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366 Novos Dias, 366 Novas Oportunidades

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Para o Sporting CP, o novo ano traz na sua agenda eventos desportivos que têm (ou deviam ter) especial interesse, pois, apesar de tudo, continua a ser um dos clubes que mais atletas fornece para os anais da história olímpica nacional.

A verdade é que contámos as badaladas e iniciámos um novo ano, como aliás (se tudo correr bem), acontece todos os anos… Mas 2020 não é um ano qualquer.

É um ano bissexto e, como em todos (se tudo correr de acordo com o previsto), é ano de Jogos Olímpicos e de Campeonato da Europa de Futebol. É de quatro em quatro anos que os países ficam de olhos postos nos seus ecrãs para ver os seus conterrâneos a disputar medalhas olímpicas e, para Portugal, este ano, reside a esperança de uma prestação no Campeonato da Europa tão boa quanto a de 2016…

No entanto, para além das competições multidesportivas internacionais ou do próprio Campeonato da Europa, este ano, que inicia também uma nova década, deverá ser visto como uma oportunidade de desenvolvimento do Desporto Nacional.

É tempo de colocar na agenda o desporto como parte incomensurável da cultura nacional, garantido a projeção das valências portuguesas em todas as modalidades desportivas, impondo ao país um modelo estruturado que permita às novas gerações uma melhor perceção sobre o que é o desporto. É tempo de olhar para os modelos desportivos praticados noutras latitudes e recolher dos bons exemplos uma forma de acompanhar os sinais de desenvolvimento nas mais diferentes vertentes, sobretudo a tecnológica.

Ano novo, recomeço também para o Desporto
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Nesta década que se inicia, o Desporto vai confrontar-se com antigos e novos desafios, que porão em debate o seu próprio conceito.

No campo dos antigos desafios, o desporto e os seus agentes ter-se-ão de unir na procura e implementação de soluções para a proteção da sua integridade, arredando dos seus palcos todos os que do mesmo se aproveitam para atingir fins ilegais. Na vertente dos novos desafios, o Desporto será chamado, também ele, a adaptar-se à nova realidade tecnológica e ao rápido desenvolvimento internacional de novas modalidades: seja pela multiplicação de disciplinas desportivas, seja pela introdução de mecanismos tecnológicos na sua prática, seja pelo debate não mais adiável da afirmação dos jogos eletrónicos (e-sports) no panorama nacional e internacional.

Nos próximos dez anos, arriscamo-nos a dizer que o desporto sofrerá, positivamente, de um desenvolvimento nunca antes visto. Na senda dos passos que têm sido dados internacionalmente, o país precisa de abraçar esta nova década com vontade de se colocar a par com o que de melhor lá fora se pratica, sobretudo, na construção e valorização social de um modelo desportivo sustentável, equilibrado e reconhecedor do esforço hercúleo de todos os seus agentes. É um novo ano, como todos os outros, mas é 2020 e, por isso, o início de uma nova década, na qual valerá a pena presenciarmos a evolução e, acima de tudo, participarmos e promovermos a sua implementação em Portugal.

São 366 dias repletos de novas oportunidades no mundo desportivo, que apenas servem de introito para a espetacular evolução que o Desporto, como o conhecemos hoje, sofrerá nos próximos anos, ao qual o país e o mundo assistirão ativamente (espera-se…).

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

Antevisão Vitória SC – SL Benfica: 2020 arranca a alta rotação

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DESLOCAÇÃO ENCARNADA DE NÍVEL EUROPEU EM JORNADA DE CLÁSSICO

O Sport Lisboa e Benfica desloca-se a Guimarães para defrontar aquela que é a equipa com maior potencial ainda por explorar em Portugal.

O Vitória Sport Clube é um gigante no D. Afonso Henriques, onde qualquer jogo tem o carimbo de uma bancada efervescente que eleva a qualidade da sua já muito boa equipa. Testemunhas disso já foram o FC Steaua Bucareste, o Royal Standard de Liège, o Arsenal FC e até o próprio Eintracht Frankfurt e.V., apesar de este ter vencido.

Além desta derrota os vimarenses contam só com uma outra nos restantes 13 jogos que disputaram em casa – com o SC Braga. Um registo caseiro de oito vitórias, quatro empates e duas derrotas.

O Vitória SC está no quinto lugar e de olho tanto no FC Famalicão – em quebra – como no Sporting CP que irá defrontar o FC Porto. É uma posição impressionante tendo em conta que até há 20 dias estava envolvido em jogos europeus de alta exigência e nos quais conseguiu impressionar jornada após jornada.

No SL Benfica a grande questão prende-se com as opções de Bruno Lage, as quais tanto nos podem dar um excelente futebol como mais uma triste e enfadonha exibição. Em 2019 Bruno Lage apresentou-nos duas equipas totalmente opostas, tudo como consequência da maior ou menor criatividade e iniciativa que optou por dar ao meio-campo.

O VITÓRIA SC SÓ PERDEU UM DOS ÚLTIMOS 11 JOGOS. QUAL SERÁ O RESULTADO COM O SL BENFICA?

Também a maior eficácia ofensiva tem sido decisiva e é aí que surge Vinicius que marcou “só” seis golos nas últimas quatro jornadas do campeonato.

Esta época o confronto directo dos dois clubes deu-se num contexto de Taça da Liga. Aqui o Vitória SC levou vantagem tendo conseguido não só um empate no Estádio da Luz como ainda acabou por vencer o grupo sem grandes dificuldades, apurando-se assim para a Final-Four e deixando os encarnados pelo caminho.

 COMO JOGARÁ O VITÓRIA SC?

O desempenho dos pupilos de Ivo Vieira tanto no Emirates Stadium como no Commerzbank-Arena, é um sério aviso daquilo que esta equipa é capaz de fazer em desafios de maior grau de dificuldade. Jogando num 4-3-3 a variedade de opções de qualidade (no banco deverão ficar jogadores como o Rochinha, A. Pereira, J. C. Teixeira, O. John, Poha e B. Duarte) permitem a Ivo Vieira construir uma equipa de maior domínio tanto na posse como nas transições rápidas pelas alas.

Neste jogo prevejo que procurem um meio-campo capaz de preencher os espaços e cortar as linhas de passe entre os médios mais criativos adversários. A isso aliarão uma saída rápida e eficaz para o ataque, explorando o espaço existente na frente da defesa encarnada. Com o Tapsoba a comandar a defesa vimarense e o M. Agu no eixo do meio-campo defensivo, Lucas Evangelista pelo meio e Edwards pela direita serão os responsáveis por criar oportunidades de finalização aos avançados Bonatini e Deividson.

JOGADOR A TER EM CONTA

Edwards é o maior talento e tecnicista do plantel vimarense
Fonte: Vitória SC

Marcus Edwards – O extremo inglês que chegou esta época a Guimarães trouxe consigo um futebol de classe, perfume e fantasia. É o jogador mais criativo e desiquilibrador do futebol do Vitória SC e tem demonstrado ser capaz de desmontar toda uma defesa só com a sua capacidade técnica. A jogar a partir da direita poderá aproveitar os desposicionamentos do Grimaldo e o maior nervosismo do Ferro para encontrar os espaços necessários para ingressar com perigo na área encarnada.

XI PROVÁVEL:

4-3-3 – D. Jesus, V. Garcia, Tapsoba, P. Henrique, R. Soares, M. Agu, Pêpê, L. Evangelista, M. Edwards, Davidson e L. Bonatini.

 

COMO JOGARÁ O SL BENFICA?

O Sport Lisboa e Benfica irá ao D. Afonso Henriques actuar no sistema que tem vindo a cimentar nos últimos jogos. Depois de Bruno Lage ter desistido de insistir em Raul de Tomas como segundo avançado, a equipa com Chiquinho abdicou do 4-4-2 e adaptou-se a um 4-2-3-1 com um futebol mais apoiado, mais criativo e mais dominador.

Com Taarabt, Pizzi e Chiquinho a explorarem o jogo interior, a equipa ganha em criatividade, imaginação e rasgo e os espaços nas defesas adversárias começam a surgir com maior naturalidade. Para este futebol também muito tem contribuído Alejandro Grimaldo que esta época surgiu como um lateral n. º 10.

JOGADOR A TER EM CONTA

Pizzi é o líder dos golos marcados e assistidos em Portugal
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Pizzi – É o jogador em maior destaque no líder do campeonato. Luís Miguel Fernandes lidera a tabela dos melhores marcadores com 11 golos e é o jogador com maior número de assistências (já vão sete, tantas quantas tem o Bruno Fernandes), tendo feito uma assistência por jogo nas últimas cinco jornadas do campeonato nacional. Além disso é o principal municiador de bolas na destruição das defesas adversárias.

Apesar de um outro jogo menos conseguido (a par do colectivo da equipa), Pizzi tem constantemente sido o jogador mais decisivo da época. É, até ao momento, o melhor jogador do campeonato e em Guimarães a sua inspiração será o centro do futebol encarnado.

XI PROVÁVEL

4-2-3-1 – O. Vlachodimos, T. Tavares, R. Dias, Ferro, Grimaldo, Gabriel, Taarabt, Pizzi, Chiquinho, Cervi e Vinicius.

 

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

Wendel | Indiscutível no onze do Sporting CP

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Marcus Wendel cumpre a sua terceira temporada ao serviço do Sporting Clube de Portugal, estabelecendo-se como um titular habitual na equipa. O jovem internacional brasileiro soma, na presente época, 18 jogos e dois golos marcados.

Wendel fez toda a sua formação no Fluminense, tendo realizado apenas uma época na equipa principal. No mercado de inverno de 2016/2017, os leões investiram 7.5M€ para adquirir o passe do jovem brasileiro, rubricando um contrato válido até 2023, com uma cláusula de rescisão de 60M€. Desde então, tem vindo a afirmar-se no Sporting, sendo titular indiscutível viu o seu valor de mercado atingir os 10M€.

Wendel venceu dois títulos ao serviço do Sporting CP: uma Taça de Portugal e uma Taça da Liga
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

No decorrer das três épocas, Wendel contabiliza 55 partidas e cinco golos apontados, somando ainda várias assistências. Tem-se mostrado um jogador tecnicamente evoluído, com boa meia distância, capacidade de transporte de bola, boa qualidade de passe e visão de jogo, forte na transição defensiva e com índices de agressividade e intensidade elevados.

Com a chegada de Silas ao comando técnico do Sporting Clube de Portugal, Wendel manteve o seu espaço na equipa, sendo que é um atleta muito jovem, com apenas 22 anos, e com enorme margem de progressão.

Até ao momento, Wendel conquistou dois títulos de leão ao peito: uma Taça de Portugal e uma Taça da Liga. É um jovem talento, que poderá vir a tornar-se um médio de topo, assim possa evoluir e dar o seu contributo dentro das quatro linhas, com boas exibições, golos e assistências, para ajudar a equipa a atingir os seus objetivos.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Mercado de inverno tranquilo no Dragão!

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O mercado esta aberto e as movimentações já são muitas no Futebol Português. No dragão as movimentações serão poucas ou mesmo nenhumas. Sérgio Conceição já disse que não precisa de reforços e eu tendo a concordar com o técnico portista. No defeso as aquisições demoraram a chegar, mas a qualidade das mesmas é indiscutível e acrescentaram muita qualidade ao plantel. Quando se chega a janeiro e não são precisos ajustes no plantel significa que o trabalho foi bem feito e que a planificação da época foi bem pensada. Isto é a demonstração que a estrutura azul e branca voltou aos bons velhos tempos.

É evidente que a qualquer momento pode surgir uma boa oportunidade de negócio e qualquer estrutura profissional tem de estar sempre atenta, até porque, com o poderio financeiro de muitos clubes do Futebol Europeu que, podem contratar qualquer jogador do FC Porto com alguma facilidade, é preciso estarem bem referenciadas as diversas opções para colmatar as possíveis saídas.

Sérgio Conceição já disse que o plantel lhe dá totais garantias
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

O mercado interno é sempre uma boa opção para reforçar a equipa e exemplos como Danilo, Marega ou Soares são a prova que existe muito talento no Campeonato Português. Deixo aqui alguns nomes de jogadores que na minha opinião possuem talento para atingir outros patamares: Lucas Fernandes e Koki Anzai (Portimonense SC), Pepelu (CD Tondela), Marlon (Boavista FC), Taremi (Rio Ave FC), Tapsoba e Edwards (Vitoria SC) e Gustavo Assunção (FC Famalicão). São jogadores já ambientados ao nosso Campeonato e em muitos casos com preços acessíveis.

Acredito que vai ser um mês de janeiro tranquilo no dragão mas o futebol é o momento, e, uma sequência de maus resultados ou uma “investida” de algum clube sobre os jogadores portistas ou, até mesmo, problemas com lesões pode levar o clube a fazer ajustamentos no plantel. Mas o trabalho de casa foi feito e tudo esta devidamente salvaguardado.

Foto de capa: Diogo Cardoso/ Bola na Rede

 

A arte da hipocrisia

Sempre que se chega ao mês de dezembro, sobretudo aos últimos dias do mês, já se sabe o que aí vem: futebol espetáculo em Inglaterra e…queixas dos treinadores das equipas inglesas. Já é tão recorrente, que merece uma reflexão objetiva e pragmática.

Se o “Boxing Day” e o dia 1 de janeiro com futebol inglês são eventos deliciosos na perspetiva dos fãs da Premier League, para os intervenientes diretos já é uma situação menos confortável, mas, curiosamente, quem demonstra mais frustração com o calendário apertado (entre 26 de dezembro e 1 de janeiro, houve uma outra jornada inteira) são sempre os treinadores.

Os técnicos são quem mais se queixam, nem tanto os atletas, o que levanta a questão: serão justificáveis as lamúrias dos treinadores?

O que me parece, é que o futebol inglês tem um ADN próprio e segue um propósito que todos dizem seguir, mas que só a federação inglesa segue realmente. Esse propósito é, precisamente, servir o espetador, o fã. Olham para o futebol como entretenimento e, portanto, as datas seguintes a festas familiares, como o natal ou a passagem de ano, são datas obrigatórias para haver futebol.

Esta época até se mudou um pouco discurso, mas só mudaram as palavras, porque a mensagem era a mesma: “são jogos a mais”. Esta época o alvo foi a jornada entre as datas festivas. Se realmente essa jornada até poderia ser evitada, mantendo as partidas de dia 26 de dezembro e de dia 1 de janeiro, por outro lado, também se percebe o porquê de permanecer no calendário, apesar de toda a pressão existente. O “Boxing Day” e a jornada de dia 1 de janeiro são um extra, uma altura do ano onde é para haver mais futebol e não para retirar absolutamente nada, nem a jornada habitual ao fim de semana.

Ou seja, retirar a jornada do fim de semana, para proteger os atletas seria, aos olhos da federação inglesa, ir contra os seus próprios ideais. Outra questão é se os treinadores estão realmente preocupados com a resposta física ou ameaça de lesão dos seus jogadores ou se estão receosos de terem de mexer no seus onze-base, arriscando uma eventual perda de pontos.

O Tottenham de Mourinho foi um dos grandes, que nãos e deu bem nestas três jornadas seguidas. Fonte: Tottenham Hotspur

É uma questão legítima. Os plantéis são compostos por mais de vinte e dois jogadores, o que dá para formar duas equipas titulares e ainda deixar alguns de fora. Se existe um risco tão grande de lesão devido ao cansaço, porque não rodar mais as equipas? A verdade é que isso raramente acontece.

Basta olhar para o super líder desta temporada, o Liverpool FC. Klopp, um dos mais queixosos, até porque é campeão da Europa e, portanto, disputou o Mundial de Clubes este mês, acabou por utilizar van Dijk, Salah, Mané e Firmino, os quatro ativos mais importantes e valiosos, nos três jogos que tiveram entre dia 26 de dezembro e 2 de janeiro. Ou seja, esta equipa não tem suplentes? E mesmo que não tivesse, não terá também a equipa sub23, que, por exemplo, “alimentou” a equipa principal com um super-craque como Alexander Arnold? Quantos mais estarão à espera da sua oportunidade para explodirem?

Esta reflexão faz-me chegar a uma conclusão muito simples: existe muito hipocrisia quando existem estas “queixinhas” à volta do calendário da Premier League. Se a preocupação fosse verdadeira, os atletas não jogariam de certeza. A única coisa que preocupa os treinadores, é uma quebra de forma e um cansaço natural que obrigue a mudar as peças do xadrez, numa altura em que se discutem nove pontos em poucos dias.

A verdade é que o futebol inglês tem uma magia natural e quem se adapta melhor a ela, será o grande vencedor.

Foto de Capa: Liverpool FC

Ninguém se esqueceu de ti, Ljubomir

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Julian Weigl chega a Lisboa rodeado de um entusiasmo geral na massa adepta encarnada só vista nos tempos em que Pablo Aimar aterrava em Tires, acompanhado de Rui Costa. 11 anos depois, e com o mesmo intermediário a assegurar uma contratação de calibre internacional, o Benfica assume finalmente a ambição europeia tanto discutida pelos seus dirigentes.

Tudo isso, porém, não nos pode fazer esquecer que Ljubomir Fejsa perde cada vez mais espaço. Tornou-se, com a força da sua competência e anos de casa, um artefacto de valor inimaginável e merece uma despedida em grande. Urge que saia com a dignidade intacta. Começa a tornar-se tarde…

Foi com o toque de Midas do nosso trator sérvio que nos tornámos uma potência hegemónica em território nacional. Saímos dos ciclos de um troféu a cada cinco anos – éramos campeões sazonais – e com ele fazemos seis em dez, igualando as melhores décadas da história do Benfica.

Desde que se estreou nos seniores do Partizan, nos idos de 2008, até à infame época de 2017-2018, Ljubomir foi sempre campeão. Foi o mais campeoníssimo jogador do Benfica, uma aura mística de vitória que influenciava todos no clube e uma integridade que marcou um balneário e fortaleceu-o: nunca se ouviu exageros da sua parte, tiradas ao lado, bocas inconvenientes na imprensa – chegou, trabalhou, cumpriu como ninguém e assumiu-se como uma das grandes figuras desta década por direito próprio. E lembrar que chegou… como solução para o banco de suplentes!

Foi o melhor daquela fornada sérvia que o Benfica explorou, de forma compulsiva e quase esquizofrénica, a começar em 2013 e a acabar em Zivkovic. Os dirigentes encarnados apaixonaram-se pela qualidade dos balcãs (os motivos para súbito interesse são discutíveis, mas a qualidade e influencia de Matic é o mais óbvio) e de todos os que fizeram as malas rumo a Lisboa, foi Ljubomir que se destacou e cinzelou o seu nome na história do Benfica com mais intensidade.

O seu hábito de governar meio-campos sozinho tornou-se insustentável nas rotinas do duplo-pivot de Bruno Lage
Fonte: SL Benfica

Houve Markovic, um talentozão que durou um mísero ano; houve Djuricic, que só em 2019 se assume como titular numa liga de topo; houve Sulejmani, e pouco mais. Todos os outros não tinham a qualidade suficiente para envergar o manto sagrado ou envolviam-se em questões extra-campo, voluntaria ou involuntariamente. Zivkovic é o maior dos casos e a maior tristeza dos últimos anos em termos de aproveitamento de talento.

Depois de controlar a Superliga Sérvia a seu bel prazer com as listas do Partizan, foi para a bacia do Egeu perpetuar o domínio do Olympiakos, onde limpou últimos terços adversários com a naturalidade que lhe é reconhecida.

O Benfica resgatou-o no ano do all-in, por 4,5 milhões de euros: a final da Champions era em Lisboa e Luis Filipe Vieira montou plantel megalómano, o melhor desde 1992-93. Havia, só para o meio-campo, Enzo, Matic, Fejsa, Rúben Amorim, André Gomes e Djuricic, um luxo que Jesus soube aproveitar.

A qualidade era tanta que permitiu a saída de Nemanja em Janeiro, porque Fejsa dava plenas garantias. Tantas garantias deu que se assumiu como titular desde aí, levando o Benfica a um tetra inédito.

A sua importância nos aspectos defensivos e a eficácia de Jonas na frente garantiram anos de sucesso a vários Benficas, mas o de 2017-18 foi tão mal construído que isso não bastou. Fejsa e Jonas salvaram muitas vezes Rui Vitória, mas a qualidade dos jogadores tem que ser complementada pela visão estratégica do treinador. O piloto automático era já tão natural que o técnico português distraiu-se e o penta foi à vida. Isso, aliado à “distracção” na construção do plantel, e o desfecho foi natural. Uma pedra no sapato de Fejsa e o único ano sem troféu de campeão da sua carreira profissional.

No Benfica, contam-se 308 jogos, cinco campeonatos nacionais, duas Taças de Portugal, três Taças da Liga e uma final europeia. Nada mau para seis anos. Um monstro da história benfiquista e a quem um obrigado não chega, pela sua conduta e respeito ao símbolo que representou com tanta qualidade. Um agradecimento de forma adiantada para um jogador ímpar.

Foto de capa: SL Benfica

Treinador português para mais do que um mês

O sucesso de Jorge Jesus não foi apenas traduzido pelos troféus. A forma como os obteve foi surpreendente. O futebol diferenciado que baseou a equipa do Flamengo assentou num método próprio, claro está; mas também numa característica óbvia: a contratação de peças nucleares que obedecessem a essa ideia.

Pode-se dizer com todas as letras que deixou a porta escancarada ao ingresso de treinadores estrangeiros, nomeadamente de portugueses. Com uma bela reputação nos quadros do futebol profissional atual, os seus conterrâneos dessa classe profissional figuram em clubes de respeitável figurino.

Há bem pouco tempo, viu-se Paulo Bento entrar e sair do Cruzeiro. Antes e mesmo com a chegada de Jesus, qualquer treinador “gringo” era alvo de uma reprovação quase imediata.

Fora escrutínios precipitados, a realidade é que a vida de treinador é cada vez mais assim. Será muito comum vermos a direção de equipas em crise de resultados recorrer sistematicamente às ditas chicotadas. Não será estranho, em média, registar-mos três técnicos por época.

Jesualdo Ferreira vem ao encontro do perfil de Jesus. Aliás, é seu mentor! Jesualdo é o professor dos misters portugueses. Carlos Queiroz foi, inclusive, seu aluno na faculdade.

Também com a sua metodologia própria, é talvez o trabalho individual jogador a jogador que lhe confere especialização. Zidane, Quaresma, Lisandro López, Falcao, são jogadores que beneficiaram disso!

Conhecedor profundo das teorias que envolvem a abordagem ao jogo, com uma experiência prática indubitável, e sem exercício ainda prestado nas Américas.

Tem 73 anos, estando num estado bastante bem conservado. Com passagens por Portugal, Marrocos, Espanha, Grécia, Egito, Catar, segue-se agora o Brasil.

Fonte: Al-Sadd

Os brasileiros são um povo muito apaixonado, parafraseando Jesus. São um povo muito emotivo. Os canais desportivos são extremamente especulativos, as matérias assentam muito em coisas hipotéticas, ou mesmo incomparáveis. O enquadramento dos conteúdos veiculados pelas estações televisivas passa por chegar a uma conclusão inconclusiva: “Algum time brasileiro vencia o campeonato português; ou algum time português vencia o Brasileirão; Ronaldo e Messi melhores ou piores do que Pelé”, etc. A lei da maioria não se aplica a determinações parcialmente exequíveis, a meu ver.

A caminhar para o 40º aniversário da sua carreira de treinador, Jesualdo irá encontrar situações novas. Por muita experiência que tenha, julgo que entra num contexto muito particular do futebol. O ninho do futebol. Onde mais jogadores de qualidade são exportados. Um lugar em que o futebol das ruas, dos parques, das areias, de qualquer lugar amplo, predomina ainda . Porém, neste momento, discute-se mais do que se joga. Um problema cada vez mais generalizado.

Jesualdo Ferreira tem personalidade, assim como Jesus. Evitando comparações inevitáveis, é dos poucos que já treinou os três grandes (e o Braga), vem substituir um treinador estrangeiro (Sampaoli), é visto como um professor. Talvez lhe vão chamar mister, pois Jesus assim o quis para consigo, mas aqui neste caso, professor no amplo sentido do termo encaixaria bastante bem!

Amortecido pelo que JJ incutiu, encontra uma equipa bastante bem preparada. Foi segundo classificado, tem craques como Soteldo, Cueva; Kaio Jorge a surgir, mas perdeu Jorge, um lateral de grande qualidade. Para montar o seu sistema predileto, que é o 4-3-3, Jesualdo precisa de laterais fortes: um mais ofensivo, outro mais defensivo; de dois médios com versatilidade suficiente para construir, contribuindo também com critério ofensivo de excelência. A posição seis assume-se também como chave mestra deste esquema. No ataque, avançados soltos com capacidade de deambular.

Para o último terço, seria interessante ver a inclusão de Quaresma nesta equipa, visto ser um virtuoso. Deixando de lado patriotismos, e a relação entre o treinador e o extremo, Quaresma joga bonito, horizontal, vertical ou diagonalmente. A a transição que se pede no Brasil beneficiava com o contributo de um dos jogadores mais fora da caixa que tivemos o prazer de ver jogar.

Foto de Capa: Santos FC

Conquistadores: ontem, hoje e sempre!

Em 1143, D. Afonso Henriques conquistava a independência de Portugal, deixando meia Europa boquiaberta. Quase nove séculos depois, um clube vulgarmente categorizado como ”pequeno” ou “aspirante a grande”, que usa como símbolo o nosso primeiro Rei, ousou fazer algo semelhante: levar o nosso nome para as bocas do mundo, com uma campanha europeia sensacional, à custa de um começo aos tropeções na Primeira Liga.

Os amantes de futebol lembrar-se-ão do começo de época do Vitória SC: um rolinho compressor; ora esmagando o AS Jeunesse Esch nas pré-eliminatórias da Liga Europa, ora cumprindo contra o CD Feirense para a Taça da Liga, ora triturando o FK Ventspils, ora estreando-se na Liga com um empate caseiro frente ao Boavista FC.

Detectou-se logo um padrão: um senhor Vitória na Europa e um “vitoriazinho” por terras lusitanas. Aliado às grandes noites europeias, o VSC conseguiu frente ao FCSB aquilo que a Liga nunca conseguiu: unir o futebol português, ainda que só por 180 minutos, que gritou em uníssono pelo Vitória, ali a representar Portugal, e a provocar a decapitação ao ilustre presidente dos romenos. Mas nas competições internas, continuava o descalabro.

Parecia que a fantasia de Davidson e a irreverência de Rochinha só funcionavam com equipas com nomes impronunciáveis, que a frieza de Tapsoba derretia em Portugal, que a balança de Pêpê só se equilibrava por terras estrangeiras. Por uns tempos, julguei haver 2 Vitórias: o de Guimarães que lutava por cá para se afirmar como candidato ao título, e o de Portugal, que nos fazia subir a pique nos rankings europeus.

Felizmente, e com muito dedo de Ivo Vieira, a equipa percebeu que descendo de divisão, não podia jogar nas competições europeias e passou a haver um Vitória igual a si em qualquer lado, independentemente do adversário ou do nome da competição. Isto teve uma contrapartida, e embora o VSC tenha ficado no grupo mais difícil da Liga Europa, a sua ascenção em Portugal contrastou com a sua queda no começo da Liga Europa.

