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SC Braga é “água mole” mas é o Dragão que quer rebentar com a Pedreira

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Abel Ferreira proferiu, na conferência de imprensa de antevisão ao embate frente ao FC Porto, o velho ditado – “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.” – referindo-se ao facto de o SC Braga ainda não ter ganho ao FC Porto nesta época. Do outro lado, Sérgio Conceição antecipa um excelente espetáculo de futebol entre duas equipas que são, matematicamente, candidatas ao título, afirmando que com a aproximação do fim do campeonato os jogos que vão restando têm um peso de importância diferentes dos outros.

Tanto o FC Porto como o SC Braga vêm de três vitórias consecutivas, se contarmos com o jogo frente à AS Roma. A última derrota dos azuis e brancos foi frente ao SL Benfica no Estádio do Dragão para primeiro liga e certamente que Abel Ferreira viu e reviu esse jogo para perceber o ponto fraco dos dragões. Por coincidência, a última derrota do SC Braga foi frente ao FC Porto para a Taça de Portugal, também no Estádio do Dragão, por 3-0 – Alex Telles (pen 37’), Soares (63’) e Brahimi (90+4’) foram os goleadores da noite.

Tiquinho Soares é o melhor marcador do FC Porto e fez o gosto ao pé no último jogo frente ao SC Braga
Fonte: FC Porto

Em termos estatísticos, do lado do FC Porto o goleador de serviço é Tiquinho Soares com dez golos marcado, mas em relação aos arsenalistas é batido pelo recém-internacional português Dyego Sousa que conta com 14 golos no total. No que toca aos jogadores com mais minutos nas pernas entre as duas equipas, Alex Telles é o grande vencedor da equipa do FC Porto (2340 minutos) e Bruno Viana é o jogador mais utilizado dos bracarenses (2250 minutos).

As odds estão altas e o jogo pode cair para qualquer lado. Tal como o treinador do FC Porto disse – “Acho que temos todos os bons ingredientes para ser um bom espetáculo (…)”. O SC Braga em caso de derrota fica completamente afastado do título e também do segundo lugar. Caso seja o FC Porto a perder, muito dificilmente vencerá o campeonato.

A partida será disputada no Estádio Municipal de Braga às 15h30. A nível de baixas, do lado do SC Braga, Matheus, Ricardo Ferreira e Raúl Silva não vão a jogo por lesão. Quanto às baixas do FC Porto, Aboubakar ainda faz treino condicionado, assim como Fabiano e Marius que estão em dúvida.

Figura SC Braga

Fonte: SC Braga

Dyego Sousa – Está em grande nesta época, tanto que Fernando Santos chamou-o à seleção portuguesa e deu-se então a naturalização. Em todas as competições, leva 19 golos em 34 jogos e pode aumentar o número já hoje.

Figura FC Porto

Fonte: FC Porto

Jesús Corona – Assistimos a uma das melhores fases de Corona no FC Porto e apesar da sua pequena lesão frente ao SL Benfica e a consequente polémica que se instaurou entre o FC Porto e a seleção mexicana, Tecatito tem tudo para brilhar na Pedreira e ser um dos homens do jogo.

Onzes Prováveis:

SC Braga –  Tiago Sá, Marcelo Goiano, Bruno Viana, Pablo Santos e Sequeira; Wilson Eduardo, João Palhinha, Claudemir e Ricardo Horta; Fransérgio e Dyego Sousa

FC Porto – Iker Casillas, Éder Militão, Pepe, Felipe e Alex Telles; Corona, Herrera, Danilo Pereira e Otávio; Soares e Marega

Foto de Capa: FC Porto

A Equipa das Quinas é sempre a rapariga tímida do(s) primeiro(s) encontro(s)

O arranque da Seleção portuguesa de Futebol foi a meio gás. Penáltis por assinalar à parte, esperava-se, francamente, mais da equipa que detém o título de campeã europeia.

Apesar de até ser da praxe o facto de Portugal empatar os primeiros jogos de apuramento para a qualificação do Europeu, há ilações que temos, inevitavelmente, de retirar destes últimos jogos.

É ponto assente que temos mais do que argumentos suficientes para jogar um futebol melhor do que aquele que jogamos atualmente. Temos, de facto, um potencial enorme que não está a ser aproveitado, e a verdade é que nos últimos quatro jogos já lá vão quatro empates. Isto dos empates foi tudo muito bonito no Euro 2016, mas já chega de desculpas. Podemos e devemos fazer melhor!

O que vi nestes dois jogos foi uma equipa que teve sempre muita dificuldade em singrar por terrenos interiores. Ao invés, o jogo nos corredores laterais destacou-se, mas, ainda assim, foi muito pouco eficaz. Aliás, oportunidades, Portugal teve-as. Apenas não as soube aproveitar da melhor maneira.

Vários foram os cruzamentos sem nexo da equipa das quinas. Ou saíam com demasiada força e passavam para lá das quatro linhas ou então nunca encontravam jogadores prontos para finalizar dentro da área. Foi incrível a falta de preciosismo atacante da equipa de Fernando Santos.

Danilo foi não só o autor de um grande golo, como também do único nas duas últimas partidas que Portugal realizou
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Temos jogadores bastante desequilibradores que são capazes de construir ataques rápidos e perigosos, sim, mas que depois em termos de jogo interior pecam muito… Já para não falar na incógnita presente na frente de ataque de Portugal.

Há muito tempo que se tem esta conversa, mas a verdade é que falta um ponta de lança puro na nossa equipa. Mas agora pergunto: será que é esse o motivo que nos leva a pecar tanto na finalização? É uma hipótese, diria eu.

Já nem sequer falo da questão de haver uma seleção com e sem Ronaldo, pois esta questão é para lá de evidente. Falo também da incógnita que passa pelo nosso meio-campo. Parece que Portugal anda numa fase de experimentações no que toca ao centro do terreno. Fernando Santos pôs à prova dois meios-campos diferentes, mas parece que a coisa não saiu lá muito harmoniosa em qualquer um deles.

Nem um pouco de “ar fresco” na seleção portuguesa causou grande impacto no jogo francamente pobre da mesma. Dyego Sousa tem sido um dos destaques da época 2018/2019, mas a verdade é que não me pareceu, ainda, a solução ideal.

A falta de soluções para algumas posições até podia ser muito mais preocupante, mas a prospetiva futura da equipa das quinas mostra-se risonha. As camadas jovens da seleção continuam a dar cartas e a verdade é que há muito diamante por lapidar. Resta-lhes, a esses diamantes, cair nas mãos certas de quem percebe aquilo que não só Portugal precisa, como também os jogadores. Nos sub-17 e sub-19, Portugal garantiu a qualificação para o europeu. Já os sub-20 destacaram-se, também, ao vencer Inglaterra num jogo de preparação para o Mundial.

Já é hábito os empates na fase de qualificação para um Europeu. No final, acabamos sempre por nos qualificarmos. Esperemos que aconteça o mesmo desta vez, mas é um facto: podia-se jogar um pouco mais à bola. Os adeptos agradeciam!

 

Foto de Capa: Seleções de Portugal

FIFA 19 FPF eSports – Resumo Semanal das Competições

Inicio este espaço para dar a conhecer todas as competições e a scene competitiva do FIFA 19 através do portal da FPF eSports que é utilizado por duas plataformas: PS4 & PC Origin.

Pretendo com este espaço fazer uma pequena análise semanal das competições, resultados, classificações e destaques a evidenciar como melhores marcadores, forma das equipas ou surpresas. Como tal, as competições que serão aqui destacadas são a Liga Portuguesa de Pro Clubs: Liga 1 e Liga 2(PS4) e a Liga do PC Origin.
Para além destas ligas, a Taça da Liga e Taça de Portugal também irão merecer o seu respectivo destaque neste espaço ligado ao FIFA 19.

Cada vez mais existe uma aposta nos eSports em Portugal e claro está que o FIFA não fica atrás atraindo cada vez mais jogadores e equipas para o modo Pro Clubs (11vs11).

Em ambas as plataformas são inúmeras as multigamings e clubes profissionais que se aliaram a esta modalidade que ainda está a dar os seus primeiros grandes passos, mas certamente que a evolução está aí a porta!

Fonte: FPF eSports

Após 12 jornadas de Pro Clubs ao mais alto nível na Liga Portuguesa da FPF eSports, o destaque vai para a subida do CD Feirense SAD ao terceiro lugar do campeonato, com uma dupla vitória sobre os Procom Gaming por 1-0 e 2-1 respectivamente. Continuam na perseguição ao topo também a equipa dos Grow uP Gaming com duas grandes vitórias sobre o Paços de Ferreira, seguido deles a equipa dos EGN eSports e dos FTW Legacy perderam pontos fazendo apenas quatro dos seis pontos possíveis. Havendo já uma diferença clara de seis pontos entre o 5º e 6º lugar do campeonato.

No primeiro lugar continuam a somar pontos, os líderes Sporting CP com uma dupla vitória sobre os Eyeshield Gaming. O Sporting que é também o melhor ataque da Liga até ao momento com 34 golos marcados. Destacam-se também no top de golos e assistências, dongullas com 13 golos, diggas com dez e no quadro das assistências didiboss1904 lidera com seis.

Nas outras partidas desta jornada, de realçar a primeira vitória alcançada pela equipa dos LionHearts que está a fazer a sua primeira época na Liga 1 de Pro Clubs. Com um golo solitário já perto do fim da partida, aos 84 minutos. 

Ainda tempo para falar dos bons resultados da equipa do Rio Ave FC frente ao Vitória SC num embate que se assemelha aos da Liga NOS. Nesta jornada dupla, a equipa de Vila do Conde conseguiu arrecadar quatro pontos importantes e subir à nona posição da tabela classificativa.

Um campeonato que ainda é cedo para tirarmos conclusões, mas que se tem vindo a mostrar muito competitivo dentro do campo virtual havendo um equilíbrio nas equipas do topo da classificação.

Gent-Wevelgem: Mais um sprint nas clássicas?

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Continuam as clássicas do norte e para a Gent-Wevelgem já teremos um percurso algo mais seletivo que o da Driedaagse, ainda que uma chegada compacta continue a ser o cenário mais provável.

As ciclistas enfrentarão quatro setores de paralelo e algumas colinas, abrindo espaço para ataques e cortes, mas os últimos 30 quilómetros planos dão boas perspetivas de reagrupamento.

Prova histórica, só tem versão feminina desde 2014 e que nas primeiras edições foi da categoria mais baixa (.2) passando a World Tour apenas em 2016. Na época transata, tivemos uma discussão ao sprint com Marta Bastianelli a levar a melhor sobre Jolien D’Hoore e Lisa Klein.

Depois do triunfo de 2018, a italiana campeã europeia regressa com igual favoritismo, até pela excelente forma deste início de época, que a vê liderar a Geral do World Tour. Como habitual, a principal concorrência será da Boels-Dolmans, liderada por uma Chantal Blaak que terá de atacar de longe e com Pieters e Dideriksen como opções para o sprint.

Marta Bastianelli lidera o World Tour desde a segunda prova
Fonte: Foto UCI/Edição Bola na Rede

Os outros dois colossos coletivos são a Trek-Segafredo e a Sunweb. A primeira conta com Lepisto para o sprint e Van Dijk para atacar à distância e conta ainda com Paternoster e Longo Borghini como segundas linhas capazes de também entrar na discussão, enquanto a segunda deverá apostar em levar a corrida para o risco com Coryn Rivera, mas tendo em Mackaij, Brand e Kirchmann opções para qualquer cenário.  

As três mais rápidas na Driedaagse Brugge-De Panne, Wild, Wiebes e Kopecky também estarão em ação e com alguma dose de favoritismo.

Finalmente, falta apenas mencionar a holandesa Marianne Vos. A líder da CCC-Liv sabe fazer tudo bem e já demonstrou estar em forma, pelo que deve ser tida em conta.

Depois da participação ofensiva na Driedaagse, a portuguesa Daniela Reis voltará a estar presente pela Doltcini-van Eyck Sport, que volta a ter em Pascale Jeuland-Tranchant a principal esperança para um resultado de relevo, mas cuja principal forma de atuar deverá ser a tentativa de integrar as fugas madrugadoras.

