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Aposta para vincar uma identidade

O Moreirense FC acabou de realizar a melhor época da sua história, terminando o campeonato no sexto lugar, destacando-se pela prática de um futebol atractivo e ofensivo, que valorizava os jogadores, sob o comando técnico de Ivo Vieira.

Perante a saída do treinador madeirense, a equipa minhota teve de ir à procura de um sucessor. O homem escolhido foi o vimaranense Vítor Campelos, um nome desconhecido para grande parte do público nacional e que irá cumprir a sua primeira experiência na Primeira Liga como treinador principal.

Vítor Campelos é licenciado em Educação Física e Desporto, tendo iniciado a sua carreira no futebol como preparador físico, começando nos escalões amadores, saltando até à Primeira Liga. Em 2007, aceitou o convite de Toni para integrar a sua equipa técnica, sendo seu adjunto no Al-Ettifaq, Al-Ittihad (Arábia Saudita), Al-Sharjah FC (Emirados Árabes Unidos) e Tractor (Irão).

Em 2013/2014, Vítor Campelos teria a sua primeira experiência enquanto treinador principal, ao servido da equipa B do Videoton da Hungria. Já durante a temporada seguinte regressaria a Portugal para orientar o CD Trofense na Segunda Liga. Porém, num contexto complicado, o seu percurso na Trofa durou apenas 17 jogos, não conseguindo salvar o clube da descida de divisão.

Foi no Vitória SC B que Vítor Campelos começou a ganhar visibilidade
Fonte: Vitória SC

Em 2015/2016, Vítor Campelos regressaria à sua cidade-natal para treinador a equipa B do Vitória SC. Foi ao serviço da formação secundária vitoriana que o técnico começou a destacar-se ao potencializar vários jovens que chegaram à equipa principal, através de um futebol atractivo e que valoriza os jogadores, privilegiando a sua evolução. Em 17/18, também chegou a orientar interinamente a equipa principal num jogo do campeonato após o despedimento de Pedro Martins.

Depois de um ano sem clube, o treinador de 44 anos irá realizar a sua primeira experiência como treinador principal, num clube que se destacou pela prática de um bom futebol na última temporada. Tendo em conta o seu perfil e aquilo que mostrou em Guimarães, acho que tem capacidade de dar continuidade ao bom trabalho realizado por Ivo Vieira.

No entanto, há que abordar esta contratação de forma mais profunda e perceber o que vem por detrás da mesma. Esta contratação é um passo dado no sentido em que a estrutura do Moreirense pretende vincar a identidade que tem vindo a construir na última época. Por isso, apesar da mudança de treinador e da perda de jogadores influentes, o conjunto de Moreira de Cónegos continuará a ser uma equipa a ter em atenção na próxima temporada.

 

Foto de Capa: Moreirense FC

Construção de um plantel bicampeão e europeu

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O Sport Lisboa e Benfica parte para mais uma pré-temporada como campeão nacional. Contudo este estatuto vive assombrado pela má gestão que foi executada no Verão transacto. Este é um Benfica imaturo, em fase de crescimento. É um plantel com necessidade de ser consolidado, a exigir tempo de trabalho e integração. O título de campeão nacional traz consigo o acesso directo à fase de grupos da Liga dos Campeões e assim um maior fôlego na organização de uma pré-temporada ao gosto da equipa técnica.

Bruno Lage é um treinador do treino. Vai ser pelo tempo de treino que irá consolidar as suas ideias na equipa. Tem uma ideologia de jogo, uma identidade própria a implementar. Trabalhou durante 5 meses uma equipa que não era sua e conseguiu assumi-la. Deu o seu toque e agora tem dois meses para verdadeiramente a caracterizar à sua imagem. E a evolução do plantel entre estas duas épocas tem necessariamente de ser feita à imagem de Lage.

Bruno Lage tipicamente parece favorecer um 4-4-2 com extremos a actuar mais como médios ofensivos, laterais a dar a largura ofensiva, um avançado de ligação a procurar o espaço para receber a bola e dois médios tanto com qualidade posiconal defensiva como com capacidade de distribuir jogo. Além disso favorece a capacidade de pelo menos um dos centrais poder ser o primeiro organizador de jogo da equipa. Os golos voam de pé em pé, de cabeça em cabeça, ao gosto de seja qual for o jogador que no dinamismo ofensivo surja em zona de finalização.

Olhemos então para o plantel com que Lage trabalhou de forma a percebermos onde há necessidade de mudanças.

Guarda-Redes: Odysseas, Svilar e Zlobin. Um sector onde parecia que estávamos finalmente resolvidos mas o final de época do greco-alemão provou-nos errados. Se de um lado acumulou grandes defesas, do outro acumulou grandes falhanços. Ficam dúvidas se tem consistência para ser o dono da baliza encarnada e no banco não há nenhuma opção que esteja, pelo menos para já, com capacidade para a função. A procura de um guarda-redes no mercado parece-me ser uma das prioridades mais cuidadosas e minuciosas que a Direcção deverá ter este Verão. A ser contratado que venha um guardião à imagem de Lage – qualidade de passe e liberto das amarras dos postes.

Laterais: A direita é do Almeida e a esquerda do Grimaldo. O Grimaldo é craque, integra-se perfeitamente nas ideias do Lage e seria importante que continuasse na Luz. O André tem a personalidade adequada mas não o talento exigido. O Yuri não tem qualidade para o plantel do SL Benfica e acredito que no Seixal possa haver uma solução mais interessante. Na direita o Corchia não funcionou e o Ebuehi ainda não teve oportunidade de se mostrar. O SL Benfica necessita de um lateral direito um pouco à imagem do Nélson Semedo. Será o nigeriano a opção?

“O Ferro é tudo o que o Lage gosta para aquela posição e o Dias tem potencial para ser o líder da defesa, apoiar o Ferro e capitanear o Sport Lisboa e Benfica”
Fonte: SL Benfica

Centrais: Rúben Dias, Ferro, Jardel e Conti. O argentino não tem lugar no plantel e o recém-capitão é mais importante no balneário do que no relvado. O Jardel será o ideal terceiro central. Compensa a menor qualidade com o seu espirito mas não o suficiente para poder ser o central que sai com a bola controlada. Dias e Ferro é uma dupla à Benfica, que serve os interesses de Bruno Lage e que tem tudo para ser a nova dupla de ouro do futebol português. O Ferro é tudo o que o Lage gosta para aquela posição e o Dias tem potencial para ser o líder da defesa, apoiar o Ferro e capitanear o Sport Lisboa e Benfica. Enquanto a qualidade do primeiro é inquestionável, a do Dias continua a deixar dúvidas – abordagens defensivas muito pouco clarividentes vão manchando algumas das suas exibições. Com a qualidade que temos no Seixal não vejo à partida necessidade de se contratar um central para o lugar do Conti. Se o mercado levar à saída do Rúben Dias, nasce a oportunidade de irmos contratar um centralão que crie uma dupla de ouro europeia com o Ferro.

Médios: Samaris, Fejsa, Gabriel, Florentino, Gedson e Krovinovic. A dupla está garantida com a qualidade apresentada esta época tanto pelo Samaris como pelo Gabriel. A qualidade e a ligação entre ambos. A eles junta-se claramente o Florentino já com o potencial todo confirmado. Pelas fragilidades fisicas que tem apresentado e principalmente pela alteração do sistema de jogo – agora num meio-campo com dois médios lado a lado – esta parece-me a altura exacta para o Fejsa experimentar outros campeonatos. O Krovinovic precisa urgentemente de jogar e assim só me parece recuperável se esta época for emprestado. Sobra então o Gedson a juntar-se às opções do meio-campo e ainda a muita qualidade que existe no Seixal. Contratar por contratar? Nesta posição não me parece haver urgência de reforços. A contratar só se for um excelente médio para ser o patrão do meio-campo encarnado pela sua qualidade posicional sem bola e a sua capacidade de passe. Não é nada prioritário.

Médios Ofensivos/Alas: Aqui mora a maior criatividade da equipa. Seja em progressão ou no rolar da bola, seja pela linha ou pelo centro do terreno, seja no passe ou na bela finalização. Pizzi, Rafa, Zivkovic, Salvio, Cervi, Taraabt e Jota. Sete para duas posições. Pizzi e Rafa são donos dos lugares, um a rasgar em progressão e outro a rasgar com a imaginação. A eles junta-se aquele que ainda é a minha grande esperança – o sérvio Zivkovic, um jogador mais à imagem de Pizzi. O Cervi é aquele jogador que menos se adequa a esta equipa, tanto pelo estilo como pela qualidade. Na porta de saída portanto. Aos três já indicados junta-se o rasgo do Salvio e ainda aquele que pode ser o jogador a explodir esta época: Jota. Evidentemente estas são posições onde não há qualquer necessidade de reforços.

Avançados: Jonas, João Félix e Seferovic. Aqui mora a dupla fantasia – Jonas e João Félix. É maravilhoso sequer imaginar estes dois em par a abrir as defesas adversárias e a vergar cada guarda-redes que os oponha. A dar-lhes cobertura o também excelente Seferovic. Tendo em conta que Rafa e Jota podem andar por estes terrenos à partida não haverá necessidade de qualquer reforço. Contudo temos a situação física de Jonas. Está o brasileiro apto para mais uma época de águia ao peito? Não podendo contar com Jonas, será crucial ir ao mercado procurar um reforço para o ataque. Um avançado mais à imagem de Seferovic. Não um pinheiro. Um jogador com qualidade técnica, qualidade nas movimentações e qualidade frente à baliza. Um jogador que obrigue o suiço e o João a renderem o dobro para não sentirem o desconforto do banco.

“Um Benfica que tem tudo para ser verdadeiramente uma equipa de Champions. O Benfica Europeu”
Fonte: SL Benfica

Resumindo, um SL Benfica já forte e só a necessitar de dois ou três reforços. Uma equipa somente a necessitar de treino para ganhar uma nova identidade. Um Benfica que tem tudo para ser verdadeiramente uma equipa de Champions. O Benfica Europeu. Para isso deve obrigatoriamente manter os seus principais craques e continuar a investir nas pérolas que em Janeiro surgiram do Seixal.

Treino, um guarda-redes, alguns reforços defensivos e deixar a bola rolar.

