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Leões sub-23: entre a imaturidade e a bipolaridade

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A equipa de sub-23 do Sporting Clube de Portugal tem apresentado exibições que revelam duas coisas: imaturidade e bipolaridade. Basta vermos os resultados desta equipa comandada por José Lima para perceber um pouco melhor estas duas características: em oito jogos disputados na Liga Revelação apresenta quatro vitórias, um empate e três derrotas. É capaz de ganhar cinco bolas a uma à Académica em Coimbra e perder, na jornada seguinte, quatro a zero contra o Guimarães em casa; é ainda capaz de ganhar quatro a um ao Portimonense em casa e perder cinco a dois em Vila do Conde contra a formação rioavista.

Esta inconstância nos resultados espelha uma equipa que ainda se está a encontrar: falta, sobretudo, consolidar processos e filosofias de jogo, afinações táticas essenciais nos momentos de transição ofensiva e defensiva e crescimento ao nível do grupo de trabalho.

Contudo, esta imaturidade e bipolaridade registada não compromete a qualidade dos seus jogadores. Dois elementos da formação têm participado inclusivamente com assiduidade nos treinos do plantel principal. Falo do guarda-redes Diogo Sousa e do médio Daniel Bragança. E, o jornal O Jogo, na sua edição online do dia 19 de setembro, informa que José Peseiro integrou nos treinos da equipa principal leonina o campeão europeu de sub-19 Miguel Luís.

Marco Túlio tem sido um dos destaques do Sporting Sub-23 apesar da irregularidade da equipa
Fonte: Sporting CP

Mas uma equipa é muito mais do que um conjunto de jogadores. Esta é uma verdade tão certa como dois mais dois serem quatro. Este Sporting sub-23 até pode ter jogadores de elevado recorte técnico, capazes do deslumbramento e da irreverência dos jogadores jovens. Mas falta-lhe alma coletiva, uma Gestalt onde se perceba claramente que o grupo está além das individualidades.

Se nos lembrarmos que esta equipa de Sub-23 surgiu para substituir a equipa B dos Leões (que vinha a registar maus resultados) então devemos exigir a estes jovens leões muito mais do que aquilo que a equipa B fez no passado e do que aquilo que eles próprios estão a fazer. E acho que exigir isso não é pedir muito pois a qualidade dos jogadores, essa, está lá toda. Tão verdade como dois mais dois serem quatro.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Sporting CP 1-4 FC Porto: Porto chega ao “Tri” na Supertaça

A nova temporada de hóquei em patins português começou tal como acabou a anterior, ou seja, com o Porto a levantar um trofeu. Se em julho os dragões conquistaram a sua terceira Taça de Portugal consecutiva, na tarde deste domingo, foi a vez de vencerem a Supertaça António Livramento pelo terceiro ano seguido. Perante um pavilhão municipal da Mealhada quase lotado, os azuis e brancos mostraram estar uns furos acima do Sporting, tendo derrotado o atual campeão nacional por 4-1.

O Porto entrou forte e nos instantes iniciais esteve quase a abrir o marcador. Reinaldo Garcia, com uma iniciativa individual, apenas não abriu o ativo porque o ferro e o poste direto da baliza de Girão não lhe permitiram. Os leões responderam e através de lances de Caio e Vítor Hugo, também não conseguiram marcar. 

Nem estavam ainda disputados cinco minutos de jogo e após uma perda de bola numa saída para o ataque por parte de Ferran Font, Hélder Nunes ficou perto de marcar. No entanto, Girão, com duas belíssimas intervenções, negou o golo e uma assistência ao capitão dos azuis e brancos. Minutos depois, numa situação idêntica à anterior, Reinaldo Garcia recuperou o esférico na defensiva dos leões e perante a oposição de Girão, o experiente jogador argentino colocou a “redondinha” em Rafa que, com a baliza deserta, fez o 1-0 para o Porto.

Com problemas a nível defensivo, Paulo Freitas reagiu e fez entrar João Pinto e Matías Platero. Mesmo assim, o conjunto portista continuava por cima e a dispor de várias chances para avolumar o marcador.

Após uma entrada algo em falso na Supertaça, o Sporting conseguiu organizar-se e equilibrar a partida. Contudo, apesar da melhoria registada no âmbito defensivo, quando em posse, os leões não conseguiam entrar no quadrado dos dragões e, por sua vez, incomodar Nelson Filipe.

A cerca de cinco minutos para a pausa, um desentendimento no ataque entre dois jogadores do Porto, lançou um contra-ataque bastante perigoso do Sporting que, somente por alguns milímetros, não resultou em golo.

Nos últimos momentos do primeiro tempo, João Pinto arrancou para iniciativa individual e, por pouco, não ofereceu o golo a Raul Marín ou a Toni Pérez. 

Finalizado o primeiro tempo, o Porto estava em vantagem por 1-0. Diferença aceitável, visto que, os azuis e branco haviam sido a melhor equipa em pista durante os vinte e cinco minutos iniciais, tendo criado muito mais oportunidades para marcar e estado organizados a defender. Naquela que foi uma primeira metade disputada um baixo ritmo e nem sempre bem jogada, o Sporting começou mal, mas acabou bastante melhor. Restava saber se a melhoria se iria continuar a verificar no regresso dos balneários. 

Reinaldo Garcia voltou a ser uma peça fundamental no jogo portista
Fonte: FC Porto Sports

A segunda parte teve um começo animado e nem quando ainda nem estavam jogados dois minutos, Porto cometeu a sua 10ª falta. Ferran Font, chamado à marcação do livre-direto, não desperdiçou e com uma bola rasteira por entre as pernas de Nelson Filipe, repôs a igualdade. De seguida, surgiu a 10ª falta do Sporting. Hélder Nunes, um dos especialistas do Porto, foi o escolhido para a conversão do livre-direto, mas não conseguiu bater Girão, que travou a stickada direta do capitão portista.

