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Às portas da Europa

Cabeçalho Futebol Nacional

O Desportivo da Chaves regressou este ano ao escalão principal do futebol nacional e depressa percebemos que este dificilmente ia ser um dos casos em que o clube volta a descer logo na primeira temporada.  Se o projeto na segunda liga já havia sido bem conseguido, na primeira, a qualidade, o critério e o investimento mantiveram-se. Jorge Simão chegou depois de ter deixado o Paços de Ferreira a apenas 1 ponto da Europa e com ele vieram também nomes como Felipe Lopes, Simon Vukcevic, Ricardo Nunes, Paulinho ou Battaglia.

À 14ª jornada o clube encontrava-se na 7ª posição e era a grande revelação do campeonato, tal fez com que o SC Braga escolhesse Jorge Simão como o substituto de Peseiro. Era a primeira “vítima” do sucesso dos flavienses, mas não seria a única. Paulinho, que estava a ser um dos melhores laterais do campeonato, Battaglia e Assis, donos do meio campo, também seguiram viagem para Braga. Além deste, o clube viu ainda sair o central titular Freire para o Japão.

A época do Chaves estava no ponto decisivo, além do timoneiro saíram ainda elementos fundamentais, mas aqui a grande qualidade da estrutura voltou a fazer-se valer. Ricardo Soares, desconhecido para quase todos, mas não para os responsáveis do clube transmontano foi o escolhido para tomar as rédeas do clube. Davidson e Batatinha chegaram provenientes do segundo escalão, Tiba e Bressan reforçaram o meio-campo e o ex-FC Porto e Sporting CP Nuno André Coelho para liderar a defesa.

Fonte: GD Chaves
Fonte: GD Chaves

O bom futebol e a cidade de Chaves continuaram a combinar e a equipa vai terminar a meio da tabela, – ainda podem descer para o 11º posto em caso de derrota com o Sporting CP – numa época em que ainda sonharam com as competições europeias. Entretanto já começaram a preparar a próxima época de olhos postos na Europa. Ricardo Soares já confirmou a saída, para lhe suceder fala-se em Luís Castro ou num regresso de Jorge Simão e o melhor marcador Fábio Martins vai regressar ao SC Braga. Já garantidos para a próxima época estão Rui Silva, lateral proveniente do Santa Clara, e Wilmar Jordán, avançado em tempos associado a Alvalade.

O Chaves está de boa saúde financeira e desportiva, o actual presidente foi recentemente reeleito, o capitão Nelson Lenho, o especialista em bolas paradas Bressan e os guardiões António Filipe e Ricardo já renovaram e parece-me que enquanto se mantiver esta estrutura o bom futebol no Municipal de Chaves está garantido, trancando a sete chaves o clube na Primeira Liga.

 

Foto de Capa: GD Chaves

Façam-se apostas: No final da temporada, a Número 1 do Ranking WTA será…

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Cabeçalho modalidadesA notícia que surpreendeu o mundo do ténis foi dada a conhecer há quase um mês: Serena Williams está grávida e, consequentemente, após um longo período de domínio do circuito WTA, prepara-se para abandonar de forma mais prolongada o lugar cimeiro do ranking mundial. Para os amantes de ténis, pese embora o significativo declínio de qualidade que significa a ausência de Serena Williams do circuito WTA, esta trata-se de uma oportunidade de ouro para perceber o que valem realmente as adversárias da supercampeã norte-americana.

O ano tenístico tem sido marcado, na vertente feminina, pela incerteza ao nível dos resultados decorrente da inconsistência do desempenho das atletas. Estas parecem ser capazes, de semana para semana, do melhor e do pior, como é exemplo a eliminação de Garbiñe Muguruza na primeira ronda em Madrid e do atingimento da meia-final, logo na semana seguinte e na mesma superfície, do Internazionali BNL d’Italia. Este tem sido também o ano no qual a grande surpresa da temporada transata, Angelique Kerber, que chegou mesmo a “roubar” o lugar cimeiro do ranking WTA a Serena Williams, nunca conseguiu ir além dos quartos-de-final nos principais torneios (no Premier Mandatory de Miami).

Angelique Kerber tem admirado diversos colegas de profissão Fonte: Facebook Oficial de Angelique Kerber
Angelique Kerber tem admirado diversos colegas de profissão
Fonte: Facebook Oficial de Angelique Kerber

Roger Federer afirmou recentemente ficar “impressionado” sempre que vê Angelique Kerber jogar, e a verdade é que a tenista alemã tem caraterísticas de extrema relevância no ténis moderno: uma capacidade atlética impressionante para cobrir o court e uma excecional velocidade de reação. Kerber tem no fundo do court a sua zona de conforto e na direita a sua melhor pancada (sobretudo na direita paralela, que lhe permite fazer vários winners); por outro lado, o serviço é o calcanhar de Aquiles da alemã, pese embora esta acabe por obter algum benefício do facto de ser esquerdina.

Foto de Capa: Facebook Oficial de Serena Williams

 

La Liga: Antevisão à corrida ao título

Cabeçalho Liga Espanhola

38ª e última jornada da liga espanhola, é aqui que iremos descobrir o vencedor de um dos campeonatos mais importantes da europa e do mundo. Na corrida ao primeiro classificado do pódio, estão os eternos rivais Real Madrid e Barcelona que irão procurar, desde o minuto inicial, chegar à vitória.
Com uma vantagem de três pontos sobre os “blaugrana”, os “merengues” sabem que basta um empate em Málaga para garantir a conquista do seu 33º campeonato espanhol. Desde 2011-12 que a taça não vai para o Santiago Bernabéu, e com toda a certeza que a equipa estará super motivada naquela que será a partida mais esperada por todos os adeptos madrilenos. No entanto, apesar do favoritismo estar todo do lado do Real, não se espera um jogo com facilidades para a equipa de Zidane, que terá pela frente um adversário bastante motivado e que vem de cinco jogos consecutivos sem perder.

Zidane pode conquistar a sua primeira Liga Espanhola como treinador no próximo domingo Fonte: Real Madrid CF
Zidane pode conquistar a sua primeira Liga Espanhola como treinador no próximo domingo
Fonte: Real Madrid CF

 

De qualquer das formas, o técnico francês chega ao final da época com Cristiano Ronaldo em excelente forma e com vontade de alcançar mais um título espanhol ao seu palmarés, que irá contribuir bastante para a decisão do próximo melhor jogador do mundo. O português quer igualar Leonel Messi com cinco bolas de ouro, e sabe que para o conseguir convém vencer o campeonato e a final da Liga dos Campeões frente à Junventus.
Já o Barça terá uma tarefa mais fácil que o rival, pois recebe o Eibar em Camp Nou. Apesar da vitória ser o resultado mais provável do encontro, os pupilos de Luis Henrique terão de esperar que o primeiro classificado escorregue e saia derrotado do seu encontro, de forma a colocar-se em igualdade pontual que permitirá a revalidação do título para a equipa de André Gomes.
Será um domingo eletrizante pelas terras dos nossos vizinhos, que irão muito provavelmente testemunhar e ver Cr7 celebrar mais um título espanhol.

Foto de Capa: Marca.com

“Cudic!! Muito bem, Cudic!!”

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“Cudic!! Muito bem, Cudic!!” é uma expressão que muito ouvimos por parte dos relatadores da Sporting TV sempre que a equipa de andebol do Sporting entre em ação. De facto, as exibições de Aljosa Cudic, o guardião esloveno da equipa leonina, têm mostrado que ele é um dos melhores guarda-redes da modalidade a atuar em Portugal.

Cudic está a ser o guarda-redes mais utilizado como titular na baliza dos Leões neste final de temporada 2016-2017 sendo que, no início de época, as chaves da baliza estavam entregues ao atual suplente do esloveno, o croata Matej Asanin. As exibições deste guardião de elevada estatura (2,03 m contra os 1,90m de Cudic) fizeram também muitos admiradores, mas as de Cudic têm-no confirmado como um atleta mais ágil, mais atento e de maior segurança entre os postes.

No sentido das exibições de elevado quilate de Cudic, a comunicação social portuguesa tem destacado as suas excelentes prestações. O Diário de Notícias, acerca da vitória sobre o FC Porto por 28-27 em Odivelas, noticiou em 13/05/2017 no seu site o seguinte: “No Sporting, à exceção do estranho golo sofrido no último segundo, brilhou o guarda-redes, Aljosa Cudic, com fantásticas defesas (…)”. Já sobre a vitória dos leões sobre o ABC, também em Odivelas, no mês passado por 31-26, o site Notícias ao Minuto referia a 20/04/2017: “Depois do equilíbrio inicial na partida a inspiração de Frankis Carol e de Aljosa Cudic foram fundamentais para arrecadar uma importante vitória diante dos minhotos”.

