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Força dos Números: Derby de Alvalade

Cabeçalho Futebol Nacional

Todos os anos é assim. O mesmo frenesim, a mesma tensão, o mesmo empolgamento nas vésperas de um jogo que conhece 90 minutos mas começa muito antes, nos cafés e nos jornais e acaba muito depois, em “bocas” de colegas de trabalho.

O derby eterno mexe com aquilo que o ser humano tem de mais vulnerável – o orgulho. O orgulho que faz beijar os símbolos das camisolas que se vestem. O orgulho que explica a razão de não se ficar em casa e de acompanhar o seu “amor, seja onde for”. O orgulho que faz vibrar milhões de pessoas espalhadas pelo mundo em torno de uma causa comum – o clube do coração.

Sportinguistas e benfiquistas vão parar, no Sábado, 22 de Abril de 2017, às 20h30, porque em disputa, mais do os que três pontos, está o tal orgulho e o direito que assiste, ao vencedor, de brincar com o/a colega de trabalho (ou amigo/a, ou patrão/patroa, ou namorado/a) do outro clube.

E nós? Nós também não ficamos indiferentes. Ninguém fica, seja verde, vermelho, azul, amarelo ou cor-de-rosa. Não é só uma frase feita – o país pára. Nós incluídos. Parámos durante duas semanas inteiras para visitarmos a história na esperança de ouvir as histórias que ela nos tinha para contar. Relatos de estádios cheios, golos decisivos, orgulho exacerbado ao alto de uma loucura quase sempre saudável.

Se o Estádio José Alvalade falasse... Fonte: StadiumGuide.com
Se o Estádio José Alvalade falasse…
Fonte: StadiumGuide.com

Vimos muita coisa e apontámos tudo. E trouxemos para contar. A vocês, que não são só leitores, são colegas de paixão, que gostam disto tanto (ou mais… ou menos) quanto nós.

Olhámos e contámos os números do derby de Alvalade, a contar para o campeonato português, desde 1956, ano de inauguração do velhinho Estádio de Alvalade até hoje, e temos muita coisa para vos mostrar.

Não, não falamos só das 22 vitórias do Sporting, as 21 do Benfica e os 17 empates registados desde aí, ou dos 149 golos apontados (75 para os leões, 74 para os encarnados) até hoje. Falamos de muito mais. De expulsões, nacionalidades, grandes penalidades, treinadores que foram jogadores, jogadores que jogaram com as duas camisolas, golos nas estreias…

… enfim, gostamos disto tanto (ou mais ou menos) quanto vocês. Seria injusto ficarmos com a informação só para nós. Seguem 9 páginas de história. Sejam bem-vindos a mais uma edição da “Força dos Números”.

Foto de capa: Stadium Guide

Campeonato das dependências

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fc porto cabeçalho

Depois de seis pontos perdidos, com empates concedidos ante V. Setúbal, Benfica e Braga, eis que se conjuntura a “dura realidade” de não dependermos apenas de nós na luta pelo título de campeões. Se no início da época poucos esperariam um FC Porto capaz de lutar até ao fim pela conquista do campeonato também é certo que, chegados agora à reta final, precisamente com este cenário, poucos conseguem aceitar os “tremeliques” impróprios de um candidato que já mostrou fibra.

Mas que ninguém caia na ingenuidade de pensar que o nosso adversário direto não depende também de terceiros. Por mais paradoxal que pareça, e ainda que a classificação e a matemática mostrem o contrário, certo é que faltando a ajuda dos avançados extra que teimam sempre em aparecer nos períodos mais complicados, a tarefa de conquistar o ‘tetar’ afigurar-se-á bastante complicada.

Pretende-se uma grande romaria aos Aliados, em maio Fonte: FC Porto
Pretende-se uma grande romaria aos Aliados, em maio
Fonte: FC Porto

À imagem do seu rival, também o FC Porto necessita da “ajuda” de terceiros. Para além do Sporting, Guimarães, Rio Ave, Estoril e Boavista, urge que as terceiras equipas dos jogos do FC Porto (já dou de barato que os beneficiem a eles à descarada, desde que parem de nos prejudicar obscenamente) apliquem critérios de igualdade e justiça que levem a que os resultados sejam sempre espelho da real valia das equipas, e não um constante desvirtuamento da competição a que temos assistido.