Favoritas

*** Coryn Rivera, Marta Bastianelli

** Lotta Lepisto, Lorena Wiebes

* Chantal Blaak, Kirsten Wild

Foto de Capa: Gent-Wevelgem 

André Almeida, o senhor do corredor

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A persistência é o segredo para o sucesso… dizem. E, se dizem, o André Almeida levou essa frase para a sua carreira.

Lembram-se do André da equipa B? Eu digo-vos. Jogava quase na posição dez. Era um médio que jogava à frente do trinco. Depois, foi adaptado a trinco e, quando chegou ao plantel principal, sofreu a maior consequência da polivalência: não ser um jogador focado numa tarefa só. O facto de, de forma regular, jogar na posição de médio defensivo, lateral direito e lateral esquerdo, fez do André Almeida uma espécie de tapa buracos que nunca se focou numa tarefa e assim nunca cresceu como jogador. Todos nós pensávamos no André como uma solução para uma ausência forçada de um jogador que jogasse nas posições escritas acima.

No momento da saída do Maxi Pereira, o André acabou por ver a sua presença regular no banco de suplentes como terminada. No entanto, da equipa secundária da Luz, víamos, a saltar, a correr, a chutar e a assistir, um jovem de tranças que fez esquecer o ex-camisola 14 em poucos minutos dentro das quatro linhas. Iniciava-se assim mais uma travessia no deserto para o André.

Contudo, e depois de muito sucesso, Nelson Semedo acabaria por sair para o FC Barcelona e André agarraria finalmente a responsabilidade de defender o lado direito da defesa dos encarnados. E, para os adeptos, foi fácil aceitar isso. Sabíamos da qualidade defensiva do André. Sabíamos que agora, de forma regular, conseguiria aumentar a sua qualidade individual e coletiva. Porém, a tarefa ofensiva, aquela que tanto foi frequente nas eras de Maxi e Nelson, desapareceria agora.

O André é já um dos capitães da equipa do Benfica. Uma responsabilidade acrescida para o lateral direito encarnado
Fonte: SL Benfica

Enganou-nos bem, não foi? Este André está a ultrapassar todas as expetativas que depositámos sobre ele. O homem corre em linha, constrói diagonais, mostra uma brilhante entendimento com os colegas, principalmente daquele flanco. Tem energia para fazer todo o correr e cruzar no último suspiro e até tem surpreendido com os golos impressionantes que tem marcado esta temporada. Este é o André que queríamos, é o André de que mais precisamos nesta altura da temporada, é o André que não tem tido descanso nas escolhas de Bruno Lage e anteriormente de Rui Vitória. A prova de que os técnicos que tinham a mesma opinião – positiva, é claro – sobre o futebol praticado pelo André.

E agora? Onde pode parar este André? Não sei. Pode sair e conhecer uma liga diferente, pode deixar-se ficar pelo SL Benfica e envergar a braçadeira de capitão com mais frequência. Pode dar um salto surpreendente, pode tanta coisa. Mas, se for para manter o camisola 34, eu assino por baixo a renovação de contrato de um dos jogadores mais importantes do plantel do Benfica.

E sabem o que é melhor nesta situação? É a alegria, a satisfação de ver o André a cumprir o seu sonho. Ser formado no clube e tornar-se um homem de voz no plantel principal encarnado.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Caso Gelson com fim à vista: vinte milhões mais Vietto

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Tomei conhecimento pela comunicação social que o argentino Luciano Vietto está no radar leonino para reforçar a equipa principal de futebol. A mudança de Londres (representa atualmente o Fulham FC, emprestado pelo Atlético de Madrid) para Lisboa está associada à resolução do “caso Gelson”, um assunto que coloca “colchoneros” e leões em contencioso desde a rescisão unilateral do jogador português o ano transato.

O negócio, a ser feito nos moldes que li e ouvi, parece-me ser bom para todas as partes: o Sporting vê entrar nos cofres 20M€ e ainda ganha um jogador de volta, apesar das dúvidas que ainda persistem acerca do seu verdadeiro potencial. Do lado da equipa espanhola, a compra do jogador português por 20M€ pode ser ainda mais valiosa, uma vez que há expectativas de que Gelson Martins possa rumar em definitivo ao principado para representar a equipa monesgasca por um valor a rondar os 40M€. Isto significa que a equipa da capital espanhola lucraria o mesmo que o Sporting, ou seja, 20M€. Com Leonardo Jardim à frente da formação do Mónaco, pode tornar-se mais fácil esta transferência.

O “caso Gelson” encontra-se quase resolvido entre Sporting e Atlético de Madrid, faltando apenas ultrapassar alguns detalhes
Fonte: BnR/ Carlos Silva

Do lado dos jogadores envolvidos, pode também ser uma boa forma de relançarem as suas carreiras: Gelson Martins em continuar aquilo que iniciou no Sporting CP que deu mostras de que era um excelente jogador (independentemente de tudo o que fez ou de concordarmos ou não com a sua atitude para com o clube) e para Luciano Vietto que pode ter no Sporting CP mais uma oportunidade para comprovar de facto aquilo que vale. Recorde-se que o argentino esteve quase para assinar pela equipa leonina não fossem os acontecimentos de Alcochete o terem afastado do clube verde e branco.

Alguns jornalistas referem que Vietto só rende se perceber que é a vedeta da equipa: caso contrário, sente-se desmotivado e apático em campo. Ora, respeitando esta sua característica, normal para qualquer jogador jovem ambicioso, terá Vietto também de perceber que se quiser vingar com o símbolo do Leão ao peito, terá que entrar de mansinho. Não é chegar e pegar logo de estaca. No Sporting não há titulares indiscutíveis, nem lugares ao sol, nem vedetas antes de o provarem, em campo e fora dele. O jogador atualmente ao serviço do Fulham FC terá em Alvalade todo o caminho livre para provar aquilo que vale. Mas, para chegar a vedeta, terá de trabalhar como os outros todos que envergam a listada verde e branca.

Foto de Capa: Club Atlético de Madrid

Sonhos de Luz no Seixal

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Todos já fomos crianças e, a maioria de nós, benfiquistas com sonhos de águia ao peito.

Houve tempos em que, entre amigos, jogava pela ala esquerda com o meu pé destro a cortar para dentro. Qual Simão Saborosa. E assim me imaginava no lugar do capitão a brilhar na Luz.

Longas viagens de carro permitiam-me ir no banco de trás a imaginar toda uma carreira de bola no pé. Aparecia com 17 anos de vermelho e branco nos relvados do Estádio da Luz. Uma época para adaptação, outra para afirmação, e uma terceira de consolidação. Ajudar o SL Benfica a chegar ao título de campeão nacional. Contribuir para que o clube do meu coração também na Europa fosse campeão. Golos, assistências, desarmes. Correrias em esforço para orgulhar as bancadas gloriosas.

O meu único dilema prendia-se pelo facto de querer sentir a Premier League, mas não querer sair do SL Benfica. Após desfrutar do orgulho de representar o SL Benfica, sairia então uns três anos para viver o ambiente da Liga Inglesa, regressando antes dos 28 para poder ainda dar muito com as cores do meu clube.

É que eu era uma criança, uma criança benfiquista que sonhava constantemente com os relvados da Luz, com a bola no ar e em vir a amortecer no símbolo da águia ao peito.

Isto numa altura em que a Formação do clube vivia momentos de amargura e descrédito. Entretanto crescemos. Eu e o Seixal.

Uma criança benfiquista que sonhava constantemente com a bola no ar e em vir amortecer no símbolo da águia ao peito
Fonte: SL Benfica

Hoje temos uma maravilhosa academia que ajuda a proporcionar ao clube uma estupenda formação. Ao longo dos últimos dez anos, vários jogadores têm surgido e é raro aquele que fica tempo suficiente para deixar uma marca real no clube.

A aposta nos miúdos tem sido crescente, tal como o seu talento. Temos cada vez mais – e melhores – jogadores a surgir das nossas escolas.

No Seixal, formamos jogadores. A minha dúvida é se também andamos a formar benfiquistas. Algures no meio deste caminho, o profissionalismo parece ter abafado a emoção, a paixão.

Bem sei que hoje o futebol vive condicionado às comissões. É um passe certeiro e já os agentes se movem por tudo o que é canto a promover o seu ativo. E os dirigentes, quais caixeiros viajantes, não descansam enquanto a venda não estiver concluída. É ver aqueles que não podem viajar com a equipa, mas são vistos em entrevistas e reuniões em cada canto deste mundo.

O interesse do jogador nunca é protegido nem alimentado. São milhões para a ganância e fraqueza humana e nada para a progressão do atleta.

O ruído à volta dos miúdos é tanto que percebo que não consigam adormecer para sonhar. Contudo, lembro-me de sonhar acordado. Por isso, pergunto: Onde para o sonho? A paixão? O benfiquismo? Porquê tanta pressa de se irem embora?

Estes miúdos, já jogadores que vivem o sonho de tantos nós, não parecem saber desfrutar dele. Só tocam ao de leve o relvado da Luz. Uma pena da águia prestes a ser arrebatada pela ventania que se tornou o Jogo.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Olheiro BnR – Nikola Maras

Muitos talentos passaram pelo Grupo Desportivo de Chaves nos últimos anos, mas poucos tiveram a influência que o central sérvio Nikola Maras tem no plantel transmontano. Chegado a Portugal no deadline day do verão de 2017, proveniente do Rad Belgrado, Maras cedo conseguiu a titularidade na equipa orientada por Luís Castro, fazendo valer os cerca de 500 mil euros que os flavienses pagaram pelo defesa.

Com apenas 23 anos, Nikola Maras já joga Futebol de primeira desde os 17 anos, altura em que se estreou pelo Rad, clube onde se formou na Sérvia. Com apenas 21 anos, mas já com 87 jogos enquanto sénior e seis golos marcados no clube de Belgrado, o central estreou-se pela seleção A da Sérvia no início de 2017, num amigável sem golos contra os Estados Unidos, com Maras a fazer os 90 minutos.

Destaque num Chaves que lutou até à última por uma ida à Europa, Maras fez uma dupla de qualidade com o internacional sub-21 português Domingos Duarte, emprestado pelo Sporting CP, e chegaram a correr rumores do interesse do SL Benfica na aquisição do defesa sérvio, mas nenhuma proposta concreta chegou ao Municipal de Chaves.

Esta temporada não tem sido fácil para os flavienses, mas o central continua em destaque na recuperação na Primeira Liga, sendo o patrão da defesa e uma das peças fundamentais dos agora comandados por José Mota, já com 23 jogos oficiais e um golo marcado.

Nikola Maras foi considerado o homem do jogo frente ao CD Aves, na última jornada da Primeira Liga
Fonte: GD Chaves

Com duplas feitas com jogadores como Domingos Duarte, Nuno André Coelho, Marcão ou Hugo Basto, Maras é sempre destaque por ser o chefe da defesa transmontana, fechando os caminhos para a baliza, saíndo a jogar e, quando preciso, subindo às alturas nas bolas paradas à procura de um golo, raramente cometendo erros na zona defensiva. A sua importância na defesa flaviense ficou comprovada durante o mês e meio que esteve de fora por lesão, altura em que o Chaves apenas venceu o CD Santa Clara, para a Taça de Portugal.

A cumprir a segunda temporada na Primeira Liga e com uma cláusula de seis milhões de euros, não deixa de ser estranho que nenhum dos três grandes tenha feito algum esforço para conseguir o central, sendo mais certo que Maras acabe por ser vendido a um clube estrangeiro, tal como aconteceu com Marcão e Stephen Eustáquio no último mercado de inverno.

 

Foto de Capa: GD Chaves

Os 5 maiores talentos nascidos no novo século

A mediatização de jovens promessas do futebol mundial é, hoje em dia, não só um claro indício do bom trabalho que se tem feito nas academias de formação, como um problema que resulta muitas vezes na categorização dos jovens talentos como “flop”.

Um feito assinalável por um talento a despontar é marcado por inúmeras capas de jornais e tentativas absurdas de atrair o clique fácil dos leitores, uma situação que as redes sociais vêm ajudar a propagar.

O ódio destilado a estas novas figuras nas caixas de comentários (e não só) acaba por comprometer a carreira destes jogadores, que vivem com uma pressão em cima superior à sua ambição, quando devia acontecer o contrário. Estes jovens precisam de espaço para crescer, pelo que é fundamental que sejam dados a conhecer de forma controlada.

O top que se segue pretende mostrar os cinco maiores talentos nascidos a partir de 1 de janeiro de 2001 que já fizeram a sua estreia no futebol sénior.

A orquestra leonina pode tocar sem maestro?

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Será provavelmente a maior dor de cabeça de Marcel Keizer para o pouco que resta na época desportiva dos Leões. Apesar do Sporting CP ter praticamente garantido o falhanço nos seus objetivos para a presente temporada, ainda existe uma réstia de esperança em chegar ao terceiro lugar e à final da Taça de Portugal.

O capitão leonino, padece de um problema muscular na coxa direita – inclusive foi dispensado dos encontros da Selecção Nacional – e tem cumprido um programa de recuperação física com tratamento e trabalho condicionado. Apesar de melhorias, o médio não parece estar ainda nas melhores condições para alinhar na próxima partida dos Leões, que se deslocam ao terreno do GD Chaves. Existe ainda o receio de agravar a lesão e ficar então de fora da segunda mão da meia-final, diante do eterno rival, o SL Benfica.

E o problema para o treinador holandês começa aqui. Bruno Fernandes é o melhor jogador do plantel leonino, não há dúvidas disso. E as suas exibições confirmam esse estatuto. Conta com mais de 3500 minutos esta época, no conjunto de todas as competições oficiais que participou. Junta a isso uns incríveis 24 golos e 14 assistências em 43 jogos. Números impressionantes para o médio, que é o dono do meio-campo leonino e o grande criativo do mesmo. Por toda a sua inteligência, por aquilo que dá à equipa, por ter golo e facilidade de remate, por ter qualidade no passe, por ser o único que mesmo jogando mal está acima de todos os outros.

Bruno Fernandes é a peça chave do Sporting CP. Irá a equipa sentir a sua falta?
Fonte: Diogo Cardoso/BnR

Creio que Marcel Keizer não irá correr riscos e irá mesmo poupar o internacional português. Tendo em conta todas as outras opções estão em condições de disputar o jogo – tirando apenas Battaglia – a minha escolha recai num meio-campo a três com: Doumbia, Wendel e Francisco Geraldes. Já a escolha de Marcel Keizer deverá recair em: Doumbia, Wendel e Gudelj. Não consigo concordar com esta abordagem e creio que o Sporting CP irá ter muitas dificuldades em Chaves, se alinhar dessa forma.

Gudelj não procura espaços entrelinhas, não tem golo, o próprio remate de meia distância não tem saído tão bem como em épocas anteriores e sobretudo não procura ser criativo. Wendel é para mim um jogador com uma boa meia distância, que por vezes precisa de ter menos medo de arriscar no remate, e é também um jogador capaz de progredir com a bola. Apresenta muitas características de box-to-box. E jogando ao lado de Gudelj, teria de fazer a sua posição e a do seu companheiro, acabando por se desgastar e eventualmente ficar focado mais no processo defensivo e no equilíbrio, que propriamente no processo ofensivo e a criar espaços e a procurar jogo entrelinhas.

Com a titularidade de Geraldes, o Sporting CP iria alinhar com um jogador mais próximo daquilo que Bruno Fernandes dá ao jogo. Capacidade de passe, capacidade de ler o jogo, inteligência, maior capacidade ofensiva e na chegada à baliza adversária, boa técnica e eficiente procura de espaços entrelinhas. Um jogador que se consegue equilibrar com e sem bola. Penso que dará muito mais à equipa do que Gudelj, permitindo então a Wendel ser um autêntico box-to-box e a Doumbia focar-se nas tarefas defensivas, procurando por vezes arriscar um pouco, devido à sua capacidade técnica e física.

Cabe agora a Marcel Keizer, a missão de encontrar soluções dentro do plantel e de conseguir sem a sua maior referência e sem o jogador que mais preponderância tem no jogo leonino, resultados positivos e uma boa performance, que permita aos adeptos e simpatizantes do Sporting CP, ganhar novamente confiança no técnico holandês e nas suas decisões.

Foto de Capa: Sporting CP