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Bruno de Carvalho e os 7 mandamentos do futebol

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Escolhi díficil. O fácil é de todos

O primeiro mandamento – e o mais importante, portanto – é que o futebol é um jogo colectivo e essa deve ser sempre a primeira preocupação: o colectivo. O todo tem de ser invariavelmente maior e mais importante do que a soma ou qualquer uma das partes. E este exercício de hierarquias em que o todo se sobrepõe às partes é fácil de se fazer: no dia em que o colectivo se sente incomodado ou, pior, injustiçado, é hora de repensar a forma como se tratou uma ou mais individualidades. Para evitar esse (grande) problema existe uma medida simples, tratar todos de acordo com um conjunto de regras aceites e iguais para todos… a que também se chama regulamento interno.

Posto isto, há a esclarecer e sublinhar o perigo de qualquer tipo de seguidismo. Bruno de Carvalho tem feito, de forma geral, um trabalho muito positivo mas isso não lhe confere um estatuto que lhe permita deixar de ser posto em causa… sempre que assim se justifique. O que mais importa em qualquer tipo de comunidade é saber que debater ideias é sempre mais proveitoso do que debater pessoas. Assim devem fazer os Sportinguistas.

Na última semana, tem-se assistido na praça pública a dois casos internos em que se encontram dois mundialistas no epicentro da questão. Duas individualidades, leia-se. Slimani e Rojo são dois casos com muito em comum mas ainda assim distintos em pontos suficientes para que se avaliem de forma separada.

Slimani, ao que indica, pretende sair ou ver o contrato revisto de acordo com aquilo que lhe foi oferecido noutro clube. Acredito que, pelo estatuto com que chegou no ano passado, o argelino não tenha um salário de acordo com a importância que mostrou ter na época anterior. Mesmo tendo noção de que a revisão salarial é normal no futebol quando os jogadores o justificam, o avançado assinou o actual contrato de livre e espontânea vontade e por isso não está no direito de desrespeitar os regulamentos e, por consequência, o grupo com que trabalha. O todo, portanto. 

Tendo em conta as características do jogador e o modelo de jogo que Marco Silva pretende implementar no clube, tenho sérias dúvidas de que Slimani fosse assumir a preponderância que tantos lhe atribuem. O 9 do Sporting é um jogador muito bom naquilo em que é forte mas muito limitado em tudo o resto. Forte no ar, no contacto, nas bolas divididas e razoável a segurar entre os centrais e a finalizar com os pés. Banal em tudo o resto: apoios frontais, tabelas, capacidade de servir os colegas, progressão com bola, drible, procura de espaços na profundidade. É um ponta-de-lança que assenta num futebol de muitos cruzamentos, de chuveirinho, como era o de Leonardo Jardim a partir dos 70 e poucos minutos quando os jogos não estavam desbloqueados. Admito que nesse contexto pode vir a fazer falta. Mas se o Sporting estiver neste contexto muitas vezes, dificilmente lutará pelo título. Será sinal de que colectivamente não foi capaz de ultrapassar os adversários e precisou de recorrer ao recurso para os resolver. Com o dinheiro que se encaixaria com a venda de Slimani, encontrar-se-ia outro avançado com características mais úteis ao modelo de Marco Silva. Solução: não abrir uma excepção a uma individualidade e refortalecer o todo com um exemplo forte.

Rojo e Slimani são dois jogadores que não podem ser postos à frente do grupo  Fonte: chuto.pt
Rojo e Slimani são dois jogadores que não podem ser postos à frente do grupo
Fonte: chuto.pt

Marcos Rojo, por outro lado, é um indiscutível há dois anos e em 2013/2014 fez uma época muitíssimo boa. A juntar a isso tem a desvantagem de quase nada render monetariamente com a sua venda, dada a diminuta percentagem do passe que o clube detém e ainda uma outra percentagem do lucro que se deve ao Spartak. Por fim, a saída de Dier torna a presumível saída de Rojo ainda mais preocupante. Por tudo isto e porque o jogador se mostrou sempre correcto nos anos de Sporting, sendo inclusive um daqueles em que mais se sentia a garra e vontade de lutar pela camisola verde-e-branca, a melhor solução passaria sempre por uma reconciliação. Mas esta só deve acontecer se o jogador tiver noção de que errou na forma como pressionou para a saída, sob pena de perder o todo em detrimento de uma individualidade. Neste caso é importante perceber que em questão não está apenas dinheiro: o argentino “só” mostrou uma atitude incorrecta quando surgiu uma proposta de 20 milhões de euros do Manchester United. Ou seja, o central só quis sair quando um clube de topo apresentou uma boa proposta ao Sporting. 

De forma a finalizar toda esta questão do todo e das individualidades, nada melhor do que recorrer à história para verificar a sua veracidade. A melhor equipa do presente século – se não de toda a história – foi o Barcelona de Guardiola… cuja primeira medida foi dispensar Ronaldinho, Deco e Eto’o (embora este último só tenha saído no final da época por razões distintas), três das principais estrelas do conjunto catalão. No entanto, três individualidades que na opinião de Guardiola colocavam o conjunto em risco. Os resultados são conhecidos por todos. Com as devidas distâncias ressalvadas, aqui não está em questão mais do que o primeiro mandamento do futebol, por que comecei a falar neste artigo.

Bruno de Carvalho, com a entrevista que deu ontem, mostrou ser aquilo que tanto faltou ao Sporting e que falta um pouco por todo o universo futebolístico: um dirigente que percebe como se vive no futebol! Mostrou, pelo menos, que sabe que se o primeiro mandamento do futebol for violado todos os restantes são completamente irrelevantes.

Real Madrid 2-0 Sevilha: Uma superioridade que encanta

internacional cabeçalho

Afinal, tudo vai bem na casa Real. Em Cardiff, o Real Madrid fez jus ao título de campeão europeu e levou de vencida o Sevilha, por 2-0, com dois golos de Cristiano Ronaldo, igualando, com a conquista da segunda Supertaça Europeia da sua ilustre história, o rival Barcelona no número de troféus conquistados (78).

Depois de, na pré-época (devido à prestação envergonhada na Internacional Champions Cup), terem sido lançado dúvidas sobre a força e o poder do actual detentor do título de Rei da Europa para esta época, estas ficaram dissipadas com uma exibição tão repleta de carácter que fez transbordar a confiança e a segurança de que só parecem dispôr as gentes (clubes) da alta sociedade (elite europeia).

O início desta cimeira entre campeões na Europa não fugiu ao protocolo seguido nestas ocasiões, e ambas as equipas passaram os primeiros minutos do encontro a estudar-se. O Real procurava saber por que lado deveria atacar, sabida a ausência de Moreno (lateral-esquerdo) do onze titular sevilhano, enquanto que o Sevilha procurava saber o que significava a escolha de Casillas para a baliza merengue e testava o entrosamento de um meio-campo contrário composto por três unidades que nunca tinham disputado um único encontro em simultâneo.

Cristiano Ronaldo, com dois golos, foi o grande destaque da Supertaça Europeia  Fonte: UEFA
Cristiano Ronaldo, com dois golos, foi o grande destaque da Supertaça Europeia
Fonte: UEFA

Terminado o período de reconhecimento,  começou a sobressair o melhor dos campeões. Cada toque de bola, cada drible, cada passe e desmarcação deixava transparecer a segurança do Real Madrid nos seus processos, bem assimilados por todo o onze, inclusivé pelos reforços. Os remates de Bale ilustraram a superioridade dos vencedores da Champions e prepararam as vozes da afición merengue para o golo que se adivinhava – Ronaldo começa a jogada, ela passa por James antes de chegar a Bale, que “devolve” para o português marcar.

O Sevilha ia mostrando vontade em restabelecer a igualdade no resultado, mas, fora alguns fogachos levados a cabo por um incansável e virtuoso Dennis Suárez (um substituto à altura de Rakitic, sem medo de assumir a batuta de organizador do processo ofensivo e com uma importante contribuição na zona defensiva na equipa), a equipa não conseguiu ter situações de perigo, para além daquelas que o Real lhe ofereceu (foram duas, na primeira parte), com maus alívios e passes defeituosos.

A segunda parte não trouxe nada de novo. Domínio madrileño por todo o terreno, o Sevilha a tentar organizar-se perante os estragos que se iam fazendo, mas sem tempo para o fazer, pois o segundo golo chegava volvidos quatro minutos.

Ronaldo bisava. Traduzia em golos a superioridade merengue, era o ponto “chegada” de um caminho maravilhoso trilhado por todo um conjunto de virtuosos, onde ele também estava incluído, e iniciado na amplitude de movimentos de Toni Kroos (“o” exemplo da inteligência num jogador de futebol) e Modric.

Gareth Bale contribuiu decisivamente para a vitória do Real na sua cidade-natal  Fonte: UEFA
Gareth Bale contribuiu decisivamente para a vitória do Real Madrid na sua cidade-natal
Fonte: UEFA

A envolvência ofensiva do Real continuou a dar cartas, mesmo depois do 2-0. Bale, Benzema e Ronaldo pareciam ter bichos carpinteiros, tal a forma como se iam movimentando a toda a largura do terreno; James lia a “dança” dos companheiros, às vezes acompanhada pela subida dos laterais (Coentrão e Carvajal), e muitas vezes entrava nela, também. Uma dança de futebol ofensivo absolutamente encantadora e que só esbarrava num Sevilha irrepreensívelmente posicionado (apesar de estar a perder por 2-0).

Nos descontos, os andaluzes, embalados pela honra e pela dignidade, tentaram marcar e estiveram perto de o conseguir fazer, mas não foram capazes de atenuar um resultado que já foi escasso perante a superioridade merengue. A encantadora superioridade merengue.

A Figura

Cristiano Ronaldo – banhou-se em confiança antes do começo da temporada. A denunciá-lo, as arrancadas pelo flanco “abaixo”, a forma como partiu para o um-para-um… e os golos. O segundo foi o melhor dos dois. Foi o elemento mais vistoso (talvez pelos golos) da “dança” ofensiva dos merengues.

O Fora-de-Jogo

Sérgio Ramos – tem 28 anos, está há nove no Real Madrid e soma 120 internacionalizações. Tem experiência mais do que suficiente para que não lhe seja desculpada a frequência com que se envolve em quezílias sempre que pisa o relvado. Com o Sevilha, voltou a acontecer, num lance com Krychowiak.

O perigo do abismo, segundo os franceses

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eternamocidade

A próxima sexta-feira traz ao Estádio do Dragão muito mais do que o início do campeonato 2014-2015. A partida frente ao CS Marítimo é também o início de uma maratona que o FC Porto não pode voltar a perder. Mês e meio depois do arranque da pré-época, são já 13 os reforços anunciados, que, juntamente com a nova equipa técnica, confirmam aquilo que todos esperavam antes do arranque dos trabalhos: que o FC Porto ia mesmo sofrer uma revolução.

Ricardo, Andrés Fernández, Opare, Marcano, Indi, J. Ángel, Casemiro, Rúben Neves, Evandro, Brahimi, Oliver, Tello, Adrián e Sami são os nomes que trazem a mudança anunciada para os lados do Dragão. Mas, mais do que nomes, a pré-temporada mostrou aos adeptos portistas que não se trata apenas da substituição de protagonistas. Com a aposta em Julen Lopetegui, Pinto da Costa quer uma mudança de paradigma e de pensamento nas hostes portistas. Para isso, decidiu apostar num treinador consagrado de seleções jovens mas com um currículo muito baixo no que a clubes diz respeito. A mera nacionalidade de Lopetegui faz regressar a fúria espanhola ao banco do Dragão, depois da má experiência de Victor Fernández. Para os optimistas, a aposta num treinador do país vizinho é comprovativo suficiente para acreditar que estarão de volta os grandes espetáculos de futebol ao Dragão, três anos depois da saída de André Villas-Boas. Para os mais receosos, escaldados da péssima escolha de Paulo Fonseca na última época, a aposta em Lopetegui traz um risco demasiado alto para uma equipa que, tal como já afirmei, não pode voltar a perder esta maratona.

As alterações foram muitas no plantel e sem dúvida que, olhando de forma geral, este melhorou claramente em qualidade e quantidade. É certo que continua a especulação relativamente à posição 6, depois da saída de Fernando. Apesar do empréstimo de Casemiro, proveniente do Real Madrid, e da ascensão do talento Rúben Neves, os adeptos ainda suspiram por Jordy Clasie, um holandês de qualidade inegável e que assentaria que nem uma luva no onze de Lopetegui. O outro grande ponto de interrogação no plantel prende-se com a posição de Jackson Martinez. Com pouco mais de uma semana de treinos e três golos já apontados, o colombiano provou no estágio em Inglaterra que a sua manutenção foi talvez a melhor notícia para a nação portista. Contudo, a saída (incompreensível, na minha opinião) de Ghilas e a não adaptação de Adrián López à posição de ponta-de-lança fazem com que seja necessário que os responsáveis portistas gastem uns euros e façam com que o colombiano tenha concorrência.

A posição ocupada por Jackson Martinez precisa de mais um jogador Fonte: Zerozero/ Catarina Morais
A posição ocupada por Jackson Martinez precisa de mais um jogador
Fonte: Zerozero/ Catarina Morais

Depois de uma temporada onde tudo correu mal, não creio que o FC Porto tivesse outra opção que não fosse apostar forte no mercado. Tanto quanto foi possível ver nos jogos contra Everton e West Bromwich Albion, há reforços de qualidade inegável e cuja entrada no onze parece ser uma questão de tempo, pois Indi, Casemiro, Oliver, Tello e Brahimi ameaçam a titularidade imediata. Fazendo a previsão daquilo que poderá ser o primeiro onze do treinador espanhol, até já se consegue fazer uma equipa em que Quaresma não é titular, em que um jogador de 11 milhões fica no banco e onde um central de quase 10 milhões de euros parece estar destinado à equipa B. Sem dúvida que, apesar de ainda achar que faltam dois reforços aos Dragões, o plantel está mais rico e variado. Para um campeonato de 34 jornadas, a que se devem adicionar mais uma dezena de jogos nas competições europeias e outra dezena para as taças internas, é óbvio que todos terão a sua oportunidade, sem que com isso, ao que tudo indica, a equipa perca qualidade.

Todos os jogadores, com a exceção de Jackson, têm concorrência à altura, e só por isso acredito que na próxima sexta-feira o FC Porto terá tudo para começar da melhor maneira o campeonato nacional. Ainda assim, e porque não sou daqueles que acreditam que o campeonato tem de estar acima de todas as coisas, é, por esta altura, tempo de pensar que nos dias 20 e 26 de agosto o FC Porto terá os primeiros grandes desafios da época. E, sim, porque todo este investimento apenas terá justificação para sócios e adeptos se o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões for conseguido. O terceiro lugar alcançado na última época no campeonato francês faz acreditar que o Lille, com Origi, Salomon Kalou e Mavuba à cabeça, será um osso muito duro de roer para a equipa portista.

Desta forma, os novos jogadores portistas – a grande maioria deles jovens e de qualidade inegável – têm nas próximas duas semanas dois testes decisivos para aferir a capacidade deste FC Porto de escrever, nesta temporada, uma história dourada. Matéria-prima parece não faltar, mas a grande questão é perceber se a revolução feita por Lopetegui poderá ter efeitos tão rápidos quanto se deseja. É que, por mais que os adeptos sonhem com o céu esta época, rapidamente a equipa de “sonho” portista pode descer à terra, o que, tendo em conta o investimento este ano, será o inferno. E porque bons jogadores não fazem uma boa equipa, só a revolução de Lopetegui dará a resposta. E isto porque o perigo do abismo está mesmo aí.

Liga Portuguesa 2014-2015: O mesmo objetivo com os protagonistas de sempre

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Esta sexta feira começa a principal prova do futebol português, o campeonato nacional da I Liga. O FC Porto-Marítimo dará o pontapé de saída para um campeonato envolto em polémica, em virtude das dificuldades vividas pelo organizador da competição, a Liga. Apesar das dúvidas em torno da prova, o Estádio do Dragão funcionará como ponto de partida para uma maratona de 34 jornadas que consagrará em maio o novo campeão nacional. O Bola na Rede traz-lhe agora o primeiro de três artigos de antevisão ao campeonato português. No que à luta pela manutenção diz respeito, são nove as equipas que apontamos como tendo por principal objetivo a fuga aos lugares de despromoção: Vitória de Setúbal, Académica, Arouca, Gil Vicente, Belenenses, P. Ferreira, Penafiel, Boavista e Moreirense.

Vitória de Setúbal

O sétimo lugar alcançado pelos sadinos na última temporada não parece argumento suficiente para levar a equipa vitoriana a alterar os objetivos para a nova época. José Couceiro trocou os sadinos pelo Estoril-Praia, levando o presidente Fernando Oliveira a escolher Domingos Paciência para comandar a equipa. No plantel vitoriano, destaque para as entradas de Lukas Raeder, ex-guarda redes do Bayern de Munique; Hélder Cabral, que regressa ao futebol português, proveniente do APOEL; e ainda Diego Maurício, avançado internacional sub- 20 pelo Brasil que promete ser uma das revelações da equipa do Sado. Relativamente a saídas, destaque para Kieszek, que rumou também até Estoril; Ramón Cardozo, atualmente no Moreirense; João Mário e Betinho, que regressaram a Alvalade; Ricardo Horta, que foi para o Málaga; Rafael Martins, que foi para o Levante; e ainda Pedro Tiba, contratado pelo Sp. Braga.

Académica de Coimbra

Depois de uma temporada tranquila, os estudantes procuram igualar ou até melhorar o 8.º posto alcançado em 2013-2014. Ainda assim, a mudança de técnico (Sérgio Conceição foi para Braga, tendo chegado para o seu lugar o ex-técnico do Sporting, Paulo Sérgio) e a saída da espinha dorsal da equipa da última época fazem adivinhar um início de campeonato complicado para os estudantes. Destaque para as saídas de Ricardo (FC Porto), Djavan (Benfica e posteriormente Sp. Braga), Salvador Agra e Marcelo Goiano (Sp. Braga), Halliche (Catar) e Makelele (Kuwait). A entrada mais sonante foi a de Rui Pedro, ex-Cluj, que procura melhorar um plantel que tem em João Real, Fernando Alexandre e Marinho as principais referências.

Arouca FC

O regresso à I Liga na última época não representou um sobressalto tão grande como se esperava para a equipa arouquense. A experiência de Pedro Emanuel foi decisiva para o 12.º lugar em 2013-2014 e esta época o Arouca procura novamente fazer um campeonato tranquilo, sempre dentro das limitações financeiras do clube. Por isso, foram poucas as alterações no plantel, com destaque para as chegadas de Dabó (Sp. Braga), Artur (Marítimo) e Nildo (Videoton) e as saídas de Cissé (Sporting), Ceballos (Tottenham) e Cássio (Rio Ave). David Simão, Bruno Amaro, Rui Sampaio e André Claro são as principais figuras do plantel.

Gil Vicente FC

Depois de na época passada ter feito um excelente primeiro terço de campeonato, com 17 pontos em 30 possíveis, a equipa de João de Deus apenas conseguiu garantir a manutenção na antepenúltima jornada, terminando a época com 31 pontos. O plantel sofreu poucos reajustes e, da espinha dorsal da equipa, destaque apenas para as saídas de Hugo Vieira, cujo empréstimo terminou, e de Danielson, que rumou a Moreira de Cónegos. Nas entradas, destaque para os regressos ao futebol português de Evaldo (ex-FC Porto e Sporting) e Gladstone (ex-Sporting), bem como para a contratação sonante de Diogo Valente, emprestado pelo Cluj depois de ter atuado na última época na Académica de Coimbra. Diogo Viana, César Peixoto, João Vilela e Gabriel continuam como referências dos gilistas.

CF Belenenses

As dificuldades no clube do Restelo são muitas e, por isso, apesar de ser uma das cinco equipas que já se sagraram campeãs nacionais de futebol, as exigências não são muitas para a equipa de Lito Vidigal. A manutenção é o único objetivo realista para uma equipa com limitações orçamentais e que na última época apenas na derradeira jornada conseguiu fugir à II Liga. As alterações no plantel da equipa do Restelo não foram muitas, apesar das saídas de jogadores de destaque da última época, como André Geraldes, que rumou a Alvalade; João Pedro, que rumou ao Moreirense; Duarte Machado, atualmente no Olhanense; e Fernando Ferreira, que foi para o Marítimo. Quanto a entradas, apenas realce para a chegada do central Palmeira (ex-Sp. Braga e Tondela), bem como para o regresso de Abel Camará, após empréstimo. Miguel Rosa continua a ser a principal esperança da equipa do Restelo para a nova época.

FC Paços de Ferreira

Depois de na época 2012-2013 a equipa pacense ter atingido o impensável, com o apuramento para o play-off da Liga dos Campeões após o terceiro lugar no campeonato, a última época quase trouxe o Paços do “céu ao inferno”, com o modesto 15.º e penúltimo lugar na I Liga. O play-off frente ao D. Aves foi a bóia de salvação dos “castores”, que conseguiram dessa forma garantir a presença na I Liga deste ano. Para a nova época, a grande novidade prende-se com o regresso de Paulo Fonseca ao comando técnico, depois de uma época de pesadelo do treinador revelação no FC Porto. O plantel sofreu várias saídas importantes, como as de Tony (Penafiel), André Leão (Valladolid), Del Valle (Rio Ave), Bebé (SL Benfica) e Tiago Valente (Legia Gdansk). Nas entradas, destaque para as chegadas de Rúben Ribeiro, após empréstimo ao Rio Ave; de Cícero e Hurtado, que haviam estado emprestados ao FC Astana e Peñarol, respetivamente; bem como as contratações de Nélson Pedroso (ex-Vitória de Setúbal) e Rodrigo Galo, que já havia atuado no Gil Vicente. Boaventura, Filipe Anunciação, Sérgio Oliveira e Manuel José continuam no plantel e prometem ser figuras importantes numa época de transição para a equipa da capital do móvel, que nas duas primeiras jornadas defronta o Benfica no Estádio da Luz e o FC Porto na Mata Real.

FC Penafiel

O terceiro lugar alcançado na última época foi suficiente para fazer regressar os penafidelenses ao convívio com os grandes do futebol português, oito anos depois. Miguel Leal, o timoneiro da última época, abandonou a equipa para rumar a Moreira de Cónegos, tendo sido substituído por um dos treinadores revelação da última II Liga, Ricardo Chéu, que treinava o Académico de Viseu. Em Penafiel, o objetivo é garantir a manutenção o mais rapidamente possível, e os jogos da pré-época revelaram bons sinais da equipa de Chéu. No plantel do FC Penafiel, destaque para as saídas Mauro Caballero e de Fábio Ervões, e para as entradas de Bura (ex-D. Chaves), Tony (ex-Paços de Ferreira) e Rabiola (ex-Sp. Braga). As figuras da equipa – que transitam do plantel da última época – são Romeu Ribeiro, Aldaír e Mbala.

Moreirense FC

O atual campeão da II Liga regressa ao principal campeonato do futebol português depois de apenas uma temporada de ausência. A equipa de Moreira de Cónegos não continuou com Vítor Oliveira no comando técnico, optando por ir buscar Miguel Leal ao Penafiel. No plantel do Moreirense, destaque para as saídas de Miguelito (D. Chaves) e Edgar Costa, que rumou ao Nacional da Madeira. Quanto a entradas, a equipa recém-promovida tem sido uma das agradáveis surpresas do defeso, com vários nomes sonantes já contratados. Danielson (ex-Gil Vicente), André Marques (ex-Sion), Gerso (empréstimo do Estoril), Ramón Cardozo (ex-Vitória de Setúbal), João Pedro (ex-Belenenses) e Ricardo Ribeiro (ex-Estoril-Praia). Para além dos reforços de renome, a equipa de Miguel Leal conta no plantel com a experiência de jogadores como Marafona, Anílton Júnior, Diogo Cunha e Luís Aurélio.

Boavista FC

Longe vão os tempos em que os boavisteiros saíram à rua para festejar a conquista do campeonato, em 2001. Passaram 13 anos desde essa mítica vitória frente ao Desportivo das Aves que colocou os boavisteiros para sempre na história do futebol português. Desde essa altura que muito mudou no clube axadrezado, que, apesar de presenças na Liga dos Campeões e na meia-final da Taça UEFA em 2003, num ápice bateu no fundo após o processo Apito Final, que levou a equipa portuense até aos campeonatos não profissionais de futebol. A 16 de abril de 2013, a Liga Portuguesa aprovou o alargamento do campeonato de 16 para 18 equipas, fazendo o Boavista regressar a um lugar que nunca deixou de ser seu. As mudanças foram muitas, desde a presença de relvado sintético no Estádio do Bessa até à presença de Petit, campeão nacional em 2001, no atual comando técnico do Boavista. Com um dos orçamentos mais baixos da I Liga, os axadrezados apenas sonham com a manutenção neste regresso à I Liga. Para isso, foram inúmeras as contratações, muitas delas de jogadores desconhecidos, mas que nos permitem ainda assim destacar as entradas de Mika (ex-Benfica), Brito (ex-GilVicente) e Tengarrinha, defesa da formação do FC Porto. A tarefa não se adivinha fácil, mas a presença de jogadores como Pedro Costa, Fary e Bobô prometem trazer de novo as grandes noites de futebol de I Liga ao Estádio do Bessa.

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Liverpool: 24 anos depois

O Liverpool está, na minha opinião, em 2014/15 mais perto do que nunca de ganhar pela primeira vez a Premier League no seu actual formato. Suárez saiu, mas chegaram mais opções para o conjunto de Brendan Rodgers.

Começando pela baliza: Mignolet. O belga é dos melhores guarda-redes a actuar em Inglaterra e isso foi provado na época passada. Depois de grandes temporadas ao serviço do Sunderland, chegou ao Liverpool e não desiludiu. Transmite uma segurança à equipa que creio que Pepe Reina nunca chegou a transmitir. É um guarda-redes seguro e muito low profile.

No centro da defesa havia Skrtel, Sakho, Kolo Touré e Agger. Olhando para os nomes esta parece ser uma muralha, mas na prática não o é. Sakho chegou com vários problemas físicos e falhou vários jogos em 2013/14, mas tem tudo para explodir definitivamente nesta nova época. Kolo Touré foi demasiado mau; erros infantis e inconcebíveis para alguém com a carreira e experiência do costa-marfinense. Já o dinamarquês Agger viveu também parte da época lesionado e não manteve o seu nível de jogo e a sua veia goleadora. Skrtel, esse sim, apresentou um excelente aproveitamento no ataque, com sete golos marcados. Foi, sem dúvida, o melhor central. Se todos estes centrais estivessem na sua plena forma, como já disse, constituiriam uma das melhores defesas no mundo, mas creio que a sua irregularidade é algo preocupante, e daí o Liverpool ter ido ao mercado buscar Lovren – um dos vários nomes do Southampton que chegaram a Anfield -, que é muito forte no jogo aéreo, causa muito perigo em lances de bola parada e certamente será titular indiscutível.

Nas laterais há ainda um problema por resolver. Glen Johnson não teve uma época muito boa e fez também um Mundial para esquecer. O titular na direita deve ser mesmo o jovem Flanagan, que jogou a última época encostado à esquerda, abrindo espaço para o regresso de José Enrique, ou para uma mais do que possível contratação de Moreno, do Sevilla. Seja como for, acho que a defesa, ainda assim, será o elo mais fraco desta equipa.

Chegamos ao meio-campo e vemos muitas mais opções do que no ano passado. Começando pelo sector mais recuado do miolo, Lucas Leiva está de regresso, depois de quase um ano de paragem; Gerrard tem descido no terreno de ano para ano e o que é incrível é que parece que está cada vez melhor e com um remate cada vez mais potente – esta pode muito bem ser a última época do mítico ‘8’ do Liverpool. Avançamos e temos Jordan Henderson, que está numa forma absolutamente fantástica: parece que não se cansa e corre sempre os 90 minutos sem qualquer dificuldade. Tem demonstrado também ser muito bom a aparecer em zonas de finalização. Joe Allen continuará a ser um bom substituto quer para a zona de médio defensivo, quer para médio centro. A tudo isto, o Liverpool juntou ainda a força bruta de Emre Can. Depois de uma temporada soberba no Bayer Leverkusen, o Liverpool gastou cerca de 12,5M€ no jogador formado no Bayern München, e fez muito bem. Alia a força da técnica à técnica da força e creio que pode muito bem vir a ser titular na equipa de Brendan Rodgers.

Emre vem dar muito músculo ao meio campo dos reds Foto: Liverpool FC
Emre vem dar muito músculo ao meio campo dos reds
Foto: Liverpool FC

Quem também chegou esta época foi Lallana. O inglês é mais um vindo do Southampton. Dono de uma técnica, velocidade e precisão de remate ao alcance de poucos, viu premiada assim a sua excelente época ao serviço dos Saints, com uma transferência muito lucrativa para o clube de Liverpool. Para Coutinho creio que já não há palavras. Um prodígio. Tanta falta fez no Brasil este Mundial… É dos melhores ’10’ a jogar em Inglaterra, e depois da pré-época que fez tem tudo para se afirmar como um dos melhores da próxima época. Chegamos às alas e temos Sterling, que, para mim, é o jogador que actualmente mais se parece com Messi. Não falo em qualidade no seu todo, mas no seu estilo de jogo. A sua estatura, o seu drible com a bola colada ao pé, os piques com as mudanças de velocidade, os remates certeiros e os passes milimétricos fazem dele uma das maiores promessas a nível mundial. Depois de se ter afirmado como titular e peça fundamental no esquema do Liverpool, pede-se a Sterling que mantenha o seu nível de jogo, mas o mais provável é que continue a melhorar de treino para treino e de jogo para jogo. Do outro lado, quem pode aparecer é o ex-Benfica Lazar Markovic. Depois de uma temporada ao mais alto nível e recheada de títulos, o jovem sérvio mudou-se para Inglaterra por 25M€. Não se podia ter mudado para sítio melhor. O ataque contínuo e a pressão infernal do Liverpool servirão para que Marko continue a melhorar o seu jogo e para que continue a sua evolução como excelente jogador de futebol que é.

Para o centro do ataque há Sturridge. O inglês foi o segundo melhor marcador da época passada e é a minha aposta para ser o melhor na presente época. Velocidade, explosão, técnica, remate, irreverência… todos estes factores contribuem para que Sturridge possa vir a ser o melhor dos melhores em Inglaterra. Depois de uma pré-época mais do que boa, a tripla Coutinho-Sterling-Sturridge vai dar muito que falar. Do Southampton chegou também Rickie Lambert. Não é nenhum jovem, mas é um excelente avançado com um instinto matador que poucos têm. Produto das escolas do Liverpool, chega ao clube com 32 anos e com muita experiência em colocar a bola no fundo das redes.

Uma dança que se vai repetir muitas vezes este ano Fonte: lovethatmag.com
Uma dança que se vai repetir muitas vezes este ano
Fonte: lovethatmag.com

Mas creio que o principal trunfo do Liverpool está no banco. Não falo só de Brendan Rodgers, que é um dos melhores treinadores da actualidade e já o demonstrou na última época, mas sim da profundidade do plantel. O Liverpool vai ter um banco de luxo, algo que não tinha há largos anos, sobretudo no ano passado. Para além de jogadores que seriam habituais titulares em 90% das equipas do mundo, há ainda jovens a despertar, como é o caso do português Teixeira, que já jogou na época passada. Há ainda o também português Ilori, Jerome Sinclair, Adorján, Yesil, Ibe ou Borini.

Esta será uma Premier League de loucos, com várias equipas a disputar o primeiro lugar, mas a minha aposta pessoal recai neste Liverpool, que faz do trabalho de equipa a sua principal arma e que joga sempre um futebol demasiado apaixonante para dele não se gostar.

Volta a Portugal: O Bi da Galiza

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Cabec¦ºalho ciclismo

Como era esperado, Gustavo Veloso venceu mesmo. Desde o momento em que vestiu a camisola amarela, conseguiu responder a practicamente todos os ataques que lhe foram feitos, defendendo a sua camisola com todas suas as forças. No contra-relógio, já se sabia, o galego era forte demais para toda a concorrência. Venceu e convenceu, sem grande margem para dúvidas. Foi um dos três espanhóis que acabou no top10 da prova. É verdade que sete portugueses e apenas três espanhóis no top10 parece uma imensa vitória de Portugal, mas também é verdade que dois dos espanhóis acabaram no top3, portanto é como se decidir ver o copo, meio cheio ou meio vazio. O que é certo é que, como tinha previsto no último artigo, tivemos mais uma vez uma prova dominada pelos países ibéricos.

Gustavo Veloso, o vencedor da prova  Fonte: A Bola
Gustavo Veloso, o vencedor da prova
Fonte: A Bola

Há, no entanto, mais três ciclistas que merecem ser mencionados individualmente: Rui Sousa, Edgar Pinto e David Belda. Rui Sousa porque, aos 38 anos de idade, consegue vencer isolado na Torre, o que é sempre um feito digno de registo, seja qual for a idade do atleta. Ganhar a etapa raínha, em qualquer prova do mundo, dá sempre direito a manchete com sublinhado especial. Rui Sousa atacou de muito longe, conseguiu deixar o grupo principal para trás e com isso escreveu o seu nome na subida mais mítica de Portugal. Edgar Pinto merece também uma palavra especial. Caiu três vezes e mesmo assim manteve-se até ao fim. Só por isso, já merecia a referência, mas somando a isso a vitória no alto da Senhora da Graça e um lugar final no top5, pode-se dizer que foi um desempenho de se lhe tirar o boné. Quem esteve também em destaque foi o espanhol David Belda, que conseguiu vencer duas etapas com chegada em alto, feito único nesta edição da prova. No que diz respeito às restantes classificações, António Carvalho, da Lampre, conquistou a camisola da montanha, Davide Vigano, da Caja Rural, conquistou a camisola dos pontos e David Rodrigues, da seleção nacional, conquistou a camisola da juventude. Colectivamente, foi a OFM/Quinta da Lixa quem venceu a prova.

Rui Sousa, o conquistador da Torre  Fonte: velobike.it
Rui Sousa, o conquistador da Torre
Fonte: velobike.it

A 76ª edição da prova mais importante do ciclismo nacional teve bons momentos protagonizados por atletas portugueses, que até venceram as duas etapas mais icónicas da prova, mas mais uma vez foi vencida por um estrangeiro. Desde 2011 (edição vencida por Ricardo Mestre e que ficou marcada pela presença de dez portugueses no top10 final) que um português não vence a Volta. Pelo segundo ano consecutivo, venceu um galego. Foi o Bi da Galiza. Conseguirá alguém quebrar este domínio galego para o ano? Cá estaremos para ver!

2014/2015: Venham eles!

amarazul

A pré-época terminou, os encontros oficiais aproximam-se e o plantel vai ganhando forma como se de uma construção LEGO apoiada por um manual de instruções (espanhol, claro) perfeito se tratasse. Finalmente!

Mesmo em ano de Mundial, esperar pelo período em que o futebol – o futebol a sério – regressa não é fácil. Vemos ídolos partir, desconhecidos chegar e, neste caso, toda uma reformulação. No meu caso, a tão esperada reformulação, pois há muito que pedia sangue estrangeiro.

Até ao dia em que a bola volte a rodar passam meses e mesmo aí não há o mesmo entusiasmo. É tudo ‘a feijões’, como se diz, e, no início, contra equipas longe de se assumirem como profissionais. Mas os dias passam, e passam. A ânsia aumenta e com ela chegam as promoções aos primeiros jogos oficiais, os sorteios, os primeiros palpites e opiniões confiantes em relação aos vencedores.

Agora, entramos na semana onde tudo começa. O campeonato. No Dragão. Mas vamos por partes: se a prova portuguesa se divide em dezenas de jornadas, o play-off da Liga dos Campeões (disputado nos dias 20 e 26 frente ao Lille) é decisivo para toda uma temporada, tanto a nível competitivo como financeiro. O Futebol Clube do Porto pertence à prova-mãe do futebol europeu, é lá que tem de estar, e como tal os comandados de Lopetegui têm a obrigação de ultrapassar com sucesso o primeiro desafio.

Depois, sim, será altura de montar todo um puzzle com o maior dos cuidados. Peça por peça, com ajuda mútua de todos os intervenientes, até que, lá para abril, se destruam todas em jeito de fogo-de-artifício comemorativo. Não há como enganar: 2014/2015 é a época em que o Futebol Clube do Porto tem de regressar às vitórias. Porque à falta de vitórias não estamos habituados; porque não faz parte de nós; porque somos conhecidos por isso mesmo.

Venham eles!

Supertaça: Benfica 0-0 (3-2 gp) Rio Ave: Justiça em horas extra

benficaabenfica

A justiça de um jogo de sentido praticamente único chegou tarde, mas chegou. E pelas mãos do herói mais improvável: Artur defendeu três grandes penalidades e entregou a Supertaça a quem fez por a merecer. Após a desastrosa pré-época encarnada, quem ousasse esperar uma exibição de qualidade no jogo de hoje seria chamado de louco. Mas aconteceu mesmo. Com Artur a merecer novamente a confiança de Jesus para a baliza, Eliseu e Talisca foram os únicos dos muitos reforços a integrar o onze. A aposta no brasileiro acabou por ditar a transfiguração do 4-4-2 habitual para uma espécie de 4-2-3-1, com Lima apoiado por Talisca e pelos endiabrados Gaitán e Salvio. Enzo retomou o lugar que é seu e a música no centro do terreno foi logo outra, apesar de ainda ter estado longe daquilo que tão bem sabe e pode fazer. Esperemos que no Benfica, é claro. No entanto, foi a partir do eixo central da defesa que o Benfica pôde construir a boa exibição nos 120 minutos, já que Luisão e Jardel assumiram (finalmente!) os lugares e permitiram as boas exibições de Maxi e Eliseu.

Não seria mentira dizer que ao intervalo a partida podia estar mais do que resolvida. E por números esclarecedores. O Benfica entrou decidido a resolvê-la cedo e encostou o Rio Ave às cordas nos primeiros 25 minutos. Com o motor de Enzo ligado e Salvio e Gaitán a esburacarem a defensiva vila-condense, só faltava mesmo o golo para confirmar a supremacia encarnada. O rol de oportunidades foi longuíssimo, ora por Talisca, ora por Lima, ora por Salvio… Este desperdício veio demonstrar a urgente necessidade de reforço da frente atacante. Pede-se um… Cardozo.

Artur foi o herói mais improvável na vitória encarnada  Fonte: Página de facebook do Benfica
Artur foi o herói mais improvável na vitória encarnada
Fonte: Página de facebook do Benfica

O nulo ao intervalo acabava por ser castigador para o Benfica, frente a um Rio Ave que apenas teve nas invenções de Artur o seu oásis de chances de golo. A segunda parte trouxe uma menor cadência ofensiva por parte da equipa de Jorge Jesus, mas nem por isso foi deixando de coleccionar oportunidades de golo. O domínio do jogo era claro mas o golo tardava em chegar e as pernas começavam a pesar, algo natural em fase tão madrugadora da temporada. O Rio Ave acabou por levar a água o seu moinho e o nulo manteve-se até final dos 90 minutos. No prolongamento, o Benfica entrou novamente a carregar mas o golo não aparecia por nada. Com Gaitán e Salvio esgotados, a produção ofensiva encarnada acabou por cair a pique e só Artur, em nova invenção, quis tentar evitar as grandes penalidades num dos últimos lances do encontro. Redimiu-se na lotaria e defendeu três pontapés (Tarantini, Diego Lopes e Tiago Pinto) e entregou a taça ao campeão nacional. Esperemos que não sirva esta amostra de bom futebol para esconder as evidentes necessidades de reforço do plantel. E muito menos para acreditar em Artur para defender a baliza de uma equipa que quer lutar por títulos.

A Figura

Salvio – Impressionante o lote de recursos do argentino nos duelos individuais. Apesar de algumas falhas no capítulo da decisão, parece querer retomar o tempo perdido na época passada.

O Fora-de-Jogo

Rio Ave – Mesmo com um tempo de recuperação francamente menor, esperava-se um pouco mais de Rio Ave hoje frente a um Benfica fragilizado pelos resultados recentes.

Valores frescos no Dragão?

opinioesnaomarcamgolos

Que fique bem claro: isto nunca aconteceu antes. O Porto que se apresenta esta época é, no mínimo, insólito.

Isto é tudo novo. Parece que alguém abriu as janelas do Dragão e deixou entrar ar. Só falta saber se é fresco. Não consigo olhar para esta equipa e deixar de pensar nos pormenores que a constroem. Grande parte da pré-época dos dragões foi feita com jogadores novos, muitos deles recém-contratados; o nosso treinador é novo e sem qualquer experiência em clubes grandes; temos de disputar um play-off para ter acesso à Liga dos Campeões; contamos com três jogadores emprestados, que são opções viáveis para o onze, sendo que o mais promissor não tem opção de compra; e, finalmente, equaciona-se de maneira realista a possibilidade de um jogador de 17 anos ser titular! Isto tudo somado só pode dar um resultado insólito. O problema é que não significa necessariamente que seja bom. Vários elementos desta conta de somar já se verificaram no clube das Antas, mas nunca tudo junto!

Já havia dito que a contratação de Lopetegui foi, em parte, uma estratégia para ir buscar mercado em crescendo, principalmente espanhol. Óliver Torres, Cristian Tello, Adrián López, José Ángel, Andrés Fernández, Casemiro e Opare, todos eles jogadores do conhecimento de Lopetegui. Uma coisa é ser o FC Porto a mostrar interesse num determinado jogador; outra, completamente diferente, é o jogador tomar conhecimento desse interesse através de alguém que conhece, em quem confia e, em certos casos, com quem tem uma relação de amizade. Que não haja dúvidas: a comunicação entre o técnico espanhol e alguns dos jogadores pretendidos foi uma constante. Obviamente que Lopetegui também foi chamado ao comando técnico do Porto por outras características, mas quando se contrata um treinador contrata-se o seu know how, a sua sabedoria e os seus contactos.

Lopetegui é o rosto da revolução no FC Porto 2014/15  Fonte: misticaazulebranca.blogspot.com
Lopetegui é o rosto da revolução no FC Porto 2014/15
Fonte: misticaazulebranca.blogspot.com

Jogadores contratados por empréstimo, especialmente sem opção de compra, são coisa rara, e atrevo-me até a dizer inexistente, no Porto. Valorizar um jogador, tanto a nível desportivo como económico, para depois chegar ao fim e correr o risco de ver outro clube a lucrar com ele é algo que não faz sentido. Estou muito curioso para ver o que este caso nos reserva. Outra coisa que nunca imaginei foi ver a real possibilidade de ter um miúdo de 17 anos a titular no Porto. Rúben Neves parece cumprir ao mesmo tempo que promete. Mas é importante não nos deixarmos levar pela situação. No Porto, só Lopetegui daria tantos minutos e depositaria confiança em alguém tão novo, pois é algo normal no técnico espanhol, que tem trabalhado com os mais jovens nestes últimos anos. O que não é normal é ver isto a acontecer no Dragão sem qualquer alarme. Faço um voto de atenção para este caso, pois apesar de concordar com a aposta em Rúben Neves não consigo deixar de sublinhar que não estamos na mesma situação do Sporting. Connosco ainda há alternativas.

Para terminar, a Liga dos Campeões. Ainda não vi o suficiente para ter confiança sólida no jogo do Porto. Confio nos jogadores e acredito que temos um grande plantel, mas do jogo jogado não posso dizer o mesmo. O Lille não é uma equipa extraordinária, mas sabe jogar como uma equipa e não vem de um campeonato de segunda classe. Mais importante do que garantir a Champions para poder comprar Jordy Clasie ou um grande ponta-de-lança é entender que Jackson se mantém no plantel apenas porque a competição milionária ainda é alcançável.

Arsenal 3-0 Man. City: Community Shield fica em Londres!

O mítico Estádio de Wembley foi o palco do primeiro jogo oficial da época em Inglaterra. Arsenal e Manchester City, vencedor da Taça e da Premier League respectivamente, discutiam entre si a Community Shield. Num jogo marcado por muitas ausências (no Arsenal, os campeões do mundo Özil, Mertesacker e Podolski; no Manchester City, o lesionado Negredo, o recém-contratado Lampard, o ainda-não-contratado Mangala e também Zabaleta, Agüero, Demichelis, Sagna, Kompany e Fernandinho), destaques para as estreias oficiais de Caballero e Fernando do lado dos citizens e de Chambers, Debuchy e Alexis Sánchez do lado dos gunners.

O Arsenal entrou melhor no jogo e dominou claramente a primeira meia hora. Com superioridade numérica no meio-campo (Arteta-Ramsey-Wilshere contra Fernando-Touré), os londrinos tomaram conta da bola, trocaram-na com a mestria habitual e foram causando perigo, especialmente sobre o renovado corredor direito, composto pelo atrevido Debuchy e pelo explosivo Alexis Sanchéz. Com efeito, foi sem surpresa que Santi Cazorla inaugurou o marcador, com um colocadíssimo remate rasteiro à entrada da área, aos 22’. O City ia procurando esboçar uma reacção, mas a desinspiração dos homens mais criativos da equipa – Navas, Nasri e Jovetic – não permitiu aos campeões ingleses causar grande perigo. Aos 42’, um dos momentos-chave do encontro: a passe de Alexis, Sanogo, no seu estilo trapalhão, tirou Boyata da frente e entregou para Ramsey fazer o 2-0 com toda a facilidade. Neste lance ficaram patentes as fragilidades da dupla Boyata-Nastasic (recorde-se que Kompany e Mangala, assim como Demichelis, estavam de fora).

Santi Cazorla, de pé esquerdo, abriu o marcador em Wembley  Fonte: newstimes.com
Santi Cazorla, de pé esquerdo, abriu o marcador em Wembley
Fonte: newstimes.com

Para a segunda parte, algumas mexidas: Wenger lançou Nacho Monreal, Oxlade-Chamberlain e Olivier Giroud para os lugares de Koscielny, Alexis Sánchez e Yaya Sanogo e Pellegrini tirou de campo o sempre assobiado Nasri para fazer entrar o craque David Silva. O City até começou melhor e no primeiro quarto de hora Jovetic teve duas boas ocasiões para marcar (numa delas, cabeceou ao poste), mas haveria de ser o Arsenal a chegar ao golo. Imediatamente a seguir às saídas de Touré e Dzeko no City, Olivier Giroud disferiu um banana shot de fora da área com uma violência e uma colocação tais que o debutante Caballero nada pôde fazer para evitar o tento do francês. Com o placard a assinalar 3-0, o encontro ficou mais ou menos decidido e o ritmo de jogo baixou. Os treinadores esgotaram as seis substituições a que tinham direito e esperaram pelo apito final do árbitro.

O troféu ficou em Londres com toda a justiça e Arséne Wenger, que esteve nove anos sem conquistar nada até vencer a FA Cup no ano passado, até já pode dizer a Mourinho que tem mais títulos do que o português este ano. O Arsenal venceu o “escudo” pela 13ª vez e voltou a deixar boas indicações – agora vai tentar apurar-se para a fase de grupos da Champions (defronta o Beşiktaş na pré-eliminatória) e, com o regresso da armada germânica, vai procurar começar da melhor maneira a super-competitiva Premier League.

A Figura

Aaron Ramsey – É difícil nomear um só jogador dos gunners, mas o galês marcou um golo, espalhou classe a cada toque na redondinha e, como jogou mais tempo do que Wilshere e Alexis, os outros dois destaques, acaba por merecer a distinção.

O Fora-de-Jogo

Samir Nasri – Jogando sobre a meia esquerda, foi incapaz de causar os desequilíbrios que Silva, quando entrou, causou. Talvez tenha sido condicionado pelos assobios que vinham da bancada a cada intervenção sua…