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Ser Ténis: A beleza de ser Roger Federer

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O court de ténis é, provavelmente, um dos locais mais solitários do mundo. Porém, não se limita a ser um espaço solitário; é-o, curiosamente, enquanto se está na companhia de outra pessoa num recinto com pouco mais de 260m2. Num grande palco, como o de Wimbledon, aos atletas soma-se o público; com quase 16 mil pessoas nas bancadas nada muda para quem está no court: a solidão é a mesma, as dúvidas, o autoquestionamento constante, a insegurança, a angústia face aos consecutivos erros não forçados, o pânico face à sensação de se ser incapaz de dar a volta aos acontecimentos, o trémulo nas pernas aquando do segundo serviço para se evitar um set point potencialmente decisivo.

Num court de ténis “não há rede”, o jogador confronta-se solitariamente com cada winner, com cada erro não forçado, com cada ás, com cada dupla falta, com cada bola que bate na tela e cai do seu lado do court, com a sensação de exaustão física, com as dificuldades para manter a concentração, com a espiral de descrença nas suas capacidades quando os erros se sucedem. Mas há um tenista para quem estes diferentes momentos parecem não existir; esse tenista dá pelo nome de Roger Federer.

Roger Federer já conquistou 19 Grand Slams Fonte: Facebook Oficial Roger Federer
Roger Federer já conquistou 19 Grand Slams
Fonte: Facebook Oficial Roger Federer

O suíço é um fora de série, é alguém que se enquadra num restrito grupo de grandes campeões como Michael Jordan, Michael Phelps, Usain Bolt ou Muhammad Ali. O que diferencia Roger Federer de todos os demais é que enquanto estes usam uma raquete, o Maestro tem-na enquanto extensão natural do seu corpo. Federer joga como respira, desliza no court ao invés de correr, substitui pancadas em slice, amorties e volleys por fouettés, grand jetés e pliés. O ténis do suíço é um bailado no qual não há lugar ao esforço ou ao cansaço. Pés, tronco, raquete e bola assemelham-se a uma peça única, a um fenómeno natural caraterizado por uma peRFeição aparentemente incontrolável. A cada deslocação no court, a cada pancada na bola, a cada ponto ganho fica a sensação de se estar a assistir a um momento ímpar, a estória na história do ténis. Fica a ideia de que quem criou o ténis fe-lo na esperança de que, um dia, surgisse alguém como Federer para ensinar como este deve ser jogado.

Rooney: ser bom pode afastar-te do topo

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Wayne Rooney despediu-se do Manchester United para regressar ao Everton, clube onde se formou, e o mundo do futebol não se espantou – mas devia.

O internacional inglês foi contratado pelos red devils com apenas 18 anos, depois de se ter destacado no Euro 2004, realizado em Portugal. Chegou ao United e no primeiro jogo, impôs-se: hat-trick e o «Teatro dos Sonhos» a suspirar por mais.

A verdade é que Rooney fez mesmo de Old Trafford a sua casa e conquistou o seu espaço na equipa, de tal maneira que Alex Ferguson começou a ver no inglês um polivalente capaz de fazer mais do que uma posição com qualidade.

Com isto, o jogador formado no Everton foi-se afastando da sua posição natural (a de avançado) e deixou de ser um jogador de top mundial a jogar perto de baliza, para ser um jogador muito bom a desempenhar vários papéis.

A dada altura, Rooney deu a entender que podia entrar na luta pela Bola de Ouro, já naquela altura disputada pelos dois «ET’s» de hoje, e foi insistentemente associado ao Real Madrid, apesar de esse «namoro» nunca se ter concretizado.

O jogador inglês continuou a ter papel de destaque com Alex Ferguson, até que Fergie se reformou e David Moyes assumiu o comando técnico do United.

Com a saída de Ferguson deu-se a queda dos red devils e, consequentemente, a queda de Rooney. Van Gaal foi o senhor que se seguiu e Moyes e o avançado continuou a ver diminuída a sua preponderância no plantel, até chegar a José Mourinho, que construiu uma equipa à volta de Zlatan Ibrahimovic e regelou Rooney, quase sempre, para o banco de suplentes.

O que fica é que o agora jogador do Everton, a dada da carreira e por ser tão completo, começou a ser utilizado em várias posições para «tapar» e perdeu preponderância na posição onde era, realmente, de classe mundial. Perdeu Rooney e perdeu o futebol.

