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Filipe Augusto e mais uns quantos

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O texto desta semana foca-se num dos reforços de Inverno: Filipe Augusto. Para os mais esquecidos, o médio brasileiro chegou a Portugal em 2012, para representar o Rio Ave. No Brasil, fez a sua formação no Bahia mas cumpriu apenas 4 jogos na equipa principal. Seguiram-se duas épocas de grande nível no Rio Ave que o fizeram sair por empréstimo para o Valência, na altura de Nuno Espirito Santo (seu treinador no Rio Ave). A experiência em Espanha não foi a desejada e entrou na ficha de jogo apenas por 8 vezes numa época inteira. Regressado a Portugal, o Sporting de Braga acabou por o contratar a título de empréstimo e a sua sorte foi bem melhor que a experiência em Espanha. 22 encontros realizados e emblema guerreiro a peito, fizeram aumentar o seu passe e o Braga acabou por não contratar o jovem jogador. Este ano, o Benfica acabou por contratar a título definitivo o Filipe Augusto numa alternativa à saída de Danilo.

Que futuro para Filipe Augusto? Fonte: SL Benfica
Que futuro para Filipe Augusto?
Fonte: SL Benfica

No clube da luz encontrou um meio campo recheado de alternativas e acabou por não ser utilizado tantas vezes como iria jogar no Rio Ave. Com Pizzi a titular e André Horta e Samaris como alternativa, nomes como Cristante, Celis juntam-se ao leque de jogadores capacitados para fazer a posição 6 e 8. O Filipe Augusto acaba por “cair” mais para a posição 8 pois o pouco que jogou notou-se que cria boas linhas de passe com os extremos, faltando apenas aumentar a sua forma e ter uma boa química com o parceiro do meio campo. Em muitos casos, já se viu Pizzi a ocupar uma posição mais ofensiva e noutros tantos a jogar quase lado a lado com Fejsa. Este exercício é fundamental para qualquer jogador que jogue no meio campo encarnado e Filipe Augusto ainda não está capacitado para tal. Algumas vezes, já vimos o jovem jogador longe da sua posição, deixando Fejsa em alarme na zona mais recuada do meio-campo.

Caso o Benfica conquiste o 36 antes do final do campeonato, Rui Vitória deve utilizar o reforço de inverno nos jogos que faltam. O cansaço de Pizzi e os poucos minutos de pernas de Filipe deverão ser assim dois fatores a ter em conta para esta reta final.
O futuro de Filipe será uma incógnita para todas as pessoas. Para mim, está na hora de ter Cristante como alternativa a Pizzi mas sendo assim alguém terá que rumar a outros coletivos. Voto em Celis a título definitivo e na saída por empréstimo de Filipe Augusto.

Foto de capa: SL Benfica

AS Monaco 0-2 Juventus: Alves&Higuaín rumo a Cardiff

Cabeçalho Futebol Internacional

A última (e única) vez que Juventus e Mónaco se encontraram numa meia-final da Champions (1997/98), a eliminatória teve 10 golos, um recorde nesta fase da prova. A avaliar por isto, o Monaco-Juve de hoje era um jogo que prometia. O futebol, porém, foi mudando desde há 20 anos para cá e imaginar o mesmo número de golos seria puro exercício de fantasia.

Hoje, o talento é subjugado pelas estratégias e a adaptabilidade aos contratempos. Assim se explica a vantagem da Juve da rumo a Cardiff, materializada nos golos de Higuaín.

O Mónaco teve dificuldades em entrar no jogo. Estava amputado nas alas defensivas (tão importantes… no ataque), jogando com o adptado Dirar na direita e Sidibé (normalmente lateral-direito) na esquerda. A Juve tentava colocar isso a seu favor, usando três centrais que permitiam a projeção ofensiva dos laterais Dani Alves e Alex Sandro, o que tornou a partida muito complicada para os orientados de Leonardo Jardim durante os primeiros minutos da primeira parte.

Com o passar do tempo o Monaco adaptou-se, teve mesmo a melhor situação de perigo da primeira parte, fazendo uso de uma … contra-estratégia. Aproveitando a exposição dos laterais da Juve, Jardim mandou subir os seus; Dirar ouviu as instruções do míster, passou a pisar mais o terreno contrário e quase era feliz – tirou cruzamento à medida do pé de Mbappe, que disparou à queima, para grande defesa de Buffon.

