Foi no fim de semana passado que terminou a fase de subida do Campeonato Portugal Prio, o antigo CNS. Depois de vários jogos complicados, em campos esgotantes, com adeptos entusiastas e com muita paixão, decidiram-se as equipas que vão subir e aquelas que vão disputar playoffs na esperança de alcançar também a subida. Termina assim mais um campeonato que cada vez mais reúne maior atenção. Foram muitas as equipas que se exibirem a bom plano, foram muitos os craques que deram nas vistas e os jovens treinadores que foram surgindo nestas equipas.
Boston Celtics: e agora?


A temporada regular dos Celtics foi um tanto espetacular e, se há equipa no Este capaz de dar problemas aos campeões é esta. Brad Stevens liderou a equipa e levou-a a superar todas as expectativas e previsões. Com Isahia Thomas na frente, tudo parece ficar mais fácil, mas será isto suficiente para parar os Cavaliers?
Em Cleaveland houve mais que tempo para preparar a final da conferência. Passaram dez dias desde o último jogo dos Cavaliers, o que é favorável à equipa, visto que os Boston mal tempo tiveram para respirar desde que a temporada regular terminou. Os Cavs, parecem ser imbatíveis e não há apenas um jogador que chame a atenção e cause problemas. Para além de LeBron James, que é inevitavelmente o perigo mais talentoso da equipa, os Boston terão de se preocupar ainda com Irving e Kevin Love.


De pouco servirá o ataque rápido dos homens de Brad Stevens, se a sua defesa não aguentar a pressão das estrelas campeãs. Pessoalmente, creio que os Celtics darão trabalho aos Cavs, no entanto, as probabilidades de lhes vencerem quatro jogos, são baixas.
Cavaliers em cinco é a minha aposta. Acredito que será a equipa de Boston a primeira a derrotar os campeões – nem que seja num jogo só. Na máxima força e com uma pitada de sorte à mistura, Celtics ainda poderão sonhar (mas apenas isso: sonhar).
Foto de capa: theplayoffs.com.br
Artigo revisto por: Francisca Carvalho
Marco Silva e a ‘relegation’: O fracasso não conta tudo
Consumada a derrota diante do Crystal Palace no último domingo, o Hull City de Marco Silva desceu à segunda divisão inglesa.
À primeira vista, é um fracasso do treinador português, que, agora, no seu registo pessoal, juntamente com uma subida de divisão após recuperação pontual impressionante com o Estoril na sua primeira época no banco, uma Taça de Portugal com uma recuperação de desvantagem impressionante na final, um campeonato grego com um registo de vitórias recordista, vê-se agora obrigado a juntar uma despromoção numa Premier League.
Sem embargo, atrás dos títulos, dos palmarés, das galerias, há todo um caminho, um contexto que explica ou ajuda a perceber os sucessos e os insucessos.
É o objetivo deste texto: explicar o fracasso no final das contas deste Hull City que é de Marco Silva, mas não é só. Foi de Steve Bruce na pré-época e de Mike Phelan até à 20ª jornada. O primeiro demitiu-se a cerca de um mês do início do campeonato em litígio com a direção, alegando a falta de proatividade diretiva ao nível de contratações. O segundo herdou a complicada herança e, embora não tivesse começado nada mal, com duas vitórias nas duas primeiras jornadas, não resistiu a uma série de 9 jornadas sem ganhar.


Fonte: Sky Sports
Assumindo as rédeas da equipa da cidade de Kingston upon Hull, Marco Silva chegou antes de dois compromissos para as taças, a de Inglaterra, em casa, a contar a terceira eliminatória, diante do Swansea, e a da liga inglesa, jogo da primeira mão da meia-final, diante o Manchester United, em Old Trafford.
O primeiro jogo resultou numa vitória por 2-0 e o segundo uma derrota pelo mesmo resultado em casa da equipa orientada por Mourinho. Dois tubos de ensaio para o primeiro jogo na Premiership numa altura em que o técnico português não concedeu qualquer folga ao plantel num ato de consciência em relação à atribulada e mal planeada (pré-)época que vinha decorrendo para os ‘Tigers’, adicionando-se outro elemento indesejável, um boletim clínico pleno de lesões.
Até ao final de janeiro, mais quatro jogos, dois para o campeonato, com uma vitória caseira, frente ao Bournemouth (3-1), e uma derrota em casa do campeão Chelsea (2-0), para além das duas eliminações nas duas taças, embora, na taça da liga, com uma vitória sobre o ‘United’ de Mourinho (2-1).
Hino à Mediocridade: Não merecem, não merecem, não merecem…
O último fim-de-semana desportivo foi um inferno para o Sporting Clube de Portugal… Foi a “prova provada” de que as Leis de Murphy (e não só) são reais: “o que pode correr mal, vai correr e da pior maneira possível!”
Ora bem:
1 -Derrota com o Feirense após mais uma exibição miserável e mesmo após terem começado a ganhar. Uma equipa que se afirmava como lutadora pelo título não pode permitir isto. Jesus diz que a equipa já só quer o final da época, mas os adeptos querem mais… querem que respeitem a camisola e a instituição até ao apito final seja de que competição for.
2 – Derrota da equipa B com a Académica após um penalty ridículo e que já correu mundo… Bolas, isto foi do pior que alguma vez vi no meu clube… Nem nas peladinhas do meu bairro estes erros acontecem. Mais uma vez a cabeça está noutro sítio que não no cumprimento da sua profissão. Resultado deste lance: a torcida leonina é achincalhada brutalmente.
3 – Derrota com o Benfica em Futsal Masculino. A atitude sobranceira de uma equipa que (em teoria), é superior leva a este resultado final. “Cagança” não leva a lado nenhum e fez-nos perder mais um título (o segundo em dois fins-de-semana). Os adeptos? São gozados pela atitude arrogante da equipa e que em nada tem a ver com a nossa…
Que raio vem a ser isto, Presidente?
O presidente do Sporting Clube de Portugal anunciou ontem, através de um extenso post no Facebook, que vai deixar de utilizar aquela plataforma para comunicar com os sportinguistas e os seguidores do desporto em geral. A conta, inclusivamente, já foi desativada. Contudo, este último texto foi mais que uma despedida, pois conteve recados para todos os setores do sportinguismo. Desde jogadores a treinadores, de adeptos a estrutura do Clube, ninguém escapou às palavras de Bruno de Carvalho. Contudo, o ato de alterar a data da IV Gala Honoris Sporting devido a assuntos particulares do presidente não lembra ao diabo. A decisão, tornada pública através de comunicado do clube no seu site oficial, aziou a noite de muitos sportinguistas.
O presidente não teve papas na língua e deu a entender algumas das razões que o levam a executar esta mudança. Por exemplo, escreveu que “o que tenho lido e recebido de mensagens ultrapassa o limite da justiça e respeito por quem, como eu, dedica a vida ao clube que ama”. Ora bem, vou esclarecer já um ponto prévio: sou um apoiante bastante convicto de Bruno de Carvalho e acho que está a desenvolver um trabalho bastante meritório à frente de uma instituição centenária como é o Sporting Clube de Portugal, trabalho esse que até acho fantástico em alguns quadrantes da vida leonina. A importância de Bruno de Carvalho na vida atual do Sporting é inquestionável, e a sua qualidade não se nota apenas no clube. Várias das propostas que defende, com vista à melhoria do futebol e do desporto em geral, estão a ser implementadas, apesar da comunicação social nunca valorizar o que de bom faz Bruno de Carvalho. Contudo, há um ponto que é inquestionável acima de todos: o Sporting está em primeiro lugar. A alteração da data da Gala Honoris Sporting para dia 30 de junho, véspera do aniversário do clube, porque o presidente vai casar no dia 1 de julho não cabe na cabeça de ninguém, não tem lógica nenhuma e não cai nada bem aos mais de 90% de sócios que votaram no presidente há cerca de dois meses. É um total desrespeito pelos valores e pela História centenária do clube, que espero ver corrigido por Bruno de Carvalho nos próximos dias, com a máxima urgência possível.
O presidente tem razão quando diz que está muito mais exposto que os presidentes de outros clubes. É verdade que muitas vezes deita mais lenha para as fogueiras, mas Bruno de Carvalho não tem imprensa nem a maioria da opinião pública a seu favor, o que, por si só, é um ponto positivo sobre a sua campanha. Godinho Lopes e José Eduardo Bettencourt, por exemplo, eram muito menos massacrados pelos adversários, uma vez que o Sporting nem sequer lhes fazia cócegas na luta pelos sucessos desportivos. O facto de Bruno de Carvalho ser atacado é positivo por isso, significa que o Sporting está mais perto, em algumas ocasiões equiparado aos dois grandes rivais. Como o Facebook já estava, há muito tempo, a ser uma ferramenta com mais efeitos negativos que positivos, acho positiva esta desativação da sua conta nesta rede social.


Fonte: Sporting Clube de Portugal
Contudo, o presidente dos leões não se ficou por este anúncio, pois deixou críticas a jogadores e treinadores, e ainda alguns reparos aos adeptos. Bruno criticou os adeptos por não terem um sentido de exigência mais apurado e mais “audível” aquando das derrotas que o clube tem nos relvados ou nos pavilhões. Neste ponto, penso que o presidente se excedeu, pois este discurso pode dar azo a que, no futuro, aconteçam situações adversas para os jogadores e treinadores das equipas verde e brancas. Além disso, o presidente não está isento de erros. É certo que os adeptos têm de ser exigentes com a equipa e querer sempre ganhar, mas não podemos deixar de apoiar, quando os jogadores dão tudo nos recintos para chegar à vitória. Não digo que, por vezes, não seja necessário, dar um grito de revolta e assobiar, como no caso do futebol. Este ano tivemos vários maus resultados, mas em alguns o comportamento e atitude dos jogadores foi absolutamente miserável e revoltante. Os jogos em casa contra Tondela, SC Braga e Belenenses são três graves exemplos disso mesmo. No andebol, a forma como sofremos o último golo no recente jogo frente ao FC Porto e mesmo a forma como desperdiçámos várias vantagens largas em alguns jogos merece reflexão profunda. Contudo, temos também o exemplo do futsal, onde penso que o presidente se excedeu depois da final perdida na UEFA Futsal Cup. Perdemos por 7-0? É verdade. Mas esta equipa de futsal tem dado muitos sucessos ao clube, é o desporto coletivo mais bem sucedido do clube neste século, a par do atletismo.
Bruno defende-se, dizendo que os jogadores têm “boas condições de trabalho e ordenados em dia”. Mas eu acho que o presidente não tem de se defender nesse ponto. Tem apenas de estar ao lado dos seus jogadores e treinadores, para que, todos juntos, levem o Sporting à glória há muito ansiada. Acho que esta saída do Facebook é um passo importante. Afinal de contas, as mensagens mais inflamadas poderão continuar a ser difundidas por Nuno Saraiva e o presidente tem de adotar uma postura mais inteligente. Não digo que deixe de ser como é, intransigente na defesa dos interesses do Clube. Tem de continuar a ser assim. Mas Bruno de Carvalho não se pode esquecer de uma coisa: também errou, ainda agora com esta alteração da Gala Honoris Sporting. Continua a merecer a confiança dos adeptos, mas também precisa de corrigir alguns equívocos que teve este ano. Esperemos que o final de 2016/17 ainda traga alguns troféus para o museu e que 2017/18 seja uma temporada mais risonha para o Sporting Clube de Portugal.
Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal
E foi o Jardim que os colheu
C’est fait! O Monaco de Leonardo Jardim é campeão francês! Foi interrompido, com brio, o percurso vitorioso do PSG na competição, após vitória imposta ao St-Ettiene.
Jardim nunca desistiu dos seus princípios de jogo, manteve-os de uma época para a outra, usando a persistência e a crença no seu trabalho como guarda-chuva da enxurrada críticas de treinador defensivo e cinzento de que foi alvo na temporada passada.
Teve a audácia de não se conformar com uma hegemonia que se considerava indestrutível. Afinal, começava a época com os mesmos pontos do PSG e não com os 31 de atraso com que terminara a anterior. E o 1º lugar não era cativo de ninguém a não ser que o merecesse. E o “seu” Monaco mereceu mais do que os outros.
Porque lutou e trabalhou o dobro daqueles que tinham uma vantagem milionária. Não só nos 63 (!) jogos que vai disputar até final da época, mas também fora deles (porque não se consegue um aproveitamento físico-competitivo tão bom sem um forte compromisso fora das quatro linhas).


Fonte: AS Monaco
Jardim teve des balles de acreditar na capacidade e na entrega dos seus meninos. Os meninos (como Bernardo Silva, Mbappe, Bakayoko, Lemar e Fabinho) que ontem eram como àrvores frágeis e murchas em comparação às do enorme quintal do vizinho (com o qual Jardim nunca se preocupou) e que hoje têm a robustez e a vivacidade só possível às “àrvores” que têm o privilégio de ter um tratador paciente e cuidadoso com o seu crescimento,.
Ao longo da época, essas “àrvores” foram dando frutos saudáveis (proposta de jogo sustentável), e deliciosos (18 goleadas em 36 jogos na Ligue 1). Hoje, esses frutos foram colhidos por Leonardo Jardim e mostrados ao mundo numa bandeja que é uma ode à persistência da crença no nosso trabalho.
Obrigado!
Foto de Capa: Valery Hache\GettyImages
Futebol feminino: um projeto vencedor
Quando no início desta época desportiva, o Sporting respondeu afirmativamente ao “convite” da Federação Portuguesa de Futebol na criação de uma equipa de futebol feminino, algo que ajudaria na promoção da modalidade, sem dúvida que foi um passo importante para o desporto mas também para consolidar o clube enquanto eclético, tal como o conhecemos.
A pouco mais de duas semanas de terminarem as competições oficiais para as leoas, é quase obrigatório fazer um balanço daquilo que foi a primeira época enquanto equipa. No próximo Sábado, as nossas atletas deslocam-se ao terreno do Boavista, mais propriamente ao Complexo Desportivo do Ramalde, para disputarem aquele que poderá ser o jogo do título em caso de vitória da equipa verde e branca. Apesar de ainda faltarem dois jogos para o fim do campeonato, a diferença de três pontos para o segundo classificado permite que a festa possa ser antecipada. E, na verdade, creio que este campeonato foi ganho precisamente nos confrontos diretos com o Sporting de Braga, o atual segundo classificado da liga e a equipa que melhor se reforçou para lutar pelo título com as leoas.
No primeiro jogo frente às bracarenses, quando as leoas se deslocaram ao Minho, o Sporting conseguiu um empate, que dado o elevado grau de dificuldade do jogo, não foi um mau resultado até porque muita coisa ainda faltava acontecer até ao final do campeonato. Na segunda volta, o Estádio José de Alvalade abriu as portas aos mais de nove mil adeptos que, para além de quebrarem um recorde de assistências no futebol feminino, foram certamente muito importantes para a vitória alcançada pela margem mínima, quase no final dos noventa minutos e que valeu o isolamento no primeiro lugar do campeonato, quando já se via o final do mesmo ao fundo do túnel. A partir daí, as leoas têm sido competentes e não têm dado hipótese às adversárias que se colocam entre elas e o título nacional.


Fonte: Sporting Clube de Portugal – Futebol Feminino
Para além do troféu mais importante a nível de clubes, a equipa comandada por Nuno Cristóvão está também na final da Taça de Portugal, que se disputa no próximo dia 4 de Junho. O adversário, claro está, é a equipa do Sporting Clube de Braga, o que fará com que este seja o terceiro embate entre ambas as equipas nesta temporada. Também neste encontro, todos iremos torcer para que as jogadoras leoninas tragam o troféu para o museu, já depois, esperamos nós, de nos terem dado o campeonato nacional.
Se nesta primeira época, o Sporting conseguir ambos os troféus que ainda estão em disputa, é sem dúvida alguma, um ano de sonho e que traz boas perspectivas para o futuro próximo. É claro que o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido tem sido fantástico e os troféus e as vitórias que conseguirmos são a cereja no topo do bolo, algo que é um desejo de todos. No entanto, é importante salientar que, mais importante que isso, é que este ano tenha servido de consolidação de processos e da automatização daquilo que o treinador quererá no futuro para a equipa. Na minha opinião, para além da contratação de Nuno Cristóvão, que conhece como ninguém as equipas femininas e por isso é uma mais-valia sem preço para o projeto desportivo implementado, a criação de uma equipa multidisciplinar, ou seja, com jogadoras mais velhas e experientes que equilibram a equipa, permite que não se tenha descurado a tentativa de assegurar o futuro com a vinda de jogadoras mais novas e explosivas. E, no fundo, essa junção tem permitido que a equipa não tenha resvalado nos momentos essenciais e tenha ganho algum estofo para os jogos mais difíceis, aqueles onde é preciso sofrer para levar os três pontos.
Por isso mesmo, é por “culpa” dessa gestão que, neste momento, o Sporting está a lutar pelo título e arrisca-se seriamente a ganhá-lo. Depois deste ano, a exigência irá subir mas isso não parece ser um problema para um conjunto que já mostrou que é paciente quando o ambiente é de pressão e que o objetivo é só um: ganhar. Boa sorte para o que resta, leoas!
Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal – Futebol Feminino
«Existe é uma desconfiança generalizada em relação à capacidade intelectual das mulheres nesta área» – Entrevista Cláudia Martins
Licenciada em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação da cidade dos estudantes – Coimbra –, Cláudia Martins é uma das poucas jornalistas que exercem a profissão na área de desporto. Repórter de pista da Antena 1, foi diretora de informação do ZeroZero quando começou o projeto redação, e tem travada uma intensa luta contra os preconceitos e desigualdades das mulheres no ramo do Jornalismo de Desporto. O Bola na Rede conversou conversou com Cláudia Martins para tentar descobrir várias particularidades da profissão.
Bola na Rede: O Jornalismo sempre foi um objetivo desde cedo para as suas pretensões profissionais?
Cláudia Martins: O Jornalismo foi uma certeza desde sempre. Era muito nova, não mais que 11, 12 anos, e sabia que queria ser jornalista. É uma paixão, uma responsabilidade, uma missão.
BnR: Em relação ao Jornalismo de desporto, como é que apareceu na sua vida?
CM: O Jornalismo de desporto foi uma coincidência. Cerca de um ano depois de ter estagiado na redação geral da Antena 1, no Porto, fui convidada para a equipa de desporto. Hoje, creio que foi o melhor que me aconteceu mas não sei onde estaria ou o que estaria a fazer se tivesse seguido outro rumo. Na altura foi uma coincidência, já gostava de desporto mas não tinha definido ser jornalista nesta temática, estava no início da carreira, a entrar no mercado de trabalho e agarrei a oportunidade. Hoje, feliz com as minhas escolhas, creio que foi o melhor que podia ter acontecido e não me vejo, para já, a mudar de área.
BnR: Já tem dito, em outras ocasiões, que não gosta do rótulo de jornalista desportiva? Porquê?
CM: Há uma tendência na sociedade, de uma forma geral, de colocar rótulos e preconceitos, de catalogar, que me incomoda. O jornalismo de desporto acaba por, muitas vezes, ser rotulado como menos importante, menos independente, menos sério e, por consequência, também os jornalistas que trabalham nesta temática o são. É algo que me incomoda porque sou jornalista, serei sempre jornalista, trabalhe em desporto ou noutra temática qualquer. Além disso, o desporto não pode nunca, no nosso país, ser considerado um tema menor. Porque ele está relacionado com a nossa identidade enquanto povo e porque ele é das poucas coisas em que Portugal tem uma projeção mundial plena de sucesso. Não há muitas coisas em que nós tenhamos esta visibilidade externa e bem sucedida que o desporto nos dá. Como pode então ser um tema menor? Como podem os jornalistas que trabalham nesta área serem considerados menores? Mais ainda, para mim, as ferramentas, as preocupações, os procedimentos, os conceitos e cuidados éticos que são necessários ao exercício do jornalismo são aplicados em qualquer temática em que se trabalhe. Não creio, por trabalhar em desporto, que faça o meu exercício diário de forma diferente dos meus colegas que trabalham noutras secções temáticas.
BnR: Foi diretora de informação do ZeroZero, numa altura em que o projeto ainda estava numa fase inicial. Foi, na altura, um desafio ainda mais aliciante por isso?
CM: O projeto estava numa fase inicial em termos de redação, enquanto base de dados estava já bastante desenvolvida. Foi um desafio absolutamente determinante para o que sou hoje. Abraçar e criar um projeto de raiz, poder implementar o meu ideal de jornalismo, sem vícios, pressões e restrições foi muito bom. Ao mesmo tempo foi uma contínua aprendizagem, houve situações, decisões, questões que me foram colocadas pela primeira vez. Tive, em muitos casos, que ser autodidata, muitas vezes tive que recordar as aulas de ética e deontologia e tomar decisões de acordo com a minha consciência. Terei errado, certamente, mas o que fica de positivo é muito mais do que negativo, foi uma aprendizagem profunda, de mais de cinco anos.
BnR: O ZeroZero, assim como outros órgãos de comunicação social apenas do online, têm crescido muito nos últimos tempos. Acha que o futuro do Jornalismo pode passar somente pelo online, ou terá sempre o seu lado mais “tradicional”?
CM: Eu sou defensora de que nenhum modelo desaparece. Nem desaparecerá. Apenas há uma exigência grande de adaptação, de mudança, de acompanhamento das tendências. Não quero, sequer, acreditar que isso possa acontecer. Além disso, acho que no nosso país quase não há projetos com estratégias bem delineadas para o digital. O online é, na sua maioria, uma extensão de outras plataformas e não um meio em si mesmo. Enquanto essa estratégia não estiver bem desenhada, não me parece que se assuma como o futuro do Jornalismo.
O Despacito é na discoteca
Antes de começar gostava, se fosse possível, que lessem este texto ao som do “Celebration Time”, dos Kool and The Gang, para efeitos recreativos e galhofa.
Ao que parece, segundo as notícias, o Benfica celebrou a conquista do tetra campeonato no sábado com um certame ali para os lados da Avenida da Liberdade. Aquilo foi giro, houve petardos, a PSP monto um dispositivo de segurança todo janota como mandam as regras, o pessoal apanhou uma bebedeira de caixão à cova e acordou no dia a seguir a babar-se para uma sarjeta, foi tudo muito giro. Em parte o problema foi esse, foi, talvez, demasiado giro.
Vamos lá ver se nos entendemos. Uma equipa festejar a conquista de um feito histórico, como foi o caso, não deve ser, em alguma ocasião, motivo para uma festa daquelas. Eu quero lá saber se o Richie Campell deu um concerto ou se os Amor Electro foram lá vincar o estatuto de GNR do nosso tempo, banda que sim senhor parece ser muito interessante, mas daqui a uns nos já só nos lembramos deles por causa daquela música.


Fonte: SL Benfica
Benfiquista que é benfiquista quer é entoar cânticos à Benfica, cantar o hino, as músicas de apoio que usamos no estádio e congratular jogadores e equipa técnica por nos presentearem com mais um título para o palmarés.
Despacito? Dj Kamala? O que é isso? Isso são coisas de danceteria e não de hooliganismo saudável e cerveja por todo o lado como mandam as regras. Aceito o Bailando porque o ano passado o Sporting estava a pedi-las e agora vai levar com isto até que já ninguém se lembre, que vai ser nunca, porque vamo-nos lembrar sempre.
Até achei bem a cena do Salvador (Eu sei que já estamos todos fartos dele, ou melhor, das massas que gastaram a música dele, mas vai ter de ser), porque o rapaz e a irmã fizeram um bom trabalho e trouxeram mais prestígio ao país e merecem que o “Amar Pelos Dois” toque no Marquês porque estávamos todos a festejar. Agora, mais do que isso já me parece um bocado exagerado.
Ninguém, mas mesmo ninguém, estava lá para ir ao Urban. Estávamos todos lá para festejar o 36, o tetra, ver os jogadores subirem ao palco, o Eliseu a mostrar dotes de Moto GP, o Cervi apanhar a carraspana da vida dele, o Carrillo finalmente a saber qual é a sensação de ser campeão. Tudo isto! Nada de hits semanais do Spotify.
Para o ano, na conquista do Penta, se Jonas quiser, façam as coisas de forma diferente. Mantenham a estrutura deste ano onde não houve incidentes nem ninguém a levar com uma garrafa de Cergal na cabeça, mas deixem o Kamala em casa e metem o Ser Benfiquista.
Foto de Capa: SL Benfica
WRC anima o norte


Este será o terceiro rali de terra da temporada, mas o primeiro na Europa e talvez o mais fácil para os carros, apesar de fácil não ter nada. Esta será a prova com mais WRC de 2017, num total de 14, com o destaque a ser a estreia do terceiro Yaris WRC, que será conduzido por Esapekka Lappi.
A luta espera-se muito intensa, mas existem dois nomes que merecem um maior relevo na consideração para a vitória. Falo de Thierry Neuville e de Sébastien Ogier. O piloto belga vem de duas vitórias seguidas e já podia ter quatro vitórias em cinco ralis esta temporada, não fossem excessos e azares nas duas primeiras provas da temporada. Já Ogier tem de ser destacado por já ter vencido o rali por quatro vezes, por ser o campeão do mundo e por ser o líder do campeonato. É verdade que o francês nunca venceu no norte, mas que ninguém duvide da sua capacidade de vencer.
Os dois últimos vencedores da prova, Kris Meeke em 2016 e Jari-Matti Latvala em 2015, são bons nomes a reter também. Meeke já venceu na terra este ano, mas não sei até que ponto poderá repetir a vitória em Portugal. Já Latvala poderia lutar pela vitória mas não acredito muito no Yaris ainda. O Toyota tem bom potencial, mas ainda está a pagar o ano de estreia da equipa, o que é natural, no entanto aponto para um melhor resultado do finlandês do que do britânico.


Fonte: Rali de Portugal
Estou muito curioso para ver o que poderão fazer os outros homens da M-Sport, que tão boa conta deram de si na Argentina. Não acredito que nenhum deles vença, apesar de gostar que tal acontecesse, principalmente por parte de Ott Tanak.
Quanto a portugueses, o único que está mesmo envolvido no mundial é Miguel Campos. O ex campeão nacional de ralis vai pilotar um Skoda Fabia R5 e inscreveu-se no WRC2. Com isto o piloto que completa 25 anos de carreira parte à frente dos restantes portugueses, que fecham a lista de inscritos, mais uma vez. É uma grande vantagem para Campos na luta pelo objetivo de melhor português.
Quem, tal como eu, não tiver oportunidade de se deslocar ao norte pode acompanhar a prova na RTP (transmissão em todos os dias de prova num total de seis especiais em 19) e em várias rádios locais.
Quanto às previsões, vou apostar num pódio com Neuville, Ogier e Latvala, apesar de não estar certo da qualidade do carro japonês na terra. Mais do que acertar nestas apostas tenho interesse em ver um bom espetáculo e sinceramente acho que o vamos ter, quer no WRC quer no WRC2.
Foto de Capa: Rali da Argentina






