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Salto em frente… ou novo tropeção?

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O Sexto Violino

1) Voltaram as vitórias, mas não está tudo bem

Depois de algum azar e muita tremideira na defesa, o Sporting está de regresso às vitórias. Mas, se a goleada (0-4) contra o Gil Vicente pode ter servido para afastar fantasmas e para ganhar confiança em vésperas de clássico, desenganem-se aqueles que pensam que os problemas já pertencem ao passado. Primeiro, porque é preciso ganhar ao FC Porto para continuarmos a aproximação aos primeiros lugares do campeonato. Segundo, porque o Gil tem mostrado ser uma das equipas mais fracas da liga. Se o Sporting teve, em Barcelos, o mérito de rematar sem medos à baliza contrária (marcando dois golos de rajada que praticamente resolveram o jogo), a verdade é que a má organização gilista também não ofereceu grande luta. Ainda assim, num ou noutro lance tanto Maurício como Sarr voltaram a mostrar que dificilmente poderão fazer dupla na defesa durante a totalidade de uma temporada que se adivinha exigente. O próximo jogo, contra o FC Porto, será um teste muito mais exigente do que o de Barcelos, e ambos os centrais já esgotaram os créditos de erros de principiante. Paulo Oliveira tem qualidade e está à espreita, resta saber se terá a maturidade suficiente para se afirmar na equipa do Sporting…

2) Sporting- FC Porto: duas lutas num jogo só

Jogar contra o FC Porto não é apenas disputar mais um clássico do nosso futebol. É, para além da vontade habitual de conquistar os três pontos, ter a ânsia de derrotar um clube que já tanto prejudicou quer o Sporting quer o próprio futebol português. E como, para utilizar um jargão bem conhecido do desporto-rei a nível nacional, “vocês sabem do que eu estou a falar”, não me alongo mais nos pormenores – o espaço é curto e os episódios são mais do que muitos. Mas deixo aqui uma notícia do Record, escrita em 2007 e relativa à época 2003/2004, que dá conta dos jogos “em que o Sporting era o clube para «martelar»”. O artigo refere que “o Relatório Final da Polícia Judiciária entendeu que os jogos Sporting-Moreirense e Gil Vicente-Sporting tinham indícios de manipulação de resultados praticada pelo FC Porto, mas de tal não resultou qualquer acusação”. Alguns verão estas linhas como uma inútil revisitação do passado; eu vejo-as como algo necessário para compreender o presente e prevenir o futuro. Só a memória impede que tudo o que de mau se passou no nosso futebol seja esquecido, e que o grande protagonista desta e de muitas outras páginas negras lave por completo a sua imagem.

pedroto sporting
Em jeito de lançamento do SCP-FCP: O jornalista Neves de Sousa escreveu um dia sobre a razão pela qual Pedroto nunca treinou o Sporting, como chegou a estar próximo de acontecer: “Está tudo certo, tanto em relação aos meus prémios, como aos meus vencimentos (…), mas o senhor presidente esqueceu-se de que eu lhe tinha dito logo no primeiro encontro: só vou para um clube que dê garantia de contar com os árbitros”

Sobre o jogo em si, não estou confiante: não só o Sporting tem uma defesa fraca (a antítese do que aconteceu na época passada), sem Rojo e Dier, com um Sarr que caiu de pára-quedas, um Maurício cujo rendimento depende muito do colega de sector, um Jéfferson que tem estado uma sombra do que foi (vamos ver como se porta Jonathan Silva) e um Cédric que procura a melhor forma depois da lesão, como o FC Porto tem estado a jogar muito bem. O empate contra o Boavista foi fortuito e pode até servir de tónico aos dragões. Lopetegui tem rodado bastante a equipa, mas a tremenda forma de Brahimi e o perigo constante que é Jackson Martínez deverão ser suficientes para pôr a cabeça dos defesas leoninos em água. Pede-se, por isso, um ambiente infernal como só os Sportinguistas sabem dar – por muito que alguns meios de comunicação digam que os aplausos de adeptos benfiquistas no Estádio da Luz após uma derrota foram algo inédito em Portugal.

3) Finalmente, um seleccionador…!

Este último ponto não tem directamente a ver com o Sporting, mas é com agrado que o escrevo. Quando se pensava que o melhor jogador português de sempre e um dos melhores de todos os tempos iria passar os seus melhores anos na selecção sem ser treinado por um técnico à sua altura, eis que Paulo Bento é despedido e se abre um vazio na liderança da equipa nacional. Fernando Santos não é um génio, mas é sem dúvida a opção mais acertada de todas as que se falaram. O seu currículo não está recheado de títulos, é verdade. Ainda assim, foi campeão no FC Porto, levou a equipa aos quartos-de-final da Liga dos Campeões em 99/00 (eliminado nos descontos pelo poderoso Bayern), ganhou uma Taça da Grécia com o PAOK e, mais importante do que isso, fez escola nesse país, como provam os 4 prémios de treinador do ano que por lá ganhou.

Em 2002 só não foi campeão com o AEK por infelicidade (terminou com os mesmos pontos do Olympiakos). Em 2004 era ele o treinador da equipa do Sporting que foi comprovadamente prejudicada pelo FC Porto e impedida de chegar ao título, como diz a notícia a que aludi no ponto 2). Enquanto seleccionador helénico, Fernando Santos foi responsável pela chegada da equipa aos quartos-de-final do Euro 2012, dando dois anos depois aos gregos a primeira vitória de sempre em Mundiais, à qual juntou ainda a presença inédita nos oitavos. As suas equipas são por norma adultas, competentes e organizadas tacticamente – a mesma organização que Portugal nunca esteve sequer perto de apresentar no Mundial do Brasil.

Tudo isto para dizer que a selecção portuguesa mudou para melhor. Fernando Santos é um treinador capaz e parece ser um homem sério. Partindo do princípio de que não cai nas garras do obscuro Jorge Mendes (a propósito, o artigo que o The Guardian escreveu sobre esta figura que tanto mal tem feito ao futebol não pode deixar de ser lido), haverá uma série de jogadores da melhor escola de formação do país e uma das melhores do Mundo – a do Sporting, pois claro – que terão, a curto prazo, oportunidade de mostrar serviço na selecção. Uma oportunidade que jogadores como Adrien e Cédric já merecem há bastante tempo e que João Mário, Carlos Mané e André Martins poderão conquistar a curto/médio prazo. Duvido que Fernando Santos proceda a um corte radical com o legado de Paulo Bento, mas acredito que, na hora de chamar jogadores à selecção, olhe menos a empresários e mais à qualidade, à forma dos atletas e aos minutos por eles disputados. Se isso acontecer, mesmo tendo perdido com a Albânia em casa, o Europeu de França nunca esteve tão perto.

adrien cedric
Caso Fernando Santos não ceda à tentação de entrar na órbita de Jorge Mendes, Cédric e Adrien Silva passarão a ser, a partir de agora, presenças regulares na selecção nacional. Mas há mais produtos da formação do Sporting à espreita…
Fonte: cedric-soares.blogspot.com

Saber Reagir – O Futebol a Imitar a Vida

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A adversidade é uma das melhores oportunidades que existem na vida para se aprender a vencer. É ela que nos dessensibiliza para certas crueldades e injustiças e nos ajudando a criar o carácter e a personalidade quem serve de escudo para as enfrentar.

Ter lidado com momentos menos bons pode, por isso, ser uma das melhores vantagens que qualquer pessoa pode ter sobre outra, sobretudo nos tempos de comodismo em que vamos vivendo. É como se se tivesse adquirido uma espécie de imunidade especial à dor e ao desconforto que lhe permite progredir de forma mais esclarecida e menos complexada rumo à melhor forma de um ser humano.

Não precisamos de andar muito para trás no tempo de forma a encontrarmos um exemplo relacionado com o que é referido nestes dois primeiros parágrafos: Aston Villa vs Arsenal do passado sábado.

O Arsenal teve um dos mais testes mais difíceis deste início de temporada no passado sábado, no Villa Park, e não foi só por causa do adversário. Esse (Aston Villa), é certo, tem assinado um início de campeonato irrepreensível, somando 10 pontos em 15 possíveis, incluindo 3 “roubados” no campo do vice-campeão nacional inglês (Anfield Road, Liverpool)… mas esse estava longe de ser o único problema dos gunners.

A equipa encontrava-se com uma série de problemas à partida para este jogo. Começando logo na (gritante) falta de uma identidade de jogo que permita incorporar a electricidade de Sanchez, o génio de Özil e o músculo de Welbeck e terminando, claro está, nos resultados menos positivos que a equipa vinha obtendo até então: somava apenas uma vitória no campeonato (em quatro jornadas), três triunfos em jogos oficiais (em sete possíveis) e encontrava-se numa série de três jogos sem vencer, consentindo empates a Leicester e Manchester City (este, nos últimos minutos, num encontro disputado no seu reduto) e perdendo, em Dortmund, diante do Borussia, para a Liga dos Campeões.

Özil com mais um passe rumo à reacção do Arsenal  Fonte: Getty Images
Özil com mais um passe rumo à reacção do Arsenal
Fonte: Getty Images

Como se não bastasse, do ponto de vista teórico, não teria vida fácil pois iria encontrar uma das sensações do campeonato inglês, o Aston Villa, e logo no seu reduto, uma equipa que só sabia estar nos encontros desta competição de duas formas – empatada ou a vencer -, fazendo de uma  defesa experiente e consistente (liderada pelos “guerreiros” Vlaar e Senderos e auxiliada por dois laterais com boa cultura defensiva – Cissokho e Hutton) a pedra basilar das boas performances que vinha a assinalar até então.

Vlaar lesionou-se, mas a equipa até soube reagir à perda do capitão, com Baker, o seu substituto directo, a ser mesmo considerado o homem do jogo no encontro de Anfield Road… mas aí, começaram a vencer cedo (9 minutos), e os processos que tiveram de resolver durante o encontro tinham como pano de fundo uma situação (vitória ou empate) com a qual a equipa já sabia lidar.

No último sábado, pela primeira vez, a equipa do Villa viu-se em desvantagem. Aconteceu aos 32 minutos, numa jogada de saída rápida do Arsenal em que se notou a identidade de jogo que Wenger costuma impôr às suas equipas, com passe curto e objectivo (e toda uma dinâmica posicional em seu redor), até se chegar aos últimos 30 metros contrários e finalizar mal haja hipótese.

Cinco minutos depois o resultado estava 3-0, e durante o resto do jogo o Aston Villa foi uma equipa completamente diferente daquela que deliciara os seus adeptos nas primeiras quatros jornadas. Desapareceu toda uma segurança e firmeza do seu futebol para se dar lugar ao desespero e ao medo de falhar. O Arsenal soube esperar pela vitória que lhe andava fugida, o Aston Villa, por não ter aprendido a lidar com o fracasso, desnorteou-se.

No Villa Park, no passado sábado, o futebol pôs-se a imitar a vida. A servir de amostra, e, por isso, de ensinamento. Como tantas vezes faz.

FC Porto 0-0 Boavista: Agradeçam ao Maicon!

eternamocidade

Quem apostasse num resultado que não a vitória do FC Porto esta noite, no dérbi frente ao Boavista, era considerado quase louco ou então muito crente num milagre axadrezado no relvado do Dragão. Bom, o que é facto é que o milagre aconteceu, e o Boavista conseguiu um precioso ponto no recinto portista, provocando a segunda perda de pontos consecutiva à equipa de Lopetegui no campeonato.

Num jogo que começou com 45 minutos de atraso devido ao dilúvio que se abateu sobre a cidade do Porto, Lopetegui continuou a sua gestão e alterou seis peças relativamente ao onze que havia goleado, na última quarta feira, o BATE Borisov: saíram Fabiano, Alex Sandro, Martins Indi, Casemiro, Ádrian e Ricardo Quaresma para as entradas de A. Fernández, Marcano, J. Ángel, R. Neves, Evandro e Tello. Do outro lado estava um Boavista sem ponta-de-lança fixo e com um sistema de três centrais e dois médios defensivos, o que fazia antever uma equipa de tração atrás no dérbi. Num jogo de sentido único, Brahimi e Tello procuravam ser os dinamizadores do ataque portista, mas o que é facto é que a equipa boavisteira raramente deu espaços para Herrera e Evandro construírem jogo ofensivo.

Por isso, e apesar do primeiro ameaço à baliza de Mika por parte de Tello, o Boavista continuava fechado na sua “casa tática”. Como é hábito neste tipo de jogos, parecia adivinhar-se que, mais tarde ou mais cedo, a muralha preta e branca iria desabar, mas tudo se alterou quando, a meio do primeiro tempo, o defesa central Maicon decidiu borrar completamente a pintura. Numa entrada completamente desnecessária e violenta sobre Correia, o defesa viu o cartão vermelho, levando ao desespero uma equipa portista que, a partir daquele momento, sabia que a tarefa de derrubar o Boavista iria ser muito mais complicada.

A expulsão de Maicon marcou inevitavelmente a partida  Fonte: zerozero.pt
A expulsão de Maicon marcou inevitavelmente a partida
Fonte: zerozero.pt

Com mais um homem em campo, Petit retirou o central Carlos Santos para colocar o extremo Brito, mas nem por isso os axadrezados criaram perigo à baliza portista. Aliás, durante toda a partida, destaque apenas para uma oportunidade aos 44 minutos por Correia. Do lado portista, Jackson e Rúben Neves foram protagonistas de oportunidades desperdiçadas, numa primeira parte em que os azuis e brancos tiveram quase 80% de posse de bola.

Na segunda parte, nada de novo: Boavista completamente remetido à sua defesa e um FC Porto inconsequente na hora de finalizar. Com Tello completamente apagado e Brahimi desinspirado, a retirada de Evandro para a entrada de Casemiro deu mais equilíbrio aos portistas. Ainda assim, contínuos lances de perigo junto da baliza de Mika durante o segundo tempo não foram suficientes para o FC Porto vencer o dérbi portuense. Do lado do Boavista, este foi um empate que soube a vitória e que premeia a solidariedade dos comandados de Petit. Quanto aos portistas, já vai em dois pontos de desvantagem para o Benfica, e na próxima jornada vem o jogo em Alvalade. O futuro não é risonho, e hoje tudo se complicou ainda mais devido a um homem: Maicon. Agradeçam-lhe o empate.

A Figura

Mika – O guarda redes internacional sub-21 português fez uma excelente exibição no Dragão e acabou por segurar a igualdade durante os 90 minutos.

O Fora-de-Jogo

Maicon – A expulsão tem tanto de desnecessária como de ridícula. Os adeptos bem podem agradecer ao central brasileiro a perda de dois pontos esta noite.

Benfica 3-1 Moreirense: Livra, que foi a ferros!

Terceiro Anel
Quem olhar para o resultado final desta partida nem sonha como foi difícil para o Benfica levar de vencida um Moreirense extremamente competente e muito bem orientado pelo técnico Miguel Leal. Resultado justo, sem margem para dúvidas, mas que não apaga algumas debilidades evidenciadas pelos comandados de Jorge Jesus, principalmente na primeira parte.

O Benfica entrou em campo com a equipa habitual, exceptuando a alteração na baliza, como de resto já se adivinhava. Júlio César, guarda-redes consagrado, roubou a titularidade a um Artur Moraes que se vinha perdendo em exibições angustiantes. Mas quando se esperava que os encarnados entrassem com tudo, tentando resolver desde cedo a partida, passou-se exactamente o contrário. Com um futebol lento, previsível, sem imaginação, o Benfica viu-se completamente manietado por uma equipa minhota que demostrou ter ido à Luz com a lição bem estudada. Com marcações rígidas, em que se destacou um autêntico bloqueio aos médios Samaris e Enzo Pérez, o Moreirense anulava quase a bel-prazer as investidas do campeão nacional, que também não pôde contar com a costumeira inspiração de Salvio e Nico Gaitán, muito mais apagados do que é habitual. Situação que piorou ainda mais quando João Pedro, aos 17 minutos de jogo, inaugurou o marcador para a formação de Moreira de Cónegos, após uma grave desatenção de Eliseu, que permitiu que o adversário fugisse nas suas costas. Claro está, Jorge Jesus estava insatisfeito com a sua equipa e com o rumo que o jogo estava a tomar, tendo por consequência disso efectuado logo uma substituição aos 35 minutos (caso raro em JJ, diga-se), com a troca de Samaris (muito discreto) por Derley. O avançado ex-Marítimo entrou para acompanhar Lima no ataque, ao passo que Talisca recuou para o meio-campo, fazendo parelha com Enzo Pérez. Mesmo assim, as coisas não se alteraram muito e só nos últimos instantes do primeiro tempo é que o Benfica deu um ar da sua graça.

Lima de regresso aos golos, para seu próprio alívio Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Lima de regresso aos golos, para seu próprio alívio
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica 

Na etapa complementar, atitude completamente diferente do Benfica. Muito mais ritmo, pressão muito maior, jogo de maior risco, Os 37 mil espectadores presentes na Luz entusiasmaram-se, o campeão nacional agigantou-se, o Moreirense sentiu o perigo. Porém, foi aos 57 minutos que seu o momento-chave da partida. Marcelo Oliveira, defesa do Moreirense, foi expulso por acumulação de amarelos e aí mesmo o jogo passou a ser de sentido único. O massacre começou, o golo do Benfica parecia uma questão de tempo até surgir. E foi à lei da bomba que ele apareceu, através de um soberbo remate de Eliseu, que assim também se redimiu um pouco do enorme falhanço posicional dos primeiros 45 minutos, que deu origem ao golo do Moreirense. Com o público em êxtase, o Benfica prosseguiu o sufoco para a turma minhota, que sentia que estava condenada a sair derrotada do Estádio da Luz. Maxi Pereira carimbou o 2-1, fazendo respirar de alívio toda a nação benfiquista. A partir daí, mais algumas oportunidades de golo para o Benfica, até que Lima matou o seu jejum de golos, que já o vinha atormentando (como ele fez questão de demonstrar através dos festejos), na marcação de uma grande penalidade, que não existiu.

Contas finais, tudo normal. Benfica a vencer como se lhe exigia, a isolar-se provisoriamente no primeiro lugar do campeonato e a continuar de mão dadas com a massa adepta (simplesmente fantástica a atmosfera na Luz, no segundo tempo). Contudo, as palavras finais devem ser dirigidas para este Moreirense. Jogando assim, com esta cultura táctica e também com algum atrevimento, dificilmente esta equipa descerá de divisão. Muito mérito para Miguel Leal, que, com parcos recursos, parece ter todas a competência para levar este conjunto a bom porto.

A Figura
Golo de Eliseu – Simplesmente extraordinário o remate do lateral-esquerdo encarnado, dando origem a um tento de bandeira. E importa não esquecer: já é o segundo golo de Eliseu neste campeonato através de remates de meia-distância. Claramente um trunfo para Jorge Jesus explorar. Golaço!

O Fora-de-Jogo
Samaris – É claramente um grande jogador, que ainda vai dar muito ao Benfica. Mas é notório que o médio internacional grego não se sente totalmente integrado na dinâmica de jogo do campeão nacional (o que acaba por natural). Hoje esteve muito preso à marcação, falhando inúmeros passes, daí a sua precoce substituição.

Gil Vicente 0-4 Sporting: O maestro diz Olá

escolhidificil
No momento em que as orquestras começaram a ganhar notoriedade na sociedade ainda não existia a figura do regente. O maestro, leia-se! Fosse pelo tamanho reduzido dos grupos orquestrais (normalmente não mais que 20 ou 30 músicos) ou pela menor complexidade rítmica, normalmente não era necessária a regência. Estima-se que tenha sido apenas no século XVII que houve um primeiro homem responsável por decisões de interpretação como andamento, carácter, marcação do tempo e das entradas mais importantes durante a execução em palco. E já viram como há tantas semelhanças entre a música clássica e o futebol?

Marco Silva mudou pouco – menos do que o necessário, na minha opinião – mas mudou na parte do campo mais importante. Colocou João Mário por André Martins e toda a equipa ganhou uma dimensão diferente. O regresso das boas exibições de Adrien também ajudou, mas foi mesmo o nº 17 dos leões a possibilitar o controlo do jogo ao Sporting. No fim, vitória por quatro mas até poderia ter sido por mais. O demérito do Gil Vicente não pode, ainda assim, ser excluído da análise.

O jogo começou de feição para o conjunto de Marco Silva, que, após uma (das raras) boas intervenções de Slimani na manobra ofensiva, viu Adrien fazer um grande golo de fora da área. A confiança subiu e o Gil estremeceu. Pouco tempo depois, novamente Adrien a combinar bem com Nani, que fez mais um excelente golo, outra vez de longe. Apesar de cedo no jogo, o Sporting justificava a vantagem. Jonathan Silva, a outra alteração no 11, dava bastante profundidade pela esquerda; Adrien, João Mário e Nani iam fazendo do jogo o que queriam e se ao intervalo a vantagem não era bem maior, Marco Silva só se podia queixar do pouco jeitinho de Slimani e da cabeça sempre baixa de Capel.

Não é difícil melhorar a qualidade deste Sporting  Fonte: zerozero
Não é difícil melhorar a qualidade deste Sporting
Fonte: zerozero

E a defesa?, pergunta quem tanto contestou a análise que fiz no último fim-de-semana. A defesa pouco teve de defender, dirá a maioria. Graças a Deus, respondo eu. Mas ainda assim é inaceitável que, num jogo tão tranquilo, Maurício seja capaz de falhar (pelo menos) dez passes – que contei. Parecendo que não, este dado significa que o Sporting atacou menos dez vezes. E dez são muitas vezes! Sarr esteve mais tranquilo, também arriscando menos, como fariam os mais experientes (?!) em situação de pressão.

No início da segunda parte o jogo mudou um pouco. É natural, ora. Poucos maestros dominam a totalidade do espectáculo na sua estreia. A equipa da casa tentou subir linhas, explorou mais os seus melhores jogadores (Diogo Viana e César Peixoto) e foi pelo menos tentando mais do que nos primeiros 45 minutos. Ainda assim, sem nenhuma real ocasião de golo. Saiu William por Rosell – gosto bastante deste rapaz! – e o Sporting, aos poucos, foi aproveitando o espaço de que dispunha. É isso que acontece quando há jogadores que procuram, sem bola, o espaço para explorar, recebem, protegem, procuram a melhor linha de passe e entregam jogável. E melhor do que juntar João Mário a Nani só juntar João Mário a Nani e Montero. Fico à espera, Marco! Não te deixes enganar pelo golo do Slimani, que até o mais limitado dos músicos acerta algumas notas quando orientado pelo melhor maestro. E já disse que há semelhanças entre a música clássica e o futebol, não já?

Depois entrou Carrillo por Capel e Montero por Slimani – eu aplaudi em casa! – e a equipa acabou por fazer o quarto. Podia acabar aqui, mas deixava passar o pormenor que separa os bons dos melhores. A capacidade de decidir bem no contexto específico que só é possível a quem sabe ver o que o rodeia. Em casa, quando o João Mário recebeu isolado na grande área, gritámos todos “remata!”. Mas o maestro disse olá. Neste caso, a Carrillo. Foi assim hoje; mas há que dar ao maestro os melhores músicos ou a orquestra há-de desafinar.

A Figura

João Mário – Não preciso de falar mais dele, pois não? Luís Freitas Lobo bem disse que ele hoje comprou gamebox para a época inteira. Mas não é para a bancada.

O Fora-de-jogo

Gil Vicente – A equipa de José Mota vai precisar de melhorar muito se ambiciona manter-se entre os melhores no próximo ano. Há jovens com muita qualidade por aí perdidos, digo eu a quem acho que não tem mundos e fundos para gastar em reforços.

AC Milan 0-1 Juventus FC: O Rescaldo

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O início da temporada fazia adivinhar um AC Milan mais forte, capaz de olhar a tricampeã de Itália nos olhos. E assim foi. A Juventus sem Pirlo e sobretudo sem Vidal não conseguia dominar o meio-campo, e a verdade é que nos primeiros 20 minutos o jogo foi dos rossoneri, que tiveram mais posse e causaram mais perigo. O holandês De Jong e principalmente o ganês Muntari emprestaram muita força física e raça aos duelos no meio-campo, o que causou dificuldades na construção de jogo a Marchisio e Pereyra, reforço de verão proveniente da Udinese. No entanto, após um lance de perigo através de Llorente (32º minuto), a Juventus amedrontou os homens de Inzaghi e isso fez com que os milaneses baixassem as linhas de pressão. A partir daí, e até ao intervalo, a Juventus teve um grande ímpeto atacante e por várias vezes poderia ter chegado ao golo, não fosse o experiente Abiatti. No início da segunda parte o jogo voltou a equilibrar-se, assumiu um ritmo mais lento e voltou maioritariamente a disputar-se no meio-campo.

O AC Milan ressentia-se da ausência de uma referência clara na frente de ataque e da falta de inspiração de jogadores como El Shaarawy ou Keisuke Honda. A Juventus começou a dominar o meio-campo, sobretudo porque Pogba começava a assumir-se progressivamente como o senhor desse território, e aos 71 minutos assistiu Tévez, que com classe desviou para o fundo das redes e fez o único golo da noite no San Siro.

Tévez fez o único golo da partida Fonte: Juventus
Tévez fez o único golo da partida
Fonte: Juventus

Após o golo, a equipa transalpina recuou as linhas e apostou essencialmente no contra-ataque, causando perigo com alguma frequência. Filippo Inzaghi tentava reagir e colocou em jogo Fernando Torres e Pazzini para os lugares de Poli e Honda, respetivamente. Massimo Allegri, de regresso ao estádio que foi a sua casa no ano passado, fez também entrar Vidal, que regressou aos relvados após lesão, e pouco depois Rômulo, médio brasileiro emprestado pelo Verona. Contudo, o Milan manteve-se incapaz de alterar o resultado, mesmo depois da entrada de Bonaventura, um jogador a acompanhar neste novo AC Milan. O resultado acabou por ser justo, visto que a Juventus teve mais oportunidades de golo e esteve sempre mais perto da vitória, apesar de não ter havido um domínio sobejo por parte de nenhuma equipa.

A Figura

Paul Pogba – o francês fez a assistência para o golo de Tévez, desequilibrou quando pegou na bola, fez bons passes e foi o jogador que mais qualidade demonstrou em campo.

O Fora-de-Jogo

Stephan El Shaarawy – o “faraó de Milão” não mostrou a irreverência, a técnica e a imprevisibilidade que tanto o caracterizam e fazem emocionar os adeptos rossoneri. A sua equipa ressentiu-se muito disso, e por isso merece este destaque negativo.

 

Pedroto e o Plano B

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Qualquer equipa pode ocupar dois terços de um campo de futebol. O problema está em conseguir usá-los para alcançar o último.

O jogo entre o Futebol Clube do Porto e o Vitória de Guimarães mostrou algo que já se tinha percebido há muito tempo: ou o Porto melhora o seu modelo de posse de bola e alcança mais vezes a área adversária ou começa a preparar um plano B. José Maria Pedroto dizia que ao futebol português faltavam 30 metros de profundidade. Tinha toda a razão. Temos um treinador espanhol, vários jogadores estrangeiros recém-contratados (e de grande qualidade) que não sabem o que é o futebol português, e, no entanto, o Porto consegue evidenciar essa miopia revelada pelo Mestre Pedroto. O Vitória pressionou bem, fechou muitos espaços, soube povoar o meio-campo e mostrou como o Porto não só é lento a progredir como também é carente de ideias. A grande fragilidade da equipa de Guimarães – a meu ver – foi apenas uma: transições defensivas. Aquele momento em que perdiam a bola, principalmente no meio-campo, e tinham de se posicionar para começar a defender e recuperar outra vez a bola. Rápidos a avançar mas lentos a recuar nesse momento de jogo, a mostrarem lacunas que podiam ser bem exploradas por um Porto que não aquele obsessivo pela posse e pela progressão no pé em vez de no espaço. O jogo terminou e disse logo que aquilo era a lição de que precisávamos para começar a trabalhar um plano B. Não é mudar o modelo vigente, atenção! O plano B é usado quando o A falha. Em Guimarães foi exactamente isso que aconteceu. A lição, imagino, deve ter sido estudada, pois três dias depois ganhámos a um modesto BATE Borisov por uns convincentes 6-0.

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Vitória de Guimarães deu a lição que o Porto precisava
Fonte: maisfutebol.iol.pt

Em noite de Champions, o que vimos no Dragão foi um belo festival de futebol ofensivo. Porquê? Porque a mentalidade também mudou! Finalmente houve um Porto de progressões rápidas, a aproveitar a velocidade do Brahimi e as rupturas do Herrera, e com o próprio Adrián López a dar um apoio ao Jackson como nunca se viu. O problema é que não estamos habituados a essas transições mais rápidas, e notou-se isso nas incursões do BATE mal perdíamos a bola. Mas, como tudo, isso trabalha-se. Agora, o que é realmente um crime é ter jogadores de elevada qualidade técnica e velocidade e não os utilizar para os “contrapés” dos adversários. Com a qualidade de passe de Óliver e Herrera, a velocidade de Tello, Brahimi, Adrián, Quaresma ou até mesmo Ricardo, e o posicionamento soberano de Jackson, como é que é possível que este Porto ainda não tenha posto em prática um plano B? Eu até ajudo a dar o nome: chamem-lhe o plano Bóóóra!

Finalizo com quatro notas. 1- Quaresma está muito mais jogador de equipa e isso nota-se até na defesa. Esta pré-disposição do Harry Potter mostra que tem a cabeça e o coração no sítio certo e que pode ser ainda mais importante para o Porto em sectores do terreno que nem nós imaginávamos. 2- O jogo no Dragão teve um espectáculo muito especial chamado Brahimi. Eu disse que ele ia marcar mais golos de livre (não fui o único, com certeza). De lembrar que só está cá (por “cá” entenda-se “Porto” ou “futebol português”, como quiserem) por causa dos fundos. 3- Adrián López não tem mostrado muito mas já se percebeu que não inventa, é experiente e super-rápido a decidir. De certa forma, acho que acabei de dar a receita básica para qualquer bom finalizador. 4- Desde que começou a temporada temos sete jogos disputados, seis vitórias, um empate, 16 golos marcados e apenas um sofrido… de penalty. Se isto não é um Porto com um potencial brutal não sei o que será.

Longe da vista mas perto do coração

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Ze Pedro Mozos - Sob o Signo do Leao

Depois de alguns meses de inactividade neste site, estou de volta. Sem me querer alongar em grandes explicações sobre a causa da minha ausência, gostava de deixar claro que a pausa se prolongou, forçosamente, mais do que aquilo que eu desejava. Uma das razões foi o facto de estar de Erasmus e de me ter mudado para outro país. Hoje escrevo-vos da República Checa, e assim será nos próximos cinco meses. E é precisamente por aqui que quero começar.

Estou em Brno, uma cidade no sul da República Checa. Tenho vindo a acompanhar o Sporting à distância. Embora a internet ajude – e muito! – a tornar o acompanhamento mais fácil, não é de todo a mesma coisa. Não poderei ir ao estádio ou ver os jogos com a instantaneidade e qualidade que são desejáveis. Haverá sempre um sentimento de pequena nostalgia por não estar em Lisboa para poder partilhar com a comunidade sportinguista as alegrias e tristezas que forem surgindo.

Por essa razão, e porque sempre tive noção de que assim seria, ao longo deste verão fui acompanhando as novidades do Sporting com especial atenção e com igual entusiasmo. Desde a primeira mudança – entrada de Marco Silva para o comando técnico do Sporting – que comecei a encher-me de esperança em relação àquilo que se poderia passar nesta época. Foi a melhor opção para continuar o trabalho que Leonardo Jardim deixou a meio, como já aqui escrevi. Disso não tenho dúvidas.

Depois de Marco Silva seguiram-se inúmeras contratações, a maioria bem conseguida e com um objectivo coerente que era transversal a qualquer acção do Sporting no mercado: alargar as opções do plantel e apostar em jogadores que tivessem uma grande margem de progressão. Quanto às saídas, Bruno de Carvalho manteve-se firme e conseguiu segurar peças fundamentais para alcançar os objectivos a que o Sporting se propôs para a época que ainda agora começou. Muito se falou da saída de William Carvalho, de Adrien Silva, de Rui Patrício, de Slimani e de Marcos Rojo. Destes, só o argentino é que foi impossível de segurar, em grande parte devido ao excelente Mundial que realizou. Mas não saiu de qualquer maneira: a saída de Marcos Rojo supôs um encaixe de 20 milhões de euros, 12 dos quais vêm directamente para os cofres leoninos, e o empréstimo de Nani, um jogador extraordinário, acima da média e que acabou por se tornar reforço mais sonante deste mercado em Portugal.

O balanço do mercado de transferências pode dizer-se positivo. O problema está na cobertura da lacuna que Marcos Rojo deixou. A saída de Eric Dier, que durante a pré-época se exibiu a um nível mais do que satisfatório e que parecia ser a primeira aposta de Marco Silva para substituir Marcos Rojo, forçou a passagem de testemunho para o jovem Naby Sarr. Não iria ser fácil fazer esquecer o central argentino, e ontem ficou provado que nenhum dos centrais titulares do Sporting tem a qualidade ideal para uma equipa que vai competir em quatro frentes e que se apresenta como candidata ao título. Em conclusão, o plantel do Sporting manteve a sua base e reforçou as posições mais problemáticas, apostando em nomes jovens que podem vir a dar frutos no futuro como Ryan Gauld, Jonathan Silva, Slavchev, Sakho ou Rami Rabia – mas ficou a perder no eixo defensivo.

Apesar de Slimani ter ficado no Sporting, a falta de eficácia tem sido o outro grande problema dos pupilos de Marco Silva Fonte: zerozero
Apesar de Slimani ter ficado no Sporting, a falta de eficácia tem sido o outro grande problema dos pupilos de Marco Silva
Fonte: zerozero

Posto isto, os sportinguistas podem estar esperançosos em relação àquilo que pode vir a acontecer não só durante esta época mas também nas próximas. Se a gestão continuar a ser igualmente boa, não poderemos ter medo de afirmar que o Sporting voltou para ficar. Este ano teremos uma luta pelo título a três. É certo que o início não foi o mais desejado, mas, precisamente por ser o início, não se pode dramatizar aquilo que não foi mais do que mau arranque.

Há ainda muitos aspectos a corrigir, sobretudo na defesa, mas não se pode atirar já a toalha ao chão. Gostava de poder mostrar a minha solidariedade para com a equipa e ir apoiar o Sporting ao estádio já no próximo encontro, mas a distância assim não mo permite. No entanto, sei que os adeptos que ficaram em Lisboa assim o farão e sentir-me-ei representado. Quanto a mim, continuarei a ver todos os jogos e a vibrar com cada golo, cada boa exibição, com a força da nossa Curva Sul e com cada vitória. O Sporting pode estar longe da vista mas nunca longe do coração.

Roberto Firmino: Uma Estrela em Ascensão

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Roberto Firmino pode passar despercebido aos mais desatentos, mas para quem segue futebol com atenção este é um nome a reter e a seguir. O virtuoso brasileiro é, com vinte e dois anos, uma das figuras emergentes do campeonato alemão e o craque de serviço no Hoffenheim.

Desde 2010/11 por terras alemãs, o jovem jogador vem firmando créditos e tem confirmado todo o potencial que lhe era atribuído.
Na sua época de estreia, Carlos Eduardo, entretanto desaparecido na Rússia, despontava com a camisola dez e tapava todos os caminhos a um franzino craque vindo do Figueirense. Nesse meio-campo também já sobressaía um jovem austríaco que mais tarde se viria a afirmar como um dos melhores, se não o melhor, lateral-esquerdo da actualidade, David Alaba, na altura emprestado pelo Bayern de Munique.

Apesar de marcar alguns tentos e de se destacar a espaços, um dos motivos que vinham adiando a confirmação de todo o seu talento era o seu posicionamento em campo. Os treinadores insistiam em colocá-lo numa das linhas ou a jogar num sistema de três médios em que as preocupações mais defensivas não o deixavam soltar as amarras e desbravar caminho com fintas estonteantes e entradas fulminantes na área contrária.

firmino
Firmino a estreou-se a marcar esta época com um golo de bandeira
Fonte: bundesliga.de

A deslocação em definitivo para as costas do avançado veio confirmar tudo o que prometia e a época que passou foi, sem sombra de dúvida, brilhante. Marcou dezasseis golos e fez doze assistências no campeonato. Mas não é só de estatísticas que se faz um jogador e com a maior maturidade adquirida conseguiu finalmente exponenciar todas as ferramentas que fazem dele um dos maiores valores que passeiam pela Alemanha.
Capacidade goleadora, último passe e técnica assombrosa são só alguns dos seus principais atributos. O único senão é a agressividade excessiva, que o leva a acabar demasiadas vezes com o amarelo na ficha de jogo.

A selecção brasileira, neste momento, parece um local utópico, por onde, apesar da juventude, já merecia ter uma passagem. Firmino foi figura numa das mais competitivas ligas e conseguiu o feito de ser o melhor marcador brasileiro na Europa, ultrapassando Neymar e outros craques.
Com a renovação em curso na canarinha pode ser que surja uma oportunidade, mas para já Dunga deixou-o de fora das primeiras convocatórias pós-Mundial. Talvez as oportunidades apareçam com uma mudança para um emblema de maior prestígio…

O maior mistério continua a ser a manutenção do dez num clube de média dimensão e cliente habitual do meio da tabela, isto depois de um defeso onde foi associado a vários tubarões como o Inter ou o Arsenal. O próprio jogador assumiu que queria continuar no clube para não queimar etapas e renovou até 2017, mas a sua capacidade actual já exige voos mais altos. O início de época é prometedor e esta poderá bem ser a última época na pequena vila alemã.

Benfiquismo = montanha-russa de sentimentos

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Terceiro Anel
E pronto, cá temos João Rodrigues de regresso. Não, não emigrei. Não, não abandonei o site. Não, não fui trabalhar para a CNN. Apenas me mantive ocupado durante todo o Verão (sim, muito lazer incluído), logo só neste dia 18 de Setembro é que tive oportunidade de voltar a escrever sobre a tal entidade que me faz enlouquecer a toda a hora: o Sport Lisboa e Benfica.

E a verdade é que puxei um pouco a cassete atrás, e acabei por reparar que não escrevia sobre o maior de Portugal desde o dia 22 de Maio. Posta essa observação, iniciei todo um processo de reflexão, e cheguei à seguinte conclusão (quer dizer, conclusão que não constituiu propriamente nenhuma novidade): ser benfiquista é como estar numa montanha-russa, tão depressa em cima como em baixo.

Ora bem, no dia 22 de Maio eu era um homem completamente eufórico, a viver em estado de graça. Tinha acabado de ver o meu lindo clube a ganhar tudo o que era prova nacional, a ir a uma final europeia, a parar o país de lés a lés. Aí já tinha a noção de que vários jogadores poderiam vir a sair do clube, mas como adepto fascinado nem perdia muito tempo a pensar nisso. Depois veio o Campeonato do Mundo, a Selecção Nacional acabou por me ocupar um pouco mais o pensamento (mas não há mesmo nada que chegue perto do Benfica), e pronto…uma pessoa lá se esqueceu um pouco do mercado, apesar das polémicas que começavam a surgir em torno de Enzo Pérez.

Que momentos como este se repitam ao longo desta temporada, vezes sem fim  Fonte: Público
Que momentos como este se repitam ao longo desta temporada, vezes sem fim
Fonte: Público

Encerrada a participação portuguesa no Mundial, eis que surgiu o pânico! Momentos pavorosos! Cada instante era um terror! Vendas intermináveis, notícias constantes sobre possíveis saídas, Sport Lisboa e Benfica quase sem atletas. Eu ali, a querer aproveitar o Verão, mas a ir para a praia com um nó na garganta, a ouvir os cochichos dos homens reformados sobre o clube de sonho, a recear que a qualquer momento alguém me ligasse dando conta de uma venda estrondosa. Só se vendia, apenas se comprava “refugo”, sportinguistas e portistas não paravam de gozar. E depois, depois…(posso saltar esta parte?) veio esse torneio londrino, Emirates Cup, em que eu dei por mim a ver o Benfica a levar 5 secos do Arsenal, ao mesmo tempo que no eixo defensivo jogávamos com esses imponentes Sidnei’s e César’s e com um requintado Luís Felipe na lateral direita. Admito: naquela tarde de sábado, 2 de Agosto de 2014, eu fiquei a tremer, andando sem rumo de um lado para o outro, repetindo a mim mesmo e com toda a gente que só por milagre o Benfica ascenderia de um 8º posto no campeonato.

Porém, como quase sempre acontece, vi que o meu lado exagerado de benfiquista estava a falar mais alto. Os Enzos e Nicos desta vida ficaram, o Presidente tranquilizou-me após uma mais do que necessária entrevista, o Samaris chegou, Júlio César veio para destronar Artur (o homem que necessita mesmo de um mês de férias no Tibete), Cristante é um diamante por lapidar.

Vencemos a Supertaça (9 anos depois!) e iniciámos o campeonato com 3 vitórias em 4 jogos. O Talisca já encantou, no meio-campo até temos mais opções, entretanto Jonas embarcou em Lisboa para nos ajudar nas provas nacionais, Jorge Jesus parece mais calmo. Perdemos no arranque da Champions, não perdemos? Sim, perdemos. Mas penso mesmo que se tratou de uma derrota compreensível, tendo em conta as incidências (Vieira, é para comprar um defesa-central no mercado de Inverno!).

Se tenho medo do FC Porto? Medo, não. Mas tenho muito respeito. Com aquele plantel vão dar uma luta terrível. Se acho que o Sporting está arrumado? Não, não está, mas com aquela dupla no eixo defensivo dificilmente conquistarão um campeonato. Se confio no Sport Lisboa e Benfica? Sim, confio. Se acho que sou um adepto benfiquista emocionalmente instável? Sim, sou. Mas sou como mais 5 milhões e 999 mil adeptos, que tão depressa assobiam aos 10 minutos de jogo, como aplaudem de pé a equipa sob inúmeros cânticos depois de uma derrota (sim, arrepiei-me).

Se vou regressar com muita vontade para este site? Sim, vou mesmo! Grande projecto, com grandes pessoas, com grandes amigos. Que seja um grande ano desportivo para todos, mas em especial para o meu Benfica, a minha “droga”.