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Holanda escolhida como organizadora do Euro 2022

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A UEFA anunciou esta semana que a organização do Campeonato Europeu de 2022 ficará entregue à Holanda, mais concretamente às cidades de Amsterdão e Groningen, batendo assim os outros países candidatos, nomeadamente a França e Portugal.

De referir também que os Países Baixos voltam a receber uma competição internacional de seleções após terem organizado o primeiro Mundial da modalidade, no longínquo ano de 1989.

Das três candidaturas oficiais, apenas Portugal já tinha recebido uma edição do Europeu, no ano de 2007. Tendo em conta a aposta da FIFA e da UEFA de desenvolver o futebol em todas as suas vertentes e levar o desporto ao máximo de países possível, nomeadamente aos locais cujas seleções nacionais ainda não apresentam um nível de jogo ao nível das grandes potências europeias e mundiais, era mais ou menos previsível que a nossa candidatura teria poucas hipóteses de sair vencedora.

Os outros dois concorrentes encaixavam-se no perfil definido pela organização, pois são países emergentes no futsal europeu, começam a aparecer esporadicamente nas grandes competições internacionais e dois países que estão a fazer uma caminhada segura e lenta rumo ao topo.

Para já, ainda estão numa segunda/terceira linha nas potências europeias, mas tanto um como o outro podiam perfeitamente organizar a primeira edição de um campeonato que se vai passar a realizar de quatro em quatro anos e vai passar a contar com 16 equipas.

 

Imagem da Arena de Amsterdão, aqui usada durante um jogo de hóquei no gelo
Fonte:UEFA

Numa conversa com um amigo no dia da decisão, apostei na França como possível organizador por mera convicção pessoal, mas a Holanda tem mais tradição neste desporto, porque participou em todas as edições iniciais dos Campeonatos da Europa, apesar de estar arredado desta competição desde 2014.

A França, só em 2018 se estreou nestas andanças, não tendo um historial muito forte nos primórdios da competição. Com todos estes fatores porventura a pesar na decisão final, tomada na cidade de Liubliana, na Eslovénia, a organização ficou entregue à Holanda, país que ultimamente anda arredado dos grandes palcos mas que irá regressar em 2022, na condição de organizador.

Portugal, como vencedor da última edição, terá que jogar a qualificação para carimbar o passaporte e tentar defender o seu título, esperando que nesse ano, e caso lá cheguemos, possamos contar com um apoio tão forte como na Eslovénia, com os estudantes de Erasmus em peso na bancada a puxar pelos nossos heróis!

 

Foto de Capa: UEFA

Revisto por: Jorge Neves

Dia 1 dos Mundiais: Pichardo foi o melhor da qualificação

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No único dia reservado para qualificações (no que muitas vezes é designado de dia zero), o grande destaque (em pista) a nível nacional era a presença de Nelson Évora e Pedro Pablo Pichardo, duas das maiores esperanças portuguesas em busca de um lugar na final. Os dois portugueses entraram em prova às 19h25, hora local e Pedro Pablo Pichardo esteve mesmo em grande evidência.

Pedro Pichardo saltou 17.38 metros, logo à primeira tentativa, arrumando com a questão, no melhor salto . Já Évora teve o melhor salto ao último ensaio, 16.80 metros, ficando a aguardar uma repescagem que viria a não chegar. No final da prova, Pedro Pichardo afirmou que está aqui “para lutar pelo Ouro” e é nisso que pensará no domingo quando entrar em prova para mais uma final de Mundiais, depois de duas medalhas de Prata alcançadas em Moscovo (2013) e Pequim (2015).

Já Nelson Évora confessou que apenas começou a sentir “boas sensações” no final da temporada, mas que “não era para isto” que tinha trabalhado. Assumiu que saiu da “zona de conforto durante esta temporada” correndo “riscos”, mas que não está acabado e que podem contar com ele para os Jogos de Tóquio. No final, revelou que, pelas especificidades da próxima temporada, irá procurar focar-se “principalmente na temporada ao ar livre”.

As outras provas: Saltos em grande e alguns candidatos a ficar pelo caminho…

O maior salto na qualificação dos últimos 20 anos
Fonte: IAAF

Nas outras provas de qualificação, destaque, no masculino, para os grandes 8.40 metros (-0.4) de Juan Miguel Echevarría (CUB) no Comprimento, mostrando estar já em grande forma e assumindo-se como o principal favorito ao Ouro, sendo este o maior salto numa qualificação desde 1999! Nos 100 metros, também excelentes indicadores do norte americano Christian Coleman (9.98) e do sul-africano Akani Simbine (10.01), ambos a tirar o pé e a abrandar bem antes da chegada à meta. Destaque ainda para a desqualificação de Jakob Ingebrigtsen, o jovem norueguês, depois de ter pisado fora da pista na prova de qualificação dos 5.000 metros.

Já no feminino, Nos 800 metros, Winnie Nanyondo (UGA) foi a mais rápida na qualificação (2:00.36), mas houve lugar a surpresas, com outros alguns nomes a grandes a ficarem pelo caminho, como a norte-americana Hanna Green (USA) ou a britânica Lynsey Sharp (GBR), que eram candidatas às medalhas. Nos 3.000 obstáculos, na Vara (17 mulheres apuraram-se para a final, primeira vez da história!) e na Altura, os grandes nomes alcançaram a qualificação sem muita dificuldade (bem, Lasistkene (RUS) teve mais dificuldades do que o esperado na Altura), enquanto que no Martelo existiu alguma surpresa na eliminação de Malwina Kopron (POL) – que foi Bronze em Londres – e Brooke Andersen (USA), que era a atleta com a 2ª melhor marca do ano. Pela primeira vez na história, 70 metros não foi suficiente para se qualificar para a final.

A organização e o ar condicionado do Khalifa International Stadium

O estádio Khalifa International em Doha
Fonte: IAAF

O inovador sistema de ar condicionado do estádio que recebe estes Mundiais mostrou-se à altura das melhores expectativas. Ainda que se tenha preservado um clima quente, não existiram problemas de maior a nível de vento – as turbinas de ar funcionaram na perfeição, mantendo o vento sempre regular – e a temperatura manteve-se constante em níveis ótimos (25º/26º) para as provas de pista.

Em termos organizativos, há aspetos a melhorar, embora, de um modo geral, se possa dizer que não existiram problemas de maior, existindo um grande número de voluntários e de zonas bem definidas. Ainda assim, o facto da tribuna de imprensa não ter zonas alocadas a cada jornalista complicou o trabalho de todos e – mais preocupante – o facto dos atletas terem que subir todo um anel do estádio para falar com a imprensa televisiva e depois descerem de novo para falar com a imprensa escrita, não é o melhor para os mesmos, podendo ser especialmente doloroso em dias em que existam meias-finais e finais com poucas horas de diferença.

Por último, no que diz respeito ao número de espectadores, já se sabe que estes serão uns Mundiais muito diferentes de anteriores edições e que a venda de bilhetes não foi fantástica (muitas explicações há – quase todas relacionadas com a localização do evento). Ainda assim, registou-se uma casa relativamente bem composta para uma sessão sem finais e a acústica do estádio pareceu bastante à altura, com o barulho do público, por vezes, a tornar-se quase ensurdecedor – principalmente nas provas com a presença de atletas do Quénia e Etiópia, sendo que existem grande comunidades quenianas e etíopes a residir em Doha.

Ainda há mais hoje…

Relembramos que hoje – a partir das 21h59 (hora portuguesa) – será a vez da Maratona feminina, com a presença da portuguesa Carla Salomé Rocha, que tem expectativas de um bom resultado em Doha. As provas de estrada terão dificuldade extra, uma vez que, disputando-se em estrada, não terão acesso ao tão importante ar condicionado, esperando-se nada menos do que 32º graus e mais de 70% de humidade à hora do evento.

Para seguir tudo o que se vai passando e estar a par das provas de cada dia, sugerimos que sigam as páginas do Bola na Rede e do Planeta do Atletismo no Facebook e no Instagram.

Foto De Capa: IAAF

Silas chega para curar a instabilidade leonina

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Jorge Manuel Rebelo Fernandes nasceu a 1 de Setembro de 1976. Falamos de Jorge Silas, o novo treinador do futebol sénior leonino. Ganhou precisamente a alcunha de Silas, devido ao ex-jogador brasileiro do Sporting CP. Conta com uma passagem pelo Sporting CP enquanto jogador, mas foi dispensado na transição de infantil para iniciado.

Para além de Alvalade, passou por clubes como Atlético CP, UD de Leiria, CS Marítimo e Belenenses SAD, acabando por terminar a sua carreira no CD Cova da Piedade. Conta ainda com passagens pelo Chipre, Espanha e Índia. Como treinador teve uma breve experiência no Sindicato de Jogadores, antes de rumar ao Belenenses SAD em 2018.

Com a mágoa de ter sido dispensado – como afirmou hoje na sua apresentação em Alvalade – regressa agora a um clube que lhe diz muito emocionalmente, com a missão de recuperar os bons resultados no reino do Leão. E será essa emoção que irá tentar transmitir aos jogadores. Mais que treinador terá de ser um amigo, um psicólogo e um homem com muita paciência capaz de recuperar os índices anímicos leoninos.

Não acredito que Silas tenha sido a primeira escolha por parte de Frederico Varandas, mas que acaba por ser a escolha certa, ainda que eventualmente possa ser no contexto errado, numa altura de tremenda instabilidade. É de relembrar que os Leões estão numa onda negativa onde sofrem golos em todos os jogos e contam apenas com duas vitórias e estando já a oito pontos do sensacional líder FC Famalicão.

Silas saiu do Jamor no início deste mês de Setembro
Fonte: Belenenses SAD

Como referi é um treinador certo, mas no momento errado. Com isto, não é de esperar que as coisas comecem automaticamente a correr bem à primeira. É preciso dar tempo para trabalhar e para conciliar o modelo e as ideias de jogo. E da mesma forma que se pede paciência ao treinador na recuperação dos seus atletas é necessário pedir da mesma forma essa paciência aos adeptos leoninos, apesar de nestes (muitos) anos sem um título, a paciência estar quase esgotada.

Jorge Silas é um treinador que tem um discurso positivo, uma boa comunicação – como se viu no discurso que realizou hoje em Alvalade – e um treinador sem medo, com uma noção da realidade do campeonato português e com uma bagagem enorme, sobretudo pelas influências que tem do treinador Jorge Jesus. É um treinador com ideias fortes, que procura ter bola e é sobretudo bastante organizada nas quatro fases do jogo: transição ofensiva, transição defensiva, organização ofensiva e organização defensiva. Chega a um clube com uma maior qualidade de matéria-prima que lhe permitira trabalhar melhor também o seu modelo e as suas ideias.

Estou certo de que existirá um crescimento coletivo e individual possibilitando uma maior estabilidade, sobretudo no que diz respeito à parte defensiva. Isto por sua vez permitirá aos Leões não serem tão permeáveis, fazendo que a confiança dos jogadores aumente, pois não sofrer golos é meio caminho andado para não sofrer uma derrota. Um treinador que tenta inovar – um pouco à semelhança do actual treinador do RB Leipzig, Julian Nagelsmann – e que com isso dará maior dor de cabeça aos adversários, pois a adaptação não será tão fácil nem instantânea, sendo assim mais difícil de anular as ideias e as diferentes estratégias para cada jogo.

É um treinador que gosta de ter uma equipa fluída e móvel e que durante o jogo pode sofrer algumas adaptações e assim confundir o adversário. Em organização ofensiva Jorge Silas gosta de se apresentar num esquema de três centrais permitindo aos alas movimentos de profundidade e estabelecendo a equipa numa espécie de 3x2x3x2 (imagem em anexo). Permite em caso de perda de bola um equilíbrio na zona defensiva com os dois médios mais recuados a fechar atrás, garantindo sempre superioridade numérica na transição defensiva.

Já em organização defensiva é difícil de estabelecer um padrão ou um tipo raíz visto que a equipa defende em função da forma que ataca, sendo algo mais fluido e em constante mutação como referi anteriormente, sendo que o seu esquema/estrutura poderá ser 5x3x2 ou até mesmo 5x4x1 mas que irá depender da estratégia para cada jogo.

Fonte: Bola na Rede

É um treinador que vê o jogo da frente para trás, que dá prioridade ao ataque e a bola no pé. Uma saída desde trás, num jogo pensado e como um todo, em que todos contribuem para todas as fases do jogo. Um jogo inteligente, entrelinhas e vertical. Um treinador que procura defender à zona e em sintonia com a forma que ataca, que dá prioridade a defender de dentro para fora, fechando bem as zonas centrais evitando o jogo entrelinhas dos adversários.

Existe alguma dúvida se será de facto um projeto a médio-longo prazo visto que assinou apenas um contrato até ao fim da presente época, com mais uma de opção. Dá a sensação de que Frederico Varandas está na expectativa para ver o que vai acontecer e que em caso de insucesso, poderá assim ir à procura de um novo treinador – o que seria o quarto na sua era. Passa a mensagem de que é necessário ter resultados de forma algo imediata.

No entanto, o essencial é que o novo timoneiro leonino irá construir uma equipa à sua imagem, mesmo que o impacto não seja imediato, não há dúvidas de que é um treinador com qualidade e que precisa de tempo. É metódico naquilo que corresponde a cada fase do jogo e naquilo que cada jogador terá como sua tarefa. Será uma lufada de ar fresco no futebol leonino e certamente irá garantir melhores sensações aos adeptos leoninos com a premissa de um futebol mais atrativo e dinâmico.

 

Foto de Capa: Sporting CP

 

 

O verdadeiro Nakajima apareceu!

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A contratação do internacional nipónico foi a mais cara deste defeso e tendo em conta que o FC Porto pagou 12 milhões de euros por 50% do passe, podemos dizer que se pagar o mesmo pelos restantes 50%, Nakajima passa a ser a contratação mais cara de sempre do clube. Um investimento de risco apesar do indiscutível talento de Nakajima. É verdade que é jovem, internacional, que vai ter competições importantes pela seleção nos próximos anos onde se pode valorizar e que tem “bom marketing”, mas não deixa de ser um investimento de algum risco.

Nakajima brilhou a grande nível ao serviço do Portimonense SC tendo realizado 47 jogos onde apontou 15 golos e fez 19 assistências. Estava referenciado pelos “três grandes” de Portugal mas acabou por se transferir para o Al-Duhail por 35 milhões de euros. No entanto, a sua adaptação ao Qatar não foi a melhor e Nakajima quis regressar a Portugal. As boas relações do FC Porto com o seu empresário ajudaram na realização do negócio.

O início de época não foi brilhante mas existem atenuantes. Nakajima esteve na Copa América, recentemente teve o nascimento do seu filho tendo de se ausentar (autorizado pelo clube) durante cerca de uma semana. E claro, uma coisa é jogar no Portimonense SC, outra é jogar no FC Porto. A adaptação ao clube não foi tão rápida como seria de esperar e o “puxão de orelhas” dado por Sérgio Conceição em pleno relvado de forma veemente no final do jogo de Portimão foi a prova disso.

Nakajima realizou uma bela exibição diante o CD Santa Clara
Fonte: FC Porto

Eu não o teria feito daquela forma mas, Sérgio Conceição foi ele próprio, e agiu impulsivamente não tendo qualquer problema em repreender o internacional nipónico diante de todos. Se é verdade que os meios nunca justificam os fins também é verdade que desde esse momento o desempenho de Nakajima melhorou. E o jogo da Taça da Liga foi a prova disso, uma grande exibição coroada com uma bela assistência para o golo de Diogo Leite.

Nakajima precisava de perceber a exigência de representar o FC Porto e de ser treinado por Sérgio Conceição e, certamente, que isso lhe foi explicado mais profundamente nas ultimas semanas. Talento não lhe falta mas isso por si só não basta, é preciso compromisso, empenho e deixar sempre tudo em campo. Algo que Sérgio Conceição não abdica. Ele tem o carinho e simpatia dos adeptos azuis e brancos e, acredito que, a sua influência na equipa vai crescer ao longo da época. Nakajima é um jogador diferenciado e até pelo valor pago por ele não pode ser desaproveitado.

Foto de capa: FC Porto

Gedson e David: duas pérolas do Seixal de regresso

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Em etapas evolutivas discerníveis pela quantidade de jogos efectuados ao mais alto nível, Gedson Fernandes e David Tavares perfilam-se como as próximas duas grandes pérolas a ter preponderância no meio-campo encarnado: numa sucessão natural aos consagrados Samaris, Fejsa, Pizzi e Gabriel e numa lista que conta ainda com a presença de Tiago Dantas, atleta de perfil diferente (menos físico, mais sofisticado) – um complemento ideal para os dois primeiros.

Olhando às funções que Lage entrega aos quatro da linha divisória, não é difícil encontrar espaço onde colocar Gedson.  Pode perfeitamente ocupar a banda direita como falso ala – à imagem de Pizzi –, sendo essa até a melhor posição para aproveitar a velocidade de ponta do luso-santomense e a capacidade de associação em espaço interior. Esta última característica valeu-lhe um papel principal com Rui Vitória na primeira metade de 18/19: foram 22 participações em 25 possíveis e 1777 minutos num total de 2250 como terceiro médio de um 4-3-3, espaço onde rendeu com especial brilho, enquanto o retorno ao 4-4-2 parece ter impedido a sua progressão enquanto futebolista.

Gedson pode ser aposta para o lugar de Pizzi ou para o centro do meio-campo
Fonte: SL Benfica

Assim como não é temor algum pedir-lhe para funcionar no centro. Foi ao lado de Florentino que foi a Istambul garantir a primeira vitória de sempre na Turquia, num papel diferente ao interpretado por Gabriel, já que as suas características o fazem assumir outro tipo de funções, mais perto daquilo que se reconhece como um box-to-box. Era habitual ver-se esta posição no modelo de Jesus, que apostava sobretudo nas transições suportadas por um médio de alta rotação como Ramires, Enzo Pérez ou Rúben Amorim. Quando não existia esse médio – como nas épocas de aposta em Aimar mais recuado ou Pizzi naquela zona – as prestações ficariam sempre aquém, principalmente fora de portas. É, dessa forma, uma opção a ter conta em jogos de outra necessidade física na luta pelo centro do terreno, onde pode perfeitamente associar-se com Gabriel e Taarabt, intervenientes com outra capacidade de passe.

Depois da caricata lesão nas férias, e consequente ausência dos trabalhos de pré-temporada, Gedson está agora pronto para voltar ao mais alto nível. No Benfica desde os nove anos, assume-se como um dos jogadores mais identificados com os valores do clube, onde só Jota (desde 2007) e Rúben Dias (desde 2008) têm mais anos de casa: pontos a favor na aposta da formação e fator de ligação à massa adepta e a um Terceiro Anel que sempre exigiu o equilíbrio entre a cantera e a qualidade diferenciada vinda de fora. Sempre foi esse, aliás, um dos componentes das melhores equipas que pisaram a Luz.

David Tavares é integrante da grande geração de 99, ao lado de nomes como Félix, Florentino, Gedson e Jota
Fonte: SL Benfica

David Tavares, por seu lado, é um recém-chegado ao palco principal, ainda que as duas lesões graves em épocas consecutivas tenham impedido a sua contribuição mais cedo do que seria expectável. Tendo formado parte do conjunto que iniciou trabalhos com a equipa A no início de 2018-2019, uma ruptura do ligamento cruzado do joelho esquerdo levou-o a ficar de fora de junho a março: 257 dias onde estagnou a sua evolução, que perpetuou com a entorse ao joelho oposto nesta pré-época. É um médio todo-o-terreno (com formação dividida entre Alcochete e Seixal, depois de estágios preparatórios em Santo Antão de Tojal e Loures), e que reúne um conjunto de características um tanto parecidas às de Gedson: enorme capacidade no transporte e progressão com bola. Se na equipa B era dono de lugares mais perto da baliza contrária, parece claro que a sua evolução na equipa A terá de ser feita como opção para o lugar de Gabriel, ainda que Lage não tenha pejo em colá-lo na banda esquerda.

Se o Benfica conseguir segurar a base desta equipa, o sucesso estará logo ao virar da esquina. É essencial dar tempo e espaço à juventude para crescer e criar ligações entre si, num processo que, quando complementado com a qualidade vinda de fora para lugares específicos, acabará por elevar o Benfica a outros patamares competitivos. Que exista vontade de esperar pelo dinheiro: Félix jogou apenas seis meses como titular do Benfica.

Foto de capa: SL Benfica

 

A Taça fantasma

Esta quarta-feira deu-se inicio à primeira jornada da fase de grupos de uma das competições mais contestadas em Portugal: a Allianz Cup. Criado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, este torneio teve a sua primeira edição na época de 2007/2008 e desde aí tem vindo a sofrer constantes alterações naquela que foi a sua génese inicial de forma a que a sua existência fosse mais consensual entre os clubes participantes. Apesar da tentativa da Liga em agradar as equipas inseridas nesta competição, a verdade é que os aspetos negativos continuam a ser muitos, e maior parte deles foram evidentes nos jogos que compuseram esta primeira jornada.

A primeira ronda teve inicio no Estádio Cidade de Barcelos e opôs o clube da casa, o Gil Vicente FC ao Portimonense SC. Duas equipas pertencentes à Primeira Liga e, que curiosamente, têm tido um começo de época semelhante no que ao campeonato diz respeito. Um jogo equilibrado entre duas equipas que entraram em campo em busca dos três pontos acabou por ser decidido na última jogada do encontro através do golo de Willyan, dando a vitória à equipa forasteira e consequente liderança do grupo C, ainda que à condição.

Mais tarde, foi a vez de SL Benfica e Vitória SC entrarem em campo, na primeira partida do grupo B. Com um Estádio da Luz a meio gás, Bruno Lage, conhecedor da pouca importância dada a esta competição, aproveitou para dar algum descanso a grande parte dos habituais titulares e efetuou oito alterações no onze inicial. Ivo Vieira não quis ficar atrás e realizou também ele oito mudanças face ao jogo anterior. Posto isto, assistimos a um jogo onde a falta de entrosamento foi evidente principalmente do lado encarnado o que fez com que “Os Conquistadores” estivessem sempre mais próximos do golo. Apesar das oportunidades de que ambas as equipas dispuseram, o placar não sofreu quaisquer alterações do inicio ao fim da partida, mantendo-se o resultado 0-0.

No terceiro jogo do dia, foi a vez do FC Porto entrar em campo para defrontar o CD Santa Clara num jogo a contar para o grupo D. À semelhança do que aconteceu na Luz, Sérgio Conceição também aproveitou este jogo para dar minutos a jovens jogadores, entre eles, Fábio Silva, o avançado de 17 anos que depois desta partida ficou na história do clube como o jogador mais novo a estrear-se a titular pelos “dragões”. Num setor mais recuado do terreno, o destaque recaiu sobre o jovem central, Diogo Leite,  autor do único golo do jogo que deu aos portistas a vitória e a liderança do grupo.

FC Porto foi a única equipa dos três grandes a entrar com o pé direito nesta competição e com golo de um dos meninos lançados por Sérgio Conceição, Diogo Leite
Fonte: FC Porto

O último dos três grandes a entrar em campo foi o atual detentor deste troféu, o Sporting. A atravessar uma fase negativa, a equipa liderada por Leonel Pontes foi a jogo com o objetivo de tentar reverter esta situação. Apesar de algumas alterações no onze, os “leões” entraram fortes no jogo, a querer controlar a partida, no entanto, e um bocado contra a corrente, diga-se, acabou por surgir o golo do Rio Ave FC. Esta vantagem viria a durar pouco, uma vez que o suspeito do costume, Bruno Fernandes, encarregou-se de estabelecer de novo a igualdade no marcador. Já na segunda parte o Rio Ave voltou a colocar-se em vantagem e deitou por terra quaisquer ambições que o Sporting tivesse para o restante tempo de jogo. Se o ambiente inicial já era mau, depois do segundo golo os poucos adeptos que se deslocaram a Alvalade na quinta-feira à noite mostraram ainda mais o seu desagrado com o estado atual do clube. Desde assobios, a tarjas, passando por lenços brancos houve um pouco de tudo em mais um noite difícil para os sportinguistas.

Com os quatro primeiros classificados da Primeira Liga do ano anterior a serem, segundo as regras da competição, cabeças de série dos seus grupos, a probabilidade de seguirem para a Final Four da Allianz Cup aumenta muito. Deste modo, é impossível não destacar que dos três cabeças de série que entraram em campo nesta jornada, o FC Porto foi o único desses clubes a conseguir vencer o seu primeiro jogo.

Depois desta primeira jornada da Allianz Cup, o campeonato está de volta já este fim de semana, sendo que a próxima jornada desta competição está marcada já para a semana que vem. Parte dos intervenientes serão diferentes. Entrarão em campo as equipas do GD Chaves, do Santa Clara, do FC Paços de Ferreira, do CS Marítimo, do Portimonense e do Rio Ave, mas a falta de adesão certamente será a mesma. A pouca importância da competição, aliada aos horários tardios torna estes jogos pouco convidativos para quaisquer adeptos. Enquanto não se perceber que o Futebol é feito para os sócios e simpatizantes dos clubes, os estádios continuarão “às moscas”.

Foto de Capa: Liga Portugal

Procura-se: Glória Perdida

São clubes históricos do futebol português. Alguns deles, já com várias passagens pela Primeira Liga e um até já conta com a conquista desta no palmarés. Falamos de emblemas que um dia conheceram o sabor da glória, mas que mergulharam num rio de infortúnios futebolísticos e financeiros que conduziram à sua extinção. E agora tentam voltar à tona.

É o caso do União Desportiva de Leiria, popularmente conhecido por União de Leiria. Fundado em 1966, o clube atingiu o seu ponto alto com subida ao primeiro escalão do futebol português na época 1978/79, além de contabilizar duas presenças na Taça UEFA e de ter sido o primeiro clube português finalista da Taça Intertoto.

Os problemas começaram pouco tempo depois. A relação entre a SAD e a Câmara Municipal de Leiria azedou, sendo a primeira acusada de dever dezenas de milhares de euros pela utilização do Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, palco do mítico Euro 2004. Não tardaram a surgir relatos de ordenados em atraso, confirmados pelos jogadores, que chegaram mesmo a recusar treinar por contabilizarem quase três meses sem receber.

O descalabro aconteceu na época 2012/13, quando não conseguiu garantir a permanência na Primeira Liga e, por incumprimento dos requisitos financeiros, apenas conseguiu inscrever-se no Campeonato Distrital. A SAD acabou por ser extinta em 2013, devido ao elevado número de dívidas, sendo posteriormente constituída uma nova no ano de 2015.

As sucessivas más decisões financeiras e desportivas levaram à queda do emblema de Leiria, um clube muito acarinhado e seguido na cidade. Apesar dos objetivos da nova SAD passarem por restaurar o clube e de proporcionar novos investimentos no mesmo, é necessária muita cautela e identificação dos erros cometidos anteriormente, para que seja possível retomar o sucesso de outros dias. O facto de este ano os jogadores do clube terem novamente reclamado salários em atraso, é um grande sinal de alerta para a necessidade de ajustes e de mudanças, de forma a evitar uma repetição da história.

Homenagem ao antigo Clube Desportivo Estrela da Amadora no Estádio José Gomes
Fonte: Clube Desportivo Estrela

Já um pouco mais a sul e com uma história idêntica fica o antigo CD Estrela da Amadora. Contabiliza várias presenças na Primeira Liga e também nas competições europeias, nomeadamente na Taça das Taças e na Taça Intertoto. O seu maior feito foi a inédita conquista da Taça de Portugal em 1990, altura em que contava com os internacionais portugueses Paulo Bento e Abel Xavier no plantel e com o técnico João Alves ao leme da equipa. Foi, de resto, a rampa de lançamento de muitos jogadores portugueses reconhecidos, como Miguel, Jorge Andrade, Calado, entre outros.

No entanto, o clube fundado em 1932 começou a “afundar” há cerca de uma década. Apesar de ter garantido a permanência na Primeira Liga, viu-se despromovido ao terceiro escalão do futebol português por razões financeiras. Entra aqui numa espiral negativa, com sucessivos relatos de salários em atraso e ameaças de greve e de rescisões por parte dos jogadores. Em 2009, o Tribunal de Sintra considerou-o insolvente, levando à sua extinção no ano seguinte. Assistia-se, assim, a mais uma morte de um histórico do futebol português.

Mas como é dos adeptos que vive o futebol, foram eles que fizeram renascer o emblema da Amadora. Em 2011, um grupo de sócios criou o Clube Desportivo Estrela. O objetivo é honrar a memória do Estrela da Amadora e voltar a unir os tricolores no Estádio José Gomes, entretanto recuperado e palco do novo clube. Os apoiantes do clube, encabeçados pela claque Magia Tricolor, têm sido os maiores impulsionadores do (res)surgimento do clube com um apoio constante desde o primeiro dia.

Muitos outros clubes assistiram ao término abrupto da sua história, ora por escândalos financeiros, como é o caso do Sport Comércio e Salgueiros e do SC Beira-Mar, ora por divergências entre clube e a SAD, como o CF Os Belenenses. Após entrar em litígio com a SAD, o clube do Restelo separou-se desta e recomeçou do zero, com a inscrição da equipa no Campeonato Distrital. O clube que completou esta semana 100 anos, prepara-se para cortar na totalidade o vínculo que o liga à SAD, anunciando que está para breve a venda dos 10% da participação social que ainda detém nesta sociedade comercial.  Já o clube de Paranhos recuperou recentemente a sua designação inicial, após 10 anos obrigados a utilizar a denominação Salgueiros 08 depois de um processo de insolvência.

Estes emblemas históricos do futebol nacional já conheceram o sabor da glória e lutam agora para encontrar a mística que outrora tiveram. Impera-se, para tal, uma grande noção de responsabilidade financeira, elevado sentido crítico e capacidade de análise para que erros do passado não se voltem a repetir. A paixão dos adeptos, essa, mantém-se sempre como o principal motor nos processos de reconstrução.

Foto de Capa: UD Leiria

Em busca da glória sobre rodas

O hóquei em patins do Sporting Clube de Portugal disputa no próximo fim-de-semana o primeiro título da época: a Taça Continental. A competição será disputada no Pavilhão João Rocha e nesta temporada o objetivo passa por vencer todos os títulos possíveis.

Para a época 2019/2020, os leões reforçaram-se com Alessandro Verona (ex-Lodi), João Souto (ex-HC Turquel) e Telmo Pinto (ex-FC Porto). Em sentido contrário, o clube de Alvalade viu sair João Pinto (Lodi), Henrique Magalhães (UD Oliveirense) e Vitor Hugo (UD Oliveirense). Um plantel que continua forte para atacar os títulos e conquistar a glória.

Na pré-época, a equipa liderada por Paulo Freitas realizou seis jogos, somando cinco vitórias e um empate, tendo os seguintes adversários: HC Turquel, AE Física, AD Sanjoanense, OC Barcelos, Juventude de Viana e FC Porto. Destaque para a participação na Elite Cup, onde os leões defrontaram equipas do campeonato português, tendo empatado na final perante o FC Porto, que acabou por vencer no desempate por grandes penalidades. Nesta competição, o Sporting já apresentou um bom nível exibicional, prevendo-se que venha a melhorar, quando iniciarem os jogos oficiais.

O Pavilhão João Rocha será o palco de mais uma importante competição europeia de hóquei em patins
Fonte: Sporting CP

No próximo fim-de-semana, o Sporting pretende somar mais um título no seu palmarés. O sorteio ditou que a equipa verde e branca irá defrontar os italianos do Hockey Sarzana e na outra meia-final estarão os espanhóis do Lleida e o FC Porto. A final será disputada no domingo, perante a família sportinguista, no Pavilhão João Rocha.

Para a época 2019/2020, os objetivos são continuar a escrever a história do Sporting Clube de Portugal com vitórias e títulos. A nível nacional, reconquistar o campeonato e a Taça de Portugal. Na elite do Hóquei em Patins europeu, os leões pretendem sagrar-se bicampeões da Europa. Para cumprir esses objetivos, o treinador Paulo Freitas conta com um plantel forte, com qualidade, talento e experiência. Assim, com Esforço, Dedicação e Devoção, com o apoio dos sportinguistas em todos os pavilhões, será possível conquistar a Glória da invencibilidade, vencendo mais títulos para a história do Sporting Clube de Portugal.

Foto de Capa: Sporting CP

Antevisão SL Benfica-Vitória FC: a necessidade de ganhar frente ao desejo de não perder

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É na sequência de uma derrota por 2-1, de uma vitória pelo mesmo resultado e de um empate a zero que o SL Benfica recebe o Vitória FC. Depois de três jogos de resultados e exibições oscilantes – de jogo para jogo e nas próprias partidas -, as águias procuram retornar ao nível habitual no lugar do costume: no Estádio da Luz. Um fator imprevisível. Se o ambiente for de apoio, pode revelar-se um grande contributo para a construção de uma boa exibição e de um bom resultado. Porém, se a crescente pressão interna se fizer sentir nas reações dos adeptos, a equipa pode facilmente “descarrilar”.

Do outro lado, a situação não é muito mais animadora. Em seis jogos para a Primeira Liga, os setubalenses venceram apenas um (venceram ainda o jogo que realizaram a contar para a Taça da Liga – 1-0 em receção ao Moreirense FC). No entanto, também só por uma vez conheceram o amargo sabor da derrota, precisamente em casa de um candidato ao título – no Dragão, os comandados de Sandro Mendes foram goleados por 4-0. A esta derrota e à vitória alcançada em casa às custas do SC Braga (1-0) somam-se quatro empates – todos sem golos.

São cinco jogos em seis (na Liga, seis em sete, no global) sem sofrer golos. Um registo notável, que não é acompanhado pelo registo ofensivo: são cinco jogos em seis (para a Liga) sem marcar. Na Luz, espera-se o espelho destes registos: uma equipa fechada a criar dificuldades de criação aos encarnados, mas inócua no seu momento ofensivo, procurando em ataques rápidos e através de bolas paradas repetir o que apenas conseguiu por duas vezes esta época – marcar.

ACHAS QUE A MURALHA DEFENSIVA DO VITÓRIA FC VAI TER ARGUMENTOS PERANTE O SL BENFICA? APOSTA JÁ!

Convém ainda salientar que a derrota frente ao FC Porto aconteceu na segunda jornada, pelo que os vitorianos chegam à Luz numa série de quatro jogos sem perder. O que não deve nem pode assustar o grupo de Bruno Lage, que precisa de vencer e convencer, respeitando o adversário, mas sem pensar sequer em perder pontos em casa. Apesar das últimas exibições, a turma lisboeta segue no segundo posto da tabela, a um ponto do líder (ainda é uma surpresa ser líder?) FC Famalicão e não pode ceder numa luta que se espera renhida e na qual participa também o FC Porto.

Grimaldo deverá ser uma das armas de Bruno Lage no “ataque” ao Vitória FC, depois de não ter sido utilizado frente ao Vitória SC
Fonte: SL Benfica

Separando as águas e colocando o foco no campeonato, o SL Benfica vem de três vitórias consecutivas, leva 15 golos marcados em seis jogos e apenas três sofridos – em dois jogos: dois frente ao FC Porto e um frente ao Moreirense FC na jornada transata. Em casa, venceu o Paços de Ferreira FC por 5-0, o Gil Vicente FC por 2-0 e sofreu o resultado inverso frente ao vice-campeão nacional. Mostrou duas faces distintas. Para levar de vencida a equipa de Setúbal, terá que apresentar a melhor das duas faces.

Terá que mostrar a face em que domina o jogo, em que pratica um futebol dinâmico e de qualidade, em que baralha as marcações e as trocas defensivas do adversário com os constantes movimentos interiores de Rafa e Pizzi, em que pressiona alto e bem, retomando a posse de bola o mais breve possível. Terá que mostrar a face em que o jogo passa por todas as cabeças e não apenas pela de Taarabt, em que erros infantis como os muitos que ocorreram frente ao Vitória SC não acontecem, em que a eficácia e a proficuidade estão bem presentes.

Com as expectáveis entradas no onze inicial de Odysseas, André Almeida, Ferro, Grimaldo, Fejsa, Rafa, Pizzi e Raul de Tomas (e, quiçá, Gabriel), o SL Benfica ficará, em teoria, mais próximo de conseguir mostrar essa face. Se o fizer, conseguirá, por certo, regressar às boas exibições e aos bons resultados. No entanto, se não o fizer, que não restem dúvidas de que o Vitória FC pode regressar a Setúbal com um bom resultado, deixando as redes sociais e os pseudo-programas televisivos de pseudo-futebol em polvorosa.

Foto de capa: SL Benfica

As 5 apostas de Sérgio Conceição

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A Taça da Liga está a tornar-se muito mais do que a Taça da Liga. É uma prova que o FC Porto ainda não venceu, mas é, também, uma prova que Sérgio Conceição já está em vantagem. O primeiro jogo foi conseguido com sucesso e a aposta nos “miúdos” foi igualmente positiva.
O onze titular dos dragões contou com cinco jogadores da formação portista, dois deles na estreia a titulares.