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Quarto lugar que sabe a pouco

Durante o mês de Julho, a seleção nacional de andebol masculino sub-21 esteve em Pontevedra, Espanha, a disputar o Mundial da categoria, tendo atingido um brilhante quarto lugar, a sua segunda melhor classificação de sempre em mundiais da categoria.

Depois do quarto lugar atingido o ano passado no Europeu de sub-20, esta competição veio confirmar o nível e a qualidade que esta geração tem e que pode deixar entusiasmados todos os adeptos de andebol portugueses. Assim, há algumas coisas que podemos retirar deste mundial, tanto positivas como negativas.

Positivo

Diogo Silva abriu as portas de entrada para a seleção principal com as suas exibições neste Mundial, tendo sido eleito o melhor lateral direito da competição bem como o melhor marcador, com uma média de oito golos por jogo. Atualmente jogador do FC Porto, mas emprestado ao Celje Pivovarna, Diogo vai disputar o grupo A da EHF Champions League, o que lhe vai dar experiência e ritmo competitivo, fundamentais para a sua afirmação como futuro da seleção portuguesa.

Diogo Valério confirmou todo o seu potencial como um dos futuros guarda-redes de seleção. Defendendo uma média de sete remates por jogo, foi determinante no embate frente à Eslovénia ao defender um remate da ponta no último segundo, garantindo assim o apuramento para as meias-finais. Aproveitando ao máximo os seus reflexos e estatura física, o guarda-redes emprestado pelo SL Benfica ao CF Belenenses provou ser uma muralha difícil de ultrapassar e a experiência só o irá melhorar.
Luís Frade confirmou toda a sua qualidade neste Campeonato do Mundo
Fonte: IHF

Luís Frade é, neste momento, o melhor pivot da sua geração, não a nível interno, mas sim mundial. Uma força tremenda tanto no plano ofensivo como defensivo, o pivot do Sporting CP é a voz de comando da seleção e um general dentro de campo. Com apenas vinte anos é já um dos melhores pivots a nível nacional e coloca em sentido qualquer defesa, dados os seus recursos técnicos – veja-se o jogo frente à Croácia na meia-final do campeonato em que várias vezes arrastava dois ou três defensores consigo tal era a preocupação croata. Depois de uma época de adaptação ao serviço dos leões, este será o ano de afirmação de Frade no plano europeu devido à participação na Liga dos Campeões. Se mantiver o nível que tem demonstrado até agora o futuro passará certamente para uma mudança para o estrangeiro para um dos campeonatos de topo.

A resiliência e capacidade de ultrapassar momentos menos bons foi a imagem de marca desta equipa ao longo da competição. Fruto de ser o quarto torneio que esta equipa disputou desde 2016, na altura o Europeu sub-18, o entrosamento demonstrado nos momentos difíceis foi chave para atingir este quarto lugar. Teria sido fácil desmoralizar depois do jogo frente ao Brasil na primeira jornada, em que esteve a perder por onze golos ao longo da partida, terminando com uma desvantagem de “apenas” 5, mas os jogadores portugueses cerraram fileiras e conseguiram ultrapassar esse obstáculo. Será importante transportar este espírito de grupo para a seleção principal nos anos futuros.

Negativos

Independentemente da modalidade, nove jogos em treze dias é excessivo e perigoso para os atletas. Quando se trata de um desporto tão exigente fisicamente como o andebol, então o perigo e o potencial para lesões é ainda mais acentuado. No jogo da meia-final era claro que os atletas portugueses se encontravam em défice fisicamente e que isso os afetava na tomada de decisões. A IHF tomou a iniciativa e a partir de 2020 todas as seleções serão obrigadas a ter pelo menos um dia de descanso entre jogos. No entanto, isto apenas se aplica a seleções seniores, não contemplando assim os sub-21, sub-20, sub-19, etc. Para bem de todos, atletas e adeptos incluídos, estas medidas têm que ser transversais a todos os escalões.

A atuação do selecionador acaba por ficar manchada pelas últimas partidas
Fonte: EHF

A atuação do selecionador nacional foi muito fraca nos momentos importantes e, por injusto que pareça, Portugal poderia ter neste momento uma medalha de ouro ou prata caso tivesse agido de forma diferente. Claro que é fácil falar depois de terminar e no calor do momento é extremamente complicado tomar decisões, mas as falhas do treinador não foram do foro técnico ou tático da equipa, apesar de também aí terem existido, mas sim na gestão dos atletas. Para se ter uma noção, Portugal levou dezassete atletas para o Mundial. Desses dezassete, apenas nove atletas jogaram vinte minutos ou mais em média ao longo do campeonato, com o sete inicial a ter jogado, em média, 44 minutos por jogo!

No final do campeonato, o selecionador afirmou que «O facto de não termos começado bem obrigou-nos a limitar a rotatividade e não nos podemos esquecer que foram 9 jogos em 13 dias, houve jogadores que foram demasiadamente utilizados.» Apesar de ser verdade que número de jogos teve um papel importante, numa competição deste género acima de tudo é preciso gerir fisicamente os atletas, é por essa razão que se levam dezasseis ou dezassete. Como se explica então que cerca de metade dos atletas convocados tenham jogado uma média de 10 minutos ou menos ao longo de todo o torneio ou que certos jogadores tenham jogado menos de trinta minutos na totalidade do mundial.

 

Como conclusão, Portugal realizou um campeonato brilhante, ficando no quarto lugar, e estes atletas mereciam uma medalha por todo o esforço e resiliência que demonstraram. Mas apesar de não terem conseguido, esta geração de sub-21 é uma das gerações jovens de ouro e se for bem trabalhada e não tiverem medo de arriscar, podemos estar a ver o início de uma fase extremamente positiva para o andebol masculino português. A seleção sénior deu o primeiro passo ao apurar-se para o Europeu 2020, agora será a vez destes jogadores mostrarem que merecem chegar ao patamar mais alto. E se continuarem assim, ainda darão muitas alegrias aos adeptos portugueses.

Foto de Capa: EHF

Revisto por: Jorge Neves

Ser a voz de comando que neutraliza a irreverência

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As equipas B são o primeiro “choque” dos jovens craques que saem da formação com os olhos postos na competição de alto nível ao serviço das equipas principais dos mais variados clubes. As formações secundárias albergam o talento provenientes dos escalões anteriores, marinam-no e fazem a devida triagem. No fim, poucos são os que se salvam, até porque neste mundo a capacidade mental para acompanhar o muito talento dos pés é tão ou mais importante.

É, se calhar, um pouco a pensar nisso que o FC Porto recuperou uma estratégia formativa para a sua equipa B que havia conhecido um travão em 2014. Dois anos antes, aquando da ressurreição destas “equipas de reservas”, Zé António, um veterano e profundo conhecedor de todos os cantos e recantos do futebol português, fora a escolha para lidar e manter com os pés assentes no chão um lote imenso de jogadores que chegavam à equipa B cheios de expetativas.

É um pouco essa a função do mentor que o FC Porto vem escolhendo para ser o gestor de emoções de quem tem na irreverência a sua forma de estar no futebol, recheado de sonhos que tenciona vir a cumprir. O choque com a realidade do futebol sénior é, na maioria das vezes, bastante doloroso e difícil de encarar, pelo que uma voz de comando pronta a sustentar e minimizar as dores de crescimento acaba por ser uma boa ajuda, não só para os jovens talentos como também para a respetiva equipa técnica.

É nesse sentido que Rui Barros conta esta época com uma peça de peso no que à experiência e anos de rodagem ao mais alto nível diz respeito. Gonçalo Brandão foi o homem escolhido para, pelo menos durante os próximos dois anos, ser o prolongamento do treinador dentro de campo. A ele estará confiada uma etapa significativa e muitas vezes decisiva da formação dos jogadores.

Gonçalo Brandão conta com passagens em Portugal por Belenenses e Estoril Praia, mas na época passada jogou na Suíça
Fonte: Lausanne Sport

Nos últimos anos, vem havendo muito talento a marinar no Olival que, por uma ou outra razão, acaba por se perder na passagem para o futebol sénior. Os mais recentes casos de sucesso do clube azul e branco (Romário Baró, Fábio Silva e Tomás Esteves) mostram que a aposta vai ser efetivada nos próximos tempos e que bom pode ser que um jovem talento chegue à primeira equipa com a personalidade e o traquejo necessários para se afirmarem e não caírem a pique logo à primeira contrariedade.

Gonçalo Brandão é um defesa central de 32 anos, que iniciou a sua carreira de profissional em 2004, ao serviço do CF Os Belenenses, clube onde realizara toda a formação. São as sete épocas com o emblema de Belém ao peito que conferem a Gonçalo o estatuto de “expert” em futebol português, com passagem também pelo GD Estoril Praia. As experiências em Itália ao serviço do Parma, do AC Cesena e SSR Siena alargaram os horizontes da experiência e, para o FC Porto B, a escolha não poderia ser mais acertada.

Foto de capa: FC Porto

Luciano Vietto: o génio incompreendido

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No futebol, por vezes, aparecem jogadores com características muito específicas e diferenciadas da maioria e tais características, são visíveis quer na qualidade de passe, visão de jogo, movimentações e sobretudo na elegância, classe e inteligência, que demonstram dentro das quatro linhas. Mas no futebol o que é ser inteligente? Ou melhor, o que define um jogador dito inteligente da restante maioria?

Se compararmos os fatores em comum de jogadores considerados “génios” da bola, que ingressaram de leão ao peito, como são os casos de Bruno Fernandes e Pedro Barbosa por exemplo, notamos que a facilidade com que conseguem “abrir o livro” é tremenda porque sabem sempre o que fazer, até mesmo nos momentos mais complicados em que a perda da posse de bola parecia inevitável. Contudo o futebol é um jogo de equipa e para se conseguir “abrir o livro” da forma como eles fazem, é necessário conhecer as rotinas e modos de jogar dos restantes companheiros. Aí é que reside o maior problema de Luciano Vietto.

O craque argentino possui praticamente todos os requisitos para ser considerado um génio embora, nesta pré-época, pouco ou nada tem contribuído para tal afirmação. Mas o maior problema de Vietto só irá ser resolvido com paciência e tempo. Atualmente, o seu conhecimento tático desta forma de jogar é muito reduzido, provavelmente porque nunca teve um treinador com a “escola” holandesa de Keizer. Nota-se claramente que não está à vontade com o sistema tático, e ter feito alguns jogos na ala ainda piorou a situação. Não possui a velocidade necessária para compensar a equipa defensivamente em caso de subida do lateral, deixando assim vulnerável o corredor em que joga.

A passagem pelo Atlético de Madrid do avançado argentino foi inglória
Fonte: Club Atlético de Madrid

Nos últimos jogos, Keizer percebeu isso e preferiu encostar Bruno Fernandes à linha, colocando assim Vietto no meio, deixando-o mais confortável com a esperança de ter mais impacto no jogo. Porém, tal facto não se tem verificado e nota-se que o jogador anda algo “perdido” em campo, muito devido ao tal desconhecimento das rotinas da equipa. Considero uma má decisão, sacrificar o nosso melhor jogador encostando-o na ala, quando claramente o Bruno é um jogador que tem que jogar junto à área adversária, porque é assim que possui mais impacto no jogo.

Uma boa solução para colmatar este problema chegou há pouco tempo de férias, de seu nome Marcos Acuña, que oferece um pulmão incrível ao setor esquerdo da equipa leonina e com o argentino na esquerda, a conversa será outra. O ponta de lança argentino terá mais liberdade para fazer o seu jogo e colocar toda a sua elegância em campo, e com Bruno Fernandes mais perto da grande área, certamente que os nossos adversários irão ter sérias dores de cabeça.

Em jeito de conclusão, ainda é muito cedo para classificar Luciano Vietto como um “barrete” ou “flop” como se diz por aí, porque os génios são muitas vezes incompreendidos. A culpa não é deles, mas sim das pessoas que lá por saberem uma ou outra coisa de futebol, acham que têm o direito de crucificarem jogadores. Ter um treinador de ideias firmes e vincadas, que ainda não se conseguiu adaptar a este génio, também não ajuda ao desenvolvimento do atleta em si, porque a qualidade e classe está lá em cada passo que dá, em cada “perfumada” que oferece à bola.

Foto de Capa: UEFA

Revisto por: Jorge Neves

Chuva de flops

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Nunca me interessei verdadeiramente pela escansão de resíduos. Não me orgulho, evidentemente. Mas suporto poucos quilogramas de paciência de modo a proceder conforme as regras dos 3 R´s. Sosseguem, redatores, “desnecessário” é um vocábulo descartado pelo facto de, em primeiro lugar, não considerar isso e, em segundo lugar, por ambientalistas e filiados do PAN me apontarem o arsenal à nuca. Contraí matrimónio com o globo devido à perseverança de inúmeros sermões. E que jeito estão a fazer…

Infelizmente, o Sporting Clube de Portugal, ao longo das derradeiras décadas, aperfeiçoou a técnica da compra supérflua. De Eskilsson, Katzirz e Rodolfo Rodríguez a Alan Ruíz e André Pinto, a vítima permaneceu, do primeiro ao último minuto: o clube. Errar uma vez é humano, duas vezes é questionável e, a partir daí, é inépcia. Quantos foram os profissionais que atracaram no clube, com salários chorudos e dignos de Parlamento, a não prestarem o devido serviço? Louvada seja a falta de noção em situações como esta!

Ora, sucedendo à técnica descrita, emerge o corolário aterrorizador: a incapacidade de reutilizar, o não aproveitamento das potencialidades e fragilidades que nos são impostas à vista. A memória não é um instrumento, por vezes, de cabal fiabilidade, mas poucos foram os que presentearam as suas carreiras (e o que restava delas) com um trilho mais colorido e vivaz. O clímax da confiança jamais se verificou no reino do leão.

O lateral ex-Fiorentina continua sem entusiasmar Alvalade
Fonte: Sporting CP

Em pleno século XXI existe algo pior do que Putin, Trump e Bolsonaro na chefia suprema dos seus países, Comissões de Inquérito na Assembleia da República a aflorar o irrisório, “funks” monocórdicos e reggaetons ensanguentando os tímpanos? Sim, existe: despender exorbitâncias em contratações defeituosas e nos seus respetivos salários. VIviano e Alan Ruiz, sem envergarem a listada verde branca, auferem dois milhões de euros anuais; Bruno Gaspar, Petrovic, Jefferson, André Pinto, Lumor, Gauld, Mattheus Oliveira custam dez milhões anuais. E não jogam! Porque se jogassem… Consciente de que a venda e o lucro constituem um breu, suplico pela rescisão dos respetivos contratos.

A folha salarial carece de redução. Era um R que se politizava, o único que, no meu campo de visão, se aplicaria e de onde se extraíam os benefícios naturais. Na íntegra, e numa perspetiva sonhadora e crente, aquele cofre, constantemente arrombado, renovar-se-ia com a módica quantia de 22 milhões de euros (!).

Ou, impulsionando a leviandade, dialogar com a FPF sobre a possibilidade de organizar uma nova competição que reunisse o universo dos ilustres, todas eles promissores e com certificado de qualidade. Embora competissem com dinossauros do flop nacional, o leão era o suprassumo.

Foto de Capa: Sporting CP

Aos comandos da Supertaça FPF de eSports

Chegou o mês de agosto e com ele chegou também o início das competições da FPF. A Supertaça FPF eSports será a primeira a ser disputada no calendário do órgão máximo do futebol em Portugal e é aguardada com muito entusiasmo. A cidade de Faro vai acolher a competição de eSports, que se vai realizar dia 4 de agosto.

Se todos os amantes de futebol esperam para ver o dérbi lisboeta no mesmo dia – mas à noite -, então os amantes dos jogos estão de olhos postos nesta final. De um lado temos o campeão nacional, Gonçalo “Troppez” Brandão, e do outro o vencedor da Taça de Portugal FPF eSports, Diogo “Somosnos” Brás.

Esta será a terceira edição da Supertaça e as duas últimas foram ganhas por jogadores diferentes. A primeira, em 2017, foi ganha por Diogo “Somosnos” Brás e a última foi “RastaArtur” a levar o troféu para casa. Ambas foram jogadas no Estádio Municipal de Aveiro, o palco da final da Supertaça de Futebol.

“RastaArtur” esteve em duas finais da Supertaça e venceu em 2017, no Estádio Municipal de Aveiro
Fonte: FPF eSports

Falta pouco para que a bola comece a rolar no ecrã do televisor e os jogadores estejam concentrados a mexer nos seus comandos em busca de um golo. Mas não podia faltar a antevisão desta grande final. E isso asseguramos-te nós! Fica com a antevisão desta Supertaça com uma ajuda especial de José “Runrun” Soares.

Ligados à Volta #1: Samuel Caldeira vence o Prólogo e é o primeiro líder

A Volta a Portugal está oficialmente na estrada e para começar os ciclistas tinham um prólogo de seis quilómetros em Viseu. Um trajeto praticamente todo plano, mas com muitas rotundas e curvas complicadas, com uma breve passagem pelo empedrado.

Viseu tem sido uma cidade bastante acolhedora do ciclismo, visto que desde 2009 que a Volta a Portugal não falha a sua passagem por terras de Viriato.

No ano passado, a chegada a Viseu foi feita através de uma ligação com o Sabugal, numa extensão de 191.7 quilómetros. No final, a vitória caiu para o italiano da MsTina-Focus Riccardo Stacchiotti com uma finalização ao sprint.

Fonte: Volta a Portugal

No prólogo tivemos desde cedo um português no cadeirão, com o melhor tempo do percurso, de seu nome, Samuel Caldeira. O sprinter de 33 anos da W52-Porto fez um tempo referência, que acabou por ser suficiente para levar a vitória. Fez os seis quilómetros em 7m:28s a uma velocidade média de 48.214 km/h.

No entanto, Gian Friesecke da Swiss Racing Academy ficou a oito centésimos do tempo de Caldeira! O último nome a partir para a estrada, Gustavo Veloso, também ficou a centésimos de conseguir ganhar o prólogo. Ele que ganhou o prólogo do G.P de Torres Vedras, no dia 11 de Julho, num percurso de oito quilómetros, realizado no Turcifal. Na altura, fez cinco segundos melhor do que Caldeira, que acabou na segunda posição do prólogo.

António Carvalho fez o quinto melhor tempo, ficando apenas a cinco segundos do seu colega de equipa, Caldeira. Joni Brandão perdeu apenas sete segundos para o melhor registo e ficou no oitavo lugar. Bom começo para estes dois ciclistas, que têm pretensões à geral da Volta a Portugal este ano.

O líder da Louletano, Vicente de Mateos, perdeu dez segundos. O português da Caja Rural, Domingos Gonçalves, perdeu onze segundos e Edgar Pinto (W52-Porto) perdeu 13 segundos.

Samuel Caldeira venceu o prólogo e é o primeiro camisola amarela desta 81ª Volta a Portugal em bicicleta e a W52-FC Porto a começar da melhor forma, depois das más notícias sobre a indisponibilidade de Alárcon. Além da vitória, a equipa portista colocou quatro ciclistas no top dez!

Top 10 do prólogo:

1º Samuel Caldeira (W52-FC Porto) 7m:28s

2º Gian Friesecke (Swiss Racing Academy) m.t

3º Gustavo Veloso (W52-FC Porto) m.t

4º Thibault Guernalec (Team Arkéa Samsic) +0:02s

5º António Carvalho (W52-FC Porto) +0:05s

Mikel Aristi (Euskadi Basque Country-Murias) +0:07s

Cyrille Thièry (Swiss Racing Academy) m.t

8º Jóni Brandão (Efapel) m.t

João Matias (Vito-Feirense-Pnb) +0:08s

10º Daniel Mestre (W52-FC Porto) m.t

Foto de Capa: Volta a Portugal

A Supertaça é mesmo “super”?

É o primeiro jogo oficial em Portugal – e na maioria dos países europeus – em cada nova época e vale um troféu. No entanto, com raízes na época anterior, as implicações da Supertaça para a nova temporada são difusas e discutíveis. Argumenta-se que é só um jogo, que “interessa é como acaba, não como começa”. Argumenta-se também que é “o” jogo que dita o que será o campeonato, que pode ter o condão de fazer mexer o mercado, que é “a” prova de fogo antes de começar a Liga. Há quem a valorize, há quem faça o contrário. Então, a Supertaça merece a designação que tem?

Resposta curta e simples: talvez. Sendo um jogo – já foram dois – que vale um título oficial, a sua importância é inegável. Vale por si. Não é uma competição longa e árdua, mas para chegar ao momento da decisão é preciso vencer uma das duas provas mais importantes do futebol português (ou chegar à final da Taça de Portugal, caso o seu vencedor se sagre também campeão nacional). O vencedor aumenta o seu espólio e o seu ego. Mas não deixa de ser um jogo.

E num jogo tudo pode acontecer, sem que o resultado final seja indicador ou revelador do que será o desempenho desportivo de cada uma das equipas. De resto, em 41 edições da Supertaça, só por 13 vezes (31%) o vencedor da Supertaça se sagrou campeão nacional no final da época. Também comprovativo de que se trata de uma prova diferente, em que o vencedor é muito mais imprevisível do que no que se refere ao campeonato, é o facto de, em 41 edições – desde 1979 –, já cinco clubes terem vencido o troféu (FC Porto, 21 títulos, Sporting CP, 8, SL Benfica, 7, Boavista FC, 3 e Vitória SC, 1), precisamente o mesmo número de campeões nacionais (cinco), em 85 campeonatos. Contudo, a Supertaça é ainda mais salomónica, uma vez que os dois não tidos como grandes venceram quatro títulos, enquanto na Liga Portuguesa, os dois não tidos como grandes – Boavista FC e CF “Os Belenenses” – venceram um cada.

Posto isto, as implicações futuras são poucas e/ou irrelevantes. A Supertaça, o que valer, vale pelo que significa por si própria e pelas consequências diretas que se fazem sentir no presente (entenda-se, o momento de época em que é jogada). E aí é preciso valorizá-la. Apesar de poder ser vista como um importuno, que obriga a preparação da época a começar mais cedo, que impede que as equipas se foquem desde o início no campeonato, tendo que disputar um jogo único sem ramificações, a verdade é que a disputa da Supertaça carrega muitos pontos positivos.

O Estádio do Algarve recebe SL Benfica e Sporting CP na 41ª edição da Supertaça
Fonte: SL Benfica

Por ser vista pela maioria dos adeptos (pelo menos os dos “três grandes”) como um título menor, por vezes menosprezado, a pressão e a exigência não são as que os jogadores encontram noutras provas. Ainda assim, é um excelente primeiro teste para os novos jogadores, que, logo no primeiro jogo que realizam, sentem o “peso da camisola” e, como é o caso este ano, defrontam um rival. Também para os elementos que transitam da época anterior e para o coletivo é uma prova mais exigente do que abrir oficialmente a temporada com um jogo da Liga Portuguesa, em que a urgência e a necessidade de ganhar são – ilusoriamente – menores, por se tratar de uma maratona e não de uma corrida de sprint.

Além disso, é de vital importância para o treinador tomar decisões importantes no respeitante ao plantel e ao onze que poderá revelar-se o “onze tipo” (expressão que, acredito, não agrada a Bruno Lage, pelo que têm sido as suas declarações à imprensa). É a única oportunidade que as equipas técnicas têm para avaliar os seus jogadores em contexto de competição antes do começo das provas de maior relevo.

Não menos importante é construir desde cedo uma mentalidade ganhadora e trabalhar numa cultura de vitórias. A confiança que a conquista de um troféu confere à equipa e à massa adepta pode revelar-se determinante nas semanas seguintes. Do ponto de vista financeiro, é igualmente relevante vencer uma competição, aumentando a confiança que os patrocinadores e investidores têm na marca. Por outro lado, a não conquista do primeiro troféu da temporada (ou o último da anterior) pode ter o efeito precisamente contrário, tendo efeitos nocivos que se revelam nos jogos posteriores.

Somando tudo, é difícil concluir a verdadeira importância e o verdadeiro significado da Supertaça. No fundo, é “apenas” um troféu. Não vale nem mais nem menos do que isso. Não significa nem mais nem menos do que isso. Não presume, não prevê, não indica, não revela. Simplesmente é. É um jogo, é um título oficial, é um momento, um breve momento que morre e não deixa filhos. É o que é e, no final, foi o que foi. Mas é importante não esquecer, filosofias e redundâncias à parte: um título é um título. E todos querem ganhar.

Foto de Capa: SL Benfica

Revisto por: Jorge Neves

Olheiro BnR – Ismael Bennacer: a pérola do Magreb

Ismael Bennacer tem 21 anos e actualmente joga no Empoli, que foi relegado para a Serie B em Itália e conquistou recentemente pela Argélia (país pelo qual optou jogar, uma vez que nasceu em França), a Taça das Nações Africanas tendo sido eleito o melhor jogador do torneio. Da tristeza pela descida  de divisão até à alegria da conquista da Can, Bennacer vivenciou nestes últimos meses uma espiral de emoções.

Antes de chegar a Itália Bennacer fez praticamente toda a sua formação em França no Arles-Avignon e nas seleções jovens francesas, até despertar o interesse do Arsenal que o levaria para Londres para a sua equipa de reservas. Dois anos volvidos e um jogo depois, Bennacer regressava a França emprestado pelo Arsenal ao Tours FC tendo feito 16 jogos no clube francês, o suficiente para na época seguinte atraír o interesse do Empoli e estes avançarem para a sua contratação, que rendeu aos cofres do Arsenal 1 milhão de euros.

Tacticamente Bennacer é muito versátil, o médio tanto pode jogar à frente da defesa, como atrás da linha de ataque, estilo box-to-box, se bem que no Empoli não desempenhava  essa função, sendo mais um trequartista, um médio defensivo que prima pela recuperação de bola, e sai a jogar.

Não sendo um puro trinco é muito bom na recuperação de bola, e neste aspecto o argelino destaca-se tendo uma média de recuperações de bola significativa na sua época de estreia na Serie A. De média estatura,o argelino perde a maioria dos duelos aéreos um factor que podemos apontar como ponto negativo.

Sempre com a bola colada ao pé esquerdo Bennacer faz o seu transporte notando-se qualidade técnica nas transições e maturidade, não se perdendo em “rodriguinhos” e entregando sempre a bola com critério para os seus colegas, mostrando um elevado acerto de passes, o argelino conseguiu uma média de 85% , um indicador da qualidade do jogador, se nos lembrarmos que joga no modesto Empoli.

Fonte: Empoli

O que mais me impressionou no jogador para além da sua maturidade, são as transições com a bola, especialmente depois de a recuperar, a velocidade com que executa essas transições fazendo depois diagonais ou triangulações em passes curtos ou longos, são de ficar com água na boca.

Quem viu a CAN seguramente terá ficado com este jogador debaixo de olho e não é para menos. Foi um dos esteios da seleção magrebina ajudando na conquista da segunda Taça das Nações Africana ao lado Mahrez, Feghouli, Brahimi, Slimani, entre outros.

Reconhecido pelos adeptos como jogador do ano,o futuro de Bennacer  muito provavelmente não passará por ficar no Empoli .São apontados vários clubes ao jogador, estando o A.C. Milan na linha da frente para contratar o argelino.

Ismael Bennacer é um jovem com muita margem de progressão e as suas qualidades não enganam, com um crescimento sustentado terá uma bela carreira pela frente, um jogador a seguir com atenção.

Foto de Capa: Empoli

Paris Saint-Germain: A antítese do futebol romântico

É provavelmente do senso comum que o PSG de há uns anos até então, tornou-se apenas num compêndio de estrelas patrocinadas pelos milhões vindos do Qatar, que não faz jus à história do clube e que acima de tudo não traduz o investimento em conquistas.

O PSG é hoje um clube com mais milhões do que ambições e é provavelmente o expoente máximo dos valores do futebol moderno. O Parc des Princes, estádio dos Les Rouge-et-Bleu, é o espelho perfeito de um clube que perdeu a sua mística, onde tudo parece teatralizado uma vez que se perdeu “o amor à camisola”. Na bancada são tantos turistas quanto parisienses e mesmo em momentos de conquista não vemos a mesma emoção e alegria que por outros lados se registam.

O verdadeiro problema do PSG e única justificação para o fracasso reside exclusivamente na estratégia dos seus responsáveis. Reunir os melhores craques a todo o custo num único balneário não é uma opção inteligente pois origina choques de egos que fazem despoletar as variadíssimas novelas que são do conhecimento de todos os nós. Além disso, e levando a discussão para dentro do relvado, ao PSG faltam “homens da casa”, ou seja, em todos os clubes quer na estrutura como no plantel há pessoas que sentem genuinamente o clube e que transmitem esse sentimento aos restantes. Em Paris, isso não acontece e por isso o PSG não demonstra ser um plantel, mas simplesmente o somatório das individualidades.

A pouco dos dias do arranque oficial do Paris Saint Germain na temporada 2019/2020, reina novamente a instabilidade no núcleo do clube parisiense.

Até à data deste artigo, o PSG mostrou-se bastante sereno no mercado de transferências, destacando-se apenas a chegada de Pablo Sarabia e Abdo Diallo, provenientes do Sevilha e Borussia Dortmund, respetivamente.

A principal missão foi, portanto, impedir a saída das principais estrelas: Neymar e Mbappé.

O jovem prodígio francês terá recusado inicialmente renovar contrato com o clube, demonstrando assim a sua intenção de rumar ao Manchester City e o PSG para impedir este desfecho propôs um salário de 950 mil euros por semana, segundo um jornal britânico.

Fonte: PSG

Confirmando-se ou não estes números avassaladores o que é certo é que Mbappé deverá mesmo continuar em Paris. Tão certo quanto o francês não está o futuro de Neymar, que está a desenrolar uma autêntica novela brasileira. O principal interessado em Neymar é o FC Barcelona, mas o PSG mantém-se firme e não coloca o brasileiro oficialmente como transferível neste mercado de Verão.

Contudo, esta novela ganha contornos de drama uma vez que mesmo após recuperar de lesão, Neymar continua sem vestir a camisola do Paris Saint-Germain, uma vez que o clube decidiu deixá-lo em Shenzhen antes de disputar o particular.

Um ator secundário desta novela é Daniel Alves que agora sem clube manifestou-se publicamente dizendo que gostaria de voltar a Camp Nou e que queria levar Neymar consigo, fazendo aumentar os rumores de uma possível contratação por parte dos catalães.

O PSG apesar dos milhões não teme evitado este desgoverno constante e a falta de estabilidade inviabiliza a criação de uma equipa forte e coesa capaz de ter sucesso em todas as competições.

Nasser Al-Khelaïfi não é propriamente um homem do futebol mas é urgente que mude a sua estratégia para o Paris Saint Germain, assegurando um grupo de trabalho equilibrado, motivado e empenhado em conquistar títulos.

Foto de Capa: UEFA

 

Para lá do senhor do apito

Com o final da época terminam competições, contratos e até carreiras. Foi assim com João Capela. O lisboeta de 44 anos terminou a sua carreira na arbitragem de futebol na temporada anterior e, numa rara rotina de entrevistas, abriu o jogo acerca do estado da profissão.

Com particular ênfase na dimensão psicológica, Capela relembra que o árbitro é a entidade que balança a partida e nada mais; procura puxar pelos atletas quando o ambiente é pobre ou descontraído, mas tenta pôr gelo quando os estádios rebentam pelas costuras e os jogadores se descontrolam à mínima alteração.

Confessa-se distante da polémica proveniente da divulgação dos e-mails e revela que esse é um assunto que não faz parte da conversa diária entre os árbitros. Explica isso com a exposição a que esta entidade reguladora do jogo está submetida; com o VAR, mais de uma dezena de câmaras e uma mão cheia de programas de comentário pós-jogo, Capela acha impossível alguém sequer tentar algum favorecimento encoberto.

Com a perfeita noção da imagem que o árbitro tem, Capela não esquece o dérbi da capital, na Luz, em que lhe são apontados numerosos erros por ambas as partes. Os tempos que se seguiram foram difíceis, com ameaças à família, mas quando ganhou coragem para rever a partida, o árbitro português mantém a sua posição e afirma que no seu campo de visão, sem apoio do VAR na altura, não podia ter tomado outras decisões.

João Capela trocou o relvado pelo pavilhão e hoje é árbitro de basquetebol
Fonte: AF Viseu

Olhando para o futebol português na atualidade, são inegáveis as problemáticas existentes e, pior que isso, a sua profundidade. No país campeão da Europa, que leva equipas constantemente a fases avançadas da Liga dos Campeões, ainda é impossível levar crianças a um clássico ou dérbi. Ou melhor, é impossível levá-las sem que se tema pela sua segurança.

Mas como são apenas seis jogos num campeonato inteiro, pouco importa discutir isso. E é esta mentalidade que leva, jogo após jogo, a culpar as derrotas da equipa com a atuação do árbitro. Nada interessa se o fio de jogo da equipa é inexistente e se a tática habitual se baseia na “bola na frente e fé em Deus”, o que realmente importa e pauta os comentários televisivos e entre adeptos são os erros do árbitro. E se a sua equipa vencer, mesmo que seja com um golo com a mão para lá dos descontos, tanto melhor.

Contudo, esta classe não está acima de qualquer interveniente da partida e, como tal, tem direito a errar e o dever de se retratar ou evitar repeti-lo. Não é por acaso que a arbitragem portuguesa não teve nenhum representante principal no Mundial de 2018, na Rússia. Há, claramente, um caminho de alterações e melhorias a ser percorrido.

A última temporada foi negra no que à suspeição da arbitragem diz respeito. O regime de nomeações foi alterado e mesmo assim assistimos a fugas e denúncias quando supostamente seria um procedimento vedado a externos. No entanto, há quem ainda consiga culpar os árbitros por tudo isto e optar por ilibar dirigentes máximos das suas responsabilidades e atos, no mínimo, questionáveis. Não vejo que caminho seja este em que o futebol português se encontra, mas qualquer dia não há volta a dar.

Foto de Capa: FPF