Início Site Página 10565

Carteira ou carreira? Venha de lá o dinheiro!

Vivemos uma fase de expectativa que sempre marca cada Verão. À falta de calor, encontramos o tórrido mercado nacional, onde cada compra merece sempre o especial comentário mais ou menos expectante de cada um dos nossos queridos adeptos.

Esta semana gostaria de falar em algo que me parece ser recorrente época após época: os jogadores que, na sua grande maioria, encontram na encruzilhada das suas carreiras um de dois caminhos – o caminho da valorização pessoal e desportiva ou o caminho do banco, onde os milhões vão sendo, mês após mês, depositados nas suas contas já recheadas. E ao que me tem sido dado a conhecer, cada vez mais o segundo caminho é o atalho preferido pelos demais.

Quantos são os jogadores que preferem ser suplentes dos seus clubes e rejeitam a quase certa titularidade noutros clubes (ligeiramente) mais modestos desportivamente e (menos ligeiramente) um pouco mais modestos monetariamente? Basta relembrar, por exemplo, o caso de Navas, crónico suplente do Real Madrid, que, e mesmo cheinho de dinheiro, prefere prosseguir a carreira a aquecer o banco merengue, que vir para um clube que lhe garantiria a luta por títulos e um lugar cativo na baliza do actual campeão nacional. Já nem vou a Bruma, que esse caso é tão gritante que prefiro não comentar.

Eu sei que o dinheiro é fundamental, para mais na carreira de curta duração dos jogadores de futebol. Mas não seria melhor dar um passo atrás para dar dois em frente? Ou quase em fim de carreira, e com milhões e milhões a encherem os bolsos, não seria mais ‘gratificante’ jogar, fazer parte efectiva de um plantel, de um grupo e de eventuais conquistas? Pelos vistos, para a grande maioria, não.

Navas é um bom exemplo do que é preferir os milhões em prol de uma carreira ‘no activo’
Fonte: Real Madrid CF

Dyego Souza saiu para a China, de olhos em bico com os milhões que vai receber. Já não é novo, aproveitou para enriquecer, mas seria a sua última chance? Como ficará a sua carreira? Então o homem até era chamado à selecção nacional. Afinal que visibilidade terá para o futuro? Quantos jogadores por esse mundo decidem, ainda mais novos que Dyego, ir ganhar milhões para o fim do mundo futebolístico, descorando a possibilidade de evoluirem no ‘mundo desenvolvido do futebol’?

Para terminar dou somente estes três exemplos: André Silva foi para Milão, Adrien para o Leicester City FC e Renato para Munique. Três jogadores que saíram não há muito tempo dos nossos ‘grandes’ para a Europa rica do futebol mundial. Pergunta: não teria sido melhor terem ficado? Compensou encher os bolsos e deixar as suas carreiras um pouco em ‘standbye’?

André Silva, um menino goleador, se tem esperado não teria conseguido ir para um clube que lutasse por títulos e que estivesse mais sereno em vez de ir a correr para este gigante italiano adormecido há anos e anos? Adrien troca o Sporting por um clube que mesmo sendo campeão inglês não luta, em todas as ‘normais’ épocas, por nada mais do que um campeonato tranquilo? E Renato? Com a Europa a seus pés, achou que Munique era o local certo? Acreditou o médio português que conseguiria ser titular no campeão alemão, num campeonato difícil para a maioria dos nossos jogadores, e onde pontificavam, por exemplo e para a sua posição, Xabi Alonso, Vidal e Tiago Alcântara? Onde poderia estar Renato agora?

Posto isto, cada vez tenho mais a certeza de que, entre a carteira e a carreira, o que conta mesmo é o dinheiro. As carreiras vão, mas, por norma, o dinheiro ficará por mais alguns anos…

Foto de Capa: SC Braga

Ninguém tira Márquez do trono

0

Ainda estamos a meio da temporada e Marc Márquez já é o grande favorito a voltar a vencer o campeonato de MotoGP. Vários pilotos já subiram ao topo do pódio, mas a consistência continua a ser o grande trunfo do espanhol.