A Juve recompôs-se do susto, pareceu adormecer o jogo até voltar à estratégia inicial, da qual tiraria dividendos palpáveis – Dani Alves, numa das muitas incursões pelo flanco direito, recebeu um passe mágico saído do calcanhar de Dybala, e, sempre em progressão, assinou combinação perfeita com Higuaín culminada num passe de calcanhar do brasileiro para o tiro certeiro do argentino. 29’, 1-0. A Juve voltou a sossegar o jogo. Colocou amordaças e amarras num Mónaco que não estrabuchou até ao intervalo.

 

"Cardiff à vista" dirá Buffon Fonte: F51
Cardiff à vista para Buffon
Fonte: F51

A segunda parte conheceu um Mónaco mais atrevido, sem receio de apostar alto, distanciando a linha média da defensiva, de forma a compactar o ataque, e conseguiu perturbar o descanso que a Velha Senhora queria para o jogo. Aos 46’, Bernardo Silva furou por entre o meio-campo italiano, deu em Falcao e o colombiano, isolado, rematou à figura de Buffon.

Perante esta declaração de intenções, a Juve adaptou-se e procurou explorar o erro adversário como tão bem gosta. Marchisio, condicionando a saída de bola de Lemar, isolou-se e atirou para defesa de Subasic. Um ensaio para o que aí vinha, outra vez com a dupla Dani Alves&Higuaín – numa saída para o ataque, o ex-Barcelona, sobre a direita visou o segundo poste, onde apareceria o Pipita, a bisar.

Com dois golos de vantagem, a Juve, senhora do seu nariz e experiente nestas andanças, soube ter do jogo aquilo que pretendia. E sossegou qualquer tentativa de reação monegasca. Censurou as vozes (pés) revolucionários de Bernardo Silva ou Mbappe e chegou ao fim do jogo com uma vantagem tão natural quanto merecida rumo a Cardiff, traçando-se, no horizonte, a reedição da final da Champions do tal ano de 1997/98 – Juventus – Real Madrid.

Foto de capa: Getty Images

AFC Ajax 4-1 Olympique Lyonnais: “Miúdos” fazem pontaria a Estocolmo

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A primeira meia-final da Liga Europa contou com uma envolvente histórica. Afinal, o Ajax voltava a estar à beira de uma final europeia após 20 anos. Por sua vez, encontrou pela frente um Lyon que teve de lutar bastante para chegar a esta fase, ganhando nos quartos-de-final ao Besiktas, estando apenas a um passo da sua primeira final europeia.

A juntar a estes factos, o jogo foi adiantado para quarta-feira a pedido da equipa holandesa, devido às comemorações do Dia da Memória, em homenagem aos que perderam a vida na Segunda Guerra Mundial, sendo assim aceite pela UEFA.

O Ajax entrou a pressionar bastante o Lyon, subindo muito as suas linhas e a disputar a bola no meio-campo dos franceses. No entanto, o primeiro lance de perigo saiu dos pés de Cornet que, depois de um cruzamento atrasado de Tousart, remata para golo, valendo a atenção de Onana. No contra-ataque, Matthijs de Ligt, rematou para defesa fácil do português Anthony Lopes.

Apesar de o Lyon estar por cima no jogo, o Ajax chega à vantagem na primeira jogada de perigo perto da baliza dos franceses. Após livre batido por Ziyech, Traoré desvia a bola para o fundo das redes, deixando o guarda-redes português pregado ao chão. Estava dado o mote para a festa na Arena de Amesterdão!

Aproveitando a motivação do primeiro golo, o Ajax acaba por aumentar a vantagem. Depois de uma desatenção da defensiva francesa, em que Anthony Lopes acaba por rematar na bola em “balão”, Traoré ganha a bola de cabeça e assiste Dolberg que, isolado, bate o guardião do Lyon.

Por pouco que o 3-0 não chegava antes do intervalo, com Anthony Lopes a negar o golo a Younes com uma defesa espetacular.

