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José Mourinho “The Special Unemployed”

Este meu artigo tem como principal protagonista José Mourinho, para mim, o melhor treinador desempregado do mundo!

A carreira do Special One é conhecida em todo o mundo pelos seus feitos como treinador, mas também pela sua personalidade que agrada a uns e a outros nem por isso.

O técnico português tem afirmado aos sete ventos a sua vontade de regressar ao activo, mas tudo depende do projecto que lhe oferecerem. Por isso, decidi dar uma olhada pelos principais campeonatos para ver onde o português se podia enquadrar e cheguei a algumas conclusões.

Começo pelo campeonato italiano.

Recentemente Mourinho afirmou que o Inter foi um dos clubes que mais gostou de treinar. Mas afirmou também que a Itália está praticamente fora da equação no futuro imediato e olhando para o panorama actual percebe-se esta sua afirmação. Ainda assim, analiso quatro clubes da Serie A que Mourinho podia treinar.

Na Juventus, Sarri foi contratado esta época e a sua missão passa por colocar a Juve na rota da Champions, uma missão que pode pôr em xeque o lugar do italiano caso não atinja esse objectivo. Mesmo tendo treinado o Inter, acho que Mourinho seria visto com bons olhos pelos bianconeri.

O regresso ao Inter é mais complicado pois António Conte assumiu os comandos do clube esta época e este início de campeonato está a entusiasmar os “interistas”. O campeonato é o principal foco dos nerazzurri, que já não ganha ao scudetto desde que Mourinho treinou o clube.

O INTER TEM JOGO GRANDE NESTE FIM DE SEMANA. SERÁ QUE A TURMA DE CONTE VAI BATER A JUVENTUS? APOSTA JÁ!

O Nápoles, foge um pouco ao que Mourinho pretende para a sua carreira. Ainda assim vejo os napolitanos como um bom desafio para Mourinho. E o que o pode levar a ir para Nápoles?

O Nápoles apresentou sempre bons plantéis, e bons treinadores, o trabalho de Ancelotti não tem sido nada de especial mas tem cumprido com os objectivos. Também a paixão dos napolitanos pelo seu clube garantem que a equipa tenha sempre apoio! E isso são condimentos que o português aprecia.

Acho que a ambição europeia de Mourinho não se projecta para este Nápoles actual, mas, mesmo assim, continuo achar que Nápoles seria uma boa opção para Mourinho.

Já o Milan, está fora de questão, por várias razões. A paixão de Mourinho pelo Inter é o maior entrave, aliado ao facto da equipa não conseguir dar a volta por cima e voltar ao Milan de antigamente. Contudo, acordar o gigante adormecido podia ser visto por Mourinho como um desafio motivante.

Fonte: UEFA

Virando as agulhas para outro campeonato, em Espanha só vejo duas equipas que Mourinho podia treinar: Barcelona e Real Madrid.

A Filosofia do Barcelona não encaixa em Mourinho, o que não quer dizer que o português não possa ser uma opção.  A aposta na cantera não tem sido feita da melhor maneira com Ernesto Valverde. Tirando um caso ou outro, acho que sendo o lançamento de jovens da cantera um dos focos dos blaugrana, vai um pouco contra o que Mourinho pensa.

Mourinho está mais preocupado em ganhar do que em formar jogadores, e nesse aspecto acho que o Barcelona não se enquadra.

EM ESPANHA, O REAL MADRID TENTA FUGIR AO MAU MOMENTO NO ENCONTRO COM O GRANADA. SERÁ QUE CONSEGUE VENCER? APOSTA JÁ!

O Real Madrid, bem o Real é uma montanha russa nesta fase. Com o regresso de Zidane, e com o reforço que foi feito, parecia que as coisas iriam melhorar, mas não. Ainda assim, acho que as coisas vão ser aperfeiçoadas, há equipa e treinador para isso, apesar de haver adeptos que pedem o regresso de Mourinho ao Bernabéu.

Não vejo com bons olhos o regresso de Mourinho a Madrid. O exemplo de Zidane é sintomático e o próprio Mourinho vivenciou isso quando regressou ao Chelsea pela segunda vez na carreira. Depois, acho que a carreira de Mourinho começa a declinar na sua passagem por Madrid.

OS BLUES JOGAM NO TERRENO DO SOUTHAMPTON E TENTAM O TRIUNFO. SERÁ QUE CONSEGUEM VENCER?

Em Inglaterra, acho que é onde o português tem mais portas abertas e já vejo mais sentido num regresso a Manchester.

A opção era interessante e calaria muitos dos críticos que falavam que Mourinho não estava a produzir aquilo que devia com a equipa, neste ponto concordo, mas quem veio a seguir não fez melhor.

Londres será também para sempre um dos lares de Mourinho. Tottenham e Arsenal são dois ótimos desafios.

Os Spurs estão um clube cada vez mais estruturado para jogar nas competições europeias e lutar pelo título. Pochettino é intocável, mas já atingiu o apogeu desta equipa que precisa de começar a ganhar títulos e, se há treinador que sabe o que é ganhar, Mourinho é essa pessoa!

Já nos Gunners, apesar de serem um clube conservador no que a transferências diz respeito, parecem estar a mudar esse paradigma e com a chegada do técnico português penso que isso iria mudar definitivamente. Apesar da aposta nos jovens da cantera ser cada vez maior, e tal como no caso do Barcelona, esse é um tópico que Mourinho não dá muita primazia.

Se Mourinho aterrasse hoje no Emirates, a equipa iria sofrer um forte investimento, especialmente na defesa, um plantel que tem muita pólvora no ataque mas que demonstra ser muito frágil na defesa e, conseguindo equilibrar o plantel, o Arsenal estaria a lutar pelo top four, sem dúvida.

Fonte: UEFA

Outro destino para Mourinho, e não sendo um campeonato tão mediático, o campeonato francês, que oferece um bom leque de clubes interessantes para treinar. À margem do PSG, vejo Lyon, Lille, Monaco e Marselha como bons desafios.

Mesmo assim, enquadrar Mourinho nesses clubes é difícil, ainda que tendo boa capacidade financeira, há sempre o espectro do PSG a pairar, embora quebrar a hegemonia dos parisienses seja um bom desafio. Mas será que é isso que Mourinho quer?

Só me resta falar na Bundesliga. Não sei se é uma liga que diga muito a Mourinho mas há clubes interessantes que podiam ser desafiantes como o caso do Leipzig, ou mesmo o Borussia Dortmund, e nestes casos não consigo enquadrar muito José Mourinho neste campeonato, a não ser a treinar o Bayern Munique, claro.

Um clube que ambiciona ganhar a champions é sempre uma grande opção e o Bayern entra nesse contexto, um contexto que agrada a José Mourinho, que pode fazer aquilo que o seu grande rival Pepe Guardiola não conseguiu fazer.

O regresso a Portugal está fora de questão, como próprio já referiu nas diversas vezes em que foi abordado o assunto. Olhando para o quadro actual, se Mourinho rejeita o Benfica nunca iria aceitar treinar o Sporting no estado actual em que o clube se encontra.

O projecto do Benfica até é interessante mas voltava a uma questão que já foquei neste artigo, a aposta na formação. Mourinho descuraria quase de certeza grande parte da nata do Seixal, para apostar em jogadores experientes e de qualidade, jogadores do seu estilo e isso não seria visto com bons olhos pelos sócios do Benfica.

Agora, olhando para este quadro, a pergunta que interessa saber é: terá José Mourinho evoluído também a nível táctico? Ou mantém o seu estilo pragmático? O jogo de Mourinho já estava um bocado descontinuado e olhando para a sua última experiência como treinador em Manchester, o jogo dele era muito mastigado, não entusiasmava e ao mesmo tempo não conseguia ganhar. Uma das principais críticas na sua passagem pelos Red Devils foi precisamente essa, a de não tirar o melhor partido do potencial da equipa. Para além disso, acho que também perdeu muito do seu carisma, os mind games que estávamos habituados viraram-se um pouco contra ele e a sua imagem saiu desgastada.

Acho que é um aspecto no qual o português tem de evoluir, mas será que ele evolui? É a pergunta que eu e todos nós colocamos. Perceber se Mourinho vai ter a capacidade novamente para voltar a estar nos píncaros da Europa independentemente do clube que treinar. Para bem do futebol, espero que sim. Espero que Mourinho quando voltar, volte em grande, mostre aquele treinador que conhecemos dos tempos do Porto, Chelsea, Inter e Real Madrid. É esse o Mourinho que queremos: polémico, apaixonado pelas suas equipas, controverso e a trazer os verdadeiros mind games para o futebol, porque faz falta essa pimenta no futebol, faz falta Mourinho no futebol.

O futebol precisa de Mourinho, assim como Mourinho do futebol! Volta rápido!

Foto de Capa: FIFA

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Grêmio FBPA 1-1 CR Flamengo: “Mata-Mata” dividido na primeira mão

Ambiente fantástico para a primeira mão da Taça Libertadores, a “Liga dos Campeões” sul-americana. Não cabia mais nenhum brasileiro no estádio, completamente lotado. O duelo entre o “nosso” Jorge Jesus e Renato Gaucho, um dos melhores treinadores canarinhos da atualidade. Na partida estavam ainda mais dois conhecidos dos portugueses, para além de “JJ”: Bruno Cortez do lado dos homens da casa e Gabriel Barbosa (Gabigol) do lado dos forasteiros, ambos ex-jogadores do SL Benfica.

O jogo começou intenso, como é característico das partidas disputadas entre clubes de grande dimensão do Brasil. Os primeiros cinco minutos, com a posse de bola repartida, viram um Flamengo mais atrevido e a tocar melhor a bola, com o Grêmio do outro lado a enveredar pelo lado físico. Só neste período de tempo foram assinaladas cinco faltas pelo árbitro Nestor Pitana. Lutava-se mais do que se jogava, como se as vidas dependessem daquelas jogadas.

Aos oito minutos, primeira grande situação de perigo. Melhor o Flamengo no jogo, e depois de uma jogada de combinações rápidas e com bola pelo chão, Aarrascaeta atirou ao lado, com a bola a passar perto do poste. Com o desenrolar dos minutos, uma coisa ia-se tornando clara: o Grêmio entrou nervoso e sem ideias, ao contrário do Flamengo, que entrou a querer dominar e a ter a posse de bola.

Aos 18 minutos, primeira situação polémica do jogo. Everton Ribeiro, o capitão do Flamengo, marcou de meia distância depois de um ressalto, mas o VAR anulou o golo, por falta de Gabigol no início da jogada. Sorte para os da casa, mas estava-se a adivinhar o primeiro do “Mengão”.

O 1-0 entrou – mais uma vez – aos 24 minutos, depois de um frango de Paulo Vítor… mas foi anulado (mais uma vez) pelo VAR, desta vez por fora-de-jogo. Milimetricamente, mas lá estava um pezinho adiantado. Jesus ia rindo, ironicamente, no banco de suplentes. O Flamengo estava a jogar muito e só mesmo o computador os estava a impedir de estarem na frente do marcador.

Aos 39 minutos, com o jogo mais calmo, terceiro lance polémico. Entrada “assassina” de Michel sobre Gerson, que Nestor Pitana foi ver ao monitor e que acabou por resultar num cartão amarelo. Isso mesmo, um amarelo. Era uma entrada clara para expulsão, que podia facilmente ter lesionado gravemente o jogador do Flamengo. Decisão incompreensível e o Grêmio podia dar-se por satisfeito de ainda estar 0-0 ao intervalo e jogar com onze em campo.

Uma nota no fim desta primeira parte para o VAR. Apesar de ter ajuizado bem nos dois lances de hipotético golo e mal no da hipotética expulsão, demorou imenso tempo a sair as decisões. Nas duas jogadas perderam-se pelo menos 9 minutos… É demais para um jogo que estava com um ritmo tão bom para os seguidores. Apesar de ter sido implementado este ano em Inglaterra, creio que a maior competição de clubes da América do Sul devia aprender algumas coisas com os britânicos neste capítulo, no sentido de utilizar a vídeo-arbitragem de forma rápida e eficaz.

Fonte: Libertadores

O segundo tempo começou mais disputado, com o Grêmio a trazer ideias diferentes para o jogo. Pelo menos, a equipa estava mais subida no campo e a pressionar a saída de jogo do “Mengão”, de forma mais evidente. Ainda assim, nesta fase do jogo havia muitas paragens na partida, muitos choques e lances de falta.

Há sempre as duas faces da moeda: terá o Flamengo reduzido a intensidade ou o Grêmio aumentado a sua? Talvez ambas. Certo é que o jogo, à passagem dos 60 minutos, estava mais a cair para o lado do “Gaúcho”, com mais chegadas à área da equipa de Jorge Jesus. No entanto, neste mesmo minuto, grande oportunidade de golo para o Flamengo. Gabigol, com muito espaço na entrada da área, rematou rasteiro, ao lado.

Aos 63 e 64 minutos, duas grandes defesas de Diego Alves, que até ali não tinha tido trabalho nenhum, evitaram o 1-0 para o Grêmio, que se apresentava muito melhor e muito mais perigoso. Duas partes totalmente distintas.

Contra a corrente do jogo, o Flamengo foi premiado pela sua ambição de nunca tirar os olhos da baliza adversária. No placard figuravam 69 minutos e alguns segundos, quando Bruno Henrique, aproveitando um excelente cruzamento de Arrascaeta, cabeceou para o fundo das redes de Paulo Victor, com a bola a bater no poste antes de entrar. Balde de água fria no Arena do Grêmio.

O golo de Bruno Henrique afetou claramente o Grêmio, que deixou de conseguir criar perigo como fazia até ali. Para além disso, a experiência dos veteranos do Flamengo, como Diego Alves, Rafinha, Felipe Luis e Gabigol, conseguiram meter gelo no ímpeto da partida.

Aos 79 minutos, Gabigol voltou a marcar e mais uma vez, uma eternidade do VAR para se perceber aquilo que já tínhamos visto na repetição: o brasileiro estava fora-de-jogo, mais uma vez.

Nos últimos dez minutos, Renato Gaúcho meteu a carne toda no assador, com vários jogadores de ataque, que conseguiram mesmo empatar o jogo. Aos 87 minutos, o recém-entrado Pepe finalizou no coração da área, depois de uma excelente jogada coletiva, que começou na sua metade do campo.

Até ao fim, houve mais paragens que outra coisa qualquer. O resultado ajusta-se ao que se passou em campo: a primeira parte foi do Flamengo, que podia ter feito bem mais que um golo, ao passo que a segunda metade foi mais do Grêmio, embora sem um domínio tão claro como o do “Mengão” nos primeiros 45 minutos. O “mata-mata” decisivo é no Estádio da Gávea e o vencedor é totalmente imprevisível.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Grêmio: Paulo Victor, Galhardo, Braz, Kannemann, Bruno Cortez, Michel (Maicon, 83′), Souza, Alison (Pepe, 83′), Luan, Everton e Diego Tardelli (Rafael Felipe, 78′).

Flamengo: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Mari, Felipe Luis, Arão, Gerson (Piris, 73′), Bruno Henrique, Everton Ribeiro, De Arrascaeta e Gabriel.

Cova da Piedade e Jamor ficam perto, mas o caminho é longo e incerto

O sorteio da terceira eliminatória da Taça de Portugal ditou a deslocação do SL Benfica ao terreno do Clube Desportivo da Cova da Piedade. A curta deslocação ao concelho de Almada terá lugar a 19 ou a 20 de outubro, sendo o primeiro encontro dos encarnados após a pausa para os compromissos de seleções e o primeiro passo em direção ao Jamor.

Militante da Segunda Liga, a turma de Setúbal ocupa, ao cabo de seis jornadas, a 14ª posição na tabela classificativa. Soma duas vitórias, quatro derrotas, sete golos marcados e dez sofridos. Defronta o campeão nacional na condição de visitado, precisamente a condição na qual amealhou os seis pontos alcançados no campeonato.

Na eliminatória já disputada para a prova-rainha, o grupo de Jorge Casquilha venceu, em Sines, o Vasco da Gama AC, por contundentes quatro golos sem resposta algarvia. Além do resultado, destaque para a “folha limpa” do CD Cova da Piedade: foi o terceiro jogo – em oito realizados – sem conceder golos. Havia sucedido em Matosinhos, numa partida a contar para a Taça da Liga (0-0, com vitória do Leixões SC nas grandes penalidades), e em Almada na receção a Benfica B (vitória por 2-0).

O clube dirigido por Paulo Veiga, cuja SAD está nas mãos do investidor chinês Kuong Chun Long, tem na sua equipa principal um conjunto jovem (média de idades de 26,14 anos), na qual apenas Edinho (37), Robson (31), Sami (30) e André Carvalhas (30) são “trintões”. Além de jovem, o plantel à disposição de Casquilha é também bastante diversificado, com dez nacionalidades representadas – os nove brasileiros do plantel fazem do país sul-americano o mais representado. Assim, apesar da juventude, trata-se de um grupo, se não com experiência, com experiências bem distintas – além de Brasil e Portugal, também a China tem três representantes, bem como jogadores de sete países africanos.

A equipa do SL Benfica vai procurar, frente ao CD Cova da Piedade, começar um novo ciclo e a caminhada até ao Estádio Nacional
Fonte: SL Benfica

Como transparece em alguns dados estatísticos, a defesa é o ponto fraco da turma de Almada. É no setor defensivo que o CD Cova da Piedade apresenta mais juventude e nomes menos consagrados e conhecidos pelo público nacional. 28 anos é a idade do mais velho jogador da linha recuada dos setubalenses, o ugandês Alex Kakuba. Do meio-campo em diante já proliferam futebolistas mais experientes: Sérgio Marakis, ex-CD Nacional, Sami, ex-Marítimo, Femi Balogun, nigeriano que passou pela Académica OAF e pelo CD Aves, e Edinho, internacional português por seis ocasiões, com um total de dois golos.

Antes de receber o SL Benfica, a equipa de Almada recebe, no fim-de-semana precedente, o SC Farense, para a Segunda Liga. Já o campeão nacional e segundo classificado da Primeira Liga não joga até lá, mas defronta imediatamente a seguir – a 23 de outubro – o Lyon, no Estádio da Luz, num jogo fulcral para a sobrevivência encarnada na Liga dos Campeões. São, assim, esperadas mudanças nas águias, que, a julgar pelas mais recentes exibições, podem ser suficientes para que o CD Cova da Piedade se superiorize e leve de vencida o SL Benfica. Todavia, claro, o favoritismo teórico está do lado norte do Tejo.

Será já na nova legislatura que vamos descobrir se a má fase benfiquista não passa disso mesmo – uma fase – ou se o SL Benfica está, no que a esta época diz respeito, a caminhar para a Cova.

Foto de capa: SL Benfica

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão.

FC Zenit 3-1 SL Benfica: Apatia europeia em noite russa

O Sport Lisboa e Benfica deslocou-se a São Petersburgo com a obrigatoriedade de conquistar os 3 pontos e manter a possibilidade de crescer enquanto “Benfica Europeu”.
Na abordagem inicial ao jogo, Bruno Lage fez três alterações: optou pela força e experiência de Jardel, em prol da maior capacidade técnica e de antecipação do Ferro, lançou Tomás Tavares para o lugar do lesionado André Almeida e, principalmente, alterou a composição do meio-campo, favorecendo o jogo mais posicional com Gabriel em prol da maior capacidade do Gedson de pressionar alto.

Já Sergey Semak optou pelo usual 4-4-2, dando grande foco ao preenchimento dos espaços interiores e à superioridade nas acções no centro do terreno.

A primeira parte foi toda muito morna, apesar de um maior ascendente da equipa da casa. Sem forçar muito, o FC Zenit conseguia ir expondo as fragilidades do futebol deste SL Benfica. A equipa de Lage continuava sem conseguir ter jogo interior e apresentava uma tremenda falta de criatividade na zona de construção: três médios que nunca se aproximaram de Seferovic, deixando o avançado perdido entre os defesas rivais. Além disso, a pressão ao portador da bola continua a ser inócua e a defesa apresenta-se permeável a qualquer ataque adversário.

Muito por acção de Barrios, o FC Zenit conseguiu ir controlando os jogadores mais ofensivos do SL Benfica, ao preencher os espaços defensivos e por não permitir qualquer rasgo encarnado. Com bola, sempre que aceleravam, os russos criavam possibilidades de se aproximarem com perigo da baliza de Odysseas.

Foi uma primeira parte pálida do Sport Lisboa e Benfica e o russos, sem forçarem muito, foram controlando o jogo, criando algumas aproximações à baliza adversária, acabando coroados com o 1-0 em mais uma desatenção encarnada.

Nos primeiros 45 minutos destaca-se o posicionamento dos médios encarnados. Fejsa e Gabriel mais posicionais e Taarabt a vir buscar jogo nas costas destes, mantendo a criatividade e os apoios frontais bem longe dos jogadores de ataque.

O segundo tempo trouxe-nos um jogo com mais história. Os russos entraram melhor, mais afoitos e na procura de chegar ao segundo golo. Contudo, foi no primeiro momento de maior ascendente encarnado que este apareceu.

Foi uma primeira parte pálida do Sport Lisboa e Benfica e o russos, sem forçarem muito, foram controlando o jogo
Fonte: FC Zenit

Por volta do minuto 60, Bruno Lage resolveu abanar o futebol da sua equipa. Fez duas substituições, abdicando do 4-3-3 e apostando num clássico 4-4-2, com dois extremos mais abertos e dois pontas de lança na área adversária. Assim, saíram Pizzi e Fejsa e entraram Caio Lucas e Vinícius. Foi neste período, enquanto o Zenit se ia adaptando a estas mexidas nas marcações, que o Benfica conseguiu ter mais bola, aproximando-se aos poucos da baliza de A. Lunev, obrigando o adversário a recuar. Porém, um contra-ataque russo culminou num auto-golo de Rúben Dias – uma finalização fortuita, que não pode esconder a facilidade com que a defesa encarnada se desconstrói.

A partir desse momento, a equipa portuguesa perdeu totalmente o norte. Os russos chegaram ao 3-0, e ao 4-0, num golo com cheirinho a Basileia, mas que acabou por ser anulado.

Foi já com R.D.T. em campo que o Benfica ganhou um novo ânimo. Um tiro de fora da área fez Raúl De Tomás estrear-se a marcar de águia ao peito e deu novo fôlego aos jogadores encarnados. Contudo, faltava tempo e, principalmente, futebol.

Foi uma vitória justa dos russos e mais um pobre desempenho da Equipa das Águias. Além dos problemas tácticos já anteriormente identificados, foi assustador ver a fraca exibição individual da maioria dos jogadores do Glorioso.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

FC Zenit: A. Lunev, Smolnikov (Osorio, 63′), Ivanovic, Rakitskiy, D. Santos, Ozdoev, Barrios, Driussi, Shatov (Karavaev, 68′), Azmoun (Yerokhin, 81′), Dzyuba.

SL Benfica: Odysseas, T. Tavares, R. Dias, Jardel, Grimaldo, Fejsa (Vinícius, 60′), Gabriel, Taarabt, Pizzi (Caio Lucas ,60′), Rafa e Seferovic (Raúl de Tomás, 81′).

Dia 6 dos Mundiais: Depois da Prata, o Ouro de Dina

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Irina Rodrigues e Liliana Cá foram as representantes portuguesas no primeiro dia da 2.ª metade dos Campeonatos, tendo ambas participado na prova do Lançamento do Disco. A nível internacional, grande destaque para o Ouro de Dina Asher-Smith nos 200 metros, com recorde nacional britânico, para a grande vitória de Grant Holloway depois de uma (muito) longa temporada nas barreiras e para o 4.º título consecutivo de Fajdek no Martelo.

AS PORTUGUESAS

Problemas físicos marcaram o final de temporada de Liliana Cá
Fonte: FPA

Liliana Cá foi a primeira entrar em prova no Lançamento do Disco, estando inserida no Grupo A da qualificação. A portuguesa esteve abaixo das suas capacidades, lançando como melhor 54.31 metros ao terceiro ensaio, muito longe do seu melhor da temporada (59.69).

Já Irina Rodrigues entrou em prova pouco depois, ficando-se pelos 56.21 metros, a sua 2ª pior marca nesta temporada. Ainda assim, não sendo esta a marca que a atleta esperava fazer, é de realçar a grande temporada de Irina Rodrigues que passou por 10 vezes dos 60 metros em 2019.

Irina Rodrigues não conseguiu o apuramento, apesar da excelente temporada
Fonte: FPA

Irina Rodrigues disse no final que “esperava mais” e que tinha o objetivo de “voltar a passar dos 60 metros” que foi o que fez “regularmente” este ano. Hoje queria lançar ainda mais do que o habitual e acredita que o problema foi que “estava com tanta ansiedade para lançar longe, que acabava por lançar demasiado rápido”. Ainda assim, reconheceu que o nível esteve “altíssimo”, pelo que a qualificação iria ser “muito difícil”, mesmo que estivesse no seu melhor. Liliana Cá recusou-se a prestar declarações.

AS FINAIS DE HOJE

Nos 200 metros femininos, grande exibição de Dina Asher-Smith (GBR), que não se limitou a comprovar o seu absoluto favoritismo, mas fê-lo em grande estilo, melhorando o recorde nacional britânico para 21.88 segundos. A britânica junta assim este Ouro à Prata conquistada – também com recorde nacional – nos 100 metros, dando seguimento à excelente temporada que também teve em 2018, quando venceu os 100 e os 200 nos Europeus de Berlim, também com recordes à época.

Numa disciplina que viu os grandes nomes a caírem sucessivamente (por lesões, desqualificações ou…calendarização), a medalha de Prata foi para Brittany Brown (USA), que terminou em 22.22 segundos, um novo recorde pessoal, enquanto que a medalha de Bronze foi para Mujinga Kambundji (SUI) que também alcança a sua primeira medalha global ao ar livre, correndo em 22.51 segundos.

A final que fechou a noite foi a dos 110 metros barreiras no masculino e havia boas razões para isso. Vários atletas lutavam pelas medalhas e as eliminatórias e semifinais haviam prometido tempos rápidos. Na final, Grant Holloway (USA) teve uma fantástica partida, à qual Omar McLeod (JAM), tentou reagir, tendo sido o único a aproximar-se do norte-americano nos primeiros 70 metros. Depois, McLeod desequilibrou-se, caiu, e ainda atrapalhou – e muito – Orlando Ortega (ESP) que, apesar da má partida, vinha a recuperar lugares e procurava o pódio.

A situação não é nova nesta temporada, uma vez que o jamaicano já havia derrubado Sergey Shubenkov (provocando até uma lesão ao russo) e Wenjun Xie em situações similares. Holloway terminou, assim, sozinho na frente com uma marca de 13.10 segundos, alcançando o primeiro título internacional da sua carreira aos 21 anos, numa época incrivelmente longa para o norte-americano, que começou a competir ao mais alto nível – no desporto universitário – em janeiro e, 10 meses depois, chega ao Ouro em Doha.

Grande feito de Holloway em Doha, acabando o ano em grande
Fonte: IAAF

A Prata foi para Sergey Shubenkov (RUS) que, em 13.15 segundos – e apesar de todos os problemas físicos – consegue conquistar a sua 4.ª medalha nos últimos quatro campeonatos (a 2.ª consecutiva de Prata, além de uma de Ouro e uma de Bronze). A completar o pódio, com o Bronze ficou Pascal Martinot-Lagarde (FRA), que volta a surpreender depois do título europeu de Berlim e conquista aqui a sua primeira medalha global ao ar livre, em 13.18 segundos.

Diogo Costa | De um verão cheio de turbulências ao sonho!

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A época passada ainda não tinha terminado e já surgiam notícias quanto ao futuro de Diogo Costa. O jovem guarda redes formado nos azuis e brancos, onde joga desde a temporada 2009/2010, andava a ser associado pela imprensa desportiva ao FC Paços de Ferreira, que com a subida à Primeira Liga garantida, já tinha iniciado a preparação do plantel com vista à época seguinte.

Contudo, ainda no mês de maio, Iker Casillas sofreu num treino um problema de saúde, que chocou todo o mundo do futebol e obrigou a lenda espanhola a fazer uma pausa indeterminada na carreira. Sendo assim, criou-se uma nova questão na baliza dos dragões que era saber quem ia suceder ao habitual titular das últimas temporadas.

Como é do conhecimento público, o processo arrastou-se até agosto, período em que Diogo Costa se lesionou e obrigou a SAD portista a ir ao mercado por um guardião com provas dadas, tendo a escolha recaído em Marchesín, que até se transferir para Portugal representava o CF América do México.

Porém, antes desse momento, o FC Porto já tinha cancelado o acordo de cavalheiros com os pacenses acerca da cedência de Diogo Costa e posteriormente comunicado ao atleta que iria fazer a pré-época no Olival. Deste modo, o futebolista internacional jovem por Portugal nas diversas camadas da formação começou aqui a alimentar o sonho de ser o dono da baliza do FC Porto. Algo que não seria assim tão descabido, uma vez que com o decorrer do verão, Diogo Costa ia mostrando ao seu treinador e aos seus colegas que tinha mais do que capacidades e potencial para assumir um desafio dessa envergadura.

Forte no 1 vs 1, senhor de bons reflexos e com uma boa agilidade, bem como portador de uma segurança e de uma liderança assinalável, o jovem ia replicando nos jogos particulares aquilo que já evidenciava nos treinos, onde teve talvez no jogo com o Real Bétis Balompié, no Algarve, o expoente máximo da sua pré-época.

Com isto, o sonho parecia que cada vez mais já não era uma miragem, mas sim uma realidade. Por sua vez, quando tudo parecia estar-se a alinhar para a estreia oficial do jovem dragão, o azar bateu-lhe à porta e é caso para dizer a dobrar. Por um lado, retirou-lhe a possibilidade de se estrear oficialmente pelo FC Porto e por outro lado Marchesín assumiu sem grandes dificuldades o posto mais recuado da equipa orientada por Sérgio Conceição.

Perante este cenário, todas as ilusões que foi alimentando com o decorrer da preparação para a nova época parecem ter caído por terra, já que o guarda-redes argentino tem somado excelentes exibições. Fazendo com que os adeptos se esquecem, por vezes, que nas últimas quatro temporadas era Iker Casillas que assumia o posto da baliza.
Estreia de Diogo Costa pelos dragões no desafio com o CD Santa Clara
Fonte: FC Porto

Por conseguinte, nem tudo era negativo, e na escolha para suplente de Marchesin, Diogo Costa foi o eleito em função de Vaná, cedido ao Famalicão, para ocupar o lugar de segundo guarda-redes no plantel portista.

Certamente, uma recompensa pelo trabalho que desempenhou em prol do grupo de trabalho e também uma prova de confiança por parte de toda a estrutura de futebol do FC Porto para com o jogador. Dando sinais que acreditam na sua qualidade e no seu crescimento como atleta, e que um dia o sonho de ser titular pelo seu clube do coração possa ser uma realidade.

Até lá, o futebolista vai dando passos pequenos mas seguros e um deles foi recentemente a titularidade que recebeu na Taça da Liga frente ao CD Santa Clara. Numa partida em que deu mais uma vez provas da sua qualidade, e conseguiu demonstrar que tem uma maturidade competitiva muito acima do esperado, conseguiu ainda cumprir com sucesso o desafio de manter a baliza do dragão inviolável. Aliás, Diogo Costa, nas redes sociais, fez questão de marcar essa estreia na equipa principal, onde evidenciava o orgulho e o sentimento de dever cumprido por realizar um dos seus sonhos enquanto jogador profissional.

Assim, é quase absoluto que o “portero”, visto como uma das principais promessas do futebol português, quer mais e irá na rota por novos objetivos que passam pela afirmação no FC Porto e no panorama do futebol mundial, confirmando todas as previsões que lhe apontam como sendo um dos guardas redes mais promissores da sua geração.

 

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Carta Aberta a Frederico Varandas

 

Frederico, as dissertações sobre o meu clube tornam-se cada vez mais complexas de serem escritas. Aglutinam-se emoções completamente adversas, fundem-se pensamentos incertos com a certeza de tantos outros. Tudo se transforma num gigante ponto de interrogação, sem qualquer traço retórico, tudo se compõe num oceano de perguntas para as quais as respostas são uma espécie de alucinação… um caso de estudo que Stanley Kubrick dispensou erroneamente.

Frederico, a descrição supracitada rapidamente me subjugou a si. “Não estamos preocupados”: inicialmente, inferi que fosse acerca das polémicas socialistas, entre Tancos e Marquês de Pombal, com uma breve passagem por todos os familiares de Carlos César. Então, emergia a designada “desonestidade intelectual”, porque o panorama político nacional está à disposição de toda a gente, incluindo os indiferentes. Contudo, e como a desinformação constitui um processo célere e frequente, preocupei-me em contextualizá-la: Frederico referia-se, nada mais, nada menos, do que ao seu clube: uma declaração proferida aquando do término de uma pré-época desastrosa, pressagiando tudo o que se contempla no presente.

A contestação à direção leonina tem subido de tom
Fonte: Sporting CP

Frederico, é facilmente questionável a sua capacidade para efetuar contas certas ao contrário do que se verifica nos líderes partidários. Ora vejamos: três treinadores em oito jornadas, um ponta de lança fixo disponível para quatro competições, um deserto personificado na posição seis sendo que as aspirações apontam para o título (risos, risos, risos) e uma entrevista que se resume na palavra “Teresa”, Frederico. Para além disto, a golpada de génio também consta na presença de Beto e Hugo Viana nos quadros da “team manager”. A tarimba é tanta ao ponto de a legião sportinguista não se aperceber, o núcleo duro ressente-se e exibe-se maleável. Situamo-nos perante um caso de gaguez de personalidade.

Frederico, urge a alteração de toda a postura e estratégia (se é que existe alguma) adotada até então. O impasse que nos envolve impera à transfiguração de uma gestão que se apresenta danosa e raquítica. O Sporting Clube de Portugal descansa na sombra da árvore da rebelião: a atualidade metaforizada na anarquia do Punk, nos casacos de cabedal, nas unhas pintadas de preto e nos alfinetes pregados na boca a sangue frio; e a New Wave com as pernas estendidas e com os olhos cerrados. Os The Sound foram visionários e recitaram “New Dark Age”.

And it’s pressure from all sides
Coming down around our ears
Stuck in this room without a door
Scratched away at the walls for years
All we’ve got to show is the dust on the floor
And here it comes, a new dark age

Os poetas advertiram-nos para esta situação. Volteiam-nos as Trevas e todo o breu aglomerado ao longo de gerações e gerações. As fábricas futebolistas necessitam de triunfos, positividade e confiança.

E continua a pairar a incerteza, porque não sei se o Frederico é capaz de metamorfosear o caráter soturno do clube numa das mais belas melodias líricas, de arquivar todas as matemáticas e de se preocupar genuinamente com o assunto mais pequeno.

Frederico, gastei muito o seu nome?

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Antevisão da época 2019/20: Central Division

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Regressando ao lado do Atlântico, surge a divisão do vencedor da fase regular que voltará a tentar chegar às finais: a Central Division. Mas há ainda uns Pacers que vão estar sem Oladipo metade da temporada, uns Pistons à procura de manter o seu lugar nos playoffs e uns Bulls e Cavs à procura de melhores dias.

Zivkovic, um apagão na Luz

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Apontado pelos analistas como uma das grandes promessas do futebol sérvio, Andrija Zivkovic tem vindo a perder, gradualmente, espaço no clube da Luz.

De vento em popa

Chegou ao Benfica no verão de 2016, proveniente do Partizan, após um longo “braço de ferro” entre os encarnados e os crno-beli. Zivkovic era visto como um jogador importante para o plano desportivo das “águias”, tendo a sua contratação sido definida como prioritária pelo treinador, Rui Vitória. O sérvio protagonizou uma boa primeira época em Portugal, somando 1583 minutos (24 jogos) em todas as competições, aos quais juntou um golo e 11 assistências. A época seguinte seria de afirmação.

Zivkovic foi um pedido expresso de Rui Vitória
Fonte: SL Benfica

A afirmação

Foi no dia 21 de janeiro de 2018 que Filip Krovinovic, à data o jogador mais influente das “águias”, sofreu uma lesão grave, colocando-o no boletim clínico dos encarnados até ao fim da temporada. Com o mercado de inverno prestes a encerrar e sem soluções óbvias para substituir o centrocampista, o pânico começava a instalar-se entre os adeptos benfiquistas.

Depois de uma primeira fase da temporada difícil para o emblema da Luz, com a eliminação da fase de grupos da Champions League após somar zero pontos e alguma inconsistência no que à qualidade de futebol praticado diz respeito, o Benfica ganhava agora um novo fôlego com a entrada de Zivkovic no onze titular.

Dotado de um fino recorte técnico e de uma excelente capacidade de condução de bola, Zivkovic fez com que as bancadas da Luz se esquecessem rapidamente do seu antecessor. O sérvio imprimia uma excelente capacidade de pressão sem bola, permitindo à equipa jogar com um bloco alto e recuperar o esférico mais perto do último terço do terreno. Aliado à intensidade que colocava em campo, Andrija também demonstrava uma excelente qualidade de passe e visão de jogo, desmarcando os colegas com passes milimétricos.

No final da época, Zivkovic já era visto por muitos como um titular indiscutível. Tinha somado 2063 minutos (30 jogos), marcando três golos e assistindo outros seis. O sérvio aparentava estar de pedra e cal no clube da Luz.

O médio sérvio foi apontado ao Olympiacos no último mercado de verão
Fonte: SL Benfica

O apagão

No entanto, as boas exibições que tinha protagonizado na época passada, por lá tinham ficado. Zivkovic tinha agora um papel secundário no plantel encarnado e a chegada de jogadores como Gedson e Gabriel vieram retirar espaço ao astro sérvio. A entrada de Bruno Lage no comando técnico das “Águias” também não veio ajudar Zivkovic, visto que as características do sérvio não encaixam no modelo de jogo idealizado pelo técnico português.

Andrija Zivkovic ainda não somou nenhum minuto em jogos oficiais pelo Benfica na presente temporada, sendo já uma ausência regular dos convocados da equipa. Uma situação insólita, tendo em conta o valor do jogador e o que este já demonstrou poder dar à equipa num passado recente.

De titular indiscutível a reserva, o caso de Zivkovic é um exemplo claro do quão efémero pode ser o sucesso no mundo do futebol.

Foto de capa: SL Benfica

Artigo revisto por Diogo Teixeira

ADN FC Famalicão

“Em futebol pode-se perder um jogo ou um campeonato, mas não se pode perder a identidade, o orgulho, as características”. A frase é de Cesar Luís Menotti, técnico que levou a Argentina ao título mundial em 1978.

A identidade é uma palavra-chave na construção não só de um modelo de jogo rico, como também de um coletivo forte, dentro e fora das quatro linhas. Entender que independentemente do adversário e do contexto competitivo, há um fio condutor a seguir.

É evidente que cada jogo e cada adversário exigem nuances estratégicas diferentes mas o que revela verdadeiramente a competência de um treinador, fugindo da mentalidade apenas focada nos resultados que impera no futebol português, é a sua capacidade em fazer com que uma equipa coloque sempre as suas ideias e princípios de jogo em campo. Costumo dizer que uma equipa com identidade é uma equipa com marga registada. E isso é fundamental na própria evolução do jogo.

Luís Castro é um grande exemplo de como aliar o bom futebol a uma forte identidade coletiva. O agora treinador do Shakhtar Donetsk deixou definitivamente uma marca de competência e qualidade no nosso futebol, sendo que são precisamente os treinadores portugueses muitos dos grandes impulsionadores da criação e preservação de uma identidade coletiva, possivelmente devido à cada vez melhor formação que recebem, o que os faz evoluir com o futebol enquanto conceito em constante transformação.

Identidade. A identidade é precisamente o que mais salta à vista quando vemos o líder do campeonato, FC Famalicão, jogar. A forma como venceu os dois últimos jogos após estar a perder ao intervalo é indicativo da qualidade de jogo famalicense mas também de algo absolutamente fundamental: os jogadores acreditam na ideia do treinador e não têm medo de errar porque sabem que, ao aplicá-la, estão cada vez mais próximos de uma perfeição que é utópica, sim, mas que deve sempre ser tentada. É revelador de ambição e, acima de tudo, de competência de João Pedro Sousa.

“Vamos criar uma equipa competitiva, com o ADN Famalicão, em que os adeptos se vão rever sempre que entrarmos em campo”. As palavras são de João Pedro Sousa, o timoneiro e o grande responsável pela sensacional campanha até agora do FC Famalicão, abrilhantada pela liderança isolada do campeonato à sétima jornada. Prometeu e cumpriu.

Hoje, todos percebem que há um ADN, uma identidade muito própria na equipa do Famalicão. Uma proposta de jogo de equipa grande, de intenção de controlo e domínio do jogo, de fazer os adeptos ter orgulho naquilo que vêm da sua equipa. Tudo isso tem sido alcançado com enorme sucesso.

A calma de João Pedro Sousa é para mim um fator chave e um indicador importantíssimo da identidade do Famalicão. A postura tranquila, por vezes até pacata, do técnico famalicense demonstrará a convicção do treinador naquilo que terá trabalhado durante a semana e também a crença nos seus jogadores, em que eles saberão exatamente o que têm para fazer dentro de campo e conseguirão adaptar-se às várias facetas que o jogo apresenta.

O discurso coerente, tranquilo e ao mesmo tempo ambicioso tem tudo para favorecer uma equipa, também ela jovem mas muito ambiciosa. Porque para jogar como uma equipa grande, há que ter ambição e, acima de tudo, qualidade para o fazer. E qualidade não falta ao líder Famalicão.

Em Alvalade, vimos um FC Famalicão a tentar controlar o jogo com bola, saindo sempre desde trás com o guarda redes Defendi a distribuir com os centrais Nehuen Perez e Patrick William. Agora, se constatarmos que o Sporting marcou fruto precisamente de um erro individual de Lionn na saída de jogo, poderia ser de esperar que, de modo a evitar potenciais novos erros na defesa, o Famalicão jogasse de forma diferente, possivelmente tentasse esticar o jogo mais rápido jogando de forma mais direta até porque a forma como sofreu o golo podia colocar alguma dúvida na cabeça dos jogadores. Mas isso nunca aconteceu.

O Famalicão continuou a jogar exatamente da mesma forma, só que cada vez melhor e com melhor taxa de aproveitamento dessa mesma saída de jogo desde trás, que é chave no modelo de João Pedro Sousa. A forma como condicionou melhor o jogo do Sporting, com recuperações em zonas bastante adiantadas do terreno fez com que o Famalicão estivesse praticamente toda a segunda parte em cima dos leões, que não conseguiram encontrar um antídoto para afastar essa pressão e maior velocidade de circulação que o “Vila Nova” apresentou na segunda parte. Ora, os métodos foram exatamente os mesmo mas apenas mudou a velocidade com que era feito, aliado também ao ajuste do posicionamento de Gustavo Assunção, como explicou e bem o João Pedro Sousa na conferência de imprensa após o jogo.

Famalicão arrasou o Sporting em Alvalade
Fonte: FC Famalicão

Frente ao Belenenses SAD, os problemas encontrados foram diferentes. A equipa lisboeta apresentou-se bastante pressionante e isso condicionou o jogo do Famalicão, que não conseguiu chegar a zonas de finalização de uma forma tão recorrente como habitual. O golo ao cair do pano funcionou como antídoto para os da casa que, não abdicando nunca da sua forma de jogar, encontraram formas de chegar com mais perigo à baliza de Koffi, tendo feito três golos e podido fazer até mais, dadas as muitas oportunidades criadas na segunda parte.

Podemos concluir que o Famalicão nunca abdica da sua ideia mas tem noção, fruto da inteligência dos seus jogadores e da capacidade de análise do seu treinador, que por vezes um simples posicionamento ou movimentação diferentes podem ser decisivos para abrir o livro.

As ideias chave estão sempre lá: circulação a partir de trás, a dualidade de movimentos dos extremos que funcionam na largura ou no jogo interior, o recuo de Gustavo para pegar no jogo, a capacidade de desdobramento de Pedro Gonçalves nas triangulações com o extremo e o lateral que formam uma superioridade numérica nessa zona do terreno, originando desequilíbrios. Tudo isto já foi muito badalado e analisado, porém há dois aspetos que me parecem tão incríveis como este campeonato do Famalicão.

O primeiro é a reinvenção de Defendi e aqui temos a perceção da importância de João Pedro Sousa. Defendi nunca foi um guarda-redes de equipa grande. Passo a explicar: nunca foi um guarda-redes com importância na construção de jogo ofensivo da equipa porque tecnicamente não tinha também essa capacidade de jogo com os pés ou de leitura fora dos postes. Com João Pedro Sousa isso alterou-se, o que é extraordinário pois estamos a falar de um guarda-redes de 35 anos.

Toda a experiência e o facto de ser uma posição decisivamente específica podiam interferir na ideia de João Pedro Sousa, que poderia ter de adaptar a sua ideia em função do jogador. Aconteceu precisamente o contrário. Foi Defendi que se reinventou, que trabalhou para melhorar o seu jogo e hoje vêmo-lo muito seguro a jogar com os pés e a funcionar várias vezes como um líbero fruto de uma linha defensiva sempre subida no terreno. O saber ler a profundidade tem sido muito importante para Defendi que tem sido um pilar na baliza famalicense, mesmo com a chegada de Vaná, que ainda não teve oportunidade de jogar pelo líder.

A função do ponta de lança é outro aspeto que me parece fundamental no jogo do Famalicão. Toni Martinez foi sempre titular e, embora tenha apenas um golo marcado (o primeiro do campeonato, nos Açores) tem uma importância que é pouco valorizada pela crítica. O Famalicão encontra no jovem espanhol uma excelente referência para jogar em apoios. A sua capacidade em segurar a bola ou em tabelar com os colegas (ambas de costas para a baliza) são muito úteis para um Famalicão que adora ter bola e que adora misturar o jogo interior com chegadas através de combinações pelas faixas.

Toni Martinez tem essa capacidade de trabalho fruto de uma qualidade muito boa na receção. Faz também devoluções rápidas para os seus colegas (geralmente Pedro Gonçalves e Guga) assumirem o jogo ofensivo da equipa e levarem a bola para o feiticeiro Lameiras ou para o Salah de Famalicão, Fábio Martins. A grande produtividade dos dois extremos do Famalicão deve-se muito também a esse trabalho de Toni, que arrasta muitas marcações e permite essa liberdade aos dois virtuosos.

Porém, é o suplente de luxo do Famalicão que tem tido um maior rendimento a nível de golos. Anderson tem já 4 golos marcados, tendo jogado apenas 115 minutos. Anderson sempre teve esta capacidade em decidir a partir do banco mas não é só isso que é digno de admiração no avançado brasileiro. Com ele em campo, o Famalicão joga de forma diferente da que joga com Toni Martinez. Anderson é dos jogadores com maior ponta de velocidade em toda a Primeira Liga e essa sua característica, aliadas à sua intensidade na pressão e capacidade de remate fácil, permitem ao Famalicão esticar o jogo com maior facilidade e permitem uma maior fluidez nos ataques rápidos. Por exemplo, na próxima jornada frente ao FC Porto, Anderson poderá ser um jogador decisivo, mesmo que seja suplente: a sua vontade e velocidade, com dois centrais veteranos como o são Pepe e Marcano, pode criar muitos problemas ao Porto. Ou seja, para um jogo de controlo e domínio, Toni Martinez é mais habilitado para segurar a bola e aguentar bem os centrais adversário. Para mais vertigem no ataque e num jogo mais partido (como foi frente ao Belenenses SAD), Anderson é claramente o homem chave.

A identidade é fundamental na construção de estruturas fortes. Olhar para o futuro com os pés bem assentes no chão mas com uma ambição real e intocável. Mais, mais e mais. Não sei o que vai acontecer daqui para a frente mas uma coisa é certa: este Amor de Perdição tem tudo para não terminar em tragédia.

Foto de capa: FC Famalicão

Artigo revisto por Diogo Teixeira