Início Site Página 10891

Boavista 0-1 FC Porto: Há coisas que nunca mudam

cabeçalho fc porto

O FC Porto seguiu em frente na Taça de Portugal ao vencer, esta noite, no Estádio do Bessa, o Boavista por 0-1, nos quartos de final da Taça de Portugal. Brahimi fez o único golo de um dérbi com emoção e polémica à mistura que terminou com Helton como herói na equipa azul e branca.

Depois da goleada imposta no último domingo por 5-0 aos axadrezados, esperava-se um encontro totalmente diferente. Erwin Sanchez pediu uma resposta aos seus jogadores e, apesar das alterações – provocadas pelas várias lesões no plantel – a verdade é que a postura com que a equipa se apresentou em campo foi totalmente distinta. Do lado portista, Rui Barros optou por alterar o menos possível, fazendo apenas três alterações. Helton, Evandro e Varela entraram para o onze, substituindo Casillas, André André e Corona. Os primeiros minutos do dérbi trouxeram um Boavista transfigurado, tendo em Rúben Ribeiro a principal arma para chegar ao último terço do terreno. Os axadrezados entraram fortes mas, à medida que o ímpeto inicial desapareceu, os portistas começaram a tomar conta do jogo e os lances de perigo junto a Mika foram-se sucedendo.

Aboubakar, a cruzamento de Layún, e Evandro, a passe de Varela, criaram as primeiras oportunidades de golo. À terceira, Brahimi não perdoou e, pela esquerda, tirou os adversários do caminho até chegar ao golo inaugural do encontro. Como havia acontecido no encontro do campeonato, seria expectável que o golo desbloqueasse o jogo para os azuis e brancos. Isso acabou por não se traduzir em termos efetivos, tal foi a ineficácia que o FC Porto demonstrou esta noite. Marcano, num cabeceamento ao poste, e Herrera, num remate para excelente defesa de Mika, estiveram perto de um golo que terminaria com o jogo. Do outro lado, o cabeceamento de Rúben Ribeiro foi a única coisa que se viu do lado axadrezado no primeiro tempo.

12473912_10153884702359485_4428089318558144819_o
Herrera voltou a estar em bom plano esta noite
Fonte: Facebook FC Porto

A ineficácia portista haveria de voltar logo no início da segunda parte, quando Aboubakar, isolado perante Mika, rematou em cheio à trave da baliza contrária. Esse lance funcionou como um stop ao jogo ofensivo portista, tal foi a incapacidade demonstrada em criar perigo a partir desse momento. Sustentado num jogo físico e exageradamente agressivo, o Boavista foi subindo no terreno, usando e abusando das bolas longas para as costas da defesa azul e branca. O mau estado do relvado acabou por ajudar a que se tivesse assistido a um jogo muito mastigado e que o FC Porto nunca mais conseguiu controlar. A situação piorou quando Nuno Almeida, numa decisão manifestamente exagerada, decidiu expulsar Imbula por uma entrada perigosa do médio francês.

Com 25 minutos ainda por jogar, os boavisteiros quiseram aproveitar a vantagem numérica e foram para cima dos dragões. Apesar das oportunidades não terem abundado, a verdade é que o perigo continuava a rondar a baliza de Helton. O guarda redes brasileiro acabaria por assumir o papel de vilão e herói já perto do apito final do árbitro. Aos 89, Helton quis receber uma bola impossível e, só por incapacidade de Uchebo, é que não viu a sua fífia acabar com o golo do Boavista. Nas imagens, viu-se Helton frustrado consigo próprio por tamanho erro. No espírito de capitão, mal sabia o brasileiro que, já sobre o cair do pano, Martins Indi haveria de fazer uma grande penalidade ridícula que terminaria com Douglas Abner na marca dos onze metros. Com o espectro do prolongamento a pairar no Bessa, Helton decidiu puxar dos galões e, como em tantas outras ocasiões, salvou o dragão. Defesa espectacular a adivinhar para onde ia a bola e apuramento conquistado pelas luvas do capitão. Por muitos anos que passem, há mesmo coisas que nunca mudam. Helton provou-o.

 

Figura do Jogo:

Helton – Se o FC Porto está nas meias finais da Taça de Portugal, pode agradecer ao guarda redes brasileiro. No momento decisivo, Helton, como em tantas outras ocasiões, esteve lá. A defesa à grande penalidade de Abner põe os azuis e brancos mais perto do Jamor.

 

Fora de Jogo:

Imbula – É certo que a decisão de Nuno Almeida em expulsar o médio francês é manifestamente exagerada; mas também é verdade que, mais uma vez, Imbula passou completamente ao lado do jogo. Não aproveitou mais uma oportunidade e o seu espaço parece cada vez menor no FC Porto.

Escolhidos os 14 que transportam o sonho

0

cab futsal

Quando o selecionador nacional, Jorge Braz, anunciou hoje a lista final com os 14 jogadores que vão à fase final do Euro’2016, a realizar-se durante o mês de Fevereiro, devo dizer que não houve nenhuma escolha que me escandalizasse, uma vez que as grandes figuras permanecem no leque de escolhas, para além de algumas apostas em jovens jogadores que mostram todas as semanas que merecem esta chamada, tais como Fábio Cecílio ou Tiago Brito. Creio que esta mescla entre experiência e juventude que o selecionador está a querer incutir é de facto o caminho mais acertado e pode vir a render grandes frutos num futuro mais recente, e, no paradigma atual, salvo uma ou outra natural discordância em relação às opções de Jorge Braz, parece-me que a dele é a escolha mais acertada e lógica, destacando-se a presença maioritária de jogadores do Sporting CP (cinco) e SL Benfica (três), seguidos por jogadores do SC Braga e pela equipa estrangeira com mais eleitos, o Inter Movistar, com dois jogadores cada.

Para completar o lote de escolhidos falta citar o Axed Group Latina, de Itália, e a AD Fundão, que levam um elemento. Ainda este mês a equipa nacional parte para a capital Sérvia, Belgrado, no dia 31: isso depois de alguns jogos de preparação a realizar no nosso país, perante o Qatar (22 de Janeiro), e a Eslováquia (27 e 28 de Janeiro).

