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Chelsea FC 1-2 Liverpool FC: Fórmula C de calcanhar manteve reds na pole position

Pouco mais de um mês após a Supertaça Europeia, disputada em Istambul e decidida nos penáltis, o Liverpool FC voltou a levar de vencida a equipa de Frank Lampard, desta feita por 1-2.

Alexander-Arnold, num disparo digno dos canhões utilizados pelo Exército Britânico na Primeira Grande Guerra, e Roberto Firmino, de cabeça, apontaram os golos do Liverpool na sequência de dois lances de bola parada em que os marcadores enganaram os opositores, tocando de calcanhar para o colega mais próximo.

O jogo de maior cartaz da sexta ronda representava a oportunidade de redenção para primeiro e sexto classificado da Premier League, que tinham saído derrotadas dos duelos europeus a meio da semana frente a Nápoles FC e Valencia, respetivamente.

Se do lado dos Reds Jürgen Klopp apenas fez entrar Wijnaldum para o lugar do polivalente Milner, Lampard ousou voltar ao figurino de quatro defesas, lançando Emerson e Kanté para os lugares que haviam sido ocupados por Zouma e Marcos Alonso na primeira ronda da fase de grupos da Liga Milionária.

A estratégia do antigo internacional inglês e histórico capitão da formação londrina começou a ruir logo à passagem do quarto de hora, quando, de uma assentada, viu Fabinho galgar metros desde o meio-campo e ganhar a falta que viria a originar o primeiro golo do jogo; ao mesmo tempo, Emerson saía por lesão, obrigando à entrada de Alonso para o corredor esquerdo dos blues.

Com Salah em dia não, era a pressão da formação encarnada a figura coletiva da partida. Do lado contrário, pelas dificuldades em sair a jogar desde Kepa, era recorrente ver a bola batida desde trás na procura das dreadlocks de Abraham, ainda que sem efeito, dada a marcação impiedosa de Matip e Van Dijk ao avançado inglês.

Às tentativas de explorar a profundidade por parte do Chelsea, o Liverpool respondia com combinações rápidas na frente de ataque, por onde todas as jogadas passavam pelas sapatilhas de veludo de Firmino, que tem o dom de conseguir ver tudo antes dos restantes.

Com o domínio do jogo mais repartido, assistiu-se ao esboço da reação londrina ao golo sofrido: bola lançada por Christensen para Abraham que, isolado, não conseguiu desfeitear Adrián. À demora no controlo à profundidade, o substituto de Alisson respondeu com uma enorme defesa que evitou o empate.

Até que à meia hora, uma espécie de déjà vu invadiu o relvado: bola parada ofensiva para o Liverpool, que voltou a chamar dois homens para a cobrança e, uma vez mais, toque de calcanhar para o lado, culminando no cruzamento de Robertson para a cabeça de Firmino.

Os setores da equipa de Frank Lampard, cada vez mais separados, dificultavam uma posse de bola com qualidade, tornando aborrecido e previsível o seu futebol, parecendo cada vez improvável uma remontada.

Até ao intervalo, nota para mais uma saída forçada, desta feita de Christensen, que deu lugar a Zouma.
Fonte: Chelsea FC

O segundo tempo iniciou-se sob a toada da primeira, com o Liverpool mais afoito, e quase chegou ao terceiro golo numa jogada em que Kepa protagoniza uma das defesas da jornada.

No entanto, N’Golo Kanté (quem mais?) fez questão de lembrar a velha máximo do “quem não marca,sofre” e, sensivelmente a meio do segundo tempo, arrancou do corredor lateral para o meio, deambulou entre a defensiva contrária e, de pé direito, atirou colocado para o golo que poria fim à aparente tranquilidade dos visitantes.

Até final, apesar de uma boa oportunidade desperdiçada pelo recém-entrado Batshuayi para o lugar de Abraham e de muita vontade traduzida em cruzamentos, o campeão europeu segurou a margem mínima e levou os três pontos para Anfield, depois de uma exibição suada, mas longe de ser brilhante.

Com esta vitória, Klopp torna-se o primeiro treinador dos Reds a vencer três jogos em Stamford Bridge e o Liverpool segue isolado na liderança do campeonato, com seis vitórias em outros tantos jogos.

Já o Chelsea, apesar de ter mantido a tradição de marcar frente ao rival de Liverpool (20 vezes em 21 jogos), caiu para a 11.ª posição.

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Chelsea FC: Kepa, Azpilicueta, Christensen (Zouma 42’), Tomori, Emerson (Alonso 14’), Kanté, Jorginho, Kovacic, Willian, Mount e Abraham (Batshuayi 77’).