Ultrapassada a fase dos livres-diretos, o encontro manteve o equilíbrio do primeiro tempo, mas a ser disputado uns quantos furos acima. 

Em cima da marca dos sete minutos da segunda parte, um novo erro da defensiva verde e branca resultou em mais um golo dos dragões. Reinado Garcia, quem mais, serviu Hélder Nunes e o número setenta e oito dos dragões não falhou e stickou para o fundo das redes, fazendo o 2-1. 

Novamente em desvantagem, o Sporting reagiu e foi à procura de repor a igualdade. No entanto, foi o Porto a dispor de uma nova grande oportunidade, devido à 15ª falta leonina. Giulio Cocco foi o escolhido para a marcação do livre-direto, mas apesar de ter tentado deitar Girão, o guarda-redes português levou a melhor perante o jovem italiano. No seguimento do lance, Poka teve uma enorme oportunidade para fazer o terceiro, mas Girão, por mais uma vez, realizou uma enorme intervenção e negou o golo ao jogador do Porto. Volvidos alguns instantes, Hélder Nunes surgiu numa zona frontal à baliza do Sporting e ao tentar stickar, levou um toque de Henrique Magalhães para cartão azul. Desta feita, foi Gonçalo Alves a tentar converter o livre-direto, mas Girão voltou a negar o balançar das redes da sua baliza.

Em situação de superioridade numérica, o Porto beneficiou de um penalti, devido a uma falta de Font sobre Reinaldo Garcia. Gonçalo Alves foi o escolhido por Cabestany para marcar a grande penalidade e com uma stickada fortíssima não deu qualquer chance a Girão e fez o 3-1. Pouco depois, Poka, isolado diante de Girão após ter tirado o esférico a Marín, ficou muito perto do quarto. Instantes depois, surgiu a 15ª falta do Porto. Font voltou a ser selecionado para a marcação do livre-direto, mas nesta ocasião, Nelson Filipe conseguiu travar a vontade do espanhol.

Já com menos de dez minutos para fim, Hélder Nunes viu um cartão azul por protestos, após ter sofrido uma falta de Raul Marín junto à tabela de fundo atrás da baliza leonina.

A dispor de uma nova situação de superioridade numérica, o Sporting carregou na procura de reduzir o marcador, mas apesar de ter conseguido incomodar Nelson Filipe em algumas ocasiões, não conseguiu marcar.

O Sporting não baixou os braços e com cerca de cinco minutos para se jogar, após uma recuperação de Marín no meio campo defensivo dos leões, João Pinto esteve quase a reduzir o marcador, mas Nelson Filipe, com uma grande defesa, negou o segundo tento dos verde e brancos.

A faltarem quatros minutos para se jogar, Raul Marín viu um cartão azul por ter cometido uma falta sobre Reinaldo Garcia. Hélder Nunes regressou à marca do livre-direto, mas voltou a não conseguir bater Girão que, com o capacete, impediu o quarto tento portista.

Por mais uma vez em situação de powerplay, o Porto, em vantagem, conseguiu aproveitar o homem extra que tinha em pista e num lance de contra-ataque, Hélder Nunes apontou o 4-1 e, praticamente, sentenciou o encontro. 

Já com menos de um minuto para se jogar, Gonçalo Alves cometeu uma falta para grande penalidade sobre Matías Platero. Toni Pérez foi o eleito para a marcação da grande penalidade, mas acabou por stickar ao lado. Pouco depois, surgiu a 20ª falta do Sporting. Gonçalo Alves voltou a assumir a responsabilidade, mas, por mais uma vez, não conseguiu marcar. Passados alguns momentos, Toni Pérez viu um cartão azul depois de uma falta cometida sobre Reinaldo Garcia. Poka, que esta tarde defrontou o seu irmão Caio, teve uma grande chance para colocar o seu nome na ficha dos marcadores, mas acabou por, também, stickar ao lado.

Assim, pelo terceiro ano consecutivo, o Porto conquistou a Supertaça António Livramento, a 22ª do clube, tendo ainda mantido o registo de vitórias quando encontra o Sporting nesta competição. Vitória justa e que poderia ter sido por um resultado bem diferente, não tivesse o conjunto portista desperdiçado vários livres-diretos. Desta maneira, os dragões mantêm os sinais positivos demonstrados no passado fim de semana, aquando da participação na Taça Continental, ao passo que o Sporting esteve longe daquilo que pode e vai demonstrar ao longo do campeonato que começa já no próximo fim de semana. 

Sporting CP: 61-Ângelo Girão (GR), 4-Ferran Font, 8-Caio, 30-Vítor Hugo e 88-Henrique Magalhães

Jogaram ainda: 16-João Pinto (CAP.) 17-Matías Platero, 27-Raul Marín e 57-Toni Perez

FC Porto: 10-Nelson Flipe (GR), 9-Rafa, 57-Reinaldo Garcia, 77-Gonçalo Alves e 78-Hélder Nunes (CAP.)

Jogaram ainda: 5-Telmo Pinto, 7-Giulio Cocco e 18-Poka

Márquez a caminho do título mundial

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O Mundial de motociclismo viajou, este fim-de-semana, até à Tailândia naquele que é o primeiro grande prémio da gira asiática antes do final da temporada. 

Na classe rainha, Marc Márquez (Honda) voltava à ‘pole position’ e a liderar a grelha de partida para a corrida deste domingo; já Jorge Lorenzo decidiu não competir depois de uma forte queda nos treinos livres de sexta-feira. Durante as primeiras voltas, Valentino Rossi (Yamaha) levou a melhor sobre os rivais diretos: Marc Márquez e Andrea Dovizioso (Ducati). 

