uma das exibições mais icónicas da Liga Inglesa. Em Anfield, o avançado marcou quatro golos no 4-4 frente ao Liverpool. Foram poucos anos no alto nível, mas de certeza que ficará eternizado nos livros do futebol.
Hoje vamos falar sobre o Nuno Gomes. A primeira vez que os meus pais me levaram a ver um jogo de futebol ao estádio, coincidiu com a primeira vez que me deram uma camisola do SL Benfica. Perguntaram-me se queria o número e nome de algum jogador, ao que eu respondi com uma convicção demasiado grande para uma criança de seis anos: NUNO GOMES. Ainda tenho a camisola daquele que será sempre o meu herói do Benfica.
Nuno Gomes teve uma carreira invejável: internacional por Portugal desde os sub-15, marcou o seu primeiro golo pela selecção A no jogo de abertura do Euro 2000, frente à Inglaterra, onde a equipa das quinas deu a volta a uma desvantagem de 2-0. Foi o primeiro jogador a fazer abanar as redes no novo Estádio da Luz, em Outubro de 2003. Marcou em todas as competições que disputou pelo Benfica. Patinho feio para uns, herói para outros, era sempre o jogador em quem eu confiava que iria dar a volta quando os jogos corriam mal.
Os seus 166 golos em 399 jogos davam-me essa esperança. O exemplo mais ilustrativo: época 2009/2010. A Primeira época do Mister Jorge Jesus no Benfica, com uma equipa de ouro. À 13ª jornada, o Benfica perdia no Algarve frente, ao SC Olhanense por 2-1. Estava destroçada até ao minuto 82’, quando entrou Nuno Gomes para o lugar de Fábio Coentrão; aí, tinha a certeza que não íamos perder. Quando ele marca aos 92’, desatei aos saltos pela casa fora como se tivéssemos ganho a Champions League. Era decisivo, quando eu precisava dele, ele estava lá.
Nuno Gomes festejou o título de 2004/2005 que os benfiquistas já esperavam há uma década Fonte: SL Benfica
Recordo-o sempre como um benfiquista de gema, já que passou a maior parte da carreira no clube de coração e que dava tudo em campo. Apesar de vários “falhanços”, continuava a ser o meu herói, com aqueles golpes de cabeça que hoje fazem tanta falta à equipa de Bruno Lage… Decisivo, com um ror de golos ao cair do pano, a aparecer sempre no sítio certo para marcar na segunda bola. A esse sentido posicional, juntava uma técnica que muito poucos avançados têm. Não deixa de ser curioso, que depois da sua saída da selecção, tenhamos passado por um longo período de “seca de ponta-de-lança”. Nuno Gomes era o topo de avançado.
Curiosamente, Nuno Gomes não tinha este apelido. Adoptou-o em homenagem a Fernando Gomes, um avançado dos adversários Sporting CP e FC Porto, o que também demonstra um certo respeito pelos eternos rivais. Actualmente, é director geral de formação dos encarnados. Faz todo o sentido: quem brilhou desde o início da carreira, no Amarante FC, pode muito bem guiar as jovens pérolas do Seixal. Apesar de Pizzi fazer jus ao número que carrega nas costas, o meu camisola 21 favorito será sempre o capitão da equipa que tinha Di Maria, Saviola, Ramires e Cardozo.
Este jogo é daqueles que dificilmente se esquece. Pelo contexto, pela emoção, pelo que estava em causa para as duas equipas, pelas adversidades e, acima de tudo, pela História. Quem disse que um jogo épico tem obrigatoriamente de ser um duelo entre dois tubarões do futebol? O Manchester City 3-2 Queens Park Rangers, na época 2011/12, terá sido o retrato perfeito de que entrar nos descontos a ganhar pode resultar…numa derrota.
Primeiro, o contexto. Dia 13 de maio de 2012, tarde de sol em Manchester, última jornada do campeonato e ainda muitas coisas por decidir. De um lado, os citizens precisavam de triunfar (ou obter um resultado igual ou melhor ao do rival) para alcançar um título que lhes fugia há 44 anos. Do outro, o QPR lutava pela sobrevivência no principal escalão do futebol inglês e, em caso de derrota, corria o risco de cair para a zona de despromoção.
Vamos ao jogo. A formação orientada por Mancini entrou igual a si própria – apesar de alguns nervos à mistura –, perante uma equipa com mais cautelas defensivas e sempre de olho no contra-ataque. Avançava o relógio, sucediam-se as oportunidades e os golos tardavam em aparecer. No reduto do Sunderland, já o Manchester United se encontrava a vencer com um golo de Rooney (resultado que manteve até final), algo que, virtualmente, daria o título aos red devils.
A meia dúzia de minutos do intervalo, Zabaleta tentou a tua sorte na sequência de uma jogada bem desenhada e aproveitou, assim, uma má abordagem de Kenny para inaugurar o marcador, recolocando sua equipa mais perto do título. E mais…a formação visitante foi para o intervalo num lugar de descida, face à vantagem do Bolton no reduto do Stoke City, o que obrigava a uma reação…
Ora, tudo seria diferente nos primeiros minutos do segundo tempo. Com a clara pressão de alcançar outro resultado, a turma de Mark Hughes foi oportunista logo a abrir e soube aproveitar uma falha defensiva adversária, com o golo do empate a ser marcado por Cissé. Mas as surpresas não se ficariam por aqui…
Joey Barton receberia ordem de expulsão após um lance com Agüero e, mesmo em inferioridade numérica, a formação visitante surpreenderia mesmo o mundo do futebol ao alcançar uma reviravolta inesperada, por intermédio de Mackie. Tudo isto numa altura em que faltava pouco mais de vinte minutos para o fim do tempo regulamentar.
Fonte: Manchester City FC
Mancini apostou tudo o que tinha a apostar – lançando Dzeko e Balotelli – e, além destes, muitos outros foram sempre esbarrando na muralha defensiva contrária, com múltiplos lances a não serem concretizados de uma forma inacreditável. Uffa, era mesmo daquelas coisas de levar as mãos à cabeça. A verdade é que o cronómetro caminhava para os 90’ e o resultado teimava em não se alterar. Até que…
…viria a outra reviravolta inesperada. Já em tempo de descontos, Dzeko saltou mais alto na sequência de um canto e cabeceou para o 2-2. Voltava a aparecer uma luz de esperança para os citizens e também uma incógnita desmedida para os red devils, que já se preparavam para festejar o vigésimo campeonato da História. Contudo, tal feito ficaria mesmo para a época seguinte.
Num daqueles momentos que o futebol consegue proporcionar tão bem, Agüero ganharia uma bola dentro da grande área aos 94’ e remataria para o fundo das redes, dando a cambalhota no marcador, na tabela classificativa e garantindo ainda o terceiro campeonato inglês ao Manchester City…44 anos depois. Emoções incontroláveis e até mesmo arrepiantes para quem ainda hoje se lembra destas imagens. Confesse lá!
A verdade é que, apesar do resultado final, também o QPR garantiu a permanência na Premier League, face ao empate do Bolton. Havia motivos para sorrir para todos os que se encontravam no Etihad.
O caminho dos citizens para chegar ao título foi longo e recheado de sobressaltos. Basta recordar que, duas semanas antes deste duelo épico, o City vencera o United por 1×0, colara-se ao rival no primeiro lugar e com a nuance de que o épico 1×6 em Old Trafford significava uma vantagem no confronto direto entre os dois clubes.
E o futebol é mesmo isto… É capaz de nos proporcionar tudo e mais alguma coisa, até mesmo aquilo que às vezes já parece impossível. Sensações indescritíveis, momentos inesquecíveis e emoções à flor da pele. É futebol…
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
Manchester City: Joe Hart, Pablo Zabaleta, Vincent Kompany, Joleon Lescott, Gaël Clichy, Gareth Barry (Edin Dzeko, 69’), Yaya Touré (Niguel de Jong, 46’), David Silva, Samir Nasri, Kun Agüero e Carlitos Tevez (Mario Balotelli, 76’).
Queens Park Rangers: Paddy Keny, Clint Hill, Nedum Onuoha, Taye Taiwo, Anton Ferdinand, Shaun Wright-Phillips, Joey Barton, Shaun Derry, Jamie Mackie, Djibril Cissé (Armand Traoré, 55’) e Bobby Zamora (Jay Bothroyd).
Com a NBA cada vez mais atenta aos talentos provenientes do estrangeiro, são vários os jogadores jovens a jogar fora dos EUA e a merecer atenção especial por parte dos observadores norte americanos. Depois do ressurgimento de atletas tais como Giannis Antetokounmpo, Luka Doncic ou Jokic, provenientes do continente europeu, há uma especial preponderância para valorizar jogadores jovens oriundos dos demais países europeus.
Este ano, apesar de não haver um jogador com o currículo de Luka Doncic, ou com o potencial de Giannis, tem jogadores que merecem a nossa atenção. Veja aqui o nosso top 3.
Com cinco triunfos no Tour de France, dois no Giro d’Italia, um na Vuelta a España, um na Liège-Bastogne-Liège, três no Trofeo Baracchi e nove (!) no Grand Prix des Nations, é inegável que Jacques Anquetil é um dos melhores de sempre do Ciclismo. Contudo, quando vemos, no digital ou fora dele, discussões sobre quem o segundo melhor da história atrás de Merckx, quase sempre ficam ausentes as menções ao Mestre Jacques.
Surge sempre um arraial de nomes, desde opções relativamente consensuais como Hinault ou Kelly a sugestões desfasadas da realidade como Armstrong ou Sagan, cujo palmarés é claramente inferior ao de Anquetil, mas que, quer por um viés de serem mais recentes quer por serem mais populares são, injustamente colocados acima de um dos grandes do pedal.
De carreira terminada há 50 anos e tendo deixado este mundo há mais de 30 anos, é normal que comece a ser um pouco esquecido, uma vez que são cada vez mais as gerações que não tiveram o prazer de o apreciar sobre a bicicleta. Contudo, Anquetil é um daqueles que nunca devemos esquecer e somos disso relembrados rapidamente quando olhamos para a lista tão curta de ciclistas que atingiram os feitos mais memoráveis deste desporto, como vencer cinco vezes o Tour ou conquistar as três Grandes Voltas, e em que ele teima em constar.
[D-136] 1957, 1st win for Jacques Anquetil, at only 23 years old. He won the Tour 5 times over his career. #TDF100pic.twitter.com/dw5aoWYi
O Mestre Jacques foi também um dos melhores contrarrelogistas da história e abriu o caminho para um estilo de voltista que dominou imensas provas de três semanas daí em diante, controlando a oposição na montanha para depois a dizimar no esforço individual. Merckx também recorreu a esta estratégia em certas fases da carreira e nomes como Indurain ou Lemond devem-lhe a carreira. Em tempos mais recentes, Wiggins ou Dumoulin fizeram exatamente o mesmo.
E esse foi um caminho aberto por Anquetil, nunca campeão do mundo porque só em 1994 a UCI introduziu o Mundial de crono, que encontrou no contrarrelógio a fonte de 11 das suas 16 vitórias de etapa no Tour.
A mesma contenção tática que o fez brilhar nas provas por etapas é, no entanto, uma das justificações para lhe faltar um pouco da glorificação dada a outras com menores feitos, já que se tratava de algo pouco propício às mais românticas clássicas, onde acabou por alcançar poucos resultados de nota.
Infame na sua vida pessoal, com uma história amorosa e sexual digna de uma telenovela mexicana e que o atormentou nos últimos anos de vida, Anquetil não foi só um dos grandes do seu tempo como fez mais que o suficiente para gravar o seu nome na história do Ciclismo.
Por tudo isso, não esqueçamos o Mestre Jacques. Da próxima vez que pensarmos nos melhores da história das duas rodas a pedal, recordemo-nos de Jacques Anquetil.
Nunca uma analogia como a tão famosa “Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé”, fez tanto sentido na realidade futebolística. Devido à luta que todos enfrentamos contra um adversário resistente, a vida de todos nós modificou por completo, mesmo daqueles que continuam a sua tarefa laboral com tanta paixão e sacrifício e a todos eles nós devemos o nosso OBRIGADO!
Porém, como foi referido anteriormente, hoje vivemos tempos diferentes e difíceis, nos quais o mundo do futebol não foi exceção, por isso é quase regra geral, que a prática do mesmo esteja impossibilitada e isso implica a paragem de todas as competições a que estamos habituados, como as diversas ligas nacionais de cada país e torneios internacionais. Mas, não é apenas a competição que está parada, quase todos os emblemas europeus, salvo algumas raras exceções, tem o seu dia-a-dia parado por tempo indeterminado. Neste contexto, não se sabe uma data certa para o regresso do desporto-rei, mas isso não invalida que todos os atletas mantenham a performance física dentro das suas respetivas habitações. Isto acontece, desde futebolistas do FC Barcelona até a jogadores de ligas mais inferiores, como o Campeonato de Portugal, logo o FC Porto não foge à regra.
Assim, desde o primeiro dia que o emblema da invicta tem disponibilizado um plano de treino específico para cada atleta, atendendo ao espaço da sua habitação e ao material ao alcance de cada um. Um luxo do qual nem todos os clubes se podem gabar e no qual o apoio concedido pela entidade desportiva é testemunhada pelos próprios jogadores, que fazem questão de revelar o suporte que tem recebido por parte da estrutura do FC Porto, que passa desde a equipa técnica até ao corpo clínico ou massa dirigente. Todo este trabalho é evidenciado, quer pelas redes sociais de cada desportista, quer pela app do clube, ou seja, a “APP FC Porto”, onde cada adepto pode ser notificado sobre qualquer notícia que envolva os azuis e brancos. Por isso, a cada novo dia, os dragões fazem questão de divulgar o trabalho desenvolvido em casa por parte dos jogadores, de forma também a promoverem o exercício físico por todos os seus simpatizantes.
Alex Telles é uma das vozes que tem mostrado aos adeptos de que forma todos os jogadores do FC Porto estão a enfrentar esta situação Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Recentemente, muitos dos jogadores, como Soares, Marchesín, Nakajima, Luís Diaz ou Pepe têm vindo a mostrar preocupação pelo panorama no qual o mundo está envolvido, mas sem se desfocarem dos objetivos a que o clube está em frente, transmitindo esperança que tudo se possa resolver, para que assim alcancem as conquistas que pairam sobre todo o plantel, isto é, a vitória na liga portuguesa e na taça de Portugal. No entanto, tem sido pela mão do capitão, Danilo Pereira, e pelo influente Alex Telles, que todos nós tivemos uma noção mais exata do que tem sido a rotina diária de todos os intervenientes que compõem o plantel. Deste modo, o internacional português confessa algumas dificuldades no afastamento repentino do centro de treinos do Olival, das partidas, do convívio pessoal com os seus colegas, mas assinala o apoio incansável do clube, que, no seu caso, disponibilizou logo uma bicicleta em sua casa. Além disso, o médio salienta que o grupo de trabalho está em contacto diário através de um grupo de WhatsApp e que cada membro do plantel tem um plano físico e alimentar renovado todos os dias com todas as indicações do que devem fazer. Por sua vez, Alex Telles reforça essa mesma ideia, informando que, antes da paragem inevitável, o FC Porto já tinha tido uma reunião com o Dr. Nelson Pulga a explicar todos os procedimentos e cuidados que deviam ter para se protegerem do vírus. Por último, o lateral canarinho ainda explica, que mesmo afastados uns dos outros, mantêm contacto com todos, das mais diversas formas, para que o espírito de grupo e de trabalho prevaleça.