Até ao momento, o piloto da Honda teve apenas uma corrida na qual não pontuou devido a uma queda. Tirando a prova no Circuito das Américas, Márquez esteve sempre no pódio. Tem três segundos lugares e cinco vitórias em apenas nove corridas. Com uma performance que dificilmente poderia ter sido mais consistente, o trabalho dos outros pilotos torna-se muito mais complicado. Até ao momento só Andrea Dovizioso, Alex Rins, Maverick Viñales e Danilo Petrucci conseguiram impedir Márquez de chegar à vitória.

No entanto, com cada um deles a vencer apenas uma vez, os pontos arrecadados não foram, de todo, suficientes para se aproximarem de Márquez. O espanhol partiu para a pausa de verão com uma impressionante vantagem de 58 pontos para Dovizioso. O italiano arrancou a temporada com uma vitória logo na primeira corrida. Porém, os outros três pódios que conseguiu não o aproximaram de Marc Márquez. Será, certamente, interessante ver como se irá desenrolar o campeonato e se o italiano consegue recuperar alguns pontos. Mesmo que o faça, será complicado alcançar o espanhol que está, uma vez mais, imparável.

Enquanto Dovizioso tem deixado um pouco a desejar, o seu colega de equipa não para de surpreender. Um dos grandes destaques desta primeira metade da temporada é, sem dúvida, Danilo Petrucci. O italiano tem aproveitado ao máximo este primeiro ano na equipa de fábrica e fez jus à grande oportunidade que lhe foi dada. Não ficou sem pontuar em nenhuma corrida e terminou sempre dentro do top 6. Conseguiu fazer três pódios consecutivos, incluindo a sua primeira vitória, no Grande Prémio de Itália. Com tudo isto, o italiano está com apenas menos seis pontos que Dovizioso. Será também interessante ver que terminará o campeonato melhor classificado.

Danilo Petrucci continua a surpreender e está prestes a ultrapassar o colega de equipa, Andrea Dovizioso, na classificação geral
Fonte: MotoGP
Quanto à Yamaha, Maverick Viñales parece ter encontrado, finalmente, o seu caminho depois de ter conseguido subir ao pódio nas últimas duas corridas. Em Assen, conseguiu a tão esperada vitória, mas está ainda longe de poder lutar com Marquez pelo campeonato. Valentino Rossi arrancou muito bem a temporada, com dois pódios em três corridas. No entanto, a partir daí, o caminho foi sempre para baixo. Resultados que não lhe permitiam seguir diretamente para a Q2, qualificações que deixavam muito a desejar e três corridas consecutivas sem pontuar, nas últimas quatro. Todos estes problemas levaram a que Rossi descesse ao sexto lugar do campeonato, atrás do seu colega de equipa.

Pedro Cary: Um dos grandes ruma ao país vizinho!

0

A primeira divisão de futsal irá perder uma das suas grandes referências dos últimos anos: Pedro Cary confirmou a sua saída para o Fútbol Emotion Zaragoza. Depois de nove anos nos “leões”, o Ala português vai jogar em Espanha. Teve a “sorte” de poder sair em grande do Sporting Clube de Portugal, com o título de campeão europeu de clubes conquistado em abril passado.

Serve por isso este pequeno texto para relembrar a carreira brilhante deste incrível jogador, enumerando os troféus conquistados com a camisola leonina envergada.

Começou a sua carreira na zona de onde é natural (Algarve) com passagens pelo Louletano, Falcões e Benfica de Loulé. Cary iniciou a sua carreira sénior ao serviço do Fontainhas, também um clube algarvio, mas da cidade de Albufeira. Daí teve uma primeira passagem pelo estrangeiro, em 2006/07, nos espanhóis do Melilla FS. Na temporada que se seguiu deu o salto para um dos maiores clubes desportivos em Portugal, o CF “os Belenenses”, onde permaneceu durante três épocas.

Em 2010/11 deu o grande passo rumo ao estrelato, ao concluir a sua transferência para o Sporting CP. Aquando desta movimentação, poucos ou nenhuns “sportinguistas” sabiam que o emblema leonino tinha acabado de comprar um dos melhores jogadores de sempre do futsal em Portugal. Foram nove anos brilhantes, em que o Ala algarvio ganhou tudo o que era possível em Portugal, coroados com a conquista da Liga dos Campeões no Cazaquistão.

Pedro Cary deixa o Sporting CP com a conquista da tão desejada Liga dos Campeões de futsal
Fonte: SCP Modalidades
Durante as suas épocas ao serviço do Sporting CP, o jogador foi muito importante pela influência em muitos golos e jogadas que originaram desequilíbrios a favor do seu clube. Foi fundamental para a conquista de 19 troféus nacionais e internacionais pelos leões (seis campeonatos nacionais, seis taças de Portugal, uma taça da Liga, cinco supertaças nacionais e um troféu europeu).

Não vou obviamente falar do campeonato da Europa ganho pela seleção portuguesa, porque o jogador ainda tem muito para dar ao nosso país. Vai continuar numa liga ultracompetitiva como é a espanhola. Aliás, um dos melhores campeonatos mundiais e, com 35 anos, ainda terá mais alguns anos, quem sabe, para poder conseguir mais alguma conquista pelo nosso país.

Foto de Capa: FPF

As novas funções de Casillas

0

O dia 1 de Maio de 2019 marcou impreterivelmente a carreira de Casillas. Aos 38 anos, o guarda-redes espanhol sofreu um enfarte do miocárdio e correu sérios riscos de vida, depois de se ter sentido mal num treino no Olival. Após o susto, e recuperado do problema que abalou o mundo futebolístico, o guardião não só não jogou mais durante a temporada, como ainda foi especulado, inúmeras vezes, a sua retirada.

Certo é que apesar de todas as notícias a indicar esse desfecho, Casillas não pousou as luvas, apenas pediu respeito à comunicação social afirmando até que a sua retirada seria apenas avançada por ele. Coisa que, até ao momento, não aconteceu.

Até ao momento a retirada ainda não é certa
Fonte: FC Porto

No dia em que o FC Porto se apresentou aos trabalhos para a temporada 2019/2020, o guarda-redes foi um dos elementos que fez parte do plantel, mas, esta semana, o clube anunciou as novas funções do craque espanhol.

A retirada não foi confirmada, e aquilo que é notório é a enorme vontade do guarda-redes em continuar a jogar, mas para já, e aliás por tempo indeterminado, o espanhol vai ter outras funções no clube que representa desde 2015.

Nestas novas funções, Casillas vai integrar o staff diretivo do clube, enquanto recupera do problema de saúde, para, quem sabe, voltar a fazer aquilo que melhor sabe: jogar.
O guarda-redes passará a fazer a ligação entre os jogadores, o treinador e a direção, podendo até assumir outras funções futuramente.

Dada a experiência do jogador e a forma como sempre demonstrou dedicação e respeito pelo clube, será sempre uma mais-valia na integração e comunicação entre os membros intervenientes, principalmente na formação do clube.

O FC Porto continua em busca do melhor substituto para a baliza.

Foto de Capa: FC Porto

Luisão: homenagem por descobrir

0

O Benfica não tem jeito para cerimónias. Seja por força do hábito ou não, a forma como tanto Jonas e Luisão, capitão do ressurgimento pós 2000 e com 15 anos de casa, se despediram denotam na organização uma total falta de brio. Entre uma despedida à pressa com a Luz vazia ou um adeus ás “três pancadas”, com direito a show-off presidencial pelo meio, qual delas honra mais as memórias de duas figuras centrais da nossa história recente?

Merecia mais, muito mais Luisão! Depois de 15 anos e tantos momentos de relevo, o brasileiro merecia todo um estádio em ebulição a despedir-se. Merecia uma melhor gestão da sua imagem, enfranquecida numa temporada 2017-2018 na qual o seu rendimento desportivo não era nem semelhante ao de anos anteriores. O seu estado físico já não permitia uma temporada ao maís alto nível, sendo esse um dos erros da gestão de Rui Vitória, impotente perante um assunto tão sensível no balneário. A pesada herança do seu currículo, as 538 toneladas de jogos traduzidas em seis Ligas, três Taças de Portugal, quatro Supertaças e sete Taças da Liga que o tornaram o jogador mais titulado de sempre do Benfica foram peso a mais para o treinador português, que nunca teve coragem de renovar as apostas iniciais.