Lista de Convocados:

AD Fundão: Anilton
Axed Group Latina (Itália): Arnaldo
Inter Movistar (Espanha): Cardinal e Ricardinho
SC Braga/AAUM: Tiago Brito e Vítor Hugo
SL Benfica: Bebé, Bruno Coelho e Fábio Cecílio
Sporting CP: Djô, Fábio Lima, João Matos, Paulinho e Pedro Cary

Agora que está feita a escolha, resta-nos apoiar a nossa equipa nacional de futsal e esperar que possam fazer uma excelente campanha para conseguir aquilo que já perseguimos há uns anos e que em 2010 esteve quase a acontecer: Portugal sagrar-se campeão europeu, ou pelo menos repetir a façanha do ano que eu citei anteriormente, isto é, chegar até à final. Mas eu, pessoalmente, não me contento com segundos lugares e acho que não é descabido acreditar que Portugal é capaz de conquistar um grande título a nível continental já para o ano. Porque como eu já há algum tempo ouço dizer: a esperança é a última a morrer!

Foto de capa: futsalglobal.com

Jorge Jesus: El Comandante

0

sporting cabeçalho generíco

Acho que até à presente época nunca tinha dado tanta importância a um treinador como dou a JJ. Se antes achava que por muito bom que o treinador fosse se não tivesse equipa não conseguia fazer nada; agora acredito piamente que é ele quem constrói a equipa. E mais que construir a equipa é ele quem tem a capacidade de transformar um jogador mediano num jogador vencedor.

O actual plantel do Sporting tem poucas mexidas relativamente ao ano transacto e pode até mesmo afirmar-se que perdeu três peças fundamentais na equipa e ficou mais “fraco”. As saídas de Nani e Cédric e a ruptura com Carrillo fizeram com que, aparentemente, quer o sector defensivo quer as alas do Sporting ficassem muito fragilizadas. Ou será que ficaram mesmo?

Sem dúvida que as entradas de Ruiz e o aparecimento de Gelson Martins e Matheus Pereira vieram “apagar” um pouco as sequelas das perdas do plantel leonino; mas isso explica a melhoria notória da equipa verde-e-branca?

Rui Patrício está mais confiante que nunca e é um guarda-redes que joga “à campeão”, isto é, é chamado poucas vezes, mas quando é chamado a defender é, quase sempre, brilhante.

A fraca e “inexperiente” defesa do Sporting é, para já, a menos batida do campeonato.

O meio-campo leonino tem uma qualidade de posse de bola incrível, mesmo tendo um William Carvalho uns furos um pouco abaixo da época passada e umas “alas” mais fragilizadas.

O sector avançado verde-e-branco ganhou com a magia de Ruiz e com a “fúria” argelina de Slimani, um poço de vontade em querer marcar!

Ruiz é a grande diferença no plantel leonino esta temporada e… Jesus agradece a perspicácia dos leões Fonte: Sporting CP
Ruiz é a grande diferença no plantel leonino esta temporada e… Jesus agradece a perspicácia dos leões
Fonte: Sporting CP

E isto deve-se a quem? Aos jogadores? Sim, são eles que jogam, mas Jorge Jesus veio trazer uma dinâmica que antes o Sporting não tinha… um querer, uma vontade, uma fome de títulos e de vitórias. O jogo só acaba quando o árbitro apita… até lá… tem de se querer até mais não! Graças a isso, o Sporting já ganhou alguns jogos bem ao cair do pano.

Na minha singela opinião, clubes que ganham muito, como o Real Madrid e outros que tais, são clubes que se “aburguesam” e que parecem não ter fome de vitórias. JJ tem ganho muito nos últimos anos, mas continua com uma vontade incrível de mais e mais… vontade essa que é contagiante e que se torna até viciante.

Todas as grandes mudanças mundiais dependeram sempre de um líder, de um “Comandante”. O Sporting Clube de Portugal tem finalmente um líder: “El Comandante Jesus”

P.S.- Podemos até nem ser campeões este ano, mas ter o Mister Jesus é garantia que um dia vamos ganhar, mais cedo ou mais tarde…

Foto de Capa: Sporting CP

 

“Sporting na corda bamba”

0

Artigo do sporting na corda bamba

Hoje venho falar de uma realidade alternativa. O Sporting CP foi para o intervalo a perder por 0-2 contra o SC Braga e, após o descanso, não conseguiu anular a desvantagem. FC Porto e SL Benfica venceram os jogos respectivos e, em virtude disso, colocaram-se a um único ponto dos leões. A nação rejubila, substituindo a habitual narrativa do “eu não ligo ao Sporting” pela satisfação de ver o presidente e o treinador mais odiados do país a escorregar. Em seis jogos, esta foi a terceira derrota da equipa de Jorge Jesus, depois da eliminação da Taça e do caricato jogo na Madeira com o União. Se isto tivesse acontecido, não seria difícil imaginar que Portugal inteiro, desde a imprensa ao mais simples adepto rival, caía em cima dos responsáveis leoninos.

Sporting conitnua na corda bamba

Não é, contudo, necessário recorrer a exercícios de imaginação de universos paralelos para ter uma noção clara do que acontece ao mínimo deslize do Sporting, dentro ou fora de campo. N’A Bola de dia 29 de Dezembro, quando o Sporting vinha de dois desaires (Braga e União), da derrota em tribunal com a Doyen e numa altura em que ainda não tinha anunciado o acordo com a NOS, Fernando Guerra assinou um texto que, à distância de três semanas, tem tanto de cómico como de anacrónico. Na peça, intitulada “E agora Bruno Miguel?” (assim mesmo, sem vírgula), o distinto e “imparcial” redactor afirma que, enquanto Vieira e Pinto da Costa “vão solucionando questões complexas dos emblemas a que presidem, Bruno Miguel de Carvalho atira-lhes pedras” (supõe-se que aos problemas e não aos homólogos) e espalha “azedume”. Por entre insinuações de que o presidente do Sporting é tirânico, garoto, vaidoso e o que calhar, tão próprias de adeptos rivais, Guerra (será familiar do outro…?) consegue dizer que “a falar ninguém se lhe compara, mas a mostrar obra… até agora nada”.

guerra
Artigo de Fernando Guerra no jornal A Bola de 29 de Dezembro. Destacam-se as três primeiras colunas

O oportunismo e falta de rigor de textos como este chocariam, não fosse o facto de estarmos em Portugal e de já nenhum Sportinguista se espantar. À habitual fricção própria de uma rivalidade – embora os benfiquistas se sintam bem consigo mesmos a apregoar que “só há o Benfica e o anti-Benfica” – junta-se este ano a péssima digestão que os rivais da Luz têm feito da ida de JJ para o Sporting, com a agravante de, para já, esta estar a revelar-se bem-sucedida. Não foi por acaso que, numa entrevista recente, Jesus disse estar à espera de que os ataques vindos da Luz sejam constantes. O artigo precipitado de Fernando Guerra foi, pois, um pequeno prenúncio do que seria esta semana caso o Sporting não tivesse virado o resultado para 3-2.