Foto de Capa: SL Benfica

O melhor 11 da época para a equipa de Futebol Internacional

Para celebrar o final da época 2018/2019, a equipa de Futebol Internacional, do Bola na Rede, decidiu levar a cabo uma série de eleições, uma espécie de prémios BnR para o Futebol Internacional.

Na primeira votação elegeram-se os melhores jogadores, a cada posição, da época 2018/2019. Apostando num sistema táctico de 4-4-2, ou uma espécie disso, este foi o 11 escolhido pela equipa de Futebol Internacional.

A lesão de Pepe gera preocupação!

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A lesão de Pepe ao serviço da seleção portuguesa criou muita preocupação na estrutura azul e branca. O FC Porto vai ter um agosto com muitos e decisivos jogos, sendo a qualificação para a Liga dos Campeões fundamental para a sustentabilidade financeira do clube, e consequentemente, decisiva para a competitividade desportiva dos portistas.

Depois das saídas de Felipe e Éder Militão a defesa portista precisa da experiência e qualidade de Pepe, principalmente em jogos onde a pressão é maior, como é o caso dos jogos da Liga dos Campeões, e onde o internacional português tem “apenas” 98 jogos realizados, tendo já conquistado o troféu por três vezes.

Além de Pepe, as opções são Mbemba, Diogo Leite e Diogo Queirós o que é manifestamente curto. Mbemba é um jogador competente que pode surgir como terceiro central na hierarquia e até pela sua polivalência será um jogador que vai figurar constantemente nas convocatórias dos azuis e brancos. Diogo Leite e Diogo Queirós são jovens talentosos, mas existe a possibilidade de saírem para rodar e interessados não faltam. Não está excluída a hipótese de um destes jovens ficar no plantel e se tivesse de apostar apostaria em Diogo Queirós.

Pepe vai ser o patrão da defesa portista
Fonte: FC Porto

Apesar da lesão de Pepe não ser de muita gravidade e previsivelmente poder estar apto a competir no início de agosto, é possível que perca uma boa parte da pré-época e com isso aparecer com pouco ritmo competitivo em jogos de tamanha importância. Se já era obrigatório ir ao mercado, essa urgência aumentou significativamente. Resta saber se o FC Porto vai contratar um ou dois defesas centrais.

Acredito que as soluções possam surgir do mercado sul-americano, mais concretamente do Brasil, onde o FC Porto tem vários jogadores referenciados. Leo Pereira e Leo Santos, do Atlético Paranaense e Fluminense FC, respetivamente, são dois jogadores que foram apontados aos dragões embora Leo Santos se tenha lesionado entretanto e possa ter ficado fora da equação. Lucho González, colega de equipa de Leo Pereira, deu excelentes indicações sobre o seu colega e pode ajudar numa possível transferência.

Um outro nome, este do mercado nacional, que foi noticia nos últimos dias foi Rúben Semedo, mas podemos afirmar que não passa de um rumor e que não será jogador do FC Porto. Não demorara muito para que os adeptos do FC Porto conheçam o seu novo defesa central, acredito que nos próximos dias teremos novidades.

Foto de Capa: FC Porto

«Às vezes estavas a ir para a escola e vias passar João Pinto, Poborsky ou Michel Preud’homme» – Entrevista BnR com Luís Zambujo

Foi um dos talentos de uma geração vencedora do futebol de formação do Benfica e até nacional. Enquanto sénior, trilhou o seu caminho por muitos dos clubes históricos do nosso país e conquistou dois campeonatos nacionais da Segunda Liga. Nesta conversa, Luís Zambujo demonstra ao BnR que ainda tem garra e vontade para assumir novos projectos e pisca o olho até ao estrangeiro.

– Os primeiros passos no SL Benfica –

«Manuel Fernandes (…) já na altura se via que ia ser um craque, tanto dentro como fora dos relvados».

Bola na Rede [BnR]: Entraste para as camadas jovens do SL Benfica com apenas 10 anos. Como foi esse percurso até chegar ao clube da Luz?

Luís Zambujo [LZ]: Sim, é verdade. Cheguei ao Benfica com 10 anos, mas na altura, antes na altura o meu sonho nem era o futebol. Eu praticava motocross no Alentejo, em Moura, e até fui campeão da Península Ibérica e ligava mais a motas do que ao futebol. Entretanto, num torneio de verão, creio que foi no campo do Lusitano GC, no Campo Estrela, em Évora, fui fazer um torneio pelo Lusitano e estava um olheiro do Benfica que ligou aos meus pais e fui fazer um treino ao antigo Estádio da Luz. Lembro-me que, na altura, o mister José Morais e o mister Paisana, treinadores dos escolinhas, dizerem que a equipa estava praticamente fechada mas que me queriam ver, nem que fosse para ficarem com referências minhas. Nesse treino conjunto, com outros miúdos com 9 e 10 anos, fiz cinco ou seis golos e quiseram logo que eu ficasse. A partir daí entrei na estrutura do clube.

BnR: Para um jovem de Évora, foi difícil a adaptação a uma nova realidade? Vivendo longe dos pais, numa cidade maior, com nova escola e novas rotinas?

LZ: Sim, mas deixa-me dizer que andei durante três anos a fazer viagens entre Portel, a minha terra, e Lisboa, entre treinos e jogos eram três vezes por semana que fazia a viagem. Por isso, só a partir dos treze é que fiquei no Centro de Estágio do Benfica, mas já tinha três anos de clube e era dos mais antigos, senão mesmo o jogador com mais anos de caso. Lembro que, na altura, os juniores tinham já carinho e respeito por mim porque, apesar de ser mais novo, já estava lá há muito tempo e conhecia muita gente. Mas sim, foi um pouco difícil porque uma coisa é ir treinar e voltar para casa dos pais e outra coisa é ficar lá a viver. Mas é como eu já disse, os três anos de casa ajudaram-me bastante. Custou-me mais as rotinas, o mudar para uma escola onde não conhecia ninguém sem ser os meus colegas do Benfica. A cidade de Lisboa também era gigante e aqueles percalços de sermos abordados e até assaltados para nos roubarem óculos de sol ou a carteira também eram novos para mim. Contudo, faz parte do crescimento e, a partir daí, cresci tanto como jogador como homem.

BnR: Estiveste quase dez anos no Benfica, numa altura em que não havia ainda as instalações do Seixal. Como era viver no Estádio da Luz?

LZ: Viver no antigo Estádio da Luz foi uma experiência fantástica e os meus colegas que passaram por lá acredito que digam todos os mesmos. Vivias nas bancadas do estádio, num centro de estágio em que convivias com miúdos dos 10 aos 20 anos e às vezes estavas a ir para a escola e vias passar os craques da altura, como o João Vieira Pinto, Poborsky ou Michel Preud’homme. No centro de estágio tínhamos mesmo uma abertura para as bancadas e conseguíamos ver quase todos os treinos dos seniores e chegávamos a passar tardes a estudar nas bancadas do terceiro anel a ver o relvado. Foi fantástico, até mesmo o convívio com os sócios e ir ver outras modalidades como o hóquei, andebol e basquetebol. Era tudo ali, praticamente no mesmo sítio e isso é uma experiência única que vou guardar para o resto da minha vida.

BnR: Foste companheiro de equipa de muitos jogadores do nosso futebol e partilhaste os dormitórios do Benfica com eles. Existiam partidas entre vocês e praxes?

LZ: Sim, claro. Seja no centro de estágio ou mesmo no balneário, havia sempre aquelas partidas e praxes que eram normais e que ainda hoje acontecem em todos os balneários do mundo. Mas tínhamos um ambiente muito bom e éramos muito amigos. Claro que havia aqueles que queriam dormir mais cedo, outros mais antipáticos, mas tudo isso faz parte da nossa amizade e do nosso crescimento. Lembro-me que éramos vinte no centro de estágio, com idades entre os 12 e os 20 e, às vezes, íamos todos para o Colombo lanchar ou ir dar uma volta à Baixa de Lisboa. Era bonito ver miúdos com 20 anos ali juntos a outros com 13 ou 14, todos amigos e a lutarem por um sonho. Mas, respondendo à pergunta, havia praxes, como há em todos os lados.

BnR: Quais eram os jogadores que, já na altura, percebeste que poderiam vingar no futebol? Seja no SL Benfica seja noutros clubes.

LZ: A minha geração de 1986 foi sempre muito forte no Benfica. Ainda hoje se diz que foi das mais fortes de sempre do clube. Praticamente ganhávamos todos os torneios por onde passávamos e até prémios individuais. Eu lembro-me que, nos primeiros quatro anos de Benfica, a minha equipa ganhava sempre o prémio de melhor marcador, melhor jogador, jogador mais tecnicista; lembro-me que arrebatávamos os prémios todos individuais. Eu lembro-me de ganhar, sem exagerar, uns 14 prémios individuais; o João Coimbra e o Manuel Fernandes, que nós víamos já que ia dar num jogador fantástico. Mas a minha geração era mesmo muito forte, tínhamos também o Tiago Gomes e o Rui Nereu, que já na altura era um “gato” e defendia muito. Nas outras equipas, lembro-me bem do [João] Moutinho, Nani, Paulo Machado ou Ivanildo. Era um misto de jogadores que nos encontrávamos todos nas selecções, onde éramos todos colegas. Mas nos três grandes já se via bem que havia ali muito jovem com condições para dar o salto. Falando somente do Benfica, acho que o jogador que teve uma melhor carreira e um percurso fantástico foi o Manuel Fernandes, que já na altura se via que ia ser um craque, tanto dentro como fora dos relvados.

BnR: E, no reverso da medalha, há algum jogador que prometesse e que tenha ficado pelo caminho?

LZ: Eu não vejo as coisas por esse lado. Eu costumo dizer que há jogadores que não tinham tanta qualidade como eu, por exemplo, mas que fizeram – ou estão a fazer – uma carreira melhor do que a minha e há outros que eram melhores do que eu e que ficaram pelo caminho. Não me lembro assim de nenhum que prometesse muito mais que não tenha cumprido. Cada um seguiu o seu caminho, uns com mais sorte do que outros, outros acompanhados de melhor forma por empresários do que outros, outros ainda com lesões complicadas numa fase crucial da carreira, mas tudo faz parte. De resto, até por respeito, acho que não deva indicar algum nome em particular. Até porque, para alguns, posso estar a fazer uma boa carreira e para outros nem por isso. É tudo muito relativo.

Luís Zambujo nos antigos campos do Estádio da Luz
Fonte: Arquivo pessoal de Luís Zambujo
BnR: Nos juniores, viveste de perto a morte de Bruno Baião, um dos talentos dessa geração. Como é que um jovem de apenas 17/18 anos lida com a morte?

LZ: Lembro-me muito bem desse dia. Nesse dia não tinha ido treinar, estava com princípios de pubalgia e tinha ficado no centro de estágio que já não era no Estádio da Luz, era nos Pupilos do Exército, ao pé do Centro Comercial Fonte Nova. Lembro-me de estar no quarto de um colega meu e quando abro a porta para ir almoçar vejo os meus colegas dos juniores todos a chorar e com uma cara de enorme preocupação. Na altura o João Vilela, que é da geração antes da minha, disse-me para ir tomar banho e despachar porque tínhamos que ir para o hospital – senão me engano o Curry Cabral – porque o Baião tinha tido um ataque cardíaco. Depois foi a história que toda a gente já sabe, o Bruno era um craque e um exemplo para todos, era o nosso capitão e sentimos muito a falta dele, tanto no balneário e em campo como na vida. O Bruno era uma pessoa cheia de força, sempre com uma palavra amiga para dar e um capitão na verdadeira acepção da palavra. Custou-me muito, até porque o Fehér tinha morrido também há poucos meses e nunca foi fácil. Nós tínhamos passado pela experiência de morrer um colega mais velho e logo a seguir morreu um amigo e companheiro de equipa. Foi muito difícil e, ainda hoje, considero o Bruno um amigo e onde quer que ele esteja sei que está a olhar por todos nós.

BnR: Existe algum treinador que te tenha marcado pela positiva ou negativa durante os anos que passaste no Benfica?

LZ: Todos os treinadores que tive no Benfica me ajudaram a crescer tanto como jogador como homem. Tenho alguns que ainda hoje são meus amigos, mas todos foram importantes. É verdade que uns mais do que outros, mas todos importantes pelo que me foram passando, que me ensinaram e pela paciência que tiveram comigo. Eu também estava sozinho em Lisboa e alguns foram como pais para mim, ajudando-me e dando conselhos. Por isso, acho que todos os treinadores que tive no Benfica fizeram-me crescer e tornaram-me o homem que sou hoje. Agradeço e envio um abraço para eles todos porque, naquela fase inicial, ajudaram-me muito a conseguir seguir o meu sonho e dou graças a Deus por isso.

Ricardo Mestre é o grande vencedor do GP Jornal de Notícias

Mais uma edição do GP Jornal de Notícias, sendo esta a 29ª edição. A prova começou com um prólogo de 6.2km em Monção. Rafael Reis acabou por ser o homem com o melhor tempo e arrecadou a camisola amarela no primeiro dia, para a W52-FC Porto. Joni Brandão esteve perto do tempo de Rafael, mas usou mais dois segundos. António Carvalho, vencedor da edição passada, gastou mais três segundos que o seu colega de equipa. Rafael Reis que é especialista neste tipo de percurso, fez um tempo de 8m07s, a uma média de 45,832 km/h. Nota ainda para o facto da W52 ter colocado toda a sua equipa nos 13 primeiros!

Na primeira etapa em linha, tivemos a chegada a Viana do Castelo. Com uma esperada chegada ao sprint, o português João Matias, da Vito-Feirense-PNB foi o homem mais rápido. Leangel Linares( Kuota C.P) e Daniel Mestre completaram o pódio final. Rafael Reis nesta segunda etapa manteve-se líder da prova, visto que os homens da geral chegaram sem qualquer percalço. Nesta etapa Paulo Silva conquistou a camisola da montanha.

Na etapa seguinte, tivemos um tempo chuvoso e friorento, o que poderia dificultar a vida aos ciclistas. Uma etapa com 178,4 quilómetros entre Viana do Castelo e Ovar. A chegada foi feita com um sprint muito técnico, em que Leangel Linares foi o melhor na meta, o venezuelano que corre na Kuota/Construciones Paulino, em segundo ficou Rafael Silva e João Matias ocupou o terceiro lugar. A liderança foi mantida por Rafa Reis, somando assim o terceiro dia de amarelo.

Com a etapa três, chegou a revolução da geral individual. Era uma etapa curta, de apenas 70.6 kms. Foi uma etapa em que a fuga vingou, em que nomes como: Ricardo Mestre, Vicente De Mateos, Daniel Silva, Fabricio Ferrari, Alejandro Marque, Raúl Rico, Filipe Cardoso e Rafael Lourenço saíram do pelotão. Os nomes da fuga eram de alto valor e com isto a Efapel teve que trabalhar no pelotão para tentar reduzir as diferenças. Os fugitivos chegaram com 2:05m  de vantagem para o grupo principal.

O sprint entre os fugitivos aconteceu ainda bastante longe da meta, Rafael Lourenço parecia que ia ganhar, chegando mesmo a levantar os braços, mas Vicente de Mateos deu um impulso final na sua bicicleta, vencendo por centímetros. Com isto o homem da Aviludo-Louletano conquistou a desejada amarela. No entanto, tinha apenas dois segundos de vantagem para Ricardo Mestre e oito para Marque.

Na parte da tarde, para completar a etapa três, houve um trajeto de 9.6km para os ciclistas, através de um contrarrelógio coletivo. A W52-FC Porto completou o percurso em 11m03s a uma média de 52,127 km/h. A segunda classificada foi a Efapel, que gastou mais onze segundos e no terceiro lugar ficou o Sporting-Tavira a 18 segundos do primeiro. A Aviludo-Louletano fez apenas sétimo lugar e somou mais 55 segundos que a W52, sendo assim, Ricardo Mestre saltou diretamente para o primeiro lugar. Rafael Lourenço manteve-se como líder da juventude, Leangel Linares confirmou-se como o primeiro nos pontos e Paulo Silva (Fortunna/Maia) ficou na frente da camisola de montanha no final do dia. Por equipas, a W52 com este contrarrelógio afirmou o seu estatuto de primeiro lugar.

Show de Joni Brandão estava prestes a começar
Fonte: Federação Portuguesa de Ciclismo

Na quarta etapa, tivemos um ataque solitário de Joni Brandão a cinquenta quilómetros da meta, que lhe deu a vitória. A etapa no geral foi muito controlada pela W52-FC Porto, nunca deixando ultrapassar os dois minutos de vantagem. Na segunda subida de primeira categoria, Joni lançou um ataque, fazendo a ponte para a frente de corrida, onde teve ajuda do seu companheiro Bruno Silva. No final, o grupo ficou bastante reduzido pelo ritmo imposto pelos portistas, mas mesmo assim, não conseguiram alcançar Joni, chegando doze segundos depois do homem da Efapel. Joni subiu a oitavo na geral, a 1m43s de Ricardo Mestre. Com isto ainda somou o prémio de combatividade e arrecadou a camisola dos pontos.

Depois de ter ganho em Valongo, Joni Brandão foi o melhor na cronoescalada de 7,1 quilómetros, entre Santo Tirso e o alto da Senhora da Assunção. O atleta da Efapel fez a escalada em 14m59s a uma média de 28,432 km/h. Edgar Pinto foi o segundo, a nove segundos e António Carvalho fez terceiro, a 17 segundos, Mestre fez quarto lugar, ficando a 33 segundos de Joni, mantendo assim a amarela. Na geral, Mestre seguia em primeiro lugar, com um minuto de vantagem para Marque (Sporting-Tavira) e para Joni Brandão. O ciclista da Efapel estava em clara luta contra o prejuízo, visto que os homens que estavam à sua frente conquistaram a vantagem através da fuga na etapa três.

A última etapa chegava e a W52 sabia que tinha de controlar a corrida. A única fuga nesta etapa, aconteceu quando já se tinham corrido 120 quilómetros! A equipa portista não deu tréguas às investidas dos rivais. A fuga ganhou perto de cinco minutos, mas o tempo foi reduzido drasticamente no final.

O grupo já estava extremamente reduzido na parte final e a Efapel entrou ao trabalho para Joni Brandão tentar a sua derradeira investida, para assaltar a camisola amarela. A dois quilómetros do fim, o líder da Efapel atacou e cortou a meta isolado, conquistando a terceira vitória consecutiva e fazendo jus ao ditado, “não há duas sem três”. O espanhol, António Gómez fez segundo, a seis segundos e Daniel Silva fez terceiro, a oito segundos. Ricardo Mestre fez quarto lugar, com o mesmo tempo de Daniel Silva e sendo assim defendeu bem o seu primeiro lugar da geral individual, garantindo assim a renovação do título da W52 nesta prova, visto que na edição de 2018, António Carvalho foi o vencedor.

No final, Ricardo Mestre acabou com menos 36 segundos do que Joni e menos 59 do que Alejandro Marque do Sporting-Tavira. Além da camisola amarela, a W52 ganhou por equipas. Joni Brandão ganhou a camisola verde dos pontos e das metas volantes, Bruno Silva ganhou a camisola da montanha e Rafael Lourenço (Oliveirense/InOutBuild) ganhou a camisola da Juventude.

Top 10 final:

  1. Ricardo Mestre (W52-FC Porto) 20:33:24
  2. Jóni Brandão (Efapel) + 36s
  3. Alejandro Marque (Sporting-Tavira) + 59s
  4. Edgar Pinto (W52-FC Porto) +1m:28s
  5. António Carvalho (W52-FC Porto)+ 1m:32s
  6. Daniel Silva (Rádio Popular Boavista) + 1m:41s
  7. Filipe Cardoso (Vito/Feirense PNB) + 2m:26s
  8. Rafael Lourenço (UD Oliveirense/InOutBuild) +2m:32s
  9. Fabricio Ferrari (Efapel) + 2m:33s
  10. Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) + 2m:42s

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Ciclismo

Já chegaram as finais da NBA!

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Finalmente chegaram as finais da NBA! O momento pelo qual todos os amantes de basquetebol ansiavam!

Por um lado, não me é possível ser imparcial e não fazer a alusão ao meu desapontamento e à tristeza que sinto por não poder ter o prazer de assistir a um jogador, simplesmente, monstruoso que é LeBron James, principalmente quando chegam as finais da NBA.

Por outro lado, tenho um enorme gosto em assistir à primeira aparição dos Toronto Raptors nas finais. Vou, por isso, analisar os 4 primeiros jogos das finais de NBA.

Neste momento, os Raptors, surpreendentemente, contrariando a previsão das casas de apostas de Las Vegas, estão a levar a melhor sob os atuais bicampeões. Kawhi Leonard está a demonstrar que está novamente em forma e tem sido uma peça fundamental para o sucesso da equipa de Toronto. Se continuar assim arrisco-me a dizer que será congratulado com o prémio de: “Finals MVP”. Mas não tenho visto Kawhi a assumir o papel de carregar a equipa às finais. Os Raptors são, para mim, uma verdadeira equipa, um coletivo em que todos têm um papel concretamente definido e todos o cumprem de forma simples e clara. No momento atual, parece que todos sabem o que estão a fazer e o que tem a ser feito, e o mais importante: todos estão a demonstrar que têm qualidade e capacidade para serem campeões da NBA.

Siakam tem sido um dos Raptors em destaque
Fonte: Toronto Raptors

Vou destacar os principais dados de jogo individuais, até ao momento, da equipa dos Raptors. Média, por jogo:

Leonard: 31 pontos; 10,3 ressaltos; 2 roubos de bola; 1 bloqueio; 40% 3pt Siakam: 20 pontos; 7,8 ressaltos; 0,75 bloqueios Lowry: 13 pontos; 7,3 assistências; 36% 3pt; 1,5 roubos de bola Green: 10 pontos; 41% 3pt; 1,25 roubos de bola; 0,75 bloqueios Ibaka: 8 pontos; 5.5 ressaltos; 2,25 bloqueios Gasol: 13 pontos; 7 ressaltos VanVleet: 13 pontos; 35% 3pt.

Julgo que não há necessidade de explicar, detalhadamente, as estatísticas individuais que referi acima. É, perfeitamente, visível a qualidade de jogo que cada jogador está a exibir. Todos os jogadores utilizados por Nick Nurse deixam o seu tributo à equipa.

Em suma, os Warriors estão numa situação muito complicada. Sem Kevin Durant, sem Klay Thompson a 100%, e com Stephen Curry a dar sinais de enorme fadiga será uma missão quase impossível. Para se ter noção, a única equipa na história da NBA a dar uma reviravolta numa série de 1-3 foi a equipa de LeBron James em 2016, os Cleveland Cavaliers, que venceu, precisamente, a equipa dos Warriors.

Fonte: Golden State Warriors 

As serras do Equador

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Primeiramente, clamando perdão, irei, nesta redação, fazer novamente referência à literatura. Já nem considero flama ou amor ardente. Trata-se de um vício, de uma dependência, de um hábito insaciável, de um mecanismo obsessivo. O “ser livrólico” floresce com o urgir do tempo e, consequentemente, resplandecerá a incapacidade para mitigar a vontade voraz, para acalmar a fera que ruge descomedidamente. A leitura é um caminho sem retorno, uma ida sem volta, uma cavalgada ao vento no deserto!

Miguel Torga, conimbricense, é o poeta arquétipo para dissecar o tema de hoje. Eu, na presença de ilustre personagem, redijo esta narrativa com o simples desígnio de construir um dialeto descrito numa circunferência em torno de Gonzalo Plata através de uma ode de Adolfo Correia da Rocha.

Analogias quase impercetíveis, semelhanças encafuadas em versos. Panoramicamente, a retina pouco ou nada decifra. Contudo, na minúcia da análise, e após exumações furtivas, lapido algo. “Sísifo” irá expor o paralelismo. Aqui vai!

Caro Gonzalo Plata, inicia a tua aventura no Sporting Clube de Portugal movido pela tranquilidade e serenidade, a titularidade irá surgir com excelsa naturalidade, (“Recomeça/ Se Puderes/ Sem angústia/ E sem pressa”). Contudo, consciencializa-te dos óbices do percurso e rege-te por ti mesmo, usufrui da jovialidade, (“E os passos que deres, / Nesse caminho duro/ Do futuro/ Dá-os em liberdade”). E, pertencendo à tua faixa etária, enxergo integralmente a ambição que reina numa índole tenra como a nossa, portanto, permanece na justa até ao derradeiro segundo e até à mais pequena gotícula de sangue, ludibria o adversário sempre que o jogo o exigir e não entregues a posse sempre que os adversários te voltearem, (“Enquanto não alcances/ Não descanses/ De nenhum fruto queiras só a metade.”).

O jovem leão tem sido um dos destaques do Equador no Mundial de sub-20
Fonte: Sporting CP

Juventude e inconformismo são termos paradoxais. Soam os alarmes da incongruência! Diz não ao contentamento de modo a, futuramente, abduzires de triunfos inolvidáveis e glórias indeléveis, feitos que nunca ousaste conjeturar na mais bonita das tuas fantasias. (“E, nunca saciado, /Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar/Sempre a sonhar e vendo” O logro da aventura.”). Não designes de torpe às tuas raízes, não vilipendies quem te fez crescer: com a qualidade que encerras em ti, na esbelta miscelânea de velocidade, técnica e remate, granjearás o máximo sem a ínfima resistência, (“És homem, não te esqueças! / Só é tua a loucura / Onde, com lucidez, te reconheças…”).

O Mundial sub-20 é o ensejo adequado para efetuar a declamação da ode triunfal. O destaque contempla-se desde o primeiro embate. O brilhantismo ofusca a crítica alheia. O apanágio é teu e só teu.

Ah, não te subjugues nem escravizes ao mito de Sísifo. Ele é só isso, um mito. Não te esqueças que o homem é o único ser que é digno de adoração e exaltação. Estou a “ensinar-te” algo ou já conheces Miguel Torga?

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Nani e uma faceta que desconhecíamos

Foi ao serviço do Orlando City FC que Nani ultrapassou a marca dos cem golos a nível de clubes. Aos 32 anos, o avançado, que rumou à MLS no mercado de inverno, está a ser um dos protagonistas do Orlando City FC com oito golos em 13 jogos. Já na primeira metade da época, ao serviço do Sporting, o então capitão dos leões apontou nove golos, tendo ainda conquistado uma Taça da Liga.

Depois de uma época abaixo das expetativas pela SS Lazio, Nani parece ter regressado às boas exibições a que nos habituou. Quem não se lembra dos tempos áureos em que era uma das estrelas da equipa de Manchester, onde esteve a grande nível durante cinco épocas. Tecnicista e com uma grande capacidade de remate, Nani chegou muitas vezes a ser comparado com Cristiano Ronaldo, contudo nunca conseguiu chegar a esses patamares.

Com a queda dos Red Devils, e mais precisamente com a saída do Sir Alex Ferguson, o extremo perdeu espaço na equipa. Regressou ao Sporting em 2014/15, onde conseguiu retornar as boas exibições, transferiu-se depois para o Fenerbaçe SK, da Turquia, onde realizou uma boa performance.

Nos Estados Unidos desdeMarço, o avançado soma já 8 golos em 12 jogos
Fonte: Orlando Ciy FC

Se a nível de clubes as coisas não sempre lhe correram da melhor forma, a nível de seleção a conversa era outra. Nani foi um dos jogadores que fez história com a conquista da Campeonato da Europa, onde foi um dos jogadores essenciais. Recordo que a nível de seleção, o extremo conta com 112 internacionalizações e 24 golos.

Outro dado de curiosidade é que esta já a época mais goleadora da carreira do avançado com 17 golos apontados. Dado que demonstra que Nani está em forma, e que tem tudo para brilhar numa equipa onde assume um papel de destaque. Com a crescente valorização da MLS no futebol mundial, o avançado tem tudo para se assumir como uma referência nesta liga.

 

Foto de Capa: Orlando City FC

Vacas Sagradas


Hoje, em Itália, apontam Gianluigi Buffon à baliza do FC Porto. Embora não acredite que seja um negócio com pernas para andar, importa deixar aqui um breve comentário acerca do assunto, não vá a SAD portista trocar-me as voltas.

Ainda estão por quantificar os reais benefícios que o FC Porto recolheu com a contratação e avultado investimento de Iker Casillas. A qualidade do jogador é inegável e os seus bons desempenhos, salvo algumas exceções, são praticamente inatacáveis. A questão que se coloca é: valeu a pena o esforço financeiro?

Na minha modesta opinião, a resposta é clara: não. Não está aqui em questão o inatacável comportamento de Casillas desde que chegou ao clube, a incontestável boa relação que criou com o Porto e os portuenses ou a sua qualidade enquanto guarda-redes. O que me parece é que nenhum clube português se pode dar ao luxo de gastar tanto dinheiro num só jogador, muito menos para a posição de guarda-redes. Para além disso, sem poder recorrer a números que suportem esta afirmação, não me parece que o retorno comercial da contratação de um dos jogadores mais titulados a nível mundial tenha servido para compensar o investimento.

Gianluigi Buffon passou a última época em Paris
Fonte: Paris Saint-Germain

No caso de Buffon, acresce que chegaria ao FC Porto na casa dos 40 anos de idade (Casillas chegou com 34), sem grande ritmo competitivo e sem grande utilidade futura.
Num plantel com tantas carências e perante a debandada geral que se avizinha não é, portanto, aconselhável que se cometa o mesmo erro. A prioridade deve ser dotar o plantel de maior qualidade nos vários setores e os jogadores contratados deverão ter uma perspetiva futura de geração de mais valias desportivas, mas, também, financeiras. Foi sob estes alicerces que se construíram as melhores equipas do FC Porto e deve ser, de novo, essa a estratégia. A juntar a isto tudo, exige-se uma aposta consistente na formação, sem a qual, dificilmente os clubes portugueses conseguirão continuar a ser competitivos.

Em suma, o futebol português não pode e não tem a capacidade para ser um espaço de pré-reforma para vacas sagradas. Não está em questão a qualidades dessas lendas do futebol mas sim o comprometer de uma estratégia que tem dado frutos. Tanto para a posição de guarda-redes como para todas as outras a aposta deve ser feita em jogadores relativamente jovens e com margem de progressão que possam gerar, a médio prazo, permitir encaixes financeiros (já depois de recolhidos os benefícios desportivos). Assim, perante o provável pendurar das luvas de Iker Casillas, acredito que a melhor solução para o problema será Diogo Costa. Irá cometer erros, é certo, mas lembro que Vítor Baía, Rui Patrício, Jan Oblak ou Ederson também os cometeram.

Foto de Capa: Paris Saint-Germain