Luisão assume-se como O gigante entre gigantes, superando Néné e Mario Coluna. Ingrata, no entanto, foi a forma como foi anunciada a sua retirada. Constituiu uma das falhas da estrutura, que nem o posterior cargo entregue de mão beijada apagou uma despedida cinzenta do Girafa do Benfica.

Poucos imaginariam, em 2003, que Luisão se tornaria um acumulador compulsivo de titulos pelo Benfica  Fonte: SL Benfica

A memória, que nunca deve ser selectiva, vai de encontro ao conceito kármico e talvez ajude a explicar a retirada tão insonsa. Foram variadas as vezes em que Anderson Luiz da Silva veio a público com declarações que causaram burburinho junto da massa adepta. Experimente isto: na barra do Google, digite “Luisão quer sair” e atente no número de resultados: 57.900! Algarismos mais que suficientes para alguém tão ambicioso como ele, que se tornou uma lenda do Benfica por mérito próprio mas que ao mesmo tempo sempre cultivou um hábito peculiar pelos pedidos públicos de saída. Sinais de uma personalidade forte, sempre ácida mas fulcral em alturas que a equipa e o grupo se encontravam em cacos.

Se, apesar disto, Luisão merecia uma despedida com a Catedral cheia e em festa? Sem sombra de dúvidas. Se havia momento para a total reconcialização era esse. Comandou o Benfica na travessia no deserto, foi o seu principal representante e a sua carreira é uma obra gigantesca de Vieira que puxou dos seus mais honrosos pergaminhos na construção civil para construir este líder de uns íncriveis 1.93 centímetros de altura e a largura de uma grande área.

Apesar de toda essa imponência, as suas naturais vontades em experimentar ligas mais fortes acompanhadas por uma frontalidade admirável, tornaram muitas vezes a figura de Luisão persona non grata junto de vários círculos de adeptos. A forma como Luisão se despede numa Luz vazia, num evento à pressa e depois de, três meses antes, ter renovado, demonstram que até na hora do adeus não existiu total tranquilidade nem sintonia entre todos. Uma tristeza que se torna inadmíssivel no Benfica actual, com uma estrutura tão elogiada por todos os que a conhecem e que continua a não dar importância aos timings, vendo-se atrapalhada para terminar ciclos de forma correcta.

Tanto Luisão como Jonas mereciam despedidas com muita mais pompa e circunstância, mereciam horas e horas de homenagem por tudo o que nos deram em termos desportivos e pela influência social que ainda têm. O tempo acabará por desvanecer os aspectos inúteis e extra-campo, fazendo sobressair as qualidades de dois críptideos da fauna benfiquista, mistificando-os ainda mais e guardando a sua imagem na galeria dos imortais da Luz.

Foto de Capa: SL Benfica

Lendas do Universo Sportinguista: Ângelo Girão

0

Ângelo André Girão é uma lenda do Sporting Clube de Portugal, mas sobretudo do Hóquei em Patins e do desporto nacional. O guarda-redes leonino é considerado por muitos o melhor do mundo na sua posição, sendo intransponível.

Girão patinou e fez as suas primeiras defesas ao serviço do Estrela Vigorosa Sport, rumando posteriormente ao FC Porto, onde permaneceu dez temporadas. O guarda-redes português terminou a sua formação ao serviço do Gulpilhares. Ao nível sénior deu os seus primeiros passos na AA Espinho e no Valongo, onde se sagrou campeão nacional.

Na temporada 2014/2015, Ângelo Girão reforçou o Sporting Clube de Portugal. Desde então estabeleceu-se como titular indiscutível, evoluiu e é hoje o melhor guarda-redes do mundo. Girão soma 152 jogos disputados e vários títulos de leão ao peito – uma Liga Europeia, um campeonato, uma Supertaça António Livramento e uma Taça CERS.