Mas a verdade é que o piloto italiano da Yamaha continua com problemas na sua M1, e acabou por perder a liderança da corrida após uma ultrapassagem de Andrea Dovizioso e Marc Márquez. O grupo da frente era bastante compacto e nenhum dos três primeiros conseguiu distanciar-se do resto do pelotão, ainda que a luta pela vitória estivesse reservada, mais uma vez, a dois pilotos.

À semelhança dos últimos grandes prémios, a corrida deste fim-de-semana foi pouco animada. A luta pela vitória entre Marc Márquez e Dovizioso só começou quando faltavam quatro voltas para a bandeirada de xadrez. 

Dovi e Márquez num duelo épico
Fonte: MotoGP

Os pilotos trocaram várias vezes de posições, com o italiano da Ducati a levar a melhor sobre o espanhol Márquez, que se mostrou bastante calmo ao longo da corrida. Pelo terceiro lugar, andava Maverick Viñales que também tentou dar o ar da sua graça e intrometer-se na luta pela vitória mas sem qualquer sucesso. 

Marc Márquez e Andrea Dovizioso guardaram o melhor para o final da corrida e travaram, mais uma vez, um duelo de outro mundo. Num jogo de ultrapassagens, o piloto da Honda acabou por levar a melhor sobre o italiano na última curva antes da recta da meta e alcançou mais uma vitória neste mundial de motociclismo. Maverick Viñales fechou o pódio deste grande prémio.

Márquez voltou a mostrar a sua estratégia: estudou o adversário ao longo da corrida e atacou o primeiro lugar, apenas nas últimas voltas da corrida. O espanhol lidera o mundial com 271 pontos, seguido de Dovizioso com 194 pontos. 

Oliveira continua na luta pelo título de campeão
Fonte: Red Bull KTM Ajo

Na categoria de Moto2, o português Miguel Oliveira voltou a dar que falar e a proporcionar mais uma corrida bem ao seu estilo: luta intensa com os adversários até ao final. Oliveira alcançou o terceiro lugar na Tailândia após um duelo épica com ‘Pecco’ Bagnaia, e acabou a lutar pela segunda posição na última curva com Luca Marini. Bagnaia venceu mais uma corrida e reforçou a liderança no mundial.

Foto de Capa: Moto GP

Portimonense SC 4-2 Sporting CP: Portimonense tomba fraco Sporting

Após a vitória sofrida e suada na passada quinta-feira, na Ucrânia, com golos já a surgir na fase de descontos da segunda parte, o Sporting deslocou-se neste domingo ao Algarve, para defrontar o Portimonense, num jogo a contar para a sétima jornada da Liga NOS. Após já ser conhecido o resultado do clássico que opôs Benfica e Porto, onde os encarnados levaram a melhor sobre os azuis e brancos, o Sporting sabia que em caso de vitória ultrapassavam o Porto na tabela classificativa, ficando com um ponto de vantagem e apenas a um ponto dos líderes Benfica e Braga.

José Peseiro fez algumas mexidas nos escolhidos para esta partida, com principal destaque para o internacional português Nani, que deu o seu lugar a Jovane Cabral. No entanto, o Sporting voltou ao seu onze que nesta fase parece ser o seu onze tipo, com o regresso de Rodrigo Battaglia para o miolo, jogando ao lado de Gudelj, relegando Petrovic para o banco de suplentes. Acuña regressou à lateral esquerda, saindo Jefferson e Raphinha entrou para o lado direito, deixando Carlos Mané de fora. Diaby deu o seu lugar a Fredy Montero.

Na equipa de Portimão liderada por António Folha, o destaque foi para a titularidade do colombiano Jackson Martinez, juntamente com um onze bastante ofensivo com homens como Nakajima, Bruno Tabata e Paulinho, dando a ideia de que o Portimonense não iria jogar apenas para o empate.

Os primeiros quinze minutos foram de alguma expectativa mas apesar disso as duas equipas tentaram sempre trocar a bola de pé para pé e com alguma velocidade. O Sporting naturalmente foi tendo mais bola, mas sem conseguir criar um lance de perigo flagrante. O Sporting procurava construir jogo através do seu miolo, com Battaglia e Gudelj com intenções mais ofensivas, dando liberdade para os seus defesas laterais subirem bastante no terreno. Do outro lado, Nakajima, Paulinho e Bruno Tabata são os homens que desde cedo tentaram pegar no jogo do Portimonense. Um jogo sem registo de muitos remates, mas com bom futebol e com boas ideias de jogo, onde os jogadores mais criativos e com maior influência iam tentando aparecer.

Só perto dos vinte minutos de jogo é que se deu o primeiro lance de maior perigo e foi por parte do Sporting. Bruno Fernandes cobrou um livre direto sobre o lado esquerdo do ataque leonino, mas a bola saiu algo torta e fraca, indo diretamente à malha lateral.  Aos 26 minutos foi a vez do Portimonense criar perigo. Bruno Tabata finta Acuña deixando o argentino para trás, coloca depois a bola na área e com muito perigo, Coates desviou a bola pela linha de fundo. O Portimonense tem vindo a ameaçar sobretudo por parte de Paulinho e Tabata, deixando para o nipónico Nakajima o acelerar do jogo do Portimonense, por terrenos mais interiores e a procurar jogar entrelinhas do Sporting.  Ao minuto 30 chegou finalmente o golo na partida e dos algarvios. A equipa de António Folha já tinha ameaçado nos últimos minutos e após boa jogada de entendimento do lado esquerdo, Wilson Manafá – jogador que já representou o Sporting – deixou o seu adversário direto para trás com uma finta de corpo e num belo remate colocou o Portimonense na frente do marcador, com um remate ainda a embater no poste esquerdo da baliza defendida por Salin.

O Portimonense nunca baixou as suas linhas, mas tentou jogar mais no erro adversário e sair em contra-ataque rápido. O Sporting procurava chegar ao empate, numa situação idêntica ao jogo para a Liga Europa, onde se viu em desvantagem desde cedo, mas sem sucesso. André Pinto aos 37 minutos após livre cobrado por Bruno Fernandes e uma saída em falso do guarda-redes da casa, tenta cabecear para a baliza, mas a bola saiu ligeiramente ao lado, muito perto do poste.

Aos 44 minutos na melhor jogada do encontro, o Portimonense aproveita a passividade leonina e coloca os leões ainda com menos reação e numa situação ainda mais delicada. Uma jogada que começa no meio-campo defensivo dos Algarvios, numa excelente jogada coletiva, Manafá serve o nipónico Nakajima que num excelente remate colocado à entrada da área sem hipótese de defesa para Salin. 2-0 para o Portimonense mesmo em cima do intervalo. Entretanto o guarda-redes Salin foi substituído por Renan Ribeiro após ficar maltradado no lance do golo.

Intervalo no Algarve e os leões a precisarem novamente de um milagre para não saírem derrotados na partida. Uma vantagem justa, da que foi claramente a melhor equipa até ao intervalo. Sempre com mais critério, quer ofensiva quer defensivamente e a conseguir anular completamente o adversário, sobretudo a partir dos 20 minutos de jogo, onde o ascendente caseiro começou a surgir.

Salin teve que ser substituído após o segundo golo
Fonte: Liga Portugal

Para a segunda parte, José Peseiro lançou Nani em troca com Raphinha que hoje esteve algo desinspirado, juntamente com Bruno Fernandes e Jovane, fazendo com que o futebol dos leões tivesse sido previsível e pouco dinâmico. Aos 51 minutos, surge o melhor de Bruno Fernandes e que tardou em aparecer esta época. No flanco esquerdo do ataque leonino, flete para dentro e dispara um remate forte ao canto superior esquerdo da baliza e a bola passa a rasar o poste, naquele que seria o golo da noite e certamente dos melhores da Liga.

À passagem do minuto 60 mais uma boa oportunidade de golo para o Sporting, provavelmente a melhor do encontro por parte do conjunto de Alvalade. Combinação no ataque esquerdo leonino, Bruno Fernandes cruza ao segundo poste e Jovane Cabral com a hipótese de encostar falha escandalosamente o alvo. Com a equipa algo nervosa e a falhar muitos passes, eis que chega um novo ânimo para os leões. Após uma jogada de insistência por parte de Acuña, este combina com Nani que junto à linha final descobre Montero na pequena área e o colombiano solto de marcação, só teve de encostar para golo, reduzindo para 2-1 o marcador, quando o relógio marcava 63 minutos. Aos 68 minutos, Montero tenta isolar Gudelj que após desentendimento da defensiva caseira, surge isolado na cara do guarda-redes Leonardo, mas este consegue fazer a mancha e evitar aquele que seria o golo do empate. A pressão do Sporting ia aumentando, com esperança de ainda chegar ao empate.

Apesar da tentativa do Sporting em chegar ao empate as situações que foram surgindo eram sem nexo e em desespero de causa. Peseiro não arriscava e o resultado ia-se arrastando até final. Já ao minuto 82, novamente Nakajima, acabou com as esperanças leoninas na partida. Na sequencia de um canto, à entrada da área aproveitou para rematar sem hipótese de defesa para Renan, fazendo o 3-1 e o segundo golo na conta pessoal. Posto isto, alguns adeptos do Sporting começaram a abandonar o estádio descontentes com a exibição da sua equipa e sabendo que o Sporting estaria assim a deixar fugir o comboio dos líderes.

Perto do cair do pano, Nani que foi o homem mais neste Sporting e que jogou apenas 45 minutos, descobre Coates na área com um cruzamento certeiro e o central do Sporting, em dia de aniversário, consegue reduzir o marcador para 3-2 com um cabeceamento indefensável ao primeiro poste. Já com a equipa leonina balanceada toda para o ataque em desespero de causa, o Portimonense no contragolpe consegue fazer o 4-2 final numa jogada toda ela conduzida por João Carlos após assistência de Nakajima, batendo Renan Ribeiro num remate colocado ao canto inferior.

O Sporting desperdiçou a hipótese de vitória e de chegar aos lugares cimeiros, somando a sua segunda derrota no campeonato e a sua segunda derrota – consecutiva –  fora nesta edição da Liga NOS, estando já a 4 pontos do primeiro lugar. O Portimonense alcança os 7 pontos e salta na tabela classificativa para um mais tranquilo 13º lugar.

Onzes iniciais:

Portimonense S.C. : Leonardo Navacchio, Vítor Tormena, Lucas Possignolo, Rúben Fernandes, Wilson Manafá, Lucas Fernandes, Pedro Sá (Marcel 58’), Paulinho (Dener 68’), Tabata, Nakajima, Jackson Martinez (João Carlos 84’)

Sporting CP: Salin (Renan 45+3’), Ristovski, Coates, André Pinto, Acuña, Battaglia, Gudelj, Bruno Fernandes, Jovane Cabral (Diaby 83’), Raphinha (Nani 46’), Montero

SL Benfica 1-0 FC Porto: Vitória deselegante que agrada à “Reconquista”

No primeiro Clássico da Primeira Liga 2018/2019, o Benfica venceu em casa o Porto por 1-0, naquele que foi o primeiro triunfo de Rui Vitória frente aos azuis e brancos. Vindos ambos de triunfos europeus a meio da semana, Águias e Dragões queriam vencer para aproveitar da melhor forma o empate do líder Sporting de Braga no dia anterior, e assim ficar no topo antes da pausa para as seleções.

Face aos onzes apresentados nos compromissos europeus, Rui Vitória mudou apenas duas peças: Lema e Gabriel foram titulares nos lugares de Conti (expulso na jornada anterior, frente ao Desp. Chaves) e Gedson, respetivamente. Já Sérgio Conceição, só fez uma alteração, com Tiquinho Soares a atuar de início, relegando Jesús Corona para o banco de suplentes.

O jogo começou a um ritmo algo lento, com os dois conjuntos a estudarem-se mutuamente durante os primeiros 20 minutos, daí que não tenha havido grandes oportunidades nas duas balizas. Durante esse período, o foco esteve sobretudo no árbitro Fábio Veríssimo, que ia tentando manter o controlo da partida algo dura e com elevadas interrupções, devido às faltas cometidas pelos jogadores das duas equipas.

O primeiro lance de perigo surgiu ao minuto 22 para os visitantes: Soares, descoberto nas costas da defesa encarnada por Herrera, rematou às malhas laterais da baliza de Vlachodimos. O Porto ia tendo mais facilidade em chegar à área contrária, fazendo uma boa circulação de bola e aproveitando a velocidade de Marega e Soares, perante um Benfica que se limitava a bater a bola para a frente, em busca de encontrar Seferovic, que estava quase sempre desposicionado.

A única ocasião para o conjunto caseiro surgiu perto do intervalo, por intermédio de Seferovic, que, isolado com Casillas, atirou a bola ao lado, mas o avançado suíço estava fora-de-jogo. Com tão poucos lances dignos de registo, foi sem surpresas que o Clássico chegou ao tempo de descanso com um nulo no marcador.

O jogo foi empatado a zero para o intervalo
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O segundo tempo iniciou-se sem mudanças táticas nos dois lados, mas não demorou muito até surgir a primeira: Sérgio Oliveira foi lançado em campo ao minuto 51, para o lugar de Otávio. O primeiro lance de perigo da segunda parte surgiu ao minuto 60, com Gabriel a rematar à entrada da área para uma bela defesa de Iker Casillas. O aviso foi dado para o aconteceria dois minutos depois: Seferovic, isolado com um cabeceamento de Pizzi, bateu o guardião portista e fez o 1-0 na Luz.

O golo abriu mais o jogo, e Sérgio Conceição decidiu arriscar e mudou a sua estratégia de jogo ao minuto 69, e colocou Corona a fazer o lado direito dos Azuis e Brancos, no lugar de Maxi Pereira. Na sequência de um canto, Danilo teve perto de fazer o golo do empate, mas o seu cabeceamento saiu desviado da baliza de Vlachodimos. Rui Vitória percebeu que era importante tapar os caminhos da sua baliza, daí que tenha optado por meter Alfa Semedo no jogo, para o lugar de Pizzi para os últimos 10 minutos do encontro.

Mas o pior para o Benfica surgiria depois: na estreia a titular, Lema viu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Terceiro jogo consecutivo em que as Águias terminam o jogo sem a equipa completa em campo.

O Porto carregou no acelerador em busca do empate, e voltou a estar perto ao minuto 85, por Brahimi, que num remate em arco, fez a bola passar junto ao poste direito da baliza adversária.

Até final, nota para entrada de Samaris para ajudar na missão de defender a vantagem mínima, e com o Porto a fazer de tudo para chegar ao tento que desse o empate, mas sem sucesso.

O Benfica acabou por vencer o Porto pela margem mínima, mesmo sem convencer, mas o importante são os três pontos. Com este resultado, os comandados de Rui Vitória saltam de novo para o topo da liderança, em conjunto com o Sporting de Braga. Já o Porto sofreu a segunda derrota no campeonato, o mesmo número do campeonato anterior.

Onzes Iniciais

SL Benfica: Vlachodimos; André Almeida; Rúben Dias; Lema; Grimaldo ; Fejsa; Gabriel; Pizzi (Alfa Semedo 80’); Cervi (Rafa Silva 57’); Salvio; Seferovic (Samaris 90’)

FC Porto: Casillas; Maxi Pereira (Jesús Corona 69’); Felipe; Éder Militão; Alex Telles; Danilo Pereira; Otávio (Sérgio Oliveira 51’); Herrera; Brahimi; Moussa Marega; Tiquinho Soares (André Pereira 75’)

5 heróis do FC Porto em Clássicos

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Quem não gosta de um herói? No futebol, eles também existem e são eles que conseguem fazer a diferença quando mais ninguém é capaz de o fazer. Nesta lista reunimos cinco heróis que nos últimos anos foram autênticas dores de cabeça para o SL Benfica.

Heróis mais sonantes do que outros e golos marcados em momentos diferentes do jogo, mas todos com um traço em comum: todos heróis que entraram na história por marcar ao eterno rival.

Finalmente chegou o Clássico

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Chegou o primeiro clássico dos três grandes. Chegou o grande clássico do futebol português. Chegou, ou está quase a chegar, o clássico que coloca frente a frente o Sport Lisboa e Benfica com o Futebol Clube do Porto para o campeonato nacional.

A Liga NOS recebe na sétima jornada o jogo mais esperado das últimas jornadas. Numa disputa pelo primeiro lugar, o Benfica regressa a casa para regressar às vitórias no campeonato e o Porto vem a Lisboa para conquistar a quarta vitória consecutiva e manter a pressão existente com o Sporting de Braga.

Não se antevê uma partida fácil para nenhum dos dois adversários. O Benfica vem de um empate frente ao Desportivo de Chaves numa partida onde o Benfica fez dos piores jogos dos últimos tempos. Além da má exibição, o Benfica ficou refém de dois centrais que vão falhar a recepção ao campeão nacional. Jardel saiu lesionado na primeira parte e só regressará daqui a algumas semanas e Conti acabou por ser expulso na reta final da partida. Assim sendo, e com a reforma de Luisão, Rui Vitória terá que apostar ou em Lema, ou em Ferro, ou numa adaptação de última hora: já vimos Fejsa a fazer essa posição e Samaris também já dividiu em tempos a defesa com Lindelof.

A meu ver, a melhor escolha, é a adaptação de Samaris a central, mas teremos de esperar pela hora do jogo para ver qual a decisão do técnico português. Ausente do clássico, do lado portista, é de Aboubakar. O ponta de lança africano foi operado ao joelho e está ausente dos relvados cerca e seis meses. Uma ausência que deixa o Benfica “um pouco” mais descansado pois o camaronês era um autêntico perigo para uma defesa frágil como a encarnada.

Jonas, o homem golo do Benfica que raramente marca em jogos grandes. Que esta partida seja dele e que se destaque na hora de fazer abanar as redes da equipa portista
Fonte: SL Benfica

Como tem sido os anteriores clássicos, estas duas equipas costumam proporcionar bonitos momentos de futebol. Contudo, o Futebol Clube do Porto costuma ser a equipa mais ofensiva, mas mais segura defensivamente, muito devido ao esquema tático. O Porto, ofensivamente, joga num esquema tático de 4-4-2 mas na altura de recuar no terreno joga em 4-3-3 com Otávio a fechar o centro do terreno.

O Benfica, agora com Gabriel, acabou por mudar um pouco a forma de trabalhar o meio-campo. Pizzi voltou a ser o homem mais ofensivo e Gabriel, muitas vezes, é o homem que recua no terreno e poderá dar apoio a Fejsa, nesta difícil partida. No ataque encarnado, Rui Vitória pode apostar em tantas escolhas que é difícil antever quem vão ser os três mais ofensivos. Do lado Portista a certeza é que Marega será o avançado mais móvel e a meu ver mais perigoso para a defesa encarnada. A sua velocidade, a facilidade com que pode aparecer em zonas de decisão ou desequilíbrio fazem dele uma peça fundamental do ataque azul e branco.

Espera-se um clássico cheio de espetáculo futebolístico e com a vitória da equipa encarnada para juntar-se a FC Porto e SC de Braga na luta pela primeira posição do campeonato nacional.

Foto de Capa: SL Benfica

Eden faz da Premier League o seu Jardim

«Tem a capacidade de chegar ao nível de Ronaldo e Messi? Agora, digo que sim, porque tem tido uma grande evolução». Era isto que José Mourinho, então treinador do Chelsea FC, dizia sobre Eden Hazard em 2014. Desde aquele ano, a sombra destas afirmações tem pairado sobre o extremo belga. Com cada má exibição vêm umas dezenas de comentários a questionar a sua capacidade de chegar às alturas de “CR7” e “LM10”. Além da sua habilidade futebolística, também o seu profissionalismo é colocado em causa. Mas, em 2018/2019, Eden está a mostrar ao mundo que merece ser considerado um dos melhores do planeta.

Vindo de uma família de futebolistas, com pai e dois irmãos mais novos (Thorgan e Kylian, ambos no Chelsea FC) ligados ao desporto, Eden é um extremo diminuto com uma capacidade de drible fora do comum. Tendo chegado ao Chelsea em 2012, vindo do OSC Lille,  desde cedo se afirmou como a figura principal dos blues. Ao longo da última metade de década, tem espalhado magia pelos relvados, mas tem-no feito de forma irregular. Há que realçar a época de 2015/2016, de má memória para o Chelsea e para o belga. O clube de Stamford Bridge, embrenhado numa guerra civil entre treinador (José Mourinho) e jogadores, passou o Natal na zona de despromoção e acabou a época em décimo lugar. Já Hazard marcou apenas quatro golos em 31 partidas. Só nesta época, ao fim de sete jogos, já vai com… seis golos. Retirando esta campanha anómala, observamos que, desde 2013/2014, o extremo marcou sempre mais que 12 golos na liga inglesa. Ainda assim, quando comparamos estas estatísticas com as de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, percebemos que há uma grande distância.

Hazard e o seu toque de bola característico
Fonte: Chelsea FC

E a que se deve isto? Segundo Stan Collymore, ex-jogador do Liverpool, é a uma falta de ambição do próprio e de quem o rodeia. “No seu melhor, é um sonho vê-lo (…) mas podia ser muito mais”. “Se está em forma, joga. Não tem ninguém a puxar por ele na equipa, a obrigá-lo a resolver sempre e não apenas às vezes.”

Esta opinião é congruente até com as intervenções de Eden fora do campo. É tido como um atleta geralmente descontraído, com uma ou outra piada sempre pronta a sair. Naturalmente, o caráter do jogador não é critério para avaliar o seu desempenho no relvado. Mas é interessante ver como esta atitude acaba por se refletir quando Eden tem uma bola nos pés. Joga, sobretudo, para se divertir. Isso é patente quando, tendo duas ou três linhas de passe, prefere enfrentar três ou quatro jogadores da equipa adversária. O seu extraordinário golo contra o Liverpool, no jogo a contar para a Taça da Liga, é um exemplo primordial disto mesmo. Ao analisar a jogada, percebemos que, em pelo menos três ocasiões, Hazard podia ter libertado o esférico. Até quando passa a um colega, no caso Cezar Azpilicueta, corre imediatamente para a ala (quando o mais lógico seria furar pelo meio) para pedir a bola de volta. Porque é isso que Hazard quer: a bola colada às chuteiras. E mostrou o que pode fazer com ela, ao marcar um dos melhores golos individuais do ano.

Hazard, de facto, tem tido muitas razões para sorrir esta época
Fonte: Chelsea FC

Isto é Eden no seu melhor. E, com golos como este, é difícil não compreender a afirmação de Mourinho logo no início deste texto. Se tivesse perdido a bola para Naby Keita ou para Dejan Lovren, estaríamos a falar de um excesso de individualismo. Mas a sorte será sempre um fator no futebol. E ela parece estar do lado de Eden.

A boa fortuna, porém, não é tudo. Em 2018/2019, o belga parece mais focado que nunca. Está a ter o seu melhor arranque de época de sempre, após um Mundial igualmente positivo. Já muito se falou da forma como Maurizio Sarri, novo treinador do Chelsea FC, está a mudar o clube.

Ainda será abordado o papel preponderante que Sarri tem para Eden nesta nova tática. E talvez seja disso que Hazard precisa. De alguém que o potencie e que o motive. Se continuar o seu fantástico momento de forma, poderemos muito bem ver outro baixinho com cola nas chuteiras na próxima cerimónia The Best da FIFA.

Foto de capa: Premier League

O Clássico que mais me marcou: SL Benfica 2-0 FC Porto (2013/2014)

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Domingo, 12 de Janeiro de 2014. Passava, exactamente, uma semana desde o falecimento de Eusébio da Silva Ferreira, figura mítica e incomparável do Sport Lisboa e Benfica. O País e a Nação Benfiquista ainda digeriam o desaparecimento de um dos maiores nomes do Futebol português e já um Clássico entre Águias e Dragões se aproximava. O Estádio da Luz seria palco de um dos jogos mais emocionantes da época desportiva, com a adição de ser o primeiro jogo que o SL Benfica disputaria depois do desaparecimento da sua lenda.

Toda a gente sabia de antemão que o jogo seria disputado sob uma elevadíssima carga emocional, principalmente por parte dos Benfiquistas. Lembro-me que nessa manhã, ao acordar, já só desejava que a hora do jogo chegasse. Mais do que o habitual, sentia o SL Benfica nas veias; a cada pulsação, o meu coração parecia dizer o nome de Eusébio. Só queria ir para o Estádio. A hora do jogo aproximava-se e fiz-me à estrada. Numa carruagem do metro completamente lotada ouvia-se: “SLB SLB SLB SLB SLB, GLORIOSO SLB, GLORIOSO SLB!”.

Cantávamos todos, em uníssono. Saímos no Colégio Militar/Luz e começámos a caminhada rumo à imponente Catedral. Enquanto atravessava o túnel de acesso ao Estádio, via um menino de 5/6 anos a ir de mão dada com o seu pai. Admirei aquela imagem. Via a satisfação e a curiosidade do petiz, olhando para aquelas paredes vermelhas onde podiamos contemplar figuras como Ángel Di Maria, Óscar Cardozo ou Axel Witsel – heróis que, muito provavelmente, fizeram com que aquele menino se apaixonasse pelo Manto Sagrado. Passei por eles e este olhou para mim. Sorri-lhe e fiz-lhe um “fixe”, enquanto dizia “Força, Benfica”. Ele baixaria os olhos, envergonhado, mas sorrindo ao mesmo tempo. O pai sorria para mim, orgulhoso.

Entrei no Estádio. Ao passar os torniquetes, visualizei do lado de lá as bancadas gloriosas e o nosso bonito relvado. Subia as escadas, enquanto escutava o barulho que vinha de dentro do recinto. Atravessei o corredor, subi o pequeno lance de escadas e contemplei, finalmente, aquele palco maravilhoso que é o nosso Estádio da Luz. Como esperado, a atmosfera estava emocionalmente pesada.

Os ecrãs passavam imagens de Eusébio. O SL Benfica jogava, mas ao contrário de um dia normal aquele dia não era de festa. Sorrisos e festejos estariam guardados para o final, caso conseguissemos dar a vitória ao nosso Rei. Os rostos estavam fechados e havia lágrimas nos olhos daqueles que, durante tantos anos, viram um Eusébio cheio de vida e força. As crianças – como aquela com que me cruzei no túnel –, agarravam-se aos braços dos seus pais e das suas mães, sem perceber bem o que ali se passava; afinal de contas, para elas, era mais um dia em que iam ao estádio ver o SL Benfica.

“Eu sou Benfica e vou morrer Benfica” – uma frase de Eusébio da Silva Ferreira que ficou para sempre na memória de todos e que foi lembrada neste inesquecível Clássico
Fonte: SL Benfica

O SL Benfica entraria para este jogo com o seguinte 11 inicial: Jan Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Ezequiel Garay, Guilherme Siqueira, Nemanja Matić, Enzo Pérez, Lazar Marković, Nico Gaitán, Lima e Rodrigo. Apresentar-nos-iamos com o nosso 11 mais forte e aquele que iria homenagear o Rei, ao entrar em campo com o nome de Eusébio nas costas. Seria o jogo que ficaria para sempre na História como “ O Jogo dos 11 Eusébios”.

Antes do início da partida, cumpria-se a cerimónia de um minuto de silêncio em memória do “Pantera Negra”. A carga emocional continuava nos píncaros e a adrenalina aumentava a cada segundo que passava. Durante aquele minuto de silêncio, passaram-se anos. Durante aquele minuto de silêncio, Eusébio chegava a Portugal num avião, estreava-se pelo SL Benfica, vencia troféus nacionais e europeus, encantava o Mundo e tornava-se no futebolista encarnado com o maior número de golos de sempre e, talvez, para sempre. Durante aquele minuto de silêncio, não só se passaram 15 anos – o tempo que Eusébio vestiu o Manto Sagrado –, como se passou toda uma vida dedicada ao SL Benfica; fosse como jogador, como membro da equipa técnica ou da comitiva. Foi um minuto de silêncio de décadas; o mais longo da minha vida.

O jogo iniciava-se com a equipa do SL Benfica, naturalmente, por cima. Afinal de contas, jogava em casa e tinha a missão de dignificar o Emblema que o Rei elevou. Aos 12 minutos de jogo, depois de um mau passe de Lucho González, Markovic recuperava a bola no meio-campo Portista e disparava em direcção à baliza de Hélton, numa arrancada que parecia uma recriação dos tempos em que o “Pantera Negra” decidia jogos sozinho. Ao aproximar-se da linha defensiva dos comandados de Paulo Fonseca, viu  uma “aberta” entre Otamendi e Danilo e soltou na profundidade para Rodrigo. O hispano-brasileiro recebeu, encarou Hélton e rematou.

Neste momento, eu agarrava-me à cadeira, de pernas encolhidas e completamente imóvel e em suspenso. Naquela bola rematada por Rodrigo, não ia só a força do remate e o material de que a mesma feita; ia Eusébio, os 62.508 que estavam no estádio e as restantes 6 milhões de almas Benfiquistas. Hélton não foi capaz de a defender; nenhum Guarda-redes neste Mundo seria. GOLO! O estádio explodiu, num grito que fez lembrar o rugido de uma pantera. O SL Benfica encontrava-se na frente do marcador e faria uma primeira parte de grande nível.

Os jogadores souberam honrar a memória de Eusébio; dignficaram o Emblema e pareciam completamente imbatíveis
Fonte: SL Benfica

Na segunda parte, a história do jogo não se alterou. O SL Benfica voltava a entrar por cima e, após mais uma bela arrancada de Markovic, ganharia um canto que seria cobrado no lado direito por Gaitán. No seguimento desta bola parada, o SL Benfica voltaria a ganhar novo canto e a bola não mais dali sairia sem beijar as redes. Desta vez  seria cobrado desde o lado esquerdo, por intermédio de Enzo e para o coração da área, com Garay a aparecer fulminante, antecipando-se a Mangala e Hélton e dizendo “sim” à bola, enviando-a para dentro da baliza que nem um torpedo.

O estádio parecia um vulcão. Os fantasmas estavam vencidos. O FC Porto nem respirava, tamanha era a superioridade do SL Benfica: do tamanho de Eusébio, infinito. Até ao final do jogo, a vantagem poderia ter sido aumentada, tivesse havido mais razão e não tanta emoção. Ainda assim perfeitamente explicável, tendo em conta o contexto em que os jogadores estavam inseridos. O SL Benfica vencia o jogo e Eusébio sorria, junto de nós. No céu de uma tarde de Inverno, viamos reflectido aquele sorriso de menino que será para sempre lembrado.

Em 26 anos de idade, não foram muitas as vitórias que pude assistir do SL Benfica sobre o FC Porto. Mas esta vitória não foi só uma vitória sobre um dos nossos grandes rivais. Esta vitória foi à SL Benfica, saída dos nossos livros de História. Naquele dia 12 de Janeiro de 2014, houve algo que tocou no coração de todos os que estavam presentes naquele estádio. Hoje, recordo este jogo de forma arrepiada e imediatamente me vêem as lágrimas aos olhos. Pelo que vivi, pelo que senti, pelo SL Benfica que estava naquele estádio e em cada um de nós, este foi, sem qualquer dúvida, o Clássico que mais me marcou.

Foto de Capa: SL Benfica

Olheiro BnR – Beto: O Homem do Golo

Para os mais desatentos, Norberto Bercique Gomes Betuncal, ou Beto como é conhecido no mundo do futebol, passa por despercebido. Porém, para todos aqueles que têm o seu foco nos números e nas jovens promessas, o atacante do Olímpico do Montijo é já um bem conhecido.

Contratado ao URD Tires no mercado de Verão, Beto começou a sua caminhada no Campeonato de Portugal da melhor maneira possível: no primeiro jogo para o campeonato, o avançado fez um hat-trick e ajudou a sua equipa a bater o Vasco da Gama da Vidigueira. Foi, portanto, uma estreia maravilhosa para o ex-tirano.

Na jornada seguinte, Beto ficou em branco na vitória por 1-0 frente ao Ferreiras, mas o avançado não demorou muito mais tempo para voltar a festejar. Foi graças a outro hat-trick de Beto que o Olímpico Montijo bateu o Sporting Ideal por três bolas a zero. Substituído aos 78 minutos da partida, o avançando não deu hipóteses aos açorianos e voltou a voar bem alto.

Beto cedo se destacou com os hat-tricks
Fonte: Olímpico do Montijo

Depois disso, o já titular indiscutível desta equipa esteve dois jogos sem faturar: na derrota frente ao Casa Pia por 2-1, em jogo a contar para o campeonato, e na vitória nas grandes penalidades frente ao Rabo de Peixe em jogo a contar para a Taça de Portugal. É de realçar que Beto foi chamado a bater uma das grandes penalidades e não vacilou.

Uma semana depois, Beto voltou aos golos. Apesar de ter saído derrotado frente ao Olhanense, o jogador formado no Tires fez abanar as redes por uma vez. Na jornada seguinte, os golos continuaram e foram mesmo decisivos. Frente ao Redondense, o Olímpico do Montijo conseguiu uma vitória pela margem mínima (1-0) com um golo, adivinhe-se lá, de Norberto.

Houve já mais uma partida, para a Taça de Portugal, e que resultou numa derrota frente ao Casa Pia, mas a verdade é que ninguém em Portugal tem tantos golos nos campeonatos como Beto. O Olímpico do Montijo está em posição de subida, em segundo classificado com quatro pontos de desvantagem do Amora, e em muito tem de agradecer à sua nova estrela: dos 11 golos marcados pela equipa no campeonato, oito são do jovem avançado.

Beto tem, assim, ‘dado cartas’ na sua estreia nos campeonatos profissionais e, se assim continuar, os olheiros vão virar seguidores da mais recente ‘coqueluche’ do Campeonato de Portugal.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro