O mundial de motociclismo é fascinante não só pela adrenalina que nos coloca, mas também pela curiosidade que nos desperta em relação aos capacetes escolhidos pelos pilotos.
Há corridas especiais e que merecem um capacete à medida. Muitos deles são irreverentes e espelham a personalidade de cada piloto em pista… Não se distinguem só pela estética, mas também pela função que têm em proteger cada piloto e tornar-lhes a corrida mais fácil de gerir.
Foi com esse mote que decidi aprofundar esse tema e focar-me para este texto.
Num dia que não contou com a presença de qualquer atleta português, o grande destaque da noite foram os três Ouros alcançados pelos norte-americanos, contrastando com a noite de ontem. Noah Lyles (USA) cumpriu e venceu nos seus primeiros grandes campeonatos, Sam Kendricks (USA) levou a melhor num emocionante concurso da Vara e Donavan Brazier pouco se importou com o caso polémico que abalou o dia e alcançou um recorde dos campeonatos. A outra medalha de Ouro do dia foi surpreendentemente para Kelsey Lee-Barber, da Austrália, que bateu as favoritas chinesas no Dardo. Ontem, a África e a Europa dominaram as conquistas, hoje não conseguiram nenhuma. É esta a beleza de um desporto global.
Na final que encerrou a noite, os 200 metros, Noah Lyles (USA) entrava para a prova como absoluto favorito e não defraudou essas expectativas, conquistando mesmo o título e a sua primeira medalha global da carreira, ao correr em 19.83 segundos. Não foi a melhor prova de Lyles, que não pareceu tão fulgurante à saída da curva, tendo algumas dificuldades em desenvolver, nunca mostrando uma avassaladora superioridade sobre os restantes elementos.
Ainda assim, não falha na primeira vez que entra como favorito num grande palco e vence dois outros homens que baixaram dos 20 segundos. Andre de Grasse (CAN) alcançou a Prata, correndo em 19.95 segundos – a sua segunda medalha destes campeonatos – enquanto que Alex Quiñonez (ECU), aos 30 anos, consegue mesmo a sua primeira medalha global da carreira, ao finalizar a prova em 19.98. No 4.º lugar, Adam Gemili (GBR), mais uma vez, às portas das medalhas…
Alberto Salazar suspenso por 4 anos! Fonte: IAAF
Durante a última madrugada, uma bomba rebentou no mundo do atletismo, com a notícia de que Alberto Salazar, o técnico líder do Projeto Oregon da Nike – um dos maiores projetos de meia e longa distância a nível mundial -, havia sido considerado culpado pelos tribunais norte-americanos de violações do código anti-doping, tendo sido imediatamente suspenso por 4 anos de qualquer atividade relacionada com o atletismo.
Acontece que dois dos integrantes do projeto Oregon estavam apurados para a final dos 800 metros: Donavan Brazier (USA) e Clayton Murphy (USA). Brazier não pareceu nada incomodado com isso, assumiu a frente da prova desde cedo e terminou em 1:42.34 para o Ouro, com recorde dos campeonatos. Este foi o 2.º Ouro do Projeto Oregon, depois do Ouro de Hassan nos 10.000 metros.
Brazier bateu o recorde dos campeonatos nos 800 metros, mas a polémica continua Fonte: IAAF
O 2.º lugar foi para Amel Tuka (BIH), em 1:43.47, ele que já havia sido Bronze em Pequim há 4 anos, sendo que o Bronze, desta vez, foi para Ferguson Rotich (KEN) em 1:43.82. Esta foi a primeira vez na história que os EUA conquistaram o Ouro no evento.
“Não sendo espetacular, é um espetáculo de jogador”. Esta frase é da autoria de Sérgio Conceição e surgiu há algumas semanas a propósito da exibição de Matheus Uribe no clássico frente ao SL Benfica no final do mês de agosto. Daí para cá, o colombiano somou mais um punhado de exibições irrepreensíveis e tem-se assumido como um dos pilares da equipa portista.
Sendo certo que fazer apreciações à pressa pode ser arriscado (corremos o risco de ser contrariados a longo prazo), parece-me que Uribe é já uma certeza. Os seus 28 anos obrigavam a que assim fosse. No entanto, sabemos que nem sempre os jogadores que chegam à Europa provenientes da América Latina se adaptam com facilidade.
Depois de perder Héctor Herrera para o Atlético de Madrid, o FC Porto, com algum atraso, resgatou este médio colombiano ao CF América, do México, para suprir a partida de “El Zorro”. Matheus chegava ao FC Porto com boas referências e foi apontado como um jogador intenso, com grande chegada à área e com enorme capacidade de progressão com bola. No fundo, uma fotocópia do mexicano.
Uribe foi nomeado pelo clube MVP do jogo do passado fim-de-semana frente ao Rio Ave FC Fonte: FC Porto
Vou-me permitir, então, a uma afirmação arriscada. Uribe é melhor e mais jogador do que Herrera. E com isto não estou, nem de perto nem de longe, a menosprezar o antigo capitão azul e branco. O agora jogador dos “colchoneros” era um líder nato e, apesar da inconsistência nas primeiras épocas de dragão ao peito, sai do clube pela porta grande, assumindo-se como um médio muito completo, com grande capacidade de pressão e muito eficaz no transporte de bola e no domínio das duas áreas.
Todavia, o Uribe que se tem apresentado neste começo de época é um jogador bem mais refinado. O Uribe vincadamente combativo é, afinal, um sobredotado no que à inteligência tática e técnica diz respeito. É exímio a gerir os ritmos de jogo, sabe quando sair em pressão (pressão essa normalmente eficaz) e quando recuar no terreno. Tem qualidade de passe e tem apresentado uma excelente sincronização com Danilo que surge, agora, mais vezes adiantado no terreno por via dessa tal capacidade pendular de Uribe para gerir rigorosamente os espaços do campo que ocupa. Portanto, aquele Uribe galopante, de remate fácil e mais explosivo que nos foi apresentado nos vídeos do Youtube é afinal um pêndulo que tem liderado brilhantemente o meio campo do FC Porto.
Tem-lhe faltado, porventura, golo. Não se pode dizer que não tem chegado perto da grande área contrária, mas poucas vezes tem visado a baliza adversária. Sabe-se como é importante para um médio fazer golos e é “apenas” isso que falta a Uribe para se tornar um médio de referência no FC Porto.
Em suma, será, talvez, cedo para uma apreciação tão taxativa acerca da capacidade do jogador até tendo em conta que, tirando o jogo no Estádio da Luz, foram poucos os testes de fogo à sua competência. No entanto, os primeiros sinais são claramente positivos e conferem-me a confiança suficiente para afirmar que Uribe é, à sua maneira, um jogador espetacular.
Bem-vindos ao Estádio Mário Duarte, ou melhor, ao velhinho Mário Duarte, como é carinhosamente conhecido no espaço futebolístico português. Construído em 1935, o seu nome surge como forma de homenagem a um dos maiores impulsionadores do desporto aveirense e nacional.
Passados 84 anos, a antiga casa do SC Beira-Mar encontra-se a viver os seus últimos dias, estando prestes a deixar-nos. Desde há muito com os dias contados, o histórico recinto vai dar lugar à ampliação do Hospital Infante D. Pedro que se encontra mesmo ao lado, e deixar bastantes saudades àqueles que por ali viveram grandes tardes e noites de futebol.
A sua demolição está anunciada e restam-nos as memórias de um dos estádios mais icónicos do âmbito nacional. Aquele relvado que foi pisado diversas vezes por grandes figuras do futebol português que envergaram a camisola auri-negra, como Eusébio e tantos outros, vai deixar de existir e com isso perde-se um pouco a mística e a história de um clube que ali viveu os seus melhores tempos. Apesar de ter deixado de jogar neste palco na altura do Euro 2004, mais recentemente foi forçado a regressar ao seu lugar de origem, em 2015, mas esse regresso durou pouco tempo e o clube voltou a instalar-se em definitivo no EMA – Estádio Municipal de Aveiro, onde compete atualmente.
Com uma forte marca registada como um dos recintos mais populares e carinhosos cá do burgo, o Mário Duarte abrigava uma equipa tradicionalmente humilde e aguerrida que era apoiada incessantemente pelas gentes da Ria. Situado bem dentro da cidade, era hábito assistir-se a diversas romarias para ver o SC Beira-Mar jogar.
Os próprios adeptos costumavam ir a pé para o futebol, num tempo em que o domingo era o verdadeiro dia sagrado. Quem também se foi tornado sagrado foi o Mário Duarte, que se habituou a conviver entre os grandes a partir dos anos 70. Foi um Estádio que assegurou vários “carimbos de primeira’’ e que albergou o estatuto de ser um recinto bastante complicado para os adversários. A turma de amarelo e preto raramente se podia queixar da falta de apoio, não obstante alguns desempenhos intermitentes que resultaram em descidas e subidas de divisão ao longo do tempo.
Um dos míticos palcos nacionais prepara-se para nos deixar em definitivo Fonte: SC Beira-Mar
O mar de guarda-chuvas empoleirados nas bancadas nos dias mais cinzentos assim como os capacetes das motorizadas que serviam para bater nos painéis publicitários aquando de um golo dos locais, provocando um enorme barulho, faziam empolgar ainda mais o ambiente numa realidade bem diferente e distante dos dias de hoje. Com as bancadas praticamente ‘’coladas’’ ao relvado – fazendo lembrar o estilo inglês –, era possível observar as constantes interações dos adeptos mais fervorosos para dentro do terreno de jogo, que muitas vezes se insurgiam contra os adversários ou a equipa de arbitragem, num ambiente português muito típico. Esta proximidade fazia com que os intervenientes do jogo sentissem de perto as emoções vividas pelas pessoas, o que era normalmente uma mais-valia para a equipa da casa.
De facto, foi durante a década de 70 que o SC Beira-Mar foi ganhando estatuto de “clube de primeira’’. Suportado pelo mítico Mário Duarte, o clube apenas falhou três edições da principal prova neste período e quando descia voltava logo a subir. A Primeira Liga começava então a ver um novo “inquilino’’, muito inspirado pelos seus jogos caseiros. Estes jogos tornaram-se fulcrais para as temporadas do SC Beira-Mar, já que era em casa que grande parte das vitórias eram conquistadas, muito por culpa do sujeito deste texto.
Muitos diziam que era uma equipa difícil de bater em Aveiro e a década de 90 confirmou essa realidade. Mesmo os grandes quando venciam era maioritariamente pela margem mínima. Não é por acaso que esta década trouxe o melhor desempenho de sempre dos auri-negros na Primeira Liga. Quem não se lembra do sexto lugar obtido na temporada 1990/1991? Os adeptos mais fervorosos daqueles tempos lembrar-se-ão com certeza. Estávamos perante o melhor “Beira’’ de sempre, altura em que o clube conseguiu sete presenças consecutivas no escalão máximo. E, claro, 1999 – o ano da conquista da Taça de Portugal que, tendo sido ganha no Jamor, teve no Mário Duarte um contributo fundamental na chegada à final. Apesar de terem descido nesse mesmo ano, os aveirenses voltaram a subir logo a seguir e mantiveram-se mais cinco épocas seguidas no principal escalão.
Já com a entrada no novo século, o SC Beira-Mar apenas realizou as primeiras quatro épocas deste período no velhinho recinto até ingressar no novíssimo Municipal, que, como se sabe, não transborda a mística auri-negra e deixou de cativar os adeptos.
A ti, Mário Duarte, agradeço-te o facto de ter tido a oportunidade de presenciar grandes jogos ao vivo e de proporcionares as mais belas memórias de um jovem adepto, que, contigo, se habituou a ir aos jogos. Neste momento, aguardas apenas que se desliguem as máquinas, mas com a certeza de que entras diretamente no “Olimpo’’ do futebol português. A ligação emocional criada com os beiramarenses é demasiado forte para seres esquecido, mas também com aqueles que, não sendo do SC Beira-Mar, gostavam de o ver jogar.
Ainda não partiste, mas ao que parece, está para breve. Até sempre, velhinho.
O 4.º dia dos Mundiais ficou marcado por três conquistas africanas (uma delas bastante inesperada) e três conquistas europeias. Os norte-americanos somaram cinco medalhas ao seu medalheiro, mas nenhuma delas foi de Ouro. A prova mais aguardada da noite deu-nos toda a emoção esperada, mas o melhor da noite terão sido os 5.000 metros e o Salto em Altura.
OS PORTUGUESES
Fonte: FPA
Cátia Azevedo foi a única representante portuguesa no 4.º dia dos Campeonatos Mundiais e entrou em prova nos 400 metros quando ainda eram 18h20 locais (16h20 em Portugal). A portuguesa começou a prova bastante forte e os primeiros 300 metros correram de acordo com o plano, mas foi-se abaixo na parte final da prova e acabou por terminar na 5.ª posição da 1.ª série, com um tempo de 52.79, tendo sido a 40.ª entre 48 atletas.
Após a prova, a atleta disse que arriscou, entrou “bem na prova”, o que queria fazer “para não ir atrás do prejuízo”, mas reconhece que “na reta final” pagou mesmo “a fatura”. Cátia não se arrepende da sua estratégia e diz que “voltaria a fazer o mesmo porque quem não arrisca, não petisca”, embora confesse estar “desiludida” com o resultado, uma vez que queria “não só o apuramento para as semifinais, mas também o recorde nacional”. No final, a atleta afirmou que para a próxima época o seu “principal objetivo passa pelos Jogos Olímpicos” e que irá continuar a sua “aposta nos 400 metros, pelo menos, até aos Jogos”, deixando a porta aberta a outras possibilidades (como os 800…) para depois disso.
AS FINAIS DE HOJE
Karsten Warholm revalidou o título numa muito aguarda final Fonte: IAAF
Os 400 metros barreiras masculinos eram a prova mais aguardada da noite e uma das mais – senão a mais – aguardadas destes Campeonatos. A prova foi fantástica, mas não se aproximou do recorde mundial, como muitos vaticinavam e isso deveu-se a um ritmo incrivelmente frenético imposto na parte inicial da mesma. Karsten Warholm (NOR) arrancou forte como é habitual – talvez demasiado forte – e quando entrou na reta da meta já tinha um avanço considerável sobre Rai Benjamin (USA), que foi o suficiente para conquistar a vitória, apesar dos dois estarem claramente em quebra.
Warholm terminou em 47.42s e Benjamin em 47.66s. Na 3ª posição, Abderrahman Samba (QAT) confirmou as suspeitas de que não se encontrava nas melhores condições físicas e nem sequer fez parte da luta pelo Ouro, relegando-se ao Bronze, em 48.03s. Kartsen Warholm repete a conquista mundial de Londres, mas desta vez com uma marca melhor e com uma concorrência mais temível.
Ajee Wilson (USA) era a absoluta favorita para a final dos 800 metros em Doha, uma vez que tem dominado totalmente a distância, depois da introdução da nova regulamentação de limitação de testosterona que tirou Caster Semenya (RSA) de cena. A norte-americana arrancou forte, impondo um ritmo alto, juntamente com Natoya Goule (JAM). Goule foi a primeira a quebrar e viria a terminar na 6.ª posição, não baixando dos dois minutos.
Já Ajee ainda se aguentou, mas a cerca de 150 metros começou a fraquejar e não conseguiu responder ao ataque de Halimah Nakaayi (UGA), que correu em 1:58.04, batendo recorde nacional do Uganda e um incrível título mundial para a atleta que, à entrada para estes Campeonatos, não trazia conquistas de relevo a nível internacional.
Nakaayi protagonizou uma das maiores surpresas até ao momento Fonte: IAAF
Wilson ainda seria ultrapassada na meta por Raevyn Rogers (USA), que alcançou a Prata em 1:58.18 (melhor marca do ano), sendo que Wilson fechou com o Bronze em 1:58.84. Cinco mulheres baixaram dos dois minutos.
Na Vila das Aves jogou-se hoje a partida, a contar para a sétima jornada, entre o CD Aves e o Sporting CP. À partida para este jogo, a equipa da casa encontrava-se no último posto, enquanto os leões procuravam escapar a uma crise profunda de resultados, com poucos pontos somados até ao momento e já alguma distância para o líder FC Famalicão. Além disso, este jogo marcou a estreia de Silas no banco dos leões, e havia alguma expetativa para perceber o que se podia esperar do conjunto verde e branco.
A primeira parte foi de domínio com bola do Sporting CP, muito por culpa do posicionamento recuado da equipa orientada por Augusto Inácio, que consentia a posse à equipa visitante. No entanto, o primeiro lance de perigo ocorreu por parte do CD Aves, num remate que passou perto da baliza contrária. Aos 18 minutos, Bolasie chutou com força, mas à figura de Bernardeau, que encaixou com segurança a bola. A surpresa do primeiro tempo surgiu ao minuto 26, quando Eduardo rubricou um remate fortíssimo do meio da rua que ainda bateu na parte posterior da barra.
Apesar da posse de bola ter estado quase sempre do lado do Sporting CP, a verdade é que ao minuto 37, Renan passou por um calafrio, quando um cruzamento forte e rasteiro rondou a sua baliza, aliviando Mathieu a bola para longe. Por último, Eduardo decidiu de novo tentar a sua sorte e mais uma vez apontou um forte remate que causou dificuldades a Bernardeau, que se viu obrigado a sacudir para canto.
Na segunda parte, o CD Aves mostrou-se mais desinibido. Apesar de continuar a entregar a bola ao Sporting CP, foi chegando com perigo à baliza de Renan através do contra-ataque. Aos 47 minutos, Enzo Zidane quase alterava o marcador, num remate que ainda desviou em Mathieu e passou a rasar a barra. Na sequência do canto, por pouco Mohammadi não fazia o primeiro da partida, com a bola a bater-lhe e a passar a milímetros do poste direito da baliza dos leões. Pouco depois, ao minuto 55, um cruzamento rasteiro atravessou a área do Sporting CP, que caso tivesse desvio teria entrado dentro dos postes de Renan.
Pela primeira vez, o Sporting conseguiu manter a sua baliza a zero Fonte: Liga Portugal
Passados apenas três minutos, Coates na linha realizou um excelente cruzamento, que Bolasie recebeu e, na cara de Bernardeau, não acertou convenientemente no esférico mas sim nas “orelhas da bola”, perdendo uma excelente oportunidade de colocar a sua equipa em vantagem. Ao minuto 79, por pouco Enzo Zidane não marcava um golo na sua própria baliza, com a bola a bater em si na sequência de um canto cobrado por Acuña.
O lance que decidiu a partida ocorreu ao minuto 81, quando Bernardeau derrubou Bolasie e fez Carlos Xistra apontar para a marca da grande penalidade. Na cobrança, Bruno Fernandes demonstrou ser exímio e atirou a contar para os verde e brancos. No minuto seguinte, por pouco Rúben Oliveira não empatava a partida, com um remate forte fora da área que passou a rasar o poste direito da baliza do Sporting CP.
Com este resultado, Silas começa o seu percurso nos leões com o pé direito. Apesar de o futebol praticado não ser o melhor, a verdade é que a equipa precisava de três pontos urgentemente, e este resultado serve para dar uma sapatada na crise. Os leões ganham oxigénio na viagem para casa.
O Tottenham Hotspur FC habituou-nos, nos últimos anos, a ser uma equipa bastante fiável e regular, conseguindo prestações europeias sólidas e batendo-se de igual para igual com os tubarões ingleses. Depois de, na temporada passada, ter conseguido atingir a final da Liga dos Campeões e ter terminado no quarto lugar da Premier League, as expectativas estavam bem altas, tendo sido apontado por alguns como um assumido candidato ao título inglês.
Porém, este início de época tem dececionado os adeptos e a estrutura do clube. À sétima jornada, o clube londrino já está a 10 pontos da liderança do campeonato, foi eliminado da Taça da Liga por uma equipa da quarta divisão e empatou o primeiro jogo na Liga dos Campeões, depois de ter estado a vencer por 2-0.
O primeiro jogo da época foi frente ao recém-promovido Aston Villa FC, no novo White Hart Lane. Logo aí, a equipa demonstrou fragilidades e entrou para os últimos 20 minutos em desvantagem, mas conseguiria dar a volta e vencer por 3-1. Na jornada seguinte, arrancou um empate em casa do campeão Manchester City FC, num resultado que acaba por ser positivo. À terceira, foi de vez, e surgiu a primeira derrota, bastante inesperada, em casa frente ao Newcastle, por 0-1. Depois de um empate 2-2 no dérbi de Londres frente ao Arsenal, uma goleada caseira por 4-0 frente ao Crystal Palace FC parecia afastar os fantasmas de início de época e encarrilhar de novo o vice-campeão europeu.
Eis que surgiria, então, o primeiro desafio europeu para a equipa de Pochettino, que entra na edição deste ano com responsabilidades reforçadas depois do brilharete da edição transata. O jogo em Atenas, frente ao vice-campeão grego Olympiakos FC até começou da melhor maneira, com os ingleses a chegarem a uma vantagem de 0-2, mas permitiram a resposta dos comandados por Pedro Martins, que chegaram ao 2-2 e dominaram o rival. Na ressaca do empate europeu, o Tottenham voltou à competição no campeonato inglês e averbou a segunda derrota na competição, em Leicester. 2-1 num jogo em que desperdiçou, novamente, uma vantagem no marcador.
Pochettino pode ter o lugar em risco se os resultados não melhorarem Fonte: Tottenham
Três dias depois, para piorar a situação, a equipa viria a ser eliminada da Taça da Liga Inglesa em casa do modesto Colchester UFC, atual décimo classificado da quarta divisão inglesa. Um autêntico descalabro, mesmo tendo poupado algumas das principais figuras. Felizmente, neste fim-de-semana, conseguiram vencer tangencialmente o Southampton FC, num jogo em que estiveram mais de uma hora em inferioridade numérica. Ainda assim, o ambiente está pesado e a rédea de Pochettino cada vez mais curta.
Fazendo as cotas, o Tottenham está no quarto lugar da Liga inglesa, mas já a 10 pontos do líder Liverpool. Apesar dos empates no Emirates e no Etihad poderem ser vistos como expectáveis, as derrotas em Leicester e, sobretudo em casa, frente ao Newcastle United FC são preocupantes. Num ano em que apostou forte, manteve grande parte da estrutura, fez grandes esforços para manter o treinador (assediado por Real Madrid CF e Manchester United FC) e gastou mais de 100 milhões de euros em jogadores de valor como Ndombélé, Lo Celso ou Sessegnon, esperava-se que os Spurs dessem o salto para o patamar de City e Liverpool, fazendo uma corrida a três pelo título inglês tão aguardado pelos adeptos.
Apesar do projeto sólido alicerçado na construção do novo estádio, os Spurs já não festejam qualquer título desde 2008, ano em que venceram a Taça da Liga Inglesa, o que leva a alguma descrença no clube. O próprio Harry Kane, no final do medonho empate frente ao Olympiakos, fez algumas declarações reflexivas: “Já não somos jovens, já não somos inexperientes, já jogámos grandes jogos pelo clube e pela seleção. Temos de arranjar uma solução para ultrapassar isto e melhorar. É tudo o que podemos tentar fazer. Pode-se ver porque é que o treinador está frustrado. O treinador está aqui há cinco anos, e continuamos a cometer os mesmos erros do primeiro ano.”
O que falta a este Tottenham? Um plantel mais profundo? Maior investimento? Maior crença e um espirito de equipa mais arrojado? Ainda estamos em setembro e já parece mais um ano “a seco” para os londrinos. O que se passa com o vice-campeão europeu?
E já lá vão oito: oito triunfos consecutivos após o duplo desaire frente a Gil Vicente e Krasnodar. Triunfos que, apesar de pouco convincentes, conseguiram trazer muitas das vezes para o grupo de trabalho azul e branco alguma tranquilidade e estabilidade que pareciam ser raras no início da temporada.
Vitórias pela margem mínima, ao cair do pano, muito suadas, facto é que os dragões foram já capazes de anular, de certa forma, os efeitos negativos de Barcelos, uma vez que foram já capazes de dissipar, após o brilhante triunfo no Estádio da Luz, a vantagem de três pontos que o SL Benfica possuía.
Contudo, se a princípio não estranhava algumas exibições um pouco mais “tremidas” da equipa, tendo em conta todas as mexidas que ocorreram na sua estrutura, atualmente começa a beirar o aflitivo facto de a equipa não conseguir efetivamente matar o jogo. Tal revela-se aflitivo, na medida em que uma equipa a vencer por apenas um golo de diferença estará sempre mais próxima de um tropeço, tropeço esse que poderá ser decisivo na luta pelo primeiro lugar num campeonato onde os candidatos ao título perdem cada vez menos pontos (apesar de o FC Porto já ter provado que não são apenas as vantagens de um golo que propiciam um tropeço).
FC Porto somou a oitava vitória consecutiva com o golo solitário de Marega Fonte: FC Porto
E esta situação voltou a verificar-se no jogo de domingo, em Vila do Conde. Apesar de ter chegado cedo à vantagem, a equipa treinada por Sérgio Conceição, sobretudo durante o decorrer da segunda metade do encontro, nunca conseguiu ter o controlo total do jogo.
A esse facto juntam-se ainda exibições apagadas de Danilo (infelizmente, não tem sido caso ímpar por estes dias) e de Zé Luís (quando não marca, desaparece quase que por completo do jogo), juntamente com a exaustão coletiva a que se assistiu nos últimos minutos do jogo.
De positivo, o poder de decisão de Moussa Marega (novamente), a volta às grandes exibições de Alex Telles e, por último mas não menos importante, a entrada decisiva de Chancel Mbemba. E, por falar no defensor congolês, fica ainda uma questão no ar: a sua titularidade é para quando?
Uma última questão: e as vitórias tranquilas são para quando? Porque um dragão que luta por títulos não conseguirá alimentar-se apenas de meros grãos, meros “uns a zeros”. Que exibições mais consistentes e eficazes venham aí…
Vítor Oliveira: o treinador de 65 anos tem-se evidenciado nos últimos anos pelo facto de colecionar subidas de divisão nos clubes por onde passa, e de se demitir de cada clube para cumprir o mesmo objectivo na época seguinte com um outro, com excepção feita à temporada de 2017/2018, onde permaneceu no comando técnico do Portimonense SC no regresso do emblema algarvio à Primeira Liga.
Ao todo, Vítor Oliveira já subiu de divisão por onze vezes, a primeira das quais no longínquo ano de 1991 ao serviço do FC Paços de Ferreira. No entanto, a alcunha de “Rei das Subidas” é, em parte, também injusta para ele, porque não lhe dá o devido reconhecimento pelas outras qualidades que tem enquanto treinador.
E foram estas recentes presenças na Primeira Liga que permitiram dar a Vítor Oliveira esse tal reconhecimento e visibilidade por todas as suas competências. Porque, afinal de contas, as onze subidas de divisão não caíram do céu. É preciso ter qualidades para conseguir um feito desta expressão.
Antes de mais, uma das qualidades que tem sobressaído nesta temporada, ao serviço do Gil Vicente FC, é a sua capacidade para detectar talento. Quando foi anunciado como o novo treinador do clube gilista no regresso à Primeira Liga, Vítor Oliveira assumiu que este seria o desafio mais difícil da sua carreira. E essa sua capacidade seria fundamental em construir uma nova equipa para o conjunto de Barcelos.
A verdade é que, tanto em Barcelos como em Portimão, têm sido vários os jogadores que ele tem revelado na Primeira Liga, tais como Paulinho, Nakajima e Bruno Tabata no Portimonense SC, como os casos do brasileiro Lourency e do búlgaro Kraev no Gil Vicente FC.
Kraev foi um dos jogadores que Vítor Oliveira descobriu Fonte: Gil Vicente FC
Outra das suas qualidades é o facto de ser um treinador muito competente em todos os momentos do jogo. Nas partidas contra o FC Porto e o SL Benfica, a equipa gilista destacou-se pela sua postura exemplar em organização defensiva, tal como Bruno Lage reconhece na Conferência de imprensa, dizendo que a sua equipa teve de ser muito paciente para conseguir “furar” na organização defensiva da equipa de Vítor Oliveira. Depois, no ataque, mesmo não sendo a equipa mais vistosa, é uma equipa bastante oportuna e fria na hora de finalizar, conseguindo chegar à área adversária com poucos toques na bola.
Fica claro e evidente que Vítor Oliveira é um conhecedor profundo do futebol português e que só mesmo um treinador com estas competências será capaz de conseguir levar o Gil Vicente a permanecer no convívio entre grandes na próxima época. E sei que isto é uma hipótese muito improvável, mas estou cada vez mais convencido de que, se Vítor Oliveira tivesse a oportunidade de ir treinar um clube grande, iria surpreender muita gente.
As cedências temporárias e o seu circunstancialismo não são assunto tabu. Sendo tema recorrente nos mais variados meios de comunicação social, dúvidas surgem quanto ao verdadeiro propósito deste regime.
Durante bastante tempo, vários interlocutores vociferaram o seu descontentamento perante a possibilidade de um atleta cedido poder competir contra o clube cedente. A pressão mediática e, no final, a vontade dos clubes da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), fez com que aprovassem, em Assembleia Geral Extraordinária, a proibição de um atleta cedido jogar contra a equipa cedente.
Esta proibição não surgiu só, pois os clubes também aprovaram que nenhuma equipa poderia ceder temporariamente mais do que um atleta, na mesma época desportiva, a um clube que participe na mesma competição.
Um clube também não pode ceder mais do que seis atletas a outros, ao passo que os clubes cessionários não podem receber mais do que três atletas de outros, partindo do pressuposto que cedentes e cessionários participam na mesma divisão. Porém, estas limitações não são aplicáveis a clubes que tenham equipas B’s em relação a cedências a Clubes da Segunda Liga.
A razão de ser destas limitações são facilmente enquadradas no clima de desconfiança que se viveu e vive no futebol português, desde o topo ao último da hierarquia.
Vamos por fases:
A proibição sobre o facto de um atleta cedido poder jogar contra o Clube cedente, no plano teórico, trata-se de uma tentativa de proteger a integridade da verdade desportiva. Todavia, trata-se de uma falácia, na teoria e na prática. O princípio de que os atletas cedidos são propícios a comprometerem a equipa para a qual prestam a sua atividade, em benefício do Clube cedente. Isto confere ao atleta um atestado de falta de competência e de seriedade.
Na realidade, com este normativo plasmado no artigo 78.º n.º 1 e 2 do Regulamento das Competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) criaram-se duas categorias de atletas: os sérios (os que estão vinculados a título definitivo) e os desonestos (atletas cedidos).
As cedências temporárias foram objeto de acesos debates televisivos, em que na maior parte dos casos o atleta cedido não era selecionado ou não podia jogar por virtude de “lesão” contra o Clube cedente. Ao ser proibido jogar contra o Clube cedente, questiona-se: a verdade desportiva é prejudicada? Claro. O atleta ao não prestar os seus serviços frente ao Clube cedente compromete a mesma. É óbvio que um jogador não faz a equipa, mas o tempo de jogo que o atleta cedido tem, face ao seu suplente, pode comprometer a dinâmica do clube cessionário.
A meu ver, quanto às limitações respeitantes à quantidade de atletas que podem ser cedidos por determinado clube, participantes na mesma competição, poucas críticas podem ser endereçadas.
A exclusão destas limitações a Clubes que possuam equipas B face aos Clubes da Segunda Liga, confronta com o originário objetivo destas: a verdade desportiva. A razão de ser das cedências temporárias prende-se com a projeção e valorização de um atleta que não foi integrado na equipa principal da sua equipa, nem tão pouco na equipa B. Ou, se for o caso, no plantel sub-23. Embora as equipas B não possam subir da Segunda Liga para a Primeira, a descida de divisão para o Campeonato de Portugal é uma hipótese. Ou seja, caso um Clube que possua atletas cedidos defronte um Clube cedente com equipa B na iminência de descer de divisão, pergunta-se: não estará em causa a verdade desportiva?
Fonte: Dijon FCO
Ora, um outro problema grave do futebol profissional prende-se com a contratação a título definitivo de atletas que no mesmo período de inscrição são cedidos temporariamente a outros clubes. Em algumas situações, antes de serem encetadas negociações com o fim do atleta ser contratado a título definitivo, o Clube comprador não tem qualquer intenção de incluir o atleta no seu plantel principal. Por isso, e de modo a valorizá-lo, o atleta é cedido a outros emblemas de forma a que o seu valor de mercado suba e para que o Clube possa a vir receber quase a totalidade dos dividendos de uma futura transferência.
Se um Clube com poder financeiro contratar bastantes atletas com o intuito de cedê-los e depois receber os dividendos da promoção deles, tal impede os mais pequenos de poderem contratar e serem estes a receber os dividendos da promoção e valorização que o atleta a seu cargo obteve. Neste aspeto, basta tomar em consideração as declarações no final de época de Augusto Inácio, a propósito da quantidade de “emprestados” que contava no plantel do CD Aves.
O comité da FIFA irá analisar uma proposta de regulamentação de cedências temporárias em outubro, que visa a implementação de limitações quanto ao número de cedências temporárias internacionais. Pretende-se que os Clubes estejam limitados à cedência internacional de oito atletas, com idade igual ou superior a 22 anos, a partir da época 2020/2021.
Para além disso, a FIFA está a estudar a possibilidade de eliminar as cedências temporárias, sob a premissa de que os Clubes com maior poder financeiro aproveitem este instituto para promover e especular o valor dos atletas que não caibam no seu plantel profissional, para depois vendê-los. Os Clubes cessionários podem receber a sua quota-parte de uma transferência, através do mecanismo de solidariedade ou de treino, embora acabem por ser autênticas “barrigas de aluguer”.
A prioridade não deverá ser o estudo sobre a forma e as consequências que advirão da eliminação definitiva das cedências, mas sim a promulgação pela FIFA da proibição de um Clube ceder um atleta, tendo este sido contratado e cedido no mesmo período de transferências. No presente, apenas algumas federações nacionais, como a Inglesa, proíbem a contratação e a cedência de atletas no mesmo período de transferências, embora o âmbito de aplicação de tais regras circunscreve-se aos respetivos territórios.
É urgente tomar medidas contra os atos que usurpam o princípio base de uma cedência temporária. O instituto destes mecanismos foi totalmente usurpado, pelo que a FIFA e os diferentes stake holders devem pugnar pela reposição da verdade desportiva.
E você, leitor, acha que as cedências temporárias deverão ter o seu tempo contado?