Ângelo Girão, capitão do Sporting CP é considerado por muitos o melhor guarda-redes do mundo
Fonte: Sporting CP

Ângelo Girão tem feito história ao serviço do Sporting, mas também pela seleção portuguesa. Recentemente, foi o herói português na conquista do 16º campeonato do mundo de Hóquei em Patins. Sendo fundamental em todos os jogos, mas com destaque para a final diante da Argentina, jogo em que defendeu cinco lances de bola parada no decorrer do tempo regulamentar e prolongamento, de seguida viria o desempate através das grandes penalidades, onde defendeu mais duas, entregando o título aos portugueses.

Ao longo dos anos em que tem estado ao serviço de Portugal, soma 98 internacionalizações e vários títulos, entre os quais: um Mundial, um Europeu, uma Taça Latina e três Taças da Nações.

A história de Ângelo Girão tem sido feita de defesas impossíveis, de exibições assombrosas, de vitórias e de títulos. Que possa continuar a dar o seu contributo ao Sporting Clube de Portugal por muitos e longos anos, sendo ainda o encarregado de erguer os troféus como capitão que é. Girão veste a camisola 61 dos leões com Esforço, Dedicação e Devoção, contribuindo para a Glória, ou seja, com títulos para o Museu Sporting. Que continuemos a assistir às defesas do melhor do mudo com o público a gritar nos pavilhões: “Girão!”.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

João Real e Marinho | A despedida dos relvados

João Real e Marinho eram os únicos que restaram daquela equipa da Académica OAF que fez história ao ganhar a Taça de Portugal em 2012.

O avançado de 36 anos, Marinho, já tinha representado inúmeras entidades do futebol português nomeadamente Sporting CP (na equipa B), U.Santiago, UD Vilafranquense, CD Olivais e Moscavide, CD Fátima, Naval e, atualmente, Académica. A sua carreira futebolística termina na época 2018/2019 onde apontou dois golos em 23 jogos disputados pelo clube da Briosa, mas ao longo de toda a carreira apresenta 505 jogos disputados e 68 golos marcados.

Já João Real, o defesa com igualmente 36 anos também apresenta um percurso bastante interessante no futebol português onde já representou entidades como Estação, Sp. Covilhã, Naval e, por último, o clube que representou até ao momento, Académica. Ao longo de toda a sua carreira futebolística apresenta-se com 281 jogos disputados e 20 golos, sendo 17 deles ao serviço do clube da Briosa.

Além da conquista da Taça de Portugal, a dupla conseguiu jogar na Primeira Liga por cinco épocas e na segunda liga por três épocas – com destaque no facto de terem ficado associados à descida de divisão em 2015/2016 -, mais importante: ainda conseguiram um grande objetivo a nível pessoal que era participarem na fase de grupos da Liga Europa em 2012/2013, onde se relatou a vitória sobre o Atlético de Madrid por 2-0.

Apesar de ambos os jogadores demonstrarem vontade de continuarem a jogar, os mesmos não entravam nas contas do treinador atual, César Peixoto, e acabaram por aceitar abandonar os relvados e integrar na estrutura – os cargos serão revelados em breve – do clube que os acolheu desde 2011. A despedida dos últimos “heróis” da Briosa representa o fim de uma era e o inicio de uma nova tentativa de conquista para a Académica.

Foto de Capa: Académica OAF

2019: Odisseia no Espaço (Grego)

Outrora berço da civilização ocidental, a Grécia moderna será palco de inúmeras tragédias e comédias na época desportiva que se avizinha, protagonizadas por um império português capitaneado por quatro audazes comandantes: Abel Ferreira, Pedro Martins, Miguel Cardoso e Luís Castro.

O “vou embora” popularizado por uma página humorística abandonou as redes socias em direção à realidade e Abel Ferreira trocou Braga por Salónica, a segunda maior cidade do país, para assumir o comando do campeão PAOK FC. 34 anos após a conquista do último campeonato, o clube cuja origem se confunde com o da própria cidade por força da Guerra da Ásia Menor, parte para a Super League 19/20 com o intento de revalidar o título conquistado na última época. Rodrigo, lateral-direito que se destacou ao serviço do CD Aves na última edição da Liga NOS, juntou-se a Vieirinha nos comandados do treinador português para o ataque ao cume do Monte Olimpo.

