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Sporting CP 1-0 CD Santa Clara: Serviços mínimos em Alvalade

Sporting CP e CD Santa Clara, quarto e oitavo classificado, respetivamente, defrontaram-se num jogo a contar para jornada 26 da Primeira Liga Portuguesa. Os “leões” procuravam uma vitória para se aproximarem do terceiro lugar e pressionar o SC Braga e a equipa de São Miguel queria roubar três pontos a um grande do futebol português, depois de não vencer há três jogos.

Estádio de Alvalade registou meia casa, 28129 espetadores, com os adeptos leoninos esperançosos de um resultado positivo da equipa. Dos Açores também vieram alguns adeptos que ainda se ouviram em momentos do jogo. Houve ainda tempo antes do apito inicial para prémios e homenagens. Bruno Fernandes recebeu o prémio de melhor médio do mês e melhor jogador do mês da Liga Portuguesa e Coates foi homenageado pelas 150 vezes que já envergou a camisola verde e branca.

Pouca história para contar sobre o primeiro tempo que só não deu sono aos adeptos porque o setor dedicado às claques leoninas estava incansável no apoio à sua equipa. As duas formações entraram muito a dormir no jogo e a posse de bola concentrava-se somente no meio de campo. Nenhuma das equipas conseguia criar perigo nas balizas adversárias, muito por culpa das defesas, e pouco fizeram para isso.

O Sporting CP tentava através de bolas paradas conseguir, efetivamente, marcar o primeiro golo na partida, porém, não foi por esta situação que os “leões” conseguiram fazer os remates mais perigosos. O CD Santa Clara apostava numa defesa mais recuada e esperava que os atacantes conseguissem chegar perto da baliza de Renan através de contra-ataques. Talvez a coesão a defender da equipa vinda de Ponta Delgada foi o ponto mais positivo da primeira parte.

Aos 22 minutos, o primeiro remate surgiu mesmo por parte da equipa açoriana com Renan a estar atento ao pontapé fraco. Logo na jogada seguinte, foi Acuña que respondeu com um remate de fora da área e Marcos, guarda-redes do CD Santa Clara, defendeu com tranquilidade.

O Sporting CP estava com grandes dificuldades na construção de jogo e a equipa encontrava-se muito estática no campo. Aos 37 minutos, uma boa combinação na esquerda do ataque entre Bruno Fernandes e Raphinha resultou num remate do médio brasileiro, mas Marco, que realizou uma primeira parte imaculada, conseguiu defender. O CD Santa Clara esperava um erro dos “leões”, que aconteceram em algumas situações, contudo, nem desta forma se criava perigo perto da baliza de Renan.

O intervalo chegou e o marcador mostrava um nulo na partida. A segunda parte pedia golos e também que o jogo se tornasse muito melhor do que aquele que se praticou no primeiro tempo.

Marcel Keizer, treinador do Sporting CP, deve ter dado, e de que maneira, um grande sermão aos seus jogadores e os “leões” entraram com outra determinação para a segunda parte. Bruno Fernandes foi o primeiro a tentar logo aos 45 minutos com um remate ainda fora de área e com segurança estava lá novamente o guarda-redes do CD Santa Clara.

No minuto seguinte, foi a vez de Raphinha criar perigo perto da baliza açoriana. Bruno Fernandes foi aventurando-se para o ataque até que descobriu à entrada da área e o 21 do Sporting CP rematou com grande perigo. O brasileiro só não contava com a grande defesa de Marco, que com a ponta dos dedos evitou o golo “leonino”. Ainda se gritou o início da palavra “golo”, todavia, não foi.

Aos 53 minutos, um lançamento de linha lateral do CD Santa Clara do lado direito quase que ia sendo fatal para os “leões”. A bola foi parar no miolo da área sportinguista e o que salvou os verdes e brancos foi a desinspiração de Chrien, que falhou um golo quase certo para os açorianos.

Bruno Fernandes e Raphinha foram dois dos elementos mais esclarecidos dos leões
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

E quem não marca sofre… foi o que aconteceu à equipa de Ponta Delgada. Uma desatenção da defesa do CD Santa Clara, possivelmente a única no encontro, ditou o golo dos “leões”. A dupla Bruno Fernandes Raphinha apareceu novamente no jogo e, desta vez, a dar muitos frutos. O português apareceu na esquerda e encontrou no lado contrário o brasileiro número 21, que sem qualquer problema rematou com força para o fundo da baliza.

Estava feito o primeiro golo na partida e os adeptos “leoninos” respiravam agora com mais tranquilidade. O problema é que o Sporting CP recuou muito no campo e a qualidade de jogo, depois do golo, baixou consideravelmente e os adeptos não gostaram. O contrário aconteceu com o CD Santa Clara que procurava agora encontrar o caminho para a baliza de Renan para conseguir, pelo menos, o empate.

Porém, depois do golo a partida voltou ao rendimento da primeira parte. Um jogo demasiado parado e com muitas perdas de bola tanto de um lado como do outro. O Sporting CP teve oportunidades para criar lances de perigo, mas quando os médios apareciam para encontrar Bas Dost na área açoriana, o holandês não correspondia aos passes.

Até ao final do jogo o perigo não rondou mais nenhuma das balizas. E os assobios, esses não faltaram no final do jogo quando a equipa leonina foi agradeceu aos seus adeptos. Nas bancadas, provavelmente, pedia-se mais raça da equipa num jogo que devia ter sido fácil para os “leões”.

Ainda assim, o Sporting CP vence o CD Santa Clara e conquista três pontos preciosos na luta pelo terceiro lugar, que é ocupado pelo SC Braga e que só joga amanhã. Já os açorianos voltam a perder para o campeonato e veem a oitava posição em risco, pois o Portimonense SC, em caso de vitória, pode subir um lugar na tabela classificativa.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Sporting CP: Renan Ribeiro (GR), S. Coates, Bruno Fernandes, Acuña, Ristovski, Raphinha, Mathieu, Borja (Diaby, 57’), Bas Dost, Wendel, Doumbia (Miguel Luís, 75’)

CD Santa Clara: Marco (GR), Fábio Cardoso, César M., J. Lucas, Kaio, B. Lamas, Chrien (Ukra, 69’), M. Evouna (Zé Manuel, 58’), Francisco R., Patrick, G. Schettine (Pablo Lima, 82’)

A história repete-se… e o resultado?

Foi nesta sexta-feira que o FC Porto ficou a conhecer o próximo adversário na liga milionária – UEFA Champions League. Num momento “pré-sorteio”, após a qualificação de todas as equipas, eram muitas as apostas feitas por parte dos adeptos da equipa azul e branca no que toca ao clube que iria jogar os quartos de final da competição de clubes mais conhecida do mundo. Eram três os clubes mais pretendidos pelos aficionados dos dragões: FC Ajax, Manchester United FC e Tottenham Hotspur FC.

Para alguns, teoricamente, estes seriam as equipas mais acessíveis e em que a probabilidade de passagem do FC Porto à seguinte fase era mais alta. No entanto, o carrasco dos oitavos de final do Dragão na edição passada da Liga dos Campeões foi o que a sorte ditou.

Todos sabem da qualidade e poder futebolístico que o Liverpool FC de Jurgen Klopp tem atualmente, incluindo o FC Porto. Nos oitavos de final da época transata os “Reds” vieram ao Estádio do Dragão quebrar recordes – a pior derrota em casa da história do FC Porto.

Essa derrota amarga ainda não foi esquecida pelos adeptos e a consequente eliminação muito menos. Mané, Salah e Firmino são ainda uma das frentes de ataque mais mortíferas do futebol mundial e aterrorizam qualquer defesa. Contudo, após o sorteio, Klopp não quis subestimar a equipa de Sérgio Conceição – “Estou muito longe de pensar que este foi o melhor sorteio para nós, porque não foi. É apenas um sorteio. É um adversário que vamos ter de defrontar e preparar muito bem para o fazer”.

O FC Porto conseguiu um empate (0-0) na 2ª mão dos oitavos de final da época anterior
Fonte: FC Porto

Do lado do FC Porto há uma sede de vingança e uma vontade de dar o melhor. Poderá esse fator servir de motivação extra? Da época anterior para esta, pouca coisa mudou, mas a mentalidade com que o Liverpool será encarado com certeza que será diferente. A experiência de Pepe e a irreverência e frescura de Militão são as principais diferenças neste plantel do FC Porto e poderão ditar um resultado bem diferente.

Quanto a reações ao sorteio, Sérgio Conceição afirmou -“Foi o que foi. Foi o adversário que saiu, é o adversário que temos de defrontar. Quando chegar a altura temos de preparar esses jogos da melhor forma, perceber o que não devemos fazer ou o que fizemos no ano passado e não foi bem feito. O Liverpool é, sem dúvida, uma das equipas que tem qualidade individual e coletiva. É uma equipa que se conhece muito bem, cuja dinâmica identificamos muito bem”. O treinador do FC Porto afirma ainda que a presença entre as melhores oito equipas da Europa já é uma conquista que deve ser valorizada.

O FC Porto jogará a primeira mão dos quartos de final em Anfield Road dia 9 de abril e a segunda mão em casa no dia 17 do mesmo mês. O facto de jogar a segunda mão no Estádio do Dragão poderá beneficiar a equipa portuense caso a eliminatória ainda esteja em aberto. Caso o FC Porto vença o Liverpool, poderá defrontar o vencedor de outro jogo dos quartos de final da Liga dos Campeões – FC Barcelona vs. Manchester United.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Eintracht e Jovic, you’re next!

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O SL Benfica vai defrontar o Eintracht Frankfurt nos quartos de final da Liga Europa, ditou o sorteio desta sexta-feira em Nyon. Se passar, encontra o vencedor de Slavia Praha e Chelsea nas meias-finais. Além destes, a competição europeia contará com mais dois grandes jogos: Nápoles-Arsenal e Villareal-Valencia, cujos vencedores se defrontam entre si na fase seguinte.

Os encarnados vão assim defrontar uma equipa sensação e em constante ascensão no futebol alemão – ocupam o quinto lugar da Bundesliga – e europeu – eliminaram o Inter e Shakhtar, depois de dominarem e terminarem o grupo H no primeiro lugar.

Como figuras-chave, é inevitável falar de Luka Jovic e da excelente forma que atravessa. Depois de ter mostrado bastantes dificuldades de adaptação nas duas épocas de águia ao peito, foi emprestado aos alemães e o que tem feito é absolutamente soberbo. Na presente temporada, leva 22 golos, 15 deles apontados na Liga, onde é o segundo melhor marcador. Tem se revelado um finalizador por excelência, com faro para o golo e os números falam por si.

Trata-se, por isso, de um encontro em grande perspetiva, onde o sérvio irá certamente mostrar todo o seu potencial, que na altura não chegou para convencer os encarnados, que o emprestaram para um clube onde está a ser dado espaço para se mostrar e viver um grande momento, o melhor da sua (ainda) curta carreira.

Luka Jovic volta a encontrar o Benfica. Promete mostrar a qualidade e evolução que não chegou a convencer em Portugal.
Fonte: UEFA

O Eintracht é, certamente, um adversário muito diferente que o Dinamo Zagreb, que foi afastado pelo Benfica numa eliminatória emocionante.

Tudo pode acontecer e tudo está certamente em aberto. Não é uma eliminatória totalmente acessível como se poderia pensar. Os alemães vão causar dificuldades e o Benfica terá de encontrar a melhor estratégia e opções para travar a ascensão meteórica do clube de Luka Jovic.

Espera-se, por isso, uma eliminatória ao mais alto nível, com duas equipas a viver um contexto idêntico. Face à qualidade que os oponentes têm mostrado, é importante não desvalorizar e até não subestimar a equipa do Eintracht, porque pode causar surpresas. Quanto ao encontro com Jovic, será impressionante e engraçado ao mesmo tempo. Impressionante pelo que tem alcançado individual e coletivamente. Engraçado por se ter a prova provada do que poderia ser um flop, mas que não se resignou e trabalhou ainda mais para alcançar o estatuto em que se encontra atualmente.

Os quartos de final jogam-se nos dias 11 e 18 de abril. Na primeira mão, o Benfica recebe o Eintracht na Luz e, na segunda, deslocam-se à Commerzbank Arena. Quem vencer, defronta o vencedor do Slavia Praha e Chelsea nas meias finais em maio.

Foto de Capa: SL Benfica

West Bromwich Albion FC: Sai mais uma indemnização

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Treinadores vêm e vão. É a tendência. As indemnizações não assustam. Os clubes encontram sempre substituto. A verdade, é que o treinador nunca foi apenas um mero técnico, é e foi também um elemento político. Lidera homens (jogadores), dá-lhes a missão a efetuar (tática), antevê e faz o rescaldo disso mesmo (consoante as questões recebidas, sujeito à opinião pública, a dos adeptos). Isto sistematicamente.

Darren Moore, num momento crítico, assumia interinamente o comando do West Bromwich Albion. Alan Pardew, bem conhecido pelos portugueses (protagonista no bate boca com Jorge Jesus, na altura em que treinava o Newcastle), deixava o clube muito próximo de uma descida que era evitada há oito anos!

Essa descida confirmou-se. Moore manteve-se no cargo e propunha-se ao regresso ao teto máximo inglês já no ano seguinte.

No Championship, garantiu que os “baggies” tinham sempre a subida no horizonte: obteve resultados convincentes, como um 4-1, em casa, ao atual segundo classificado Leeds, um 4-3 no terreno do agora primeiro classificado, Norwich, e até um surpreendente 7-1 ao QPR! Porém, também demonstrou ser algo frágil no seu reduto…

Os adeptos identificavam-se bastante com a filosofia de jogo do jamaicano nascido em Inglaterra
Fonte: West Bromwich Albion FC

A melhor série de resultados confirmou-se desde meados de novembro até finais de dezembro: foram nove jogos para a Liga sem conhecer o sabor amargo da derrota. Mas o fator casa nunca pareceu favorecer o conjunto liderado por Moore…. Nas 17 vitórias obtidas, dez delas haviam sido fora de portas. E nos nove desaires registados, quatro sucederam-se no seu estádio. Os empates, também se contabilizaram bastante: foram dez, e sete deles registaram-se sabem onde? Em casa.

Moore deixa assim o West Brom no quarto posto, com 61 pontos (agora 64); com o segundo melhor ataque (agora com 71, mas na data que saiu tinha 68 golos). O Albion tem, muito possivelmente, presença no play-off de acesso à Premier League e, portanto, a massa associativa do clube ficou um tanto “à nora”, apanhada completamente desprevenida com a saída do técnico.

A saída aconteceu após um empate em casa frente ao Ipswich (1-1), antecedido por uma pesada derrota no Elland Road, diante do Leeds (4-0).

A verdade é que ninguém perspetivava o término do vínculo do ex-defesa-central desta forma. Inúmeras questões (inclusive raciais) que expliquem a sua saída são levantadas, pois as razões que o seio diretivo veiculou (maus resultados) são completamente descartadas pelos aficionados do emblema inglês.

Foto de capa: West Bromwich Albion FC

Os 5 melhores jogos na era Keizer

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Apesar da época de altos e baixos por parte dos Leões, a verdade é que Marcel Keizer conseguiu ainda assim fazer alguns jogos a níveis exibicionais superiores ao seu antecessor – José Peseiro – permitindo à equipa ter uma performance mais perto daquilo que é esperado por parte de um candidato ao título. Perante isto, irei enumerar aqueles que foram para mim os cinco melhores jogos que o Sporting CP fez sob comando do holandês.

10 anos depois, Ranieri volta a Roma. Amore ou loucura?

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Pode não ter ganho nenhum título da Serie A na capital italiana, mas é a Roma que Claudio Ranieri chama casa. Depois de passagens por Grécia, Inglaterra e França, o Thinkerman – “Homem Pensador” – regressa ao clube onde já jogou profissionalmente, entre 1972 e 1974.

Ranieri pega numa equipa da Associazione Sportiva Roma (AS Roma) muito debilitada. A época em si não tem sido das piores: caiu nos oitavos de final da Liga dos Campeões (eliminada pelo FC Porto) e está no quinto lugar na tabela a apenas três pontos do acesso à Champions. Mas o orgulho da equipa encontra-se muito baixo. A eliminação da Taça Italiana, após derrota por 7-1 contra a ACF Fiorentina, foi um duro golpe, exacerbado pelo 3-0 sofrido perante os eternos rivais, SS Lazio, em jogo a contar para a Serie A. Esta é uma equipa que há dois anos perdeu o seu jogador mais icónico de sempre – Francesco Totti – e não terá o seu atual capitão, Daniele De Rossi, por muitos mais anos. É um clube que, embora não conte com um palmarés muito recheado, exige sempre um certo nível futebolístico e, acima de tudo, uma defesa da sua honra. Foi por falhar neste segundo aspeto que Di Francesco, ex-jogador e agora ex-treinador da AS Roma, foi despedido, mesmo apesar de ter chegado às meias finais da Liga dos Campeões na época passada.

Uma AS Roma debilitada, que Ranieri terá de recuperar.
Fonte: AS Roma

Agora que já percebemos a situação em que a AS Roma se encontra, podemos olhar para o seu novo treinador. A verdade é que, para onde quer que vá, Claudio Ranieri trará sempre consigo aquela mágica época de 2015/2016. Sobre ela, já tudo foi dito e escrito. O Leicester City FC, que lutava habitualmente pela manutenção, conquistou o título da Premier League, um dos campeonatos mais competitivos do mundo. Tudo pela mão de Ranieri. Ele traz também a esperança de poder repetir esse feito nos seus novos clubes. Quando rumou ao Nantes, em França, e ao Fulham, em Inglaterra novamente, a interrogação “novo conto de fadas?” foi sempre lançada por jornalistas e adeptos.

Mas 2016 foi apenas um ano, nos mais de 30 que Ranieri já tem como treinador. E, nessas três decadas como técnico, o italiano nunca ganhou outro título do campeonato. Entre 2000 e 2004, quando esteve a cargo do Chelsea FC, ficou conhecido como o Tinkerman, pela sua insistência em mudar o onze inicial e a disposição tática da sua equipa, muitas vezes para desagrado dos adeptos. Só com o feito do Leicester City em 2016 é que esta alcunha mudou para Thinkerman, com um teor mais positivo.

Na sua primeira experiência como treinador da AS Roma, Ranieri não esteve mal. Conquistou o segundo lugar na época 2009/2010, levando a equipa à Liga dos Campeões. Mas um mau início em 2010/2011 fez com que partisse para Milão, onde foi treinar o Internazionale, que acabara de perder José Mourinho. Desse plantel romano que Claudio treinou, restam dois homens: Daniele De Rossi e Alessandro Florenzi (este último tinha apenas 18 anos naquela época). Hoje, são ambos presenças regulares no onze inicial.

A nível tático, Ranieri e a AS Roma estão bem um para o outro. A equipa está construída num sistema 4-2-3-1, com um médio mais recuado (N’Zonzi ou De Rossi) e outro mais móvel (Bryan Cristante, ex- SL Benfica), dois extremos (El Sharaawy, a estrela da equipa, e Cengiz Ünder), um número 10 (Lorenzo Pellegrini) e um ponta de lança fixo (Edin Dzeko). É esta a formação mais regular da AS Roma esta época e também aquela que Ranieri está mais acostumado a usar – no Leicester, por falta de recursos, apostava num 4-4-2 mais conservador. Para já, o seu único jogo de volta ao Stadio Olimpico foi uma vitória, com uma equipa em poupança física, contra o Empoli, por 2-1. Dificilmente chega para curar o orgulho ferido dos adeptos, mas não é um mau começo.

Stephan El Sharaawy é a grande referência da equipa neste momento.                                                  Fonte: AS Roma

Desengane-se quem espera outro conto de fadas: Claudio Ranieri tem muito que trabalhar até ao fim da época e, sem janela de transferências até lá, terá de fazer o que pode com uma defesa que deixa muito a desejar – entre os seis primeiros classificados da Serie A, tem o pior registo, com 37 golos sofridos. Os adeptos, esse, parecem estar a recebê-lo de braços abertos. É um homem da casa, um homem da cidade. E, num clube como a AS Roma, isso não tem preço. Resta saber se a decisão de trazer Ranieri de volta lhes irá sair caro ou se conseguirão, com o Thinkerman, chegar ao pote de ouro que é a Liga dos Campeões.

Foto de capa: Bola na Rede

Ronde van Drenthe: Loucura do Norte

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Depois da jornada inaugural em Itália, o World Tour viaja para norte para enfrentar, nos Países Baixos, um desafio bem diferente. Apesar de não tão aclamada como a Strade Bianche, a Ronde van Drenthe é uma prova histórica e sempre capaz de proporcionar bons momentos de ciclismo.

Os principais momentos de interesse são os sete setores de paralelo e as ascensões ao VAM Berg – uma curta, mas explosiva subida que foi feita pelo Homem. No entanto, também o vento de alguns setores e as estradas estreitas nas passagens pela floresta serão fatores a ter em conta para definir o grupo que disputará a vitória.

Em 2018, chegou junto à meta um grupo ainda grande para o que é habitual nesta clássica, com Amy Pieters a levar a melhor sobre Alexis Ryan ao sprint.

Pieters regressa este ano numa Boels-Dolmans que parte como super-favorita, já que todas as suas seis atletas são potenciais candidatas à vitória, integrando as vencedoras das últimas quatro edições. Christine Majerus e Jip van den Bos deverão ser sacrificada em prol das colegas, mas ainda haverá Chantal Blaak, Jolien D’Hoore e Amalie Dideriksen, o que dá à equipa excelentes opções, tanto para estar ao ataque como para um eventual sprint.

Em termos coletivos, as maiores ameaças serão a Trek, de Lotta Lepisto, Ellen van Dijk e Letizia Paternoster (contando ainda com Lauretta Hanson como uma outsider) e a Sunweb de Lucinda Brand e Janneke Ensing, bem como da jovem Floortje Mackaij. A esquadra americana tem armas para qualquer situação, enquanto as holandesas devem apostar nos ataques porque ao sprint dificilmente discutirão o primeiro posto.

Capaz de estar na luta em qualquer circunstância é Marta Bastianelli, a líder da Virtu que tem uma temível ponta final, mas também sabe jogar ao ataque e que demonstrou na Strade Bianche estar em excelente forma.

A última grande favorita é Marianne Vos, outra ciclista bastante polivalente e que já ganhou aqui por três vezes. A ex-campeã do mundo é uma atleta excecional e conta com uma boa equipa para ajudar, com especial destaque para lorena Wiebes.

Finalmente, há também alguns nomes com menor favoritismo que, nas circunstâncias certas, podem também estar na decisão da corrida. A dupla da WNT-Rotos, Wild e Brennauer, e o trio da Canyon-SRAM, Barnes, Ryan e Klein, bem como Gracie Elvin, Lotte Kopecky e Elisa Balsamo entram neste lote.

Favoritas

*** Chantal Blaak, Marta Bastianelli, Marianne Vos

** Amalie Dideriksen, Jolien D’Hoore, Lotta Lepisto

* Amy Pieters, Lucinda Brand, Kirsten Wild

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de  Capa: Cylance Pro Cycling

O regresso atribulado de Romano Fenati ao circuito mundial

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Já é conhecida por todos a polémica que levou o piloto italiano Romano Fenati a retirar-se do campeonato de Moto2 na passada temporada.

Fenati, de apenas 22 anos, tinha acabado de subir à categoria intermédia do circuito mundial em 2018, quando viu a sua vida totalmente virada do avesso. No Grande Prémio de San Marino, o italiano cometeu um erro tremendo quando, num acesso de raiva, apertou o travão do seu compatriota Stefano Manzi. O gesto poderia ter tido consequências muito graves, tendo em conta que ambos seguiam a mais de 200 km/h.

O piloto da Marinelli Snipers Team foi imediatamente banido da competição, com a sua licença retirada pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo) até ao final do ano. Foi despedido pela equipa, tendo visto ainda o seu contrato com a MV Augusta para a temporada seguinte ser cancelado. A notícia da ação de Romano Fenati tomou proporções tão grandes na imprensa que o próprio chegou a anunciar a sua retirada permanente do motociclismo.

Tal acabou por não se verificar, tendo sido confirmado o regresso do italiano à mesma equipa, mas, desta feita, na categoria de Moto3. A Marinelli Snipers Team quis dar uma oportunidade ao jovem piloto de “começar do zero”.

Nos testes de pré-temporada, Fenati alcançou o topo da tabela de tempos, mostrando que estava em forma e pronto para o arranque da temporada. Na primeira corrida, no circuito de Losail, no Qatar, as expetativas eram altas em relação ao italiano. O piloto não desiludiu e foi o mais rápido nos primeiros treinos livres.

Romano Fenati parecia ter entrado numa onda de sorte quando tudo começou a descambar, pondo à prova o seu temperamento tipicamente agressivo. Tendo em conta que conseguiu bons tempos nos treinos, foi diretamente para a Q2. Estava, mais uma vez, a sair-se bem quando a equipa cometeu um erro tremendo. Fenati estava na box à espera de ordem para regressar à pista para tentar subir na tabela com uma possível pole position. No entanto, quando a equipa lhe deu ordem para voltar, era já tarde demais. O piloto não teve tempo para fazer uma volta rápida e acabou por descer ainda mais na tabela, acabando por partir de um inesperado 12.º lugar.

O piloto regressou à box naturalmente desiludido, mas surpreendeu pela sua atitude bastante positiva com a equipa.

Apesar de não ser ideal, a 12ª posição não era crítica e o italiano poderia certamente lutar pela vitória. Todos esperavam por uma redenção de Romano Fenati na primeira corrida do ano.

No entanto, o azar não largava o italiano, que, logo no arranque, acabaria por ficar ainda mais para trás, em 17º. Dito isto, a corrida foi um trabalho feito de trás para a frente. Fenati não baixou os braços e fez um trabalho realmente notável. A dez voltas do final da corrida, já estava a lutar pelos primeiros lugares, acabando mesmo por chegar à liderança do grupo de 13 pilotos no qual seguia.

Romano Fenati na liderança da corrida no circuito de Losail, Qatar
Fonte: Snipers Team

Tudo parecia estar finalmente encaminhado para a vitória no regresso de Romano Fenati, quando surge um aviso no ecrã. A direção de corrida alertava o piloto para o facto de ter já excedido os limites da pista, mostrando que poderia vir a ser penalizado se continuasse a fazê-lo. Todos os pilotos tinham conhecimento de que, se sofresse essa penalização, teriam de passar por uma zona específica do circuito que os faria perder tempo em relação aos seus adversários.

Inesperadamente, Fenati cumpre a penalização sem esta lhe ter sido realmente atribuída. Aquilo que se pensa é que o piloto terá percebido mal a mensagem que recebeu no seu computador de bordo e terá pensado que teria sido penalizado. Esta situação não é muito comum, mas há que ter em conta tudo aquilo que já sucedeu com o italiano. O piloto certamente teme ter mais algum problema com a direção de corrida, com a FIM ou até com a própria equipa e, na dúvida, terá decidido cumprir a penalização.

Ao fazê-lo, acabou por ficar para trás, tendo ainda conseguido terminar dentro dos pontos, em nono lugar.

Um início de temporada complicado para o jovem piloto italiano que parece ainda ter os fantasmas da temporada passada a assombrarem a sua prestação.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Snipers Team

Dois meninos nas balizas do dérbi minhoto

No passado fim de semana, houve um sempre escaldante dérbi minhoto, que opunha o Vitória SC, de Guimarães, ao SC Braga. Num jogo disputado, com espetáculo e com grandes intervenientes, como já é apanágio deste dérbi, um dos fatores mais peculiares e que causou sensação, foi o facto de, em cada baliza, estarem dois jovens guarda-redes portugueses, formados nos seus próprios clubes, na condição de titulares nas suas respetivas equipas. Do lado vimaranense tínhamos João Miguel Silva, da parte bracarense estava Tiago Sá.

Qualquer jovem que entra na formação de um clube, seja em que idade for, automaticamente sonha em chegar à primeira equipa e representar a equipa principal do clube. Se no caso de um jogador de campo já é bem difícil fazer essa transição formação-profissional, no caso de uma posição tão específica como a de guarda redes, a fasquia ainda está mais alta. Além de ter de convencer os responsáveis do clube a dar-lhes um contrato profissional, têm de lutar por um lugar no lote de três guarda-redes do plantel e ainda trabalharem e mostrarem valias suficientes para serem considerados como uma verdadeira opção (sim, porque muitos clubes integram um guarda-redes de formação no plantel principal, para apenas e só preencher os quadros, nunca sendo considerado uma verdadeira opção para um jogo oficial).

Tiago Sá e Miguel Silva representam duas exceções à regra no nosso país. É muito raro, nos dias que correm, ver um guarda redes português da formação do próprio clube a ter uma oportunidade de ser titular na equipa principal. Tiago e Miguel têm tido trajetos muito diferentes, mas, neste momento, com resultados iguais – titularidade.

Abel Ferreira faz questão de frisar a confiança que tem no jovem guarda-redes de forma regular
Fonte: SC Braga

Tiago Sá, de 24 anos, não conheceu outro clube senão o SC Braga e é um dos meninos bonitos para o treinador Abel Ferreira. Matheus Magalhães, número um da baliza bracarense, lesionou-se com gravidade, ao mesmo tempo que o internacional português Marafona voltava de uma longa paragem por lesão. No entanto, Abel optou por dar a baliza a Sá, que tem feito Marafona sentar-se no banco de suplentes, devido à sua regularidade exibicional.

Apesar de ter 24 anos, antes desta época, Sá tinha apenas um jogo pela equipa principal do SC Braga, no entanto, não tremeu e tem estado em grande evidência na baliza dos Guerreiros do Minho, somando, para já, 22 jogos oficiais.

Miguel Silva está à distância de uma época regular de dar o “salto”
Fonte: Vitória SC

Miguel Silva, pelo contrário, apareceu na equipa principal do Vitória SC bem mais cedo. O guarda redes de 23 anos, que entrou na formação do Vitória no escalão de juniores, vindo do FC Vizela, foi lançado há quatro anos por Sérgio Conceição. Já com vários jogos pela equipa principal do Vitória SC ao longo dos últimos anos, sendo fortemente associado em certos defesos ao SL Benfica, Sporting CP e FC Porto, Miguel Silva roubou o lugar a Douglas há duas jornadas passadas e apresentou-se de forma incrível neste dérbi minhoto. Aliás, tanto o Miguel, como o Sá, proporcionaram alguns dos melhores momentos do jogo.

Dois jovens guarda-redes, com contratos de longa duração com os respetivos clubes, que prometem evoluir jogo após jogo, assinando os seus próprios nomes como futuros selecionáveis para a seleção nacional portuguesa.

Vitória SC e SC Braga deram o mote, vamos ver se, sobretudo os clubes mais limitados financeiramente, seguem o mesmo exemplo…

 

Foto de Capa: Liga Portugal

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

SL Benfica 3-0 GNK Dinamo Zagreb (ap): Isto é Benfica, meus senhores!

Vindo de um resultado negativo na Croácia (1-0), o SL Benfica precisava de vencer o Dinamo Zagreb por, pelo menos, dois golos. Para surpresa de alguns, se não de todos, Bruno Lage lançou no jogo Yuri Ribeiro, Jota, Zivkovic e o tão adorado Fejsa, sem João Félix ou Jonas na frente. Escolhas algo ousadas de Lage, que poderia sair da Luz como um génio ou como um doido sem noção.