Agora, no Everton, vai tentar terminar a carreira da melhor maneira possível.

Foto de Capa:

Artigo revisto por: Pedro Couto

Meio gás na bilha

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Suíça é sabida pelos fantásticos queijos mas também ficou, recentemente, conhecida pelos erros individuais dos jogadores leoninos. Uma autêntica obra de arte daquilo que não se deve fazer quando se joga ao mais alto nível. Nem a presença relativa dos emigrantes portugueses foi suficiente para que tal não acontecesse. A ofuscante procura para ver a equipa verde e branca jogar e, principalmente, vencer, não foi feliz sendo “premiada” com actuações negativas dos seus intérpretes.

Fábio Coentrão ganhou a luta de galos. Foi o reforço mais requisitado e aquele que mostrou mais qualidade no “calçadão” de Nyon. Bruno Fernandes mostrou ter a garra necessária para ser o maestro do meio-campo, nem que seja levantar a garimpa para fazer esquecer Adrien Silva. Doumbia mostrou que precisa, no mínimo, de uma semana para recuperar do seu último jogo ou golo marcado. Já Mathieu mostrou toda a sua perturbação que vem do Barcelona, nomeadamente pelas rabias de Messi nos treinos. O francês bem tentou esconder-se dentro de campo, com Jorge Jesus a rectificar constantemente o seu posicionamento, pedindo-lhe, inclusive, que saísse detrás de Coates.

Os reforços continuam a mostrar-se a Jorge Jesus Fonte: Sporting CP
Os reforços continuam a mostrar-se a Jorge Jesus
Fonte: Sporting CP

Matheus Oliveira e Battaglia necessitam de tirar as pantufas. As bolhas nos pés, devidas à carga física diária sofrida, não passaram despercebidas e ao longo dos dias em que foram chamados a intervir, notou-se um ligeiro melhoramento. Depois de cumprir este estágio, André Pinto irá apresentar-se no quartel de bombeiros em Lisboa. O mais recente apaga fogos de Alvalade eliminou com classe qualquer perigo que se aproximava do não guarda-redes Azbe Jug. O esloveno provou porque é que o Sporting precisa de não vender Rui Patrício. Para finalizar a análise dos oito novos reforços da equipa de Alvalade, Ezequiel Schelotto recebeu o novo telefone do presidente para desmentir a dispensa e divulgar que tinha ordem para se apresentar na academia.

Piccini foi o autor do “regresso” e Schelotto contribuiu com um jantar no seu restaurante. Há quem tenha verificado que a verdadeira essência de Piccini pode ser dentro da cozinha. Entre reforços, permanências, regressos e subidas, André Geraldes fez, provavelmente, o último jogo de leão ao peito. O defesa sentiu o mesmo que Bruno César ao ser chamado de tapa buracos. Petrovic renasceu e, se tivesse ficado uma época completa em Vila do Conde seria, neste momento, o novo menino querido de Jesus. Iuri Medeiros tem um pé esquerdo incrível, tão bom que nem sequer utiliza o pé direito para subir escadas. É “pedido” que o português fique no plantel, mas, a sua teimosia em desperdiçar oportunidades pode levá-lo, novamente, a representar clubes que lutam para não descer. Tobias foi à missa agradecer o facto de a venda de Paulo Oliveira ter acontecido antes da dele. O melhor momento de Ryan Gauld foi ter assustado Mathieu nos treinos – o mini-Messi esteve em grande plano nesse sentido. Jonathan Silva quis tanto mostrar tudo logo de início que acabou por apenas mostrar porque é que foi emprestado ao Boca Juniors.

O caso Aboubakar

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O FC Porto perdeu este verão aquela que era, para muitos adeptos, a sua jóia da coroa. No meu entender, André Silva foi sempre sobrevalorizado pela opinião pública e publicada mas ficamos a aguardar pelas exibições futuras do jovem português em solo italiano para tirar todas as teimas.

De qualquer forma, levanta-se, agora, o problema da sucessão ou, se quisermos, da sua substituição, visto que apenas um ano na equipa principal do Porto não será suficiente para deixar um legado.

