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CD Santa Clara 4-2 Boavista FC: Osama resolve

Numa tarde de céu algo nublado, o Estádio de S. Miguel, em Ponta Delgada, preparava-se para acolher o duelo entre ‘águias’ e ‘panteras’. Frente a frente, em encontro referente à quarta jornada da Primeira Liga e com início agendado para as 19 horas (18 horas locais), estavam o CD Santa Clara, a equipa da casa, que já contava com dois pontos, e Boavista FC, com quatro pontos.

A primeira parte mostrou-se um jogo muito disputado entre as duas equipas, concentrando-se no meio campo, havendo lugar, porém, para algumas situações de perigo junto de ambas as balizas.

Ao minuto 18, na sequência de um cruzamento bem medido pelo lado direito de Fernando Andrade, Thiago Santana cabeceou para o fundo das redes e inaugurou o marcador. Depois do primeiro golo, a equipa do Boavista sentiu dificuldades em assentar o seu futebol, tendo consequentemente falhado alguns passes.

À passagem da meia hora de jogo, Accioly evita o golo da equipa adversária através de um corte de carrinho e afasta a bola para canto.

Já fora do tempo regulamentar, o Boavista FC restabeleceu a igualdade, por intermédio de Falcone, após um pontapé livre muito bem batido por Rochinha.

A equipa de João Henriques continua a surpreender
Fonte: CD Santa Clara

Após o reatar da partida e decorrido o minuto 50, o Santa Clara voltou a colocar-se em vantagem no marcador, com um golo do brasileiro Fernando Andrade que, assistido pelo compatriota Bruno Lamas, se limitou a encostar para o fundo da baliza defendida por Helton.

Passados cerca de 20 minutos depois do recomeço da partida e numa altura em que o placard registava 3-2 no marcador (resultado favorável à formação do CD Santa Clara), o jogo encontrava-se bastante disputado, com ambas as formações a disporem de oportunidades para se aproximarem da baliza adversária.

Posteriormente, aos 77 minutos do encontro, destaque para uma grande ocasião para a equipa da casa dilatar a vantagem, após um grande cruzamento, pelo lado esquerdo, do recém-entrado Minhoca que era correspondido por um cabeceamento de Stephens, mas um defesa “axadrezado” antecipou-se ao avançado e cabeceou para canto.

A partir dessa altura, o ascendente revelado pela formação açoriana aliado a um certo desnorte da formação do Boavista FC foi premiado com o surgimento do quarto golo, tendo esse selado o resultado.

Onzes Iniciais

CD Santa Clara – Marco; João Lucas, Accioly, Fábio Cardoso, Patrick; A. Carvalho, O. Rashid, Bruno Lamas (César); Fernando A., T. Santana (A. Stephens), Zé Manuel (Minhoca).

Boavista FC – Helton; Carraça, Neris, Raphael S., Talocha; S. Sparagna (R.Costa), Rochinha, F. Espinho (Rafa), D. Simão, A. Claro (Mateus), F. Falcone.

Danilo Pereira: contagem decrescente para o regresso do guerreiro

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Foi no dia 4 de abril de 2018 que começou o maior tormento na carreira de Danilo Pereira. Todos os jornais e sites desportivos anunciavam a lesão grave que o médio contraíra no tendão de Aquiles da perna esquerda após regressar de outra lesão frente ao CF Belenenses na época transata. Mas, não foram só os adeptos do FC Porto a deixarem de sorrir pela ausência de Danilo, já que as possibilidades de uma presença do Mundial de 2018 na Rússia também foram imediatamente por água abaixo, deixando a seleção carente nessa posição.

A lesão de Danilo Pereira no tendão de Aquiles pode ser comparada, metaforicamente, à história da personagem principal e maior guerreiro da Ilíada. Aquiles está para a Grécia, como Danilo Pereira para o FC Porto. Apenas há uma diferença. Aquiles morreu após ter sido atingido por uma flecha envenenada no calcanhar. Já Danilo, mesmo sabendo que sofreu uma lesão que poderia influenciar, e bem, a sua carreira, prometeu voltar fortíssimo, “porque é dos fortes que reza a história”.

Para alegria de todos, o seu regresso à competição está cada vez mais perto de acontecer. Deixou o treino no ginásio e voltou ao trabalho integrado e condicionado no passado dia 24 de agosto. Apesar de algumas boas exibições de Sérgio Oliveira, que agora lhe valeram a convocatória para a Seleção Portuguesa, é notório que Danilo Pereira consegue dar outra segurança à equipa e mostrar mais qualidade de jogo regularmente.

O exemplo de liderança dentro de campo por parte de Danilo Pereira
Fonte: FC Porto

O “Gerrard de Mem Martins”, como era tratado na sua vizinhança, já segue para a quinta época de “dragão” ao peito. Com passagens pela formação do SL Benfica e outras pelo estrangeiro, Danilo veio diretamente da Madeira (CS Marítimo) para terras portuenses. E em pouco tempo conseguiu conquistar o estatuto de “líder”. Embora não pudesse ajudar diretamente a equipa depois da lesão na época passada, Danilo mostrou sempre o seu apoio à equipa quer no estádio, quer nas redes sociais.

Mesmo não tendo somado todos os minutos na época passada por causa da lesão, conseguiu fazer uma das suas melhores épocas em Portugal com quatro golos e três assistências. Números excelentes para um médio defensivo, demonstrando assim o porquê de Danilo ser essencial para o FC Porto. Por enquanto, espera-se ansiosamente o regresso do número 22 dos “azuis e brancos” e que volte melhor do que nunca. Força Danilo!

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Diamond League 2018: Os 16 vencedores de Bruxelas – Pichardo histórico

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Estivemos por Bruxelas e contamo-vos tudo o que aconteceu no segundo e último dia de finais Diamond League!

O Bola na Rede e o Planeta do Atletismo estiveram em Bruxelas
Fonte: Bola na Rede/Planeta do Atletismo

Bem no final da temporada 2018, Pedro Pablo Pichardo alcançou a maior conquista da carreira até ao momento, com a vitória na Liga Diamante, representando Portugal! O atleta que nasceu em Cuba, mas que tem a nacionalidade portuguesa desde o final de 2017, venceu a final do Triplo Salto da IAAF Diamond League com um salto, ao quarto ensaio, de 17.49 metros (+0.5) e comemorou envolto na bandeira nacional, mostrando ao mundo as cores portuguesas. Um ano verdadeiramente em grande para o Triplo Salto português que começou com a vitória de Nelson Évora na IAAF World Indoor Tour, continuou – ainda melhor – com o Bronze de Nelson Évora nos Mundiais de Pista Coberta em Birmingham, prolongou-se com o Ouro de Évora nos Europeus de Berlim e fecha com a conquista da Liga Diamante por parte de Pedro Pichardo. Fecha, vamos ver. É que daqui a uns dias decorrerá, em Ostrava, a IAAF Continental Cup, onde Nelson Évora também participará, em representação do continente europeu. Quanto à prova de ontem, Pedro Pablo Pichardo esteve praticamente sempre no comando da mesma. Saltou a 17.31 metros (+0.6) logo no primeiro salto, deixando um aviso claro à concorrência. E surpreendentemente – ou talvez não, pois estava uma noite fria, em Bruxelas, com uma temperatura de 17º, longe das condições ideais para o Triplo – a concorrência tardou a reagir. Christian Taylor, ao quarto ensaio, saltou também 17.31 metros (0.0) e aí passava para a frente de Pichardo, pois o segundo salto era superior. Logo de seguida, Pichardo reagiu e saltou a 17.49 metros (+0.5), algo a que Taylor não conseguiu responder. Curiosamente foram os únicos saltos válidos de Pichardo e chegaram para que o atleta se sagrasse campeão desta edição da Liga Diamante, sendo o primeiro português a fazê-lo na história da competição iniciada em 2010. 

Dificuldades maiores teve Nelson Évora, que fez 5 nulos na noite de ontem e o único válido muito abaixo do seu nível, com a marca a ficar-se pelos 15.86 metros (+1.1), sendo oitavo.

