A primeira participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de inverno PyeongChang2018 estava a cargo do luso-macaense Kequyen Lam nos 15 quilómetros Livres do Esqui Cross-Country, prova onde Portugal já por duas vezes participou, em Turim2006 e Vancouver2010 por intermédio de Danny Silva. Nesta prova, este ano com 118 participantes, os esquiadores competem em estilo contrarrelógio, saindo para a neve com 30 segundos de intervalo entre cada um.
Se para o representante nacional só a participação já é uma vitória, especialmente por vir depois de uma lesão no ombro que o obrigou a terminar carreira no Snowboard e mudar de disciplina, na luta pelas medalhas os grandes favoritos Dario Cologna e Martin Sundby beneficiavam da ausência de Sergey Ustiugov, um dos russos a que Comité Olímpico Internacional não permitiu competir na Coreia do Sul.
Com os principais nomes a partirem todos a meio da prova, os tempos foram chegando em sucessão. No primeiro intermédio, ao quilómetro e meio, o francês Maurice Magnificat seria o mais rápido, mas seria ‘sol de pouca dura’ e o suíço Dario Cologna tomaria de assalto a liderança nos pontos intermédios seguintes.
Kequyen Lam equipado com as cores nacionais Fonte: Comité Olímpico de Portugal
E essa seria mesmo a história da corrida, com o ‘Super Dario’ a ir incrementando a sua vantagem com o decorrer dos quilómetros para alcançar o seu terceiro ouro olímpico consecutivo na prova dos 15 Km, pela primeira vez na história do Cross-Country. E, se de Cologna para o segundo a diferença se cifrou nos 18,3 segundos, o resto do pódio foi decidido por muito menos. Simen Krueger fez uma corrida em crescendo para ser segundo, com 4,7 segundos menos que Denis Spitsov, o russo que foi subindo do 23º lugar no primeiro intermédio até à medalha de bronze. Já Martin Sundby teve se contentar com o quarto posto, a menos de dois segundos dos lugares medalhados, enquanto Magnificat seria quinto a meros quatro segundos de Spitsov.
Quanto à representação lusitana, Kequyen Lam fez uma prova constante, começando no primeiro parcial em 115º e melhorando dois lugares até ao final com as desistências de Dietmar Noeckler e Marti Vigo del Arco, terminando a 20 minutos e 52 segundos de Cologna. Tornou-se, assim, o 13º e mais velho atleta olímpico de Inverno português. E, no fim, ele e os companheiros do fim da tabela, fizeram a festa de quem acabou de cumprir um sonho e passou o teste da resistência, conseguindo chegar ao fim.
Terminada a primeira metade do campeonato – há já algum tempo… – chega a hora de fazer as contas à produtividade e eficácia dos ataques e defesas dos três grandes. Como já abordado num anterior artigo, o jogo aéreo tem elevada importância no desempenho dos crónicos candidatos ao título, seja pelos golos que alcançam, seja pelos que sofrem e causam perdas de pontos.
Olhando caso a caso, e tomando regra de ordenação a classificação à décima-sétima jornada, serão analisados os números dos golos obtidos e concedidos pelo ar. Começando pelo líder na viragem do campeonato, o FC Porto obteve perto de um quinto (8) dos seus golos pelo ar. Mais a fundo, conseguimos perceber que dos 30 golos marcados no Dragão, 5 foram de cabeça (cerca de um sexto) e dos 15 marcados fora de portas, 3 foram de cabeça (exatamente 20 por cento). E se o contributo dos lances aéreos no ataque foi notado, na defesa verifica-se um misto de sensações; por um lado, dos seis golos sofridos no Dragão, nenhum foi de cabeça, mas por outro, dos três golos encaixados fora de casa, dois foram pelo ar. Apesar disso, a turma de Sérgio Conceição revelou-se a defesa menos batida da primeira volta e parece ser um caminho que vão percorrer afincadamente (dos 9 golos sofridos, apenas 2 foram de cabeça).
Coates assume-se como um dos trunfos aéreos do Sporting CP Instagram oficial Sebastian Coates
O segundo classificado na viragem do campeonato, o Sporting CP, alcançou sete golos de cabeça num total de 38 remates certeiros. Dos 20 golos conseguidos em Alvalade, apenas dois foram de cabeça, o que revela uma certa independência da equipa de Jorge Jesus pelos golos de cabeça. No entanto, se recordarmos os golos obtidos de bola parada, como penáltis, livres diretos de Mathieu ou Bruno Fernandes ou os remates de longe deste último, a fraca participação dos golos de cabeça nos pontos obtidos dentro de portas parece ser explicada. Por outro lado, jogando fora de casa, a situação inverte-se e tal pode ser explicado pelas equipas demasiado fechadas que os três grandes costumam encontrar. Prova disso são os cinco golos marcados de cabeça num total de 18 golos alcançados fora (perto dos 20 por cento). Pelo contrário, o jogo aéreo defensivo é mesmo um dos pontos fortes deste Sporting CP versão 2017/18; dos 10 golos sofridos na primeira volta, apenas um foi concedido pelo ar (fora de casa, apenas 10 por cento).
Jonas usa e abusa do jogo aéreo para garantir pontos à sua equipa Instagram oficial Jonas
O SL Benfica é, dos três grandes, aquele que menos golos obtém de cabeça e também aquele que mais golos concede de cabeça. É, neste aspeto, uma equipa mais neutra no que toca à importância do jogo aéreo no seu estilo de jogo. Os encarnados conseguiram apenas seis golos de cabeça num total de 40 marcados. No estádio da Luz marcaram apenas 4 golos de cabeça num total de 23 e o baixo sucesso neste capítulo verifica-se também fora de portas; dois golos de cabeça em 17 tiros certeiros. No capítulo defensivo, é o “grande” que mais golos sofre de cabeça, apesar de ser uma estatística pouco distante dos rivais e pouco significativa (três golos). É o único “grande” a sofrer golos de cabeça no seu reduto (um golo, num total de quatro) e enquanto forasteiros encaixaram dois golos de cabeça num total de sete.
Os clubes podem ou não dar importância ao jogo aéreo, mas a verdade é que a sua contribuição é inegável, evidente e poderá marcar a diferença. Um dos aspetos mais evidentes na liderança de Sérgio Conceição é o aproveitamento das bolas paradas e a taxa de conversão das mesmas é aceitável, mas os golos de cabeça não surgem só destes momentos do jogo. Também de bola corrida se alcançam golos de cabeça; foi assim o golo sofrido pelo SL Benfica na Madeira (CS Marítimo 1-1 SL Benfica) ou o golo de Fábio Coentrão no Bessa (Boavista FC 1-3 Sporting CP). Mesmo que os clubes não atribuíssem a devida importância a este capítulo do jogo – obviamente atribuem… – os adeptos encarregam-se de lhe conferir esse destaque. É ver como se ajeitam melhor no sofá ou levam as unhas à boca quando se prepara um canto ou um livre lateral. A favor ou contra…
Jeff Gorton e Glenn Sather puseram as cartas na mesa. Numa comunicação oficial aos adeptos, os homens fortes dos New York Rangers anunciaram a mudança de rumo. “À medida que nos aproximamos do trade deadline, estaremos focados em adicionar jogadores jovens e competitivos que combinem velocidade, habilidade e carácter. Isso significa que perderemos alguns rostos familiares, caras de que todos gostamos e as quais respeitamos”, diz a declaração. A reconstrução do plantel está em marcha e os adeptos estão avisados.
Primeiro Período: A atitude correta.
Todos os nomes estão em cima da mesa. Os Rangers não têm um plantel particularmente novo, por isso é difícil ver algum dos seus melhores jogadores a resistirem a este processo, que poderá demorar vários anos. Rick Nash e Michael Grabner são os nomes mais fáceis de apontar, mas até Mats Zuccarello, Ryan McDonagh e mesmo Henrik Lundqvist podem estar disponíveis. Quem poderá também não resistir às mudanças é Alain Vigneault. Quando perguntado sobre o futuro do treinador, Jeff Gorton recusou-se a responder.
Alain Vigneault, treinador dos Rangers Fonte: NHL
Para os adeptos dos Rangers, este é o primeiro embate com a realidade da NHL pós-salary cap. Já não é possível ser como os Red Wings dos anos 90, perder um jogador de elite apenas para encontrar outro e continuar a ser a melhor equipa da liga. Desde o salary cap até ao sistema de pontuação, tudo contribui para que a NHL seja uma liga de ciclos. Uma equipa constrói um plantel bom o suficiente para competir, tenta ganhar na pequena janela em que consegue manter esse grupo unido e depois, quando já não é capaz, deita tudo abaixo e começa outra vez.
Não dá para fugir a esta realidade. A diferença entre as equipas é feita pela rapidez com que percebem que o seu ciclo terminou. Quão mais cedo se aperceberem disso, mais cedo podem começar a reconstruir para tentar de novo. Mas também há aquelas equipas que estendem o seu ciclo ao máximo, à espera de um milagre ou, se quisermos ser mais cínicos, apenas à espera da receita de bilheteira dos playoffs. Parecendo que não, quatro casas cheias sem ter que pagar um cêntimo aos jogadores, ainda é dinheiro, mas cheira a burla. Até pode resultar durante um período, mas, a longo termo, enganar os clientes é uma péssima estratégia de negócio. Os Rangers decidiram ser honestos.
E podiam não o fazer. Estão a três pontos dos playoffs. Havia uma forte possibilidade de conseguirem lá chegar, mas sabem que não têm o que é preciso para lutar pelo título. Para isso têm de começar tudo de novo. Os Rangers disputaram 129 jogos consecutivos nos playoffs, apenas os Pittsburgh Penguins têm mais, desde a introdução do salary cap. Ganharam um President’s Trophy, foram três vezes à final da Conferência e uma à final da Stanley Cup. É preciso ter coragem para fechar este ciclo aos primeiros sinais de declínio, basicamente pondo um fim ao sonho dos Rangers, ganharem um título com Lundqvist. A declaração serve de agradecimento e aviso aos adeptos. Vêm aí tempos difíceis, mas este é, a longo prazo, o melhor caminho para a equipa.
Esta é, sem sombra de dúvidas, uma das mais fortes edições da Liga Europa. Da fase de grupos apuraram-se históricos como o AC Milan ou o Arsenal e da Liga dos Campeões caíram os fortíssimos Nápoles, Atlético de Madrid e Borussia Dortmund (estes dois últimos quarto-finalistas na edição passada da Liga dos Campeões e recentes finalistas da mesma, para terem bem a noção do seu poderio).
As estrelinhas alinharam-se e ditaram jogos, em perspetiva, bastante interessantes e equilibrados, nomeadamente os confrontos entre Lyon e Villareal, Borussia Dortmund e Atalanta e Nápoles e Leipzig. No entanto, o favoritismo fica só pelo papel e isso ficou provado hoje, uma vez mais.
Não faltou espetáculo nem emoção a esta primeira mão dos 16 avos-de-final e os golos só não apareceram no primeiro dos 16 jogos realizados. É precisamente por esse duelo entre Estrela Vermelha e CSKA que começamos a análise. Disputado excecionalmente a uma terça-feira (para não coincidir com o jogo do Partizan, também ele realizado em Belgrado), foi um jogo difícil devido às condições climatéricas e onde ficou mais uma vez demonstrado o fraco poder de fogo do ataque dos sérvios (marcaram apenas por três vezes em toda a fase de grupos). O 0-0 final leva a eliminatória para Moscovo, onde os russos têm tudo para garantir o acesso aos oitavos.
Nesta quinta-feira, realizaram-se os restantes quinze encontros. A meio da tarde, o Sporting conseguiu uma vitória robusta no difícil sintético do Astana, que praticamente garante a sua continuidade na prova. Menos sorte teve o outro representante português, o SC Braga que foi completamente vulgarizado por um impiedoso Marselha. Os 3-0 tornam a missão bracarense quase impossível, um resultado que até peca por escasso, tal foi o domínio e o volume de jogo dos franceses. As restantes equipas gaulesas tiveram sortes distintas: o Lyon triunfou convincentemente o sempre difícil Villareal e alimenta o objetivo de chegar à final, de que esteve tão perto na edição transata; já o Nice continua a defraudar as expectativas e, depois de estar a vencer por duas bolas a zero em casa, permitiu a reviravolta do Lokomotiv, com um hat-trick do português Manuel Fernandes.
Manuel Fernandes continua a realizar uma época memorável, que o deve levar ao Mundial 2018 Fonte: UEFA
No Signal Iduna Park, o Dortmund sentiu dificuldades perante a bem orientada Atalanta, conseguindo apenas o triunfo nos descontos pelo reforço de Inverno Michy Batshuayi. No entanto, o 3-2 apenas garante que vamos ter uma segunda mão emocionante. Outra equipa italiana que perdeu pela margem mínima foi a Lazio, que saiu de Bucareste com uma derrota algo inesperada. Também pela margem mínima, o Celtic levou de vencido o Zenit. Os empates a uma bola no AEK-Dínamo Kiev e no Partizan-Plzen e o empate a dois entre Real Sociedad e Salzburgo também prometem equilíbrio e muita emoção na segunda mão.
Estranhamente, ou talvez não, as vitórias mais expressivas foram obtidas por equipas que jogavam fora de portas. No terreno do estreante e surpreendente Ostersunds, o Arsenal aproveitou os erros defensivos dos suecos para carimbar o 0-3 no marcador. Pelo mesmo resultado, o irregular AC Milan triunfou no difícil campo do Ludogorets. Já em Copenhaga, a equipa da casa foi engolida pelo fortíssimo Atlético de Madrid (a meu ver, a equipa mais forte em competição), tendo os colchoneros goleado por 1-4. Outro Atlético, o de Bilbau, chegou ao intervalo a vencer por três golos sem resposta, tendo o Spartak ainda conseguido reduzir para 1-3 no segundo tempo. Ainda assim, estes quatro confrontos têm, praticamente, definidos os seus vencedores.
No jogo grande da noite, o Leipzig aproveitou as poupanças e o desacerto do Nápoles para triunfar no San Paolo por 1-3. Mesmo começando a perder, os alemães não desistiram e consumaram a remontada com golos de Bruma e Werner(2).
E foi assim mais uma semana europeia, mais concretamente uma quinta-feira de Liga Europa. Toda esta emoção e todo este espetáculo fazem desta uma competição em crescendo, sendo cada vez mais atraente para os clubes e, especialmente, para os adeptos.
Neste artigo vamos voltar ao passado e relembrar cinco defesas direitos que deixaram saudades no Dragão. Alguns deles ficaram mesmo como referências eternas do clube, sendo um exemplo para muitos dos jovens da formação portista.
O dia 10 voltou a ficar novamente na história de Portugal. Desta vez, o dia 10 de fevereiro de 2018, jamais será esquecido por todos os portugueses. Portugal conseguiu ser campeão europeu da modalidade, batendo a sua “besta negra” Espanha numa final épica, que fosse realizada por realizador de cinema, não teria tanta emoção e dramatismo como teve. Portugal começou logo a ganhar por 1-0, a Espanha fez a remontada e quando tudo parecia perdido apareceu Bruno Coelho, quase no fim da partida a levar o jogo para tempo extra (recorde-se que Bruno Coelho na primeira parte se lesionou, e parecia que não podia voltar a jogo, mas mesmo não estando a 100% voltou e marcou o golo do empate). No prolongamento Ricardinho lesionou-se, mas novamente Bruno Coelho apareceu e deu o tão desejado triunfo a Portugal. Triunfo 100% português, caso para dizer, o que é nacional é bom! Sim, a nossa seleção não tem jogadores naturalizados, uma raridade no futsal.
Ora começando pelo primeiro jogo, Portugal ganhou por 4-1 à seleção de brasileiros da Roménia, onde a peça chave era Slávio Mendonça. Nota para o golo de levantar o pavilhão de Ricardinho, marcado de letra. Segundo jogo, vitória da nossa seleção por 5-3 face à Ucrânia, o que nos garantiu o primeiro lugar do grupo.
Chegados os quartos de final, enfrentamos os brasileiros do Azerbaijão, e o resultado não poderia ser mais concludente: vencemos por 8-1, numa seleção completamente dominada por brasileiros. Meia-final, enfrentamos os brasileiros da Rússia, uma equipa dominada pelo génio de Robinho e Éder Lima. Vitória difícil por 3-2, mas o objetivo estava cumprido. Portugal estava na final.
A selfie comemorativa Fonte: Seleções Portugal
O final desta história já todos conhecem: fomos Campeões Europeus. Uma seleção, 100% portuguesa, que esteve sempre unida, e provou não ser Ricardinho mais 4 jogadores. Ricardinho é sem dúvida um génio, mas o coletivo foi o essencial para esta vitória portuguesa e isso ficou provado com a rotatividade que o mister Braz teve em todos os jogos, mostrando que confiava em todos os jogadores.
Numa modalidade com brasileiros espalhados por muitas seleções, há que salientar que chegaram à final duas seleções, sem jogadores naturalizados. É natural que equipas como o Azerbaijão e Cazaquistão (que deu muita luta à Espanha na meia-final) sem brasileiros, talvez não chegassem onde chegaram, mas é este o caminho que queremos para o Futsal? Um campeonato da Europa, que mais parece o Brasileirão? Fica a questão para reflexão!
O Orange Vélodrome foi o palco de mais uma noite do futebol da Liga Europa. O Sporting de Braga aterrou na cidade de Marselha com apenas uma coisa na cabeça: deixar a eliminatória aberta a pensar no jogo da próxima quinta-feira. Não seria incorrecto dizer que os “gverreiros” não estiveram à altura do jogo e a prova mais evidente é o resultado final: 3-0 e, embora pareça incrível, foi tão fraca a actuação da equipa portuguesa que o jogador que mais foi influente na partida foi mesmo Matheus, o guarda-redes bracarense. Uma noite para esquecer que esteve marcada pelo inesperado golo antes dos cinco primeiros minutos do jogo. Um encontro em que o SC Braga pareceu estar à mercê do seu rival.
“Não tivemos capacidade para destronar as mais-valias individuais e coletivas do nosso adversário e não fomos felizes no jogo”. Assim é que Abel Ferreira, o treinador do Sporting Braga, explica, ou pelo menos tenta explicar, o chocante facto de que sua equipa hoje conseguiu fazer somente dois remates em noventa minutos.
O jogo foi uma desilusão para os adeptos do SC Braga Fonte: SC Braga
Uma equipa nervosa e sem carácter que “infelizmente” recebeu o primeiro golpe, mal o encontro tinha começado. O golo de Germain pode resumir a partida: uma ofensiva francesa sagaz que aproveitou os erros e a desatenção com transições rápidas comandadas pelo seu capitão, Dimitri Payet.
Germain mais uma vez no minuto 69 e Thauvin, três minutos depois de ter entrado, no 74, completaram uma noite que foi absolutamente perfeita para os marselheses.
E se um sonho se transformasse num pesadelo? É precisamente isso que sinto relativamente ao hipotético segundo duelo entre Conor e Floyd. Porque digo isto? Porque gosto de UFC e de artes marciais.
O americano tem tentado chamar a atenção dos media e de Conor. Através das suas redes sociais, Floyd tem provocado o irlandês, que fez questão de não deixar o seu último adversário sem resposta. Paralelamente, também se falou que haveriam negociações entre o pugilista invicto e a organização comandada por Dana White. Fala-se num acordo para dois combates na UFC. Talvez sejam rumores, talvez não. A verdade é que no primeiro confronto, a especulação também foi determinante para a concretização e sucesso do evento.
Sinceramente, eu pensava que já tínhamos superado a fase dos duelos de aberrações que marcaram os primórdios da UFC e eventos como o torneio japonês K-1. Aberrações talvez seja uma expressão demasiado violenta para definir o arranque da organização UFC. Na verdade, tratava-se de colocar frente a frente atletas de modalidades distintas com o intuito de identificar a arte marcial mais eficaz e superior. Nas primeiras edições, Royce Gracie provou ao mundo que o jiu-jitsu brasileiro era um must have para qualquer atleta de artes marciais mistas. Desde então, todos os praticantes de MMA trabalham a vertente de luta no chão.
Royce Gracie frente a Gerard Gordeau na UFC 1 Fonte: Youtube
Mas o que Conor e Floyd estão na iminência de fazer é diferente. Não se trata, a meu ver, de encontrar a arte marcial superior, o melhor atleta ou o homem mais duro. A meu ver, trata-se de estupidificar um desporto, ganhando adicionalmente alguns milhões de dólares. Legítimo, mas igualmente criticável.
Podem achar que sou muito conservador, mas continuo a preferir duelos entre “iguais”. Creio que se está a abrir a porta para um infeliz regresso ao passado. Se me perguntassem se queria assistir a um duelo entre Ali e Tyson, a resposta seria obviamente que sim. Gostava de ver dois atletas preparados, com estilos diferentes, que conhecem o desporto, que estudaram a sua modalidade durante anos a fio (Mike Tyson que assistia com o seu mestre Cus D´amato a combates de alguns dos mais lendários pugilistas da história) e que aprimoraram micromovimentos durante longas e penosas sessões de treino. Gosto de assistir a um duelo entre especialistas na mesma área que apresentam argumentos diferentes. As diferenças não têm de ser completamente antagónicas para suscitarem o interesse (pelo menos o meu). Na MMA é quase certo que cada atleta terá as suas forças e fraquezas, sendo que essas fraquezas são trabalhadas regularmente. Quando falo em fraquezas não me refiro a uma completa inaptidão.
O que esperam verdadeiramente que aconteça num combate de MMA entre Conor e Floyd? Floyd não tem a dinâmica corporal de Conor, não sabe o que fazer no chão e provavelmente nunca desferiu uma joelhada em ninguém. Pode ser divertido durante os 20 segundos de duração do combate, mas não faz sentido matar uma lenda.
E se acham que a competitividade do último combate se pode repetir, desenganem-se. Na UFC, o árbitro não poderá interromper o combate porque Conor projetou Floyd e o obrigou a desistir com um mata leão ao estilo de Nate Diaz. Mayweather não é o primeiro pugilista profissional a tentar a sua sorte na UFC. James Toney, o antigo campeão de boxe em cinco categorias de peso diferentes também teve essa ousadia e como resultado não resistiu a um assalto com o lendário Randy Couture.
Foi num clima de muito frio que a equipa do Sporting CP jogou hoje, 15 de fevereiro de 2018, contra a equipa cazaque do FC Astana, num jogo a contar para a primeira mão dos 16-avos-de-final da Liga Europa Edição 2017-18. Tratou-se de um encontro entre o tetra-campeão do Cazaquistão, que prosseguiu na competição superando a fase de grupos da Liga Europa, e o Sporting CP que, recorde-se, “desceu” da Liga dos Campeões para a segunda maior prova europeia de clubes. O relógio marcava as 22 horas naquele país da Ásia Central quando foi dado o pontapé de saída. Em Portugal Continental eram 16 horas.
As condições em que se realizou o encontro foram particulares sob diferentes aspetos: o Sporting teve que fazer uma viagem de cerca de 9 horas, deparar-se na cidade de Astana com uma temperatura a rondar os 20 graus negativos e o relvado sintético da Astana Arena que, devido a estas características, é mais suscetível às lesões dos jogadores. Essa última situação levou mesmo a que Jorge Jesus deixasse Jérémy Mathieu em Lisboa. Porque cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.
A grande novidade na onze inicial leonino foi a inclusão de Bryan Ruiz, jogando nas costas do costa-marfinense Seydou Doumbia. Jorge Jesus deixou de fora da equipa principal o argentino Rodrigo Battaglia, garantindo que a posição oito do meio campo fosse ocupada por Bruno Fernandes. Quanto ao sistema tático, o Sporting atuou no seu sistema de 4-4-2 habitual, ainda que oscilasse, nos diferentes momentos do jogo, para um sistema de 4-1-4-1.
Do lado do Astana, a equipa da casa atuou num sistema de 4x1x4x1, com o avançado sérvio Djordje Despotovic a funcionar como homem mais ofensivo da formação cazaque, sendo “acompanhado” nos momentos de transição atacante pelo veloz Patrick Twumasi, a verdadeira “vedeta” desta equipa cazaque.
O início do jogo mostrou um Astana a querer assumir as despesas do jogo, encostando o Sporting à sua grande área e impedindo que a equipa portuguesa saísse de forma eficaz em construção sempre que recuperava a bola. Os Leões, por sua vez, mostraram-se desorientados e pouco inspirados logo desde os primeiros minutos do encontro, com a defesa leonina a cometer demasiados erros em zonas proibidas. Foi, aliás, essa desconcentração e pouca orientação coletiva da equipa que contribuiu para o golo do Astana, logo ao minuto 7, por parte do croata Marin Tomasov, com um remate forte dentro da área. Rui Patrício estava batido.
O Sporting continuava, após o golo, a registar nervosismo e isso traduzia-se em perdas de bolas constantes. O Astana jogava um futebol mais apoiado, mais calmo em campo e o Sporting foi incapaz de sair de forma eficaz nos primeiros momentos de transição ofensiva.
Mas, com o evoluir da partida, o Sporting foi aparecendo, ainda que pontualmente, na baliza cazaque, defendida pelo guardião Nenad Eric. Primeiro, ao minuto 17, após a cobrança de um pontapé de canto na direita do ataque leonino, em que Coates quase desviou para a baliza do Astana. Segundo, ao minuto 24, Bruno Fernandes enche-se de coragem e remata forte com o pé esquerdo fora da área, levando a uma defesa aplicada do guardião do Astana. E, terceiro, ao minuto 30, Doumbia “caiu” para a ala direita do meio campo leonino, progride nesse corredor e, após um cruzamento venenoso, Acuña não consegue fazer melhor do que um remate por cima da baliza adversária.
No segundo tempo, a equipa não parecia a mesma Fonte: Sporting CP
O Sporting, após o nervosismo que o caracterizou na sua entrada em campo, ia assumindo, após a primeira metade da primeira parte, as despesas do jogo. Mas isso não permitia olvidar as suas constantes falhas e a pouca inspiração nas zonas de finalização. Além disso, se no plano ofensivo, a equipa de Jorge Jesus ganhava maior protagonismo no jogo, a defesa dos leões mostrava-se insegura e inconstante, com Fábio Coentrão a mostrar-se incapaz de travar o veloz Tuwamasi e sem Acuña a colaborar defensivamente , como devia, no corredor esquerdo dos leões.
Mas, na segunda parte, os leões entraram completamente diferentes, face à forma acabrunhada com que entraram em jogo. No segundo tempo apenas se viu o Sporting, e o Astana assistiu de forma passiva aos “passeios” dos leões no relvado do Astana Arena.Logo ao início do segundo tempo, surgem dois golos dos leões de “rajada”, dando a cambalhota no marcador: o primeiro, aos 47, após uma boa cobrança de uma grande penalidade por Bruno Fernandes e o segundo, ao minuto 50, após um cruzamento de Acuña, na esquerda do ataque dos leões para Gelson, com um remate frio, quebrar o gelo do Astana Arena.
E, como quem diz dois diz três, ao minuto 55 surge o golo do costa-marefinense Seydou Doumbia após uma jogada brilhante de contra-ataque da equipa de Jorge Jesus entre três elementos: Bruno Fernandes, Acuña e Doumbia. Com o placard a marcar 1-3, o Sporting quebrou o gelo desta tarde gelada em Astana.
A partir do terceiro golo leonino, a equipa do búlgaro Stanimir Stoilov desistiu de discutir o que quer que seja no encontro: passou a ver jogar o Sporting e os leões controlavam o jogo com um futebol de circulação e de posse de bola. De facto, quem viu este Sporting a jogar na segunda parte interroga-se sobre o que terá dito Jorge Jesus no balneário aos seus pupilos para essa mudança tão radical de postura e concentração no jogo. Mas isso está para os treinadores como os cozinhados estão para os cozinheiros: muito se fala mas ninguém sabe a receita.
Deparamo-nos com uma crescente aposta na formação do clube ao invés de procurar primeiro fora. Com casos de grande sucesso, como o de André Silva ou Rúben Neves, a vontade de ver mais valorização na formação portista não mostra sinais de acabar. Um dos nomes para manter em mente, que ainda tem muito para nos dar é, nada mais nada menos, do que Federico Varela.
Fede Varela chegou à cidade invicta pela boca de um tal Lopetegui, que teve o primeiro contacto com o argentino quando este fazia parte das camadas jovens do RC Celta de Vigo. Antes de o argentino se naturalizar, Lopetegui assumiu o comando da equipa portista sem ter conseguido trabalhar com Varela nas camadas jovens da seleção espanhola, como desejava.
Lopetegui trouxe com ele para a Invicta o nome de Fede Varela, que entretanto estava ao serviço do FC Stade Nyonnais, da terceira divisão suíça. Quando Varela chegou ao Porto, já Lopetegui cá não estava.
Na equipa B, o argentino, que foi viver para Espanha aos oito anos de idade, brilhou. O pequeno (com 1,74m de altura) génio argentino-espanhol de 20 anos, médio ofensivo, é dono de uma extraordinária visão de jogo, descobre espaços e isola colegas de forma sublime, é muito ágil, rápido e possuidor de um grande qualidade técnica, facilmente dribla adversários e joga em espaços curtos.
Pelo FC Porto B disputou 70 partidas, marcou 16 golos e fez 7 assistências. Foi, em janeiro, reforço do Portimonense SC por empréstimo até ao final da temporada, o que lhe permitirá ganhar ritmo e experiência na Primeira Liga para, quiçá, conquistar o seu lugar na equipa principal na próxima época.