Liverpool FC: Adrian, Alexander-Arnold, Matip, Van Dijk, Robertson, Fabinho, Wijnaldum, Henderson (Lallana 84’), Mané (Milner 71’), Salah (Gomez 92’) e Firmino.

GP Aragão: Masterclass de Márquez, e Oliveira de regresso aos pontos!

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Um novo fim de semana, uma nova corrida e mais do mesmo… Masterclass de Márquez no circuito de Aragão. Mas desta vez, não foi o espanhol a animar a corrida já que impôs o seu ritmo desde o início e nenhum dos seus rivais diretos teve armas para cheirar o pneu da Honda.

Se Márquez tornou este grande prémio aborrecido, Miller, Viñales e Dovizioso deram a animação a uma prova que parecia não ter encanto. Os três pilotos lutaram até ao final por um lugar no pódio, já que Márquez era rei.

O piloto espanhol da Honda começou o seu domínio logo nos primeiros minutos da prova, seguido de Miller e Quartararo que pareciam não ter almas para chegar a ameaçar o posto de Márquez.

A luta pelo pódio ficou intensa quando apareceu Viñales a tentar roubar a posição a Miller, depois de ter ultrapassado Fabio Quartararo. Miller parecia não ter andamento para Viñales que chegou facilmente à segunda posição da prova, enquanto Márquez continuava imparável.

Se a prova estava animada nesta fase, Dovizioso aparecia para aquecer ainda mais a competição. O homem da Ducati estava decidido a lutar por um lugar no pódio e o seu ritmo era bastante superior  ao de Quartararo e também de Miller.

A poucas voltas do fim, Márquez tinha quase seis segundos de vantagem sobre o segundo classificado e Dovizioso já era terceiro, depois de ter ultrapassado Miller. E prometia animar uma prova que tinha tudo para se tornar aborrecida, já que Márquez continuava isolado e sem oposição direta.

Miller e Dovizioso fizeram companhia a Márquez no pódio
Fonte: MotoGP

Dovizioso tinha partido da décima posição, e a três voltas do final conseguia alcançar o segundo lugar, depois de ter ultrapassado Viñales na reta da meta onde a velocidade de ponta da Ducati é imbatível… O espanhol da Yamaha via o terceiro lugar a fugir depois de ter sido ultrapassado por Miller.

Márquez acabou por ser rei e senhor no circuito de Aragão, terminando a corrida com quase cinco segundos de vantagem sobre Dovizioso. Miller acabou a fechar o pódio numa prova em que o espanhol da Honda voltou a dar mais um passo rumo à conquista do título mundial.

O Falcão de Almada voltou a voar e regressou aos pontos!
Fonte: KTM Tech3

Já Miguel Oliveira teve um excelente arranque, e lutou pela décima posição com Andrea Iannone, mas não foi além do décimo terceiro lugar. No entanto, não nos podemos esquecer que o Falcão de Almada sofreu uma queda no passado fim de semana e hoje conseguiu mais um excelente resultado e conseguindo pontos preciosos que o fizeram subir duas posições na classificação geral do mundial. É agora 16.º com 29 pontos. Nada mau para a primeira época na classe rainha.

Fonte: MotoGP

As últimas 5 participações do FC Porto na Liga Europa

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O FC Porto teve esta semana o seu primeiro encontro a contar para a Liga Europa frente ao Young Boys, tendo acabado por vencer os suíços por 2-1. O último jogo do emblema azul e branco na segunda prova mais importante da europa data da época 2015/2016, contra o Borussia Dortmund, num embate dos oitavos de final da mesma. Nessa altura, sob o comando de José Peseiro, o FC Porto saía das competições europeias com duas derrotas por 2-0, no Signal Iduna Park e por 0-1, no Estádio do Dragão.

Contudo, se recuarmos atrás no tempo e pensarmos na última vez que o clube presidido por Jorge Nuno Pinto da Costa participou na fase de grupos da Liga Europa, rapidamente percebemos que os dragões saíram vencedores dessa edição. Em 2010/2011, Villas Boas trouxe novamente o espírito de conquista de títulos europeus que os adeptos já não sentiam desde o ano de 2004. O FC Porto tem feito boas campanhas na Liga Europa nos últimos anos e nesta temporada não será diferente, certamente. O Bola na Rede ativou a máquina do tempo e vai relembrar aquilo que aconteceu nas últimas cinco presenças do FC Porto na Liga Europa.

Campeonatos do Mundo de Ciclismo de Estrada – Mixed Relay TTT: Campeões previsíveis e surpresa caseira

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Depois de uma relativamente curta existência, os Campeonatos do Mundo de Contrarrelógio coletivo por equipas de marca chegaram ao fim e foram substituídos por um evento por seleções e em estafeta com parte masculina e feminina.

Diga-se que as reações a esta mudança foram mistas, mas a maioria mostrou-se contra, preferindo quando os eventos eram disputados pelas equipas de marca. As regras também são diferentes do habitual e o evento fica desde logo marcado pelas poucas seleções presentes e por situações questionáveis como a vontade de certos atletas de participar no evento para poderem competir em equipa com o seu par amoroso.

As primeiras quatro seleções a partir para a estrada mostraram-se de forma bem diferente. A equipa multinacional do Centro Mundial de Ciclismo ganhou experiência, mas nunca pareceu capaz de um bom resultado. A Espanha mostrou-se sólida no lado feminino, mas completamente dependente de Castroviejo num exercício masculino em que foi gigante a diferença de qualidade entre os três ciclistas presentes. A Bélgica foi razoável nas duas voltas, mas sem brilhar. O mesmo não pode ser dito do Reino Unido. Aproveitando ciclistas fortes na pista num percurso em que cada volta era relativamente curta, os ciclistas da casa dominaram de longe a primeira ronda e passaram a estar na frente com uma vantagem sólida.

Com Tratnik e Pogacar, a Eslovénia abriu a segunda vaga de equipas minimizando as perdas, mas o trio feminino, todo da BTC Ljubljana, não conseguiu estar à altura e acabou por ceder bastante tempo. A Suíça também esteve perto no lado masculino (numa estratégia de pistards semelhante à britânica) e o trio liderado por Marlen Reuser preparava-se para fazer ainda melhor e passar a liderar a corrida quando um furo para Chabbey deitou tudo a perder e ditou uma derrota desapontante.

Já a França, nunca pareceu perto das melhores provisórias e acabou por terminar com um tempo semelhante ao suíço. A Dinamarca, oitava equipa na estrada, esteve sem grande brilhantismo na primeira volta e viu a segunda volta também prejudicada por um problema mecânico de Leth, terminando bastante longe da frente.
Harry Tanfield liderou o Reino Unido para um surpreendente bronze
Fonte: Yorkshire 2019
Finalmente, saíram as três principais candidatas: Itália, Alemanha e Países Baixos.

O sprinter Viviani, o contrarrelogista Affini e o versátil Martinelli comandaram a primeira parte italiana e deixaram a quadra azzurra em boa posição, dando a Cecchini, Guderzo e Longo Borghini apenas um par de segundos para recuperar face às britânicas. As italianas estavam a caminho da prata quando a mais forte das três, Elisa Longo Borghini, teve um furo e perseguiu a solo e de forma incrível a tentar recuperar contacto com as colegas, que iam perdendo segundos face às britânicas e arriscavam-se a perder a medalha. Finalmente, Cecchini e Guderzo esperaram por Borghini, mas tarde demais e nem um esforço incrível da leoa italiana evitou uma derrota surpreendente.

Para a Alemanha, Pollit, Martin e Sutterlin formavam o mais formidável conjunto em prova do lado masculino, mas desiludiram bastante e perderam vários segundos para as restantes equipas. O trio feminino de Kroger, Brennauer e Klein não se deixou abater por isso e fez uma corrida muito solida, garantindo a prata.

Últimos na estrada, os Países Baixos contavam com Mollema, Bouwman e van Emden para deixarem as mulheres em posição de atacar a vitória, mas o trio fez ainda melhor e a meio da corrida os laranjinhas já lideravam por mais de duas dezenas de segundos. Brand, Markus e Pieters também não facilitaram e confirmaram a previsível subida ao lugar mais alto do podium para os Países Baixos.

Como nota final, resta dizer que foi um evento interessante de acompanhar, mas que ficará sempre a perder pela tão parca participação, quer em número de seleções representadas, como na qualidade dos ciclistas presentes.
  1. Países Baixos (van Emden, Mollema, Bouwman, Brand, Markus, Pieters) 38:27
  2. Alemanha (Martin, Pollit, Sutterlin, Kroger, Brennauer, Klein) +0:23
  3. Reino Unido (Dolan, Henderson, Lowden, Tanfield, Bigham, Archibald) +0:51

 

Foto de Capa: UCI

Mundiais de Atletismo – Guia para Doha 2019 #1: Armada portuguesa pelo Qatar

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De 27 de Setembro a 6 de Outubro, a cidade de Doha, a capital do Qatar, recebe a 17.ª edição dos Campeonatos do Mundo de Atletismo.

A estranha escolha da cidade organizadora levanta dúvidas em várias áreas – números de espectadores, respeito de direitos humanos, condições climatéricas – mas muitos são os que acreditam que a nível de performances estes poderão ser campeonatos verdadeiramente especiais.

Os primeiros campeonatos sem Usain Bolt, são campeonatos que, felizmente, estão recheados de estrelas em várias disciplinas, seja na velocidade, na meia/longa distância, na estrada, nas barreiras, nos obstáculos, nos saltos ou nos lançamentos. Nos últimos anos, grandes promessas a nível mundial despontaram e estes serão os primeiros grandes campeonatos para muitos deles, que terão uma grande montra para mostrar o seu valor e derrotar alguns dos nomes mais consagrados do nosso desporto.

Com várias inovações a serem introduzidas – estádio com ar condicionado; provas de estrada à noite/madrugada; recursos tecnológicos de ponta; patrocínios no equipamento nacional; provas mistas – o Atletismo parece entrar numa nova era e nós estaremos lá para vivenciar tudo! Numa parceria com o Planeta do Atletismo, iremos tentar trazer um pouco do calor do Qatar, com análises e artigos diários (ou sempre que se justifique), procurando focarmo-nos tanto nas prestações nacionais, quanto nos destaques internacionais, num tipo de cobertura pouco vista a nível nacional.

Falando de Portugal, relembramos que são 15 os atletas que levamos ao Qatar, com diferentes expectativas, os quais também introduzimos neste especial.

Este “Guia para Doha 2019” vai estar dividido em dois artigos onde iremos falar, em primeiro lugar, sobre toda a comitiva portuguesa que vai representar o país em Doha e, por fim, teremos uma perspetiva para todas as provas deste Mundial.

Antevisão de uma futura chicotada

O CD Aves atravessa uma situação complicada neste início de campeonato. Com uma vitória e cinco derrotas nas seis primeiras jornadas, o treinador Augusto Inácio está debaixo de fogo, sendo que a comunicação social chegou mesmo a avançar a sua saída na semana passada. Na verdade, caso a sua saída se venha a confirmar brevemente, trata-se de mais uma chicotada psicológica patética neste campeonato.

Augusto Inácio chegou ao CD Aves em janeiro de 2019, substituindo José Mota. Na altura, a equipa estava aflita na luta pela manutenção e com o Inácio ao leme, a equipa da Vila das Aves teve uma recuperação notável na segunda volta do campeonato, terminando o campeonato de forma tranquila.

No entanto, o clube sofreu uma revolução no plantel neste mercado, no qual o guarda-redes Bernardeau e o médio Cláudio Falcão foram os únicos habituais titulares a permanecer no plantel. E a equipa perdeu jogadores que eram fundamentais no sistema táctico de 3-5-2 montado por Augusto Inácio, tais como Rodrigo Soates, Victor Costa, Mama Baldé, Luquinhas e Derley.

O iraniano Mohammadi tem sido o principal destaque da equipa
Fonte: CD Aves

Ao todo, foram 19 os jogadores que reforçaram o plantel neste Verão, sendo que é de salientar que entre todos estes jogadores, para além de alguns portugueses e brasileiros, chegaram ainda três jogadores franceses, um croata, um bósnio, um polaco, um iraniano e um egípcio. Todas estas mudanças no plantel fazem com que seja necessário tempo para integrar estes jogadores e criar novas rotinas. E este processo é ainda mais complicado quando o plantel tem jogadores com várias nacionalidades diferentes devido à barreira linguística.

Apesar dos maus resultados no campeonato, bem como a eliminação da Taça da Liga pela mão do Gil Vicente FC, têm havido algumas individualidades a sobressair na equipa do concelho de Santo Tirso, tais como Enzo Zidane, Welinton Júnior e principalmente, o iraniano Mehrdad Mohammadi.

A meu entender, a forma como estas individualidades têm sobressaído, bem como a recuperação como a equipa teve na segunda metade da época passada dão crédito a Augusto Inácio para ainda continuar no comando técnico da equipa. É preciso dar tempo, mas também é preciso mostrar progressos nas próximas semanas de modo a conseguir convencer a SAD do CD Aves.

Foto de Capa: CD Aves

artigo revisto por: Ana Ferreira

Os estádios sentem falta do público

A Liga Portuguesa é normalmente vista como pouco competitiva, com jogos de baixa qualidade e em que apenas três (mais recentemente duas) equipas costumam lutar pelo título. Devo dizer que, sobre esta última questão, até nem somos dos piores países, visto que existem vários campeonatos com clubes bem mais hegemónicos. Mas esta nem é a principal questão em torno da pouca afluência nos estádios nacionais.

A questão passa muito, mas não só, pela qualidade insuficiente de grande parte das partidas, muitas vezes disputadas num ritmo baixo em que as equipas se limitam a lutar pelo ‘’pontinho’’ e lhes falta uma certa dose de ambição. Nas partidas entre os clubes que lutam pelo título e os restantes, por todas as diferenças existentes, a falta de competitividade já é conhecida, com as surpresas a acontecerem apenas a espaços.

Em condições normais, os jogos dos grandes costumam levar um grande número de público aos recintos, quer joguem fora ou em casa, mas o problema está nos restantes jogos, em que muitas vezes se nota uma clara ausência de interessados nas bancadas e isso tem-se refletido na quebra da média de espetadores nos recintos portugueses – a isto voltarei mais adiante.

Por outro lado, se percorrermos os programas televisivos de opinião pública, observarmos as opiniões dos adeptos em redor dos estádios e, ainda pior, se recorrermos às famosas redes sociais, percebe-se que o pensamento geral do adepto de futebol português é a de que existem interesses por detrás do jogo e muito na base de que ‘’isto está tudo feito’’. Isto é, estamos viciados em polémicas e concentrados em encontrar situações externas para justificar um eventual insucesso. Existem vários fatores que podem ajudar a explicar este processo de habituação que atinge até quem não segue tanto a modalidade. Mas a verdade é que o clima de suspeição é algo permanente em Portugal e já vem fazendo parte do nosso ADN.

E aqui pode estar uma das principais razões pela qual se vê pouca gente nos estádios: a índole cultural. Se aliarmos a isto o facto de uma grande parte das pessoas torcer por apenas um dos grandes, pode ajudar a complementar a explicação. Porque, se é verdade que os jogos da tarde são normalmente entre equipas da parte baixa ou média da tabela, também é verdade que se têm visto bastantes cadeiras vazias nestes mesmos jogos, quando o horário é o mais apelativo. E quando vemos jogos por essa Europa fora, a falta de pessoas nos estádios não é tanta como aqui, daí estarmos atrás de ligas que gostamos de dizer que são inferiores à nossa como a holandesa, a belga ou a escocesa, na taxa de ocupação dos estádios. É particularmente triste e preocupante quando, através da televisão, se assiste a uma partida em que se ouvem mais os intervenientes dentro do campo do que os intervenientes nas bancadas – e isso acontece numa Primeira Liga portuguesa.

O FC Famalicão tem atraído muita gente aos estádios devido ao grande início de época
Fonte: FC Famalicão

Voltando à questão dos horários, que é um dos assuntos mais abordados recentemente e tem causado grande insatisfação junto das massas associativas, verifica-se que há jogos a começarem mais tarde esta época, uma vez que, até à quarta jornada, existiram mais cinco jogos que iniciaram a partir ou depois das 21h, em comparação com igual período da época passada. Aqui, como se sabe, entram as questões relacionadas com as operadoras de televisão. Ora, este fator pode também estar relacionado com a diminuição do número de interessados em ir ‘’à bola’’, em comparação com a temporada anterior.

Pois os números, esses, são claros: tanto a média de espetadores presentes nos estádios como a taxa de ocupação registaram uma quebra. Disputadas as primeiras quatro jornadas da Primeira Liga deste ano, registou-se uma média de 12.929 espectadores no estádio por partida. Em igual período da temporada anterior, registou-se uma média de 13.894 pessoas por encontro. E a isto, podemos juntar o facto de o FC Famalicão, um dos recém-promovidos, ser atualmente a segunda melhor equipa da Liga em termos de taxa média de ocupação – superior a 90% – após duas partidas realizadas em casa. E ainda não defrontou nenhum dos grandes.

O que também é sabido, é que a probabilidade de haver recintos melhor compostos em termos de público verifica-se no período do verão, sendo que, daqui para a frente a tendência é que os números baixem. Num país em que a altura e o horário dos jogos, assim como o momento da equipa contam e muito para a maior ou menor adesão de adeptos nos estádios, as bancadas vão sentindo falta de quem as preencha.

Para uma nação que é campeã europeia de seleções e está próxima de alcançar o sexto lugar no ranking UEFA, tudo isto dá que pensar.

Foto de capa: Liga Portugal

artigo revisto por: Ana Ferreira

Taça da Liga | Não há duas sem três

Com a realização do sorteio da fase de grupos da Taça da Liga, o Sporting CP ficou a conhecer os seus adversários, na prova em que tenta revalidar um título que conquistou na época passada. O clube leonino ficou, à partida, com o grupo mais difícil, uma vez que ficou no grupo C onde vai defrontar equipas que prepararam muito bem o seu início da época, além de possuírem bons treinadores e plantéis de nível elevado, em comparação com a média do nosso campeonato. Essas equipas são o Rio Ave FC, o Portimonense SC e o Gil Vicente FC.

Começando pelo Rio Ave, o clube de Vila do Conde ocupa o oitavo lugar na liga portuguesa. Como destaque tem a vitória fora frente ao Sporting, num jogo polémico onde existiram três penaltis para a turma vila-condense. Mas polémicas à parte, está a fazer um arranque razoável com duas vitórias, duas derrotas e um empate. Esta equipa possui ainda um bom plantel que certamente irá causar muitas dificuldades à equipa leonina, sendo que o seu atual treinador é Carlos Carvalhal, um treinador bem conhecido do futebol português.

Para o campeonato, o Rio Ave FC gelou as bancadas de Alvalade e ficou com os três pontos
Fonte: Liga Portugal

Falando agora do recém-promovido Gil Vicente, a equipa orientada pelo mítico treinador Vítor Oliveira, sobremaneira conhecido por ter subido várias equipas do segundo escalão para o primeiro. Nos últimos anos tem-se aventurado na divisão principal, com uma recente passagem pelo Portimonense e agora no Gil Vicente. No arranque da liga, a equipa de Barcelos arrancou uma vitória ao FC Porto por 2-1, além disso conseguiu dois empates e duas derrotas, o que para uma equipa acabada de subir de divisão é bastante positivo.

Por último, a equipa do Portimonense é uma equipa recheada de qualidade individual, contudo ainda não conseguiu refletir o seu potencial na tabela classificativa. Tem sido habitual terminar as temporadas sempre bem acima da linha de água, mas também sem conseguir disputar os lugares europeus. Com António Folha a gerir o rumo da equipa, ocupam atualmente a décima quarta posição da liga, com uma vitória, um empate e três derrotas, mas acredito que consigam criar muitas dificuldades ao Sporting.

O sorteio dos grupos da Taça da Liga ditou o seguinte emparelhamento: o Grupo A é composto por SC Braga, CS Marítimo, FC Paços de Ferreira e FC Penafiel. Já o grupo B é composto por SL Benfica, Vitória SC, Vitória FC e SC Covilhã. No grupo D ficou o FC Porto, o CD Santa Clara, o GD Chaves e o Casa Pia AC.

Foto de Capa: Liga Portugal

artigo revisto por: Ana Ferreira

Moreirense FC 1-2 SL Benfica: Reviravolta em jogo pouco encarnado

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O Sport Lisboa e Benfica deslocou-se a Moreira de Cónegos para retomar o rumo das vitórias após o desaire Europeu contra os alemães do RB Leipzig. Já o Moreirense Futebol Clube procurava reagir à derrota nos Açores e manter o seu registo de zero golos sofridos no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas.

Vítor Campelos apostou num 4-3-3 puro com três médios a preencher o espaço central do terreno, um ponta de lança a aparecer mais junto aos centrais adversários e dois extremos bem abertos na linha. Já Bruno Lage voltou à sua equipa habitual, retomando André Almeida na lateral direita e o quarteto ofensivo constituído por Pizzi, Rafa, Raúl de Tomás e Seferovic.

Eram 20h30 quando Artur Soares Dias apitou para o começo do jogo e cinco minutos depois já Vítor Campelos tinha o primeiro contratempo: lesão de Djavan que o obrigou a lançar o destro D’Alberto na lateral esquerda.

O arranque do jogo ficou marcado por uma grande luta pela posse de bola. Tanto Moreirense FC como Benfica tentaram ganhar ascendente na partida mas sem muita clarividência. Foi necessário esperar 20 minutos para ver os jogadores encarnados conseguirem controlar a bola junto ao relvado e progredirem em apoios até à área adversária. Até então foi uma sequência insípida de passes longos para os avançados. Assim que os visitantes conseguiram colocar a bola junto ao relvado surgiram as oportunidades de golo e esse foi o período de melhor qualidade do SL Benfica. Não só a equipa tratou melhor a bola como mostrou maior capacidade de pressionar a defensiva adversária recuperando. Infelizmente só durou 10/15 minutos.

Contudo, rapidamente os cónegos conseguiram fechar os espaços defensivos, preencher o meio-campo, ganhar as bolas divididas e lançar ataques rápidos pelas alas – principalmente pela ala direita explorando o constante desposicionamento defensivo de Grimaldo.

O jogo foi para o intervalo sem muita história. O Moreirense não mostrava grande capacidade de chegar à baliza de Vlachodimos e o Benfica não mostrava inspiração criativa para causar desconfortos na equipa da casa.

A segunda parte arrancou praticamente com o golo do Moreirense Futebol Clube. Numa jogada de insistência a bola acabou cruzada na esquerda por D’Alberto chegando ao isolado Luther Singh que não desperdiçou e fez o 1-0.

Com praticamente 45 minutos por disputar esperava-se uma reacção por parte do Sport Lisboa e Benfica mas tal não aconteceu.

A equipa de Bruno Lage continuou com grandes dificuldades em ter bola, em construir jogo e em chegar com perigo à baliza de Pasinato.

Com o avançar do relógio os treinadores foram mexendo no jogo com as suas substituições. Vítor Campelos refrescou as peças do ataque de forma a evitar um ascendente no relvado por parte do adversário. Já Bruno Lage tentou ganhar mais presença na zona de construção central ao colocar o Gedson no lugar do Fejsa – resultou mas sem grande impacto. Tentou meter mais velocidade nas alas com a entrada do Caio mas foi um total desastre.

Fonte: SL Benfica

A verdade é que até ao minuto 85′ o Sport Lisboa e Benfica não mostrou qualquer capacidade de criar oportunidades para sequer empatar o jogo. Contudo, aos 85 minutos um cruzamento de Rúben Dias acabou por chegar a Rafa que isolado e de cabeça não desperdiçou a oportunidade para empatar. Os jogadores do Moreirense FC não conseguiram reagir a este “balde de água fria” e com o reforço ofensivo encarnado com Jota, acabou por surgir outro cruzamento que desta vez encostou Seferovic que finalizou de forma exemplar.

E assim o Sport Lisboa e Benfica conquistou mais três pontos no campeonato. O resultado não se pode considerar justo. Os encarnados não jogaram para vencer e os cónegos jogaram mais que o suficiente para não perder.

Este jogo, apesar da vitória, confirma o momento menos bom que passa o jogo da equipa de Bruno Lage. Mais uma vez esta dupla de ataque mostrou-se insuficiente para as necessidades do jogo colectivo da equipa. Uma equipa talhada para jogar pelo centro do terreno não tem quem preencha esse espaço com criatividade e qualidade de passe. Toda a organização do jogo começa a recair no marroquino Taarabt. Com esta incapacidade vemos a equipa a insistir na procura da profundidade, queimando os metros do relvado com bolas pelo ar e cruzamentos sem grande sentido.

Um bom jogo do Moreirense FC. Um jogo fraco do SL Benfica. Uma vitória que deverá servir de lição para os jogos que aí vêm.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Moreirense FC – M. Pasinato, J. Aurélio, S. Vitória, I. Santos, Djavan (D’Alberto, 7′), F. Pacheco, F. Soares, A. Soares, Bilel, L. Singh (L. Machado, 76′), Nene (F. Abreu, 84′).

SL Benfica – Vlachodimos, A. Almeida (Jota, 88′), R. Dias, Ferro, Grimaldo, Fejsa (Gedson, 66′), Taarabt, Pizzi (Caio, 78′), Rafa, Raul de Tomas e Seferovic.

Sporting CP 32-24 HT Tatran Presov: Exibição de gala pautada ao som de Thierry Anti

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O Sporting CP teve hoje pela frente o HT Tatran Presov em jogo a contar para a segunda jornada da EHF Champions League (Liga dos Campeões de Andebol). Os leões, que na primeira jornada venceram o Eurofarm Rabotnik, faziam assim a sua estreia caseira nas competições europeias na presente temporada. O Presov era um adversário bem conhecido do Sporting.

As equipas defrontaram-se na época passada também nesta fase da competição. Na altura, uma vitória para cada lado, sendo que os eslovacos triunfaram no pavilhão João Rocha e o Sporting CP venceu na Eslováquia. Estavam assim reunidas as condições para um grande encontro entre dois dos principais candidatos a passar esta fase de grupos.

PRIMEIRA PARTE EQUILIBRADA FAZIA ANTEVÊR JOGO DÍFICIL

O jogo começou bastante equilibrado com as equipas a serem eficazes nos seus processos ofensivos. O Presov até começou por liderar, mas nunca por mais de dois golos. O Sporting CP estava com algumas dificuldades para travar o ataque eslovaco. Do que já vamos conhecendo de Thierry Anti, o treinador francês não haveria de estar satisfeito com a prestação defensiva da sua equipa. No entanto, e com o decorrer dos minutos, os leões foram-se adaptando e anulando as armas da equipa Eslovaca. Ao cabo de 11 minutos, e após um golo de belo efeito por Frankis Carol, o Sporting CP passava pela primeira vez para a frente do marcador.

Nos segundos quinze minutos da primeira parte, a equipa de Alvalade foi desperdiçando algumas oportunidades para alargar a vantagem e isso ia permitindo que o Presov se mantivesse dentro do jogo. Contudo, quando faltavam apenas dois minutos para o término do primeiro tempo, os leões conseguiram dilatar a vantagem para três golos. Ao intervalo, o resultado era de 17-14 favorável ao Sporting CP.

Uma primeira parte bastante equilibrada, mas em que na reta final o Sporting CP conseguiu uma vantagem de três golos
Fonte: EHF Champions League.

UM SEGUNDO TEMPO QUE É UMA AUTÊNTICA MASTERCLASS

Apesar da vantagem de três golos, foi uma primeira parte bastante equilibrada e em que os leões até estiveram grande parte do tempo em desvantagem. Talvez por isso, os comandados de Anti entraram tão fortes para os restantes 30 minutos. Estavam decorridos apenas cinco minutos e os leões sofreram apenas um golo e marcaram cinco, ou seja, a vantagem era agora de sete golos. A forte agressividade defensiva, que já é característica deste Sporting CP, aliada a uma tremenda eficácia no ataque explicava esta vantagem. Perante este cenário, Slavko Goluža, treinador do Tatran Presov, foi obrigado a parar o jogo.

A verdade é que este início dos leões pareceu ditar o destino do encontro. Os eslovacos nunca mais se conseguiram encontrar e o Sporting CP limitou-se a gerir a vantagem. Não me querendo repetir, a excelência do processo defensivo leonino vai, certamente, valer a esta equipa bastantes vitórias na temporada de 2019/2020. Contudo, e numa clara melhoria relativamente aos jogos anteriores, o processo ofensivo da equipa de Alvalade apresentou hoje bastantes melhorias. Uma maior clarividência e eficácia no momento da decisão traduziram-se num total de 32 golos com 63% de eficácia no ataque e 67% no remate.

O trabalho de Thierry Anti está à vista de todos e a sua equipa só soma vitórias nesta temporada
Fonte: EHF Champions League

Queria ainda destacar alguns elementos da equipa leonina: Luís Frade e Frankis Carol. Estes dois jogadores dão o seu contributo tanto no ataque como na defesa e contribuem decisivamente para o sucesso desta equipa. Nenhuma equipa deve depender totalmente de qualquer jogador, e não penso que seja o caso, mas Frade e Carol são peças fundamentais na estratégia de Thierry Anti.

O jogo haveria de terminar com uma vitória do Sporting CP por 32-24. Uma exibição, sobretudo na segunda parte, quase perfeita que valeu um importante triunfo frente ao Tatran Presov. A diferença de golos alcançada (8) pode vir a revelar-se decisiva quando for tempo de fazer contas.

Quando a exibição coletiva é deste nível, fica difícil destacar algum jogador individualmente, mas Aljosa Cudic, Luís Frade (4 golos) e Frankis Carol (5) merecem uma menção honrosa. Por outro lado, quem parece não estar num grande momento de forma é Tiago Rocha. Hoje, tal como noutros encontros, o internacional português voltou a não estar bem e parece estar claramente atrás de Luís Frade na hierarquia.

O Sporting CP volta a entrar em campo no dia 26 de setembro (quinta-feira) pelas 18:00 frente aos suecos do IK Sävehof em jogo a contar para a terceira jornada da EHF Champions League. O jogo terá transmissão na Sporting TV.

SETE INICIAL

Sporting CP – Aljosa Cudic (GR), Arnaud Bingo, Luís Frade, Valentin Ghionea, Edmilson Araújo, Carlos Ruesga e Frankis Carol

HT Tatran Presov – Mario Cvitković (GR), Martin Straňovský, Leon Vučko, Javier Muñoz, Oliver Rabek, Lukas Urban e Titouan Afanou