Não obstante toda a adversidade que nos espera, urge ainda mais recuperar o bom futebol que consumou o melhor Porto da época. Restam cinco finais que têm de se traduzir na conquista imperiosa de quinze pontos. Para além disso, não basta vencer, mas sim destruir por completo o adversário, goleando-o, criando essa almofada de conforto de, em caso de igualdade pontual no final da prova, vermos o esforço recompensado.

Focados, rumo ao título!

 

P.S. – Entretanto, Saponjic, avançado da equipa B do Benfica, foi suspenso por três jogos por um soco a um jogador do Fafe. É assim que, neste país, se tentam calar as vozes que se elevam perante a vergonha. Enquanto isso, Luisão soltou umas gargalhadas e o pugilista grego Samaris, esse… Corou de vergonha…

 

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por Mafalda Carraxis

Sorteios Europeus: Entre o Sonho e a Obrigação

Cabeçalho Futebol Internacional

O sonho começa a ganhar contornos de realidade para grande parte das equipas que chegam às meias-finais de uma competição europeia. Estão cada vez mais perto de ganhar um lugar numa final europeia que as catapultará para a memória eterna.

Nem todas, terão uma perspectiva tão fantasista. Perante o contexto competitivo que lhes apresenta, atingir a final pode não ser um sonho, mas uma obrigação. Manchester United e Real Madrid. Por razões diferentes, encaram, respetivamente, a vitória na Liga Europa e a Liga dos Campeões como um objetivo.

O Manchester United quer, precisa, de voltar a disputar a Champions e uma das principais vias da acesso é a Liga Europa, pelo que não a poderá descurar caso não consiga o apuramento via campeonato. Para além disto, depara-se com um conjunto de concorrentes que não lhe pode estorvar o objectivo. Calhou, em sorte, o Celta (primeira mão nos Balaídos), porventura o adversário mais complicado, mas fosse quem fosse, vencer seria sempre mandatório para os orientados por José Mourinho.

Sorteio das meias-finais da Liga Europa Fonte: UEFA
Sorteio das meias-finais da Liga Europa
Fonte: UEFA

 

O Real, como é normal, quer a 12ª Liga dos Campeões (e, claro está, vencê-la pela 2ª vez consecutiva, algo que não acontece há 26 anos). A via de acesso já estava desobstruída com a saída de Bayern e Barcelona da competição. Hoje, ficou ainda mais – o Atlético de Madrid, que não é o mesmo que disputou 2 das 3 últimas finais da competições com o próprio Real, calhou em sorte (primeira mão no Bernabéu), e a final passou a ser quase que uma obrigação.

Caso supere a reedição da final do ano passado, o Real vai apanhar o vencedor do Monaco-Juventus (primeira mão no Principado) no derradeiro jogo deste ano. A Juve revelou-se impenetrável defensivamente diante de Barcelona e FC Porto, o Mónaco tem sido capaz de se superar sucessivamente diante equipas como o City, o Dortmund ou o PSG (em França), pelo que reina, e ainda bem, a incerteza num duelo que nos, portugueses, esperemos ver cair para o lado dos “nossos” Leonardo Jardim, Bernardo Silva e João Moutinho.

O outro jogo sorteado esta manhã, em Nyon, vai opôr Ajax e Lyon (primeira mão na Holanda) nas meias-finais da Liga Europa. Os holandeses procuram regressar à glória que deixaram esquecida em 1995, data da última conquista europeia. Os franceses (mesmo sem acesso às competições europeias do próximo ano) querem a primeira final da sua história. Nenhum deles pode encarar o jogo com um carácter de obrigatoriedade pelo que, dos dois lados, o sonho comanda.

Foto de capa: UEFA

 

“Coimbra é uma lição de sonho e tradição”

Cabeçalho Futebol Nacional

Coimbra, cidade dos estudantes, cidade da tradição académica, da capa traçada, das serenatas ao luar, cidade que carrega em si o espírito de uma cidade diferente, especial. Mas Coimbra não é só estudantes universitários e a universidade. Coimbra é também uma cidade de futebol. A cidade da Académica de Coimbra, um dos clubes mais representativos do país, um dos clubes mais especiais de Portugal.

Depois de várias temporadas inconstantes de um dos clubes mais antigos em Portugal existentes, a Académica de Coimbra desceu de divisão na temporada passada, numa época atípica, onde apenas se conquistaram os três pontos por quatro vezes. Esta Académica, pesem embora os últimos anos, é uma equipa com algumas conquistas interessantes. Basta lembrar que ainda em 2011/2012 ganhou uma Taça de Portugal frente ao Sporting, ou que em 2013/2014 conseguiu um oitavo lugar. A Académica sempre foi um clube de fazer muito com pouco. Com um orçamento reduzido, a equipa dos estudantes sempre pautou pela garra, pela dedicação, incorporando no seu jogar a alma de uma cidade. Só que, na temporada passada, isto não bastou.

Numa temporada em que a equipa da Briosa teve dois treinadores, as coisas não podiam ter corrido pior. Depois de José Viterbo, um homem apaixonado pelo clube, ter conseguido alcançar a manutenção na temporada transacta, a direção da Académica decidiu premiar o técnico com o lugar de treinador na temporada seguinte. As coisas não correram da melhor forma, com o técnico a somar seis derrotas em seis jogos. A decisão passou por trazer para o clube Filipe Gouveia, jovem técnico que estava num bom momento no Santa Clara e que já havia feito bons trabalhos, tanto no Salgueiros como no Boavista, e que já tinha igualmente passado pela casa dos estudantes, como adjunto. O técnico ainda tentou remar contra a maré mas um plantel desiquilibrado e uma época mal preparada levaram à inevitável descida de divisão da Briosa.

Em 2012, festejou-se um título histórico na cidade de Coimbra. O sonho dava lugar à realidade Fonte: Académica OAF
Em 2012, festejou-se um título histórico na cidade de Coimbra. O sonho dava lugar à realidade
Fonte: Académica OAF

O pesadelo, desta feita, estava mesmo a acontecer. Os adeptos mal queriam acreditar mas era verdade: a Académica estava na segunda divisão, depois de 13 participações consecutivas no mais alto escalão do futebol nacional. Mas havia mais. José Eduardo Simões, presidente do clube desde 2004, abandonava a presidência da equipa coimbrã, obrigando a uma nova reestruturação no clube.

Nesta época, a equipa da Briosa fez uma grande aposta na juventude. São muitos os jovens que constituem o plantel da equipa de Coimbra. A aposta da direção passou pela permanência de alguns jogadores com alguns anos de casa, como Rui Miguel, Marinho e João Real, incorporando alguns novos jogadores vindos, principalmente, da formação. A época foi algo intermitente com a Académica, em alguns períodos da temporada a estar longe dos primeiros classificados e noutros a estar perto dos primeiros lugares. A verdade é que Costinha nunca reuniu total consenso dentro da massa associativa da Briosa e a temporada acabou por ser sempre irregular. Para agravar a situação, Paulo Almeida apresentou a demissão do cargo de presidente do clube. Pedro Roxo foi o escolhido para ocupar o lugar deixado em branco.

O projeto da Académica é interessante. O futuro do clube tem de passar, inevitavelmente, pela aposta na formação do clube. Nesta temporada os iniciados, juvenis, e júniores da Académica estão a disputar o título de campeões nacionais. A aposta já foi diversas vezes vincada, sendo que agora vão começar a ver-se frutos. Falta apenas estabilidade a um projeto que está a dar os passos certos. Já nesta temporada, jogadores em idade de júnior, como André Vidigal, João Simões e Leandro Cardoso, estrearam-se pela Briosa, tendo os primeiros minutos como séniores. Os próximos anos prometem no que toca ao surgimento de ainda mais exemplos.

A Académica tem tudo para voltar a ser grande no futebol nacional. A Académica tem uma região do seu lado, tem um espírito inabalável, uma história sem igual no futebol nacional. A Académica está carregada de um simbolismo muito próprio, de um clube histórico. Que esta Briosa volte a mostrar o brio de outrora e que volte a ser “sonho e tradição”.

Foto de Capa: Académica OAF

Mitroglou, dá-me o 36!

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E vai chegando a hora do tão esperado dérbi lisboeta, à 30.º jornada e numa altura do campeonato em que o Benfica tem o foco apontado ao título e o Sporting  a oito pontos de distância  já só joga para cumprir calendário e, eventualmente, tentar alcançar o acesso direto à Champions League, uma vez que tem o Porto a cinco pontos. Mas a questão aqui é: quem será o grande protagonista?

O fator pressão pesa mais ao Benfica, que tem o Porto a três perigosos pontos e precisa de vencer. Estatisticamente até está melhor lançado, pois nos últimos dez jogos em casa do eterno rival contabiliza quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas. Contudo, os dérbis não são feitos de números, mas sim de muita paixão e suor à mistura; daí a imprevisibilidade do resultado.

O dérbi é vivido quase como uma competição por si só, na medida em que é um jogo de cariz peculiar, dada a grande emoção envolvida, e no qual, independentemente do número de golos até ali, da posição que as equipas ocupem ou do bom ou mau momento em que se encontrem, é mais do que obrigatório ganhar, até por uma questão de honra.

No entanto, os números que existem levam-me a crer que o talismã grego será fundamental e irá dar o seu contributo na resolução deste importante duelo. Nesta época foram 26 os golos que Mitroglou já levou até ao fundo das redes adversárias. Contra o Sporting, historicamente, seria repetente a marcar, pois já fez o gosto ao pé com dois golos em quatro jogos disputados entre as duas equipas e recorde-se que um deles, na época passada, tirou o tapete aos sportinguistas na tabela classificativa.

Kostas Mitroglou é o homem-golo do SL Benfica nesta temporada Fonte: SL Benfica
Kostas Mitroglou é o homem-golo do SL Benfica nesta temporada
Fonte: SL Benfica

Se se analisar ambas as duplas de ataque  Mitroglou com Jonas e Bas Dost com Alan Ruiz, os primeiros somam 40 golos esta temporada e os segundos totalizam 37, pelo que em termos de resultados das suas duplas ofensivas, os benfiquistas ficam melhor na fotografia. No entanto, dos 37 golos marcados pela dupla leonina, 34 são para o campeonato, em contraponto com 24 da parte da dupla de águia ao peito. No entanto, há que ter em conta as quatro competições em que o atual líder do campeonato esteve presente em simultâneo, chegando mesmo a fases finais, e nas quais o Sporting não vingou desde cedo.

Assim, confio no Mitroglou  que espero que tenha Jonas por perto  e na sua veia goleadora para a tarefa principal deste dérbi: fazer os 3 pontos! Ressalvo que estamos a falar do melhor marcador desta temporada do Benfica, que aos 29 anos e a cumprir a melhor temporada da carreira  pois superou o número de golos marcados na época passada  já provou que tem pé quente e capaz de ser decisivo. Aliás, não é por acaso que lhe é atribuído o cognome de Mitrogolo.

Apesar de, fora do campo, as relações entre as duas instituições estarem bastante exaltadas e de sabermos que isso se irá refletir no ambiente do dérbi, o que conta é o resultado obtido dentro das quatro linhas, esperando-se um jogo de bom futebol de ambas as partes. Uma coisa é certa: o Benfica vai a Alvalade em busca de mais uma vitória, custe o que custar.

Venha o dérbi e, mais importante que tudo, venha o 36!

Foto de capa: SL Benfica

Artigo revisto por Mafalda Carraxis

O dia do Leão mostrar o nervo

sporting cp cabeçalho 2Aproxima-se, a passos largos e a um ritmo vertiginoso, o dérbi de 22 de abril entre o Sporting Clube de Portugal e o Sport Lisboa e Benfica. Um jogo de paixão exacerbada, de nervos à flor da pele e arrebatador do ponto de vista emocional.

É o dia em que, ao acordar, o pensamento não está no trabalho que está por fazer ou no despertador que está por desligar, mas está na camisola que está por vestir, no cachecol que está por colocar ao pescoço e no leão que vamos envergar ao peito com todo o orgulho e toda a paixão. É aquele dia em que tudo fica para trás em prol do clube e em prol da vitória.

Alvalade vai encher, tentando criar um ambiente infernal para os rivais Fonte: Sporting CP
Alvalade vai encher, tentando criar um ambiente infernal para os rivais
Fonte: Sporting CP

O dia no trabalho não será produtivo, pois o pensamento, invariavelmente, estará no jogo. Estará nas opções que achamos que o treinador deve tomar, nos amigos com quem vamos ver o jogo, na redondinha que sonhamos ver entrar na baliza do adversário ou na letra do “Mundo Sabe Que”, que vamos entoar a plenos pulmões de cachecol bem erguido. O dérbi entre o Sporting e o Benfica é o jogo de futebol por excelência em Portugal. É aquele jogo que, em caso de derrota, torna o dia seguinte num inferno pelo gozo dos amigos ou colegas de trabalho ou que, em caso de vitória, torna o dia seguinte num paraíso em que vamos de peito feito gozar com essas mesmas pessoas, apenas satisfeitos pela vitória do nosso clube.

E quem são as pessoas mais importantes para realizar este desejo dos adeptos? O treinador e os jogadores. Quanto a Jorge Jesus, espero que tome as melhores decisões possíveis. Prefiro ver Paulo Oliveira a Ruben Semedo, prefiro Jefferson a lateral esquerdo em relação a Bruno César, mas o treinador é que sabe. Espero que voltemos a ver um Jorge Jesus hiperativo no banco, com berros para toda a gente e a toda a hora. Esse é o melhor JJ, o treinador que mexe com a cabeça dos jogadores e com os nervos de toda a gente no estádio.

Manchester United FC 2-1 RSC Anderlecht: Mourinho agarra-se à boia

Cabeçalho Futebol Internacional

O Manchester United partia para este jogo com a condição de favorito reforçada, depois do empate a uma bola em Bruxelas. Dessa forma, os belgas sabiam que se quisessem passar às meias-finais da Liga Europa teriam de marcar no ‘teatro dos sonhos’. Mas a tarefa não se avizinhava fácil, pois é sabido que a equipa de José Mourinho olha para esta competição como a boia de salvação da época.

Depois de um início equilibrado e com a turma belga a tentar colocar em sentido os da casa, os red devils chegam ao primeiro golo num contra-ataque muito bem desenhado, a culminar com uma autêntica bomba de Mkhitaryan, já dentro da área, não dando qualquer chance ao guarda-redes belga. Aos 22’ há um revés para o treinador português, com a lesão de Marcos Rojo, que o obrigou a mexer na defesa quando não tinha centrais de raiz no banco.

A equipa de Manchester abanou um pouco com a alteração e o Anderlecht ganhou outra moral. Depois de uma oportunidade criada por Acheampong, com resposta à altura do guardião Romero, os visitantes chegaram mesmo ao golo por intermédio de Hanni numa jogada de insistência. A eliminatória estava agora empatada e com tudo em aberto, com o Manchester United a parecer meio perdido no jogo, não conseguindo ligar as jogadas de ataque e a viver de rasgos de Rashford e Ibrahimovic.

Para a segunda metade o Anderlecht baixou um pouco as suas linhas, mas com uma boa organização espreitava o contra-ataque sempre que podia, deixando os comandados de Mourinho em sentido. Duas equipas com medo de arriscar muito, pois um golo sofrido poderia deitar tudo a perder, principalmente para os da casa. À passagem do minuto 70, duas claras oportunidades desperdiçadas por Rashford e Ibrahimovic, após erros da defesa visitante.

Por esta altura era Pogba que carregava o Manchester às costas. O francês enchia o meio-campo, defensiva e ofensivamente, com constantes recuperações de bola e ainda com fulgor para aparecer na área contrária, a dar apoio aos seus avançados. Mas parecia ser o único em campo que não estava à espera do apito final. Numa segunda parte em que os ingleses até podiam ter decidido a eliminatória, chegava-se ao prolongamento e havia pelo menos mais meia hora de decisões.

Sofiane Hanni no momento do golo que igualou o jogo e a eliminatória Fonte: GettyImages
Sofiane Hanni no momento do golo que igualou o jogo e a eliminatória
Fonte: GettyImages

Para o tempo-extra mais uma contrariedade para Mourinho, que se viu privado de Ibrahimovic por lesão. Os ingleses mantinham alguma superioridade, mas não a conseguiam transformar em golo. Quando os nervos pareciam querer apoderar-se da equipa, aparece o menino Rashford a fazer o 2-1, ele que vinha subindo de produtividade no jogo e era dos que mais mostravam perigo. Relevo para a assistência de Fellaini, entretanto lançado no jogo por Mourinho, através de uma situação em que é fortíssimo o jogo aéreo.

Uma certeza a partir de agora: não haveria desempate por grande penalidade. Até ao final do jogo, os belgas a tentarem a reviravolta através de bolas longas para a área, mas o Manchester United a aguentar e a conseguir o apuramento para as meias-finais da Liga Europa.

Num jogo que a qualquer altura poderia pender para qualquer um dos lados, o resultado ajusta-se, pois foram os diabos vermelhos a ter mais oportunidades de golo e a querer mais passar à fase seguinte. Mantém-se, assim, vivo o desejo de Mourinho de vencer a competição europeia em que estava inserido esta época, amenizando de alguma forma as desilusões que tem sofrido na Premier League.

Foto de Capa: GettyImages

Máquina do tempo: Noite mágica de Benni

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fc porto cabeçalhoNo dia 25 de Fevereiro de 2004, o FC Porto recebeu o “gigante” Manchester United em jogo a contar para os oitavos de final da Liga dos Campeões.

Uma vitória por 2-1, numa grande noite do FC Porto e com um ambiente absolutamente fantástico no Dragão.

O FC Porto alinhou da seguinte forma: Vítor Baia, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Pedro Mendes, Maniche, Deco, Alenichev (Jankauskas), Carlos Alberto (Ricardo Fernandes), Benni McCarthy (Bruno Morais).

Uma equipa fantástica, treinada por José Mourinho, que espalhou classe pela Europa fora, acabando por conquistar a Liga dos Campeões diante o Mónaco, com uns concludentes 3-0, na célebre final de Gelsenkirchen.

Assisti a este grande jogo numa zona privilegiado do estádio do Dragão (num camarote), com todo o conforto, mas o jogo foi de uma intensidade tal e o ambiente vivido era tão mágico que passei mais tempo em pé do que sentado.

Benni arrasou nesta noite. Fonte: Kick off
Benni arrasou nesta noite
Fonte: Kick off

O homem da noite foi Benni McCarthy, ao apontar os dois golos (29 e 78 minutos). O Manchester era uma super equipa, marcou primeiro por Fortune, aos 14 minutos, mas esta equipa do FC Porto nunca se dava por vencida e conseguiu dar a volta ao resultado com uma exibição de luxo.

É difícil de explicar o ambiente que se vivia para quem não esteve no Estádio ou para quem não é portista, foram épocas em que os adeptos acreditavam que éramos capazes de tudo, de vencer qualquer equipa. Na época anterior, tínhamos ganho a Liga Europa (onde também estive presente) e a equipa e o treinador davam tanta confiança aos adeptos que o céu era o limite.

Uma equipa barata, com muitos portugueses (neste jogo foram oito de início), mas com uma garra do tamanho do mundo. Mas não era só garra, era também muita classe: Deco ou Alenichev eram classe pura, Jorge Costa e Costinha (antes quebrar que torcer), Vítor Baía, um “monstro na baliza”, e muitos mais exemplos poderia dar da qualidade desta equipa. E José Mourinho que foi o grande arquiteto destas conquistas.

Esta época, foi a ultima vez que um clube fora dos quatro grandes países (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália) dominadores do futebol Europeu conseguiu ganhar uma Liga dos Campeões, por aqui se vê a grandeza do feito do FC Porto nesta época.

Uma noite mágica das muitas que tive o prazer de viver, quer nas Antas, quer no Dragão!

Foto de Capa: Dailymail

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Chapecoense, Rui e Eusébio: Perdoem-lhes porque eles não sabem o que fazem

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Foi num jogo que opôs dragões e águias no Dragão Caixa que tudo começou. A claque azul e branca cantou “Quem me dera que o avião do Chapecoense fosse do Benfica”. Após este episódio, veio-se a saber que este cântico já teria sido entoado no clássico no Estádio da Luz, numa partida para o campeonato. Desta forma, tudo começou e até hoje continuou a enegrecer a imagem dos grandes clubes em Portugal.

Passados alguns dias, a claque benfiquista, como que em resposta, numa partida frente ao Sporting no Pavilhão da Luz, para o campeonato nacional também da modalidade de andebol decidiu entoar “Foi no Jamor que o lagarto ardeu, na final da Taça o very-light é que o f*deu”, além dos assobios a relembrar o som que se ouviu antes do very-light da claque do Benfica matar o adepto Sportinguista, Rui Nunes, na final da Taça de Portugal, no Jamor, em 1996. Estava assim iniciado o arrastamento dos leões para a polémica dos cânticos.

Não tardou a resposta do clube leonino, tendo a claque verde e branca cantado sobre a grande lenda do clube encarnado, e do futebol nacional, Eusébio. “Onde está o Eusébio” foi o que se ouviu no Pavilhão da Luz, num jogo de futsal entre as duas equipas de Lisboa. Completaram, assim, eles mesmo a inclusão na polémica das claques que enojam os adeptos por todo o mundo do desporto.

Em menos de duas semanas, as claques dos três grandes em Portugal, provaram ainda serem demasiado pequenas para o clube que pretendem representar. De modo algum, as instituições que apoiam, aprovariam cânticos e ataques repugnantes como os que se têm passado nos últimos dias pelas modalidades que colocam frente a frente os três clubes ditos grandes. São atos vergonhosos e hediondos estes que vêm do lado de seres humanos que vestem as camisolas do respetivo clube e se deslocam aos estádios e pavilhões com o intuito de apoiar o clube do coração. Amam o clube, mas o clube não vos ama, muito menos as vossas atitudes. A pequenez de todas as claques é evidente, pois nenhuma teve a decência de manter uma postura correta, não respondendo na mesma moeda a cânticos como os que são entoados pelos campos portugueses. No momento onde a cautela seria a atitude chave para ficar por cima, todas decidiram colocar-se ao nível abaixo de zero de consideração.

O início deu-se com a claque portista, mas, na verdade, tanto podia ter sido iniciada pela claque benfiquista ou sportinguista. Os dragões fizeram a fogueira, os restantes colocaram palha seca, aumentando o fogo. O desporto tem a particularidade de mover multidões com o mesmo propósito, servir de união entre netos e avôs, marido e mulher, pais e filhos, tios e sobrinhos. É repugnante o facto de um pai ter de recear que o filho poderá presenciar atitudes grotescas do clube do coração ao vivo e a cores, tal como as mesmas por parte do rival que ataca o emblema que o rapaz trás no lado esquerdo do peito.

Rockets, Wizards, Warriors: Estofo para a segunda ronda?

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Cabeçalho modalidadesEsta madrugada, três equipas aumentaram a sua vantagem nos playoffs para 2-0. Rockets, Warriors e Wizards partem para os jogos fora com 100% de triunfos em casa.

Ao contrário do que aconteceu no primeiro jogo, este foi bastante equilibrado. Os Rockets encontraram mais dificuldades no caminho para a vitória e os OKC mostraram que não se dão por derrotados. Apesar de uma exibição de excelência por parte de Westbrook, que se tornou no primeiro jogador de sempre a fazer um triplo duplo com mais de 50 pontos nos playoffs, a equipa de Oklahoma não foi capaz de chegar à tão desejada vitória. Em desvantagem durante três quartos, os homens de D’Antoni só conseguiram passar para a frente do marcador no último período. Os 35 pontos de Harden foram uma grande ajuda para a equipa, mas o segredo da vitória veio do banco: Eric Gordon marcou 22 pontos, Lou William 21 e Nenê 7. Ou seja, 50 pontos saíram diretamente do banco de suplentes dos Rockets, enquanto do dos Thunder saíram apenas 24.

Destaque, então, para Westbrook, que volta a mostrar que é um monstro, e para Eric Gordon e Lou Williams, dois 6th man, que foram importantíssimos para a equipa.

Fonte: NBA
Fonte: NBA

Os Golden State Warriors voltaram também, como seria de esperar, a vencer. Depois de vencer por 12 pontos no primeiro jogo, a equipa de Kerr venceu por 29 pontos (110 – 81). Mesmo sem Durant e Livingston, Curry e Thompson não precisaram de números e prestações de outro mundo para os Warriors ganharem folgadamente. O jogador com mais pontos marcados foi mesmo o camisola 30, com 18, mas o destaque vai para JaVale McGee, que marcou 16 pontos e foi o mais eficaz em campo: 100% de eficácia. Draymond Green volta a realizar um grande jogo, alcançando o duplo-duplo, com 10 assistências e 12 ressaltos.

Em Washington, houve, mais uma vez, um confronto equilibrado. À semelhança do que aconteceu no primeiro jogo, a diferença no marcador não chegou a 10 pontos e John Wall voltou a ser o homem do jogo. Os Wizards seguem para Atlanta com uma vantagem de dois, mas sem nada garantido ou favoritismo assumido.

 Foto de capa: NBA

Artigo revisto por: Francisca Carvalho