Início Site Página 10566

Flamengo 1-1 Athletico Paranaense (2-3 g.p): Displicência e excesso de confiança traem Jesus

Em jogo a contar para a segunda mão dos quartos de final da Copa do Brasil, o Athletico Paranaense levou a melhor perante o Flamengo. O resultado da primeira mão repetiu-se no Maracanã (1-1) e o vencedor apenas ficou conhecido na lotaria dos penaltis.

O emblema do Rio de Janeiro entrou com pressa de chegar à baliza adversária, uma vez (que o primeiro jogo desta eliminatória terminou empatado a uma bola, na casa do Athletico Paranaense) e que os golos fora não contam nesta competição. De Arrascaeta, de cabeça, deixou o primeiro aviso a Santos, após uma boa jogada construída a partir de trás, com passes curtos e rápidos, que envolveu praticamente toda a equipa do Flamengo. O médio uruguaio sairia lesionado aos 13’.

O Flamengo apresentou-se no 4-4-2 habitual das formações de Jorge Jesus, e ao contrário do último jogo, os jogadores já começam a mostrar o entrosamento com as ideias do técnico português. A marcação de bolas paradas, as movimentações do médio mais defensivo (Cuéllar) a descer no terreno para a construção de jogo a três, projetando os laterais abertos nas alas, foram apenas alguns dos sinais que terão agradado a “JJ”.

O “Fla” entrou com tudo e a nova “pérola” do Ninho do Urubu (palavra bastante atual, utilizada para denominar cada jovem jogador com idade inferior a vinte anos que aparece na equipa principal de um clube), Lincoln, à boca da baliza, atirou ao poste, depois de uma boa combinação entre Gabigol e Rafinha (16’).

Nesta fase, a equipa de Curitiba mal tocava na bola. Era notável a pressão ao portador da bola e a agressividade (no bom sentido futebolístico) que o Flamengo exercia, tanto defensiva como ofensivamente. Incrível como todo o jogo do Flamengo passava inevitavelmente por Diego ou Éverton Ribeiro.

Aos 24’ Rony podia ter sido expulso por um “pisão” a Rafinha, mas o árbitro poupou-o com um amarelo. Logo depois, o mesmo Rony teve a oportunidade mais flagrante do Athletico Paranaense na primeira metade, um remate por cima da baliza adversária, numa altura em que o “time” do Paraná começou a equilibrar o jogo, em resposta à entrada fulgurante do Flamengo.

Fonte: Clube Athletico Paranaense

O segundo tempo começou como o primeiro, com ligeiro ascendente do “Fla”, mas faltava-lhes alguma coisa… Vitinho, nem de perto nem de longe, trabalha o mesmo para equipa que De Arrascaeta. Sem querer com isto atribuir culpas individuais ou tirar mérito ao Athletico que trouxe a lição bem estudada

Vitinho, que até ao momento andava escondido do jogo, depois de um drible que deixou para trás Jonathan, descobriu Éverton no coração da área, que assistiu, de cabeça, Gabigol, para o 1-0 (63’).

Como seria de esperar, e porque o Athletico Paranaense tinha de correr atrás do prejuízo, tentava instalar-se no meio campo ofensivo. Conseguia, mas por pouco tempo. Não por falta de qualidade na circulação de bola, mas pela pressão exercida. Até que Bruno Nazário aproveitou a desorganização da defesa do Flamengo para isolar Rony, que, na cara de Diego Alves, não tremeu e igualou a partida e a eliminatória (77’). Oportunidade caída do céu.

O ex-FC Porto, Lucho González, entrou aos 88’ mas ainda teve tempo para deixar os adeptos do Flamengo com o coração nas mãos, com dois remates cheios de intenção. É a prova viva de que, “quem sabe, não esquece”. Mas não passaram apenas de sustos, e o vencedor teve de ser decidido pela marca das grandes penalidades.

Da marca dos 11 metros, Diego, Vitinho e Éverton Ribeiro falharam de forma displicente. Ou talvez estivessem demasiado confiantes que fossem marcar. Tal não aconteceu. Apenas Cuéllar marcou para os da casa. Jonathan, Bruno Guimarães e o veteraníssimo, Lucho, marcaram para o Athletico.

A verdade é que, se fosse pelas oportunidades criadas e pelo bom futebol praticado, o Flamengo seria o justo vencedor. Mas o futebol nem sempre é justo, nem sempre ganha o melhor. E nos penaltis, vence o mais eficaz. Neste caso, foi o Athletico Paranaense, que nas meias finais irá defrontar o Grêmio de Porto Alegre.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Flamengo: Diego Alves, Rafinha (Rodinei, 87’), Duarte, Caio, Rene, Cuellar, Éverton Ribeiro, Diego, De Arrascaeta (Vitinho, 14’), ‘Gabigol’ e Lincoln (Berrio, 59’)

Athletico Paranaense: Santos, Azevedo (Lucho González, 88’), Jonathan, Pereira, Róbson Bambu, Jonathan, Wellington, Bruno Guimarães, Nikão (Nazário, 69’), Rony, Marcelo Cirino (Vitinho, 84’) e Marco Rúben

Nas Varandas da FIFA

0

O termo que resume a seguinte dissertação é “ilusória”. Não no sentido utópico da palavra, mas na ignomínia que a circunscreve. Teço o paralelismo com a igreja e o ato de confissão, ciente do meu fundo agnóstico e, digamos, cético. Ora, ação é completamente infrutífera: uma pessoa ajoelha-se, segreda com o Reverendo e relata as infâmias cometidas e depois?  O vigário ordena as preces a palrar, nós, devotamente, (pelo menos é o objetivo) seguimo-las à risca e adiamos o mais possível a nova visita. A terapia resultou ou não? Os remendos foram cosidos com agulha e novelo de lã? Pois, ninguém sabe… O meu palpite aponta para a descrença acerca de tal teoria.

Frederico Varandas, nos primeiros dias de estágio na Suíça, visitou a sede da FIFA em Zurique e reuniu-se com Gianni Infantino. Atenção, não exprobro a iniciativa do líder leonino, muito pelo contrário porque o diálogo sempre foi, desde os primórdios, a álea expediente e da metamorfose. Censuro, sim, a posição daqueles que efetivamente se superiorizam, da entidade que meneia e regula o futebol. Falou com o Robin dos Bosques no pensamento, propôs a regularização do mercado de transferências, alertando para as receitas que não chegavam integralmente aos clubes e ainda para o rapto precoce de futuros diamantes por lapidar.

Frederico Varandas aproveitou a deslocação à Suiça para se encontrar com Gianni Infantino, o presidente da FIFA
Fonte: Sporting CP

A investida era bem-intencionada. Porém, a surdez subsistirá. Designo as conversas como falares libidinosos. Por momentos, acende-se aquela vontade sôfrega onde a única preocupação é, realmente, solucionar os factos dúbios; porém, a fugacidade tudo molda e reduz a cinzas toda e qualquer possibilidade de consenso. Infelizmente, sinto que muitos adeptos interpretam o debate como um confesso típico de um missal, aquele rogo que se verte sempre que se lá vai e que, no final, termina com um cumprimento cordial, simbolizando o carimbo. Uma balela pegada!

O êxito é fadado aos tubarões e às baleias. Sardinhas carecem de autoridade e prestígio para incitar à mudança. O poder confina-se ao numerário e, quem o detém, acena com as verbas e os salários chorudos: os petizes, aqueles que são, não a prata, mas o genuíno ouro da casa, deixam-se enfeitiçar pelo calhamaço, os pais são adquiridos (perdão, persuadidos) a permitir que eles adejem para outras superfícies. Os ricos cada vez mais abonados, os pobres comendo as passas….

A justiça procura-se, a igualdade idem. Enquanto tal não acontece, a redação é inconsequente, bem como o diálogo, bem como os confessos. O melhor é seguirmos o exemplo de Santo António…

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Portugal 1-1 Espanha (sub-19): duelo ibérico termina em igualdade

Portugal e Espanha empataram esta quarta-feira a uma bola, num encontro a contar para o Campeonato da Europa sub-19, que decorre até 27 de julho na Arménia. Os golos de Miranda – em cima do intervalo – e de Fábio Vieira – na conversão de um livre direto – definiram o resultado.

A seleção espanhola até entrou mais atrevida, mas rapidamente os jogadores portugueses conseguiram introduzir o seu ADN no jogo, fazendo a bola circular através do passe curto.

Com muito calculismo de ambas as partes, a Roja foi a primeira equipa a criar verdadeiro perigo, quando, aos 31 minutos, dois remates dos espanhóis foram intercetados pela defesa portuguesa. Num primeiro instante, pediu-se penálti contra Portugal por mão na bola de Tiago Lopes, mas o árbitro nada assinalou.

Dez minutos depois da ameaça espanhola, a formação de Santi Denia chegou mesmo à vantagem: Juan Miranda, lateral do FC Barcelona, acertou no poste da baliza de Celton Biai e, na recarga, atirou para o fundo das redes. Os espanhóis recolhiam aos balneários com um 1-0 muito satisfatório.

A seleção espanhola é a principal favorita a vencer o torneio
Fonte: RFEF

No reinício da partida, aos 49 minutos, a seleção portuguesa ganhou uma falta à entrada da área e, através da marcação do livre direto, reestabeleceu a igualdade: Fábio Vieira, que havia sofrido a falta, foi o arquiteto do lance, com uma execução primorosa de pé esquerdo. O médio do FC Porto – que até esteve convocado para a pré-temporada dos azuis-e-brancos – tem sido um dos elementos em destaque neste Europeu.

Aos 56 minutos, Celton Biai foi chamado a intervir em duas ocasiões: na primeira, saiu bem aos pés de Bryan Gil e, de seguida, na sequência do cruzamento do camisola ‘22’ espanhol, defendeu o cabeceamento de Abel Ruiz.

O ponta-de-lança do Barcelona voltaria a visar a baliza de Celton três minutos depois, mas Gonçalo Loureiro impediu que o esférico levasse a direção certa. A Espanha ia-se agigantando e Portugal via-se obrigado a recuar o seu bloco defensivo.

Ferrán Torres era outra das figuras com maior clarividência e, aos 61 e 75 minutos, também esteve próximo de acrescentar o seu nome à lista dos marcadores. Os remates do extremo do Valencia CF acabaram, contudo, por não ir à baliza de Biai.

Em cima do minuto 80, Fábio Vieira voltou a fazer das suas e disparou rasteiro com o melhor pé, com a bola a ir uns centímetros ao lado do poste direito de Arnau Tenas. Era a melhor oportunidade portuguesa após o golo do empate.

Com este resultado, as duas seleções ibéricas partilham os lugares cimeiros do grupo A, com vantagem para a Espanha devido ao número de golos marcados. No sábado, a equipa das Quinas tem encontro marcado com a anfitriã Arménia, ao passo que os espanhóis defrontam a Itália.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Portugal: Celton Biai, Tomás Tavares, Gonçalo Loureiro, Gonçalo Cardoso, Tiago Lopes (Costinha, 65’); Diogo Capitão, Vítor Ferreira (Samuel Costa, 76’), Fábio Vieira (Daniel Silva, 83’); Félix Correia, João Mário (António Gomes, 83’), Tiago Rodrigues (Tiago Gouveia, 65’).

Espanha: Tenas, Sánchez, García, Guillamón, Miranda; Blanco, Gómez (Barrenetxea, 80’), Moha (Mollejo, 85’); Torres, Gil (Sanz, 85’), Ruiz (Marques, 90’).

Cricket World Cup: A mais bela final

0

A jogar em casa, a Inglaterra é finalmente Campeã do Mundo. Mas, não foi fácil. Bem longe disso, na verdade. Depois de uma primeira fase sem grande brilhantismo e uma meia-final arrasadora, o mais belo e doloroso capítulo escreveu-se numa final que ficará para a história da modalidade como um dos seus mais emocionantes jogos.

À entrada para o Mundial de 2019, os anfitriões da Inglaterra e País de Gales (ainda que a equipa seja conhecida somente como ‘Inglaterra’) eram os maiores candidatos, apresentando uma forma consistente ao longo dos meses que antecederam a prova, mas com nações como a Austrália e a constelação de estrelas da Índia a partilharam boa parte do favoritismo.

Todos os capitães das nações participantes do Cricket World Cup
Fonte: ICC
A primeira fase, de formato liga a uma volta entre todos os dez apurados, demonstrou haver bastante equilíbrio, contou com quatro partidas que não se realizaram devido à chuva e apenas o Afeganistão foi para casa sem somar qualquer ponto. Com sete vitórias, Índia e Austrália apuraram-se sem dificuldades de maior para as meias. A Inglaterra correu a certa altura o risco de ficar de fora, especialmente com as duas derrotas consecutivas nos jogos seis e sete, mas venceu as últimas duas partidas para confirmar o terceiro posto. Já a Nova Zelândia, apurou-se com cinco vitórias, ficando à frente do Paquistão no desempate por NRR (Taxa Líquida de Corridas).

Nas semi-finais, a Inglaterra dominou a Austrália de forma soberba. A bater em segundo lugar, os da casa triunfaram por oito wickets e com mais de 100 bolas ainda por bater. Na outra partida, houve bem mais equilíbrio. A Nova Zelândia bateu primeiro e a Índia respondeu à altura levando o encontro para o último Over. Mas, já só com Chahal a bater, este foi eliminado com três bolas por bater e a sua equipa a ainda precisar de 19 corridas.

Finalmente, no grande jogo decisivo, tudo foi levado ao limite. No último Over do jogo, a Inglaterra precisava de 15 corridas para vencer o Mundial. As duas primeiras bolas deram um redondo zero, mas à terceira Stokes acertou em cheio para fora do terreno de jogo para um seis.

Seguiu-se uma jogada memorável e que marcou o campeonato. Stokes bateu para duas corridas, mas ao atirar-se para a base na segunda para não ser eliminado, a bola lançada por em direção à base bateu caprichosamente no taco de Stokes e desviou-se até ao limite do campo para mais quatro. Com duas bolas e a precisar de três corridas, o cenário parecia melhor para os ingleses, mas apenas conseguiram uma corrida por cada e o jogo foi para Super Over.

Foi mais do mesmo. Parece aborrecido assim escrito, mas foi tudo menos isso. A Nova Zelândia esteve a centímetros de conseguir mais uma corrida na última bola, que lhe teria dado o título, mas acabou empatada a final e a Inglaterra saiu por cima no desempate por limites, elevando-se pela primeira vez e perante o seu público ao estatuto de Campeã do Mundo.

O evento termina assim com terceira vitória consecutiva de um dos organizadores (Índia e Austrália ganharam os Mundiais que organizaram em conjunto com, respetivamente, Sri Lanka e Bangladesh e Nova Zelândia) e pode ser considerado um sucesso a todos os níveis como bem comprovam os mais de oito milhões de britânicos que assistiram à final pela televisão.

Foto de capa: ICC

Os 10 jogadores que se destacaram na Summer League

0

Dizem que o que acontece em Vegas, fica em Vegas. Mas quem o diz, certamente, não acompanha a Summer League, competição que juntou nas últimas duas semanas alguns dos melhores jovens basquetebolistas do mundo à procura de um lugar na NBA. A Summer League tem crescido em termos de interesse e que, para muitos, é o primeiro passo para o sucesso na melhor liga do mundo.

IAAF Diamond League: O Bola na Rede no Mónaco… e em Londres

0

O meeting do Mónaco, pertencente ao circuito Diamond League, voltou a não desiludir. O Stade Louis II presenciou grandes prestações com direito a recordes pessoais, nacionais, do meeting e até recordes mundiais! A Diamond League volta já neste fim-de-semana com a etapa de Londres separada em dois dias com Pablo Pichardo e Nelson Évora em prova no sábado.

O Meeting do Mónaco – Herculis
O Mónaco recebeu mais uma etapa da Diamond League
Fonte: Bola na Rede

Estivemos presentes no Stade Louis II no nosso primeiro meeting Diamond League desta temporada. Cedo deu para perceber porque é que esta paragem é uma das preferidas dos atletas. É verdade que o Mónaco é algo que não é especialmente excitante em termos de entretenimento e variedade.

Sim, cheira a dinheiro por cada rua, mas isso em nada disfarça a atmosfera artificial de um local que de identidade própria muito pouco tem – prova disso é que à entrada do estádio eram dadas bandeiras do Mónaco…francesas…ou italianas para os fãs escolherem! De qualquer forma, o ambiente no estádio em tudo contrasta com essa artificialidade do principado monegasco. Por ali se percebe que o público percebe de Atletismo. Vive cada prova como se fora uma final global e trata os atletas como verdadeiras estrelas.

Claro que tudo isso tem também uma explicação: as bancadas do Estádio Louis II não são cheias por residentes do Mónaco. Na verdade, nas bancadas deu para perceber que existe gente a viajar de todos os pontos do sul de França e até das ilhas e norte italiano.

Pudemos também vislumbrar as bancadas cheias de crianças e adolescentes, sendo que os convites às escolas de Atletismo são um aspeto muito positivo deste meeting. Chegámos a conversar com uma equipa de 18 jovens vinda da ilha italiana da Sardenha! É de realçar a comunhão destes jovens atletas (e futuras estrelas) com as atuais estrelas da modalidade, sabendo os nomes de cada atleta como se de verdadeiros especialistas de Atletismo se tratassem.

Stade Louis II com as bancadas compostas para este meeting no principado monegasco
Fonte: Bola na Rede
A nível de organização não é, ainda assim, uma organização cinco estrelas (fica atrás de Londres ou Bruxelas, por exemplo). Existiu alguma desorganização na entrada e saída dos espetadores e não existiu atividades fora do estádio para os mais jovens se divertirem (ao contrário do que acontece em várias etapas DL). A organização aproveitou pouco a enorme afluência de jovens, o que poderia até proporcionar momentos únicos para esses fãs – muitos com cartazes pendurados durante os 120 minutos, indo para casa sem qualquer assinatura dos seus ídolos.

Eusébio Cup: o eterno golo do Benfica

0

Quando em 1992 se erigiu uma estátua à entrada da Luz, simulando o pontapé mais perfeito da história do Benfica, o gesto tornou-se importantíssimo na simbologia e um passo vital rumo ao total agradecimento à maior figura da nossa história. Enquanto símbolo, a Pantera voa quase tão alto como a águia, à custa das asas duma memória popular que se mantém forte como aquele Benfica dos ’60. O passo dado em 2008, com o projecto Eusébio Cup, foi de igual importância na valorização da lenda.

Se os clássicos europeus foi uma das marcas daquela equipa, fazia todo o sentido relembrar essas tardes-noite que tardaram (e tardam, oficialmente…) em repetir-se. Inter, Milão, Tottenham, Arsenal, Real Madrid, Ajax?  A final injustamente marcada para San Siro? O carrinho de Pivatelli em Coluna, naquela tarde de Wembley? A vantagem corajosamente defendida em White Hart Lane?  Os… 5-3? A passagem de testemunho entre Eusébio e Cruyff? Sim! Que se ponham as velhas gerações a marinar no oceano da memória e que se ponham os mais novos a marinar no da imaginação, como o fizeram estes jogos! É imperativo que haja um momento desta importância em cada Agosto, que a cada pré-época, já elas recheadas de sonhos, se sobreponham outros sonhos e se agradeça aos heróis da nossa história.

Grande iniciativa do Benfica pós-tragédia. Convite á Chapecoense, que infelizmente não se deslocou a Lisboa por impedimento da… Confederação Brasileira de Futebol
Fonte: SL Benfica

Quando, em 2014, Eusébio se despede e parte rumo ao Olimpo, num dia em que até o céu chorou, a importância e carga emocional da ocasião aumentou exponencialmente. O Rei foi demasiado cedo, seria sempre demasiado cedo. Tornou-se imperial manter e fortalecer a tradição, torná-la perpétua no calendário e discernir os «os valores mais altos que se levantam», como o Sr. Mário Wilson exaltou em certa gala. E se nesse ano ainda o relembrámos com a prestigiante presença do Ajax, fica a sensação dum certo… desleixo a partir daí. Em 2015, depois daquela pré-época atribulada pelas Américas, a homenagem é festejada em Monterrey sob pretexto de 10 (!) jogos de Eusébio com a camisola local. Conveniência? Se fica difícil argumentar contra essa ideia, como defender a ocupação do Algarve dois anos depois? Impossível. Se a ideia Monterrey tiver realmente sido com boas intenções, porque não continuar o projecto e deslocar a taça para Maputo, Tomar ou Toronto? De destacar a edição com a presença do Torino e o convite á Chapecoense, infelizmente recusado por motivos ainda dúbios, atitudes que engradecem o nome da instituição e o de Eusébio e que se coadunam com os valores fundadores.

Apanhando a boleia da ideia de Tiago Pinto que, ainda este mês, afirmava que «ou se faz com dignidade ou não se faz», a Eusébio Cup é algo que tem de ser encarado como total prioridade para o planeamento benfiquista, garantindo com toda a antecedência as condições necessárias à exaltação da memória de Eusébio, ano após ano. A inexistência duma homenagem é uma situação que não pode nem deve repetir-se porque, como exalta o hino original,

E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,

Honrai agora os ases

Que nos honraram o passado!

Foto de Capa: SL Benfica

Poderá Adrien Rabiot encaixar na Juventus de Sarri?

Já há algum tempo que o destino de Adrien Rabiot estava traçado mas só no passado dia 1 de julho é que aconteceu a oficialização. O francês de 24 anos estava em final de contrato com o Paris Saint-Germain e por isso a transferência sucedeu-se a custo zero. Mesmo sendo um jogador livre, a assinatura pela Juventus, garantiu um prémio na ordem dos 10 milhões de euros e um salário anual de sete milhões de euros.

Toda esta operação concretizou-se porque o francês rejeitou renovar contrato devido à pouca utilização por parte do espanhol e atual treinador do Arsenal, Unai Emery, aquando da sua passagem pelo PSG.

Tudo se complicou ainda mais quando Rabiot ficou de fora da lista principal do selecionador Didier Deschamps para o Mundial de 2018, rejeitando de seguida ficar na lista de suplentes.

Rabiot foi o marcador do golo da derrota do PSG frente ao Real Madrid (3-1) nos “oitavos” da Liga dos Campeões 17/18
Fonte: PSG FC

Desde então a luta interna foi grande e Rabiot faz a sua última partida pelo conjunto francês a 11 de dezembro de 2018, sendo depois afastado do plantel. O alemão Thomas Tuchel, atual treinador do PSG, tentou integrar o jogador mas o “braço de ferro” com o direto desportivo, Antero Henrique, nunca permitiu ao alemão dar oportunidades ao francês.

A pouca utilização no PSG de Unai Emery, a ausência na lista final para o Mundial de 2018, que a França acabaria por vencer e os conflitos entre o diretor desportivo e a sua mãe que é quem o representa, proporcionaram todo este desenlace. Uma história longa, com muitos momentos desagradáveis para qualquer das partes mas que chegou ao fim a partir do momento que o jovem promissor francês inicia um novo ciclo na Juventus, um dos melhores clubes do mundo. Pelo clube parisiense conquistou seis Ligas, quatro Taças, três Supertaças e cinco Taças da Liga. 

A chegada de Rabiot ao clube de Turim deixa os adeptos na expetativa e daquilo que o novo treinador, Maurizio Sarri, tem em mente. Estamos a falar de um treinador que tem o 4x3x3 como estilo tático predileto e que neste momento conta com Pjanic, Emre Can, Ramsey (contratado também a custo zero neste mercado), Bentacur, Matuidi e Khedira (estes dois últimos na iminência de sair) para o meio-campo. São seis o número de jogadores para aquela posição.

Rabiot confessou que o facto de poder jogar com Ronaldo pesou na decisão de assinar pela Juventus
Fonte: Juventus FC

Na minha opinião, o treinador italiano apostará num meio-campo com Pjanic-Rabiot-Ramsey, com o francês a desempenhar funções mais avançadas, pois tem grande qualidade no passe, na velocidade que impõe com o seu corpo e no drible preciso com bola, atributos úteis numa saída rápida para o ataque. Já para não falar na grande capacidade que tem para rematar de longe.

 

Foto de Capa: Juventus FC

 

As 3 razões para o (in)sucesso do Borussia Dortmund

O bi campeonato conquistado pelo Borussia Dortmund em 2011/12 parece que remonta a um tempo longínquo,um tempo em que Jurgen Klopp, timoneiro na turma dos auri-negros, liderava uma autêntica constelação de estrelas, como Lewandowski, Mats Hummels,Mario Gotze, Shinji Kagawa, Ivan Perisic, Kehl, Gundogan, Subotic,Blaszczykowski, Lukasz Piszczek, entre tantos outros.

De então para cá o Borussia não mais festejou um título alemão, Klopp saiu e terá levado com ele também muita da sua mística que em comunhão com os adeptos faziam uma  simbiose perfeita.

Que factores então, terão feito com que o Borussia Dortmund não conseguisse mais conquistar um título?

Tentarei apresentar 3 factores internos para esta análise para se perceber o que poderá estar a faltar  ao Borussia regressar aos títulos.

Feliz por ti

Esta segunda-feira confirmou-se a despedida de Óliver Torres do FC Porto. O médio espanhol segue para Sevilha e será orientado pelo mesmo treinador que o trouxe, pela primeira vez, para a cidade invicta, quando este tinha apenas 19 anos.

Quem me conhece e quem vai acompanhando alguns dos “bitaites” que lanço, semanalmente, neste espaço de opinião, sabe que sou um profundo admirador de Óliver e que o considero o jogador mais injustiçado desde que Sérgio Conceição assumiu o comando técnico da equipa. Portanto, é com enorme mágoa, e até revolta, que vejo partir aquele que considerava o melhor médio do futebol português. Sai sem ter mostrado todo o seu potencial e, com exceção da primeira temporada sob o comando de Julen Lopetegui, sai sem nunca se ter assumido o papel de maestro que, na minha ótica, sempre lhe esteve destinado.

Há algumas semanas escrevi neste espaço um artigo de opinião a projetar o futuro do clube sem Herrera. O mexicano estava de malas aviadas para Madrid e era importante encontrar o substituto. Utilizei o nome de Óliver para apregoar ou suplicar uma mudança no estilo que retirasse primazia à vertigem e ao jogo direto e que trouxesse à tona uma ideia de jogo assente na posse e rápida circulação. Queria perfume em vez de músculo. Parece não ser, de todo, essa a ideia dos responsáveis do clube.

Disse-o na altura e repito: “Óliver é um jogador sem igual no plantel e no futebol português. O dínamo espanhol é o melhor no capítulo do passe e a gerir os ritmos de jogo. A falta de oportunidades apenas pode ser justificada pela ideia de jogo de Sérgio Conceição para a equipa porque jamais poderá ser utilizado o argumento da qualidade. Óliver é exímio no controlo, na retenção e transmissão da bola e uma solução ideal para quem prefere privilegiar a circulação em detrimento da incessante procura da profundidade e do transporte de bola.

É, também, importante contrariar o argumento, tantas vezes utilizado para justificar a sua falta de utilização, que se prende com a suposta dificuldade do espanhol no momento defensivo. Para além de ser o melhor no capítulo do passe e a gerir os ritmos de jogo, nunca perde agressividade no momento defensivo.

Óliver já não faz parte da comitiva que seguiu para o Algarve
Fonte: FC Porto

Sérgio Conceição afirmou há meses que o jogador fez trabalho específico no sentido de melhorar esse capítulo do seu jogo, mas eu, como tenho vindo a proclamar, considero que essa nunca terá sido uma lacuna, mas sim mais uma das suas qualidades. Óliver é talentoso, mas operário, e compensa a falta de robustez física com uma inteligente ocupação dos espaços e com uma capacidade de desarme invulgar para um jogador tão tecnicista. Um prodígio.”

A juntar a tudo isto, Óliver demonstrou sempre um enorme carinho e empatia pelo clube, pela cidade, pelos adeptos e pelos portuenses em geral. Mostrou-o enquanto cá esteve e não deixou de o expressar, numa sentida e bonita mensagem à família portista, no momento da despedida. São 12M€ a entrar em caixa por um jogador que custou 20M€ e a quem reconheço potencial para valer muito mais. É mais um ato de gestão que não posso deixar de repudiar e o maior erro de Sérgio Conceição desde que chegou ao clube.

Assim, não obstante a gratidão e reconhecimento que tenho pelo trabalho desenvolvido por Sérgio Conceição no clube e o facto de continuar a ser um acérrimo defensor do seu trabalho e da sua permanência, considero Óliver a grande pedra no sapato da vigência do treinador portista e a página mais triste e negra do legado que Sérgio Conceição deixará quando partir.

Por fim, termino dirigindo-me, agora, a ti, caro Óliver. Apesar do sentimento de tristeza e impotência por te ver partir, não consigo deixar de ficar feliz por ti e por acreditar que vais, finalmente, poder demonstrar todo o teu potencial e espalhar essa qualidade que encanta qualquer verdadeiro apreciador de futebol.

Terás um treinador que, apesar dos seus inúmeros defeitos, vai apostar em ti e que tem uma ideia de jogo que privilegia os teus atributos. Acredito que, não tarda, estarás na seleção espanhola, darás o salto para um clube da tua dimensão futebolística e, acima de tudo, muitos portistas de dentro e fora da estrutura diretiva e técnica se arrependerão de te deixar partir. Boa sorte Oli.

Foto de Capa: FC Porto