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A saída de Dalot: um bom ou mau negócio?

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Com o fecho da época ainda aí à porta, o FC Porto já é líder noutro campeonato, desta vez no campeonato das vendas onde já lucrou mais de 70 milhões com a venda de jogadores, só neste curto espaço de tempo.

Diogo Dalot, uma das principais referências das camadas jovens portista apresenta-se como uma saída com algum sabor amargo para os adeptos portistas. Isto não só, pela quantia vista por muitos como inferior ao valor exibicional que o jogador prometia na próxima época, como também pela saída de Ricardo Pereira para o Leicester City FC que ao que tudo indicava, ia dar espaço ao jovem português para este agarrar um lugar do lado direito da defesa portista.

Desde cedo com uma confiança e maturidade acima da média para a sua idade, Dalot mostrava-se como o substituto ideal para uma posição que foi durante a época passada muito bem preenchida. A sua velocidade e rapidez, bem como a capacidade e facilidade nos cruzamentos ofensivos, eram fatores que encaixavam no modelo portista, um pouco à semelhança de Alex Telles do lado oposto.

A saída de Dalot e de Ricardo fragilizou o lado direito da defesa do FC Porto
Fonte: FC Porto

Com a sua saída, os azuis e brancos lucraram mais de 20 milhões com um jovem de apenas 18 anos a quem era reconhecido um futuro muito promissor de dragão ao peito. Para além de peça fundamental durante todas as equipas de formação portista, Diogo Dalot era também habitual titular nas seleções portuguesas, com o destaque para a sua chamada por Rui Jorge para representar a seleção sub-21 portuguesa.

Finalizada a sua transferência, o lateral português tem agora um longo caminho a percorrer para vingar no Manchester United e para mostrar a José Mourinho que tem tudo para vir a ser um lateral a quem é reconhecido potencial para se tornar num dos melhores do mundo.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Esperar por um salto maior ou sair aquando da oportunidade?

Após o aparecimento da Geração de Ouro, o campeonato português tem-se afirmado como uma rampa de lançamento para os principais campeonatos europeus. Apesar disso, nem todos têm tido o mesmo sucesso ao dar o salto. Um factor que muitas vezes é a principal razão da falta de sucesso de um jogador ao sair para um clube maior tem a ver com a sua escolha e com o timing desta.

Há uns tempos, falei aqui do facto das estrelas emergentes do futebol português como Renato Sanches ou André Silva darem o salto cedo demais, saltando para um clube de grande renome europeu sem estarem preparados para tal. E com isso acabam por não jogar com a regularidade desejada e, consequentemente, atrasam a sua evolução.

No entanto, existem outros atletas que ao darem o salto para outro clube, deixam a impressão de que mereciam mais e melhor. Creio que Ricardo Pereira é um desses casos. Poucos dias após anunciada a sua presença entre os 23 escolhidos para representarem o nosso país na Rússia, seria anunciada a transferência do lateral-direito para o Leicester City FC, a troca de 20 milhões de euros, mais cinco em objectivos.

A meu ver, esta transferência é um mau negócio, não pelos valores envolvidos (que são justos na mina opinião), mas sim pelo potencial desportivo e financeiro que ainda tem. Onde é que eu quero chegar com isto? Bem, todos nós sabemos que vai competir no melhor campeonato do mundo e que existem poucos futebolistas no mundo que diriam não a uma proposta dessas. E também sabemos do sufoco financeiro que o FC Porto atravessa devido ao fair-play financeiro e à consequente intervenção da UEFA.

Ricardo Pereira realizou uma época de grande nível e optou por dar o salto para o Leicester City FC
Fonte: FC Porto

No entanto, ao termos noção da qualidade do jogador e do que ainda pode atingir, concluímos que este salto é curto para ele. Ainda para mais, tendo em conta que ele já jogou duas temporadas no OGC Nice, onde ajudou o clube a qualificar-se para as competições europeias. Dadas as circunstâncias, eu chego à conclusão que se ele permanecesse mais uma ou duas temporadas no FC Porto, daria um salto maior. Seria titular nos azuis e brancos, competia nas competições europeias e já mais experiente e mais maduro, seria vendido por valores superiores a um clube com uma maior estatuto que um clube do meio da tabela da Premier League.