Força da Tática: Uma Pipita, era só o que faltava a este Milan

Estreia a vencer para os rossoneri, carimbada por um jovem, que ainda só sabe marcar golos, pouco mais.

A chuva intensa marcou presença no jogo inaugural da terceira jornada da Serie A, com o AC Milan a receber a AS Roma em San Siro. Equipas que na última jornada experimentaram sensações diferentes: Milan esteve perto do céu em Nápoles, já os giallorossi, por pouco não desceram ao inferno em Roma.

A diferença (e talvez a justiça, seja lá o que isso for) foi feita por um jovem promissor, que ainda “só” sabe marcar golos, com muito para evoluir.

Eusebio Di (via) ter estado quieto

O Treinador Romano apostou em um 3-4-3, abdicando do seu habitual 4-3-3. Creio que esta alteração pretendia dar mais dinamismo aos corredores laterais, garantido as melhores posições para os seus alas laterais servirem Dzeko. Para esse objetivo ser alcançado era necessária a colocação de Pastore, Schick e Dzeko entre a linha média e defensiva do Milan, de forma a captar a atenção dos médios do AC Milan, o que ia dar liberdade ao duplo pivot romano (Rossi & Nzonzi) para estes conseguirem rapidamente alterar o centro do jogo, conectando as duas alas através do corredor central.

Essa aposta falhou redondamente, a nível defensivo e ofensivo.

Ofensivamente

Uma imagem vale mais que mil palavras. A Roma, na 1ª Parte, a nível ofensivo foi uma autêntica nulidade. Na teoria um 3-4-3, até é um sistema que pode potencializar a capacidade ofensiva de jogadores como Dzeko e Schick, pela liberdade que dá aos alas laterais para puderem acelerar pelos flancos e cruzar, mas é um sistema que exige muito treino para se conseguir construir uma estrutura que permita à equipa ter dinâmicas para conectar ataques através do corredor central. Aqui o papel dos dois médios (Rossi e Nzonzi) é a chave para o sucesso, e a forma desarticulada como interagiram, explica grande parte do insucesso.

Veja-se como a equipa não sabia o que fazer à bola, porque acima de tudo não sabiam que posição ocupar no campo, faltam os tais hábitos, onde eu sei precisamente onde estão os meus colegas. Kolarov acelera, mas parece que deixou cair a carteira, e acaba por voltar para trás.

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Defensivamente

O posicionamento de Suso/Kessie nas costas de Nzonzi (NZ) quando a bola estava do lado esquerdo e de Calhanoglu/Bonaventura nas de Rossi (DR) quando a bola estava do lado direito, juntamente com as descidas de Higuaín (GH), nos timings certos, destruíram a Roma. DR e NZ, sofreram muito, estavam constantemente rodeados de homens do Milan.

A exploração do lado cego por parte dos jogadores do Milan, foi brilhante. Aqui a bola vêm do lado direito do campo do AC Milan para o esquerdo chegando ao pés de Rodriguez e o movimento de Calhanoglu é no sentido contrário, de fora para dentro, o que cria uma vantagem dinâmica muito difícil de anular, pelas linhas de passe que abre

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Milan com a superioridade “Kessie” quer

O jogo chegou ao intervalo com o AC Milan em vantagem, de forma totalmente merecida. Os rossoneri, pelas posições recuadas que obrigaram os alas laterais a ocupar e pela boa reação à perda da bola, nunca deixaram a AS Roma sair em contra-ataque nem explorar o espaço que havia entre a linha defensiva e os jogadores que o AC Milan colocava no processo ofensivo.

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Golo do AC Milan made in NBA

Este golo fez-me lembrar muito uma situação que regularmente vemos na NBA. Os chamados pick and roll, muitas vezes usados para trocar marcações e colocar um jogador mais débil a marcar outro (o pessoal que percebe de basquetebol, me perdoe alguma ignorância aqui).

No início do lance, é Karsdorp que está a marcar Rodriguez, mas a forma como o AC Milan arrasta o holandês para o corredor central, acaba por fazer com que seja Fazio (mais lento, pesado e sem a mesma mobilidade) a marcar o suíço e a responder à sua penetração para dentro da área. Vemos também como Kessie já se está a posicionar nas costas de Kolarov, onde acaba por fazer o golo.

Vemos como Fazio, pela colocação de Rodriguez em uma posição em que impede o argentino de ver a bola e o jogador ao mesmo tempo, têm o corpo em uma posição que o obriga a roda quase 180º para responder ao passe de Bonaventura. Isto dá a Rodriguez uma vantagem enorme, e facilita depois rodar e servir Kessie ao segundo poste para encostar. Facilita porque o argentino é obrigado a rodar 180º, depois sprintar para ir atrás do suíço e depois, ainda nem tinha parado completamente o movimento de sprint, rodar novamente para tentar enviar o cruzamento: impossível para um jogador daquela estatura
Fonte: Eleven Sports

Problema na frente de ataque – mito ou realidade?

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Este poderia ser mais um artigo a lamentar a longa recuperação de Jonas – aquele que, ano após ano, tem sido sistematicamente o nosso melhor marcador/jogador. Mas não, caro leitor. Neste artigo, vou abordar e dar o meu parecer sobre a apatia que parece estar a haver na nossa frente de ataque, neste início de temporada.

Já foram três os avançados utilizados por Rui Vitória desde que começamos a disputar os jogos oficiais. Ferreyra foi o primeiro a ser eleito como ponta-de-lança titular. Apesar de 60 minutos algo apáticos na primeira mão da 3.ª pré-eliminatória de acesso à Champions League, frente ao Fenerbahçe SK, Ferreyra voltou a merecer a confiança do seu treinador para figurar no 11 inicial do primeiro jogo da Liga NOS, frente ao Vitória Sport Clube. As coisas voltaram a não correr pelo melhor ao ponta-de-lança argentino e, logo no jogo seguinte, o argentino deu o seu lugar a Castillo na disputa da segunda mão da prova de acesso à liga milionária. Um infortúnio do chileno (ao lesionar-se logo aos 34 minutos) fez com que o lugar voltasse a ser ocupado por Ferreyra, que não largou o posto até este último jogo em Thessaloniki, frente ao PAOK, quando viu o suíço Seferovic ser primeira opção para o 11 inicial.

Parece inegável que, sem Jonas, Rui Vitória tenta procurar um modelo de jogo mais assente na busca da profundidade e luta pelas segundas bolas, que permitam que a equipa mantenha a bola no meio-campo do adversário. E, de entre todos os avançados do nosso plantel, somente Castillo parece ser o mais talhado para esse tipo de jogo. Mas será essa a forma de jogar que nos poderá aproximar das vitórias? A minha análise neste artigo centra-se mais no “problema” que parece estar a haver com o argentino Ferreyra.
Aquando da sua contratação, escrevia que o ex-pupilo de Paulo Fonseca poderia acrescentar mais valor “através de um jogo inteligente de combinações rápidas e apoiadas e de organização ofensiva”, à imagem do que acontecia no FC Shakhtar Donetsk a partir do momento em que o português tomou comando da equipa ucraniana. Antes disso, havia sido com o treinador Mircea Lucescu com quem se deparou com maiores dificuldades para mostrar as suas capacidades, devido ao estilo de jogo “com mais enfoque na organização defensiva e saídas rápidas em transição para o ataque, ou seja, um tipo de futebol que não beneficia as características que um ponta-de-lança como Ferreyra tem”.

Ferreyra já se estreou a marcar em jogos oficiais, porém as suas dificuldades de adaptação têm sido por demais evidentes
Fonte: SL Benfica

Não pondo em causa a qualidade de Castillo e Seferovic, Ferreyra é, quanto a mim, bastante superior aos dois. Pela inteligência com que se movimenta sem bola, pelas decisões que toma e pela frieza com que aborda os lances dentro da área. Um ponta de lança vive do golo e, sem ele, é perfeitamente natural que o jogador esmoreça e se torne mais “pesado” quando corre, mais “macio” quando disputa uma bola e mais “lento” no seu raciocínio. O problema com o argentino é precisamente esse: falta de golos.

E como poderia Ferreyra render mais? A primeira ideia que me vem à cabeça é que poderá render o dobro ou o triplo com Jonas, mas como o brasileiro ainda não está recuperado da sua lesão então a solução talvez passasse por juntá-lo na frente com alguém que tenha o mesmo critério a jogar –João Félix, por exemplo. Apesar da sua tenra idade, parece-me que o nosso mais recente craque do Seixal tem já um conhecimento bastante acentuado do jogo que lhe permitiria agarrar a titularidade e fazer maravilhas, pois acrescentaria inteligência quando tivéssemos bola e serviria de apoio a Ferreyra, não deixando este tão desamparado na frente como tem acontecido até então.

Neste momento, Ferreyra está inserido num futebol desapoiado e entregue a ideias que simplesmente não se enquadram no tipo de jogador que ele é. Daí eu achar que não existe algum problema na frente de ataque do Sport Lisboa e Benfica. O problema centra-se no facto de assistirmos a um tipo de futebol com pouca ligação ao ponta de lança, que o deixa bastantes vezes sozinho na frente e a ter de andar a lutar por segundas bolas.

Todos nós sabemos que o “terceiro anel” é bastante exigente e que, assim que um jogador (principalmente um avançado) não mostra resultados imediatos, é rapidamente cruxificado e cotado como um “flop”. Mas o Futebol vai muito para além dos números e estatísticas. Há que tentar perceber o porquê de um jogador não estar a render, analisar o contexto em que está inserido e, daí, retirar as conclusões. Quanto a Ferreyra, ainda vai muito a tempo de mostrar o excelente jogador que é. É só proporcionar-lhe as condições necessárias para tal.

Foto de Capa: SL Benfica
Artigo revisto por: Vanda Madeira Pinto

O início dos Wolves na Premier League

Rui Patrício, Rúben Vinagre, Pedro Gonçalves, João Moutinho, Rúben Neves, Hélder Costa, Ivan Cavaleiro e Diogo Jota: a cidade de Wolverhampton foi invadida por oito jogadores portugueses, e o responsável pelo comando das tropas é, também ele, português. Falamos de Nuno Espírito Santo.

O antigo guarda-redes e treinador do FC Porto foi o timoneiro dos Wolves na subida à Premier League em 2017/2018, e esta época, com uma equipa feita à sua medida, e onde conta com vários compatriotas, tem tudo para garantir a manutenção do clube inglês.

Nas três primeiras jornadas da Premier League, o Wolverhampton somou dois pontos, com os empates caseiros com o Everton e com o Manchester City, e com a derrota em Leicester. A equipa mais portuguesa do Reino Unido encontra-se assim no 14.º posto da tabela classificativa, contando com três golos marcados e cinco golos sofridos. Os marcadores de serviço, até ao momento, são os bem conhecidos do campeonato português Rúben Neves, Raúl Jiménez e Willy Boly.

Um dos ingredientes essenciais para esta caminhada dos Wolves no principal escalão do futebol inglês poderá mesmo ser o ambiente vivido no Molineux. Apesar de o estádio construído em 1889 só ter capacidade para 30000 pessoas, os adeptos da casa conseguiram a proeza de serem o público mais barulhento da Premier League. O barulho criado no campo do Wolverhampton tem rondado os 85 decibéis, um valor acima dos 82 do Manchester City, Chelsea e Fulham. Para se ter uma ideia do que representam estes valores, pode-se dar o exemplo dos 90 decibéis de um Boeing 737, ou dos 110 decibéis de um concerto de rock.

Os adeptos dos Wolves são os mais barulhentos da Premier League até ao momento
Fonte: Wolverhampton Wanderers FC

Hoje é dia de jogo em Londres, e o adversário é o West Ham, que regista três derrotas nos primeiros três jogos da liga inglesa, uma situação que coloca os Hammers no último lugar da classificação. Na antevisão da partida, Nuno Espírito Santo afirmou que o empate com o Manchester City de Guardiola foi uma motivação extra para os seus jogadores, mas que agora já só pensam no embate com o clube orientado por Manuel Pellegrini. O técnico natural de São Tomé e Príncipe deixou largos elogios ao chileno, ao dizer que conhecia o treinador do West Ham pessoalmente, e que admirava a carreira que este tinha construído.

Com um balneário bastante unido, com um futebol atrativo, com juventude para dar e vender, com um Rúben Neves de pé quente, com um Rui Patrício que voa entre os postes, com um João Moutinho sempre inteligente e que não sabe jogar mal e com uns adeptos encantados com o regresso da equipa à Premier League, os Wolves têm tudo para ser uma das surpresas deste ano do futebol mundial, e mais um motivo de orgulho proveniente de portugueses fora de portas.

Foto de Capa: Wolverhampton Wanderers FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

 

10 Promessas adiadas do futebol mundial que jogaram em Portugal


Ao longo da história do futebol mundial, sempre houve aqueles jogadores que, quando são lançados no futebol profissional, prometem ser futuras estrelas, mas, por algum motivo, acabam por não confirmar o seu potencial e ficam pelo caminho.

E por aqui por Portugal também já passaram várias dessas promessas adiadas, tendo deixado a sua marca no nosso futebol. Iremos recordar aqui alguns desses craques.

Problemas com o ketchup, CR7?

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A 13 de junho de 2010, na antecâmara do Mundial da África do Sul, quando questionado se estava preocupado com a sua seca de golos, CR7 respondeu: “Para ser sincero, não estou nada preocupado. Os golos são o como ketchup: quando aparecem, é tudo de uma vez”. Eis que oito anos depois podemos pegar nestas declarações do português para o seu atual momento de forma na Juventus.

Nos dois primeiros jogos da Vecchia Signora, havia muito entusiasmo, ansiedade e frenesim sobre o que poderia fazer o astro português. Talvez pela pressão mediática e por alguma falta de adaptação, Ronaldo ainda não picou o ponto na Serie A, somando 180 minutos em branco.

Ronaldo tem tentado muito, mas continua em branco na Serie A
Fonte: Juventus FC

Haverão motivos para preocupação? Do meu ponto de vista, não. Não faltaram oportunidades, remates perigosos ou defesas extraordinárias dos guardiões contrários. No jogo contra a SSC Lazio, até falhou quase escandalosamente o desvio para o golo, acabando por fazer uma assistência involuntária para Mandzukic.

Assim que surgir o primeiro, surgirá o segundo e por aí em diante, ou não estivéssemos nós a falar de CR7. Não será a pressão mediática ou o nervosismo que o atormentarão, afinal, falta apenas apertar bem o frasco do ketchup.

Fonte: Juventus FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

O Renascimento do Parma

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Chegados à terceira jornada, o próximo adversário da Juventus de Cristiano Ronaldo, João Cancelo e companheira na Serie A é o Parma no mítico estádio Ennio Tardini. Quanto ao jogo em si, é esperado que a reforçada vecchia signora não tenha grandes dificuldades em vencer a partida, mas o histórico emblema italiano surpreendeu no jogo de abertura ao empatar a dois golos com a Udinese.

Em 2015, os parmesãos passaram de um 6.º lugar alcançado na temporada transata para um desapontante 20.º e último posto na tabela classificativa do campeonato. Além disso, a situação financeira do clube não era a melhor, a par com a crise económica e política em Itália. Mais de 210 milhões de euros de dívidas obrigaram os tribunais a anunciar falência e despromoção do clube para a Serie D, o escalão mais baixo do futebol do país da bota.

O Parma (re)começou do zero e regressou num ápice à Serie A. Em três anos, três subidas consecutivas. Luigi Apolloni, antigo jogador do clube, foi o treinador da equipa nas Series D e C (2015-2017), onde levou a equipa ao primeiro lugar que dá a promoção automática à divisão seguinte. Na Serie B, o treinador é o que ainda permanece hoje no banco do Parma: Roberto D’Aversa, ex-jogador e atualmente reconhecido como treinador de equipas de menor dimensão em Itália.

Foi sempre a subir o regresso do Parma à Serie A e, pelo meio, ganharam um investimento chinês Fonte: Parma Calcio 1913

O plantel parmesão, dado à sucessão dos acontecimentos, sofreu um enorme abanão.  A solução para enriquecer o plantel teve de passar por apostar em muitos jovens, a ‘prata da casa’, em conjunto com jogadores mais experientes. Alguns naturalmente mais velhos juraram amor e compromisso total ao clube. Um deles é o defesa central e atual capitão, Alessandro Lucarelli, de 40 anos, está no clube desde 2008, onde já totaliza um número redondo de jogos ao serviço do Parma: 350.

Entretanto, no ano passado, ainda na Serie B, o Parma poderá ter sido como um interesse no mercado financeiro. O investidor chinês Jiang Li Zhang adquiriu 60% das ações do clube italiano. É nada mais, nada menos como um dos proprietários do clube espanhol Granada e detentor de 5% dos Minnesota Timberwolves da NBA. Um dos intermediários deste negócio foi o antigo avançado argentino, Hernán Crespo, que é o atual vice-presidente do Parma.

De facto, o dinheiro aparenta facilitar as aspirações do Parma para este regresso à Serie A que é, logicamente, a manutenção.  Ainda para mais quando o clube, devido às tentativas de corromper um jogador do Spezia na última jornada da Serie B no ano passado, começa o campeonato com cinco pontos negativos. Apesar de o Parma ter estado envolvido em grandes escândalos extra-futebol, e que o prejudicaram, é consensual admitir que o clube está no lugar onde deve estar. No entanto, dado ao contexto, procura-se o rumo certo.

O português Bruno Alves é uma das apostas do Parma e o capitão da equipa
Fonte: Parma Calcio 1913

O Parma contratou 26 jogadores neste mercado de verão, o clube que se reforçou mais para a Serie A. Muitos dos reforços chegaram por empréstimo, a custo zero ou por valores de transferência a não ultrapassar os três milhões de euros. A maioria dos jogadores são oriundos de grandes clubes da Serie A como o Nápoles e Inter de Milão, outros são futebolistas que se destacaram em divisões e clubes inferiores em Itália.

Bruno Alves é uma das aquisições de destaque. O Parma pretende manter a agressividade à defesa como um dos seus cartões de visita e sabemos que com o central português ao serviço não há dúvida de que isso não irá faltar. A equipa parmesã tem apostado numa defesa a quatro e não a três, como costuma ser tradicional em Itália. Num meio campo a três, as apostas foram feitas no médio defensivo sérvio contratado ao Venezia, da Serie B, Leo Stulac; no experiente Luca Rigoni, ex-Génova e Alberto Grassi, emprestado pelo Nápoles.

Outras chegadas de salientar são as de Gervinho e de Jonathan Biabiany. Os velocíssimos extremos costa marfinense e francês são esperados como as ‘motas’ de serviço do Parma. Nos primeiros jogos, a aposta tem sido defender bem, baixar mais as linhas e apostar num jogo mais direto e, claro, de contra-ataque. Ainda assim, sabemos bem que são dois jogadores que nunca se afirmaram nos vários (grandes) clubes que passaram. Experts em FIFA sabem bem a valia destes jogadores, mas só mesmo na consola. Para chegar aos golos há também os pontas de lança, Roberto Inglese, emprestado pelo Nápoles, e Fabio Ceravolo, contratado ao despromovido Benevento.

 

O que todos estes jogadores têm em comum? Tal como a maioria das outras contratações feitas pelo Parma, são futebolistas numa idade já avançada. Nota-se aqui uma aposta na experiência e maturidade para iniciar a ambicionada estabilidade do clube. Esperemos que, dado à grande força de mercado que o futebol italiano está a voltar a ter, os parmesãos não se tornem um depósito de jogadores emprestados dos grandes.

Disto não podemos falar de há uns 20 anos atrás, porque tínhamos uma grande equipa. O Parma não deixa nenhum fã de futebol internacional dos anos 80 e 90 indiferente. O peso da história deste clube e das famosas camisolas azuis e amarelas, ou branca com a cruz preta ao meio, são certamente aliciantes para alguns dos novos jogadores do clube. Passemos a um ‘throwback’ daqueles deliciosos.

Foi este o clube que deu a conhecer ao mundo Gianluigi Buffon que foi protagonista da primeira grande transferência de um guarda-redes. Em 2001 foi para a Juventus a troco de 52 milhões de euros. Tinha 23 anos. Houve outros grandes futebolistas do futebol italiano em Parma: Carlo Ancelotti, Gianfranco Zola; Fabio Cannavaro; Alberto Gilardino; Enrico Chiesa; Marco Di Vaio; Giuseppe Rossi; Antonio Cassano e Daniele Bonera são alguns dos nomes.

Cannavaro, Buffon, Thuram, Crespo ou Véron… Classe para dar e vender
Fonte: UEFA

Também se falou português em Parma. A primeira aventura de Fernando Couto no estrangeiro foi por lá. O antigo defesa da Seleção Nacional jogou por este clube entre 1994 e 1996 e mais tarde entre 2005 e 2008. Sérgio Conceição, agora treinador do FC Porto, vestiu a camisola do Parma na temporada 2000/2001. Os brasileiros Adriano ‘Imperador’, Claudio Taffarel e Amoroso também por lá andaram.

O avançado romeno Adrian Mutu, o japonês Nakata, os argentinos Crespo, Ortega, Verón e o defesa francês Lilian Thuram também fazem parte da constelação que foi o Parma.

Não foram só nomes. Também houve títulos, mas nunca um scudetto. Os momentos altos do Parma foram a conquista da Taça UEFA em 1995 e 1999 e uma Supertaça Europeia em 1993. Chegar perto disto vai demorar muitos anos à equipa parmesã, mas por enquanto, bem-vindos novamente!

 

Foto de Capa: Parma Calcio 1913

Artigo revisto por: Jorge Neves

Sporting com luz verde na Liga Europa

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O final de época algo turbulento da temporada passada determinou que a equipa do Sporting disputasse a Liga Europa na época atualmente em curso. A formação leonina, agora comandada por José Peseiro, encontrava-se no pote dois. “Sporting falha cabeças-de-série” escrevia o Jornal Record na página 19 da sua edição de 31 de agosto. Esse Pote era também constituído pelo Ludogorets, Copenhaga, Olympique de Marselha, Celtic, PAOK, Milan, Genk, Fenerbahçe, Krasnodar, Astana e Rapid de Viena. Os cabeças-de-série encontravam-se no Pote 1. Sevilha, Arsenal, Chelsea, Zenit, Bayer Leverkusen, Dínamo Kiev, Besiktas, Red Bull Salzburg, Olympiacos, Villareal, Anderlecht e Lazio eram os “tubarões” que poderiam cruzar-se no caminho do Leão.

A equipa leonina tem tudo para seguir em frente na fase de grupos da Liga Europa
Fonte: Sporting CP

O sorteio da fase de grupos para a Liga Europa ditou que a única formação portuguesa em competição ficasse no grupo E juntamente com o Arsenal de Inglaterra, o Qarabag do Azerbeijão e o Vorskla Poltava da Ucrânia. Fica, portanto, num grupo acessível se exceptuarmos o Arsenal, que se afirma como candidato à vitória da competição. Os outros dois emblemas são praticamente desconhecidos no futebol europeu, confirmando-se a supremacia do Sporting. Além disso, se os leões jogarem ao nível que jogaram na época passada nas competições europeias têm tudo para fazer uma excelente figura diante dos ingleses e, quem sabe, lutar pelo primeiro lugar no grupo. Acrescente-se que a equipa londrina ainda se encontra numa fase de adaptação ao novo técnico, Unai Emry, após a dinastia de Wenger em terras de Sua Majestade ao serviço dos Gunners.

Apesar da “luz verde” que o clube de Alvalade tem para a passagem à próxima fase, todos reconhecem que Sporting e Liga Europa têm aquela relação de amor-ódio de alguns casais: por um lado, o amor a uma competição onde esteve muito bem em 2005, alcançando a final, por outro, o ódio por não conseguir, em pleno estádio Alvalade XXI, levar de vencida a formação do CSKA de Moscovo nessa mesma final. Curiosamente, era também Peseiro o treinador dos Leões. Até que ponto não estará também ele assombrado por esses fantasmas da final de 2005?

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por: Beatriz Silva