Traoré e Dolberg colocaram o Ajax em vantagem na primeira parte Fonte: Facebook do AFC Ajax
Traoré e Dolberg colocaram o Ajax em vantagem na primeira parte
Fonte: Facebook do AFC Ajax

No começo da segunda parte, a ameaça que o Ajax tinha deixado no final do primeiro tempo acabou por se confirmar. Depois de Younes ter tentado também o terceiro tento da sua equipa, desta vez conseguiu mesmo concretizá-lo, recebendo a bola dentro da área e a bater novamente Anthony Lopes.

Do outro lado, Fekir tenta reanimar a sua equipa, numa boa jogada individual, mas Onana defendeu para canto. A primeira mão desta meia-final não corria, de todo, em feição para o Lyon, que precisava de marcar pelo menos um golo para continuar com aspirações de chegar à final.

Contudo, os holandeses não tiravam o pé do acelerador, e Dolberg surpreende ao rematar do meio da rua para uma defesa vistosa do guardião português. Apesar do resultado dilatado, os franceses podiam agradecer a Anthony Lopes por não estarem a sofrer uma goleada, visto que este parou algumas jogadas importantes do Ajax.

O Lyon chega ao golo numa altura em que a defesa do Ajax estava mais relaxada. Valbuena, de pé esquerdo e sem qualquer tipo de oposição, coloca a bola longe do alcance de Onana. O jogo ganhava assim outro ânimo, com o Olympique a ganhar mais espaço no jogo. Fekir, desmarcado por Ghezzal, tentou mesmo encurtar a desvantagem, mas pela frente encontrou Onana que lhe negou o golo.

Numa altura frenética, e com os franceses mais preocupados em atacar que a defender, Traoré bisa na partida e eleva o resultado para 4-1. Ziyech cruza para dentro da área onde aparece Traoré a fuzilar o guardião da equipa francesa.

O Lyon não se deixou ficar e tentou o segundo golo, primeiro por Ghezzal e depois por Rafael. que entrou para substituir Jallet, que rematou de fora da área para uma grande defesa de Onana, jogada que mereceu nova investida do Ajax, mas que não deu frutos.

O desespero de Bruno Genesio estava patente na última substituição, em que fez entrar Lacazette, que esteve em dúvida para este jogo, para o lugar de Cornet. Do outro lado, era a vez de Younes dar a vez a Justin Kluivert, filho de Patrick Kluivert, para renovar o ataque holandês.

O jogo aproximava-se do fim e o ritmo acalmou. O Lyon tentava chegar à baliza de Onana, mas sem efeito e, do outro lado, o Ajax controlava a seu ritmo um jogo que seriam favas contadas. Anthony Lopes ainda conseguiu travar um remate de Ziyech cheio de potência, com o pé, com a bola a sair pela linha de fundo. O Lyon tentava ainda marcar o segundo golo, mas o seu ataque não estava coordenado e ninguém apareceu dentro da área para encostar.

Neste momento, os holandeses estão bastante perto da final da prova, bastando manter o nível apresentado neste jogo. Por sua vez, os franceses terão que mostrar muito mais, tendo o factor casa a seu favor para que consigam a tão desejada “remontada”.

O Ajax mostra que quer voltar à glória dos tempos de Van der Sar, Kluivert e Frank Rijkaard, tendo uma academia (e que academia!) com qualidade suficiente para o alcançar.

 

Foto de Capa: Facebook do AFC Ajax

E depois da UEFA Futsal Cup?

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Depois da final-four da UEFA Futsal Cup, onde o Sporting perdeu a final para o Inter Movistar, é peremptório afirmar que um dos grandes objetivos da época caiu por terra, sobretudo se tivermos em conta que nos últimos cinco anos o Sporting teve duas grandes oportunidades para conquistar este troféu mas caiu sempre no jogo da final. Por isso mesmo, este ano os responsáveis pelo futsal, bem como o presidente, já tinham afirmado que ser campeão europeu era algo a alcançar, sobretudo se tivermos em conta o investimento que foi feito na equipa para que alguns dos melhores jogadores da modalidade representassem o símbolo do leão.

Posto isto, a ida para o Cazaquistão veio pôr à prova uma equipa que dentro do nosso campeonato é claramente superior a todos os outros adversários (incluindo o rival da segunda circular) e que, apesar do estrondo final, demonstrou que a qualidade exigida está lá, faltando apenas ultimar pormenores para ganhar de vez esta competição.

No primeiro jogo na Almaty Arena, ou se quiserem na meia-final, o Sporting enfrentou o Ugra, o então campeão europeu, e portanto detentor do troféu que se disputava. A equipa leonina passou com distinção um teste que se avizinhava difícil mas que, desde logo, os jogadores leoninos conseguiram controlar, e tomaram as rédeas do jogo através da posse de bola. O primeiro obstáculo estava ultrapassado mas do outro lado surgia a incógnita: iríamos defrontar um Kairat Almaty com um pavilhão cheio a defender as suas cores ou um Inter Movistar que tem o melhor jogador do Mundo no plantel? A única certeza era a de que a batalha final iria ser muito complicada, qualquer que fosse o adversário. E, pouco depois, as dúvidas dissiparam-se.

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

O Inter Movistar seguiu para a final e foi precisamente aí que se percebeu que o conjunto espanhol é muito mais do que apenas Ricardinho e que todo o grupo trabalha com objetivos muito claros e bem definidos. O Sporting teve sérias dificuldades para impor o seu jogo, não só porque raramente tinha posse de bola mas também pelo facto de os adversários serem grandes dores de cabeça devido à constante irreverência que saía dos seus pés. E, nesse aspecto, creio que o Sporting caiu no erro de “supervisionar” demasiado Ricardinho e acabou a descurar a marcação a outros jogadores que foram importantes, como Lolo ou Darlan, por exemplo.

Obviamente, o resultado final é exagerado, até porque grande parte dos golos marcados pelo Inter foram o resultado da necessidade do Sporting de ir à procura de golos e, em consequência disso, de precisar de jogar com um guarda-redes avançado. Para além disso, a diferença de qualidade entre as duas equipas está longe de ser abismal como o marcador parece mostrar. A verdade é que o Sporting saiu do Cazaquistão com uma dura derrota mas também como vice-campeão europeu. Tal como Bruno de Carvalho já referiu, o segundo é o primeiro dos últimos, e por isso este segundo lugar não pode servir de consolo mas também esta participação não foi, de todo, uma desgraça da qual nos devamos envergonhar. Pelo contrário.

Foto de Capa: Sporting CP

Dragão da semana: André André

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André André fez no último jogo uma excelente exibição, coroada por um golo de belo efeito e por isso é o dragão da semana. O pequeno buda, como alguns lhe chamam, quando em boa forma é um autêntico operário fabril em alta rotação na sala de máquinas que é o meio campo.

Óliver pode ser um grande “capataz”, mas no sábado foi o poveiro que fez as coisas se mexerem. Os números são claros: 88% de eficácia no passe, 2/3 remates enquadrados, 3 ações defensivas, 100% de eficácia no drible, 4/6 duelos que disputou venceu e ainda fez uma assistência indireta para o golo de Soares. Se juntarmos estes números ao facto de o pequeno dragão ser, excluindo os centrais e médios defensivos, o jogador com melhor percentagem de passes eficazes acima dos 700 passes (86,5%) percebemos o verdadeiro valor do médio.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

O jogador portista, quando capaz de imprimir a intensidade física necessária, é uma verdadeira placa giratória que liga os sectores de uma equipa com a eficácia de um relógio suíço. Além disso, pelo menos para mim, apesar de ser um de muitos jogadores no plantel é dos que mais gosto de ver jogar bem. Porquê? Porque é um verdadeiro dragão! É um daqueles que já sentia e sabia o que ser PORTO antes da chegada de NES e independentemente de qualquer fator. André tem sangue de dragão e poucos sentem o peso da camisola como ele. Se conseguir continuar a melhorar os índices de intensidade estará de pedra e cal no onze portista, deixando Herrera no permanente esquecimento.

Foto de Capa: FC Porto

Era preciso tanto sofrimento?

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A seleção nacional de futebol de praia apurou-se esta noite para os quartos de final do mundial da modalidade. A equipa das quinas precisou de sofrer bastante e ir a prolongamento para levar de vencida os Emirados Árabes Unidos pela margem mínima.

Esta terceira partida foi um espelho fiel daquilo que foi o percurso da nossa seleção na fase de grupos, que passarei a analisar. À partida, as perspetivas eram animadoras para a competição. Portugal tinha os mesmos doze convocados e a mesma estrutura que levaram o nosso país ao título mundial há dois anos, em Espinho. O grupo também não era considerado muito difícil, e Portugal abriu a competição frente a um estreante nestas andanças, o Panamá. Portugal entrou muito bem no jogo, com três golos muito repentinos e o jogo decorreu sem grande história, com Portugal a avolumar o marcador e a tirar claramente o pé do acelerador. A seleção orientada por Mário Narciso entrou bem na competição, com uma vitória por 7-0. Apesar de a exibição não ter sido de encher o olho, ninguém podia esperar o que aconteceu no domingo.

A seleção nacional enfrentou o Paraguai e teve um comportamento péssimo, tendo perdido por 5-3 frente aos sul americanos. Foi um jogo horrível da nossa seleção, com as nossas principais figuras claramente em défice de qualidade. Os paraguaios, que tinham perdido na primeira ronda frente aos Emirados Árabes Unidos, ficaram assim em vantagem perante a nossa equipa. Valeu a Portugal que os Emirados apenas bateram o Panamá nas grandes penalidades, no encontro da segunda ronda.

Jordan marcou dois golos ao Paraguai e tem sido dos melhores na seleção nacional Fonte: FIFA
Jordan marcou dois golos ao Paraguai e tem sido dos melhores na seleção nacional
Fonte: FIFA

Assim, chegámos a esta última ronda onde Portugal apenas tinha uma missão: vencer. Já sabendo de antemão que o Paraguai tinha goleado o Panamá e tinha assegurado a qualificação, Portugal, defrontava a seleção asiática. Apesar de se notar uma melhoria exibicional, notou-se claramente que esta está longe de ser a melhor versão da turma das quinas. Madjer não marcou um único golo em toda a fase de grupos e também não tem estado muito tempo em campo. Belchior está demasiado intermitente, apesar de ter estado claramente melhor hoje do que no jogo frente ao Paraguai. Como mais ninguém se tem destacado pela positiva entre os jogadores de campo, fica difícil à nossa equipa desequilibrar. Os portugueses chegaram à vantagem com um golo de Belchior no segundo período, mas o guarda redes contrário empatou a partida no último minuto. No prolongamento, valeu um golaço de Bruno Novo a dar o apuramento a Portugal.

Ainda assim, há que relevar um nome nesta qualificação: Elinton Andrade. O guarda redes luso-brasileiro tem estado em grande no Mundial e, depois de um jogo tranquilo frente ao Panamá, segurou as pontas possíveis da equipa frente ao Paraguai e foi um herói no jogo desta madrugada. Foi Andrade que manteve Portugal em jogo e que segurou depois a vitória, com muitíssimo mérito.

Na próxima quinta feira, Portugal joga para os quartos de final, frente ao rival de sempre na modalidade, o Brasil. O primeiro lugar no grupo era fulcral para evitar defrontar já os “canarinhos”, mas também é verdade que uma equipa que quer ser campeã não pode ter medo de defrontar ninguém. Assim sendo, que venham os brasileiros! Contudo, Portugal tem de melhorar, e muito, a sua qualidade exibicional. A jogar como fizemos na fase de grupos, podemos ser goleados.

Foto de capa: Seleções de Portugal

Os Filhos de la Boca

Cabeçalho Futebol Internacional

 

A loucura que o futebol desperta em todos os seus amantes e seguidores transcende-se quando se fala da Argentina. A relação entre o país de “El Pibe” e o futebol é um poema em movimento, e digna de um qualquer romance de Ricardo Piglia.

A capital Buenos Aires, segunda maior cidade da América do Sul, logo a seguir a São Paulo, é um dos mais importantes destinos turísticos de todo o mundo. Conhecida pelos seus traços arquitectónicos de estilo europeu, e pela vida cultural, é no “Superclássico” que opõe o Club Atlético Boca Juniores e o Club Atlético River Plate que a cidade encontra o seu grande ex libris.

Interpretar este poema, que se expressa de forma apaixonante no Superclássico argentino, leva-nos a embarcar numa viagem no tempo, e a aterrar em La Boca, o mais famoso bairro da capital argentina.

Bairro de La Boca com as casas pintadas com a tinta que sobrava da pintura dos navios que atracavam no antigo porto de Buenos Aires. Fonte: amusingplanet
Bairro de La Boca, com as casas pintadas com a tinta que sobrava da pintura dos navios que atracavam no antigo porto de Buenos Aires
Fonte: amusingplanet

La Boca situa-se junto ao antigo porto de Buenos Aires, nas margens do rio Riachuelo, e é conhecido pelas cores berrantes das suas casas – vermelho, amarelo, azul. Habitado sobretudo por imigrantes italianos da classe operária, este bairro está na génese da fundação dos dois gigantes argentinos.

Foto de Capa: imortaisdofutebol.com

Real Madrid CF 3-0 Atlético de Madrid: Noite perfeita de CR7

Cabeçalho Futebol Internacional

Depois de eliminar o Bayern Munique nos quartos-final da prova, os “Merengues” viram o seu rival madrileno calhar no sorteio das meias-finais. Assim, esta noite o Real Madrid recebeu e venceu o Atlético por três bolas a zero, num jogo em que Cristiano Ronaldo esteve endiabrado e colocou a sua equipa numa posição bastante confortável da eliminatória.

Numa primeira parte claramente dominada pelo conjunto de Zidane, o primeiro golo chegou ainda nos dez minutos iniciais. Depois de um segundo cruzamento para a área de Casemiro, Ronaldo ganha a frente à defensiva contrária e cabeceia para o fundo das redes de Oblak.
A equipa da casa aproveitava a entrada adormecida dos “colchoneros” e ao quarto de hora esteve perto de ampliar a vantagem depois de um cabeceamento de Varane que Oblak resolveu com uma excelente intervenção. As ameaças eram cada vez mais, e aos 23’ Modric aproveita uma bola de ressaca à entrada da área para ameaçar novamente o golo.
Claramente a passar por dificuldades, o Atlético de Madrid chegou à meia hora sem qualquer remate à baliza de Keylor Navas e apenas assistia à troca de bola que o adversário fazia confortavelmente no interior do meio campo atacante.  Aos 31’ Cristiano Ronaldo partiu a loiça toda na extrema esquerda e assistiu Benzema para um remate à meia volta que ainda beijou o travessão da baliza.

asdasdsd Fonte: Real Madrid
Benzema luta para evitar o jejum de golos, mas voltou a ficar em branco
Fonte: Real Madrid

No último quarto de hora do primeiro tempo o Real Madrid baixou o ritmo de jogo e viu um Atlético a chegar-se aos poucos perto do último terço do campo, ainda que sem qualquer perigo.

Nos segundos 45 minutos, a equipa da casa entrou novamente dominadora e foi gerindo confortavelmente a vantagem no marcador até aos 20 minutos finais. No entanto, já para lá dos 70’, Cristiano Ronaldo decidiu escrever mais um capítulo na sua história, fazendo mais dois golos na partida. O seu segundo golo surgiu de um erro defensivo de Filipe Luis, que perde a bola à entrada da área na qual surge o português para fuzilar as redes de Oblak. Claramente em dificuldades na partida, a equipa de Diego Simeone não conseguiu parar a arrancada de Lucas Vázquez aos 86’ e viu Cristiano Ronaldo completar o hat trick e colocar o resultado num 3-0 final.

Com esta vitória, o Real Madrid está com um pé na final da Liga dos Campeões, e é necessário um pequeno milagre para o Atlético revirar a eliminatória a seu favor.

Foto de Capa: Real Madrid

À conquista da Coreia: Portugal e o Mundial de sub-20

Cabeçalho Seleção Nacional

É já no próximo dia 20 de Maio que se vai dar início a mais uma edição do Mundial de sub-20, competição que o Bola na Rede irá acompanhar atentamente com rescaldos dos jogos da nossa seleção e prestando especial atenção aos jovens valores que se irão projetar. Portugal tenta conquistar pela terceira vez esta prova, tentando destronar a Sérvia, que na última edição ganhou ao Brasil, na final.

Emílio Peixe, homem que vai comandar os pupilos portugueses na armada na Ásia, já decidiu quais os jogadores que irá levar consigo para a Coreia. A surpresa recaiu, sobretudo, na aposta em jogadores muito jovens.

Fica claro que esta geração de 1999 é muito forte e Emílio Peixe decidiu chamar vários jogadores com tenra idade, como são os casos de Dalot, defesa direito do Porto, que conta com 18 anos; Gedson Fernandes, médio centro do Benfica, que conta com 18 anos; Florentino Luís, médio centro do Benfica, com 17 anos; Miguel Luís, médio centro do Sporting, com 18 anos; Luís Maximiano, guarda-redes do Sporting, com 18 anos; e José Gomes, avançado do Benfica, com 18 anos. Estes jogadores irão juntar-se a outros mais experientes, como Pedro Rodrigues, Rúben Dias, Bruno Xadas, Alexandre Silva e Francisco Ferreira.

É de destacar também o facto de apenas três jogadores convocados não serem provenientes dos três grandes do futebol nacional. Há uma nota constante de que quase todos estes jogadores já tiveram a oportunidade de se estrearem nas equipas Bês dos seus clubes, o que também será determinante para o Mundial, visto que a maturidade e o equilíbrio emocional são preponderantes em competições como esta.

Do lado dos não convocados, há que dar destaque a alguns nomes que, por diferentes motivos, não foram chamados para a competição. Rúben Neves, Renato Sanches, João Carvalho e Rui Pedro, Heriberto e Moreto Cassamá são provavelmente as maiores desilusões, para os adeptos, no que diz respeito a esta convocatória.

Os dois primeiros não foram convocados por estarem num patamar superior aos restantes e também por poderem ingressar na equipa que irá disputar o Europeu de sub-21, tal como acontece com João Carvalho, que tem ganho o seu lugar no Vitória de Setúbal. Mais surpreendente é a não inclusão dos últimos três nomes na convocatória.

Rui Pedro, avançado que esta época deambulou entre os júniores do Porto, a equipa B e a equipa principal, foi um dos destaques desta temporada e deveria ter estado na convocatória, mesmo com a sua tenra idade. Heriberto, extremo formado no Sporting e que esta temporada tem jogado pela equipa B do Benfica, tem sido um dos destaques da segunda liga. Já conta com 13 golos e tem surgido como um nome a ter em conta por parte do universo encarnado nas próximas temporadas. Moreto Cassamá, médio ofensivo dos dragões, tem estado em destaque durante a temporada e tem sido fundamental na equipa de júniores do Porto, sobretudo com a criatividade e a velocidade que empresta ao seu jogo. Apesar disso, há que confiar no trabalho de Emílio Peixe, que já deu mostras da sua mais valia e que certamente terá pensado nos jogadores citados.

Quanto ao Mundial propriamente dito, Portugal está inserido no grupo C, juntamente com a Costa Rica, o Irão e a Zâmbia. Portugal é claramente favorito a passar o grupo. A seleção das quinas é superior, individualmente, a qualquer uma das três seleções.

 Depois da final atingida em 2011, na Colômbia, Portugal tenta, desta vez, trazer para casa o "caneco" Fonte: Blogue Azul Borbense
Depois da final atingida em 2011, na Colômbia, Portugal tenta, desta vez, trazer para casa o “caneco”
Fonte: Blogue Azul Borbense

Apesar disso, há que ter em conta que, contra estas seleções de menor nomeada, todos os cuidados são poucos. A Costa Rica nos últimos anos tem dado maior importância às camadas jovens do país, no que toca ao Irão fica a promessa de se assistir a uma equipa irregular mas que no capítulo ofensivo poderá surpreender a da Zâmbia. Há a promessa sobretudo de uma equipa irreverente.

Quanto aos candidatos à vitória final, Portugal deverá estar incluído num lote de equipas como a Alemanha, França e a Argentina. Em relação às participações no Mundial, é curioso o facto de as duas finalistas da edição anterior não estarem presentes na prova: Sérvia e Brasil.

Também curiosa é a participação de algumas seleções com pouca expressão no futebol mundial, como é o caso de Vanuatu e do Vietname, equipas que vão aproveitar a competição para tentar expor a sua formação e lançar jovens jogadores para a grande montra do futebol mundial.

Espera-se que Portugal consiga, pelo menos, atingir os quartos de final da prova. Portugal, nos últimos anos, tem dado mostras de que tem trabalhado muito bem a formação mas tem faltado sempre aquele último clique.

No ano passado foi dado o clique com a conquista do Europeu sub-17 e com o Euro 2016 em séniores. Resta saber se nas restantes camadas jovens também irá haver a possibilidade de festejar títulos. Matéria prima é o que não falta.

São muitos os jovens com potencial nesta competição que irão estar desejosos de brilhar mas há outros factores a ter em conta. O factor emocional, a maturidade e o respeito pelas outras seleções será fundamental na prova, o factor sorte, neste caso nos sorteios, caso Portugal passe a fase de grupos, também será preponderante, e para isso temos o exemplo máximo do último Europeu.

Foto de Capa: FIFA

Peyroteo, o melhor goleador de sempre do futebol português

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Fernando Peyroteo foi o maior marcador de sempre do futebol português, com uma média de 1,6 golos por jogo. Em apenas doze anos de carreira de leão ao peito, marcou 526 golos em 325 jogos.
Peyroteo começou a brilhar no Sporting Clube de Luanda, onde alinhava como avançado, até que no verão de 1937 chega a Lisboa, para representar o clube de Alvalade. Em Agosto de 1937 realiza finalmente o seu primeiro treino e marcou três golos ao mítico Azevedo, convencendo logo Joseph Szabo, que se apercebeu imediatamente que tinha um diamante para trabalhar, recomendando à Direcção que não perdesse tempo a assinar o contrato com ele. Os resultados começaram logo a aparecer na sua estreia, a 12 de Setembro de 1937, num jogo contra o Benfica, a contar para um torneio disputado nas Salésias, em que contribuiu com dois golos para a vitória do Sporting por 5-3.

Transformou-se numa verdadeira máquina de fazer golos, tornando-se no maior goleador português de todos os tempos, detentor de uma série de recordes provavelmente imbatíveis, liderando então o ataque do Sporting durante doze épocas, nas quais foi sempre o melhor marcador da equipa, integrando duas míticas linhas avançadas: a que ficou conhecida como os “Cinco Violinos” da qual ele era o “stradivarius” e a que lhes antecedeu, onde tinha a companhia de Mourão, Pireza, Soeiro e João Cruz. Neste período, conquistou um Campeonato de Portugal, cinco Campeonatos Nacionais, quatro Taças de Portugal, oito Campeonatos de Lisboa e a Taça Império, tornando-se no terceiro jogador com mais títulos conquistados ao serviço do Sporting.

Fernando Peyroteo, num dos muitos golos que apontou pelo Sporting Fonte: Camarote Leonino
Fernando Peyroteo, num dos muitos golos que apontou pelo Sporting
Fonte: Camarote Leonino

Na sua carreira, Peyroteo, ao serviço do Sporting, marcou 526 golos em 325 jogos. No Campeonato Nacional foi o melhor marcador por seis vezes, estabelecendo um recorde de 43 golos em 19 jogos, que só seria batido em 1974 por Yazalde que marcou 46 golos mas em 29 jogos. Num só jogo marcou nove golos ao Leça e oito ao Boavista, conseguindo ainda marcar seis golos numa única partida por quatro vezes, cinco golos por nove vezes, quatro por dezoito vezes e 38 hat-tricks.

Peyroteo estreou-se na Selecção Nacional logo na sua primeira temporada ao serviço do Sporting, no célebre jogo em que Portugal conseguiu um histórico empate na Alemanha. O avançado leonino foi somando golos e internacionalizações ao serviço da seleção nacional, registando treze golos em vinte partidas. Surpreendentemente, Peyroteo resolveu retirar-se em 1949 com apenas 31 anos, conta-se que esta decisão foi motivada pelo facto de uma loja de artigos desportivos que abrira em Lisboa o ter deixado com algumas dívidas, pelo que na ânsia de as liquidar resolveu fazer a sua festa de despedida, um hábito da altura, que proporcionava sempre algum dinheiro aos jogadores que estavam de saída.

Peyroteo ficará sempre na memória do futebol português, dos sportinguistas e do Sporting Clube de Portugal, como o melhor marcador de sempre e uma verdadeira referência.
Foto de capa: Super Sporting