Voltemos, contudo, à tal realidade paralela. No dia seguinte à derrota por 0-2 com o Braga não faltam artigos nem personalidades, daquelas que acertam a chave do Euromilhões à segunda-feira, a dizer que Jesus baqueia nos momentos-chave e, explorando ao máximo as derrotas antigas do Benfica de JJ com o Braga para o campeonato, Taça e Liga Europa, bem como a derrota do Sporting com os minhotos para a Taça, defendem que este clube é a “besta negra” de Jesus. No contexto das trocas azedas e infelizes de palavras entre Jorge Jesus e Rui Vitória, o Benfica aproveita a onda para espalhar a mensagem, prontamente posta a circular, de que o seu treinador levou JJ ao tapete nos famosos mind games. Jesus é bombardeado e Vitória sai reforçado. Muitos benfiquistas continuam a cair no ridículo de festejar, com efeitos retroactivos, a derrota do seu próprio clube, então comandado por Jesus, na final da Taça contra um agora confiante Rui Vitória. Com sorte, a ridícula oposição “roquettista” pendura mais um cartaz contra a direcção do Sporting na Segunda Circular.

Apesar de, no mundo real, o Sporting ter vencido o Braga, António Figueiredo, ex-vice-presidente para o futebol no tempo de Manuel Damásio (e, portanto, responsável por contratações tão sonantes como Nelo, Akwá, Bermúdez, Martin Pringle ou Jorge Soares) disse que “Jesus conduziu o Ferrari, despistou-o três vezes e depois lá conseguiu outras três vezes chegar, de forma titubeante, à meta. Agora está a espremer o Fiat, a ver se chega em primeiro”. João Braz Frade, ex-vice presidente de Vale e Azevedo e mais tarde incorporado no vieirismo – bem na linha do “pensamento único” que, enquanto alguns benfiquistas se entretêm a colar o Sporting actual a uma qualquer Coreia do Norte, se vai instalando cada vez mais no clube da Luz – teve o bom gosto de afirmar que o treinador leonino “ladra conforme o dono manda”. Contudo, no mundo alternativo que aqui simulamos, estes simpáticos ex-integrantes de competentíssimas direcções encarnadas foram, como não podia deixar de ser, ainda mais longe nas suas considerações. O tom triunfal foi por demais evidente e roçou níveis de Abril de 2013; o facto de, mesmo com esta derrota, o Sporting continuar a ser líder e, apesar de ter o terceiro maior orçamento, a equipa que melhor joga em Portugal, foram pormenores sem importância.

golo da vitoria
Slimani já cabeceou… e está prestes a mudar radicalmente a semana desportiva
Fonte: Facebook do Sporting CP

Nem vou falar das alucinações dos Pedros Guerras desta vida, a que não dou audiência a bem da minha saúde mental, mas, entre piadas com “Sporting” e “Natal” ou textos mais ou menos provocadores, foi Jorge Baptista quem mais mostrou a sua alegria. Nos estúdios da SIC, o comentador, que em Agosto chamou “calimeros” aos Sportinguistas, não cabia em si de contente na hora de fazer o funeral antecipado ao emblema leonino. Na próxima escorregadela da equipa, talvez já haja margem para se lançar as sementes do início da ruptura entre Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, que muitos diziam ser inevitável mas que, até agora, tem sido tão real como este mundo paralelo que aqui expus.

Contudo, assim como o artigo de Fernando Guerra viu a luz do dia ao primeiro sinal de instabilidade no seio leonino, também não foi a reviravolta categórica do Sporting frente ao Braga que impediu Miguel Cardoso Pereira, responsável pela crónica do jogo no jornal A Bola, de dar um “cheirinho” do que vai nas mentes benfiquistas, transformando a seriedade e o rigor jornalísticos em nada mais do que piadas remotas. Primeiro vem a análise a um primeiro tempo, tão ao lado que nos leva a perguntar se o jornalista não se terá enganado no canal e visto outro jogo: “ainda que entre os 15 e os 40 minutos os leões tenham equilibrado (…) ninguém estranhou os golos dos visitantes”. Depois, o tal bitaite ainda mais surreal, a comentar o golo de Adrien: “Por acaso, [foi] o sexto [penálti] a favor do Sporting nesta liga. É verdade que há dúvidas, que pode ter sido bem assinalada, que o árbitro pelo menos o terá achado (…); mas fica a pergunta: o Sporting queixa-se de quê relativamente às arbitragens?”. Perante isto, creio que não será preciso fazer mais comentários.

goalpoint
Excerto da crónica d’A Bola e as estatísticas do site Goalpoint após o fim da primeira parte
Retirado do blog “O Artista do Dia”

A mesma crónica d’A Bola refere, aliás, que, após os dois golos arsenalistas, “Alvalade chovia de tristeza. Por fora e por dentro”. Ora, isso não podia estar mais longe da verdade. Os adeptos leoninos puxaram pela equipa logo após o 0-2, na ida para o intervalo, no regresso das cabines e um pouco por toda a segunda parte, aumentando de tom à medida que o resultado se ia alterando. O espectáculo nas bancadas, iniciado no 0-0, electrizante no 0-2 e eufórico no 3-2, resultou num clima de apoteose sem precedentes em Portugal, diria eu caso fosse adepto de outro clube e tivesse a mania das grandezas. Como não sou, digo apenas que foi algo inédito no estádio de Alvalade. Se o célebre “minuto 70” gerou tanta euforia no mundo benfiquista, vale a pena imaginar o que seria caso o que ocorreu em Alvalade durante 90 minutos se tivesse passado na Luz durante meros 60 segundos… Como não se passou, deixa de ser um momento memorável para passar a ser apenas um bando de adeptos a gritar as coisas da praxe.

O que é que tudo isto interessa aos Sportinguistas? A verdade é que os jornais, como qualquer observador minimamente atento pode comprovar, são o reflexo de quem manda. Com o desporto-rei não é diferente. Quem detém o poder nos bastidores tem também a hegemonia nos media. E, honra seja feita ao Benfica e a Vieira, nesse aspecto o clube da Luz estende os seus tentáculos com mestria. Talvez seja por isso que, de há uns anos para cá, as críticas de benfiquistas ao estado do futebol nacional tenham passado a rarear – para agora reaparecerem em força, sob a forma de ataques tresloucados a Bruno de Carvalho e a Jorge Jesus. É caso para dizer que, enquanto troçavam do facto de o presidente do Sporting ser um “miúdo”, um “adepto” ou um “novo Vale e Azevedo”, a realidade encarregou-se de lhes passar a perna. O mesmo aconteceu quando se começou a falar da mudança de Jesus para o “clube falido”. Agora tentam reagir, mas é possível – e desejável – que já vão tarde.

Que os Sportinguistas não se deixem enganar: o sistema de dominação benfiquista, aquele dos vouchers e dos telefonemas de Vítor Pereira a árbitros, continua bem vivo. O Sporting é que, até agora, não tem dado hipóteses a ninguém nos relvados. Enquanto Sportinguistas, apenas podemos desejar que as coisas se mantenham assim. Caso isso aconteça, será a vitória do que se passa dentro de campo sobre o que sucede fora dele. E que bom será, para todos nós, podermos testemunhar o regresso em pleno do clube que amamos.

 

Foto de capa: Facebook oficial do Sporting CP

China: A expedição brasileira à nova ‘Terra do Ouro’

0

internacional cabeçalho

Brasil e China estão num declarado “ping-pong” no que concerne ao Futebol. A China dá uma raquetada de doláres, o Brasil devolve com uma raquetada de jogadores.

Desde a primeira transferência de um jogador do futebol brasileiro para o estrangeiro, na década de vinte do século XX, a palavra de preferência como destino tinha sido uma: Europa! Europa no vocábulo do jogador brasileiro significava riqueza, não só de experiência e conhecimento, mas essencialmente financeira. Hoje, o paradigma parece estar a mudar e tem uma nova denominação: China.

A ida do jogador brasileiro para o Oriente não é de todo uma novidade. Que o digam países como o Japão e a Coreia do Sul. A novidade é mesmo a quantia de dinheiro exurbitante que o mercado Chinês está a oferecer em relação a outros mercados, acima até do Europeu. Há tempos, o empresário Marcos Motta se referiu à China como a “El Dorado do Futebol”. Terminada a época desportiva no Brasil, a virada do ano se transformou na ‘febre do ouro’ brasileira. Porém, no início de 2015 a China já havia investido 100 milhões de euros em transferências de jogadores estrangeiros. Dos cerca de 70 jogadores estrangeiros da Superliga Chinesa, um terço era brasileiro.

Um país que se vê seduzido pelo ‘talento’ brasileiro e que tem no presidente chinês Xi Jinping um apaixonado pelo Futebol, alguém que investe e colabora financeiramente com os clubes. Este ano, os jogadores com o ‘velho sonho’ da Europa passam a escolher nos seus passaportes o visto chinês.

aa
Luís Fabiano, Wanderlei Luxemburgo e Jadson assinam pelo T. Quanjian
Fonte: esportes.estadão.com.br

Surge a questão: será que o jogador brasileiro está menos ambicioso do que antes?

A resposta, nos dias de hoje, é curta mas ainda assim não tão simples de responder. Como em muitas outras coisas na vida quotidiana, é necessário relativizar o que é ambição. Ela é relativa porque depende da cabeça de cada um. Assim, o que mudou não foi o grau de ambição, mas a direção a que está destinada. O jogador brasileiro continua ambicioso, mas por um motivo ou com meta diferentes: ganhar muito dinheiro em pouco tempo! Por falar em ambição, Ricardo Goulart – transferido na época passada do Cruzeiro para o Guangzhou Evergrande por 15 milhões de euros –, quando questionado sobre a possibilidade de condicionar a chamada à seleção brasileira com a sua escolha, referiu: “O mundo hoje é tão conectado que você sabe tanto sobre o que está acontecendo na China quanto a respeito do que acontece na Inglaterra” [fonte: revista electrónica Exame, de Fevereiro de 2015]. Ele está certo! Só que se esqueceu de perceber que o nível competitivo de um campeonato nada tem a ver com o outro. No momento da convocatória, isto fará toda a diferença!

Modelo Escada versus Modelo Elevador na independência financeira

Há duas formas de se chegar ao topo de um prédio alto: subindo as escadas ou indo de elevador. É semelhante a forma de medir a ambição de alguns jogadores brasileiros de chegarem ao topo salarial. Subindo as escadas leva mais tempo, exige mais de si e corre um risco maior de não conseguir chegar ao topo. Subindo de elevador o acesso é mais fácil, menos demorado e o risco de não conseguir é quase nulo. Antes, creio que o jogador brasileiro viajava para a Europa no sentido de provar as suas habilidades, superando desafios num campeonato mais competitivo, vendendo o seu talento por um preço interessante. Só que o jogador brasileiro teria de provar que consegue subir as escadas.

A China dá o acesso de elevador: rápido, menos exigente e altamente produtivo [=$]. A propósito, Aloisio (ex-São Paulo FC, transferido para Shandong Luneng) clarifica a sua ambição quando responde à pergunta de quanto tempo iria ficar na China: “Pretendo cumprir meus dois anos de contrato e, se renovar, quero ficar mais cinco aqui. Quero construír a minha independência financeira” [fonte: esportes.estadao.com.br]. Está tudo dito!

O contingente brasileiro na China

O número de jogadores do contigente brasileiro dentro da muralha Chinesa não mudou muito entre os campeonatos desde 2011. Verificando ano a ano: 2011 (28 jogadores), 2012 (29), 2013 (27), 2014 (27) e 2015 (28). O que acontece este ano é que a China começa a contratar brasileiros de outra craveira e por valores astronómicos. Além dos já presentes Tardelli, Robinho, Paulinho, Goulart, entre outros, chegam os estreantes Jadson, Luis Fabiano, Ralf, Renato Augusto e, possivelmente, Ganso, Pato e Elias. Além dos jogadores, também crescem as equipes técnicas canarinhas, lideradas pelos mediáticos técnicos brasileiros: Scolari; Vanderlei Luxemburgo; e Mano Menezes, este com um ordenado mensal a rondar os 450.000 €. Nomes e valores que trazem outra visibilidade!