Fonte: Olympiacos

No Pireu, Pedro Martins é o primeiro dos quatro treinadores lusos a iniciar a época. A contar para a 2.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões, o Olympiacos defronta o Viktoria Plzeň ainda este mês e conta com o precioso contributo de três portugueses dentro de campo: José Sá, Rúben Semedo e Daniel Podence. Clube mais titulado da Grécia com 44 campeonatos, os Thrylos tudo farão para recuperar a hegemonia perdida em 17/18, quando o AEK interrompeu uma série de sete campeonatos consecutivos a vencer. Para o conseguirem, contam com El Arabi, Valbuena e Soudani, que se juntaram esta época a um plantel que já contava com o jogador mais valioso do campeonato, Kostas Fortounis.

O AEK, de Miguel Cardoso, tem sido um dos emblemas mais ativos no mercado. Detentor da maior armada lusa, o clube de Atenas conta no seu elenco com os defesas Hélder Lopes e Paulinho e com o trio de médio composto por David Simão, André Simões e Francisco Geraldes, que já tinha trabalhado com o treinador português em Vila do Conde, onde deu nas vistas e levou o Sporting CP a repescá-lo.

Luís Castro encerra o lote de treinadores portugueses no campeonato grego. Contratado aos sub-23 do Vitória SC – que também perdeu o treinador homónimo da equipa principal para o FK Shaktar – é o único cujas aspirações não passam pela conquista do título nacional. 9.º classificado da última edição, o Panetolikos conta com o contributo dos portugueses Mimito Biai e Dálcio Gomes e estreia-se no campeonato frente ao PAOK de Abel Ferreira.

O Aris, de Hugo Sousa e Bruno Gama, procurará repetir a classificação da última temporada (5.º) e recuperar a glória passada; já Xanthi, do guarda-redes Vítor São Bento, e OFI, dos avançados Lisandro Semedo e Ricardo Vaz, esperam uma época mais tranquila, cujo objetivo passará pela manutenção no principal escalão do futebol grego.

Depois de Sócrates, Platão e Aristóteles, é a vez de Abel, Pedro, Miguel e Luís desafiarem o senso comum do futebol helénico e argumentarem a favor da corrente portuguesa.

Foto de Capa: PAOK FC

International Champions Cup: should we stay or should we go?

Após dois testes de pré-época, que tiveram finais diferentes, mas em que a equipa deixou boas indicações, o SL Benfica partiu para os States ou, como se diz em bom português, para os Estados Unidos da América. Com que propósito? Com o de completar a fase preparatória da época com a (terceira) participação na International Champions Cup (ICC), um dos mais prestigiados e, por consequência, prestigiantes torneios de pré-temporada.

Na prova, cujo pontapé de saída foi dado em 2013, sob o nome de Guinness Cup e com a participação de “meros” oito clubes, os encarnados vão realizar três partidas: frente ao CD Guadalajara – conhecido por Chivas – (20 de julho, 21h05, hora de Lisboa), 14º classificado do mais recente campeonato Clausura; frente à ACF Fiorentina (24/25 de julho, 1h05, hora de Lisboa), 16º classificado da Serie A 2018/19; e frente ao histórico gigante adormecido AC Milan (28 de julho, 20h05, hora de Lisboa), 5º classificado da última edição da Serie A.

Posto isto, vamos ao que me interessa analisar neste artigo. Apesar de no seio do clube não existirem dúvidas relativamente à participação neste torneio amigável, ainda subsistem, entre os adeptos, algumas reservas quanto a esta participação. Dizem que a primeira vez nunca se esquece e na memória benfiquista ficou cravada – e parece-me que para sempre perpetuada – a primeira vez que o SL Benfica disputou a prova, em solo estadunidense (sim, este vocábulo existe. Sim, soa um bocado estranho). Traumatizados, há benfiquistas que não pretendem reviver o trauma que foi o péssimo início de época 2015/2016, para o qual muito contribuiu o cansaço das viagens transatlânticas e entre cidades norte-americanas. Compreendo a preocupação. No entanto,…

… é redutor ficar preso a um medo que, sob análise, acaba por ter um quê de irracionalidade. Por dois grandes motivos. Primeiro, essa época começou muito mal, mas acabou com a conquista do tricampeonato. Segundo, o mau início de campanha na temporada 15/16 não se deveu apenas à participação (mal preparada, diga-se) na ICC. Não podemos nem devemos nem conseguimos esquecer que se tratou de uma época de profundas mudanças. Mudou o treinador (Jesus – Vitória), mudou o plantel, mudou a estratégia, mudou o paradigma. A instabilidade era demasiada para que o clube colhesse os devidos frutos da digressão pelos Estados Unidos.

