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Especial Clássico: Sporting 1-1 FC Porto

Sporting e FC Porto defrontaram-se ontem à noite em Alvalade com a perspectiva de se aproximarem do líder Benfica, que joga hoje no Estoril. Os leões entraram muito melhor e chegaram cedo ao golo, por intermédio de Jonathan Silva, e podiam ter ampliado a vantagem numa primeira parte que controlaram. Mas não foram capazes e, no segundo tempo, as mexidas de Lopetegui contribuíram para o FC Porto equilibrar as contas. O auto-golo de Naby Sarr consumou a reacção portista e incomodou um Sporting que foi perdendo gás. Os dragões tiveram uma fase de maior fulgor, mas ambas as equipas podiam ter marcado o segundo golo. No final, deu empate. O Sporting é agora 5º e o FC Porto 2º, ambos à condição. João Sousa, pelo Sporting, e Filipe Coelho, pelo FC Porto, dão-nos a sua perspectiva do encontro.

O Sexto Violino

Sem centrais não haverá muitas vitórias…

Foi uma primeira parte de total domínio do Sporting, literalmente desde o primeiro minuto: ainda havia gente a entrar em Alvalade e já os adeptos leoninos celebravam o golo, por intermédio de um Jonathan Silva que promete ser uma dor de cabeça para o concorrente Jéfferson. Cabeceamento forte e colocado a concluir com êxito uma jogada que começou numa recuperação de bola de Nani a meio-campo (à luz das regras, devia ter havido penálti e expulsão de Danilo por mão na bola, o que deixaria o Porto a jogar com 10 durante 88 minutos).

A desorientação na retaguarda portista foi, aliás, também mérito do Sporting, que entrou mandão e a um ritmo elevado, mantendo-se assim durante os primeiros 20 minutos. Os extremos estavam endiabrados (Nani, com um requinte superior, começou a jogada do golo e foi nesta altura um perigo constante, mas Carrillo também trocou as voltas aos defesas adversários), os laterais apareciam várias vezes a ajudar, a equipa pressionava alto e não deixava o Porto sair a jogar.

No miolo, William parecia estar melhor do que em jogos anteriores mas ainda falhou alguns passes e Adrien não se exibia a um nível exuberante embora cumprisse. Mas era em João Mário que se notava a principal melhoria. Que diferença vê-lo a ele no lugar de André Martins! Tanto a sua qualidade de passe como a rapidez de decisão são superiores às do colega a quem parece ter roubado em definitivo a titularidade. Na frente, Slimani batalhava e criava perigo relativo. Ficou um amarelo por mostrar a Martins Indi num lance em que o argelino teve alguma sorte em não ver outra cor – da mesma forma que Quaresma podia ter sido expulso após pontapear Nani.

O Porto tentou equilibrar nos últimos minutos, mas o Sporting podia ter ido para o intervalo a vencer por 2 ou por 3: João Mário rematou fortíssimo para boa defesa de Fabiano e falhou, minutos depois, um cabeceamento à boca da baliza – isto para além de um tiro de Nani que por azar saiu à figura. O Porto revelava-se apático e quase não apareceu, fruto também de 45 minutos muito dinâmicos do Sporting.

Mas os erros e a inexperiência pagam-se caro. Ao não conseguirem ir para intervalo com mais do que a vantagem mínima, os leões sabiam que o Porto ainda estava completamente dentro do jogo. E os portistas dificilmente desperdiçam tantas ocasiões como aquelas que o Sporting havia esbanjado até então. É aqui que entra o principal motivo pelo qual a equipa de Alvalade não levou os 3 pontos: os centrais voltaram a apresentar-se a um nível inaceitável para um candidato ao título.

jonathan
Jonathan Silva não se intimidou e, na estreia em Alvalade, apontou o seu primeiro golo pela equipa principal do Sporting. Aposta ganha pelo treinador.
Fonte: zerozero.pt

Maurício esteve sofrível sobretudo ao dar muito espaço nas costas e permitir a entrada de bolas longas, mas Sarr fez isso e muito mais: abordou mal uns lances, posicionou-se mal noutros e deixou passar bolas pelo ar, não fazendo jus àquele que seria o seu ponto mais forte. A sua qualidade de passe e as suas tentativas de sair a jogar foram quase sempre risíveis. E nem precisava de ter marcado o auto-golo para ter sido o pior em campo.

Não gosto de apontar o dedo a jogadores nem de particularizar as questões, até porque se trata aqui de um jovem acabado de chegar a Portugal, mas não seria melhor deixar Naby Sarr evoluir durante uns tempos na equipa B até ele se adaptar ao nosso futebol? Para passar de atleta do Lyon B para titular de um grande clube europeu tem de se ser um jogador acima da média. E, até agora, o registo de Sarr não podia andar mais longe desse estatuto.

Depois do auto-golo, o jogo entrou num ritmo mortiço. O Porto conseguiu cedo aquilo que queria, não só devido ao erro de Sarr mas também por causa de um William pouco incisivo tanto no passe como na manobra defensiva e de um Adrien que pareceu não regressar dos balneários. Em suma, o mesmo meio-campo que tinha enchido o terreno na primeira parte estava agora a ver jogar. Isto a juntar a um Nani que também caiu muito e a um Carrillo cheio de garra mas que rebentou cedo, substituído por um Capel que ficou a centímetros de um golo do outro mundo (míssil sem preparação que embateu na barra).

Aos 73 minutos houve uma carga de Alex Sandro sobre Slimani passível de grande penalidade na área do Porto, mas Olegário Benquerença entendeu não marcar. O Sporting só pareceu perder os medos nos últimos 10 minutos, embora o ataque verde-e-branco tenha esmorecido com a saída do argelino. Apesar de o Porto ter tido uma grande oportunidade no início da segunda parte e duas no fim, o Sporting merecia algo mais da partida. Não o conseguiu devido à ineficácia, à inexperiência, à infelicidade e a dois centrais que têm tirado mais pontos à equipa do que aqueles que têm dado. E nada indica que as coisas melhorem caso Marco Silva continue a insistir nesta dupla…

patricio e defesas
Rui Patrício esteve em destaque pelo Sporting, mas mais uma vez Maurício e Sarr não lhe deram a cobertura adequada…
Fonte: zerozero.pt

Cédric (6) – Foi subindo de nível. Viu cedo o amarelo e deixou Tello escapar no primeiro lance da segunda parte mas, fora isso, não esteve mal. E é preciso lembrar que “levou” com o endiabrado Brahimi. No primeiro tempo apareceu algumas vezes a apoiar o ataque. Foi o melhor do quarteto defensivo

Maurício (5) – Exibição insuficiente. Apesar de ter feito alguns cortes importantes, deu muito espaço a Jackson e mostrou intranquilidade. É verdade que jogar com Rojo ao lado dava outra segurança mas, na ausência do argentino, Maurício tem de ser uma firme voz de comando. E isso continua a não acontecer

Jonathan Silva (6) – Não só não acusou a pressão, como apareceu bem a fazer o golo. No melhor período do Sporting ajudou bem os extremos, embora na segunda parte tenha tido algumas dificuldades a defender

William Carvalho (5) – Onde anda o William da época passada? A classe está lá, mas isso não chega para ganhar jogos. Muitas vezes recupera bem a bola mas depois entrega-a mal. Hoje, uma perda de bola sua na segunda parte podia ter valido novo golo ao adversário. Dado o desnorte dos centrais, seria de esperar que William ajudasse mais a fechar e fosse mais rápido a recuperar. Tem de melhorar rápido.

Adrien Silva (4) – Não aguenta mais de 45/50 minutos – muito pouco para um jogo de hora e meia. Raramente fez a diferença, tanto a atacar como a defender. Bem substituído pelo treinador, numa alteração que pecou por tardia.

João Mário (7) – O melhor do meio-campo. Capacidade de decisão, critério no passe e maturidade a abordar o jogo. Não teve uma exibição de encher o olho mas também não se intimidou. Continua a consolidar a sua presença no onze; a diferença em relação a André Martins é abissal. Ainda assim, falhou um golo que não podia falhar.

Carrillo (7) – Muito bom enquanto durou. Foi rápido e imprevisível e até ajudou na defesa. O problema de Carrillo não é a qualidade, mas sim a consistência. Neste início de época tem aparecido a um bom nível de forma regular. O próximo passo é aguentar os 90 minutos.

Nani (6) – Na primeira parte fez a diferença, na segunda escondeu-se e não foi a chave de que o Sporting precisava. Mas o que é preocupante é a equipa também não reagir quando Nani desaparece…

Slimani (6) – Percebe-se a aposta nele contra uma defesa e um meio-campo muito físicos. O argelino bateu-se bem, embora não tenha tido um lance de golo. Nem por sombras tem a qualidade de Jackson ou o virtuosismo de Montero, mas lutou bastante e era isso que se lhe pedia. Saiu e o ataque do Sporting morreu.

Capel (5) – Inconsequente, num jogo que podia ter sido de glória pessoal caso o grande remate que enviou à barra tivesse ido apenas uns centímetros mais abaixo. Tentou agitar o jogo mas esteve sempre muito sozinho.

Montero (-) – A sua entrada fazia sentido, mas talvez para jogar ao lado de Slimani. Foi presa fácil e também não teve minutos suficientes para fazer o que quer que fosse.

Carlos Mané (-) – Fez Nani derivar para o meio, mas talvez tivesse rendido mais caso tivesse sido ele a ocupar essa posição. Seja como for, esteve pouco tempo em campo.

 

A Figura

Rui Patrício (8) – Enorme jogo do capitão! Pode parecer injusto escolher o guarda-redes como figura de um jogo em que o Sporting até foi melhor, mas a verdade é que Patrício salvou a equipa quando esta mais precisou dele. A defesa que fez quando Jackson lhe apareceu isolado vale um golo, e o mesmo se pode dizer do remate em jeito de Herrera. Não merecia ter à frente dois centrais tão aflitivos, porque quase todos os lances de perigo do Porto nasceram de erros da defesa ou do meio-campo leoninos. Carrillo foi outro dos destaques e merece menção honrosa.

O Fora-de-Jogo

Naby Sarr (3) – Já são demasiados pontos perdidos à custa dos centrais. Ou um jogador é craque e justifica a entrada no onze do dia para a noite, ou tem de evoluir na equipa B antes de se assumir como titular. Ainda para mais um jovem contratado para um eixo defensivo que, no ano passado, era o ponto forte da equipa. O auto-golo é um lance de azar, mas nem era preciso isso para Sarr ser de novo o destaque pela negativa. Percebo que Marco Silva não queira queimar um jovem recém-chegado. No entanto, neste momento, a maior hipótese de isso acontecer é continuar a incluí-lo no onze.

João Vasconcelos e Sousa

 

dosaliadosaodragao

 

Uma equipa, duas caras

Preparar um jogo durante toda uma semana, elaborar uma estratégia e fazer com que os jogadores a assimilem é função de Lopetegui. Porém, em Alvalade, toda esta ruiu que nem um castelo de cartas, que nem um passe mal medido de Rúben Neves, que nem uma mancha com mau timing por parte de Fabiano, que nem um golo do improvável Jonathan Silva. Sim, foi logo ao 2º minuto de jogo. Feliz e oportuno, o Sporting apropriou-se da vantagem no marcador para tomar conta da partida, liderar o meio-campo e aplicar os grandes argumentos que tem ao nível do 1×1 nos corredores laterais.

O FC Porto, por sua vez, já sem plano e também sem estratégia, não tinha ideia de como sair da encruzilhada. Foi uma primeira parte penosa do Dragão – amorfo e apático, vazio e imóvel. O meio-campo formado por Casemiro, Rúben Neves e Herrera passou 45’ a ver jogar: sem se conseguir impor, com unidades estáticas e sem ideias, apenas procurando lateralizar jogo e corporizando a ideia já visível de que Lopetegui dá primazia à exploração dos corredores laterais, ao invés da penetração pelo centro do terreno. Neste ponto, aliás, Alvalade foi a prova provada de que Casemiro e Rúben são gémeos na sua forma de jogar: ambos têm excelente capacidade de passe, é certo (embora pouco aproveitada ao nível do passe vertical), mas raramente se conseguem soltar para uma 2ª linha de meio-campo, dando outra profundidade e, sobretudo, criatividade em termos ofensivos.

Mas houve e há outros problemas. Querer carrilar o jogo preferencialmente pelas alas não é, per si, um problema. A questão é que, em Alvalade, Quaresma voltou à titularidade e às exibições sombrias, não logrando nunca desequilibrar e, pior do que isso, perdendo bolas de forma infantil. E há mais: sobretudo na primeira parte, Danilo e Alex Sandro pouco se mostraram em termos ofensivos, ficando, surpreendentemente, no primeiro momento de construção ofensiva, na linha dos defesas centrais, diminuindo ainda mais as hipóteses de um jogo fluido por parte do FC Porto. Por tudo e por isso, o Dragão que esteve na primeira parte em Alvalade foi uma equipa que raramente se soltou (houve sempre Brahimi ou Jackson nos períodos menos maus nesta fase), que pretendia uma construção pausada mas, incoerentemente, sem conseguir oferecer soluções de passe ao portador da bola. Uma equipa sem plano e com pouco mais do que dois remates relativamente perigosos – Rúben Neves e Jackson.

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Herrera voltou a ser protagonista do melhor e do pior.
Fonte: www.maisfutebol.iol.pt

Ao intervalo, Lopetegui fez o óbvio e a equipa melhorou substancialmente. Retirar Rúben Neves e Quaresma para lançar Óliver e Tello fez o FC Porto comparecer ao jogo. Se os primeiros 45’ haviam sido dominados quase integralmente pelo Sporting, o Dragão da segunda parte (do inicio, sobretudo) tomou conta da partida: Óliver e Herrera, cada um no seu estilo, agarraram o meio-campo e viraram o jogo para o lado do FC Porto; Danilo e Alex Sandro tornaram-se mais interventivos ofensivamente; Tello veio dar velocidade e explosão numa das alas; e tudo isto fez com que a equipa se aproximasse de Jackson. Ao mexer nas peças, o treinador espanhol deu um sinal claro do que pretendia e a equipa soube corresponder, imprimindo outra dinâmica no jogo – a equipa passou a virar o centro de jogo de forma mais rápida e assertiva, sempre com a preocupação da largura, mas tendo, agora mais, a potencialidade de penetrar pelo centro e, por isso, dispondo de outras soluções para explorar os pontos fracos da organização defensiva leonina.

Os primeiros 10 minutos da segunda parte foram decisivos para perceber, finalmente, que o FC Porto queria vencer o jogo. Tello, mesmo não tendo sempre o melhor poder de decisão, deu “água pela barba” aos laterais, e foi numa das suas incursões pela direita (após um bonito início de jogada) que endossou a Danilo para este cruzar para o auto-golo de Sarr (56’). De seguida o infortúnio bateu à porta: na disputa de um lance, Casemiro lesionou-se e teve de ceder o lugar a um adaptado Diego Reyes; mais do que isso, esta paragem no jogo serviu para o Sporting se tentar reencontrar e atenuou las ganas da equipa portista. De todo em todo, à excepção de um enormíssimo remate de Capel à barra, foi sempre o FC Porto a dispor das melhores oportunidades de golo: Jackson isolado para defesa de Patricio; jogada de classe de Herrera para enorme defesa do #1 do Sporting; e, finalmente, no canto do cisne, jogada iminente de golo, com Tello a optar pela conclusão individual e a rematar ao lado do poste.

Clássico é clássico e a arbitragem é assunto ao qual não se pode fugir. Slimani colocou as mãos e empurrou Martins Indi mas o juiz preferiu a resolução mais salomónica – apesar da ‘loucura’ do argelino, a decisão aceita-se. Mais complicado será, porém, justificar o lance em que, dentro da área, Maurício corta com a mão um remate de Jackson que se encaminha para a baliza, aos 89’ …

Tudo somado, não tendo sido um grande jogo, foi uma partida com belos momentos de futebol. Com outra clarividência e poder de decisão (no último lance, Tello tem Brahimi no centro completamente isolado e na “cara” do golo), o FC Porto poderia ter vencido a partida. Ainda assim, em função da bela primeira parte do Sporting, o resultado ajusta-se perfeitamente.

FBL - POR - LIGA - SPORTING - PORTO
Oliver revolucionou o futebol portista
Fonte: zerozero.pt

Fabiano (6) – Acaba por ter culpas no lance do golo, na medida em que se sai à bola a destempo. Depois disso, esteve sempre seguro, tranquilo e no caminho do esférico, nunca tremendo (nem mesmo quando teve de jogar com os pés).

Danilo (6) – Jogo em crescendo. Entrou mal, teve dificuldades no 1×1 defensivo (Nani e Carrillo foram diabólicos na primeira parte) mas com o decorrer do jogo foi-se mostrando e incorporando com qualidade no processo ofensivo – esteve na origem do golo portista.

Martins Indi (6) – Um esquerdino a jogar do lado direito do eixo defensivo deve ser praticamente inédito. Não obstante, o holandês demonstrou uma grande personalidade, sendo incisivo sobre Slimani e ganhando muitos lances aéreos ao argelino.

Marcano (8) – Grande exibição do espanhol! Sempre bem posicionado e atento, soube dobrar os companheiros e foi enérgico nas bolas divididas, ganhando-as quase sempre. Além disso, é um central com visão de jogo e qualidade passe, provando as boas indicações que tinha deixado no encontro diante do Boavista.

Alex Sandro (4) – Exibição apagada e complicativa do lateral esquerdo brasileiro. Precipitações, passes incompreensíveis, posicionamento deficitário foram alguns dos erros do #26 portista que, ainda assim, melhorou na 2ª parte.

Casemiro (5) – Performance regular do brasileiro. Na 1ª parte teve de ser bombeiro muitas vezes, acorrendo a diversas incidências – não esteve mal nesse papel mas com bola pouco ou nada acrescentou ao jogo portista. Saiu lesionado aos 60’.

Rúben Neves (4) – Fazer copy-paste da avaliação a Casemiro seria fácil demais … O que é certo é que a sua exibição foi semelhante à do brasileiro, pouco acrescentando ao FC Porto em termos ofensivos. Foi dele o passe errado que deu origem ao golo leonino, num lance em que foi evidente a preocupação de lateralizar o jogo. Por vezes, uma preocupação excessiva. Saiu ao intervalo.

Herrera (7) – Exibição com altos e baixos (mais uma!). Não começou bem mas foi-se soltando com o decorrer do jogo e na segunda parte, em algumas fases, foi o motor da equipa. Tem qualidade técnica, dá profundidade e sabe romper. Porém, continua a ter dificuldades em alguns momentos do jogo, designadamente ao nível do passe e da colocação do corpo. Não fosse Patrício e teria assinado um golo monstruoso.

Brahimi (7) – Na primeira parte só ele e Jackson deram um ar de sua graça. Partindo do flanco esquerdo, tentou levar a equipa para a frente, no seu jeito irrequieto, trazendo muitas dificuldades a Cédric. Porém, esteve sempre desacompanhado. Deu a sensação de que se desgastou demasiado nessa fase, pagando o esforço na segunda parte. De todo em todo, a magia esteve sempre lá.

Jackson (7) – Que qualidade! A forma como, mais uma vez, demonstrou saber segurar a bola e fazer jogar a equipa é deliciosa. Essa capacidade foi ainda mais importante no primeiro tempo quando o Dragão estava demasiado atónito – nessa fase Jackson tentou mas foi inconsequente. Esteve mais em jogo nos segundos 45’ mas sobra a (enorme) frustração de ter falhado um golo cantado.

Tello (7) – Rendeu Quaresma ao intervalo e trouxe muito daquilo que faltava ao FC Porto no último terço do campo – explosão, velocidade e verticalidade. Causou muitos calafrios à defesa sportinguista mas precisa de ser mais inteligente em alguns momentos – foi-o no lance do golo, já não o foi na última jogada da partida onde poderia ter oferecido o golo a Brahimi.

Reyes (6) – Substituiu Casemiro ao minuto 60. Se se pensou que o meio-campo azul e branco estremeceria, puro engano! Habitando a posição do #6 portista, o mexicano entrou muito bem na partida, ocupando muitíssimo bem os espaços e sendo ainda uma bela surpresa ao nível da circulação de bola, demonstrando capacidade de bascular o jogo de forma lesta.

 

A Figura

Óliver (8) – Entrado ao intervalo, revolucionou o jogo da equipa! Assumiu as rédeas do Dragão, surgindo pelo centro do terreno, atrás e à frente, à frente e atrás, oferecendo soluções de passe e mobilidade. Com ele a equipa tornou-se mais dinâmica e rápida, fruto da sua inteligência e capacidade de passe. Para além disso, sabe quando e como pressionar o adversário. Se tivesse jogado desde o inicio …

O Fora-de-Jogo

Quaresma (3) – Exibição risível. Regressar a Alvalade no dia do seu aniversário e depois da estrondosa exibição que lá rubricou a época passada era o quadro ideal – porém, em português corrente, o “Cigano” borrou toda esta pintura. Um remate muito longe do alvo e um cruzamento bem medido para Jackson foi o máximo que conseguiu, depois de um rol de bolas perdidas e de más decisões (e de uma entrada despropositada sobre Nani). Saiu ao intervalo.

Filipe Coelho

Aragón para sentenciar o Mundial

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cab desportos motorizados

A elite da categoria rainha do mundial de motociclismo está de regresso ao asfalto. E desta vez em Aragón, o terceiro Grande Prémio por terras espanholas.

A corrida deste domingo poderá ser um ponto-chave para Marc Marquez. O piloto espanhol da Honda está isolado na liderança do campeonato e uma vitória neste circuito pode ajudar, e muito, a uma segunda vitória no Mundial.

O «miúdo» Marc tem dominado por completo o Mundial de MotoGP 2014, sem grande oposição, quer por parte do seu companheiro de equipa, Dani Pedrosa, quer pelos pilotos da Movistar Yamaha. Aliás, o único erro cometido pelo espanhol foi em Misano, quando lutava com Valentino Rossi pela vitória. Ainda assim, conseguiu pontuar mesmo depois de uma forte queda. E a verdade é que os campeonatos se ganham assim: pontuando em todas as corridas.

Os opositores directos, na tabela classificativa, são o italiano Valentino Rossi e o espanhol Dani Pedrosa. Também não podemos esquecer Jorge Lorenzo, que procura a sua primeira vitória nesta temporada de 2014, depois de já ter registado quatro segundos lugares consecutivos.

O conhecido Il Dottore está motivado, depois da vitória em Misano, diante do seu público. Essa conquista levou-o ao segundo lugar da tabela classificativa. O italiano está determinado em fazer uma boa corrida para esquecer as últimas temporadas ao serviço da Ducati, onde não conseguiu conquistar qualquer título e onde teve bastantes dificuldades em competir com os seus rivais. Mas a sua M1, a sua amada máquina, levou-o, de novo, rumo à glória. Como que a provar que os campeões natos não morrem. E o veterano mostrou isso na última corrida, em Misano.

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Valentino Rossi, Marc Marquez, Dani Pedrosa e Jorge Lorenzo competem em Aragón por uma vitória que lhes permita sonhar com o título de campeão. Quem levará a melhor?
Fonte: sportrider.com

Já Dani Pedrosa, companheiro de equipa de Marc Marquez, ocupa o terceiro lugar com menos um ponto do que Il Dottore e ainda procura atingir os resultados de outros tempos. Não terá a tarefa facilitada pelo italiano, pois este quer conquistar o segundo lugar do campeonato.

Jorge Lorenzo ainda procura conseguir alcançar a sua primeira vitória no campeonato de 2014. O espanhol tem proporcionado grandes disputas pela vitória com Marc Marquez, mas acaba sempre derrotado pelo piloto na Honda, que não tem facilitado na hora de sentenciar a corrida, aproveitando os pontos mais fracos dos seus adversários, sejam eles a nível mecânico, ou a nível de pilotagem em pontos-chave de cada circuito. Marc tem sido um «osso duro de roer» e a sua actual classificação é a prova disso mesmo.

À semelhança do Grande Prémio de San Marino, também em Aragón se espera um número elevado de espectadores, mas desta vez espanhóis, para apoiarem os seus pilotos. O que poderá ser um importante factor na hora da decisão.

Os pilotos espanhóis esperam alegrar o seu público com uma corrida cheia de lutas e de adrenalina, porque essa é a verdadeira essência da classe rainha do Mundial de motociclismo.

Será que Marc Marquez vai conseguir dar um importante passo rumo à conquista do título mundial? Ou será que os seus opositores não lhe vão facilitar a tarefa? Os dados estão lançados e só nos resta esperar pela bandeirada de xadrez, no próximo domingo, pouco tempo depois das 14h00.

Lopetegui e a rotatividade

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As rotatividade imposta por Lopetegui é um assunto que está na ordem do dia! Os adeptos mais atentos discutem em torno desta temática e, muitas vezes, se tem interrogado sobre se este será o caminho a seguir, face aos “altos e baixos” que o FC Porto tem enfrentado. Quer no futebol, quer na maioria das outras modalidades desportivas, a rotatividade sempre foi um assunto muito polémico. Com um plantel constituído por mais de duas dezemas de jogadores, o treinador tem muitas vezes dificuldade em pôr em prática a rotatividade. Se é facto que para muitas equipas de futebol não existem alternativas que permitam manter o onze inicial com a mesma força, por outro lado há equipas com jogadores excepcionais.

No FC Porto assistiu-se a essa “viragem da moeda”, substituindo o plantel descompensado da época passada por um conjunto de jogadores com qualidade técnica e táctica que há muito tempo não se via. A maioria dos jogadores não está habituada ao lugar de suplente e, com um leque tão grande de alternativas, não espanta que Lopetegui tenha usado e abusado da rotatividade. Todavia, se a alternância de jogadores é importante para manter o plantel fresco ao longo da temporada, a base de uma equipa é ainda mais fulcral para garantir a sua estabilidade. Neste aspecto, Lopetegui tem tido dificuldades.

Olhemos aos primeiros cinco encontros do campeonato: à 2ª jornada, Lopetegui mudou cinco jogadores comparativamente com o onze utilizado na primeira (com a entrada de Ricardo, Evandro, Adrián, Casemiro e Tello). À 3ª jornada, o onze voltou a sofrer cinco alterações (desta vez com a entrada de Angel, Brahimi, Quaresma, Ólivier e Danilo). Já na jornada seguinte, o número de alterações foi inferior: apenas alterou três jogadores (Ruben Neves, Quintero e Herrera) comparativamente com a terceira jornada. Na última jornada, Lopetegui efetuou quatro alterações (Andrés Fernandez, Marcano, Evandro e Tello). Deste conjunto de jogadores, apenas Maicon, o patrão da defesa, Brahimi, que é cada vez mais a estrela atual do clube e Jackson, capitão e melhor marcador, mantiverem o seu lugar no onze inicial.

Jackson tem assumido a braçadeira e a titularidade  Fonte: fcporto.pt
Jackson tem assumido a braçadeira de capitão e a titularidade absoluta
Fonte: fcporto.pt

Sem dúvida que este Porto versão 2014/2015 tem alternativas para todas as posições; porém a questão que se coloca é se a constante alternância de jogadores permitirá ao clube construir uma base em que estes estejam completamente entrosados! Esta lacuna é cada vez mais notória, dado que os resultados do clube têm oscilado entre os melhores possíveis, como se verificou no jogo contra BATE Borisov para a Liga Milionária, e os menos expectáveis, como contra o Vitória de Guimarães e o Boavista.

A verdade é que, independentemente do onze inicial, Lopetegui tem apostado no mesmo sistema táctico, existindo, deste modo, uma necessidade adaptativa dos jogadores, uma vez que vão ocupando diferentes posições no campo. Se o jogo pede maior contenção, jogam Casemiro e Ruben Neves (a 8 e 6). Por outro lado, se é necessário uma maior profundidade ofensiva, atua apenas um destes jogadores na posição 6 e entra Herrera no onze Herrera. Ademais, se o Porto quer assumir o jogo, Brahimi joga na posição 10 e são colocados dois extremos abertos (Adrian, Tello, Quaresma). Ao invés, se o jogo pede maior contenção e cautela, Brahimi passa atuar numa das alas como falso extremo. Estes são apenas alguns exemplos da versatilidade de vários atletas do plantel (outros seriam Ólivier ou Quintero).

Sumariando, é inegável que o Porto possui muitas alternativas, mas, ainda que não se possa considerar um onze como definitivo, é necessário a criação de um onze-base e adaptar a rotatividade. Garantir a consistência da equipa é uma urgência, sendo este facto ainda mais preocupante, quando o Porto tem um dos melhores planteis dos últimos anos! Resta-nos esperar que Lopetegui mude a sua opinião e que o onze principal seja em breve apresentado aos adeptos!

FSV Mainz 05: Um Início Prometedor

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Os inícios de época trazem sempre surpresas agradáveis e, este ano, a Bundesliga não é excepção. O Mainz é uma das equipas que vai beijando o topo da tabela com um futebol positivo, sendo acompanhada de perto por outra novidade, o recém-chegado Paderborn. O início tremido dos denominados grandes é a principal razão para o estranho desenho classificativo.

A equipa alemã nem é nova nestas andanças, já que em 2010/2011 igualou o melhor arranque da história, conseguindo umas assinaláveis sete rondas seguidas a vencer. Esse ano foi pródigo em acontecimentos memoráveis, já que o clube conquistou a melhor classificação de sempre, obtendo o 5.º lugar. Nessa equipa despontavam dois valores emergentes, André Schürrle e Lewis Holtby. O primeiro acabou por corresponder às expectativas e vai brilhando por Terras de Sua Majestade mesmo não sendo titular; o segundo tenta provar o seu real valor e está emprestado ao Hamburgo pelo Tottenham.

Agora as estrelas são outras e a principal vem da Terra do Sol Nascente: Shinji Okazaki. O avançado está a destacar-se e é de momento o melhor marcador do campeonato alemão, tendo marcado cinco golos em igual número de jogos. O japonês não é um novato mas parece que a maturidade que atingiu o tem ajudado a consolidar as suas qualidades e a aguçar-lhe o instinto matador.

Okazaki é o principal destaque do Mainz neste início de época  Fonte: mainz05.de
Okazaki é o principal destaque do Mainz neste início de época
Fonte: mainz05.de

O jogador tem estado bem acompanhado e no meio-campo vai florescendo uma jovem promessa: Johannes Geis. O jovem alemão tem características interessantíssimas, aliando índices altos de recuperação de bola com uma visão de jogo acima da média – cinco assistências na época transacta -, que fazem dele um protótipo perfeito do médio-defensivo moderno. A este juntam-se a capacidade física de Gonzalo Jara e de Junior Diaz, jogadores que estiveram muito activos nas fantásticas campanhas das suas selecções no Mundial do Brasil, e a juventude e a irreverência de extremos como Jonas Hofmann, aposta de Jürgen Klopp no Borussia Dortmund, e Jairo Samperio, internacional sub-21 espanhol que chegou do Sevilha.

Durante este defeso, o Mainz até foi bastante falado por terras lusitanas, devido ao interesse assolapado do Benfica pelo guardião Loris Karius, um dos pilares defensivos da equipa. E não ficaram por aí as ligações entre Portugal e Alemanha: Filip Djuricic, craque sérvio, foi emprestado pelos encarnados e espera-se que volte à forma que levou vários grandes europeus a cobiçá-lo. No entanto, tem sido frequente vê-lo a saltar do banco e não parece que vá ter tarefa fácil na luta pela titularidade.

A equipa de Kasper Hjulmand, inexperiente treinador dinamarquês e estreante na Bundesliga, tem vindo a fazer um trabalho interessante e os resultados, para já, são positivos. O tempo ditará o destino do clube e veremos se temos surpresa ou mais um mero acaso.

D’Artagnan, o vencedor

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paixaovermelha

Gosto de vencedores. Há qualquer coisa nos vencedores que, de facto, me fascina. Suponho que seja aquela sensação de grandeza, de triunfo e glória. Sim, sem dúvida que é isso.

Mas ganhar também faz mal. Há vencedores a quem o êxito deturpa a visão, baralha o intelecto e, pior, enche em demasia o ego, como um rio que transborda água.

Num nível de vencedores distinto, para o qual ainda não consegui encontrar classificação, há José Mourinho. O grande vencedor. O mítico. O único. O Special One.

O ‘Zé”, mais do que ninguém, gosta (um eufemismo, claro) de ganhar. Se o ego de Mourinho fosse um rio, o Nilo não seria suficiente para tanta água. Mas, pelo menos (e como justificativa), tem razões para isso. Foram tantas as vitórias que seria preciso um texto à parte para as enumerar.

Depois, ainda longe desse nível de vencedores para o qual não encontro classificação, mas ainda assim já com todos os defeitos e virtudes (principalmente humanas), há Jorge Jesus.

Ora, o meu querido JJ, sendo um excelente treinador, não tem, infelizmente, uma elevada capacidade de articulação no seu discurso, e é, muitas vezes, alvo de chacota por dar vários pontapés na gramática. Certamente que se o leitor for afeto ao Benfica não verá nisto uma descomunal falha técnica que incapacite JJ de alcançar o sucesso.

Por falar novamente em sucesso, Jorge Jesus tem, um pouco à imagem de Mourinho, um “ego especial”. E tal como o treinador do Chelsea, Jorge Jesus não sente um grande apelo pelo partilhar da glória, exceto, claro está, com os seus jogadores.

A relação entre Jorge Jesus e José Mourinho já teve melhores dias Fonte: Reuters
A relação entre Jorge Jesus e José Mourinho já teve melhores dias
Fonte: Reuters

A história de sucesso do D’Artagnan aka Talisca conta-se em quatro atos. No primeiro, Mourinho elogia a qualidade de Talisca e afirma que o jogador brasileiro era seguido por vários clubes ingleses. No segundo ato, Jorge Jesus ridiculariza e põe em questão as afirmações de Mourinho (sobre o scouting dos clubes ingleses), reclamando para si todo o crédito da descoberta do ex-jogador do Bahia. No penúltimo ato, Mourinho ataca furtivamente Jorge Jesus, utilizando a ironia fácil, realçando as lacunas gramaticais do treinador do Benfica e, como se não bastasse, distinguindo a perfeição do seu português – ah, Zé, como te enganas, como te enganas! No último, e menos excitante ato, Jorge Jesus mete água na fervura (talvez pressionado pela direção do Benfica) e destaca a boa relação que sempre teve com o “treinador especial”.

Sobre Jorge Jesus, surpreende-me apenas (com mesmo muita estupefação) que pense que nenhum clube inglês tenha, no seu departamento de scouting, uma avaliação sobre o Talisca. Querer gabar-se de o ter contratado, de o ter lançado e de (quem sabe) fazer dele jogador é legítimo. Achar que nenhum clube inglês conhecia Talisca é estupidamente incrível.

Sobre Mourinho, desenfeitiça-me a facilidade com que desce de nível (aquele nível que eu não consigo classificar) e perde toda a classe. Como é óbvio, Mourinho mantém-se fiel a si mesmo: gosta tanto de ganhar como de fazer inimigos (e não, não falo de clubes). Por último, e não menos importante, sugiro que (re)vejam a última entrevista de José Mourinho à TVI, que, garanto-vos, não está isenta de erros gramaticais. Certamente não tão dramáticos como “bode respiratório” ou “assunto do forno interno”, mas que lá estão, estão.

Não se atira pedras assim, Zé, diria, certamente, Dumas.

Nunca irei descurar a importância da gramática, seja no futebol, na literatura ou na medicina, mas, aos dois, deixo um humilde conselho: limitem-se a vencer.

Os Estrangeiros do Brasileirão

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Apesar de distante da Europa, o Campeonato Brasileiro tem conseguido atrair uma boa percentagem de jogadores estrangeiros, ainda mais com a crise econômica dos países vizinhos. Entre os melhores jogadores em atuação no Brasil, os ditos ‘gringos’ ocupam boa parte desse seleto grupo. Curiosamente, as posições nas quais os forasteiros aqui no Brasil se destacam sofrem de uma safra insuficiente a nível nacional, como pode ser notado na própria seleção canarinha, avaliando os diversos jogadores testados na função de armação e comando do ataque.

Com a decadência técnica e de produção de jogadores, os clubes tupiniquins vão cada vez mais aderindo ao mercado estrangeiro, principalmente latino. Em sua maioria, os jogadores importados são armadores e atacantes, provenientes da Argentina, Uruguai, Colômbia e outros. Apesar desse mercado forte entre Brasil e América do Sul, normalmente os estrangeiros de maior destaque chegam da Europa, mas normalmente passam por outras experiências antes de se consolidarem.

Exemplo disso está no Sport Club Internacional, que trouxe Andrés D’Alessandro do Zaragoza e, mais recentemente, Charles Aranguiz da Udinese. D’Alessandro, que na Argentina foi mais um ‘novo Maradona’, encontrou seu auge no Brasil, mais precisamente em Porto Alegre. Contratado em 2008, até hoje permanece como um dos principais ‘camisas dez’ do futebol brasileiro. D’Alessandro é um armador clássico, com passe refinado, drible apurado e muita entrega, apesar de algumas decaídas ao longo de uma temporada tão longa.

D'Alessandro e Aranguiz são peças-chave no Internacional  Fonte: UOL
D’Alessandro e Aranguiz são peças-chave no Internacional
Fonte: UOL

Esse ano recebeu uma agradável parceria: Charles Aranguiz. O meia chileno é um excelente exemplo do futebol moderno, atuando de área a área, ocupando diversas funções e com bom refino técnico, como mostram as assistências precisas e a boa presença ofensiva. O próprio Aranguiz disse ao site da FIFA que não sabe definir sua função, que não tem capacidade de se posicionar, sendo assim um jogador onipresente e impactante no sistema de jogo do Internacional.

Seguimos no Rio Grande do Sul, onde o maior destaque do Grêmio FBPA é o atacante argentino Hernán Barcos. Ingressou no futebol brasuca atráves do Palmeiras, vindo da LDU Quito. Negociado a preço de ouro pelo Grêmio, Barcos já faz parte da história do tricolor gaúcho, sendo o maior artilheiro estrangeiro do clube. É um atacante com excelente poder de conclusão, habilidoso no drible curto, com excelente domínio e qualidade de passe, qualidades que compensam sua falta de força e lentidão. Recebia fortes críticas por não ficar na área; porém, isso mudou com a chegada de Luiz Felipe Scolari. Barcos só realiza tarefas fora de seu habitat esporadicamente, e sua participação atualmente se remete muito mais para finalizar e criar jogadas próximos do gol adversário. Tem sido decisivo na magra e econômica campanha gremista, com marcas que lhe garantem a vice-artilharia do Brasileirão, com 10 gols.

Hernán Barcos é capitão do Grêmio e ídolo da torcida  Fonte: Lancenet
Hernán Barcos é capitão do Grêmio e ídolo da torcida do time de Porto Alegre
Fonte: Lancenet

Subindo o Brasil, no pragmático e medroso Corinthians, Paolo Guerrero é um dos grandes responsáveis pelo alvinegro paulista ainda estar na zona de classificação para a Libertadores, mesmo que a equipe venha tendo um desempenho questionável. O peruano foi contratado pelo Corinthians após doze anos na Alemanha para alterar a formatação do time, que logo viria a disputar o Mundial, sendo Guerrero o autor do gol do título. Paolo Guerrero é um atacante com várias qualidades, com bom poder de finalização, móbil, forte e de muita entrega. Originalmente, é centro-avante, mas vem fazendo um importante papel pelo lado esquerdo do ataque, produzindo várias jogadas para o time e para si mesmo, usando suas boas referências físicas. Sem seu atacante principal, que é um selecionável da seleção peruana, o Corinthians tende a cair e perder fôlego em suas metas no Campeonato Brasileiro.

Terminando a lista dos estrangeiros de mais destaque, Darío Conca. Em sua primeira passagem pelo Fluminense teve muito sucesso e foi negociado com o Guangzhou Evergrande, do futebol chinês. De volta, Conca mantém intactas suas principais características, que o notabilizam como um dos principais armadores do futebol brasileiro. Outro argentino, outro ‘camisa dez’ clássico, mas com um perfil diferente. Tem entrega, mas também muita disciplina. Nunca tem contusões e está sempre disponível – a prova disso é que jogou todos os jogos na campanha do título brasileiro em 2010. Conca tem um grande refino técnico, tem habilidade para encarar marcadores fortes e uma grande visão para descobrir espaços nas defesas adversárias. Muito se discute sobre a formação do Fluminense, sobre a utilidade de Fred e suas tarefas, sobre se deve jogar com volantes de marcação ou não, mas Conca não se discute – é sempre certa sua presença.

Dario Conca regressou ao Fluminense depois de uma lucrativa passagem pela China  Fonte: statspes.blogspot.com
Darío Conca regressou ao Fluminense depois de uma lucrativa passagem pela China
Fonte: statspes.blogspot.com

É importante mencionar outros estrangeiros que acrescentam qualidade ao Brasileirão. Um deles é Marcelo Moreno, do líder Cruzeiro, que vive uma grande fase. É o artilheiro do Campeonato e tem um encaixe perfeito ao estilo do clube celeste, que explora muito bolas aéreas. De resto, não dá para não destacar o Velez Sarsfield, grande fornecedor de bons jogadores para o Campeonato Brasileiro, como Héctor Canteros, meio-campista que chegou ao Flamengo com status de salvador e que é um dos pilares do conjunto que esteve na última colocação e que hoje ocupa a metade da tabela. Aliando sua intensidade na marcação ao seu passe refinado e visão de jogo, Canteros tem sido fundamental para o Fla. Apesar de estar na zona de rebaixamento, também o Palmeiras recebeu uma boa herança da equipa de Ricardo Gareca – Augustín Allione, de apenas 19 anos, é um articulador versátil e moderno. Na Série B, destaque para Martín Silva, goleiro vice-campeão da América em 2013 com o Olímpia, que vem sendo uma das poucas referências do Vasco da Gama, gigante brasileiro em decadência.

Reiterando, o Brasil não produz mais jogadores como antigamente, o que aumenta o volume de atletas estrangeiros. Mas a presença de estrangeiros não é algo novo: o mercado sul-americano sempre teve espaço e, com a diferença do poder de aquisição dos clubes brasileiros em relação aos demais latinos, o Brasil é um mercado cada vez mais atrativo e dominante na America do Sul.

120 minutos que mudam um campeonato

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21 de setembro de 2014. É por dias como este que adoro desporto; é por dias como este que adoro Fórmula 1. Singapura, iluminação artificial e emoção. Muita emoção. Tanta que levou mesmo a que a corrida fosse ‘fechada’ com o cronómetro ao invés das voltas previstas. No final, Lewis Hamilton subiu ao lugar mais alto do pódio e festejou um regresso à primeira  posição do campeonato já dado como impossível por muitos.

“O Lewis vale o dinheiro que nos custou”, afirmou o eterno Niki Lauda após a corrida. E este desabafo repentino e honesto resume o dia. Resume aliás o fim-de-semana e, até agora, a época. Em cento e vinte minutos, Nico Rosberg viu a vida andar para trás enquanto o seu companheiro de equipa lhe ‘roubava’ o estatuto de líder. De confusões entre colegas de equipa a desastres mundamentais, o Mundial de 2014 resume-se a apenas uma equipa mas nem por isso deixa de ser emotivo. Engane-se (e arrependa-se) quem o diga.

Há dias assim — dias de loucos. Aquele foi um deles. Já no dia anterior ficaram lançadas achas para a fogueira com o britânico a terminar com a pole position graças a uma vantagem de, imagine-se… sete centésimos de segundo para Nico Rosberg, o seu colega de equipa! No entanto, o destaque do fim-de-semana vai mesmo para domingo, quando logo no início Rosberg foi forçado a desistir da corrida devido a falhas técnicas no carro.

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Lewis Hamilton festeja fim-de-semana ‘de loucos’ e de carácter decisivo

Nada estava ganho. Longe disso. Lewis saíra com a pole, sim, mas tinha ainda pela frente cerca de cinquenta voltas. Cinquenta voltas que se viriam a revelar emocionantes (não só lá na frente) e talvez decisivas. Ainda perdeu a liderança para Vettel numa ida às boxes — que, aliás, permitiu ao alemão, tetracampeão em título, liderar pela primeira vez neste campeonato(!), mas por pouco tempo. Segundos depois, lá estava o Mercedes de Hamilton com uma velocidade de ponta inalcançável a ultrapassá-lo rumo a mais uma vitória.

Elegante, autoritário, histórico. Esta foi a corrida de Lewis Hamilton. Pelo que fez, pelo que aconteceu, pelo impacto que pode ter tido. Numa época em que apenas três pilotos conheceram o sabor da vitória (Daniel Ricciardo por três vezes, Nico Rosberg em quatro corridas e, por fim, Lewis Hamilton em sete fins-de-semana) nem tudo tem sido fácil. A Mercedes lidera desde sempre o mundial de construtores e é praticamente campeã; provável é também que um dos seus pilotos venha a vencer o campeonato (o australiano da Red Bull está a 57 pontos do alemão), mas os problemas na própria equipa alemã estiveram várias vezes presentes.

Hamilton e Rosberg discutiram, foram um contra o outro e viram-se a abandonar as provas por diversas vezes. A rivalidade não passa despercebida a ninguém, os problemas também não e a Mercedes chegou mesmo a recorrer ao Twitter para tentar ultrapassar a situação da melhor forma – ao gosto da maioria. Fruto da exímia condução, Hamilton (campeão em 2008) lidera hoje o Campeonato de Fórmula 1. Era impensável há duas corridas, quando na Bélgica abandonara o Grande Prémio. Mas desta vez o impensável aconteceu. O impensável aconteceu e poderá ter sido decisivo na competição. Para já, mudou e relançou o mundial.

Newcastle: Qualidade a mais para lutar pela manutenção

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A Premier League é um campeonato altamente imprevisível, mas poucos esperariam que o Newcastle fosse o último classificado após 5 jornadas disputadas. Os magpies, que ainda não venceram qualquer encontro, somam apenas 3 pontos e têm apresentado um nível de jogo bastante aquém do desejável. Tendo em conta que o plantel tem qualidade para ficar tranquilamente na primeira metade da tabela, terão de ser atribuídas responsabilidades a Alan Pardew. O treinador inglês não tem sabido responder à sequência de maus resultados (venceu apenas 1 dos últimos 13 encontros) e, numa fase em que os adeptos já pedem a sua demissão, não deve permanecer por muito mais tempo no comando técnico da equipa (mantê-lo no cargo é apenas adiar o inevitável).

Pardew é treinador do Newcastle desde 2010/11, ano em que o clube regressou à Premier League. Conseguiu manter os magpies na primeira divisão nessa temporada e, na época seguinte, alcançou um brilhante quinto lugar. Como prémio por esse resultado, a direcção do clube decidiu dar-lhe um contrato de 8 anos (até 2020), algo pouco habitual no futebol moderno. O voto de confiança não teve o efeito que os responsáveis do clube inglês esperavam, pois desde então os resultados têm ido de mal a pior. Pardew parece estar acomodado no cargo e já não tem capacidade para motivar os jogadores.

Falta de qualidade individual não é, de todo, a explicação para o facto de o Newcastle ainda não ter conseguido vencer na Premier League. O plantel, que já tinha nomes como Krul, Sissoko ou Papiss Cissé, recebeu um lote de reforços de imensa categoria: Daryl Janmaat, Jack Colback, Rémy Cabella, Siem de Jong, Emmanuel Rivière e Ayoze Pérez, avançado que brilhou na segunda liga espanhola. O lateral direito holandês, que já merecia experimentar outro campeonato, chegou para colmatar a saída de Debuchy para o Arsenal; o médio ex-Sunderland, já com bastante estatuto no futebol inglês, está a desempenhar o mesmo papel que pertencia a Cabaye; Cabella, claramente a grande contratação dos magpies para esta temporada, é um craque (criativo e com muita qualidade técnica) e tem tudo para ser uma das figuras da equipa; de Jong, a eterna promessa do Ajax, não atingiu o nível que se esperava mas é um jogador com bastante qualidade; e Emmanuel Rivière, que veio ocupar a vaga deixada em aberto por Rémy, foi a referência ofensiva do Mónaco (destacou-se mais do que Falcao) na primeira metade da última temporada. Em suma, a abordagem ao mercado foi excelente e permitiu colmatar da melhor forma a saída de alguns jogadores preponderantes, mas para já os resultados não estão a ser positivos.

Papiss Cissé deverá voltar a assumir-se como a referência do ataque  Fonte: BBC
Papiss Cissé deverá voltar a assumir-se como a referência do ataque
Fonte: BBC

Quem poderá ser fundamental para que o Newcastle consiga sair desta situação complicada é Papiss Cissé. O senegalês, que não jogava desde Abril, bisou no empate frente ao Hull e, apesar de ter feito apenas 15 jogos na última temporada, continua a ser a principal referência ofensiva dos magpies. O goleador deve ganhar a titularidade na frente de ataque, relegando Rivière, que vem sendo opção inicial, para o banco de suplentes. Ayoze Pérez, que chegou a ser associado ao Porto, apenas deverá ter oportunidades nas Taças.

Ainda falta muito campeonato e, pelo menos por enquanto, é impensável que o Newcastle volte a descer de divisão. A equipa ainda tem margem para entrar nos eixos, mas não é crível que Alan Pardew seja o homem certo para fazer com que os magpies voltem ao lugar que merecem. O resultado final desta época dependerá da rapidez da decisão dos dirigentes do clube inglês. Se resolverem evitar ao máximo o despedimento do actual técnico, não deverão aspirar a mais do que a luta pela manutenção; caso substituam o treinador no imediato (ou, pelo menos, num futuro próximo), terão condições para conseguir, no mínimo, um lugar na primeira metade da tabela.

João Sousa: um ano depois, que balanço?

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cab ténis

Foi por esta altura que há um ano João Sousa venceu o título do ATP 250 de Kuala Lumpur, primeiro título ATP conquistado por um português. Há poucas horas, foi eliminado na 1.ª ronda do mesmo torneio. Terá sido um ano positivo para o tenista vimaranense? Será que consegue alcançar top 20 mundial?

Depois de uma época de sonho impunha-se ao português que desse continuidade aos excelentes resultados. A verdade é que o ano não começou da melhor maneira e o primeiro resultado digno de registo só apareceu no ATP 500 do Rio de Janeiro, onde apenas perdeu para Rafael Nadal nos quartos-de-final. Depois disso teve boas prestações nos torneios de Acapulco, Indian Wells e Miami. Contudo, a pior fase da temporada chegou e João Sousa somou oito derrotas consecutivas.

A passagem da terra batida para a mini-temporada de relva fez bem ao português, que alcançou a segunda ronda em Halle e ainda “roubou” um set a Roger Federer. Na semana seguinte, confirmou a boa forma apresentada no torneio alemão e chegou às meias-finais no Topshelf Open. Em Wimbledon perdeu apenas para o suíço Stanislas Wawrinka.

O torneio de Bastad marcou o regresso de João Sousa a finais de torneios ATP: perdeu para um super Pablo Cuevas. No verão norte-americano, o português não apresenta quaisquer resultados dignos de registo, exceção feita aos torneios de Cincinnati e ao US Open, onde atingiu a segunda ronda. Por último, a final atingida em Metz representa um enorme alívio para ele, uma vez que tem bastantes pontos a defender até ao final da temporada.

Só David Goffin conseguiu parar João Sousa em Metz  Fonte: atpworldtour.com
Só David Goffin conseguiu parar João Sousa em Metz
Fonte: atpworldtour.com

Na minha opinião, foi um ano muito positivo para João Sousa. Os resultados obtidos representam a afirmação do tenista luso no mundo do ténis. Mesmo que desça uns lugares no ranking por causa da derrota de hoje, isso não mancha a excelente temporada que tem vindo a realizar. Penso que podemos esperar coisas muito positivas no futuro e que o top 30 é um objetivo realista para João Sousa e Frederico Marques. Traçar objetivos como o top 20 ou mesmo o top 10 é demasiado prematuro.

Concluindo, podemos e devemos estar orgulhosos de João Sousa. Mas o português ainda pode melhorar: com um maior controlo mental nos encontros surgirá uma maior regularidade nos resultados ao longo da temporada, o pode levar o vimaranense a voos mais altos.

O ténis português vive os seus dias áureos. Esperemos que assim continue.

O relvado do Dragão

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amarazul

Ser portista faz-me ter orgulho em várias (muitas, vá lá) coisas. O relvado do (lindo) Estádio do Dragão é uma delas e afirmo-o poucas horas depois de termos testemunhado histórica (e admirável) recuperação. Os parêntesis são propositados, sim – perdoem-me mas falar de Porto nestes aspectos torna-se impossível se não elogiar tudo o que temos de bom.

Sol de manhã, chuva e trovoada à noite. Perdão, tempestade à noite. E que tempestade! O que os céus preservaram para uma noite de jogo no Dragão é difícil de explicar e ainda mais de compreender – sobretudo se não se tiver testemunhado.

Não há relvado mais bonito em Portugal; não há relvado mais bonito na Península Ibérica e, se houver outro tão bonito quanto o nosso em toda a Europa… Não passa disso mesmo. ‘Tão bonito quanto’. E aqui é importante destacar que o relvado do Estádio do Dragão não é apenas bonito. Brilha, sim, e é bem ‘verdinho’. Mas mais do que isso, aguenta. Aguenta de tudo: equipas indesejadas e, sobretudo e como hoje aqui vos falo, temporais.

Todo o tipo de temporais e como mais nenhum. Segue a resistência implacável da estrutura do estádio. Está comprometido com os adeptos e não os quer desiludir. Suporta todas as gotas de chuva, todas as quedas de granizo, todos os jogos que lá são disputados em noites menos desejadas.

O relvado do Estádio do Dragão enche-me de orgulho. Fá-lo sempre que ligo a televisão e o vejo, verde e a brilhar; fá-lo quando vejo um outro jogo e lamento – com tristeza mais do que tudo, acreditem – que não sejam todos assim; fá-lo sempre que olho para um outro qualquer relvado. O relvado do Dragão faz-me dizer com orgulho que sou portista.