Aos 24 anos, Ricardo Pereira ainda vai muito a tempo de rumar a um grande clube europeu. Um bom exemplo disso mesmo é Rui Costa, que aos 22 anos foi para a ACF Fiorentina e, aos 29, seguiu para o AC Milan. Mas quem fica aqui a perder é o clube que o vende.

Esta política das “vendas rápidas” sem fazer com que o jogador em questão cresça e fique perto de atingir o seu potencial máximo tem sido uma prática comum no futebol nacional. Todos sabemos que os clubes portugueses estão muito dependentes da venda de jogadores para conseguirem equilibrar as contas. Porém, no caso de jogadores mais jovens que ainda não atingiram o pico de valorização, tentar segurá-los por mais uns aninhos seria o mais benéfico para ambas as partes.

Foto de Capa: Leicester City FC

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

A magia dos mais jovens: saltou-se como não se saltava há 23 anos. E Evelise voltou a brilhar!

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Já se sabia que o fim-de-semana iria ser recheado de momentos de elevado interesse no Atletismo. Ainda assim, poucos poderiam imaginar algumas das extraordinárias marcas a que assistimos nestes dias. E querem perceber a pujança do Atletismo? Todos os destaques que hoje vos trazemos ao redor do mundo dizem respeito a atletas que ainda não completaram os 23 anos!

1. Portugal nos Campeonatos do Mediterrâneo Sub-23: Seis medalhas e o show de Evelise Veiga!

Portugal teve uma fantástica prestação nos Campeonatos de Jesolo, com 6 medalhas no total, igualando o melhor registo na competição, em termos de quantidade de medalhas. O grande destaque foi mesmo Evelise Veiga que está a ter um ano de grande sucesso, ficando para já a faltar apenas a qualificação para os Europeus. Pouco tempo depois de ter batido o recorde sub-23 no Comprimento que pertencia a Teresa Carvalho desde 2014, Evelise foi a Itália conquistar não uma, mas duas medalhas nestes campeonatos. Começou por vencer no primeiro dia o Salto em Comprimento, com 6.26 metros, e no segundo dia alcançou a medalha de Prata no Triplo, com um enorme recorde pessoal e um salto de 13.65 que a coloca como a terceira melhor atleta nacional na história do Triplo. Neste momento, com melhores marcas que a atleta do Sporting, apenas Naide Gomes no Comprimento e Patrícia Mamona e Susana Costa no Triplo Salto! 

Quanto aos restantes elementos da nossa comitiva, outros grandes resultados surgiram, como o excelente recorde pessoal de Frederico Curvelo nos 100 metros, baixando de uma melhor marca pré-campeonatos de 10.54 para 10.37, resultado que fez duas vezes durante a competição, sendo que na final esse tempo lhe deu a medalha de Prata. Edna Barros conseguiu também um excelente resultado de 46:05.42 nos 10.000 Metros Marcha, alcançando com essa marca a medalha de Bronze. E destaque ainda para duas medalhas de Bronze nos Lançamentos, uma no feminino e outra no masculino. Se no Disco, Edujose Lima continua a dar cartas em 2018, tendo lançado a 55.98 em Itália; no Peso, é Eliana Bandeira que, finalmente a representar Portugal, alcançou a medalha de Bronze ao lançar 15.69 metros!

2. Juan Miguel Echevarría: Um Salto como não se via há 23 anos! Vindo de quem ainda não era nascido nesse dia.

O único sabor amargo que fica foi de o salto ser com um vento ligeiramente antirregulamentar (mesmo acima do limite, em +2.1). O jovem cubano de 19 anos, Juan Miguel Echevarría saltou 8.83 metros em Estocolmo, uma marca assombrosa e o mundo não via um salto tão longo (em qualquer tipo de condições) desde o polémico salto de Iván Pedroso em 1995, quando registou 8.96 metros em Itália. Caso o vento tivesse sido de +2.0, Echevarría teria feito na Suécia o melhor salto regulamentar desde o recorde mundial de Mike Powell em 1991, de 8.95 metros! 

O jovem, que já este ano se sagrou campeão mundial de pista coberta em Birmingham, confessou que tinha como objectivo saltar acima dos 8.50 nesta prova, mas que até ele se surpreendeu com o seu salto no limite da caixa de areia e que levantou alguma discussão relativamente à dimensão das mesmas. O melhor é mesmo ver: 

O fim-de-semana verde e branco

Mais uma semana, mais um resumo. Destaque para o tricampeonato de Judo e o Hexacampeonato de Tiro, em P50. Nota também para o culminar de uma época de sucesso do Hóquei em Patins, assim como para a liderança das Leoas do Triatlo na Taça de Portugal e o apuramento do Futsal masculino para a final do Campeonato. Eis o resumo, o mais completo possível:

Ciclismo masculino | O Sporting CP terminou a primeira etapa da Taça de Portugal, o Memorial Bruno Neves, na terceira posição da classificação geral a um minuto e 59 segundos do líder Mortágua.

Futebol Praia masculino | Os Leões das areias venceram o Leixões SC por 3-8 na primeira jornada da Primeira Fase do Campeonato Nacional da Divisão de Elite. Pelo Sporting CP marcaram Eustáquio, Belchior (2), Madjer, Ricardinho, Anderson, Coimbra e Batalha. Na próxima jornada, marcada para trinta de junho, o Sporting CP defronta o Varzim SC na Praia da Nazaré.

Futsal masculino | Vitória por 4-0 frente ao Modicus no jogo dois da meia-final dos Play-Offs da Liga SportZone, com golo de Divanei (2), Fortino e Caio Japa. Os Leões asseguraram assim a passagem à grande final, onde irão defrontar o SL Benfica. O jogo um é já no Sábado, dezasseis de junho, pelas dezasseis horas no Pavilhão João Rocha.

Hóquei em Patins | Os campeões nacionais fecharam a época com um empate a quatro golos na deslocação ao Pavilhão Dr. Salvador Machado, casa da UD Oliveirense. A turma de Oliveira de Azeméis esteve sempre na dianteira (1-0, 2-1 e 4-2), mas os Leões responderam sempre de forma acutilante. Os tentos leoninos foram apontados por Caio, Henrique Magalhães, Toni Pérez e João Pinto. Os pupilos de Paulo Freitas terminam assim o Campeonato Nacional no topo da tabela classificativa com 69 pontos somados, fruto de 22 vitórias, três empates e somente uma derrota; 137 golos marcados e 48 golos sofridos.

Judo masculino | Tricampeões nacionais! O Sporting Clube de Portugal venceu todos os combates disputados ao longo das três eliminatórias que disputou (quartos-de-final, meias-finais e final), somando triunfos por 5-0 frente a Judo Clube Pragal, Associação Académica de Coimbra e Sport Lisboa e Benfica, respectivamente. Os judocas Anri Egutidze, Arlindo Nsanda, Artur Junior, David Reis, Francisco Costa, Ilia Shubitidze, João Fernando, Jorge Fonseca, Marco Pereira, Miguel Alves, Nicoloz Sherazadishvili e Sergiu Oleinic foram os protagonista da conquista do terceiro campeonato nacional consecutivo dos Leões, o sétimo nas últimas oito épocas!

Tiro Hexacampeão Nacional em P50
Fonte: Sporting Fans – Modalidades

Tiro | Hexacampeões nacionais! O Sporting Clube de Portugal sagrou-se Hexacampeão Nacional de P50 em absolutos masculinos, com 1.559 pontos amealhados, fruto do terceiro lugar de Francisco Silva (532 pontos), o sexto lugar de Domingos Rodrigues (520 pontos) e o décimo segundo lugar de Paulo Mendonça (507 pontos). Nas categorias de seniores masculinos (P50), veteranos masculinos (P50) e absolutos femininos (P25) o Sporting CP ficou no segundo lugar.

Triatlo feminino | As Leoas ficaram no quinto lugar do Triatlo de Peniche, mantendo assim a liderança na Taça de Portugal.

Triatlo masculino | Os Leões foram sextos classificados do Triatlo de Peniche, permanecendo com efeito no terceiro lugar da Taça de Portugal.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

 

Final mais desejada confirmou-se!

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Neste passado fim-de-semana ficámos a conhecer os dois finalistas do play-off no campeonato nacional de futsal e este ano não houve surpresa como em 2017.

O SC Braga/AAUM não conseguiu repetir a gracinha de tombar o SL Benfica nesta mesma fase e são os encarnados que irão desafiar o Sporting CP num apaixonante derby lisboeta. Os adeptos afetos ao emblema arsenalista certamente não estão muito satisfeitos com o desfecho desta meia-final, mas a maioria dos amantes de modalidade estão agradados com a hipótese de voltarem a ver grandes batalhas na quadra (apenas e só aí, por favor) num clássico que move multidões e numa rivalidade já muito antiga e que tantos espetáculos tem proporcionado, nas mais variadas modalidades.

Os leões partem com o claro favoritismo, não só pela equipa fenomenal que atualmente possuem, como pelo facto de serem bicampeões em título e também por terem terminado em primeiro lugar na fase regular, sendo que em caso de a eliminatória estar empatada a dois jogos para cada lado, o quinto ser em pleno pavilhão João Rocha, o reduto dos verde e brancos.

Em relação aos jogos das meias-finais, pouco há a dizer, pois os dois finalistas fizeram uso da vitória fora de casa para fechar a eliminatória ao segundo jogo, evitando assim um sempre imprevisível terceiro jogo. Depois da vitória no primeiro jogo, já abordada no artigo anterior, o SCP voltou a derrotar o MODICUS, desta feita em casa, por quatro bolas sem resposta, num jogo onde Divanei (2), Fortino e Caio Japa apontaram os tentos do conjunto leonino.

Robinho é um dos principais trunfos encarnados para tentar tirar a hegemonia dos leões
Fonte: SL Benfica

O SLB, por sua vez, sentiu mais dificuldades para vencer e o marcador reflete isso mesmo, pois foi com um apertado e suado 2-1 que os encarnados tombaram os bracarenses, num jogo que até começou melhor para os arsenalistas, que inauguraram o marcador através de Ludgero, num resultado que se manteve inalterado até ao intervalo.

Na segunda metade, dois dos reforços mais sonantes da nova temporada mostraram serviço, nomeadamente Fernandinho e Robinho, ao apontarem os golos que permitiram a cambalhota no marcador e consumaram a presença das águias na final, para além de garantir a presença na próxima edição da Liga dos Campeões de futsal da UEFA, designação nova a partir da próxima temporada 18/19, que desde a temporada passada atribui duas vagas aos países com melhor coeficiente na competição europeia, onde Portugal se insere.

Mesmo sem esse fator aliciante, penso que a final será muito bem disputada, entre duas grandes equipas, e num ambiente que permita ter sempre os pavilhões cheios, com um comportamento aceitável dos grupos organizados ou claques, e uma aura que valorize o futsal enquanto modalidade espetacular e imprevisível que é.A final começa já este fim-de-semana, no pavilhão leonino, por isso boa sorte aos dois conjuntos e que vença o mais forte!

Foto de Capa: Carlos Silva Photography/Bola na Rede

As rescisões não foram o primeiro passo

O Sporting foi abalado esta segunda feira por mais rescisões unilaterais de contrato por parte de alguns dos rapazes que vestiam as suas cores. Desta vez, foram William Carvalho, Gelson Martins, Bruno Fernandes e Bas Dost a apresentarem esses desejos, juntando-se a Rui Patrício e Daniel Podence que já o tinham manifestado.

Ora bem, em primeiro lugar, é bom lembrar que estes jogadores rescindiram com o Sporting Clube de Portugal e não com Bruno de Carvalho, ao contrário do que disse Frederico Varandas também nesta segunda feira. Isto é o ponto basilar, o mais importante, da discussão. Posto isto, existem vários pontos a refletir sobre todo este cenário das rescisões destes jogadores com o clube. Se for dada justa causa a estes pedidos de rescisão, estará a abrir-se um precedente gravíssimo. Isto porque qualquer clube poderá tentar agredir um jogador de um rival com o intuito de ele rescindir e contratá-lo mais à frente.

Se não for provada a ligação de elementos do Conselho Diretivo ao caso das agressões, como é que será dada justa causa a isto? Tendo em conta que muitos dos acontecimentos invocados nas cartas de rescisão são anteriores à invasão da Academia de Alcochete, não terá isto tudo sido orquestrado por quem tem interesse nas rescisões?

É bom analisar que os jogadores que até agora rescindiram, à exceção de Daniel Podence, eram titularíssimos da equipa principal e os portugueses estão todos no Mundial. É estranho que aqueles que menos jogam não se sintam irremediavelmente afetados pelos acontecimentos como este que estão a rescindir. Talvez este seja um ponto que seja relevante para a análise das pessoas e dos sócios do Sporting, em particular. É porque esses jogadores que não rescindiram até ao momento (têm até ao dia quinze para o fazerem) não tiveram a oportunidade de jogar de forma muito regular, nomeadamente nos vergonhosos últimos dois jogos disputados pelo clube no último campeonato. Talvez tivessem outro desempenho, mas já lá irei a esse ponto.

Menção honrosa para que merece ter a camisola do Sporting Clube de Portugal vestida
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Depois, também é relevante para esta história toda o papel dos empresários. Esses intervenientes que continuam a mandar no futebol estão por trás destas rescisões unilaterais de contrato, como fica provado pelo facto das primeiras duas rescisões terem sido dos únicos jogadores agenciados por Jorge Mendes, de quem Luís Filipe Vieira disse um dia ser “parceiro do Benfica”. A história das propostas que apareceram, ou supostamente apareceram, pelos jogadores terá muita influência nesta situação. Hoje em dia, a maioria dos jogadores não sabe gerir a sua carreira e deixam-nas nas mãos dos empresários. Como em tudo na vida, existem profissionais com e sem valores. Assim sendo, não há novidade nenhuma em relação ao papel dos empresários.

“Alex Telles é inegociável”

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Após as vendas de Ricardo Pereira e Diogo Dalot, e da saída, em final de contrato, de Iván Marcano, a defesa do FC Porto parte para 2018/2019 órfã de dois dos seus esteios e de um dos jovens laterais direitos mais promissores do futebol europeu e de quem se esperava que pudesse vir a assumir a titularidade após a venda do “mundialista” Ricardo. Assim sendo, da defesa que mais jogos realizou na temporada transata, restam apenas os brasileiros Felipe e Alex Telles.

O presente artigo, contudo, incide apenas sobre o lateral-esquerdo que protagonizou uma época sublime e que ganha, agora, o rótulo de intransferível.

Formado na Juventude, modesto clube de Caxias do Sul no Brasil, foi no Grémio FBPA que Alex despontou. Após um ano num dos maiores clubes de Porto Alegre e depois de ter sido considerado o melhor Lateral-esquerdo do Brasileirão, deu o salto para a Europa, transferindo-se para os turcos do Galatasaray S.K com apenas 20 anos. Após duas épocas regulares no clube turco, cumpriu uma temporada por empréstimo no gigante italiano Inter de Milão onde as coisas não lhe correram de feição. No verão de 2016 transferiu-se, a troco de 6,5M€, para o FC Porto.

Alex Telles foi o rei das assistências do FC Porto
Fonte: FC Porto

Vendo o lateral brasileiro jogar, salta logo à vista a sua capacidade ofensiva mas confesso que, por mais paradoxal que possa parecer dado o excecional número de assistências para golo que assinou no último ano, é a sua qualidade a defender que mais me impressiona. É um jogador muito completo. Fortíssimo a defender no um para um, é igualmente eficaz no controlo do espaço nas suas costas e na dobra aos centrais, tendo na sua enorme velocidade um dos maiores trunfos. Depois, e porque Alex Telles é um lateral-esquerdo e não um defesa-esquerdo, tem um enorme pendor ofensivo. A atacar é muito competente, tanto em condução, como no cruzamento e nas bolas paradas (mais em cantos e livres laterais do que propriamente quando é chamado a executar livres diretos). Demonstra, ainda, uma enorme capacidade física que lhe permite fazer todo o corredor esquerdo durante o total dos 90 minutos e apresentar um nível de jogo elevado e constante ao longo de toda a temporada.

Apesar de todas estas qualidades que fazem do brasileiro, na minha opinião, o melhor lateral-esquerdo do nosso futebol, pode melhorar na inteligência de jogo. O cruzamento é um dos seus vícios e uma solução à qual recorre mesmo quando não parece ser a melhor opção. Ainda assim, nesta última temporada, comandado por Sérgio Conceição, apresentou evidentes e significativas melhorias nesse aspeto. Deixou de procurar em demasia o jogo direto para os avançados e passou a priorizar a combinação com os médios. Raramente procura movimentos interiores, sendo que, no entanto, isso se deve ao seu companheiro de flanco, Yacine Brahimi, que assume as despesas do jogo interior e liberta o corredor para o lateral brasileiro. Indubitavelmente, uma das melhores contratações do FC Porto nos últimos anos e um lateral a seguir a recente tradição de excelentes jogadores que têm passado por aquele posto, nomeadamente Alex Sandro e Álvaro Pereira, para citar os mais recentes.

Desta forma, por todas as suas valências técnico táticas e pelas recentes vendas do clube, Alex assume o papel de insubstituível e intransferível e pedra basilar do FC Porto versão 2018/2019.

artigo revisto por: Ana Ferreira

Habemus consistência defensiva

O Mundial 2018 está mesmo aí à porta e a nossa equipa nacional já terminou a sua preparação para o mesmo. Numa caminhada que se iniciou em Braga, num particular frente à seleção da Tunísia, a nossa seleção revelou algumas fragilidades defensivas preocupantes que alertavam o nosso selecionador nacional para algumas afinações a fazer. Fernando Santos, um treinador bem conhecido por privilegiar sempre equipas com uma grande consistência defensiva, certamente saberia o que fazer e o teste seguinte prometia ser uma prova de “fogo” a sério para a defesa da seleção nacional portuguesa.

A verdade é que os primeiros 15 minutos de jogo não deixaram um bom pronúncio para aquilo que havia restante ainda da partida. A nossa seleção nacional entrou nervosa, a falhar muitos passes e sem conseguir sair para a frente. Parecia uma questão de tempo até que a seleção belga se adiantasse no marcador, tal era o caudal ofensivo. No entanto, a equipa portuguesa, foi-se libertando do nervosismo e conseguiu dar uma nova face. Aquilo que se viu foi muito da seleção nacional que todos nós conhecemos do Euro 2016, sempre fechada e consistente lá atrás e a não sair endiabradamente para a frente, mas a optar antes por transições ofensivas rápidas que têm o objetivo de serem letais
para o adversário. Se resultou em 2016 não vejo porque não continuar a apostar nesta estratégia.

O resultado foi um empate 0-0 frente a uma Bélgica já com as suas armas todas, e nós sem a nossa principal arma, Cristiano Ronaldo. Claramente um resultado dentro daquilo que esta seleção de Fernando Santos nos tem vindo a habituar. Defensivamente a equipa esteve bastante melhor do que no jogo com a Tunísia e ofensivamente esteve mais apagada, mas diria que isso foi mais consequência do adversário do que propriamente por deficiência da nossa equipa nacional.

A Seleção Nacional parece mais unida do que nunca
Fonte: FPF

A evolução era notória, ainda com poucos dias de trabalho, principalmente no aspeto defensivo, que assustou bastante o nosso selecionador no jogo com a Tunísia. Agora já com a estrela da nossa equipa integrada da comitiva, faltava ver como iria o jogo de Portugal melhorar com a presença de Ronaldo em campo, e se iríamos conseguir traduzir mais as situações de perigo em golo. O jogo com a Argélia foi excelente. Portugal não só dominou totalmente o jogo frente a um adversário que, apesar de não estar presente no Mundial 2018, tem as suas fortes armas, algumas delas bem conhecidas dos adeptos portugueses, como descobriu novas soluções para o jogo da nossa equipa.

Os 10 jovens jogadores que podem surpreender no Mundial

Na maior competição de seleções do mundo todos querem brilhar, uns mais do que outros. Naquele que é o maior palco de todos, os jovens que procuram o estrelato têm uma oportunidade de ouro para surpreender e poder chegar a um patamar superior. Muitos deles já atingiram o topo, mas precisam de mais para se lá manterem e nada melhor do que um Campeonato do Mundo para provarem que querem ser os melhores no futuro. O futuro do futebol passará, sem dúvida, pelos magníficos pés destas dez promessas.

O Dicionário de Fernando Santos: Gonçalo Guedes

Terminada mais uma época desportiva ao nível dos clubes, todo o universo do futebol se centra agora no Mundial da Rússia.

Portugal, inserido no grupo B, estreia-se no segundo dia de competição, frente à Espanha. No entanto, a preparação da Seleção Nacional já há muito teve início. Um mês antes do pontapé de saída na Rússia, Fernando Santos anunciou uma das decisões mais importantes: os 23 convocados para a fase final.

Face a um leque de opções alargado, o Engenheiro optou pela variedade. No grupo que vai seguir viagem para a Rússia, todos os jogadores apresentam caraterísticas diferentes, tendo utilidades repartidas pelos diversos contextos.

Assim, até à estreia da Seleção Nacional, o Bola na Rede vai definir, numa palavra, aquele que pode ser o principal contributo de cada jogador para a equipa das Quinas.

Gonçalo Guedes: Explosão.

Longe vão os tempos em que Guedes era visto como um extremo.

Depois de se ter estreado na equipa principal do Benfica como um jogador de faixa, o jovem só exponenciou verdadeiramente o seu futebol quando passou para o corredor central e hoje é esse o seu lugar natural.

Embora não se tenha conseguido afirmar no Paris Saint Germain, em Espanha brilhou e o Valência estará disposto a pagar algo como 50 milhões de euros para o contratar.

No contexto da Seleção Nacional, Guedes é o único jogador verdadeiramente parecido com Cristiano Ronaldo. Muito veloz e com uma enorme potência, o ainda jogador do PSG representa, sem ser um ponta de lança, um perigo real para as balizas adversárias.

A sua utilização na Rússia é ainda incerta, mas só o facto de colocar em causa a titularidade de André Silva já é ilustrador da sua evolução. A decisão, provavelmente, dependerá dos contextos e da vontade de Fernando Santos contar, ou não, com uma referência fixa na área. Mas da utilidade de Gonçalo Guedes já ninguém duvida.

 

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Futebol

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro