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Ainda não se ouviu o Galo cantar

futebol nacional cabeçalho

7 derrotas, 3 empates e ainda nenhuma vitória na Liga: este é o saldo que nenhum gilista queria, mas que é a dura realidade. A equipa de Barcelos tem apenas 3 pontos ao fim de 10 jornadas, mas o pior é que não se vê solução à vista.

A época começou com João de Deus ao comando. O atual treinador da equipa B do Sporting apenas durou 3 jogos, com outras tantas derrotas. Depois chegou José Mota, que começou com um moralizador empate em Paços de Ferreira, mas não conseguiu colocar a equipa no bom caminho. Apesar do bom desempenho nas taças (o Gil Vicente eliminou o Atlético na Taça da Liga e o Real Massamá na Taça de Portugal), não se pode dizer que estes sucessos não fossem mais do que as obrigações dos gilistas. Em 7 jogos na Liga, José Mota ainda não conseguiu colocar a equipa a vencer e a lanterna vermelha da tabela está há muito tempo na sua posse.

Olhando para o plantel, não vejo muitas soluções de qualidade. Retirando Adriano Facchini e Diogo Viana, penso que nenhum dos jogadores teria lugar como titular numa equipa que lute pelos lugares europeus na nossa Liga. Enza-Yamissi/Pecks é a dupla de centrais mais utilizada, mas também já por lá passaram Gladstone, Luan e até mesmo Evaldo. Não é por acaso que a equipa já encaixou 23 golos e viu 43 cartões amarelos nos 13 jogos disputados nesta temporada. Sentem muitas dificuldades a defender e com apenas 3 centrais é difícil gerir castigos e lesões. Daí as duas adaptações que já aconteceram.

O lateral direito Gabriel Moura mostrou qualidade na temporada passada, mas tem estado alguns furos abaixo neste momento, acompanhando também o ritmo dos colegas. No outro flanco, Evaldo e Jander têm repartido a titularidade, ainda que José Mota tenha optado por colocar os dois ao mesmo tempo nas últimas duas partidas (Evaldo a lateral e Jander como extremo). A defesa tem sido alvo de muitas mudanças (prova disso é que o quarteto mais utilizado no 11 inicial foi apenas visto em 4 dos 13 jogos da temporada), e isso não é nada bom para a criação de uma solidez nos processos de jogo. Além da falta de estabilidade das escolhas, há o problema da pouca qualidade das mesmas. Entre Pecks, Enza-Yamissi e Gladstone, não me parece que haja um verdadeiro líder, alguém que possa comandar a defesa. Penso que este setor, nomeadamente na zona central, é uma das brechas que o Gil Vicente tem obrigatoriamente de colmatar no mercado de inverno.

Além do excesso de golos sofridos, o número de golos marcados também devia merecer uma reflexão da parte dos responsáveis. A equipa tem uma média inferior a 1 golo por jogo no conjunto de todas as competições (12 golos em 13 jogos), e também no setor ofensivo a rotatividade tem sido a palavra de ordem. Tal como na defesa, o trio atacante mais utilizado de início (Avto, Diogo Viana e Simy) apenas iniciou 4 dos 13 encontros do Gil esta época. Diogo Viana é um jogador de inegável qualidade, mas peca ainda por um individualismo que, por vezes, se torna excessivo. O ponta de lança nigeriano Simy, com 4 golos em 8 jogos, é o melhor marcador da equipa e tem disfarçado algumas das inegáveis deficiências do setor ofensivo dos “galos”. Marwan Mohsen tem sido uma desilusão e os outros atacantes não se têm destacado ao longo dos jogos. Avto e Diogo Valente (principalmente este) têm estado longe daquilo que já mostraram nos relvados portugueses.

José Mota tem pela frente uma das tarefas mais difíceis da sua carreira Fonte: Gil Vicente FC
José Mota tem pela frente uma das tarefas mais difíceis da sua carreira
Fonte: Gil Vicente FC

Apesar de todos estes equívocos que apontei no plantel, o maior enigma parece ser o meio campo. Olhando para a lista de jogadores, vemos 7 hipóteses mais plausíveis para alinharem no trio utilizado por José Mota no seu sistema tático: Luís Silva, Vítor Gonçalves, Leandro Pimenta, João Vilela, Luan, Hossam Hassan e o mais experiente César Peixoto. Com estes jogadores, pensei que não seria pelo meio campo que o Gil Vicente iria sentir mais problemas. Contudo, também aqui o trio mais utilizado de início ocorreu em apenas 5 partidas. Nos últimos encontros, o trio Luan – João Vilela – Luís Silva tem-se imposto no 11 inicial, mas, ainda assim, são muitos jogadores experimentados para conseguir criar a solidez necessária. César Peixoto foi alvo de um processo disciplinar por parte do clube no início do mês e, claro está, este facto não veio ajudar às contas. É o jogador que poderia transmitir mais experiência aos seus colegas e é um dos que tem mais anos de casa. Está a cumprir a quarta temporada nos “galos”, depois de já ter passado por clubes como Benfica e Sporting de Braga.

Também não compreendo a falta de oportunidades para Leandro Pimenta. Apenas foi titular uma vez e suplente utilizado em outras duas ocasiões.  Tendo em conta o que demonstrou na época passada no Gil Vicente e há duas épocas no Benfica B, juntamente com o paupérrimo desempenho da equipa, não percebo o porquê de ser tão poucas vezes utilizado.

Pior ainda para as cores gilistas, é olhar para o calendário e perceber que, até ao final da primeira volta do campeonato (faltam 7 jornadas), a equipa tem de visitar o Rio Ave, o Benfica e o Belenenses -três equipas que estão a efetuar temporadas de bom nível-, tendo ainda de receber também o FC Porto. Não se afigura nada fácil a tarefa de José Mota para alcançar a permanência com este grupo de jogadores. Creio que António Fiúza terá de trazer 4 ou 5 atletas no mercado de inverno (um central, um médio organizador de jogo e um extremo no topo das prioridades) para que o Gil Vicente possa bater-se com os seus concorrentes na luta pelos objetivos. Em relação às taças, vai receber no próximo domingo, no Cidade de Barcelos, o Varzim na Taça de Portugal. Apesar de ser favorito, o Gil Vicente terá de mostrar muita atenção perante uma equipa que, na eliminatória anterior, enviou o “europeu” Estoril para casa. Na Taça da Liga, a equipa está apurada para a próxima fase.

Em suma: ou José Mota estabiliza um 11 inicial, permitindo a criação de rotinas de jogo, ou então o mais certo é que, na próxima época, vejamos o Gil Vicente na Segunda Liga.

Foto de Capa: Gil Vicente FC

Novak Djokovic, um justo vencedor

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cab ténis

Eram altas as expectativas para o Masters de Londres, no entanto parece-me que não foram, de todo, correspondidas. O sorteio ditou que o grupo A seria constituído por: Novak Djokovic, Stan Wawrinka, Tomas Berdych e Marin Cilic. Por sua vez o grupo B teria como protagonistas Roger Federer, Andy Murray, Kei Nishikori e Milos Raonic.

Para além da luta pela posição cimeira no ranking – relembro que “bastava” ao sérvio vencer os três encontros da fase de grupos para a assegurar – havia outros motivos de interesse que o torneio Londrino nos apresentava. As estreias de Kei Nishikori, Milos Raonic e Marin Cilic, a subida de forma de Andy Murray, o mau momento de Stan Wawrinka eram só alguns dos pontos de interesse do Barclays ATP World Tour Finals.

As surpresas começaram logo no primeiro dia de competição. Andy Murray, que vinha a subir de forma, perdeu em straight sets para Kei Nishikori. O Japonês nem teve de jogar o seu melhor ténis, pois o pupilo de Amelie Mauresmo apresentou um ténis miserável. Esta era a primeira grande surpresa do torneio britânico. No mesmo dia, Roger Federer vingou-se da derrota sofrida na semana anterior frente a Milos Raonic. Outra das grandes surpresas da semana foi a vitória de Stan Wawrinka frente a Tomas Berdych. O suíço bateu o Checo por duplo 6-1 em apenas 58 minutos. Quero ainda destacar o corretivo que Roger Federer aplicou em Andy Murray, batendo-o por 6-0 e 6-1. Nos restantes encontros as hierarquias pré- estabelecidas foram respeitadas e não houve lugar a grandes surpresas.

Para as meias-finais seguiram Novak Djokovic, já com a posição de número 1 do mundo assegurada, Roger Federer, Kei Nishikori, ocupando o lugar que, teoricamente, seria de Andy Murray e ainda Stan Wawrinka, no meu ver a grande surpresa destes 4.

A primeira das meias-finais opôs Djokovic frente a Kei Nishikori. Apesar do head2 head ser equilibrado, 3-2 favorável ao número 1 mundial, esperava-se uma vitória em dois sets do pupilo de Marian Vajda. Contudo, e após um primeiro set onde o sérvio dominou por completo, Nishikori conseguiu mesmo arrecadar o segundo e encaminhar a partida para uma terceira e decisiva partida. O japonês ainda dispôs de 2 pontos de break logo no início do set, mas Djokovic acabou por conseguir impor o seu ténis e aplicou mesmo uma rodinha de bicicleta. Este era, até ao momento, o melhor encontro do torneio.

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Novak Djokovic foi o grande vencedor
Fonte: flickr. com

A segunda meia-final era um encontro 100% suíço e punha frente a frente, obviamente, Roger Federer e Stan Wawrinka. Wawrinka, treinado por Magnus Norman, que venceu o primeiro set muito à custa da percentagem de pontos ganhos no primeiro serviço (100%) e de alguns erros incaracterísticos de Roger Federer, acabaria mesmo por ceder o segundo parcial por 7-5. O mais novo dos Suíços até começou melhor o terceiro set, quebrando o serviço de Federer. Depois de dispor de quatro match points, e pelo meio ainda teve uma discussão com Mirka Federer, Wawrinka acabaria por ser derrotado, num emocionante tie-break, pelo seu companheiro e amigo Roger Federer.

A final que todos queriam ia mesmo realizar-se. Roger Federer, favorito do público Londrino, ia defrontar Novak Djokovic, favorito à conquista do torneio. Logo após o encontro da meia-final entre Federer e Stan comentei com alguns amigos sobre o estado físico em que se encontraria Federer e que prioridade iria dar ao Masters, torneio que já venceu inúmeras vezes, ao invés da taça Davis, competição que nunca conseguiu conquistar. A resposta veio no dia seguinte. Roger Federer optou por não jogar a final frente a Novak Djokovic. Sem querer pôr em causa o profissionalismo de Federer, era previsível que o suíço não jogasse o encontro frente a Djokovic. A questão física, aliada aos compromissos da taça Davis no fim-de-semana seguinte, assim o ditara.

 

Para terminar, gostaria de retirar algumas conclusões do torneio que encerra a temporada tenística, pelo menos a nível individual.

Surpresas pela positiva – Kei Nishikori/Stan Wawrinka

O japonês corou uma excelente temporada com o acesso às meias-finais do Masters onde poderia muito bem ter eliminado Novak Djokovic. Nishikori tem vindo a subir consistentemente no ranking, será que na próxima época também o conseguirá?

Wawrinka vinha num péssimo momento de forma, no entanto apareceu em Londres a jogar um bom ténis e proporcionou-nos o melhor encontro da semana frente a Roger Federer. A defesa do título conquistado em Melbourne é o objetivo seguinte.

Desilusão – Andy Murray/Marin Cilic

Murray vinha num crescente de forma e esperava-se que o Masters fosse o coroar disso mesmo, contudo a derrota frente a Kei Nishikori pareceu ter deixado marcas. A tareia aplicada por Roger Federer não deve ter sido nada fácil de digerir.

Contrariamente a Wawrinka, o Croata vinha a jogar um bom ténis, nem sequer tinha jogado em Páris para, suponho eu, preparar o Masters. O ténis apresentado foi miserável, esperava-se mais do atual campeão do US OPEN.

A confirmação – Novak Djokovic

O sérvio apresentou-se numa excelente forma e é um justo e previsível vencedor. Djokovic foi o jogador mais consistente ao longo de toda a temporada, por isso mesmo é com inteira justiça que termina o ano na posição cimeira do ranking mundial.

Resta-nos agora aguardar uma emocionante final da Taça Davis.

A incógnita Diego Reyes

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Diego Reyes é um dos jogadores mais incompreendidos do plantel atual do FC Porto, seja pela massa adepta do clube, seja pelo seu treinador. Apesar da sua tenra idade (22 anos), o seu percurso é longo mas o seu valor enquanto jogador é já posto em causa – e alvo de discussões mediáticas.

Reyes chegou ao Porto a troco de nove milhões de euros, estando referenciado como o futuro do setor defensivo mexicano. Abordando um pouco o seu percurso, antes de rumar ao Dragão, Reyes ganhou a titularidade no Club de Futból América do México, onde inclusivamente foi capitão de equipa. A nível internacional, participou num Mundial sub17, num Mundial sub20 (tendo alcançado o terceiro lugar), nos Jogos Olímpicos de 2012 (em que conquistou a medalha de Ouro), num Pan-Americano (competição da qual saiu vencedor), em dois Torneios de Toulon, no Mundial do Brasil, numa Taça das confederações, e finalmente numa Copa América. Destaca-se ainda a conquista da Liga Mexicana, onde foi considerado o melhor jovem da competição. Todos estes resultados provam que Diego é indiscutivelmente uma grande aposta no seu país de origem, o México.

Na sua primeira temporada ao serviço do FC Porto, Reyes realizou um total de trinta e dois jogos, a dividir pelas diferentes competições – cinco na Primeira Liga Portuguesa, cinco na Taça de Portugal, quatro na Liga Europa e dezoito na Liga de Honra. Tudo indicava que, após um ano de aprendizagem e evolução, a segunda temporada no Dragão iria ser de afirmação e de presença na equipa principal. Todavia, até agora isso não sucedeu. Reyes leva até ao momento apenas oito jogos disputados: um na Primeira Liga, um na Liga dos Campeões e seis na liga secundáia. Porém, este escasso número de jogos disputados não impede as sucessivas chamadas à seleção azteca. Miguel Herrera, selecionador mexicano, tem dado a entender que aposta no jovem jogador, ainda que a sua presença na selecção, só por si, não conduza à aprendizagem. Por conseguinte, foi claro ao afirmar que Diego tem de jogar ativamente, para que possa crescer e evoluir como jogador e não apenas ocasionalmente. Nesta última jornada de seleções nacionais, muitos países aproveitaram a ocasião para disputar alguns jogos particulares, não tendo o México fugido à regra. Os mexicanos participaram em dois encontros, um com a Holanda e outro com Bielorrússia, tendo Diego sido opção em ambos os encontros.

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Reyes e Maicon: lado a lado na foto e na luta por um lugar no eixo defensivo portista
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

No jogo contra a “laranja mecânica” o jogador do FC Porto foi utilizado numa posição diferente daquela em que habitualmente joga no FC Porto, tendo jogado como trinco/médio defensivo. No América (clube) do México por várias vezes e, inclusive, no Porto numa ou outra ocasião, Reyes ocupou essa posição. Os adeptos que estiveram atentos ao jogo viram Reyes e puderam constatar que este jogador teve um bom desempenho, mais confiante e com muito poucas falhas. Para além disso, na antevisão do jogo diante da Bielorrússia, Miguel Herrera enviou uma mensagem a Lopetegui: “Diego mostrou ao treinador dele que está pronto para ser utilizado a qualquer momento. Defrontou uma das melhores seleções a nível mundial, como é o caso da Holanda, e fez uma exibição fantástica”. Também Manuel Lapuente, que treinou Reyes no América, fez declarações curiosas sobre o jovem jogador do Porto: “este jovem é um Xabi Alonso, um Sergio Busquets ou um Toni Kroos em potência. Como defesa não tem tanto as qualidades de que gosto, mas no um para um, pelo contrário, tem uma proteção enorme ofensiva, é um tipo que vai ao ataque do adversário com facilidade”.

Em boa verdade, como defesa central, Reyes por diversas ocasiões demonstrou ser irregular: é capaz de fazer uma exibição muito boa, mas a qualquer momento ter a infelicidade de cometer uma grande penalidade ou de assinar um erro que origine o perigo para a baliza azul e branca, dados que na pré-época foram evidentes para Lopetegui. Uma vez que já no Football Manager (simulador mais realista de treino e gestão futebolísticas) se destaca com o avançar das temporadas como uma das grandes figuras mundiais enquanto trinco, será que também na realidade se irá tornar numa estrela? Esta será uma possibilidade que, caso Lopetegui aceite o conselho de outros dois treinadores que o conhecem na perfeição, terá de explorar. Todavia, a concorrência é dupla: Ruben Neves (recentemente considerado um dos melhores jogadores sub18 do Mundo) e Casemiro, que, apesar de muito criticado, começa a ganhar o seu lugar cativo no onze do FC Porto e, surpreendentemente, um lugar entre os principais jogadores da seleção brasileira.

Deste modo, a tarefa de Reyes não se adivinha fácil, seja para jogar a defesa central, seja para atuar como médio defensivo. Talvez um empréstimo a um clube da Primeira Liga fosse uma boa solução para possibilitar o seu crescimento e para mostrar a Lopetegui e aos portistas o motivo que levou ao investimento no seu passe. Atuar pela equipa B parece já insuficiente para este internacional mexicano e fazer jogos ocasionais na Primeira Liga em nada ajudará ao desenvolvimento das suas capacidades. O empréstimo, se suceder, só será possível em Janeiro. Será que até lá Lopetegui deve dar uma oportunidade ao jogador? Ou será que só quando este jogador brilhar em campos vizinhos o treinador verá a estrela que “perdeu”? Pelas indicações dos seus antigos treinadores, é certo que sim. Veremos o que o futuro lhe reserva!

Foto de capa: flickr.com

Inter e Sporting, os principais candidatos à Final Four

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O primeiro dia de UEFA Futsal Cup terá levado os amantes da modalidade a pensar que dificilmente haverá um outro qualificado à final four que não o Sporting ou o Inter FS. O Bola na Rede esteve no pavilhão e testemunhou o jogo em que os espanhóis golearam com toda a justiça os búlgaros do Grand Pro Varna por 6-0, tendo até ficado alguns golos por marcar. O Sporting também se superiorizou ao Charleroi, embora esta equipa belga tenha deixado melhor imagem do que os búlgaros.

E, se o jogo dos leões não começou com um recorde, esteve lá muito perto! Pedro Cary, numa jogada que até pode ser considerada estudada, inaugurou o marcador logo aos cinco segundos de jogo, tendo sido até à altura praticamente o único a tocar na bola. O jogo pareceu correr de feição ao Sporting e a verdade é que, na primeira parte, com excepção de um contra-ataque dos belgas que deu golo, a formação adversária pouco ou nada incomodou a equipa de Nuno Dias. Pressão alta através da marcação homem a homem, saídas desde trás bem preparadas, bolas paradas ofensivas diversificadas e quase sempre eficientes e muita qualidade na circulação de bola deram ao Sporting um confortável 4-1 ao intervalo.

Pedro Cary foi um dos destaques com dois golos marcados
Pedro Cary foi um dos destaques com dois golos marcados

Pelo meio, com o resultado em 3-1, Cristiano foi expulso depois de uma saída da baliza que poderia ter sido evitada, mas nem assim os leões sentiram muitas dificuldades: na verdade, Pedro Cary conseguiu até dilatar a vantagem numa altura em que o Charleroi utilizou guarda-redes avançado e estava numa vantagem numérica de 5×3. O golo de Cary foi muito importante porque, caso os belgas tivessem conseguido reduzir para 3-2, o jogo podia ter sido diferente.

Foi na segunda parte, exactamente quando os forasteiros utilizaram Lúcio como guarda-redes avançado, que se registou o período de maior equilíbrio. Até então o Sporting mostrou a sua superioridade e adiantou-se através de Fábio Aguiar, depois de mais uma bola parada (recorrente, esta facilidade em criar ocasiões neste tipo de lances). Com o 5×4 os belgas arriscaram tudo e, ao contrário do que sucedeu no primeiro tempo, não só criaram várias ocasiões como ainda geraram alguma incerteza no marcador, tendo conseguido dois golos por Léo e Liliu. Ainda assim é preciso notar que, nos últimos minutos, o Sporting preocupou-se sobretudo em gerir a partida, uma vez que amanhã haverá novo jogo. No final, vitória inteiramente justa e que abre boas perspectivas aos leões.

Os espanhóis do Inter superiorizaram-se aos búlgaros do Grand Pro Varna
Os espanhóis do Inter superiorizaram-se aos búlgaros do Grand Pro Varna

Inter Movistar vs Grand Pro Varna

À atenção do Sporting, o Inter FS goleou com facilidade os búlgaros do Grand Pro Varna por 6-0. Daqui pouco se retira mais do que saber que a equipa espanhola é muito melhor do que a búlgara, a ponto de não se conseguir tirar muitas notas acerca da qualidade do jogo e das debilidades do Inter. O espanhol Borja foi um dos que mais se destacaram, tendo apontado dois golos, mas… Cardinal (duas assistências) afirmou que no domingo, frente ao Sporting, Ricardinho já será uma opção. Em princípio, será esse o jogo que define qual das equipas se apura para a final four.

Artigo escrito por:

João Almeida Rosa

João Vasconcelos e Sousa

Taça Davis – A França forte

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cab ténis

O slogan é de Nicolas Sarkozy, politico francês, mas pode aplicar-se à selecção francesa, que vai defrontar Roger Federer e companhia na final da Taça Davis, que se joga a partir de hoje em Lille, França.

Jo Wilfried Tsonga, Gael Monfils, Julien Benneteau e Richard Gasquet constituem uma das equipas mais sólidas que uma selecção de ténis pode querer ter em seu poder. E diga-se: Tsonga e Monfils são dois dos melhores jogadores do mundo para jogar uma final de uma Taça Davis em casa. Se a equipa suíça conta com Roger Federer e Stanislas Wawrinka, dois dos tenistas que estão em melhor forma nesta fase final de temporada, e que chegam para vencer a competição, a selecção francesa conta com os seus quatro mosqueteiros, que, inspirados na cruzada de Henri Leconte e companhia, perseguem o 10º titulo e o primeiro desde o ano de 2001.

Em primeiro lugar, os quatro tenistas franceses não disputaram o Masters em Londres, aparecendo assim em Lille muito mais frescos e com mais tempo de treino adaptado ao piso e às condições que vão encontrar em Lille. Em segundo, jogam em casa, no piso que mais os beneficia e no ambiente que mais os ajuda.

A par disso, Tsonga e Monfils são loucos. São verdadeiras estrelas do ténis dentro de court e sabem melhor do que ninguém utilizar o público a seu favor, o que nesta competição é um factor de extrema importância. Estes dois jogam “ténis-espectáculo” – para as bancadas e com as bancadas – e isto basta para nos momentos de maior aperto conseguirem dar a volta por cima ou para fazerem os suíços entrar em campo “encolhidos” e a medo.

Claro que uma equipa que tem Federer parte da pole-position e uma equipa que para além de Roger conta com o espírito de sacrifício de Wawrinka é como uma equipa de Fórmula 1 que coloca os dois carros nos dois primeiros lugares. A vontade de Roger de conquistar este título não significa que a equipa suíça não vá passar por dificuldades, ainda para mais quando o técnico nacional, Severin Luthi, não colocou Federer e Wawrinka no par, não se sabendo se foi uma decisão tomada fruto da mais recente zanga entre ambos.

A equipa francesa joga assim na sua máxima força frente a uma Suíça que, não estando propriamente debilitada, não está no máximo do seu potencial, devido à lesão de Roger Federer e ao suposto mau ambiente entre Wawrinka e “FedExpress”. Tsonga, Monfils, Benneteau e o “baby Federer”, Richard Gasquet, querem certamente mostrar que em França mandam os franceses e alguns têm até algumas contas a ajustar com os adversários suíços, provando a eles e ao mundo que numa competição como a Taça Davis o que conta não é o ranking, mas única e exclusivamente aquilo que acontece dentro do court.

A Taça Davis decorre de Sexta a Domingo.

Rolando: quem te viu, quem te vê e quem não te quer ver mais

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atodososdesportistas

Num período de “seca futebolística”, que contrasta com as deambulantes e intermitentes chuvas que se fazem sentir (pelo menos aqui pelos Algarves), aproveito uma tarde cinzenta e com ameaças de pingas, desde este 11º andar, para falar de um jogador que vive um clima identicamente cinzento e igualmente com ameaças de não voltar a jogar, depois de se ver no cimo de um arranha-céus que culminou com a conquista da Liga Europa, na época de 2010/2011 – falo, claro está, de Rolando.

Chegado pela mão de Jesualdo Ferreira ao plantel azul e branco, no verão de 2008, cedo se percebeu que o então jovem central português com descendência cabo-verdiana vinha para se impor. E fê-lo. Com naturalidade ganhou o seu espaço e afirmou-se no centro da defesa portista, formando uma temível dupla com Bruno Alves. Durante as temporadas seguintes, foram vários os centrais que Rolando “sentou” no banco: Maicon, Nuno André Coelho, Abdoulaye, Stepanov, Sereno, André Pinto e Tiago Ferreira. Pelo caminho saiu Bruno Alves mas Rolando manteve-se no onze, quer com Maicon, quer com Otamendi. Entretanto, assumiu um dos lugares na hierarquia de capitania dos dragões e tudo indicava uma nova época ao lado do argentino Otamendi. Mas assim não foi… Pela mão de Vitor Pereira, Rolando viu-se ultrapassado por Maicon, pelo recém-chegado Mangala e, imagine-se, por centrais que tinham vivido na sombra do mesmo: Sereno e Abdoulaye!

Nunca foi uma história bem explicada, pois, como em todas as boas histórias, existem sempre duas versões, que, por norma, se contradizem… O Futebol Clube do Porto emprestou-o ao Napoles e ao Inter, e nos nerazzurri o internacional português até conseguiu encontrar o seu espaço, num esquema de três centrais. Tudo apontava para que fosse exercida opção de compra por parte dos italianos, mas os mesmos não o fizeram, devolvendo o jogador “à base”. Certo é que, dias depois, chegou aos cofres do Dragão uma proposta por parte de quem o tinha “dispensado” do empréstimo, tendo sido dado como resposta um “não”. Foi uma “birra” da SAD azul-e-branca? Alguns dizem que sim, outros afirmam que tal se deveu às declarações de Rolando, ainda enquanto jogador dos milaneses, quando afirmou que no Futebol Clube do Porto existiam salários em atraso (coisa que, diga-se de passagem, provou-se ser falsa). Lá voltamos à tal boa história: terá mesmo Rolando dito tal coisa? Terá sido uma jogada do empresário para desviar o jogador do Dragão para o Sporting – confirmou-se mais tarde o interesse no jogador, aquando da troca de Izmailov, quando os leões pretendiam Kadu, Miguel Lopes e o próprio Rolando, apenas garantindo Miguel Lopes e o guarda-redes Ventura – com rescisão por justa causa?

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Depois de uma época no Inter de Milão, Rolando está novamente longe dos relvados
Fonte: flickr.com 

Certo é que o “caso Rolando” é aquele que mais vai assombrando as hostes azuis e brancas, que pagam um salário que se adivinha nada baixo a um jogador que se vai “arrastando” a treinar com a equipa B, onde nem convocado é. Vamos, então, ao escárnio daquilo que foi o título deste texto, por pontos:

Quem te viu: viram os adeptos azuis e brancos, com orgulho e distinção, os largos anos que passaste de dragão ao peito, com exibições sempre discretas mas de uma eficácia tremenda. Esse Rolando merece um obrigado de toda a comunidade portista, pois quem dá tudo, a mais não é obrigado.

Quem te vê: pelos vistos, Inter de Milão continua a ser o maior seguidor do defesa-central que ainda pertence aos quadros do Porto, esperando-se (finalmente!) uma abordagem na reabertura do mercado que satisfaça ambas as partes: o Inter bem precisa de um central e o FC Porto bem precisa de se desfazer deste “peso orçamental”. Da Premier League também chegam ecos de interessados, mas nunca passaram disso mesmo – ecos. Também o Sporting por certo estará de olho em Rolando: não só por ser sempre um jogador apetecível, mas principalmente porque indo para Alvalade, seria de longe o central com mais qualidade daquele plantel. Esta última opção parece-me muito diminuta, dado o infantil e sucessivo comportamento do líder dos leões, que mais parece um gatinho a quem tiraram a tigela de leite e que aproveita para miar a tudo e todos, sem aleijar nada nem ninguém;

Quem não te quer ver mais: pois bem, termino com um ponto delicado mas… verdadeiro. Os adeptos que se levantaram no primeiro destes três pontos são os mesmos que estão desejosos de o ver partir. Não pelo que foi (isso ninguém lhe tira!), mas pelo que representa nos quadros azuis-e-brancos: um peso salarial a suportar, sem qualquer tipo de vantagem desportiva num futuro a curto/médio prazo.

Dado tudo isto, despeço-me com o desejo de que tudo se resolva já em Janeiro, para bem das três partes: FC Porto, Rolando e clube comprador.

Foto de capa: flickr.com

Jogadores Que Admiro #27 – Peter Schmeichel

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O futebol é algo que me apaixona desde muito cedo na vida. Tinha cinco anos quando comecei a ver futebol e a jogar “Sega Worldwide Soccer 98” na minha, velhinha, Sega Saturn. Já seguia o Sporting e havia uma equipa estrangeira que me enchia as medidas, o Manchester United, onde pontificavam jogadores como David Beckham, Gary Neville ou Ryan Giggs, além do gigante dinamarquês. Era sempre com os “red devils” que eu ficava horas a jogar no primeiro simulador de futebol que me passou pelas mãos.

Recordo-me bem da final épica da Liga dos Campeões de 1998/99, em que o Manchester United venceu o Bayern Munique com uma reviravolta no período de compensações, após golos de Sheringham e Solskjaer. A subida de Schmeichel à área no canto do primeiro golo, onde teve influência na jogada, foi para mim uma novidade: nunca tinha visto um guarda-redes a jogar na área contrária. Até por esta ação fui cativado por aquele a quem costumava chamar de  “Grande Gigante”, por ser um gigante que eu considerava maior do que os outros. Era o guarda-redes da equipa, que venceu o jogo mais épico que alguma vez vi, e o primeiro de que me recordo na minha infância.

A final frente ao Bayern Munique foi o último jogo de Schmeichel pelo Man.United Fonte: FootballSoccerFocus
A final frente ao Bayern Munique foi o último jogo de Schmeichel pelo Man.United
Fonte: FootballSoccerFocus

É, portanto, fácil de imaginar a minha felicidade e até histeria quando vi chegar o “Grand Danois” a Alvalade. O homem que era o guardião do templo de uma das melhores equipas do mundo e que tinha sido eleito melhor guarda-redes do mundo em 1992 e 1993. Eu não conseguia acreditar em tão espetacular contratação do Sporting; foi algo que me fez gostar ainda mais dos “leões”. Tinham agora nas suas fileiras o guarda-redes que metia respeito e até medo a vários jogadores, incluindo os da sua própria equipa.

O palmarés de Schmeichel é extremamente rico. Depois de ter jogado alguns anos em clubes menores da Dinamarca, Peter transferiu-se para uma das melhores equipas do país, o Brondby, onde ganhou qualquer coisa como quatro Ligas em cinco anos. Aos 27 anos, mudou-se de armas e bagagens para o Manchester United, onde, em oito épocas, ganhou cinco campeonatos, três Taças de Inglaterra, uma Liga dos Campeões, quatro Supertaças, uma Supertaça Europeia e uma Taça da Liga. Ainda neste período, foi campeão europeu com a seleção da Dinamarca em 1992, quando nem sequer se tinham apurado para a competição.

Quando veio para Portugal, aos 35 anos, Peter tinha uma carreira bastante sólida e recheada de títulos. Veio para um grande clube que não ganhava o campeonato há 18 anos e que tinha milhões de adeptos sedentos de vencer. Impôs-se rapidamente pelo estatuto que trazia e pela autoridade que impunha aos colegas. Enchia-se de raiva mal rematavam à sua baliza, reclamava e berrava com os seus defesas para acertarem posicionamento e marcações, corrigia todos os movimentos errados dos seus companheiros. É nostálgico lembrar os momentos em que, mal a bola ultrapassava a linha final, se via Schmeichel a esbracejar que nem um louco para Beto ou André Cruz, citando apenas outros dois obreiros do campeonato celebrado a partir de Vidal Pinehiro, no dia 14 de maio de 2000. Schmeichel era um obstáculo dificílimo de ultrapassar para os adversários e a exibição no Estádio do Bessa, numa vitória por 1-0 frente ao Boavista, ficou na memória pela importante prestação do gigante escandinavo na baliza leonina, a defender a vantagem conseguida no primeiro minuto de jogo com um pontapé fantástico do não menos genial Pedro Barbosa, também já protagonista em edições passadas desta rubrica.

O gigante dinamarquês foi uma pedra basilar no Sporting campeão de 1999/2000 Fonte: Tesouro Verde
O gigante dinamarquês foi uma pedra basilar no Sporting campeão de 1999/2000
Fonte: Tesouro Verde

A contratação de Peter Schmeichel foi uma ação que teve tanto impacto que o presidente do Sporting na altura, José Roquete, disse aos jornalistas, aquando da confirmação do negócio: “assinámos com o Schmeichel, portanto vamos ser campeões.” O guardião tinha saído da Premier League devido ao alucinante calendário das equipas inglesas, soube lidar muito bem com a pressão e foi um pilar importantíssimo para o final do jejum dos “verde e brancos”, no que a campeonatos diz respeito.

Esteve duas épocas em Alvalade e depois terminou a carreira em Inglaterra, com uma passagem no Aston Villa e outra, na temporada 2002/03, com a camisola do Manchester City. Hoje em dia, é o seu filho Kasper que defende as redes da seleção dinamarquesa e também do Leicester City, equipa da Premier League. O filho seguiu as pisadas do pai, escolhendo a baliza como o seu lugar predileto nos campos de futebol.

Foi este senhor o primeiro jogador que eu me lembro de idolatrar enquanto adepto. Felizmente tive a possibilidade de o ver jogar em Portugal, ao serviço do Sporting. O “Grande Gigante” será sempre um marco nas minhas memórias futebolísticas.

A vida é feita de escolhas…

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… e o Sporting tem uma escolha bastante importante para fazer. Não vou entrar em pormenores sobre se a equipa se está a exibir abaixo do esperado (a atacar acho que não, a defender é óbvio que sim), mas o facto é que, à 10ª jornada, ocupa o 8º lugar do campeonato. Em parte essa classificação explica-se por diferenças de critérios de arbitragem no caso de ser o Sporting ou outros clubes – de que tanto eu como outros redactores já falámos – mas também salta à vista uma nítida irregularidade exibicional. A escolha que terá de ser feita e a que comecei por aludir será, a meu ver, entre o campeonato e as competições europeias.

É notório que o Sporting tem um bom grupo de jogadores, a grande maioria jovens que têm mostrado evolução. Apesar de a equipa defender muito mal, já fez alguns dos melhores jogos que me lembro de ver do Sporting – caso das duas partidas com o Schalke e do jogo com o Porto para a Taça, por exemplo. Mas esta tem sido uma época estranha, na medida em que esses grandes jogos são intervalados por exibições inexplicavelmente pobres. Sou da opinião de que uma parte dessa irregularidade se deve à inexperiência do núcleo duro da equipa, pelo que temos de ponderar se não será melhor haver alguma rotatividade conforme as competições. E, como os Sportinguistas estão sedentos de vitórias, não há volta a dar: o campeonato terá de ser sempre a grande prioridade.

Marco Silva referiu, há uns tempos, que um dos momentos em que o Sporting se sente mais confiante é quando está a gerir uma vantagem. O problema é que, este ano, foram mais as vezes que a equipa sofreu golo e teve de correr atrás do resultado do que aquelas em que marcou cedo e geriu com calma… Olhando para os jogos disputados até agora, já houve três fases em que o Sporting podia ter dado passos importantíssimos rumo ao consolidar da sua posição na Liga, mas em que isso acabou por não acontecer.

Vejamos: nas duas primeiras jornadas do campeonato, o Sporting empatou com a Académica e venceu o Arouca de forma suada. Resultados e exibições nada brilhantes. Na ronda seguinte, o empate na Luz, mesmo não significando os 3 pontos, foi razoavelmente moralizador. Em relação às últimas épocas, esse empate representou um ponto a mais na Luz e tudo parecia bem encaminhado… mas eis que o Belenenses empata em Alvalade e obriga os leões a marcar passo. Depois disso, mais dois pontos cedidos de forma ridícula na Eslovénia, e dois jogos que deviam ter sido ganhos de forma a dar confiança à equipa transformavam-se em tempo e pontos perdidos. Pelo meio houve uma vitória gorda contra o Gil Vicente que, com todo o respeito, era uma obrigação. Depois disso, o jogo em Alvalade com o Porto: uma partida que podia ter ficado resolvida na primeira parte acabou por significar novo empate. Desta vez, ao contrário do que aconteceu na Luz, o resultado soube a derrota. Não contabilizo o confronto com o Chelsea porque esse resultado era esperado. Ainda assim, os empates com Belenenses, Maribor e Porto podiam ter facilmente significado três vitórias e foram o pior período do Sporting até agora.

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O calendário do Sporting até ao momento e os próximos jogos. A vermelho, os 3 períodos-chave
Fonte: forumscp.com

Passado esse turbulento mês de Setembro, houve um intervalo de tempo em que os leões pareceram estabilizar. Pela primeira vez ganharam dois jogos seguidos para o campeonato (Penafiel e Marítimo), e as quatro partidas disputadas nesse período só não originaram outras tantas vitórias devido à vergonha de Gelsenkirchen. Após os 4-2 com o Marítimo vinha uma prova de fogo: V. Guimarães fora. Nesta altura a evolução da equipa era nítida e, olhando para trás, quem despacha o Porto no Dragão e obriga a UEFA a inventar uma vitória do Schalke também podia perfeitamente ganhar em Guimarães. Porém, não foi o que aconteceu. Num jogo sem dúvida difícil, mas que podia significar o consumar da aproximação ao Benfica – que tinha perdido em Braga na semana anterior – a equipa simplesmente não respondeu, e voltou de novo a uma desvantagem de 6 pontos. Segunda hipótese de retoma, segunda vez que o Sporting falhou. Terá sido por os jogadores já estarem a pensar no jogo em casa com o Schalke? Gostava de dizer que não mas acredito que em parte sim, daí defender que a equipa deve ser mais rodada.

A terceira e, até ver, última vez que o Sporting desperdiçou uma oportunidade de subir a confiança da equipa – quer se queira quer não, e mesmo sabendo que o campeonato não vai ficar assim, olhar para a classificação e ver “8º lugar” afecta bastante, até porque o plantel tem qualidade – foi no jogo contra o Paços de Ferreira. Uma equipa que, pese embora os seus méritos recentes, tinha de ter sido derrotada. Contudo, o Sporting não conseguiu mais do que um empate e o número 8 tornou-se demasiado familiar, representando actualmente tanto o lugar na classificação como a distância pontual para o enfadonho mas eficaz (e já várias vezes amparado na hora H…) Benfica de Jorge Jesus.

Tem havido falta de sorte? Tem. A pouca experiência europeia da espinha dorsal da equipa tem complicado? Sim. A forma como o Sporting defende e a necessidade urgente de um central têm feito a equipa perder pontos? Sim, e de que maneira. Mas, como se costuma dizer, não vale a pena chorar sobre leite derramado. Agora, o que há a fazer é tentar potenciar a equipa ao máximo nos jogos do campeonato, porque são esses que mais interessam. A Europa é um bónus. Claro que contra o Maribor o Sporting deve apresentar a equipa mais competitiva, porque o jogo é decisivo e os jogadores vão estar frescos. Mas as próximas 3 jornadas da Liga (V. Setúbal, Boavista e Moreirense) terão obrigatoriamente de significar 9 pontos. Há que ganhar três jogos seguidos pela primeira vez e, se isso for sinónimo de ir jogar a Stamford Bridge com alguns suplentes, aceito de bom grado.

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Os erros defensivos têm-se sucedido e minado os resultados do Sporting
Imagem retirada do blog Lateral Esquerdo, que aproveito para elogiar

No que toca à Europa não vejo, como já disse, outro cenário que não seja a rotatividade por forma a preservar as hipóteses da equipa no campeonato. Há duas possibilidades: ou o Sporting consegue o apuramento – e aí, sejamos sinceros, o mais natural é fazer apenas mais dois jogos europeus – ou é relegado para a Liga Europa (não concebo a hipótese de ficar em 4º no grupo). Nesse caso, dada a irregularidade que tem marcado os resultados e exibições do Sporting, apostar em atletas com menos minutos será a melhor solução. E, de resto, não é novidade nenhuma: Jorge Jesus tem-no feito com sucesso na segunda competição continental mais importante.

Quanto à opinião de Marco Silva a que já aqui recorri, não há fórmulas mágicas e muito menos sou eu que as tenho. Mas parece-me que, para que aconteça a já falada gestão das vantagens, é necessário que o Sporting entre de forma pressionante desde o primeiro minuto, não deixando o adversário respirar até ao 1-0. É mais fácil na teoria do que na prática, bem sei. Mas o que não pode acontecer é o Sporting oferecer a primeira parte de bandeja, como este ano já fez com Belenenses, V. Guimarães (neste caso foi o jogo todo…) e P. Ferreira.

A solução passará em boa parte pela dinâmica do meio-campo, sector em que é sobretudo William Carvalho quem tem de encontrar maior regularidade nas suas exibições. Dominado o meio-campo já é meio caminho andado para uma vitória, mesmo tendo em conta que 90% das equipas em Portugal se fecham muito e que devemos ser pacientes. Esse domínio terá mais hipóteses de sucesso caso os jogadores estejam frescos. E, para isso, há evitar sobrecarregar física e psicologicamente um grupo jovem. Posto isto, há que recorrer à tal solução que me parece mais imediata: rodar a equipa. E fazê-lo, claro está, na Europa, porque aquilo que os Sportinguistas mais desejam é o campeonato. À excepção da partida com o Chelsea, os próximos cinco jogos (três do campeonato, um da taça e outro da Liga dos Campeões) são para ganhar dê por onde der.

Podcast “Bola na Rede” – A análise à seleção nacional

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No 80.º programa do Bola na Rede, discutem-se os momentos mais marcantes da última semana na atualidade desportiva. O bom momento da seleção nacional e os nomeados à Bola de Ouro para melhor treinador são dois dos focos do programa.

Mário Cagica Oliveira está na moderação e os comentários estão a cargo de Francisco Manuel Reis (FCP), Francisco Vaz Miranda (SLB) e João Almeida Rosa (SCP).

Para ouvirem os restantes podcasts, podem seguir para este link.

Portugal 1–0 Argentina: Um resultado enganador e um “herói improvável”

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Os mais ingénuos poderiam achar que teríamos um jogo animado e com um ritmo elevado; pois bem, como esperado, não foi nada disto que se passou. Aliás, na minha opinião, o único fator de interesse desta partida era mesmo a presença de Ronaldo e Messi, e até esse se perdeu ao intervalo. Mesmo ao cair do pano surgiu um “herói improvável” – Raphael Guerreiro.

Portugal entrou desconcentrado, tal como foi assumido pelo próprio selecionador nacional, e rapidamente a Argentina tomou conta do encontro. O suspeito do costume, Lionel Messi, não tardou a dar sinal de vida aparecendo na cara do guardião português, mas não foi capaz de acertar com o alvo. Os comandados de Fernando Santos tardavam em reagir e só à meia hora de jogo é que Portugal criou a primeira oportunidade de golo, se assim se pode chamar, por intermédio de Cristiano Ronaldo e após cruzamento de Bosingwa. Nesta primeira parte gostaria de destacar Roncaglia e Tiago Gomes. O argentino foi um dos mais ativos, tirou sucessivos cruzamentos com bastante perigo e foi mesmo um dos melhores elementos do conjunto de Tata Martino. Por outro lado, Tiago Gomes esteve catastrófico. O português pareceu nunca acertar com a marcação a Lionel Messi e só não teve consequências de maior devido ao desacerto do craque do Barcelona. Apesar do maior domínio argentino, o jogo chegava ao intervalo empatado.

Como é habitual neste tipo de partidas, os treinadores fizeram algumas mexidas. Cristiano Ronaldo e Lionel Messi acabaram por não sair dos balneários, como aliás seria de esperar. Destaque ainda para a estreia de José Fonte, mais do que justificada. Logo após o reatar da partida, Tiago Gomes lesionou-se e deu lugar à entrada daquele que viria a ser o herói de Old Trafford – Raphael Guerreiro.

Raphael Guerreiro, o herói da noite Fonte: Federação Portuguesa de Futebol
Raphael Guerreiro, o herói da noite
Fonte: Federação Portuguesa de Futebol

Numa segunda parte em que o jogo foi perdendo cada vez mais o seu interesse, o público chegou mesmo a demonstrar a sua insatisfação e Nico Gaitán foi dos poucos que tentaram mexer com o encontro. De realçar apenas que Adrien Silva fez (finalmente!) a sua estreia pela seleção nacional.

Apesar da elevada coesão defensiva, algo que é característico nas equipas de Fernando Santos (recorde-se que Portugal, na era Fernando Santos, só sofreu golos no particular com a França), Portugal apresentou um futebol medíocre. A falta de capacidade de sair em ataque e os problemas de finalização demonstram, sem dúvida, que ainda há um longo caminho a percorrer, mas os resultados não deixam de ser positivos.

A Figura

Raphael Guerreiro – entrou já no decorrer da segunda parte, mas o tempo que esteve em campo bastou para fazer a diferença. Um jovem com muita qualidade e de apenas 20 anos.

O Fora-de-Jogo

Tiago Gomes – acusou sem dúvida a pressão de se estrear pela seleção nacional. Uma noite menos bem conseguida do jogador do Braga.