Cai neve em Nova Iorque, mas na Suécia não caiu, pelo menos não como seria de esperar. O Rali da Suécia é a única ronda com a qual podemos relacionar, verdadeiramente, o inverno. É a única prova que concilia motores quentes e estradas geladas, na qual somos presenteados com altas velocidades, temperaturas muito baixas, aquilo que podemos chamar de “neve a sério” e o salto em Colin’s Crest. Ou pelo menos assim deveria ter sido.
O país que recebeu a competição, este mês, foi surpreendido por temperaturas mais elevadas do que as normais nesta altura do ano. A situação já tinha alarmado a organização da competição pelo facto de impedir a realização da prova em determinados troços e esta acabou por encurtar a mesma (inclusive 21,19 km eliminados do mapa num só dia) para cerca de 140 quilómetros, que se dividiram em nove especiais, sendo que estavam previstas o dobro das mesmas.
Desta forma, a “prova de inverno” realizou-se em condições muito diferentes do habitual, consequência da falta de gelo e neve, porém, nada disto diminuiu o grau de dificuldade da prova.
Ainda assim, as alterações da prova não a fizeram perder a emoção que seria de esperar de um rali. Com a emoção vem a competitividade, o esforço, a demonstração do melhor dos melhores na luta pela vitória e, desta vez, a vitória pertence ao galês Elfyn Evans (Toyota Yaris) que dominou o rali, ganhando metade das especiais. O piloto conquistou este domingo a segunda vitória da carreira ao vencer o Rali da Suécia e encontra-se na liderança do Campeonato do Mundo com 42 pontos, a mesma pontuação que Thierry Neuville (Hyundai).
Elfyn Evans festeja a sua vitória ao lado do co-piloto Scott Martin Fonte: WRC
Sou sócio do Sport Lisboa e Benfica há 25 anos e nunca tinha visto o meu clube ganhar tantos jogos e títulos como na ultima década.
Ainda assim, há anos que a felicidade de cada vitória combate em mim a vergonha que sinto com cada novo e-mail divulgado, com cada transferência mal explicada de jogadores, com cada golpe democrático para afastar a oposição, com cada intervenção de quem representa o clube em debates de televisão.
Uma das muitas patranhas mal contadas foi a da OPA para recompra de ações do clube. Inútil do ponto de vista estratégico, mal justificada, financeiramente desastrada, esta OPA Vieirista pretendia comprar por 5€ ações que não valiam nem metade. Contaram-se umas lérias sobre recompensar os sócios que ajudaram o clube, mas a verdade é que a operação continuava a ser tão inesperada quanto ridícula.
Este fim de semana, o Expresso noticia que o maior acionista do Benfica tem negócios de milhões com Vieira, alguns tendo a filha do presidente como testa de ferro; acionista esse que comprou as ações a um euro e que as tinha vendido agora a cinco, não fosse a imprensa dar com a boca no trombone e a CMVM estar a arrastar os pés.
De repente, está explicada a OPA: dar dinheiro do Benfica ao sócio do Vieira. Tirar do clube para dar ao amigo. Amizades à Sócrates. “Eu nem ia vender”, diz o amigo do Vieira, já com a colher na boca. Se precisamos de melhor exemplo de que a raposa está na capoeira, não vamos ter.
Mas a banda parece que vai seguir, com mais uns benfiquistas alerta, mas com a maioria ainda bem alegre. “Em equipa que ganha, não se mexe”. “Ah mas os outros também fazem”. “E o apito dourado”. Uma conversa cobarde, um relativismo moral que envergonha.
Ontem, o Marega foi vítima de cânticos racistas. Um estádio a imitar um macaco para afetar um jogador negro. Clássico. Nem percebo o que há de “alegado” aqui.
Diz o Benfica: é racismo. Diz o comentador do Benfica no Correio da Manhã: não é racismo. Sei bem que o Ventura não falou enquanto comentador do Benfica. Mas se ele usa o Benfica para fazer política e o clube não se importa, será descabido rever na sua política o Benfica?
André Ventura é comentador representante do SL Benfica e líder do partido “Chega” Fonte: CHEGA
Há uns meses umas quantas celebridades pediram ao Benfica que se demarcasse de Ventura, assentes nesta mesma premissa. Nada. Numa era onde tweets com dez anos justificam (exageradas) demarcações claras e tomadas públicas de posição, o meu Benfica continua a ser representado na TV pelo líder da extrema-direita, mesmo quando ele defende o contrário do que o clube diz. Está tudo bem. Liberdade de expressão, sim; coerência, não.
Eu não peço ao Vieira que demarque o Benfica do Ventura, como não peço que se demarque dos e-mails, das dúvidas quanto a comissões e valores de transferências, dos padres, das OPAs para os amigos. Para mais aldrabice, o saco está cheio.
Eu peço é ao Benfica que se demarque de Vieira. Uma instituição com a relevância, a história, a importância no espaço da lusofonia, tem de colocar a sua ética e os seus valores à frente dos resultados. O símbolo vem primeiro. O clube vem primeiro. Os resultados serão o reflexo dessa identidade, do trabalhar bem, com profissionais.
Gosto muito do Benfica e cresci a vê-lo perder, com Machairidis, e Escalonas e Rojas, eliminatórias suadinhas com o Halmstads e o Molde, humilhação em Vigo. Não sou do Benfica por causa dos resultados. Quero ganhar sempre, mas se não ganhar sempre continuo a ser do Benfica. Não tenho medo nenhum de perder campeonatos. Tenho é medo de fazer parte de um clube cujos sócios elegem, continuamente, alguém que põe os negócios pessoais à frente do clube, consistentemente, descaradamente.
Tornou-se ainda mais evidente no último jogo do FC Porto, que os Dragões sentem-se substancialmente mais confortáveis nos jogos grandes. Em três Clássicos, somam três vitórias. No entanto, a verdade é que o campeonato é uma corrida de consistência, não só de confrontos diretos.
As dificuldades que o FC Porto tem enfrentando contra as ditas equipas “pequenas” são notórias e têm sido a razão pela qual os Dragões não estão na liderança do campeonato. O estilo de jogo focado na fisicalidade, força e velocidade é mais facilmente anulado pelas equipas que baixam as linhas e que não dão espaço. E o problema é que, normalmente, as equipas, em Portugal, têm bastantes limitações no que diz respeito a um jogo de pressão alta. E, por isso, acabam por sofrer quando o tentam fazer.
E isso ilustra a falta de qualidade das equipas do topo do nosso campeonato. Tendo em conta o campeonato algo fraco que o FC Porto tem realizado e o momento algo conturbado que a equipa tem sentido, seria de esperar que clubes como o SL Benfica, Sporting CP e até o Vitória SC tivessem conseguido criar mais dificuldades ao longo deste campeonato. A verdade é que só o SC Braga conseguiu tirar pontos ao FC Porto dentro do top-10 da Liga NOS. Quando as equipas tentam pressionar mais o jogo dos Dragões e jogar mais de forma apoiada, estas têm caído muitas vezes, exatamente nas ratoeiras que Sérgio Conceição coloca em campo. Ratoeiras essas que se baseiam na pressão alta e intensa, e nas bolas nas costas dos defesas.
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Ainda assim, o SL Benfica está um ponto à frente dos Dragões, precisamente por estar mais confortável em jogar contra as equipas pequenas. A equipa de Bruno Lage ganhou todos os jogos, exceto aqueles contra o FC Porto. E esse facto levanta a necessidade de refletir, porque apesar de terem sido os portistas a celebrar em ambas ocasiões, existe a forte possibilidade de, quando chegar o final do campeonato, serem os benfiquistas a saírem mais felizes. Independentemente da vitória do último sábado, é facto que, caso os mandados de Bruno Lage consigam replicar a primeira volta, saem desta época como campeões.
Mas este fenómeno também não é novo. Na época passada, o FC Porto tanto sentia grandes dificuldades no campeonato contra as equipas pequenas, como, logo a seguir, jogava para a Liga dos Campeões contra equipas consideravelmente mais fortes e a equipa jogava como um peixe na água.
E o facto de não ser novo e ainda não ter sido corrigido também levanta questões sobre a liderança de Sérgio Conceição. Se o FC Porto ainda tem ambições de ir para os Aliados no mês de maio, este problema tem que ser corrigido. Numa primeira volta com triunfos sobre o Benfica e sobre o Sporting, é impensável que se registem duas derrotas e dois empates, especialmente contra equipas como o Gil Vicente, Marítimo e Belenenses SAD.
Já com meia temporada percorrida chegou a altura de colocar os olhos em cima daqueles, que no meio de tantos, se destacam pela sua irreverência e qualidade acima da média. Desta vez, o inglês que tem espalhado magia pelos relvados portugueses, Marcus Edwards, contratado ao Tottenham Hotspur FC. Aos 20 anos chegou com o rótulo de um dos maiores desequilibradores da sua geração, sendo que na primeira época como sénior nos holandeses SBV Excelsior deteve o título de jogador com mais dribles da época.
Edwards é, portanto, um desequilibrador nato, não se limitando a meter a bola na frente e correr, sempre que recebe a bola procura adornar o lance, o que acaba por colocar sérias dificuldade a quem o enfrenta. Por partir de situações de um para um, é um jogador de risco e em Portugal estes iluminados são muitas vezes repreendidos pelos seus atributos, mas é indiscutível que são jogadores desta linha e que trazem de volta a magia do futebol. O inglês ainda tem de melhorar a sua relação com a definição do último passe e mesmo a sua relação com o golo, apesar de já levar seis golos em 24, é curto para um jogador da sua qualidade. Para além disso, a sua capacidade de cruzamento é muito interessante, contabilizando quatro assistências.
O extremo ex-Tottenham HFC foi muitas vezes apontado para ser considerado a possível revelação da época Fonte: Vitória SC
Juntamente com Ola John, Lucas Evangelista e Bruno Duarte têm contribuído para praticar um dos melhores estilos táticos e desempenhos em campo, vistos nesta época. Apesar de não ser sempre recompensado com golos e vitórias, a equipa vimaranense pratica um futebol atrativo e cativante para quem vê – tirando proveito maioritariamente da rapidez de Edwards e as diagonais que faz entre os centrais são quase sempre motivo de perigo para os adversários. A sua influência na equipa tem sido cada vez maior, o extremo direito é uma das armas principais deste Vitória SC.
No momento atual, em comparação com a sua passagem pela Holanda na época passada, Marcus Edwards está um jogador mais maduro, mais competente e objetivo, mas sem perder a sua identidade futebolística. Tem tudo para ser um dos atletas de referência em Portugal, o que permite ao Vitória SC, no presente, retirar proveito do rendimento futebolístico e futuramente um rendimento económico, sendo que a cláusula de rescisão está marcada nos 15 milhões, perfeitamente ao alcance de uma equipa de primeira linha.
A próxima semana marca o regresso das eliminatórias da Liga dos Campeões, com quatro jogos da primeira mão de quatro eliminatórias, a serem disputadas terça e quarta, e os restantes na semana seguinte.
Com super tubarões europeus e outsiders que prometem sempre chegar a uma final (a sensação da época passada foi o AFC Ajax), a emoção e qualidade do futebol ao mais alto nível estão garantidas nesta competição.
Pedro Sousa defrontou, este domingo, Casper Ruud na final do ATP 250 de Buenos Aires, na Argentina. Apesar das dores que sentiu durante a semana, o tenista português foi mesmo a jogo para defrontar o tenista norueguês. Antes de falar da final, vamos recordar o percurso de ambos os jogadores.
Percurso Pedro Sousa
Pedro Sousa beneficiou da lesão de Diego Schwartzman para avançar para a sua primeira final da carreira Fonte: Open da Argentina
1.º Ronda: Pedro Sousa 2-1 Facundo Diaz Acosta
Oitavos de final: Pedro Sousa 2-0 Jozef Kovalik
Quartos de final: Pedro Sousa 2-0 Thiago Monteiro
Meia-Final: Pedro Sousa – Diego Schwartzman
Percurso Casper Ruud
Com apenas 21 anos, o tenista norueguês alcançou a sua segunda final Fonte: Open da Argentina
1.º Ronda: Casper Ruud 2-0 Pablo Andujar Alba
Oitavos de final: Casper Ruud 2-0 Roberto Carballes Baena
A equipa do FC Porto deslocou-se àquele que, segundo Sérgio Conceição, é um dos estádios mais difíceis da Europa. Era, pois, um teste decisivo para os dragões, que podiam em pouco mais de uma semana ver a desvantagem de sete pontos ser reduzida para apenas um ponto do SL Benfica.
Num dos poucos jogos em que se pode dizer que o FC Porto joga verdadeiramente “fora”, a equipa azul e branca entrou muito pressionante, tal como o Vitória SC, e essa pressão ia resultando em golo logo aos quatro minutos. Muito mérito de Marega nesse lance ao forçar a equipa vitoriana ao erro.
E o homem que se tem evidenciado nos últimos tempos obrigou Douglas a fazer um auto-golo depois de um remate muito potente de Sérgio Oliveira. Entrada de pé direito dos portistas.
Pouco depois, Marcano salvou os portistas do golo de Marcus Edwards, e Pêpê obrigou Marchesín a uma boa defesa. O jogo acabou por equilibrar-se, e o Vitória SC ainda teve uma bola no poste, mas que foi anulado por fora de jogo.
Aos 39 minutos, Marega esteve muito perto de fazer o gosto ao pé, mas falhou de uma forma inacreditável.
Ao intervalo, manteve-se o resultado, com um sinal muito positivo para a entrada a todo o gás do FC Porto, e para um Vitória SC que conseguiu reagir e colocar em sentido a defesa azul e branca.
Na segunda parte, o Vitória SC não poderia ter entrado melhor na partida, com um cruzamento fantástico de Ola John, e Bruno Duarte a não perdoar as lacunas da defesa portista. Via-se, pois, um jogo completamente diferente por ambas as equipas.
Mas, contra a corrente do jogo, veio a profundidade dada por Marega que picou a bola sobre Douglas após um belo passe de Mbemba. De novo, a vantagem para os portistas.
O pior momento do jogo ficou reservado para depois, em que Marega saiu de campo, após cânticos racistas dos adeptos vitorianos. Momento triste do futebol português.
Os momentos finais foram de sufoco da equipa da casa, mas a vitória caiu mesmo para os visitantes. Nota positiva para o crescimento do Vitória SC e para o início do FC Porto que acabou por pecar mais uma vez com o passar do tempo, e no processo defensivo.
A FIGURA
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Entrada do FC Porto – A equipa azul e branca entrou no encontro como há muito tempo não se via. Muito pressionante e a circular bem a bola, os dragões chegaram à vantagem cedo, e tiveram muito mérito nisso. Isto é o FC Porto de Sérgio Conceição que foi campeão em 2017/2018.
O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Comportamento dos adeptos do Vitória SC – O futebol não se faz sem adeptos, e a massa associativa vitoriana é a prova da paixão pelo desporto rei. Contudo, hoje mancharam todos os elogios que lhes podiam ser atribuídos. Após o golo de Marega, o estádio encheu-se de insultos racistas, o que levou o avançado maliano a abandonar o terreno de jogo. Momento triste do futebol. Tem de se refletir e muito sobre isto.
ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC
O Vitória SC manteve praticamente o mesmo onze que goleou o FC Famalicão, mas com uma ausência de peso: João Teixeira. Pelo onze apresentado, perspetivava-se um 4-3-3, com uma frente de ataque muito móvel, mas que procura muito mais a bola no pé (veja-se o caso do Lucas Evangelista). O duelo do meio-campo pode ser fulcral neste encontro, e Marcus Edwards vai ser um teste duro para Alex Telles. Voltaram a mostrar algumas lacunas na transição defensiva (nomeadamente a não serem capazes de lidar com a pressão portista), mas o ataque continuou a ser muito perigoso. E no segundo tempo, começaram a circular melhor a bola e a aproximar-se cada vez mais da baliza portista.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Douglas (5 )
Sacko (6 )
Pedro Henrique (7 )
Venâncio (5 )
Florent (6 )
Edwards (6 )
Pêpê ( 7)
André André (5)
Ola John (7)
Lucas Envagelista (7)
Bruno Duarte (7)
SUBS UTILIZADOS
Bonatini (5)
Davidson (5)
João Pedro (5)
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO
O FC Porto apresentou apenas uma novidade “forçada” chamada Zé Luis. Com Tecatito Corona a lateral direito, podemos ver este onze dos dragões como um 4-4-2, com Otávio na ala direita, mas sempre presente na zona intermediária, e Marega a fazer um ataque muito móvel com Zé Luis. Também se pode desdobrar num 4-3-3 com Marega na ala (isto mostra as soluções dadas pelo maliano) e com Otávio como terceiro médio. Viu-se assim uma equipa a aproveitar as transições e a profundidade (nomeadamente com passes longos para Marega, o que deu num dos golos portistas), sem descurar a posse de bola. A pressão alta, a boa dinâmica ofensiva, e a forte presença azul e branca na área contrária também foi uma das marcas desta equipa, principalmente na primeira parte. Não esquecer também as bolas paradas em que os portistas colocavam um central perto do segundo poste para desviar para a zona de conflito.
Basta! Foram semanas e semanas a conter-me, a engolir sapos, mas isto é o cúmulo. Se o futebol português não bateu no fundo no último fim-de-semana, então o poço não tem fundo, o que é, igualmente preocupante. Está na hora de parar de ser hipócrita e avaliar justamente a situação. É altura de fazer caso destes casos.
A última jornada do campeonato e as meias-finais da prova rainha foram o exemplo mais gritante do estado lastimável a que chegou o desporto-rei português. É que entre arbitragens alucinantes, agressões a dirigentes, crimes dos adeptos e comunicados imbecis de tudo quanto é clube e jogador, passou-se uma semana que nos devia envergonhar a todos enquanto adeptos.
O problema deste momento, é eleger quem tenha ficado bem. Comecemos pelo primeiro episódio lastimável: o clássico. Enquanto adepta do SL Benfica, mas sobretudo do futebol, o clássico é daqueles jogos que me acelera o ritmo cardíaco ao ponto de considerar tomar calmantes. É o jogo contra o maior rival, aquele em que temos sempre de dar tudo para apoiar a equipa, de modo a que também os jogadores dêem tudo pelo clube: em dias de clássico, chutamos todos aquela bola, caímos todos face àquela falta, sofremos todos aqueles golos e festejamos juntos em família. JUNTOS. É apaixonante.
O problema? Apesar de este clássico ter sido dos melhores em termos futebolísticos dos últimos anos, o que ficou para a história foi a arbitragem e os comunicados de ambos os clubes. Convenhamos que a arbitragem foi dúbia e digna de contestação e que quer Benfica e FC Porto têm motivo de queixa e portanto, é difícil estar calado. Mas o bom senso deve sempre prevalecer. Já temos problemas que cheguem, nomeadamente, o fosso cavado entre as principais ligas europeias e a nossa.
Todos os anos nos queixamos da falta de capacidade dos nossos clubes para ombrear com os restantes nas competições europeias. Pois, bem, para diminuir isso, convém competir em igualdade de circunstâncias (e não me refiro a poder monetário): temos de perceber de uma vez por todas que o futebol, apesar de poder ser um bailado, não é para bailarinas. A facilidade com que se assinala uma falta no futebol português é surreal. Dá a impressão que os árbitros andam com medo que os jogadores peguem coronavírus uns aos outros com um toque ou um suspiro, e portanto, ao mais pequeno contacto num fio de cabelo já estão de apito na boca para parar o jogo.
Depois queixem-se de falta de tempo útil de jogo. Não estou com isto a dizer que o futebol deve ser americano: não podemos andar às placagens uns aos outros, mas há que ter consciência que um toque com o dedo no ombro não é falta. Ponto assente. Outra situação que nos deve envergonhar: voltar aos tempos em que qualquer bola a raspar nos braços é penálti.
À custa disso, depois vamos para a Europa reclamar penáltis por bola na mão chegada ao corpo e quando um jogador nos sopra e caímos como se fôssemos abalroados por um tornado. É ridículo. Em bom português, só fazemos figuras tristes. E ainda nos querem fazer acreditar que vamos ter um campeão europeu português…. há que distinguir bola na mão de mão na bola. São diferentes e apenas uma delas é merecedora de penálti. Há que considerar que saltar de braços fechados é muito bonito mas não é prático.
Desafio os leitores a este exercício. Saltem de braços colados ao corpo e de braços abertos. Vejam qual é mais confortável e cómodo. É vergonhoso como ainda temos de discutir isto em Portugal. No Mundial 2018, marcaram-nos um penálti frente ao Irão por mão do Cédric, quando este está de costas e é empurrado. A FIFA veio admitir que foi o único erro do VAR na fase de grupos. Comparem com o penálti do Ferro no clássico. Há dois anos gritámos todos que não era penálti. Agora já é? Tem de haver coragem para ser coerente e para fazer o que está certo, jogue-se em que estádio for.
A arbitragem de Artur Soares Dias foi muito contestada por ambas as equipas Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Ao espetáculo de arbitragem do clássico, seguiram-se os habituais comunicados dos afectados. Parece que os dois primeiros classificados, além de quererem lutar pelo campeonato, querem igualmente lutar para ver quem grita mais alto. Este espetáculo repugnante entre diretores de comunicação, que por coincidência (ou muito provavelmente não), vieram ganhar palco na altura em que o futebol português entrou nesta guerra civil, só vem acicatar o ódio entre clubes e agravar o já péssimo estado do desporto.
Essa guerrilha acabou por retirar destaque a uma proposta interessante do Benfica: arbitragem estrangeira para jogos do SL Benfica e FC Porto. Já há uns tempos que sou apologista desta proposta, desde que reparei que, ao fim e ao cabo, fala-se sempre mais de arbitragem do que dos jogadores. Passo a explicar a minha posição: nenhum ser humano minimamente racional quer ser árbitro de futebol. Ser árbitro deve ser das profissões mais odiadas e menosprezadas da actualidade (faz lembrar os políticos).
Só alguém que, de facto, ama futebol se pode sujeitar ao falatório, aos insultos, às agressões e às acusações. E tem de gostar mesmo muito de futebol. Ora, alguém que goste tanto do desporto, tem um clube de coração, e por muito imparcial que tente ser, o subconsciente vai sempre ver com o coração e depois, vê num toque uma placagem e num ombro uma mão. Árbitros estrangeiros têm um clube do seu país, logo são menos suscetíveis a esta parcialidade própria dos amantes do desporto português e, para descansar todos os clubes, menos permeáveis a ameaças e coação. É uma ideia a ser pensada. Mas a frio!
Por último, quando eu pensava que a situação não ficava mais vergonhosa, eis que jogou o Sporting CP e houve um descendente de Alcochete.Dois membros da direção foram agredidos por adeptos, incluindo a filha menor de um deles. Mas o quê que pode justificar a agressão a uma jovem de 16 anos? Uma exibição menos conseguida? Um mau resultado? Um flop? Não há nada. Nada. As manifestações a pedir a demissão do presidente e da direção têm sentido, enquanto forem pacíficas. Quando se agride uma pessoa que nada tem a ver com a situação, batemos no fundo. E de cabeça. Os sportinguistas julgam que se deve mudar de direção como de treinador ou onze e estão no seu direito. Perdem-no quando permitem estas actos animalescos.
O Sporting CP vs Portimonense FC teve um episódio a fazer lembrar Alcochete Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Este estado do futebol desanima-me. Não podemos ignorar os factos. A escalada de ameaças, coação e violência no futebol português estão a atingir o pico. Não se podem esconder agressões; não se devem calar perante erros. Mas esta situações resolvem-se a falar e não a gritar. Basta. Está na hora de fazer caso de todos estes casos. Senão, perdemos o desporto que todos nós amamos.
À partida para este desafio, os do Bessa encontravam-se na primeira metade da tabela, a cinco ponto da Europa. No sentido contrário, os do Jamor encontravam-se apenas a três pontos da linha de água. Mas não foi isso que pareceu, uma vez que o Belenenses SAD entrou mais forte e a querer mandar no jogo. Os primeiros 20 minutos foram claramente dominados pelos azuis que estiveram sempre mais perto da baliza de Helton, obrigando este a trabalho reforçado.
Através de um canto cobrado do lado esquerdo, chegaram à vantagem por Danny que apareceu solto ao segundo poste e encostou para o golo, aproveitando um desvio de um colega. Após este período, os axadrezados equilibraram a contenda e foram crescendo no jogo, mas sem criar grandes lances de perigo. No entanto, os azuis podiam ter aumentado a vantagem se Cassierra definisse de outra forma um lance de golo iminente, quando surgiu sozinho na cara de Helton. Nota para um Belenenses SAD mais agressivo, equilibrado e consistente neste primeiro tempo, que fez por merecer a vantagem.
Ao intervalo, a alteração tática promovida por Daniel Ramos – ao fazer entrar Cassiano para o lugar de Ricardo Costa – foi a primeira novidade numa tentativa de mudar o rumo do jogo, ao acrescentar mais poderio ofensivo à sua equipa. Na verdade, a segunda parte começou o Boavista FC a arriscar mais e a chegar mais vezes à baliza contrária, mas sem que o adversário se encolhesse perante os seus intentos.
E assim, o Belenenses SAD aumentou a vantagem depois de uma excelente arrancada de Nilton pela esquerda e iniciada no meio campo onde ultrapassou vários oponentes, e cruzou para o meio da área onde se encontrava Licá que faturou. Entre ataques alternados e disputa de lances aguerridos, Danny foi expulso a 15 minutos dos 90’ e convidava assim o Boavista FC a reagir. Aos 85’ a reação veio mesmo após uma falha tremenda de André Moreira a sair mal a um canto, com a bola a bater em Rúben Lima e a entrar.
No entanto, este golo não chegou para o Boavista FC somar qualquer ponto. A reação já veio tarde e embora a segunda parte tenha trazido melhorias, as panteras foram insuficientes para ultrapassar um Belenenses SAD que se mostrou quase sempre confortável na partida e que acabou por justificar o triunfo.
A FIGURA
Fonte: Liga Portugal
Segundo golo do Belenenses SAD – Um momento de magia do camisola 25 dos azuis. Daqueles momentos de inspiração que merecem figurar no álbum de recordações dos jogadores. Numa autêntica auto estrada sem limite de velocidade, Nilton ultrapassa tudo o que lhe aparece à frente e assiste para o segundo golo da sua equipa.
O FORA DE JOGO
Fonte: Liga Portugal
Primeira parte do Boavista FC – Foi um primeiro tempo pouco conseguido dos axadrezados. Sem conseguirem encaixar na teia montada por Petit, foram para o intervalo em desvantagem e viram-se obrigados a alterar o esquema para a segunda parte. Este arranque de jogo contribuiu e muito para o desfecho final.
ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC
Dispostos no habitual 3-4-2-1, o conjunto boavisteiro não entrou no jogo com a devida agressividade e concentração. Yusupha foi sendo o elemento mais desconcertante de um conjunto algo apático e sem grande capacidade de conter as ofensivas do adversário. Ao intervalo, a saída do capitão Ricardo Costa e a entrada de Cassiano obrigou a uma mexida tática, passando para um preferencial 4-4-2, onde Yusupha era o homem da frente que mais recuava. Com as várias alterações para o setor ofensivo, Bueno foi quem passou a pegar na batuta, numa zona que acabou bastante preenchida.
Com já vem sendo hábito, o 3-4-3 da formação do Jamor apresentou-se no Bessa com uma imagem melhorada, onde a equipa se apresentou mais agressiva e competente a todos os níveis. Com a lição bem estudada e a ganhar grande parte dos lances disputados, o conjunto de Petit foi mais audaz, onde se notou capacidade de entreajuda em todos os setores. Com a expulsão de Danny, as linhas baixaram forçosamente e Cassierra passou a estar sozinho na frente.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
André Moreira (4) Chima (6)
Danny (6)
Nilton (8)
Tiago Esgaio (7)
Show (7)
André Santos (7)
Cafu Phete (7) Licá (7)
Varela (6)
Cassierra (6)
Depois de seis eliminatórias e duas meias-finais a duas mãos, estão encontrados os finalistas da edição oitenta da prova rainha. SL Benfica e FC Porto reeditam um duelo que não acontecia há 16 anos. Na altura, as águias levaram a melhor no prolongamento com golos de Fyssas e Simão Sabrosa. Derlei apontou o único golo dos dragões.
Até ao jogo decisivo no Jamor, as águias eliminaram o CD Cova da Piedade (0-4), o FC Vizela (1-2), o SC Braga (2-1), o Rio Ave FC (3-2) e o FC Famalicão. Foram quatro equipas nortenhas e um vizinho da margem sul – três primodivisionários, uma do segundo escalão e uma do Campeonato de Portugal. O SL Benfica chega à grande final com um saldo de 15 golos marcados e sete sofridos.
O maior obstáculo apareceu, naturalmente, nas meias-finais. Os famalicenses deram trabalho desde cedo e logo na primeira mão assistiu-se a uma partida com cinco golos. Depois de uma primeira parte morna (0-0), Pizzi adiantou os encarnados, Pedro Gonçalves e Toni Martínez viraram o resultado, mas Rafa empatou minutos depois. Antes do apito final, Gabriel garantiu a vantagem que se viria a revelar fulcral.
Na segunda mão eram esperados mais golos, mas desta vez a pontaria ficou aquém. Pizzi voltou a adiantar os encarnados, Toni Martinez empatou, mas o assalto final à área benfiquista revelou-se impotente. As águias reservaram nova vaga na final, três anos depois.
Os dragões tiveram, à primeira vista, o sorteio mais favorável e um caminho menos sinuoso até ao Jamor Fonte: Académico de Viseu FC
Por sua vez, o FC Porto eliminou o SC Coimbrões (0-5), o Vitória FC (4-0), o CD Santa Clara (1-0), o Varzim SC (2-1) e o Académico de Viseu FC. Foram duas equipas nortenhas e vizinhas, uma das ilhas, uma da Beira Alta e uma da margem sul – duas do principal escalão, duas da Segunda Liga e uma do Campeonato de Portugal. O FC Porto chega à final com um saldo de 16 golos marcados e dois sofridos.
Ainda que nenhum jogo seja “favas contadas”, os dragões não tiveram de suar muito para chegar à fase mais avançada da competição. As duas goleadas iniciais foram contrariadas por vitórias anoréticas frente a açoreanos e varzinistas, mas sem que a continuidade em prova fosse verdadeiramente ameaçada.
Nas meias-finais viajaram primeiro a Viseu onde os golos só apareceram a meia hora do final de uma partida cinzenta e desinteressante. Valeu o empate saboroso aos da casa e que lhes permitiu sonhar com o apuramento em pleno relvado do Dragão.
No entanto, com a oportunidade para garantir a quinta final de Conceição ao leme do FC Porto, os dragões não deram grandes hipóteses à revelação da prova e venceram inquestionavelmente com golos de Alex Telles, Zé Luís e Sérgio Oliveira.
Já há finalistas, falta conhecer o árbitro e que se reúnam as condições de segurança que um jogo deste nível exige. Dia 24 de maio, quinze minutos depois das cinco da tarde, haverá novo capítulo do clássico entre águias e dragões.