No entanto, o Vitória, fazendo jus ao símbolo que o acolhe, conquistou os amantes de futebol, com a sua exibição no Emirates, em que, além de ter feito o que nenhum clube português ousara até à data. Marcaram um golo ao poderoso Arsenal FC, em Inglaterra, com o seu espírito lutador frente ao Standart Liége, com o outro grande jogo frente aos ingleses e, para terminar com chave de ouro, já sem a matemática do seu lado, foi à Alemanha vencer o Eintrach Frankfurt. Uma eliminação inglória, para quem saiu de cabeça erguida e pelo meio até ceifou uma cabeça. Entretanto, foi subindo a pique na classificação da liga portuguesa; hoje, já ocupa o 5º lugar, e que lhe assenta muito bem.

Após um começo irregular, o Vitória foi subindo na classificação da Primeira Liga
Fonte: Vitória SC

Agora em final do ano, fazem-se os habituais balanços. Importa assim fazer um balanço desta década do VSC: começou a impor-se aos lugares do meio da tabela e tem vindo a subir, ano após ano, a ombrear com os “grandes”, a distanciar-se dos rivais, a posicionar-se no lote dos temíveis de Portugal, sempre aos ombros dos fervorosos adeptos, a conquistar Portugal. Mais uma vez. Vejamos quanto tempo leva a igualar o feito do seu padroeiro. A Europa e o país que se ponham a pau.

Foto de Capa: Vitória SC

 

Prazer, Rúben Amorim!

Rúben Amorim, por muitos desconhecidos até há poucos dias atrás, atualmente técnico da equipa principal do SC Braga. A sua carreira enquanto treinador de futebol começou como treinador estagiário no Casa Pia AC na época de 2018/19. No entanto, enquanto jogador de futebol chegou a representar o clube bracarense fazendo excelentes proezas ao serviço do clube, nomeadamente vencer a Taça da Liga e disputou o playoff da UEFA Champions League.

No entanto, será treinador digno de representar um clube com as dimensões do SC Braga? Ser técnico substituto no SC Braga B era uma posição apetecível, após a época medíocre realizada por Rui Santos. No entanto, ser o substituto de Sá Pinto sendo que o antigo jogador está a experienciar a sua segunda história enquanto treinador, depois de estar ao serviço do Casa Pia AC e do SC Braga B. Um típico jovem treinador em Portugal, que aprendeu a observar grandes do futebol internacional e nacional, tais como Jorge Jesus.

Recuperar uma equipa que desceu na época anterior não é trabalho fácil, e disso ninguém tira o mérito a Rúben Amorim. No entanto, a “obrigação” de subir fez da equipa minhota uma das favoritas no Campeonato de Portugal. E assim se realizou, com mais qualidade e recursos, atualmente os minhotos encontra-se na segunda posição da tabela classificativa.

Ao contrário de Sá Pinto, o ex-jogador de 34 anos valoriza mais a posse de bola e prefere jogar de forma apoiada desde a primeira fase de jogo. Em termos de defesa, a equipa pressiona alto e opta por encaminhar os rivais pelos corredores. É a típica de ideia de jogo de controlar a bola e o jogo, utilizando como suporte para isso o corredor central e o espaço entre linhas.

Rúben Amorim esteve vinculado ao Benfica durante nove anos enquanto jogador
Fonte: SL Benfica

Em conclusão, será um desafio, no mínimo dos mínimos, bonito para ser observado. Irá ser necessário tempo e confiança para o jovem treinador, especialmente com uma experiência tão reduzida, tanto para se habituar ao futebol profissional como para colocar o SC Braga nas posições europeias. Ofensivamente são esperadas melhorias, vistas as falhas técnicas que a equipa minhota apresenta e também analisando que esta é a imagem de marca do jovem treinador. No entanto, será que estas lacunas irão ser corrigidas a tempo para jogar contra “os mais pequenos” (que têm sido os maiores deslizes da equipa)?

É de salientar que o sucesso nem sempre é transmitido a partir de uma ideia de jogo atraente, como aquela que Rúben Amorim apresenta, pois os resultados são aquilo que move o futebol. É literalmente impossível prever o futuro do técnico português. Por muito polémica que a decisão de António Salvador tenha sido e muitos discordem, o seu projeto parece ambicioso e com uma identidade estável e forte. Aguardemos pelos frutos do trabalho de Rúben Amorim, de relembrar que o primeiro desafio está já aí contra o Belenenses SAD – aquele que será o primeiro jogo do ano de 2020 do SC Braga. Iremos ter uma surpresa logo no início do ano?

Foto de Capa: SC Braga

 

Sporting CP x FC Porto: travessia no deserto hipoteca título?

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OS ÚLTIMOS DEZ ANOS E A IMPONÊNCIA DE ALVALADE FACE AO CLÁSSICO ENTRAM NUM BAR

Não é por mero acaso que o Sporting Clube de Portugal e o Futebol Clube do Porto sinalizam um embate histórico do futebol português. É um clássico e, como tal, a partida é circunscrita ao pensamento de que “tudo pode acontecer”. Para os azuis e brancos, Alvalade ergue-se como a fortaleza à qual a invasão não conheceu êxito: o último triunfo, a contar para o campeonato, data de cinco de outubro de 2008 (1-2), sob a alçada de Jesualdo Ferreira.

O FC PORTO NÃO VENCE EM ALVALADE DESDE 2008. SE ACREDITAS QUE VOLTA A GANHAR, APOSTA 10€ E PODES GANHAR 33€!

Além disto, os últimos confrontos sorriram maioritariamente aos do reino de leão, nomeadamente na conquista das duas Taças da Liga (1-0 e 2-1, respetivamente) e da Taça de Portugal (3-2), todas jogadas na “lotaria” das grandes penalidades. Ambas as formações registam o mesmo número de vitórias nos derradeiros cinco jogos realizados; contudo, a listada verde e branca sucumbiu ao desaire europeu (3-0 diante do Lask Linz), enquanto que a armada chefiada por Sérgio Conceição cedeu o empate no Jamor, defronte do Belenenses SAD (1-1).

COMO JOGARÁ O SPORTING CP?

O Natal já era e o Ano Novo vira as primeiras páginas. Yannick Bolasie é a rabanada que ficou entalada no jogo da Taça da Liga e que, após a ingestão de um cálice de vinho do Porto, retomou a sua estrada. Jovane Cabral representa os sonhos que induzem àquela esperança de última hora. Deste modo, Jorge Silas estudará as opções à sua disposição e testá-las-á nas suas possíveis combinações: o quarteto defensivo permanecerá intacto, o meio campo transporta o pensamento do adepto para a preparação de uma “festa de boas vindas” a Rodrigo Battaglia e o ataque efetuado ao ritmo de Luciano Vietto.

JOGADOR A TER EM CONTA:

O capitão leonino continua num patamar acima dos restantes
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Bruno Fernandes – a introdução à trama tem sido feita jogo após jogo e, por essa razão, creio que qualquer palavra que se diga desvanece, em parte, a qualidade do melhor jogador do campeonato português. É ele e mais dez, como já se sabe. Inspirado, pode decidir um jogo deste calibre. Desinspirado, pode corroer as aspirações dos adeptos. A batuta é dele por direito e surge erguida, com o punho cerrado: resta é descortinar se os restantes querem fazer música…

XI PROVÁVEL:

4-3-3 – Luís Maximiano; Ristovski, Coates, Mathieu e Acuña; Rodrigo Battaglia, Wendel e Bruno Fernandes; Luciano Vietto, Yannick Bolasie Luiz Phellype.

 

COMO JOGARÁ O FC PORTO?

No coração do Norte, o pensamento é único: Operação STOP a Alvalade e a demanda pela 85.ª vitória no terreno do rival. O técnico dos dragões deverá adotar a estratégia utilizada no Estádio da Luz que, diga-se de passagem, “foi queijo para a ratoeira” montada e apresentada a Portugal inteiro, mas com pequenas nuances: face à lesão de Romário Baró, Otávio deve correr para o seu lugar, Nakajima está à escuta e à espreita de um lugar na frente de ataque, se Jesús Corona ocupar o lado direito da defesa. A dúvida reside na continuidade da aposta em Loum ou na oportunidade de redenção concedida a Matheus Uribe. Tudo para que não se chumbe no teste do balão!

JOGADOR A TER EM CONTA:

O possante maliano é um quebra-cabeças constante para os leões
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Moussa Marega – a imprevisibilidade é a melhor das armas e o maliano está constantemente munido de balas deste calibre. Em forma física ou não, fazendo um mau jogo ou não, Moussa Marega possui a capacidade de desgaste (físico e psicológico) de um terceto, quarteto ou quinteto defensivo: rapidez, agilidade, força e insistência, um compêndio das suas qualidades enquanto profissional. Na presente época, defronte do velho rival e sob a melodia dos apupos, que mesclou racismo e destabilização, ripostou com um golo, gelando um estádio com quase 60 000 pessoas. Não o provoquem!

XI PROVÁVEL:

4-3-3 – Marchesín; Jesús Corona, Pepe, Iván Marcano e Alex Telles; Danilo, Loum e Otávio; Nakajima, Luíz Díaz e Marega.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão