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O Passado Também Chuta: Romário

o passado tambem chuta

Acabou o Campeonato do Mundo e o Brasil – berço de génios do pontapé e vizinho de países que não tiveram menos celebridades – chora entre golos de caipirinha e caipirosca. Desta feita, o Brasil, a Argentina ou o Uruguai ficaram perto de estar perto. Vinda da Europa, a velha e rançosa Alemanha arrecadou o campeonato sem contemplações ou sentimentalismos. No entanto, os futebóis brasileiro, argentino ou uruguaio merecem que lhes preste homenagem na figura de um dos seus monstros do pontapé. Escolherei um baixinho, muito baixinho, e ainda que seja brasileiro quero que represente ou simbolize o futebolista destas potências hoje derrotadas. Tostão, aquele Pelé branco que jogou e ganhou o Mundial de 1970, disse que não se importaria de deixar o seu lugar na canarinha ao génio que o ocuparia. Imagino que muitos, a esta altura do baile, estarão a pensar: “só pode estar a pensar no Romário.” Claro! Só posso estar a pensar no Romário…

Criticou o despesismo deste Campeonato, mas, além disso, foi um grande; um ex-craque que soube manter-se fora dos discursos apologéticos protagonizados pelo Pelé ou pelo Ronaldo. Os contabilistas das estatísticas guerreiam para poder afirmar se ele ou Pelé foram os máximos goleadores da história; Romário marcou e fartou-se de marcar, mas marcava sem manifestar muita admiração pelo esforço físico ou trabalho entre jogos. Gostava da noite e a noite gostava dele. Gostava da bola e a bola gostava dele. Um treinador que teve o prazer de o ter como jogador (Hiddink) contou: “antes de jogos importantes, aparecia e dizia: «coach, tranquilo, Romário vai marcar e ganharemos». E a verdade é que marcou em oito dos dez jogos com essas características”.

Passou dois anos no Barcelona  Fonte: YouTube
Passou dois anos no Barcelona
Fonte: YouTube

Como sabemos foi campeão com todos os clubes por onde passou e maravilhou os amantes do futebol, mas, hoje, quero que seja só o símbolo de um passado genial de três países que são viveiros de craques, muitos deles indisciplinados e irreverentes. Romário dizia que não lia jornais desportivos e que desconhecia a constituição habituais das equipas rivais. Ele jogava; não cantava no coro da paróquia. Levou-se mal e bem com jogadores e treinadores; jamais deixou de ser ele.

Ainda sendo um craque deslumbrante, regressou ao Brasil e manteve-se sobre os relvados e a marcar golos como poucos. E não treinava ou – melhor dito – não treinava como exige, hoje, o futebol atlético que se pratica. Situado na área, apanhava a bola com o pé; de costas para a baliza e para o defesa, normalmente gigante, e como se o seu pé fosse uma colher arrepanhava a bola enquanto o marcador ficava à procura da relva ou a ver se a bancada não caía! Romário enviava a bola para onde se produz o orgasmo futebolístico; para a baliza.

Para poder enquadrar este texto no sentido de representação que pretendo dar-lhe, só mencionarei um dos muitos títulos que Romário ganhou: campeão Olímpico.

Um Mundialito sem emoção

cab futebol de praia

A lógica perdurou. Estava mais do que visto que a vitória de Portugal neste Mundialito ia ser uma realidade. A qualidade das outras seleções era pouca e Portugal aproveitou para fazer deste pequeno torneio um treino para adquirir mais rotinas e dar mais experiência aos seus jogadores. Portugal apresentou em todos os jogos um 5 inicial com Hidalgo na baliza, Jordan e Torres mais recuados e Madjer no apoio a Belchior. No banco, Mário Narciso contava com Coimbra, Alan, Bruno Novo e José Maria, que entravam constantemente em bloco, para substituir os 4 jogadores titulares. O selecionador nacional optou, maioritariamente, por uma troca total dos seus jogadores do campo e acabou sempre por se dar bem. Não só porque as outra seleções não tinham argumentos para mais, mas também porque, pela primeira vez na sua história, Portugal tem quase tanta qualidade no seu 5 inicial, como no seu banco de suplentes. Esta é, muito provavelmente, a melhor equipa de Portugal.

No jogo de hoje, Portugal bateu o Japão por 8-2, depois de ter vencido os E.U.A. por 14-1 e a Hungria por 5-0, e confirmou a sua superioridade perante todas estas equipas de segunda categoria do Futebol de Praia. Tenho realmente muita pena que, neste ano, não tenhamos tido a presença das melhores seleções do mundo, como é o Brasil, a Rússia ou a Espanha, mas a vitória neste Mundialito pode ser importante para dar confiança para o Campeonato do Mundo do próximo ano, que se realiza em Portugal. Madjer, a cada jogo que passa, continua a reforçar o seu estatuto como melhor jogador de sempre da modalidade e, pela minha parte, só desejo que continue a jogar ao mais alto nível por muitos mais anos. Belchior é o jogador em melhor forma nesta equipa e é o substituto natural do capitão de Portugal como maior referência da equipa das Quinas. Para isso, precisa apenas de deixar de ser tão individualista em determinadas alturas do encontro. É também um orgulho continuar a ver Alan a representar Portugal. Os seus 39 anos estão bem escondidos no seu espírito guerreiro e de entreajuda com os seus colegas. Sem querer individualizar muito mais, queria apenas deixar uma menção honrosa para Jordan. Que jogador fantástico. O prémio de melhor jogador deste Mundialito só surpreende quem não viu a competição. Jordan sabe defender, tem uma técnica fora do comum e uma invulgar capacidade para finalizar os lances de ataque.

Resumindo e concluindo, houve, de facto, um facilistismo tremendo da organização para entregar, quase de bandeja, este título a Portugal. Mas convém pensarmos nos pontos positivos dessa medida e verificar que esta vitória só pode dar motivação e reforçar o entrosamento dos jogadores nacionais.

PORTUGAL - EUA
A seleção nacional tem motivos para estar otimista para o Mundial do próximo ano
Fonte: ASF

Mundialito’2014:

Vencedor: Portugal

Melhor Jogador: Jordan

Melhor Guarda-Redes: Nuno Hidalgo

Melhor Marcador: Belchior

Eusébio Cup – Benfica 0-1 Ajax: Pobre homenagem ao Rei

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cabeçalho benfica

Na primeira edição da Eusébio Cup sem a presença ilustre do Rei no Estádio da Luz, o Benfica foi derrotado pelo Ajax por 1-0 e voltou a não conseguir manter o troféu em casa. Jorge Jesus, a poucos dias do primeiro jogo oficial da temporada, tem ainda muito trabalho pela frente. Na primeira parte, os encarnados até tiveram uma grande oportunidade para marcar quando Nico Gaitán apareceu isolado frente a Vermeer, mas o argentino não conseguiu marcar. E como quem não marca, sofre, Ricardo Kishna aproveitou os erros de César e Artur para deixar o Ajax em vantagem ao intervalo. Na segunda parte, com jogadores menos rotinados, o Benfica teve muitas dificuldades para criar perigo junto da área. O penalty falhado por Jara aos 82′ e a perdida incrível de Ola John isolado frente ao guarda-redes foi o melhor que os encarnados conseguiram fazer.

Jorge Jesus: Procurou apresentar, de início, o melhor 11 possível, dadas todas as condicionantes que têm afetado o plantel. Tirando o guarda-redes e a dupla de centrais, parece-me que a equipa inicial de hoje vai ser muito semelhante à que se irá apresentar no primeiro jogo oficial da época, que é já daqui a duas semanas, frente ao Rio Ave.

– Artur: Muito mal na abordagem ao lance do primeiro golo. Continua sem dar a segurança necessária à defesa do Benfica.

– Dupla de centrais: É medonha. Sidnei está pesado e lento. César é imaturo e comete demasiados erros.  Jorge Jesus deve estar a fazer figas para que Luisão, Lisandro e Jardel regressem rápido.

– Loris Benito: A chegada de Eliseu pode impedi-lo de jogar tanto como queria. Mas eu mantenho que este é um jogador interessante. Muito seguro defensivamente, pese embora algumas falhas posicionais habituais de quem chegou há pouco tempo. Precisa de jogar e de ser mais desinibido nas suas manobras ofensivas.

– Talisca: Obviamente que não tem a intensidade de Enzo Pérez, mas o médio brasileiro tem imensa qualidade. Muito bom a segurar a bola e com excelente visão de jogo. Sabe sair sempre a jogar e procura sempre a melhor opção para servir os seus companheiros. Arrisca-se a ser uma das revelações do Benfica deste ano.

Os encarnados não conseguiram dedicar a vitória ao Rei Eusébio
Fonte: SL Benfica

– O nº10 em Gaitán: Não sei se a ideia de lhe oferecer a camisola 10 foi apenas um prémio para o argentino pelos muitos anos de casa, e, ao mesmo tempo, procurar sensibilizá-lo para ficar na equipa, mas os resultados foram inconsequentes. O mágico esteve apagado.

– Salvio: Ainda se nota alguma falta de ritmo, mas apresentou bons pormenores. Vai ter um papel decisivo no Benfica deste ano.

– Dupla Lima/Cardozo: Não funciona. É cada vez mais evidente que este esquema de Jorge Jesus necessita de dois avançados móveis e o paraguaio não se enquadra, de todo, neste modelo. Saviola, há uns anos, era o único que conseguia disfarçar as fragilidades de Cardozo neste esquema. Derley, no segundo tempo, trouxe muito mais agressividade ao ataque do Benfica.

Ola John: Trouxe mais rapidez e intensidade ao ataque do Benfica. Está a demonstrar que tem argumentos para lutar por um lugar no plantel deste ano.

João Cancelo: Tem grandes argumentos técnicos e hoje entrou endiabrado. Se Jorge Jesus lhe conseguir transmitir os princípios básicos do posicionamento do lateral em campo, pode vir a ser uma opção muito válida para o plantel do Benfica do próximo ano.

João Teixeira: Tem sido uma das revelações da pré-temporada e hoje voltou a deixar boas indicações. Enorme sentido posicional, sabe sempre o que fazer em campo e procura jogar simples. Uma boa opção que Jesus encontrou para o seu meio-campo.

Bebé: Entrou com vontade excessiva de demonstrar serviço e isso pode tê-lo prejudicado. Não gostei de o ver na ala.

Eliseu: Está fora de forma e vai ter de demonstrar muito mais para alcançar o nível do seu colega de posição, Benito.

Franco Jara: Completamente perdido em campo. Conseguiu arrancar um penalty aos 82′, mas foi incapaz de o concretizar.

Ajax: A equipa de Frank de Boer esteve muito organizada e Ricardo Kishna foi a figura em destaque. Não é por acaso que comparam o jovem holandês a Angel Di María. Impressionante capacidade de arranque e de desequilibrar no 1 para 1.

Samurais, faraós, colorimetria e dores de cabeça na terra dos moinhos

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relacionamentodistancia

Primeiro, e mais importante do que qualquer assunto de natureza futebolística, quero aqui declarar que não quero saber do tom de verde escolhido para os calções do equipamento principal do Sporting. São verdes. Já chateia tanta discussão. Se fossem vermelhos e tivessem uma águia na parte da frente, então tínhamos motivo de debate. Se fossem cor-de-rosa com um dragão, tínhamos motivo de discussão. São verdes. “Ah mas deviam ser pretos ou brancos, ou…”. São verdes. O que conta é o que está… debaixo dos calções. São verdes, get over it.

Passando a coisas sérias, no embate de hoje frente ao Utrecht (the “t” is silent), o sexto da pré-época dos leões, Marco Silva repetiu o onze que venceu o Benfica, na final da Taça de Honra. Dos reforços, apenas Oriol Rossel alinhou de início, no vértice mais recuado no triângulo do meio-campo.

Os holandeses começaram melhor, a trocar a bola num futebol apoiado e tomando a iniciativa da partida. O Sporting, com menos bola, ia pressionando em bloco coeso, com dinâmicas interessantes e pouco usuais na ocupação de espaços por parte de André Martins, que ia aparecendo adiantado, jogando entre o avançado e o extremo. À passagem do minuto 20 surgiria o primeiro golo, por André Martins, que, após remate de Adrien Silva, tirou o guardião adversário do caminho e assinalou mais um tento nesta fase de preparação. Um pequeno parênteses: esta abundância de golos por parte do internacional português não é obra do acaso. Mas já lá vamos.

O médio português voltou a marcar e a convencer
Fonte: Mais Futebol

O Sporting estava, nesta fase, no controlo do jogo. Boas combinações no meio-campo, Capel a jogar como se da final da Champions se tratasse, até Carillo jogou como se o futebol se tratasse um desporto colectivo, imagine-se. À meia hora de jogo, Montero viria a desperdiçar uma oportunidade soberana de voltar a marcar quando, isolado, tentou oferecer o golo a um colega. Adeptos no estádio e no sofá levaram, coreograficamente, as mãos à cabeça. Esta foi a primeira de três, ainda antes do intervalo. Outro pequeno parênteses: parece-me que a incapacidade de Montero concretizar também não é obra do acaso. Mas já lá vamos.

Pouco depois, o segundo golo, fotocópia do primeiro. Remate de Adrien Silva, defesa incompleta e recarga de Cédric, a empurrar para o 2-0.

A segunda parte trouxe João Mário e Carlos Mané, juntamente com uma descida de ritmo da equipa verde e… verde. O Utrecht pegava no jogo, o que levou Marco Silva a colocar William Carvalho para o lugar de Rossel, a.k.a. o SEU lugar. Boeck defendeu um penálti esquisito, palmas para ele, o capitão desta tarde. Pouco depois, golo do Sporting. De quem? Junya Tanaka, que tinha entrado 3,2 segundos antes para empurrar um cruzamento apetitoso de Jefferson. O Oliver Tsubasa do Campo Grande fazia o quarto em dois jogos e confirmava a vitória tranquila do Sporting. Juntamente com o japonês, entrou também Shikabala para a direita, com fome de bola e vontade de fazer estragos. A jogo vieram ainda Paulo Oliveira, Esgaio e Slavchev, com pouco tempo para impressionar. Boeck faria ainda uma defesa impressionante e Mané abanou com a trave, num belo remate após bom trabalho de Slavchev.

E agora as dores de cabeça. Ou o André Martins se acalma de jogar tanto à bola ou o João Mário se arrisca a ficar demasiado tempo no banco numa época que deveria ser a sua. Ou o Montero começa a meter um golito de vez em quando ou arrisca-se a passar de segunda para terceira opção na frente (o Samurai parece-me um jogador de características semelhantes mas com mais instinto e confiança do que “El Avioncito”, por agora). Nas alas, Carrillo, Capel, Mané e Shika… difícil… Quem trabalhar mais, agarra os dois lugares. Tudo dores de cabeça (boas) para o Mister resolver até ao início da temporada. Faltam ainda alguns testes com um grau de dificuldade maior, todos eles importantes para perceber, juntamente com eventuais entradas e saídas no plantel, que equipa irá apresentar o Sporting contra a Académica na primeira jornada do campeonato. Mas… já lá vamos.

Para a eternidade, Deco

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dosaliadosaodragao

Mal o pisaram, o novo relvado do Dragão sentiu-se o mais feliz de todos os relvados de todos os estádios de todos os mundos. As doses desmesuradas de magia, personificadas num nome com quatro letras, atravessou homens de todas as nacionalidades e fê-los juntar-se num final de uma sexta-feira quente de Julho para, revisitando duas equipas que fizeram história no futebol europeu da era moderna, materializarem o mais nobre dos sentimentos. Mesmo em futebol. A gratidão.

Deco quis, o homem sonhou, a (merecidíssima) homenagem nasceu. A instituição FC Porto, que em tantos outros momentos negligenciou aqueles que lhe ofereceram a glória, demonstrou ter memória e proporcionou o aplauso que há uma década estava injustamente por ser dado à equipa dos sonhos impossíveis, ao FC Porto de 2004, na pessoa do mais genial e influente jogador daquele conjunto que venceu, venceu e venceu, como mais nenhuma outra equipa portuguesa – Deco.

Para o comum adepto, é incomensurável o prazer de ter o Mágico de novo com o seu ‘10’ vestido, o manto sagrado patenteado pelas quatro letras que fizeram sempre do FC Porto algo maior e mais grandioso. Por isso toda a gratidão. Por isso toda a memória. Por isso o sentimento de nostalgia, reacendido a cada nome chamado por Deco, também ele percebendo que a época que marcou tem aliado a si Vítor Baía, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Pedro Emanuel, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Pedro Mendes, Alenitchev, Derlei, Benni McCarthy, Jankauskas, Sérgio Conceição, Carlos Alberto e outros mais. Aqueles que, com ele, ganharam tudo e que, passados dez anos, de novo juntos, perfilados, ao som do hino do clube que elevaram, como que se preparando para derrotar o Celtic ou o Man Utd, a Lazio ou o Mónaco, lhe prestaram a devida vénia.

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FC Porto e FC Barcelona unidos na homenagem a Deco
Fonte: mundodeportivo.com

A festa foi bonita, conjugando surpresa com emoção, brilhantismo com sorriso. Fez-se de um confronto entre o FC Porto 2004 e o FC Barcelona de 2006 – duas equipas campeãs da Europa, duas equipas marcadas pelo toque de Deco –, onde os diversos protagonistas não se coibiram de demonstrar belos pormenores. Porque se, hoje, há barriga, a qualidade técnica também por lá anda, mesmo que os anos para alguns já pesem.

Com Deco à cabeça, houve um FC Porto mais forte na 1ª parte, com jogadas bem desenhadas, como se José Mourinho ainda treinasse todos os dias, no Olival, Derlei e McCarthy para estes descobrirem o golo (os dois primeiros são prova disso mesmo); como se o losango do meio-campo nunca tivesse sido desfeito e Maniche continuasse a ser o mesmo potente motor de uma equipa equilibrada por Costinha e com a categoria de Alenitchev; como se Baía ainda alimentasse o sonho de ir à Selecção e Jorge Costa comandasse uma defesa que agora se mexe pouco mas que se mexe sempre bem. Como se o tempo tivesse andado para trás. Ao intervalo, com várias substituições e uma declaração via vídeo do ‘Special One’ pelo meio, Derlei e McCarthy (‘magrinho’ mas com jeito para ainda fazer o golo, como diz ainda a sua música) assinavam o 2-0 favorável ao Dragão.

Sempre aplaudido, sempre acarinhado, Deco despiu a camisola que se lhe colou à pele para a eternidade, e colocou o ‘20’ culé, dando corpo a um trio completado por Messi e Eto’o, desleal para com Jorge Andrade – um central que ocupa, hoje, o espaço como poucos. O jogo facilmente virou para a equipa catalã com golos destes três e com a impotência sorridente da equipa do Dragão. Longe de estar a brincar e por certo imaginando-se ainda no Brasil, e no prolongamento diante da Costa Rica, Fernando Santos gesticulava, insatisfeito com a incapacidade, por exemplo, de Sérgio Conceição de acertar senão na trave da baliza do Barça (guardada por Baía, na 2ª parte). Como em tantas outras ocasiões, a solução estava, afinal, ali à mão. Deco queria passar os últimos minutos da sua brilhante história com a camisola azul e branca e, por isso, foi ao balneário trocar-se e voltou para, tal como Mourinho um dia disse dele, ser aquele que ordena “dá cá a bola que eu resolvo”. No último lance, no último toque, no último pormenor, com um chapéu apenas ao alcance dos ungidos pela força criadora, assinou o derradeiro golo que não mais foi do que o paradigma da sua carreira: suprema classe.

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Ontem como hoje, Deco serviu de bandeja McCarthy e Derlei
Fonte: jn.pt

O 4-4 final foi o mais democrático dos resultados e, simultaneamente, o menos importante numa noite que roçou a perfeição. A perturbar apenas, por um lado, a invasão pacifica de uma minoria de aficionados sedentos por um contacto mais próximo com alguns dos seus ídolos e que impediu outro final de festa, e, por outro, a incompreensível reacção de uns quaisquer adeptos que decidiram assobiar aquele que era ontem um convidado de honra, alguém que interrompeu as suas férias para homenagear quem todos nós queríamos que fosse reconhecido da forma mais calorosa possível. Ah, e que, por acaso, é só o jogador mais fantástico do Mundo. Felizmente, os assobios foram rapidamente suplantados por aplausos e Messi voltou a sorrir no palco que o viu estrear-se há quase onze anos.

Enfim, se o tempo é cruel e a despedida inevitável, Deco pôde, ontem, revisitar os mais belos momentos da sua carreira, rever colegas que o reverenciam – as palavras de Jorge Costa, Belletti, Eto’o, Derlei mas especialmente de Messi terão de o deixar orgulhoso – e até ter uma declaração tão surpreendente quanto repleta de admiração, como a de Luís Figo. Mas pôde, sobretudo, constatar que o orgulho que diz sentir quando veste a camisola do FC Porto é incomparavelmente inferior à vaidade que o comum adepto portista tem em dizer que viu tamanho génio jogar com as suas cores. Como disse Costinha, aquela equipa de 2004 só ganhou tanto e tudo porque era uma “equipa de amigos” – e ontem os amigos estiveram lá todos. Eram 50 mil!

Porque será sempre o nº 10, porque fintará sempre com os dois pés, porque será sempre melhor do que o Pele. Porque é o Deco.

E esta casa nunca deixará de ser tua.

Obrigado, Mágico.

O que esperar do novo Porto?

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atodososdesportistas

Terminou o Mundial, acabaram as férias. Ainda há muitas indefinições quanto à formação dos planteis, mas já temos algumas indicações do que poderá vir a ser a próxima época desportiva. Relativamente aos dragões, podemos desde já concluir que teremos um plantel muito jovem e com mais soluções do que no passado.

Neste momento, segundo o site do clube, o plantel tem à sua disposição 28 jogadores na equipa principal, aos quais devemos ainda juntar os “B’s” Victor Garcia, Igor Lichnovsky (que não está no site como jogador da equipa “A” mas que todavia ainda não foi relegado aos “B”), Rúben Neves, João Graça, Kayembe e Gonçalo Paciência. Devemos lembrar que João Graça e Rúben Neves têm idades de júnior e juvenil, respectivamente, estando no plantel apenas para colmatar a ausência dos internacionais que ainda se encontram de férias e de Mikel. Victor Garcia e Lichnovsky serão certamente enviados para a equipa secundária dos dragões para ganhar minutos (no caso do lateral – que nem seguiu para o estágio -, mais cedo ou mais tarde acabará por sair sem vingar nos dragões, parece-me, ao passo que o central tem uma enorme margem de progressão) e Kayembe e Paciência serão os “meninos da cantera” a espreitar por uma possível vaga no plantel principal, embora se espere que joguem muito na equipa B. Infelizmente, Mikel, o jogador jovem mais bem cotado para ficar com o plantel principal, lesionou-se com gravidade (fractura da tíbia no primeiro treino), o que o impede, para já, de integrar a equipa ao comando de Lopetegui.

O FC Porto tem, neste momento, uma média de idades de 23,68 anos (segundo o zerozero.pt), o que me leva a uma conclusão: este plantel será uma aposta no futuro, uma aposta para “abanar a estrutura” e apontar baterias ao título!

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Tello é apenas uma das várias caras novas deste FC Porto
Fonte: fcporto.pt

Porquê? Ainda com o plantel por fechar, ouvimos falar de jogadores cada vez mais perto dos azuis-e-brancos, e nomes como Marcano e Clasie vêm todos os dias “à baila”. No caso de Clasie, seria uma contratação de luxo (a par da de Brahimi) que nos daria a certeza de que os cofres estão recheados para atacar o mercado. Já no caso de Marcano, seria para colmatar a já certa saída de Abdoulaye. A confirmarem-se estas contratações, os jogadores mais avançados serão a priori jogadores com condições de serem titulares no xadrez do Porto: Clasie pode fazer qualquer posição do meio-campo ofensivo e Brahimi ocupará uma das alas, precavendo assim o possível desgaste a que jogadores como Quaresma ou Varela (caso fique) estarão sujeitos, visto já não serem jovens.

Sendo assim, teremos de ter um Porto capaz de resistir às tentações de mercado na época 2015/16, evitando outra incursão de milhões e mantendo a estabilidade. Lembro que a última vez que isso não aconteceu foi no Porto de José Mourinho – saiu o treinador e alguns jogadores basilares da equipa e nem com a contratação de estrelas como Diego ou Luís Fabiano foi possível ter uma equipa a lutar verdadeiramente pelo título. Veja-se, também, o caso do ano que passou… Aí, mais por contratações falhadas do que por falta de qualidade no plantel.

Eu defendo a estabilidade que o Porto tem conseguido manter ao longo dos tempos, tal como defendo uma aposta em jovens com futuro, e este ano parece que isso vai acontecer!

Depois temos o caso dos “excedentários” – Rolando, Licá, Josué, Defour (o médio com a porta de saída mais do que aberta – fala-se inclusive de uma saída iminente para o Feyenoord a troco de alguns milhões mais do passe do jovem Bakkali, de 18 anos) – e dos “transferíveis” – Maicon, Mangala, Varela, Kelvin ou Jackson. No primeiro caso, ainda sou da opinião de que Licá só deve sair por empréstimo (continuo a achá-lo um jogador muito interessante para certos momentos do jogo, que necessita – muito – de amadurecer). Já os restantes podem seguir o seu percurso noutro lugar. Quanto aos “transferíveis”, percebo que todos tenham milhões à porta, mas gostaria que a SAD portista mantivesse Jackson e Varela (jogador que já não é o que era, mas que é experiente e muito útil), visto que Mangala alegadamente já efectuou os exames médicos no Manchester City. Para o lugar de Maicon temos Lichnovsky e Martins Indi (recentemente confirmado por 7,7 milhões de euros); se Kelvin sair (também por empréstimo), espero ver Kayembe entre as equipas “A” e “B”.

A recém-chegada de Casemiro à Invicta veio dissipar as dúvidas que tinha quanto ao sistema táctico dos dragões (que oscilaria entre 1-4-2-3-1 e 1-4-3-3). Sendo assim, no meu entender e até ao momento, teríamos um plantel inicial formado por cerca de 26 jogadores (que irá forçosamente diminuir com a saída de pelo menos um ponta-de-lança e talvez um extremo) que encaixariam melhor num sistema de 1-4-3-3, pese embora o facto de só termos Casemiro como verdadeiro médio-defensivo.

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Plantel FC Porto 2014/2015
(? – Jogadores que não têm ainda o futuro definido no Dragão)

Assumidamente teremos de jogar com um “nº10” quando atacamos. A qualidade é tanta que até jogadores de fino recorte técnico como Evandro (e mesmo Carlos Eduardo) deverão ter de adaptar o seu estilo de jogo e assumir-se como box-to-box, construindo jogo a partir de trás e deixando espaço para Quintero ou Óliver Torres pegarem na batuta de uma orquestra que terá certamente em Quaresma e Tello os seus principais músicos (até a confirmação oficial de mais jogadores).

Sami parece-me ser um jogador interessante e que promete nesta sua “nova” posição de homem-golo e Ricardo pode muito bem ter perdido o seu espaço como lateral ofensivo, tendo de se limitar a ser terceira opção para as alas ou, quiçá, a ser emprestado. No caso dos avançados, a possível saída de Jackson pode levar a que outro sul-americano assuma a posição de homem-golo: o mexicano Raúl Jiménez, assim diz a imprensa.

Ainda assim, com a contratação de Adrián Lopez ao Atlético de Madrid, terei de perguntar o seguinte: será que Lopetegui pensa num Porto à imagem da sua selecção espanhola, com um bloco muito compacto que privilegia a posse de bola e que ofensivamente se desdobra num 1-3-6-1 onde não se sabe quem é o ponta-de-lança, pois qualquer jogador pode aparecer na zona de finalização? O avançado espanhol é um finalizador-nato, um jogador de classe que, mesmo tapado por Villa e Diego Costa, somou vários minutos e golos (entre os quais ao Chelsea, na meia-final da Champions) no Atlético de Madrid, mas nunca poderá jogar como ponta-de-lança isolado, visto que não tem características para tal. Neste sistema, Óliver pode muito bem jogar mais recuado no terreno e vir buscar jogo aos centrais, à imagem do que fazia (e bem!) na rojita, assumindo-se como o estratega na primeira fase de construção do jogo ofensivo dos dragões. Algo facilmente comprovável neste vídeo.

destaque
O FC Porto reforçou-se e Quaresma terá, esta época, concorrência apertada
Fonte: fcporto.pt

Seria uma táctica arrojada (Herrera/Casemiro, Óliver e Quintero a “10” – abdicando, em certos jogos, de um médio defensivo) e por isso apenas possível nas competições internas. Em jogos de maior dimensão teria de ser revista, pois ai qualquer erro pode custar caro. Certo é que isto não passa de especulação e que as próximas semanas nos irão dar mais certezas em relação àquilo que será a nova cara do clube da invicta.

De resto, parece-me que temos um plantel bastante mais equilibrado e com mais soluções, o que nos dá a garantia de não precisar de jogar com um central encostado à linha, um Ghilas a ala direito ou um Herrera a trinco. Espero mais mexidas no mercado, mas pelo que estou a ver só posso estar contente e optimista com a formação do grupo que vai certamente atacar o título na época 2014/15. Existe mais critério, mais clareza e menos aventureirismo nas escolhas para a época que se avizinha. Mas é no campo que isso terá de se provar. E os 9-0 ao Valadares (com todo o respeito pelo clube), os 2-6 ao Venlo e os 1-3 ao Genk não me chegam para deitar foguetes, até porque na época anterior Paulo Fonseca realizou das melhores pré-epocas de sempre do Futebol Clube do Porto…

Eu acredito no potencial desta equipa!

A essência do Futebol de Praia

cab futebol de praia

É com particular orgulho que faço a primeira publicação relativa a Futebol de Praia no Bola na Rede. Bem sei que esta não é uma modalidade consensual entre os amantes do desporto, por ser excessivamente direcionada para o espetáculo, mas é importante que se tenha noção da enorme evolução que esta sofreu ao longo dos tempos. No meu caso em particular, sou do tempo em que Madjer – ver a sua entrevista ao Bola na Rede AQUI – estava no início de carreira e que fazia com o luso-brasileiro Alan uma dupla absolutamente terrível no ataque. Na defesa, lembro-me bem das enormes defesas do guarda-redes Zé Miguel (que até há bem pouco tempo era o selecionador nacional), da raça de Nunes e do enorme espírito de liderança de Hernâni. Este foi o 5 inicial que marcou a minha juventude e que me fez vibrar, durante o verão, com esta modalidade. Tantas foram as vezes em que os dias de praia foram substituídos por uma bela tarde a ver alguns duelos épicos com a França de Cantona, a Espanha de Amarelle ou o Brasil de Jorginho.

No entanto, os tempos mudaram, a modalidade profissionalizou-se e os intervenientes envelheceram. No futebol de praia atual, Portugal já não é a única seleção a fazer concorrência ao Brasil como grandes potências do desporto. Os últimos anos viram a Espanha crescer (já sem o lendário Amarelle) e uma surpreende Rússia, que até é bi-campeã do mundo de Futebol de Praia. Mudaram-se os tempos, mas a essência da modalidade não mudou. Portugal viu crescer Belchior, formou talentos como Jordan, Torres, Bruno Novo ou José Maria e soube acolher Alan e Madjer na sua equipa como elementos mais experientes do seu plantel.

Madjer e Belchior são as maiores figuras da seleção nacional Fonte: FPF
Madjer e Belchior são as maiores figuras da seleção nacional
Fonte: FPF

Nesta edição do Mundialito de Futebol de Praia, que se disputa em Espinho na Praia da Baía, Portugal entra em campo frente às seleções da Hungria, Japão e E.U.A., fator que me faz duvidar do verdadeiro objetivo dos responsáveis da organização. Antigamente, entravam em campo as 4 melhores seleções do mundo. Neste caso, para além de Portugal, teria de lá estar o Brasil, a Espanha e a Rússia. Mas não. Foram escolhidas 3 seleções muito inferiores à nossa, o que me faz entender que este Mundialito foi organizado apenas para dar motivação aos jogadores portugueses e disfarçar quaisquer tipo de fragilidades que a nossa equipa possa ter, quando falta apenas um ano para a organização do Mundial da FIFA, cá em Portugal.

Sem divagar muito mais sobre este início de Mundialito, Portugal bateu, como se previa, sem dificuldades a Hungria por 5-0, com 3 golos de Belchior, 1 de Jordan e outro de Bruno Novo. Portugal apresentou-se com Nuno Hidalgo na baliza (onde anda Paulo Graça?), Torres e Jordan mais recuados, e Madjer no apoio ao único avançado, Belchior. Em destaque na partida, esteve, obviamente Belchior, que, fruto do envelhecimento de Madjer, se assume cada vez mais como a grande figura desta equipa. Os 3 golos são apenas uma amostra das potencialidades que ele oferece à equipa de Mário Narciso. Numa partida frente a uma equipa praticamente amadora, que se estreava num Mundialito de Futebol de Praia, pouca história há para contar. Portugal dominou por completo, deu espetáculo e soube gerir a partida a seu gosto.

Não termino este texto sem antes deixar a pergunta para os dirigentes da FPF: se não querem matar a modalidade, por que raio é que foram estas as seleções escolhidas para disputar a competição? Nós, portugueses, gostamos de ganhar. Mas sem facilitismos.

Que papel para Isco?

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Desde que Florentino Pérez é presidente do Real Madrid, o clube merengue não perde uma oportunidade de aliar a qualidade futebolística ao mediatismo que os jogadores têm fora dos relvados. Na ressaca do Mundial 2014, não há nenhum jogador mais na moda do que James Rodríguez. Depois das exibições que o colombiano fez no Brasil, e tendo em conta a política de contratações habitual do emblema espanhol, não era difícil prever que “El Bandido” iria aterrar no Santiago Bernabéu. Contudo, sem pôr em causa o talento de James, que é indiscutível, é um reforço de que o Real não necessitava minimamente. Ainda falta perceber se esta contratação significará a saída de Di María, peça absolutamente fundamental na última época, mas já há uma certeza: Isco, também ele um predestinado, não terá grandes hipóteses de figurar no onze titular. Atendendo a este cenário, a saída de Madrid seria a melhor solução para a carreira do craque espanhol.

O Golden Boy de 2012, prémio que recebeu após uma temporada sensacional ao serviço do Málaga, vê o seu espaço reduzir-se ainda mais com a chegada de James Rodríguez. O colombiano joga na mesma posição de Isco e, tendo custado 80 milhões de euros, certamente não será suplente. Haveria a possibilidade de o espanhol actuar descaído sobre uma ala, mas aí há Ronaldo e Bale, ambos imprescindíveis. Depois de ter tido um arranque auspicioso na última temporada, Isco começou a ser comparado com Zidane – de forma ridícula, diga-se – e, talvez acusando a pressão, perdeu o fulgor inicial e foi relegado para o banco de suplentes (o recuo de Di María também não o ajudou).

O papel de Isco é uma incógnita no Real Madrid Fonte: Bleach Report
O papel de Isco é uma incógnita no Real Madrid
Fonte: Bleach Report

Apesar de não ter estado totalmente à altura das expectativas, Isco tem um talento fora do comum e seria titular na grande maioria das equipas do futebol europeu. Aos 22 anos, parece evidente que, para poder evoluir e exibir a sua excepcional qualidade técnica, visão de jogo e capacidade de decisão, terá de sair do Bernabéu. O Liverpool e o Milan, segundo o que tem sido noticiado, já mostraram interesse na sua contratação, mas não é claro que o Real esteja disposto a abdicar de um jovem – espanhol, ainda por cima – com tanto potencial. O mais provável é que Isco faça parte dos planos do campeão europeu para a nova temporada Ainda mais provável é que não passe de um substituto de James. E assim, com tanta facilidade, pode passar de Zidane a Guti.

Será possível ter o melhor de dois mundos?

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eternamocidade

Com a final do Campeonato do Mundo, chegou a tristeza pelo fim de uma competição que, durante cerca de um mês, prendeu o mundo do futebol ao ecrã. Mas, com a vitória da Alemanha, simbolicamente deu-se o “tiro de partida” para a pré-época 2014-2015. Apesar das equipas já estarem a trabalhar desde o início de julho, o certo é que, para a maioria dos adeptos, só na última segunda-feira é que chegou à altura de virar a página, deixando para trás as terras de Vera Cruz, voltando a concentrar baterias para uma nova época desportiva.

No que ao campeonato português diz respeito, as últimas semanas têm trazido, como já é apanágio durante esta altura, páginas de jornais sobre reforços e possíveis contratações dos três grandes do futebol português. No campeão nacional SL Benfica, a debandada continua e já são 5 os jogadores que saíram da Luz: Oblak, Garay, Siqueira, A. Gomes e Markovic, com Rodrigo na porta de saída e Enzo e Gaitán com o futuro indefinido. No Sporting, a entrada de Marco Silva é o grande registo até agora, pois não há ainda registo de saídas importantes, com William, Rojo, Slimani e Rui Patrício como jogadores apetecíveis no mercado internacional.

Contudo, e porque este é um espaço destinado ao FC Porto, naturalmente que é sobre os portistas que recai a minha maior atenção durante a pré-época. Depois de uma temporada completamente desastrada, com Paulo Fonseca e Luís Castro a serem apenas alguns dos rostos do descalabro portista, era altura de uma revolução a nível técnico. Por isso, Pinto da Costa optou por surpreender tudo e todos, e quando muitos esperavam pela chegada de um técnico com experiência de clubes a nível internacional, eis que surgiu o nome de Julén Lopetegui, um completo desconhecido para a esmagadora maioria dos adeptos portistas. Apesar do passado nas seleções jovens de Espanha, com resultados mais do que esclarecedores, o nome do espanhol trouxe de volta os fantasmas do passado e as suspeitas de se começar mais uma época atrás dos principais rivais, Benfica e Sporting. Esta foi no entanto uma perspetiva que cedo desapareceu da mente dos adeptos e para que isso tenha acontecido bastou que surgissem os primeiros nomes sonantes para o plantel 2014-2015. As entradas de Martins Indi, Casemiro, Óliver Torres, Adrián Lopez, Cristian Tello e Brahimi foram motivo suficiente para que, num curto espaço de tempo, os adeptos azuis e brancos tenham passado do 8 ao 80. De facto, o surgimento de jogadores desta craveira (acima da média do campeonato português) veio mostrar a primeira diferença que Lopetegui trouxe ao clube portista. Mais do que um simples treinador, que se “limitava” a dizer o tipo de jogador que queria, deixando à direção do clube a missão de trazer reforços, Lopetegui tem-se revelado um autêntico manager, sendo a sua influência no recheio do plantel portista por demais evidente.

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Adrián foi a transferência mais cara do Porto de Lopetegui até agora
Fonte: blogfutgoal.wordpress.com/

Por isso, não é de estranhar que por entre as conversas nas redes sociais, já se volte a apelidar Pinto da Costa de “visionário” por ter apostado num homem que, ao que parece, voltou a trazer o selo de qualidade garantida ao relvado do Dragão. Ainda assim, e porque eu prefiro manter-se sempre cauteloso, opto por não dar, ao contrário do que já li, por garantida a conquistado título ainda antes de começar o campeonato. De facto, o campeonato apenas chega daqui a 4 semanas, mas o “histerismo” que paira devido à “parada de estrelas” que vem chegando ao Dragão faz com que para muitos seja apenas uma formalidade a conquista do próximo campeonato nacional. Nada de mais errado, na minha opinião, pois a chegada destes reforços, apesar da qualidade que trazem, não vêm trazer vitórias antecipadas. Por isso, acredito que a tarefa de Lopetegui se adivinha extremamente complicada. Depois de uma temporada onde Paulo Fonseca e Luís Castro olhavam para as suas costas e viam jogadores como Licá, Josué e Carlos Eduardo como opções, chegou a vez de Lopetegui começar a deparar-se com jogadores como Adrián, Varela, Óliver Torres, Quintero e companhia, que podem ter que ser remetidos para o banco. Há quem diga que ter este tipo de jogadores num banco de suplentes só traz competitividade ao plantel e que por isso só traz “boas dores de cabeça” aos treinadores. Mas a pergunta que faço é a seguinte: será expectável que jogadores como Casemiro, Óliver, Tello e Adrián, que vieram “por intermédio” de Lopetegui, aceitem de bom grado serem suplentes do FC Porto quando vieram de clubes maiores como Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid?

Esta talvez seja uma das maiores dificuldades que se antevêem a Lopetegui: a dificuldade de gerir egos e de conseguir fazer com que o balneário não seja “pequeno demais” para tantas figuras. Digo isto porque ao olhar para a ficha com o plantel provisório dos portistas, vejo Defour, Herrera, Josué, Carlos Eduardo, Quintero, Óliver, Brahimi, Evandro, Varela, Quaresma, Tello, Adrián, Jackson e Ghilas, sem falar da promessa Rúben Neves e dos fiáveis Sami e Ricardo. Não quero parecer injusto, e por isso antes de mais permita-me que elogie o trabalho feito até agora por Lopetegui: as contratações são sonantes, e não tenho dúvidas que trarão mais qualidade à equipa e ao campeonato nacional. Contra o Genk, viram-se bons pormenores de Rúben Neves, Sami, Tello e Óliver, contrastando com os erros que parecem ainda pairar sobre a defensiva portista. Duas semanas depois do início da pré-época, este FC Porto parece estar de boa saúde, a nível de aquisições e no que à ideia de jogo diz respeito. Mas depois de uma época tão má, nem mesmo tantas “estrelas” me fazem sossegar e antever um título conquistado ainda antes de ser disputado. Isto porque os grandes nomes não fazem uma grande equipa e não ganham jogos a priori. Eu quero acreditar que o FC Porto e Lopetegui sabem isso.

Le Tour: Vamos cruzar os dedos!

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Chegámos à última semana de Tour. Normalmente é quando se vê um maior espetáculo nas estradas e este ano não tem sido excepção. O pelotão já chegou aos Pirinéus e ainda há muito para decidir. É verdade que a camisola amarela parece já estar entregue a Nibali (a não ser que aconteça alguma tragédia igual à de Froome ou Contador, mas, por favor, já chega…), mas ainda há muito para se ganhar. A luta pelos dois lugares restantes no pódio está ao rubro, cinco ciclistas para dois lugares! Valverde, Pinot, Péraud, Bardet e Van Garderen estão separados por cerca de 5 minutos e será divertido ver esse jogo das cadeiras Pirinéus acima. Quem irá arriscar, quem irá defender e quem irá falhar? Será que ainda algum sonha conseguir o primeiro lugar e atacará ao ponto de arriscar uma quebra que o atirará definitivamente para fora do pódio? Isto são questões muito interessantes e que criam muito expectativa e ansiedade relativamente a esta última semana.

Paralelamente a esta luta existe um segmento especial. O segmento nacional. Pela primeira vez em muitos anos existem neste momento quatro franceses no top10 e três deles na luta por um lugar no pódio. Com este sucesso dos franceses começa a criar-se a pressão de um país inteiro e, como nenhum desdes três corredores está habituado a estas andanças, será curioso verificar quem se vai apresentar à altura. Está aberta a candidatura ao lugar de melhor ciclista francês, ao lugar da grande esprança do futuro da modalidade e sabe-se como o franceses desejam há muitos anos ter alguém para apoiar com legítimas esperanças de uma vitória no Tour. A pressão é muita, quem se chegará à frente?

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Relativamente à camisola amarela, eu sei que já disse que está practicamente entegue, mas ainda há uma maneira de a roubar ao Nibali. E um amante da modalidade pode sonhar, não pode? Não que tenha nada contra o italiano, mas quero ver o maior espétaculo possível! Já se viu que a Astana não está particularmente forte no acompanhamento ao líder, Nibali é que tem estado fortíssimo. Assim sendo, só um ataque de muito longe poderá fazer com que Nibali tenha de trabalhar excessivamente durante muitos quilómetros, quebrar (que é algo que até agora parece muito difícil, mas o ciclismo é também a arte de saber esconder fraquezas) e assim algum ciclista roubar a camisola ou aproximar-se o suficiente da liderança para o contra-relógio começar a preocupar Nibali. É isto que eu e todos os amantes da modalidade querem ver. Ou um roubo fantástico ou uma defesa fantástica. O problema é que esta estratégia é muito arriscada, já que atacar de longe e ganhar não é propriamente fácil. Em vez de acontecer a quebra no camisola amarela, pode acontecer a quebra no fugitivo e aí até um lugar no top10 fica em perigo. Se houvesse Froome e Contador acreditava que isto poderia acontecer. Afinal de contas, para estes dois corredores, o segundo lugar é o primeiro dos últimos e, por isso, iriam arriscar todas as possibilidades de vencer o Tour. O problema é que todos os ciclistas que estão na luta irão ficar muito felizes com um lugar no pódio – será a sua melhor classificação de sempre na prova, portanto dificilmente alguém irá arriscar um lugar no pódio por uma missão quase impossível de chegar à amarela. Malditas quedas…

Nibali, o italiano que sonha levar a amarela para casa 16 anos depois de Pantani  fast.swide.com
Nibali, o italiano que sonha levar a amarela para casa 16 anos depois de Pantani
fast.swide.com

Temos ainda também a luta pela “camisola das bolinhas”, o prémio da montanha. Majka está em primeiro lugar e tem Rodríguez a 37 pontos de distância na terceira posição. Nibali está em segundo, mas evidentementenão está preocupado com este prémio. Serão Rodriguez e Majka a lutarem por ele (e que dois trepadores fantásticos para esta luta, qualidade garantida!!!), mas o tubarão siciliano continua a ganha nos Pirinéus como ganhou nos Alpes e arrisca-se mesmo a ficar com mais do que uma camisola de recordação.

Resumindo, é verdade que a camisola amarela está quase ganha, mas ainda há muito para se disputar nesta prova. Resta saber se vamos ter uma corrida de ambiciosos ou de calculistas, de atacantes ou de defensores, de coragem ou de medo. Depois de todas as quedas horríveis que nos tiraram tanto do que esta Volta à França nos prometia, acho que merecemos que estejam todos ao ataque. Vamos cruzar os dedos!