Aljosa Cudic e Matej Asanin são os dois guardiões principais do andebol do Sporting Fonte: Sporting Clube de Portugal - Andebol
Aljosa Cudic e Matej Asanin são os dois guardiões principais do andebol do Sporting
Fonte: Sporting Clube de Portugal – Andebol

Na Maia, no passado dia 10/05/2017, em jogo contra o Águas Santas, jogo esse que tive a oportunidade de assistir ao vivo juntamente com muitos sportinguistas nortenhos que fizeram questão de apoiar a equipa nesta deslocação difícil, Cudic foi mais uma vez Cudic: as suas enormes defesas, de elevado recorte técnico, em certa medida impossíveis à luz dos limites da elasticidade humana, quer face a remates de longa distância quer face a remates de curta distância, eram festejadas como se de golos se tratassem.

As suas defesas têm sido hinos à modalidade, saindo reforçado não só o Andebol Nacional mas também o Sporting Clube de Portugal. Qualquer amante da modalidade reconhecerá facilmente, independentemente do seu clube, que Aljosa Cudic é um guarda-redes de andebol de topo nacional e até mesmo internacional. No que me diz respeito, as suas exibições têm-me permitido recuar à infância e à contemplação quase religiosa que eu fazia, quando era miúdo, das defesas de um sueco que, naquela altura, era um dos meus maiores ídolos no Andebol: Tomas Svensson.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal – Andebol

Quem pode destronar a Juve?

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Cabeçalho Liga Italiana

Quase terminada mais uma época da Liga Italiana, cujo campeonato será quase de certeza (mais uma vez) vencido pela Juventus, estará para breve a escrita de uma nova página da hegemonia bianconera no futebol do país italiano. Ao que tudo indica, a Juventus conseguirá esta época alcançar o hexacampeonato, feito inédito na história do calcio, e com certeza se estará por esta altura a formular na cabeça dos adeptos das restantes equipas da Serie A a questão sobre que equipa poderá bater o pé à formação atualmente comandada por Allegri, de maneira a lhe roubar o título que parece já ser seu por direito e que todos os anos lhe é “entregue” pela grande parte dos analistas ainda na parte inicial da temporada. Mas então, qual é a equipa que, neste momento, e olhando ao futuro próximo, parece mais preparada para a árdua missão de retirar à Juve o que tem sido seu nos últimos cinco anos?

Ao primeiro olhar, e analisando com frieza a atualidade do futebol italiano, nenhuma equipa se tem demonstrado verdadeiramente capaz de vencer campeonato, à exceção, claro, da atual campeã.

Uma imagem repetida várias vezes em Itália- Fonte: Juventus
Uma imagem repetida várias vezes em Itália-
Fonte: Juventus

Mas olhando àquilo que pode acontecer nos próximos anos, com a retirada de alguns jogadores e com a afirmação de novos talentos nos diferentes plantéis que certamente ocorrerão, esta análise torna-se um pouco mais complexa e mais imprevisível.

A equipa da Juventus é, claramente, uma das equipas mais experientes da Serie A, com uma média de idades de aproximadamente 27 anos, e por isso será uma das equipas que nos próximos anos poderá ser mais afetada pela retirada de alguns dos seus maiores pilares. Jogadores como Buffon, guardião sem concorrência da equipa, Chiellini, Barzagli, Dani Alves, Marchisio, Khedira ou Mandzukic estão já com mais de 30 anos e o provável abandono por parte destes do futebol ou da equipa pode vir a ser um dos maiores contratempos para a Vecchia Signora. Claro está também que o poder do clube é demasiado grande para deixar de investir em novos jogadores, e a sua afirmação como um dos melhores clubes do Mundo continuará a atrair os melhores jogadores do Mundo, sejam eles experientes ou ainda em período de crescimento mas já com grande qualidade.

Espanha Sub17 2-2 Inglaterra Sub17 (4-1 nas g.p.): Persistência espanhola vale Europeu

Cabeçalho Futebol Internacional

A Final do Europeu Sub-17 tinha como participantes as seleções da Espanha e Inglaterra. Espanhóis e Ingleses procuravam vencer o jogo mais ambicionado do torneio, este ano disputado na Croácia, e substituir Portugal como país detentor do troféu (venceu a prova em 2016, no Azerbaijão). Ambos vencedores anteriores da prova, os dois conjuntos até chegar à Final tinham tido percursos um pouco semelhantes: a Espanha apenas empatou dois jogos (frente à Croácia na fase de grupos e Alemanha na meia-final), ao passo que a Inglaterra levou sempre a melhor nas 5 partidas já disputadas.

Relativamente aos onzes para esta Final, o selecionador espanhol optou por manter os mesmos jogadores utilizados no jogo anterior, à exceção do inglês que alterou duas peças no seu 11 inicial: Latibeaudiere e Alex Denny foram titulares.

A Final começou a um ritmo lento, com as duas seleções mais empenhadas em impedir o seu adversário de atacar, em vez de tentar arriscar logo nos minutos iniciais., daí que nos primeiros 15 minutos da partida a bola tenha andado afastada das balizas. Após 15 minutos “mornos”, a seleção inglesa trouxe alguma animação ao jogo: aos 18’, Hudson-Odoi, num lance individual vindo da esquerda para o centro, rematou já dentro de área e fez o 0-1. O golo certamente iria tornar mais interessante a Final, visto que agora a Espanha necessitava de ir atrás do prejuízo. Ferrán Torres, aos 21’, teve perto de empatar o encontro, mas o seu remato foi às malhas laterais da baliza de Josef Bursik. Três minutos depois, foi a vez de Abel Ruiz tentar a sua sorte, mas não teve sucesso. A seleção espanhola ia tendo o controlo de jogo, limitando assim o seu oponente a jogar no meio campo defensivo. O “sufoco” espanhol teve finalmente frutos: depois duma bela jogada coletiva, Mateu Morey empatou o jogo, aos 38’. O empate justificava-se pelo que tinha sido produzido pelos dois lados, sendo que o marcador não se alterou até ao apito do árbitro para o intervalo.

O jogo muito disputado em Varazdin Fonte: UEFA
O jogo muito disputado em Varazdin
Fonte: UEFA

O início da 2.ª parte não teve mudanças táticas nos dois lados. A atitude dos jogadores nos primeiros instantes parecia estar alterada em comparação à 1.ª parte toda, com os mesmos a mostrar maior interesse em querer ganhar o jogo no tempo regulamentar, e não nos penáltis.  Aos 45’, a Espanha, com um livre indireto, levou perigo à baliza de Inglaterra, mas o fora-de-jogo impediu a reviravolta no marcador. A Inglaterra respondeu, por intermédio de Odoi aos 48’, mas o guardião Álvaro Fernández opôs-se bem ao remate. Aos 55’, a Espanha sofreu uma contrariedade: Beitia substituiu Orellana lesionado. Mas um azar nunca vem só: três minutos depois, Phil Foden fez o 1-2 num bom remate rasteiro fora de área, após mau alívio da defesa espanhola no seguimento de um pontapé de canto. A Espanha voltava a ter de ir à procura do empate, e quase o conseguiu aos 60’, contudo valeu Bursik a impedir o 2-2.

Os últimos 20 minutos seriam inquietantes, com os jogadores espanhóis a fazer de tudo para não perder a segunda final consecutiva. Sergio Gómez, aos 70’, num remate em arco fez a bola passar não muito longe da baliza inglesa. O tempo começava a escassear, e a Inglaterra ia fazendo o que podia para segurar a vantagem mínima preciosa. O desacerto e a desinspiração eram nestes últimos minutos os maiores adversários de Espanha, visto que na altura de rematar a bola não levava a trajetória desejada. A insistência voltou a ter resultados: no último lance da partida, Nacho Díaz fez o 2-2, num pontapé de canto. Pelo segundo ano consecutivo, o vencedor seria encontrado nas grandes penalidades.

No desempate por grandes penalidades, a mais competente foi a Espanha, que não falhou nenhum penalty, ao contrário de Inglaterra que falhou dois  – Brewster e Latibeaudiere não foram bem-sucedidos na marcação. A história foi diferente da observada em 2016, e os penáltis não foram dramáticos para os espanhóis. A persistência valeu a conquista da prova.

 Foto de Capa:

Europa e Permanência – Os últimos batimentos do coração

Cabeçalho Futebol NacionalFalta uma jornada! São os últimos nove jogos da edição 2016/2017 da Liga NOS. Se vai deixar saudades ou não, depende do leitor e de pessoa para pessoa, mas qualquer adepto de futebol fica triste e desamparado quando o campeonato termina e chega uma pausa de quase três meses até este regressar. Assim, convém aproveitar ao máximo estes últimos nove jogos. Como, se tudo está decidido? Bem, talvez não seja assim tão linear.

Dos nove jogos que se vão realizar no próximo fim de semana, quatro têm um grau de importância grande para as contas finais do campeonato. São as duas últimas decisões: que clube fica com a última vaga europeia, com Marítimo e Rio Ave a disputarem o 6º lugar, e que clube garante a manutenção, com Moreirense e Tondela a lutarem por mais uma oportunidade. Assim, antes da bola rolar e como aperitivo, eis o que esperar destes jogos.

Primeiro seguimos para Norte, para Vila do Conde e Paços de Ferreira. Será nessas duas cidades que se decidirá quem jogará a 3ª Pré-Eliminatória da Liga Europa. O pontapé de saída está marcado para sábado às 16 horas, com o Rio Ave a receber o Belenenses e o Marítimo a visitar o Paços de Ferreira. Mas o que esperar então destes confrontos?

Fonte: Bola na Rede
Fonte: Bola na Rede

O Marítimo tem a tarefa mais facilitada: precisa apenas de um empate para garantir a vaga europeia. O único resultado que não interessa aos madeirenses é a derrota, contudo, mesmo que os insulares sejam derrotados pelo Paços de Ferreira, poderão ter igualmente sucesso, caso o Rio Ave não ganhe frente ao Belenenses. Pelo contrário, o Rio Ave está obrigado a vencer os azuis do Restelo, esperando por uma derrota obrigatória do Marítimo para garantir a Europa. Eis alguns dados estatísticos sobre estes dois jogos.

Analisando os factos acima, podemos dizer que, teoricamente, o Marítimo poderá encontrar algumas dificuldades para vencer na Mata Real. Pelo contrário, o Rio Ave tem tudo para manter a boa forma caseira e vencer o Belenenses. Ainda assim, dado que aos madeirenses basta um empate, o mais provável – repito, teoricamente – é que o Estádio dos Barreiros receba a Liga Europa na próxima época. Prémio justo, dado que é a terceira casa com melhor média de ocupação do campeonato.  Seria, aliás, um prémio justo para ambos: o Marítimo, com uma bela moldura humana nos jogos em casa e com o “título” de terceira defesa menos batida do campeonato (!), e o Rio Ave, o sexto melhor ataque da Liga e a praticar um futebol muito atraente.

O adormecimento do maestro

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fc porto cabeçalho

De indiscutível a prescindível, de futuro risonho a intermitente evolução, Oliver Torres viveu, à imagem do clube, uma época agridoce. Adquirido a meio da época a título definitivo pela respeitável quantia de 20 milhões de euros, o jovem prodígio espanhol perdeu gás na parte final do campeonato, acabando relegado para o banco de suplentes quando, supostamente, a equipa mais precisava da sua fantasia em campo.

Não haverá uma reposta exata e bem elucidativa dos motivos que levaram Nuno Espírito Santo a “encostar” o elemento mais criativo da “sala de máquinas” que é o meio campo. Oliver mantém uma relação ímpar com a bola e muito dele dependia a organização ofensiva deste FC Porto nos primeiros dois terços da época. Extremamente eficaz num futebol que privilegie a posse, Oliver sente-se peixe fora de água quando o estilo de jogo passa por rebaixamento de linhas e aposta declarada no ataque rápido, com base em transições.

Oliver tem perfume no seu futebol Fonte: FC Porto
Oliver tem perfume no seu futebol
Fonte: FC Porto

Ora, sendo o FC Porto uma equipa talhada para, em Portugal, dominar os adversários e fazê-los correr, constantemente, atrás da bola, exercendo uma posse esmagadora sobre a maior parte dos oponentes, o médio espanhol encaixaria perfeitamente num estilo de jogo em que fosse necessário fazer a redondinha correr rapidamente entre os jogadores azuis e brancos, criando posteriores ruturas que desfizessem as defensivas contrárias.

Não eram esses os planos de NES para o estilo de jogo azul e branco e Óliver, longe das deliciantes produções de 2014/2015 (então com Lopetegui), ressentiu-se claramente dessa opção pelo constante vaivém entre o momento defensivo e ofensivo e, sobretudo, pela não menos constante variação tática implementada pelo treinador, com a aplicação de vários modelos de jogo dentro do próprio jogo.

Neste momento, a questão que se impõe passa por perceber até que ponto o médio espanhol encaixará na ideia que Nuno (na eventualidade de continuar no FC Porto) terá para ele em 2017/2018. Certo é que o FC Porto não pode correr o risco de desvalorizar um dos maiores ativos que tem no plantel e que, num futuro não muito longínquo e, se bem aproveitado, poderá render muitos e muitos milhões ao clube. Para já, consequência deste “desaparecimento”, Oliver Torres não vai ao Europeu de sub-21.

Foto de Capa: FC Porto

Dani Alves e o exemplo de um golo-biópsia

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Cabeçalho Liga Italiana

Na noite seguinte à final da Coppa Italia, adormeci a pensar no 1º golo da Juventus, que deu início à caminhada triunfal (2-0 à Lazio) da equipa de Massimiliano Allegri rumo à terceira taça consecutiva.

Os golos são sempre obra de uma equipa, sejam eles remates a distâncias longas da baliza, sejam construções buriladas com passes curtos até ao remate, que não seria mais que o passe final.

O primeiro golo da ‘Vecchia Signora’ gerou em mim uma epifania. Os golos também têm este fator especial: são metáforas de ciclos, de épocas, de uma determinada maneira de chegar ao sucesso dentro das quatro linhas, ou até, porque não dizê-lo, da vida. Se me permite o leitor a imagem, gostaria de lhe chamar biópsia, assim em linguagem mais física.

Recorrendo ao microscópio futebolístico, é fácil detetar no golo inaugural da final em Roma uma matéria orgânica, a falar brasileiro, dentro do organismo ‘bianconero’. Alex Sandro, na esquerda, conduz a bola em profundidade, e cruza bem à sua maneira, não sabe cruzar mal este ala esquerdo. Dentro da área o homem do golo é o colega do outro lado vertical do campo, e já agora, compatriota, Dani Alves, que finaliza com a parte de dentro do pé, num remate cruzado, que acabou mesmo junto do poste contrário.

Nesse momento recorri a um gesto natural, instintivo, o de agitar uma das mãos em exaltadora aprovação. Não querendo menosprezar a qualidade e o cruzamento do ex-lateral do FC Porto, Dani Alves, aos 34 anos, está melhor que nunca!

A jogada até começou nos centrais no início da construção. Barzagli atrasa para Neto que chuta longo para o meio-campo, Marchisio ganha a segunda bola, solicita Alex Sandro na esquerda e é o 23 nas costas a entrar na área a partir da ala sempre livre num sistema de três centrais. No momento do cruzamento, Mandzukic e Higuaín, os homens-golo estão ambos fora da área, em apoio, só Dani Alves está dentro, completamente solto.

 

Os obreiros da obra de arte inaugural. Alex Sandro (esquerda) e Dani Alves (direita) Fonte:  Goal.com
Os obreiros da obra de arte inaugural- Alex Sandro (esq) e Dani Alves (dir)
Fonte: Goal.com

Repassou-me instintivamente pela cabeça o Barça de 2011/12 em que Guardiola, numa equipa que já havia ganho tudo, alterou o sistema de jogo como agitador motivacional: era o 3x4x3, o tal do ‘dream team’. O lateral brasileiro, aí, beneficiava de uma liberdade ofensiva que o fazia sentir-se como peixe dentro de água, aliás, mesmo com uma linha de 4, o técnico catalão sempre procurou o melhor contexto tático para Dani Alves jogar subido e profundo.

Eis que na Juventus o internacional brasileiro vê-se a jogar com três centrais atrás numa linha de 5 que facilita a sua permanente profundidade e chegada em diagonal a zona de finalização. Tem metros e metros para percorrer ao longo do jogo, por dentro e por fora, e ainda aparece a finalizar. Missão hercúlea para os blocos defensivos contrários enfrentar.

Cinco golos são o corolário de tentos do craque brasileiro nesta época, que conta também com incontáveis assistências, num jogador que participa muito no processo ofensivo mas que não defende mal, não perde intensidade ou entrega defensiva. É, mais do que experiente, inteligente. Dentro da área, finalizou gloriosamente esta temporada quer de cabeça, pé esquerdo e, na final da Coppa Italia, pé direito, adicionando mais dois golos fora da área, outro ponto forte deste astro, a meia distância. Ele tem mesmo pontos fracos?

O futebol italiano e o sistema de 3x5x2, na sua conceção, pode também pedir mais da leitura individual do jogador que, com 33 títulos na carreira, é um dos futebolistas mais titulados do mundo.

Isto tudo para dizer o quê? Este texto não serve para analisar a Juventus versão 16/17, isso só depois da época acabar e de se verificar se o triplete foi alcançado. Mas deixo apenas uma pequenina nota em defesa das críticas a uma defensiva Juventus: o segundo golo foi marcado por Bonucci, outro defesa, mas os avançados tiveram ao dispor várias ocasiões numa equipa completa a criar situações ofensivas e a defender, quer mais à frente quer mais atrás. Mais que o ser-se ofensivo ou defensivo, é o equilíbrio e completude nos diferentes momentos do jogo que fazem esta formação transalpina tão forte e consistente.

O artigo que termina neste parágrafo procura apenas e só mostrar que os golos não são incidências dos jogos. São formas de os explicar. E os golos-biópsia como este são tecidos de um organismo coletivo que falam de tudo e de todos, de quem o marcou, de quem o assistiu, da equipa que construiu, do treinador que treinou, do trajeto da época….enfim…fala da vida de todos nós! Acredito que a forma como se parte da baliza que se defende para a que se ataca são 11 diferentes caminhos para a felicidade. O sentido da vida dentro do jogo é o golo. Contra a Lazio, na final da Coppa Italia, Dani Alves foi mais uma vez feliz pelo sentido que deu à equipa.

Foto de Capa: La Presse

O Special One de Queluz – Entrevista a Filipe Martins

entrevistas bola na rede

Bola na Rede (BnR): Filipe, em primeiro lugar muitos parabéns pela subida. Era o principal objetivo do clube ou foi uma surpresa o primeiro lugar atingido?

Filipe Martins (FM): O objetivo desde o primeiro dia sempre foi a subida, sabendo que era um objetivo difícil de alcançar mas que não tivemos medo de o assumir.

BnR: Como é que classifica esta caminhada? O CPP é um campeonato complicado?

FM: Esta ‘caminhada’ foi a todos os níveis excepcional. Tanto na taça como no campeonato, que é uma prova extremamente difícil, onde 80 equipas lutam por duas vagas e mais duas vão a um play-off com equipas profissionais e onde sabemos que à partida saem em desvantagem. Este ano quase todas as equipas treinavam de dia, o que aumentou ainda mais a qualidade que já existia, quer ao nível de jogadores como de treinadores, tornando principalmente a segunda fase extremamente competitiva.

BnR: O que é que acha que foi preponderante para a equipa atingir o primeiro lugar?

FM: Antes de mais aquilo que é fundamental, ter jogadores de qualidade,como era o caso. E depois formámos um grupo bastante coeso a todos os níveis. Apesar de muito jovens, a qualidade e organização coletiva prevaleceu sobre a maior maturidade de algumas equipas adversárias.

Fonte: Real SC
Fonte: Real SC

BnR: E agora o jogo para o apuramento de campeão. Também discorda do calendário da liga, que coloca este jogo só para daqui a três semanas?

FM: Como é obvio gostaria de jogar logo após o final da segunda fase até porque a 2ª Liga começa muito cedo devido ao início da Taça CTT e os jogadores vão ter menos tempo de férias ma,s se foi a Calendarização que a FPF escolheu, só temos de respeitar a mesma.

BnR: Quais são os pontos fortes do Real?

FM: A qualidade individual dos seus jogadores aliada a um sentido coletivo notável, em torno das ideias da equipa.

BnR: Pretende continuar no clube ou tem propostas para sair?

FM: Estou completamente disponível para o que a direção entender, sei que o meu trajeto tem sido acompanhado mas a minha cabeça está completamente focada no Real SC.

BnR: Acha que este Real tem condições para chegar, no futuro, à primeira liga?

FM: Acho que no futuro terá, mas acima de tudo o que é mais importante no momento é estabilizar a equipa na 2ª Liga.