Renato Augusto foi um dos craques do Brasileirão Fonte: Facebook de Renato Augusto
Renato Augusto foi um dos craques do Brasileirão
Fonte: Facebook de Renato Augusto

A Europa paga o ‘justo’, a China vende o ‘sonho’

As pessoas perguntam: o que acontece para que o Renato Augusto (27), um dos melhores do Brasileirão de 2015, rejeite a Europa e rume à China? Simples. Hoje, a Europa paga um preço justo, de acordo com a capacidade e a margem de progressão futebolística do jogador brasileiro face a outros mercados e de acordo com o Futebol Mundial globalizado. A China não! Assim, dificilmente Renato Augusto receberia mais de 200.000 € mensais em qualquer uma das equipas europeias interessadas. Só que esse era o valor que ele ganhava no Brasil (R$ 800 mil/mês). Porém, na China irá ganhar cerca de 457.000 € mensais (!!!). São mais de cinco milhões de euros por época. Os R$ 2 MILHÕES/mês não é só muito dinheiro no Brasil. É uma fortuna em qualquer parte do Mundo. Compreende-se a escolha?!

Os “(Des)Egos” brasileiros: (Des)atualização, (Des)valorização e (Des)interesse

Enquanto o talento brasileiro parece escassear, o futebol moderno começa a prosperar. Hoje, a modernização da sociedade leva a uma analfabetização motora geral ou à excessiva era informática e digital das crianças e jovens. Consequentemente, na ausência do talento o valor futebolístico surge pela intelectualização do jogo, pela qualidade dos estímulos no treino, através da periodização de princípios comportamentais de jogo e por padrões de treino que promovam a alta intensidade da performance. Todos juntos melhorarão a qualidade de jogo.

A verdade é que o Brasil, na minha humilde opinião, atravessa, ainda hoje, uma retrocesso metodológico. Há declaradamente um desinteresse por aprender e aceitar o que se ensina lá fora, uma desvalorização por ideias revolucionárias e pela evolução dos modelos de jogo, de treino e de jogador. As formas de se treinar o jogo de Futebol parecem estar desatualizadas [pelo que muita gente fala], mas pouco se faz para mudar e isso traduz-se em atrasos adaptativos dos jogadores a modelos de jogo e treino mais modernizados. Sobretudo, face a outros jogadores sul americanos. Constata-se até a diferença entre o sucesso ‘além-fronteiras’ do técnico argentino face ao técnico brasileiro.

O maior empecilho do ego é a auto-cegueira: só nao vê quem não quer! A Europa está atenta, e hoje paga ao brasileiro aquilo que é devido, só que a China paga o pedido. Cada vez mais a Europa, para inverter as lacunas na formação do jovem jogador brasileiro, contrata prematuramente. Assim, paga muito menos e forma muito mais! Hoje, se um brasileiro talentoso não emigra para a Europa até aos 22 anos, o ‘sonho antigo’ é comprado pelos chineses! A China está pondo o mundo do Futebol de ‘olhos em bico”, especialmente os jogadores brasileiros, que, na hora de contar o salário mensal, são quem mais colocam os olhos em visão PalPlus para que permita alcançar os 9 dígitos do ordenado. Haja ambição na ‘terra do ouro’!

Foto de Capa: theworldgame

O Euro’2016 já mexe!

internacional cabeçalho

Só agora demos as boas vindas a 2016, e o Europeu só se joga em França lá para o verão. Mesmo havendo muito a desenrolar ao nível de clubes, escolhi abordar este tema devido ao mediatismo que começa a caraterizar esta edição, mesmo antes de a bola começar a rolar.

Os pontos de debate são das mais diversificadas índoles; desde terrorismo, seleções em estreia, regressos após longínquo afastamento, candidatos e outsiders à conquista do torneio. Pois se os acontecimentos em Paris podem levar ao afastamento do público, ou pelo menos criar um clima de receio em torno da competição, é no jogo jogado que se encontra o busílis deste artigo.

44 anos após a última participação, a Hungria regressa a um Europeu. Na baliza estará o badalado guardião das calças de fato de treino, que, aos 40 anos, vai estrear-se numa grande competição. Se a intermitente carreira de Gábor Király receberá esta benesse, houve outros que pagaram a fatura de nascerem num país com pouca expressão futebolística, tendo de lidar com o infortúnio de nunca disputarem um Europeu ou um Mundial (ex.: os lendários Ryan Giggs e George Best).

Contudo, a constante mutação deste desporto é comprovada com os apuramentos galeses e norte irlandeses. Gareth Bale, Ramsey e Joe Allen beneficiarão da oportunidade que não tivera o adjunto de Van Gaal. Já o malogrado Best, que tivera no United o apogeu da sua carreira, terá os seus compatriotas Roy Carrol e Jonny Evans, que, a título de curiosidade, são jogadores que também defenderam as cores dos Red Devils (longe do sucesso de Best), como as figuras de proa da sua Irlanda do Norte. Sigurdsson, Eidur Gudjohnsen e Skrtel têm em comum com os jogadores acima mencionados o destaque alcançado em terras de sua Majestade. Os primeiros irão defender as cores da Islândia na sua esteia. Skrtel e o médio ofensivo do Nápoles, Hamsik, são as figuras mais cintilantes do conjunto eslovaco, que completa o naipe das seleções estreantes num Europeu.

O Euro'2016 promete! Fonte: UEFA
O Euro’2016 promete!
Fonte: UEFA

Os candidatos crónicos à conquista estarão todos presentes, desde a anfitriã França, à campeã do mundo Alemanha ou à renovada Espanha de Del Bosque. A única exceção é mesmo a «Laranja Mecânica». Inglaterra e Itália certamente também terão a sua posição nestas contas.  Mesmo com este quadro, Fernando Santos não se fez rogado e assumiu Portugal como um dos candidatos à vitória final.

Portugal até poderia nem ser um outsider à conquista do torneio. Teria, apenas, de recorrer, também no futebol, a um resgate externo. Ao invés de termos de jogar sem avançado, e de no banco termos, normalmente, apenas um jogador (este que padece do mesmo estatuto no Swansea padece do mesmo estatuto, intercalando o banco com a bancada), seria tão mais simples se houvesse um género de «Troika» do futebol.

Qualquer excedentário dos grandes candidatos seria de extrema utilidade, tais como: os franceses Benzema, Griezmann, Giroud, Martial, Lacazette, Nabil Fekir, Remy, Gignac, Gomis, Kévin Gameiro; os alemães Muller, Gómez, Kruse, Volland, Podolsky; os espanhóis Diego Costa, Morata, Paco Alcácer, Fernando Torres, Rodrigo, Negredo; Llorente; os ingleses Rooney, Harry Kane, Welbeck, Sturridge, Vardy, Berahino; e os italianos Balotelli, Éder Matins, Zaza, Immobile, Pellé, Destro. Mesmo que uma grande parte destes fique a ver o Euro pela televisão, talvez não fosse boa ideia pedir emprestado a um rival.

Vicente Del Bosque, numa entrevista concedida ao diário argentino “OLÉ”, referiu que um dos principais problemas da seleção alviceleste residia no número avulto de avançados. (Obrigado pela dica, Vicente, de facto Aguero, Tévez, Higuain, Dybala, Lavezzi, Icardi, Palacio, Vietto, Guido Carrillo, qualquer um deles daria muito jeito, sim!)

Fonte: UEFA
Éder é um dos poucos pontas-de-lança de Portugal
Fonte: UEFA

Esta apatia das quinas com o homem-golo transporta-nos, na melhor das hipóteses, para um estatuto de outsider com legítimas aspirações, talvez equiparados aos conjuntos da Bélgica ou da Croácia. Se nos “Diabos Vermelhos” nomes como Courtois, Alderweireld, Kompany, Vertonghen, Nainggolan, Fellaini, Witsel, De Bruyne, Januzaj, Eden Hazard, Bakkali, Chadli já têm estatuto de alta qualidade, adicionando os finalizadores Lukaku, Benteke, Origi, Batshuayi ou Depoitre terão por certo os belgas capacidade para elevar o nível demonstrado no Brasil.

Mesmo Niko Kovac, não contando com nomes como Suker ou Boban, possui elementos com algum estatuto. Subasic, Srna, Lovren, Corluka, Badelj, Brozovic, Pasalic, Kovacic, Rakitc, Halilovic, Modric,Perisic são jogadores de grande qualidade, e com o selo de golo de Mandzukic, Kalinic, Olic, Pjaca e Kramaric, os croatas parecem ter mais do que argumentos para se intrometerem na luta pela vitória.

Foto de Capa: UEFA

Ignacio Camacho – O Suspeito do Costume do Málaga CF

0

cab la liga espanha

Após um início de temporada algo atribulado na Liga BBVA, o Málaga CF, dos portugueses Flávio Ferreira, Duda, Fábio Espinho e Ricardo Horta, parece ter finalmente encontrado o caminho certo e, não fossem os desaires contra o CD Mirandés para a Copa del Rey, poderia dizer-se que o mês de Dezembro foi quase perfeito para o conjunto da Andaluzia.

Uma vitória pela margem mínima diante do Levante UD no Estadio Ciutat de Valencia permitiu ao Málaga CF fechar o ano de 2015 em beleza e numa posição bastante mais confortável na tabela classificativa. Os Boquerones começaram o novo ano como terminaram o anterior e a boa forma do conjunto andaluz fez-se novamente notar na partida da ronda 18, perante o RC Celta de Vigo, em La Rosaleda, onde os homens de Javi Gracia foram claramente superiores à formação galega, que deixou, na verdade, uma pálida imagem daquilo que realmente consegue fazer.

O Málaga CF, que ocupa à data deste artigo o 10.º lugar da tabela classificativa, vem de quatro vitórias consecutivas para a Liga BBVA e parece, pelo menos para já, ter definitivamente ultrapassado aquele início de época catastrófico, durante o qual o conjunto andaluz apenas conseguiu a primeira vitória ao fim de sete jornadas. As vitórias perante a Real Sociedad e o Deportivo de La Coruña não serviram porém para relançar a equipa na senda do sucesso e, apenas dois jogos depois, os homens de Javi Gracia estavam de volta aos resultados negativos, sofrendo três derrotas consecutivas.

Málaga CF – O desafio hercúleo de Javi Gracia Fonte: La Tarjeta Blanca
Málaga CF – O desafio hercúleo de Javi Gracia
Fonte: La Tarjeta Blanca

Muita dessa inconsistência de início de época deveu-se à ausência daquele que é o seu elemento mais criativo e, porventura, o melhor jogador da equipa: o aragonês Ignacio Camacho. O antigo internacional espanhol tem sido assolado por consecutivas lesões esta temporada e a sua ausência tem deixado a equipa órfã de uma voz de comando no sector intermédio do terreno e tem, ao mesmo tempo, obrigado Javi Gracia a improvisar o corredor central do seu habitual 4-4-2. O regresso do antigo médio colchonero à equipa aconteceu precisamente na visita do Atlético Madrid a La Rosaleda, a 20 de Dezembro. Neste seu regresso ao onze titular, Camacho fez dupla com Recio no centro do terreno e a prestação de ambos influenciou, e muito, a forma de jogar da equipa.

Camacho jogou e fez jogar, fez inúmeras recuperações de bola e foi, sem dúvida, o homem da partida. O médio aragonês vai já na sua quinta época ao serviço dos Boquerones e é legítimo dizer-se que parece não saber jogar mal. De acordo com os dados oficiais da Liga BBVA, Camacho, que apenas participou em cinco jogos esta temporada, acertou 197 dos 264 passes que já efectuou este ano e realiza uma média de 61 passes por jogo, sendo que cerca de 40 desses passes são feitos durante os movimentos atacantes da sua equipa. Em termos defensivos, o médio de 25 anos já conseguiu 16 intercepções de passes e apresenta também uma taxa muito satisfatória nos duelos individuais a seu favor, tendo ganho mais de metade daqueles em que se envolveu.

Poderá dizer-se que Camacho é actualmente o pêndulo do conjunto andaluz e o verdadeiro motor da equipa. A sua classe ofusca jogadores como Recio, que, apesar de ser um médio de boa qualidade, perde protagonismo quando joga ao lado de Camacho. O facto de ter começado a época lesionado poderá, na verdade, ter sido “positivo” para o Málaga CF, caso contrário teria sido seguramente mais um a abandonar o barco da equipa andaluz, que continua um pouco à deriva no centro de uma tempestade financeira que parece não ter fim. Camacho é o último internacional AA espanhol que resta na equipa depois da saída de Juanmi para o Southampton FC ,no passado mês de Junho, e, caso os responsáveis da formação andaluz não se acautelem, o médio aragonês poderá também seguir as pisadas dos seus companheiros que abandonaram a equipa no último Verão.