Todavia, o receio acorrentou mesmo o SL Benfica à inação e nas duas edições seguintes não houve representante português no torneio. No entanto, mediante convite, o clube da Luz voltou a terras de sua majestade Donald Trump (ele pediu-me para ser assim apelidado) no ano de 2018. Uma boa prestação que, apesar dos receios, não comprometeu o exigente início de época vermelha e branca, que dessas cores acabou pintada, com os festejos do 37. Contas feitas, duas participações na ICC, dois campeonatos.

A festa do futebol começa logo na pré-época com a International Champions Cup
Fonte: International Champions Cup

Como já se percebeu, sou a favor da participação benfiquista na International Champions Cup (e de outras coisas que não interessam ao caso). Contudo, parece-me sensato, nos parágrafos seguintes, elencar os prós e contras… ou melhor, os prós e OS contras, uma vez que a primeira designação pode ser marca registada da RTP. Assim, e canalizando a Fátima Campos Ferreira que há em mim, vamos à análise.

Guardando o melhor para o fim, comecemos pelos contras. Como noticiou o diário Record, o SL Benfica vai voar um total de 19 mil quilómetros, segmentados em quatro viagens. Até a águia Vitória ficou atónita. São muitas milhas aéreas e, consequentemente, é muito cansaço acumulado. É natural que, tal como eu, haja quem, do alto da sua portugalidade, diga: “Cansaço? Cansado fico eu que viajo em económica, eles é só mordomias!”. É verdade, mas acalmem-se, não é preciso exaltarem-se. No entanto, o desgaste físico e psicológico é inegável e faz-se sentir em alta competição.

Um contra que pode parecer de somenos importância mas que pode constituir um aspeto desestabilizador do grupo de trabalho é o facto de os jogadores contratados terem que se deslocar para os EUA e integrar a equipa de Bruno Lage longe, muito longe de casa. Volvidos a Portugal, terão de passar por um novo processo de integração e concluir todos os trâmites da transição para Lisboa e para o SL Benfica. Além do mais, integram a equipa a meio de um estágio. Todo este processo pode revelar-se moroso, complexo e difícil.

Por entre a bruma (não é uma referência ao jogador) dos contras puros, surge um contra vira-casacas, um contra que já foi pró. Nas edições anteriores, a viagem compensava por possibilitar confrontos com equipas como a Juventus FC, o Borussia Dortmund, o O. Lyon ou o Paris SG. Ora, como referi, este ano o campeão nacional vai andar pelos ares 19 mil quilómetros para defrontar o 14º classificado do campeonato mexicano e o 5º e 16º classificados da Liga Italiana. Escusado será dizer que nenhuma destas equipas disputará a Liga dos Campeões. Valerá mesmo a pena?

Sim. Não só pelo tamanho da alma benfiquista, que não é nada pequena, mas também pelos prós que enuncio de seguida. Ainda que não entrem em confronto com o SL Benfica, participam na ICC clubes como a campeã italiana Juventus FC, o campeão alemão FC Bayern Munchen, o vice-campeão europeu Tottenham FC, o comprador-mor Club Atlético de Madrid e o comprador ainda maior Real Madrid FC. A presença de clubes de tão grande magnitude prestigia o torneio e, claro, o SL Benfica beneficiará invariavelmente com esse prestígio.

Por outro lado, a valorização e a internacionalização da marca Benfica ganham muito com a participação na ICC. Todas as atividades paralelas – as visitas de Luisão às cidades por onde passará a comitiva encarnada, a parceria com os San Francisco 49ers, equipa californiana de futebol americano (o que me custa escrever esta expressão, aquilo não é futebol) – contribuem de sobremaneira para exportar, fazer crescer e dinamizar a marca Sport Lisboa e Benfica.

Luisão, embaixador do SL Benfica, representou o clube em atividades paralelas, incluindo uma visita à casa do clube em Newark, New Jersey
Fonte: International Champions Cup

Num momento em que no mundo do futebol impera a lógica comercial, tudo isto é importantíssimo. Ainda numa lógica de mercado, veicularam, há alguns meses, notícias que davam conta de um prémio de cerca de três milhões de euros pela participação na ICC. Peanuts, para quem vende por 120 milhões, mas é dinheiro.

Mas como não só de dinheiro vive o futebol (não se riam, vá), importa destacar os adeptos, que vivem separados por um oceano de uma das suas maiores paixões e que, desta forma, podem matar saudades do SL Benfica e, a uma certa extensão, de Portugal.

Então, should we stay or should we go? Devemos ficar ou devemos ir? Pesando os prós e os contras, acredito que devemos ir. Um clube da dimensão do SL Benfica não pode ficar fora destes eventos. Um clube da dimensão do SL Benfica não se pode deixar acorrentar por grilhões de medos e inseguranças. Um clube da dimensão do SL Benfica tem de fazer jus à sua águia e voar. Mesmo que sejam 19 mil quilómetros.

Foto de Capa: SL Benfica

Novak Djokovic: O trajeto de uma lenda

0

Após duas semanas de intenso Ténis que os courts de Wimbledon nos presentearam e o vencedor foi nada mais nada menos do que o sérvio Novak Djokovic. Tivemos com uma final impressionante entre os dois melhores tenistas da atualidade – Djokovic e Federer.

O que dizer sobre Novak Djokovic? A verdade é que o tenista tem sido uma promessa do mundial de ATP desde 2006, arrecadando, até hoje, 75 títulos, dos quais 16 foram ganhos em Grand Slams.

Como uma das melhores épocas para o número um mundial, destacamos a do ano de 2015: a vitória de três Grand Slams de quatro, seis torneios de Masters 1000 de nove, o ATP World Tour Finals, que finaliza o ano do Ténis; e ainda a vitória do ATP de Pequim, que se encaixa na categoria ATP500. Seria neste ano (2015) que passariam dez anos desde a sua estreia como profissional e nove desde o seu primeiro título ATP. Quem diria que o sérvio chegaria ao topo e, a partir daqui, nos surpreendesse cada vez mais?

A classe e concentração que Djokovic mostra em campo, tal como a sua técnica e boa forma física sempre presente no seu jogo, são duas das suas características mais influentes. Também estas são duas das razões pela qual o tenista, não só mostra uma carreira surpreendente na modalidade, como também se aproxima de ser um dos melhores jogadores da História do Ténis. Se já não o é, juntando-se a outros grandes do Ténis como Roger Federer, Rafael Nadal, ou até Pete Sampras.

Novak Djokovic em ação frente a Roger Federer, na final de Wimbledon de 2019
Fonte: Wimbledon

De facto, o Ténis como desporto profissional tem, ao longo dos últimos anos, crescido de uma forma exponencial. Muito se deve ao esforço e aos “pequenos talentos” que vão aparecendo na modalidade, que acabam por dar qualidade ao jogo em si e atrair o público. Aqui está um exemplo deste talento.

Para já, a temporada deste ano tem sido favorável para o sérvio com 3 títulos já vencidos: dois Grand Slam (Australia Open e Wimbledon) e o Masters 1000 de Madrid. Vai assim garantindo o número um do ranking do ATP com uma vantagem bastante significativa, pelo menos até aos próximos meses.

Os anos passam, e, com já 32 anos, Novak Djokovic deixa (e continuará a deixar) na História um palmarés invejável. É um dos principais ídolos de quem acompanha a modalidade e de quem, futuramente, deseja ter uma carreira de alto nível. Como o tenista afirmou na entrevista de final de encontro em Wimbledon, no passado domingo, e passo a citar: “Roger Federer é uma das minhas inspirações para continuar a jogar até (pelo menos) aos 37 anos”. Esperemos mesmo que sim.