Os croatas apareceram em força na festa e fizeram-se ouvir durante toda a primeira metade. Já os benfiquistas estavam com tanta força quanto a equipa no ataque.

Durante a primeira meia hora de jogo o Benfica foi ganhando ritmo, até começar a jogar rápido, mas não eficientemente. Por vezes a pressa é inimiga da perfeição e este foi o caso, com os encarnados a não conseguirem jogar para lá do segundo terço. Apareceram os apressados e sem sentido remates de longe, mas nenhum que conseguisse assustar o Dinamo. Aliás, a melhor oportunidade (de ambas as equipas) surgiu já perto dos 40 minutos, com Pizzi a rematar forte, mas para encaixe fácil de Livakovic.

Nos últimos minutos da primeira parte os encarnados acertaram o passo e foram mais atrevidos. Ainda assim, a equipa mostrou-se nervosa e impaciente por um golo que não iria chegar, acabando por recolher aos balneários sem o conseguir marcar.

O primeiro ataque dos segundos 45′ pertenceu ao Dinamo que entrou para marcar. Rapidamente o Benfica reagiu e dez minutos após o recomeço da partida, a redondinha não quis entrar, depois de uma grande confusão na área, com vários remates e tentativas.

Jonas foi o autor do golo que levou o jogo para prolongamento
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Finalmente os homens de Lage mudaram o chip e levaram consecutivamente a bola até à área dos croatas, no entanto, se por um lado o Benfica ficou mais perto do golo, por outro deu asas a contra ataques rápidos e potencialmente fatais do Dinamo.

Já com 48 mil pessoas de coração nas mãos, Jonas apareceu para fazer uma belíssima receção de uma bola vinda da cabeça de Pizzi. E, com um toque de Jonas, passo a redundância, atirou-a para o fundo das redes, rasando o poste direito. Aos 71 minutos, estava feito o primeiro golo e o Benfica empatava a eliminatória.

Depois disso, e até aos 90′, os encarnados dominaram o jogo. Destaque para uma magnifica jogada individual de Rafa, que pegou na bola e percorreu o campo todo com ela até ao ataque – pena que não havia ninguém para o apoiar; e para (mais) um grande remate de Jonas, onde Livakovic brilhou.

Com mais quatro minutos adicionais, o Benfica sufocou, com um Dinamo a fazer o possível e impossível para resolver a partida em tempo regulamentar. O último destaque dos 90 minutos pertenceu a Vlachodimos que fez uma defesa magnífica, salvando os encarnados da eliminação no segundo final.

A partida seguiria mesmo para prolongamento, graças a Jonas e Vlachodimos, e não poderia ter começado melhor. Com um nervoso miudinho, o Benfica foi em busca do segundo golo que não tardou em aparecer. Com apenas quatro minutos jogados, Ferro, central implacável esta noite, encheu o pé e marcou o segundo golo para os encarnados, golo esse que deixou todos de boca aberta. Era o golo da noite, da eliminatória! O menino do Seixal, para além de varrer a defesa, levou o Benfica para a frente da eliminatória. Tudo se tornou ainda mais calmo, quando Stojanovic é expulso, ao ver dois amarelos seguidos – o primeiro por má conduta desportiva, o outro por palavras.

Dez minutos depois foi a vez de Grimaldo. Quando achávamos já ter visto o golo da noite, eis que o lateral encarnado remata, no flanco esquerdo, atirando a bola em arco para dentro da baliza. Livakovic, sem hipótese, nem tirou os pés do chão.

Com um confortável 3-0, a pressão baixou e, apesar de continuar por cima do jogo e muito ofensivo, o Benfica não mais marcou, mas sem se deixar dormir. Depois de uns duros 120 minutos, os meninos de Lage qualificaram-se para a fase seguinte, numa explosão de alegria e cansaço.

Resta agora saber quem será o próximo adversário dos encarnados – Chelsea, Frankfurt, Napoles, Valência, Slavia Praga, Arsenal ou Villareal.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

SL Benfica: Odysseas, André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Yuri Ribeiro (Grimaldo, 45′), Fejsa, Gabriel, Pizzi (Gedson, 119′), Zivkovic (Jonas, 45′), Jota (João Félix, 62′), Rafa.

GNK Dinamo Zagreb: Livakovic, Rrahmani, Dilaver, Kévin, Stojanovic, Moro, Dani Olmo, Gojak (Atiemwen, 97′), Orsic (Peric, 109′), Kadzior (Situm, 75′), Petkovic (Gavranovic, 85′).

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede