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Gelson Dala: fica ou vai?

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Gelson Dala chegou ao Sporting CP proveniente do 1º de Agosto em Janeiro de 2017. Vinha rotulado de grande promessa do futebol angolano e, por isso, era grande a expectativa para ver o que o avançado poderia dar no futuro ao emblema leonino. No entanto, o seu potencial não tem sido aproveitado.

Após ter estado no Rio Ave, por empréstimo na época passada, onde realizou boas exibições, esperava-se que o jovem jogador pudesse ter uma real oportunidade de leão ao peito. Contudo, a apresentação do plantel no jogo de domingo pode ter dissipado todas as dúvidas: Gelson Dala não foi apresentado como jogador do Sporting CP para a época 2019/2020. Assim, muito dificilmente o angolano fará parte das contas de Marcel Keizer.

Na minha opinião, acho extremamente injusto que o avançado não tenha uma hipótese no clube. Na última época, revelou vários pormenores interessantes, com boa qualidade de passe e visão de jogo, inteligente a jogar entrelinhas e com uma boa finalização, tendo apontado sete golos. Apesar disso, tais números não chegaram para convencer os responsáveis pelo futebol leonino. Quando Vietto não tem demonstrado praticamente nada desde que chegou ao clube, gostaria de saber como se sairia Gelson Dala se tivesse as mesmas oportunidades.

O jovem avançado angolano ainda aguarda a sua oportunidade em Alvalade
Fonte: Rio Ave FC

Sou franco: gostaria de o ver no plantel. É um jogador humilde, com qualidade e que mesmo em questões de marketing poderia ser muito útil ao clube. O jogador chegou em tenra idade, mas os anos vão passando e a aposta no avançado tarda em aparecer, e o mesmo conta já com 23 anos. Espero que o Sporting CP não esteja a dar tiros nos pés, nem que haja interesses de empresários por detrás deste tipo de decisões.

Em conclusão, é com alguma tristeza que verifico que, mais uma vez, Gelson Dala não parte como opção para a nova época. Apesar de já ter demonstrado qualidades que merecessem uma oportunidade, a verdade é que pelo seu futuro deverá passar um novo empréstimo. É pena.

Foto de Capa: Rio Ave FC

Primeiras Notas

A festa de apresentação da equipa do FC Porto aos sócios trouxe consigo o último dos jogos da fase preparatória para a época 2019/2020. Ao fim de quatro jogos à porta aberta e outros tantos à porta fechada, a primeira derrota. A exibição, ainda que o AS Monaco FC pouco ou nada tenha feito para vencer o encontro, foi insuficiente.

No entanto, o presente artigo não procurará abordar questões técnico-táticas nem analisar a qualidade exibicional da equipa durante a pré-época. O passado ensinou-me a relativizar os resultados e os jogos de preparação e muito tempo haverá durante a temporada para esmiuçar o futebol apresentado pelo FC Porto. Assim, o objetivo passa por deixar algumas notas sobre as opções de Sérgio Conceição, prognosticar aquele que deverá ser o primeiro onze inicial oficial da época e os nomes que constarão, por esta altura, na lista de dispensas do técnico portista.

Comecemos, então, pelo setor defensivo. No que concerne ao guarda-redes, Diogo Costa parece partir em vantagem sobre a concorrência interna e, estando clinicamente apto, deverá ser aposta inicial nos primeiros jogos da época. A baralhar estas contas poderá estar uma eventual contratação para a posição que ocorra até lá. Kevin Trapp (PSG FC) e Augustín Marchesín (Club América) são os nomes mais ventilados pela comunicação social. No quarteto defensivo há, sem surpresas, três intocáveis. Alex Telles alinhará pela esquerda e Pepe e Marcano formarão o par do centro da defesa. O lateral esquerdo brasileiro não tem concorrência nem, sequer, alternativa e os dois centrais veteranos suplantam Osório e Diogo Leite. Mbemba não conta, para já, para o totobola (iniciou significativamente mais tarde os trabalhos de pré-temporada). Já na lateral direita residem, ainda, algumas dúvidas. Manafá parece, para já, levar vantagem, mas muito mal estará o departamento de scouting do FC Porto se Renzo Saravia não conseguir, a curto/médio prazo, suplantar a concorrência do lateral português. Tomás Esteves, jovem de 17 anos está também à espreita.

