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CD Santa Clara 1-0 GD Chaves: A vitória do pragmatismo

Num feriado tão português como o de 5 de Outubro, jogou-se o desporto da família no estádio de S. Miguel. A equipa da casa na última jornada havia defrontado o Nacional da Madeira, tendo conseguido a primeira vitória fora de portas, ao passo que o GD Chaves vinha de um empate caseiro, a duas bolas, na recepção ao SL Benfica.

A primeira parte mostrou um Santa Clara com mais bola perante a equipa de Chaves que procurava adaptar-se ao esquema tático adversário. O Santa Clara criava mais perigo junto da baliza adversária, apesar dum jogo muito dividido no meio campo, com muitas lutas e por vezes com um futebol mal jogado. Ainda assim, o Santa Clara conseguiu criar várias ocasiões de perigo junto à baliza de Ricardo, sobretudo em lances de bola parada.

Do outro lado, o Chaves procurava sair com perigo em contra ataque, mas esbarrou sempre numa estratégia defensiva muito bem montada por João Henriques. Assim, o nulo prevaleceu ao intervalo, um resultado que se aceitava, apesar de algum domínio da equipa da casa.

Ao intervalo o empate era um resultado que se aceitava
Fonte: BnR

Na segunda parte, as lutas físicas no meio campo continuaram – Chaves e Santa Clara lutavam entre si pela posse de bola e anulavam-se constantemente. Nesta segunda parte, a equipa da casa passou a jogar por via de transições com enfoque em Fernando Andrade e Pineda. Já o Chaves procurava criar desequilíbrios na defensiva contrária, mas baseava o seu jogo em bolas longas para William que conseguia segurar jogo mas sem conseguir, ainda assim, criar lances de perigo.

Com a entrada de Minhoca em campo, Fernando Andrade passou a ser o homem mais avançado na estratégia ofensiva na equipa de João Henriques. Foi esta alteração a chave do jogo, uma vez que o avançado brasileiro minutos depois abriu o ativo e fechou o resultado a favor do Santa Clara.

Depois do golo, o Santa Clara esteve novamente próximo de voltar a marcar perante um Chaves que conseguia circular a bola, mas que não criou lances de perigo nesta segunda parte.

Vitória do pragmatismo e de um coletivo muito bem esclarecido do Santa Clara, a grande sensação da Liga até ao momento.

 

Onzes Iniciais:

CD Santa Clara: Marco, F. Cardoso, O. Rashid (Kaio) , Pineda, César M., A. Stephens (Minhoca), B. Lamas (Chrien), Mamadu, A. Carvalho, Patrick, Fernando A.

GD Chaves: Ricardo, Paulinho, Eustaquio, Ghazaryan, Perdigão, William, Maras (A.Luis), Marcão, Gallo, Djavan (L. Martins), Niltinho (J.Teixeira).

A bola de Berlim é do Hertha

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Após seis jornadas da Bundesliga, atrás do líder Borussia Dortmund e Bayern Munique está logo o Hertha de Berlim, em terceiro lugar. O conjunto da capital alemã venceu a equipa bávara e campeã em título por uns categóricos 2-0 e continua a ser a ‘pedra no sapato’ da Baviera.  É a única equipa do campeonato alemão que não perdeu com o Bayern nos últimos quatro encontros (uma vitória e três empates). Muitos procuram explicações em Munique para entender como é que o hexacampeão já perdeu tão cedo no campeonato, mas porque não saber o que se anda a fazer na terra da bola de Berlim?

O treinador do Hertha é o húngaro Pál Dárdai. Com 42 anos e já a orientar esta equipa desde 2014, antes de uma experiência como selecionador daquele país, tem andado a ‘remar contra a maré’ no que toca ao estilo de jogo. Posse de bola não é a principal estratégia, como tem sido apanágio daquelas equipas de menor dimensão da Europa do futebol que despertam a atenção a muitos dos nossos leitores.

Berlim provou que pode ser a capital do futebol alemão
Fonte: Bundesliga

O forte do Hertha é de facto a finalização e a agressividade. A equipa nunca terminou os seus jogos esta época com superioridade nessa estatística. Só em golos, exceto na partida da quinta jornada da Bundesliga contra o Werder Bremen, onde perdeu por 3-1.

Para chegar lá, o conjunto de Berlim joga num esquema 4-4-1-1 muito aberto, atacando muito bem pela direita, oferecendo muita largura aos defesas laterais que obrigam os extremos a aproximarem-se do centro da área, local onde podem ser servidos para o golo ao lado dos avançados. Há uma bela reunião de jogadores jovens e promissores com futebolistas mais experientes, com muitos minutos de Bundesliga.

Valentino Lázaro, angolano naturalizado austríaco de 22 anos contratado ao Salzburgo por 6,5M€, é uma das referências desta estratégia pela faixa direita do Hertha Berlim, em conjunto com o veterano e costa marfinense desta equipa, Salomon Kalou. Basta ver o entendimento entre ambos no segundo golo do Hertha contra o Bayern, marcado por outro jogador em grande forma neste arranque de Bundesliga, Ondrej Duda. O médio ofensivo eslovaco de 23 anos é o atual melhor marcador do campeonato alemão com cinco golos, mais um que o avançado bósnio, também experiente e do Hertha, Vedad Ibisevic.

Duda (5) e Ibsevic (4) já deram nove golos ao Hertha de Berlim na Bundesliga
Fonte: Hertha BSC

A larga amplitude que os laterais do Hertha têm pode ser um problema, mas isso parece por enquanto estar nas previsões da equipa de Dárdai. O promissor médio defensivo alemão – Arne Maier, de 19 anos – é o jogador que compensa as constantes subidas de Lázaro, bem como o norueguês Skjelbred – com 31 anos – quando o defesa esquerdo Mittelstadt avança para terrenos mais adiantados. Já os centrais Niklas Stark e Karim Rekik, ambos com 23 anos, assumem a marcação aos pontas de lança, numa linha defensiva sempre muito bem organizada. No jogo com o Bayern, Lewandowski ficou praticamente ‘no bolso’.

Há de facto uma estratégia bem montada no Hertha, clube que costuma dificultar a tarefa aos gigantes da Bundesliga, especialmente quando se trata de jogar no mítico estádio Olímpico de Berlim, onde é difícil levar pontos. Depois de um 10º lugar na temporada passada, o objetivo é com certeza regressar aos lugares europeus. Entre 2015 e 2017, o Hertha ficou sempre entre o 6º e o 7º lugar, tendo sempre arranques bastante interessantes. As presenças europeias têm vindo sempre a atrapalhar a prestação interna, mas o projeto a longo prazo que se vai cumprindo com Pál Dárdai pode trazer frutos a longo prazo. É ainda necessário um plantel mais profundo, que ofereça opções válidas.

Deixamos o resumo da primeira derrota impingida ao Bayern Munique esta temporada no vídeo em baixo:

Foto de capa: Hertha BSC

Força da Tática: Quem é que tem saudades do(s) Power Rangers

Assim que Steven Gerrard foi anunciado como novo treinador do The Rangers Football Club, muitas questões se colocaram sobre se a lenda do Liverpool FC estaria à altura do desafio. Comandar um emblema histórico nunca é fácil, ainda para mais estamos a falar do primeiro desafio profissional.

Quando o antigo capitão red aterrou em Glasgow, encontrou uma cidade dominada pelo verde e branco. Hoje, o azul começa a transbordar do Ibrox Stadium e a percorrer a cidade.

O sexto lugar na Primeira Escocesa não impressiona (posição mentirosa), mas os desempenhos na Liga Europa têm sido bastante interessantes. Salientar a forma consistente e contínua como a equipa têm evoluído, desde o início da época, atingindo, na última noite, o ponto mais alto.

Proponho olhar para a noite de ontem, vitória por 3-1 frente ao SK Rapid Wien, para mostrar como Gerrard está a montar a equipa, as ideias, os jogadores, a filosofia e até onde isso o pode levar.

Equipa e estrutura  

Na maioria dos jogos, Steven Gerrard têm apostado em um 4-3-3, mas a flexibilidade do meio campo leva a equipa a jogar em 4-2-3-1. Isto é ou joga com um jogador mais recuado e dois médios interiores à sua frente (4-3-3) ou opta por inverter a estrutura, com um jogador nas costas do ponta de lança e dois médios centros (4-2-3-1).

Seja 4-3-3, 4-2-3-1 Gerrard raramente realiza alterações no seu onze, aposta sempre no seu núcleo de 13/14 jogadores. É raro a defesa a quatro não contar com Tavernier pelo corredor direito, Connor Goldson e Katic/Worrall como centrais e com o croata Borna Barisic na esquerda. Na frente deste quarteto aparece Ryan Jack (por estar lesionado têm jogado Coulibaly), como médio defensivo, ladeado por Ejaria e Scott Arfield. Por fim, o trio atacante é composto por Kent/Candeias e Lafferty nos corredores e por Alfredo Morelos (ponte de lança).

Pressão e esquema defensivo

Frente ao Rapid Wien, uma equipa que procura sempre iniciar a construção com o seu guarda redes e/ou centrais, o Rangers apresentou um esquema onde procurava evitar no primeiro momento a progressão do adversário pelo corredor central, forçando a jogar pelos corredores desde muito cedo. Muito cedo significa que os laterais do Rapid Wien iam participar na construção muito recuados, o que dificultava a progressão da equipa.

No primeiro momento, o médio defensivo adversário vem receber a bola do seu guarda redes, entre os dois centrais, de costas para a baliza adversária. Ejaria (médio interior esquerdo) avançada imediatamente para prevenir que o jogador rode e fique de frente para o jogo, forçando-o a jogar para trás e/ou corredores. Morelos (ponta de lança) cola-se de forma a prevenir que o passe seja feito para o central do lado contrário, mantendo a bola no corredor direito do adversário. Finalmente, Kent (Extremo esquerdo) corta a hipótese de o lateral direto do adversário receber o passe em zonas mais avançadas.

Fonte: BT Sport

Bola no lateral, que têm no primeiro momento todo o corredor todo para si, mas rapidamente se apercebe que esse é objetivo do Rangers. Kent acompanha o seu adversário, mantendo-o no corredor e empurrando-o gradualmente para a linha lateral. O médio defensivo do Rangers, Coulibaly ocupa a posição interior, na cobertura de Kent, prevenindo o passe interior. Arfield, médio do lado oposto, à medida que o lateral adversário avança, vai-se colocando dentro, garantido o equilíbrio da equipa e a ocupação do corredor central.

Fonte: BT Sport

Até que o Rapid Wien é forçado a jogar para trás, voltando ao ponto de partida.

Fonte: BT Sport

Tendencialmente o Rangers procura condicionar o jogo para o corredor de Kent. O jovem de 21 anos é um jogador muito bom na leitura dos adversários, para onde eles querem driblar ou fazer o passe, coloca muito bem o corpo, quando procura cortar linhas de passe e recupera muito bem a sua posição defensivamente fruto da capacidade de aceleração. Todas estas características, têm um impacto tremendo na incapacidade do adversário em progredir desde posições recuadas.

Dinâmicas e processo ofensivo

Um dos aspetos mais visíveis, e interessantes, do estilo do Rangers é a forma como procura colocar muitos jogadores no corredor central e na zona da bola.

Ontem uma das zonas mais usadas para sobrecarregar foi o corredor direito. O lado onde joga Jason Tarvernier, um lateral extremamente dinâmico, não só confortável com a bola nos pés, quando avança ao longo do corredor em momentos de transição, mas também quando cruza e nas situações de combinação curta. Combinações curtas, em resultado das referidas sobrecargas, são parte integrante e indissociável da forma como o Rangers ataca.

Para se juntar à “festa”, no corredor de Tavernier, temos não só o ponta de lança Morelos, que se move bem, lateralmente, ao longo da linha defensiva do adversário procurando combinar com os colegas antes de aparecer nas zonas de finalização.  Como também Candeias, o jogador português liga muito bem com Tavernier, uma vez que se sente confortável em posições interiores e dá mais espaço ao lateral.

Arfield também aparece frequentemente para fazer parte dessa sobrecarga. Desde o corredor central e com uma bola leitura dos espaços, aproveita frequentemente os movimentos dos colegas para receber a bola em posições interessantes.

Em baixo, vemos como o Rangers coloca muitos jogadores no corredor central e liberta espaços nos corredores para os seus laterais.

Fonte: BT Sport

Curiosamente, ou talvez não, apesar da sobrecarga no corredor central, as alas são uma parte muito importante na forma como o Rangers agride o adversário. Procurando as melhores posições para cruzamentos.

Vejam como o Rangers trabalha a jogada. A forma como Morelos se movimenta, para aparecer sozinho na zona de finalização, e como Kent (extremo esquerdo) vêm ao espaço entre o corredor direito e o central para realizar o passe, que antecede a assistência. (lance acelerado para ser possível fazer o GIF).

via GIPHY

Para não me alongar muito no artigo, e também não fugir ao olhar coletivo da equipa e não individual, apenas dizer que está um grande negócio, à espera de ser feito, em Glasgow. Têm o nome de Morelos, Alfredo Morelos.

O Rangers está de volta? Nas palavras de Tavernier, no final do jogo de ontem, parece que sim: “That was the best atmosphere I have experienced since I have been at Rangers. Our away fans have given us some great atmospheres but that is one of the best I have experienced at Ibrox“.

Uma coisa é certa, a mentalidade vencedora está de volta.

A Luz é um inferno, mas não para o Dragão

Aproxima-se mais uma visita do FC Porto ao Estádio da Luz que, nos últimos anos, em virtude das mais variadas alegrias que o recinto tem oferecido aos portistas, foi batizado por estes como o salão de festas azul e branco. Hoje, por isso, vamos recordar os cinco clássicos que mais sorriram aos dragões desde que estes se vêm disputando na nova catedral encarnada.

‘Ó Vitória, segue Afonso, campo fora’

O arranque do campeonato no D. Afonso Henriques é, por norma, bastante atribulado. Um clube da dimensão do Vitória SC, que alcança constantemente interessantes classificações, merecia começar a prova de forma mais segura. À exceção das épocas 2010/11 e 2014/15, onde já somavam 11 pontos em 15 possíveis, os últimos 10 anos têm visto um arranque frouxo dos conquistadores.

Em 2010/11, à quinta jornada, o Vitória SC ocupava o terceiro lugar, atrás de FC Porto e SL Benfica, com 11 golos apontados. Em 2014/15, igualmente ao fim da quinta jornada, ocupava o segundo lugar, atrás do invicto FC Porto, e contava com apenas dois golos sofridos.

Nenhuma época é igual à seguinte nem à anterior, mas estas constam mesmo como exceções nas últimas 10 temporadas. Regra geral, os atletas do castelo amealham entre quatro e sete pontos no início. Muito pobre para o que deles se espera.

No entanto, este facto revela uma excelente capacidade de recuperação pontual e posicional na tabela, uma vez que, regra geral, os de Guimarães conseguem épocas tranquilas.

No que à presente época diz respeito, a defesa tem sido permeável em quase todos os jogos, exceção feita à vitória caseira frente ao CD Tondela (1-0). É, portanto, um dado preocupante para Luís Castro, já que a sua equipa sofre a esta altura, em média, dois golos por jogo.

André André regressa a uma casa que bem conhece para assumir a batuta do meio-campo
Fonte: Vitória SC

À semelhança do setor defensivo, também o ataque carece de melhorias. Apesar de ter jogos com dois ou três golos marcados, falta uma referência ofensiva como outrora tiveram, por exemplo Tiquinho Soares ou Moussa Marega. Mesmo com toda a qualidade ofensiva que lhe é reconhecida, os golos não aparecem. Relembre-se que este plantel conta com Ola John, Welthon, Junior Tallo ou Alexandre Guedes, o herói da última Taça de Portugal, entre outros. Neste momento, o ‘melhor marcador’ é André André com dois golos, seguindo-se seis atletas com um tiro certeiro, o que diz muito do acerto dos avançados vitorianos a esta altura.

A eliminação precoce da Taça da Liga, em casa, logo na segunda fase frente ao CD Tondela, não caiu bem entre os adeptos da cidade berço. A partir de então, as opiniões quanto ao treinador dividiram-se, como em qualquer assunto, entre adeptos de qualquer clube. Excetuando um ou outro atleta, a opinião geral das bancadas do D. Afonso Henriques é de que possuem um plantel forte, equilibrado e com bastante qualidade e margem de progressão, que devia produzir mais do que aquilo que se tem visto. Prova disso são os resultados que não acompanham a expectativa gerada.

A primeira jornada reservou uma deslocação difícil, uma das mais complicadas. Na Luz, o Vitória SC encaminhava-se, ao que tudo indicava, para uma noite desastrada e ao intervalo já perdia pela diferença de três golos. Na reta final da partida reagiu, e de que forma, com diversos lances de perigo. Quando a partida terminou, a sensação que pairava era de que com mais minutos os vitorianos conquistariam mesmo algum ponto (3-2). Ficavam boas sensações para o que viria, mas logo se desmoronaram na derrota caseira frente ao CD Feirense (0-1).

Ola John, depois da passagem pela Luz, procura assumir o protagonismo que a sua qualidade exige
Fonte: Vitória SC

À terceira jornada, mais uma deslocação difícil, outra das mais exigentes. No Dragão, o Vitória SC alcançou o seu melhor resultado nesta temporada e virou de um 2-0 negativo ao intervalo para um surpreendente e merecido 2-3 no final dos 90 minutos. De repente, os conquistadores já tinham feito os dois jogos teoricamente mais exigentes, retirando daí três preciosos pontos. E quando se esperava o encaminhamento da turma de Luís Castro, mesmo pela vingança aplicada ao CD Tondela (1-0), eis que voltam a ceder em Portimão (3-2) e, em casa, frente ao Vitória rival (1-1).

As exibições na Luz e no Dragão, recuperando de desvantagens consideráveis, faziam antever um Vitória SC lutador. Mas, mais do que lutador, os adeptos querem-no conquistador – de pontos e títulos, não só de nome… – o que não se verificou nas partidas seguintes. E uma vez que não alinham em provas europeias e já foram eliminados da Taça da Liga, a pressão aumenta e espera-se mais, muito mais deste clube histórico nas provas que lhe restam: a Primeira Liga e a Taça de Portugal.Af

 

Foto de Capa: Vitória SC

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Momento verde e branco: o dia em que a Gazprom ganhou ao Sporting

No dia 21 de outubro de 2014 o Sporting foi a Gelsenkirchen com a difícil tarefa de bater o Schalke 04. Os leões, então comandados por Marco Silva, sabiam que os alemães eram os principais adversários dado que, tal como o Sporting, lutavam pela segunda vaga de acesso à fase final da prova. Recorde-se de que nesse grupo estavam também os ingleses do Chelsea e os eslovenos do Maribor.

O onze dos homens de Alvalade era composto por Rui Patrício, Cédric Soares, Maurício, Paulo Oliveira, Jonathan Silva, William Carvalho, Adrien Silva, João Mário, Nani, Carrillo e Slimani. Foram estes onze (mais três que entraram no decorrer da partida: Sarr, Diego Capel e Montero) que foram derrotados não pelo Schalke mas, como se costuma dizer, pela Gazprom, patrocinador dos alemães e da própria competição.

Os leões até começaram bem o jogo e chegaram à vantagem logo aos 16 minutos. Após um canto batido ‘à Camacho’ por João Mário, Nani apareceu já dentro da área e, aproveitando o péssimo estado do relvado, atirou a contar, deixando assim o Sporting em vantagem.

Porém, a partir daí quase nada correu bem ao Sporting. Slimani foi substituído por lesão aos 25 minutos de jogo e aos 34 os alemães chegaram ao empate: num livre batido para o interior da área leonina, Chinedu Obasi cabeceou e, aproveitando um clamoroso erro de Rui Patrício, restabeleceu a igualdade no marcador. Contudo, os ‘azares’ não ficaram por aí: aos 38 minutos, num lance muito discutível, Maurício foi amoestado com o segundo cartão amarelo e acabou mesmo por ser expulso.

Já depois do intervalo, era notório o desalento dos homens de Alvalade. Os alemães aproveitaram isso mesmo e chegaram à vantagem no marcador por intermédio de Klaas Jan Huntelaar ao minuto 51: em posição irregular, o avançado holandês isolou-se e deu pela primeira vez na partida a frente do marcador aos homens de Gelsenkirchen. Nove minutos depois, foi graças a Benedikt Höwedes que os alemães aumentaram a vantagem:  aproveitando um livre batido por Boateng, o defesa central beneficiou de uma falha defensiva dos leões e aumentou e fez o terceiro da sua equipa.

Todavia, o Sporting não desistiu e conseguiu voltar a rugir. Carrilo numa enorme arrancada pelo flanco esquerdo chegou até à área e só foi parado em falta. O árbitro apontou para a marca dos 11 metros e Adrien Silva, sem vacilar, reduziu a desvantagem no marcador à passagem do minuto 64. Quatorze minutos depois, aos 78’, o leão voltou a rugir e de novo por intermédio de Adrien Silva. Numa jogada de contra-ataque, Cédric Soares cruzou de forma quase perfeito para o médio português, que, sem tremer, cabeceou e repôs a igualdade no marcador.

Os sportinguistas estavam já orgulhosos dos seus jogadores. Perante uma missão quase hercúlea, os homens de Marco Silva souberam estar à altura. Porém, num jogo que tinha já muita história para contar, o momento mais marcante ficou reservado para o último minuto do jogo.

Numa tentativa de chegar ao golo, os alemães colocaram a bola na área, mais propriamente para Huntelaar. O avançado holandês cabeceou a bola embateu, nada mais nada menos, do que na cabeça de Jonathan Silva. Os homens de Schalke deram inclusive o lance por perdido, mas a equipa de arbitragem, surpreendendo tudo e todos (inclusive os alemães), marcou grande penalidade. Muitos foram os protestos por parte do Sporting. Todos com o devido fundamento ma nenhum deles foi atendido. O jogo acabou mesmo por se resumir a uma inglória derrota frente a uma equipa de arbitragem que derrotou por completa o emblema de Alvalade.

Foto de Capa: UEFA

artigo revisto por: Ana Ferreira

Carta aberta aos benfiquistas

Olá a todos,

As emoções do maior clássico do futebol português estão de volta e, com ele, regressa a expetativa e ansiedade pela entrada em campo de SL Benfica e FC Porto pela 169ª vez na Liga Portuguesa e 239ª no total.

O palco do jogo mais aguardado é o Estádio da Luz, que promete estar bem quentinho para receber mais um pedaço da história entre encarnados e dragões.

Apesar de estarmos numa fase embrionária da Liga, com apenas seis jornadas decorridas, clássico é clássico e isso nunca vai mudar. A antecipação e ansiedade estão muito elevadas e todos os envolvidos dentro e fora de campo são atingidos pela adrenalina que se sente por mais um embate carregado de momentos memoráveis, história e significado.

Chegou a altura de voltar a vibrar com as emoções do clássico mais apaixonante do futebol português
Fonte: SL Benfica

Num dia tão especial como este, estão reservadas as melhores exibições e os atletas em campo tudo farão para proporcionar um bom espetáculo.

Espero e peço, sobretudo, bom futebol, e, acima de tudo, que a segurança esteja garantida, numa partida de alto risco. Não obstante o jogo em si, é um dia de festa e uma tarde/noite para desfrutar ao máximo da paixão que sentimos pelo desporto-rei e, em especial, pelo SL Benfica.

Não será uma partida fácil, como é habitual num jogo deste cariz. Promete-se uma luta acesa, numa altura em que o SC Braga se encontra no primeiro lugar da Liga Portuguesa. Ambas as equipas querem um resultado positivo e tudo farão para alcançar os três pontos.

Este domingo, e falta muito pouco, quando o relógio marcar as 17:30 horas, seja na Luz, nas nossas casas ou cafés, será a altura para erguer bem alto a nossa voz e os cachecóis que carregamos connosco, se for caso disso. Quando a águia pousar e o hino entoar no Estádio da Luz, estará prestes a começar mais um emocionante capítulo da longa história entre encarnados e dragões, que muito nos apaixona e continuará a fazê-lo, passem os anos que passarem.

Saudações benfiquistas e bom clássico para todos!

Foto de Capa: SL Benfica

Que Inter esperar esta época?

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Que saudades de um Inter de Champions a sério! Desculpe, caro leitor, a exclamação inicial, mas ela é apenas uma expressão da atual boa fase do Internazionale Milano de Luciano Spaletti, que lidera o grupo B da Liga dos Campeões a par do Barcelona, com os mesmos seis pontos, após duas jornadas vitoriosas em jogos que esteve a perder 1-0 e virou para 2-1.

A recente jornada europeia ainda está bem quente, mas a formação milanesa procura também seguir o trilho dos triunfos na Série A, competição em que soma três vitórias consecutivas depois de duas derrotas, um empate e uma vitória nos primeiros quatro jogos.

A crise inicial está ultrapassada e agora o momento que se vive é de bonança e a aproximação aos da frente da classificação ocorre gradualmente: os ‘nerazzurri’ estão no quarto lugar com 13 pontos, a dois pontos do segundo, Nápoles, e a oito do líder, a heptacampeã italiana Juventus. Talvez a palavra “bonança” seja um pouco exagerada, pois nesta equipa já vimos duas caras, isto é, desde que Spaletti assumiu o comando técnico – cumpre a segunda temporada.

Na época passada, sem competições europeias, o Inter até começou muito bem e desenhou um rumo promissor, ocupando, nalgumas jornadas, a liderança da Serie A. A determinada altura, quebrou em termos de resultados e acabou com apenas uma percentagem de 50% de vitórias em jogos oficiais: 20 em 40 jogos.

O ponta-de-lança Mauro Icardi marcou o golo da vitória em frente ao PSV Eindhoven na passada quarta-feira. Cumpre a sexta época no Inter
Fonte: FC Internazionale Milano

O calendário que aí vem é duro. Depois de jogar fora no campeonato diante do SPAL, os nerazzurri jogam de forma consecutiva com AC Milan e Barcelona. Se o primeiro – um clássico dos clássicos do futebol – serve para testar a boa série interna, o segundo, no Camp Nou, pode bem confirmar ou não se temos de volta o Inter europeu de outros tempos, não muito distantes, mas também não muito próximos.

Centrada na organização e rigor do seu treinador, esta equipa não é de marcar muitos golos, mas, quando nos seus melhores dias, é um osso bem duro de roer. Com Naingoolan, Vecino e Brozovic no setor intermédio, a estrutura do desenho tático ganha robustez muito aceitável. Na frente, Icardi, apoiado por jogadores como Perisic ou Politano, pode sempre decidir dentro da área. Lá atrás, D’Ambrosio, Stefan de Vrij, Skiriniar ou Asamoah são rostos de uma das melhores defesas da Serie A; no banco ainda estão nomes como Ranocchia ou Miranda…

Um segundo ano de Luciano Spaletti e uma maioria experiência da equipa no seu todo podem ser argumentos suficientes para, finalmente, vermos o Inter levantar um troféu. Resta saber se a regularidade se vai manter.

Foto de Capa: FC Internazionale Milano

FK Vorskla 1-2 Sporting CP: Milagre de Leão gela Ucrânia

O Sporting viajou até à Ucrânia para disputar a segunda jornada da fase de grupos da Liga Europa, jogo a contar para o Grupo E. Duas equipas que chegaram a este jogo com resultados distintos nesta prova, o Sporting chegou com uma vitória por 2-0 frente ao campeão azeri Qarabag, partilhando a liderança com o Arsenal enquanto que o Vorskla após perder em Londres, chegava com zero pontos. O Sporting chegou com um onze titular renovado, com algumas mexidas no onze e uma gestão por parte de José Peseiro, onde é possível verificar algumas caras novas: Nani, Diaby, Carlos Mané, Jefferson e Bruno Gaspar ganham um lugar na equipa inicial em detrimento de Raphinha, Montero, Jovane, Gudelj e Ristovski, respetivamente.

O Sporting entrou bem, dominante e com as linhas subidas. Aos cinco minutos a primeira oportunidade de perigo no jogo, foi por parte da equipa visitante. Bruno Fernandes descobre Diaby, através de um passe longo, mas o remate do avançado maliano saiu fraco e ao lado. A equipa caseira tentou responder logo de seguida, mas o remate saiu igualmente sem nexo e ao lado. Desde cedo, se verificou a tendência para a equipa caseira procurar um jogo mais direto, apostando também nas transições rápidas e apenas a tentar pressionar a saída do Sporting nos pontapés de baliza.

O Sporting sentiu algumas dificuldades em assentar o seu jogo e sobretudo a conseguir contrariar as bolas longas dos ucranianos e aos 10 minutos de jogo, após cruzamento vindo da direita, André Pinto corta para uma zona proibida, e o número 10 Kulach, ganha a segunda bola e com um remate fortíssimo de pé esquerdo, inaugura o marcador, não dando hipóteses de defesa a Salin.

 

Aos 10 minutos, Vulach festeja o seu golo e o primeiro golo da partida
FONTE: UEFA

A segunda parte iniciou-se sem alterações nas formações que iniciaram o jogo. Aos 52 minutos a primeira ocasião de perigo por parte do Sporting, por intermedio do argentino Marcos Acuña, que faz um remate de longe mas perigoso, passando perto do travessão da baliza ucraniana. Com a necessidade de alterar o rumo dos acontecimentos, José Peseiro colocou Montero em campo aos 58 minutos, retirando Carlos Mané do jogo, alterando um pouco o seu sistema tático, jogando num 4x4x2, na procura de ter maior presença ofensiva.

Uma segunda parte que decidiu seguir o mau exemplo da primeira parte, sem velocidade, sem perigo, sem ritmo. Apesar da maior posse de bola do Sporting, é um jogo igualmente pouco dinâmico e os leões tardavam em criar perigo junto da baliza ucraniana. Só novamente perto dos 65 minutos é que Bruno Fernandes tenta um remate de meia distância, mas sem nexo e que sai fraco e à figura do guarda-redes Shust. Uma equipa ucraniana bem colocada em campo, bem posicionada e à medida que o tempo passava, mais coesa e com blocos cada vez mais baixos, sentindo-se confortável com a pouca velocidade dos leões e com a falta de ideias dos mesmos.  O treinador dos leões certamente ao ver a falta de qualidade da sua equipa e a escassez de ideias e velocidade, aos 71 minutos, arrisca tudo e coloca as suas duas melhores armas em campo: Jovane e Raphinha, para o lugar de Petrovic e Diaby, procurando dar a velocidade e verticalidade que faltou em 70 minutos de jogo, tentando reverter uma desvantagem que vem desde os dez minutos de jogo.

Aos 76 minutos, Raphinha cruza da direita e Nani sozinho na área ao segundo poste cabeceia fraco e à figura, promovendo uma defesa fácil a Shust. Bastou o Sporting colocar um pouco mais de velocidade, ainda que sem melhorar muito a qualidade de jogo, para a equipa ucraniana começar a conceder mais espaços e a demonstrar maiores fragilidades a nível físico. Montero aos 79 minutos, teve uma enorme oportunidade de golo e a melhor do Sporting nesta segunda parte. Numa jogada de insistência, Montero domina no peito após um ressalto, tenta o remate de bicicleta e o guarda-redes ucraniano faz uma boa defesa evitando assim o empate. O Sporting justificava o empate, mas as poucas oportunidades que ia tendo não conseguiu ter a eficácia necessária. Aos 81 minutos num lance de bola parada e numa boa jogada estudada, na única oportunidade do Vorskla na segunda parte, quase chegou o 2-0 para a equipa da casa, faltando apenas a finalização ao segundo poste. Em cima do apito final, aos 90 minutos, Fredy Montero numa grande jogada individual, a mostrar toda a sua qualidade técnica, domina de peito puxa para o meio e de pé esquerdo em jeito, coloca a bola no canto inferior esquerdo, sem hipótese de defesa. Estava feito o empate na partida e Montero salvava aqui os leões de sair com uma derrota da Ucrânia. E como por milagre, o Sporting, num grande contra-ataque conduzido por Raphinha, que descobre Bruno Fernandes com um excelente passe, este tenta rematar mas a bola ressalta para Jovane Cabral que remata com a baliza deserta para fazer a reviravolta no marcador. 2-1 para os leões e o Sporting respirava de alivio numa partida que parecia perdida e que foi de grande sofrimento.

O Sporting conquista novamente os três pontos, juntando-se assim ao Arsenal com dois jogos  e  o mesmo número de vitórias, deixando para o próximo jogo em Alvalade no próximo dia 25 de Outubro, em disputa, a liderança do Grupo E.

           

Onzes Iniciais:

Vorskla Poltava: Shust, Perduta, Dallku, Chesnakov, Artur, Kulach (Sergiychuk 62’) , Skylar, Sharpar, Rebenok, Kravchenko (Gabelok 84’), Kolomoets.

Sporting CP: Salin, Bruno Gaspar, Coates, André Pinto, Jefferson; Petrovic (Jovane 71’), Bruno Fernandes, Acuña; Nani, Carlos Mané (Montero 58’), Diaby (Raphinha 71’)

 

Revista Libertadores: Sem surpresas, semifinais da Libertadores estão quase definidas

O melhor acompanhamento da Taça Libertadores passa por aqui. Todas as eliminatórias disputadas, agora em revista, no Bola na Rede.

Na Taça Libertadores da América está se desenhando as semifinais mais atrativas dos últimos anos, pois na rodada do meio da semana Palmeiras, River Plate e Grêmio garantiram vaga no torneio, os dois últimos farão um dos confrontos, já o Palmeiras esperará seu adversário do jogo entre Cruzeiro e Boca Juniors, que acontecerá na noite desta quinta, em Belo Horizonte.

Na fase de quartas de finais, o jogo mais equilibrado foi o clássico argentino entre River Plate e Independiente, com um empate de 1 x 1 no primeiro jogo o River levou a vantagem por decidir em casa e venceu a partida de volta por 3 x 1. Com uma equipe consistente e bem organizada, o River Plate é o time que está mostrando o futebol mais convincente da competição, com destaque para sua defesa que tomou somente quatro gols até aqui.

Jogadores do River Plate comemorando o gol sobre o Independiente                                                 Fonte: River Plate

Já o Grêmio, atual campeão da competição, busca o bicampeonato com o mesmo estilo agressivo do ano passado. Na fase de quartas de final massacrou a fraca equipe argentina do Atético Tucumán por 2 x 0 no primeiro jogo e 4 x 0 no segundo. A superioridade do time brasileiro foi tão grande que no jogo da volta, no Brasil, o Tucumán teve apenas 38% da posse de bola e só conseguiu dar um chute ao gol.

Nos jogos entre Palmeiras e Colo-Colo o time brasileiro, que venceu os dois jogos por 2 x 0, também foi extremamente superior à equipe chilena. Com o treinador Luiz Felipe Scolari, o Palmeiras tem se mostrado implacável nos jogos de mata-mata. O verdão tomou apenas um gol na fase eliminatória da competição.

O jogo desta quinta-feira em Belo Horizonte, entre Cruzeiro e Boca Junior irá definir o adversário do Palmeiras na próxima fase. O Boca venceu o jogo da ida por 2 x 0 e pode até perder por um gol de diferença para conquistar a vaga. Já o Cruzeiro, jogando em casa, terá que fazer o seu melhor jogo do ano para derrotar o time argentino. Com um estilo de jogo altamente defensivo e reativo o Cruzeiro vai ter muita dificuldade em se impor na partida.

As semifinais mais prováveis serão entre Grêmio x River Plate e Palmeiras X Boca Juniors, mas mesmo se o Cruzeiro conseguir o feito de conseguir a classificação, serão quatro gigantes da América do Sul disputando o título. Os próximos jogos prometem ser emocionantes.

Foto de Capa: SE Palmeiras