Todos os dias há novos capítulos na novela que é a passagem às meias-finais da Taça da Liga do Porto. Hoje foi a vez de Fernando ter de prestar declarações à Federação Portuguesa de Futebol acerca do motivo do atraso por parte das duas equipas ao intervalo.
O caso em si reflete a falta de rigor e prestígio de uma competição como é a Taça da Liga. Desde o início que a Taça da Liga tem sido ignorada e muitas vezes descreditada por todos os clubes que competem. Esta afirmação aplica-se, sobretudo, aos grandes clubes, para os quais a compensação monetária ou até mesmo o prestígio são extremamente diminutos. Temos, porém, na história recente clubes que viram a época ser salva com a conquista da Taça da Liga…
A questão que está em causa é os cerca de cinco minutos de atraso que se verificaram, no intervalo, no jogo entre o Porto e o Marítimo. Supostamente, ambos os jogos do grupo – sendo o outro entre Sporting e Penafiel – deviam ter início e fim ao mesmo tempo. A questão que fez deste simples atraso um carnaval de acusações e suposições por parte de muitos adeptos ligados, na maioria, ao Sporting, deve-se ao facto de nesses cinco minutos se ter decidido quem passava às meias-finais. Quando terminou o jogo do Sporting, a equipa de Leonardo Jardim estava apurada para as meias-finais. No entanto, no Dragão, o Porto continuava à procura de um golo da reviravolta que lhe desse passagem. No tempo de descontos do Porto-Marítimo, já com o Sporting no balneário, Josué marca, de grande penalidade, o golo que dá a passagem à próxima fase.
O troféu da Taça da Liga que será atribuído ao vencedor Fonte: Record
De imediato, o presidente Bruno de Carvalho, em declarações aos jornalistas, deu a entender que tinham existido razões misteriosas (ilícitas) que haviam ditado a eliminação do Sporting. A quente, aquelas declarações não podiam ter sido bem recebidas. A FPF instaurou um inquérito e chegou até a adiar o jogo das meias-finais entre Benfica e Porto até esta trapalhada ser resolvida. O Futebol Clube do Porto retorquiu que o atraso se deveu a lesão de Fernando. Em cima da mesa estão duas opções: uma multa aplicada ao porto, que é o cenário mais ligeiro, e a possível atribuição de derrota, que coloca o Sporting nas meias-finais.
Personalidades ligadas ao Porto já disseram que preferem a multa. No entanto, não devia haver lugar para preferências nesta situação. O Porto, como já afirmou e está no processo de provar, não se atrasou propositadamente. Como tal, a única preferência deve ser o apuramento da verdade e a disputa, por parte do Porto, das meias-finais com o Benfica. Todos os dias, jogadores do Marítimo e Porto são chamados a prestar declarações de modo a apurar a verdade. Hoje, Antero Henrique, membro da direção portista, veio a Lisboa defender, perante a Federação, a legitimidade do atraso do Porto. O processo está aberto e a ser investigado.
Antero Henrique dirigiu-se hoje à Lisboa para prestar declarações à FPF Fonte: Reflexão Portista
Até se chegarem a conclusões finais que ditem uma medida de acção, qualquer acusação de manipulação, má vontade ou até mesmo corrupção deve ser evitada. São já várias as pressuposições de que este atraso se deve a uma jogada combinada entre Pinto da Costa e a equipa de arbitragem para beneficiar o Porto, ou que o atraso foi planeado para o Porto ter a certeza do resultado do Sporting de modo a modificar o seu. Todas estas pressuposições que se foram ouvindo desde o início desta marosca são posições baseadas na má fé, sem qualquer tipo de prova ou até mesmo sentido, por vezes.
Situações como estas enfraquecem o já débil estatuto da Taça da Liga. Uma competição sem grande prestígio que está em foco pelas piores razões. Sinceramente, a cada ano que passa tenho menos e menos vontade de assistir ou até de ver o meu Porto participar. Porém, gostaria de ver o Porto erguer o troféu uma vez… Nem que fosse para pôr no palmarés.
José Mourinho é reconhecido pela capacidade de rentabilizar ao máximo os jogadores que orienta. No entanto, no que diz respeito a Luka Modric parece claro que o treinador português não explorou da melhor maneira a qualidade do croata. A cumprir a segunda época ao serviço dos merengues, o médio, contratado ao Tottenham por 35 milhões de euros, está finalmente a ter o protagonismo que merece. Com Ancelotti no comando técnico, o jogador de 28 anos beneficiou de um conjunto de factores para deixar o estatuto de suplente e para se assumir como o grande motor da equipa do Real Madrid.
Na última temporada, Modric não passou de um suplente de luxo. O médio era frequentemente utilizado por José Mourinho, tanto no duplo pivot como um pouco mais adiantado, mas a verdade é que nunca conquistou o estatuto de titular indiscutível nos merengues. Para esta época, a concorrência no meio campo era ainda mais apertada. Aos habituais titulares – Khedira, Xabi Alonso e Özil – juntaram-se Isco, o “Golden Boy” de 2012, e Asier Illarramendi, uma das grandes revelações do último campeonato, já para não falar de Casemiro, que esteve em bom plano na pré-temporada e ameaçou vir a ser uma opção regular de Ancelotti. Contudo, a venda de Özil ao Arsenal e, principalmente, a lesão de Khedira abriram espaço para a afirmação definitiva do croata no Bernabéu.
Luka Modric está a ser um dos melhores médios do futebol europeu, juntamente com Arturo Vidal e Yaya Touré. Apesar de não apresentar os números do chileno e do costa-marfinense, o croata está no auge da carreira e tem tido uma influência tremenda na equipa do Real. Está a exibir-se a um nível extraordinário e é, neste momento, um jogador indispensável para Ancelotti (é o sexto mais utilizado do plantel). É compreensível que José Mourinho não tenha abdicado dos titulares do meio campo, mas de facto é um crime ter um elemento como Modric sentado no banco. Dono de uma visão de jogo notável e de uma qualidade técnica muito acima da média, é a forma como sai de pressão – capítulo em que é claramente um dos melhores do Mundo – que o distingue dos demais.
Num plantel em que vários jogadores têm tido um rendimento muito intermitente – Isco começou em grande mas perdeu gás e Ronaldo está numa das piores fases da carreira -, Modric tem sido um dos elementos mais regulares. Para além da consistência do croata, há que destacar Jesé Rodríguez, que está a aparecer mais cedo do que o que se esperava e que tem mostrado um enorme potencial. Já marcou ao Barcelona, Atlético, Athletic e Valência, e tem dado nas vistas pela sua técnica e explosividade, para além do excelente sentido de baliza. Em termos colectivos, o Real Madrid tem vindo a evoluir com o decorrer da época e, na minha opinião, será o vencedor da liga espanhola. Os bons resultados obtidos nos últimos tempos são apenas uma consequência da melhoria do registo defensivo (oito jogos sem sofrer golos) e do aumento da qualidade exibicional. Numa época em que o Barça de Tata Martino está com mais dificuldades do que é habitual, os merengues – que, como se viu no encontro para a Taça do Rei, são claramente superiores ao Atlético – podem aproveitar para voltar a sagrar-se campeões. Se isso vier a acontecer, um dos principais responsáveis é Luka Modric, um dos jogadores com mais classe da actualidade.
Quem o afirma é Guardiola, e isso diz muito da qualidade do médio/defesa alemão, até porque convém lembrar que ele treinou jogadores como Xavi, Messi, Iniesta, Fàbregas e Dani Alves, no Barcelona. Mas Pep tem razão.
Phillip Lahm é dos jogadores mais sub-valorizados do futebol europeu, nos últimos 10 anos. Tanto joga a defesa-direito como a defesa-esquerdo e, agora, aos 30 anos, e já capitão tanto do Bayern München como da selecção germânica, surge como um pivot defensivo de eleição. Esta sua versatilidade agrada, e de que maneira, Guardiola, que tanto gosta de experimentar jogadores em posições que não as suas.
Lahm nasceu em München, ingressou nas camadas jovens do clube e por lá ainda está, tendo apenas sido emprestado ao Bayer Leverkusen (2003/04 e 2004/05). É dos jogadores mais queridos para os alemães e é visto como um exemplo para todos os jovens futebolistas, não só pela sua qualidade e por ser dos jogadores mais correctos do futebol actual, mas também pela sua raça, querer e ambição.
Lahm foi considerado o melhor defesa-direito da Europa em 2013 Fonte: Static Goal
Com 104 internacionalizações, é já dos jogadores que mais vezes vestiram a camisola alemã, e tem, agora em 2014, um verdadeiro desafio pela frente.
É certo e sabido que o corredor direito do Bayern será ocupado por Rafinha, o esquerdo por Alaba, e a zona mais recuada do meio campo será sua… mas como vai ser no Mundial?
Para a posição que tem ocupado no Bayern, Joachim Low, seleccionador alemão, tem à sua disposição jogadores como Ilkay Gundögan, Bastian Schweinsteiger, os gémeos Bender (Lars e Sven) e ainda Toni Kroos, que pode muito bem jogar como primeiro organizador de jogo, mas, para a lateral direita, já não há assim tantas soluções: há Lahm e uma adaptação chamada Boateng.
Uma verdadeira dor de cabeça para Löw, apesar de ser aquela de que todos os treinadores gostariam de padecer: excesso de talento.
Todos sabemos da qualidade de Lahm como defesa-direito, mas a dúvida é: será que, depois de uma época inteira a jogar a pivot defensivo numa equipa com os níveis de exigência altíssimos, como é o caso do Bayern München, conseguirá aparecer como o mesmo defesa-direito que conhecíamos?
A Champions League do ano passado foi certamente o melhor momento da sua carreira
Se estivéssemos a falar de um outro jogador qualquer, não creio que sim, que jogasse tão bem numa posição como noutra. Mas não estamos a falar de um jogador qualquer. Estamos a falar de Phillip Lahm. Estamos a falar do jogador mais inteligente que Guardiola já treinou.
Nabil Ghilas é, a par de Juan Quintero, o jogador que considero menos aproveitado por Paulo Fonseca, no actual plantel portista. Agressivo, possante e um excelente rematador, o avançado argelino parece não conseguir impor-se num Porto medíocre, que tarda em provar que merece ser campeão.
Vindo do Moreirense no mercado de Verão, por 3,8 milhões (por 50% do passe), teve o seu melhor momento no passado jogo contra o Estoril, colocando, com um golo, o Porto nas meias-finais da Taça de Portugal. Antes disso, o penálti sofrido frente ao Marítimo foi também ele fulcral no apuramento (pelo menos, em campo, apurou o clube, vamos ver se, na secretaria, o resultado é outro) da equipa para as meias-finais da Taça da Liga. Como caracterizá-lo na sua restante história no clube tri-campeão? Chamando-o o “gajo que entra em situações de desespero” ou o “gajo que entra para se perder algum tempo perto dos 90 minutos”, porque, de forma geral, é assim que tem sido a sua curta carreira no clube.
Não posso dizer que vejo no número 11 portista um titular indiscutível na equipa do Porto. É, como muitos outros nos últimos anos, o eterno segundo avançado do Porto, aquele que, por muito bom que seja, não joga. Contudo, é preciso registar que Ghilas não é Janko, não é Kleber, não é Walter, nem muitos menos é Liedson (sobretudo na forma em que o avançado brasileiro se apresentou, na ultima época). Ghilas é um jovem de 23 anos (eu sei que não parece), com uma qualidade que fez temer as defesas que jogavam contra a miserável equipa do Moreirense, o ano passado, e que precisa de jogar e evoluir de forma a explorar todo o potencial que tem.
Fazendo um paralelismo com Islam Slimani, também ele curiosamente suplente argelino de outro avançado colombiano, de seu nome Fredy Montero (com a devida distância para Cha Cha Cha Martinez), a verdade é que Leonardo Jardim (para mim, o melhor treinador a actuar no nosso país) lhe está a saber dar as oportunidades que este merece. Quando Montero falha, Slimani entra; quando Jackson falha, Licá entra para o lugar de Varela. Esta é a infeliz realidade do Porto e, honestamente, custa-me ver Ghilas no banco até aos últimos 10 minutos da partida, onde a táctica se altera de 4x2x1x3 para 4xtudo-ao-molho-e-Quaresma-cruza-para-o-meio.
Porque o comparo com Derlei? Porque Derlei, com características físicas semelhantes mas bastante mais baixo e, pessoalmente, com menos talento que o avançado argelino, encontrou o seu espaço no Porto como um falso extremo, que facilmente procurava zonas de finalização interiores. Ghilas nunca teve a sua oportunidade nesta posição, e, agora, com o regresso de Quaresma e com uma luta nas alas entre Varela e o talentoso Licá, o argelino parece perder aquela que seria uma boa opção para obter minutos em competições que não sejam a Taça da Liga ou a Taça de Portugal, onde mesmo nestas é Jackson que tem vindo a ter primazia no onze.
Questiono-me sobre se, num futuro próximo, com jogos de quatro competições a encher o calendário do plantel portista, Ghilas obterá finalmente a confiança de Paulo Fonseca, remetendo Jackson Martinez para o banco, de vez em quando (nem que seja ao dar a desculpa de que Cha Cha Cha está cansado ou dorido), já que é preciso salientar que o colombiano tem estado bastante longe do nível exibicional que apresentou o ano passado, no Porto.
Ghilas tem 44 minutos jogados na 1ª Liga, e, se pensarmos que, na Emirates Cup (torneio amigável em que o Porto participou na pré-época), o argelino somou 84 minutos, ficamos com uma boa ideia da imensa utilização do segundo avançado portista. Ghilas merece mais, muito mais…
8 auto-golos em 6 minutos. Numa altura em que em Portugal tem corrido muito tinta para se escrever sobre o atraso de três minutos no jogo entre o FC Porto e o Marítimo, em Itália surge um caso muito mais polémico.
O episódio rocambolesco ocorreu na Sicília, num embate que colocou frente a frente as equipas do Borgata e do Bagheria, num encontro a contar para a última jornada da fase de grupos da Taça da Sicília. À entrada dos últimos seis minutos, o Borgata vencia por 6-3, mas o resultado final haveria de ser um impressionante 14-3! A explicação de tantos golos em meia dúzia de minutos é simples: os jogadores do Bagheria marcaram, propositadamente, oito auto-golos, para impedir a qualificação do seu grande rival, o Partinicaudace.
Formação do Borgata, que saiu vencedora. Fonte: sportup24.it
Conta quem viu, que o jogo foi muito disputado até o Bagheria perder a esperança da qualificação. É que a equipa visitante, em caso de empate, vencia o grupo e passava à próxima ronda, algo que pareceu impossível quando o resultado marcava já uma desvantagem de 6-3. Foi nesse momento que, sabendo da diferença de golos das várias equipas do grupo, os jogadores do Bagheria desistiram de lutar pela passagem da sua equipa e optarem por oferecer um presente ao rival dessa tarde, impedindo a qualificação do Partinicaudace.
O espectáculo foi de tal forma deplorável que seis dos oito auto-golos foram marcados a meias por Lo Coco e Buttita, todos de cabeça, sem que os companheiros de equipa se opusessem.
Equipa do Bagheria que marcou, propositadamente, oito auto-golos Fonte: livesicilia.it
O técnico da equipa vencedora, Ignazio Chianetta, confessou mesmo à comunicação social siciliana que o capitão do Bagheria lhe disse que preferia a qualificação do Borgata e não do Partinicaudace. A Federação Italiana de Futebol está já a investigar os contornos deste jogo e espera-se, a qualquer momento, uma decisão por parte do órgão máximo do calcio. Uma severa punição ao Bagheria e a qualificação do Partinicaudace, em detrimento do Bagheria, parecem ser as sanções mais óbvias para este triste e vergonhoso acontecimento para o futebol italiano.
Ora bem: dérbi adiado e o onze surpresa do Sporting foi inconsequente. Convém ter em mente que é um detalhe importante na abordagem de Jesus ao jogo de Terça. Não sei até que ponto é que a estratégia definida por Jardim iria surtir efeito, ou que efeito surtiria – tanto poderia anular a táctica de Jesus como o contrário. Não sei mas gostava de saber, e as condições climatéricas privaram-nos dessa conclusão. É pena. Penso que estavam reunidas condições para um jogo interessante. Não é que o de terça não o vá ser, simplesmente não terá o efeito surpresa pretendido, certamente, pelo técnico leonino.
Contudo, não foram só as condições climatéricas que influenciaram o adiamento do jogo. E, embora o Benfica ainda não controle o tempo, controla as suas instalações, ou deveria. Polémicas à parte relativamente à nocividade da suposta substância que choveu no relvado e nas bancadas da Luz, é inadmissível que um estádio que vai receber a final da presente edição da Liga dos Campeões esteja nestas condições.
No ano passado, além de lindíssimo, o Estádio da Luz tinha um tapete invejável e condições para suportar um jogo grande. Este ano, já não tenho tantas certezas. Primeiro, substituem o relvado numa de causar boa impressão à Europa do futebol e, azar dos azares, o relvado não pegou. A curtos meses da dita final, têm a maravilhosa decisão de alterar a fundo um relvado que nunca teve problemas de maior, ao contrário de outros clubes em Portugal, como o Sporting (prometo que não vos estou a atacar, foi mesmo o exemplo de que me lembrei), que sempre teve problemas com a relva. Com o tempo a apertar, a direcção do Benfica viu-se forçada a aplicar medidas drásticas, com um chamado “tratamento de choque” ao relvado miserável que possuía. Iríamos, portanto, ver se o tratamento tinha resultado e se não temos um batatal ao estilo do Gil Vicente para presentear os finalistas da liga milionária.
A lã de vidro foi a grande protagonista da noite Fonte: O Jogo
Imaginando que o relvado está em perfeitas condições, temos, agora, um estádio que cai aos bocados. Infelizmente não caíram só pedaços de lã de vidro (recordista de pesquisas no Google, no dia de hoje) mas também chapas de metal enormes, que poderiam ter ferido, ou pior, adeptos de ambas as equipas. Por muito ódio mesquinho, ou não mesquinho, que esta rivalidade acarrete, temos de pôr a mão na consciência e ter a noção de que, se não se tivesse evacuado o Estádio da Luz, poder-se-ia ter verificado uma tragédia enorme. E isso, para mim, é inconcebível. No entanto, há que louvar o discernimento das pessoas que tiveram que tomar a decisão de adiar o jogo, o que não é nada fácil de fazer com 60 mil pessoas (ou perto disso) dentro do recinto, com bilhete pago, algumas vindas de longe, à espera de ver o jogo. Ainda bem que o fizeram e ainda bem que não aconteceu nada de grave a nenhum dos presentes. Porque, por muito chateados que tenham ficado os mais que muitos adeptos que se deslocaram à Luz, penso que ficariam mais chateados se levassem com uma chapa de metal entre os olhos e a vista. Mas isto sou eu.
Há uma infinidade de questões a colocar sobre o sucedido hoje. Qual a razão que leva o estádio que recebeu a final do Euro 2004 e que receberá a final da Champions de 2014 a não suportar rajadas de vento que, embora fortes, não sejam dignas de tais incidentes? Qual a razão que levou as entidades responsáveis a só evacuar os adeptos do Sporting uma hora depois de todo o restante público? O que vai acontecer com quem não conseguir estar presente na terça-feira às 20h15? Entre outras perguntas a fazer, há uma certeza: naquelas condições o jogo não podia decorrer. As respostas que pretendo ver presentes através das minhas perguntas são relevantes mas acerca delas pouco teremos a fazer a não ser esperar. Se o jogo vai ser terça-feira, que assim seja.
Para hoje teríamos o extra de ver o Sporting disposto a algumas novidades. Leonardo Jardim optou por marcar a estreia de Heldon para a Luz e, quanto a mim mais importante, actuar com Slimani e Montero de início pela primeira vez. Os planos eram arrojados e transmitiam o desejo, que Jardim já tinha comunicado na conferência de imprensa há dias, de um Sporting forte desde início e sem medo do ambiente que encontrará na Luz. A verdade é que a equipa de Alvalade tem muito pouco a perder. Os objectivos delineados estão perfeitamente enquadrados naquilo que a equipa vem fazendo e qualquer que seja o resultado do jogo com o Benfica não irá alterar isso. Pelo que, a meu ver, a surpresa do treinador madeirense era justificável e bem calculada.
Montero está há alguns jogos sem conseguir marcar. Apesar do rendimento do avançado colombiano não se limitar à sua quantidade de golos, com Slimani as ocasiões de que ambos usufruem são bem maiores. Com Slimani em campo, Montero tem liberdade para descer no recinto e criar superioridades onde, até então, não existiam. Com boa capacidade de ter e distribuir a bola, Fredy Montero ajuda à fluidez do jogo ofensivo do Sporting tanto mais quanto conseguir participar… e isso só o fará se puder descer no terreno. A jogar sozinho, cria um buraco no centro de ataque que tem de ser colmatado. Se acompanhado por Slimani, o argelino cumpre (muito bem) essa função.
Slimani e Montero entrarão de início na terça-feira? Fonte: Record
No entanto, estas mexidas no 11 base que tem sido apresentado têm mais consequências. André Martins será colocado no flanco direito (ou esquerdo, caso Helson jogue na direita) e o centro do terreno será menos povoado. Sendo o adversário o Benfica, que joga com dois no meio (Fejsa e Enzo Perez), não se verifica uma inferioridade numérica no meio-campo que se verificaria com a maioria das restantes equipas do campeonato que jogam em 4x3x3. E porque as equipas vivem primeiro das características dos jogadores que actuam do que dos modelos impostos pelos seus treinadores, André Martins terá sempre tendência a procurar espaços centrais e deixar a sua ala aberta para possíveis subidas do lateral (Cédric será o principal responsável pela profundidade ofensiva do flanco direito).
Quais os aspectos negativos? Antes demais, a menor envolvência e rotinas que um sistema alternativo apresenta quando comparado com o principal. Depois, a menor capacidade de pressão e posicionamento defensivo de Montero que fará uma posição idêntica à de André Martins no processo defensivo, quando sem bola. Na direita poderá haver menos capacidade de desequilíbrio sem um extremo puro, embora Cédric seja um lateral perfeitamente capaz de gerar excelentes cruzamentos propícios ao jogo aéreo de Slimani. Os positivos? Para além da maior participação de Montero no jogo ofensivo, Slimani será um trunfo importante nas bolas paradas ofensivas e defensivas mas também na necessidade de ganhar as bolas divididas num jogo que se espera de bastante luta até pelas condições climatéricas que tudo aponta manter-se-ão complicadas.
Depois de medidas, as questões tácticas deixavam a antever um jogo distinto daquele que se esperava. Para terça, contudo, há uma outra questão fulcral: o efeito surpresa perdido, justifica alterações na equipa leonina? Leonardo Jardim não colocou Slimani e Montero apenas pela menor preparação de Jesus para esse cenário. Fê-lo porque acreditou que seria dessa forma que o Sporting mais facilmente poderia ganhar o jogo. Assim sendo, duvido que surja uma outra surpresa com alterações no desenho táctico em relação àquele que foi apresentado hoje. Não há lã que caia e faça mudar o jardim que Leonardo preparou para o Estádio da Luz.
Na Luz o jogo havia sido adiado, e por isso o FC Porto entrava em campo sem saber que dividendos vai tirar do dérbi lisboeta. Com (mais um) 11 inédito esta temporada, a equipa portista subiu ao relvado do Dragão com Abdoulaye a estrear-se como titular pelos azuis e brancos, substituindo o habitual titular Maicon. Fernando, que renovou contrato até 2017 esta semana, depois de ter estado duas partidas sem jogar, regressou ao 11, contando na linha média com a companhia de Herrera e Josué, para colmatar a ausência por lesão de Carlos Eduardo.
Contudo, e como em tantas outras ocasiões esta temporada, o FC Porto foi demasiado lento na primeira parte, e só algumas arrancadas de Ricardo Quaresma e Varela foram disfarçando a pálida exibição portista. O Paços de Ferreira, a atuar com Minhoca como falso ponta de lança, foi juntando bem as linhas, partindo para o contra ataque por uma dupla que foi colocando em sentido a defesa portista: Bebé e Del Valle.
O 0x0 ia permanecendo no marcador sem surpresas, perante tamanha falta de qualidade no jogo. Contudo, aos 41 minutos, Seri colocou a mão na bola na sequência de um pontapé de canto e Cosme Machado não teve dúvidas, e assinalou grande penalidade. Quaresma, na cobrança, não desperdiçou a oportunidade de colocar os portistas a ganharem por 1-0, bem perto do intervalo.
Quaresma marcou o primeiro golo do encontro Fonte: ZeroZero
Podia-se achar que o golo conseguido no final da primeira parte iria tranquilizar o FC Porto e catapultar a equipa de Paulo Fonseca para uma segunda parte mais bem conseguida. Foi pura ilusão de ótica. Os portistas baixaram muito a intensidade, e só a espaços iam conseguindo perigar a baliza de Matias Degra. O Paços de Ferreira ia subindo as linhas, mas sem grandes resultados práticos, e só algumas arrancadas de Bebé iam dando preocupação à defesa portista.
Num jogo lento, sem intensidade, o FC Porto ia vencendo levando a cabo uma pálida exibição, que lhe valeu um coro de assobios durante largos minutos, no segundo tempo. No banco, Paulo Fonseca lançava Quintero, por troca com um apagado Josué. Depois foi a vez de Licá e Ricardo serem lançados, e com resultados muito positivos. Aos 88′, após passe do ex-Estoril, Jackson Martinez fez o 2×0 para os portistas. Três minutos mais tarde, já em período de compensação, foi a vez de Ricardo fazer o golo, após defesa incompleta de Degra a remate de Licá.
O resultado foi gordo mas a exibição foi mais uma vez pálida. Sem ideias, criatividade e imaginação, o FC Porto conseguiu três pontos que o colocam provisoriamente no segundo lugar da tabela, a um ponto do Benfica. Resta-lhe agora esperar pelo dérbi.
O jogo entre Portugal e Espanha terminou com uma claríssima vitória espanhola, por 8-4. Portugal entrou em campo apático, a jogar um mau futsal, a defender mal e a não conseguir contrariar o elevado caudal ofensivo do adversário.
Aos sete minutos, a equipa portuguesa já estava a perder por 3-0, mostrando o fraco jogo efetuado. Portugal reagiu, chegando à diferença mínima (3-2), mas a avalanche ofensiva da seleção “roja” continuava a fazer estragos na baliza de João Benedito. O jogo foi para intervalo com a seleção das Quinas a perder por 6-2, resultado impressionante, que mostra bem as claras falhas defensivas nacionais e a boa finalização dos espanhóis.
No segundo tempo, os rapazes lusitanos melhoraram um pouco e conseguiram reduzir para 3-6. Jorge Braz, sem nada a perder, arriscou o 5 para 4, e Joel Queiroz ainda reduziu para 4-6. Contudo, a superioridade espanhola voltava a impor-se, e os “nuestros hermanos” marcaram mais dois golos, estabelecendo o resultado final em 8-4. Foi um jogo mal conseguido pelos nossos jogadores, um jogo em que Portugal defendeu mal, falhou algumas oportunidades de golo, ofereceu muito espaço ao adversário e, quando este é a tão poderosa Espanha, as oportunidades culminam em golos. De realçar as boas exibições de João Benedito, na primeira parte, e de Cristiano, na segunda, que fizeram belíssimas defesas.
Festejos dos espanhóis após mais 1 golo da sua selecção Fonte: Uefa.com
O jogo entre a Rússia e a Itália foi de altíssimo nível, tendo terminado numa justa vitória dos italianos por 3-1. Confesso que não estava à espera deste resultado, devido ao consistente Europeu que a Rússia estava a realizar, mas a Itália realizou um jogo soberbo.
Ao intervalo, a seleção transalpina vencia por 3-1, resultado que, até ao final da partida, não se alterou. Apresentou um jogo coeso, forte defensivamente, causando algumas oportunidades de golo, e o resultado poderia ter sido outro. A Itália controlou e anulou as investidas dos russos, que não estavam claramente nos seus melhores dias. Jogaram mal, de forma desorganizada e nervosa, mostrando uma faceta que, até então, não tinha estado visível.
Concluindo, a Itália foi uma justíssima campeã, devido ao regular Europeu que realizou.
Mammarella, guarda-redes de topo que ajudou e muito a Itália a conquistar o título de campeã da Europa em futsal Fonte: Uefa.com
Destacaram-se jogadores como Éder Lima, Ricardinho, Mammarella, Gabriel Lima, Sérgio Lozano e Fernandão.
Para mim, na seleção das Quinas, destacou-se o fora de série Ricardinho, o enorme guarda-redes João Benedito e os belíssimos pivôs Joel Queiroz e Cardinal.
Foi um Europeu de Futsal espetacular, com resultados surpreendentes, nomeadamente a derrota da Espanha com a Rússia, pondo assim fim à hegemonia espanhola. A derrota de Portugal diante da Espanha também foi algo surpreendente, devido à diferença no marcador e ao péssimo jogo realizado.
Este Europeu ajudou a conquistar, de certeza absoluta, mais adeptos para esta magnífica modalidade que é o futsal. De realçar a boa organização do mesmo e a péssima escolha da bola, devido ao contraste horrível que fazia com a quadra.
A 16 de Janeiro, já a janela de transferências desse mês ia a meio, Pinto da Costa concedeu uma entrevista ao Porto Canal. À data, apenas Ricardo Quaresma havia chegado e ninguém parecia destinado a abandonar o Dragão – o mercado de Inverno aparentava estar calmo. Na entrevista, o presidente do FC Porto garantiu que Lucho – “património” do clube – ficaria no plantel até ao final da época e assegurou que nenhum titular sairia por um valor inferior ao da cláusula de rescisão. Três semanas depois, Lucho é jogador do Al-Rayyan do Qatar e Otamendi transferiu-se para o Valência por 12 milhões de euros (mais 3 milhões, mediante a concretização de objectivos). Porém, neste hiato temporal muita coisa se passou. Vamos por partes.
Lucho González
A partida do capitão de equipa a meio da temporada nunca pode ser encarada como um acontecimento de somenos importância. Mais do que a inegável classe futebolística que Lucho transportava para o relvado, o FC Porto perdeu a invulgar capacidade de liderança daquele que justamente ganhou o epíteto de El Comandante. A ficar, Lucho seria sempre um jogador útil dentro de campo e fundamental no balneário. No entanto, tendo uma proposta milionária vinda do Médio Oriente em mãos, não poderia recusar este convite.
O próprio Lucho, já com 33 anos, estava ciente da perda de faculdades que já todos percepcionavam (pese embora o papel que Paulo Fonseca lhe concedeu durante a maior parte do tempo estivesse longe de potenciar as suas qualidades) e adiou a assinatura de um novo vínculo contratual com os dragões precisamente porque queria certificar-se de que estaria em condições físicas para continuar a competir ao mais alto nível.
É verdade que Pinto da Costa garantiu que não saía. Mas é igualmente verdade que, por tudo o que Lucho deu ao clube e por tudo aquilo que representa para o universo azul e branco, a direcção não podia levantar objecções à sua partida. Além disso, não acredito que a proposta do Al-Rayyan já tivesse chegado à torre das Antas no momento em que Pinto da Costa proferiu aquelas palavras.
Lucho González é um símbolo do FC Porto. Aos 33 anos, rumou ao Al-Rayyan, do Qatar. Fonte: Goal.com
Fernando/Mangala
Esta, sim, foi a grande “novela” do mercado. Como se sabe, Fernando terminava contrato com o FC Porto no final da época. Todavia, já tinha chegado a acordo com o clube para a renovação, de modo a permitir aos azuis e brancos lucrar com a sua transferência no Verão. No entanto, Fernando optou por não cumprir com a sua palavra e esteve mesmo com um pé fora do Dragão. Depois de ver o seu nome fortemente associado aos principais emblemas italianos e ingleses, acabou por ser mesmo o novo-rico Manchester City a chegar-se à frente com a proposta mais tentadora. Alegadamente, os citizens vieram ao Porto decididos a levar o luso-brasileiro… e Mangala. O internacional francês, também pretendido por meia Europa, decidiu ficar. Ou, pelo menos, foi obrigado a decidir nesse sentido. Ao que parece, os ingleses estavam na disposição de depositar nos cofres do Dragão mais de 50 milhões de euros para levar os dois futebolistas.
Gorada a transferência, continuou a insistir-se na não-renovação de Fernando e num pré-acordo do médio com o City. Havia já quem conspirasse que a lesão que o deixou de fora das últimas duas partidas era encenada e que Fernando só não jogava por não ter querido assinar novo contrato. Verdade ou não, o certo é que a renovação até 2017 já foi anunciada e o jogador já foi convocado para o encontro de amanhã, frente ao Paços de Ferreira. O risco de Fernando deixar de jogar era tremendo para a equipa e para ele próprio: a equipa perderia a pedra mais basilar do seu meio-campo (o único dos três titulares no final da época passada que ainda resiste); o jogador deitaria por terra qualquer aspiração a vestir a camisola do Brasil ou de Portugal no Mundial 2014. Acredito que Fernando vai continuar com a postura altamente profissional que tem apresentado desde o início da época dentro das quatro linhas. A certeza de que o “Polvo” está aí para ficar, pelo menos até ao final da época, é um alívio para qualquer adepto portista. Em relação a Mangala, se dúvidas houvesse quanto ao seu compromisso, a braçadeira envergada no último jogo tê-las-á dissipado.
Mangala e Fernando chegaram a ser dados como certos no City mas ficaram no Dragão. Fonte: fernandoregesfas.blogspot.com
Otamendi
Recusada a proposta assombrosa do Manchester City por Mangala, a direcção acabou por permitir a venda de Otamendi já em Janeiro, mesmo contando com a possibilidade de o defesa se valorizar no caso de vir a ser convocado para o Mundial. É certo que os 12/15 milhões de euros pagos pelo Valência estão muito longe dos 30 milhões em que se cifrava a sua cláusula de rescisão, mas haverá várias razões que justificam esta opção: primeiro, convinha ao FC Porto obter algum encaixe financeiro durante o mercado de Inverno; segundo, Otamendi estava, esta época, num nível uns furos abaixo daquele que já havia apresentado e começava a ser deixado de fora do onze por Paulo Fonseca com alguma regularidade; terceiro, a posição de defesa central é uma das poucas em que o FC Porto tem muitas e boas soluções; quarto, porque a estrutura terá entendido que seria importante dar definitivamente um espaço de afirmação a Reyes e Abdoulaye, que entretanto regressou do empréstimo ao Vitória de Guimarães para suprir a ausência de ‘Ota’.
A transferência só se consumou já muito próximo do fecho do mercado e, por isso, o Valência não conseguiu inscrever o argentino a tempo. Como consequência disso, Otamendi viu-se forçado a rumar à sua América do Sul para se manter em competição. O Atlético Mineiro de Ronaldinho Gaúcho, actual detentor da Libertadores, é o clube que o irá acolher até ao Mundial no Brasil – o grande objectivo da época para o atleta.
Otamendi aponta ao Mundial. Vai jogar no país anfitrião, pelo At. Mineiro, emprestado pelo Valência. Fonte: Record
Outros
Entretanto, houve mais algumas alterações nos quadros do FC Porto. Chegadas, só houve uma, por empréstimo: do médio ofensivo brasileiro Elias, de 17 anos, agenciado pela Traffic. Saídas, houve quatro: todas com razão de ser.
Um dos episódios mais caricatos da história recente do FC Porto – o desaparecimento de Izmailov – conheceu um novo desenvolvimento: no dia 31 de Janeiro foi oficializado o empréstimo ao FK Qäbälä, do Azerbaijão. O único efeito prático é mesmo “poupar uns trocos”, uma vez que o russo já não ia aos treinos há mais de quatro meses. Menos uma preocupação para os portistas.
O guarda-redes turco Sinan Bolat, contratado esta época a custo zero, foi emprestado ao Kayserispor, lanterna vermelha do campeonato do seu país natal, para procurar minutos de competição. Não faria sentido tê-lo no plantel sem espaço para jogar, sequer, pela equipa B.
O avançado francês Thibaut Vion, campeão do mundo de sub-20, rescindiu e regressou ao Metz depois de duas temporadas e meia entre os juniores e a equipa B dos dragões. Já o paraguaio Mauro Caballero foi emprestado ao Penafiel, que corre o risco de subir de divisão, para substituir Rafael Lopes na frente de ataque. Considerando a emergência de André Silva e Gonçalo Paciência na equipa B, parecem-me duas decisões sensatas. É preferível privilegiar os portugueses da formação.
Por definir está ainda situação de Jorge Fucile, que continua a pertencer ao FC Porto mas não treina com a equipa. A América do Sul e a Rússia são as únicas portas abertas para o jogador.
Izmailov disse adeus ao Dragão e rumou ao Azerbaijão Fonte: O Jogo
Em suma, depois de o FC Porto ter encontrado, desde cedo, o extremo que lhe faltava para reforçar a posição mais débil do plantel, Ricardo Quaresma (que me tem surpreendido pela positiva e dá a sensação de poder crescer ainda mais dentro da equipa), o FC Porto decidiu não comprar mais ninguém. Exigiam-se reforços para as laterais da defesa, considerando o afastamento de Fucile, mas Danilo e Alex Sandro continuam a ter nos jovens da equipa B e nos centrais titulares a única concorrência.
Por outro lado, os dragões acabaram por perder o seu capitão – um titularíssimo no meio-campo e uma voz de comando no balneário – e um central com muitos anos de casa, que ultimamente ia batalhando com Maicon por um lugar no onze-base (mas que, em boa forma, é incomparavelmente superior ao brasileiro, embora os dois tenham características distintas).
No que diz respeito à vaga deixada em aberto por Lucho González, espera-se que esta seja acerrimamente disputada pelos vários médios-centro que ficam, quase todos eles a necessitar de minutos de jogo e com fortes ambições de disputar o Mundial – Defour pela Bélgica, Herrera pelo México, Josué por Portugal e até Quintero pela Colômbia. Nenhum deles tem a maturidade de El Comandante, mas todos vão querer mostrar o que valem. Afinal, eles são as apostas para o rejuvenescimento acelerado do meio-campo portista e, juntamente com um “Polvo” com confiança e contrato renovados e com um Carlos Eduardo que recentemente surgiu em grande estilo, tentarão fazer esquecer o antigo camisola ‘3’ do FC Porto.
Em relação aos centrais, Maicon e Mangala deverão continuar a formar a dupla titular, mas há dois jovens com muitíssimo potencial preparados para ser lançados já esta época: Reyes já leva alguns meses em Portugal e terá, mais tarde ou mais cedo, de justificar o avultado investimento feito no seu passe e Abdoulaye Ba, um poço de força com qualidades fantásticas, já tem alguma experiência e está pronto a “explodir”. Na minha opinião, ambos constituem uma segunda linha de grande valor – presente e futuro – e dão segurança.
Estes dois negócios enfraqueceram o plantel, é certo, mas abriram espaço a novos talentos para emergirem, como (quase) sempre tem acontecido na história do FC Porto. Além disso, a manutenção de Fernando e Mangala, que a certa altura parecia difícil de conseguir, foi a melhor notícia que Paulo Fonseca poderia ter recebido. Os tri-campeões nacionais não têm, por isso, nada a temer e, com o fecho do mercado, possuem agora toda a tranquilidade para disputar as quatro competições em que estão envolvidos.