Por este prisma, apesar do contexto mais limitado, os jogadores continuam a manter a forma, por ordens e orientações do clube, para que quando a competição regresse, se regressar, estarem na máxima força para segurar a vantagem que têm sobre o SL Benfica e de arrecadar uma vitória no Jamor contra o mesmo opositor.
Apesar de a ação dentro da quadra estar suspensa por tempo indeterminado, devido à situação pandémica sobejamente conhecida, os adeptos da modalidade viram o reconhecimento dos melhores intervenientes do ano com a atribuição dos Futsal Awards de 2019.
Estavam um total de dez categorias a “concurso” escolhidas por um painel de especialistas do Futsal Planet e muitos portugueses estavam entre os nomeados. Apesar de o selecionador nacional, Jorge Braz, vencer o prémio de melhor treinador de seleções, pela segunda vez consecutiva, depois de já ter conquistado este prémio no ano de 2018, os resultados não foram tão bons quanto o esperado e merecido.
OS PRÉMIOS MASCULINOS: BRASIL E ESPANHA COM A MAIORIA DOS PRÉMIOS
Do lado masculino, há dois prémios, injustamente entregues a intervenientes espanhóis. A melhor equipa do ano seria o Sporting CP, campeão europeu deste ano, ao qual juntou a Taça de Portugal, sendo também vice-campeão nacional, numa eliminatória apenas ganha pelo SL Benfica na “negra” (3-2 para os encarnados). Apesar deste insucesso a nível doméstico, o troféu mais importante e significativo do “velho continente” foi ganho pelo emblema leonino. Logo, não é muito lógico ou sequer compreensível como é que o FC Barcelona é considerado a equipa do ano.
O Sporting CP foi a segunda melhor equipa do Mundo e o mesmo aconteceu com Nuno Dias, mas no prémio de treinador do ano Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Seguindo esta mesma linha de pensamento, o treinador de clubes do ano transato deveria ser Nuno Dias (Sporting CP), timoneiro campeão continental e que tem feito um trabalho notável e de excelência, desde que assumiu o comando técnico dos leões em 2012, ao invés do treinador blaugrana, Andreu Plaza.
Num ano atípico a nível de seleções, com o cancelamento da Copa América em virtude da situação social e política vivida no país organizador da competição, o Chile, o prémio de melhor selecionador acabou por ser entregue a Jorge Braz e o de melhor seleção foi para o Brasil. O ano de 2019, no qual Portugal foi competente no início da caminhada para o Campeonato do Mundo, vencendo o grupo da Ronda Principal, concluída com sucesso já em 2020, ao estarmos entre os 24 finalistas que irão disputar o título mundial no fim deste ano, caso o COVID-19 o permita.
Quanto aos outros galardões que envolvem protagonistas masculinos, o melhor jogador é sempre muito difícil de “contestar”, desta feita sem sequer termos nenhum nomeado entre os dez finalistas, em virtude do ano menos bom de Ricardinho e do “seu” Inter Movistar FS. O vencedor foi Ferrão (FC Barcelona) e os únicos representantes de clubes nacionais foram o brasileiro naturalizado italiano Alex Merlim (terceiro), o brasileiro naturalizado cazaque Taynan (sexto), contratado esta época pelos campeões europeus.
Em termos de melhor jovem, tivemos nomeado o português Hugo Neves, jogador emprestado pelo Sporting CP à CRC Quinta dos Lombos. Foi o jogador dos sub-19 que mais nos surpreendeu por ser um atleta que pessoalmente desconhecíamos, mas no Euro sub-19 e nesta última temporada ao serviço dos “Lombos” demonstrou que, assim como outras posições, o futuro na posição pivot está assegurado. O jovem português “apenas” ficou em sétimo, numa categoria ganha pelo brasileiro Leozinho.