Em vésperas de um Vitória FC – FC Porto para a 5ª jornada da Primeira Liga, recordamos, hoje, na rubrica de Perdidos no Tempo, um nome incontornável da história dos dois clubes. Jorge Luiz Pereira de Sousa, conhecido no mundo da bola por Jorginho, permanece na memória dos portistas graças a um momento em tudo parecido com aquele que Herrera viveu no último campeonato, quando encaminhou os azuis e brancos para o título com um golo marcado nos últimos minutos da partida com o Benfica, na Luz.
Já em 2006, como agora, corria o minuto 85 da partida da 30ª jornada, em Alvalade, quando Jorginho rompe pela defesa leonina, acabando a fuzilar a baliza de Ricardo. Êxtase total, com festa conjunta entre jogadores, equipa técnica e adeptos, cientes do quão perto, a quatro jogos do fim, o FC Porto estava de reconquistar o título, perdido no ano anterior para o SL Benfica de Trapattonni.
O golo apontado ao Sporting CP valeu praticamente um título em 2006 Fonte: Fora de Jogo
Esse foi, de resto, o momento mais marcante de Jorginho com a camisola dos dragões, onde conquistou ainda dois campeonatos, uma Taça de Portugal e uma Supertaça, num total de 56 jogos, distribuídos por duas épocas, e onde apontou cinco golos. Já antes, ao serviço do Vitória FC também assinara épocas de grande qualidade, conquistando numa delas uma Taça de Portugal, frente aos encarnados, no Estádio do Jamor.
Em Portugal, a história de Jorginho conheceu ainda episódios em Braga, onde realizou duas épocas que resultaram em 39 jogos e quatro golos marcados, que conduziram à conquista da Taça Intertoto, em 2008. À parte disso, também realizou grande parte da carreira no Brasil, de onde é, de resto, natural (mais concretamente de Goiânia). Nasceu a 6 de maio de 1977 e, com 18 anos, ingressou no Goiatuba EC, de onde deu o salto para o Atlético Paranaense e onde permaneceu cinco anos, antes de rumar a Santo André, Gama e Goiânia, o clube da terra natal. Foi daí que surgiu o convite sadino para jogar na Europa, seguindo-se as aventuras no Dragão e na cidade dos Arcebispos. Também efetuou meia época, em 2011, no Rio Ave, mas sem grande destaque. Pelo meio, passagens pelo Gaziantepspor e pelo Grêmio Anápolis, onde terminou carreira em 2014.
Aos 41 anos, Jorginho pode olhar para trás e recordar, com orgulho, uma carreira cheia de marcos importantes. No total, esteve em 471 jogos e apontou 91 golos. Bravo!
Escrevi aqui mesmo no Bola na Rede no passado mês de abril que após a saída de Adrien Silva da equipa leonina se gerou um buraco no meio-campo da equipa de futebol do Sporting. Desde a saída do internacional português que a formação de Alvalade jamais encontrou um oito com as mesmas características e a qualidade de jogo que Adrien possuía.
Nesta temporada, a “cratera” continua no meio-campo mas, desta vez, deslocou-se um pouco para trás, precisamente para a posição seis, a de médio-defensivo. A abundância de jogadores na posição oito – casos de Misic ou Gudelj – leva a crer que, mais cedo ou mais tarde, o problema de um oito competente e eficaz se encontra finalmente resolvido. Ainda que tenhamos algumas incertezas acerca das capacidades técnicas de Misic, Gudelj parece vir a ser um jogador bastante capaz neste meio-campo do Sporting. Apesar do sérvio poder atuar a seis, prefere antes a posição oito, procurando inclusivamente várias vezes o remate. As suas declarações na entrevista ao Jornal Sporting na edição de 13 de setembro não deixam qualquer dúvida acerca isso. Dizia a dado momento o jogador contratado esta temporada aos chineses do Guangzhou Evergrande: “A oito participo mais ofensivamente e defensivamente. Gosto de fazer ambas as coisas. E, claro, permite-me rematar com mais regularidade. São esses os motivos pelos quais prefiro jogar a oito, mas a seis também não existem problemas” (p. 10).
Mas dizia que a cratera se deslocou esta temporada da posição oito para a posição seis. Com a saída de William Carvalho para os espanhóis do Bétis de Sevilha no defeso e dadas as parcas alternativas disponíveis no plantel para essa posição – só mesmo Petrovic é um seis puro e, mesmo este, não oferece garantias para uma equipa “grande” como o Sporting – José Peseiro tem ensaiado várias alternativas neste setor. Mas esses ensaios mais não são do que tentativas goradas em mascar um problema latente nesta equipa. A dupla argentina Battaglia – Acuña, que tem atuado nos últimos jogos, espelha essas fragilidades, pois é sabido que Battaglia rende muito mais se estiver liberto das tarefas defensivas (algo próximo de um oito, mais um!) e Acuña demonstra muita rapidez e agressividade pelo lado esquerdo, seja a extremo seja a lateral. No jogo da passada quinta-feira para a Liga Europa, Peseiro parece ter tomado consciência dessa situação e “arrastou” Acuña para a posição de lateral-esquerdo deixando o meio-campo constituído por um triângulo cujos vértices mais recuados eram ocupados por Gudejl e Battaglia e o mais avançado por Bruno Fernandes.
Os últimos jogos têm mostrado que Gudelj é mais um oito do que um seis. Mas as circunstâncias têm-no levado para setor mais recuados do meio-campo leonino Fonte: Sporting CP
Então e Wendel? É sabida das suas competências técnicas e táticas, indiscutíveis e valorizadas por qualquer observador minimamente atento ao futebol, mas parece-me um jogador mais vocacionado para a posição oito do que seis (mais um!). Além disso, tem de confirmar ainda a sua adaptação ao futebol europeu que, como se sabe, é mais rápido e tático do que o brasileiro onde jogava.
A esperança, quando analisámos os médios disponíveis por José Peseiro, recai em Stefano Sturaro, esse sim, um seis puro, com claras vocações defensivas no auxílio à defesa nos momentos de maior aperto. Experiência e tarimba europeia são coisas que não lhe faltam mas as suas condições físicas parecem deixar muito a desejar. Como é sabido, o jogador foi operado no pretérito mês de agosto uma vez que apresentava complicações no tendão de Aquiles. Sousa Cintra advertiu isso mesmo a 21 de agosto: “O nosso departamento médico não aprovou a vinda do Sturaro. Tinha razão e ele, entretanto, já foi operado em Itália. Virá para o Sporting quando estiver em condições para jogar” (declarações recuperadas pela edição online do Jornal Record do dia 22 de agosto). De momento, resta aos adeptos e sócios leoninos continuar a aguardar a recuperação deste reforço.
Em suma, o Sporting 2018-19 apresenta parcos recursos no seu plantel para a posição de médio defensivo. Essa é uma realidade que, por muitas tentativas e máscaras que possam ser ensaiadas por José Peseiro, pode muito bem vir a ser uma grave lacuna. Pois é nessa posição que reside muito do jogo defensivo de qualquer equipa sendo também a base e o alicerce do processo ofensivo durante a fase de construção. Esperemos que isso não traga dissabores maiores à formação do Sporting.
Na convocatória para o confronto europeu frente ao Qarabag FK havia um nome que surgia na lista de José Peseiro pela primeira vez: Miguel Luís, a quem as portas se abriram com as ausências de Misic e Wendel (lesionado). Pese embora tenha sido, posteriormente, remetido para a bancada, esta primeira aparição do jovem médio, para os mais atentos, não é uma surpresa. Miguel Luís é atualmente um dos talentos emergentes da cantera leonina e faz parte de uma geração que promete muito, tanto no Sporting CP como na seleção de todos nós, mas já lá vamos.
Miguel Luís ingressou na Academia de Alcochete em 2009, quando tinha apenas 10 anos, e desde aí foi subindo escalões de forma gradual e sustentada, assumindo-se sempre como uma das figuras e chegando inclusive a ostentar a braçadeira de capitão. Miguel Luís foi presença assídua na equipa de juvenis que se sagrou campeã em 15/16 e foi também um dos maiores destaques individuais da formação verde e branca que conquistou o Campeonato Nacional de Juniores em 16/17. O passo seguinte foi encontrar o seu espaço na equipa B dos leões e ser opção recorrente na UEFA Youth League. Ainda assim, os títulos arrecadados por este talentoso médio, na sua ainda curta carreira, não ficam por aqui. Para além dos títulos nacionais conquistados ao nível de formação, Miguel Luís conseguiu juntar-lhes dois troféus de campeão europeu com a camisola das quinas na qual o médio se assume como uma das estrelas que compõe a cintilante constelação que está a despontar em Portugal. A jovem promessa leonina ajudou com os seus golos e exibições regulares a conquistar o Campeonato Europeu de sub-17 em 2016 (cinco jogos e dois golos) e, posteriormente, foi também peça fulcral para levantar o troféu de campeão europeu mas desta vez de sub-19, no verão passado (quatro jogos e um golo).
Legenda: Jovem médio exibiu-se em bom plano no Europeu de sub-19 durante o verão Fonte: Site FPF
Dono de um palmarés que fala por si e com uma evolução sólida de ano para ano, Miguel Luís é considerado, atualmente, como uma das promessas mais entusiasmantes a serem gestadas em Alcochete. Aliás, o facto de Miguel Luís estar há sensivelmente um mês a treinar com os “pesos pesados” do Sporting CP e a sua aparição surpresa na última convocatória de Peseiro demonstram por si só que há algo de especial no jovem natural de Coimbra. José Peseiro é um treinador que se tem mostrado atento ao “viveiro” de talentos do clube de Alvalade e se Jovane Cabral tem sido uma aposta evidente (e bem sucedida até agora, diga-se de passagem), o técnico leonino tem estado a acompanhar de perto uma geração de jogadores que o encantam e da qual Miguel Luís faz parte. Algo que ficou bem explícito quando foi questionado acerca dos empréstimos de jogadores como Matheus Pereira, João Palhinha e Francisco Geraldes, pois quanto a isso José Peseiro não hesitou e atirou “Qualquer dos três jogadores da formação que saíram quiseram muito sair. O Miguel Luís, o Elves Baldé e o Thierry Correia querem muito ficar”. Para além de Miguel Luís, Thierry Correia, Elves Baldé e Luís Maximiano são jogadores nascidos também em 1999, que jogam juntos há vários anos e todos eles integram a dia de hoje os treinos do plantel principal verde e branco. O futuro leonino começa a pintar-se de um verde esperançoso com uma fornada de jovens que promete dar muitas alegrias aos sportinguistas, mas agora é tempo para que eles façam a transição mais difícil: a de juniores para o futebol profissional.
Legenda: Miguel Luís faz parte da nova geração de ouro do futebol português Fonte: Seleções de Portugal
Miguel Luís é atualmente internacional sub-20, tem apenas 19 anos mas possui muito futebol nos pés. O franzino médio (1,78m e 71kgs) é destro e joga habitualmente como médio centro, um “número oito” no papel, mas que se notabiliza por ser um centrocampista muito versátil. Não são raras as vezes em que sobe no terreno e demonstra qualidade não só para se movimentar por dentro mas também por fora, com as suas habituais incursões e diagonais para e pelos corredores laterais. O jovem formado em Alcochete é um médio com uma boa capacidade de chegada à área adversária e possui um faro de golo assinalável para um “número oito”. No entanto, o que mais se destaca no jogar de Miguel Luís são, diria eu, a inteligência e a sua maturidade acima da média. É um futebolista que joga sempre de cabeça levantada, com um excelente toque de bola ao qual alia uma grande eficácia no capítulo do passe. Para além disso, é um jogador de equipa que se sente confortável com a bola nos pés, oferece linhas de passe sucessivas e nunca se esconde do jogo.
O futuro imediato de Miguel Luís irá passar por continuar a treinar com o plantel principal mas, com certeza, jogará de forma mais regular na equipa sub-23 leonina de forma a queimar mais uma etapa no seu crescimento futebolístico, sem pressas, mas que aos poucos se vai revelando como um médio extremamente fiável. Este passo na carreira permite também que se mantenha debaixo de olho de José Peseiro e consequentemente à espreita de uma oportunidade na equipa principal e quiçá a ansiada estreia lhe seja presenteada. O seu potencial e margem de progressão são entusiasmantes mas ainda muita bola tem que rolar para que Miguel Luís comece a ser uma constante nas convocatórias, mas a verdade é que a primeira já a conseguiu. A partir de agora os adeptos sportinguistas estarão cada vez mais atentos ao despontar de mais um jovem talento com o selo da reputada Academia de Alcochete.
Jonas. É este o nome do jogador de quem o Benfica parece depender para marcar golos. Apesar do brasileiro ainda não ter jogado esta temporada e do Benfica ainda não ter ficado um jogo em branco, nota-se que há uma falha na finalização dos encarnados, com alguns jogos que demonstraram claramente isso: contra o Fenerbahçe, PAOK e Sporting, por exemplo. Foram três jogos que podiam ter tido resultados bastante diferentes caso houvesse uma presença finalizadora na frente de ataque.
O Benfica tem Nicolás Castillo, Facundo Ferreyra, Haris Seferovic e Jonas para pontas de lança do plantel. Na equipa ‘B’ ainda conta com José Gomes e João Filipe. Porém, apenas Jonas parece ser o finalizador capaz de satisfazer a procura por golos nas águias. Castillo ainda é precoce, devido à lesão; Ferreyra não conseguiu cumprir as expetativas durante o tempo de jogo que lhe foi proporcionado, jogando bem, mas marcando pouco e falhando na parte que lhe compete, a finalização; Seferovic parece ter agora entrado para a titularidade, depois de ter tido uma época dificil no Benfica. Marcou por dois jogos consecutivos, mas falta-lhe poderio na frente, mesmo tendo a estatura que tem; José Gomes e João Filipe são ainda jogadores jovens que podem vir a esquecer este assunto num futuro, mas não por agora. Temos, por fim, Jonas, o veterano que dificilmente irá jogar além de uma ou duas temporadas e, mesmo que o faça, está visto que as lesões o começam a perseguir e a impedir de ajudar a equipa.
Mitroglou saiu na época passada, deixando Jonas sozinho no papel de puro finalizador Fonte: SL Benfica
Posto isto, fica a ideia de que o Benfica não tem um verdadeiro finalizador que esteja pronto para a quantidade de jogos e desafios que uma equipa como o Benfica tem. Faz falta um Óscar ‘Tacuara’ Cardozo, que em dois passos remata de longe e faz um golão, salta no meio da área e finaliza de cabeça seja de que maneira for, está sempre no sítio certo à hora certa, aparece na área para receber os cruzamentos, os desvios dos remates falhados, os passes para a entrada da área e sempre capaz de encher o pé para marcar golos. É preciso um Rodrigo com desmarcações velozes e que marque no frente a frente ao guarda-redes, faça tabelas com o segundo avançado e apareça em zona de finalização para marcar. Faz falta um Lima trabalhador e possante, mas que esteja sempre pronto para o último remate da glória, ou um Mitroglou feroz no desvio para balançar as redes.
A verdade é que tudo isto tem sido mascarado com Jonas a marcar quase 30 golos por época, mas o brasileiro não durará para sempre nem estará sempre pronto para jogar, como já se tem vindo a verificar. O Benfica melhorou o seu jogo esta temporada, com maior envolvimento dos diversos jogadores e várias jogadas de qualidade, mas falta o derradeiro finalizador para estar no sítio certo a finalizar as jogadas brilhantes. Alguém que esteja onde ninguém está na maior parte das vezes durante os jogos do Benfica. Diversos lances acabam nos pés dos adversários porque a bola vai parar a no mans land onde o finalizador deveria estar; ou então nas mãos do guarda-redes porque no onze não estava um jogador com aquele perfil.
Isto não significa que os jogadores supra mencionados não sejam bons o suficiente para atuar no clube! Atenção: aqui esta apenas a minha opinião quanto à falta de um jogador que tenha o perfil de finalizador! Os jogadores que o Benfica tem são pertinentes naquilo que fazem e no tipo de jogo que lhes é característico e nesses aspetos, não falta no jogo encarnado. O que falta é um jogador que só saiba finalizar e não acredito que o Benfica possa comprar dois jogadores de perfil de jogo igual por elevados milhões, que ganhe 43 milhões de euros pelo acesso à Liga dos Campeões e não consiga ir ao mercado comprar um ponta de lança finalizador de renome, que traga garantias, que chegue e se saiba que vai marcar. Alguém que não seja uma dúvida. Se Bas Dost regressa ao Sporting depois de tudo o que se passou, como se justifica que o Benfica não compre um finalizador nato?
Falta um grande nome nas costas de um manto sagrado lá da frente. Um nome que todos os adeptos dentro e fora do estádio possam gritar todos os jogos a festejar mais uma glória.
Estava eu a jantar, descansadinho numa esplanada, porque sabe sempre bem apreciar estas belas noites de verão, quando me viro inconscientemente e dou de caras com o ‘nosso’ chefe Ljubomir. Sim. Esse mesmo. Aquele da TV.
Ganhei coragem, respirei fundo e ‘fiz-me à estrada’.
– Boa noite chefe. Desculpe incomodá-lo. Dá-me um minuto do seu tempo? – questionei-o receoso da sua frontalidade já bem conhecida por todos.
– Tudo bem! – respondeu. Desde que me trates pelo meu nome. Aqui não sou chefe nenhum. – continuou, não me surpreendendo aquela imediata informalidade.
– Por aqui? Não me diga que veio em auxílio desta casa. Olhe que o que me costuma ser apresentado até me parece ter alguma qualidade – informei-o.
– Ai é? Isso é porque não viste o que está por detrás do que te chega. – refutou ele sem me deixar terminar.
– A sério? – expressei.
– É verdade. Sabes que não deves ver só o que te chega para consumo final. Isso engana muito. Tens de começar pela raiz das coisas, das causas e dos problemas, para veres se estão a cozinhar de forma verdadeira, com entrega, com alma. Se estão a cuidar dos clientes como merecem. Se todas as matérias primas são tratadas da mesma forma, de forma atenciosamente repartida ou se por outra é dada atenção somente a alguns dos produtos, em detrimento de outros. Tens de entender se o cozinhado é mesmo real!
Quem tem cozinhado melhor no nosso futebol? Fonte: Ljubomir Stanisic
– E eu que pensava que estava a ingerir bons produtos, que me alimentam o corpo e me dão satisfação – respondi.
– Pois é… Nem tudo é o que parece. Sabes, às vezes o produto é bom. As pessoas é que não sabem cuidar dele e estragam-no. Olha, por exemplo, os produtos de Portugal: vocês são dos melhores a produzir e depois vamos ao estrangeiro comprar ‘porcaria’ só porque é mais barato ou porque é mais fácil ou porque o Sr. Y até vem cá e então temos também de ser clientes dele. – continuou o consagrado chefe.
Se há região em Espanha, que é representativa do povo espanhol é a Andaluzia. A Costa del Sol aquece o sangue de um povo alegre, onde a herança do mundo árabe vive lado a lado, com belos igrejas e monumentos construídos durante a reconquista cristã. Onde encontramos em Sevilha, a cidade mais representativa dessa região.
É aí, a menos de quatro quilómetros, que estão dois templos: Benito Villamarin e Sanchez Pizjuan. Monumentos que separam uma cidade, na guerra apaixonante pelo trono do futebol.
Sevilla Futebol Clube e Real Betis Balompié, a song of red and green.
Ao longo desta série, proponho olhar taticamente para estas equipas. Treinador, processos, jogadores. O jogo.
Ep 1 | Sevilha FC
Depois de anos de glória, particularmente em termos europeus, a época passada desiludiu um pouco. Pelo sétimo lugar, mas principalmente por terem acabado a época atrás do seu grande rival (Real Betis), algo que não acontecia há alguns anos.
Para reconquistar o trono da cidade, os responsáveis do Sevilha foram à Catalunha contratar Pablo Machin. Técnico que ao serviço do, do na altura recém-promovido, Girona FC montou uma equipa muito interessante de ver jogar.
Agora em Sevilha, Machin continua a apostar no 3-4-3, muitas vezes próximo de um 3-4-2-1, como vimos na primeira jornada, onde André Silva foi a referência mais adiantada da equipa. A primeira linha é formada (geralmente) por Sergi Gómez, Kjaer e Mercado, com Escudero e Navas na função de alas laterais. Na imagem em baixo, vemos como estes dois homens permanecem bem abertos nos corredores, a pisar a linha lateral, com o corredor central da responsabilidade e Roque Mesa e Banega.
Fonte: Eleven Sports
Na terceira linha, posicionados verticalmente entre os alas laterais e os médios centros, encontramos Sarabia e Vázquez que dão apoio ao homem mais adiantado, André Silva. A riqueza de soluções no banco de suplentes é enorme, nomes como Amadou, Promes, Ben Yedder e Nolito, para nomear alguns, podem a qualquer momento entrar para o onze inicial.
Processo Ofensivo
A proposta ofensiva do Sevilha baseia-se num início de construção estável evoluindo rapidamente para passes verticais e diagonais. É comum, particularmente com a presença de André Silva, ver o português baixar da sua posição mais adiantada, para ganhar a primeira bola e desviar a mesma para Sarabia ou Navas. Esta jogada é apenas um exemplo de uma das várias formas como o Sevilha procura constantemente criar espaços atrás das linhas médias adversárias, para tirar o máximo partido do espaço entre o corredor central e lateral, zonas ocupadas constantemente por Sarabia e Vázquez.
Fonte: La Liga TV
A partir desse ponto, quando esses homens, conseguem receber a bola, ficam numa posição extremamente vantajosa. Onde o suporte dos alas laterais (Escudero e Navas), que garantem a largura, fator chave para esticar as linhas defensivas adversárias, permite ao Sevilha agredir o adversário.
Construção de jogo
A construção do Sevilha é muito orientada para a manutenção da posse dentro do seu meio campo. Os três centrais não abrem muito, mantêm uma estrutura mais central, e os alas laterais dão largura, mas recuam muitas vezes no campo para atrair os marcadores diretos, o que mais tarde permite tirar máximo partido do já referido espaço, entre o central e o lateral.
Muitas vezes, o adversário é iludido. Parece que o Sevilha está com dificuldades em sair a jogar, o que leva o adversário a avançar, a pressionar mais à frente para colocar os homens de Machin sobre pressão, mas com a qualidade técnica de jogadores como Banega, e seus “amigos”, essa pressão raramente incomoda a equipa. A qualidade individual dos jogadores permite à equipa assumir comportamentos de risco, manipulando a pressão do adversário que o faz muitas vezes de forma destruturada, pela ilusão de que está perto de ganhar a bola. Deixavam a sua posição cedo demais para pressionar e tentar ganhar a bola, sem ter um colega a dar cobertura.
Resumindo, tudo o que o Sevilha procura fazer a nível ofensivo, é transformar a posse (dentro do seu meio campo) no domínio do espaço em zonas mais avançadas. Da posse de bola, para bolas diagonais e verticais, possibilitando as infiltrações dos seus jogadores na defesa adversária.
Fase Defensiva
Na Catalunha, ao comando do Girona, Machin tinha como dupla de meio campo: Pons e Granell. Dois jogadores muito mais defensivos, se compararmos com Banega e Mesa. Apesar de uma realidade diferente, defensivamente, o treinador parece exigir da sua dupla o mesmo papel em termos defensivos.
Esse papel é o de cortar linhas de passe, particularmente as verticais e diagonais no corredor central, mais do que marcar o adversário. Apesar disso, existe sempre um trade-off, e se o Sevilha ganha muito mais ofensivamente com esta dupla do que acontecia com o Girona, defensivamente o Sevilha sofre um pouco. Veja-se como o posicionamento corporal dos homens no corredor central abre um canal enorme para o passe vertical e como a linha defensiva está desarticulada, permitindo o movimento no lado cego.
Defensivamente, ainda precisa de muito trabalho, aliás como é típico nas equipas do Sevilha nos últimos anos. Os adversários sentem-se confortáveis em explorar o espaço entre o ala lateral e o central, através da fraca pressão na bola no corredor central. Esses dois homens, Banega e Mesa, ficam muitas vezes em situações de inferioridade numérica e são facilmente manipulados, deixando os três centrais muito expostos, no corredor central, aos movimentos dinâmicos do adversário.
A primeira batalha, pelo trono, foi ganha pelo Real Betis (1-0). Contudo, a guerra só acaba em Maio e a armada vermelha ainda está a procurar o seu equilíbrio.
O WRC voltou à Turquia. Com isto, todas as duplas de pilotos e navegadores tiveram um acréscimo na sua preparação. Duas passagens pelos troços teriam que ser suficientes para se perceber todas as curvas, contracurvas, retas e pedras que se encontram em solo turco. De notar que o rali da Turquia contém troços de gravilha, gravilha esta que é muito dura nas suspensões, tornando o rali numa prova de resistência. Acho que posso comparar este rali com o rali da Acrópole, na Grécia, onde este ano Bruno e Hugo Magalhães triunfaram para o FIA ERC. E como se sabe, a dupla portuguesa entregou o título a Alexander Lukyanuk, ao não consegui reunir os apoios suficientes para a restante temporada de 2018. Parece que quem joga “à bola” tem apoios. Mas divago.
Sebastien Ogier era um do candidatos à vitória no rali da Turquia Fonte: M-Sport
Agora, porque um pouco de história nunca magoou ninguém, o último rali da Turquia correu-se em 2010 e foi ganho por um tal Seabastien Loeb, que nessa altura tripulava um Citroen C4 WRC. Oito anos depois, outro Sebastien, desta vez Ogier, em Ford Fiesta WRC, Thierry Neuville em Hyundai i20 Coupé WRC e o dono da segunda parte da temporada, Ott Tanak, em Toyota Yaris WRC, estavam à cabeça para a vitória. Haydon Paddon regressa ao terceiro Hyundai por troca com Dani Sordo. De notar a participação portuguesa, desta vez na forma de Diogo Salvi e Hugo Magalhães, no WRC2, tripulando um Skoda Fabia R5, competindo por uma equipa italiana.
Este ano, o primero líder do rali da Turquia foi o norueguês Andreas Mikkelsen, em Hyundai i20 Coupé WRC. Um erro por parte de Ogier fez com que o francês descesse na classificação. Craig Breen era segundo e Ott Tanak terceiro. O líder do campeonato estava em quarto, apesar de supostamente ter a desvantagem de ser o primeiro nas estradas de gravilha da Turquia.
No primeiro jogo da fase de grupos da Liga Europa, o Sporting CP recebeu e venceu o Qarabag FK do Azerbaijão por 2-0. A jogar em casa na ronda inaugural da prova europeia, os Leões pretendiam começar a sua caminhada com o pé direito e derrotar o atual pentacampeão azeri, que tinha eliminado o Sheriff da Moldávia no play-off de acesso à fase de grupos da segunda competição de clubes mais importante da UEFA.
Em relação aos onzes iniciais, José Peseiro usou o habitual 4-3-3, mas com duas surpresas: Acuña atuou no lado esquerdo da defesa e Nemanja Gudelj foi titular no meio-campo pela primeira vez na época. Do lado contrário, Qurban Qurbanov optou pelo 4-2-3-1, com o guardião brasileiro Vagner, que conta com passagens pelo futebol português (Estoril-Praia e Boavista), a ser titular.
O Sporting entrou bem na partida, e podia ter logo marcado ao minuto seis, por Mathieu, que num livre direto obrigou Vagner a fazer uma boa intervenção. O Qarabag também podia ter inaugurado o marcador, quatro minutos depois, por Guerrier, mas Salin opôs-se bem ao remate e evitou mal maiores, depois de um erro de Coates na saída de bola.
Apesar do início prometedor, o jogo arrefeceu um pouco, muito por culpa da dificuldade do Sporting em furar a defesa adversária, que se apresentou bem organizada em Alvalade. O conjunto verde e branco tentava levar perigo até à baliza do Qarabag, mas quase sempre sem sucesso. Um lance digno de registo foi aos 40 minutos, na sequência de um canto, onde Mathieu ultrapassou um defesa azeri no lado esquerdo, e cruzou para Montero, que, em excelente posição e de calcanhar, não conseguiu bater Vagner.
Com poucos lances de perigo nos dois lados, foi sem surpresa que o jogo chegou ao intervalo empatado a zero. Esperava-se mais e melhor da equipa de José Peseiro para os segundos 45 minutos.
Raphinha marcou o segundo golo em dois jogos Fonte: UEFA
O segundo tempo começou sem qualquer alteração tática nas duas equipas. Os leões acabaram por inaugurar o marcador aos 53 minutos: Nani cruzou para dentro da pequena área, onde apareceu Raphinha para encostar para a baliza.
O Sporting, apesar de não aumentar muito a velocidade do jogo, por pouco que não chegou ao segundo tento. Acuña, de livre direto aos 66 minutos, tentou colocar canto “onde dorme a coruja”, e por pouco que não acertou.
Numa altura em que o Qarabag já tinha feito todas as substituições e tentava ameaçar a baliza de Salin, o azar bateu à porta de Mathieu, que se lesionou novamente depois de regressado de lesão aos 76 minutos, sendo esta a primeira substituição de Peseiro.
Aos 80 minutos, num jogo que estava demasiado parado, Ristovski tentou dar uma alegria aos adeptos leoninos – após cruzamento de Bruno Fernandes, o defesa macedónio desviou de cabeça, e a bola passou bastante perto da baliza de Vagner.
Antes dos 90 minutos, os leões deram a machadada final no resultado. Jovane Cabral, que acabara de entrar, faz das suas gracinhas e marcou o segundo golo do Sporting. Menção honrosa para a cueca de Montero , que limpou um adversário da frente e tocou para Raphinha que, por sua vez, assistiu o jovem extremo que começa a mostrar a sua veia de goleador.
Até ao final do encontro, não houve mais qualquer mudança no marcador, e o Sporting venceu na sua estreia na Liga Europa 2018/2019. Mesmo sem uma exibição de gala, a equipa de José Peseiro conquistou os três pontos e está na liderança do grupo E, em conjunto com o Arsenal FC.
Após as más memórias de uma campanha deprimente na anterior edição da liga dos campeões, o Benfica tem a obrigação de fazer mais e melhor este ano. Não haverá desculpas algumas para mais fracassos, até pelo esforço financeiro de que o clube foi sujeito, para entregar ao staff técnico todas as ferramentas para alcançar o sucesso europeu.
O sorteio que ditou o grupo E com Bayern München, Ajax e AEK, não foi de todo mau. Avaliando os outros possíveis adversários que poderiam ter calhado, o Benfica tem a obrigação de fazer valer este sorteio e passar à próxima fase. Mas tudo isto aplica-se à teoria, porque na prática, o que se tem visto, traz uma opinião bem diferente.
Jogando em casa, diante do colosso Alemão, Bayern München, os encarnados tiveram desde logo na primeira jornada da fase de grupos, um dos jogos mais difíceis. A jogar contra o campeão alemão, na melhor das hipóteses teria que o Benfica pelo menos arrecadar um empate. E não falo de uma vitoria porque seria expectável que algo não acontecesse. Pelo menos para quem não tivesse atento ao que têm sido estes últimos três anos.
Ao que me refiro, são as paupérrimas exibições. A falta de carisma que se reconhece a este Benfica, faz com que me pareça que todas as possibilidades de passagem aos oitavos de final, sejam meramente uma fantasia.
Rui Vitoria continua a ser o elo mais fraco desde Benfica Europeu Fonte: SL Benfica
O que se reconhece realmente, ao longo destes três anos, é a falta de uma identidade própria. Uma equipa coletiva, dentro de campo, tem de ter comportamentos pré-estabelecidos e consolidados para que esteja mais próxima da vitória. Isto é, se quiser estar perto do sucesso, tem de ter uma ideologia uniforme. Uma proposta que tenha dentro dela os princípios e sub-princípios de uma equipa vencedora.
Começa a ser desgastante para um adepto fervoroso, ver o seu clube a queimar etapas nas provas europeias, perdendo fulgor ano após ano. Verdade que o fosso que se tem criando para os grandes clubes europeus, a nível financeiro, não tem ajudado. Mas o jogo continua a ser onze contra onze, e o que tem de prevalecer é o coletivo, só depois vem o individual como último recurso. Para isso é que existe o treino e o treinador. Se nada disto fizesse sentido, para que haveria treinos durante a semana ou até mesmo treinadores?
E é exatamente a isto tudo que me refiro, que aconteceu mais uma vez hoje, no estádio da luz, na hora nobre e no maior palco de todos.
Não se pode dizer que a estreia do FC Porto na Liga dos Campeões tenha sido absolutamente brilhante, mas as indicações dadas foram positivas. Começar a fase de grupos com um empate fora, nunca pode ser considerado um mau resultado, ainda para mais quando o adversário é o vice-campeão alemão.
Foi um jogo intenso, típico das equipas alemãs mas onde o FC Porto conseguiu, de uma forma global, ter sempre o jogo minimamente controlado. Abordagem inteligente de Sérgio Conceição com a colocação de Otávio numa zona mais central do terreno de forma a ter “mais bola” e a tentar surpreender a defesa a três do FC Schalke 04 com as diagonais da direita para o centro do rapidíssimo Marega.
A recuperação de Danilo é extremamente importante para jogos deste nível de intensidade e permite ao treinador portista uma gestão mais abrangente nas diversas competições. É de destacar que no banco de suplentes estavam jogadores do nível de Sérgio Oliveira e Óliver entre outros. Quando Bazoer estiver perfeitamente integrado pode também ser uma excelente opção. O meio-campo portista possuí neste momento variadíssimas opções permitindo a Sérgio Conceição diversas abordagens e variantes em função do adversário.
O “monstro” voltou Fonte: FC Porto
Éder Militão fez uma estreia na Liga dos Campeões brilhante, apesar de jogar como central pelo lado esquerdo, que não é a sua posição de eleição, o internacional brasileiro esteve irrepreensível e com Felipe formou uma dupla de “betão”. Não esquecendo que Mbemba ainda se encontra lesionado, as opções para o setor defensivo portista são várias e de muita qualidade. Em jogos em que seja preciso elevar a intensidade física acredito que o quarteto defensivo possa ser formado por Militão, Felipe, Mbemba e Telles. A polivalência de Militão, Mbemba e até Diogo Leite por ser esquerdino, dá ao treinador azul e branco imensas opções. Uma defesa a três em alguns jogos não deve ser posta de parte.
Um plantel que quando tiver todas as opções ao dispor do técnico portista pode permitir fazer a melhor época da última década. Sim, acredito num pleno nas competições internas e, no mínimo, nos quartos-de-final na Liga dos Campeões!