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“A maldição Herrera”

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fc porto cabeçalho

Nunca fui supersticioso! Nunca acreditei em qualquer tipo de “forças do oculto” e custa-me aceitar quem acredite em tal coisa. No entanto, existe uma espécie de maldição no Dragão que eu levo muito a sério e que assombra o FC Porto desde a época de 2013/2014. Muitas são as teorias aceitáveis para explicar esta recente seca de títulos dos azuis e brancos e esta é só mais uma teoria, neste caso a minha, em que o protagonista é o médio-centro portista, Héctor Herrera. Herrera chega ao FC Porto há 4 épocas, o FC Porto não é campeão há 4 épocas. Coincidência? Talvez. Mas vamos começar pelo princípio para tentar descobrir mais sobre o feitiço.

Na época de 2013/2014, chega ao dragão um médio-centro mexicano, já com estatuto de craque no seu país, com a árdua tarefa de fazer os adeptos portistas esquecerem-se do seu principal maestro do meio-campo, João Moutinho. Considerada uma das maiores transferências do futebol mexicano, Héctor Herrera chega ao Dragão por uns consideráveis 8 milhões vindo do Pachuca e tal investimento refletia uma aposta clara no jogador mexicano. No entanto, tudo correu mal desde o início ao médio, inclusive a sua adaptação ao futebol português. O suposto sucessor de João Moutinho teve que rodar e ambientar-se na equipa B, fazendo aí 8 jogos, e, por momentos, o nome e a transferência mediática de Herrera tinham quase caído no esquecimento.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

O que se seguiu nas próximas épocas de Herrera de dragão ao peito foi uma série de jogos inconsistentes, em que alguns jogos brilhava e outros apagava, outros jogava e outros sentava, outros a braçadeira envergava e outros nem na bancada sentava. A única coisa consistente no meio de tudo isto era a falta de títulos.

Mas qual o porquê de Herrera nunca se ter conseguido afirmar no FC Porto? Mais ainda, porque é que Herrera é craque no México e no FC Porto não passa de um jogador banal e às vezes até está abaixo disso? Não será, de certeza, por a seleção mexicana ter um plantel com mais qualidade do que o plantel portista, nem por ter um meio-campo mais forte do que o dos dragões. Ao longo destas 4 longas épocas, Herrera já pôde alinhar no famoso triângulo do meio campo portista com alguns dos melhores trincos do passado mais recente do FC Porto, tais como Fernando, Casemiro e Danilo e pôde ainda fazer dupla com Óliver (tecnicista), André André (mais agressivo) e Lucho González (lenda do clube). Muita variedade, muita qualidade, mas nada resultou!

Numa altura em que o mercado está aberto e é sabido que o FC Porto tem de vender, levanta-se uma questão em relação ao futuro de Héctor Herrera, deve-se vender ou deve-se manter? Porém, a esta questão responde-se com outra pergunta, Herrera tem mercado? Neste mercado de transferências fala-se pouco do nome do médio, mas ainda na época passada o nome de Herrera fazia correr muita tinta e era capa de jornais devido ao interesse assumido do Nápoles. O clube italiano chegou a uma proposta concreta de 20 milhões de euros que o FC Porto rejeitou, proposta essa que neste mercado de transferências fazia muito jeito aos cofres do dragão e que, com a constante desvalorização do nome Herrera, dificilmente irá receber uma proposta tão boa pelo jogador.

Tem-se falado muito ultimamente de bruxos para os lados do SL Benfica, será que um dos feitiços lançados pelo bruxo encarnado assumiu a forma do centro campista mexicano Hector Herrera, amaldiçoando o FC Porto com a falta de títulos?

Atenção, eu não digo que a culpa do insucesso dos dragões seja inteiramente de Herrera, mas a verdade é que ele não é o mesmo jogador que brilha na sua seleção. Pode ser que, com o estágio de pré-época que o FC Porto vai realizar agora no México, se encontre o verdadeiro Herrera que deve ter ficado refém durante estas 4 épocas e que, juntando-se os dois “Herreras”, o do Porto e o do México, se dê um fenómeno qualquer que acabe de vez com a maldição.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Beatriz Silva

FC Basel 1893 3-2 Sporting CP: Erros em demasia

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O Sporting cumpriu o terceiro jogo do estágio da Suíça com nova derrota. A equipa de Jorge Jesus jogou, naquele que parece ser o modelo alternativo, num 5-2- 3 inicial que se foi projectando num 3-4- 3 no decorrer da primeira parte. Azbe Jug na baliza, a defesa composta por Piccini, Tobias, Coates, Mathieu e Jonathan Silva; no meio-campo, Petrovic e Bruno Fernandes e na frente Bas Dost, Podence e Alan Ruiz completavam o onze inicial.

Os leões entraram bem na partida e durante os vinte primeiros minutos estiveram melhor que o Basileia. Podence foi o jogador mais inconformado, criando várias situações de perigo falhando, sucessivamente, na finalização. O golo surgiu com naturalidade e de grande penalidade a castigar falta sobre Alan Ruiz. Bas Dost não perdoou e fez o primeiro golo da partida.

Há algo neste Sporting que o acompanha desde a época passada: a pressão. O Sporting pressiona mal, o que dificulta e expõe em demasia o sector defensivo, muito, devido ao mau posicionamento de Petrovic e também de Jonathan Silva. Se a ideia, nesta táctica, é retirar profundidade ao adversário, o Basileia não teve qualquer dificuldade em conseguir sair a jogar. Desde o seu sector defensivo até ao ataque, os Suíços, conseguiram sempre anular a pressão adversária, criando espaços para Lang ganhar a linha de fundo e cruzar com perigo para a área leonina.

Jonathan Silva raramente se entendeu com as suas novas funções nesta partida Fonte: FC Basel 1893
Jonathan Silva raramente se entendeu com as suas novas funções nesta partida
Fonte: FC Basel 1893

Pior do que a pressão da equipa de Alvalade, esteve o juiz da partida. De uma falta a favor do Sporting, conseguiu descortinar um penálti para o Basileia. Falta clara de Ricky Van Wolfswinkel sobre Tobias e castigo máximo para Matías Delgado facturar e restabelecer a igualdade. Mas se o golo não surgisse de um erro do árbitro, iria, com certeza, iria surgir de um erro da defensiva leonina. Dois atacantes eram suficientes para criar situações de finalização a quatro defesas do Sporting. Piccini é o espelho desta fragilidade, sendo um jogador ainda em clara adaptação e algo limitado para a exigência do clube e mesmo do treinador Jorge Jesus. Alan Ruiz é outro jogador que se custa compreender. Bom tecnicamente e com remate fácil, porém fraco tacticamente, não só nesta partida, bem como em todas as anteriores. O argentino tem muito a melhorar se quer vingar este ano.

Ainda mais catastrófica foi a saída de Azbe Jug. A infelicidade do guarda-redes Esloveno resultou em golo, colocando o marcador em 2-1. Além da limitação vincada em conseguir jogar com os pés, o guardião, resolveu oferecer um brinde a Renato Steffen que não facilitou e fez o resultado da primeira parte do jogo.

Para a segunda metade, Jorge Jesus, continuou no mesmo esquema táctico. Entraram André Pinto, Bruno César, Mattheus Oliveira, Battaglia, Doumbia e Iuri Medeiros. Saíram Coates, Jonathan Silva, Petrovic, Bruno Fernandes, Alan Ruiz e Bas Dost. Bruno César jogou a defesa ala esquerdo criando, juntamente com Mathieu, um sector lento e permeável. Os segundos quarenta e cinco minutos não trouxeram muitas jogadas de perigo, no entanto, referimos as boas indicações de Battaglia, parece o 6 correcto para este sistema; a qualidade técnica de Mattheus Oliveira e o bom sentido posicional de André Pinto.

Matheus Pereira, Palhinha e André Geraldes entraram aos 67 minutos de jogo e foi mesmo Matheus, a passe de Iuri, que fez o 2-2. Excelente a visão de jogo do português e ainda melhor a finalização de cabeça do brasileiro. Como não há duas, sem três, André Geraldes, numa tentativa fortuita de atrasar a bola ao guarda redes, entregou o 3-2 a Kevin Bua. Mais um erro da defensiva do Sporting a gerar um golo adversário. O resultado acabou mesmo por não sofrer mais nenhuma alteração mesmo após as entradas de Pedro Silva e Gelson Dala. O Sporting teve apontamentos interessantes e alguns períodos de qualidade pecando, apenas, por erros individuais e numa pressão que tem de ser francamente melhorada.

O próximo jogo será frente ao Marselha, dia 18 de Julho, em França. Nesse jogo, a equipa escolhida, tem de estar mais próxima daquela que Jorge Jesus pretende e contará com um novo reforço: Marcos Acuña.

SL Benfica 1-5 BSC Young Boys: Defesa adormecida dita derrota

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Depois da vitória diante do Neuchâtel Xamax, na pré-temporada na Suíça, os ‘encarnados’ adiantaram-se no marcador do segundo jogo mas acabaram por sofrer uma goleada de 5-1, frente ao Young Boys.

Do 11 titular saíram Rúben Dias, Chrien e Cervi, dando lugar a Lisandro López, Filipe Augusto e Rafa, respetivamente. O Benfica entrou a ganhar, com um golo que Jonas marcou de livre direto, aos 22’. No entanto, a reviravolta dos suíços chegou cedo e, dois minutos depois, estava feito o empate.

A segunda parte foi tempo de alterações na equipa e Bruno Varela, Pedro Pereira e Cervi renderam Júlio César, Hermes e Diogo Gonçalves. A reviravolta chegou pelo pé do ex-Benfica Sulejmani, e, aos 57’, Jonas falhou a conversão de uma grande penalidade. Houve ainda tempo de o Young Boys chegar aos cinco golos e de Heriberto, Kalaica, Chrien e André Horta entrarem em campo.

Jonas voltou a estar em grande plano Fonte: SL Benfica
Jonas voltou a estar em grande plano
Fonte: SL Benfica

A grande nota negativa do jogo de hoje vai indubitavelmente para o eixo defensivo da equipa de Rui Vitória. Lisandro e Jardel mostraram-se muito aquém da sua qualidade habitual, muito lentos nas respostas e abordagens aos lances. O ataque do Young Boys fez o que quis da defesa ‘encarnada’. André Almeida também não ficou bem na fotografia no que diz respeito a alguns dos golos sofridos pelo Benfica, tendo-se soltado mais no ataque do que na defesa. Hermes continua sem convencer e Diogo Gonçalves hoje mostrou-se mais discreto do que na última partida. Nota-se que Kalaica é ainda muito inexperiente e Pedro Pereira dá a entender não ter espaço no plantel.

Pelo contrário, Jonas manteve-se fiel ao seu nível, combinando bem com Seferovic, que tem forte presença na área, e Filipe Augusto surpreendeu de forma positiva no meio-campo.

O Benfica volta a medir forças nesta pré-época no dia 20 de julho, contra o Real Betis, a contar para a Algarve Football Cup, no Estádio do Algarve.

Garbiñe Muguruza: “La Furia” Espanhola em Wimbledon

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Cabeçalho modalidadesDiz-nos a história que “ténis”, em espanhol, rima com “terra batida”. Porém, a tradição nem sempre se cumpre, e, desta feita, Garbiñe Muguruza mostrou ao mundo que é muito mais do que uma tenista competente em pó de tijolo. A espanhola bate com muita força na bola, sobretudo na sua pancada de direita, tem uma atitude extremamente agressiva no court, e, graças a esses predicados, conseguiu sair de Wimbledon com o título de campeã do mais icónico dos torneios do Grand Slam.

O caminho até à final foi impressionante, com a espanhola a deixar pelo caminho nomes como os de Ekaterina Alexandrova, Yanina Wickmayer, Sorana Cirstea, Angelique Kerber, Svetlana Kuznetsova e Magdalena Rybarikova. No seu excecional trajeto, Muguruza apenas cedeu um set contra a anterior número um mundial, Angelique Kerber, que se apresentou em Wimbledon com um nível de jogo significativamente superior àquele que tinha vindo a demonstrar ao longo da presente temporada.

Na final, Muguruza teve pela frente a campeoníssima Venus Williams, que, aos 37 anos de idade, marcou presença pela nona vez na final do torneio londrino. Tendo em conta o historial de ambas as jogadoras em relva e a sua experiência nos grandes momentos, o favoritismo parecia pender a favor da norte-americana. Porém, após um primeiro set no qual Venus Williams desperdiçou dois set points, a norte-americana pareceu ter perdido a confiança, não mais conseguindo manter os índices de concentração ao nível que é exigido numa final de um torneio do Grand Slam. Baixou a sua eficácia de serviço (um dos aspetos mais fortes do seu jogo) e, no segundo set, acabou por levar um “pneu” de Garbiñe Muguruza. A espanhola até somou menos winners do que Venus (14 contra 17) mas, por outro lado, esteve sempre muito consistente, tendo menos erros não forçados do que a norte-americana (11 contra 25).

muguruza wimbledon 2017
Fonte: Página do Facebook de Wimbledon

E foi assim que, aos 23 anos de idade, a melhor tenista espanhola da atualidade venceu o torneio que, há dois anos, havia perdido na final contra a mais nova das irmãs Williams e que, no cumprimento à rede, esta lhe disse que haveria de vir a vencer. A última vez que uma tenista espanhola triunfou em Wimbledon remonta a 1994, ano em que Conchita Martínez (que acompanhou Muguruza durante as últimas duas semanas) conquistou o torneio londrino. Para Venus Williams, este foi um (pouco conseguido) regresso a uma final de Wimbledon nove anos após a última ocasião em que a disputou. Curiosamente, das duas vezes em que Muguruza venceu um torneio do Grand Slam, fê-lo em encontros disputados frente às irmãs Williams.

venus williams wimbledon 2017
Fonte: Página do Facebook de Wimbledon

Para Garbiñe Muguruza, esta conquista representa um salto no ranking WTA para a 5.ª posição. A tenista espanhola tem pecado pela irregularidade mas, caso consiga manter a sua consistência exibicional, poderá num futuro próximo aspirar a figurar no top 3 mundial e, quem sabe, a lutar pela conquista de mais títulos do Grand Slam. Qualidade a espanhola já tem, bem como a capacidade de se apresentar a um grande nível em diversas superfícies; resta agora continuar a trabalhar, sem perder o foco, e a não permitir que no seu jogo a vertente psicológica se sobreponha à vertente técnica, na qual Muguruza é, claramente, uma das melhores tenistas da atualidade.

 

Foto de Capa: Página do Facebook de Wimbledon

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Portugal 1-2 Inglaterra: Maldito cinismo

Cabeçalho Seleção Nacional

E há terceira foi de vez… para a Inglaterra! A seleção dos três leões sagrou-se, pela primeira vez, campeão da Europa em Sub19, depois de duas finais perdidas, impedindo a seleção nacional de conquistar o primeiro título nesta categoria e de fechar o melhor ciclo de sempre de seleções portuguesas em termos de títulos conquistados – seriam três (Europeu Sub17, de Séniores e Sub19) em menos de 14 meses.

Os primeiros momentos do encontro não tiveram grandes motivos de interesse. Ambas as equipas foram a jogo tendo a segurança como prioridade. Portugal esticava-se de forma curta e apoiada, mas não arriscava no remate. A Inglaterra previligiava a profundidade, indo em busca da velocidade da linha ofensiva, que foi, quase sempre prontamente anulada pelo setor defensivo luso.

Neste contexto, o jogo conheceu uma primeira parte aborrecida e apenas com esboços de oportunidades de perigo, ambas para a Inglaterra – Rickkets, na única vez que conseguiu fugir a Dalot, ofereceu o golo a Mount, mas o lateral direito do FC Porto impediu-o de marcar e, mais tarde, Sessegnon, em boa posição, atirou muito ao lado.

 

Quina em disputa acesa com Nmecha Fonte: Getty Images
Quina (dir) em disputa acesa com Nmecha (esq)
Fonte: Getty Images

A segunda parte começou com o mesmo registo, embora com ligeiro ascendente português. A Inglaterra, porém, apostava as fichas todas na transição ofensiva ou… numa eventual bola parada. Que surgiu, à passagem do minuto 50. Mason Mount, chamado à conversão de um livre em posição frontal, atirou ao poste e na recarga, Suliman, de cabeça, igualou a partida. Portugal reagiu. Primeiro ameaçou, com Dju a desperdiçar, na pequena àrea e com guarda-redes batido, um golo cantado, e depois marcou, ainda que por via de um auto-golo inglês (Sterling) na sequência de um cruzamento bem batido por Conté.

Portugal crescia, agora, no jogo e empurrava a Inglaterra para o seu reduto, num domínio culminado com uma dupla oportunidade desperdiçada por Rui Pedro e Conté. A Inglaterra mantinha-se expectante, sem arriscar sair com muita gente, ainda que fosse agressiva na saída de bola nacional. E foi assim que “forçou” o erro que há muito procurara: face à pressão dos britânicos, Diogo Queirós, quis sair a jogar de forma mais longa… e deu-se mal. A bola foi interceptada e sobrou para Mason, que se isolou e ofereceu o golo a Nmecha à passagem do minuto 69.

A Inglaterra estava, agora, como queria. Confortavelmente instalada no seu meio-campo e sem a necessidade de ir atrás do resultado. Cabia a Portugal esse esforço. A seleção nacional arregaçou as mangas e foi em busca da igualdade, forçou a barra depois de Edun ter sido expulso, mas não conseguiu desfeitar Ramsdale, apesar das boas iniciativas de Rui Pedro, Miguel Luís, Queta e até Diogo Costa.

Foto de Capa: UEFA

Eles vêm para ficar

Cabeçalho Futebol NacionalNa última época assistimos a uma mudança de paradigma entre as equipas que sobem, relativamente ao passado recente. Regra geral, quem sobe tem pela frente a árdua tarefa de lutar pela manutenção, acabando muitas vezes por não a alcançar. Com o Desportivo da Chaves e Feirense foi diferente, com ambas as equipas a lutar até bem perto do final do campeonato pelas competições europeias.

Esta mudança não aconteceu do nada. Ao contrário do que se verificava no passado com quem subia, houve outro investimento por parte do Chaves, que tinha claramente como objetivo lutar pela metade superior da tabela. Já em Santa Maria da Feira o grande sucesso prende-se maioritariamente com Nuno Manta, ainda assim, a equipa tinha também alguns nomes interessantes.

Os fogaceiros realizaram uma excelente temporada Fonte: CD Feirense
Os fogaceiros realizaram uma excelente temporada
Fonte: CD Feirense

A Segunda Liga é uma divisão extremamente competitiva, todos os anos há um grande leque de candidatos à subida, pelo que as equipas têm de se apetrechar cada vez melhor para garantirem o tão desejado escalão principal. Foi assim com Chaves e Feirense e também com Portimonense e Desportivo das Aves.

Que reforços?

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fc porto cabeçalho

Se existe, gostava que me mostrassem qual a lei que obriga os clubes a reforçarem os seus plantéis em cada janela do mercado de transferências. Tudo porque tenho visto, dia após dia, – e com a insistência própria de quem faz tudo para que sejamos mal vistos -, espaços noticiosos desportivos a colarem ao FC Porto o rótulo de único clube que ainda não apresentou qualquer reforço, como se isso fosse uma obrigatoriedade que, uma vez não cumprida, trará sérios problemas.

Já aqui falei da necessidade imperiosa, face ao contexto financeiro atual, de rentabilizar o que já se tem (e não é pouco!) ao invés de contratar desenfreadamente pseudo-craques que, muitas vezes, acabam por não render o que deles se espera (Quintero!?).

O que mais me espanta ainda é ver os próprios portistas absolutamente incrédulos e revoltadíssimos com a situação, não sendo capazes de olhar um pouco para o plantel atual e perceber se, de facto, existe essa necessidade imperiosa de ir ao mercado. Até posso concordar que, numa ou noutra posição, possa haver espaço para entrada de um ou outro jogador, mas, sinceramente, aquilo que vejo é muita e boa matéria-prima à disposição de Sérgio Conceição para atacar o próximo campeonato.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Ora vejamos: para a baliza temos a benesse de contar por mais um ano com Casillas. Confirmando-se a sua saída, creio não haver razões para alarme uma vez que vem logo a seguir José Sá. Há, ainda, Fabiano que vai recuperando de lesão e acalenta esperanças. Os jovens Gudiño e João Costa fecham o lote de guardiões que asseguram o futuro.

Na defesa temos, enfim, duas ou mais soluções para cada um dos corredores. Se para a esquerda contamos com Alex Telles e o regressado Rafa, bem como Layún, temos na direita o regresso mais desejado mas, ao mesmo tempo, aquele que mais rapidamente pode sair em definitivo: Ricardo Pereira. A sua cláusula é demasiado convidativa para os tubarões e será difícil mantê-lo, infelizmente. Há ainda o dono do lugar, Maxi Pereira, e para a sucessão vão-se marinando promessas como Fernando Fonseca e Diogo Dalot. No eixo da defesa, os intocáveis Felipe e Marcano, aos quais se juntam mais dois regressos que podem perfeitamente assegurar a condição de “segunda escolha”. Falo, claro está, de Indi e Reyes. Há, eventualmente, a possibilidade de um deles sair e até nem vejo nisso um problema, pois creio que Jorge Fernandes, jovem da equipa B, poderá certamente fazer o papel de 4º central e continuar a alternar entre a primeira e a segunda formação.

Visão de jogo, rapidez e canudo na mão

Cabeçalho Futebol NacionalQuando era apenas uma criança – ainda mais do que sou agora – tinha como sonho ser jogador de futebol. Até aqui não devo estar a dar nenhuma novidade, visto que, arrisco dizer, mais de 80% das crianças rapazes desejam ser futebolistas. Muitos tentarão. A maioria ficará apenas pelo sonho. E os que triunfarão? Esses são poucos. Muito poucos.

Fonte: Pinterest
Fonte: Pinterest

A par da maioria que referi, também eu fiquei apenas pelo sonho. Nem tentei, sequer. Nunca joguei futebol em “escolinhas”, apenas na escola e na rua, com os amigos. No ar fica a dúvida: será que teria potencial para ser um grande jogador? Talvez sim, talvez não. O certo é que vi colegas, amigos ou simples conhecidos a fazerem parte desse grupo de “poucos” que se vão tornar muito: vão ser jogadores de futebol. Eu segui para jornalismo e eles para Alcochete, para o Seixal, para a fama, a idolatria, a vida próspera e de sucesso. Desengane-se. Pois dentro dos poucos que vi – vimos – seguir de chuteiras na mão, ainda menos chegarão a esse patamar.

Se olharmos para a situação desta forma, talvez saia eu a ganhar: daqui a vinte anos, espero eu, estarei a exercer jornalismo, seguro da minha vida e do meu emprego. E eles? Aqueles que deixaram para trás os estudos aos 15 anos para terem os olhos na bola? Que será deles se não chegarem à Primeira Divisão ou a um clube que os sustente o suficiente para viverem durante a sua curta carreira e mais além? Certamente não estarão bem.

As notas do novo Benfica

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A pré-época do Benfica arrancou e com o primeiro jogo chegam as primeiras observações dos novos reforços. Numa vitória por 2-0 frente ao Neuchâtel Xamax, Rui Vitória aproveitou para lançar em campo não só as novas contratações como também os miúdos da formação que prometem dar cartas no futuro.

Chrien fez uma exibição um tanto ou quanto acanhada, ainda que tenha sido criativo e feito notar o seu potencial possível de ser lapidado a médio prazo. Quem também precisa de mais minutos para mostrar o que realmente ‘vale’ é Willock, que, ainda que se tenha destacado mais individualmente do que em equipa, mostrou qualidade. Também o colombiano Arango entrou em campo e mostrou bons apontamentos, mas não foi dos melhores em jogo.

Seferovic começa a dar provas que merece a confiança de Rui Vitória Fonte: SL Benfica
Seferovic tenta ganhar a confiança de Rui Vitória
Fonte: SL Benfica

Seferovic e Diogo Gonçalves foram os grandes destaques positivos da partida. Na sua terra-natal, o suíço estreou-se ao serviço das ‘águias’ e marcou o seu primeiro golo. Só precisou de uma oportunidade, primando pela eficácia e procurando sempre as melhores linhas de passe. Mas foi Diogo Gonçalves quem convenceu rapidamente os Benfiquistas. Com muitas iniciativas, o jovem de 20 anos brilhou especialmente no primeiro tempo, esforçando-se por agarrar um lugar no plantel (como segundo avançado ou na ala). Diogo conta com a ‘concorrência’ de Salvio, Carrillo e Zivkovic, mas tem qualidade para a equipa de Rui Vitória.

Nota positiva ainda para Jardel e André Almeida que fizeram um ótimo jogo, e para Jonas que mostrou a qualidade a que nos habituou e marcou um golo de penálti. No entanto, nomes como Filipe Augusto, Hermes ou Pedro Pereira, ainda não conseguiram convencer e Rúben Dias esteve ‘apagado’ durante o tempo que jogou, mas é mais uma jovem promessa que já tem muitos anos de formação no Seixal e que pode ser bastante útil no Benfica.

Este é ainda o início de uma longa época que se avizinha e é tempo de experiências. Rui Vitória vai certamente arrumar a casa e fazer algumas alterações até chegar ao fecho do plantel 2017/18.

artigo revisto por: Ana Ferreira

O que são os eSports?

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Cabeçalho modalidadesEste será o artigo que marca a estreia do tema “eSports” aqui no Bola na Rede. “Desportos Electrónicos”. O tema é sensível, sendo que chamar “desporto” a algo que envolve um computador ou uma consola ainda faz levantar algumas orelhas e erguer alguns dedos argumentativos. Os eSports são, enquanto negócio, uma forma de aumentar o período de rentabilização de um videojogo para além do que seria normal. No ciclo de vida normal de um produto como um videojogo, um filme, ou um álbum de música, há uma curva de interesse e de vendas que, após um boom inicial, mostra uma tendência descendente. O período pode variar, naturalmente, mas o investimento na instituição desse videojogo enquanto eSport pretende alongar essa curva durante o maior período de tempo possível.

A título de comparação, vejamos o que se passou com alguns dos videojogos lançados em 2012 como The Walking Dead, Mass Effect 3, ou Dishonored. Foram êxitos no seu ano de lançamento mas hoje, em 2017, aquilo que representam em termos de contrapartidas para os estúdios que os lançaram vai sendo residual, até porque, desses que mencionei, as sequelas foram surgindo e de certa forma eclipsando os originais. O mesmo pode dizer-se do seu número actual de jogadores. Mas se olharmos para dois jogos lançados no mesmo ano como Dota 2 ou Counter-Strike: Global Offensive, vemos que, cinco anos depois, continuam a ser um sucesso (crescente, até) em termos de jogadores e vendas. Dota 2 faturou, e só nos últimos três meses, mais de 80 milhões de dólares com o seu Battle Pass. Números que a esmagadora maioria dos videojogos lançados este ano não atingirão em toda a sua vida útil.

Pois  bem, discutida que está a questão financeira, resta-nos a questão desportiva. Não é desporto, dizem uns, esgrimindo razões. Mas é uma competição que envolve treino, reflexos, perícia e decisões, argumentam outros. Mas não é “físico”, diz-se do outro lado. É tanto como tiro com arco ou com pistola, respondem outros. A argumentação assume contornos cómicos quando começa a ir buscar, ou, por outro lado, a ignorar completamente a origem das palavras. “Não é um desporto, é um desporto electrónico” é usado sem grandes preocupações com conceitos de lógica. E “Não é um desporto, é um eSports”, atropelando o facto de eSports nascer da aglutinação de Electronic SPORT, remete-nos para a mesma conclusão. Em todo caso, não é pacífico. Não precisa de ser. Não se carece de unanimidade para se existir. E os eSports, ou desportos electrónicos, são uma realidade. São videojogos competitivos, num ambiente ou arena pré-definidos, com um conjunto de acções, reacções e circunstâncias previamente estabelecidas. E são, regra geral, muito pensados na vertente do espectador. É certo que os jogos tradicionais fazem por se tornar mais apelativos perante o público. Mas para os eSports, isso é essencial, até porque grande parte do público é, ou pretende-se que seja, jogador.

Por terras lusas, olha-se um pouco de lado para os eSports. Mete-se tudo no saco dos videojogos. “São coisas para crianças”. Negligencia-se aquilo que se vai passando, em termos de público, com a Newzoo a prever que a audiência global para o mundo dos eSports chegue a mais de 385 milhões de pessoas, espalhadas pelo mundo.

Fonte:
Fonte: Newzoo

É, portanto, muito público. O que, por sua vez, se traduz num ecossistema apelativo para o mercado publicitário, que tem vindo a alimentar o crescimento nos últimos anos. Como resultado, temos os eventos cada vez maiores, com prémios a bater recordes atrás de recordes.

Fonte:
Fonte: zonae-sports.com

Em 2016, o mercado global de eSports movimentou quase 100 milhões de dólares em prémios para os seus praticantes. Isto num total de mais de 4000 eventos disputados por perto de 15 mil jogadores. Segundo o site esportsearnings.com, houve um aumento significativo face aos 66 milhões movimentados em 2015 e aos 37 milhões movimentados em 2014. O crescimento é, portanto, visível e atraiu alguns dos tubarões do mercado de investimentos. Os eventos de eSports rivalizam e, em alguns casos, ultrapassam alguns dos eventos desportivos mundiais de maior renome, como a ESPN fez questão de apontar há dois anos.

Fonte:
Fonte: ESPN

Os eSports saem assim da sombra e assumem-se como uma das modalidades com maior crescimento em público e valor nos últimos anos. Por aqui, iremos abordando aos poucos o que está por detrás deste mercado e desporto e onde se situa Portugal nesse meio.

Foto de Capa: vrandfun.com

artigo revisto por: Ana Ferreira