Ignacio Camacho é a chave do sucesso recente do Málaga CF Fonte: La Ópinion de Malaga
Ignacio Camacho é a chave do sucesso recente do Málaga CF
Fonte: La Ópinion de Malaga

O Málaga CF é actualmente, e contra todas as expectativas, a segunda melhor defesa da Liga BBVA, tendo encaixado apenas 15 golos nas partidas que disputou. Apenas o Atlético Madrid de Diego Simeone consegue superar o conjunto andaluz neste tópico, algo que de certa forma abrilhanta o trabalho de Javi Gracia, o técnico natural de Pamplona que tomou as rédeas do Málaga CF no final de Maio de 2014 e que tem, perante um infinito rol de contrariedades, conseguido dar a volta por cima, mantendo os Boquerones à tona das turbulências e no convívio entre os grandes do futebol espanhol.

Foto de Capa: Marca.com

Por um janeiro de reforços e sem saídas

sporting cabeçalho generíco

O jogo de Setúbal, a meio da semana, confirmou a existência de mais uma variante do rosto ofensivo do Sporting 2015/16. A goleada frente aos sadinos marcou a estreia de Bruno César com a camisola “verde e branca” e pode ter espicaçado mais a luta pela titularidade aos dois “cafeteros” do plantel: Teo Gutiérrez e Fredy Montero.

Mas porque é que eu estou a relacionar o Bruno César com os dois colombianos? Porque o aparecimento do “Chuta-Chuta” no lado esquerdo do meio campo, à frente de Jefferson, acaba por desviar Bryan Ruiz para o corredor central, jogando no apoio mais direto a Slimani. O flanco canhoto acabou por funcionar na perfeição, com dois golos de Bruno César, com assistências dos dois brasileiros para outros golos da equipa e com a construção do golo de Aquilani a fazer-se também por ali. Tendo isto em conta, é previsível que Jorge Jesus mantenha a aposta nas próximas partidas, assumindo Bryan um novo papel, que não lhe é assim tão estranho. Seja no Twente, no Fulham ou na sua seleção, o costarriquenho já tinha desempenhado funções na zona central e tem as duas principais características para isso: boa capacidade de finalização e uma inteligência de jogo bem acima da média, quer na libertação de espaços para outros colegas aparecerem em boa posição para faturar, quer na execução do último passe, como ficou provado no segundo golo do clássico frente ao FC Porto.

Com esta derivação de Bryan Ruiz para o meio, fica mais complicada a vida para Teo e Fredy. O primeiro está desde o Natal (há tempo demais, na minha ótica) na Colômbia a recuperar de uma lesão. Têm corrido alguns rumores na imprensa sobre a possível saída do internacional colombiano, com Cerro Porteño, River Plate e Junior Barranquilla a serem os destinos indicados como possíveis para a sua saída. A verdade é que o atraso na vinda de Teo tem ajudado a alimentar estes rumores e espero que volte o mais rapidamente possível a Portugal e à preparação da equipa, tendo em vista os cinco meses que faltam de competição. Já Fredy Montero, que tem estado na sombra de Teo na primeira metade da época, também perde na luta com Bryan Ruiz, só que Montero é daqueles jogadores que parece valer mais a saltar do banco de suplentes (lembremo-nos do jogo com o Nacional) do que sendo titular, onde já teve desempenhos dececionantes (como na receção ao Paços de Ferreira, em agosto).

Alberto Aquilani é mais um sinónimo de classe e nota artística neste Sporting. Fonte: Sporting CP
Alberto Aquilani é mais um sinónimo de classe e nota artística neste Sporting
Fonte: Sporting CP

Voltando a falar em particular de Bryan Ruiz, esta sua posição já tinha sido testada, essencialmente nas deslocações da Liga Europa. Em Istambul, fez companhia a Teo, e em Moscovo jogou nas costas de Montero, tendo marcado mesmo um golo sublime após jogada de entendimento com o avançado. Sobre este cenário, prefiro mesmo ver Ruiz na companhia a Slimani, porque me parece ser o mais inteligente entre as três opções possíveis e porque abre espaço a Bruno César, um jogador que teve uma estreia de encher o olho e que tem uma capacidade de remate assinalável, característica que muito me agrada, e que já fez falta em alguns jogos onde o Sporting defrontou equipas muito defensivas e que praticaram muito antijogo.

Contudo, fala-se perigosamente de algumas saídas agora em Janeiro, como a já citada de Teo Gutiérrez, o interesse (proibido) do Crystal Palace em Slimani ou a de Alberto Aquilani. Os rumores de possível saída do italiano também me assustam de verdade. O dono da camisola 6 é um dos suplentes mais utilizados, a par de Ewerton ou Gelson Martins, e é um importante suporte para o nosso meio campo. Tem marcado golos, vai dar muito jeito para a segunda volta do campeonato e transmite uma experiência e uma classe ao jogo da equipa que, na minha opinião, só pode ser comparável a João Mário ou Bryan Ruiz. Com a sua leitura de jogo e a estaleca que já tem, depois de já ter jogado no Liverpool, Roma e Fiorentina, Aquilani é daqueles jogadores que nunca serão problema, porque raramente joga mal e acrescenta sempre alguma coisa de positivo ao clube. Por isso, aconselho aos responsáveis da Sampdoria, do Génova e do Bolonha, entre outros: esqueçam o Aquilani, se quiserem levem o André Martins, ou partam para outros alvos. O Alberto vai lutar por receber uma faixa em maio.

Se jogarmos sempre como no clássico ou em Setúbal, estaremos mais perto…

Foto de capa: Sporting CP

CD Nacional 1-4 SL Benfica: Jonas para todos os males

cabeçalho benfica

Take II da visita do Benfica à Choupana, após mais uma manobra de diversão do nosso campeonato na noite de ontem, com a partida a retomar-se aos 7 minutos e meio. Se já não é fácil jogar na casa do Nacional em condições normais, muito menos o é com o adiamento do jogo e com um relvado mais próprio para plantar batatas do que para se jogar futebol. Face a estas condicionantes, podia esperar-se uma partida mais jogada na raça do que na técnica e não com tanta qualidade como se verificou.

Excelente entrada da equipa de Rui Vitória na partida, coleccionando oportunidades de golo durante a primeira parte. Primeiro por Carcela (excelente jogo do marroquino) perdoou isolado e Jonas à boca da baliza fez o que não é habitual. Não tardou, pois, a corrigir o primeiro falhanço. Aos 22 minutos, Carcela tirou um cruzamento milimétrico do flanco esquerdo e Jonas tratou de encaminhar a bola para o fundo da baliza, com um excelente cabeceamento. Resultado justo e que até pecava pela escassez, tal o desperdício de chances de golo face a um Nacional que, aqui e ali, até ia assustando a defensiva encarnada através de bolas paradas.

60 jogos e 51 golos de águia ao peito...; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
60 jogos e 51 golos de águia ao peito
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica 

Com o relvado a piorar de minuto para minuto e o nevoeiro a ameaçar (outra vez…), era importante que o Benfica aumentasse rapidamente a vantagem no início da segunda parte. Não aconteceu e foi mesmo o Nacional a aproveitar um lance patético da dupla de centrais encarnada: Jardel e Lisandro atrapalharam-se com a bola e Soares aproveitou a displicência para chegar ao empate logo no reatar do jogo. Resultado que podia fazer abanar o Benfica, que então atacava para a metade do relvado em pior estado. Não aconteceu e percebeu-se que, face à confiança que vem apresentando nos últimos jogos, seria uma questão de tempo para o Benfica se colocar de novo na frente do marcador. E quem mais poderia ser? Jonas, pois claro. Um nome incontornável em todos os êxitos do Benfica desde que chegou à Luz. Jiménez aproveitou a desatenção da defesa alvi-negra e fez um bom cruzamento ao qual o brasileiro respondeu “sim” com um remate de primeira de pé esquerdo.

O mesmo Jonas completaria o hat-trick minutos depois, de novo da cabeça após mais um cruzamento, desta vez de André Almeida, do lado direito. Já era tempo de os inúmeros cruzamentos que o Benfica faz por jogo terem alguma consequência positiva. O 1-3 praticamente resolvia o jogo, que o Benfica controlaria até ao fim, não sem antes Mitroglou selar o resultado final com um bom pontapé rasteiro. Registo ofensivo impressionante:45 golos em 17 jogos do campeonato, sendo que em quatro deles o Benfica ficou em branco…  Em suma, a melhor partida do Benfica fora da Luz e uma consistência cada vez maior em todos os sectores da equipa. As entradas de Nélson Semedo e Grimaldo (Eliseu tem 4 amarelos, a entrada do espanhol não deve tardar…) e o regresso de Gaitán (sem contar com a incógnita Salvio) serão cruciais para o Benfica continuar a sonhar com o tricampeonato.

A Figura:

Jonas – Não podia ser de outra forma. O primeiro hat-trick de Jonas ao serviço do Benfica deu uma excelente vitória num terreno sempre complicado. De pé direito, de pé esquerdo, de cabeça…É como quiserem. Jonas é um dos melhores jogadores do Benfica nas últimas largas décadas. 18 golos e 6 assistências em meio campeonato: os números falam por si.

O Fora-de-Jogo:

Renato Sanches – Ao contrário de Fejsa, que fez uma grande exibição e já agarrou o lugar de Samaris, o jovem português esteve muitos furos abaixo do que pode fazer. Parece ainda estar “verde” para jogos combativos em relvados como o da Choupana.

GD Direito Campeão Ibérico: Um jogo, Duas Vitórias

0

cab Rugby

O Grupo Desportivo de Direito, actual campeão nacional, recebeu esta tarde o campeão espanhol – Valladolid (VRAC) – no Centro de Alto Rendimento do Jamor, um jogo onde se disputava Supertaça Ibérica e a última jornada de qualificação da Challenge Cup – a segunda maior competição de rugby europeu.

Os homens de Martim Aguiar apresentavam-se na máxima força, do lado espanhol também a equipa de Valladolid se apresentou em Oeiras com as suas principais peças, entre elas Nuno Penha e Costa, antigo jogador do CDUL.

Os lisboetas até entraram pior, consentindo três pontos logo nos minutos iniciais após uma falta no chão. Mas a atitude dos advogados marcaria a diferença, com muita qualidade na velocidade imposta no jogo à mão. Nuno Sousa Guedes empataria a partida após uma penalidade bem conquistada. Os espanhóis demonstravam-se algo receosos, mas acabariam por converter mais uma penalidade. Na resposta, desta vez, António Ferrador marcaria o primeiro ensaio e o Direito seguia, pela primeira vez, na liderança da partida, e não haveria alterações no resultado até ao final do primeiro tempo.

Apesar do mau tempo, o público aderiu em massa para ver o GD Direito sagrar-se campeão ibérico
Apesar do mau tempo, o público aderiu em massa para ver o GD Direito sagrar-se campeão ibérico

A segunda parte traria um VRAC apostado no jogo em velocidade e não tardou a haver frutos. Nova penalidade para “nuestros hermanos”, nova mexida no marcador. Mas Adérito Esteves e Nuno Sousa Guedes, com uma jogada de laboratório, conquistariam pouco depois um alinhamento que daria em nova penalidade… Que Nuno Sousa Guedes, uma vez mais, não desperdiçaria. Os espanhóis ainda assustaram, com várias jogadas de qualidade, mas a defesa dos advogados portou-se à altura e Pedro Leal e Nuno Sousa Guedes construíram, juntos, uma autêntica muralha que os espanhóis não conseguiam ultrapassar. O VRAC não marcava, Nuno Sousa Guedes não desperdiçava e conquistava mais três pontos após um pontapé aos postes.

De igual forma, a equipa adversária marcaria logo a seguir. Com o jogo a entrar na etapa final e com a partida a ser comandada, nesta altura, mais com o coração do que com a cabeça, eis que surge João Correia a aproveitar um enorme erro da defesa espanhola e a rubricar o segundo ensaio do jogo. A vitória parecia definitiva e ainda houve tempo para Nuno Sousa Guedes marcar a sua quarta penalidade. Resultado final: 22-12. O GD Direito garantia, assim, o seu quarto troféu ibérico, igualando Benfica, El Salvador e Santboiana.

Foi um jogo onde sobressaiu menos a qualidade técnica mas onde existiu muito combate, muita raça e muito espírito de equipa. Nuno Sousa Guedes com a sua velocidade e preponderância, João Correia e Vasco Uva com uma frescura física impressionante (velhos são os trapos!) foram os melhores jogadores da partida.

É de destacar, por último, que esta foi a primeira vitória portuguesa de sempre num jogo a contar para uma competição europeia.

Foto de Capa: @MR