Não me lembro de ver um Tour com uns primeiros 5 dias tão destruidores. E, ao contrário do que se esperava, o pavet não teve culpa nenhuma. Ainda nenhum ciclista tinha colocado a sua roda frontal sobre as pedras de Roubaix e já as desgraças tinham acontecido. Motivo? O pior possível! Aquilo que todos os amantes da modalidade (sejam praticantes, sejam observadores) mais temem e odeiam ver. Quedas, quedas e mais quedas.
Até começou muito bem. Um dos tópicos de discussão mais comum sobre o Tour é se faz sentido haver etapas em que não há um único quilómetro percorrido em França. Durante a primeira etapa, o público britânico mostrou que sim. O mundo estava maravilhado com a quantidade de adeptos que se encontravam na rua a aproveitar a pouco usual passagem de um pelotão desta qualidade. Fazer passar o pelotão em locais onde não existem usualmente grande provas é sem dúvida uma mais-valia para a prova, pois a emoção do público justifica e demonstra o que é a paixão pelo ciclismo. E estava tudo maravilhado com este cenário, até à recta da meta.
O público britânico a demonstrar todo o seu amor pela modalidade Fonte: resources2.news.com.au
Havia dois duelos que, à partida, excitavam todas as perspectivas: Cavendish vs Kittel e Froome vs Contador. No entanto, ainda não tinha acabado a primeira etapa e já um tinha sido destruído. Cavendish teve uma queda grave na luta pelo sprint e levou com ele a maioria do interesse e da emoção das etapas planas deste Tour. Lá se foi a demanda do record de mais etapas ganhas no Tour por parte do britânico e lá se foi igualmente a dúvida até ao último metro em todos os sprints finais. É verdade que tem de se dar mérito a Kittel e ao seu hat-trick, mas também é verdade que não há ninguém que não pense “se estivesse aqui o Mark Cavendish, não seria assim tão fácil”. Ainda estávamos a recuperar do drama desta perda quando chegámos à etapa número 5. A tão esperada etapa do pavet.
Para resumir este dia seria mais fácil escrever a lista dos ciclistas que não caíram, mas houve uma queda em particular que nos chocou a todos. Chris Froome, que já tinha caído na etapa anterior, voltou a cair mais duas vezes e, num momento genial da realização francesa, todo o mundo teve a possibilidade de ver em directo o vencedor do Tour de 2013 a cambalear e a desistir da prova. Momento absolutamente histórico. Primeiro porque nunca um abandono tinha sido registado em directo desta forma, com mais de dois minutos de plano fixo a mostrar as dores, as dúvidas, a equipa a trazer uma bicicleta nova e, finalmente, a decisão pela desistência. Em segundo lugar porque desde 1980, quando Bernard Hinault desistiu da prova, que um vencedor em título não abandonava o Tour de France. Com isso, ficou destruído o tão antecipado duelo Froome vs Contador. É verdade que, no meio disto tudo, houve um Marcel Kittel a demonstrar uma força impressionante nas chegadas em sprint, um Peter Sagan que vai à conquista da terceira camisola verde seguida papando todos os pontos possíveis e um Vicenzo Nibali que já leva a amarela com uma vantagem confortável para os maiores rivais. Mas, por mais que não se queira, e peço muita desculpa a Kittel, a Sagan e a Nibali, o grande protagonista deste início de prova tem sido indubitavelmente as quedas.
O abandono de Chris Froome em directo para o mundo Fonte: images.express.co.uk
Felizmente o Tour tem um pelotão com uma qualidade tão grande que ainda não está tudo perdido, muito pelo contrário. Continua a haver ciclistas brilhantes e ainda nem sequer entrámos nas montanhas, onde normalmente são as etapas mais memoráveis. Aliás, com a ausência de Froome e a maior fraqueza da equipa Sky até se antecipa um maior espectáculo, já que não haverá uma equipa de elite tão defensiva que tenta sempre colocar um ritmo tão elevado em todas as subidas e que é quase impossível atacar. O que mais se prevê agora é que a vantagem de Nibali seja atacada por todos e isso pode-nos oferecer etapas memoráveis; no entanto é preciso que acabem por aqui as quedas, especialmente nesta quantidade assustadora. É que a prova ainda não está morta, mas temos um Tour ligado às máquinas!
Depois do vendaval alemão na meia-final do dia anterior, Argentina e Holanda quiseram jogar pelo seguro e nunca arriscaram muito. A consequência disso foi um jogo pouco interessante e quase sem oportunidades de golo. Mantendo-se fiel ao seu esquema de três centrais, a Holanda praticamente não incomodou a baliza de Romero – não só devido ao acerto defensivo da Argentina e da boa exibição de Mascherano no centro do terreno (perante alguma passividade do meio-campo foi ele que assumiu um papel de organizador que normalmente não é seu), mas também por causa do desaparecimento de Robben e de Van Persie. A selecção das pampas, por seu lado, esteve ligeiramente por cima na primeira parte, mostrando-se mais pressionante. Contudo, a equipa ressentiu-se da ausência de Di María e do facto de Messi ter estado pouco em jogo. Como nem Enzo Pérez (jogo interessante, mas a espaços) nem Biglia pareciam contrariar os já habituais problemas na construção argentina, o craque do Barcelona foi obrigado a recuar muito, ainda que sempre bem guardado por De Jong. Em todo o primeiro tempo, só um livre de Messi bem defendido por Cillessen e um cabeceamento de Garay (exibição atenta e segura) após um canto quebraram a monotonia reinante.
Depois do intervalo a Holanda passou a ter mais bola, mas nem por isso o jogo ganhou interesse. O futebol apoiado da equipa de Van Gaal não esticava o suficiente para chegar à baliza adversária, e a Argentina também não parecia muito mais capaz de criar perigo e quebrar o empate. Das vezes que se aproximaram da área holandesa, os homens de Sabella esbarraram num trio de centrais muito bem organizado, com o imponente Vlaar no comando das operações. De resto, pouco mais há a assinalar. Para se ter uma ideia do que foi o jogo, uma das melhores oportunidades da partida (falhanço de Higuaín após boa jogada e grande cruzamento de Enzo Pérez da direita) tinha sido, afinal, anulada por fora-de-jogo do avançado. A Holanda, por seu turno, teve uma possibilidade clara de ganhar aos 91 minutos, mas a primeira aparição de Robben foi contrariada de forma fantástica por Mascherano no último instante.
Com uma intervenção espantosa, Romero defende o remate colocado de Sneijder e abre as portas da final à Argentina Fonte: Fifa.com
Ao longo dos 90 minutos, os restantes motivos de interesse acabaram mesmo por ser pormenores como a enorme cultura táctica de Kuyt, que permite a um atleta que joga normalmente a extremo-direito cumprir com distinção ora a lateral direito (na primeira parte) ora a lateral esquerdo (na segunda). Sneijder, embora sem o fulgor de há 4 anos, confere uma classe e uma clarividência diferentes ao meio-campo holandês; já do lado argentino, para além das exibições agradáveis dos dois atletas do Benfica, também o Sportinguista Marcos Rojo assinalou uma exibição competente, tendo sido dele um dos raros remates da partida. No outro flanco, Zabaleta não lhe ficou atrás e foi sempre dos mais lutadores. Quanto a Messi, apesar de ter estado apagado (e, tal como ele, também Higuaín, Lavezzi, Agüero e Palacio – houve mérito da organização defensiva montada por Van Gaal), protagonizou dois ou três pormenores interessantes das raras vezes em que teve uma nesga de terreno. As preocupações holandesas eram completamente justificadas, mas a equipa soube cumprir na perfeição.
No prolongamento a Holanda esteve como nunca tinha estado: instalada no meio-campo argentino e, pela primeira vez em todo o jogo, à procura do golo de forma declarada. No entanto, foi Palacio, que tinha rendido Enzo Pérez, a dispor da melhor oportunidade do tempo extra. O avançado, contudo, tentou fazer um chapéu de cabeça e a bola acabou por sair fácil para o guarda-redes. Nos penáltis, a sorte sorriu à Argentina: Vlaar, logo a abrir, e Sneijder, permitiram excelentes intervenções a Romero (Robben e Kuyt marcaram), ao passo que Cillessen não conseguiu parar os remates de Messi, Garay, Agüero e Maxi Rodríguez.
Vinte e quatro anos depois, a Argentina marca novamente presença numa final de um Mundial, desta vez em casa do eterno rival Brasil. Ao contrário do que aconteceu em 1990, agora já não há Diego Maradona, mas há Lionel Messi. Porém, apesar de contar com um jogador fora-de-série, a Argentina não tem mostrado um futebol cativante nem convincente. Pelo que se viu hoje e já se tinha visto antes neste Mundial, a lógica quase obriga a afirmar que a Alemanha tem via aberta para conquistar o título. Mas as finais são jogos à parte. E no futebol tudo pode acontecer, como ainda ontem se viu…
A Figura:
Ron Vlaar – É certo que Romero defendeu dois penáltis, mas nos 120 minutos foi o central holandês quem mais brilhou. Se a Argentina fez poucas jogadas perigosas, muito se deve ao atleta do Aston Villa: protagonizou cortes importantíssimos contra Messi, Lavezzi e quem quer que lhe aparecesse à frente, dominou tudo tanto pelo chão como pelo ar, em velocidade ou em antecipação. O futebol holandês tem a fama de ser algo permeável na defesa, mas hoje Vlaar contrariou essa teoria e deu a serenidade necessária aos seus jovens colegas de sector. Não merecia ter falhado o penálti.
O Fora-de-jogo:
Qualidade do futebol praticado – Percebe-se que ninguém quisesse cometer erros que pudessem custar caro, mais ainda depois da Alemanha ter arrasado o Brasil. No entanto, duas ou três oportunidades de golo em 120 minutos de futebol é muito pouco. Foi o típico jogo decisivo onde a vontade de alcançar um bom resultado se sobrepôs à qualidade exibicional. No entanto, se é verdade que para o espectáculo foi mau, não é menos verdade que ninguém pode criticar as equipas por isso…
O futebol é impressionante! Entusiasmem-se os aficionados pelo futebol espetáculo e imprevisibilidade total. Hoje, nem o mais louco dos adeptos poderia esperar um desfecho assim. Uma vitória implacável, sem dó nem piedade dos alemães, perante um Brasil que buscava o sonho de ser campeão mundial no seu próprio estádio. Uma vitória inexplicável, que valeu “olés” dos próprios brasileiros, e que contou um cheirinho de tiki-taka do novo “alemão” Pep Guardiola. Sete tiros certeiros e um Brasil moribundo, que não perdia por uma diferença de 6 golos há 94 anos!
Na abordagem ao encontro, Scolari apostou em Dante e Bernard para colmatar as ausências de Thiago Silva e do azarado Neymar. Joachim Löw escolheu Toni Kroos, Khedira e Schweinsteiger para limpar o meio-campo brasileiro composto por Luís Gustavo e Fernandinho.
O primeiro murro no estômago dos brasileiros foi logo aos 11 minutos, com Thomas Muller, após a marcação de um canto, a aparecer sozinho ao segundo poste e a finalizar com um remate (!) rasteiro e sem hipóteses de defesa para Júlio César.
Com um estilo de jogo muito direto, sem ninguém para pegar na equipa e com dois extremos (Hulk e Bernard) que raramente auxiliavam os dois laterais nas tarefas defensivas, não houve como combater o domínio germânico. Uma Alemanha muito pressionante, que não dava espaços aos brasileiros e que rapidamente criava perigo no último terço do terreno. David Luiz e Dante estiveram desastrosos e Luís Gustavo e Fernandinho não conseguiram suster a pressão do meio-campo opositor. A equipa brasileira não se encontrava em campo e os alemães rapidamente abateram as esperanças de um povo que sonhava com uma presença na final – 1… 2… 3… 4 golos em 7 minutos e o Brasil estava de rastos. Aos 28 minutos, o impensável acontecia no Mineirão: os pupilos de Luís Felipe Scolari perdiam por 5-0!
Toni Kroos, com 2 golos, foi um dos responsáveis pelo massacre alemão Fonte: FIFA
Até ao intervalo, o sofrimento brasileiro prolongou-se e ninguém conseguia acreditar no que estava a acontecer. Sem muito para refletir, Scolari, durante o descanso, só podia tentar minimizar alguns estragos e evitar o que já muitos anteviam: o pior resultado de sempre de uma equipa nas meias-finais de um Mundial de futebol. Assim, saíram de campo Fernandinho e Hulk e entraram Ramires e Paulinho. As melhorias foram ligeiras, mas serviram para atenuar o domínio alemão após o intervalo. Até que aos 58’, Low retirou de campo o consagrado Klose – que se tornou no melhor marcador de sempre em fases finais, superando Ronaldo (outra desilusão para os brasileiros) – e colocou o avançando móvel Schurrle. Diante uma dupla de centrais completamente apática e sem reacção, não surpreendeu que as transições alemãs se tornassem ainda mais mortíferas. Completamente letal, o avançado do Chelsea foi a tempo de marcar mais 2 golos (69’ e 78’) e aumentar ainda mais a tristeza e estupefação dos jogadores e adeptos brasileiros. Até final, o máximo que os moribundos jogadores brasileiros conseguiram fazer foi marcar um golo pelo apagadíssimo Oscar.
Fim de contas, a Alemanha, mais do que ter vencido, humilhou o anfitrião Brasil por 7-1 e seguiu para a final do Mundial’2014. Como previa desde o início, os germânicos são os maiores favoritos à conquista da final e faço já a minha aposta em como nem a Holanda, nem a Argentina terão grandes argumentos para superar esta fortíssima equipa alemã. O Brasil, por sua vez, sai devastado e com muitas lacunas por corrigir. Desde logo, Scolari. A motivação não é tudo e hoje a imagem de Scolari fica demasiado frágil e ligada a uma das maiores humilhações do futebol mundial.
A Figura:
Impossível escolher um jogador alemão. A catástrofe brasileira contrastou com a fantástica exibição coletiva dos alemães. Um verdadeiro banho de bola, com cheirinho a tiki-taka de Guardiola.
O Fora-de-Jogo:
Luís Felipe Scolari é, obviamente, o principal responsável pelo descalabro. Opções duvidosas, incapacidade para colmatar as ausências de Neymar e Thiago Silva e descredibilização total do futebol brasileiro. O fim de uma era.
Nunca tinha ido para a estrada assistir a uma prova de ciclismo fora de Portugal. Hoje foi o dia. Quando me apercebi de que a minha estadia em Londres ia coincidir com a passagem do Tour pela capital inglesa, não hesitei em fazer planos para ver ao vivo os melhores ciclistas do mundo. Desde criança de que passo tardes infindáveis na companhia de Luís Piçarra, Paulo Martins e Olivier Bonamici a acompanhar Tour após Tour na Eurosport. Ir ver a maior competição velocipédica com os meus próprios olhos foi, por isso, um sonho concretizado.
Estava a chover quando saí da estação de metro de Green Park, um dos parques que circundam o famigerado Buckingham Palace e que hoje servia de Fan Park do Tour. Todo o jardim estava vestido de amarelo e branco às bolinhas vermelhas – as cores predominantes na festa do Tour. Gente a pé e de bicicleta, velha e nova, de todas as etnias e nacionalidades, foi-se acercando de The Mall para acompanhar os derradeiros momentos da 3ª etapa desta Volta a França.
Green Park, um dos três Fan Parks de Londres
A 350 metros da meta e a pouco menos de 3h da hora prevista de chegada, fiquei a guardar lugar junto às barreiras de protecção de bandeira portuguesa na mão. Entre um casal de velhinhos a aguardar religiosamente o momento, um grupo de amigos britânicos vestidos com camisolas de ciclismo e empenhando cerveja engarrafada, um solitário quarentão de capacete e um pai e um filho visivelmente entusiasmados por estar ali.
Depois da passagem da caravana dos patrocinadores (que envergonharia muito Carnaval em Portugal), de mais uma valente chuvada (que molhou o piso e enfeitou a avenida de guarda-chuvas) e de várias horas a acompanhar a corrida através dos relatos dos speakers (ora no inglês local, ora no francês habitual), lá chegou o pelotão. Nem consegui perceber logo quem tinha ganho. Vi o comboio da Team Giant-Shimano na dianteira e Sagan bem posicionado e ainda quis acreditar que o eslovaco ia levar a melhor, mas acabou mesmo por ser Kittel – novamente ele – a superiorizar-se no sprint. Tive a certeza disso quando vi um colega de equipa do alemão a estender os braços para o ar em sinal de festejo.
Ontem, a BBC anunciava que cerca de 2,5 milhões de pessoas tinham assistido à 2ª etapa do Tour, entre York e Sheffield. Hoje não sei quantas pessoas estiveram na estrada, mas pude confirmar a paixão que os ingleses sentem por este desporto fantástico. Agora vou continuar a ver o Tour na televisão…
O Mundial é, provavelmente, a maior montra do mundo do futebol. Transforma estrelas em jogadores de banco e jogadores de banco em estrelas. Este Mundial não está a ser excepção e há nomes de que nunca ninguém ouvira falar que começam a vir à tona. Nesta edição, em particular, os guarda-redes estiveram em destaque – Ochoa, Keylor Navas, Tim Howard ou Krul foram algumas das luvas em primeiro plano.
Hoje quero falar-vos de Ochoa. Um guarda-redes com uma cabeleira de fazer inveja a David Luiz ou Fellaini, que enraíza o típico sul-americano louco e que nunca se afirmou como pilar essencial em nenhuma equipa. Ochoa fez um Mundial fantástico. Sentiu todos os olhares do mundo e actuou como um gigante. Aliás, despertou, inclusive, o interesse de grandes clubes como o Mónaco ou o Arsenal. Mas quem era Ochoa antes do Mundial? Poucos o conheciam. Se perguntassem por ele aos adeptos do Ajaccio, eles reconhecê-lo-iam com toda a certeza, ou não fosse ele um homem de grandes números. Que números? 71. 71 quê? 71 golos sofridos numa época. Esta é a verdade. Ochoa apresentou-se a grande nível ao serviço do México e foi uma muralha que só mesmo um penalty inventado conseguiu derrubar. Mas foi também o guardião mais batido da Ligue 1 na temporada transacta.
Ochoa foi do Inferno ao Céu em poucas semanas Fonte: soccernews.com
Se neste momento eu precisasse de contratar um guarda-redes, ficava indeciso. Optando pelo mexicano, que Ochoa iria eu adquirir? O intransponível Ochoa do Mundial ou o desconcentrado e medíocre Ochoa que actuou na Liga Francesa? Um jogador apenas de grandes palcos, que apenas com toda a pressão joga o seu melhor, ou um jogador fiável e regular? Ochoa já mostrou que pode fazer muito, mas a pergunta impõe-se: conseguirá ele manter a qualidade que demonstrou no Brasil, sem vacilar, numa das grandes ligas do futebol mundial?
Na minha opinião, Ochoa é fogo-de-vista. Uma boa prestação no Mundial não apaga uma carreira com muitas debilidades entre os postes. Por outro lado, Keylor Navas é um jogador que provou no Mundial ser aquilo que tinha mostrado ser na Liga BBVA, onde foi eleito melhor guarda-redes da época 2013/2014. Este está a ser o Mundial dos guarda-redes e Ochoa foi um dos protagonistas da competição. Agora vou esperar pelas notícias para ver que redes vai defender o azteca para o ano. Talvez as suas futuras exibições que me façam engolir estas palavras. Ou talvez não. Se calhar estou certo e os 71 golos sofridos numa época são um argumento sólido o suficiente para levar qualquer director desportivo a pensar duas vezes antes de o contratar.
Joga-se a final da velha Taça de Europa, com o nome reconvertido, em Lisboa. O cenário não podia ser outro; o Estádio da Luz não sabe se desta vez será o Inferno da Luz, mas para a equipa derrotada será mais do que um Inferno. Por isso, hoje só poderei escrever sobre um grande e mítico jogador que marcou época na Taça de Europa: Marco Van Basten. Foi, sem dúvida, um dos melhores avançados-centro de sempre. Era alto, cheio de presença; sabia descair para a direita ou para a esquerda; sabia construir ou lançar jogo desde o círculo central. Sabia tudo e os seus pés não eram exclusivamente os pés de um rematador. Jogou num ressurgido Ajax e num inesquecível Milão. Sem pretender ou sem mostrar obsessão, como manifestam alguns craques dos nossos dias, erigiu-se um jogador laureado com prémios internacionais, superando colegas seus como Gullit, Rijkaard, ou o italiano Maldini.
Filho de futebolista, marcado por esta condição e pelo empenho paterno, começou a beber futebol como quem bebe água desde a mais tenra idade. Teve a feliz ventura de se iniciar numa das escolas de formação de maior êxito como foi e é o Ajax e teve a sorte de ter o jogador-referência no seu clube: Johan Cruijff. Estudou-o profundamente e acabou por entrar na equipa, substituindo-o. E foi com Cruijff como seu treinador que, com um golo seu, voltou a colocar o Ajax no pódio europeu, ao ganhar a Taças das Taças. Evidentemente, o Milão, que andava com fome de grandes façanhas, chamou-o, e aquela máquina de fazer futebol começou a arrasar na Europa. O Real Madrid de Butragueño, Martin Vasquez e Sanchis, vindo de ganhar duas Taças da UEFA, sentiu nas suas carnes o triturar deste Milão.
A caminho da baliza Fonte: Goal
Entre Ajax, Milão e a seleção holandesa jogou quatrocentos e trinta e um jogos e marcou trezentos golos. Foi bicampeão europeu com o Milão de Sachi; entre todas as competições em que participou, foi oito vezes o maior goleador. Somou prémios individuais como quem coleciona isqueiros: melhor jogador do Mundo-FIFA em 1992; dois anos melhor jogador do Mundo-World Soccer; três vezes melhor jogador da UEFA; três vezes melhor jogador da IFFHS; duas vezes Onze d’Or; um Troféu Bravo; melhor jogador do Campeonato de Europa de 1988; uma Bota de Ouro; e se continuamos para bingo e começarmos a falar sobre os seus troféus coletivos entramos em delírio. Entre a Holanda e a Itália venceu seis campeonatos nacionais, duas Taças Intercontinentais, uma Supertaça e mais pedras preciosas que constituem o seu rosário de louros.
No entanto, entre os problemas físicos e a dureza dos rivais passou um calvário de lesões. Se com as lesões alcançou o reconhecimento e os louros que alcançou, imaginemos o que alcançaria se a saúde desportiva o tivesse respeitado mais e melhor. Possivelmente, deixaria marcas escandalosas. Começou a jogar em 1981 e despediu-se em 1995. Com ele quase desapareceu um tipo de avançado-centro; hoje, unicamente Zlatan Ibrahimovic se lhe assemelha.
Classe. Do Futebol Clube do Porto não se espera outra coisa e assim foi a noite deste sábado. Se em Salvador Louis van Gaal era aplaudido pela sua substituição de ouro e Tim Krul erguido por milhares de almas laranjas, na rua Cândido dos Reis eram apresentados os novos equipamentos azuis e brancos. Warrior em inglês, “guerreiro” em português.
Ontem, o Futebol Clube do Porto brilhou mas, acima de tudo, inovou. #SemprePreparados para a #Invasão – afinal, as redes sociais serviram de maior suporte de divulgação do evento – os Dragões desfilaram num espectáculo inovador e bem conseguido que serviu não só para apresentar os conjuntos da marca norte-americana, assim como os ténis New Balance, mas também para fortalecer ainda mais a ligação jogadores-adeptos.
O prometido é devido e, como tal, Quaresma, Danilo, Alex Sandro, Helton, Fabiano e o recém-chegado Ricardo juntaram-se aos modelos Ruben Rua, Luís Marinho, Ricardo Guedes e a Maria Cerqueira Gomes e Débora Montenegro para um espectáculo de aproximadamente 25 minutos. Nem a chuva os parou e muito menos aos milhares de adeptos portistas, que não arrecadaram pé do Centro da Cidade.
Pinto da Costa, Julen Lopetegui e Reinaldo Teles estiveram na primeira fila Fonte: FC Porto
Ao som de um DJ convidado e de Marta Ren, e sob o olhar atento de Jorge Nuno Pinto da Costa e Julen Lopetegui, desenhou-se então uma bonita noite com elementos alusivos ao espírito guerreiro do clube e às ambições azuis e brancas. A Warrior, claro, marcou presença e prometeu ainda mais e melhor nos próximos anos, incluindo representantes portugueses.
Para já, e numa parceria que ganhou vida há algumas semanas, os norte-americanos podem contentar-se com o enorme crescimento de que têm sido vítimas felizes: apesar de já contarem com acordos com o Liverpool e o Sevilha, é com o Futebol Clube do Porto que têm atingido as suas publicações de maior sucesso nas redes sociais e ganho mais seguidores no Facebook e no Twitter.
Pela primeira vez na história, Holanda e Costa Rica defrontavam-se num jogo oficial. Não havia portanto melhor palco que o Arena Fonte Nova, em Salvador da Bahia, para assistir a um encontro histórico que valia o último passaporte para as meias-finais do Campeonato do Mundo. De um lado, uma das equipas mais dominadoras da competição: depois da goleada aplicada naquele mesmo estádio frente à campeã do mundo Espanha, a Holanda chegava a esta partida decisiva vinda de um suado apuramento conquistado nos últimos minutos frente ao México. Do outro, tínhamos aquela que é considerada a grande revelação da prova: a Costa Rica. Treinada por Jorge Luís Pinto e comandada dentro de campo pelo gigante Keylor Navas e pela temível dupla Joel Campbell-Bryan Ruiz, os costa-riquenhos entravam em campo com o sonho de continuar a construir o castelo de sonho que começou a ser projetado no chamado “grupo da morte”, um grupo com três ex-campeões mundiais, em que a Costa Rica levou a melhor.
Holanda e Costa Rica começaram esta partida de forma desfalcada: na equipa de Louis Van Gaal, destaque para as ausências do lesionado De Jong e de Paul Verhaegh, que foram rendidos por Bruno Martins Indi e Memphis Depay. Com estas alterações, Van Gaal continuou com a opção de colocar o “camaleão tático” Kuyt na lateral direita, deixando Blind como defesa-esquerdo e optando por uma defesa com 3 centrais. No meio-campo, Wijnaldum atuou como médio mais recuado, dando apoio ao médio criativo Wesley Sneijder, que tinha como principal função alimentar os três avançados da equipa: Depay na ala esquerda, Arjen Robben no flanco direito e Robin Van Persie no centro do ataque. Em contrapartida, a Costa Rica apenas fez uma alteração no onze, com Jorge Luís Pinto a lançar Johnny Acosta para o lugar do castigado Óscar Duarte. Ao olhar para o esquema tático das equipas percebia-se que, apesar da diferença natural entre os protagonistas da partida, Van Gaal e Pinto tinham projetado o mesmo sistema tático, com 3 jogadores no eixo da defesa, 2 médios-centro, 2 alas com projeção ofensiva e 3 jogadores libertos na frente de ataque.
Como seria de esperar, os primeiros minutos da partida mostraram uma equipa holandesa a querer tomar conta da partida. Com um ritmo de jogo pouco intenso, muito em virtude das dificuldades que foi encontrando na primeira fase de construção, a seleção de Van Gaal nunca conseguiu imprimir muito dinamismo ao seu jogo ofensivo e apenas a criatividade de Sneijder ao serviço do jogo pelas faixas de Depay e Robben ia criando perigo à baliza de Navas. Do lado costa-riquenho, José Luís Pinto optou por não se esconder da partida e não teve receio do ponto forte da “laranja mecânica”: o jogo pelas alas. Por isso, não raras vezes os laterais Gamboa e Diaz incorporaram-se no jogo ofensivo da Costa Rica, que deixou na primeira parte Bryan Ruiz como homem mais avançado da equipa, com Tejeda e Bolaños como apoios no meio-campo e Joel Campbell a surgir como falso extremo direito para aproveitar o contra-ataque. Ainda assim, não se pode dizer que qualquer das estratégias tenha tido resultados práticos na primeira parte, pois a Costa Rica apenas aos 34 minutos, na sequência de um livre direto, assustou Cillessen; enquanto a Holanda, apesar de ter criado três boas ocasiões de golo (Van Persie aos 21 minutos, Memphis Depay aos 28 e Sneijder aos 36 minutos) nunca conseguiu justificar uma possível vantagem no marcador. Com efeito, o nulo nos primeiros quarenta e cinco minutos aceitava-se, não obstante as três belas intervenções feitas no primeiro tempo por Keylor Navas.
Robben foi sempre o elemento mais perigoso da selecção laranja Fonte: Getty Images
No segundo tempo, pouco se alterou. Do lado holandês, continuavam as dificuldades na construção do jogo ofensivo, com Van Persie preso à marcação dos três centrais da Costa Rica e Memphis Depay muito longe do nível a que já habituou os adeptos holandeses na competição. Por isso, durante os primeiros 20-25 minutos da segunda parte, apenas as arrancadas pela direita de Arjen Robben e a inteligência técnico-tática de Wesley Sneijder iam colocando em perigo o jogo da seleção da Costa Rica, que apesar de continuar a não criar perigo junto à defensiva holandesa ia nos primeiros minutos do segundo tempo controlando os vários momentos do jogo. A apatia tática da Holanda levou Louis Van Gaal a mexer (e bem) na equipa: retirou o apagado Depay das quatro linhas para colocar no seu lugar Jeremain Lens. Com esta alteração, para além do sangue novo que trouxe à seleção holandesa, Van Gaal deu à equipa um ritmo mais intenso e dinâmico, que permitiu à “laranja mecânica” encostar a seleção da Costa Rica às cordas pela primeira vez na partida no último quarto de hora da partida. A mudança no xadrez laranja teve resultados imediatos e nos últimos quinze minutos os holandeses poderiam mesmo ter alcançado uma vantagem decisiva para o apuramento para meias-finais. Sneijder, com um remate ao poste aos 82 minutos, e Van Persie em três ocasiões (83, 88 e bola ao poste aos 92 minutos) estiveram bem perto do golo da vitória. Por mérito de Navas e com a “bênção” dos postes da sua baliza, os costa-riquenhos conseguiram superar o momento mais complicado que tiveram durante o período regulamentar e, contrariando aquilo que se poderia esperar, acabaram por conseguir levar o jogo até ao prolongamento.
A forte investida da seleção de Louis Van Gaal acabou por ter continuidade no tempo-extra. Na primeira parte do prolongamento continuou o domínio holandês: fruto do desgaste físico da seleção da Costa Rica, a Holanda foi conseguindo aproximar-se da baliza adversária com maior perigo à medida que os minutos iam passando. Com Robben cada vez mais presente na dinâmica ofensiva da equipa e Robin Van Persie a conseguir progressivamente libertar-se da pressão defensiva adversária, os holandeses foram ameaçando o golo. Nesse período, destaque para um cabeceamento de Vlaar aos 93 minutos que apenas não deu em festejos holandeses devido a nova enorme defesa da muralha em forma de guarda-redes Keylor Navas. Ao fazer entrar Jan Huntelaar para o lugar de Bruno Martins Indi no início da segunda parte do prolongamento, Van Gaal procurou dar mais poder de fogo ofensivo aos holandeses. Ainda assim, a Costa Rica soltou-se das amarras táticas a que esteve agarrada durante 105 minutos e aos 116 podia mesmo ter chegado ao golo, permitindo uma bela defesa a Cillessen após remate de Ureña, que havia entrado no decorrer do segundo tempo para o lugar do apagado Joel Campbell. Logo na resposta, nova bola ao ferro para a equipa holandesa, num remate fortíssimo de Sneijder aos 118 minutos que Keylor Navas apenas conseguiu desviar com o olhar para a barra da baliza da Costa Rica. A garra tática e emocional da Costa Rica acabou por dar os seus frutos e, tal como havia acontecido frente à Grécia, a equipa de Jorge Luís Pinto conseguiu, mesmo contra todas as probabilidades, levar a decisão para as grandes penalidades. Para a luta decisiva na marca dos 11 metros, Louis Van Gaal decidiu arriscar e gastar a terceira e última substituição colocando o guarda-redes Tim Krul no lugar de Cillessen.
Navas, um dos melhores guarda-redes do Mundial’2014, voltou a ser decisivo Fonte: Getty Images
Na lotaria dos penáltis, a Holanda acabou por ser mais forte: em quatro remates, a seleção laranja não falhou uma única oportunidade; ao invés, a Costa Rica permitiu duas defesas ao herói Tim Krul, com os falhanços de Bryan Ruiz e Umaña. A Holanda atinge assim novamente as meias-finais de um Campeonato do Mundo e, depois do segundo lugar alcançado em 2010, a seleção de Van Gaal começa a ameaçar nova presença no jogo decisivo. Quanto à Costa Rica, restam apenas elogios para uma seleção desconhecida à partida e engrandecida na saída da competição, com Keylor Navas como figura central. Agora é esperar por quarta-feira, pelo Argentina–Holanda, mais um clássico do futebol mundial. A sabedoria de Van Gaal revelou-se fundamental para este apuramento. Num golpe de génio, o futuro técnico do Manchester United foi buscar uma carta escondida ao banco que se revelou decisiva nos penáltis: Tim Krul, pois claro. O único capaz de derrubar o sonho da Costa Rica.
A Figura
Keylor Navas – Seriam poucos, ou mesmo nenhuns,aqueles que apostariamna presença da Costa Rica nas meias-finais do Campeonato do Mundo. Na batalha contra os holandeses, a Costa Rica raramente criou perigo e teve no momento defensivo o seu ponto mais forte. Por isso, ao longo dos 120 minutos Keylor Navas foi o homem mais em jogo do lado dos costa-riquenhos: sempre seguro entre os postes, não raras vezes evitou o golo anunciado dos holandeses.
O Fora-de-Jogo
Joel Campbell – Completamente fora do jogo, o avançado da Costa Rica nunca conseguiu ser perigoso enquanto esteve em campo. Sai do Mundial sem brilho e sem conseguir levar a sua seleção mais longe na competição.
28 anos depois de Maradona ser Maradona, quis o destino que Argentina e Bélgica voltassem a cruzar caminhos na Copa. Desta feita, não numa meia-final mas no acesso a esta. Do lado alviceleste, os sonhos argentinos liderados por Messi e Di María, que suportam a verdadeira anarquia táctica em que Alejandro Sabella envolveu esta equipa. Na Bélgica, um conjunto mais coeso, racional e seguro a servir o génio de Hazard. Na verdade, este era o primeiro grande teste para qualquer uma das equipas, que até agora apenas tinham defrontado selecções de menor nomeada. Para sorte desta Argentina desequilibrada defensivamente, este seria o primeiro duelo em que defrontavam uma equipa que não se preocuparia apenas com o momento defensivo do jogo. A Bélgica vinha em crescendo de forma desde o início da competição, situação proporcionada pela muito pouca experiência dos jogadores nestas andanças. Assim, não seria de todo errado pensar numa certa vantagem argentina, dada a maior maturidade da selecção das pampas. E ter Messi é suficiente para que nem seja preciso pensar em mais razões para esse favoritismo.
Com a já habitual insistência de Sabella nos jogadores em quem confia e não nos mais indicados para o jogo argentino, Demichelis (mais experiente) entrou para o lugar de Fernández, Basanta para o do castigado Rojo e… Biglia fez as vezes de Gago. Enzo Pérez, o melhor médio-centro desta selecção, que continue à espera enquanto este duplo-pivot desprovido de qualquer lógica continua a impedir o melhor futebol da equipa. Do lado belga, surpreendeu a inclusão de Mirallas no ataque, em detrimento de Mertens, um dos agitadores do ataque de Wilmots.
‘La Pipita’ Higuaín atirou a Argentina para a meia-final Fonte: Eurosport
Ainda o relógio não tinha batido nos dez minutos de jogo e já a Argentina se colocava em vantagem no marcador. Aproveitando a displicência defensiva que a Bélgica apresentou durante toda a primeira parte, Messi desembaraçou-se da preguiça de Fellaini e, após ressalto num passe de Di María, Higuaín disparou sem hipóteses para Courtois. Melhor início de jogo para o lado alviceleste era impossível e cabia à Bélgica a resposta. Resposta essa que não chegou. Sem capacidade de pressão no centro do terreno e com evidentes dificuldades na ligação defesa-ataque, a equipa do Velho Continente foi uma mera amostra daquilo de que é capaz. Serviu a saída por lesão de Di María para percebermos até onde pode ir a casmurrice de Sabella, que ainda vê em Enzo o extremo-direito do Estudiantes de 2011. A Argentina perdia um dos motores da sua manobra ofensiva mas ganhava mais músculo e capacidade de segurar a bola. O resultado ao intervalo materializava a ligeira superioridade sul-americana frente a uma Bélgica apática, para quem estes “mata-mata” ainda são um corpo estranho.
Com a Argentina confortavelmente instalada sobre a vantagem no resultado, no segundo tempo esperava-se uma Bélgica diferente em tudo, algo que voltou a não acontecer. Apenas um cabeceamento de Fellaini para registo futuro numa Bélgica completamente desinspirada, que teve em Fellaini e Witsel uma dupla com mais cabelo do que intensidade e em Hazard um génio fora do jogo. Total apatia do conjunto europeu, que com quatro centrais de raiz de início e um duo de meio-campo tão vazio de ideias se entregou à experiência do adversário. Ficou a imagem de uma equipa que consegue mas não quis, quando nesta Copa já tivemos verdadeiros exemplos de quem tanto quis mas não conseguiu: Argélia, E.U.A ou Grécia são exemplos para a Bélgica levar em conta no futuro. A geração de ouro terá muito que crescer e, sobretudo, correr, porque da teoria à prática ainda vai muito no futebol. Para a Argentina, é o regresso a uma meia-final de um Mundial 24 anos depois. Mais forte colectivamente e no momento defensivo, o sonho é possível.
A Figura Higuaín – A exibição argentina também esteve longe de encher o olho, mas Gonzalo Higuaín esteve em excelente plano. Marcou o único golo da partida, teve mais oportunidades para isso e deu dinâmica ao ataque argentino.
O Fora-de-Jogo Bélgica – Deplorável a exibição belga nesta partida. A geração de ouro ainda tem pés de barro e pouco andamento para jogos de barba rija.
Diogo Gago é provavelmente um nome que não diz nada à maioria dos portugueses e que pouco diz aos que gostam de ralis mas que não acompanham de forma “fiel” a modalidade em Portugal.
Gago é um dos pilotos em que os portugueses podem depositar mais esperanças para o futuro, visto ter cada vez mais um ritmo consolidado e estar a fazer uma aposta séria na sua carreira. O piloto algarvio está a correr em Portugal, Espanha e França neste momento, o que lhe traz um ritmo e experiência muito superiores à grande maioria dos pilotos portugueses. Mas se a participação nestes três campeonatos é importante, para mim, existe uma falha grave na sua participação: o piloto corre em cada campeonato com um carro diferente. Em Portugal corre com um Citröen C2 R2, em Espanha corre no troféu da Suzuki com um Suzuki Swift Sport, e em França corre com um Peugeot 208 R2. Se as diferenças de carros podem ser boas por não permitirem uma habituação excessiva a um só carro, ter de conhecer três também me parece excessivo. Para melhorar este aspeto e reduzir de três para dois carros, considero que o piloto devia começar a usar em Portugal o carro da marca do leão, que usa em França.
Diogo Gago em ação em França. Fonte: Facebook de Diogo Gago
A nível de resultados, estes têm sido sempre equilibrados, e penso que posso afirmar que são melhores no estrangeiro do que em Portugal; no passado fim de semana, na primeira participação em França deste ano, o piloto do Algarve ficou em terceiro, não ficando no primeiro lugar apenas devido a uma penalização dada ainda antes do início da prova.
O algarvio é sem dúvida um talento com muito futuro, e podemos esperar voos mais altos para o mesmo. Ainda estamos a meio da temporada de 2014, mas para a época de 2015 o piloto deveria continuar a apostar em carros ‘R2’ e de preferência num carro melhor do que o C2 com que corre no nosso país; mas em vez de correr em três campeonatos nacionais devia, na minha opinião, correr ou no europeu ou no mundial, e se pudesse ir testando e até fazer uma ou outra prova de R5 ou carro do género. Em 2016 deveria então mudar de classe para um muito mais competitivo R5, de forma a sustentar todo o seu desenvolvimento e mostrar todas as suas qualidades.