O FC Porto tem nas suas fileiras um jogador que aprecio de sobremaneira: Vincent Aboubakar. Ponta de lança camaronês que chegou ao FC Porto pela mão de Julen Lopetegui e que esteve, no ano passado e após duas épocas a vestir de azul e branco, emprestado aos turcos do Besiktas. Atualmente com 25 anos de idade, vai mais do que a tempo de singrar no FC Porto.

A incorporação deste jogador no plantel principal do FC Porto para a época que se avizinha poderá ser, ainda assim, bastante complicada. Será sempre um processo delicado e a gerir com pinças pela SAD e por Sérgio Conceição. Eu dividiria toda esta questão em três pontos fundamentais: o lado desportivo, o lado financeiro e, ainda, o lado emocional.

Ora vejamos, desportivamente seria a solução ideal para o clube. Há poucos avançados da qualidade de Aboubakar ao alcance do FC Porto no mercado. O camaronês não atingiu, ainda, a plenitude da sua forma dadas todas as características físicas e técnicas que possui. É um jogador de técnica apurada e que sabe ter a bola no pé (goleia na comparação com André Silva neste aspeto). Apesar de um considerável porte físico que lhe permite rivalizar com qualquer central, trata-se de um jogador veloz e muito forte a jogar na profundidade. Aprimorou, nomeadamente na última temporada, a finalização, tanto pelo ar como pelo chão. É, portanto, um ponta de lança muito completo.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Segue-se, então, a questão financeira. Aqui existem prós e contras. Ou melhor: facilitadores e bloqueadores da operação. Aboubakar habituou-se, na Turquia, a um nível salarial incomportável para clubes portugueses, já que naquele país a carga fiscal para remunerações deste tipo é substancialmente inferior à de Portugal (12% contra mais de 50%) e, como tal, não será fácil a renovação de um contrato que termina no próximo verão. No entanto, o Porto apenas detém 37,5% dos direitos económicos do jogador, tornando a alienação do seu passe uma operação pouco lucrativa tendo em conta a qualidade do jogador, a situação de tesouraria do clube e a carência existente no plantel para a posição. Assim, valerá a pena um esforço suplementar para segurar o camisola 10 da seleção dos Camarões.

Pouco inteligentes a gerir os “excedentários”

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É verdade que nunca, ou quase nunca, sabemos as verdadeiras razões pelas quais um jogador deixa de contar para o plantel ou treinador. Se algumas vezes poderá ser por alegada falta de qualidade ou necessidade do jogador na equipa, noutras poderão ser questões contratuais ou comportamentais que afectam o desempenho do jogador.

Mas nunca podemos gerir os “excedentários” desta forma. Até ao último minuto em que sejam jogadores do Sporting temos de defender o activo e procurar a melhor solução financeira para o clube. Comunicar que o jogador está livre para procurar clube ou simplesmente não o deixar treinar vai fazer com que este desvalorize no mercado e se torne um “produto pouco apetecível” (isto são princípios básicos do marketing).

Se concordo com praticamente todas as “dispensas” de Jorge Jesus, não consigo deixar de ficar estupefacto com o caso de Schelotto, que ainda o ano passado renovou contrato. Mas também acredito que se Jorge Jesus o “afastou” foi porque alguma coisa aconteceu… ou pelo menos quero acreditar.

Miguel Lopes é mais um dos muitos jogadores que sai "magoado" pela forma como o Sporting Clube de Portugal o tratou Fonte: Super Sporting
Miguel Lopes é mais um dos muitos jogadores que sai “magoado” pela forma como o Sporting Clube de Portugal o tratou
Fonte: Super Sporting

Além de desvalorizar o jogador, desvaloriza o clube no que diz respeito a uma “opinião pública”, nomeadamente no que diz respeito à classe dos jogadores. Qual é o jogador que quer vir para um clube que não respeita os atletas? Que sente que a qualquer momento pode ser afastado ou deixar de contar e não poder treinar sequer para “manter a forma física”?

Jorge Jesus e a Direcção do Sporting têm de estar em sintonia, e não digo que não estejam, mas têm de valorizar qualquer individualidade do clube. Ryan Gauld, o “mini-Messi”, mesmo que não seja essa a opinião de Jorge Jesus, tem de ser aquela que ele transmite cá para fora. Há que sobrevalorizar todos eles.

E depois afastar jogadores como tem vindo a acontecer e como aconteceu agora com Paulo Oliveira e Miguel Lopes tem de ser gerido de outra forma… Reparemos que quase todos os jogadores que saem do clube (e que se mostraram com o coração verde e branco), em muitos casos saem de costas voltadas e sem querer ter mais nenhuma ligação à turma verde e branca, o que em momento algum é bom para o clube.

Independentemente de, na época passada, o jogador ter estado abaixo do que pretendíamos (mas quantos não estiveram), um jogador com a classe de Bryan Ruiz não pode ser tratado como está a ser!!!

Há que trabalhar um pouco melhor o Marketing do Clube…

Foto de Capa: www.sporting.filtro.pt

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Objectivo bem definido

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Cabeçalho modalidadesA Espanha, ao derrotar, na Final, a Eslovénia por 73-63, conquistou, mais uma vez, o Campeonato da Europa Sub-20 Femininos em Basquetebol. Em sete edições os nossos vizinhos ganharam seis, o que atesta a qualidade do trabalho e as apostas do desporto espanhol.

Portugal perdeu no derradeiro encontro com a Suécia (48-52 ), ficou no 12º lugar  e conseguiu assim a manutenção na Divisão (Grupo A). No ano anterior tínhamos sido 10º.

Ao longo do campeonato Portugal foi sempre competitivo. Em sete jogos ganhou  três, dois deles contra a Bósnia e Lituânia que desceram de divisão e ainda teve direito a dois prolongamentos (Letónia e Bósnia).

No ataque, mesmo não lançando bem (35% lançamentos campo), Portugal perdeu poucas bolas (12,7 por jogo, o melhor registo da prova) e foi sempre competitivo.

Carolina Gonçalves foi um dos grandes destaques lusos fotos FIBA
Carolina Gonçalves foi um dos grandes destaques lusos
fotos FIBA

Com Kosturkova, Chelsea e Jordão ausentes as dificuldades na luta dos ressaltos, pese a aplicação de Isabel Costa (6,7 (ressaltos média total), foram visíveis. Não se estranha pois que tenhamos sido a equipa que menos ressaltos conquistou na prova (média 35).

Na defesa, fomos quase sempre aplicados e organizados, recorrendo frequentemente a defesa à zona e às pressões em campo inteiro, o que já é marca nas equipas femininas.

A selecção nacional fez, como era espectável, uma rotação curta, recorrendo a apenas 7/8 jogadoras. Sinal de alguma fragilidade e que teve naturalmente reflexos na condição física e na quebra registada nos encontros finais. A intensidade é grande nestas competições o que pede um banco mais participativo.

Semedo, boa sorte!

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sl benfica cabeçalho 1Nélson Semedo foi recentemente anunciado e apresentado como reforço de verão do FC Barcelona. O defesa direito português reforça uma zona do terreno blaugrana que estava longe dos anos áureos de Daniel Alves. O número 50 encarnado fez as últimas 2 temporadas ao serviço da equipa principal e herdou o lugar de Maxi Pereira.

Na Luz vamos sentir saudades das suas arrancadas pela linha direita e do seu pé direito cheio de talento. Rápido nas reações mais ofensivas, Semedo pecava apenas por não estar tão limado defensivamente, pois, deixava a defensiva encarnada em apuros, algumas vezes. Formado na luz e pela Luz que chegou a internacional A, a sua venda revela ser muito positiva tendo em conta o valor (30M). A saída do lateral direito deixa vaga para o polivalente André Almeida e um Pedro Pereira que chegou, e ai de quem diga que não, para defender esta saída de Nélson.

No Barcelona vai encontrar uma equipa recheada de estrelas e uma defesa que há muito não está tão em forma como nos anos anteriores. Com Sergi Roberto como única alternativa à posição de Semedo, Roberto é ainda mais ofensivo que Nélson e na temporada passada mostrou muitos erros, demasiados até, defensivos. A sua força de entrar em terrenos mais interiores e a pouca velocidade de corrida mostram ser os erros que um lateral defensivo não pode cometer. Semedo acaba por não sofrer desses problemas e, na minha perspetiva, deverá ganhar o lugar a Sergi Roberto.

Fonte: SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Contudo, a maior preocupação é a, ainda, falta de qualidade das alternativas a Semedo no Benfica. André Almeida é um polivalente que, por ser polivalente, deixamos de conseguir definir a sua posição: defensivamente é muito bom mas nunca irá chegar aos calcanhares de Semedo nos lances de ataque pela direita. Falta-lhe velocidade nos lances e boa química com os parceiros de equipa da linha lateral direita. Pedro Pereira, em contrapartida, tem as qualidades que faltam a André Almeida mas mostra-se ainda muito “verdinho” para assumir a titularidade do tetracampeão. A sua falta de rodagem e de experiência mostram que ainda não está preparado para ser a alternativa de Semedo e que por isso necessitamos de procurar, no mercado, um reforço que faça esquecer rapidamente o camisola 50.

Ao Nelson Semedo desejo-lhe as maiores felicidades do Mundo e que aproveite da melhor forma jogar num clube como o Barcelona. Que cresça, que ganhe o lugar na seleção e que com Messi na frente seja uma dupla de terror para os adversários. Aos que ficam, lutem pelo lugar e mostrem que valem mais do que são neste momento.

Foto de Capa: FC Barcelona

10 portugueses que emigraram cedo

Cabeçalho Futebol InternacionalCom a recente saída de Rúben Neves para o Wolverhampton, ou até mesmo a ainda mais recente venda de Nelson Semedo por parte do Benfica ao FC Barcelona, surgiu a ideia de analisar as saídas do país por parte dos jogadores portugueses para equipas de outros países, e concluir quais as principais que considero terem ocorrido cedo demais, quer para jogador quer para clube.

Portugal é cada vez mais, como sabemos, um país formador e exportador, e por isso esta não foi uma tarefa difícil, até porque os casos de emigrações “precoces” têm-se tornado cada vez mais frequentes.

Fiquem então (e analisem também) com este top 10 de portugueses que emigraram cedo demais.

Porque não apostamos mais nos jogadores portugueses?

Cabeçalho Futebol NacionalA questão não é pacífica. Compreendida por uns, criticada por outros, a aposta nos chamados ‘mercados alternativos’ tem sido transversal à maioria dos clubes que disputam as competições profissionais do futebol português. A exposição e valorização do jogador luso garante-lhe várias opções na hora de analisar o futuro da carreira e os clubes nacionais nem sempre conseguem competir com os ambiciosos projetos desportivos ou com os ordenados mais aliciantes oferecidos nalgumas ligas estrangeiras. As ligações privilegiadas com empresários ou investidores abastados devolveram algum poderio a certas equipas do nosso campeonato, mas também isso contribuiu para que a concorrência seja cada vez mais desequilibrada no mercado doméstico.

Numa escolha mais arriscada do ponto de vista desportivo, mas geralmente mais barata, muitos clubes preferem complementar as suas equipas com jogadores que abandonam a terra natal em busca de uma oportunidade para se mostrarem ao futebol europeu. Os africanos e sul-americanos são os mais procurados, com o favoritismo a recair sobre os jogadores brasileiros, presentes em qualquer equipa portuguesa.

Nas equipas insulares, sobretudo nas madeirenses, a aposta torna-se ainda mais evidente, graças não só ao maior afogo financeiro, mas também às limitações inerentes à insularidade. No mais alto escalão do futebol nacional, o CS Marítimo é um dos clubes que mais forasteiros apresenta no seu plantel. Dos 26 jogadores que seguiram para o estágio em Lousada, apenas oito são portugueses e o Brasil é mesmo o país mais representado, com 11 atletas oriundos de terras de Vera Cruz. Das restantes equipas da Primeira Liga, só Portimonense SC e Moreirense FC contam menos jogadores nacionais, ambos com sete portugueses.

Daniel Ramos pretende um Marítimo com mais experiência de Primeira Liga, sendo Ricardo Valente uma peça importante na sua estratégia  Fonte: CS Marítimo
Daniel Ramos pretende um Marítimo com mais experiência de Primeira Liga, sendo Ricardo Valente uma peça importante na sua estratégia
Fonte: CS Marítimo

A situação, porém, não é exclusiva destes emblemas, já que muitos dos primodivisionários apresentam plantéis compostos por uma maioria de estrangeiros. Apenas Vitória SC, Vitória FC, Rio Ave FC, FC Paços de Ferreira, CD Tondela e CF ‘Os Belenenses’ têm nas suas fileiras mais de 50 por cento de portugueses. Estes números, apesar de tudo, são inflacionados pela presença de jogadores oriundos das camadas jovens ou equipas B, que, em altura de pré-época são chamados aos grupos principais, sem qualquer garantia de permanência a longo prazo. É, portanto, expectável que a quantidade de jogadores nacionais se altere até ao final do período de transferências, já que muitos plantéis se encontram ainda longe da sua forma definitiva.

Um diamante para o futuro – Entrevista Tiago Fernandes

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Começou no futebol, mas um treino bastou para mudar de ideias: no clube de Belém desde que começou a praticar rugby, Tiago Fernandes, aos 20 anos, é já um possante ponta, com presenças regulares na Selecção Nacional de XV e Sevens, para além da equipa principal d’Os Belenenses.

Bola na Rede (BnR): Quando, e de que forma, entrou o rugby na sua vida?

Tiago Fernandes (TF): O rugby entrou na minha vida aos 15 anos. Dos 6 aos 15 anos pratiquei futebol nas escolinhas do Rui Águas e do Sporting, tendo aos 9 anos mudado para o Clube de Futebol Os Belenenses, clube no qual pratico rugby hoje em dia. Posso dizer que foram momentos muito bem passados em que fiz grandes amizades e pude competir de forma federada durante muitos anos enquanto atleta de futebol porém, em meados de 2012, percebi que tinha melhores aptidões para o rugby. Ao entrar para a Escola Secundária do Restelo grande parte dos meus amigos praticava rugby n’Os Belenenses e, como muitas das vezes treinávamos a horas idênticas, íamos todos juntos desde a escola até ao estádio, até que um dia, quando já tinha terminado a época de futebol, perguntaram-me se tinha interesse em fazer um treino. Esse treino correu-me tão bem que fiquei entusiasmado em voltar novamente, pois tinha encontrado o desporto ideal para as minhas características.

BnR: Como analisa o nível do rugby português?

TF: O rugby em Portugal encontra-se, infelizmente, numa fase mais negativa em termos de resultados, tanto na variante de XV como na de 7’s. A meu ver, o rugby a nível internacional evoluiu bastante nos últimos anos e ainda não fomos capazes de atingir o grande desenvolvimento da modalidade de países como a Espanha, Rússia e Alemanha que neste momento são os nossos principais rivais.

BnR: Como foi a estreia com a camisola da Selecção Nacional?

TF: Ambas as estreias, tanto em XV como em sevens, foram momentos muito especiais que recordo como se tivesse sido ontem. A estreia na variante de sevens foi em Glasgow (World Sevens Series), contra a Escócia num jogo que perdemos no último minuto, mas foi uma experiência fascinante pois pude competir contra grandes seleções e contra jogadores que sempre vi na televisão. Relativamente à estreia no XV, esta ocorreu em Amesterdão, num jogo bastante importante para garantirmos o 1º lugar e jogar o play-off de subida de divisão, onde acabámos por ganhar à seleção da Holanda.

Com apenas 20 anos, Tiago Fernandes pode gabar-se de competir entre os melhores jogadores do mundo Fonte: The Ministry of Rugby
Com apenas 20 anos, Tiago Fernandes pode gabar-se de competir entre os melhores jogadores do mundo
Fonte: The Ministry of Rugby

BnR: Jogar rugby num clube estrangeiro passa pelas suas ambições? Quais seriam as condições para acontecer?

TF: Sim, qualquer jogador de rugby sonha em jogar em grandes campeonatos, tanto europeus, mais concretamente em França ou Inglaterra, como também em países do Hemisfério Sul, como a Nova Zelândia, Austrália ou África do Sul. Por outro lado, sendo o rugby um desporto amador em Portugal, tive que me focar também no percurso académico, neste caso no curso de Gestão, mas jogar no estrangeiro é algo que certamente gostaria de experimentar após terminar o curso.

BnR: O que ambiciona conquistar com a camisola d’Os Belenenses? E da Selecção Nacional?

TF: Gostaria de ser campeão nacional pel’Os Belenenses, claro. Na época que passou (2016/2017), melhorámos bastante face aos últimos anos e temos uma equipa com jogadores de grande qualidade, muitos deles internacionais de XV, sevens e escalões inferiores, portanto é algo que poderemos ambicionar nos próximos anos.
Relativamente às minhas ambições na Seleção Nacional, começam por conseguir regressar ao Circuito Mundial de Sevens (World Sevens Series) e também contribuir para a subida de divisão da seleção de XV.