A poucas horas do sorteio dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, vou deixar aqui alguns dos momentos mais marcantes do FC Porto nessa fase da liga milionária. Com duas taças no histórico do clube, esta é uma altura em que sonhar é permitido e, tendo em conta que tudo pode acontecer, é esperar para ver o que este FC Porto pode fazer.
Dando aso aquele mítico cliché de “recordar é viver”, ficam aqui cinco dos muitos jogos que os dragões já realizaram na Liga dos Campeões, com a certeza que há momentos e jogadores que o tempo eterniza.
No norte de Itália mora uma velha Signora, que já teve vários amores. Desde Platini a Paolo Rossi, passando por Zoff e Buffon, sem esquecer (talvez o maior) Del Piero, todos estes personagens conquistaram o seu coração. No último ano, em mais uma perseguição pela tão desejada Liga dos Campeões, a Juventus FC percebeu que era muito difícil alcançar esse objetivo de coração vazio.
Felizmente, como se viu na última terça-feira, nunca é tarde para encontrar um novo amor.
Algo que só foi possível pela forma como Allegri preparou o jogo e deu aos seus jogadores todas as armas para que eles conseguissem criar o contexto ideal para Ronaldo ser decisivo.
Preparação Allegri
Se em Madrid, Allegri teve medo de perder a bola em zonas centrais, o que levou a Juventus a realizar uma circulação excessivamente horizontal, com pouca mobilidade, o que tornou o Atlético confortável com bola, basculhando para a esquerda e para a direita, anteontem a abordagem de Allegri foi totalmente diferente.
Fonte: Juventus
Allegri planeou o jogo na perfeição. Desde a colocação de Bernardeschi, que flutuava para uma zona que tanto era de Saúl, como de Juafran, mas que acabava por não ser de ninguém, até à introdução de Emre Can, para conseguir realizar uma saída a três, onde tanto ele como Chiellini (central pela esquerda) tinham liberdade para invadir o meio-campo do Atlético em progressão.
Criação de Contexto
Com Pjanic a procurar receber o primeiro passe dos defesas-centrais e a oferecer-se como apoio constante no meio campo-adversário, para variar o centro do jogo, a Juventus conseguia ter uma circulação contínua, com ligação aos três corredores.
Nesses corredores, pela descida de Can para junto de Bonucci e Chiellini, os “defesas laterais” Cancelo e Spinazzola tinham liberdade para assumir posições agressivas no corredor, pisando a linha lateral. Esse posicionamento fixava os médios ala do Atlético, afastando-os não só da área adversáriae obrigando-os a realizar missões defensivas que eles não se sentem confortáveis a realizar (especialmente Lemar).
O Atlético era incapaz de ligar uma transição ofensiva, particularmente pela forma fantástica como a equipa italiana reagia à perda de bola, que lhes permitia estar constantemente no campo adversário. Assim, a formação espanhola ia gradualmente defendendo mais próximo da baliza de Oblak, ou seja, Ronaldo estava mais próximos das zonas onde é decisivo.
Ronaldo, mais um dia no escritório
Os anos passam e a história é sempre, sempre a mesma. Se a equipa conseguir criar o contexto ideal para ele ser decisivo, não há hipótese, ele resolve.
Com a equipa permanentemente no campo do Atlético, com superioridade nos corredores, está meio contexto criado, e é tudo o que este Don Juan precisa.
Já estamos a apenas um mês do fim da fase regular e Pascal Siakam continua a ser um completo desconhecido para uma boa parte dos adeptos da NBA. Como assim? O poste camaronês é o candidato número um ao prémio de Most Improved Player e é peça chave naquela que continua a ser, na minha opinião, a maior candidata do Este a chegar às finais.
Tenho acompanhado alguns jogos dos Raptors este ano e vi neste domingo o jogo contra os meus Heat. Duas coisas saltam constantemente à vista: em primeiro lugar, os Raptors jogam isto como poucos. É incrível o trabalho de Nick Nurse. Em segundo lugar, Pascal Siakam. Como é que um rim runner e um “jogador de equipa” (que no mundo do basquetebol é basicamente um bom jogador que nunca será mais do que uma peça secundária) na faculdade se torna o pilar ofensivo e defensivo de um candidato ao título?
O jogo de Siakam no domingo nem sequer foi nada de extraordinário em termos estatísticos, mesmo com 20 pontos. Mas a sua influência em tudo o que a equipa fez em campo, sem Kawhi Leonard, foi estupenda. Confortável com a bola na mão, a descobrir colegas e a criar para si própria, encontrando sempre a vantagem no ataque e sendo a última barreira para os Heat chegarem ao cesto, o que levou a um festival de lançamentos falhados e triplos forçados.
Siakam em ação frente aos Kings, em Sacramento Fonte: Toronto Raptors
Mas não era suposto Pascal ser nada do que é hoje. Quando entrou na NBA, era um poste pequeno que usaria a sua velocidade e vontade para tentar integrar-se num grupo, para tentar ser parte de um plantel. Não para jogar, mas para fazer parte de. Mas o que o jovem dos Raptors já exibe é surreal. Faz a turma de Toronto pensar que nem tudo ficará mal se Kawhi Leonard sair.
Siakam é a surpresa do ano, é alguém em quem o seu treinador confia cegamente, é um candidato ao All-Star no futuro e um poste que encaixa perfeitamente na NBA de hoje em dia e no que virá nos próximos tempos. É muito provavelmente a primeira peça para uma reconstrução dos Raptors caso Leonard saia e com o envelhecimento de Lowry. Um dos jogadores a manter debaixo de olho nos playoffs que se aproximam.
A temporada 2018/19 da Primeira Liga já nos trouxe várias surpresas, umas positivas, outras negativas, mas poucas se comparam à queda em desgraça de Daniel Ramos. De hipótese para o lugar deixado por Jorge Jesus no Sporting a candidato ao segundo despedimento na mesma época, o treinador vilacondense está a ter uma temporada para esquecer.
Depois de duas temporadas de sucesso no CS Marítimo, Daniel Ramos iniciou esta temporada ao serviço do GD Chaves, emblema que pagou 150 mil euros aos insulares pelos serviços do técnico, numa tentativa de continuar a consolidação na Primeira Liga, após uma excelente temporada com Luís Castro ao comando.
Apesar de uma derrota pesada por 5-0 frente ao FC Porto na primeira jornada, o Chaves até teve um começo de época positivo, somando duas vitórias, um empate e três derrotas. Mas, após conseguir um ponto contra Benfica, os flavienses entraram numa espiral de derrotas que culminou no despedimento de Daniel Ramos em dezembro, após seis derrotas consecutivas e um desconfortável lugar abaixo da linha de água.
O regresso a Chaves não correu bem a Daniel Ramos, sendo despedido após seis derrotas consecutivas Fonte: GD Chaves
Terminada abruptamente a aventura em Trás-os-Montes, o treinador assinou pelo Rio Ave, clube da terra onde nasceu, na tentativa de fazer melhor que José Gomes.
Agarrando os vilacondenses com 19 pontos em 15 jornadas – fruto de cinco vitórias, quatro empates e seis derrotas -, Daniel Ramos apenas conseguiu duas vitórias e quatro empates em 10 jogos ao serviço dos rioavistas, ainda não conseguindo triunfar em jogos no Estádio dos Arcos e com os adeptos vilacondenses a mostrarem lenços brancos após a última derrota em casa, frente ao Braga.
A terceira temporada a treinar na Primeira Liga está a ser um desastre para Daniel Ramos, que tem apenas quatro vitórias esta época, números paupérrimos quando comparados com as 12 vitórias na temporada de estreia e as 13 na época passada.
Longe vão os tempos em que brilhou nas ilhas – ao serviço de Santa Clara e Marítimo – e parece que treinar em Portugal continental não é a praia de Daniel Ramos, sendo uma incógnita que futuro espera o técnico, mas dificilmente passará por continuar no Rio Ave.
O período das clássicas da Primavera já começou e as vitórias da equipa da Deceuninck-Quick-Step não param de aparecer. Depois da transferência de uma das suas principais figuras nas clássicas para a Direct Energie, neste caso, o holandês Niki Terpstra, poderíamos pensar que a equipa ficaria mais fragilizada nesta especialidade, mas não é o que tem demonstrado.
O primeiro fim-de-semana de março deu a abertura às clássicas, com a Omloop Het Nieuwsblad no sábado, e no domingo com a Kuurne-Brussels-Kuurne.
No sábado, foi Zdenek Stybar a ganhar, conseguindo sempre responder às movimentações de Greg Van Avermaet e dos restantes elementos de um grupo já reduzido. Quando se apercebeu de que o grupo onde seguia não cooperava, o checo decidiu arrancar no momento certo para a vitória. Demonstrou astúcia e uma leitura de corrida impressionante!
No domingo, foi a vez do luxemburguês da equipa fazer as delícias dos patrocinadores. Num grupo com cinco ciclistas na frente da corrida, Bob Jungels decidiu lançar-se na frente, numa tentativa a solo, quando faltavam menos de dez quilómetros para o final. Os restantes adversários nunca mais o conseguiram alcançar e, sendo assim, foi a segunda vitória em duas possíveis para a equipa belga, num fim-de-semana mágico.
Alguns dias depois, em nova clássica belga, desta feita a Le Samyn, onde Terpstra tinha ganho em 2018, foi a vez de Florian Sénéchal conseguir a sua primeira vitória da carreira a nível profissional. Ganhou ao sprint num grupo já reduzido e, com a ajuda de Pieter Serry e Tim Declerq até aos momentos derradeiros, tudo se tornou mais fácil.
No entanto, uma das principais motivações do atleta francês foi o facto de ter sido o aniversário da sua namorada e de esta lhe ter pedido a vitória na véspera da corrida como sua prenda de aniversário, uma curiosidade interessante. Certamente que Sénéchal não irá esquecer aquele dia. Parece que o amor também consegue mover rodas!
Sénéchal com a sua namorada no final da prova Fonte: Deceuninck – Quick-Step
Na Strade Bianche, em terras italianas, para muitos uma das clássicas mais bonitas do ciclismo, foi o francês Julian Alaphilippe a ganhar de forma impetuosa. Depois das constantes tentativas de ataque de Jakob Fuglsang (Astana Pro Team), que se encontra num grande nível, foi apenas na dificuldade final com pendentes com 16% de inclinação que Alaphilippe ultrapassou o dinamarquês na parte final da subida e amealhou mais uma vitória para o seu palmarés. O francês já afirmou querer ganhar o máximo de provas possíveis.
Conseguiram quatro vitórias em quatro clássicas possíveis, apresentando toda a equipa um nível bastante elevado no início desta temporada e aumentaram assim as expetativas para saber o que irão fazer nas próximas provas. Em 2018, Yves Lampaert ganhou a Dwars dood Vlaanderen, mais tarde já nas Ardenas, Alaphilippe ganhou a Flèche Wallonne e Bob Jungels a Liège- Bastogne-Liège, será que é para repetir?
A Deceuninck-Quick-Step encontra-se em segundo lugar na classificação por equipas, em número de vitórias, só superada por uma extraordinária Astana neste ano de 2019. A equipa belga vem defendendo o título anual de conjunto com mais vitórias desde 2012!
Que grande jogo que se assistiu no Camp Nou! Depois do 0-0 da primeira mão, eis que tivemos a antítese num duelo entre FC Barcelona e Olympique Lyonnais cheio de golos e oportunidades.
À partida para o jogo, duas alterações de Ernesto Valverde em relação ao nulo em França: entraram Coutinho e Arthur, saíram Nélson Semedo e Dembélé. Já Bruno Génésio tirou Aouar, Traoré e Terrier para dar lugar ao ex-CD Nacional e SL Benfica Marçal, Tousart e Fekir.
O Barcelona entrou a dominar e encostou completamente às cordas o Lyon, mas a defesa francesa apareceu sólida e a despachar todas as investidas catalãs, com vários remates bloqueados antes de chegarem a ameaçar o guarda-redes Anthony Lopes.
Apesar de jogar o tempo todo no meio-campo do adversário, parecia que o Barcelona só quebraria o nulo quando a defesa do Lyon cometesse um erro e, aos 16 minutos, uma boa combinação entre Messi e Suárez deixou o avançado uruguaio dentro da área, sendo rasteirado de forma imprudente por Denayer. O árbitro Szymon Marciniak apontou para a marca de penálti. Era precisamente um erro assim que os blaugrana precisavam e Messi, no frente a frente com Anthony Lopes, ‘sacou’ um Panenka magistral, a deixar por terra o internacional português.
Em desvantagem no marcador, o Lyon só conseguiu incomodar a defesa do Barcelona com um remate de Dembélé à entrada da área que saiu torto. De resto, os comandados de Ernesto Valverde eram donos e senhores do jogo.
Se a vida já estava difícil para o conjunto lionês, pior ficou aos 21 minutos, quando Anthony Lopes saiu maltratado de um choque com Coutinho, com o português a ser assistido durante seis minutos mas a manter-se em campo. Lopes ainda foi a tempo de fazer uma grande defesa a um remate cruzado de Luís Suárez, mas voltou a sofrer aos 31 minutos, com o uruguaio a entrar na área e, cara a cara com o internacional português, deu a bola para a esquerda, onde apareceu Coutinho a encostar para o 2-0.
Aos 34 minutos, Bruno Génésio foi mesmo obrigado a tirar Anthony Lopes para dar lugar a Mathieu Gorgelin, com o guardião francês a ter de aguentar as investidas do Barcelona durante os restantes 15 minutos da primeira parte. Os blaugrana não tiravam o pé do acelerador e Suárez, endiabrado, quase bisou aos 37 minutos: o uruguaio ultrapassou Marcelo com uma finta de corpo, deu para Messi, o argentino devolveu num passe longo para Suárez que, após pressionar o defesa, faz o remate, mas a bola saiu ligeiramente ao lado da baliza.
O intervalo acabou por chegar, quase como um acto de misericórdia para o Lyon, com o placar inalterado, apesar das constantes investidas do Barcelona frente a um conjunto lionês completamente perdido de ideias no primeiro tempo, enquanto os catalães apenas precisavam de adicionar velocidade para apanhar os lioneses em contrapé.
Messi e Suárez fizeram a cabeça em água aos defesas do Lyon Fonte: FC Barcelona
Na segunda parte, o Barcelona voltou a aparecer explosivo e quase a aumentar a vantagem aos 47 minutos, com Arthur a aparecer isolado após um passe longo, a dar para Messi picar sobre Gorgelin, mas Marçal tirou a bola em cima da linha. Apesar do recomeço ofensivo, a etapa complementar mostrou um Barcelona mais “calmo”, a deixar o Lyon subir no terreno e jogar no meio-campo blaugrana, mas sem criar perigo.
Mas a calma catalã acabou por dar em soneca, com o Lyon a aproveitar um canto na esquerda aos 58 minutos para reduzir a desvantagem, com Lucas Tousart – após confusão no meio da área – a dominar com o peito e a atirar forte e rasteiro para o fundo da baliza de Ter Stegen, relançando a eliminatória.
O golo deixou os blaugrana desconfortáveis e o Lyon partiu para cima na tentativa de empatar o jogo e virar a eliminatória, mas o pouco perigo criado a Ter Stegen acabou por revelar-se fatal nos últimos 20 minutos de jogo.
Esquecido o golo consentido, o Barcelona recompôs-se e partiu para cima da baliza de Gorgelin, aproveitando a subida do Lyon no terreno para explorar o contra-ataque. Foi precisamente num lance de contra-golpe que os catalães dilataram a vantagem através do inevitável Messi, que deixou a defesa francesa às aranhas com uma sucessão de fintas e atirou à baliza, com o guarda-redes visitante ainda a tocar na bola, mas a não conseguir evitar que fosse na direção da baliza.
O 3-1 fez os comandados de Bruno Génésio baixarem os braços e consentir mais dois golos até ao final da partida. Primeiro, num canto ofensivo do Lyon que acabou em contra-ataque, com Messi a cruzar a bola para o segundo poste, onde Piqué empurrou para o 4-1. A manita catalã apareceu aos 86 minutos, com Messi – quem mais – a carregar a bola para perto da área dos lioneses e a entregar para Dembéle, entrado na segunda parte, atirar para o fundo das redes e fechar a eliminatória para o Barcelona, que segue para os quartos de final da Liga dos Campeões.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
FC Barcelona: M. Ter Stegen, S. Roberto (N. Semedo, 83’), G. Piqué, C. Lenglet, J. Alba, S. Busquets, I. Rakitic, Arthur (A. Vidal, 74’), P. Coutinho (O. Dembélé, 70’), L. Messi, L. Suárez.
Olympique Lyonnais: A. Lopes (M. Gorgelin, 34’), L. Dubois, J. Denayer, Marcelo, F. Mendy (M. Cornet, 77’), F. Marçal, T. N’Doumbelé, L. Tousart, N. Fekir, M. Depay (B. Traoré, 73’), M. Dembelé
Era o encontro mais aguardado do último dia dos oitavos de final da Liga dos Campeões e compreende-se porquê. O Liverpool, vice-campeão europeu, conseguiu desconcertar o carrossel germânico e garantiu a sua presença nos quartos de final.
As duas formações procuravam desfazer o nulo da primeira mão e carimbar o apuramento. Os bávaros não puderam contar com o castigado Kimmich, que foi rendido por Rafinha, e apostaram em Ribery em detrimento de Coman, tendo por comparação o jogo da primeira mão. Já a turma de Klopp entrou com Van Dijk e Alexander-Arnold por troca com Fabinho e Keita.
Os primeiros minutos foram jogados longe das balizas e sem oportunidades dignas de registo. A principal nota de destaque foi a lesão de Henderson, que apesar de ter tentado continuar em jogo, foi substituído por Fabinho ainda dentro do primeiro quarto de hora.
A turma de Niko Kovac dominava o esférico, mas era uma posse consentida pelos Reds. A estratégia de Klopp estava bem definida e aos 25 minutos fizeram a primeira ameaça, com um potente remate de Firmino a passar ao lado da baliza. No minuto seguinte, passaram das ameaças aos atos. Passe em profundidade de Van Dijk para Sadio Mané, que ganhou a frente a Rafinha e, perante uma saída algo precipitada de Neuer, contornou-o e picou a bola para o fundo da baliza.
O golo animou a eliminatória, uma vez que o Bayern via-se obrigado a marcar por duas vezes para seguir em frente. Aos 33’, foi o Liverpool que esteve perto de ampliar a vantagem, mas Robertson atirou para uma defesa atenta do centenário Neuer. Cinco minutos volvidos, surgiria o empate na Allianz Arena. Gnabry foi solicitado nas costas de Robertson e cruzou tenso para a área, onde Matip tocou a bola e introduziu-a na própria baliza. Infelicidade do camaronês ao fazer o 1-1 – e colocar o Bayern vivo na eliminatória – resultado com que se chegou ao intervalo.
As equipas pareciam vir dos balneários com as mesmas ideias de jogo. Pouco depois do reatar, Salah conduziu uma transição vertiginosa e rematou para defesa de Neuer. Aos 61’, numa jogada semelhante à do golo alemão, Gnabry foi novamente solicitado nas costas de Robertson e cruzou rasteiro para Lewandwoski, que chegou ligeiramente atrasado para o desvio.
Grande segunda parte do Liverpool garante quartos-de-final. Fonte: Liverpool
O jogo estava animado, mas deu sempre a sensação que o Liverpool estava confortável com os desenvolvimentos da partida. No segundo tempo, os bávaros foram mais lentos na circulação e nunca tiveram o jogo à sua feição. Numa série de cantos que dispôs a seu favor, o Liverpool viria a matar a eliminatória: canto na direita batido por Milner para o centro da área, onde aparece Van Dijk, de rompante, a cabecear sem hipóteses para Neuer. 1-2 a pouco mais de 20 minutos do fim e uma montanha muito grande para os bávaros escalarem.
Se o Liverpool já estava por cima, depois do golo acentuou ainda mais o seu domínio, fazendo o Bayern provar do seu próprio veneno e correr atrás do esférico. Aos 84 minutos, surgiria o xeque-mate – e o bis de Sadio Mané -, depois de um cruzamento delicioso de Salah. Os Reds geriram até ao final e deixaram a sensação que nem precisaram de dar o máximo para resolver a questão.
O jogo não foi épico, longe disso, mas teve emoção até ao 1-2. O apuramento dos ingleses acaba por ser justo e até algo natural, face à segunda parte displicente do Bayern. Inglaterra faz assim o pleno, com as suas quatro equipas participantes na Champions a chegarem aos quartos. Conseguirá o Liverpool chegar a uma nova final?
Onzes iniciais e substituições:
FC Bayern Munique: Neuer, Rafinha, Sule, Hummels, Alaba, Javi Martinez (Goretzka 72’), Thiago, James (Renato Sanches 79’), Ribery (Coman 62’), Gnabry e Lewandwoski.
Liverpool FC: Alisson, Alexander-Arnold, Van Dijk, Matip, Robertson, Henderson (Fabinho 13’), Milner (Lallana 87’), Wijnaldum, Salah, Firmino (Origi 83’) e Mané.
Para terminar a primeira fase do Campeonato, o Sporting CP procurava garantir o topo da tabela, deslocando-se a Braga, mais concretamente ao Pavilhão de Maximinos, para defrontar um Arsenal que tentava evitar somar apenas derrotas nesta primeira parte da Liga.
Os da casa tiveram a primeira posse e começaram também o encontro na frente do marcador, mas rapidamente os leões deram a volta e construíram uma vantagem de três golos. No entanto, o Arsenal ripostou e conseguiu voltar a igualar a partida a seis.
Ivo Canela chamou os jogadores ao banco com um timeout e a equipa reagiu bem, assumindo finalmente o encontro e construindo uma sólida liderança, que foi aumentando até ao intervalo, quando o marcador indicava 10-18, com o último golo visitante a terminar uma seca de vários minutos em que as equipas mantiveram o resultado em 10-17.
Carlos Carneiro prestes a desperdiçar um livre de sete metros Fonte: Bola na Rede
Na segunda metade, o Arsenal voltou a entrar melhor e, de rompante, recuperou três golos de desvantagem, mas foi curto e o Sporting voltou a tomar conta do jogo e a incrementar a diferença. Isto especialmente nos últimos minutos, em que o Arsenal apenas conseguiu um golo, permitindo aos verde e brancos cavalgar por um triunfo tranquilo de 19-33.
Dando tempo de jogo às suas segundas linhas, o Sporting aproveitou um jogo menos competitivo e terminou da melhor maneira a fase regular, apesar de ter desperdiçado demasiados golos. Já o Arsenal foi capaz de dar luta aos leões a espaços, mas acabou por pagar caro a sua fragilidade em ataque organizado, onde mostrou por diversas vezes ser incapaz de passar pela defensiva sportinguista.
Este não foi, contudo, o único jogo da noite em Braga. No Pavilhão Flávio Sá Leite, o ABC venceu o Boa Hora e teve de ficar à espera do resultado do encontro entre Belenenses e Benfica para saber se faria a segunda fase no grupo A ou no grupo B. O empate entre as turmas lisboetas acabou por ser dramático para os históricos amarelos que falham presença entre os melhores pelo confronto direto com os azuis do Restelo.
Luis Miguel Afonso Fernandes. Nos últimos anos o jogador mais controverso do onze encarnado. Pizzi é um 10 num futebol que extinguiu essa posição. Já jogou num meio-campo a dois, num meio-campo a três e na ala direita. Apesar da muita constestação vai sempre sendo imprescindivel para os seus treinadores. A sua importância neste SL Benfica é inquestionável, mesmo apesar de grande inconsistência que vai demonstrando.
Pizzi é a muleta do talento ofensivo que transborda nesta equipa. É o maior apoio ao desenvolvimento das jogadas colectivas. Pizzi entende as movimentações dos colegas, encontra espaços, rasga defesas em passes longos e curtos, gere o ritmo do jogo, respeita as tabelas e desespera por servir aqueles que circulam à sua volta. É o núcleo das acções ofensivas deste Benfica.
Um Benfica sem Pizzi (e sem Jonas) é um Benfica sem cérebro. Uma equipa sem qualidade de posse de bola, onde os espaços são menos aproveitados e onde os génios se sentem mais isolados em campo. O jogo de Zagreb é um belo exemplo disto. Pizzi é o responsável pelo jogo interior do Benfica. Pizzi é o único jogador (a par de Jonas) a vir buscar jogo entre linhas.
Pizzi à solta é cerebal. Um Cérebro impressionante mas demasiado frágil Fonte: SL Benfica
O problema de Pizzi é a sua inconsistência. É um jogador sem grande força mental e que sente demasiado a pressão e o cansaço. Pizzi tem o seu talento na forma como mede os tempos do jogo, como cumpre o momento do passe e como lê os movimentos dos colegas. Qualquer alteração na sua capacidade de leitura já o leva para exibições de menor qualidade. Em Pizzi, o cansaço não se manifesta em esforço fisico mas sim em esforço mental. Quanto mais cansado se sente mais lentamente pensa. E é aí que surgem os passes precipitados e os passes tardios. Falta-lhe qualidade na gestão da pressão do contexto e do cansaço.
Dito isto percebo e apoio a sua deslocação para a direita. Retirado do centro do terreno tem menos preocupações defensivas, desgasta-se menos, tem mais espaço para progredir com a bola e, mais importante, encontra-se mais próximos dos génios e das zonas de decisão.
Apesar de perceber que este Benfica tem os seus alas a preferir o lado esquerdo do ataque, gostaria de um dia ver Pizzi a actuar desse lado. Potenciaria a sua destra construção e ainda o colocaria como facilitador das incursões do Grimaldo.
O FC Porto atravessa um período fulcral da sua época desportiva, com jogos decisivos em todas as competições em que está inserido. Com 44 jogos nas pernas, o plantel portista precisa de respirar e, na sala das máquinas, Sérgio Conceição tem vindo a alternar as peças para fazer checkmate em todas as provas.
Sérgio Conceição sempre foi o maior defensor da elegibilidade de todo o plantel. Nas palavras do técnico português, todos contam, todos podem jogar, e todos têm qualidade para dar o seu contributo ao FC Porto.
Das palavras aos atos, o treinador portista tem vindo a rodar o plantel de forma cirúrgica, de forma a evitar lesões numa fase em que precisa de todos os seus atletas no máximo potencial. Brahimi, Manafá, Soares, Óliver, todos são casos desta gestão de plantel.
Quer no jogo da Champions com a Roma, quer na deslocação a Santa Maria da Feira para o campeonato, Brahimi tem sido preterido das opções iniciais, tendo entrado sempre na segunda parte e causado os desequilíbrios habituais. Desta forma, muitos questionam o porquê desta preferência por Corona e Otávio em detrimento do argelino, ao que eu explico com o chamado “efeito Conceição”.
Nenhum homem é uma máquina e Brahimi carrega 38 jogos oficiais pelo FC Porto esta época, o que, naturalmente, causará fadiga no extremo. Para evitar esse desgaste, e na perspetiva de que todo o plantel é válido e jogos cruciais se avizinham, Sérgio fê-lo descansar e aproveitou para deixar brilhar outros jogadores, que têm dado uma resposta cabal à chamada.
Brahimi é o maior exemplo da rotatividade de Sérgio Conceição Fonte: FC Porto
Outro caso em que se nota esta rotatividade é na lateral direita dos dragões, em que Manafá e Militão têm vindo a lutar pela posição e a aproveitar as oportunidades que o largo calendário proporciona para ambos jogarem, alternadamente.
Também na frente de ataque e no meio-campo se tem vindo a notar esta crença do treinador nas várias soluções do plantel, com Óliver a ceder o seu lugar a Danilo, depois de ser um dos mais preponderantes quando foi titular, e o médio defensivo português a responder de forma afirmativa à chamada, tendo, inclusive, marcado um golo no embate com o Feirense. Nova competição é vista no último setor do terreno, com Ádrian a enquadrar-se na luta pela posição de segundo avançado, e com Conceição a apostar no jogador que todos davam como afastado, e com resultados à vista.
Sérgio Conceição tem vindo a transmitir confiança para o seu plantel desde o início da época e, agora, na hora das decisões, tem aplicado na prática o seu discurso e os jogadores têm retribuído a confiança com exibições capazes, com mais ou menos entusiasmo, mas com resultados práticos.