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Encarnados complicam as contas do grupo e Leões tranquilos na eliminatória

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Esta foi uma semana marcada por encontros europeus para SL Benfica e Sporting CP. Os encarnados viajaram até à Polónia para a quarta jornada da CEV Champions League Volley, onde defrontaram o Verva Warszawa. Os leões tinham pela frente os checos do BV Kladno a contar para os Oitavos de Final da CEV Volleyball Challenge Cup. Contudo, as sortes foram distintas para os dois conjuntos lisboetas.

DERROTA NA POLÓNIA COMPLICA O SONHO EUROPEU

Começando com o campeão nacional, o SL Benfica, a viagem à Polónia tinha contornos extremamente importantes para a continuação na prova ou pelo menos sonhar com algo ainda. Uma vitória podia relançar a equipa para o segundo lugar do Grupo D, que é liderado pelo Perugia.

Os encarnados até começaram bem o primeiro set, que acabaram por liderar por algumas ocasiões, contudo os polacos iam equilibrando as contas e, por vezes, empatando mesmo o set. Quando ficou igualado a 21-21, foi o descalabro total por parte dos comandados de Marcel Matz. Um parcial de 4-0 a favor dos polacos acabou com a esperança “encarnada” de vencer este set.

A derrota no primeiro set influenciou muito a maneira como as águias entraram novamente, mas, desta vez, para o segundo set. O SL Benfica só esteve em vantagem no primeiro serviço quando fez o 0-1, pois daí até ao final do set foi sempre do Verva Warszawa a estarem na frente. Vitória categórica por 25-13 e marcava 2-0 em sets a favor dos polacos.

Os encarnados esbarraram novamente contra a muralha polaca e complicaram as contas do grupo
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O último set? Mais do mesmo, embora este tenha sido mais equilibrado do que o anterior. As águias estiveram em vantagem por um parcial de 2-3, mas foi a última vez que o estiveram na partida. Daí até ao final, os polacos impuseram o seu jogo e o ritmo que queriam, acabando por terminar o set em 25-22. Terminado o jogo houve derrota portuguesa por 3-0. Uma derrota que deixa os encarnados em terceiro lugar a três pontos do segundo, o Verva Warzawa, e com sérias dificuldades em manter o sonho europeu.

REGRESSO DA REPÚBLICA CHECA COM UMA VITÓRIA E COM TRANQUILIDADE

O Sporting CP visitou a República Checa, e a casa do BV Kladno, na primeira mão dos Oitavos de Final da CEV Volleyball Challenge Cup e o resultado sorriu aos portugueses, ainda que muito suado. Um vitória preciosa para encarar o jogo em Portugal de uma forma mais calma, ainda que se tenha de ter cautelas.

No primeiro set viveu-se num jogo de parada e resposta de ambas as formações. A primeira liderança pertenceu ao Sporting, que acabou por passar para os checos quando o parcial ficou por 9-8, e, quando todos acreditavam que no pavilhão seria uma vitória para o Kladno, chegou a surpresa. Um 24-22 a favor dos checos terminou mesmo num 25-27 para os leões. Emoção até ao fim é isto que se pode dizer.

No set seguinte, novamente o protagonismo para o equilíbrio no resultado. Ponto lá, ponto cá, mas nunca com grandes vantagens. Quando estava tudo empatado a nove, foi a altura em que o Sporting se distanciou, e, apesar de a vantagem ser curta, os checos não conseguiram responder. No final houve vitória de set para os leões por 17-25.

Se nos outros sets falamos em equilíbrio, então neste último tivemos incerteza até ao final. Contudo, estava destinado que os leões levassem na bagagem para Lisboa os 0-3 e assim foi. Diversas vantagens para ambos os clubes, mas no final o 23-25 foi o suficiente para somar mais um set para os verdes e brancos e a vitória no encontro. O triunfo leonino dá a possibilidade à equipa de Gersinho de encarar o próximo encontro europeu (11 de fevereiro) com mais tranquilidade.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Mou vs. Pep – Round 23

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Para os amantes do bom futebol, não há dúvidas que a Premier League é a liga mais competitiva e apaixonante do mundo. A incerteza do vencedor de cada edição face ao vasto número de cabeças-de-série permite combinações de jogos de sonho e eletrizantes em praticamente todas as jornadas. A jornada 25 da melhor liga do mundo tem jogo grande: Tottenham vs Manchester City, e não é um jogo qualquer! É o embate entre dois dos treinadores mais mediáticos da história do futebol.

Mourinho e Guardiola são velhos conhecidos, análogos na fome de títulos e antagónicos na forma de jogar. Apesar de terem começado como aliados no tempo da Catalunha (Mourinho como protegido de Bobby Robson e Guardiola como estrela blaugrana), a verdade é que os seus percursos forçaram a que se tornassem “arqui-inimigos” numa rivalidade galática e de números estratosféricos, entre Real Madrid e Barcelona. Voltariam mais tarde a colidir ao defenderem as cores diferentes dos eternos rivais de Manchester.

Ao todo, foram 22 jogos disputados entre o “Special One” José Mourinho e o “Genius One” Pep Guardiola, sendo que o técnico espanhol levou de vencida os embates diretos com alguma margem. São onze vitórias para o lado de Guardiola, cinco para Mourinho e seis empates entre eles. Em terras de Nossa Majestade, as contas estão bem mais equilibradas. Nos seis jogos disputados, todos eles entre Citizens e Red Devils, o City de Guardiola levou a melhor por três ocasiões, enquanto que o ex-United de Mourinho carimbou duas vitórias.

O jogo de domingo assinala um novo capítulo numa rivalidade com mais de dez anos de história, já que um novo emblema surge na equação, o Tottenham Hotspur.

Embates entre Mourinho e Guardiola
Dados: Transfermarkt

Para ambos os técnicos, a conquista da Premier League é uma miragem, face ao soberbo desempenho do Super Liverpool de Klopp. As possibilidades de Guardiola conseguir a revalidação do título esbarram numa diferença pontual de 19 pontos para os líderes de Anfield. A batalha dos Citizens até ao final da época, perante a dificuldade hercúlea de cumprir o objetivo de serem campeões, é o de disputar o segundo lugar com o Leicester.

Por sua vez, a situação de Mourinho é totalmente diferente, assim como os objetivos dos Spurs. O Tottenham encontra-se neste momento a 17 pontos dos seus adversários de domingo e a 36 (!) pontos da liderança, mais pontos do que os que têm atualmente. O melhor que Mourinho pode fazer, e que certamente é um dos objetivos pedidos por Daniel Levy, é disputar um lugar europeu com os atuais quarto e quinto classificados, Chelsea FC e Manchester United, respetivamente.

No entanto, essa tarefa está longe de ser descomplicada, uma vez que o Tottenham (atual 6.º classificado) e o Newcastle United (14.º classificado) estão separados por apenas quatro pontos! Ou seja, neste momento, cerca de dez equipas apresentam-se com condições válidas para disputar o “simples” quinto lugar atualmente pertencente ao Manchester United, entre as quais, o Tottenham de Mourinho, o Wolves de Nuno Espírito Santo e o Arsenal de Arteta. Assim sendo, a pressão está do lado de José Mourinho, já que várias equipas estão na perseguição à espera do seu deslize para subir na tabela.

Na primeira volta, ainda com Pochettino, Tottenham e City empataram a duas bolas
Fonte: Tottenham Hotspur

Estatisticamente falando, o jogo grande da jornada 25 entre Tottenham e Manchester City não abona nada para os lados do técnico português. Para além de Guardiola ter um saldo manifestamente positivo nos embates com Mourinho, também o Manchester City leva a melhor nas estatísticas sobre os Spurs. Nos últimos dez confrontos entre ambas as formações, os homens de White Hart Lane apenas venceram três vezes, sendo que a última vitória do Tottenham para o campeonato foi em 2016!

Ambas as formações chegam ao encontro de domingo sem terem vencido a última partida disputada. Enquanto que o Tottenham cedeu um empate no terreno do Southampton para a Taça de Inglaterra, o City perdeu em casa frente aos rivais de Manchester para a Taça da Liga, conseguindo ainda assim seguir em frente na eliminatória. Os momentos atuais de forma na Premier League voltam a favorecer os homens de Guardiola, já que em cinco encontros empataram apenas um e venceram quatro, por sua vez Mourinho apenas venceu um encontro em cinco jogos.

Recorde-se ainda que, no início desta semana, o Tottenham perdeu Eriksen para o Inter de Milão no mercado de inverno. Em sentido contrário, o extremo holandês Bergwijn assinou com os Spurs e pode ser aposta já neste domingo.

APOSTA VIP: Empate (2-2)

Apesar do coração e do patriotismo quererem que Mourinho leve a melhor sobre Guardiola e que o Tottenham consiga vencer um adversário que já não vence desde 2016, as estatísticas têm o seu peso, o que acaba por equilibrar a balança e traduzir-se num empate. Como já é típico de um grande jogo de Premier League, espero golos…muitos golos.

Foto de Capa: Tottenham e Manchester City

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

SL Benfica 77-91 medi Beyreuth: Duas partes distintas ditam vitória dos alemães

A CRÓNICA: SL BENFICA ADORMECE APÓS GRANDE PRIMEIRA PARTE

Em mais um jogo a contar para a FIBA Europe Cup – Nível Dois, o SL Benfica recebeu os alemães do medi Beyreuth à procura de vingar a derrota da primeira volta. O jogo teve um início complicado para a equipa de Carlos Lisboa, com os alemães a criarem uma vantagem de três posses de bola. No entanto, um bom final de quarto do Benfica deixou os encarnados com uma vantagem de três pontos ao fim de dez minutos. O segundo período, trouxe o melhor das águias, que dominaram o jogo tanto no ataque como na defesa, conseguiram um parcial de 27-14 e foram para o intervalo com uma vantagem de 16 pontos.

Contudo, a segunda parte mudou completamente o jogo. O intervalo favoreceu claramente os alemães, que dominaram por completo a segunda metade do jogo. Em especial, o terceiro período mostrou a superioridade dos germânicos, que alcançaram um parcial de 27-9, anulando assim a vantagem trazida da primeira parte. Perante as dificuldades do SL Benfica em contrariar o rumo do jogo, no último período, o Beyreuth solidificou a vantagem, e, por incrível que pareça, face à grande primeira parte do Benfica, levou de Lisboa uma vitória tranquila.

Com este resultado, o SL Benfica encontra-se agora em segundo lugar do grupo, em igualdade pontual com o Bakken Bears, equipa que defronta no próximo dia cinco em jogo que decidirá o futuro europeu dos encarnados.

A FIGURA

Fonte: FIBA Europe Cup

Segunda parte do Medi Beyreuth – Sem que nenhum jogador se tenha distinguido individualmente na formação alemã, a figura do jogo é a grande resposta da equipa a um segundo período impressionante do Benfica. Na segunda parte, os alemães anularam a desvantagem de 16 pontos que levaram para o intervalo e conseguiram criar uma vantagem de 13 no final do jogo.

O FORA DE JOGO

Fonte: FIBA Europe Cup

Moldura humana no pavilhão – Em jogo determinante para a passagem do Benfica aos quartos de final da prova, e com a excelente época que os encarnados têm vindo a realizar, o pavilhão merece mais gente. No jogo de hoje, pareceu faltar algo ao Benfica na segunda parte e talvez uma casa perto de cheia fosse o antídoto para a clara superioridade alemã nos momentos decisivos do jogo.

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O SL Benfica entrou no jogo com uma novidade no cinco inicial, Anthony Hilliard, adicionando assim mais uma arma ao tiro exterior, que continua a ter grande foco no ataque encarnado. Estratégia que resultou na primeira parte, mas que foi anulada na segunda.

CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES

Anthony Ireland (7)

José Silva (6)

Anthony Hilliard (5)

Gary McGhee (5)

Arnette Hallman (6)

SUBS UTILIZADOS

Eric Coleman (5)

Fábio Lima (6)

Rafael Lisboa (6)

Damian Hollis (5)

ANÁLISE TÁTICA – MEDI BEYREUTH

A estratégia de jogo dos alemães consistiu em explorar a vantagem que possuem sobre o SL Benfica, a superioridade física. Com isto, os alemães focaram-se no jogo interior e na luta pelos ressaltos. Quando finalmente fizeram os ajustes necessários para travar o ataque mais rápido e veloz do SL Benfica, o jogo ficou controlado.

CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES

James Alexander Woodard (7)

Bastian Doreth (7)

Andreas Seiferth (5)

Lukas Meisner (7)

Nate Linhart (5)

SUBS UTILIZADOS

James Arthur Robinson III (6)

Bryce Alford (6)

Reid Alfred Travis (6)

Evan Bruinsma (6)

Joanic Liberto Grüttner (3)

Foto de Capa: SL Benfica – Modalidades

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

ABC/UMinho 15-26 SL Benfica: Regresso das Competições Nacionais

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A CRÓNICA: UM JOGO DE SENTIDO ÚNICO E SEM MUITA HISTÓRIA

No jogo grande dos dezasseis-avos de final da Taça de Portugal, o SL Benfica deslocou-se a Braga para defrontar o ABC/UMinho. Um jogo sempre complicado, que marcou o regresso das competições nacionais.

A equipa de Carlos Resende começou a defender 5×1, contanto com dificuldades na primeira linha por parte do ABC/UMinho. Já a equipa do professor Jorge Rito, apresentou uma defesa 3×3. A partida começou com um ritmo lento e com muitos erros de parte a parte, mas aos dez minutos o SL Benfica já vencia 2-4.

As “águias” iam aproveitando a defesa avançada do ABC para fazer entradas a segundo pivot na procura de espaços na defensiva bracarense. A equipa da casa ainda conseguiu empatar a partida, mas os forasteiros nunca largaram a vantagem, vencendo 5-7 aos 20 minutos. Até ao intervalo, e apesar do pedido de time-out de Jorge Rito, os “encarnados” aumentaram a vantagem, indo a vencer para o intervalo 8-12.

Na segunda parte, a história da partida manteve-se: o ABC/UMinho a jogar com uma defesa adiantada (4×2), levando o SL Benfica a procurar o espaço com constantes permutas e entradas a segundo pivot e contando também com o poderio de Djorjic para resolver possíveis problemas que surgissem. Do outro lado, o ABC/UMinho tinha imensas dificuldades em criar situações para finalizar e quando as criava, Gustavo Capdeville fechava a baliza. O resultado final deste jogo sem muita história foi 15-26.

A FIGURA

Fonte: Bola na Rede

Petar Djorjic – Mais um grande jogo do lateral esquerdo sérvio, aproveitando todo o espaço que a defesa da equipa bracarense lhe deu, marcando 10 golos.

O FORA DE JOGO

Fonte: Bola na Rede

Kevynn Nyokas – Mais um jogo dececionante do francês com apenas dois golos, várias falhas técnicas e duas exclusões de dois minutos.

ANÁLISE TÁTICA- ABC/UMINHO

O professor Jorge Rito tentou surpreender o SL Benfica com dois esquemas defensivos muito pouco habituais: 3×3 e 4×2. Causou algumas dificuldades inicialmente, mas com o desenvolver da partida o SL Benfica foi descobrindo soluções, passando muitas vezes pelas mãos de Petar Djorjic. Em termos ofensivos, a equipa não apresentou qualquer aspeto que permitisse superar a defesa benfiquista.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Humberto Gomes (5)

Hugo Rocha (5)

André José (5)

Rafael Peixoto (6)

Rui Ferreira (5)

João Fernandes (5)

Carlos Bandeira (5)

SUPLENTES UTILIZADOS E PONTUAÇÕES

Francisco Silva (5)

Arsenashvili Erekle (6)

Feliciano Coveiro (5)

Rui Baptista (5)

Diogo Duarte (5)

Carlos Oliveira (5)

José Vieira (5)

ANÁLISE TÁTICA –  SL BENFICA

O SL Benfica apresentou uma defesa 5×1 com o objetivo de condicionar a circulação de bola do ABC/UMinho, já que a aposta em remates de primeira linha seria praticamente nula. Em termos ofensivos tentou aproveitar os espaços deixados pela defesa do ABC/UMinho, mas muitas vezes foi Djordjic a resolver à lei da “bomba”.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Petar Djordjic (8)

Pedro Seabra (6)

João Pais (5)

Toft Hansen (6)

Francisco Pereira (5)

Carlos Martins (5)

Gustavo Capdeville (7)

SUPLENTES UTILIZADOS E PONTUAÇÕES

Kevynn Nyokas (5)

Ricardo Pesqueira (6)

Paulo Moreno (6)

Borko Ristovski (7)

Belone Moreira (5)

António Hebo (5)

Davide Carvalho (5)

Fábio Vidrago (-)

Foto de Capa: FAP

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

O Sun Tzu de Alvalade

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O Sporting Clube de Portugal passa por um período difícil da sua vida, em que mostra falta de liderança, planeamento e organização. Todas estas características são essenciais para o sucesso de uma organização.

Torna-se estranho que essas premissas estejam em falta quando temos no comando do nosso clube alguém com carreira militar, o que deveria sugerir alguém rigoroso e que seguisse todos os códigos de planeamento, lealdade, liderança e estratégia.

Há 2500 anos, um general escreveu sobre o que um líder teria de ser e fazer para poder sair vitorioso em todas as batalhas em que se visse envolvido. O seu nome era Sun Tzu e escreveu “A Arte da Guerra”, manual que ainda hoje tem ensinamentos seguidos, não apenas para fins militares, mas também empresariais e sociais.

Assim, sendo o nosso presidente militar, e estando a liderar uma organização empresarial que vive diariamente envolta em lutas, com certeza terá conhecimento do livro, do autor, e terá também considerado muitos dos ensinamentos aí descritos.

Para liderar o nosso clube de coração, o presidente terá tido – ainda antes de o ser – em consideração uma das lições de Sun Tzu que reza assim: “Informação é crucial. Nunca vá para a batalha sem saber o que pode estar contra si”. O Capitão Varandas, ao candidatar-se à liderança do Sporting Clube de Portugal e estando já no clube há tantos anos, deveria ter conhecimento da realidade do mesmo. Deveria ter reunido toda a informação que o pudesse ajudar a tomar a decisão com conhecimento de causa. Se já sabia que a herança era pesada, teria de conhecer os seus limites para saber se teria capacidade para gerir essa herança. (Falta saber o quão pesado ela é. Ainda não sabemos.)

O Capitão Varandas, desde que lidera o clube, decidiu também travar uma batalha contra adeptos das claques e os que não estão de acordo com a sua política. Cortou ajudas aos GOA, insultou adeptos que não estão de acordo com a sua liderança e provocou sócios numa assembleia que serve para debater ideias ainda que sejam contrárias às dele, tendo ultimamente ameaçado que irá alocar as claques numa “gaiola”. Também nessa vertente o presidente se deveria recordar de outro ensinamento do general que sugeria que “um líder lidera pelo exemplo, não pela força”.

Uma das batalhas do presidente do Sporting tem sido com as claques do clube
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Sun Tzu indica cinco perigos para o general que o podem levar à derrota, sendo um deles a imprudência. E esta guerra que Varandas criou com os seus sócios e adeptos é imprudente, porque um clube como o Sporting vive de dimensão social, de massificação. Sem isso, o clube começa a ganhar dimensão de “pequeno” (em termos de futebol jogado já é). Outro erro que pode entroncar neste, e teve no episódio de provocação endereçada aos sócios descrita acima, é o “temperamento precipitado”, assim como a “imprudência”. Se continua a insistir nesses erros, pode sair derrotado. Não sou eu que o digo. É o general.

Ninguém está imune ao erro, no entanto quem lidera tem de minimizar os seus. Tem de ter noção das suas limitações para antecipar o erro.

Sun Tzu tem ainda um ensinamento que deveria ser tido em conta por todos dentro do Sporting, tanto actuais como anteriores: “Um General não deve empreender uma guerra num ataque de ira, nem deve enviar suas tropas num momento de indignação. Entenda que um homem que está enfurecido voltará a ser feliz, e aquele que está indignado voltará a ser honrando, mas um Estado que pereceu nunca poderá ser reavivado, nem um homem que morreu poderá ser ressuscitado”. No entanto, as pessoas que querem gerir o Sporting, para se sentirem felizes e honrados, atacam em qualquer momento, nem que isso leve à destruição do Sporting.

Sun Tzu deixou também um ensinamento para como foi tratado o processo de destituição do anterior presidente e o posterior estatuto de sócio retirado. Dizia o general que “quando cercar o inimigo deixe-lhe uma saída, caso contrário, ele lutará até à morte”. Pois bem, tentaram, e continuam a tentar destruir completamente a ameaça “BdC”, o que lhe dá ainda mais força para lutar e origina a lealdade de seguidores. Neste processo, na ânsia de retirarem qualquer hipótese de regresso, criaram o que tanto temiam.

Na “Arte da Guerra” pode ler-se também que “só mudando a si mesmo, o homem pode mudar o que está à sua volta”. E o que está à volta do presidente do Sporting, neste momento, é o caos. Por isso, penso que estará no momento de parar e pensar o que estará mal, o que poderá ser mudado na estratégia. Porque não pode ser só a “herança pesada” a culpada de tantos erros destes últimos meses.

Somos um clube em constantes batalhas internas e talvez por isso agora tenhamos um capitão a liderar-nos. No entanto, a resolução nem sempre está na solução bélica. Porque, como também dizia o general filósofo, “evitar guerras é muito mais gratificante do que vencer mil batalhas” e, ainda, “a vitória é o principal objetivo da guerra, mas o verdadeiro propósito da guerra é a paz”. O Sporting precisa de paz e precisa de um “capitão” que a promova.

Para terminar, e à boleia do meu estimado Sun Tzu, deixo um último conselho para o presidente/médico/capitão Varandas. “A estratégia sem táctica é o caminho mais lento para a vitória. Táctica sem estratégia é o ruído antes da derrota”. E eu acho que continuamos sem estratégia. Havia a estratégia de deitar abaixo a anterior direção e depois esgotou-se. Falta uma nova estratégia. A de gerir o Sporting como um clube vencedor. Um Clube Grande. O Maior.

Eu não quero ensinar nada a ninguém, até porque não tenho essa capacidade. Mas é por isso que me auxilio de quem sabe. E acho que é unânime que o General sabia. Por isso, Capitão, oiça o General.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

A chave para o Real Madrid regressar ao topo da Europa

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O Real Madrid apresenta um projeto promissor para o futuro, que já está a começar a dar frutos. A equipa mudou a sua política de transferências, visto que anteriormente comprava jogadores feitos e muitos deles por quantias exorbitantes e desde a última época o plano passa por contratar jovens promessas para que possam evoluir até terem capacidade de dar o seu contributo. Alguns precisaram de pouco tempo para serem opção regular, outros rodaram na Castilla ou foram emprestados a outros clubes para terem tempo de jogo, mostrarem serviço e estarem aptos para regressar à equipa.

Este projeto está a dar bons resultados, porque de facto os jovens contratados demonstram qualidade e têm perfil para um clube como o Real Madrid. Há muitos foras de série com capacidade para fazer a diferença e é possível conciliar esses jogadores com outros mais experientes, de forma a criar uma equipa capaz de lutar por todos os títulos. O Real Madrid pode não ter melhor plantel que o Barcelona, embora neste momento seja a melhor equipa em Espanha pelo facto de ter mais soluções que os rivais e por estes passarem por um período de instabilidade, graças ao despedimento do treinador. O novo técnico é Quique Setién e é raro o caso de um treinador que pegue num projeto e consiga implementar as ideias pretendidas num curto espaço de tempo. Mesmo que este treinador seja a imagem da equipa culé, o processo é demorado.

O Real Madrid já tinha contratado jovens promissores há varios anos, apesar de praticamente nenhum se conseguir afirmar facilmente. Muitos deles já foram vendidos e outros emprestados, como é o caso de Kovacic. Dois casos de sucesso foram Casemiro e Isco, embora o Real Madrid nesses anos continuasse à procura de jogadores feitos no mercado, com o objetivo de dominar no presente.

Não se compara aos tempos dos ‘Galácticos’ da primeira era, com Zidane, Figo, Beckham, Ronaldo Fenómeno, nem os da segunda era, grande parte contratados por José Mourinho, com Di María, Ozil e até Cristiano Ronaldo, que ainda foram cruciais para a primeira conquista da Liga dos Campeões da década, já em 2014, com Carlo Ancelotti. O Real Madrid ainda aproveitou essa estrutura para conquistar esse troféu, no entanto, a partir daí foi substituindo uma ou outra peça no onze, que Zidane rentabilizou ao máximo e os levou ao tri da Liga dos Campeões entre 2016 e 2018.

A última época dos merengues ficou marcada como uma das piores que há memória. O Real sentiu o efeito da saída de Cristiano Ronaldo e Julen Lopetegui desiludiu com o trabalho realizado, o que levou ao seu despedimento, para a entrada do interino Santiago Solari, que também não aguentou muito tempo e deu lugar a Zidane para preparar uma equipa para a temporada seguinte.

O Real Madrid não venceu qualquer troféu em 2018/2019 e foi eliminado nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Apesar disso, notou-se o ano passado uma alteração na gestão das transferências, com a contratação do jovem brasileiro nascido em 2000, Vinícius Júnior, por uma quantia a rondar os 45 milhões de euros. Além deste, também Brahim Diaz foi contratado ao Manchester City, em janeiro da mesma época. Os jovens Valverde e Llorente foram lançados em vários jogos e demonstraram qualidade – o segundo, entretanto foi vendido ao Atlético de Madrid.

“Zizou” com a Taça de 2016
Fonte: UEFA

Na presente época, o objetivo passou por revolucionar a equipa e manteve-se a política de apostar na juventude.

O Real Madrid contratou Éder Militão ao FC Porto, que fez uma bela época ao serviço dos dragões. São raros os jogadores que chegam aos azuis e brancos e demonstram qualidade em tão pouco, afirmando-se como titulares indiscutíveis e, tendo em conta a sua posição, ainda mais surpreendente se torna. Com apenas 21 anos transferiu-se para Madrid e é um dos centrais mais promissores do mundo. É uma alternativa de luxo a Varane e Sergio Ramos e vai aproveitando todos os minutos oferecidos para se afirmar nos merengues, sendo para já difícil, dado que o francês é um dos melhores do mundo e o espanhol tem um peso enorme, sendo uma das maiores figuras da história do clube.

Ferland Mendy foi outro reforço sonante e custou quase 50 milhões de euros, tal como Militão. É um lateral esquerdo que atuava no Lyon o ano passado e conta ainda com 24 anos, sendo que tem margem de progressão para atingir um patamar ainda mais alto. As primeiras exibições foram aquém das expectativas, apesar de já estar melhor nas últimas partidas disputadas. A concorrência é elevada, visto que Marcelo é o titular da posição e ainda tem capacidade para o ser durante mais um ou dois anos, ao que tudo indica.

Rodrygo é uma das surpresas até ao momento. Custou cerca de 45 milhões de euros e é chocante que tenha nascido em 2001 e já estar a um nível fantástico. É o típico brasileiro tecnicista e desconcertante para a defesa adversária. Em 19 partidas realizadas esta época, já marcou sete golos e fez duas assistências. O ponto alto foi o hat-trick na Liga dos Campeões, frente ao Galatasaray, tornando-se no jogador mais jovem a fazê-lo na competição. É uma das maiores esperanças para o futuro dos madridistas.

A solução para a frente de ataque foi Luka Jovic, um avançado de apenas 22 anos que esteve em grande plano no Eintracht Frankfurt, na época passada, e pertencia aos quadros do Benfica. A época não está a ser nada famosa, tendo em conta que já tem 20 jogos pelo clube e só marcou um golo, no entanto, o potencial está lá e o que fez na Alemanha foi prova disso. Foram 27 golos em 2018/2019 e protagonizou uma manita num encontro para o campeonato alemão. É um avançado completo e um finalizador nato, sendo que remata bem com os dois pés e também tem bom cabeceamento. Resta agora começar a faturar em Madrid, caso contrário será emprestado ou vendido no final da temporada.

Luka Jovic destacou-se com a camisola do Eintracht Frankfurt
Fonte: Real Madrid FC

O mais recente reforço foi Reinier, uma estrela em ascensão, proveniente do Flamengo. Com 18 anos recentemente completados, surge com grandes expectativas para as próximas temporadas. Era opção regular de Jorge Jesus para desequilibrar e a sua mudança para Madrid custou 30 milhões de euros. Tem traços de Kaká e o plano passa por rodar na Castilla e ser lançado a longo prazo.
O Real Madrid contratou também uma das maiores estrelas asiáticas da atualidade. Takefusa Kubo veio do Japão para brilhar na Europa e já demonstrou serviço na pré-época e nos treinos do Real Madrid. Foi emprestado ao Maiorca, onde joga regularmente, e promete vingar no campeonato espanhol. Com apenas 18 anos, espera-se que volte ao Real em grande força.

Dos que já estavam no clube, além de Vinícius desde a temporada passada, surgem ainda jogadores de grande qualidade. Um deles é Brahim Díaz, contratado ao Manchester City por 17 milhões de euros, embora não se tenha conseguido ainda afirmar. Fala-se num empréstimo do médio ofensivo que conta apenas com três jogos realizados. Necessita de tempo de jogo em outra equipa para que possa obter o rendimento desejado.

Diego foi um dos mentores de Reinier
Fonte: Conmebol

Um dos craques com maior destaque é Federico Valverde, um médio incansável que promete vir a ser um dos melhores (senão o melhor!) do mundo nos próximos anos. Era da formação do Real Madrid e passou por um empréstimo no Deportivo da Corunha. Na época passada já era utilizado algumas vezes e este ano pegou de estaca, sendo difícil alguém tirar-lhe o lugar de momento. Tem a raça uruguaia misturada com a calmaria necessária com a bola nos pés e é um médio bastante completo. Aos 21 anos, é já um jogador feito com capacidade para suportar um meio-campo vencedor.

Depois existe Marco Asensio, ainda com 24 anos, que é o jogador que mais triunfou dos referenciados. Apareceu há cerca de três épocas e teve uma infelicidade recentemente, depois de contrair uma lesão que o afastou dos relvados. Está perto do regresso e apesar de ser complicado entrar no onze inicial, é um jogador com qualidade para isso. Já conquistou vários títulos pelos merengues e marcou golo em todas as finais disputadas. Além disso, é polivalente e pode atuar tanto no meio, como na esquerda ou na direita.

Ainda existem dois jogadores que apesar de não estarem no plantel, fazem parte do clube e estão a brilhar nos clubes emprestados. São eles Achraf Hakimi e Martin Odegaard, o primeiro no Borussia Dortmund e o outro na Real Sociedad. Espera-se o regresso de ambos, no final da temporada, e são soluções bem viáveis para a continuidade deste projeto.

O Real Madrid está em primeiro lugar no campeonato e ambiciona conquistar o título da La Liga. Na Liga dos Campeões vai defrontar o Manchester City, nos oitavos-de-final, e ainda está na disputa pela Copa del Rey.

Foto de Capa: Real Madrid CF

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Obrigado, capitão Bruno Fernandes

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O capitão leonino, Bruno Fernandes, ruma ao futebol inglês para representar o Manchester United FC. Uma transferência a rondar os 55M€, mais 25M€, por objetivos. O Sporting ficará ainda com 10% de uma futura venda do craque português. O número oito dos leões irá assim, rumar a Old Tradford, rubricando um contrato válido por quatro temporadas e meia.

Bruno Fernandes, que chegou ao Sporting Clube de Portugal, na época 2017/18, proveniente da Sampdoria, deixa a sua marca no futebol português. Em duas épocas e meia de leão ao peito, realizou 137 jogos e marcou 63 golos. Sendo o principal ativo do Sporting, conquistou duas Taças da Liga e uma Taça de Portugal.

Com a qualidade que demonstrou nas últimas temporadas, no futebol português, tornou-se titular na seleção portuguesa, contabilizando 19 internacionalizações e dois golos. Por Portugal somou mais um título, em 2019, a Liga das Nações.

Bruno Fernandes ao serviço do Sporting CP
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Na presente temporada, voltou a ser fundamental para o Sporting, em 28 jogos, soma 15 golos e 14 assistências. A preponderância de Bruno Fernandes fez-se sentir no processo ofensivo, mas também no processo defensivo, sendo o primeiro a pressionar os adversários, tendo uma forte reação à perda da bola. Em termos ofensivos, destaca-se a capacidade de chegada a zonas de finalização, a forte meia distância, a qualidade de passe e a visão de jogo. Além das suas características, é um verdadeiro líder dentro de campo, com enorme entrega e raça, dando tudo em cada lance, em cada jogo.

Em Old Tradford, ao serviço do Manchester United, Bruno vai cumprir o sonho de jogar na Premier League. Havendo naturais expectativas que possa ter sucesso, conquistar títulos e confirmar o seu enorme talento.

Para sempre, na memória dos sportinguistas, ficarão os golos, as jogadas, os passes, a qualidade que demonstrou ao longo das últimas épocas. Sendo um exemplo pelo Esforço, Dedicação e Devoção, em cada jogo e em cada lance.

Obrigado, Bruno!

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Dear, Kobe

Querido Kobe,

Antes de saber o que era um turnover, eu já gostava de ti. Aquele jogador que usava a camisola 24 nas cores amarela e roxa conquistou uma menina que ainda não sabia o que era a NBA. Foste o Michael Jordan da minha geração, e inspiraste milhões de crianças a pegar na bola laranja ou numa bola de papel e tentar ser como tu eras.

Antes de saber o que era um fade, eu já gostava muito de ti, mas nunca apoiei a tua equipa. Parece uma contradição, gostar tanto de ti e não te apoiar quando subias ao teu palco. Ainda por cima escolhi um rival de divisão, os Golden State Warriors, que estavam a começar a encantar o mundo com uma nova forma de jogar. Sei que não ficaste chateado, porque não podemos ser todos do mesmo e era mais uma contra ti.

Nunca tive grande jeito no desporto e só os meus heróis me conseguiam fazer levantar e tentar ser melhor. A tua lesão no calcanhar deixou-te nas cordas, mas mesmo assim conseguiste voltar à luta, e eu achava que depois disso ias ser eterno, porque só os grandes conseguem passar os obstáculos como tu o fizeste. Se deu certo, porque não tentar?

Levo um pouco da tua mentalidade para tudo o que faço. Por vezes fica complicado continuar a batalhar para algo que está a correr mal, mas é preciso contar “3, 2, 1…” e esperar que um buzzer beater nos dê novamente a esperança de vencer o encontro da vida como fizeste tantas vezes. Até ao último segundo.

Deixaste-nos, e contigo foi um dos meus maiores sonhos: poder entrevistar-te e dizer o quanto me deste sem saber que tinhas dado. Sinceramente, ainda não consegui chegar à conclusão de que tenho de falar de ti como passado, como alguém que partiu. Sempre me disseram que as lendas, como tu, nunca morrem. Com a tua influência, eu sei que todos os jogos vamos sentir a tua presença.

A mentalidade do LeBron James, a forma de lançar do Devin Booker e muitos outros atletas vão continuar a fazer nos lembrar de Mamba, e todos eles vão continuar um legado eterno no basquetebol. Só alguém como tu podia deixar um legado tão bonito e uma saudade deste tamanho em tantas pessoas, nem deves ter noção do número.

Eu não acompanhei toda a tua carreira, não soube o que eras com a camisola oito. No entanto, a minha idade não me deixa ficar para trás na conversa sobre a admiração que tenho por ti, porque tu foste o culpado de ficar amante deste jogo, de saber as regras e ficar madrugadas sem dormir para tormento da manhã seguinte.

Aquele jogo com os Jazz vai ficar eternamente na minha memória, aquilo eras tu, aquilo era o senhor que me faz acreditar nos meus sonhos. 20 anos depois do teu draft, acho que toda a gente parou, e deixaram de existir equipas. No dia do teu desaparecimento, as rivalidades voltaram a ser postas de lado e só interessava homenagear um dos melhores de sempre.

Acho que esta carta já está a ficar longa, mas nunca conseguia dizer em tão poucas linhas o quão boa foi a tua influência. Erros todos cometemos, e até nos teus baixos conseguiste manter os teus princípios. Continua a brilhar desse lado, e espero que nunca sejas esquecido. Da minha parte podes estar descansado.

Da tua eterna fã,

Clara Maria Oliveira

Foto de Capa: NBA

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Campeonato de Portugal | Balanço

Aquele que é conhecido por ser o maior campeonato do país – denominado Campeonato de Portugal – iniciou há pouco tempo a segunda metade da competição, justificando-se um ponto de situação sobre o mesmo. Até porque este é um campeonato que tem ganho maior protagonismo e divulgação, muito devido à criação do novo Canal 11 e até mesmo das redes sociais. A qualidade demonstrada por muitos jogadores é algo que desperta a atenção dos clubes de divisões superiores e esta divisão também funciona muito por isso: pelo sonho de muitos atletas em dar o salto no final de cada temporada, assim como a ambição de diversos clubes em ascender de patamar.

Nesta altura da competição, penso que não é descabido afirmar que FC Vizela, FC Arouca e SC Praiense irão marcar presença no playoff de subida. Quanto aos restantes, uns estão mais perto que outros, mas prevê-se uma disputa intensa pelas vagas que podem dar caminho ao sonho final. Todos querem suceder a UD Vilafranquense e Casa Pia AC, embora se saiba que o percurso é extremamente complexo. Dos atuais quatro líderes e após 19 jornadas, o FC Arouca é o que somou mais pontos e tem a melhor defesa e o FC Vizela tem o melhor ataque.

Por outro lado, CSD Câmara de Lobos, GD Bragança, AD Oliveirense, Ginásio Figueirense, SC Vila Real, GD Fontinhas e GDV Sernache estão em situação incómoda e parece difícil escaparem à despromoção, devido ao atraso pontual e desempenho até ao momento.

No entanto, ainda haverá muita história por contar, embora seja necessário que se comecem a sentir os efeitos de recuperação para todos aqueles que pretendem fugir à despromoção, o que não se antevê nada fácil, pois ao todo são 20 os que acabam neste cenário.

Corrida ao pódio

Tem sido uma constante desde o início da época: a luta pelo terceiro lugar da tabela classificativa continua ao rubro, numa dividida entre Sporting CP, o atual detentor do posto, e o FC Famalicão. Os famalicenses arrancaram o seu percurso na primeira liga da melhor forma possível e surpreenderam todos os amantes do futebol ao apoderarem-se do primeiro lugar por várias jornadas consecutivas.

Contudo, a quebra do momento deu-se quando defrontou o FC Porto em casa dos dragões, em outubro. Os portistas não deram hipótese e roubaram para si o lugar cimeiro – partilhando-o com o clube da Luz -, atirando os pupilos de João Pedro Sousa para a terceira posição. Desde então, o FC Famalicão tem enfrentado os leões na batalha pelo lugar que dá acesso à terceira pré-eliminatória da Liga Europa, mas podem juntar-se outros soldados nesta luta.

Para começar, o SC Braga, que tem apresentado uma escalada de rendimento monumental desde a troca de treinador, caminhando a passos largos para replicar no campeonato a boa prestação nesta edição da Liga Europa. Rúben Amorim tem feito renascer os sonhos dos adeptos arsenalistas em jogar nas competições europeias na próxima temporada, garantindo o SC Braga num lugar que lhe tem sido habitual nos últimos anos.

O Sporting CP subiu ao 3º lugar após vencer o CS Marítimo
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O Rio Ave é outra das equipas com possibilidade de lutar por um lugar no pódio. A turma de Carlos Carvalhal tem feito um percurso interessante e, assim como o SC Braga e o Vitória SC – ou até mesmo o Vitória FC, que está em igualdade pontual com o emblema de Guimarães -, podem ainda causar algum incómodo na disputa pela terceira posição.

Mas é o Sporting CP a verdadeira dor de cabeça para os famalicenses neste momento. Os leões estão a ter uma temporada muito intermitente, que já envolveu a troca do treinador Marcel Keizer por Silas, que se especula que ficará apenas até ao final da época. Para além disso, Bruno Fernandes, peça fundamental no jogo do Sporting, já não vai fazer parte das contas da equipa.

O internacional português foi um dos motores da equipa. Os leões ascenderam esta jornada ao terceiro lugar, depois de vencerem o CS Marítimo, beneficiando da derrota caseira do FC Famalicão frente ao CD Santa Clara.

Semana após semana, temos assistido a esta oscilação na tabela classificativa entre estas duas equipas, pelo que estarão reunidas todas as condições para que haja, nesta segunda metade da época, um saudável e estimulante combate pela posição que fecha o pódio. Resta saber se outras equipas se vão juntar de forma mais aguerrida a esta luta, ou se vai ser apenas um duelo entre leões e a equipa sensação do campeonato.

Foto de Capa: FC Famalicão

Artigo revisto por Diogo Teixeira