Alex Telles, que, apesar do assédio avança para a quarta época de Dragão ao peito, foi o mais ovacionado na apresentação da equipa aos sócios
Fonte: FCP

Passemos ao meio-campo. Na zona nevrálgica do terreno reinam, neste momento, Danilo, Sérgio Oliveira e Romário Baró. O internacional português permanece de pedra e cal, apesar da recente polémica em que esteve envolvido, Sérgio Oliveira, regressado de empréstimo, assume o lugar que era de Herrera, e o jovem campeão da europa pelos sub-19, tem mostrado qualidade e vai assumindo um papel entre o meio e a meia direita, em detrimento de Otávio. Loum, médio-defensivo que será a alternativa a Danilo durante a época, está lesionado, mas não é esperado que, regressando de lesão, deixe esse estatuto de alternativa. Para o meio campo deverá chegar, ainda, Mateus Uribe (Club América), médio colombiano que deverá concorrer com Sérgio Oliveira por um lugar ao sol. Uma última nota sobre Bruno Costa. Mostrou nas oportunidades que teve muita qualidade e considero que Sérgio Conceição pode e deve olhar para este jovem talento com mais atenção. Com a infeliz saída de Óliver parece-me o único capaz de dotar o meio-campo portista de mais técnica, melhor visão de jogo e qualidade de passe.

Resta abordar os três jogadores mais ofensivos. Na ala esquerda, Luis Díaz, contratado ao Atlético Júnior Barranquilla da Colômbia, perfila-se como primeira opção, assumindo a dianteira na luta pelo lugar que seria, à partida, de Nakajima. No centro do ataque, Tiquinho Soares vai levando vantagem sobre o reforço Zé Luís e vai sendo secundado por Jesús Corona que jogará a toda a largura do ataque, com alguma tendência para se deslocar para o corredor direito para conferir à equipa a largura que Romário Baró não consegue dar. Nestas contas entrará, mais tarde, Moussa Marega, que chegou mais tarde por via da participação da seleção do Mali na última edição do Campeonato Africano das Nações e que, caso não seja transferido no entretanto, deverá ter entrada direta no onze inicial. Sobram Fábio Silva, que deverá alternar entre a equipa B e a equipa principal e a quem auguro um futuro risonho de azul e branco e Aboubakar que parece mais perto da porta de saída do que de ficar no plantel.

Para terminar, importa deixar o nome de alguns jogadores que estiveram presentes nos trabalhos de pré-época mas que, julgando pelo número de minutos somados, deverão receber guia de marcha de Sérgio Conceição. Na baliza, Mbaye deve regressar à equipa B e no centro da defesa, setor sobrelotado, Diogo Queirós deverá sair para rodar. Chidozie deverá ser para vender e, acredito eu, entre Mbemba, Osório e Diogo Leite apenas haverá espaço para dois. Madi Queta, jovem médio da formação, regressará, também, à equipa B, e nas alas do ataque, Fernando Andrade e Galeno não parecem contar e deverão ser emprestados. Resta o já mencionado, Vincent Aboubakar, que, depois de uma época marcada por uma lesão grave, parece não ter grande espaço ou margem de manobra nas opções do treinador portista.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Egan Bernal é o novo vencedor do Tour de França

Após o decorrer de 21 etapas, o Tour finalmente chegou ao fim. O vencedor foi um estreante e o seu país também nunca tinha conquistado um Tour. Falo de Egan Bernal que se estreou a vencer uma Grande Volta, tal como a Colômbia! Além disso, Bernal é o terceiro mais jovem de sempre a ter conquistado o Tour.

A última semana de Volta à França presenteava-nos com mais uma etapa para os sprinters, logo à 16ª Etapa. O vencedor após 177 quilómetros foi um repetente, de seu nome, Caleb Ewan. O australiano da Lotto Soudal correspondeu bem ao trabalho feito por Roger Kluge e por Jasper De Buyst na parte final da etapa e somou aqui a sua segunda vitória na competição.

Elia Viviani acabou na segunda posição, seguido de Dylan Groenewegen. Peter Sagan acabou na quarta posição e ainda amealhou alguns pontos importantes para a sua camisola verde.

Nesta etapa, Jakob Fuglsang viria a abandonar a competição, devido a uma queda. Wilco Kelderman abandonou no dia de descanso e nem sequer começou a etapa 16.

Na geral individual, Julian Alaphilippe mantinha a liderança, com cerca de 1m:35s para Geraint Thomas e 1m:47s para Kruijswijk. Pinot aparecia na quarta posição a 1m:50s e na quinta posição o colombiano Bernal, a 2m:02s.

Na Etapa 17, com a chegada a Gap, muitas eram as equipas interessadas na fuga. Foram 33 ciclistas os escapados, com presença portuguesa, visto que Nélson Oliveira e Rui Costa se encontravam na fuga do dia.

Os portugueses a tentarem ser felizes, após as conquistas passadas de Sérgio Paulinho e de Rui Costa em Gap.

Sem grandes mexidas no pelotão e com o ritmo pausado da Deceuninck-Quick-Step, os favoritos chegaram a mais de 20 minutos dos primeiros da fuga.

Na frente da corrida, após alguns ataques e desentendimentos, foi o campeão Europeu, Matteo Trentin, quem conseguiu fugir para a vitória. Depois das vitórias de Impey e de Simon Yates (duas), o italiano acabou por somar mais uma para a Mitchelton-Scott. Em segundo lugar acabou Kasper Asgreen e em terceiro Greg Van Avermaet, companheiros de fuga de Trentin.

Na geral individual, não se registaram novidades no top dez.

Matteo Trentin venceu a etapa 17 que terminou em Gap, onde já muitos ciclistas portugueses foram felizes
Fonte: Le Tour de France

A décima oitava etapa ligava as localidades de Embrun a Valloire, com cerca de 208 quilómetros de extensão. Etapa que continha muita montanha e em que mais uma vez se destacaram mais de 30 ciclistas na frente.

Neste grupo estavam nomes importantes das equipas, mas o que mais se destacou foi Nairo Quintana. O colombiano largou a concorrência com alguma facilidade e subiu o Col du Galibier (contagem de categoria extra) destacado na frente. Depois fez uma descida tranquila até à meta, sem que nenhum dos seus colegas de fuga o conseguisse alcançar. Bardet fez segundo, a 1m:35s e Lutsenko acabou na terceira posição a 2m:28s.

Lá atrás, nos favoritos, foi Bernal quem mexeu e ninguém seguiu ao seu ritmo. O colombiano foi um dos vencedores do dia, visto que ganhou 32 segundos para a restante concorrência. O francês Alaphilippe resistiu à subida dura do Galibier, mas acabou por ficar para trás na parte final da subida. Thomas e os concorrentes mais diretos do top dez seguiam, já sem o francês.

A descida até à meta ainda era longa, com cerca de vinte quilómetros de percurso. Como um dos melhores descedores da atualidade, Alaphilippe acabou por alcançar o grupo de Thomas, Kruijswijk, Pinot e Buchmann. Acabaram por chegar juntos à meta.

Na geral individual, Alaphilippe mantinha a liderança, após ter sofrido muito nesta etapa. Agora tinha 1m:30s para o segundo lugar de Bernal e 1m:35s para Thomas. Quintana subiu cinco posições e passou do 12º lugar para o sétimo lugar.

Yan Bingtao vence o primeiro título da carreira no Riga Masters

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Decorria o ano 2017 quando, com apenas 17 anos, Yan Bingtao esteve perto de fazer história no Open da Irlanda do Norte. Nessa edição, o jovem chinês esteve perto de se tornar no mais jovem jogador de sempre a vencer um torneio pontuável para o ranking, mas acabou por perder a final frente a Mark Williams por 9-8.

O seu primeiro título ficou assim adiado e só este Domingo em Riga, a capital da Letónia, o prodígio chinês conseguiu materializar o seu potencial em títulos pela primeira vez.

Numa prova onde até participaram alguns dos principais nomes do circuito mundial, como Mark Selby, Mark Williams ou Jack Lisowski, desde cedo estes se viram afastados e quando a prova atingiu os Quartos-de-Final, já não contava com nenhum elemento do Top-20 do ranking mundial.

O jovem Yan Bingtao, que aos 19 anos ocupa o 21º lugar do ranking mundial, no caminho até à final deixou para trás Rod Lawler, Alan McManus, Chen Zifan, Li Hang e Matthew Selt.

Na final, disputada à melhor de nove frames, teria pela frente o experiente Mark Joyce, que aos 35 anos ocupa o 54º lugar do ranking mundial. O inglês, por sua vez, bateu ao longo do torneio Scott Donaldson, Liam Highfield, Jack Lisowski, Stuart Carrington e Kurt Maflin.

O inglês Mark Joyce foi o outro finalista do Riga Masters
Fonte: World Snooker

Numa final nem sempre bem disputada (apenas Mark Joyce conseguiu um centurie neste encontro), Yan Bingtao conseguiu controlar o resultado desde início, estando sempre em vantagem ao longo de todo o encontro. Numa primeira fase, o chinês colocou-se em vantagem por 2-0, entrando o jogo numa toada de maior equilíbrio, com Mark Joyce a reduzir para 2-1, Yan Bingtao a aumentar para 3-1 e o inglês a reduzir de novo para 3-2.

Após o intervalo, Yan Bingtao regressou mais forte e, com vitória em dois frames consecutivos, decidiu o jogo a seu favor (5-2) e levou para casa o troféu do Riga Masters. O jovem chinês sucedeu assim a Neil Robertson, que tinha saído vencedor da Letónia na última época.

Yan Bingtao torna-se assim no terceiro jogador chinês a conseguir conquistar um título pontuável para ranking, depois de Ding Junhui e Liang Wenbo. E tinha sido precisamente o seu compatriota Ding Junhui o último jogador do circuito a conseguir conquistar um título, tendo uma idade inferior a 20 anos, já no longínquo ano de 2006.

O próximo torneio pontuável para ranking é o International Championship, com data de início agendada para o dia 4 de Agosto. A prova, que na época passada foi vencida por Mark Allen, irá disputar-se na cidade chinesa de Daqing.

Foto de Capa: World Snooker

artigo revisto por: Ana Ferreira

Não vá o sueco chatear-se

«Zlatanear» — dominar com força (in Dicionário da Academia da Língua Sueca): há neologismos que não são usados com a devida frequência e “zlatanear” é sem dúvida um deles. “Dominar com força” pode aplicar-se em tantos momentos das nossas vidas – desde dominar com força a vontade de buzinar no trânsito, a dominar com força cinco imperiais em apenas duas mãos – que chega a ser injusto vermos o termo “zlatanear” perdido num dicionário sueco e na ponta da chuteira de quem lhe dá nome.

Ainda assim, e de forma a combater esta tremenda injustiça, Zlatan Ibrahimović vai fazendo questão de nos lembrar da existência e pertinência deste verbo. A caminho dos 38 anos, e ao serviço do nono clube da carreira, Ibra continua a presentear o mundo com golos irreplicáveis e com uma irreverência inacabável.

Numa entrevista recente à ‘ESPN’, foi perguntado a Zlatan se ainda se achava o melhor jogador da MLS, numa fase em que o mexicano Carlos Vela estava em grande forma nos Los Angeles FC (21 golos em 22 jogos). O avançado sueco não hesitou em responder que sim, considerando a pergunta absurda, dada a diferença de idades entre os dois (Vela tem menos oito anos) e devido ao nível que ainda consegue apresentar quase com 40 anos.

Uns dias depois, os LA Galaxy venciam os Los Angeles FC, por 3-2, num jogo entre rivais da mesma cidade: dois golos de Carlos Vela contra… três de Zlatan Ibrahimović. Após criticar a MLS, dizendo que era “um Ferrari no meio de Fiats”, Ibracadabra fazia magia, ao apontar um hat-trick perfeito (marcou de cabeça, de pé direito e de pé esquerdo): o primeiro golo trata-se de uma verdadeira obra-prima.

Zlatan é uma das grandes estrelas da cidade de Hollywood
Fonte: LA Galaxy

Contudo, Zlatan não atrai os holofotes apenas pelos melhores motivos. Na partida de LA, para além de ter sido preponderante na marcha do marcador, deu uma cotovelada a Mohamed El-Monir , deixando o defesa adversário bastante queixoso. No final do encontro, Ibra foi ainda apanhado pelas câmaras a insultar um dos adjuntos dos Los Angeles FC e voltou a dizer aos jornalistas que não tem nada a provar a ninguém.

Há muito tempo que o caráter conflituoso e arrogante de Ibrahimović é do conhecimento geral. Nunca teve papas na língua e agora, numa liga onde é a maior estrela, está ainda mais longe de sucumbir à modéstia. Os últimos episódios não são, de todo, novidade alguma: em 2016, o sueco perdeu a cabeça e apertou o pescoço ao defesa do Fenerbahçe, Simon Kjær; fora das quatro linhas, a lista de frases polémicas proferidas por Ibra vai aumentando sem fim à vista; ainda este mês, afirmou que faria um trabalho melhor no AFC Ajax do que qualquer atual dirigente do clube holandês onde jogou.

Se nós, comuns mortais, vamos tentado dominar com força as pequenas adversidades que temos pela frente, Zlatan, que nas redes sociais se assume como um deus, vai zlataneando no seu próprio universo. A explicação para que este neologismo não seja usado por mais ninguém a não ser pelo próprio Zlatan, afinal de contas, é simples: a persona criada por Ibrahimović é de tal forma única que seria uma falta de respeito tentarmos apropriar-nos de uma expressão do mesmo. Que dominemos, então, com força esta necessidade de zlatanear que até agora desconhecíamos. Não vá o sueco chatear-se.

Foto de Capa: LA Galaxy

artigo revisto por: Ana Ferreira

Há vida além dos grandes

Portugal é um país sui generis no que a futebol tange. Ao contrário da maioria das nações do mundo, apenas duas cidades tiveram clubes campeões nacionais. Falamos, pois, dos dois maiores centros urbanizacionais do país: Porto e Lisboa.

Dentro destas, apenas, dois emblemas, por uma vez cada, conseguiram “furar” o crónico domínio dos três mais titulados. Como todos saberão, tal ocorreu com o Belenenses, na longínqua temporada de 1946 e com o Boavista no virar deste século.

Fora estes, assistimos a algumas ameaças ao crónico domínio dos três mais titulados, sendo que, tal ataque ao poder faz-se por ciclos. Poderemos falar do ciclo do Belenenses (com o tal título) da Académica de Coimbra, do Vitória FC, do Vitória SC, do Boavista (que também conheceu a glória) e nos dias que correm do SC Braga.

Os axadrezados foram o último clube “pequeno” a vencer o campeonato português
Fonte: Boavista FC

Contudo, ao mencionarmos estes emblemas, falamos de projectos dotados de pouca sustentabilidade e, quase sempre, dotados do arrojo e da ambição de uma direcção menos conformista, mas destinados a soçobrar perante qualquer contrariedade, ou uma simples mudança de rumo desportivo. Aliás, bastará ver que nenhum destes emblemas conseguiu criar um modelo que o fizesse perpetuar-se como alternativa.

Tal, levará à sacramental questão, da razão que leva  a que tal ocorra? A resposta deverá ser encetada pelo tecido social. Na verdade, para entendermos o nosso mundo e a sua ambiência, deveremos conhecer as pessoas que nele vivem. E, falando de futebol português, diremos, com tristeza, que a maioria dos adeptos, apenas, têm olhos para os três mais fortes. Salvos raras excepções e alguns clubes que são “ aldeias dos gauleses no meio dos romanos”, o adepto português não tem predilecção pelo jogo em si e muito menos é dotado do telurismo necessário para amar o que lhe está próximo.

Tal ajudará a que uma qualquer campanha de marketing de um emblema titulado possa ser um êxito a 400 quilómetros de distância, enquanto o clube próximo (mas que não ganha!) não consegue que uma mera campanha de angariação de sócios decorra de modo satisfatório.

Além disso, há a imprensa. Deixemo-nos de dourar a pílula! Todos os jornais mundiais que falam de futebol, procuram conquistar os leitores através de títulos apelativos sobre os maiores clubes, os que mais vencem!

Porém, os jornais portugueses levam esta tendência ao extremo! Falamos de órgãos de comunicação social utilizados para incensar os clubes mais fortes, tendo cada uma preferência bem declarada e não dando espaço aos demais emblemas. Na formação do adepto pelos meios de comunicação social será mais importante o jogo entre a equipa de reservas de um desses emblemas do que um jogo das competições europeias de uma equipa que não pertence aos mais fortes. Obviamente, que a intoxicação começa desde o berço.

Falemos das televisões… incapazes de reconhecerem méritos a emblemas que tudo fazem para crescer. Capazes de terem programas em que três elementos de painel falam, como se estivessem na mesa de um café, durante horas, mas sem tempo para dar contraditório aos emblemas que contra eles jogam, sem tempo para dar a conhecer outras realidades, outros mundos, outras ambições.

Nestas, nos jornais e, agora, até nas redes sociais, uma nova forma de doutrinar: os opinion-makers. Aqueles que, além de nos jornais professarem que no país só há três cores, utilizam o Facebook, o Instagram e afins para espalharem essa mentalidade e doutrinarem segundo o clube da sua predilecção…

Aliás, a comunicação social portuguesa até dá a entender que o melhor no país seria apenas existirem os mais fortes. Poupavam-se páginas, o jornal sairia mais barato, nas televisões ninguém recalcitraria, e seria um êxito. Porém, o mundo não é como eles querem…

Só o SC Braga tem-se conseguido intrometer na luta pelo pódio nos últimos anos
Fonte: SC Braga

O SC Braga tem ambições em afrontar o poder deles mais uma vez e entrar na fase de grupos da Liga Europa! O Vitória SC quer aproximar-se e entrar, também, fase de grupos da Liga Europa! A Taça de Portugal, depois de alguns anos, só no pretérito voltou a ter dois dos mais titulados a disputá-la… isto depois de Académica, Vitória SC, SC Braga e Desportivo das Aves terem nela saboreado a glória! A Taça da Liga, apesar de ter passado incógnito nos jornais, até já teve o Moreirense como vencedor… engraçado as vezes que o ano passado os jornalistas se referiam ao Sporting como “campeão de Inverno” e como olvidavam isso aquando da primeira equipa a ostentar tal honra: o Moreirense.

Porém, os adeptos, os verdadeiros que amam o desporto rei, estão atentos e vigilantes no sentido de impedir que o desporto-rei nacional se torne um monopólio cada vez mais declarado. Há vida, e bem saudável, além dos ditos grandes!

Foto de Capa: Boavista FC

Artigo de opinião de Vasco André Rodrigues

artigo revisto por: Ana Ferreira

Qual o melhor contexto para integrar os jovens da formação?

Esta pré-temporada ficou marcada por um pormenor em comum nos três grandes: a aposta na formação. Para começar a preparar a nova época, os treinadores dos três grandes decidiram apostar na formação e chamar jovens vindos directamente das camadas jovens para treinar com a equipa principal e poderem ser avaliados e terem uma oportunidade a conquistar um lugar no plantel, ou simplesmente, a terem uma aprendizagem que lhes poderá ser útil no futuro.

Todos estes jovens chamados pelos três grandes tiveram a oportunidade de ter minutos de jogo na pré-temporada. O principal objectivo na pré-temporada é testar novas soluções através da formação (e não só) e criar um grupo. Como tal, dentro deste contexto, os jovens integrados nos trabalhos de pré-temporada têm de sentir que fazem parte do grupo e que o treinador conta para com eles para a temporada.

Mas afinal, qual é o melhor contexto para integrar um jogador vindo da formação num jogo da equipa principal? Há uns tempos atrás, o cenário mais habitual de se ver eram os miúdos a jogar junto com outros jogadores que não eram opções habituais no plantel. Mas aos poucos, o cenário tem vindo a mudar.

Thierry Correia tem boas possibilidades de ser titular na Supertaça
Fonte: Sporting CP

Nesta temporada, jogadores como Nuno Tavares, Thierry Correia, Diogo Costa, Tomás Esteves, Romário Baró e Fábio Silva tiveram algo em comum: todos eles tiveram minutos de jogo na pré-época, num onze maioritariamente composto por jogadores titulares.

Na minha opinião, este é o melhor contexto para avaliar os jovens que transitam directamente da formação para a equipa principal. Porque, no final de contas, integrá-los na equipa-base com muitos jogadores titulares é o melhor contexto. Isto permite aos treinadores avaliar se estes conseguem encaixar nesse mesmo contexto e se estão preparados para encarar desafios mais exigentes na equipa principal.

Neste aspecto, acho que os jovens lançados por Sérgio Conceição deram uma resposta particularmente positiva, visto que conseguiram sobressair no contexto em que foram lançados, apesar das características de cada um deles (nomeadamente de Romário Baró) não serem as ideais para o modelo de jogo de Sérgio Conceição.

De qualquer das maneiras, folgo em saber que aos poucos e poucos, vai mudando o paradigma no futebol nacional em termos da aposta na formação e que os jovens vão começando a ter mais oportunidades, mesmo num contexto que não seja o mais propício às suas potencialidades.

Foto de Capa: Liga Portugal

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

O grito de Dalilah

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O recorde mundial dos 400 metros barreiras tinha 16 anos. Várias vezes falámos da possibilidade do recorde da disciplina estar em risco de cair tanto no masculino como no feminino, coisa que acabou por acontecer. Neste último domingo à noite o recorde feminino foi quebrado.

É curioso que mesmo sendo a campeã olímpica e desde 2016 a 6ª mais rápida de sempre na distância, a norte-americana Dalilah Muhammad não dominava as conversas para a quebra do recorde mundial. Essa honra pertencia à jovem Sydney McLaughlin que parecia destinada a bater o recorde da russa Yulia Pechonkina.

McLaughlin era, à partida da final dos Campeonatos Norte-americanos, a líder mundial de 2019 e aos 19 anos a 9ª mais rápida de sempre na distância com barreiras. É alguém que muitos apontam como a maior promessa do Atletismo mundial feminino e domingo voltou a correr muito rápido (52.88s, na que seria a melhor marca do ano).

Mas quando chegou à meta parecia distante, muito distante de Muhammad. Isto porque Dalilah Muhammad voou fazendo uma corrida que parecia um ‘grito de revolta’, um grito para mostrar “eu estou aqui e sou a campeã olímpica por algum motivo”. Correndo como nunca alguém correu, os seus 52.20s retiraram do livro dos recordes os 52.32s da russa Pechonkina, que foram alcançados em Agosto de 2003, na Rússia.

Dalilah Muhmmad tentará agora, aos 29 anos, conquistar o que nunca alcançou: o título mundial de séniores! É verdade que foi campeã mundial juvenil em 2007, mas isso não é a mesma coisa. Como sénior, além do título olímpico, foi por duas vezes medalhada de Prata em Mundiais: Moscovo em 2013 e Londres em 2017, perdendo para a compatriota Kori Carter quando era a grande favorita após a vitória nos Trials norte-americanos.

Quanto a Sydney, aos 19 anos, ainda terá com certeza muitas oportunidades de se aproximar ou bater essa marca mundial e também estará em Doha a lutar pelo título mundial.

A expressão de Sydney McLaughlin reflete o que vimos em pista
Fonte: USATF

Na distância mais curta, os 100m barreiras, Kendra Harrison provou estar em excelente forma com 12.44s, com ventos contrários de -1.2. À recordista mundial juntam-se em Doha a campeã olímpica (Brianna McNeal) e Nia Ali (Prata no Rio), um ano depois do nascimento do 2º filho (e o pai é um tal de Andre de Grasse!).

Nos homens, os jovens que dominaram os 110m a nível universitários e líderes no mundo (Grant Holloway e Daniel Roberts) vão mesmo a Doha, mas parecem estar a “perder o gás”, existindo dúvidas de como chegarão aos Mundiais. Ainda assim, faltando 2 meses podem muito bem ainda descansar até lá…nos 400m barreiras foi mais um show de Rai Benjamin em 47.23s, sem oposição.

Os 10 favoritos à conquista da 81ª Volta a Portugal

Está quase aí, a maior prova do calendário português no mundo velocipédico. No ano passado tivemos Raúl Alárcon (W52-FCPorto) como vencedor final, no entanto, este ano o corredor teve uma queda no G.P Abimota e ainda não está recuperado da sua lesão, o que impossibilita a sua participação nesta 81ª Volta a Portugal Santander. Ele estava pré-inscrito, mas o seu nome foi removido, com Gustavo Veloso a ser chamado para o seu lugar.

A prova irá começar no dia 31 em Viseu e acabará no dia 11 de Agosto, tendo como ponto de chegada a cidade do Porto. Mas vamos ver quais são os dez corredores favoritos à vitória final da Volta a Portugal em Bicicleta! Quem sabe se um deles não irá erguer o troféu mais prestigiado no ciclismo nacional.

As 5 melhores contratações do SL Benfica nos últimos 10 anos

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Uma nova temporada está prestes a começar e há várias entradas e saídas no plantel dos encarnados, mas vamos falar das cinco melhores contratações do SL Benfica nos últimos 10 anos.

Ao longo deste tempo, o Glorioso teve vários jogadores de classe mundial e, por isso, nem todos estarão mencionados neste artigo. Nomes como Grimaldo, atualmente no plantel; Ramires, um dos melhores médios na história recente do SL Benfica; Salvio, que se transferiu neste defeso e até Rodrigo Moreno poderiam constar nesta lista de verdadeiros craques.